Versão preliminar, para circulação interna. Não citar!
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
PLANO DE ACÇÃO PARA A REDUÇÃO DA
POBREZA ABSOLUTA, 2006-2009
(PARPA II)
Maputo
7 Novembro 2005
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ÍNDICE
I. INTRODUÇÃO E LIGAÇÕES DO PARPA COM OUTROS DOCUMENTOS DE PLANIFICAÇÃO ......... 1
II. METODOLOGIA DO PROCESSO DE REVISÃO DO PARPA........................................................ 6
III. POBREZA ABSOLUTA – EVOLUÇÃO ...................................................................................... 8
IV. VISÃO PRINCIPAL, OBJECTIVOS E ACÇÕES FUNDAMENTAIS ............................................ 22
V. CENÁRIO BASE M ACROECONÓMICO E FISCAL .................................................................... 31
VI. CENÁRIOS DA REDUÇÃO DA POBREZA ABSOLUTA.......................................................... 39
VII. ASSUNTOS TRANSVERSAIS ............................................................................................ 41
VIII. ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO POR PILARES ......................................................... 53
IX. FACTORES DETERMINANTES NO SUCESSO DA IMPLEMENTAÇÃO.................................... 103
X. MONITORIA E AVALIAÇÃO ................................................................................................ 107
BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................... 118
Anexo
i
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I. Introdução e Ligações do PARPA com Outros Documentos de Planificação
1. Moçambique e PARPA: Contexto, Evolução do PARPA
1. O Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta para 2006-2009 (PARPA
II) do Governo moçambicano tem em vista satisfazer o objectivo de diminuir a
incidência da pobreza de 54% em 2003 para 45% em 2009.
2. A redução da pobreza absoluta faz parte do objectivo mais amplo de melhoria do
nível de vida e do bem-estar dos cidadãos. Este objectivo alcança-se através do
crescimento económico e desenvolvimento humano sob condição das despesas
nacionais serem pagas com o rendimento da aplicação dos factores produtivos
pertencentes aos próprios cidadãos. Devido à sua elevada exigência, este objectivo
é alcançável no longo prazo, através de uma progressão gradual com metas de
curto e médio prazo.
3. O PARPA II é um instrumento subordinado ao Programa Quinquenal do Governo
2005-2009, constituindo a estratégia de redução da pobreza através do
aprofundamento do desenvolvimento económico e do capital humano, bem como
da melhoria da governação (Conselho de Ministros 2005).
4. Este documento sucede ao PARPA I de 2001-2005, mantendo em comum as
prioridades em áreas do desenvolvimento do capital humano na educação e saúde,
da melhoria na governação, do desenvolvimento das infraestruturas básicas e da
agricultura, do desenvolvimento rural, e de melhoria na gestão macro-económica e
financeira.
5. O presente PARPA distingue-se do anterior por incluir nas suas prioridades uma
maior integração da economia nacional e o aumento da produtividade. Em
particular, focaliza a atenção no desenvolvimento de base ao nível distrital, na
criação de um ambiente favorável ao crescimento do sector produtivo nacional, à
melhoria do sistema financeiro, ao florescimento das pequenas e médias empresas
enquadradas no sector formal, e a desenvolver ambos os sistemas de arrecadação
de receitas internas e de afectação dos recursos orçamentais.
6. Os objectivos centrais e estratégicos bem como as acções prioritárias são tratados
de forma sintética, relacionando-se com indicadores e metas anuais na matriz da
estratégia (Capítulo IV, secção c); Anexo).
7. Este plano estabelece a ligação entre as suas prioridades específicas e a afectação
de recursos para o período da sua vigência.
8. Apesar do PARPA II prever um aumento das receitas internas em termos reais
para 2006-2009, o Governo moçambicano mantém-se dependente da comunidade
internacional para financiar anualmente cerca de 45% do seu orçamento estatal,
neste período.
9. Devido à dimensão da pobreza em Moçambique, o desafio para a sua redução
exige o empenho não só do Estado, mas também da Sociedade Civil com os seus
diversos elementos. Os Parceiros Internacionais também são bem vindos a dar o
seu contributo. Impõe-se a necessidade de uma divisão clara das funções de cada
uma destas partes para que a coordenação entre todas seja mais eficaz e eficiente.
