Características da Autodefesa Jurídica
Características da Autodefesa Jurídica
Defensoria Pública
Semestral
RODADA 01 - 05.02.2020
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CORPO DOCENTE
Caio Paiva. Defensor Público Federal e Especialista em Ciências Criminais. É autor/coautor dos
livros Audiência de Custódia e o Processo Penal Brasileiro, Jurisprudência Internacional de
Direitos Humanos, Prática Penal para Defensoria Pública, Direito da Criança e do Adolescente
– Caderno de Jurisprudência e Comentários à Lei Nacional da Defensoria Pública.
Daniel Chiaretti. Juiz Federal Substituto em Foz do Iguaçu – PR (aprovado no XVII Concurso
do TRF4). Bacharel em Direito e Filosofia pela USP. Mestre e Doutorando em Ética e Filosofia
Política pela USP. Ex-Defensor Público Federal. Coautor da obra “Comentários ao Estatuto
dos Refugiados” (Ed. CEI - 2019).
Tiago Fensterseifer. Defensor Público (SP). Doutor e mestre em Direito Público pela PUCRS
(ex-bolsista do CNPq), com pesquisa de doutorado-sanduíche junto ao Instituto Max-Planck
de Direito Social e Política Social de Munique, na Alemanha (ex-bolsista da Capes). Professor
convidado de diversos cursos de especialização em Direito Constitucional e Direito Ambiental
(PUCSP, PUC/Rio, PUCRS, Escola Paulista da Magistratura, Escola Superior do MP/DF, entre
outros). Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Direitos Fundamentais da PUCRS
(CNPq). Autor e coautor de diversas obras jurídicas. Membro-eleito do Conselho Superior
da DP/SP (2008- 2010). Membro colaborador do Núcleo Especializado de Direitos Humanos
da DP/SP (2007-2012). Examinador de diversos concursos para o cargo de Defensor Público
Estadual (SP, BA e ES). Defensor público do Estado de São Paulo (desde 2007).
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Rômulo Luis Veloso de Carvalho. Defensor Público (MG). Mestre e doutorando em direito
penal pela PUC-MG. Conselheiro Penitenciário do Estado de Minas Gerais. Defensor Público
do Estado de Minas Gerais. Autor de livro, professor universitário e de cursos preparatórios.
Tathiane Campos Soares. Defensora Pública (AP). Aprovada nos concursos públicos
de Defensoria Pública do RJ, RS, PE, AP e AC. 1.ª colocada geral no concurso público da
Defensoria Pública do Estado do Amapá. Mestre em Direito Empresarial. Pós-Graduaçao em
Direito administrativo empresarial - UCAM. Pós-Graduação na EMERJ. Graduada na UFRJ.
Professora de Direito Empresarial da UFRJ.
Franklyn Roger. Defensor Público (RJ). Doutor e Mestre em Direito Processual (UERJ).
Professor de Princípios Institucionais da Defensoria Pública e Processo Penal.
Rodrigo Murad do Prado. Defensor Público (MG). Criminólogo. Doutorando em Direito Penal.
Mestre em Direito. Pós-graduado em Criminologia. Pós-graduado em Direito Constitucional.
Pós-graduado em Direito de Família e Pós-graduado em Direito Privado. Professor e autor de
obras jurídicas na seara do Direito Penal e Criminologia.
Júlio Camargo de Azevedo. Defensor Público (SP). Mestrando em Direito Processual Civil pela
Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Direito Processual Civil e Bacharel pela
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Coordenador do Grupo
de Estudos de Direito Processual Civil da Defensoria Pública de São Paulo (GEDPC-DPSP).
Membro do Centro de Estudos Avançados de Processo (CEAPRO). Membro colaborador do
Núcleo Especializado de Promoção dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Estado
de São Paulo (NUDEM). Mediador formado pelo Instituto de Mediação Transformativa.
Professor convidado de Cursos Preparatórios para Concurso Público e de Cursos de Pós-
graduação. Vencedor do VII Prêmio “Justiça para Todas e Todos – Josephina Bacariça” na
categoria Defensor Público.
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Daniele Lovatte Maia. Doutoranda e Professora de Direito Penal da UFF. MEstrado em Direitos
Humanos pela UFRJ.
Felipe Pires Pereira. Defensor Público (SP). Doutor em Direito Civil pela PUCSP. Professor da
Unisantos.
Gustavo Goldzveig. Defensor Público (SP). Formado em Direito pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo. Especialista em Direito Público. Mestre em Direito pela Universidade
Santa Cecília. Professor de Cursos Preparatórios de Concursos. Palestrante e autor.
Wesley Sanches Pinho. Defensor Público (SP). Graduado em Direito pela Universidade
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Especialista em Ciências Penais pela
Universidade Anhanguera. Membro Colaborador do Núcleo Especializado de Cidadania e
Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.
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APRESENTAÇÃO
Caro(a)s alunos, sejam bem-vindo(a)s ao nosso curso CEI-Defensorias – Intensivo Semestral 2020.
Obrigado por confiarem no nosso projeto e no nosso trabalho!
Nos próximos meses, por meio de questões objetivas, questões discursivas, peças judiciais, videoaulas e
interação no grupo do telegram (exclusivo para os alunos matriculados na turma com correção), faremos
uma imersão no estudo para os concursos das Defensorias Públicas.
Aproveitem bastante o curso! Utilizem as questões objetivas para simular uma primeira fase e as questões
discursivas e as peças judiciais para simular uma segunda fase. Para isso, evitem qualquer tipo de consulta
para responder as questões objetivas e consultem apenas a legislação seca para responder as questões
discursivas e as peças judiciais.
O CEI já fez a diferença na trajetória de muitos alunos e alunas que hoje são nossos colegas de Defensoria
Pública. Este pode ser o seu ano. A realização do seu sonho profissional pode estar perto. Faça a sua
parte.
Durante todo o curso, estarei à disposição, como professor e coordenador, para dúvidas, críticas ou
considerações.
Bons estudos!
Caio Paiva
Defensor Público Federal
Coordenador
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SUMÁRIO
CORPO DOCENTE................................................................................................................................ 2
APRESENTAÇÃO.................................................................................................................................. 5
CRONOGRAMA.................................................................................................................................... 8
QUESTÕES OBJETIVAS SEM O GABARITO COMENTADO........................................................................ 9
DIREITO CONSTITUCIONAL........................................................................................................ 9
DIREITO ADMINISTRATIVO........................................................................................................11
DIREITO TRIBUTÁRIO...............................................................................................................14
DIREITO PENAL........................................................................................................................15
CRIMINOLOGIA.........................................................................................................................17
DIREITO PROCESSUAL PENAL...................................................................................................17
EXECUÇÃO PENAL....................................................................................................................19
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE................................................................................21
DIREITO CIVIL...........................................................................................................................24
DIREITO PROCESSUAL CIVIL.....................................................................................................27
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS..............................................................................................29
DIREITO EMPRESARIAL ............................................................................................................32
PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS DA DEFENSORIA PÚBLICA...........................................................34
FILOSOFIA DO DIREITO E SOCIOLOGIA JURÍDICA.......................................................................36
DIREITOS HUMANOS................................................................................................................37
GABARITO..........................................................................................................................................41
QUESTÕES OBJETIVAS COM O GABARITO...........................................................................................42
DIREITO CONSTITUCIONAL.......................................................................................................42
DIREITO ADMINISTRATIVO........................................................................................................61
DIREITO TRIBUTÁRIO...............................................................................................................69
DIREITO PENAL........................................................................................................................76
CRIMINOLOGIA.........................................................................................................................87
DIREITO PROCESSUAL PENAL...................................................................................................90
EXECUÇÃO PENAL..................................................................................................................105
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE..............................................................................113
DIREITO CIVIL.........................................................................................................................130
DIREITO PROCESSUAL CIVIL...................................................................................................150
DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS............................................................................................165
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DIREITO EMPRESARIAL...........................................................................................................182
PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS DA DEFENSORIA PÚBLICA.........................................................187
FILOSOFIA DO DIREITO E SOCIOLOGIA JURÍDICA.....................................................................192
DIREITOS HUMANOS..............................................................................................................202
QUESTÕES DISCURSIVAS.................................................................................................................219
DIREITO CONSTITUCIONAL.....................................................................................................219
DIREITO ADMINISTRATIVO......................................................................................................220
PEÇA CÍVEL......................................................................................................................................221
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CRONOGRAMA
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🏳🏳 DIREITO CONSTITUCIONAL
A) O constitucionalismo é um fenômeno que se verifica apenas a partir das revoluções liberais, não
havendo qualquer exemplo histórico anterior de experiências constitucionais.
C) O constitucionalismo liberal, que se concentra no período das revoluções liberais, tem como
função precípua a limitação do poder do estado e a garantia de direitos.
A) De acordo com o Supremo Tribunal Federal, normas anteriores à Constituição que com ela
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A) A Constituição do Império de 1824 previa a divisão dos poderes entre judiciário, legislativo,
executivo e moderador.
C) A Constituição de 1934 prevê, pela primeira vez, o mandado de segurança como remédio
constitucional.
D) A Constituição de 1937 prevê, pela primeira vez, o mandado de segurança como remédio
constitucional.
QUESTÃO 5. No tocante à eficácia dos direitos sociais previstos na Constituição Federal e ao princípio
da proibição do retrocesso social, analise as afirmativas.
I – Embora outras Constituições brasileiras tenham previsto normas versando sobre justiça social e
mesmo alguns direitos sociais, como os direitos dos trabalhadores, foi apenas no texto da Constituição
Federal de 1988 que os direitos sociais foram efetivamente positivados na condição de direitos
fundamentais.
II – O art. 6º da Constituição Federal apresenta os direitos sociais como direitos fundamentais, dentre
os quais o direito à educação, à alimentação, o trabalho, a moradia e o transporte, todos previstos
originariamente no texto constitucional.
III – Diante de seu caráter preponderantemente prestacional, não se pode cogitar a aplicabilidade
direta das normas definidoras de direitos fundamentais, as quais possuem natureza jurídica de normas
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A) I e III, apenas.
B) II e IV, apenas.
C) I, apenas.
D) IV, apenas
E) II e IV, apenas.
QUESTÃO 6. No que diz respeito aos direitos sociais, à intervenção judicial na implementação de
políticas públicas e ao mínimo existencial, assinale a opção correta.
C) Para o STF, a tese da reserva do mínimo possível é aplicável apenas se restar comprovada a
real falta de recursos orçamentários pelo poder público, pois não é admissível como justificativa
genérica para eventual omissão estatal na efetivação dos direitos fundamentais.
D) Uma decisão judicial que ordenasse à administração pública a execução de obras emergenciais
em um estabelecimento prisional, necessárias para a garantia da integridade física dos detentos,
seria uma afronta ao princípio da separação dos poderes, segundo entendimento do STF.
🏳🏳 DIREITO ADMINISTRATIVO
QUESTÃO 7. Assinale a alternativa CORRETA tendo em vista o conteúdo dos princípios de direito
administrativo.
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B) A legalidade encontra-se inserida num contexto maior, que a doutrina vem denominando como
o de juridicidade, apontando que a Administração deve obedecer não apenas à lei em sentido
estrito, mas também a todo um conjunto de preceitos a incluir princípios expressos ou implícitos
constitucionais, tratados internacionais e mesmo princípios gerais de direito, compondo o que se
denomina de “bloco de legalidade” a ser observado pelo agir administrativo.
C) Ao longo do tempo o princípio da legalidade sofreu mutações, dentre elas a evolução, segundo
a doutrina, para a ideia de legitimidade, que significa ser legítimo o ato, necessariamente legal,
desde que também seja eficiente.
QUESTÃO 8. Considere a seguinte situação hipotética: após reconhecidos esforços pessoais no curso
de seu mandato, incluindo viagens a Brasília, audiências públicas, atos administrativos de gestão
etc., determinado prefeito logrou êxito em obter verbas para construir uma necessária escola
profissionalizante em seu município, pelo que houve grande comemoração na cidade. Ao começarem
as obras, na placa que identifica o local e o projeto em curso, o prefeito fez questão de colocar a frase
“Realização do Prefeito Fulano de Tal”.
E) Houve infração, clara e direta, a princípios da Administração, configurando até ato de improbidade
administrativa, contudo, não deve ser punido o prefeito, até porque os atos de improbidade desta
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A) Apesar de, também no Brasil, ter sido influenciado majoritariamente por forte tradição
jurídica italiana, o Direito Administrativo teve como seu primeiro manual escrito o livro L’État les
gouvernants et les agentes, de León Duguit, em 1901.
E) Apesar de certo debate doutrinário sobre sua classificação ou não como fonte do direito
administrativo, o costume, quando assim for considerado, se constituirá em fonte secundária e
material.
QUESTÃO 10. Considere que determinada Constituição estadual prevê o pagamento de subsídio mensal
e vitalício a ex-governadores e, no caso de falecimento, pensão ao cônjuge ou companheiro supérstite.
Conforme entendimento do C. STF, esta previsão:
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conformação do estado membro. Todavia, não pode derivar de lei ordinária ou complementar.
Os valores já percebidos, porém, são irrepetíveis, haja vista a necessária observância à segurança
jurídica, boa-fé e dignidade da pessoa humana.
🏳🏳 DIREITO TRIBUTÁRIO
QUESTÃO 11. Com relação a normas de direito tributário e sua compreensão pelas cortes superiores,
assinale a alternativa correta.
C) Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer
das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, haja vista a natureza ampla
da imunidade constitucional que se amolda ao fato.
E) A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento
ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, viola o artigo 145, II, da Constituição
Federal.
QUESTÃO 12. Assinale a alternativa correta no que se refere ao regime legal aplicável às de taxas e aos
preços públicos ou tarifas.
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C) Não viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite
sobre o valor da causa.
🏳🏳 DIREITO PENAL
QUESTÃO 13. Note-se que, em realidade, a amplitude e o alcance do princípio é superior ao da sua
gênese histórica iluminista, representando atualmente verdadeira pedra angular da democracia e
ferramenta pródiga de legitimação/deslegitimação de toda a atividade do poder estatal, seja legiferante,
administrativa e/ou judicial. Possibilita, inclusive, a averiguação dos níveis de legitimidade e dos graus
de justiça e validade de todo o sistema jurídico, principalmente das legislações penais ordinárias (...).
Qual princípio Salo de carvalho está descrevendo em seu livro Aplicação da pena e garantismo?
A) Princípio da fragmentariedade.
B) Princípio da lesividade.
C) Princípio da secularidade.
D) Princípio da humanidade.
E) Princípio da legalidade.
B) Nos crimes de conduta convergente, as condutas partem de um mesmo ponto e se separam após
a execução do delito.
C) Crime transeunte é sinônimo de crime vago, já que tem como sujeito passivo a coletividade e
não deixa vestígios de sua prática.
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QUESTÃO 15. Com base nas alterações trazidas pela Lei nº 13.964/19, é CORRETO afirmar acerca da
execução penal:
A) Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que recusar submeter-se ao
procedimento de identificação do perfil genético.
B) A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para
regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos 10%
(dez por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido com violência à pessoa
ou grave ameaça.
C) A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasionar subversão
da ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, sem prejuízo da
sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado.
D) Ainda que existam indícios de que o preso exerce liderança em organização criminosa, associação
criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da
Federação, o regime disciplinar diferenciado será cumprido em estabelecimento prisional estadual.
E) A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada e precedida
de manifestação do Ministério Público, procedimento que também será adotado na concessão
de livramento condicional e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas
vigentes.
QUESTÃO 16. Em concordância com as alterações trazidas pelo “Pacote Anticrime”, assinale a
alternativa INCORRETA no que diz respeito ao Código Penal:
A) Considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou
risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.
B) O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 (quarenta)
anos.
C) Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior a 6
(seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos
bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja
compatível com o seu rendimento lícito.
D) Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre enquanto o agente cumpre
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pena no exterior.
E) A pena do crime de roubo aumenta-se de 1/4 (um quarto) até metade se a violência ou grave
ameaça é exercida com emprego de arma branca.
🏳🏳 CRIMINOLOGIA
B) Entende-se por vitimização primária aquela que deriva diretamente do crime; secundária (ou
revitimização ou sobrevitimização) aquela que deriva das instâncias de controle formal; terciária
aquela que deriva das instâncias de controle informal; e quaternária aquela que deriva do medo
de ser vitimada, por uma falsa percepção da realidade potencializada pela mídia sensacionalista.
D) Entende-se por controle social alternativo a reação social frente à ineficiência e/ou injustiça das
instâncias de controle social formal.
E) Conforme Francesco Carrara, maior expoente da chamada Escola Clássica, o crime deve ser
considerado um ente natural, existente em virtude de um suposto Direito Natural (jus naturalismo),
sendo a expressão da lesão de algum daqueles sentimentos mais profundamente radicados no
espírito humano e no seu conjunto formam o que se chama senso moral.
QUESTÃO 18. Desde a Constituição da República de 1988 o Código de Processo Penal (de 1941) vem
sofrendo reformas. Dentre os institutos modificados, criados e/ou extintos no CPP por essas reformas,
assinale o que NÃO representa necessariamente um movimento de adequação da legislação processual
em direção ao sistema acusatório:
B) Revogação do controle judicial sobre a decisão tomada pelo Ministério Público de arquivamento
de inquérito policial (art. 28, com redação da Lei nº 13.964/2019).
C) Acordo de não persecução penal (art. 28-A, com redação da Lei nº 13.964/2019).
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E) Sistema de inquirição direta das testemunhas pelas partes (art. 212, com redação da Lei nº
11.690/08).
QUESTÃO 19. Ainda sobre os sistemas processuais, conforme fortemente sustentado pela doutrina,
o CPP brasileiro de 1941 foi promulgado em período ditatorial, com forte influência do Código de
Processo Penal Italiano de 1930, idealizado no regime fascista. Apesar de suas constantes reformas,
permanecem previsões associadas ao sistema inquisitório. Assinale a norma que NÃO é associada a
esse sistema.
B) A possibilidade de o juiz ouvir testemunhas, quando julgar necessário, além das indicadas pelas
partes (art. 209, caput, do CPP).
C) A possibilidade de o juiz alterar a definição jurídica do fato alegado pela acusação (art. 383,
caput, do CPP, com redação da Lei nº 11.719/2008).
QUESTÃO 20. Sobre o processo penal e seus princípios, assinale a alternativa INCORRETA:
A) A ampla defesa, conforme as regras processuais vigentes Brasil, abrange a concessão de tempo
adequado para a preparação da defesa.
B) Se o acusado estiver assistido por defensor/a público/a que não teve contato com ele, será
permitida a apresentação de defesa por negativa geral.
C) No processo penal brasileiro a defesa técnica é irrenunciável, mas isso não obsta a apresentação
de defesa direta e pessoal ao juiz pelo próprio réu.
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QUESTÃO 21. Assinale a alternativa que traga apenas princípios regentes do processo penal expressos
na Constituição e/ou normas infraconstitucionais:
QUESTÃO 22. Sobre a lei processual penal no tempo e no espaço, assinale o enunciado CORRETO:
B) Em regra, a lei processual penal terá ultratividade, continuando a lei revogada a regular os
crimes consumados durante a sua vigência.
C) O acordo de não persecução penal, previsto no art. 28-A do CPP, não deve ser aplicado aos
processos em que já oferecida denúncia antes da vigência da Lei nº 13.964/2019, por força da regra
do tempus regit actum.
D) O CPP adotou o princípio da imediatidade para reger a aplicação da lei processual no tempo.
E) A lei processual penal nova aplica-se apenas aos fatos cometidos após a sua vigência.
🏳🏳 EXECUÇÃO PENAL
QUESTÃO 23. Assinale a alternativa INCORRETA no que concerne ao estudo da natureza jurídica da
execução penal.
B) É ainda aceito por parcela da doutrina que a execução penal possui natureza mista, uma vez
que além de incidentes deduzidos diante do Poder Judiciário, há diversas atribuições ainda
concentradas nas mãos de órgãos administrativos.
C) O artigo 2º da Lei de Execução Penal é o dispositivo que indica claramente a presença jurisdicional
em matéria de execução penal, fixando como fonte imediatamente subsidiária o Código Penal.
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D) A posição que mais se harmoniza ao projeto da Constituição de 1988 é aquela para qual a
execução penal possui natureza jurisdicional.
E) A Lei de Execução Penal se aplica igualmente ao preso provisório e ao condenado pela Justiça
Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecido sujeito à jurisdição ordinária.
QUESTÃO 24. Sobre o princípio da individualização da pena, julgue as alternativas e depois assinale a
alternativa correta.
I - A individualização da pena se dá em três fases: na lei, quando esta estipula o mínimo e o máximo de
uma pena para determinado delito; depois na sentença, quando, após o devido processo, o juiz aplica
uma pena específica, de acordo com a lei previamente aplicável ao fato; e, por último, na execução
penal, quando os direitos inerentes a essa fase de individualização são efetivados de acordo com
determinadas características.
II - Estão ligadas à individualização administrativa da pena as regras de execução penal que orientam
a administração e as comissões técnicas que deveriam existir em cada estabelecimento penal, no
sentido de atribuir trabalho, estudo e demais assistência aos presos.
III - A individualização da pena na execução penal nasceu da ideia de que a pena poderia ser uma
espécie de tratamento e, assim, cada preso seria tratado de forma diferente, de acordo com suas
circunstâncias e, principalmente, com seu comportamento.
QUESTÃO 25. Podemos definir como decorrência do princípio da(o) ___________, a ideia por meio da
qual cada nova entrada de uma pessoa no sistema carcerário deve necessariamente corresponder ao
menos a uma saída, de forma que a proporção de presos-vagas se mantenha sempre em estabilidade.
A) Legalidade.
C) Transcendência Mínima.
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D) Numerus Clausus.
E) Humanidade.
QUESTÃO 26. A Lei de Execução Penal garante que ao condenado serão assegurados todos os direitos
não atingidos pela sentença ou pela lei. Diante dessa informação, assinale a alternativa incorreta.
B) A autoridade responsável pela custódia do preso deve providenciar, tanto quanto consista a
lei, para que informações sobre a vida privada e a intimidade do preso sejam mantidas em sigilo,
especialmente aquelas que não tenham relação com sua prisão.
C) Em caso de deslocamento do preso, por qualquer motivo, deve-se evitar sua exposição ao
público, assim como resguardá-lo de insultos e da curiosidade geral.
D) A visita íntima, como exercício da sexualidade, é de fato um direito que também deve ser
assegurado não só a pessoas casadas, mas também em relação afetiva estável.
E) A Constituição Federal de forma expressa determina a suspensão dos direitos políticos no caso
de condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos.
A) O Serviço de Assistência ao Menor (SAM), criado sob a égide do Código de Menores de 1927
(Código de Menores de Mello Mattos), durante o período autoritário do Estado Novo, se tratava de
um órgão do Ministério da Justiça e que funcionava como um equivalente do sistema penitenciário
para os menores, os quais eram divididos, se carentes e abandonados, em patronatos agrícolas
e escolas de aprendizagem de ofícios urbanos; se envolvidos em ato infracional, em internatos:
reformatórios e casas de correção.
B) Para efeitos do Direito Internacional dos Direitos Humanos, é possível que o Brasil reduza a
idade penal, eis que a Convenção Internacional dos Direitos da Criança dispõe que “considera-se
como criança todo ser humano com menos de dezoito anos de idade, a não ser que, em conformidade
com a lei aplicável à criança, a maioridade seja alcançada antes”, ainda que a Constituição Federal
de 1988 vede tal redução por ser garantia individual do adolescente e, como tal, não pode ser
objeto de deliberação, na forma do art. 60, §4º, IV, da Constituição, por ser cláusula pétrea.
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revisão do Código de 1927, não rompendo, no entanto, com sua linha principal de arbitrariedade,
assistencialismo e repressão junto à população infanto-juvenil. Essa lei introduziu o conceito de
“menor em situação irregular”, que reunia o conjunto de meninos e meninas que estavam dentro
do que alguns autores denominam infância em “perigo” e infância “perigosa”.
D) Para além do princípio de vedação de tratamento mais gravoso a adolescente do que o conferido
a adulto em situação equânime, há previsão expressa nas Regras de Beijing no sentido de que
os adolescentes fazem jus a todas as garantias previstas nas Regras Mínimas Uniformes para o
Tratamento dos Prisioneiros, aprovadas pelas Nações Unidas.
E) O momento atual do Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes é de dupla
crise: de implementação e de interpretação. A primeira é resultado da negativa do Poder Público
em dotar de orçamento e recursos humanos adequados a nova institucionalidade do Sistema de
Garantias. A segunda, ainda mais gravosa, consiste na contumaz tentativa de juristas, políticos
e sociedade civil de interpretar as novas disposições legais com a mesma discricionariedade das
velhas leis de menores.
QUESTÃO 28. No que tange ao Sistema Nacional de Execução de Medidas Socioeducativas – SINASE –
assinale a alternativa incorreta:
E) O regramento legal da execução das medidas socioeducativas veio tardiamente, tendo ocorrido
um vácuo legislativo entre 1990 até 2012, atenuado tão apenas pela resolução 119/06 do CONANDA
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QUESTÃO 29. Sobre a evolução histórica dos direitos da criança e do adolescente, julgue as assertivas
abaixo:
I – Um dos princípios regentes do Código de Menores de 1979, ao contrário do que previa o Código Mello
Mattos de 1927, era o princípio da universalidade, de modo que toda e qualquer criança ou adolescente
nascidos em território nacional podiam reivindicar, inclusive judicialmente, os direitos ali previstos.
III – Ao longo de toda a Etapa da Mera Imputação Penal ou Etapa Penal Indiferenciada, que perdurou
até o fim do Estado Novo, a idade penal sempre foi fixada abaixo dos 18 anos de idade, tendo chegado,
nas Ordenações Filipinas, a atingir o patamar de 7 anos de idade.
IV – A Doutrina da Proteção Integral, no âmbito internacional, tem como marco inaugural a Declaração
de Genebra de 1924, também conhecida como Carta da Liga sobre a Criança, que concebeu crianças
(assim consideradas todas as pessoas com idade inferior a 18 anos) como sujeito de direitos e
destinatários de prioridade absoluta.
A) II e III.
C) II e IV.
D) I e III.
QUESTÃO 30. No que tange às normativas internacionais em matéria de infância e juventude, assinale
a alternativa incorreta:
A) Dentre os princípios fundamentais enunciados nas Diretrizes das Nações Unidas para Prevenção
da Delinquência Juvenil (Princípios Orientadores de Riad) consta, expressamente, a ideia de que o
comportamento desajustado dos jovens aos valores e normas da sociedade são, com frequência,
parte do processo de amadurecimento e tendem a desaparecer, espontaneamente, na maioria das
pessoas, quando chegam à maturidade.
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Defensoria Pública Semestral
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B) Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, será proporcionada
à criança a oportunidade de ser ouvida em todo processo administrativo que a afete, quer
diretamente quer por intermédio de um representante ou órgão apropriado.
C) Nos termos da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, toda criança deverá
ser registrada imediatamente após o seu nascimento e terá, desde seu registro, direito a um nome,
a uma nacionalidade e, na medida do possível, direito de conhecer seus pais e ser cuidada por eles.
D) A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança consagra o direito de toda criança
de ser protegida contra a exploração econômica e contra a realização de qualquer trabalho que
possa ser perigoso ou interferir em sua educação, ou que seja prejudicial para sua saúde ou para
seu desenvolvimento físico, mental, espiritual, moral ou social.
B) É aplicável mesmo que o país de origem da criança não seja dela signatário, bastando que o seja
o país de destino.
D) É vedado exigir caução ou depósito, qualquer que seja a sua denominação, para garantir o
pagamento de custos e despesas relativas aos processos judiciais ou administrativos nela previstos.
🏳🏳 DIREITO CIVIL
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B) O Código Civil brasileiro vigente adota um sistema normativo totalmente fechado, não
permitindo, em nenhuma hipótese, a integração da norma jurídica pelos valores aplicáveis ao caso
concreto.
D) A teoria tridimensional de Miguel Reale nega que a integração normativa de fatos segundo
valores é a essência estrutural do Direito.
QUESTÃO 34. São princípios norteadores (ou diretrizes básicas) do Código Civil vigente:
I. Eticidade.
II. Socialidade.
V. Operabilidade ou concretude.
A) I, III e IV
B) I, II e V
C) II, III e V
D) II, IV e V
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E) III e IV
QUESTÃO 35. Assinale o instituto de direito privado funcionalizado pelo Código Civil que sofreu
retrocesso por alteração legislativa recente:
A) Posse.
B) Família.
C) Contrato.
D) Cidades.
E) Propriedade.
QUESTÃO 36. A respeito da vigência e eficácia das leis, assinale a alternativa CORRETA:
A) Se, antes de entrar em vigor uma lei, publicar-se novamente o seu texto, com a finalidade de
se corrigir erro substancial em determinados dispositivos, iniciar-se-á novamente a contagem do
prazo de vacância. Além disso, o texto publicado será considerado uma nova lei.
C) Na contagem dos prazos de vacatio legis, por se tratar de prazo material, inclui-se o dia do início
e exclui-se o dia do final.
D) O Código Civil admite, por exceção, a retroatividade da nova lei, permitindo que esta alcance os
efeitos futuros de atos praticados sob a égide da lei revogada.
E) A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro afastou a chamada repristinação das leis.
QUESTÃO 37. João, carpinteiro, adquiriu do fornecedor chinês ALIKAW EXPRESS 40 (quarenta) produtos
para o exercício de sua atividade profissional, fazendo-o por meio do sítio eletrônico da empresa. João
celebrou a compra utilizando-se de seu computador, dentro de sua casa, no Município de São Paulo/
SP. À luz das diretrizes da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), assinale a questão
CORRETA.
A) Para reger as obrigações entre ausentes, a LINDB adotou a lex domicili como regra.
B) Tal relação jurídica deve buscar guarida em normas de direito internacional, uma vez que a
LINDB é norma brasileira, e, portanto, não versa sobre relações jurídicas constituídas fora do
território nacional.
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devendo-se aplicar a lei chinesa. A lei brasileira deve ser observada apenas em relação aos
requisitos intrínsecos do negócio jurídico celebrado.
D) A LINDB determina a aplicação da lei do local em que foi constituída a obrigação, devendo a lei
brasileira reger inteiramente a relação jurídica, porquanto constituída no Brasil.
QUESTÃO 38. Com base nas normas fundamentais do Código Processual de 2015, aponte a alternativa
correta.
D) O princípio da primazia da resolução do mérito, impõe que as partes devem agir com honestidade
e lealdade ao longo do processo, facilitando o julgamento do mérito.
I) Sua única função é proteger as partes contra juízos arbitrários e secretos e, nesse sentido, se aproxima
do conteúdo do devido processo legal, como instrumento a favor da imparcialidade e independência
do órgão jurisdicional.
II) A Constituição Federal de 1988 estabelece hipóteses formais de restrição ao princípio da publicidade,
tal qual a defesa da intimidade e o interesse social.
III) Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as
decisões, sob pena de nulidade.
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QUESTÃO 40. Com base nas normas fundamentais do Código Processual de 2015, aponte a alternativa
incorreta.
B) Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum,
resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a
razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência.
D) O princípio da cooperação pressupõe que o processo seja visto como uma “comunidade de
trabalho”.
E) Segundo o STF, o direito à ampla defesa pressupõe o direito à intimação válida de todos os atos
no processo.
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B) Abrange o direito de influir no conteúdo das decisões judiciais, tendo seus argumentos
devidamente considerados.
E) Implica o direito de não ser surpreendido por decisão que contenha fundamento de fato ou de
direito não submetido ao diálogo prévio.
QUESTÃO 43. Acerca da tutela de direitos coletivos e seus fundamentos, considere as assertivas:
I) Em uma sociedade de massas, um mesmo evento pode dar origem a uma série de litígios similares,
sendo a atomização de demandas uma forma de se otimizar o julgamento e evitar a insegurança
jurídica de decisões conflitantes.
II) Segundo consagrada lição doutrinária, a tutela coletiva de direitos se caracteriza pela tutela de
direitos essencialmente transindividuais, enquanto a tutela de direitos coletivos se caracteriza pela
tutela de direitos acidentalmente transindividuais.
III) Enquanto modalidade de tutela jurisdicional diferenciada, o processo coletivo contribui para
solucionar a chamada litigiosidade contida, fenômeno que contribui para o afastamento do cidadão
comum na busca por reparações ínfimas, aumentando a instabilidade social e a desigualdade entre
ricos e pobres.
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QUESTÃO 44. A respeito da teoria geral do processo civil coletivo, assinale a alternativa incorreta:
C) O princípio da inafastabilidade de jurisdição (art. 5º, inc. XXXV) foi responsável por universalizar
a proteção de direitos coletivos no país, expandindo a proteção original taxativamente prevista na
Lei de Ação Civil Pública.
E) Prevista originalmente na Constituição Federal de 1934, a ação popular foi o primeiro instrumento
processual voltado à tutela de direitos transindividuais no ordenamento jurídico brasileiro.
QUESTÃO 45. Acerca do movimento pelo acesso à justiça, das dimensões dos direitos humanos e do
processo coletivo, julgue as assertivas a seguir:
I) Na obra “O acesso à justiça” (1976), Cappelletti e Garth apontam a impraticabilidade de defesa dos
direitos individuais homogêneos pelo processo civil tradicional como um dos obstáculos ao acesso à
justiça.
II) Nos estudos de Direito Comparado, os direitos transindividuais foram inicialmente enquadrados
como direitos humanos de terceira dimensão, pertencentes a toda a coletividade, a exemplo do que
ocorre com a tutela do meio ambiente sadio.
III) O processo coletivo constitui ramo autônomo do Direito Processual, situado historicamente na
terceira onda renovatória de acesso à justiça, a qual tem por objeto a tutela de direitos transindividuais.
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QUESTÃO 47. De acordo com a jurisprudência do STF acerca da judicialização do direito à saúde,
assinale a alternativa correta:
B) A ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não impede, como
regra geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial.
D) As ações que demandem fornecimento de medicamentos sem registro na ANVISA podem ser
propostas em face de qualquer dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios)
por força da responsabilidade solidária existente entre todos na matéria.
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🏳🏳 DIREITO EMPRESARIAL
QUESTÃO 49. Acerca do conceito de empresário adotado pelo ordenamento jurídico pátrio assinale a
resposta correta:
II – Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária
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QUESTÃO 50. No que diz respeito a capacidade para o exercício de atividade empresária assinale a
alternativa correta:
A) Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil,
ainda que sejam legalmente impedidos.
D) Somente mediante prévia autorização judicial, poderá o incapaz, por meio de representante ou
devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais
ou pelo autor de herança.
QUESTÃO 51. Três amigos — Flávio, Igor e Caio — formaram uma sociedade para exercer atividade
empresarial de floricultura. Redigiram um contrato social, mas não providenciaram a inscrição no
registro próprio. A atividade não foi bem e vários clientes, sentindo-se prejudicados, procuraram a
Defensoria Pública, pretendendo ser ressarcidos de valores que pagaram antecipadamente por
contratos inadimplidos. Conforme relato dos clientes, os contratos eram firmados pelo sócio Flávio,
em nome da floricultura. A defensoria ajuizou as ações cabíveis.
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A) A referida sociedade empresária constituída por Flávio, Igor e Caio pode ser classificada como
“sociedade em comum”.
B) Os sócios respondem de forma ilimitada e solidária pelas obrigações sociais, devendo ser
excluído do benefício de ordem apenas Flávio, eis que, mesmo em se tratando de uma sociedade
em comum, ela possui patrimônio especial (afetação).
C) Como o contrato social da floricultura não foi inscrito no registro próprio, Flávio não poderá usá-
lo como prova de responsabilidade dos demais sócios.
D) Com exceção de Flávio, os demais sócios poderão pleitear que seus bens particulares só sejam
executados por dívidas da sociedade depois de executados os bens sociais.
QUESTÃO 52. Na perspectiva do acesso à justiça, Cappelletti mapeou problemas relacionados ao tempo
e aos custos do processo como obstáculos ao acesso. A partir do relatório geral foram traçadas ondas
renovatórias. Diante dessa afirmação, marque a alternativa correta
C) O modelo salaried staff no Brasil significa que o Estado deva organizar a assistência jurídica por
meio de uma carreira pública;
D) Enquanto órgão de assistência jurídica, a Defensoria Pública não pode se valer da arbitragem,
considerando a necessidade de se garantir imparcialidade no julgamento;
QUESTÃO 53. Sobre as garantias dos membros da Defensoria Pública da União, marque a alternativa
incorreta:
A) Após dois anos de efetivo exercício os Defensores Públicos Federais tornam-se vitalícios, só
podendo perder o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
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E) A legislação estadual pode ampliar o leque de garantias dos membros da Defensoria Pública
Estadual, ainda que a DPU não possua igual garantia.
QUESTÃO 54. De acordo com a Lei Complementar n. 80/94 são funções institucionais da Defensoria
Pública, exceto:
B) Apurar a ocorrências de sevícias e maus tratos em favor dos usuários de seus serviços, instaurando
o procedimento para apuração de responsabilidade;
QUESTÃO 55. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é correta a seguinte
assertiva:
E) A Defensoria Pública da União pode atuar como custos vulnerabilis quando existente
vulnerabilidade que justifique sua intervenção.
QUESTÃO 56. Sobre a legislação da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, marque a assertiva
correta:
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C) O Ouvidor Geral tem direito a voz, mas não é integrante do Conselho Superior;
E) Dentre as proibições atinentes ao cargo de Defensor Público, a LCE n. 988/2006 não elenca o
exercício de cargo ou função fora dos casos previstos em lei.
I – Em um sentido amplo, a filosofia do direito pode ser definida como um corpus de respostas à
pergunta “o que é direito?”.
II – A filosofia do direito fornece conceitos fundamentais que permitem conhecer os valores que
orientam o próprio direito.
III – A disciplina possui uma função meramente descritiva, ou seja, de compreender o que é o direito
sem qualquer tipo de avaliação crítica.
IV – Uma das características fundamentais da filosofia do direito é sua desconexão com outros ramos
da filosofia.
A) I e III.
B) I e II.
C) II e III.
D) I e IV.
E) II e IV.
QUESTÃO 58. De acordo com Tercio Sampaio Ferraz Jr., a filosofia do direito possui um caráter
especulativo, partindo de evidências para suas investigações. Trata-se de um enfoque denominado
pelo autor de:
A) Zetético.
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B) Dogmático.
C) Empírico.
D) Transcendental.
E) Hipotético.
QUESTÃO 59. Acerca das várias concepções de Justiça e Direito, julgue os itens a seguir:
I – Santo Agostinho considera que a lei eterna, de inspiração divina, é necessariamente justa.
II – Não há, em Santo Tomás de Aquino, uma relação entre a lei divina e o direito natural.
III – Para Kant, o direito considera apenas o aspecto externo das ações humanas.
IV – Tanto Tomás Aquino quanto Kant constroem um modelo de justo com clara inspiração divina.
Estão corretas:
A) Apenas I.
B) I, II e III.
C) III e IV.
D) I e IV.
E) I e III.
🏳🏳 DIREITOS HUMANOS
QUESTÃO 60. Marque a alternativa correta no que diz respeito aos fundamentos filosóficos e à evolução
histórica dos direitos humanos:
B) A teoria jusnaturalista de fundamentação dos direitos humanos tem o mérito de ser compatível
com a ideia de mutabilidade do catálogo de direitos humanos.
C) A teoria positivista de fundamentação dos direitos humanos é aceita sem maiores críticas.
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E) As revoluções liberais inglesa (1628 e 1689), americana (1776) e francesa (1789), com suas
respectivas declarações de direitos, marcaram a primeira clara afirmação histórica dos direitos
humanos, proclamando tanto direitos civis e políticos quanto direitos econômicos, sociais e
culturais.
QUESTÃO 61. “A internacionalização em sentido amplo de determinada temática consiste na existência
de normas do Direito Internacional (tratados, costumes internacionais e princípios de Direito
Internacional, atos unilaterais, resoluções de organizações internacionais) regulando a matéria. Como
são os próprios Estados, em geral, que criam as normas internacionais, a internacionalização de uma
temática deveria passar por intensa reflexão de cada sociedade nacional, uma vez que os Estados
abrem mão de uma regulação estritamente local, devendo cumprir as normas internacionais ou serem
sancionados (muitas vezes duramente) pelo descumprimento.
No caso dos direitos humanos, a internacionalização em sentido amplo dessa temática, apresenta-
se incipiente, embora fragmentada e com motivação diversa, desde o século XIX e início do século
XX” (RAMOS, André de Carvalho. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional. 7ª ed. São
Paulo: Saraiva, 2019, p. 52).
Marque a alternativa que NÃO indica um precedente histórico que influenciou mais de perto e
decisivamente a internacionalização dos direitos humanos:
QUESTÃO 62. Marque a alternativa CORRETA a respeito das características dos direitos humanos:
C) Os direitos humanos são considerados absolutos por não admitirem relativização ou ponderação.
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D) A característica da abertura ou não tipicidade dos direitos humanos colide com a característica
da historicidade dos direitos humanos.
QUESTÃO 63. No que diz respeito às fontes e às classificações dos direitos humanos, marque a
alternativa CORRETA:
A) O costume internacional é considerado uma fonte dos direitos humanos, não havendo a
possibilidade de um Estado se recusar a obedecer a um costume internacional.
B) Uma das classificações dos direitos humanos diz respeito à sua divisão em gerações, aceita pela
doutrina sem maiores críticas.
D) O Estatuto da Corte Internacional de Justiça estabelece os tratados como a fonte única do Direito
Internacional dos Direitos Humanos.
E) A doutrina não é considerada uma fonte do Direito Internacional dos Direitos Humanos.
QUESTÃO 64. Marque a alternativa CORRETA a respeito dos princípios de interpretação dos tratados
internacionais de direitos humanos:
QUESTÃO 65. De acordo com a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), os Estados
possuem uma margem de apreciação para deliberar a respeito:
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A) De nada, pois esta teoria não é aplicada pela Corte Interamericana, mas apenas pelo Tribunal
Europeu de Direitos Humanos.
E) De leis de anistia para crimes que violaram direitos humanos durante regimes de exceção.
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GABARITO
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🏳🏳 DIREITO CONSTITUCIONAL
Apresentação: caros alunos, neste curso iremos abordar o tema Direito Constitucional tomando por base
os principais concursos da Defensoria Pública Estaduais e da União. Diante da densidade da matéria, a
matéria será dividida com outro professor do CEI, Peter Schweikert. O professor Peter irá abordar direitos
sociais e direitos dos vulneráveis, sendo que caberá ao professor Gustavo a abordagem do restante da
matéria.
Nesse sentido, diante da importância dos direitos sociais nos concursos – e na própria atividade fim – da
Defensoria Pública, serão formuladas, em cada rodada, duas questões envolvendo o tema, que tratarão
tanto dos direitos sociais propriamente ditos (moradia, saúde, educação, transporte, alimentação etc.)
quanto da proteção jurídica conferida às minorias políticas ou “grupos vulneráveis”.
Por se tratarem de temas transversais a todo o edital, também poderão aparecer em outras matérias,
como direitos difusos e coletivos, direitos humanos, direito civil e direitos da criança e do adolescente,
embora cada qual tenda a focar um aspecto diferente de cada direito ou grupo vulnerável.