1
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2. Enquadramento Institucional do PARPA
10. O PARPA II deriva do Programa Quinquenal do Governo 2005-2009, centrando a
atenção nas formas de solução do baixo nível médio de vida das camadas mais
desfavorecidas, que actualmente corresponde ao nível de pobreza absoluta.
Todavia, este instrumento vai para além deste enfoque, sendo uma estratégia de
desenvolvimento nacional mais ampla.
11. No processo de planificação, execução, monitoria, avaliação e ajustamento do
PARPA II são também usados como documentos de base as estratégias,
programas e planos sectoriais e transversais, respeitando os acordos sub-
continentais, continentais e internacionais, incluindo os Objectivos de
Desenvolvimento do Milénio.
12. O PARPA II é um documento de um Governo formado a partir do resultado de
eleições multipartidárias, validadas no país e internacionalmente. A
responsabilização clara é um princípio útil quando chegado o momento de
avaliação dos resultados e quando necessário, de ajustamento da estratégia.
13. Contudo, devido à necessidade da participação da Sociedade Civil e à adequada
utilidade da contribuição dos Parceiros Internacionais, o processo de elaboração
do PARPA II tem em devida conta os pontos de vista de ambos os grupos.
14. Os documentos de base e as contribuições várias são integrados no documento do
PARPA II de forma a satisfazer a sua função, mas garantindo um conteúdo
coerente, sintético e um tratamento harmonioso global.
15. Após a sua aprovação pelo Governo e pela Assembleia da República, este
instrumento estratégico de médio prazo serve de guia para a elaboração das
estratégias, planos e políticas sectoriais e provinciais e dos planos operacionais
anuais, como sejam o Plano Económico e Social e o Orçamento do Estado
(organigrama do Sistema de Planificação Pública). O PARPA e o Cenário Fiscal
de Médio Prazo estão integrados, devendo este último corresponder às prioridades
definidas no primeiro.
16. O PARPA é um instrumento rolante, podendo ser ajustado e actualizado
anualmente através do Cenário Fiscal de Médio Prazo, do Plano Económico e
Social e do Orçamento do Estado. O que se mantém ao longo do seu período de
vigência são os dois objectivos gerais e os três estratégicos (Capítulo IV, secção
c)).
17. No próximo quinquénio, as componentes específicas e principais do PARPA serão
incorporadas no Programa Quinquenal do Governo. O exercício democrático de
consultas alargadas será feito ao longo do ano de 2009.
18. A combinação dos dois processos e instrumentos tem a vantagem de racionalizar o
exercício de planificação pública. Isto permitirá que os esforços sejam canalizados
para a implementação do programa do governo desde o início do mandato, em vez
de se levar um ano inteiro a re-planificar, re-auscultar, e re-discutir a estratégia.
19. O novo Governo, qualquer que seja a sua orientação política, poderá facilmente
alinhar as prioridades que foram sendo debatidas ao longo de 2009 aos objectivos
definidos no manifesto do seu partido político.
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3. Visão e Pilares da Estratégia
20. No longo prazo, o objectivo consensual da sociedade moçambicana é melhorar o
nível de vida e de bem-estar dos seus cidadãos (Conselho de Ministros 2005; e
Conselheiros 2003). Em síntese, são também objectivos de longo alcance temporal
o desenvolvimento económico e social equilibrado; a redução da pobreza
absoluta; a consolidação da paz, unidade nacional, e democracia; a aplicação
generalizada da justiça; a educação, estímulo e prática do esforço laboral,
honestidade, zelo e brio; a garantia das liberdades individuais e da harmonia
social; a imposição das leis contra actos criminosos; a garantia da soberania e o
reforço da coordenação internacional.
21. O Governo toma em consideração, na letra ou espírito, estes objectivos ao definir
o seu Programa Quinquenal 2005-2009, e na subsequente elaboração do presente
PARPA II, ambos instrumentos de governação e programação de médio prazo.