Direito Constitucional é uma área do direito que possui imbricações sobre os demais ramos e, como não
poderia deixar de ser, nas provas de Defensoria Pública é possível notar a matéria sendo cobrada nas
demais áreas (direito penal, administrativo, direito civil, entre outras), muito em virtude do fenômeno da
constitucionalização do direito, razão pela qual é demasiadamente importante um estudo completo da
matéria. São frequentes os questionamentos sobre a melhor bibliografia e material para complementação
do estudo. Recomendação, como de costume, que eventual obra escolhida seja aquela que o aluno
melhor se adeque, seja pela facilidade da linguagem, bem como pelo conteúdo expositivo e atualização,
considerando o edital. Nesse sentido, recomendo alguns autores, cujos as obras transformadas em curso
podem lhes servir como base para o estudo: Pedro Lenza (Direito Constitucional Esquematizado),
Gilmar Mendes (Curso de Direito Constitucional), Marcelo Novelino (Curso de Direito Constitucional),
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Defensoria Pública Semestral
RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
Esperamos que o nosso curso seja proveito e nos colocamos à disposição para auxiliá-los nessa caminhada
tão maçante, mas muito recompensadora que é o estudo para a Defensoria Pública!
1ª Rodada:
-Classificação da Constituição.
2ª Rodada:
3ª Rodada:
4ª Rodada:
5ª Rodada:
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RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
6ª Rodada:
7ª Rodada:
-Direitos e garantias fundamentais: teoria geral dos direitos fundamentais, conceito, evolução,
características, classificações, titularidade e destinatários, eficácia, restrições, conflitos, colisões e
interpretação Conflito de direitos fundamentais. Restrições a direitos fundamentais. Teoria interna e
teoria externa. O princípio do respeito ao conteúdo essencial dos direitos fundamentais. Teoria objetiva e
teoria subjetiva, teoria absoluta e teoria relativa.
8ª Rodada:
-Direito à cultura.
9ª Rodada:
10ª Rodada:
-Organização funcional do Estado – Separação dos Poderes – Poder Legislativo (Estatuto do Parlamentar).
11ª Rodada:
12ª Rodada:
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Defensoria Pública Semestral
RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
13ª Rodada:
-Direito à moradia.
14ª Rodada:
-Funções Essenciais da Justiça: a) Ministério Público, Defensoria Pública e Advocacia: regime jurídico;
b) Defensoria Pública: enquadramento constitucional, autonomia, princípios, garantias institucionais e
funcionais.
-Direito à saúde.
15ª Rodada:
- Defesa do Estado e das Instituições Democráticas: a) estado de defesa; b) estado de sítio; c) forças
armadas; d) segurança pública.
-Direito à educação.
Orientação de Estudo 1ª Rodada: os temas desenvolvidos na 1ª Rodada são teóricos, razão pela qual, a
leitura de uma das bibliografias acima indicadas aborda de maneira completa os temas aqui abordados.
A) O constitucionalismo é um fenômeno que se verifica apenas a partir das revoluções liberais, não
havendo qualquer exemplo histórico anterior de experiências constitucionais.
C) O constitucionalismo liberal, que se concentra no período das revoluções liberais, tem como função
precípua a limitação do poder do estado e a garantia de direitos.
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Defensoria Pública Semestral
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D) O constitucionalismo liberal inglês surge a partir do panfleto chamado “O que é o Terceiro Estado”
elaborado pelo abade Emmanuel Joseph Sieyés.
💡💡 GABARITO COMENTADO
B) INCORRETA: a Revolução Gloriosa ocorreu na Inglaterra em 1688, muito embora seja um dos momentos
da história em que se verifica o início do rompimento dos Estados absolutos monárquicos, com
fortalecimento do parlamento e dos juízes, tem como principal documento correspondente o chamado
“Bill of Rights” (1689). Referido documento retirava poderes do rei inglês e os conferia ao parlamento
(notadamente, o poder de criar tributos e legislar). Previa, ainda, a garantia da liberdade, propriedade,
direito de petição e proibição de penas cruéis. A Carta Magna do Rei João Sem Terra, de 1215, por sua
vez, é destacado como um dos primeiros documentos históricos a estabelecer limitação de Poder, sendo
indicada como precursora do devido processo legal, mas ainda assim é um documento que não gera
qualquer rompimento com o Estado Absoluto.
C) CORRETA: De fato, o constitucionalismo liberal é fruto das chamadas revoluções liberais, com o
rompimento do Poder Absoluto das monarquias, é a constituição de Estados em que há limitação do
Poder e garantia de direitos (ideia de supremacia da constituição), a partir de documentos escritos,
especialmente, a Constituição dos Estados Unidos de 1787, que é fruto da independência dos Estados
Unidos e a Declaração Universal de Direitos do Homem e do Cidadão de 1791, decorrente da Revolução
Francesa de 1789. A doutrina, de uma maneira geral, associa este movimento constitucional à conquista
dos direitos fundamentais de primeira dimensão/geração, também chamados de liberdades públicas.
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D) INCORRETA: o panfleto “O que é o Terceiro Estado?”, escrito por Emmanuel Joseph Sieyés, um abade
e político e francês, é desenvolvido no curso da revolução francesa e tem por objetivo questionar o poder
absoluto, bem como destacar a ideia de que o poder emana do povo (terceiro Estado, na medida em que
os outros Estados seriam a Nobreza e o Clero). A partir deste texto surge a ideia de Poder Constituinte
Originário. Deste modo, a referida obra não guarda qualquer relação com o constitucionalismo inglês,
que tem origem em eventos ocorridos um século antes, como a chamada Revolução Gloriosa acima
indicada, bem como no documento chamado “Petion of Rights” de 1628 (limitação ao Rei na cobrança de
impostos), “Habeas Corpus Act” de 1679 (proteção judicial aos injustamente presos), dentre outros.
💡💡 GABARITO: C
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💡💡 GABARITO COMENTADO
B) INCORRETA: o critério ontológico de classificação das Constituições, também conhecido como aquele
correspondente à realidade política do Estado e o texto constitucional, desenvolvido por Karl Lowenstein,
distingue as constituições em normativas, nominais e semânticas. Logo, a assertiva está incorreta, na
medida em que referido critério não diferencia as constituições em ecléticas ou ortodoxa, critérios estes
utilizados com base na classificação quanto ao dogma. As constituições normativas são aquelas em que
se verifica uma correspondência exata entre o texto e a sua implementação prática. As constituições
nominais, por sua vez, são as que buscam a concretização, mas não conseguem sucesso, de modo que
não há correspondência exata entre o texto e a realidade. Por fim, as semânticas não têm a pretensão
de ser cumprida, apenas legitimam aqueles que estão no Poder (Pedro Lenza, Direito Constitucional
Esquemarizado, 22ª Edição, pg. 119).
C) CORRETA: a assertiva corresponde exatamente ao critério sistemático que diz respeito à sistematização
da Constituição em um texto básico ou em vários textos esparsos. Nesse sentido, a Constituição pode ser
classificada em reduzida, ou seja, a Constituição possui um texto base codificado; ou em variada, que
são aquelas que estão distribuídas em vários textos e documentos esparsos.
D) CORRETA: a assertiva está correta, na medida em que o critério quanto à extensão pode ser divido na
seguinte classificação: sintética e analítica. As primeiras são aquelas que não dispõe de muitas normas,
mas apenas de princípios norteadores do Estado, especialmente, de sua estrutura e organização. A doutrina
costuma apontar como principal exemplo a Constituição Americana, ainda destacando que as sintéticas
costumam ter maior estabilidade. Já as Constituições Analíticas são aquelas que descem em minúcias
prevendo maior quantidade de temas abordados em seu conteúdo. A doutrina indica a Constituição
brasileira de 1988 como exemplo de constituição analítica, essencialmente, em razão do conteúdo de
alguns dispositivos, como o famigerado artigo 242, §2º, “in verbis”: “Art. 242. O princípio do art. 206, IV,
não se aplica às instituições educacionais oficiais criadas por lei estadual ou municipal e existentes na data
da promulgação desta Constituição, que não sejam total ou preponderantemente mantidas com recursos
públicos. § 1º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias
48 [Link]
Defensoria Pública Semestral
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para a formação do povo brasileiro. § 2º O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, será
mantido na órbita federal.”
💡💡 GABARITO: B
A) De acordo com o Supremo Tribunal Federal, normas anteriores à Constituição que com ela sejam
incompatíveis são inconstitucionais, em razão do fenômeno da inconstitucionalidade superveniente.
D) De acordo com o Supremo Tribunal Federal, é possível o controle de constitucionalidade das normas
originárias da Constituição, na medida em que há hierarquia entre as normas originárias.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: a assertiva está incorreta. No caso se está diante do fenômeno da recepção de normas
elaboradas anteriormente ao texto constitucional. O fenômeno da recepção, segundo Gilmar Mendes e
Paulo Gustavo Gonet Branco “é uma revalidação das normas que não desafiam, materialmente, a nova
Constituição” (Curso de Direito Constitucional, 8ª Edição, pg 109). Trata-se de fenômeno, portanto,
associado ao Poder Constituinte Originário. No caso, ainda que a forma da norma esteja inadequada
ao novo texto constitucional, o que realmente importa é se o conteúdo está de acordo com texto, a fim
de que seja recepcionado. Por outro lado, quando a norma é materialmente incompatível com a nova
Constituição, ela, de acordo com o Supremo Tribunal Federal, não é considerada inconstitucional, tendo
sido meramente revogada, não havendo que se falar em inconstitucionalidade superveniente. Nesse
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Defensoria Pública Semestral
RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
sentido, destaca-se que a inconstitucionalidade de uma lei está fundada na sua contemporaneidade com
a Constituição. Nesse sentido, destaca-se a seguinte ementa:
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na Constituição da República, não são dotados de Poder Constituinte Derivado Decorrente, visto que sua
lei orgânica deve estar de acordo tanto com a Constituição da República e com a Constituição do Estado
ao qual pertence, de modo que não há como se considerar a lei orgânica um Poder Constituinte, por ser
de terceiro grau. Nesse sentido, destacam-se as palavras de Noemia Porto, citada por Pedro Lenza:
“...o poder constituinte derivado decorrente deve ser de segundo grau, tal como acontece com
o poder revisor e o poder constituinte reformador, isto é, encontrar a sua fonte legitimidade
direta da Constituição Federal. No caso dos Municípios, porém, se desacortina um poder de
terceiro grau, porque mantém relação de subordinação com o poder constituinte estadual
e o federal...” (Direito Constitucional Esquematizado, 22ª Edição, pg. 220).
Em razão disso, inclusive, a lei orgânica do Município não serve como parâmetro de controle de
constitucionalidade. Sobre o tema recomenda-se a leitura dos artigos 25 e 29 da Constituição da República.
D) INCORRETA: a assertiva está incorreta, na medida em que o Supremo Tribunal Federal já decidiu ser
incabível o controle de constitucionalidade de normas constitucionais originárias, na medida em que
o Poder Constituinte Originário, dentre outras características, é ilimitado. Nesse sentido, destaca-se a
ementa da ADI 4097 julgada pelo Supremo Tribunal Federal:
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💡💡 GABARITO: E
A) A Constituição do Império de 1824 previa a divisão dos poderes entre judiciário, legislativo, executivo
e moderador.
C) A Constituição de 1934 prevê, pela primeira vez, o mandado de segurança como remédio
constitucional.
D) A Constituição de 1937 prevê, pela primeira vez, o mandado de segurança como remédio
constitucional.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: a assertiva está correta. A Constituição do Império de 1824, a primeira constituição brasileira
após a independência, previa a divisão dos Poderes entre legislativo, executivo e judiciário. Entretanto,
previa ainda o chamado “Poder Moderador”, por meio do qual a monarquia mantinha a sua estabilidade
e força diante dos demais poderes. Nesse sentido, Pedro Lenza: “...Benjamin Constant definia o Poder
Moderador, por ele chamado de “Poder Real”, como “la clef de toute organisation politique”, frase esta
consagrada no artigo 98 da Constituição de 1824: ‘o Poder Moderador é a chave de toda a organização
política, e é delegado privativamente ao Imperador, como Chefe Supremo da Nação e seu primeiro
representante, para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independência, equilíbrio e
harmonia dos demais poderes’”.
B) CORRETA: a assertiva está correta. De fato, a Constituição de 1891, diferentemente da sua predecessora,
não previu religião oficial, de modo que o Brasil passou a ser um estado leigo, laico ou não confessional.
C) CORRETA: a assertiva está correta. É na Constituição de 1934 que, pela primeira vez, o Mandado de
Segurança é previsto como remédio constitucional. Nesse sentido, é a redação do artigo 113, 33 “33) Dar-
se-á mandado de segurança para defesa do direito, certo e incontestável, ameaçado ou violado por ato
manifestamente inconstitucional ou ilegal de qualquer autoridade. O processo será o mesmo do habeas
corpus, devendo ser sempre ouvida a pessoa de direito público interessada. O mandado não prejudica
as ações petitórias competentes.”. Vale ressaltar que a Constituição de 1934 possui forte influência da
Constituição de Weimar de 1919, em especial, no que concerne à valoração de alguns direitos sociais.
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D) INCORRETA: a assertiva está incorreta. Como visto acima, é na Constituição de 1934 que o mandado
de segurança é previsto pela primeira vez. Não bastasse isso, a Constituição de 1937, conhecida como “a
Polaca”, em razão da forte influência que sofreu da Constituição Polonesa, em razão do viés autoritário,
não previu o mandado de segurança enquanto remédio constitucional. Outras restrições de direitos
podem ser notadas, como a existência de censura prévia (artigo 122, 15) e a proibição de greve (artigo
139). Trata-se de uma Constituição com viés autoritário e fascistas, que marcou o chamado “Estado Novo”
de Getúlio Vargas.
E) CORRETA: a assertiva está correta. Nesse sentido, é a redação do artigo 61 da Constituição de 1946: “Art
61 - o Vice-Presidente da República exercerá as funções de Presidente do Senado Federal, onde só terá
voto de qualidade.”. A Constituição de 1946 representou o fim do “Estado Novo”, especialmente, revelando
um período de redemocratização, decorrente do próprio término da 2ª Guerra Mundial. Ressalta-se que,
na Constituição de 1946, o Mandado de Segurança, enquanto remédio constitucional, foi restabelecido.
💡💡 GABARITO: D
QUESTÃO 5. No tocante à eficácia dos direitos sociais previstos na Constituição Federal e ao princípio
da proibição do retrocesso social, analise as afirmativas.
I – Embora outras Constituições brasileiras tenham previsto normas versando sobre justiça social e
mesmo alguns direitos sociais, como os direitos dos trabalhadores, foi apenas no texto da Constituição
Federal de 1988 que os direitos sociais foram efetivamente positivados na condição de direitos
fundamentais.
II – O art. 6º da Constituição Federal apresenta os direitos sociais como direitos fundamentais, dentre
os quais o direito à educação, à alimentação, o trabalho, a moradia e o transporte, todos previstos
originariamente no texto constitucional.
III – Diante de seu caráter preponderantemente prestacional, não se pode cogitar a aplicabilidade
direta das normas definidoras de direitos fundamentais, as quais possuem natureza jurídica de normas
de eficácia limitada de princípio programático.
A) I e III, apenas.
B) II e IV, apenas.
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C) I, apenas.
D) IV, apenas
E) II e IV, apenas.
💡💡 GABARITO COMENTADO
II) INCORRETA: Embora os direitos sociais previstos no art. 6º da CF/88 estejam, de fato, inseridos
topograficamente no Título II, que versa sobre os direitos e garantias fundamentais, não foram todos ali
indicados expressamente previstos no texto constitucional originário. O direito à moradia, por exemplo,
foi apenas inserido no ano 2000 pela Emenda Constitucional n. 26. O direito à alimentação foi inserido por
meio da Emenda Constitucional n. 64/10, ao passo que o direito ao transporte – último direito incluído no
art. 6º – decorreu da promulgação da Emenda Constitucional n. 90/15.
III) INCORRETA: De acordo com a clássica doutrina de José Afonso da Silva, a eficácia e aplicabilidade das
normas definidoras de direitos fundamentais dependeria de seu enunciado. Em suas palavras
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fundamentais (In: “Curso de Direito Constitucional Positivo, 36ª ed, São Paulo: Malheiros,
2013)
Sucede que, mais recentemente, parte substancial da doutrina brasileira, em consonância, inclusive, com
a evolução da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, vem advogando tese diversa, no sentido de
que também aos direitos sociais se aplica o disposto no art. 5º, §1º, da Constituição Federal de 1988.
Desse modo, seria possível sustentar que, assim como os direitos individuais, os direitos sociais possuem
aplicabilidade direta, ainda que o alcance de sua eficácia deva ser avaliado sempre no contexto de
cada direito social e em harmonia com outros direitos fundamentais (sociais ou não), princípios e mesmo
interesses públicos e privados. Na lição de Ingo Sarlet
Assim, ainda que se possa falar, no caso de alguns direitos sociais, especificamente em
virtude do modo de sua positivação no texto constitucional, em uma maior relevância de
uma concretização legislativa, essa peculiaridade não afasta o dever de se atribuir também
às normas de direitos sociais uma máxima eficácia e efetividade, obrigação cometida a
todos os órgãos estatais, no âmbito de suas respectivas competências, dever ao qual se
soma o dever de aplicação direta de tais normas por parte dos órgãos do Poder Judiciário
(In: “Curso de Direito Constitucional”, 3ª ed, São Paulo: RT, 2014, p. 565).
O doutrinador, todavia, adverte
Tal aspecto, contudo, não pode ser confundido com a existência de limites fáticos e
jurídicos aos direitos sociais, limites que, de resto, atingem os direitos fundamentais de
um modo geral, já que em princípio inexiste direito fundamental imune a qualquer tipo de
restrição ou limite. Por outro lado, a maior ou menor abertura semântica (indeterminação
do conteúdo) e mesmo eventual remissão expressa à lei não poderão consistir, portanto,
em obstáculo intransponível à sua aplicação imediata e exigibilidade judicial (In: “Curso de
Direito Constitucional”, 3ª ed, São Paulo: RT, 2014, p. 565).
IV) INCORRETA: Embora, na doutrina, haja vozes no sentido de que não há como se defender a eficácia
horizontal dos direitos sociais, não há unanimidade nesse sentido. Ingo Sarlet e Daniel Sarmento, por
exemplo, advogam que direitos sociais são exigíveis, inclusive em sua dimensão positiva/prestacional,
nas relações entre particulares. Nesse sentido
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dizer de modo exclusivo!) aos particulares, o que ocorre, por exemplo, com os direitos dos
trabalhadores.
O fato de reconhecer – com Daniel Sarmento – a necessidade e elevada dose de prudência
no reconhecimento de direitos subjetivos a prestações tendo por destinatários particulares,
isso não poderá, por sua vez, levar à negação (total) de tais posições jurídicas como
oponíveis entre atores privados. Ademais, a eficácia – inclusive, a depender do caso, direta
– das normas de direitos fundamentais sociais na esfera das relações entre particulares
não se resume (nem poderia) ao reconhecimento de posições jurídico-subjetivas de cunho
prestacional, como, de resto, igualmente demonstrou Daniel Sarmento, referindo-se, entre
outras possibilidades, a efeitos negativos, como ocorre com aplicação do princípio da
proibição de retrocesso (In: “Curso de Direito Constitucional”, 3ª ed. São Paulo: RT, 2014, p.
572/573).
A título de exemplo, podemos lembrar do direito à saúde. Há registro, inclusive na esfera jurisdicional,
da imposição de prestações materiais tendentes à sua satisfação em face de entidades privadas e em
favor de outros particulares, como nos casos de condenações contra empresas mantenedoras de planos
de saúde, que, mesmo alegando não haver cobertura contratual, são obrigadas, com base nos direitos
fundamentais à proteção do consumidor e à saúde, a arcar com despesas médico-hospitalares relativas
a seus segurados.
💡💡 GABARITO: C
QUESTÃO 6. No que diz respeito aos direitos sociais, à intervenção judicial na implementação de
políticas públicas e ao mínimo existencial, assinale a opção correta.
C) Para o STF, a tese da reserva do mínimo possível é aplicável apenas se restar comprovada a real falta
de recursos orçamentários pelo poder público, pois não é admissível como justificativa genérica para
eventual omissão estatal na efetivação dos direitos fundamentais.
D) Uma decisão judicial que ordenasse à administração pública a execução de obras emergenciais em
um estabelecimento prisional, necessárias para a garantia da integridade física dos detentos, seria
uma afronta ao princípio da separação dos poderes, segundo entendimento do STF.
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E) O direito ao mínimo existencial, no tocante aos direitos fundamentais, está vinculado às condições
estritamente necessárias para a manutenção da vida dos indivíduos.
💡💡 GABARITO COMENTADO
Tal fenômeno já foi mencionado pelo Supremo Tribunal Federal em importantes precedentes:
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No que tange à sua fundamentação jurídica, a proibição de retrocesso social costuma ser vinculada ao
dever de realização progressiva dos direitos sociais, tal como previsto no art. 2º do Pacto Internacional
de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Além disso, guarda relação com o princípio da segurança
jurídica e, assim, com os princípios do Estado Democrático e Social de Direito e da proteção da confiança.
Ao mesmo tempo, reconduz ao princípio da máxima eficácia e efetividade das normas definidoras de
direitos e garantias fundamentais (art. 5º, §1º, CF), assim como, numa perspectiva defensiva do princípio
da dignidade da pessoa humana, objetiva impedir a afetação dos níveis de proteção já concretizados das
normas definidoras de direitos sociais, sobretudo no que diz respeito às garantias mínimas de existência
digna (In: Sarlet, Ingo Wolfgang. “Curso de Direito Constitucional”, 3ª ed. São Paulo: RT, 2014, p. 582/583)
Referido princípio, todavia, não impede, em absoluto, eventuais reduções dos níveis de concretização dos
direitos sociais, já que estes, assim como os demais direitos fundamentais civis e políticos, são passíveis
de restrições.
A cláusula que proíbe o retrocesso em matéria social traduz, no processo de sua concretização,
verdadeira dimensão negativa pertinente aos direitos socais de natureza prestacional
(como o direito à saúde), impedindo, em consequência, que os níveis de concretização
dessas prerrogativas, uma vez atingidos, venham a ser reduzidos ou suprimidos, exceto na
hipótese em que políticas compensatórias venham a ser implementadas pelas instâncias
governamentais (STF, ARE 745745/MG)
Assim, admitida a possibilidade de limitações em matéria de direitos sociais, eventuais restrições deverão
observar o sistema de “limites aos limites”, o que pode ser traduzido, segundo a lição de Ingo Sarlet
(“Curso de Direito Constitucional”, 3ª ed, São Paulo: RT, 2014, p. 584/585, do seguinte modo:
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Como ensina Ingo Sarlet, a chamada limitação (objetiva) da reserva do possível abarca uma série de
aspectos, de cunho fático e jurídico. Nas palavras do Autor
Numa primeira perspectiva, a escassez de recursos assume relevo na sua dimensão ática,
ou seja, vinculada ao problema da falta efetiva (em maior ou menor medida) de recursos
econômicos, mas também de outros recursos, por exemplo, recursos humanos e técnicos
(...). Por outro lado, a escassez considerada na sua feição fática envolve aspectos jurídico-
constitucionais, convivendo com uma forte dimensão jurídica da assim chamada reserva
do possível, a exigir que o destinatário das normas de direitos socias tenha a capacidade
jurídica e o poder de disposição (isto é, competência), sem os quais de nada adiantam os
recursos existentes (...). Em vista tanto da dimensão fática quanto da faceta jurídica da
“reserva do possível”, passou-se a sustentar que os direitos sociais a prestações materiais
estariam sob uma “reserva do possível”, caracterizada por uma tríplice dimensão, a
saber: (a) a real disponibilidade fática dos recursos para a efetivação os direitos sociais;
(b) a disponibilidade jurídica dos recursos materiais e humanos, que guarda conexão
com a distribuição das receitas e competências tributárias, orçamentárias, legislativas e
administrativa (...); e (c) o problema da proporcionalidade da prestação, em especial quanto
á sua exigibilidade e razoabilidade, no que concerne à perspectiva própria e peculiar do
titular do direito.
E, assim, arremata
Por tudo isso, é possível sustentar a existência de uma obrigação, por parte dos órgãos
estatais e dos agentes políticos, de maximizarem os recursos e minimizarem o impacto da
reserva do possível, naquilo que serve de obstáculo à efetividade dos direitos sociais. A
reserva do possível, portanto, não poderá ser esgrimida como obstáculo intransponível à
realização dos direitos sociai pela esfera judicial, devendo, além disso, ser encarada com
reservas (“Curso de Direito Constitucional”, 3ª ed. São Paulo: RT, 2014, p. 576/578).
O Supremo Tribunal Federal, em inúmeros precedentes, vem afastando a tese da reserva do possível como
obstáculo à implementação de direitos sociais, sobretudo no que tange ao direito à saúde e o direito à
educação. Entretanto, tem feito a ressalva de que, no contexto da reserva do possível, deve ser feita a
distinção entre a reserva do possível fática (falta efetiva de orçamento) e a reserva possível jurídica, o que
implicaria maior ônus à Administração para, com base na efetiva escassez de recursos, fundamentar a
mora na implementação de determinado direito social, não sendo suficiente a alegação genérica de falta
de verbas públicas (Cf, dentre tantos, STF, ARE 745.745/MG).
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D) INCORRETA: O STF, no julgamento do RE 592.581, decidiu que o Poder Judiciário pode determinar que
a Administração Pública realize obras ou reformas emergenciais em presídios para garantir os direitos
fundamentais dos presos, como sua integridade física e moral.
A tese fixada para fins de repercussão geral foi: “É lícito ao Judiciário impor à Administração Pública
obrigação de fazer, consistente na promoção de medidas ou na execução de obras emergenciais em
estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao postulado da dignidade da pessoa humana e
assegurar aos detentos o respeito à sua integridade física e moral, nos termos do que preceitua o artigo 5º
(inciso XLIX) da Constituição Federal, não sendo oponível à decisão o argumento da reserva do possível
nem o princípio da separação dos Poderes”.
De acordo com as lições de Ingo Sarlet (In: “Curso de Direito Constitucional”, 3ª ed, São Paulo: RT, 2014), a
noção de um direito fundamental (e, portanto, de um garantia fundamental) às condições materiais para
uma vida com dignidade teve sua primeira importante elaboração dogmática na Alemanha do Segundo
Pós-Geurra, com Otto Bachof, para quem o princípio da dignidade da pessoa humana não reclamaria
somente a garantia da liberdade, mas também um mínimo de segurança social, já que, sem os recursos
materiais para uma existência digna, a própria ficaria sacrificada.
A garantia efetiva de uma existência digna abrange, de acordo com a compreensão prevalente, mais
do que a garantia da mera sobrevivência física, existência física (mínimo existencial fisiológico), mas
alcança também a garantia de um mínimo de integração social, bem como acesso aos bens culturais e
participação na vida política, aspectos que dizem respeito a um mínimo existencial sociocultural.
Nesse sentido, afirma-se que os direitos sociais em espécie (como a assistência social, a saúde, a moradia, a
previdência social, o salário mínimo dos trabalhadores) acabam por abarcar certas dimensões do mínimo
existencial, ainda que não se reduzam a meras concretizações deste, como, aliás, parece sustentar parcela
da doutrina
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Em termos de fundamentação constitucional, embora não haja uma explícita do direito ao mínimo
existencial no texto da Constituição Federal, pode-se extraí-lo da inserção da garantia da existência digna
dentre os princípios e objetivos da ordem constitucional econômica (art. 170, caput, CF), assim como pela
via da proteção à vida e à dignidade da pessoa humana.
No que diz com a recepção do mínimo existencial no âmbito da jurisprudência brasileira, o Supremo
Tribunal Federal vem reconhecendo que a proteção ao mínimo existencial deve ser feita tanto na
perspectiva de um direito de defesa, quanto de um direito a prestações. A propósito, relata Ingo Sarlet que
Como exemplo da primeira função, ou seja, de um direito à não afetação (não intervenção),
podem ser referidas decisões relativas à proibição do confisco (atos de efeito confiscatório)
– RE 397.744. Embora não se trate de posição majoritária, importa consignar a emblemática
manifestação dos Ministros Eros Grau, Celso de Mello e Carlos Britto, quando, por ocasião
do julgamento do RE 407.688-8/SP, em 08.02.2006, divergiram da maioria de seus pares, ao
sustentar que a moradia é necessidade vital do trabalhador e de sua família, cuidando-se,
portanto, de direito indisponível e não sujeito a expropriação via penhora embasada em
contrato de fiança.
Já no que diz respeito à assim chamada dimensão positiva (prestacional) do direito ao
mínimo existencial, o STF tem consolidado o entendimento de que nesta seara incumbe ao
Estado, em primeira linha, o dever de assegurar as prestações indispensáveis ao mínimo
existencial, de tal sorte que em favor do cidadão há que reconhecer um direito subjetivo,
portanto, judicialmente exigível à satisfação das necessidades vinculadas ao mínimo
existencial, e, portanto, à dignidade da pessoa humana. (...) o fato é que, pelo menos no
que diz com o direito à saúde e o direito à educação (no caso do direito à moradia não se
registra julgado assegurando um direito subjetivo à construção de uma moradia digna por
parte do Estado), já são várias as decisões reconhecendo um dever de prestação, inclusive
em caráter originário, ou seja, não necessariamente dependente de prévia política pública
ou previsão legal.
💡💡 GABARITO: C
🏳🏳 DIREITO ADMINISTRATIVO
Caras(os) Alunas(os), estamos juntos em mais esse curso rumo às defensorias públicas estaduais. Para
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Defensoria Pública Semestral
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mim é um grande prazer estar novamente com a equipe do curso CEI, com que colaboro desde seu
primeiro curso oferecido e primeira versão visando defensorias. Especificamente sobre nossa matéria,
Direito Administrativo, vale registrar que vem sendo cobrada extensivamente com base na Lei seca e nos
precedentes de cortes superiores, mas, em provas contemporâneas, vamos aqui e acolá outros ver temas
um pouco mais aprofundados sendo exigidos.
Neste sentido, recomendo como livros base de preparação o Curso de Direito Administrativo do professor
Rafael Carvalho Rezende de Oliveira (GEN/Método) e o Manual de Direito Administrativo, dos professores
João Trindade e Gustavo Scatolino (Juspodium), conjugados com a contínua resolução de exercícios. A
indicação visa otimizar seu tempo de estudo, sendo claro que não deixo de recomendar os clássicos do
tema administrativista (Di Pietro, Carvalho Filho, Celso A. Bandeira de Mello) cujas obras, contudo, não
são especificamente direcionadas à preparação para provas.
Sucesso!
QUESTÃO 7. Assinale a alternativa CORRETA tendo em vista o conteúdo dos princípios de direito
administrativo.
B) A legalidade encontra-se inserida num contexto maior, que a doutrina vem denominando como o de
juridicidade, apontando que a Administração deve obedecer não apenas à lei em sentido estrito, mas
também a todo um conjunto de preceitos a incluir princípios expressos ou implícitos constitucionais,
tratados internacionais e mesmo princípios gerais de direito, compondo o que se denomina de “bloco
de legalidade” a ser observado pelo agir administrativo.
C) Ao longo do tempo o princípio da legalidade sofreu mutações, dentre elas a evolução, segundo a
doutrina, para a ideia de legitimidade, que significa ser legítimo o ato, necessariamente legal, desde
que também seja eficiente.
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💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: Como ensina a doutrina, por todos, da professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o princípio
da eficiência veio a se somar aos demais já previstos explícita ou implicitamente no texto constitucional
originário e também na legislação (como na Lei 9.784/99, na esfera federal).
Neste sentido, a eficiência não deve se sobrepor a quaisquer outros, especificamente quando em contraste
com a legalidade, impondo-se, noutro giro, a harmonização principiológica.
Incorreta, portanto, a assertiva ao dizer que apenas a legalidade estrita é princípio a orientar a conformação
ou organização da Administração Pública.
B) CORRETA: A assertiva descreve, acertadamente, uma das mutações recentes do conceito de Legalidade,
a sua inclusão na dita “Juridicidade” e a percepção de que há um “bloco de legalidade” composto para
parâmetro e controle do agir administrativo não apenas pela lei imediata e positiva aplicável, mas de
todo ordenamento jurídico-constitucional em vigor.
C) INCORRETA: O princípio da legalidade, aponta a doutrina de, por todos, Raquel Melo Urbano, sofreu
mutações ao longo da evolução sendo uma delas a noção de “Legitimidade” que significa deva ser o ato
administrativo, além de legal, também submetido à moralidade administrativa e igualmente destinado
a atender a finalidade pública (interesse público ou geral).
A assertiva confunde o conceito atrelando-o, indevidamente, à eficiência, pelo que está incorreta.
Como esclarece ilustrativa decisão do Min. Edson Fachin: A vedação ao nepotismo na Administração
Pública decorre diretamente da Constituição Federal e sua aplicação deve ser imediata e verticalizada.
Viola os princípios da moralidade, impessoalidade e isonomia diploma legal que excepciona da vedação
ao nepotismo os servidores que estivessem no exercício do cargo no momento de sua edição. [ADI 3.094, rel.
min. Edson Fachin, j. 27-9-2019, P, DJE de 15-10-2019.]
E) INCORRETA: O princípio da supremacia do interesse público, para o qual vozes de relevo na doutrina
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apontam que seria adequada nova nomenclatura, como “princípio da finalidade pública”, realmente
determina que se privilegie o interesse público (ou interesse geral, ou interesse público primário) ante
o particular/privado, mas não que se desconsidere este totalmente, como afirmou, erroneamente, a
questão.
Com a constitucionalização do Direito Administrativo e tendo por norte nosso ordenamento constitucional
(que tem por base o respeito à Dignidade da Pessoa Humana) o agir no interesse público, quando conflitar
com o privado, deve, ao contrário, considerá-lo de forma que a intervenção tenha mínimo impacto
negativo sobre aquele interesse particular e, em especial, não fira direitos fundamentais seus. É o que a
doutrina também vem descrevendo como “pessoalidade ou personalização no direito administrativo”, ou
seja, o pleno respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana.
💡💡 GABARITO: B
QUESTÃO 8. Considere a seguinte situação hipotética: após reconhecidos esforços pessoais no curso
de seu mandato, incluindo viagens a Brasília, audiências públicas, atos administrativos de gestão
etc., determinado prefeito logrou êxito em obter verbas para construir uma necessária escola
profissionalizante em seu município, pelo que houve grande comemoração na cidade. Ao começarem
as obras, na placa que identifica o local e o projeto em curso, o prefeito fez questão de colocar a frase
“Realização do Prefeito Fulano de Tal”.
E) Houve infração, clara e direta, a princípios da Administração, configurando até ato de improbidade
administrativa, contudo, não deve ser punido o prefeito, até porque os atos de improbidade desta
espécie comportam análise pelo princípio da insignificância, conforme o STJ.
💡💡 GABARITO COMENTADO
Assim, atos como identificação pessoal em obras e programas públicos ferem, clara e diretamente, a
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segunda acepção, pelo que atingem e estão contra o princípio da Impessoalidade – podendo configurar
igualmente ato e improbidade administrativa nos termos da Lei 8.429/92, Art. 11 c/c art. 37, §1º da
CRFB/88, verbis: [...] § 1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos
públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar
nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
Demais disso, adotando a corrente majoritária, o STJ possui decisões que afirma que havendo ato de
improbidade em regra não se aplica a insignificância, apesar da proximidade da ação com a esfera penal,
isso porque não é o reflexo econômico ou sua bagatela que deixarão de representar ofensa aos princípios
administrativos.
💡💡 GABARITO: D
A) Apesar de, também no Brasil, ter sido influenciado majoritariamente por forte tradição jurídica
italiana, o Direito Administrativo teve como seu primeiro manual escrito o livro L’État les gouvernants
et les agentes, de León Duguit, em 1901.
E) Apesar de certo debate doutrinário sobre sua classificação ou não como fonte do direito administrativo,
o costume, quando assim for considerado, se constituirá em fonte secundária e material.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: Embora haja, sim, influência da tradição italiana sobre o direito administrativo, a maior
colaboração ainda veio da tradição francesa.
Ocorre que, ao contrário do afirmado na assertiva, embora seja essa a origem da maior contribuição na
área, o primeiro livro editado sobre direito administrativo foi o manual de autoria do italiano Giandomenico
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Não é a adotada no Brasil, onde, até por força constitucional (art. 5º, XXXV, CRFB/88), temos a jurisdição
uma (como na Inglaterra).
Já a Administração Pública introversa: cuida de atos entre os entes políticos reciprocamente considerados
ou entre estes entes e os órgãos da Administração Direta; cuida de atividade-meio; atende ao interesse
público secundário; tem caráter instrumental e tem como exemplo atos administrativos praticados, como a
cessão de um determinado servidor público entre entes estatais.
E) CORRETA: As fontes do Direito Administrativo são: a Lei (fonte primária e formal, aqui entendida no
conceito amplo, de Juridicidade, como já exposto noutra questão desta rodada, ou seja, incluindo acima
de tudo a Constituição e, no mesmo status ou regime a que submetidos quando de sua internalização,
os tratados internacionais aplicáveis); a Doutrina; a Jurisprudência; os Costumes (e, para alguns, a praxe
administrativa, que dele se diferencia). Para outros, incluíram-se, ainda, os Precedentes Administrativos.
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Fontes formais são as que emanam do Estado, já as fontes materiais, ou reais, as que decorrem da
realidade, do dia a dia.
Fontes imediatas ou diretas são as que geram, diretamente, a criação de um dever jurídico via norma
(lei e costumes, majoritariamente), enquanto as mediatas ou indiretas apenas influenciam sua gênese
(caso da doutrina e jurisprudência – excepcionadas aqui as súmulas vinculantes, que se amoldam a
fontes imediatas dada sua natureza cogente).
Observem a futura defensora e o futuro defensor: tradicionalmente, tão somente a Lei (leia-se, Juridicidade)
é fonte primária, todas as demais são secundárias ou acessórias.
O debate doutrinário se dá precipuamente sobre os dois últimos itens, sendo majoritário que os
Costumes são fonte, mas secundária e material, do Direito Administrativo, e discutindo a doutrina
sobre os costumes contra legem (com ampla maioria por sua não admissão como fonte). Fato é que,
demais se apontados como fundamento tendo por norte a boa-fé e o princípio da confiança legítima na
Administração, os costumes a nosso sentir podem sim ser fonte de direito administrativo.
A praxe administrativa (que é a repetição de determinado agir em especial quanto à forma sem necessária
noção de obrigatoriedade) pode dar origem a um costume, portanto dele se diferencia (já que o costume
é observado com sentimento de seja obrigatório). Noutras palavras, a praxe é o mero hábito, sem noção e
obrigatoriedade, enquanto o costume a tem.
Por fim, para doutrina contemporânea, os Precedentes administrativos (que são as formas de decidir
administrativa reiteradas, válidas e de acordo com o interesse público) também são fontes do Direito
Administrativo, notadamente quando há base legal para tanto, caso do art. 40, §1º, da LC 73/1993 – Lei
Orgânica da AGU, dispondo que parecer aprovado e publicado com despacho do Presidente da República
vincula toda Administração Federal.
As recentes alterações na LINDB reforçam essa concepção, notadamente seu novo artigo 30:
Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na
aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e
respostas a consultas.
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter vinculante
em relação ao órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão.
💡💡 GABARITO: E
QUESTÃO 10. Considere que determinada Constituição estadual prevê o pagamento de subsídio mensal
e vitalício a ex-governadores e, no caso de falecimento, pensão ao cônjuge ou companheiro supérstite.
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Defensoria Pública Semestral
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B) É constitucional haja vista o grau de autonomia que detém o constituinte derivado na conformação
do estado membro. Todavia, não pode derivar de lei ordinária ou complementar, sendo certo que os
pagamentos realizados antes de emendada a constituição estadual com previsão do benefício devem
ser alvo de ressarcimento, sendo permitido o parcelamento dentro de critérios de razoabilidade e
proporcionalidade.
C) É constitucional haja vista o grau de autonomia que detém o constituinte derivado na conformação do
estado membro. Pode, inclusive, ser derivado de lei ordinária ou complementar, sendo desnecessária
a previsão em Constituição Estadual.
D) É constitucional haja vista o grau de autonomia que detém o constituinte derivado na conformação
do estado membro. Todavia, não pode derivar de lei ordinária ou complementar. Os valores já
percebidos, porém, são irrepetíveis, haja vista a necessária observância à segurança jurídica, boa-fé e
dignidade da pessoa humana.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA (responde as demais alternativas): Notadamente nas provas objetivas, a maior parte das
questões encontra lastro na lei seca e precedentes das Cortes Superiores. As bancas, assim, buscam evitar
quantidade e qualidade de recursos, possibilitando tanto mais agilidade quanto segurança na correção.
Neste giro, importante decisão do Plenário do STF de dezembro de 2019, confirmando tendência
jurisprudencial prevalente na Corte, assim definiu:
“O Plenário julgou parcialmente procedente pedido formulado em ação direta para declarar a
inconstitucionalidade do art. 85, § 5º, da Constituição do Estado do Paraná, e, por arrastamento, da Lei
16.656/2010 e do art. 1º da Lei 13.426/2002, ambas do referido Estado-membro. Por maioria, decidiu que
a declaração de inconstitucionalidade não atinge os pagamentos realizados até o julgamento da ação.
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RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
O aludido dispositivo constitucional concede subsídio mensal e vitalício aos ex-governadores do estado,
igual ao recebido por desembargador do tribunal de justiça estadual, desde que tenham exercido a
função em caráter permanente e não tenham sofrido suspensão dos respectivos direitos políticos. Os
dispositivos das leis estaduais regulamentam o subsídio e o valor de pensão por morte devida às viúvas
dos governadores, nos termos do referido art. 85, § 5º.
[...]
Quanto ao mérito, o Plenário aplicou sua reiterada jurisprudência no sentido de que a instituição
de prestação pecuniária mensal e vitalícia a ex-governadores, designada “subsídio”, corresponde
à concessão de benesse que não se compatibiliza com a Constituição Federal (notadamente com o
princípio republicano e o princípio da igualdade, consectário daquele), por configurar tratamento
diferenciado e privilegiado sem fundamento jurídico razoável, em favor de quem não exerce função
pública ou presta qualquer serviço à administração.
Entretanto, por maioria, explicitou a desnecessidade da devolução dos valores percebidos até o
julgamento da ação, considerados, sobretudo, os princípios da boa-fé, da segurança jurídica e, ainda,
da dignidade da pessoa humana. Salientou que os subsídios foram pagos por mais de trinta anos.
Ademais, todas as beneficiárias das respectivas pensões são pessoas de avançada idade, e, sem essa
fonte de renda, poderiam se encontrar, repentinamente, em situação de miserabilidade. [...]
💡💡 GABARITO: A
🏳🏳 DIREITO TRIBUTÁRIO
Caras(os) Alunas(os), sejam bem-vindos ao nosso estudo de Direito Tributário focado para as defensorias
públicas estaduais. Já participei de algumas outras edições do CEI visando as DPEs, e posso garantir que o
objetivo é, novamente, construir um instrumental concreto e útil para a aprovação de novas(os) colegas.
Especificamente sobre nossa matéria, Direito Tributário, a cobrança em provas das DPEs tem prestigiado
os precedentes e a principiologia da seara, e assim o farei nas questões propostas, buscando simular ao
máximo a realidade de prova.
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Defensoria Pública Semestral
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Recomendo como livros base de preparação o “Direito Tributário”, professor Ricardo Alexandre (Juspodium)
e/ou “Tributário – Teoria e Prática”, de Josiane Minardi (também da Juspodium). São publicações bem
completas e concisas, adequadas para o conteúdo que enfrentaremos nos certames de Defensoria.
QUESTÃO 11. Com relação a normas de direito tributário e sua compreensão pelas cortes superiores,
assinale a alternativa correta.
A) A prescrição e decadência dos créditos tributários, conforme o CTN, estão sujeitas, respectivamente,
a prazos de 5 (cinco) anos, tendo o STF entendido que dada exigência de Lei Complementar para
produção legislativa sobre o tema, exceções no ordenamento jurídico que previam prazos decenais
para prescrição e decadência de créditos tributários especificamente frutos das contribuições
previdenciárias são inconstitucionais.
C) Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer
das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, haja vista a natureza ampla da
imunidade constitucional que se amolda ao fato.
D) A prescrição e decadência dos créditos tributários, conforme o CTN, estão sujeitas respectivamente
a prazos de 10 (dez) anos, tendo o STF entendido que dada exigência de Lei Complementar para
produção legislativa sobre o tema, exceções no ordenamento jurídico que previam prazos quinquenais
para prescrição e decadência de créditos tributários especificamente frutos das contribuições
previdenciárias são inconstitucionais.
E) A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou
destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, viola o artigo 145, II, da Constituição Federal.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: Há questões que não podemos desperdiçar numa fase objetiva, dentre estas, as que cobram
texto integral e precedentes vinculantes do STF.
Como foi o caso em 2019 (prova da DPE/MG, cobrando a Súmula Vinculante 29 – veja item B desta questão)
e sempre se repete, conhecer tais precedentes é obrigatório para quem deseja sair-se vitoriosa(o) nos
concursos jurídicos, defensorias não sendo exceção, pelo que se recomenda a leitura e conhecimento
reavivado de todos eles.
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Defensoria Pública Semestral
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No caso, a questão afirma a mesma realidade, em diferentes palavras, do que preconiza a Súmula
Vinculante nº 8 do STF, verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei
1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito
tributário.
A prescrição e decadência tributárias, pois, seguem prazos QUINQUENAIS (na forma dos arts. 150, §4º,
173 e 174 do CTN), ponto que aprofundaremos noutras questões neste curso. O STF ao resolver tal
controvérsia estabeleceu efeitos modulados, “ex nunc”, à decisão. Recordemos, por derradeiro, que o CTN
foi recepcionado em nosso ordenamento com status de Lei Complementar, pelo que seus dispositivos
atendem à exigência constitucional.
C) INCORRETA: Exige-se, como precedente vinculante do STF determina, para garantia da imunidade
prevista no art. 150, VI, “c” da Lei Maior, a efetiva aplicação do valor dos aluguéis nas atividades para as
quais tais entidades foram constituídas.
STF/Súmula Vinculante 52: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel
pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o
valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas.
Justamente por tais fundamentos o STF, na Súmula Vinculante 41, entendeu inconstitucional a criação ou
manutenção das taxas de iluminação pública (ausente requisito da divisibilidade) E permitiu, conforme
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Defensoria Pública Semestral
RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
Recordando o texto dos precedentes em estudo (que o maldoso examinador editou na assertiva):
STF/SV 19: A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento
ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição
Federal.
STF/SV 41: O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa.
💡💡 GABARITO: A
QUESTÃO 12. Assinale a alternativa correta no que se refere ao regime legal aplicável às de taxas e aos
preços públicos ou tarifas.
C) Não viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite
sobre o valor da causa.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: Como ensina a Súmula 412/STJ (já era posição do STF), verbis: A ação de repetição de
indébito de tarifas de água e esgoto sujeita-se ao prazo prescricional estabelecido no Código Civil.
O precedente encontra lógica na natureza jurídica dos serviços de água e esgoto que é a de tarifa ou peço
público, não de taxa (veja revisão abaixo).
Nesse sentido, o C. STJ firmou tese em recurso repetitivo no sentido de que o prazo prescricional para
apresentar ações contra tarifas de água e esgoto cobradas indevidamente é de 20 (vinte) anos, caso o
processo seja julgado com base no Código Civil de 1916. Já em ações regidas pelo Código Civil de 2002,
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Defensoria Pública Semestral
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B) INCORRETA: O pedágio, valor pago para transitar por rodovias, eventualmente a um órgão/entidade
público para garantir sua conservação ou, mais comumente, hoje, a um concessionário privado é
mencionado na CRFB/88 apenas no art. 150, VI, dizendo que é constitucional que exista, não configurando
vedação indevida ao tráfego de pessoas ou bens.
Doutrinariamente, o tema sempre gerou polêmica havendo quem entendesse tratar-se o pedágio de taxa,
quem defendesse que o pedágio era um preço público e até quem condicionasse a natureza da exação
de acordo com a existência ou não de vias alternativas (se houvessem, seria tarifa/preço público e se não
houvessem, taxa).
Aliás, o próprio STF já manteve posição incidental de que se trataria de taxa (precedentes até 1999).
Contudo, desde 2014 o Pretório Excelso asseverou que o pedágio é uma tarifa/preço público – STF.
Plenário. ADI 800/RS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 11/6/2014 – Informativo 750.
A doutrina prefere destacar que se a hipótese fosse de cobrança direta pela Administração Pública se
estaria diante de uma taxa, entendimento que deve ser ressalvado, mas não acreditamos venha a ser
cobrado numa questão objetiva.
Diz a S.667/STF: Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem
limite sobre o valor da causa.
Noutras palavras, apesar das taxas judiciárias poderem ter por base um percentual sobre o valor da causa,
tal realidade não autoriza que a cobrança seja totalmente desvinculada do custo do serviço, já que têm
tais exações clara natureza tributária.
Caso interessante de aplicação prática deste entendimento ocorreu em ação da OAB x taxas da Justiça
do Ceará, que pode ser consultado no link: [Link]
processuais-chegavam-87-mil-ceara
Todavia, a garantia constitucional da gratuidade de ensino não obsta a cobrança por universidades
públicas de mensalidade em cursos de especialização.
73 [Link]
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Nesse sentido: STF RE 597.854, rel. min. Edson Fachin, P, j. 26-4-2017, DJE 214 de 21-9-2017.
Como vimos na questão anterior deste curso, taxas são mencionadas na CR/88 no art. 145, II, e § 2°,
afirmando que serão cobradas em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou
potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição;
bem como que não podem ter base de cálculo própria de impostos.
Não há outra referência na CR/88 salvo no art. 5°, XXXIV: imunidade para o direito de petição e certidão
garantidos constitucionalmente.
Já no CTN, a disciplina das taxas se encontra do art. 77 ao 80. As taxas sempre são tributos vinculados,
ou seja, aqueles atrelados a uma específica atividade estatal.
Conforme a atividade estatal desenvolvida há duas espécies de taxas: de polícia (vide art. 78 CTN) e de
serviço público (art. 79, CTN).
Já as tarifas ou preços públicos estão submetidos a regime de direito privado, de natureza contratual,
sendo imprescindível para a validade de sua cobrança a efetiva utilização do serviço prestado, ou seja,
não se cobra preço público pela utilização em potencial do serviço (diferindo, assim, das taxas, onde a
cobrança por uso meramente potencial é hígida).
Atenção! Natureza contratual e privada das tarifas se dá em relação ao usuário, indivíduo, mas ela será,
claro, de natureza administrativa entre concessionária/permissionária e o Estado.
Atenção2: Tarifa e Preço Público são usados como sinônimo por boa parte da doutrina e bancas de
concurso. Parte da doutrina as diferencia, apontando que se teria uma tarifa apenas quando se tratar de
valor pago no uso de concessão ou permissão administrados por particular, enquanto que o preço público
se daria em atividade autorizadas ao particular, como na educação ou saúde privados. A distinção tem
relevo prático, pois as tarifas deveriam seguir o princípio da modicidade e os preços públicos, se assim
considerados, não.
Para facilitar o estudo das espécies envolvidas na questão, segue quadro comparativo entre as Taxas e as
Tarifas:
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1 Aponta a doutrina que tanto é questionável a necessária previsão orçamentária anterior, no caso das taxas, quanto o
traço distintivo mais adequado seria não o pagamento compulsório, mas sim a natureza do serviço público remunerado:
se necessariamente prestado de forma direta pela Administração: taxa; se passível for de delegação: taxa ou tarifa
(alternativamente). Contudo, tanto o STF entende a compulsoriedade quanto fato distintivo quanto nos concursos vem sendo
cobrada a literalidade da Súmula 545 do STF, razões pelas quais chamamos a atenção do(a) concursando(a).
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💡💡 GABARITO: E
🏳🏳 DIREITO PENAL
QUESTÃO 13. Note-se que, em realidade, a amplitude e o alcance do princípio é superior ao da sua
gênese histórica iluminista, representando atualmente verdadeira pedra angular da democracia e
ferramenta pródiga de legitimação/deslegitimação de toda a atividade do poder estatal, seja legiferante,
administrativa e/ou judicial. Possibilita, inclusive, a averiguação dos níveis de legitimidade e dos graus
de justiça e validade de todo o sistema jurídico, principalmente das legislações penais ordinárias (...).
Qual princípio Salo de carvalho está descrevendo em seu livro Aplicação da pena e garantismo?
A) Princípio da fragmentariedade.
B) Princípio da lesividade.
C) Princípio da secularidade.
D) Princípio da humanidade.
E) Princípio da legalidade.
💡💡 GABARITO COMENTADO
Olá pessoal, sou a professora Daniele Lovatte Maia e nesse curso “Defensorias 2020” vamos estudar a
parte geral de direito penal. A parte especial vai ficar por conta do meu colega, o professor Rodrigo Murad.
Rapidamente, a minha formação: sou graduada em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) e mestre pela mesma instituição. Atualmente, leciono direito penal na Universidade Federal
Fluminense (UFF), Universidade na qual eu estou cursando meu doutorado desde 2019.
Quanto ao modelo das questões: optei por trazer questões dogmáticas e críticas de forma intercalada, de
modo que o aluno possa entrar em contato tanto com a teoria dominante quanto com os posicionamentos
de especial importância para as provas de Defensoria Pública. A ideia é fazer uma revisão teórica da parte
geral de direito penal, juntamente com os pronunciamentos jurisprudenciais relevantes.
Sugiro a vocês que leiam os correspondentes artigos do Código Penal e/ou da CRFB/88, após eles terem
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Defensoria Pública Semestral
RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
sido trabalhados, com o objetivo de reforçar o estudo “decoreba” para provas objetivas. Além disso, estar
com a leitura da jurisprudência em dia é essencial.
Quanto à bibliografia, acredito que o melhor livro de penal é aquele que foi lido pelo aluno. Comprar um
livro e deixar guardado na estante não vai ajudar em nada na sua aprovação. Assim sendo, no estudo de
primeira fase, acredito que o trinômio: questões objetivas + letra de lei + jurisprudência, seja suficiente.
Se você tiver tempo e quiser ler um livro, leia aquele que mais gostar. Eu, particularmente, gosto muito do
Cezar Roberto Bitencourt para dar uma noção geral do direito penal.
No mais, as questões foram preparadas com todo o carinho e atenção para que você tenha uma ótima
experiência aqui no Curso Cei. Espero que gostem! Contem comigo para o que precisar! Um grande abraço
e me sigam no Instagram: @profdanielemaia.
C) CORRETA (responde as demais alternativas): Nessa primeira questão vamos tratar de princípios.
Primeiramente, é interessante notar que a maioria das questões sobre princípios em provas de Defensoria
Pública aparecem exatamente como no modelo acima descrito. O enunciado costuma trazer um trecho
de livro ou artigo de revista/jornal para, em seguida, perguntar que princípio está sendo descrito ali.
Esse modelo de enunciado é igualmente utilizado em questões sobre teoria da pena e criminologia. A
dificuldade é saber sobre qual tema o autor está escrevendo no trecho selecionado, mesmo que, em
abstrato, aquelas palavras possam se referir – e muitas vezes se referem – a outros temas além daquele
considerado correto pelo examinador.
Desse modo, sugiro que o aluno, ao se deparar com esse tipo de questão, escreva ao lado quais princípios
consegue extrair do trecho selecionado e, somente após, olhe as alternativas, evitando assim ser
contaminado com as ideias descritas nas assertivas incorretas. Caso após esse processo ainda reste
dúvida sobre a resposta correta, volte ao trecho do autor selecionado e tente ir além das palavras escritas,
buscando a ideia central do parágrafo.
O trecho selecionado foi retirado da página 17, no qual Salo de Carvalho aponta para a importância do
princípio da secularização dentro do Estado democrático de direito.
O caráter normativo da separação entre direito e moral exige que o juízo não verse sobre a
personalidade do réu, mas apenas sobre os fatos penalmente proibidos que lhe são imputados
e que são, por outra parte, passíveis de serem empiricamente provados pela acusação e
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Princípio da fragmentariedade:
A reforma da parte geral do Código Penal em 1984 aderiu a essa postura, ao colocar no artigo 26 da
exposição de motivos que “uma política criminal orientada para proteger a sociedade terá de restringir
a pena privativa de liberdade aos casos de reconhecida necessidade” (ROIG, 2015, p. 89-92). Ao ser
fragmentário, o direito penal opera como limite a ação do poder punitivo, orientando as diretrizes a serem
seguidas pela política criminal do Estado. Trata-se de questão que vai além da dogmática penal, tomando
assento na axiologia da criação, julgamento e aplicação da lei penal.
Princípio da lesividade:
O princípio da lesividade, também conhecido como princípio da ofensividade, proíbe que o direito penal
atue em casos de condutas insignificantes, imorais ou pecaminosas. Sua atuação deve estar diretamente
atrelada à lesão dos bens jurídicos de terceiros, não podendo intervir para reprimir a intimidade das
pessoas.
Para Juarez Cirino dos Santos5, o princípio da lesividade possui um viés qualitativo e um viés quantitativo.
O ponto de vista qualitativo se refere à natureza do bem jurídico lesionado, impedindo que a criminalização
2 CARVALHO, Amilton Bueno; CARVALHO, Salo de. Aplicação da pena e garantismo. 2ª ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003,
p. 13
3 Ibidem, p. 5-9.
4 FERRAJOLI, Luigi. Direito e Razão. Teoria do Garantismo Penal. 3ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, p. 706.
5 SANTOS, Juarez Cirino dos. Direito Penal: parte geral. 8ª ed. rev. ampl. e atual. Florianópolis: Tirant lo blanch, 2018, p. 28.
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primária ou secundária exclua ou reduza as liberdades constitucionais, tais como liberdade de consciência,
crença e liberdade artística. Já o viés quantitativo se refere à extensão da ofensa ao bem jurídico, excluindo
a criminalização de lesões irrelevantes ao bem jurídico, em atenção ao princípio da insignificância.
Já segundo Rodrigo Roig (2015, p. 88)6, o respeito ao princípio da lesividade está atrelado à renúncia
dogmática e judicial de aplicação da pena com justificativa preventivo geral7, já que nesse caso o objetivo
não é a proteção de bem jurídico de terceiros, mas tão somente a tentativa hipotética de impedir lesões
futuras.
Princípio da humanidade:
O artigo 5º, XLIX, da CRFB/88 assegura aos presos o respeito a sua integridade física e moral, já o artigo
5º, XLVII, e da CRFB/88 veda a aplicação de penas cruéis. Ademais, e não menos importante, o artigo 1º,
III, da CRFB/88 elenca como fundamento da república a dignidade da pessoa humana, que irradia seus
efeitos de forma objetiva para os demais ramos do direito, protegendo a integridade psicofísica de todo
indivíduo.
O princípio da humanidade é, então, a proteção da dignidade humana durante toda a passagem da pessoa
pelo sistema penal, ou seja, desde a fase de inquérito, passando pelo processo penal, pela aplicação da
pena e pela execução penal. Nesse sentido, a LEP, em seu artigo 3º, assegura ao preso o gozo de todos os
direitos não atingidos pela sentença ou pela lei. Igualmente, o artigo 5.2 da CADH impõe que toda pessoa
privada de liberdade deve ser tratada com o devido respeito à sua dignidade.
Princípio da legalidade:
Segundo Roxin8, uma lei indeterminada ou imprecisa não protege o cidadão da arbitrariedade estatal,
porque não implica uma limitação ao ius puniendi, permitindo ao juiz realizar a interpretação que quiser
no caso concreto, invadindo a competência do poder legislativo. Dessa forma, um preceito penal será
suficientemente preciso quando dele se possa deduzir com segurança o fim pretendido pelo legislador,
6 ROIG, R. D. Estrada. Aplicação da pena: limites, princípios e novos parâmetros. 2ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2015,
p. 88.
7 Utilização do deito penal como instrumento de política criminal destinada aos membros da comunidade, como forma de
intimidação (prevenção geral negativa) ou como reforço da validade/vigência das normas (prevenção geral positiva).
8 ROXIN, Claus. Derecho Penal: parte general. 2ª ed. Madrid: Civitas, 1997, p. 169; 172.
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Ainda sobre a tipificação desse princípio, temos que compete privativamente à União legislar sobre
matéria relativa à direito penal (artigo 21, I da CRFB/88), sendo vedada sua edição pelo poder executivo
através de medida provisória (artigo 62, §1º, b da CRFB/88) e o estabelecimento de crimes por meio de leis
delegadas, já que se trata de ato exclusivo do Congresso Nacional (artigo 68, §1º, da CRFB/88).
É dentro dessa perspectiva de reserva legal que o Supremo Tribunal Federal, no RE 600817, entendeu
não ser possível a aplicação da causa de diminuição do artigo 33, parágrafo 4º, da Lei de Drogas (Lei
11.343/2006), combinada com as penas previstas na Lei 6.368/1976, para crimes cometidos durante
sua vigência. No mesmo sentido, temos a Súmula 501 do STJ: É cabível a aplicação retroativa da Lei n.
11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável
ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis. Tal
interpretação consolida a ideia de que não é dado ao poder judiciário combinar previsões legais, criando
uma terceira espécie normativa, não prevista no ordenamento jurídico.
Para Bitencourt9, o respeito ao princípio da legalidade, exige uma descrição hipotética clara do
comportamento proibido e a determinação da correspondente sanção penal, de modo a impedir que seja
imposta uma punição penal arbitrária e sem uma correspondente infração penal. De acordo com o autor,
a Lei 10.792/03, que introduz na LEP o Regime Disciplinar Diferenciado é um exemplo claro de ofensa ao
princípio da legalidade, já que cria, disfarçadamente, uma sanção penal cruel e desumana sem tipo penal
definido correspondente.
Por outro lado, Fernando Galvão (2019, p. 143)10 vislumbra nos tipos penais culposos e omissivos
impróprios mais uma afronta ao princípio da legalidade, haja vista que neles o legislador descreve apenas
parte do modelo de comportamento proibido, cabendo ao juiz a tarefa de complementá-lo. São tipos
penais abertos que identificam apenas o resultado naturalístico indesejado, como lesão ou perigo de
lesão, cabendo ao julgador aferir no caso concreto a possível ofensa ao dever objetivo de cuidado.
Por fim, trago para vocês, à título de curiosidade, a posição do ex-examinador da DPRJ, Rodrigo Duque
9 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal: parte geral 1. 22ª ed. rev. ampl. e atual. São Paulo: Saraiva, 2016, p.
53.
10 GALVÃO, Fernando. Direito Penal: parte geral. 12ª ed. Belo Horizonte: editora D’Plácido, 2019, p. 143
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Defensoria Pública Semestral
RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
Estrada Roig11. Para ele, toda a lei penal, bem como todos os princípios a ela vinculados, devem ser
pautados pelo viés da mínima afetação individual, sendo restringido, ao máximo, o dano da incidência
do poder punitivo sobre o apenado. Trata-se da função negativa ou contentora da pena, que deve ser
somada a sua função positiva: meios pelos quais o apenado pode buscar a redução de seu grau de
vulnerabilidade, caso assim deseje.
💡💡 GABARITO: C
B) Nos crimes de conduta convergente, as condutas partem de um mesmo ponto e se separam após a
execução do delito.
C) Crime transeunte é sinônimo de crime vago, já que tem como sujeito passivo a coletividade e não
deixa vestígios de sua prática.
💡💡 GABARITO COMENTADO
Assertiva correta.
Os crimes de perigo podem ser classificados como concreto ou abstrato. Os crimes de perigo concreto são
aqueles nos quais é necessário que se comprove que efetivamente o bem jurídico protegido pela norma
penal foi colocado em risco no caso concreto. Por outro lado, os crimes de perigo abstrato presumem
o perigo ao bem jurídico por eles protegido, dispensando-se sua comprovação para que o delito reste
configurado.
O STJ reconhece com naturalidade a existência de crimes de perigo abstrato, como se verifica abaixo:
11 Ibidem, nota 5.
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perigosa ou nociva para a saúde humana ou o meio ambiente” esteja declinado ex lege,
ou seja, no caso, que esteja elencado na Resolução n. 420/04 da ANTT. 5. Recurso especial
conhecido e provido, para restabelecer a condenação dos recorridos e determinar ao
Tribunal de origem que reexamine a apelação defensiva, partindo da premissa de que a
mera ausência de prova pericial não constitui óbice à manutenção do édito condenatório.
(REsp 1439150/RS, Min. ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, j 05/10/2017).
Para parcela da doutrina, no entanto, os crimes de perigo abstrato, ao não causar lesão efetiva ao bem
jurídico tutelado, ofendem o princípio da ofensividade e a regra do direito penal mínimo. O princípio da
ofensividade possui função limitadora do ius puniendi estatal, ao direcionar a atuação da política criminal
e limitadora do próprio direito penal. Logo, a tipificação de delitos que não causam ofensa real ao bem
jurídico é arbitrária e não passa pelo filtro do Estado Democrático de Direito.
B) Nos crimes de conduta convergente, as condutas partem de um mesmo ponto e se separam após a
execução do delito.
Assertiva incorreta.
Trata-se do oposto, nos crimes de conduta convergente, as condutas partem de pontos opostos e se
encontram apenas após a execução do delito, à exemplo do crime de bigamia (artigo 235 do CP).
C) Crime transeunte é sinônimo de crime vago, já que tem como sujeito passivo a coletividade e não
deixa vestígios de sua prática.
Alternativa incorreta.
O crime transeunte é aquele que não deixa vestígio, à exemplo do delito de ameaça (artigo 147 do CP), já
os crimes vagos possuem como sujeito passivo a coletividade sem personalidade jurídica, à exemplo dos
crimes contra o meio ambiente.
Assertiva incorreta.
Os crimes de mão própria, igualmente chamados de infungíveis, são aqueles que somente podem ser
praticados por determinado sujeito passivo, tais como o crime de infanticídio (artigo 123 do CP) e o crime
de falso testemunho (artigo 342 do CP).
No que concerne o crime de mera conduta, estes não trazem em sua descrição qualquer referência a
um resultado naturalístico, a norma incrimina determinada conduta sem fazer menção a qualquer
modificação no mundo natural. Como exemplo, tempos os crimes de perigo abstrato mencionados na
alternativa “A”.
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Assertiva incorreta.
A definição do delito unissubjetivo está correta, sendo aquele que necessita de apenas um agente para sua
configuração, à exemplo do crime de homicídio (artigo 121 do CP). No entanto, eles podem ser praticados
em coautoria, admitindo-se ainda a participação.
Para revisão, segue um quadro com a definição doutrinária de grande parte dos tipos de crime:
💡💡 GABARITO: A
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🏳🏳 DIREITO PENAL
QUESTÃO 15. Com base nas alterações trazidas pela Lei nº 13.964/19, é CORRETO afirmar acerca da
execução penal:
A) Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que recusar submeter-se ao
procedimento de identificação do perfil genético.
B) A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime
menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos 10% (dez por
cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido com violência à pessoa ou grave
ameaça.
C) A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasionar subversão
da ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, sem prejuízo da sanção
penal, ao regime disciplinar diferenciado.
D) Ainda que existam indícios de que o preso exerce liderança em organização criminosa, associação
criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da Federação,
o regime disciplinar diferenciado será cumprido em estabelecimento prisional estadual.
E) A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada e precedida de
manifestação do Ministério Público, procedimento que também será adotado na concessão de
livramento condicional e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: A assertiva está em concordância com o inciso VIII do art. 50 da Lei de Execução Penal, que,
além de ser uma inovação no texto da respectiva norma, aduz: “Art. 50. Comete falta grave o condenado
à pena privativa de liberdade que: VIII - recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil
genético.”.
B) INCORRETA: A assertiva está em discrepância com o inciso IV do art. 112 da Lei de Execução Penal, que,
além de ser uma inovação no texto da respectiva norma, aduz: “Art. 112. A pena privativa de liberdade
será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada
pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos: IV - 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for
reincidente em crime cometido com violência à pessoa ou grave ameaça;”.
C) INCORRETA: A assertiva está em discrepância com o caput do art. 52 da Lei de Execução Penal, que
possui uma inovação no texto da respectiva norma, já que aduz: “Art. 52. A prática de fato previsto como
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crime doloso constitui falta grave e, quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas, sujeitará
o preso provisório, ou condenado, nacional ou estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime
disciplinar diferenciado, com as seguintes características: (...).”.
D) INCORRETA: A assertiva está em discrepância com o parágrafo §3º do art. 52 da Lei de Execução Penal,
que, além de ser uma inovação no texto da respectiva norma, aduz: “Art. 52. (...) § 3º Existindo indícios de
que o preso exerce liderança em organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, ou que
tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da Federação, o regime disciplinar diferenciado será
obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional federal.”.
E) INCORRETA: A assertiva está em discrepância com o parágrafo §2º do art. 112 da Lei de Execução Penal,
que, além de ser uma inovação no texto da respectiva norma, aduz: “Art. 112. (...) § 2º A decisão do juiz
que determinar a progressão de regime será sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério
Público e do defensor, procedimento que também será adotado na concessão de livramento condicional,
indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes.”.
💡💡 GABARITO: A
QUESTÃO 16. Em concordância com as alterações trazidas pelo “Pacote Anticrime”, assinale a
alternativa INCORRETA no que diz respeito ao Código Penal:
A) Considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou
risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.
B) O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 (quarenta)
anos.
C) Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior a 6 (seis)
anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens
correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível
com o seu rendimento lícito.
D) Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre enquanto o agente cumpre pena
no exterior.
E) A pena do crime de roubo aumenta-se de 1/4 (um quarto) até metade se a violência ou grave ameaça
é exercida com emprego de arma branca.
💡💡 GABARITO COMENTADO
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A) INCORRETA: A assertiva está em concordância com o parágrafo único do art. 25 do Código Penal, que,
além de ser uma inovação no texto da respectiva norma, aduz: “Art. 25. (...) Parágrafo único. Observados os
requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se também em legítima defesa o agente de segurança
pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.”.
B) INCORRETA: A assertiva está em concordância com o caput do art. 75 do Código Penal, que trouxe uma
inovação no texto da respectiva norma, aduzindo: “Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas
de liberdade não pode ser superior a 40 (quarenta) anos.”.
C) INCORRETA: A assertiva está em concordância com o caput do art. 91-A do Código Penal, que, além de
ser uma inovação no texto da respectiva norma, aduz: “Art. 91-A. Na hipótese de condenação por infrações
às quais a lei comine pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda,
como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do
condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito.”.
D) INCORRETA: A assertiva está em concordância com o inciso II do art. 116 do Código Penal, que, além
de ser uma inovação no texto da respectiva norma, aduz: “Art. 116. Antes de passar em julgado a sentença
final, a prescrição não corre: II - enquanto o agente cumpre pena no exterior;”.
E) CORRETA: A assertiva está em discrepância com o parágrafo §2º do art. 157 do Código Penal, que, além
de ser uma inovação no texto da respectiva norma, aduz: “Art. 157 (...) § 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um
terço) até metade: VII – se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca;”.
💡💡 GABARITO: E
🏳🏳 CRIMINOLOGIA
Embora não costume constar como matéria autônoma, com algumas exceções como na prova da DPESC,
a Criminologia vem alcançando, cada vez mais, um papel relevante nas provas de Defensorias Públicas,
contando com duas a cinco questões por certame, em regra, ainda que dentro da matéria de Direito
Penal. A título de exemplo, tomando justamente a prova de 2017 da DPESC, foram tratados temas como
as criminologias positivistas, as teorias sociológicas e criminológicas do consenso e do conflito, política
criminal e penitenciária, finalidades da pena e intersecções da Criminologia com raça, gênero e outros
setores especialmente vulneráveis da sociedade.
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Em nosso curso trataremos, de forma geral, de todos os grandes temas comumente abordados nas provas
de Defensoria Pública quando o assunto é Criminologia, possibilitando um roteiro de estudo ao candidato
iniciante, bem como um material adequado de revisão para aquele que já possui um conhecimento prévio
sobre a temática.
Para um adequado estudo, sugiro a leitura de algumas obras, não existindo, até o presente momento,
uma única que eu possa indicar como sendo suficiente a cobrir todo o conteúdo necessário. Como texto
base, sugiro a leitura de uma das três seguintes obras: 1) SHECAIRA, Sérgio Salomão. Criminologia. São
Paulo: Editora Revista dos Tribunais; 2) BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e crítica do Direito
Penal: introdução à sociologia do direito penal. Rio de Janeiro: Editora Revan; 3) DIAS, Jorge de Figueiredo;
ANDRADE, Manuel da Costa. O homem delinquente e a sociedade criminógena. Coimbra: Editora Coimbra.
Para temas específicos, indicarei os textos (em sua maioria da internet) quando das respostas às questões.
De toda forma, para quem tem interesse em aprofundar o estudo desde logo, deixo aqui sugestões de
leitura das obras de grandes expoentes, tais quais Juarez Cirino dos Santos (sugiro a leitura do livro “A
Criminologia Radical” e dos capítulos 1, 16 e 17 de seu curso de Direito Penal), Eugênio Raul Zaffaroni (em
especial sua obra “A questão criminal”), Georg Rusche & Otto Kirchheimer (“Punição e estrutura social”),
Dario Melossi & Massimo Pavarini (“Cárcere e fábrica”), Erving Goffman (“Estigma” e “Manicômios,
prisões e conventos”) e Augusto Thompson (“Quem são os criminosos?”). Para além disso, toda coleção
Pensamento Criminológico do Instituto Carioca de Criminologia é interessante, além da obra de expoentes
como Nilo Batista, Vera Malaguti Batista, Vera Regina Pereira de Andrade, Salo de Carvalho, dentre tantos
outros ilustres criminólogos nacionais.
B) Entende-se por vitimização primária aquela que deriva diretamente do crime; secundária (ou
revitimização ou sobrevitimização) aquela que deriva das instâncias de controle formal; terciária
aquela que deriva das instâncias de controle informal; e quaternária aquela que deriva do medo de ser
vitimada, por uma falsa percepção da realidade potencializada pela mídia sensacionalista.
D) Entende-se por controle social alternativo a reação social frente à ineficiência e/ou injustiça das
instâncias de controle social formal.
E) Conforme Francesco Carrara, maior expoente da chamada Escola Clássica, o crime deve ser
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considerado um ente natural, existente em virtude de um suposto Direito Natural (jus naturalismo),
sendo a expressão da lesão de algum daqueles sentimentos mais profundamente radicados no espírito
humano e no seu conjunto formam o que se chama senso moral.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: A criminologia, antes de se apresentar como uma Ciência autônoma, surgiu com a finalidade
de subsidiar o Direito Penal e justificá-lo, sendo aquele instrumento que daria a cientificidade que o
Direito precisaria para poder ser considerado uma Ciência e, portanto, ser “levado a sério”. Seu método
é o empírico (com a apreensão da experiência), zetético (não dogmático e preso a conceitos prévios) e
interdisciplinar (valendo-se de diversos saberes como a psicologia, medicina, antropologia e a sociologia).
Seu objeto: o crime, o criminoso, a vítima e, mais modernamente, o controle social.
C) CORRETA: Por prevenção primária se compreende as ações do Poder Público, principalmente, para
evitar que o fato criminoso ocorra. A secundária é a reação social diante da constatação da prática delitiva.
A terciária, por fim, é a prevenção pela qual se busca evitar a reiteração criminosa, encontrando-se aí as
medidas oferecidas ao sentenciado para se “recuperar”, “ressocializar” ou se “reinserir” na sociedade.
D) CORRETA: Trata-se de definição conferida pelo Criminólogo italiano Alessandro Baratta ao conceituar
a reação da população ao controle social formal e sua violência institucionalizada.
E) INCORRETA: Para Carrara e os pensadores da então chamada “Escola Clássica”, o crime seria um “ente
jurídico”, portanto uma violação ao Direito e tão-apenas em razão disso, sendo que a ética que deve
inspirar a elaboração das leis deve ser a mesma divina. Uma vez que o homem não tem a dimensão
exata do conteúdo das leis divinas, nem poderia executar as penas imediatamente quando da violação da
lei, o Direito humano seria falho, mas ainda assim deveria ser respeitado, pois uma construção daquela
sociedade para a manutenção da liberdade humana, tanto na contenção das paixões quanto do exercício
da força do mais forte contra o mais fraco.
💡💡 GABARITO: E
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Caros/as alunos/as e futuros/as colegas! É com enorme alegria que os/as recebo no Curso CEI-Defensorias
Semestral para trabalharmos juntos com a disciplina de Direito Processual Penal.
Vocês certamente confiam no Curso CEI, que há um bom tempo vem realizando trabalho excepcional
na preparação de candidatos/as para concursos, especialmente os da Defensoria Pública, e, portanto,
dispensa apresentações. Mas muitos/as não me conhecem e não seria razoável – e nem educado – que eu
pedisse a confiança de vocês sem ao menos me apresentar, simplesmente por integrar o corpo docente
de um curso renomado. Assim, peço licença para contar um pouco da minha trajetória profissional. Eu me
graduei em Direito na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, a UNESP, no campus de
Franca, em dezembro de 2009. Fui aprovado no V Concurso de ingresso na carreira de Defensor Público do
Estado de São Paulo, encerrado no fim de 2012 e tomei posse no cargo em fevereiro de 2013. Desde então
trabalho na área criminal, exceto por um breve período de menos de um mês em que atuei no cível. Fui
colaborador do Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado
de São Paulo. Trabalho com preparação para concursos desde 2015 e sou mestrando em Direitos Coletivos
e Cidadania na Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). Devidamente apresentado, fico à vontade para
explicar a forma de trabalho que adotaremos durante o curso.
Neste semestre percorreremos todo o conteúdo de Direito Processual Penal que vocês precisam conhecer
para conseguirem a aprovação no concurso da Defensoria Pública. A matéria é extensa. São muitos
assuntos a serem abordados. Logo, nem todos eles serão profundamente analisados, senão aqueles de
maior interesse para os certames da carreira escolhida, afinal de contas vocês têm que estudar inúmeras
outras disciplinas.
Para melhor aproveitar nosso tempo, sugiro um método para estudar Direito Processual Penal, que tanto
pode ser adaptado à realidade de cada um/a de vocês quanto, se entenderem conveniente, ser adotado no
estudo de outras disciplinas. Trata-se de mera sugestão, de modo que não haverá nenhum impedimento
ou prejuízo ao acompanhamento do curso se ela não for seguida. Vamos ao método.
1º PASSO. Delimitar o conteúdo a ser estudado em cada uma das 15 rodadas que teremos, com base nas
questões objetivas. Para facilitar sua organização, segue uma tabela com uma referência genérica aos
temas.
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2º PASSO. Ler, no material de estudos que você escolheu, os capítulos correspondentes aos temas das
rodadas (mais à frente recomendarei as doutrinas que julgo serem mais adequadas à preparação para os
concursos da Defensoria Pública).
Repito que se trata de mera sugestão. Vocês podem segui-la ou não, bem como adaptar o método às suas
necessidades e/ou possibilidades.
Para finalizar esta introdução à disciplina de Direito Processual Penal do nosso curso, resta fazer algumas
observações importantes. Vamos a elas.
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Nos anos em que venho trabalhando com alunos/as de cursos preparatórios para concursos percebi
que boa parte dos/as candidatos/as ao ingresso na carreira da Defensoria Pública acaba adotando uma
prática que pode prejudicá-los/as nas provas. Essa prática, quase um “vício”, é a de estudar com atenção
apenas os assuntos novos e/ou de maior interesse para a instituição, relegando a segundo plano temas
tradicionais. Ocorre que o domínio desses temas é necessário para o desempenho das atividades do cargo
de Defensor/a Público/a. Então, eles são sempre cobrados pelos examinadores, de modo que dominá-los
pode ser um diferencial importante.
É evidente, por exemplo, que vocês não devem gastar muito tempo estudando o procedimento dos
crimes falimentares, pois os/as acusado/as da prática desses crimes raramente são usuários/as dos
serviços da Defensoria Pública. Isso não significa, porém, que vocês devam dedicar vários dias ao
aprendizado das teorias críticas da Criminologia, não reservando uma ou duas horas para a leitura da
Lei de Crimes Ambientais.
A verdade é que as bancas de concursos para o cargo de Defensor/a Público/a exigem demais do candidato,
razão pela qual não basta conhecer apenas as “teorias da moda”. O domínio da dogmática jurídica é
imprescindível. Fica, então, um conselho: não gastem todo o tempo estudando apenas as teses, teorias
e assuntos novos e/ou progressistas e procurem absorver com afinco todos os temas que compõem o
conteúdo das disciplinas ministradas durante o curso.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
1. Direito Processual Penal, do Prof. Aury Lopes Jr., publicado pela editora Saraiva. Na minha modesta
opinião, Aury Lopes Jr. é um dos processualistas penais mais talentosos da atualidade. Além disso, sua
obra se destaca pela adoção de teses que são alinhadas às posições institucionais da Defensoria Pública.
Ressalto, porém, que o autor às vezes não se preocupa em explicar detalhadamente os entendimentos
dos quais diverge, motivo pelo qual se você não tiver alguma familiaridade com o processo penal deve
estar atento a isso.
2. Curso de Processo Penal, do Prof. Guilherme Madeira Dezem, publicado pela editora Revista dos
Tribunais. Obra bastante didática, com linguagem clara e de fácil assimilação. O autor apresenta todos
os entendimentos eventualmente existentes sobre cada um dos assuntos que aborda, mas não deixa
de expor seu próprio posicionamento. Alguns assuntos de interesse para a Defensoria Pública, contudo,
poderiam ser mais bem aprofundados.
3. Manual de Processo Penal, do Prof. Renato Brasileiro de lima, publicado pela editora Juspodivm.
Obra completa para concursos públicos, mas que nem sempre desenvolve com profundidade os
posicionamentos vanguardistas de predileção das bancas da Defensoria Pública.
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Defensoria Pública Semestral
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QUESTÃO 18. Desde a Constituição da República de 1988 o Código de Processo Penal (de 1941) vem
sofrendo reformas. Dentre os institutos modificados, criados e/ou extintos no CPP por essas reformas,
assinale o que NÃO representa necessariamente um movimento de adequação da legislação processual
em direção ao sistema acusatório:
B) Revogação do controle judicial sobre a decisão tomada pelo Ministério Público de arquivamento de
inquérito policial (art. 28, com redação da Lei nº 13.964/2019).
C) Acordo de não persecução penal (art. 28-A, com redação da Lei nº 13.964/2019).
D) Proibição de condenação com base em provas produzidas exclusivamente na fase inquisitiva (art.
155, caput, com redação da Lei nº 11.690/2008).
E) Sistema de inquirição direta das testemunhas pelas partes (art. 212, com redação da Lei nº 11.690/08).
💡💡 GABARITO COMENTADO
O tema dos sistemas processuais, cobrado na questão, costuma estar presentes nos concursos para
defensor/a público/a, como por exemplo nos certames da DPE/MA (2018 e 2015), DPE/AL (2017), DPE/RN
(2015), DPE/PA (2015) e DPE/RS (2014). Revisemos primeiro as características teóricas dos sistemas. Aury
Lopes Junior faz sínteses apropriadas. Quanto ao sistema Inquisitório lembra que é da sua essência:
A gestão/iniciativa probatória [...] está nas mãos das partes; esse é o princípio fundante
do sistema. Ademais, há a radical separação entre as funções de acusar/julgar; o processo
deve ser (predominantemente) oral, público, com um procedimento contraditório e de trato
igualitário das partes (e não meros sujeitos). Com relação à prova, vigora o sistema do livre
convencimento motivado e a sentença produz a eficácia de coisa julgada. A liberdade da
parte passiva é a regra, sendo a prisão cautelar uma exceção. (Fundamentos do processo
penal, 2017, e-book).
E complementa que historicamente o sistema Misto “[...] nasce com o Código Napoleônico de 1808 e a
divisão do processo em duas fases: fase pré-processual e fase processual, sendo a primeira de caráter
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inquisitório e a segunda acusatória”. É preciso lembrar que o sistema acusatório não está expresso na
Constituição da República, mas decorre principalmente do art. 129, inciso I, ao conferir ao Ministério
Público a função de promover, privativamente, a ação penal pública. Após essa introdução passamos
à análise das alternativas, lembrando que a questão reconhece que as reformas instituíram mudanças
no sentido de aproximação do CPP ao sistema acusatório, elegido pela CF e pede que seja destaca a
alternativa que não representa um avanço nessa matéria. Assim, a suspensão da eficácia de parte da Lei
nº 13.964/2019 por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal em nada prejudica nossos estudos.
A) INCORRETA: A opção “A” está incorreta na medida em que a instituição do juiz de garantias (ou de
instrução) representa significativo avanço em direção ao sistema acusatório, já que busca promover
maior imparcialidade do julgador, evitando sua contaminação subjetiva e “pré-juízos” formados em razão
do seu contato prévio com elementos indiciários produzidos no inquérito sob sua fiscalização. O juízo de
garantias já é uma realidade na legislação de vários países. Por ser tema bastante recente na legislação
brasileira, sugere-se, por ora, a leitura da decisão liminar do Min. Dias Toffoli, proferida em 16/01/2020
e disponível em <[Link] que
reconhece a constitucionalidade do novo instituto, mas suspende por 180 dias a sua implementação. A
decisão, embora superada por decisão posterior do Min. Luiz Fux, é didática, pois faz um bom compilado
de referências atuais sobre doutrina, jurisprudência e legislações estrangeiras quanto à matéria.
B) INCORRETA: Também está incorreta a opção “B”, porque de fato a norma anterior contida no art. 28, ao
prever que a decisão do representante do MP de arquivar o inquérito seria submetida ao controle judicial
(se o juiz não concordasse ele encaminharia o feito à apreciação do chefe do MP) representava, como forte
resquício do sistema inquisitorial, a concentração de funções no julgador atinentes à iniciativa da ação
penal, comprometendo sua imparcialidade, pois já prejulgava que havia elementos para a persecução
penal, quando essa função, no sistema acusatório, deve ser exercida apenas pelo órgão acusador. A
modificação do art. 28 pela Lei nº 13.964/2019 extirpou esse controle feito pelo juiz, indicando que em
caso de decisão de arquivamento o órgão do MP de primeira instância comunicará aos interessados e
submeterá sua decisão à homologação por instância de revisão do próprio órgão ministerial. Note-se
que essa modificação foi suspensa por decisão liminar do Min. Luiz Fux, mas, além de não prejudicar o
conteúdo da questão, acredita-se que haverá reversão da liminar ao menos neste aspecto, já que ela
aparentemente foi implementada com o objetivo de dar tempo ao Ministério Público para se organizar
internamente. Comentando a redação anterior do art. 28 nos casos de tramitação originária nos Tribunais
Superiores, em que a decisão de arquivamento já era tomada pela chefia da instituição ministerial, e
por isso não era passível de revisão, Renato Brasileiro de Lima afirma que: “em decorrência do sistema
acusatório, nos casos em que o titular da ação penal se manifesta pelo arquivamento de inquérito policial ou
de peças de informação, não há alternativa, senão acolher o pedido e determinar o arquivamento”. (Manual
de Processo Penal, 2019, p. 178).