22. O PARPA II define a sua estratégia de crescimento económico e de redução da
pobreza através dos pilares da governação, do capital humano e do
desenvolvimento económico (Conselheiros 2003). O capital social é enquadrado
nos outros pilares (DNPO 2005). A abordagem por pilares permite focar a atenção
nas funções da organização social através do Estado, de desenvolvimento das
capacidades individuais, e de criação de riqueza para melhorar o bem-estar dos
cidadãos. Também permite analisar as ligações entre as três funções necessárias
para atingir os objectivos centrais.
23. O pilar da governação tem em vista tornar o aparelho de Estado num incentivador
do desenvolvimento do capital humano e da economia. O Governo vai privilegiar
a melhoria da qualidade da análise e desenho de políticas, com vista a obter os
resultados esperados da sua implementação. As autoridades vão-se guiar pelos
princípios e leis de um Estado de direito, assegurando a transparência, a prestação
de contas, e minimização das oportunidades de desvio e uso indevido de fundos e
recursos públicos e a aplicação activa das leis contra os actos criminosos e
corruptos.
24. O pilar do capital humano dá continuidade aos planos de desenvolvimento das
capacidades de trabalho, técnicas e científicas, do bem-estar sanitário e de acesso
aos recursos básicos, em particular os alimentares e a água, e de redução da
incidência das doenças que afectam as crianças, focando em particular o combate
ao HIV-SIDA, a malária e a tuberculose. Uma parte privilegiada dos recursos do
orçamento estatal vai ser usada para financiar os serviços sociais clássicos,
abrangendo uma vasta proporção da população, onde se enquadram os mais
pobres.
25. O pilar do desenvolvimento económico concentra-se nas condições básicas da
prossecução da actividade produtiva, como a melhoria das infraestruturas, a
redução dos entraves burocráticos, e o estabelecimento de legislação que garanta
os direitos de propriedade e incentive o progresso da produtividade, e inovação.
Também vai dar prioridade à articulação intersectorial para garantir o crescimento
da produtividade na agricultura e dos sectores a ela ligados. As prioridades
adicionais são o desenvolvimento do sistema bancário e financeiro para
cumprirem com as funções de retenção da poupança e financiamento activo das
operações produtivas, em particular das pequenas e médias empresas.
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26. O elemento comum dos três pilares é a construção da Nação Moçambicana,
consolidando a unidade nacional, desenvolvendo o potencial humano de cada
cidadão e um sistema institucional funcional, fazendo também crescer a
capacidade de criar riqueza nacional.
27. Uma condição fundamental para o sucesso da formação desta Nação é assegurar o
investimento em infraestruturas básicas e sua manutenção, permitindo uma
comunicação eficiente de norte a sul do território para pessoas, bens e informação.
A melhoria desta comunicação facilitará a integração dos agricultores, demais
cidadãos rurais e urbanos numa comunidade nacional.
28. A coordenação multisectorial entre as diferentes instituições do Estado,
organizações da sociedade civil, empresariado nacional e outros parceiros de
desenvolvimento é a pedra de toque que assegura o desenvolvimento harmonioso
e multifacetado do país.
29. O desenvolvimento nacional integrado é um imperativo com determinação e
implicações multifacetadas desde histórica, política, social, antropológica, até à
económica. As prioridades em cada pilar vão reflectir necessariamente este
projecto.
30. Sendo o desenvolvimento nacional uma prioridade, o PARPA II ainda toma em
conta a necessidade de integração gradual e progressiva na comunidade dos países
vizinhos, no resto de África e do mundo.
31. Depois da recuperação da capacidade produtiva na agricultura, construção e
serviços, a tendência do crescimento económico poderá depender cada vez mais
dos ganhos de produtividade e da capacidade de criação, retenção e aplicação
produtiva da poupança interna. Estes dois factores constituem um enorme desafio
para o período que se segue.