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C) CORRETA: A alternativa “C” está correta pois o acordo de não-persecução penal não guarda correlação
com os elementos característicos do sistema acusatório. Pelo contrário, é um modelo que atualmente
sofre várias críticas e é objeto de questionamentos em prol de sua mudança, no seu sistema legal de
origem, os EUA, já que a este modelo é atribuído o superencarceramento em massa da pobreza naquele
país. As críticas que a academia e os órgãos comprometidos com a defesa e com a garantia dos direitos
fundamentais faz é que esse modelo de “justiça negocial” tem um viés utilitarista (a redução de processos
e economia de trabalho e recursos dos órgãos do sistema de Justiça), mas não é comprometido com os
princípios básicos do processo penal na medida em que há enorme disparidade de forças entre o Estado
acusador (principalmente com um Ministério Público robustecido de recursos humanos e financeiros,
ainda auxiliado pelo aparato policial investigativo do Executivo) e a parcela da população preferencial
do sistema de Justiça (juventude pobre e negra) que terá que negociar com ele sem a mesma estrutura
ou recursos, ainda sob a coação e receio de sofrer sanções mais graves acaso não aceite o acordo e seja
posteriormente condenada por um juiz apático à resistência do réu em lhe eliminar um processo. Mesmo
nas localidades onde a Defensoria Pública se acha estruturada, o número de defensores costuma ser
inferior ao necessário para o exercício das atribuições institucionais do órgão. Além disso, em regra as
Defensorias Públicas não contam com equipe para realizar a investigação defensiva e, dessa forma, se
contrapor à investigação policial que subsidia a acusação. Isso tudo para não mencionar as localidades em
que sequer há o órgão público a que a Constituição atribui a função de promover a defesa dos acusados.
Outros argumentos somam-se a esses:
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E) INCORRETA: Está incorreta a alternativa “E” pois a inquirição direta das testemunhas pelas partes
(cross-examination) também materializa características do sistema acusatório como a iniciativa da
produção e gestão das provas pelas partes e não mais pelo sistema presidencialista do juiz, que agora
se limita à atividade fiscalizatória, em posição secundária nesta produção, para indeferir perguntas
impertinentes e apenas para pedir complementação sobre pontos não esclarecidos dentre aqueles
que forem abordados pelas partes e pelas testemunhas. Não cabe mais a ele a função de formatar as
perguntas, o que invariavelmente pode levar ao direcionamento das respostas. Apenas às partes, que
são sim parciais, é cabível esse direcionamento em prol da atividade contraditória. Também a ordem
das inquirições foi alterada. Se antes a regra estabelecia que o juiz iniciasse as perguntas, que seriam
complementadas pelas partes, agora a posição se inverte.
💡💡 GABARITO: C
QUESTÃO 19. Ainda sobre os sistemas processuais, conforme fortemente sustentado pela doutrina,
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o CPP brasileiro de 1941 foi promulgado em período ditatorial, com forte influência do Código de
Processo Penal Italiano de 1930, idealizado no regime fascista. Apesar de suas constantes reformas,
permanecem previsões associadas ao sistema inquisitório. Assinale a norma que NÃO é associada a
esse sistema.
B) A possibilidade de o juiz ouvir testemunhas, quando julgar necessário, além das indicadas pelas
partes (art. 209, caput, do CPP).
C) A possibilidade de o juiz alterar a definição jurídica do fato alegado pela acusação (art. 383, caput,
do CPP, com redação da Lei nº 11.719/2008).
E) A possibilidade de o juiz absolver sumariamente o réu, dispensando a instrução processual (art. 397-
A, do CPP, com redação da Lei nº 11.719/2008).
💡💡 GABARITO COMENTADO
Valem para essa questão os mesmos comentários sobre os sistemas processuais contidos na questão (e
alternativas) anterior. Além disso, acrescentamos a crítica de Aury Lopes Junior à atribuição do conceito
de sistema acusatório ou misto ao processo penal brasileiro:
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B) INCORRETA: A opção “B” também está incorreta pela mesma razão. Ao determinar a oitiva de pessoas
não arroladas pelas partes, o juiz toma a iniciativa probatória.
C) INCORRETA: A emendatio libeli, prevista no art. 383 do CPP, é considerada um resquício do sistema
inquisitorial, trazendo a incorreção da opção “C”, pois no processo acusatório, para se manter a
imparcialidade, “é necessário que o juiz se abstenha de ampliar ou restringir a pretensão acusatória”.
(LOPES Junior, Aury, Direito Processual Penal, 2017, e-book). A crítica a quem sustenta que no processo
o réu se defende apenas dos fatos, e não da capitulação feita pela acusação é que, além de não haver
previsão dessa regra no sistema acusatório, na prática o réu também se defende da classificação jurídica
feita à sua conduta, seja, por exemplo, para alegar sua atipicidade, seja para buscar enquadrar sua conduta
em outro tipo penal que lhe seja menos gravoso (desclassificação). Nesse ponto é importante lembrar
que a qualificação jurídica correta do fato é elemento indispensável da inicial acusatória (art. 41 do CPP).
Assim, a possibilidade de o juiz alterar a classificação jurídica do fato na sentença, inclusive podendo
aplicar pena mais grave do que a prevista para o delito do qual o réu se defendeu (art. 383, última parte),
viola sobremaneira o contraditório e a regra do ne procedat iudex ex officio, que são inerentes ao sistema
acusatório. Por essas razões, Aury Lopes Junior conclui que:
[...] o processo penal brasileiro não pode mais tolerar a aplicação acrítica do reducionismo
contido nos axiomas jura novit curia e narra mihi factum dabo tibi ius, pois o fato processual
abrange a qualificação jurídica e o réu não se defende apenas dos fatos, mas também da
tipificação atribuída pelo acusador. A garantia do contraditório, art. 5º, LV, da Constituição,
impõe a vedação da surpresa. (Direito Processual Penal, 2017, e-book).
Vale destacar que essa posição, que é acolhida por parcela substancial da doutrina, e que certamente
deve prevalecer nos concursos das Defensorias Públicas, não prevalece na jurisprudência atual.
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doutrinária que ele reconhece como minoritária, esclarece que “[...] se o Parquet pede a absolvição do
acusado, a ela está vinculado o juiz, já que o poder punitivo estatal está condicionado à invocação feita
pelo MP através do exercício da pretensão acusatória”. Essa posição também não é predominante na
jurisprudência. De qualquer forma, sugerimos que ela seja sustentada nos concursos para defensor/a
público/a.
E) CORRETA: A alternativa “E” está correta, por exclusão, já que todas as demais trazem normas jurídicas
fortemente associadas ao sistema processual inquisitório, ao passo que a possibilidade de absolvição
sumária, tal como prevista no CPP, não se relaciona com os elementos característicos desse sistema. Além
disso, a absolvição sumária, com dispensa da produção de provas, não viola o sistema acusatório e a
imparcialidade do juiz (mesmo em favor da defesa), pois suas hipóteses não contemplam a simples opção
do juiz de não deixar a acusação produzir as provas, mas casos em que o resultado seria de absolvição ao
final do processo, mesmo se forem confirmados os fatos imputados ao acusado.
💡💡 GABARITO: E
QUESTÃO 20. Sobre o processo penal e seus princípios, assinale a alternativa INCORRETA:
A) A ampla defesa, conforme as regras processuais vigentes Brasil, abrange a concessão de tempo
adequado para a preparação da defesa.
B) Se o acusado estiver assistido por defensor/a público/a que não teve contato com ele, será permitida
a apresentação de defesa por negativa geral.
C) No processo penal brasileiro a defesa técnica é irrenunciável, mas isso não obsta a apresentação de
defesa direta e pessoal ao juiz pelo próprio réu.
E) Viola o princípio do nemo tenetur se detegere a obrigação imposta ao condenado de fornecer material
para procedimento de identificação do seu perfil genético.
💡💡 GABARITO COMENTADO
O tema dos princípios do processo penal é recorrente, e foi cobrado na última década nos concursos da
DPE/MA (2018), DPE/PR (2017), DPE/RN (2015), DPE/SP (2015), DPE/MA (2015), DPE/PE (2015), DPE/RS
(2014), DPE/PR (2014), DPE/SP (2013), DPE/MS (2012), DPE/SP (2012), DPE/GO (2010).
A) CORRETA: A opção “A” está correta porque, apesar de não constar a expressão “tempo adequado” no
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CPP, o diploma assegura prazos razoáveis para as manifestações da defesa, sob pena de nulidade (art.
564, III, e). Além disso, o sistema jurídico vigente no Brasil abrange os tratados internacionais em relação
aos quais o país é signatário. E, nessa linha, está expressamente previsto no art. 8, 2, c, da CADH (Pacto
de San José) e no art. 14, 3, b, do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que toda pessoa
acusada de um delito tem direito à garantia de dispor do “tempo e dos meios necessários à preparação
de sua defesa”.
B) INCORRETA: Está errada a opção “B” porque a possibilidade da apresentação de resposta por
negativa geral pelo/a defensor/a público/a é instituto exclusivo do processo civil (art. 341, p. ún., CPC),
notadamente quando a Defensoria Pública exerce a curadoria especial (art. 4º, XVI, LC 80/1994 e art. 72,
p. ún., do CPC). No processo penal são justamente os/as defensores/as públicos/as que têm o ônus de
exercer a defesa por manifestação fundamentada (art. 261, p. ún., CPP, incluído pela Lei nº 10.792/2003).
A simples presença formal de um defensor no processo penal não assegura a ampla defesa, que precisa
ser efetiva. Manifestações não fundamentadas e que não guardam correlação ao caso concreto devem
ser tomadas como indicação de ausência de defesa e nulidade por violação ao art. 5º, LV, da CF, na forma
do art. 564, III, c e l, do CPP e da súm. 523 do STF). Mesmo a falta de contato prévio do acusado com o/a
defensor/a público/a (situação ainda lamentavelmente recorrente, por falta de defensores/as suficientes
para acompanhamento de inquéritos e visitas nos estabelecimentos prisionais) na fase de resposta, não
impedirá a manifestação fundamentada, pois no máximo até a audiência de instrução e julgamento
deverá haver esse contato, permitindo manifestação completa, com defesa sobre os elementos fáticos e
jurídicos, em sede de alegações finais. A norma do art. 261, p. ún., do CPP não vedará, contudo, defesas
sintéticas, como as apresentadas na fase de resposta à acusação ou defesa prévia, quando, por estratégia
(para não adiantar teses defensivas para a acusação, por exemplo), a defesa se reserva no direito de
apresentar manifestação completa por ocasião das alegações finais.
C) CORRETA: Está correta a afirmação de que no processo penal brasileiro a defesa técnica é irrenunciável,
dela não podendo abrir mão o acusado. Apenas poderia recusar a nomeação de defensor técnico pelo
juízo, em caso de não contratação de defensor da sua escolha, o acusado que seja advogado, com
inscrição ativa nos quadros da OAB, pois ele mesmo terá a habilitação legal para realizar sua defesa
técnica (art. 263, caput, última parte, CPP). Já os demais profissionais do direito, inclusive os membros
da Defensoria Pública, não podem realizar a própria defesa. Estes últimos porque, apesar de legalmente
habilitados para atuar nas defesas criminais (art. 4º da LC nº 80/1994), não podem exercer a atividade fora
das atribuições institucionais (art. 134, § 1º, da CF e arts. 46, I, 91, I e 130, I, da LC nº 80/1994). Contudo,
mesmo sem habilitação legal ou técnica, o réu ainda poderá apresentar sua defesa, direta e pessoalmente
ao juiz, por ocasião do interrogatório. Esse é um dos momentos em que se materializa a autodefesa (que
compõe o conceito de ampla defesa em complementação à defesa técnica). Essa possibilidade também é
denominada de “direito de audiência”. Conforme aponta Renato Brasileiro de Lima, “[...] sua colocação [do
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interrogatório] ao final da instrução processual pela reforma de 2008 (CPP, art. 400, caput), possibilitando
que o acusado seja ouvido após a colheita de toda a prova oral, reforçam esse entendimento [de que se
trata de meio de defesa]”. (Manual de processo penal, 2019, p. 62).
D) CORRETA: O princípio do juiz natural é clássico no processo penal, e “[...] deve ser compreendido como
o direito que cada cidadão tem de saber, previamente, a autoridade que irá processá-lo e julgá-lo caso
venha a praticar uma conduta definida como infração penal [...]”. (LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de
processo penal, 2019, p. 346). Ou seja, é preciso que antes de a conduta ser praticada, já esteja previsto
legalmente quem é o juiz competente para processamento e julgamento. É consagrado no art. 5º, XXXVII
e LIII, da CF, art. 8.1 da CADH e art. 14 do PIDCP. A questão traz um aprofundamento sobre uma situação
concreta, ainda não resolvida pelo STF, mas com posição sólida e marcada na Defensoria Pública. O caso
envolve notadamente uma situação comum em alguns estados brasileiros. Na capital do estado de São
Paulo o Tribunal de Justiça local instituiu o Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária –
DIPO, e, nas várias regiões administrativas judiciárias, instituiu os Departamentos Estaduais de Execuções
Criminais – DEECRIMs. O primeiro é responsável pela tramitação dos inquéritos, desde as prisões em
flagrantes e audiências de custódia, e pelas decisões em medidas cautelares durante as investigações. Já
os DEECRIMs têm sido responsáveis pela tramitação e julgamento da maioria dos processos de execução
penal no estado. O DIPO até tem a vantagem de funcionar em certa medida como juízo de garantias,
tirando o inquérito da competência do juiz natural do processo a ser deflagrado. O grande problema
de ambos os Departamentos instituídos pelo TJSP é a falta de observância do princípio do juiz natural
(e também a garantia da inamovibilidade dos membros do Judiciários – art. 95, II, CF) já que os juízes,
na prática, não são designados por escolha dos cargos após vacância, conforme os critérios legais de
antiguidade e merecimento, mas designados e removidos pelo Conselho Superior da Magistratura, de
forma relativamente discricionária. Mudando-se a gestão do tribunal e, consequentemente, a composição
de seu Conselho Superior, é possível a modificação do quadro de juízes desses departamentos, violando-
se o juiz natural. Em relação ao DIPO e DEECRIM, foi proposta a ADI nº 5070 pela PGR, em 2013, ainda
pendente de julgamento. Quanto à posição da Defensoria Pública, recomenda-se a leitura do pedido de
providências feito ao CNJ pela DPE/SP em conjunto com outras instituições comprometidas com o direito
de defesa, por ocasião da última mudança de composição do DIPO, disponível em <[Link]
[Link]/dl/[Link]>.
E) CORRETA: A Lei nº 13.964/2019 modificou a LEP para dispor que constitui falta grave a recusa do preso
a fornecer material biológico para procedimento de investigação do seu perfil genético. A identificação
criminal por perfil genético já era prevista na Lei nº 12.037/2009, para utilização em investigações policiais
(art. 3º, p. ún.) e no art. 9º-A da LEP, incluído pela Lei nº 12.654/2012. Agora, foram acrescentados o art.
9º-A, § 8º, e art. 50, VIII, LEP, pela Lei nº 13.964/2019. Ocorre que vigora no processo penal o princípio
de que o acusado não é obrigado a produzir provas contra si, o que abrange não colaborar ativamente
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na produção ou colheita dessa prova. A norma deriva do art. 5º, LXIII, da CF (ao assegurar o direito ao
silêncio), do art. 8.2, “g” da CADH e do art. 14.3, “g”, do PIDCP. Conforme afirma Aury Lopes Junior: “[...] o
imputado não pode ser compelido a [...] fornecer material para realização de exames periciais [...]. Sendo
a recusa um direito, obviamente não pode causar prejuízos ao imputado [...]”. (Direito Processual Penal,
2017, e-book). O STF tem precedente em que reconhece a impossibilidade de se compelir uma pessoa a
fornecer material genético em processo cível. Além disso, no RE nº 973.837, interposto pela DPE/MG, o STF
reconheceu a Repercussão Geral da matéria (tema 905) para discutir a constitucionalidade da inclusão
e manutenção de perfil genético de condenados por crime violento ou hediondo em banco de dados
estatal, frente à garantia fundamental da não autoincriminação. O recurso ainda não foi julgado.
💡💡 GABARITO: B
QUESTÃO 21. Assinale a alternativa que traga apenas princípios regentes do processo penal expressos
na Constituição e/ou normas infraconstitucionais:
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: Está é a alternativa correta pois a razoável duração do processo está prevista no art. 5º,
LXXVIII, CF e o princípio da presunção de inocência no art. 5º, LVII, CF. Mesmo para parcela minoritária
dos juristas que afirma que a Constituição prevê apenas a presunção de “não culpabilidade”, que seria
em alguma medida distinta, os art. 8.2 CADH e art. 14.2 PIDCP, ambas normas supralegais no sistema
brasileiro, trazem expressamente a presunção da “inocência”.
B) INCORRETA: Apesar de o princípio da plenitude de defesa (com escopo ainda maior do que o da ampla
defesa) estar previsto art. 5º, XXXVIII, alínea “a”, CF para os processos do júri, o princípio da proporcionalidade,
enquanto princípio incidente em todo o processo penal, não está previsto expressamente. Na Constituição,
a doutrina aponta que ele deriva do “devido processo legal” (art. 5º, LIV). No CPP a proporcionalidade é
mencionada expressamente na regulamentação da produção de provas de ofício pelo juiz (art. 156, inciso
I, última parte) e na fixação de serviço alternativo a quem recusa o serviço do júri por convicção religiosa,
filosófica ou política (art. 438, § 2º). Ocorre, porém, que a proporcionalidade é referida pelo CPP de forma
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C) INCORRETA: Também está incorreta a opção “C” já que, o princípio do duplo grau de jurisdição
está expresso no art. 8.2, “h”, da CADH e no art. 14.5 do PIDCP. Na Constituição ele não está expresso,
apontando a doutrina que derivaria do devido processo legal (art. 5º, LIV) e da ampla defesa (art. 5º, LV,
que menciona os “recursos a ela inerentes”). Não obstante, o alegado princípio do in dubio pro societate
na primeira fase dos processos do júri não tem previsão nem expressa nem implícita alguma. Trata-se de
uma construção de parte da doutrina e da jurisprudência. Conforme aponta Aury Lopes Junior: “[...] além
de não existir a mínima base constitucional para o in dubio pro societate (quando da decisão de pronúncia),
é ele incompatível com a estrutura das cargas probatórias definida pela presunção de inocência”. (Direito
processual penal, 2017, e-book).
D) INCORRETA: A motivação ou fundamentação das decisões está expressamente prevista art. 93, IX, da
CF. Porém não há previsão expressa sequer para o princípio da busca da verdade, muito menos da “busca
da verdade real, substancial ou material”. Os que sustentam a existência do princípio da busca da verdade
real extraem sua existência implícita do poder do juiz de produzir provas de ofício, com a finalidade de
se alcançar essa verdade (art. 156 do CPP). A maioria da doutrina já reconhece que essa pretensão de
conhecer a “verdade” total é inatingível. Tenta-se, quando muito, se alcançar uma aproximação com a
realidade, se limitando em falar em “busca da verdade”.
E) INCORRETA: O princípio do juiz natural não está expresso, sendo extraído, contudo, sem dificuldade
das regras constitucionais de previsão de que ninguém será processado ou sentenciado senão pela
autoridade competente (art. 5º, LIII), de vedação a juízo ou tribunal de exceção (art. 5º, XXXVII), da regra de
competência do júri (art. 5º, XXXVIII) e de outros órgãos jurisdicionais (exemplo nos arts. 102, 105, 108, 109,
114, 124 e 125). Também deriva do art. 8.1 da CADH e 14.1 do PIDCP. Por outro lado, o princípio acusatório,
que informa o sistema processual acusatório, não é expresso na CF, mas deriva do art. 129, I, que estabelece
ao Ministério Público a promoção privativa da ação penal pública. Contudo, com a introdução do art. 3º-A
ao CPP pela Lei nº 13.964/2019, ele passa a estar expresso na legislação infraconstitucional.
💡💡 GABARITO: A
QUESTÃO 22. Sobre a lei processual penal no tempo e no espaço, assinale o enunciado CORRETO:
A) Quanto à aplicação da lei processual penal no espaço, vige o princípio da territorialidade e, no caso
de crime praticado por brasileiro no estrangeiro, o da extraterritorialidade.
B) Em regra, a lei processual penal terá ultratividade, continuando a lei revogada a regular os crimes
consumados durante a sua vigência.
C) O acordo de não persecução penal, previsto no art. 28-A do CPP, não deve ser aplicado aos processos
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em que já oferecida denúncia antes da vigência da Lei nº 13.964/2019, por força da regra do tempus
regit actum.
D) O CPP adotou o princípio da imediatidade para reger a aplicação da lei processual no tempo.
E) A lei processual penal nova aplica-se apenas aos fatos cometidos após a sua vigência.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A questão, especialmente do direito intertemporal, ganha relevo na conjuntura atual em razão da recente
Lei nº 13.964/2019, que traz mudanças substanciais ao CPP e, após o período de vacatio, entrou em vigor
em 23/01/2020. Além disso, é tema recorrente nos concursos da Defensoria Pública, tendo sido cobrada
nos certames da DPE/MT (2016), DPE/PE (2015), DPE/CE (2014), DP/DF (2013), DPE/BA (2010) e DPU (2010).
A) INCORRETA: A regra de aplicação da lei processual penal no espaço é bem mais simples do que a
de aplicação da lei penal. No processo penal vige apenas a territorialidade (ou lex fori), decorrente do
art. 1º do CPP. Aos atos processuais praticados no Brasil serão aplicadas as normas processuais da lei
brasileira e aos atos praticados no estrangeiro, mesmo em cooperação, as do respectivo país. Isso porque
o exercício da jurisdição é um exercício de parcela da soberania de cada Estado. O caso de crime praticado
por brasileiro no estrangeiro é apenas uma das hipóteses de extraterritorialidade condicionada da lei
penal, e não processual, prevista no art. 7º, II, letra “b” c/c § 2º do CP.
B) INCORRETA: A opção “B” está errada pois a regra adotada no art. 2º do CPP é a da aplicação imediata
(tempus regit actum) da lei processual penal em vigor, sem afetar atos validamente realizados conforme
a lei anterior.
C) INCORRETA: Apesar da regra ser a aplicação imediata da lei processual, a doutrina e a jurisprudência
reconhecem que por vezes uma norma inserida em lei processual tem conteúdo material (normas
heterotópicas) ou então conteúdo misto ou híbrido (normas processuais penais materiais). Se prevista na
lei processual penal uma norma de Direito Penal ou uma norma mista, ela deverá ter incidência ultrativa
ou retroativa, conforme necessário para beneficiar o réu. É norma mista aquela que:
[...] dispõe sobre o conteúdo da pretensão punitiva, tais como aquelas relativas ao direito
de queixa, ao de representação, à prescrição e à decadência, ao perdão, à perempção [...]
condições de procedibilidade, meios de prova, liberdade condicional, prisão preventiva,
fiança, modalidade de execução da pena e todas as demais normas que produzam reflexos
no direito de liberdade do agente [...]. (LIMA, Renato Brasileiro de, Manual de processo
penal, p. 97).
Situação muito semelhante à introdução do acordo de não persecução penal no CPP foi a introdução dos
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institutos da composição civil dos danos, exigência de representação nos crimes de lesão corporal leve
e culposa, transação penal e suspensão condicional do processo pela Lei nº 9.099/1995. Na linha do art.
2º do CPP, o art. 90 da Lei nº 9.099/1995 previu que ela não seria aplicável aos processos cuja instrução
já estivesse iniciada. Não obstante, no Inquérito 1.055/AM e na ADI 1.719/DF, o STF reconheceu o caráter
penal de todos esses institutos despenalizadores da Lei nº 9.099/1995, determinando-se a incidência
retroativa das normas em questão. Assim, a mesma posição há de ser sustentada para o acordo de não
persecução penal.
D) CORRETA: A opção “D” retrata exatamente a regra do art. 2º do CPP, que orienta a aplicação da lei
processual penal (pura ou genuína) no tempo: a imediatidade.
E) INCORRETA: A opção “E” está errada porque, conforme a regra do art. 2º do CPP, independentemente da
data de consumação do delito em apuração, cada ato processual deve ser feito conforme a lei processual
vigente na data da sua realização.
💡💡 GABARITO: D
🏳🏳 EXECUÇÃO PENAL
Caros(a)s aluno(a)s, futuros colegas da Defensoria Pública, cumprimento inicialmente todos vocês que
confiaram na nossa equipe, uma fundamental etapa na sua jornada até a posse no cargo da carreira da
instituição que sonham integrar.
Como professor da disciplina de execução penal, dividirei com vocês o aprendizado que tenho não
só atuando na preparação para concursos públicos e nas salas de aula, mas também aquele fruto da
labuta nos maiores complexos penitenciários do estado de Minas Gerais, que conta com a segunda maior
população carcerária do país, além daquele adquirido por ser membro da Defensoria Pública no Conselho
Penitenciário estadual.
Diversos editais serão considerados para oferecer um completo estudo da disciplina, desde os mais
completos, como é o caso da Defensoria Pública de Minas Gerais e do Maranhão, bem como os editais que
cobram a disciplina dentro de matérias mais tradicionais como direito penal e processual penal.
O material deste curso semestral está completamente atualizado com as alterações promovidas na
disciplina pela Lei 13.964 de 2019, denominada no debate público de “pacote anticrime”.
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Como indicação de aprofundamento sugiro o livro “Execução Penal: Teoria Crítica”, do Prof. e Defensor
Rodrigo Roig, bem como para um estudo da Lei de Execução Penal a obra “Comentários à Lei de Execução
Penal”, do Prof. e Defensor André Ribeiro Giamberardino.
Bons estudos!
QUESTÃO 23. Assinale a alternativa INCORRETA no que concerne ao estudo da natureza jurídica da
execução penal.
B) É ainda aceito por parcela da doutrina que a execução penal possui natureza mista, uma vez que
além de incidentes deduzidos diante do Poder Judiciário, há diversas atribuições ainda concentradas
nas mãos de órgãos administrativos.
C) O artigo 2º da Lei de Execução Penal é o dispositivo que indica claramente a presença jurisdicional
em matéria de execução penal, fixando como fonte imediatamente subsidiária o Código Penal.
D) A posição que mais se harmoniza ao projeto da Constituição de 1988 é aquela para qual a execução
penal possui natureza jurisdicional.
E) A Lei de Execução Penal se aplica igualmente ao preso provisório e ao condenado pela Justiça
Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecido sujeito à jurisdição ordinária.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: A posição pela natureza administrativa da execução penal de fato tem importância história,
mas é completamente isolada para classificar atualmente a natureza da execução penal. Seja por força
do que expressamente dispõe a lei de execução penal nos artigos 2º, 65 e 194, bem como também pelo
que indica toda a doutrina que desenvolve o tema. Para ilustrar, os dispositivos mencionados não deixam
dúvidas: Art. 2º. A jurisdição penal dos Juízes ou Tribunais da Justiça ordinária, em todo o Território Nacional,
será exercida, no processo de execução, na conformidade desta Lei e do Código de Processo Penal; Art. 65.
A execução penal competirá ao Juiz indicado na lei local de organização judiciária e, na sua ausência,
ao da sentença; e Art. 194: O procedimento correspondente às situações previstas nesta Lei será judicial,
desenvolvendo-se perante o Juízo da execução.
B) CORRETA: A doutrina trabalha hoje com duas orientações sobre a natureza jurídica da execução
penal. Sobre o tema bem explica Rodrigo Roig: Nos dias atuais, a doutrina se divide basicamente em duas
correntes. Afirma-se, por um lado, que a execução penal possui natureza mista, uma vez que embora os
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C) INCORRETA: A questão exige aqui, como é extremamente comum nas provas objetivas, um conhecimento
do candidato acerca do texto legal. De fato, o artigo 2º da LEP indica a presença jurisdicional em matéria
de execução penal, todavia a indicação subsidiária que faz o dispositivo não é com o Código Penal, mas
sim com o código de processo penal, trecho final que tornou a assertiva incorreta. Artigo 2º: A jurisdição
penal dos Juízes ou Tribunais da Justiça ordinária, em todo o Território Nacional, será exercida, no processo
de execução, na conformidade desta Lei e do Código de Processo Penal.
D) CORRETA: De fato, o candidato em uma prova de Defensoria Pública, sem desconhecer a parcela
doutrinária que ainda indica a natureza mista para execução penal, deve se posicionar e defender
como melhor opção a natureza jurisdicional. Sobre o tema, Roig aduz “Não se pode olvidar ainda que
as concepções administrativistas – ou mesmo as mistas –, desconsiderando a existência de conflitos de
interesses e de pretensões, acabam por incorporar em seus discursos elementos inquisitoriais refratários ao
contraditório, ampla defesa, imparcialidade e devido processo legal. O mesmo não se verifica na concepção
jurisdicional da execução penal, uma vez que a própria acepção de jurisdição demanda a existência de
contraditório entre as partes, o desempenho da ampla (e técnica) defesa e a emanação de um provimento
imparcial e processualmente correto [...]. Em última análise, defender a natureza administrativa significa
restringir a atuação jurisdicional no âmbito da execução penal, em clara violação ao princípio constitucional
da inafastabilidade do controle jurisdicional, extraído do artigo 5º, XXXI, da CRFB/88”. (Execução Penal:
teoria crítica, 2014, p. 105).
E) CORRETA: A assertiva é correta, representando o que com literalidade está encartado no artigo 2º,
parágrafo único, da LEP. Artigo 2º [...] Parágrafo único. Esta Lei aplicar-se-á igualmente ao preso provisório
e ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição
ordinária.
Por fim, importa observar que a questão foi cobrada em 2019 no concurso da Defensoria Pública do
Estado de Minas Gerais, em que o gabarito correto apontado foi a letra D: Analise as seguintes afirmativas
e a relação proposta entre elas. I. A classificação dos condenados será feita administrativamente pela
Comissão Técnica de Classificação – CTC – que elaborará o programa individualizador e acompanhará a
execução das penas, devendo propor ao magistrado, sem caráter vinculativo, as progressões e regressões
dos regimes, bem como as conversões. ISTO REFORÇA A TESE DE QUE II. é mista ou complexa a natureza
jurídica da execução penal, por envolver atividade jurisdicional e administrativa, prevalecendo a primeira,
conforme sustenta parte da doutrina. A respeito dessas afirmativas, assinale a alternativa correta. A) As
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💡💡 GABARITO: C
QUESTÃO 24. Sobre o princípio da individualização da pena, julgue as alternativas e depois assinale a
alternativa correta.
I - A individualização da pena se dá em três fases: na lei, quando esta estipula o mínimo e o máximo de
uma pena para determinado delito; depois na sentença, quando, após o devido processo, o juiz aplica
uma pena específica, de acordo com a lei previamente aplicável ao fato; e, por último, na execução
penal, quando os direitos inerentes a essa fase de individualização são efetivados de acordo com
determinadas características.
II - Estão ligadas à individualização administrativa da pena as regras de execução penal que orientam
a administração e as comissões técnicas que deveriam existir em cada estabelecimento penal, no
sentido de atribuir trabalho, estudo e demais assistência aos presos.
III - A individualização da pena na execução penal nasceu da ideia de que a pena poderia ser uma
espécie de tratamento e, assim, cada preso seria tratado de forma diferente, de acordo com suas
circunstâncias e, principalmente, com seu comportamento.
💡💡 GABARITO COMENTADO
ASSERTIVA I: CORRETA. Inicialmente, essa é a primeira questão de princípios. O estudo dos princípios da
execução penal é fundamental para as provas da Defensoria Pública. Uma forma estratégica de aprofundar
na disciplina com mais propriedade é justamente dominando de forma completa os seus princípios
fundantes. Para a presente questão, a base foi o trabalho doutrinário do professor Luís Carlos Valois.
Na sua obra Processo de Execução Penal e o estado de coisas inconstitucional, ele discorre tanto sobre a
individualização judicial quanto administrativa da pena, em lições que foram aproveitadas para realização
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ASSERTIVA II: CORRETA. Valois acrescenta que a individualização administrativa da pena deveria ser o
procedimento que, de acordo com as características de cada pessoa encarcerada, se ocuparia de suas
atividades no estabelecimento penal, verificando aptidões vocações e impedimentos, para que o preso
pudesse fazer daquele encarceramento algo menos inútil (Processo de Execução Penal e o estado de coisas
inconstitucional, 2019, p. 73). Apesar desse reconhecimento ser suficiente para responder a presente
questão, ao final da análise da individualização administrativa da pena, o autor faz interessante crítica
aos laudos produzidos pelas equipes penitenciárias: Perde-se grande oportunidade de utilizar os técnicos
do sistema penitenciário em atividades mais importantes e úteis quando os sobrecarregam na realização
desses laudos. Os técnicos poderiam estar procurando, estudando, avaliando os males da prisão na pessoa do
condenado, tentando buscar maneiras de minimizar o sofrimento do cárcere, ao invés de estarem buscando
culpas na pessoa do preso e, vendo o cárcere de forma realista, poderiam efetivar algo de individualização
da pena. Obviamente que a proposta humanizadora da atividade dessas comissões no cárcere passa
primeiro pela necessidade de desencarceramento, porque com a superlotação das penitenciárias qualquer
trabalho individualizador fica prejudicado. O mais humano na atividade individualizadora dentro de uma
penitenciária superlotada é a separação de presos que querem se matar, quando se salva a vida de alguém
colocando em outra cela ou remanejando o possível agressor. (Ob. Cit., 2019, p. 76).
ALTERNATIVA III: CORRETA. Essa é a carga história que de fato está presente na execução penal. É essa
lógica que influencia todo o início do século XX e informa institutos fundados na periculosidade ainda
insistentemente utilizados no sistema pátrio. Depois de afirmar no mesmo sentido da afirmativa, em sua
obra, Valois complementa não obstante ser uma ideia superada, a ideia de que o encarceramento pode ter
algo de pedagógico, educativo, a execução penal não pode prescindir do princípio da individualização da
pena, sem o qual a dureza e a insensibilidade do cárcere seriam agravadas, tornando o que temos de pena
privativa de liberdade algo mais ainda desumano e cruel.
💡💡 GABARITO: E
QUESTÃO 25. Podemos definir como decorrência do princípio da(o) ___________, a ideia por meio da
qual cada nova entrada de uma pessoa no sistema carcerário deve necessariamente corresponder ao
menos a uma saída, de forma que a proporção de presos-vagas se mantenha sempre em estabilidade.
A) Legalidade.
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C) Transcendência Mínima.
D) Numerus Clausus.
E) Humanidade.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA. Nas palavras de Roig: No âmbito da execução penal, o princípio encontra-se materializado
no artigo 45 da LEP, segundo o qual “não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior
previsão legal ou regulamentar”, funcionando como instrumento de contenção da discricionariedade da
Administração Penitenciária e do arbítrio judicial, sempre que acionados de maneira lesiva aos direitos
fundamentais das pessoas privadas da liberdade. Vale ressaltar, no entanto, que a aplicação do princípio
da legalidade pressupõe não apenas que as faltas e sanções estejam legalmente previstas, mas que
sejam ainda estritamente interpretadas, sob pena de tornar sem sentido o princípio (Execução Penal:
teoria crítica, 2014, p. 39). Vejam como o estudo dos princípios já foi cobrado na prova da Defensoria
Pública do Maranhão em 2018, em gabarito que exigia conhecimento do princípio em comento: Sobre os
princípios constitucionais que regem a execução penal, é correto afirmar que: A) o devido processo legal
é garantido na apuração de faltas disciplinares com a sua plena jurisdicionalização na Lei de Execução
Penal. B) o princípio da proporcionalidade é cumprido na previsão legal de redução da sanção para faltas
disciplinares tentadas. C) o princípio da intranscendência da pena impede que a progressão de regime
ocorra de forma automática. D) o princípio da humanidade das penas é violado com a previsão legal
de remição pelo estudo. E) o princípio da taxatividade é observado na disposição legal da falta grave
de posse de celular, mas relativizado pela jurisprudência em prejuízo do condenado. Nesta questão, o
gabarito foi a alternativa “E”, exigindo do candidato que conhecesse o princípio da legalidade, na vertente
da taxatividade, bem como a disposição expressa do artigo 50, VII, da Lei de Execução Penal.
B) INCORRETA. A Constituição Federal fez a previsão, no inciso XLVIII, do artigo 5º, como garantia
fundamental que a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do
delito, a idade e o sexo do apenado. Valois bem trabalha referido princípio, pontuando que presos no
mesmo estabelecimento devem ter o mesmo tratamento, mas presos com regime mais severo como é
o caso daqueles condenados como incursos nas iras da Lei de Crimes Hediondos deveriam ter a pena
cumprida em estabelecimentos distintos dos demais. Nas suas palavras: Mais uma vez o ordenamento
jurídico se coloca em situação de inconstitucionalidade. Não há estabelecimentos penais para cumprimento
dessa sanção de dois quintos no regime fechado, portanto essa pena deveria também ser considerada
inconstitucional ou, ao menos, deveria ser dado o direito aos presos sob o mesmo teto, que estivessem na
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mesma penitenciário de regime fechado, a cumprir a sanção de forma igual, todos permitidos a progredir
na regra comum, com um sexto do cumprimento da pena (art. 112 da LEP). Cumpre lembrar que os presos
por tráfico de drogas, crime sem violência contra a pessoa, a maioria envolvido apenas em uma transação
comercial voluntária, é o delito que mais enche as penitenciárias brasileiras e seus autores estão misturados
com os que cometem homicídio, latrocínio, estupro, etc. Não é preciso muita imaginação para constatar o
desserviço que o sistema penitenciário brasileiro está prestando à sociedade (Processo de Execução Penal
e o estado de coisas inconstitucional, 2019, p. 65).
C) INCORRETA. A Constituição Federal tem a previsão do princípio da intranscendência das penas, artigo
5º, XLV, da CFRB/88, bem como também há proteção no artigo 5º, item 3, da Convenção Americana de
Direitos Humanos contra punições que extrapolem a pessoa que praticou o fato ilícito. Todavia, uma
versão minimamente realista do sistema permite a conclusão de que qualquer pena aplicada atinge
os familiares de presos, ainda que em graus diversos. Quando por exemplo aplicada uma determinada
sanção disciplinar de restrição de visitas, o familiar interessado em visitar o sentenciado evidentemente
fica também prejudicado. Dessa maneira, dos referidos comandos constitucionais e convencionais deve
ser extraída que a afetação deve ser aquela rigorosamente necessária para o cumprimento da pena, não
se devendo admitir a transferência do sentenciado para locais distantes dos familiares, revistas vexatórias
em unidades prisionais, bem como outros expedientes que o cotidiano forense, infelizmente, tende em
apresentar.
D) CORRETA. A ideia do enunciado é exatamente aquela consubstanciada pelo referido princípio. Rodrigo
Roig explica o país não pode mais prescindir da adoção do princípio ou sistema do numerus clausus (número
fechado), em que cada nova entrada no âmbito do sistema penitenciário deve necessariamente corresponder
à saída de outra pessoa presa, de modo que a proporção se mantenha sempre idêntica, ou preferencialmente
em redução. Na atual conjuntura penitenciária, a adoção desse princípio ou instrumento de recondução da
execução penal a um status de conformidade constitucional, sempre que estiver caracterizada a imposição
de encarceramento em condições contrárias ao senso de humanidade. Isso porque não se pode admitir que
o interesse do Estado em satisfazer sua pretensão punitiva ou executória justifique a ruptura de direitos
fundamentais. E mais, é impensável que o Estado esconda sua ineficiência com o sacrifício dos direitos
fundamentais (ob. Cit., 2014, p. 101).
E) INCORRETA. O princípio encerra a regra básica de direito de que aquele que se encontra com a
liberdade temporariamente restringida não perde de maneira alguma sua condição de humano, portador
de dignidade pura e exclusivamente por essa condição. O assento Constitucional e Convencional do
referido princípio é vasto, destacando no direito interno as normas constitucionais encartadas no artigo
1º, inciso III, que assegura dignidade humana como objetivo fundamental da República Federativa do
Brasil, o artigo 5º, III, segundo o qual ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano
ou degradante; XLVII, XLIX, que vedam penas cruéis, tortura, asseguram o respeito à integridade física e
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💡💡 GABARITO: D
QUESTÃO 26. A Lei de Execução Penal garante que ao condenado serão assegurados todos os direitos
não atingidos pela sentença ou pela lei. Diante dessa informação, assinale a alternativa incorreta.
B) A autoridade responsável pela custódia do preso deve providenciar, tanto quanto consista a lei, para
que informações sobre a vida privada e a intimidade do preso sejam mantidas em sigilo, especialmente
aquelas que não tenham relação com sua prisão.
C) Em caso de deslocamento do preso, por qualquer motivo, deve-se evitar sua exposição ao público,
assim como resguardá-lo de insultos e da curiosidade geral.
D) A visita íntima, como exercício da sexualidade, é de fato um direito que também deve ser assegurado
não só a pessoas casadas, mas também em relação afetiva estável.
E) A Constituição Federal de forma expressa determina a suspensão dos direitos políticos no caso de
condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos.
💡💡 GABARITO COMENTADO
B) CORRETA. Referido direito cumpre uma projeção que a própria Constituição Federal denota de
proteção de intimidade. Ainda que não fosse necessário, o texto da assertiva espelha o que foi previsto
na Resolução 14/1994 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – CNPCP, artigo 47,
parágrafo único.
C) CORRETA. Cumprindo novamente dever de proteção à intimidade, bem como a toda forma de
sensacionalismo, expresso direito do preso do artigo 41, VIII, da Lei de Execução Penal, o texto da
assertiva foi consagrado no artigo 48, da Resolução 14/1994 do Conselho Nacional de Política Criminal e
Penitenciária – CNPCP.
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D) CORRETA. A visita íntima não tem previsão expressa na Lei de Execução Penal, mas goza de assento
normativo estabelecido na Resolução 4 de 2011 do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciário.
Sobre o tema André Ribeiro Giamberardino acrescenta importantes esclarecimentos: o departamento
penitenciário nacional estabeleceu diversas restrições a visitas íntimas nos presídios federais, por meio
da portaria 718/2017. Fixou, por exemplo, que o preso que se divorciasse, separasse ou dissolvesse união
estável teria que aguardar 12 (doze) meses para indicar novo cônjuge companheiro, o que derrubado,
em sede de ação civil público movida pela DPU, por violar o princípio da individualização da pena, mas
posteriormente restabelecido em segunda instância. O alcance das possibilidades de restrição do direito à
visita íntima acabou se tornando objeto da ADPF º 518/DF, tendo sido submetida pelo relator ao plenário do
STF (Comentários à Lei de Execução Penal, 2018, p.89).
E) CORRETA. A assertiva espelha o que consta no artigo 15, III, da Constituição Federal. A opção do
constituinte embora questionável permanece em vigor no sistema jurídico pátrio.
💡💡 GABARITO: A
A matéria “direitos da criança e do adolescente” vem, a cada novo concurso de Defensoria Pública,
ganhando maior espaço e importância. E essa não é uma surpresa, na medida em que, quer na área
protetiva (não-infracional), quer na área infracional, Defensores e Defensoras Públicas possuem um
protagonismo importante. Basta observar que, diferentemente do que ocorre nas Varas Criminais, nas
Varas Especializadas da Infância e Juventude praticamente a totalidade dos adolescentes em conflito
com a lei são assistidos pela Defensoria – e não por advogados particulares. A mesma situação é vista nas
ações de aplicação da medida de acolhimento institucional e de destituição do poder familiar, já que a
gigantesca maioria das famílias que sofrem a intervenção do Estado são famílias em situação de extrema
vulnerabilidade.
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Diante desse quadro, fizemos minucioso estudo das questões cobradas nos cursos de Defensoria Pública
dos Estados ocorridos nos últimos anos (DPE - DF/2019; DPE-SP/2019; DPE-MA/2018; DPE-RS/2018;
DPE-PE/2018; DPE-AM/2017; DPE-PR/2017; DPE-AP/2017; DPE-AC/2017; DPE-SC/2017; DPE-AL/2017;
DPE-PE/2017; DPE-RO/2017; DPE-BA/2016; DPE-MT/2016; DPE-ES/2016; DPE-SP/2015; DPE-PE/2015;
DPE-MA/2015; DPE-MG/2014; DPE-SP/2013; DPE-SP/2012; DPE-SP/2010; DPE-SP/2009; DPE-SP/2007; DPE-
SP/2006) e pudemos observar a incidência dos seguintes temas principais:
A partir dos dados coletados, notamos que, nas provas de direitos da criança e do adolescente, os temas
mais cobrados são (i) ato infracional e medidas socioeducativas; (ii) Convivência familiar e comunitária; e
(iii) execução de medidas socioeducativas (SINASE).
Em relação ao primeiro tema (ato infracional e medidas socioeducativas), as questões exigiram dos/as
candidatos/as conhecimentos sobre remissão (arts. 126/128, ECA); medida socioeducativa de internação
(arts. 121/125, ECA); cabimento da internação provisória (art. 108, ECA); procedimento de apuração do
ato infracional (arts. 171/190, ECA); prescrição de medidas socioeducativas; direitos do adolescente em
conflito com a lei; adolescente em conflito com a lei com transtorno mental (art. 112, §§1º e 3º, ECA);
ato infracional praticado por criança (art. 105, ECA); medida socioeducativa de liberdade assistida (arts.
118/119, ECA); medida socioeducativa de advertência (art. 155, ECA); proibição de divulgação de atos
judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria
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de ato infracional pelos meios de comunicação (art. 143); critérios a serem considerados para aplicação
de medidas socioeducativas (art. 112, §1º, ECA).
No que tange ao tema da convivência familiar e comunitária, foram cobradas questões envolvendo guarda
(arts. 33/35, ECA), hipóteses de destituição do poder familiar (arts. 22/24, ECA c.c. art. 1.638, CC); Adoção
(arts. 39/52-D, ECA); Ação de Destituição do Poder Familiar (arts. 156/163, ECA); Entrega protegida (art. 19-
A, ECA); fundamentos proibitivos da destituição do poder familiar (art. 23, ECA); Convivência familiar com
genitores privados de liberdade (art. 19, §4º, ECA); direito à verdade genética (art. 48, ECA); alterações
legislativas no ECA (ex. Leis nº 12.010/09 e 13.509/17).
Por fim, em relação à execução de medidas socioeducativas, mais especificamente às disposições da Lei
nº 12.594/12, que instituiu o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), esperou-se do
candidato noções sobre unificação de medidas (art. 45, LSINASE); Plano Individual de Atendimento (arts.
52/59, LSINASE); extinção das medidas socioeducativas (art. 46, LSINASE); regime disciplinar (arts. 48 e
71/75, LSINASE); Planos de Atendimento Socioeducativo (arts. 7º/8º, LSINASE); reavaliação de medidas
socioeducativas (arts. 42/44, LSINASE); princípios do SINASE (art. 35, LSINASE); detração (art. 46, §2º);
Funções dos Conselhos dos Direitos da Criança (arts. 3º, §2º, 4º, §2º, e 5º, §2º, LSINASE); competências dos
entes federados (arts. 3º/6º, LSINASE); direitos do adolescente privado de liberdade (arts. 49/51, LSINASE);
práticas restaurativas na Lei do SINASE.
Desse modo, considerando o panorama dos temas mais cobrados em concursos das Defensorias Públicas
Estaduais, organizaremos as 15 rodadas de questões objetivas da seguinte forma, cada qual contendo,
sempre, três questões de infância protetiva (cível) e duas questões de infância infracional.
Em matéria infracional
3ª Rodada: Princípios
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Em matéria cível
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Inicialmente, deve-se ter em mente que o estudo da matéria “direitos da criança e do adolescente”
transcende – e muito – o mero conhecimento do Estatuto da Criança e do Adolescente. Como sustenta
majoritariamente a doutrina, vige em nosso ordenamento um verdadeiro microssistema de proteção
e defesa dos direitos da criança e do adolescente, formado, a partir de um diálogo das fontes, por
disposições da Constituição Federal, dos Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos,
do Código Civil, do Estatuto da Criança e do Adolescente e de inúmeras legislações e normas infralegais
esparsas, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/96), a Lei do SINASE (Lei nº 12.594/12),
a Lei que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática – o “Bullying” (Lei nº 13.185/15), o
Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (Resoluções n. 113 e 117 do CONANDA), o
Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente vítima ou testemunha de violência (Lei nº
13.431/17), dentre outras.
Em segundo lugar – e não menos importante –, também necessário que o/a candidato/a tenha
conhecimento tanto dos entendimentos sumulados quanto da jurisprudência atualizada das Cortes
Superiores, que, em alguns pontos sensíveis, vem mudando de direção nos anos mais recentes.
Por fim, o papel da doutrina será complementar e deverá focar temas de maior incidência nas provas de
concurso e/ou de maiores dúvidas do/a aluno/a.
Na área protetiva (cível), que será trabalhada pelo professor Peter Schweikert, atravessaremos os estudos
por todas as legislações citadas, bem como pelas mais recentes decisões judiciais, com o objetivo de
proporcionar o mais amplo panorama possível sobre toda a diversidade de temas de que tratam os
editais. Questões mais controversas serão comentadas com suporte doutrinário12, ficando sugeridas as
seguintes referências:
• ZAPATA, Fabiana Botelho; FRASSETO, Flávio Américo; GOMES, Marcos Vinícius Manso
Lopes. “Direitos da Criança e do Adolescente”, Coleção Defensoria Pública Ponto a
Ponto. São Paulo: Saraiva.
• ROSSATO, Luciano Alves; LEPORE, Paulo Eduardo; CUNHA, Rogério Sanches. “Estatuto
da Criança do Adolescente Comentado Artigo por Artigo”. São Paulo, Saraiva.
• FULLER, Paulo Henrique Aranda. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. São
Paulo, RT
• MACIEL, Kátia Regina Ferreira Lobo Andrade (Coord). “Curso de Direito da Criança e do
Adolescente: aspectos teóricos e práticos”. São Paulo: Saraiva Jur.
Há também uma gama muito interessante de materiais disponíveis online, que podem ser consultados
12 É imprescindível que o/a aluno/a tenha uma noção geral sobre a evolução histórica dos paradigmas legislativos em
matéria de infância e juventude, o que auxiliará não apenas na correta interpretação do amplo amálgama de dispositivos
normativos, mas, também, na compreensão de sua própria razão de ser.
117 [Link]
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gratuitamente:
Para esse estudo inicial, recomenda-se, como bibliografia, a obra “Sistema de garantias e o direito
penal juvenil”, do professor Sérgio Salomão Shecaira, publicada pela Editora RT. Além disso, sugerimos
a leitura dos seguintes artigos, nessa ordem: 1) [Link]
que-voce-sabe-algo-sobre-a-historia-do-di-menor/; 2) [Link]
arttext&pid=S0102-71822015000200404; 3) [Link]
responsabilidade-penal-juvenil-na-encruzilhada.
118 [Link]
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Uma vez compreendido o cenário histórico-legislativo dos Direitos da Criança e do Adolescente, boa parte
do estudo poderá se voltar para a “legislação seca” e para a análise jurisprudencial, ainda que, quando
da correção das nossas questões, apontaremos material doutrinário que o aluno deverá estudar para
complementar o aprendizado.
A) O Serviço de Assistência ao Menor (SAM), criado sob a égide do Código de Menores de 1927 (Código
de Menores de Mello Mattos), durante o período autoritário do Estado Novo, se tratava de um órgão
do Ministério da Justiça e que funcionava como um equivalente do sistema penitenciário para os
menores, os quais eram divididos, se carentes e abandonados, em patronatos agrícolas e escolas de
aprendizagem de ofícios urbanos; se envolvidos em ato infracional, em internatos: reformatórios e
casas de correção.
B) Para efeitos do Direito Internacional dos Direitos Humanos, é possível que o Brasil reduza a idade
penal, eis que a Convenção Internacional dos Direitos da Criança dispõe que “considera-se como
criança todo ser humano com menos de dezoito anos de idade, a não ser que, em conformidade com a lei
aplicável à criança, a maioridade seja alcançada antes”, ainda que a Constituição Federal de 1988 vede
tal redução por ser garantia individual do adolescente e, como tal, não pode ser objeto de deliberação,
na forma do art. 60, §4º, IV, da Constituição, por ser cláusula pétrea.
C) O Código de Menores de 1979 (Código de Menores da Ditadura Militar) constituiu-se em uma revisão do
Código de 1927, não rompendo, no entanto, com sua linha principal de arbitrariedade, assistencialismo
e repressão junto à população infanto-juvenil. Essa lei introduziu o conceito de “menor em situação
irregular”, que reunia o conjunto de meninos e meninas que estavam dentro do que alguns autores
denominam infância em “perigo” e infância “perigosa”.
D) Para além do princípio de vedação de tratamento mais gravoso a adolescente do que o conferido
a adulto em situação equânime, há previsão expressa nas Regras de Beijing no sentido de que os
adolescentes fazem jus a todas as garantias previstas nas Regras Mínimas Uniformes para o Tratamento
dos Prisioneiros, aprovadas pelas Nações Unidas.
E) O momento atual do Sistema de Garantias dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes é de dupla
crise: de implementação e de interpretação. A primeira é resultado da negativa do Poder Público em
dotar de orçamento e recursos humanos adequados a nova institucionalidade do Sistema de Garantias.
A segunda, ainda mais gravosa, consiste na contumaz tentativa de juristas, políticos e sociedade civil
de interpretar as novas disposições legais com a mesma discricionariedade das velhas leis de menores.
💡💡 GABARITO COMENTADO
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D) CORRETA: Tal previsão consta como “cláusula de salvaguarda” no art. 9.1 das mencionadas regras:
“Nenhuma disposição das presentes regras poderá ser interpretada no sentido de excluir os jovens do âmbito
da aplicação das Regras Mínimas Uniformes para o Tratamento dos Prisioneiros, aprovadas pelas Nações
Unidas, e de outros instrumentos e normas relativos ao cuidado e à proteção dos jovens reconhecidos pela
comunidade internacional”. De se pontuar, ainda, importante previsão na regra n. 54 das Diretrizes de
RIAD que asseguram que “com o objetivo de impedir que se prossiga à estigmatização, à vitimização e à
incriminação dos jovens, deverá ser promulgada uma legislação pela qual seja garantido que todo ato que
não seja considerado um delito, nem seja punido quando cometido por um adulto, também não deverá ser
considerado um delito, nem ser objeto de punição quando for cometido por um jovem”.
E) CORRETA: Essa é a leitura realizada pelo professor Emilio Garcia Mendez, em artigo publicado no boletim
do IBCCRIM de junho/2015, já recomendado a vocês em nossas orientações de estudo. Seu entendimento
é acompanhado por diversos autores brasileiros especialistas na área da infância e juventude, tais quais
Ana Paula Motta Costa e João Batista Costa Saraiva. Infelizmente de nada basta inovação legislativa
se não acompanhada de vontade política (tanto no âmbito do propriamente concebido como política,
judiciário ou sociedade civil). O que se percebe muitas vezes é uma manutenção do poder quase infinito
do magistrado em desfavor das normas (tudo é relativizável em nome do “princípio do melhor interesse
da criança”, mas o que é isso? O que o juiz diz que é), sendo que primeiro o jurista escolhe o que é o melhor
para aquela criança (no seu particular ponto de vista) e depois busca o argumento jurídico para justifica-
lo. É o que Jacinto Coutinho chama de juízo paranoico (recomenda-se a leitura do seguinte artigo de
Paulo Incott: [Link]
mentais-paranoicos-criminologia-e-ilusoes-perceptivas).
💡💡 GABARITO: B
QUESTÃO 28. No que tange ao Sistema Nacional de Execução de Medidas Socioeducativas – SINASE –
assinale a alternativa incorreta:
C) A FUNABEM, sucessora da SAM, teve como inspiração normativa a Constituição de 1967 e o Código
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E) O regramento legal da execução das medidas socioeducativas veio tardiamente, tendo ocorrido um
vácuo legislativo entre 1990 até 2012, atenuado tão apenas pela resolução 119/06 do CONANDA que
aprovou o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo produzido pela Secretaria de Direitos
Humanos da Presidência da República em parceria com o próprio CONANDA.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: De fato o Código de Menores de Mello Mattos (Decreto n. 17.943-A/1927) trazia essa compreensão
em seu artigo 215. A lei do SINASE (n. 12.594/12), por seu turno, traz toda uma compreensão sobre a forma
de se executar as medidas socioeducativas. Primeiramente, conceitua plano de atendimento, unidade e
entidades, algo até então não bem especificado no ECA. Conforme art. 1º, §§ 3º, 4º e 5º, da lei, “Entendem-
se por programa de atendimento a organização e o funcionamento, por unidade, das condições necessárias
para o cumprimento das medidas socioeducativas. Entende-se por unidade a base física necessária para a
organização e o funcionamento de programa de atendimento. Entendem-se por entidade de atendimento
a pessoa jurídica de direito público ou privado que instala e mantém a unidade e os recursos humanos e
materiais necessários ao desenvolvimento de programas de atendimento”. No art. 2º a lei dispõe que “O
Sinase será coordenado pela União e integrado pelos sistemas estaduais, distrital e municipais responsáveis
pela implementação dos seus respectivos programas de atendimento a adolescente ao qual seja aplicada
medida socioeducativa, com liberdade de organização e funcionamento, respeitados os termos desta Lei”.
Assim, retira-se do Governo Federal (União) a execução das medidas, incumbindo os Estados, Distrito
Federal e Municípios de tal incumbência. De toda sorte, tal distribuição de responsabilidades ainda é
melhor esmiuçada mais à frente. Segundo consta nos arts. 4º, III e 5º, III, compete aos Estados criar e
manter programas de atendimento para a execução das medidas socioeducativas em meio fechado,
já aos Municípios as medidas socioeducativas em meio aberto. Ao Distrito Federal, em virtude de sua
competência cumulativa, caberá a execução de todas as medidas socioeducativas (art. 6º). Por tais
razões, as entidades e os programas socioeducativos devem ser inscritos, respectivamente, no CONDECA
(meio fechado) e no CMDCA (meio aberto), sendo os Conselhos de Direitos responsáveis pelo controle da
política pública prestada, na forma dos arts. 4º, §2º e 5º, §2º, do SINASE, além dos arts. 90 e 91 do ECA.
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Assistência a Menores (SAM), foi criada pela lei n. 4.513/64, portanto antes do advento da Constituição
de 1967 e do Código de Menores da ditadura civil-militar (lei 6.697/79). Interessante pontuar que em
determinado momento o então Presidente Médice teria enaltecido “a extinção do malfadado SAM graças
à Revolução e atribuía o ‘milagre’ da Fundação inaugurada justamente a ela. Certamente, devemos
concordar em parte com o presidente, afinal devemos toda a política repressiva instituída e cultuada na
FUNABEM à Revolução sim, mas não como um milagre e, portanto, do bem e sim como uma péssima herança
do mal”, conforme apresentam Alexandre Morais da Rosa e Ana Christina Brito Lopes. Sugere-se a leitura
do seguinte artigo: [Link]
D) CORRETA: é o que se extrai do art. 5º, §1º, da lei do SINASE: “Para garantir a oferta de programa de
atendimento socioeducativo de meio aberto, os Municípios podem instituir os consórcios dos quais trata a
Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005, que dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos
e dá outras providências, ou qualquer outro instrumento jurídico adequado, como forma de compartilhar
responsabilidades”.
E) CORRETA: O SINASE, como lei, realmente veio tardiamente, apenas em 2012, o que, como pontua
Flavio Frasseto, foi determinante para a persistência da polêmica das finalidades das medidas
socioeducativas, aparentemente solapada após o advento do art. 1º, §2º, da lei. Todavia, é digno de nota
que em 2006 houve a mencionada resolução CONANDA com a determinação (força normativa) de atenção
ao documento produzido pela SDH/PR com o CONANDA do SINASE. Esse documento consta de alguns
editais de Defensoria Pública, sendo altamente recomendável que o aluno dele tome conhecimento.
Sobre sua história, consta dele que “Durante o ano de 2002 o CONANDA e a Secretaria Especial dos Direitos
Humanos (SEDH/ SPDCA), em parceria com a Associação Brasileira de Magistrados e Promotores da Infância
e Juventude (ABMP) e o Fórum Nacional de Organizações Governamentais de Atendimento à Criança e ao
Adolescente (FONACRIAD), realizaram encontros estaduais, cinco encontros regionais e um encontro nacional
com juízes, promotores de justiça, conselheiros de direitos, técnicos e gestores de entidades e/ou programas
de atendimento socioeducativo. O escopo foi debater e avaliar com os operadores do SGD a proposta de lei de
execução de medidas socioeducativas da ABMP bem como a prática pedagógica desenvolvida nas Unidades
socioeducativas, com vistas a subsidiar o Conanda na elaboração de parâmetros e diretrizes para a execução
das medidas socioeducativas. Como resultado desses encontros, acordou-se que seriam constituídos dois
grupos de trabalho com tarefas específicas embora complementares, a saber: a elaboração de um projeto
de lei de execução de medidas socioeducativas e a elaboração de um documento teórico-operacional
para execução dessas medidas. Em fevereiro de 2004 a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH),
por meio da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente (SPDCA), em conjunto
com o Conanda e com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), sistematizaram e
organizaram a proposta do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo-SINASE. Em novembro do
mesmo ano promoveram um amplo diálogo nacional com aproximadamente 160 atores do SGD, que durante
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três dias discutiram, aprofundaram e contribuíram de forma imperativa na construção deste documento
(SINASE), que se constituirá em um guia na implementação das medidas socioeducativas”. ([Link]
[Link]/sala-de-imprensa/publicacoes/[Link])
💡💡 GABARITO: C
QUESTÃO 29. Sobre a evolução histórica dos direitos da criança e do adolescente, julgue as assertivas
abaixo:
I – Um dos princípios regentes do Código de Menores de 1979, ao contrário do que previa o Código Mello
Mattos de 1927, era o princípio da universalidade, de modo que toda e qualquer criança ou adolescente
nascidos em território nacional podiam reivindicar, inclusive judicialmente, os direitos ali previstos.
III – Ao longo de toda a Etapa da Mera Imputação Penal ou Etapa Penal Indiferenciada, que perdurou
até o fim do Estado Novo, a idade penal sempre foi fixada abaixo dos 18 anos de idade, tendo chegado,
nas Ordenações Filipinas, a atingir o patamar de 7 anos de idade.
IV – A Doutrina da Proteção Integral, no âmbito internacional, tem como marco inaugural a Declaração
de Genebra de 1924, também conhecida como Carta da Liga sobre a Criança, que concebeu crianças
(assim consideradas todas as pessoas com idade inferior a 18 anos) como sujeito de direitos e
destinatários de prioridade absoluta.
A) II e III.
C) II e IV.
D) I e III.
💡💡 GABARITO COMENTADO
I) INCORRETA: Tanto o Código de Menores, de 1979, quanto o Código Mello Mattos, de 1927, tinham como
traço característico a seletividade. Enquanto as disposições do primeiro eram aplicáveis apenas aos
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chamados “menores em situação irregular”, assim definidos pelo art. 2ª da Lei nº 6.697/79, as medidas
previstas no segundo apenas se aplicavam aos “menores abandonados ou delinquentes”. Na vigência
de ambos, portanto, havia dois regimes jurídicos distintos para crianças e adolescentes: a legislação
especial para crianças em situação de vulnerabilidade socioeconômica e autores de atos infracionais e o
Código Civil para crianças e adolescentes nascidos no seio de famílias mais abastadas. Foi apenas com a
inauguração da Doutrina da Proteção Integral que se falou, pela primeira vez, em um Estatuto pautado
pela universalidade: o Estatuto da Criança e do Adolescente.
II) INCORRETA: Embora, de fato, sejam traços distintivos da Doutrina da Proteção Integral a desjudicialização
e municipalização do atendimento, bem como a descentralização administrativa das políticas públicas,
estas não são mais pautadas pela lógica da completude institucional – própria de estabelecimentos
asilares e instituições totais –, mas, ao revés, pelo princípio da incompletude institucional, que pressupõe
justamente a articulação dos serviços e programas setoriais na organização de uma Rede de Proteção.
III) INCORRETA: Nada obstante seja verdadeira a informação de que, ao longo da chamada etapa da mera
imputação penal ou etapa penal indiferenciada, a idade penal tenha sempre se mantido abaixo dos 18
anos de idade, chegando aos 7 anos na vigência das Ordenações Filipinas, é incorreta a afirmação de que
tal período teria se prolongado até o fim do Estado Novo. Na realidade, a etapa da mera imputação penal
perdurou até o início da República, no Brasil. A promulgação do primeiro Código de Menores de 1927
marca, ao menos no plano normativo, a chamada fase tutelar, baseada no binômio carência/delinquência
e de traços não apenas punitivistas, mas também assistencialistas.
IV) INCORRETA: Por fim, também não é verdadeira a afirmação de que a Doutrina da Proteção Integral, no
âmbito internacional, teve como marco inaugural a Declaração de Genebra de 1924, pois tal documento
ainda não concebia crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, o que apenas ocorreu com o
advento da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, de 1959, e, posteriormente, com
a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, em 1989.
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QUESTÃO 30. No que tange às normativas internacionais em matéria de infância e juventude, assinale
a alternativa incorreta:
A) Dentre os princípios fundamentais enunciados nas Diretrizes das Nações Unidas para Prevenção
da Delinquência Juvenil (Princípios Orientadores de Riad) consta, expressamente, a ideia de que o
comportamento desajustado dos jovens aos valores e normas da sociedade são, com frequência, parte
do processo de amadurecimento e tendem a desaparecer, espontaneamente, na maioria das pessoas,
quando chegam à maturidade.
B) Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, será proporcionada à criança
a oportunidade de ser ouvida em todo processo administrativo que a afete, quer diretamente quer por
intermédio de um representante ou órgão apropriado.
C) Nos termos da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, toda criança deverá ser
registrada imediatamente após o seu nascimento e terá, desde seu registro, direito a um nome, a uma
nacionalidade e, na medida do possível, direito de conhecer seus pais e ser cuidada por eles.
D) A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança consagra o direito de toda criança
de ser protegida contra a exploração econômica e contra a realização de qualquer trabalho que
possa ser perigoso ou interferir em sua educação, ou que seja prejudicial para sua saúde ou para seu
desenvolvimento físico, mental, espiritual, moral ou social.
E) Os Estados signatários da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança assumiram a
obrigação de adotar todas as medidas apropriadas, inclusive medidas legislativas, administrativas,
sociais e educacionais, para proteger a criança contra o uso ilícito de drogas e substâncias psicotrópicas
tal como são definidas nos tratados internacionais pertinentes, e para impedir que as crianças sejam
utilizadas na produção e no tráfico ilícito dessas substâncias.
💡💡 GABARITO COMENTADO
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RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
devem estar pautadas no reconhecimento do fato de que o comportamento dos jovens que não se ajustam
aos valores e normas gerais da sociedade são, com frequência, parte do processo de amadurecimento e
que tendem a desaparecer, espontaneamente, na maioria das pessoas, quando chegam a maturidade
(Capítulo I, item 4, alínea “e”).
C) INCORRETA: Embora o art. 7ª da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança realmente
preveja que toda criança deve ser registrada imediatamente após o seu nascimento, garante também
à criança o direito a um nome, a uma nacionalidade, à identidade de seus pais e de ser cuidada por
eles, sempre que possível, não apenas após seu registro, mas desde o momento em que nasce. Essa
“pegadinha” chegou a aparecer no concurso da Defensoria Pública do Estado do Mato Grosso, em 2016.
D) CORRETA: O art. 32 da Convenção reconhece à criança o direito de estar protegida contra a exploração
econômica e contra o desempenho de qualquer trabalho que possa ser perigoso ou interferir em sua
educação, ou que seja nocivo para sua saúde ou para seu desenvolvimento físico, mental, espiritual,
moral ou social
E) CORRETA: A assertiva corresponde ao exato teor do art. 33 da Convenção: “os Estados Partes adotarão
todas as medidas apropriadas, inclusive medidas legislativas, administrativas, sociais e educacionais,
para proteger a criança contra o uso ilícito de drogas e substâncias psicotrópicas descritas nos tratados
internacionais pertinentes e para impedir que crianças sejam utilizadas na produção e no tráfico ilícito
dessas substâncias”
💡💡 GABARITO: C
B) É aplicável mesmo que o país de origem da criança não seja dela signatário, bastando que o seja o
país de destino.
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D) É vedado exigir caução ou depósito, qualquer que seja a sua denominação, para garantir o pagamento
de custos e despesas relativas aos processos judiciais ou administrativos nela previstos.
💡💡 GABARITO COMENTADO
Inicialmente, cabe esclarecer que, das últimas provas de concurso das Defensorias Públicas Estaduais, o
documento normativo internacional mais cobrado em matéria de infância e juventude foi a Convenção
de Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças (DPE-ES/2016, DPE/MA-2015,
DPE-SP/2009) – até mais que a própria Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança. Desse
modo, importante que o/a candidato/a tenha conhecimento sobre suas principais disposições.
Já seu art. 3º esclarece que a transferência ou retenção de uma criança é considerada ilícita quando
tenha havido violação a direito de guarda atribuído a pessoa ou a instituição ou a qualquer outro
organismo, individual ou conjuntamente, pela lei do Estado onde a criança tivesse sua residência habitual
imediatamente antes de sua transferência ou da sua retenção e esse direito estivesse sendo exercido
de maneira efetiva, individual ou em conjuntamente, no momento da transferência ou da retenção, ou
devesse está-lo sendo se tais acontecimentos não tivessem ocorrido.
B) INCORRETA: Nos termos do art. 4º, as disposições da Convenção apenas são aplicáveis às crianças que
tenham residência habitual num Estado Parte, imediatamente antes da violação do direito de guarda ou
de visita.
C) INCORRETA: Nos termos do art. 4º, in fine, a aplicação da Convenção cessa apenas quando a criança
atingir 16 anos de idade. Vale recordar que, ao contrário do que prevalece no âmbito interno, no plano
normativo internacional não há a distinção conceitual entre crianças e adolescentes, tendo a Convenção
das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança definido criança como toda a pessoa com até 18 anos
128 [Link]
Defensoria Pública Semestral
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incompletos.
E) INCORRETA: Embora o objetivo precípuo da Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro
Internacional de Crianças seja garantir o retorno imediato da criança transferida ou retida ilicitamente, a
própria Convenção incorpora o princípio do melhor interesse da criança, pressupondo que, ultrapassado
prazo razoável desde a transferência, é possível que esta já esteja ambientada e tenha consolidados nos
vínculos de afetividade e ligações identitárias com o novo local de moradia. Justamente por esse motivo
que o art. 12 prevê: “quando uma criança tiver sido ilicitamente transferida ou retida nos termos do Artigo
3 e tenha decorrido um período de menos de 1 ano entre a data da transferência ou da retenção indevidas
e a data do início do processo perante a autoridade judicial ou administrativa do Estado Contratante
onde a criança se encontrar, a autoridade respectiva deverá ordenar o retomo imediato da criança. A
autoridade judicial ou administrativa respectiva, mesmo após expirado o período de uma ano referido
no parágrafo anterior, deverá ordenar o retorno da criança, salvo quando for provado que a criança já se
encontra integrada no seu novo meio”.
A propósito, o STJ já decidiu que a restituição ao país de origem apenas será providenciada após avaliação
da situação em que a criança se encontra (STJ, Resp 1.239.777), levando-se em consideração a condição
peculiar de pessoa em desenvolvimento e seus superiores interesses.
Por fim, necessário consignar que a própria Convenção prevê que a autoridade judicial ou administrativa
do Estado requerido não é obrigada a ordenar o retomo da criança se a pessoa, instituição ou organismo
que se oponha a seu retorno provar (a) que a pessoa, instituição ou organismo que tinha a seu cuidado a
pessoa da criança não exercia efetivamente o direito de guarda na época da transferência ou da retenção,
ou que havia consentido ou concordado posteriormente com esta transferência ou retenção; ou (b) que
existe um risco grave de a criança, no seu retorno, ficar sujeita a perigos de ordem física ou psíquica, ou,
de qualquer outro modo, ficar numa situação intolerável.
Dispõe também que a autoridade judicial ou administrativa pode igualmente recusar-se a ordenar o e
retorno da criança se verificar que esta se opõe a ele e que a criança atingiu já idade e grau de maturidade
tais que seja apropriado levar em consideração as suas opiniões sobre o assunto.
💡💡 GABARITO: D
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Defensoria Pública Semestral
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🏳🏳 DIREITO CIVIL
De início, informo que a disciplina de Direito Civil é das mais extensas e complexas, razão pela qual
direcionaremos o foco aos pontos normalmente mais exigidos nas provas objetivas e discursivas,
conforme cronograma do Curso CEI.
Nas 15 rodadas de questões objetivas, serão formuladas 6 questões de Direito Civil, totalizando 90 questões
ao final do curso. Considerando que cada questão é composta por 5 alternativas, comentaremos, ao
todo, 450 alternativas, o que nos permite abranger grande fatia do conteúdo programático, sempre com
a finalidade de direcionar e facilitar a compreensão/revisão da doutrina e jurisprudência atualizada em
Direito Civil, conforme programa abaixo especificado:
2ª Rodada: Parte Geral (capacidade, direitos da personalidade, ausência e sucessão provisória e definitiva).
5ª Rodada: Obrigações
9ª Rodada: Posse.
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Defensoria Pública Semestral
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15ª Rodada: Legislação especial (Lei de Locações - Lei nº 8.245/1991; Estatuto do Idoso - Lei nº 10.741/2003;
Bem de Família - Lei nº 8.009/1990; Planos de Saúde – Lei nº .9656/1998; Parcelamento do solo - Lei nº
6.766/79).
Nas 8 vídeos aulas, direcionaremos o foco, como dito, aos pontos normalmente mais exigidos nas provas
objetivas e discursivas de Defensoria Pública, conforme programação exposta a seguir:
3ª aula: Contratos
5ª aula: Posse.
6ª aula: Propriedade.
7ª aula: Família.
8ª aula: Família/Sucessões.
Recomenda-se que o cronograma de estudos do(a)s aluno(a)s seja elaborado de acordo com o
desenvolvimento da matéria que será apresentada nas rodadas, e englobe o estudo de doutrina com viés
Civil-Constitucional, a jurisprudência do STJ (especialmente os julgados veiculados nos Informativos STJ,
súmulas e recursos repetitivos) e os enunciados do CJF (Conselho da Justiça Federal).
Por fim, desejo a todo(a)s um excelente semestre de estudos na certeza de que o Curso CEI contribuirá de
forma muito relevante para a preparação e aprovação de vocês nos concursos para as Defensoria Pública
de todo o Brasil.
B) O Código Civil brasileiro vigente adota um sistema normativo totalmente fechado, não permitindo,
em nenhuma hipótese, a integração da norma jurídica pelos valores aplicáveis ao caso concreto.
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Defensoria Pública Semestral
RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
D) A teoria tridimensional de Miguel Reale nega que a integração normativa de fatos segundo valores é
a essência estrutural do Direito.
E) A funcionalização incide exclusivamente sobre a estrutura da norma, não possuindo relação com a
finalidade do Direito.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A classificação do ordenamento como um sistema, por sua vez, depende de que “os organismos constitutivos
não estejam apenas em relação com o todo, mas estejam também em relação de compatibilidade entre
si”. (BOBBIO, Norberto. Teoria geral do direito. Tradução Denise Agustinetti; revisão Rosana Cobucci Leite.
3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010, p. 231), compatibilidade essa caracterizada como uma adequação
valorativa de princípios gerais de Direito, que lhe outorga unidade interna.
Na doutrina de Hans Kelsen, a unidade do sistema é conferida por um princípio que organiza e mantém
a sua homogeneidade denominado por ele de norma fundamental. Segundo Kelsen, a natureza do
fundamento de validade distingue dois tipos diferentes de sistemas de normas: o sistema estático e o
sistema dinâmico.
Em resumo, o caráter estático dispensa o processo contínuo de formação, atuação e desaparecimento das
normas, concebendo o ordenamento jurídico como uma abstração feita de seu câmbio permanente. Em
oposição ao caráter estático, o princípio dinâmico permite a captação das normas dentro de um constante
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Defensoria Pública Semestral
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processo de transformação da sociedade, pelo que são promulgadas, subsistem, são revogadas por
outras ou perdem sua atualidade em razão das alterações nas situações normatizadas. (FERRAZ JUNIOR,
Tércio Sampaio. Introdução ao estudo do direito, cit., p. 105 e 147).
B) INCORRETA: No sistema fechado prevalece um corpo rígido de normas com fontes de direito
previamente determinadas em que a aplicação do direito se resume numa exegese. No sistema aberto,
a maior parte das regras se encontra em estado fluído, propiciando o papel inovador do jurista que é
chamado a colaborar com o legislador e o juiz, e onde as fontes formais e materiais não estão rigidamente
demarcadas. (JORGE JUNIOR, Alberto Gosson. Cláusulas gerais no novo Código Civil. Renan Lotufo -
Coordenador. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 11).
O Código Civil francês de 1804 era um exemplo clássico de sistema normativo fechado, em que todas as
repostas são buscadas nos textos normativos, e que influenciou a elaboração do Código Civil brasileiro
de 1916. Todavia, tal modelo normativo se mostrou insuficiente para resolução dos problemas complexos
da sociedade moderna, surgindo a necessidade de se buscar novos modelos de sistemas, tarefa bem
desempenhada pelo BGB (Código Civil alemão de 1900). Essa abertura e mobilidade do sistema originada
no BGB inspirou o atual Código Civil brasileiro, que também contém princípios, cláusulas gerais e conceitos
jurídicos indeterminados. Isso não significa dizer que o Código Civil brasileiro é um sistema aberto, mas
que o atual sistema jurídico privado brasileiro possui as características de um sistema fechado com áreas
de abertura e mobilidade que autorizam a aplicação do direito ao caso concreto.
O desafio do jurista na sociedade moderna é encontrar um ponto de equilíbrio entre a segurança jurídica
oferecida pelo sistema fechado e a maximização de princípios valorativos em um sistema com certa
mobilidade, evitando, todavia, que a referida abertura e mobilidade sistêmica conduzam ao decisionismo
ou ao arbítrio judicial. (CAHALI, Francisco José; RODOVALHO, Thiago. Breves notas introdutórias aos
princípios, cláusulas gerais e os institutos de direito privado. In: Os princípios e os institutos de direito
civil. Rio de Janeiro, Lumen Juris, 2015).
O problema não está na aplicação dos princípios que, em verdade, justificam e garantem coerência
na aplicação das normas jurídicas, fornecendo a segurança jurídica esperada pelo sistema, mas sim
na utilização dos princípios sem a delimitação dogmática subjacente. Para que isso não ocorra, faz-se
necessário o estudo cuidadoso do significado de cada princípio e a fundamentação exaustiva de cada
um deles no momento de sua concretização, sob pena de estar configurado o arbítrio judicial. (MORAES,
Maria Celina Bodin de. O direito civil-constitucional. In: Na medida da pessoa humana: estudos de direito
civil. Rio de Janeiro, Renovar, 2010, p. 67-68).
Nota do professor: É recorrente a idea de que nos concursos de Defensoria Pública basta
invocar o princípio da dignidade da pessoa humana, dentre outros, como resposta padrão
às questões formuladas pela banca examinadora, principlamente nas fases discrusiva
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Defensoria Pública Semestral
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e oral, para obter a aprovação. Muitas vezes, tal ideia é frequentemente veículada de
forma jocoza entre profissionais do Direito, professores e alunos, inclusive por força de
(poucas) questões formuladas em concursos pretéritos. Por um lado, é certo que a correta
fundamentação principiólógica é bem vista, considerando a relevância desses postulados
na atuação da Defensoria Pública. De outro, recomenda-se cuidado para não reafirmar a
crítica, invocando princípios sem a mínima justificação e correlação com o direito aplicável
na resolução do caso concreto. Em uma banca criteriosa, o ato de invocar princípios de
forma aleatória, tal qual uma tábua de salvação, pode conduzir o candidato(a) à reprovação.
C) CORRETA: Na esteira da filosofia de Miguel Reale, o culturalismo — estudado no Brasil desde a década de
1940 — “é uma doutrina que põe o conceito de cultura no centro de suas indagações sobre o ser humano e
suas realizações” no campo da filosofia, e não apenas da antropologia, representando um correlato entre
a natureza e o espírito, entre os fatos e os valores ideais, sendo uma figura autônoma, que representa
“tudo que o homem pensa e realiza ao longo da história, visando alcançar seus fins específicos.” (REALE,
Miguel. Diretrizes do culturalismo. In: Filosofia e teoria política: ensaios. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 4-9).
O Culturalismo enxerga o Direito como uma espécie de experiência cultural racionalmente ordenada
de fatos e valores no decorrer da história. A experiência jurídica, por sua vez, é absorvida pelo jurista
em contato direto com as relações sociais por várias fontes e modelos, todos polarizados pelos valores
constitucionais:
O culturalismo como obra filosófica e jurídica de Miguel Reale tem como pressuposto a
ontognoseologia crítica, que sustenta uma nova teoria do conhecimento baseada no
processo cultural na sua perspectiva histórica. Esta teoria encontra fundamento na dialética
da complementaridade (relação de complementação e múltipla influencia entre os sujeitos
e os fatos e bens culturais) e no conhecimento cultural (concepção de uma experiência de
valores que condiciona e transforma a ação humana na história), e tem como conceitos
a experiência, a cultura (conhecimento) e a história. (MARTINS-COSTA, Judith; BRANCO,
Gerson Luiz Carlos; Diretrizes teóricas do novo Código Civil brasileiro. São Paulo: Saraiva,
2002, p. 9-26) (grifo nosso).
D) INCORRETA: Em curtíssimo resumo, podemos dizer que a ontognoseologia jurídica é a base da teoria
do conhecimento da norma jurídica, que possui dois pilares:
b) a teoria tridimensional do direito, que concebe o Direito como uma integração normativa de fatos
segundo valores, isto é, uma constante troca entre o fato (aspecto sociológico – cunho social e histórico),
o valor (aspecto filosófico – busca pelos ideais de Justiça, dentre outros) e a norma (aspecto normativo
– estrutura do ordenamento jurídico), integrados entre si em constante diálogo pela dialética de
134 [Link]
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complementariedade (REALE, Miguel. Teoria tridimensional do direito. 5 ed. – São Paulo: Saraiva, 1994,
p. 147-149).
E) INCORRETA: Norberto Bobbio desenvolveu uma teoria funcionalista do direito que, além do necessário
enquadramento estrutural, o reposiciona numa perspectiva funcional, em que o valor do direito é visto
como sua finalidade (para que serve o direito) e como instrumento promocional dos valores fundamentais
da comunidade. (BOBBIO, Norberto. Da estrutura à função: novos estudos de teoria do direito. Tradução
de Daniela Beccaccia Versiani; revisão técnica de Orlando Seixas Bechara, Renata Nagamine. Barueri, SP:
Manole, 2007).
Discute-se, ainda, se a função social é um elemento interno ou externo ao direito subjetivo. Ao discorrer
sobre o direito de propriedade, Judith Martins-Costa afirma que a função social não é um elemento
externo ao direito, constituindo, essencialmente, a função social do bem e, portanto, o objeto do direito,
refletida no “conjunto de situações jurídicas incidentes sobre o bem, e assim, de forma imediata, ela, a
função social, acaba por integrar o complexo de direitos e deveres subsumidos no conceito de direito
de propriedade, modificando-se a ideia construída pelo jusnaturalismo que o perspectivara como poder
da vontade, como direito natural do homem sobre as coisas, em cujo conteúdo não cabem deveres e
limitações.” (MARTISN-COSTA, Judith; BRANCO, Gerson Luiz Carlos; Diretrizes teóricas do novo Código
Civil brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 150-151).
Todo poder é concedido para a satisfação de um dever. Isto explica a recorrente utilização
das expressões “poder-dever” e “direito-função”. Há uma relação de complementariedade
entre a estrutura do direito subjetivo e a sua função social. Quer dizer, a função social não
é um limite externo e negativo (restritivo) ao direito subjetivo. Pelo contrário, trata-se de
limite interno e positivo. Interno, pois ingressa na própria estrutura do direito subjetivo,
concedendo-lhe dinamismo e finalidade; positivo, pois a função social não objetiva inibir
o exercício do direito subjetivo. Pelo contrário, procura valorizar e legitimar a atuação do
indivíduo. (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Direito Civil. Teoria Geral.
Volume 1. 8ª Edição. 2ª Tiragem. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 51).
💡💡 GABARITO: C
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💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: A dicotomia entre direito público e direito privado estava infiltrada no Código Civil brasileiro
de 1916, não permitindo a intervenção estatal na esfera jurídico-privada dos indivíduos, salvo aquelas
indispensáveis à convivência social.
No início do século XX, vários fatores convergiram para derrocada do ideário francês de individualismo
e total abstenção estatal. Os principais marcos dessa mudança de paradigma foram o processo de
industrialização, o fortalecimento dos movimentos sociais, e a eclosão da Primeira Guerra Mundial. A
doutrina do welfare state impôs maior intervenção estatal para reequilibrar o sistema, o que ocorreu a
partir da Constituição do México (1917) e da Constituição de Weimar (1919), influenciando a Constituição
brasileira de 1934.
A partir desse ponto, as Constituições se voltaram, também, para o bem-estar social do povo, elevando a
esse patamar os direitos à saúde, à educação e ao trabalho, dentre outros. Após a Segunda Guerra Mundial,
os direitos sociais passaram a integrar a agenda política dos Estados, em muito por conta da Declaração
Universal dos Direitos Humanos, de 1948, como marco inicial de desenvolvimento dos direitos econômicos,
sociais e culturais, o que inaugurou a segunda geração (ou dimensão) dos direitos fundamentais. Foi a
transição do Estado Liberal para o Estado Social de Direito. As constituições passaram a exprimir valores
de dignidade, solidariedade social e igualdade substancial, retirando do direito privado a supremacia
regulatória sobre as relações jurídico-privadas. Desse momento em diante, o direito privado sofreu forte
influência publicista, passando a ser lido, interpretado e aplicado conforme os valores estampados no
texto constitucional, fenômeno denominado de constitucionalização do direito civil. O individualismo
liberal econômico (ter) é substituído pela ética e pelo solidarismo (ser), com objetivo único de promoção
da dignidade da pessoa humana
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estabeleceu o absoluto respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana. (PERLINGIERI, Pietro.
Perfis do Direito Civil. Introdução ao Direito Civil Constitucional. Tradução: Maria Cristina de Cicco. 3. ed.