32. O crescimento da produtividade é o outro elemento de ligação e de foco entre os
três pilares. O pilar da governação contribuirá para alcançar este objectivo se
melhorar o nível dos serviços, das análises e das suas políticas. Este papel do
Estado deverá ser assegurado pela qualidade política e de liderança bem como
técnica dos seus quadros. Os efeitos benéficos sobre a economia far-se-ão sentir
através da redução da burocracia, do investimento de qualidade e estratégico em
infra-estruturas e do estímulo ao crescimento do sector privado. O investimento na
educação e nos serviços de saúde e sanitários deverão ser orientados para tornar os
cidadãos numa força produtiva mais efectiva, gozando de um nível superior de
bem-estar.
33. O resto do documento tem o capítulo II com a explicação da metodologia da
elaboração do PARPA II. O capítulo III informa sobre a evolução dos indicadores
da pobreza absoluta, o capítulo IV apresenta a visão estratégica, os objectivos e
acções fundamentais. O capítulo V expõe o cenário base macroeconómico e fiscal.
Os cenários da redução da pobreza absoluta são apresentados no capítulo VI. Os
objectivos e acções principais dos assuntos transversais são expostos no capítulo
VII, e os objectivos e acções detalhados por pilares, no capítulo VIII. O capítulo
IX explica os factores determinantes para o sucesso de implementação do PARPA
II, o capítulo X informa sobre os procedimentos de monitoria e avaliação e o
Anexo apresenta a matriz da estratégia.
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S IST E M A D E PL A N IF IC A Ç Ã O P Ú B L IC A : A R T IC U L A Ç ÃO D E IN ST R U M E NT O S
PPRROOGGRRAAM
M AAQQUUIN
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rec urs o s e es tratég ia s ec to r ia l
P lan os E stra tég icos S ectoria is In te graç ão d o s
e P rov inc ia is o b jec tivo s e m etas
s ec to r ia is
C o ns is tê nc ia d a o rç a m e nt aç ão
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In te graç ão d a p o lític a E nq u ad ra m e nto d o s rec urs o s o b jec tivo s d e p o lític a
e es tratég ia s ec to r ia l e af ec taç ão in ter-s ec to r ia l C en ário m ac ro e
s ec to r ia l
C enário F isca l de M éd io P razo L im ites d e
(C F MP ) Des p es a O R Ç AME N T O D O E ST AD O
(O E )
5
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II. Metodologia do Processo de Revisão do PARPA
34. Numa primeira fase, o Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD)
iniciou o processo de elaboração do segundo PARPA, para 2006-2009,
culminando com o 3º Observatório da Pobreza em Agosto 2005.
35. Na fase preparatória, de Janeiro a Março 2005, o MPD concertou uma visão
comum sobre o processo de revisão do PARPA com as outras instituições
governamentais, a sociedade civil e os parceiros internacionais. Daqui resultou o
documento ‘Proposta para a organização do processo de preparação do PARPA
II’.
36. Recuperou-se a noção de programa estratégico para o consenso que guiou a
Agenda 2025 e adaptaram-se os aspectos do processo utilizado na sua preparação.
Neste âmbito, foram criadas as seguintes estruturas de apoio: (i) os Grupos de
Temáticos e Grupos de Trabalho – seguindo a estrutura da Revisão Conjunta
(Tabela 1); (ii) o Secretariado Técnico, com técnicos do MPD; e (iii) os
Observatórios da Pobreza, nacionais e provinciais.
37. O Secretariado Técnico foi formado por quadros do MPD - DNP e DNEAP. Este
Secretariado preparou os Termos de Referência dos grupos e documentos técnicos
sobre as diferentes áreas. A cada grupo de trabalho foi alocado um membro do
Secretariado Técnico como ponto focal. O Secretariado Técnico também serviu de
elo de ligação com a Sociedade Civil e os Parceiros Internacionais.
38. Numa primeira fase, as discussões tiveram lugar principalmente nos Grupos de
Trabalho. Estes adoptaram a mesma estrutura que os Grupos de Trabalho da
Revisão Conjunta (G17 2005). O objectivo principal dos Grupos de Trabalho foi
facilitar debates substanciais sobre o conteúdo do PARPA II, que foram
reflectidos em relatórios. A estratégia de médio prazo foi sistematizada numa
matriz contendo os elementos: área, subárea, objectivos e acções. Os relatórios
foram englobados ao nível temático e serviram de documentos de suporte ao 3º
Observatório da Pobreza.