Rio de Janeiro: Renovar, 2002, p. 4).
Por tal razão, Ingo Wolfgang Sarlet afirma que na doutrina italiana, o Direito Civil Constitucional surgiu numa
perspectiva de estudo dogmático do direito privado mediante a interpretação conforme à Constituição
e de filtragem constitucional, especialmente pela obra de Pietro Perlingieri, o que influenciou alguns
juristas brasileiros no estudo do direito privado à luz da Constituição Federal. (SARLET, Ingo Wolfgang.
Neoconstitucionalismo e influência dos direitos fundamentais no direito privado: algumas notas sobre a
evolução brasileira. In: Constituição, Direitos Fundamentais e Direito Privado. 3. ed. Ingo Wolfgang Sarlet
– Organizador. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010, p. 14-15).
C) CORRETA: Na Alemanha, a discussão é pautada ao redor da eficácia dos direitos fundamentais nas
relações privadas, seja por meio da interpretação constitucional, da eficácia imediata (direta), ou mediata
(indireta) dos direitos fundamentais no direito privado (SARLET, Ingo Wolfgang. Neoconstitucionalismo e
influência dos direitos fundamentais no direito privado: algumas notas sobre a evolução brasileira. In:
Constituição, Direitos Fundamentais e Direito Privado. 3. ed. Ingo Wolfgang Sarlet – Organizador. Porto
Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010, p. 14-15).
Vale destacar desde já que o fenômeno da constitucionalização do direito civil deve-se à Constituição
Alemã (Lei Fundamental de Bonn), de 1949, ser posterior ao Código Civil (BGB), de 1900, e também
contemplar a dignidade humana como valor maior do Estado alemão.
No Brasil, a interpretação do Código Civil de 1916 à luz da Constituição Federal de 1988 — marco da
redemocratização do país após a ditadura militar — apenas confirmou esse processo de relativização
do protagonismo da codificação no âmbito do direito privado, perdendo o Código Civil o status de
constituição do direito privado em homenagem ao direito civil constitucional.
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(MORAES, Maria Celina Bodin de. O direito civil-constitucional. In: Na medida da pessoa
humana: estudos de direito civil, cit., p. 29).
D) CORRETA: Na esteira do entendimento pioneiro de Pietro Perlingieri, os pressupostos teóricos da
doutrina do direito civil na legalidade constitucional — que encontra correspondência na doutrina direito
civil constitucional brasileiro — são: (a) a força normativa dos princípios e das normas constitucionais; (b)
a unidade e complexidade do ordenamento jurídico; e (c) a interpretação da legitimidade constitucional
da norma jurídica. (PERLINGIREI, Pietro. A doutrina do direito civil na legalidade constitucional, cit., p.
1-3).
A compreensão, portanto, de que o direito civil constitucional se resume à eficácia dos direitos
fundamentais nas relações privadas é equivocada, vez que tal aplicação é apenas um dos aspectos de
um todo maior. O significado mais importante está na aplicação direta dos princípios constitucionais em
qualquer espécie de relação privada quando não existir norma infraconstitucional ou na intepretação da
norma infraconstitucional existente sobre o tema em conformidade com os preceitos constitucionais.
(LÔBO, Paulo Luiz Netto. A constitucionalização do direito civil brasileiro. In: Direito civil contemporâneo:
novos problemas à luz da legalidade constitucional. Anais do Congresso Internacional de Direito Civil-
Constitucional da Cidade do Rio de Janeiro - 2006. Gustavo Tepedino - Organizador. São Paulo: Atlas,
2008, p. 21).
Ressalta-se, todavia, que a interpretação a partir dos princípios constitucionais não se confunde com a
intepretação de acordo com os princípios gerais de direito, prevista no artigo 4º da Lei de Introdução às
Normas do Direito Brasileiro, que têm função supletiva como normas de completude do sistema jurídico
(primeiro as leis, depois os costumes e, por fim, os princípios gerais de direito).
Isto porque os princípios constitucionais são os pontos de partida da hermenêutica, “que estava
invertida e foi devidamente reposicionada: em primeiro lugar o princípio constitucional, depois a lei
fundamentada nele”. (LÔBO, Paulo Luiz Netto. A constitucionalização do direito civil brasileiro. In: Direito
civil contemporâneo: novos problemas à luz da legalidade constitucional, cit., p. 22).
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💡💡 GABARITO: E
QUESTÃO 34. São princípios norteadores (ou diretrizes básicas) do Código Civil vigente:
I. Eticidade.
II. Socialidade.
V. Operabilidade ou concretude.
A) I, III e IV
B) I, II e V
C) II, III e V
D) II, IV e V
E) III e IV
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💡💡 GABARITO COMENTADO
As cláusulas gerais têm por finalidade “a abertura semântica (linguagem aberta, fluída ou vaga), a
possibilidade de emprestar mobilidade ao sistema, a criação de normas jurídicas voltadas para casos
concretos e a ressistematização com elementos internos e externos do sistema jurídico” (MARTINS COSTA,
Judith. O Direito privado como um “sistema em construção” – As cláusulas gerais no projeto de Código Civil
brasileiro. Revista dos Tribunais. São Paulo: Revista dos Tribunais, v. 753, julho 1998, p. 29-30).
Elas exigem maior integração do intérprete e aplicador da norma para definição do seu conteúdo e alcance
no caso concreto, a exemplo das cláusulas gerais da boa-fé e da função social do contrato.
Os conceitos jurídicos indeterminados demandam menor integração exegética, vez que a própria lei
estabelece as balizas e o alcance do instituto, sendo necessário, todavia, definir o seu conteúdo no caso
concreto. Cita-se, por exemplo, o conceito de “divisão cômoda”, positivado no artigo 2.019 do Código
Civil, como condição a ser verificada pelo juiz diante do caso concreto, para que se proceda à alienação
judicial dos bens em partilha. Verificando o julgador a situação da comodidade da manutenção do imóvel
em condomínio entre os herdeiros (conceito que deve ser preenchido pela autoridade judicial), a solução
jurídica estará em lei: alienação do bem comum.
B) CORRETA: O projeto do Código Civil brasileiro de 2002 teve uma longa tramitação no Congresso
Nacional, iniciada, em 1969, com a formação da comissão para elaboração do anteprojeto de Código
Civil — coordenada por Miguel Reale — apresentado à Câmara dos Deputados em 1975 (Projeto de Lei nº
634-D).
A base conceitual do Código Civil conta com 3 princípios norteadores ou diretrizes básicas, que constituem
o “espírito da nova lei civil”, denominadas de eticidade, socialidade e operabilidade (REALE, Miguel. O
espírito da nova lei civil. In: Estudos preliminares do Código Civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais,
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2003, p. 35-38).
A eticidade é o fundamento ético-jurídico das normas civis, impondo um padrão objetivo de equidade,
lealdade e proteção da confinça no tráfego jurídico. Na lição de Clóvis do Couto e Silva, “a aplicação do
princípio da boa-fé tem, porém, função harmonizadora, conciliando o rigosrismo lógico-dedutivo da
ciência do direito no século passado com a vida e a as exigências éticas atuais, abrindo, por assim dizer,
no hortus conclusos do sistema do positivismo jurídico, janaela para o ético”. (SILVA, Clóvis do Couto e. A
obrigação como processo. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006, p. 42).
A socialidade é o centro de funcionalização dos intitutos de direito privado, responsável pela alteração
dos paradigmas da titularização de direitos, excessivamente individual e patrimonislista na codificação
anterior. Nas palavras de Miguel Reale:
“O “sentido social” é uma das características mais marcantes do projeto, em contraste com
o sentido individualista que condiciona o Código Civil ainda em vigor. Seria absurdo negar
os altos méritos da obra do insigne Clóvis Beviláqua, mas é preciso lembrar que ele redigiu
sua proposta em fins do século passado, não sendo segredo para ninguém que o mundo
nunca mudou tanto como no decorrer do presente século, assolado por profundos conflitos
sociais e militares. Se não houve a vitória do socialismo, houve o triunfo da “socialidade”,
fazendo prevalecer os valores coletivos sobre os individuais, sem perda, porém, do valor
fundante da pessoa humana. Por outro lado, o projeto se distingue por maior aderência
à realidade contemporânea, com a necessária revisão dos direitos e deveres dos cinco
principais personagens do Direito Privado tradicional: o proprietário, o contratante, o
empresário, o pai de família e o testador”. (REALE, Miguel. Visão geral do projeto de Código
Civil. Fonte: [Link] Acesso em 22/04/2015).
A operabilidade (ou concretude) é um conceito instrumental, isto é, tem por finalidade a “simplificação”
normativa em busca de maior efetividade e alcance, sanando as dificuldades de intepretação e aplicação
social das formulas legais. Como exemplo, podemos citar a expressa distinção conceitual e normativa dos
institutos da prescrição e decadência, que eram constantemente confundidos na codificação revogada.
💡💡 GABARITO: B
QUESTÃO 35. Assinale o instituto de direito privado funcionalizado pelo Código Civil que sofreu
retrocesso por alteração legislativa recente:
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A) Posse.
B) Família.
C) Contrato.
D) Cidades.
E) Propriedade.
💡💡 GABARITO COMENTADO
Isto porque a Constituição Federal reconheceu a função social da posse e premiou o respectivo possuidor
com a redução dos prazos nas formas especiais da usucapião urbana (artigo 183, CF) e da usucapião
rural (artigo 191, CF), afirmando, expressamente, que a utilização do bem para a moradia individual ou
familiar e o trabalho produtivo rural é objeto de tutela possessória diferenciada, que conduz à aquisição
da propriedade em menor tempo do que a posse que possui outra destinação ou que protege outro
interesse jurídico.
Igualmente, o Código Civil vigente e o Estatuto da Cidade, ambos promulgados sob o holofote constitucional
democrático, reproduzem a redução dos prazos nas modalidades de usucapião extraordinária ou ordinária
(artigo 1238, 1242, e respectivos parágrafos) ou, principalmente, nas formas especiais da usucapião
urbana (artigo 183, CF, artigo 1.240, CC e artigo 9º, EC), da usucapião rural (artigo 191, CF e artigo 1.239,
CC), e da usucapião coletiva (artigo 10, EC), bem como na desapropriação judicial (artigo 1.228, §4º e
§5º, CC), reconhecendo e premiando o possuidor que confere destinação econômica e social à posse,
cumprindo assim a função social inerente ao direito de possuir.
B) INCORRETA: A Constituição Federal contemplou o pluralismo familiar (artigo 226, §3º e §4º, CF) e, com
isso, alterou a percepção da entidade familiar tida até a sua promulgação, em que a família era formada
apenas por pessoas de sexo biológico distinto e os filhos oriundos daquela relação. Ao pluralismo familiar,
soma-se a igualdade jurídica da prole (artigo 227, §6º) e, ainda, a dignidade da pessoa humana (artigo 1º,
III, CF). Esses princípios nortearam a funcionalização das entidades familiares para uma nova compreensão
da família como núcleo de desenvolvimento acolhedor e afetuoso entre os seus membros com objetivo
de realização existencial e de busca da felicidade, livre de intervenções indevidas do Estado, religião ou
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da sociedade. De tal sorte que “A família atual é pluralizada, democrática, igualitária substancialmente,
hétero ou homoparental, biológica ou por outra origem (socioafetiva), é uma unidade socioafetiva e
possui um caráter instrumental de proteção e realização de seus membros.” (CARVALHO, Dimas Messias
de. Direito das Famílias. 7 ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 55).
C) CORRETA: A função social do contrato é a face mais visível do princípio da socialidade no Código Civil,
visto que positivada expressamente no artigo 421, cuja redação original estabelecia que “A liberdade de
contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato”. Inegavelmente aberta, a referida
cláusula geral demanda preenchimento no caso concreto, tendo-se sempre em vista que a liberdade
contratual deve ser exercida nos limites impostos pelo ordenamento jurídico para o atendimento de
interesses sociais relevantes merecedores de tutela avançada pelo legislador.
Note-se que a Lei nº 13.874/2019, fruto da conversão em lei da chamada MP da liberdade econômica,
alterou a redação do artigo 421 do Código Civil, estabelecendo que a “A liberdade contratual será exercida
nos limites da função social do contrato”. Parágrafo único: “Nas relações contratuais privadas, prevalecerão
o princípio da intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual”.
Segundo Flávio Tartuce, as alterações no caput são relevantes e merecidas, vez que a função social limita
a liberdade na estipulação do conteúdo negocial, das próprias cláusulas contratais, e não da liberdade
de contratar, entendida como liberdade para celebrar um contrato que, via de regra, é ampla, admitidas
apenas as restrições legais excepcionais, o que se aplica também a expressão “em razão” da função social,
excluída de forma acertada. Todavia, quanto ao parágrafo único, o retrocesso parece evidente, valendo
transcrever as críticas do autor:
Sobre o parágrafo único do art. 421, continua ele trazendo uma obviedade, desde o texto
original da medida provisória, ao enunciar que a revisão contratual regida pelo Código Civil
é excepcional. Na verdade, o Código Civil de 2002 adotou uma teoria de difícil aplicação
prática – a teoria da imprevisão para uns, teoria da onerosidade excessiva, para outros –,
com elementos insuperáveis para que a revisão seja efetivada, notadamente o elemento
da imprevisibilidade (arts. 317 e 478). Acrescente-se que essa revisão também é dificultada
por requisitos adicionais que constam do art. 330, §§ 2º e 3º, do CPC/15, quais sejam a
determinação da parte controversa e incontroversa da obrigação - com a necessidade
de eventual apresentação de cálculo contábil desses valores - e o depósito da parte
incontroversa; sob pena de inépcia da petição inicial. Por isso, afirmar que a revisão de um
contrato civil não é a regra significa dizer algo que já era da nossa realidade jurídica.
A encerrar o estudo do art. 421, parágrafo único, estou totalmente filiado às críticas de
Anderson Schreiber, constantes do nosso Código Civil Comentado, a respeito da inexistência
do princípio da intervenção mínima, agora previsto na norma. Vejamos suas palavras:
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por sua vez, visa garantir a dignidade das pessoas que habitam nas cidades. As funções sociais da cidade,
aqui incluídas as dimensões social, econômica, ambiental e cultural, possuem inegável caráter difuso,
sob prisma da construção de cidades sustentáveis para presentes e futuras gerações, em atendimento às
necessidades da cidade contemporânea.
E) INCORRETA: Como é cediço, a propriedade constitui direito fundamental individual e goza de proteção
constitucional suprema (artigo 5º, XXII, CF), mas apenas quando cumpre a sua função social (artigo 5º,
XXIII, CF), que é parte integrante da própria propriedade, o que será abordado com profundidade no
decorrer do curso.
💡💡 GABARITO: C
QUESTÃO 36. A respeito da vigência e eficácia das leis, assinale a alternativa CORRETA:
A) Se, antes de entrar em vigor uma lei, publicar-se novamente o seu texto, com a finalidade de se
corrigir erro substancial em determinados dispositivos, iniciar-se-á novamente a contagem do prazo
de vacância. Além disso, o texto publicado será considerado uma nova lei.
C) Na contagem dos prazos de vacatio legis, por se tratar de prazo material, inclui-se o dia do início e
exclui-se o dia do final.
D) O Código Civil admite, por exceção, a retroatividade da nova lei, permitindo que esta alcance os
efeitos futuros de atos praticados sob a égide da lei revogada.
E) A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro afastou a chamada repristinação das leis.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: A questão trata da chamada “norma corretiva”, assim considerada aquela publicada com
escopo exclusivo de afastar eventuais incorreções de uma lei preexistente. Sobre este tipo de norma, a Lei
de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) reservou dois regimes distintos: (a) se a norma a ser
corrigida ainda não estiver vigente, vale dizer, ainda estiver em período de vacância, o texto corrigido será
considerado mera extensão da lei – e não uma lei nova –, reiniciando-se apenas a contagem do prazo de
vacatio legis (art. 1º, §3, LINDB); (b) de outro lado, se a lei a ser corrigida estiver vigente, a norma corretiva
será considerada uma nova lei (art. 1º, §4, LINDB), iniciando-se prazo próprio de vacância até a sua
vigência. Desta forma, incorreta a questão, pois mistura os regimes aplicáveis. No caso, apesar de haver
reinício do prazo de vacatio legis, a norma corretiva não será considerada nova lei, conforme inteligência
dos §§ 3 e 4 do art. 1º da LINDB.
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B) INCORRETA: Não se destinando à vigência temporária (leis temporárias), a lei terá vigor até que outra
a modifique ou revogue (art. 2º, LINDB). Trata-se do denominado princípio da continuidade das leis. Esta
revogação, na forma do art. 2º, §1º, da LINDB, pode ser classificada em relação ao modo e em relação à
extensão.
Quanto ao modo, a revogação pode ser expressa (a lei posterior revoga a anterior quando expressamente
o declare) ou tácita (a lei posterior revoga a anterior quando com ela incompatível ou quando regule
inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior).
Em segundo lugar, quanto à extensão, essa revogação pode ser total (ab-rogação) ou parcial (derrogação).
Assim, apesar de se referir a ab-rogação à revogação total da lei, esta não é uma classificação em relação
ao “modo” de revogação, mas, sim, em relação à “extensão” da revogação.
C) INCORRETA: No que concerne ao termo das relações jurídicas e a forma de contagem de prazos,
o Código Civil estabelece regra pela qual se exclui o dia do início e se inclui o dia do final, ressalvada
disposição legal específica ou convencional (art. 132, CC). A regra é idêntica àquele aplicável aos prazos
processuais (art. 224, CPC).
Ocorre, todavia, que a contagem do prazo de vacatio legis subordina-se à norma diversa, a qual determina
a inclusão do dia do início (dia da publicação da norma) e também do dia do vencimento, entrando em
vigor a norma no dia subsequente ao da consumação integral do prazo (art. 8º, §1º, LC 95/98).
Ainda sobre o tema, conforme aponta a doutrina, em se tratando de contagem de prazo de vacatio
legis pouco importa seja o dia subsequente um feriado ou final de semana, entrando em vigor a norma
mesmo assim, ou seja, a data não é prorrogada para o dia seguinte (VELOSO, Zeno. Comentários à Lei de
Introdução ao Código Civil. 2. ed. Belém: UNAMA, 2006. p. 21).
D) CORRETA: A LINDB adotou o critério da irretroatividade das leis, surtindo efeitos a nova lei somente às
relações jurídicas constituídas após a sua vigência. A doutrina, ao analisar as hipóteses de retroatividade
permitidas pelo ordenamento jurídico, identifica, além da regra geral de não retroação (irretroatividade),
três níveis excepcionais de retroatividade da norma: retroatividade mínima, máxima e média.
Em relação às leis (plano infraconstitucional), por força do art. 6º da LINDB, tem-se a produção de efeitos
para o futuro, não alcançando a lei nova, regra geral, os atos jurídicos constituídos sob o regime anterior
(ou seus efeitos), que continuam sujeitos à lei antiga, do tempo em que foram praticados (tempus regit
actum).
Todavia, excepcionalmente, é possível uma lei nova retroagir para alcançar atos anteriores ou os seus
efeitos. Essa retroatividade excepcional varia em intensidade ou grau, podendo ser máxima, média e
mínima. Conforme explica Dirley da Cunha Júnior:
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“ (...) no sistema constitucional brasileiro, a eficácia retroativa das leis – a) que é sempre
excepcional; b) que jamais se presume; e c) que deve necessariamente emanar de disposição
legal expressa – não pode gerar lesão ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e à coisa
julgada” (STF, AI 244.578/RS, rel. Min. Celso de Mello, j. 23.06.1999, DJ 18.09.1999).
Neste sentido, em caso paradigmático definiu o STJ ser aplicável o novo limite de até 2% para aplicação
da multa (cláusula penal) às taxas condominiais, em conformidade com o art. 1.336 do Código Civil, às
relações constituídas sob a égide da legislação antecedente, a qual permitia a fixação de multa até o
limite de 20% ao mês (STJ, votação unânime, 3ª Turma, REsp 663.436/SP, Rel. Min. Carlos Alberto Meneses
Direito, j. 16.03.2006).
Por fim, atente-se que o art. 2.035 do Código Civil (cláusula de retroatividade mitigada) é aplicável
unicamente às relações jurídicas continuativas (obrigações de trato sucessivo). Portanto, o art. 2.035 do
Código Civil constitui regra excepcional em relação à regra do geral do art. 6º da LINDB, conforme aduz a
alternativa “D”.
E) INCORRETA: A LINDB, no art. 2º, §3, dispõe que, “salvo disposição em contrário, a lei revogada não se
restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência”. Da leitura do dispositivo, percebe-se que: (i) a primeira
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parte do dispositivo admite disposição em contrário; e (ii) a vedação de repristinação nele disposta
pressupõe uma lei revogada e uma lei revogadora. Neste diapasão, considerando-se que a mácula da
inconstitucionalidade de uma lei retira-lhe a validade ab origine, isto é, desde o início, será como se nunca
houvesse uma lei revogadora, afastando-se também a hipótese da vedação descrita no dispositivo.
Assim, a vedação refere-se apenas à repristinação automática, não havendo óbice legal à repristinação
expressa (art. 2º, §1, primeira parte, LINDB) ou à repristinação decorrente da inconstitucionalidade da
lei revogadora (art. 11, §2, L. 9.868/99), ao que se convencionou chamar de “efeito repristinatório”, com
a finalidade aclarar a distinção entre esta hipótese e a vedação do art. 2º da LINDB, conforme destaca a
ementa abaixo:
“ (...) 2. Sendo nula e, portanto, desprovida de eficácia jurídica a lei inconstitucional, decorre
daí que a decisão declaratória da inconstitucionalidade produz efeitos repristinatórios”.
(RESP 517.789/AL, 2ª T., Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. 08.06.2004)
Assim, errada a assertiva, porquanto a LINDB não afasta a repristinação do ordenamento jurídico,
impedindo apenas a sua ocorrência de forma automática.
💡💡 GABARITO: D
QUESTÃO 37. João, carpinteiro, adquiriu do fornecedor chinês ALIKAW EXPRESS 40 (quarenta) produtos
para o exercício de sua atividade profissional, fazendo-o por meio do sítio eletrônico da empresa. João
celebrou a compra utilizando-se de seu computador, dentro de sua casa, no Município de São Paulo/
SP. À luz das diretrizes da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), assinale a questão
CORRETA.
A) Para reger as obrigações entre ausentes, a LINDB adotou a lex domicili como regra.
B) Tal relação jurídica deve buscar guarida em normas de direito internacional, uma vez que a LINDB é
norma brasileira, e, portanto, não versa sobre relações jurídicas constituídas fora do território nacional.
D) A LINDB determina a aplicação da lei do local em que foi constituída a obrigação, devendo a lei
brasileira reger inteiramente a relação jurídica, porquanto constituída no Brasil.
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💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: Em relação à primeira parte, note-se que a LINDB não faz qualquer diferenciação sobre
contratos entre presentes ou entre ausentes, conforme o fez o Código Civil, entre os artigos 427 e 435. No
artigo 7º, a LINDB trata sobre a regra do Estatuto Pessoal, determinando a aplicação da lex domicili (lei
do país em que a pessoa for domiciliada) às relações envolvendo início e fim da personalidade, o nome,
a capacidade e os direitos de família. Quanto às obrigações, a LINDB determina, no art. 9º, a aplicação da
lei do local em que foram constituídas (locus regit actum), prevendo a aplicação da lei do domicílio do
contratante (lex domicili) exclusivamente e em caráter excepcional em relação aos contratos de penhor
(art. 8º, §2º, LINDB). Assim, a lex domicili não foi o critério utilizado pela LINDB para reger as obrigações.
C) CORRETA: Para reger as obrigações, sejam elas contratuais ou extracontratuais, a LINDB determina a
aplicação da lei do local em que foi a obrigação constituída, utilizando-se do critério “locus regit actum”,
vale dizer, o lugar rege o ato (art. 9º, LINDB).
Em se tratando de contratos entre pessoas domiciliadas em países diversos, contudo, haveria certa
dúvida sobre o local da constituição da obrigação, razão pela qual o §2º aclara: “a obrigação resultante
de contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente”. Assim, conforme a LINDB,
considera-se constituída a obrigação sob análise na China, país de domicílio do fornecedor, aplicando-se-
lhe a lei chinesa, conforme determina o caput do art. 9º da LINDB.
Essa admissibilidade de aplicação da lei estrangeira em território nacional reflete a adoção da teoria
da territorialidade mitigada ou temperada, isto é, a despeito da adoção do critério da territorialidade
como regra geral, admite-se a aplicação da lei estrangeira em território brasileiro em casos excepcionais,
devidamente descritos na norma.
Relembre-se, ainda, que o litigante que pretender controverter em juízo relação desta natureza, deverá
fazê-lo com fundamento na lei estrangeira, podendo ser chamado pela autoridade judicial competente
a fazer prova do texto e vigência da lei alienígena (art. 14, LINDB). A LINDB determina, além disso, que
eventuais remissões a outras leis estrangeiras não apontadas pela parte (cuja prova do texto e vigência
tenha sido feita) devem ser desconsideradas, devendo a autoridade pautar-se apenas pelo texto da lei
apresentada (art. 16, LINDB). Quanto à segunda parte da assertiva, atente-se que, acaso a lei brasileira
contenha algum requisito intrínseco para o ato, a exemplo da fixação de forma essencial do ato, esta
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deverá ser observada, não obstante a aplicação da lei estrangeira em relação a todos os outros aspectos
do negócio jurídico (art. 9º, §1º, LINDB).
Por fim, destaque-se que não produzirá efeito no Brasil esta lei estrangeira se, no caso concreto, ofender a
soberania nacional, ordem pública ou bons costumes (art. 17, LINDB), conceitos jurídicos indeterminados
que devem ser analisados pelo julgador diante das peculiaridades do negócio jurídico celebrado e da lei
estrangeira.
D) INCORRETA: A LINDB determina a aplicação da lei do local em que foi constituída a obrigação, contudo
considerou, neste caso, ser a lei chinesa o local da constituição, por ser o local de domicílio do proponente
(art. 9º, §2, LINDB), que no caso é o anunciante chinês.
E) INCORRETA: A alternativa “E” repete a redação do art. 435 do Código Civil, a qual conflita com a norma
prevista no art. 9º da LINDB. O Código Civil reputa constituído o contrato no local em que foi proposto,
enquanto a LINDB considera constituído o contrato no local do domicílio do proponente. A doutrina
explica a aparente contradição, ensinando que “ (...) para resolver a suposta antinomia, aplicando-se a
especialidade, deve-se entender que a regra do art. 435 do CC serve para os contratos nacionais; enquanto
o dispositivo da Lei de Introdução é aplicado aos contratos internacionais” (TARTUCE, Flávio. Manual de
Direito Civil. 7. ed. São Paulo: Método, 2017. p. 35).
💡💡 GABARITO: C
Meus caros alunos e minhas caras alunas do Curso CEI, é com muita alegria que iniciamos nossa trajetória
semestral no estudo para Defensorias. Ficarei responsável por conduzi-los em duas disciplinas: Direito
Processual Civil e Direitos Difusos e Coletivos (parte de processo coletivo).
Tenho muito claro para mim que o Direito Processual Civil carece de uma oxigenação constitucional, de
perspectiva humanitária, social e interdisciplinar. Mesmo com a chegada de um novo Código, em tese
mergulhado no paradigma constitucional (art. 1º), a Ciência Processual ainda aparenta estar arraigada
à mentalidade liberal, individualista e privatista de outrora, deixando de cumprir com muitos dos
compromissos políticos, jurídicos e sociais assumidos pela Carta Constitucional de 1988.
No curso, portanto, procurarei abordar toda a disciplina de Direito Processual Civil e de Direito Processual
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Coletivo a partir de uma perspectiva crítica, sem perder de vista o cotidiano e a realidade da Defensoria
Pública.
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- Conexão e continência
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arbitragem)
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partes)
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- Amicus Curiae
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- Citação e intimação
- Nulidades
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antecipado)
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- Ordem dos processos no Tribunal, precedentes (distinguishing e overrulling), IRDR, IAC, recursos
repetitivos, reclamação, ação rescisória
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- jurisdição voluntária
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- Inquérito civil
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- Ação popular
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- Improbidade administrativa
RODADA 15
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
1. Manual de Direito Processual Civil – Volume único, do Prof. Daniel Amorim Assumpção Neves, edição
2020, editora Juspodivm. Obra referência para a disciplina.
2. Manual De Direito Processual Civil - Volume Único, do Prof. Cassio Scarpinella Bueno, Edição 2019,
Saraiva. Obra mais enxuta, com linguagem clara e de fácil assimilação.
3. Manual de Prática Processual Civil para a Defensoria Pública, de autoria deste professor, Edição 2019,
Editora CEI. Obra que apresenta uma visão do Processo Civil voltada à Defensoria Pública.
4. Curso de Direito Processual Civil - v. 4 - Processo Coletivo, dos Profs. Fredie Didier Jr. e Hermes Zaneti Jr.,
Edição 2020, editora Juspodivm. Obra referência no tema, que melhor condensa o panorama atual da
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5. Curso De Processo Civil Coletivo, dos Profs. Sérgio Cruz Arenhart e Gustavo Osna, Edição 2020, editora RT.
Obra nova no mercado, com uma visão contemporânea sobre o processo coletivo.
Na nossa primeira aula em vídeo, tratarei com vocês a respeito de algumas estratégias para estudo e bom
desempenho nessas disciplinas. Um grande abraço e bons estudos!
QUESTÃO 38. Com base nas normas fundamentais do Código Processual de 2015, aponte a alternativa
correta.
D) O princípio da primazia da resolução do mérito, impõe que as partes devem agir com honestidade e
lealdade ao longo do processo, facilitando o julgamento do mérito.
💡💡 GABARITO COMENTADO
As chamadas “normas fundamentais do Processo Civil”, inseridas no Capítulo I, Título Único, Livro I, da
Parte Geral do CPC/2015, iniciam pela exortação contida no artigo 1º: “o processo civil será ordenado,
disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constituição
da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste Código”. De saída, já se verifica que
o Código Processual de 2015 foi categórico ao apontar a supremacia das normas constitucionais em seu
dispositivo inaugural. Trata-se de dogmática que revela o paradigma contemporâneo em que se insere
a Ciência Processual, abrigando a exigência de se interpretar e aplicar os institutos processuais a partir
dos direitos e garantias fundamentais estabelecidos na Constituição Federal de 1988, sintonizando-se,
portanto, em torno de uma visão constitucional do processo. Vejamos cada uma das assertivas.
A) CORRETA. O artigo 5º expressa o princípio da boa-fé processual, norma que institui um regramento
específico no plano do comportamento processual exteriorizado (leia-se: no plano objetivo), impondo
aos sujeitos processuais verdadeiros standarts de conduta, em especial os deveres de honestidade,
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probidade e lealdade. O dispositivo reprime, de outro giro, condutas que impliquem mácula à eticidade,
como o comportamento contraditório (venire contra factum proprio), a conduta maliciosa (que desafia o
exceptio doli) e o abuso de direito em benefício próprio (tu quoque). Além disso, a aplicação do princípio
da boa-fé processual valoriza a tempestividade na medida em que coíbe atos processuais protelatórios
e a resistência injustificada ao andamento do processo. Homenageia, ainda, a efetividade na medida em
que combate a prática de atos que impliquem descumprimento ou embaraço à efetivação das decisões
judiciais, assim como o já mencionado comportamento malicioso. Sua maior incidência e aplicabilidade,
porém, se dirige à dimensão da adequação da tutela jurisdicional, sobretudo em casos de convenções
processuais firmadas pelas partes a respeito de ônus, poderes, faculdades e deveres processuais ou
em matéria de procedimento (art. 190 e 191). Serve, ademais, como importante vetor-hermenêutico,
fundamental ao controle de validade das convenções processuais firmadas pelas partes (art. 190, par.
ún.).
B) INCORRETA: A garantia fundamental da duração razoável do processo está prevista no artigo 5º, inciso
LXXVIII, da Constituição Federal de 1988, o qual dispõe: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são
assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”.
Muito embora a cláusula de tempestividade processual já estivesse prevista no artigo 8.1 da Convenção
Americana de Direitos Humanos, somente com a Emenda Constitucional nº 45 de 2004 é que o axioma
respirou ares de fundamentalidade, sobretudo a partir da inclusão do inciso LXXVIII no artigo 5º da
Carta Democrática de 1988. A par de sua aplicabilidade imediata (art. 5º, § 1º, CF/88), necessário ter em
mente que a inclusão da duração razoável dentre as garantias processuais constitucionais provoca a
assunção de múltiplos deveres estatais, tais como os deveres de estruturação administrativa, adequado
gerenciamento do processo, observância dos prazos referidos em lei e atividade fiscalizatória da
tempestividade processual pelas partes. Impõe, de outra banda, uma miscelânea de posições jurídicas de
vantagem aos jurisdicionados, em especial a viabilidade da tutela reparatória por danos experimentados
em razão da dilação indevida do processo.
C) INCORRETA: Paulo Cezar Pinheiro Carneiro (2007) reconhece que o sentido da expressão “acesso à
justiça” se refere a um contexto sociocultural (Acesso à justiça: juizados especiais cíveis e ação civil pública).
Com o intuito de identificar um sentido principiológico ao tema, o autor apresenta quatro subprincípios
derivados desse núcleo essencial valorativo. São eles:
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💡💡 GABARITO: A
I) Sua única função é proteger as partes contra juízos arbitrários e secretos e, nesse sentido, se aproxima
do conteúdo do devido processo legal, como instrumento a favor da imparcialidade e independência
do órgão jurisdicional.
II) A Constituição Federal de 1988 estabelece hipóteses formais de restrição ao princípio da publicidade,
tal qual a defesa da intimidade e o interesse social.
III) Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as
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💡💡 GABARITO COMENTADO
I) INCORRETA. O princípio da publicidade, de matriz republicana, impõe que os atos jurisdicionais devem
ter como base o interesse público, atraindo a maior transparência possível. Encontra-se previsto no
ordenamento constitucional nos seguintes dispositivos:
Art. 5º, inc. LX, da CF: “LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais
quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem”;
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte”
Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o
Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:
X - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas
todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei, se o interesse público o exigir,
limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou
somente a estes.
No âmbito do CPC/2015, encontra-se previsto no artigo 189:
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os
processos:
I - em que o exija o interesse público ou social;
II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável,
filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes;
III - em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade;
IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que
a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo.
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III) CORRETA. No que toca ao princípio da motivação das decisões judiciais (art. 11), o Código Processual
materializa a garantia insculpida no artigo 93, inciso IX, da Constituição Democrática de 1988, corolário
lógico da própria concepção do Estado Democrático de Direito. Na lição da doutrina, o dever de motivação
pressupõe não apenas a explicitação dos fundamentos jurídicos e a análise da prova, mas também a
consideração dos argumentos ofertados pelas partes em atendimento ao contraditório. Neste ponto, o
CPC/2015 é categórico ao afirmar que as decisões judiciais devem ser interpretadas de acordo com a
boa-fé objetiva (art. 489, § 3º), não se considerando fundamentadas as decisões judiciais que ofendam
quaisquer das disposições do artigo 489, § 1º. Inclusive, à luz do saneamento destes vícios, a nova
codificação aperfeiçoou a sistemática do recurso de embargos de declaração em casos de obscuridade,
contradição, omissão sobre ponto que devia pronunciar-se o juiz ou tribunal ou correção de erro material
(arts. 994, inc. IV e 1022). Ademais, como preceitua o artigo 11, do Código de Processo Civil: “Nos casos de
segredo de justiça, pode ser autorizada a presença somente das partes, de seus advogados, de defensores
públicos ou do Ministério Público”. Ressalta-se, também, que o novo diploma ampliou o rol de casos em
que o processo está protegido pelo segredo de justiça, sendo encontrado o rol no artigo 189 do mesmo
diploma: “Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos: I - em
que o exija o interesse público ou social; II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio,
separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes; III - em que constem
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💡💡 GABARITO: D
QUESTÃO 40. Com base nas normas fundamentais do Código Processual de 2015, aponte a alternativa
incorreta.
B) Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum,
resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a
razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência.
C) O modelo cooperativo de processo previsto no artigo 6° do Código de Processo Civil pressupõe que
o processo se desenvolva por impulso automático, independendo de sucessivas manifestações de
vontade do interessado.
D) O princípio da cooperação pressupõe que o processo seja visto como uma “comunidade de trabalho”.
E) Segundo o STF, o direito à ampla defesa pressupõe o direito à intimação válida de todos os atos no
processo.
💡💡 GABARITO COMENTADO
B) INCORRETA. A assertiva retrata o disposto no artigo 8º do Código de Processo Civil, segundo o qual: “ao
aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando
e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a
legalidade, a publicidade e a eficiência”. A primeira parte do artigo reitera previsão constante no artigo 5° da
Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, que dispõe: “na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins
sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”. Já a parte final do dispositivo em questão revela
o fenômeno da constitucionalização do processo, ao prever expressamente os princípios da dignidade da
pessoa humana, da proporcionalidade, da razoabilidade, da legalidade, da publicidade e da eficiência.
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C) CORRETA. O enunciado versa sobre o princípio do impulso oficial, previsto no artigo 2º do CPC/2015.
Este princípio revela que, apesar de iniciado por provocação da parte, o processo desenvolve-se por
impulsão automática, independendo, portanto, de sucessivas manifestações de vontade do interessado.
Ocorre que esse princípio não é um pressuposto necessário do paradigma cooperativo. Na verdade, o
impulso oficial é temperado no processo colaborativo, sendo possível cogitar de fases procedimentais
que dependem de nova participação das partes e não do impulsionar da marcha pelo juiz. É o caso, verbi
gratia, do requerimento exigido para a inauguração da fase de cumprimento de sentença (art. 513, § 1º),
exceção expressa da nova Codificação ao princípio do impulso oficial.
D) INCORRETA. O princípio da cooperação contido no artigo 6º determina que “todos os sujeitos do processo
devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Esta
nova diretriz do processo propõe um modelo de organização processual que visa superar a velha dicotomia
público-privado, equilibrando a balança entre o publicismo e o privatismo processual. Ao magistrado, o
processo cooperativo impõe um duplo papel: paridade no diálogo com as partes e assimetria na decisão
(imparcialidade). Inaugura, ademais, uma série de deveres judiciais, como os de esclarecimento, consulta,
auxílio e prevenção em relação aos sujeitos processuais. Já em relação às partes, a diretriz cooperativa
dirige a conduta processual rumo a um desenvolvimento colaborativo, coordenando os atos encadeados
à vista de um desfecho em tempo razoável. O processo cooperativo dialoga ainda com a ideia de processo
enquanto “comunidade de trabalho”, o qual tende a eliminar com maior facilidade os óbices de cunho
formal, direcionando a energia dos sujeitos processuais para a resolução prioritária das questões de
mérito. A ideia é que as partes defendam seus interesses sem abdicar de um ponto de equilíbrio mútuo: o
desfecho justo do processo em tempo razoável.
E) INCORRETA. A garantia constitucional da ampla defesa prevista no art. 5º, inc. LV, da CF/88 condensa
o direito à defesa com todos os meios e recursos a ela inerentes, ou seja, o direito de apresentar razões,
de ter as razões consideradas, de produzir prova, de ser intimado etc. S
obre o tema, entende o STF que o
direito à ampla defesa engloba o direito à intimação válida para os atos do processo. Nesse sentido:
I. Intimação: omissão, nas intimações para julgamento de ação rescisória, dos nomes
dos patronos domiciliados na sede do Tribunal a quo, para os quais os poderes foram
substabelecidos por advogados residentes em outro Estado: invalidade do julgamento.
II. Contraditório e ampla defesa: art. 5º, LV, da Constituição: conteúdo mínimo. A garantia
constitucional da ampla defesa (CF, art. 5º, LV) tem, por si só, um conteúdo mínimo, que a
inteligência da lei não pode desconhecer: nele se inclui o da intimação válida para os atos
relevantes do processo.
STF, RE nº 431.121/SP, 1ª Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. em 28/10/04.
💡💡 GABARITO: C
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💡💡 GABARITO COMENTADO
I) CORRETA. Alinhando-se aos ditames estabelecidos no artigo 5º, caput e inciso I, da Constituição
Federal de 1988, o artigo 7º impõe a observância do princípio da isonomia processual, assegurando às
partes “paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de
defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo
contraditório”. Como se vê, a assertiva reflete o exato conteúdo do princípio em comento.
II) CORRETA. Segundo a doutrina, “havendo desigualdade entre as partes envolvidas na relação material,
é importante atuar para evitar que a assimetria jurídica contamine o processo” (TARTUCE, Fernanda.
Igualdade e vulnerabilidade no processo civil. Rio de Janeiro: Forense, 2012). Nessa linha, sempre que
a falta de igualdade fática ou concreta conduzir a uma disparidade de oportunidade processual, será
possível que o juiz atue concretamente para atender a isonomia, reequilibrando a relação processual.
III) INCORRETA. Segundo doutrina mais recente, há três formas pela qual a desigualdade pode se
manifestar no processo: i) desigualdades que atuam em relação ao processo, permeando a dimensão da
acessibilidade econômica, técnica, geográfica etc.; ii) desigualdades que atuam no processo, refletindo
posições de desequilíbrio entre os sujeitos processuais e a necessidade de adequação da técnica
processual; iii) desigualdades que atuam pelo processo, pertinentes ao seu resultado posterior, o que
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💡💡 GABARITO: C
B) Abrange o direito de influir no conteúdo das decisões judiciais, tendo seus argumentos devidamente
considerados.
E) Implica o direito de não ser surpreendido por decisão que contenha fundamento de fato ou de direito
não submetido ao diálogo prévio.
💡💡 GABARITO COMENTADO
O princípio do contraditório está previsto nos artigos 7° 9° e 10 do Código de Processo Civil de 2015,
podendo ser considerado uma das vigas-mestras da atual codificação. Atualmente, é possível cogitar de
quatro dimensões modernas desse princípio:
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Defensoria Pública Semestral
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A) CORRETA. Como visto, o princípio da boa-fé processual impõe aos participantes do processo que sua
conduta seja pautada pelo dever ético tanto em sua atuação face à parte adversa, quanto em sua atuação
face ao Estado-juiz. Neste sentido, a boa-fé cobra não só uma atividade processual honesta, proba e
confiável dos sujeitos processuais, como também do magistrado, que deve cooperar para o desfecho da
causa. A doutrina, entretanto, não iguala o conteúdo da boa-fé processual ao conteúdo do princípio do
contraditório. Cuidam de espécies normativas distintas, embora relacionadas. Daí o equívoco da assertiva.
D) INCORRETA. A assertiva cuida do aspecto formal do contraditório, resumida pela clássica noção da
bilateralidade da audiência (binômio informação-reação), o Código Processual de 2015 inovou ao
positivar sua dimensão substancial, dialogando diretamente com a diretriz cooperativa de processo e
com o princípio da boa-fé objetiva.
E) INCORRETA: Segundo o artigo 10 do Código de Processo Civil: “O juiz não pode decidir, em grau algum
de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de
se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício”. Trata-se do direito à
vedação da decisão surpresa, o qual pressupõe que as partes não podem ser surpreendidas por decisão
que contenha fundamento de fato ou de direito não submetido ao diálogo prévio, ainda que se trate de
matéria sobre a qual cumpra ao juiz decidir de ofício.
💡💡 GABARITO: A
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QUESTÃO 43. Acerca da tutela de direitos coletivos e seus fundamentos, considere as assertivas:
I) Em uma sociedade de massas, um mesmo evento pode dar origem a uma série de litígios similares,
sendo a atomização de demandas uma forma de se otimizar o julgamento e evitar a insegurança
jurídica de decisões conflitantes.
II) Segundo consagrada lição doutrinária, a tutela coletiva de direitos se caracteriza pela tutela de
direitos essencialmente transindividuais, enquanto a tutela de direitos coletivos se caracteriza pela
tutela de direitos acidentalmente transindividuais.
III) Enquanto modalidade de tutela jurisdicional diferenciada, o processo coletivo contribui para
solucionar a chamada litigiosidade contida, fenômeno que contribui para o afastamento do cidadão
comum na busca por reparações ínfimas, aumentando a instabilidade social e a desigualdade entre
ricos e pobres.
💡💡 GABARITO COMENTADO
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conflitos similares, fenômeno que a doutrina denomina de litigiosidade de massa, também denominada
litigiosidade repetitiva ou de alta intensidade. Contendo em seu núcleo questões fático-jurídicas comuns,
estes conflitos passam a exigir um novo modelo de tratamento processual, a fim de evitar a insegurança
jurídica decorrente de decisões conflitantes sobre situações idênticas. O processo coletivo surge,
portanto, como técnica processual que se propõe a solucionar adequadamente os conflitos massificados.
Migra-se, nesse aspecto, de um modelo processual de tratamento de demandas-átomo, caracterizado
pela resolução de questões fático-jurídicas singulares (ex: partilha de bens entre João e Maria), para um
modelo de demandas-molécula, caracterizado pela reunião de demandas repetitivas (ex: milhares de
consumidores lesados por um defeito de fabricação de um produto). Nesse prisma, a molecularização
dos conflitos corresponde a uma nova forma de se pensar a resolução de conflitos seriais. O termo foi
cunhado no Brasil por Kazuo Watanabe, voltando-se a avaliar a relação que se estabelece entre demandas
coletivas e individuais, assim como a necessidade de conversão das ações individuais repetitivas em ação
coletiva. Incorreta, portanto, a assertiva, já que ao invés de atomização de demandas, o que se busca em
uma sociedade de massas é a molecularização de demandas.
II) INCORRETA: a assertiva se volta a trabalhar duas das mais célebres classificações doutrinárias envolvendo
o processo coletivo brasileiro. De um lado, a lição de Barbosa Moreira acerca da transindividualidade
dos direitos se desdobra em duas vertentes. De um lado, os direitos essencialmente coletivos seriam
aqueles que ostentam uma transindividualidade real, ou seja, portam uma indivisibilidade em relação ao
objeto tutelado, não sendo possível determinar a quota-parte cabível a cada um dos membros do grupo.
Nessa ótica, só seria possível conceber um resultado uniforme para todos os envolvidos, permanecendo
o processo sujeito a uma disciplina caracterizada pela unitariedade. Já os direitos acidentalmente
coletivos despontam como interesses naturalmente individuais, ou seja, determináveis e divisíveis, mas
que por motivos de política legislativa e necessidade de chancela, acabam artificialmente dotados de
transindividualidade para fins de proteção. Neste caso, seriam admitidos resultados desiguais para os
diversos participantes da contenda, não sendo a disciplina unitária uma necessidade intrínseca. Ainda
de acordo com a classificação proposta por Barbosa Moreira, seriam essencialmente coletivos os direitos
difusos e coletivos strictu sensu e acidentalmente coletivos os direitos individuais homogêneos. A
segunda classificação trabalhada pela assertiva refere-se ao modelo de tratamento de cada espécie de
direito transindividual. Segundo Teori Zavascki, a tutela de direitos coletivos remeteria ao tratamento
judiciário destinado aos direitos essencialmente coletivos, tendo como pressuposto a indivisibilidade em
relação ao objeto protegido e o resultado uniforme da tutela jurisdicional em relação ao grupo afetado.
É o caso dos direitos difusos e coletivos strictu sensu. Já a tutela coletiva de direitos implicaria em
tratamento judiciário destinado aos direitos individuais que, em razão da homogeneidade de questões
jurídicas, seriam melhor tutelados coletivamente em termos de economia processual e segurança jurídica.
Não há, neste segundo caso, um direito de grupo envolvido, sendo o objeto divisível e seus titulares
determinados. É o caso dos direitos individuais homogêneos. Ante o exposto, novamente equivocada a
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III) CORRETA: A assertiva trabalha outras duas noções conceituais muito caras ao estudo introdutório
do processo coletivo: o processo coletivo enquanto modalidade de tutela jurisdicional diferenciada e o
fenômeno da litigiosidade contida. Considerando que o direito material pode estar submetido às mais
diversas situações no mundo dos fatos, o sistema processual deve prever instrumentos capazes de evitar,
tempestiva e oportunamente, que danos ou ilícitos sejam consumados em desfavor dos jurisdicionados,
concretizando, nessa ótica, o acesso à ordem jurídica justa. Essa exigência, aliás, impulsionou a Ciência
Processual a se debruçar sobre tutelas prestadas mediante técnicas que se distanciassem do procedimento
comum, rito previsto no CPC para lidar com conflitos intersubjetivos (Tício vs Caio). Ao contrário, o que
se objetiva é a salvaguarda de situações jurídicas coletivas, que permaneceriam à mercê de chancela
caso submetidas às regras processuais ordinárias. A doutrina convencionou denominar este modelo
de tratamento processual de tutela jurisdicional diferenciada, sobretudo por afastar-se da técnica
processual fornecida pelo procedimento comum. É possível concluir, portanto, que o processo coletivo
consubstancia modalidade de tutela jurisdicional diferenciada, pois institui técnica processual própria e
distinta do procedimento comum, a fim de conferir adequado tratamento aos conflitos coletivos. Por sua
vez, a chamada litigiosidade contida, outro termo cunhado por Kazuo Watanabe, serve à caracterização
de outro fenômeno decorrente da sociedade de massas, segundo o qual a complexidade, o custo e a
demora do processo judicial tende a afastar o cidadão comum da buscar por seus direitos, criando uma
margem de conflito não solucionada, que favorece a instabilidade social e o aumento da desigualdade,
tornando mais poderosos os detentores do poder político-econômico. Exemplo disso seria a cobrança
indevida de uma tarifa de R$0,05 centavos por instituições financeiras ou empresas telefônicas, valor que
desencorajaria o consumidor de enfrentar o espinhoso caminho de um processo judicial (streptus iudice),
favorecendo um lucro milionário às corporações. O processo coletivo serviria, assim, como um fator de
solução à litigiosidade contida, retirando do cidadão comum o ônus de acessar o Poder Judiciário por
causas infimamente consideradas, mas que, no plano coletivo, atrairiam vasto interesse social.
💡💡 GABARITO: C
QUESTÃO 44. A respeito da teoria geral do processo civil coletivo, assinale a alternativa incorreta:
A) O processo coletivo foi responsável pela relativização da summa divisio “público-privado”, criando
uma categoria intermediária de direitos protegidos, estes pertencentes à coletividade.
C) O princípio da inafastabilidade de jurisdição (art. 5º, inc. XXXV) foi responsável por universalizar a
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proteção de direitos coletivos no país, expandindo a proteção original taxativamente prevista na Lei
de Ação Civil Pública.
E) Prevista originalmente na Constituição Federal de 1934, a ação popular foi o primeiro instrumento
processual voltado à tutela de direitos transindividuais no ordenamento jurídico brasileiro.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: a summa divisio público-privado, herdada do Direito Romano, estabelece uma distinção
de tratamento entre as relações indivíduo-indivíduo e indivíduo-Estado. A partir dessa ideia, sempre se
sustentou a existência de um interesse público ligado às relações estatais e um interesse privado ligado
às relações particulares. O interesse público, por sua vez, se subdividiria em primário, voltado a atender o
bem jurídico geral (interesse da coletividade), e secundário, representando o interesse da Administração
Pública. Exemplificando, enquanto a instalação de uma ponte para favorecer a mobilidade social implicaria
atendimento ao interesse público primário, a majoração de um tributo para melhorar a arrecadação da
receita municipal implicaria atendimento ao interesse público secundário. Com o aparecimento dos direitos
transindividuais, porém, ocorre aquilo que a doutrina denomina de relativização ou temperamento da
dicotomia público-privado, uma vez que os direitos coletivos erguem-se enquanto terceira via (tertium
genus) entre o interesse público e o privado. Desta feita, a divisão passa a ser insuficiente para justificar
interesses compartilhados comunitariamente, os quais estariam situados em uma zona intermediária,
pertencendo a toda sociedade. Registre-se o entendimento de alguns autores que situam os interesses
transindividuais como modalidade de interesse público primário.
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dualidade de jurisdição ou sistema francês (jurisdição contenciosa administrativa vs. jurisdição comum),
na qual os conflitos envolvendo interesses legítimos estariam vinculados à jurisdição administrativa,
gozando de uma proteção inferior à oferecida aos direitos subjetivos. No Brasil, a classificação é imprópria
em razão da adoção por aqui do princípio da unidade de jurisdição ou sistema inglês (jurisdição comum
é capaz de conhecer litígios públicos, privados, individuais ou coletivos). Logo, tanto os direitos subjetivos
quanto os interesses legítimos estariam abrangidos pelo direito fundamental à tutela jurisdicional. Pode-
se concluir, portanto, que o CDC usa os termos como sinônimos (direito = interesse).
C) INCORRETA: Um dos grandes marcos legislativos do processo coletivo brasileiro se deu com a edição
da Lei n° 7.347/1985, a qual instituiu o principal instrumento de tutela de direitos coletivos em âmbito
nacional: a ação civil pública. Com o advento da Lei n° 7.347/1985 passou-se a observar uma regulação
específica dos institutos processuais, rompendo em grande medida com a estrutura liberal-individualista
do processo civil de outrora, então voltado à proteção de direitos patrimoniais. A grande questão é que,
em sua origem, a Lei de Ação Civil Pública previa um rol taxativo de objetos tutelados, destacando-se
apenas a proteção do meio ambiente, do consumidor e do patrimônio público. A Constituição Federal
de 1988, por sua vez, universalizou a tutela dos direitos transindividuais, ao incluir expressamente os
“direitos coletivos” no Capítulo I do Título II (Dos Direitos e Garantias Fundamentais), inserindo também
uma cláusula-geral de inafastabilidade de jurisdição no inciso XXXV do artigo 5°, voltada a fazer atuar a
jurisdição diante de qualquer “lesão ou ameaça a direito” (individual ou coletivo).
D) CORRETA: em relação ao objeto, Gregório Assagra de Almeida divide o processo coletivo em comum
e especial. O processo coletivo comum seria voltado à tutela de situações jurídicas coletivas subjetivas.
É o caso das ações que compõem o microssistema processual coletivo brasileiro. Já o processo
coletivo especial seria voltado à tutela do direito objetivo no plano abstrato. É o caso das ações que
compõem o controle concentrado de constitucionalidade. Segundo o autor, como os efeitos destas ações
constitucionais seriam erga omnes, estas não deixariam de veicular uma pretensão em favor de toda a
coletividade, ainda que de forma abstrata. A título ilustrativo, o processo coletivo comum abrangeria a ação
civil pública, a ação popular, o mandado de segurança coletivo, a ação de improbidade administrativa,
o mandado de injunção coletivo, o habeas data coletivo e, mais recentemente, o habeas corpus coletivo.
Já o processo coletivo especial englobaria a ação direta de inconstitucionalidade, a ação declaratória de
constitucionalidade, a ação direta de inconstitucionalidade por omissão e a ação de descumprimento
de preceito fundamental. A assertiva está equivocada, portanto, já que confunde os conceitos antes
demonstrados.
E) INCORRETA: Historicamente, a Lei de Ação Popular (Lei n° 4.717/1965) foi o primeiro instrumento
legislativo a canalizar a tutela de direitos transindividuais no cenário jurídico nacional, mais precisamente
dos chamados direitos difusos. Prevista originalmente na Constituição Federal de 1934 (art. 113, item
38), a ação popular atribuía legitimidade ao cidadão para pleitear a declaração de nulidade ou anulação
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dos atos lesivos ao patrimônio público. Suprimida posteriormente pela Constituição Federal de 1937, ela
ressurge com a Constituição Federal de 1946 (art. 141, § 38), obtendo plena regulamentação jurídica com
a edição da Lei n° 4.717/1965.
💡💡 GABARITO: D
QUESTÃO 45. Acerca do movimento pelo acesso à justiça, das dimensões dos direitos humanos e do
processo coletivo, julgue as assertivas a seguir:
I) Na obra “O acesso à justiça” (1976), Cappelletti e Garth apontam a impraticabilidade de defesa dos
direitos individuais homogêneos pelo processo civil tradicional como um dos obstáculos ao acesso à
justiça.
II) Nos estudos de Direito Comparado, os direitos transindividuais foram inicialmente enquadrados
como direitos humanos de terceira dimensão, pertencentes a toda a coletividade, a exemplo do que
ocorre com a tutela do meio ambiente sadio.
III) O processo coletivo constitui ramo autônomo do Direito Processual, situado historicamente na
terceira onda renovatória de acesso à justiça, a qual tem por objeto a tutela de direitos transindividuais.
💡💡 GABARITO COMENTADO
I) INCORRETA: No fim da década de 70, os professores Mauro Cappelletti, Bryant Garth e Earl Johnson Jr.,
promoveram um estudo comparado e mutidisciplinar procurando responder como as pessoas acessavam
à justiça no mundo jurídico ocidental. Como lembra a doutrina:
“Durante a segunda metade do século XX, houve um amplo movimento de expansão dos
modelos jurídico assistenciais, especialmente nas principais democracias industrializadas
do ocidente. Continente após continente, nação após nação, o mundo testemunhou avanços
enternecedores no âmbito da assistência jurídica aos carentes e necessitados.
Em 1975, Mauro Cappelletti, James Gordley e Earl Johnson Jr. desenvolveram uma notável
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II) CORRETA: Como de sabença geral, os direitos humanos foram classicamente divididos em três
dimensões: a) direitos humanos de primeira dimensão, de inspiração liberal, versando essencialmente
sobre a autonomia e a defesa da liberdade individual e a limitação da interferência estatal na vida
privada (non facere), podendo-se apontar como espécies os direitos civis (liberdade-autonomia) e os
direitos políticos (liberdade-participação); b) direitos humanos de segunda dimensão, representados
pelos direitos sociais, econômicos e culturais, desafiadores de medidas intervencionistas e ações
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afirmativas concretas do Estado (facere), tendo como meta a igualdade material; c) direitos humanos de
terceira dimensão, estes pertencentes a toda a humanidade, materializando o valor da solidariedade e
fraternidade, do qual seriam espécies os direitos essencialmente transindividuais, em especial os direitos
difusos. Logo, correta a assertiva.
III) INCORRETA: Como visto na explicação da assertiva I, o “Projeto Florença” identificou as barreiras
enfrentadas pelos cidadãos comuns na tentativa de acessar a justiça, propondo, a partir destes obstáculos,
um enfoque metodológico de reforma para sua superação. Ocorre que, no relatório conclusivo, Cappelletti
e Garth destinaram a segunda onda renovatória – e não a terceira – à representação dos direitos difusos,
dela se extraindo as preocupações ulteriores que contribuíram para a formação do Direito Processual
Coletivo. Incorreta, portanto, a assertiva.
💡💡 GABARITO: B
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D) Quanto ao dano ambiental, é admitida a condenação do réu à obrigação de fazer ou à de não fazer
cumulada com a de indenizar.
💡💡 GABARITO COMENTADO
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do consumo sustentável no seu art. 6º, V, ao estabelecer, como princípio geral da PNRS: “a ecoeficiência,
mediante a compatibilização entre o fornecimento, a preços competitivos, de bens e serviços qualificados
que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida e a redução do impacto ambiental
e do consumo de recursos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação
estimada do planeta”.
A responsabilidade pós-consumo ou responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, por
sua vez, é conceituada pelo diploma referido (art. 3º, XVII), como o “conjunto de atribuições individualizadas
e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos
titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o
volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde
humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos”.
A Lei 12.305/2010, por sua vez, regulamenta a responsabilidade compartilhada de forma detalhada nos
seus arts. 30 a 36. A título de exemplo, o diploma estabelece, no seu art. 33 o mecanismo da logística
reversa, atribuindo responsabilidade específica dos fornecedores (em sentido amplo): Art. 33. São
obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após
o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos
resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de: I - agrotóxicos, seus
resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo
perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento,
em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, ou em normas técnicas; II - pilhas
e baterias; III - pneus; IV - óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; V - lâmpadas fluorescentes, de
vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; VI - produtos eletroeletrônicos e seus componentes.
D) CORRETA: inspirado no princípio da reparação integral, o STJ tratou de editar a Súmula n. 629,
seguindo entendimento jurisprudencial consolidado sobre o tema. SÚMULA N. 629 DO STJ: Quanto ao
dano ambiental, é admitida a condenação do réu à obrigação de fazer ou à de não fazer cumulada com a
de indenizar”.
E) CORRETA: não se aplica em hipótese alguma a denominada teoria do fato consumado em tais situações,
como vimos anteriormente, conforme expressamente consagrado em Súmula 613 do STJ que preceitua:
“não se admite a aplicação da teoria do fato consumado em tema de Direito Ambiental”. Segundo
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decisão do STJ sobre o tema, “não é possível a aplicação da Teoria do Fato Consumado à hipótese de
ocupação e edificação em Área de Preservação Permanente. Isso porque os deveres associados às Áreas
de Preservação Permanente têm natureza de obrigação propter rem, isto é, aderem ao título de domínio
ou posse e jamais podem ser mitigados sob o manto da teoria do fato consumado. O novo proprietário
titulariza o ônus de manter a plenitude do ecossistema protegido, sendo responsável pela recuperação,
ainda que não tenha contribuído para o desmatamento ou destruição”. Na hipótese, cabe frisar, não há
a caracterização de responsabilidade solidária entre o antigo e o atual proprietários ou possuidores do
imóvel, mas apenas a responsabilidade objetiva do atual de reparar integralmente o dano ambiental. É
inadmissível, portanto, o chamamento ao processo do antigo possuidor ou proprietário do imóvel em
eventual ação civil pública proposta pelo Ministério Público que vise a reparação civil do dano ecológico
perpetrado.
💡💡 GABARITO: C
QUESTÃO 47. De acordo com a jurisprudência do STF acerca da judicialização do direito à saúde,
assinale a alternativa correta:
B) A ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não impede, como regra
geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial.
D) As ações que demandem fornecimento de medicamentos sem registro na ANVISA podem ser
propostas em face de qualquer dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios)
por força da responsabilidade solidária existente entre todos na matéria.
💡💡 GABARITO COMENTADO
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A) INCORRETA: O Plenário do STF decidiu que “O Estado não pode ser obrigado a fornecer medicamentos
experimentais”. STF. Plenário. RE 855178 ED/SE, rel. orig. Min. Luiz Fux, rel. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
julgado em 23/5/2019 (Info 941).
B) INCORRETA: O Plenário do STF decidiu que “A ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) impede, como regra geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial.”. STF.
Plenário. RE 855178 ED/SE, rel. orig. Min. Luiz Fux, rel. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2019
(Info 941).
D) INCORRETA: O Plenário do STF decidiu que “As ações que demandem fornecimento de medicamentos
sem registro na Anvisa deverão necessariamente ser propostas em face da União”. STF. Plenário. RE
855178 ED/SE, rel. orig. Min. Luiz Fux, rel. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2019 (Info 941).
E) INCORRETA: O Plenário do STF decidiu que “Os entes da Federação, em decorrência da competência
comum, são solidariamente responsáveis nas demandas prestacionais na área da saúde e, diante dos
critérios constitucionais de descentralização e hierarquização, compete à autoridade judicial direcionar
o cumprimento conforme as regras de repartição de competências e determinar o ressarcimento a quem
suportou o ônus financeiro”. STF. Plenário. RE 855178 ED/SE, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min.
Edson Fachin, julgado em 23/5/2019 (Info 941).
💡💡 GABARITO: C
A) A teoria maximalista estabelece uma interpretação extensiva do conceito de consumidor, o qual seria
toda a pessoa física ou jurídica na condição de destinatário fático, ou seja, que retira do mercado de
consumo ou cadeia produtiva o produto ou serviço, independentemente se o propósito seja satisfazer
necessidades próprias ou profissionais.
B) A teoria finalista ou subjetiva que estabelece uma interpretação restritiva do conceito, de modo
que o consumidor seria toda pessoa física ou jurídica na condição de destinatário fático e econômico,
ou seja, que retira do mercado de consumo ou cadeia produtiva o produto ou serviço para consumi-
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lo, suprindo uma necessidade própria e não havendo, portanto, a reutilização ou reingresso dele no
processo produtivo, seja na revenda, no uso profissional ou em outra forma indireta.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: Para a teoria maximalista, que estabelece uma interpretação extensiva do conceito, o
consumidor seria toda a pessoa física ou jurídica na condição de destinatário fático, ou seja, que retira do
mercado de consumo ou cadeia produtiva o produto ou serviço, independentemente se o propósito seja
satisfazer necessidades próprias ou profissionais. Por exemplo, o advogado ou médico, na condição de
profissionais liberais, que adquirem computador para desempenhar o seu labor profissional enquadram-
se na condição jurídica de consumidor.
B) CORRETA: No tocante à teoria finalista ou subjetiva que estabelece uma interpretação restritiva do
conceito, de modo que o consumidor seria toda pessoa física ou jurídica na condição de destinatário
fático e econômico, ou seja, que retira do mercado de consumo ou cadeia produtiva o produto ou serviço
para consumi-lo, suprindo uma necessidade própria e não havendo, portanto, a reutilização ou reingresso
dele no processo produtivo, seja na revenda, no uso profissional ou em outra forma indireta, conforme
posição adotada pela 2ª Seção do STJ.
“RECURSO ESPECIAL. CIVIL. SEGURO EMPRESARIAL. (...) PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO DA PRÓPRIA PESSOA
JURÍDICA. DESTINATÁRIA FINAL DOS SERVIÇOS SECURITÁRIOS. RELAÇÃO DE CONSUMO. CARACTERIZAÇÃO.
INCIDÊNCIA DO CDC. COBERTURA CONTRATUAL CONTRA ROUBO/FURTO QUALIFICADO. OCORRÊNCIA DE
FURTO SIMPLES. INDENIZAÇÃO DEVIDA. CLÁUSULA CONTRATUAL ABUSIVA. FALHA NO DEVER GERAL DE
INFORMAÇÃO AO CONSUMIDOR. 1. (...) 2. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou
utiliza, como destinatário final, produto ou serviço oriundo de um fornecedor. Por sua vez, destinatário
final, segundo a teoria subjetiva ou finalista, adotada pela Segunda Seção desta Corte Superior, é aquele
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que última a atividade econômica, ou seja, que retira de circulação do mercado o bem ou o serviço para
consumi-lo, suprindo uma necessidade ou satisfação própria, não havendo, portanto, a reutilização ou
o reingresso dele no processo produtivo. Logo, a relação de consumo (consumidor final) não pode ser
confundida com relação de insumo (consumidor intermediário). 3. Há relação de consumo no seguro
empresarial se a pessoa jurídica o firmar visando a proteção do próprio patrimônio (destinação pessoal),
sem o integrar nos produtos ou serviços que oferece, mesmo que seja para resguardar insumos utilizados
em sua atividade comercial, pois será a destinatária final dos serviços securitários. Situação diversa seria
se o seguro empresarial fosse contratado para cobrir riscos dos clientes, ocasião em que faria parte dos
serviços prestados pela pessoa jurídica, o que configuraria consumo intermediário, não protegido pelo
CDC. 4. A cláusula securitária a qual garante a proteção do patrimônio do segurado apenas contra o
furto qualificado, sem esclarecer o significado e o alcance do termo “qualificado”, bem como a situação
concernente ao furto simples, está eivada de abusividade por falha no dever geral de informação da
seguradora e por sonegar ao consumidor o conhecimento suficiente acerca do objeto contratado. Não
pode ser exigido do consumidor o conhecimento de termos técnico-jurídicos específicos, ainda mais a
diferença entre tipos penais de mesmo gênero. 5. Recurso especial provido”. (STJ, REsp 1.352.419/SP, 3º
Turma, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 19.08.2014).
C) INCORRETA: A jurisprudência do STJ, após consolidar teoria finalista como verificado anteriormente,
evoluiu para admitir uma certa mitigação da teoria finalista na hipótese em que, embora não verificada
a condição de destinatário final, constata-se a vulnerabilidade do consumidor profissional ante o
fornecedor. PASSAGEM DO VOTO DO MINISTRO SANSEVERINO NO JULGAMENTO DO RESP 1.442.674/PR
SOBRE A EVOLUÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ E CONSOLIDAÇÃO DA “TEORIA FINALISTA ATENUADA
OU MITIGADA” “A condição de destinatário final de um bem ou serviço constitui a principal limitação
estabelecida pelo legislador para a fixação do conceito de consumidor e, consequentemente, para a
própria incidência do CDC como lei especial. Há necessidade, assim, de se estabelecer o alcance dessa
expressão, que constitui o elemento teleológico dessa definição. Considera-se destinatário final aquele
que, no ato de consumir, retira o bem do mercado. Discute-se acerca da situação dos profissionais
(comerciantes, profissional liberais, industriais etc.), que, adquirindo determinados bens para utilização
em sua atividade produtiva, enquadram-se no conceito econômico de destinatários finais (aquisição de
máquinas de escrever para o escritório, de veículos para o transporte de pessoas da empresa). Formaram-
se duas correntes na doutrina nacional em torno da interpretação dessa expressão e, por consequência,
da própria extensão do conceito de consumidor: os finalistas e os maximalistas. A corrente finalista,
formada pelos pioneiros do consumerismo no Brasil, na busca de uma interpretação restritiva do conceito
de consumidor, sustenta que a expressão “destinatário final” deve ser analisada teleologicamente, em
confronto com os princípios básicos do CDC elencados nos artigos 4º e 6º, abrangendo apenas aquele
que seja vulnerável e hipossuficiente. Assim, somente o destinatário fático e econômico do bem pode
ser considerado destinatário final, ficando excluídos os profissionais. A corrente maximalista optou por
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uma interpretação extensiva do conceito de consumidor a partir da constatação de que o CDC surgiu
como o novo regulamento do mercado de consumo brasileiro, não sendo editado apenas para proteger
o consumidor não-profissional. Seus seguidores enfatizam que o conceito de destinatário final do art.
2º é objetivo, atingindo todo o destinatário fático do bem, que o retira do mercado, não importando a
utilidade ou a finalidade desse ato econômico de consumo, como o advogado que adquire uma máquina
de escrever para seu escritório. O objetivo inicial do legislador foi, efetivamente, restringir o campo de
incidência da lei especial, já que o CDC é um microssistema normativo cuja finalidade primordial é conferir
uma proteção efetiva ao consumidor final, como parte mais vulnerável da cadeia de consumo. Em uma
sociedade de relações massificadas, há necessidade de reequilíbrio da relação de consumo, exigindo
a instituição de regras nitidamente protetivas dessa heterogênea categoria econômica e cumprindo a
exigência constitucional de edição de uma lei de defesa do consumidor. Porém, o legislador não perdeu
de vista que o CDC representou, também, por ricochete, um instrumento de oxigenação do direito privado,
positivando em lei novos princípios e institutos que a doutrina e a jurisprudência vinham desenvolvendo
há vários anos, sendo reivindicados para renovação do sistema. Basta observar que, há mais de duas
décadas, tramitava no Congresso Nacional o Projeto de Código Civil, que contém uma série de novos
institutos e que culminaram por ser antecipadamente positivados pelo CDC. Desse modo, algumas normas
do CDC deixaram de ser apenas de interesse restrito do grupo sócio-econômico dos consumidores, mas
de toda a coletividade. Em certas situações, o próprio legislador ampliou o conceito de consumidor para
determinadas hipóteses regulamentadas pelo CDC que, a rigor, não seriam relações de consumo. O artigo
2º, em seu parágrafo único, já deixou claro que “equipara-se ao consumidor a coletividade de pessoas,
ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.” Na regulamentação da
proteção contratual, a constatação de que as novas normas constituíam a regulamentação de situações
presentes em diversos outros contratos, que não eram de consumo, especialmente os estandardizados,
motivou a edição da norma do artigo 29 do CDC. Essa norma estendeu as regras de proteção contratual a
todas as pessoas expostas às práticas comerciais previstas na legislação do consumidor (artigos 30 a 54
do CDC). Essa matéria gerou forte divergência na jurisprudência do STJ. Até meados de 2004, a Terceira
Turma adotava a posição maximalista, enquanto que a Quarta Turma seguia a corrente finalista, conforme
levantamento transcrito no voto-vista da Ilustre Ministra Nancy Andrighi no CC nº 41.056/SP, julgado pela
2ª Seção em 23.06.2004. Em 10/11/2004, a Segunda Seção, no julgamento do Resp nº 541.867/BA, Rel. p/
Acórdão o Ilustre Min. Barros Monteiro, acabou por firmar entendimento centrado na teoria subjetiva ou
finalista, posição hoje consolidada no âmbito desta Corte.
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Efetivamente, o conceito básico de consumidor estatuído pelo art. 2º do CDC possui como nota
característica o enquadramento fático do hipossuficiente ou vulnerável da relação como destinatário final
de um produto ou serviço. Nitidamente o legislador brasileiro optou por um conceito subjetivo polarizado
pela finalidade almejada pelo consumidor no ato do consumo (destinação final do produto ou serviço).
Ou seja, a condição de destinatário final de um bem ou serviço constitui a principal limitação estabelecida
pelo legislador para a fixação do conceito de consumidor e, consequentemente, para a própria incidência
do CDC como lei especial. A jurisprudência, posteriormente, evoluiu para admitir uma certa mitigação da
teoria finalista na hipótese em que, embora não verificada a condição de destinatário final, constata-se
a vulnerabilidade do consumidor profissional ante o fornecedor. Nesse sentido, confiram-se os seguintes
julgados que evidenciam a posição atual desta Corte acerca da matéria: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE
DIVERGÊNCIA. CONCEITO DE CONSUMIDOR. INCIDÊNCIA DO CDC. PESSOA JURÍDICA. FINALISMO MITIGADO.
VULNERABILIDADE. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. 1. Hipótese em
que, em verdade, não há divergência entre os acórdãos comparados, pois todos aplicam a teoria finalista
mitigada, que admite a incidência do CDC, ainda que a pessoa física ou jurídica não sejam tecnicamente
destinatárias finais do produto ou do serviço, quando estejam em situação de vulnerabilidade diante do
fornecedor. 2. Entretanto, no acórdão embargado, a Primeira Turma afirmou que a hipótese é de “ausência
de demonstração de vulnerabilidade” da pessoa jurídica agravante (fls. 1.446-1.447). A reforma dessa
conclusão pressupõe novo julgamento do Recurso Especial, com análise detida do acórdão recorrido, o
que não pode ser obtido por esta via. 3. Haveria divergência se os paradigmas indicados afirmassem que,
para a incidência do regime protetivo do CDC, seria dispensável a análise da situação de vulnerabilidade
da pessoa jurídica sempre que se tratar de serviço público essencial. Em nenhum deles, contudo, está
assentada essa tese. 4. Agravo Regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1.331.112/SP, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, CORTE ESPECIAL, julgado em 03/12/2014, DJe 02/02/2015)’
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em face do que dispõe a Súmula 7/STJ. Precedentes. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no AREsp 426.563/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 03/06/2014,
DJe 12/06/2014) No caso em tela, não se aplica a referida mitigação da teoria finalista, pois a autora da
demanda sequer alegou a sua vulnerabilidade perante a empresa demandada. Com efeito, sob a ótica da
teoria finalista, seria o caso de analisar se a contratante do serviço de transporte de carga é destinatária
final fática e econômica desse serviço. Contudo, uma vez que a carga transportada é insumo, o contrato
celebrado para o transporte desse insumo fica vinculado a essa destinação, não havendo necessidade de
se perquirir acerca da destinação econômica do serviço de transporte. (...)” (STJ, REsp 1.442.674/PR, 3ª
Turma, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 07.03.2017).
Um exemplo clássico é o carona de um veículo que sofre acidente em razão de defeito de fabricação nos
freios. Assim como o proprietário do veículo, também vitimado pelo acidente, o seu amigo ou familiar que
havia pegado carona naquele dia – e que não tem manteve qualquer relação jurídica de consumo prévia
com a concessionária que vendeu o veículo – também é equiparado à condição jurídica de consumidor
e pode servir-se do regime jurídico mais protetivo estabelecido pelo CDC. A mesma proteção jurídica
também alcançaria o pedestre atingido por um pneu que se desprendesse do veículo em decorrência
de defeito de fábrica. O amigo carona e o pedestre atingido pelo pneu são o chamado pela doutrina de
“consumidores bystander” (a expressão significa, em português, transeunte, espectador).
E) CORRETA: CDC: Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas
as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas. A título de exemplo, todas as pessoas
(determináveis ou não) expostas às práticas de publicidade enganosa ou abusiva, independentemente
de terem adquirido algum produto ou contratado qualquer serviço, equiparam-se aos consumidores no
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💡💡 GABARITO: C
🏳🏳 DIREITO EMPRESARIAL
QUESTÃO 49. Acerca do conceito de empresário adotado pelo ordenamento jurídico pátrio assinale a
resposta correta:
II – Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária
ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão
constituir elemento de empresa.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: Efetivamente o teor da assertiva I está correto, mas não é apenas tal item que está correto
em nossa questão. O conceito de empresário é de suma importância nas provas de empresarial, por isso o
candidato precisa ter em mente a redação do art. 966, caput e seu parágrafo único. De acordo com o caput
do art. 966: “considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada
para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”. Assim, a assertiva I traz a literalidade do art. 966,
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caput, do CC, razão pela qual tal item está sim correto, mas não é o único item correto, conforme veremos
a seguir.
B) INCORRETA: Efetivamente o teor da assertiva II está correto, mas não é apenas tal item que está
correto em nossa questão, conforme já analisamos acima. No que diz respeito a assertiva II ela consagra
a previsão legal contida expressamente no art. 966, parágrafo único, do CC, a qual dispõe que: “não se
considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda
com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de
empresa.”. Assim sendo, a letra B está incorreta, pois não é apenas a assertiva II a correta em nossa questão.
C) INCORRETA: O teor contido na assertiva III está equivocado. De acordo com expressa determinação legal
do art. 967 do CC: “É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da
respectiva sede, antes do início de sua atividade”. Assim, a assertiva ao mencionar que tal inscrição na
Junta Comercial seria apenas “facultativa” contraria expressa previsão legal. Vale destacar que, apenas o
empresário rural goza de tal facultatividade no que tange ao registro de seus atos constitutivos na Junta
Comercial, conforme se depreende da leitura do art. 971 do CC: “Art. 971. O empresário, cuja atividade
rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus
parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que,
depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.”. Em suma, os
empresários são obrigados a efetuarem a inscrição de seus atos constitutivos na Junta Comercial, exceto
os empresários rurais que poderão optar por realizar (ou não) tal inscrição perante a Junta Comercial.
💡💡 GABARITO: E
QUESTÃO 50. No que diz respeito a capacidade para o exercício de atividade empresária assinale a
alternativa correta:
A) Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil, ainda
que sejam legalmente impedidos.
D) Somente mediante prévia autorização judicial, poderá o incapaz, por meio de representante ou
devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou
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E) Ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou
da interdição, devendo tais fatos constar do alvará que conceder a autorização para a continuidade da
atividade empresária.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: O tema da capacidade para ser empresário é muito explorado por examinadores, sobretudo
em provas objetivas, tendo em vista a grande quantidade de artigos sobre o tema, sendo de extrema
importante a leitura dos arts. 972/980. A redação contida na letra A viola a disposição legal contida no
art. 972 do CC, segundo a qual podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno
gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. Dessa forma, algumas pessoas – ainda que
absolutamente capazes- são consideradas impedidas de serem empresários, como por exemplo, o falido.
B) INCORRETA: A letra B está equivocada, na medida em que, apesar de o legalmente impedido ser
proibido de praticar atividade empresária, se este assim proceder deverá sim arcar pessoalmente com as
obrigações sociais ali contraídas, sob pena de privilegiar aquele que agiu em contrariedade com a lei. Por
essa razão, o art. 973 do CC estabelece que a pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de
empresário, se a exercer, responderá pelas obrigações contraídas.
C) INCORRETA: Com o advento do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei n. 13.146/15), ocorreu
significativa alteração no sistema das capacidades do CC/02. Dessa forma, a pessoa com necessidades
especiais passou a ser considerada plenamente capaz (absolutamente capaz). Tal alteração legislativa é
importantíssima para fins da capacidade para ser empresário, na medida em que o art. 972 do CC exige
plena capacidade civil para ser empresário. Dessa forma, como em regra a pessoa com deficiência será
considerada plenamente capaz, também possuirá plena capacidade para ser empresário. A única exceção
será no caso de decretação de curatela, quando o juiz determinar especificamente que àquela pessoa
com deficiência não possui condições de exprimir sua vontade para o exercício da atividade empresária,
seja por causa transitória ou permanente, nos termos do art. 4º, III, do CC.
D) CORRETA: O teor da letra D está correto – não descarte uma assertiva apenas por ela conter expressões
como “somente” “apenas” “sempre”. Realmente devemos redobrar nossa atenção diante de tais
expressões, porém, isso não significa que devemos eliminá-las. O art. 974, caput e §1º, do CC estabelecem
que poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes
exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança, desde que precedido de
autorização judicial, após exame das circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência
em continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes
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legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros.
E) INCORRETA: De acordo com o art. 974, §2º, do CC NÃO ficam sujeitos ao resultado da empresa os
bens que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde que estranhos ao acervo
daquela, devendo tais fatos constar do alvará que conceder a autorização. Em outras palavras, quando o
juiz autorizar um incapaz a continuar a exercer atividade empresária, o patrimônio pessoal que o incapaz
possuía antes do ato de sucessão ou interdição não responderá por eventuais dívidas sociais. Tal previsão
tem como objetivo proteger o patrimônio pessoal do incapaz.
💡💡 GABARITO: D
QUESTÃO 51. Três amigos — Flávio, Igor e Caio — formaram uma sociedade para exercer atividade
empresarial de floricultura. Redigiram um contrato social, mas não providenciaram a inscrição no
registro próprio. A atividade não foi bem e vários clientes, sentindo-se prejudicados, procuraram a
Defensoria Pública, pretendendo ser ressarcidos de valores que pagaram antecipadamente por
contratos inadimplidos. Conforme relato dos clientes, os contratos eram firmados pelo sócio Flávio,
em nome da floricultura. A defensoria ajuizou as ações cabíveis.
A) A referida sociedade empresária constituída por Flávio, Igor e Caio pode ser classificada como
“sociedade em comum”.
B) Os sócios respondem de forma ilimitada e solidária pelas obrigações sociais, devendo ser excluído
do benefício de ordem apenas Flávio, eis que, mesmo em se tratando de uma sociedade em comum,
ela possui patrimônio especial (afetação).
C) Como o contrato social da floricultura não foi inscrito no registro próprio, Flávio não poderá usá-lo
como prova de responsabilidade dos demais sócios.
D) Com exceção de Flávio, os demais sócios poderão pleitear que seus bens particulares só sejam
executados por dívidas da sociedade depois de executados os bens sociais.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: São sociedades não personificadas: sociedade em comum (arts. 986 a 990 do CC) e sociedade
em conta de participação (arts. 991 a 996 do CC). As sociedades em comum subdividem-se em: sociedade
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de fato (não há documento entre os sócios) e irregular (há documento escrito, mas não há o respectivo
registro no órgão competente). De acordo com o art. 986 do CC – o qual trata especificamente sobre a
sociedade em comum - “enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, exceto por
ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, subsidiariamente e no que com ele
forem compatíveis, as normas da sociedade simples.”. Dessa forma, a sociedade empresária que possui
ato constitutivo, contudo, ainda não foi devidamente inscrita na Junta Comercial é considerada uma
sociedade existente, porém, “irregular” (sociedade em comum), por essa razão o art. 990 do CC preconiza
que na sociedade em comum todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações
sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.
B) CORRETA: Com efeito, nas sociedades em comum, a responsabilidade dos sócios é ilimitada e solidária,
com benefício de ordem (salvo o sócio que contratou o negócio – no caso concreto: Flávio), bem como os
sócios são titulares em comum dos bens e das dívidas (patrimônio especial em comum), consoante os
artigos 998 e 1.024, ambos do CC/2002. Existe patrimônio especial em comum dos sócios, caracterizado
pelos bens afetados ao exercício da atividade e pelas dívidas dela decorrentes, conforme art. 988 do
Código Civil e o Enunciado 210 do CJF, a seguir. “Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio
especial, do qual os sócios são titulares em comum.” “Enunciado 210 CJF – Art. 988: O patrimônio especial
a que se refere o art. 988 é aquele afetado ao exercício da atividade, garantidor de terceiro, e de titularidade
dos sócios em comum, em face da ausência de personalidade jurídica.”
C) INCORRETA: A assertiva está em desacordo com o art. 987 do Código Civil, já que o contrato social,
ainda que não inscrito na junta comercial, é prova escrita da existência da sociedade. “Art. 987. Os sócios,
nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas
os terceiros podem prová-la de qualquer modo.”
D) CORRETA: De acordo com o art. 990 do Código Civil, que trata das sociedades em comum, c/c art.
1.024, e enunciado 212 do CJF, a seguir. “Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente
pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou
pela sociedade. (...) Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas
da sociedade, senão depois de executados os bens sociais.” “Enunciado 212 do CEJ – Art. 990: Embora a
sociedade em comum não tenha personalidade jurídica, o sócio que tem seus bens constritos por dívida
contraída em favor da sociedade, e não participou do ato por meio do qual foi contraída a obrigação, tem
o direito de indicar bens afetados às atividades empresariais para substituir a constrição.”
E) CORRETA: De acordo com expressa previsão legal contida no art. 986 do CC, subsidiariamente, as
sociedades em comum são regidas pelas normas das sociedades simples.
💡💡 GABARITO: C
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QUESTÃO 52. Na perspectiva do acesso à justiça, Cappelletti mapeou problemas relacionados ao tempo
e aos custos do processo como obstáculos ao acesso. A partir do relatório geral foram traçadas ondas
renovatórias. Diante dessa afirmação, marque a alternativa correta
A) A Defensoria Pública é reconhecida como protagonista da tutela coletiva em razão de sua legitimidade
ser extraída desde a aprovação da Lei n. 7.347/85;
B) No sistema jurídico brasileiro, a adoção do modelo estatal de assistência jurídica é o judicare, onde
a assistência é prestada por advogados remunerados conforme sua atuação;
C) O modelo salaried staff no Brasil significa que o Estado deva organizar a assistência jurídica por
meio de uma carreira pública;
D) Enquanto órgão de assistência jurídica, a Defensoria Pública não pode se valer da arbitragem,
considerando a necessidade de se garantir imparcialidade no julgamento;
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: A pesquisa desenvolvida pelos Professores Mauro Cappelletti e Bryant Garth nunca
qualificou a Defensoria Pública como protagonista, até porque nosso país não foi abordado. Ademais, a
redação originária da Lei da ACP não previu a Defensoria Pública como legitimada, o que veio acontecer
apenas com a reformar operada pela Lei n. 11.448/2007.
B) INCORRETA: A opção da Constituição Federal é a do modelo de corpo assalariado (salaried staff), tendo
em vista a redação do art. 5º, LXXIV e art. 134. A assistência jurídica deve ser prestada por uma instituição
de natureza pública, dotada de servidores para o exercício da função. Ainda que haja advocacia dativa no
Brasil, esse modelo não é o prevalente.
C) CORRETA: A classificação salaried staff model é encontrada na pesquisa do Prof. Cappelletti como forma
de explicar um dos três sistemas de assistência jurídica (pro bono e judicare). Esse sistema é caracterizado
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pela assistência jurídica prestada por um corpo de profissionais que integram uma estrutura pública
organizada.
D) INCORRETA: O art. 4º, II da LC n. 80/94 reconhece expressamente o uso da arbitragem pela Defensoria
Pública. Apesar de um certo dissenso doutrinário, é possível reconhecer o exercício da jurisdição na
atividade de arbitragem, o que exigiria o árbitro a imparcialidade no seu atuar. Todavia, pela leitura do art.
4º-A, III da LC n. 80/94, eventual Defensor Público que exerça o papel de árbitro, terá plena imparcialidade
à medida em que não representará qualquer das partes.
E) INCORRETA: Não há onda que explique a transnacionalidade das pessoas jurídicas de direito público.
Além disso, a pesquisa de Cappelletti e Garth mapeou a existência de três ondas, sendo certo que uma
quarta onda é de autoria do Prof. Kim Economides, que trata da ética e da simplificação nas carreiras
jurídicas.
💡💡 GABARITO: C
QUESTÃO 53. Sobre as garantias dos membros da Defensoria Pública da União, marque a alternativa
incorreta:
A) Após dois anos de efetivo exercício os Defensores Públicos Federais tornam-se vitalícios, só podendo
perder o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
C) A independência funcional é tratada pela Lei Complementar n. 80/94 como um princípio institucional
e uma garantia dos membros;
D) Com a Emenda Constitucional n. 80/14 é adequado reconhecer que a remuneração dos Defensores
Públicos ocorre por meio de subsídio, sendo garantida a sua irredutibilidade;
E) A legislação estadual pode ampliar o leque de garantias dos membros da Defensoria Pública
Estadual, ainda que a DPU não possua igual garantia.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: O art. 43, IV consagra aos Defensores Públicos Federais a garantia da estabilidade
regulada no art. 41 da CRFB, o que permite a perda do cargo em quatro hipóteses excepcionais (sentença
judicial transitada em julgado, procedimento administrativo disciplinar assegurada a ampla defesa e
contraditório, procedimento de avaliação periódica e redução orçamentária). Faça-se ainda o registro
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de julgamento pelo STF, da ADI n. 230-9, onde restou declarada inconstitucional a norma estadual que
estabelecia vitaliciedade aos Defensores Públicos.
B) CORRETA: O art. 134, §1º da CRFB e o art. 43, II da LC n. 80/94 preveem a garantia da inamovibilidade
aos membros da Defensoria Pública da União e representa a preservação dos aspectos funcionais e
territoriais da atribuição de um órgão da instituição. Através dela, impede-se que o Defensor Público
possa ser removido de seu órgão, contra a sua vontade, por questões políticas.
C) CORRETA: O art. 3º e o art. 43, I da LC n. 80/94 preveem a independência funcional como um princípio
institucional da Defensoria Pública e também como uma garantia dos membros. A independência
funcional permite que o Defensor Pública possa atuar livre de pressões ou ingerências externas.
D) CORRETA: A irredutibilidade dos vencimentos é uma garantia prevista no art. 43, III da LC n. 80/94. Com
a aprovação da EC n. 80/14 e a aplicação do art. 96, II à disciplina normativa da DP, em virtude da regra
de extensão do art. 134, §4º também da CRFB é possível reconhecer que a remuneração dos Defensores
Públicos ocorra por meio de subsídio. A Lei n. 13.412/2016 fixa o subsídio da carreira da DPU.
E) CORRETA: Não há proibição na CRFB no tocante à competência concorrente dos Estados para legislar
sobre a Defensoria Pública em tema de garantias. A única limitação, constante do art. 24, é que o ente
federado não poderá dispor de modo diverso ao que já é regulado pela LC n. 80/94. Mas é possível
estabelecer garantias novas, não contempladas no modelo de lei federal.
💡💡 GABARITO: A
QUESTÃO 54. De acordo com a Lei Complementar n. 80/94 são funções institucionais da Defensoria
Pública, exceto:
B) Apurar a ocorrências de sevícias e maus tratos em favor dos usuários de seus serviços, instaurando
o procedimento para apuração de responsabilidade;
💡💡 GABARITO COMENTADO
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B) INCORRETA: Esta função institucional não é encontrada no rol do art. 4º da LC n. 80/94. Alguns Estados
preveem uma função de representação em casos de abusos e maus tratos, mas não se confere à Defensoria
Pública o poder para apurar responsabilidade.
💡💡 GABARITO: B
QUESTÃO 55. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é correta a seguinte
assertiva:
C) Das decisões proferidas em audiência a Defensoria Pública é considerada intimada no próprio ato,
sendo desnecessária a sua intimação pessoal;
E) A Defensoria Pública da União pode atuar como custos vulnerabilis quando existente vulnerabilidade
que justifique sua intervenção.
💡💡 GABARITO COMENTADO
B) INCORRETA: Por ocasião do julgamento do RMS 59.413, o Superior Tribunal de Justiça anulou decisão
judicial oriunda do Distrito Federal que, interferindo na autonomia da Defensoria Pública, determinou
que fosse designado um Defensor Público para atuar em órgão jurisdicional do TJDFT. O STJ entende
que os critérios de índice de exclusão social e adensamento populacional são os que norteiam a atuação
do administrador da Defensoria Pública na alocação dos membros, não cabendo ao Judiciário interferir
nesse ponto.
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C) INCORRETA: Apesar de o art. 1.003, §1º do CPC estabelecer que as partes são consideradas intimadas
em audiência quando a decisão judicial é proferida naquele mesmo ato, o Superior Tribunal de Justiça
entende que essa regra não se aplica ao Ministério Público e a Defensoria Pública, seja no processo civil,
seja no processo penal, como se percebe dos acórdãos proferidos no REsp 1.349.935 e no HC 296.759-RS.
D) INCORRETA: Na realidade, não há qualquer posicionamento do STJ no sentido de que o curador especial
não possa se valer da prerrogativa de dobra de prazos prevista no art. 186 do CPC e na LC n. 80/94. A
curadoria é função institucional da Defensoria Pública, enquanto que o prazo em dobro é prerrogativa
dos seus membros.
E) CORRETA: O Superior Tribunal de Justiça, através de sua segunda seção já reconheceu, por ocasião
do julgamento do REsp n. 1.712.163 a possibilidade de a Defensoria Pública da União atuar como custos
vulnerabilis. De acordo com o STJ, sempre que “o interesse jurídico justificar a manifestação de seu
posicionamento — deve atuar nos feitos que discutem direitos e interesses dos hipossuficientes, tanto
individuais quanto coletivos, para que sua opinião institucional seja considerada, construindo, assim,
uma decisão judicial mais democrática”.
💡💡 GABARITO: E
QUESTÃO 56. Sobre a legislação da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, marque a assertiva
correta:
C) O Ouvidor Geral tem direito a voz, mas não é integrante do Conselho Superior;
E) Dentre as proibições atinentes ao cargo de Defensor Público, a LCE n. 988/2006 não elenca o exercício
de cargo ou função fora dos casos previstos em lei.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) CORRETA: O art. 11 da LCE n. 988/06 elenca os órgãos da administração superior e dentre eles estão
previstas a Primeira, Segunda e Terceira Subdfensorias Públicas, regulamentadas pelos arts. 20 a 25.
B) INCORRETA: O art. 8º da LCE n. 988/2006 elenca as diversas receitas da DPESP a exemplo de: as dotações
orçamentárias e os créditos adicionais originários do Tesouro do Estado; os recursos provenientes do
Fundo de Assistência Judiciária; os honorários advocatícios fixados nas ações em que houver atuado;
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os recursos provenientes de convênios com órgãos ou entidades, nacionais ou estrangeiras, nos termos
da legislação vigente; as rendas resultantes do uso e da aplicação de bens e valores patrimoniais; as
subvenções, auxílios, doações, legados e contribuições; e outras receitas previstas em lei.
C) INCORRETA: O Ouvidor Geral é tratado como órgão superior pelo art. 36 da LCE n. 988/2006 e membro
nato do Conselho Superior (art. 26, V e 37, §2º) lhe sendo assegurado o assento no órgão de composição
colegiada da Defensoria Pública. Entretanto, não se confere direito ao voto nas deliberações do órgão,
por expressa previsão do art. 37, §2º.
D) INCORRETA: A remoção por união de cônjuges ou companheiros está prevista no art. 108, IV da LCE n.
988/2006 e será deferida ao Defensor Público, quando houver vaga e não causar prejuízo ao serviço, para
igual cargo ou função no Município de residência de cônjuge ou companheiro que exerça cargo, emprego
ou função pública, ou seja titular de mandato eletivo estadual ou municipal.
E) INCORRETA: O art. 165, V da LCE n. 988/06 estabelece que além das proibições do cargo público, veda-
se ao Defensor Público paulista exercer cargo ou função fora dos casos previstos em lei.
💡💡 GABARITO: A
A cada ano as candidatas e candidatos ao cargo de defensor público têm sido obrigados a dominar uma
quantidade cada vez maior de matérias, dentre elas filosofia do direito e sociologia jurídica. Infelizmente
estas duas disciplinas nem sempre recebem a abordagem devida durante o curso de Direito, o que faz
com que muitas pessoas concluam a graduação sem uma formação humanística de qualidade. E esta
deficiência muitas vezes é aprofundada durante os estudos para concursos em razão de materiais que
reproduzem uma série de equívocos conceituais em troca da simplicidade.
Nas próximas rodadas exploraremos alguns temas e autores que têm sido cobrados em provas para as
Defensorias Públicas. Meu plano é cobrir os assuntos objeto dos concursos dos últimos anos, com ênfase
especial nos autores cobrados em provas para a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, cujo edital
tem servido de modelo para outras Defensorias, e da Defensoria Pública da União, a qual optou por um
edital mais temático e menos focado em uma bibliografia estrita.
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Evidentemente este curso tem um objetivo instrumental: garantir que o domínio destas disciplinas
se traduza em um bom desempenho nas provas. Mas isso não será feito a partir de uma simplificação
grosseira dos autores. Procurarei, a partir da leitura direta dos autores e dos principais comentadores,
construir uma apresentação que seja didática e consistente.
Apesar do material que será elaborado nas próximas rodadas conter os conceitos e temas essenciais para
uma prova de concursos, buscarei apresentar sugestões de leitura, seja de manuais, seja de textos de
aprofundamento. De pronto, indico alguns bons manuais com foco em concursos: “Filosofia do Direito”
(André Gualtieri de Oliveira), “Manual de Sociologia Jurídica” (Luciano Oliveira) e “Manual de Sociologia
Jurídica” (Ana Lucia Sabadell). Uma obra que não é propriamente um manual, mas que é muito útil e
didática para a compreensão das principais teorias de justiça contemporâneas é o “Justiça: o que é fazer
a coisa certa”, de Michael Sandel.
Durante o curso vamos abordar os seguintes temas em filosofia do direito: direito natural, positivismo
jurídico, pós-positivismo (com foco em Ronald Dworkin), noções de hermenêutica jurídica e teorias da
justiça.
Com relação à sociologia jurídica, os temas serão: relações sociais e relações jurídica, controle social e
direito, transformações sociais, história da sociologia jurídica e alguns autores específicos (Durkheim,
Weber e Foucault).
Além disso, caso haja algum edital durante o curso que aborde outros autores ou temas, procurarei incluí-
los no curso.
I – Em um sentido amplo, a filosofia do direito pode ser definida como um corpus de respostas à
pergunta “o que é direito?”.
II – A filosofia do direito fornece conceitos fundamentais que permitem conhecer os valores que
orientam o próprio direito.
III – A disciplina possui uma função meramente descritiva, ou seja, de compreender o que é o direito
sem qualquer tipo de avaliação crítica.
IV – Uma das características fundamentais da filosofia do direito é sua desconexão com outros ramos
da filosofia.
A) I e III.
B) I e II.
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C) II e III.
D) I e IV.
E) II e IV.
💡💡 GABARITO COMENTADO
É impossível em um curso desta natureza abordar de forma adequada em que consiste a filosofia. De
modo muito sintético, podemos dizer que a filosofia tem como função investigar questões e conceitos
fundamentais, alguns mais abstratos (existe o mundo exterior?) e outros mais concretos (o que é a
justiça?). Essa investigação, no entanto, não é “livre” no sentido vulgar. Estas investigações são feitas a
partir de certos métodos e, em regra, a partir do trabalho de outros filósofos.
É importante, portanto, esquecer a visão popular que vê o exercício filosófico como algo inútil, sem
método e sem qualquer finalidade. Estes dois cartoons da revista New Yorker ilustram essa concepção:
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Neste sentido, o trabalho de um bom filósofo gira em torno de esclarecer e entender alguns problemas
fundamentais, muitos dos quais são discutidos amplamente no dia a dia, mas que estão fora do alcance
de outros ramos do conhecimento. A filosofia pode, por exemplo, discutir a clonagem de seres humanos
a partir de uma série de questões que envolvam desde temas mais complexos, como a identidade do ser
clonado em comparação com o original, até temas relacionados à ética desta prática.
Desse modo, podemos, de forma muito simplificada, conceber a filosofia do direito como uma tentativa
sistemática de responder a certas questões fundamentais para a disciplina, em especial “o que é direito?”
e “o que é justiça?”. Estas questões podem ser enfrentadas de diversos modos distintos, e é exatamente
isso que ocorreu durante a história da disciplina. Por isso, o mais importante não é reter uma resposta
correta para estas perguntas, mas sim compreendermos como esses questionamentos são articulados e
como são oferecidas certas respostas a eles. Sabemos, por exemplo, o que é uma Constituição. Mas o que
nos leva a obedecê-la? Este tema gera, por exemplo, respostas distintas por autores como Hart e Dworkin,
mas não é algo que pensamos no dia a dia quando defendemos a liberdade de expressão ou o princípio
da anterioridade tributária.
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I – Assertiva correta. Trata-se de uma definição proposta por Wayne Morrison na obra “Filosofia do Direito:
dos gregos aos pós modernos”.
II – Assertiva correta. Conforme André Gualtieri de Oliveira na obra “Filosofia do Direito”, “[a] filosofia
do direito fornece à ciência do jurista os conhecimentos metacientíficos fundamentais, que ela não é
capaz de obter por si, mas que lhe são necessários para conhecer a realidade jurídica. Ou seja, o direito
é capaz de atingir finalidades determinadas pelos valores que o orientam, mas é incapaz de conhecer o
significado último desses valores.”
III – Assertiva incorreta. A concepção trazida na assertiva se assemelha àquela proposta pelo positivismo
jurídico. No entanto, a filosofia do direito também pode ter uma dimensão crítica. Neste sentido, Alysson
Leandro Mascaro afirma que “a filosofia do direito se ocupa das relações sociais que são constituintes e
constituídas pelo direito, e isso envolve também o campo da apreciação do direito enquanto manifestação
do justo e do injusto na sociedade”.
IV – Assertiva incorreta. A filosofia do direito frequentemente dialoga não só com outros ramos da filosofia,
mas também da sociologia, ciência política, psicologia etc. Como ensina, novamente, Alysson Leandro
Mascaro, “o fenômeno jurídico se espraia sobre inúmeros fenômenos, alguns mais proximamente, outros
mais distantes, mas sempre com possíveis conexões. Pode-se dizer que a filosofia do direito é irmã da
filosofia política, é certo, mas, embora lhe seja mais distante, quem há de dizer que seja totalmente
estranha à filosofia da estética? Não há alheamento do fenômeno jurídico em relação a nenhum outro
fenômeno histórico e social, e por isso também a filosofia do direito é a totalidade da filosofia, apenas
contando com um eixo especificado. Por tal razão, em muitos momentos a filosofia do direito deve se
socorrer de outros objetos específicos da filosofia para sua compreensão e mesmo para sua diferenciação,
se for o caso.”
💡💡 GABARITO: B
QUESTÃO 58. De acordo com Tercio Sampaio Ferraz Jr., a filosofia do direito possui um caráter
especulativo, partindo de evidências para suas investigações. Trata-se de um enfoque denominado
pelo autor de:
A) Zetético.
B) Dogmático.
C) Empírico.
D) Transcendental.
E) Hipotético.
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Tercio Sampaio Ferraz Jr. é um dos mais importantes filósofos do Direito contemporâneos no Brasil,
com uma extensa e influente bibliografia. Sua obra já foi cobrada em provas passadas (DPESP, ES e BA,
por exemplo). Mas, independentemente da cobrança expressa deste autor, é interessante conhecer a
distinção entre zetética e dogmática.
Segundo Tercio, a Ciência do Direito manifesta-se como um saber tecnológico, com questões que
envolvem uma relevância prática e assim possibilitam decisões. Para conseguir esse aspecto prático, a
Ciência do Direito deve, segundo o autor, interromper as indagações das ciências em geral e dogmatizar
seus pontos de partida.
Para explicar melhor essa questão, Tercio sugere ao leitor que toda investigação jurídica está sempre
às voltas com perguntas e respostas. Surgem aí duas possibilidades de investigação (reproduzo o texto
integral pois me parece uma peça fundamental para o pensamento do autor):
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Por fim, é importante pontuar que para Tercio, zetética e dogmática devem, de certa forma, conviver, cada
uma com seu campo e sua função específica, evitando-se que uma se reduza à outra. Caso a dogmática
se reduza à zetética, há o risco, por exemplo, de excessivo “sociologismo”. Já no caso da eliminação da
zetética, pode-se incorrer em um modelo normativista como o de Kelsen.
A) CORRETA: Vide explicação acima. O enunciado trouxe justamente algumas das características do
modelo zetético.
B) INCORRETA: Vide explicação acima. Dogmática possui características que são oposto.
💡💡 GABARITO: A
QUESTÃO 59. Acerca das várias concepções de Justiça e Direito, julgue os itens a seguir:
I – Santo Agostinho considera que a lei eterna, de inspiração divina, é necessariamente justa.
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II – Não há, em Santo Tomás de Aquino, uma relação entre a lei divina e o direito natural.
III – Para Kant, o direito considera apenas o aspecto externo das ações humanas.
IV – Tanto Tomás Aquino quanto Kant constroem um modelo de justo com clara inspiração divina.
Estão corretas:
A) Apenas I.
B) I, II e III.
C) III e IV.
D) I e IV.
E) I e III.
💡💡 GABARITO COMENTADO
Infelizmente alguns concursos cobram algumas concepções de direito e justiça defendidas por certos
autores. Na medida do possível, tentarei trazer algumas dessas concepções para familiarizá-los com
alguns autores importantes.
I - Assertiva correta: Santo Agostinho, filósofo de inspiração católica, apesar de amplamente versado nas
letras clássicas, considera que a lei eterna, que corresponde à razão e vontade de Deus, é justa. Esta lei é
universal, imutável e fundamento das demais leis. Em seguida temos as leis naturais, que são um reflexo
desta lei eterna. Portanto, o traço essencial é essa inspiração divina que rompe com o modelo racional de
Aristóteles.
II - Assertiva incorreta. Segundo Tomás de Aquino, as leis são mandamentos da boa razão formulados
e aplicados pelo governante. Este é o direito positivo, que, contudo, deve ser limitado pela lei eterna, a
qual encontra-se nos ensinamentos da Igreja e inclui o direito natural. Um conflito entre a lei positiva e
a eterna torna essa lei “perversa”, permitindo que os súditos a contrariem (situação que, para Tomás de
Aquino, é extremamente rara).
III - Assertiva correta. A modernidade marca uma ruptura com os modelos de justiça pensados à luz de
um modelo inspirado pela religião. Com a modernidade, o ser humano e o exercício da Razão voltam ao
centro da elaboração do direito. Direito, segundo Kant, é um sistema de obrigações ligado às relações
das pessoas entre si. Contudo, o direito não considera o aspecto interno dessas ações, como a intenção
de alguém, mas apenas o aspecto externo. Desse modo, o direito liga-se à conformidade de uma conduta
conforme a lei, sendo essa legislação jurídica externa e decorrente de uma obrigação formal. Já a
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legislação moral é interna, e exige o cumprimento por um senso de dever. São conceitos diversos, mas
complementares. É interessante notar, ainda, que este direito, que é o exercício da liberdade, pode ser
limitado pela liberdade dos outros. Disso decorre a lei universal do direito: “age externamente de forma
que o uso livre de teu arbítrio possa coexistir com a liberdade de qualquer um segundo uma lei universal”.
💡💡 GABARITO: E
🏳🏳 DIREITOS HUMANOS
Caro(a)s aluno(a)s, futuro(a)s colegas de Defensoria, sejam bem-vindo(a)s. Como responsável pela matéria
de Direitos Humanos, tenho como objetivo percorrer com vocês por todos os assuntos da matéria, em
alguns fazendo uma incursão para apenas horizontalizar o conhecimento e em outros verticalizando a
abordagem para que vocês realmente criem e consolidem uma base de conhecimento para enfrentar
qualquer prova de concurso que cobre esta disciplina.
Para elaborar e comentar as questões – bem como para preparar as videoaulas –, levarei em conta o
último edital da DPE/SP (que considero muito completo) e pesquisarei como os temas têm sido cobrados
nos últimos concursos das Defensorias.
Além das rodadas de questões, também estarei com vocês nas 8 videoaulas de Direitos Humanos. Com
isso, não tenho dúvida de que conseguiremos realizar uma ampla revisão geral da matéria.
Embora este curso tenha como objetivo – conforme já ressaltado – realizar uma ampla revisão geral da
matéria, não posso deixar de indicar para vocês uma bibliografia para estudo da disciplina de Direitos
Humanos:
1. “Trilogia” do André de Carvalho Ramos: Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem
Jurídica Internacional, Curso de Direitos Humanos e Processo Internacional de Direitos
Humanos, todos publicados pela Saraiva.
2. Jurisprudência Internacional de Direitos Humanos, escrito por mim e pelo professor
Thimotie, publicado pela Editora CEI.
Dividirei da seguinte forma os temas no decorrer das rodadas (observando o último edital da DPE/SP):
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Rodada 1:
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Aula 1: Características dos direitos humanos e princípios de interpretação dos tratados de direitos
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humanos
Temas que serão explorados nesta rodada: Fundamentos filosóficos e evolução histórica dos direitos
humanos. Fontes, classificação, princípios e características do Direito Internacional dos Direitos Humanos.
Interpretação das normas de Direitos Humanos. Resolução de conflitos ante a colisão de normas de
Direitos Humanos.
Orientação de estudo: Recomendo que estudem a matéria da teoria geral dos direitos humanos pelo
livro Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional, do professor André de Carvalho Ramos.
QUESTÃO 60. Marque a alternativa correta no que diz respeito aos fundamentos filosóficos e à evolução
histórica dos direitos humanos:
B) A teoria jusnaturalista de fundamentação dos direitos humanos tem o mérito de ser compatível com
a ideia de mutabilidade do catálogo de direitos humanos.
C) A teoria positivista de fundamentação dos direitos humanos é aceita sem maiores críticas.
E) As revoluções liberais inglesa (1628 e 1689), americana (1776) e francesa (1789), com suas respectivas
declarações de direitos, marcaram a primeira clara afirmação histórica dos direitos humanos,
proclamando tanto direitos civis e políticos quanto direitos econômicos, sociais e culturais.
💡💡 GABARITO COMENTADO
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A) INCORRETA: Quando se fala em fundamentação dos direitos humanos, busca-se a sua razão
justificativa ou a sua fonte legitimadora. Trata-se de um assunto mais ligado à Filosofia do Direito do que,
especificamente, ao Direito Internacional dos Direitos Humanos. Existem diversas teorias que se propõem
a fundamentar os direitos humanos, sendo as principais a jusnaturalista e a positivista, havendo, ainda,
a teoria negacionista. Para a teoria negacionista, cujo maior expoente é Norberto Bobbio, é impossível
encontrar um fundamento único ou absoluto para os direitos humanos, e isso por pelo menos três razões:
1) a expressão “direitos humanos” é muito vaga e desprovida de consenso quanto ao seu significado; 2)
trata-se de uma categoria que varia conforme a sua evolução histórica; e 3) os direitos humanos formam
uma categoria heterogênea. Por isso, Bobbio afirma que “o problema grave do nosso tempo, com relação
aos direitos humanos, não é mais o de fundamentá-los e sim o de protegê-los”. Observem, portanto,
Bobbio não é o maior expoente da teoria jusnaturalista, e sim da teoria negacionista.
B) INCORRETA: Para a teoria jusnaturalista, o ser humano possui direitos naturais, anteriores e superiores
ao Estado, sejam eles oriundos de Deus (escola de direito natural de razão divina) ou da natureza inerente
do ser humano (escola de direito natural moderno). Costuma-se apontar dois pontos frágeis da teoria
jusnaturalista: a) não há possibilidade de comprovação empírica ou mesmo teórica dos direitos naturais;
e b) há uma grande dificuldade em explicar a imutabilidade dos direitos naturais em razão da constante
alteração do conteúdo de direitos essenciais ao indivíduo ao longo dos séculos. Pensem: se os direitos
humanos são naturais, anteriores e superiores ao Estado, eles teriam nascido todos de uma vez só, o que
não se compatibiliza com a ideia de que o catálogo de direitos humanos é mutável.
C) INCORRETA: Para a teoria positivista, não há que se falar em direito natural, anterior e superior
ao Estado, de modo que a fundamentação dos direitos humanos somente pode ser encontrada no
ordenamento jurídico internacional (tratados, convenções, declarações etc.). Entre as críticas à teoria
positivista, destaca-se a seguinte: aceita sem maiores questionamentos a não observância das normas
internacionais de direitos humanos se não houver a aceitação ou incorporação da norma pela ordem
interna de um Estado. Logo, atenção: a teoria positivista não é totalmente aceita, sem maiores críticas.
D) CORRETA: Entre os fatores que propiciaram a internacionalização dos direitos humanos, destacam-
se a) a superação do conceito tradicional e do alcance ilimitado da soberania estatal e b) a redefinição
do status do indivíduo como sujeito de Direito Internacional. Se o Estado é absolutamente soberano e
o indivíduo não é considerando sujeito de Direito Internacional, não há condições para se criar um
sistema internacional de proteção dos direitos humanos. Alguns precedentes históricos contribuíram
decisivamente para que esses fatores surgissem e que, com isso, se edificasse o que conheceríamos após a
Segunda Guerra Mundial como Direito Internacional dos Direitos Humanos. Mais remotamente, indica-se a
Paz de Westfália como um precedente histórico do DIDH, e isso porque, consistindo numa série de tratados
assinados em 1648, encerrou a Guerra dos Trinta Anos (série de guerras que diversas nações europeias
travaram entre si a partir de 1618 por vários motivos como rivalidades religiosas, dinásticas, territoriais
205 [Link]
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e comerciais, com mais de oito milhões de mortos), inaugurando um moderno sistema internacional
que tinha como preceitos a soberania, a igualdade jurídica entre os Estados, a territorialidade e a não
intervenção. No entanto, são considerados como os precedentes históricos mais importantes para a
formação do DIDH o Direito Humanitário (DH), a Liga das Nações (LN) e a Organização Internacional do
Trabalho (OIT). A criação da OIT se revela, de fato, como um dos precedentes históricos mais importantes
para a formação do DIDH, e isso porque, criada com o fim da Primeira Guerra Mundial, tinha como objetivo
estabelecer parâmetros mínimos para a proteção do trabalhador, disciplinando a sua condição no plano
internacional por meio de diversas convenções.
E) INCORRETA: De fato, as revoluções liberais inglesa (1628 e 1689), americana (1776) e francesa (1789),
e suas respectivas declarações de direitos, marcaram a primeira clara afirmação histórica dos direitos
humanos, e isso porque tinham a pretensão de universalidade, embora adotadas de forma nacional.
O erro da alternativa consiste em afirmar que nesse período foram proclamados tanto direitos civis e
políticos quanto direitos econômicos, sociais e culturais. Tratando-se de revoluções liberais, as declarações
mencionadas trataram apenas dos direitos civis e políticos, ou seja, os direitos de liberdade.
💡💡 GABARITO: D
No caso dos direitos humanos, a internacionalização em sentido amplo dessa temática, apresenta-
se incipiente, embora fragmentada e com motivação diversa, desde o século XIX e início do século
XX” (RAMOS, André de Carvalho. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional. 7ª ed. São
Paulo: Saraiva, 2019, p. 52).
Marque a alternativa que NÃO indica um precedente histórico que influenciou mais de perto e
decisivamente a internacionalização dos direitos humanos:
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💡💡 GABARITO COMENTADO
Seguindo com a lição do professor André de Carvalho Ramos apontada no enunciado da questão, quando
se fala em internacionalização dos direitos humanos, quer-se identificar basicamente dois fatores: a) a
superação do conceito tradicional e do alcance ilimitado de soberania estatal; e b) a redefinição do status
do indivíduo como sujeito de Direito Internacional. Sem o sucesso destes dois fatores, não teríamos o
Direito Internacional dos Direitos Humanos.
No que diz respeito ao processo histórico de internacionalização dos direitos humanos, aponta-se,
primeiro, a Paz de Westfália, que foi resultado de uma série de tratados assinados em 1648, encerrando a
Guerra dos 30 anos (série de guerras que diversas nações europeias travaram entre si a partir de 1618 por
vários motivos), inaugurando um moderno sistema internacional que tinha como preceitos a soberania,
a igualdade jurídica entre os Estados, a territorialidade e a não intervenção.
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💡💡 GABARITO: A
QUESTÃO 62. Marque a alternativa CORRETA a respeito das características dos direitos humanos:
C) Os direitos humanos são considerados absolutos por não admitirem relativização ou ponderação.
D) A característica da abertura ou não tipicidade dos direitos humanos colide com a característica da
historicidade dos direitos humanos.
E) A característica da imprescritibilidade dos direitos humanos favorece a tese segundo a qual crimes
que violam direitos humanos devem ser considerados imprescritíveis.
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💡💡 GABARITO COMENTADO
B) INCORRETA: A alternativa está correta até mencionar o sistema africano. De fato, embora encampada
pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, a característica da universalidade foi de certa forma
rejeitada pelos sistemas global (que, em 1969, adotou um tratado para direitos civis e políticos e outro
para direitos econômicos, sociais e culturais), europeu (que conta com a Convenção Europeia sobre
Direitos Humanos, contemplando apenas direitos civis e políticos, e com a Carta Social Europeia, esta
responsável pela proteção dos direitos econômicos, sociais e culturais) e interamericano (que conta com a
Convenção Americana sobre Direitos Humanos, contemplando essencialmente direitos civis e políticos, e
com o Protocolo de San Salvador, responsável pela proteção dos direitos econômicos, sociais e culturais).
No entanto, atenção! A Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, adotada em 1981, contempla
tanto direitos civis e políticos quanto direitos econômicos, sociais e culturais.
C) INCORRETA: Como regra, os direitos humanos são relativos, pois admitem limitação, relativização ou
ponderação no caso concreto. No entanto, existem, sim, direitos humanos absolutos, como o direito de
não ser torturado e o direito de não ser escravizado.
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💡💡 GABARITO: E
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QUESTÃO 63. No que diz respeito às fontes e às classificações dos direitos humanos, marque a
alternativa CORRETA:
A) O costume internacional é considerado uma fonte dos direitos humanos, não havendo a possibilidade
de um Estado se recusar a obedecer a um costume internacional.
B) Uma das classificações dos direitos humanos diz respeito à sua divisão em gerações, aceita pela
doutrina sem maiores críticas.
D) O Estatuto da Corte Internacional de Justiça estabelece os tratados como a fonte única do Direito
Internacional dos Direitos Humanos.
E) A doutrina não é considerada uma fonte do Direito Internacional dos Direitos Humanos.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: No contexto jurídico, a expressão fontes é utilizada para identificar a gênese ou a origem
dos direitos que protegem a pessoa. Assim, na disciplina de Direitos Humanos, quando buscamos as
suas fontes, queremos encontrar a resposta para a seguinte pergunta: de onde vêm ou como nascem os
direitos humanos?
A doutrina, partindo da premissa de que a disciplina de Direitos Humanos seria um ramo específico do
Direito Internacional Público – embora com independência e particularidades que analisaremos durante
esse curso –, aceita que as fontes dos direitos humanos estão previstas (em rol não exaustivo) no art. 38.1 do
Estatuto da Corte Internacional de Justiça, sendo elas: a) as convenções internacionais, quer gerais, quer
especiais, que estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes; b) o costume
internacional, como prova de uma prática geral aceita como sendo o direito; c) os princípios gerais de
direito reconhecidos pelas Nações civilizadas; e d) as decisões judiciais e a doutrina dos publicistas mais
qualificados das diferentes Nações, como meio auxiliar para a determinação das regras de direito.
Não há uma ordem hierárquica ou sucessiva na aplicação das fontes dos direitos humanos dispostas
no art. 38.1 do ECIJ. No entanto, pela segurança jurídica que promovem, principalmente pelo fato de
serem normas escritas e contarem com mecanismos de aferição da responsabilidade do Estado, os
tratados indiscutivelmente são a fonte “primordial” dos direitos humanos.
Como fonte dos direitos humanos, o costume internacional pode ser conceituado como a prática
generalizada dos Estados aceita como sendo o direito, nos termos do art. 38.1.b do ECIJ. Esse conceito
abriga dois elementos: 1) um elemento material, que é a prática generalizada; e 2) um elemento subjetivo,
211 [Link]
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RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
Diferentemente dos tratados, o costume internacional obriga os Estados tacitamente, sem exigir uma
manifestação explícita de aceitação nem uma incorporação formal na ordem jurídica interna. Aceita-se,
majoritariamente, que um Estado somente pode deixar de cumprir um costume internacional quando
tenha se comportado como um “objetor persistente”, comportamento este que deve ocorrer durante o
processo de formação do costume internacional, mediante manifestações permanentes e inequívocas
de sua objeção a serem obrigados pelo respectivo costume. A figura do “objetor persistente”, porém,
não se aplica às normas de jus cogens, também conhecidas como normas imperativas ou cogentes.
São exemplos de normas cogentes a proibição do genocídio, da tortura, da escravidão e da discriminação
racial.
“A lógica que move a ratificação pelos Estados de um tratado internacional é a lógica das
vantagens recíprocas. Grosso modo, em semelhança com a maioria dos contratos de Direito
Privado, os tratados têm, em geral, natureza sinalagmática. Tal característica é estranha
aos tratados de direitos humanos, pois neles há o objetivo de proteger os direitos dos
indivíduos e estabelecer deveres aos Estados contratantes.
Criou-se no contemporâneo Direito Internacional dos Direitos Humanos o chamado regime
212 [Link]
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objetivo (não sinalagmático) dos tratados multilaterais de direitos humanos, pelo qual um
Estado assume obrigações internacionais para com os indivíduos sob sua jurisdição e não
para os demais Estados.
Esse regime objetivo ou unilateral é o conjunto de normas protetoras de um interesse
coletivo dos Estados, em contraposição aos regimes de reciprocidade, nos quais impera
o caráter quid pro quo nas relações entre os Estados. Por isso, os tratados de direitos
humanos possuem natureza objetiva, pois possuem obrigações cujo objeto e fim são a
proteção de direitos e da dignidade humana” (Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem
Internacional..., p. 115).
D) INCORRETA: Ver comentários da alternativa A.
💡💡 GABARITO: C
QUESTÃO 64. Marque a alternativa CORRETA a respeito dos princípios de interpretação dos tratados
internacionais de direitos humanos:
A) Os tratados internacionais de direitos humanos devem ser interpretados de acordo com o momento
da sua aplicação no caso concreto, e não de acordo com o momento da sua adoção ou redação.
C) Os tratados internacionais de direitos humanos devem ser interpretados de acordo com a experiência
e a prática interna.
💡💡 GABARITO COMENTADO
213 [Link]
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B) INCORRETA: O conflito entre a normativa interna e a normativa internacional não deve ser resolvido ex
ante pela prevalência da primeira ou da segunda, mas sim na consideração do caso concreto, buscando-
se sempre a normativa mais favorável à vítima, seja ela nacional ou internacional. Trata-se da aplicação
do princípio pro persona, do qual decorre os subprincípios da primazia da norma mais favorável e o da
máxima efetividade (efeito útil).
C) INCORRETA: A alternativa colide com o princípio da interpretação autônoma dos tratados internacionais
de direitos humanos. Vejamos a lição de André de Carvalho Ramos:
💡💡 GABARITO: A
QUESTÃO 65. De acordo com a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), os Estados
possuem uma margem de apreciação para deliberar a respeito:
A) De nada, pois esta teoria não é aplicada pela Corte Interamericana, mas apenas pelo Tribunal
214 [Link]
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E) De leis de anistia para crimes que violaram direitos humanos durante regimes de exceção.
💡💡 GABARITO COMENTADO
A) INCORRETA: Já vimos na questão anterior um conceito didático sobre a teoria da margem de apreciação,
apresentado pelo professor André de Carvalho Ramos. Constatamos também que a Corte Interamericana
de Direitos Humanos (Corte IDH) aplica, sim, a teoria da margem de apreciação, embora com uma
frequência bem inferior da verificada na jurisprudência do Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Por
isso, devemos descartar a letra A por estar errada.
B) INCORRETA: A Corte IDH não reconhece margem de apreciação dos Estados partes na proteção jurídica
de uniões homoafetivas. Isso restou consagrado, por exemplo, no julgamento do Caso Atala Riffo e crianças
vs. Chile, quando a Corte IDH ressaltou que a CADH não acolheu um conceito fechado ou tradicional
de família. Transcrevo a seguir um tópico dos nossos comentários a esse caso, lançado no nosso livro
Jurisprudência Internacional de Direitos Humanos:
C) CORRETA: A Corte IDH, de fato, no julgamento do Caso Castañeda Gutman vs. México, decidiu pela
convencionalidade do sistema eleitoral que proíbe a candidatura avulsa ou independente, admitindo,
assim, uma margem de apreciação para os Estados. Transcrevo a seguir trecho da nossa obra Jurisprudência
Internacional de Direitos Humanos:
215 [Link]
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D) INCORRETA: Diversamente do que consta na alternativa, a Corte IDH já teve a oportunidade de reprovar
e considerar inconvencional uma prática interna que excluía a possibilidade de homossexuais integrarem
as Forças Armadas. Trata-se do Caso Flor Freire vs. Equador, julgado em 2016 pela Corte. Um breve trecho
do nosso livro Jurisprudência Internacional de Direitos Humanos:
“70.2.1. A orientação sexual não deve ser fator determinante para selecionar quem deve
ou não ser membro das Forças Armadas. Tal como tem decidido o TEDH, a Corte IDH também
se pronunciou no julgamento do Caso Flor Freire no sentido da inconvencionalidade de se
considerar a orientação sexual como fator determinante para selecionar quem deve ou não
ser membro das Forças Armadas. Trata-se de um precedente importante contra a homofobia
e a discriminação de natureza sexual que tradicionalmente estiveram incorporados no
regime disciplinar e hierárquico das Forças Armadas”.
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E) INCORRETA: Conforme o entendimento consolidado da Corte IDH, como os casos Barrios Alto, Almonacid
Arellano, Gomes Lund etc., as leis de anistia que impedem a punição de autores de violações de direitos
humanos no contexto de regimes de exceção carecem de efeitos jurídicos, não havendo que se falar,
portanto, em qualquer margem de apreciação para os Estados nesta matéria.
💡💡 GABARITO: C
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QUESTÕES DISCURSIVAS
🏳🏳 DIREITO CONSTITUCIONAL
QUESTÃO 1. No Município de Pimentinha Doce, o vereador Cezinha do Povo, do partido SLC (“Somos
Liberais Convictos”) apresentou projeto de lei para implementar a política educacional da “Escola Sem
Partido” nas escolas municipais, com o objetivo de evitar que professores promovam dentro da sala de
aula concepções ideológicas, políticas, morais e religiosas próprias, bem como para evitar que no ensino
haja qualquer possibilidade da escola se imiscuir no processo de amadurecimento sexual dos alunos,
sendo direito exclusivo dos pais a educação moral e religiosa dos filhos e, por fim, sendo vedada qualquer
atividade político-partidária, inclusive, em grêmios estudantis. Durante a sessão ordinária no plenário da
Câmara dos Vereadores para votar o referido projeto, o vereador Marquinho da Comunidade, do partido
CSC (“Companheiros Socialistas Convictos”), tomou a palavra e se manifestou contrariamente ao projeto.
Durante a sua fala, chamou o vereador Cezinha do Povo de “espurco”, “futre” e “lorpa”, pois quer acabar
com o ensino de base do Município. Não satisfeito, afirmou que Cezinha recebeu R$ 100.000,00 (cem mil
reais) de uma organização religiosa para apresentar o referido projeto de lei na Câmara, sem apresentar
qualquer prova das alegações. Diante disso, responda fundamentadamente:
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🏳🏳 DIREITO ADMINISTRATIVO
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PEÇA CÍVEL
Ana Carolina compareceu à Defensoria Pública relatando ter sido vítima de violência no parto de seu
primeiro filho João. Indicou que realizou todo o pré-natal em uma UBS situada em seu bairro, local em
que informada a respeito dos benefícios do parto normal. Ao longo do período gestacional, a declarante
chegou a elaborar o seu plano individual de parto, no qual constava expressamente a opção pelo parto
não cesariano.
No dia 15/01/2020, começou a sentir fortes contrações, observando o rompimento de sua bolsa. Dirigiu-se
ao hospital municipal de sua cidade, local em que foi imediatamente internada. No local, não permitiram
a entrada de sua genitora que lhe acompanhava.
O médico que lhe atendeu, Dr. Carlos Sanches, CRM 22.222, recusou-se a receber o seu plano individual de
parto, afirmando não estar obrigado a seguir o instrumento, uma vez que não havia sido ele o profissional
que realizou o pré-natal na UBS.
Sozinha na sala de espera, Ana permaneceu cerca de seis horas aguardando por atendimento, sem água
ou alimentação. Sem o seu consentimento, foi-lhe ministrada ocitocina, substância que segundo os
médicos, aceleraria o trabalho de parto.
Posteriormente, Ana foi levada para o centro cirúrgico, local em que avisada que o bebê não estava em
posição adequada para o parto e que teriam que promover uma cesárea. Oito horas após sua entrada no
hospital, João veio ao mundo mediante procedimento cirúrgico. Após a intervenção médica, não lhe foi
permitido o contato imediato com o neonato.
Questionada a respeito de como se sentiu com tudo isso, afirmou: “Eu não queria ter passado
por isso. Meu sonho era ter um parto natural e tiraram isso de mim. Se tivessem deixado
alguém entrar para me ajudar eu não estaria assim. Eu não queria ter essas sequelas que
carrego pelo resto da vida. Se possível, não gostaria que nenhuma outra mulher passasse por
isso. Eu sei que meu prejuízo jamais será reparado, mas eles precisam ser responsabilizados
por isso”.
Apresentou documentação relacionada ao pré-natal, bem como seu prontuário médico, solicitando
indenização.
Na qualidade de Defensor(a) Público(a), promova a medida jurídica adequada em favor de Ana Carolina,
220 [Link]
Defensoria Pública Semestral
RODADA 01 - 05.02.20 [Link]
Considere a existência na comarca de uma Vara da Fazenda Pública, uma Vara Cível e uma Vara de
Família e Sucessões.
221 [Link]