39. Os Grupos foram chefiados por quadros superiores do Governo. Estes Grupos
foram compostos por técnicos do Governo, Sociedade Civil e Parceiros
Internacionais. O Governo e a Sociedade Civil reuniram sem os parceiros
internacionais durante várias sessões para tomar conhecimento dos principais
assuntos e intercambiar opiniões. O G20 esteve em contacto permanente com o
Secretariado Técnico. Os parceiros internacionais entraram no processo mais
tarde. Esta iniciativa de incluir aos parceiros numa segunda fase contribui
parcialmente para assegurar a “apropriação” do processo.
40. Numa segunda fase, após o 3º Observatório da Pobreza em Agosto 2005, os
Grupos de Trabalho e Temáticos tiveram a responsabilidade de elaborar os inputs
necessários para facilitar a tarefa de elaboração da versão preliminar do PARPA
II. Estes inputs foram finalizados em princípios de Outubro 2005. Os Grupos de
Trabalho prosseguiram com os seus trabalhos nas matrizes por áreas seguindo as
indicações que surgiram no Observatório da Pobreza em Agosto 2005, incluindo a
discussão sobre os assuntos transversais. Seguidamente, os Grupos de Trabalho
desdobraram a matriz de estratégia desenhada na fase anterior em duas matrizes
diferentes. Uma matriz que serve para planificar e calcular os custos das diferentes
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actividades (Matriz de Planificação e Orçamentação) e uma matriz com
indicadores e metas das actividades propostas para servir a monitoria do PARPA
II (Matriz de Monitoria e Avaliação).
41. Realizaram-se mais dois Observatórios da Pobreza nacionais, um em Agosto e
um outro em Novembro de 2005. Recorde-se que os Observatórios da Pobreza
nacionais são fóruns de natureza participativa que incluem o Governo, a
Sociedade Civil e os Parceiros Internacionais. Estes observatórios têm a função
fazer o acompanhamento das acções e o grau de desempenho do PARPA.
42. No 3º Observatório da Pobreza, em Agosto 2005, delinearam-se as grandes linhas
do PARPA II e foram apresentadas as deliberações iniciais dos Grupos de
Trabalho. Estes relatórios foram englobados ao nível temático. A estratégia de
médio prazo por pilares ficou assim definida: (i) governação, (ii) capital humano,
e (iii) desenvolvimento económico.
43. Adicionalmente as províncias organizaram os respectivos Observatórios da
Pobreza Provinciais para receber os subsídios da Sociedade Civil e parceiros
locais para o PARPA II. Estes, além de reflectir os interesses das províncias,
recolheram informações dos distritos.
44. O 4º Observatório da Pobreza, em Novembro 2005, serviu para analisar uma
versão preliminar do PARPA II, elaborado com a coordenação do MPD, com base
nos subsídios recebidos das diferentes estruturas do processo: (i) relatórios dos
Grupos de Trabalho; (ii) subsídios da SC; (iii) relatórios dos Observatórios da
Pobreza (nacional e provinciais).
45. Após o 4º Observatório da Pobreza, concluiu-se o PARPA II que foi enviado ao
Conselho de Ministros e à Assembleia da República.
Tabela 1. Grupos de Trabalho do PARPA II, por Temas
Tema Grupo de Trabalho
Crescimento Macroeconómico e Estabilidade
Macroeconomia e
Sistemas de Monitoria e Analise da Pobreza
Pobreza
Gestão das Finanças Públicas
Reforma do Sector Público
Governação Descentralização
Reforma da Legalidade e Justiça
Sector Financeiro
Sector Privado
Desenvolvimento Agricultura e Desenvolvimento Rural
Económico Infra-estrutura: Estradas, Telecomunicações, Portos e Caminhos de
Ferro
Infra-estrutura: Energia
Saúde
Capital Humano Educação
Água e Saneamento
HIV-SIDA
Género
Assuntos
Meio Ambiente
Transversais
Ciência e Tecnologia
Segurança Alimentar, desastres naturais e desminagem.
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III. Pobreza Absoluta – Evolução
1. Conceito de Pobreza
46. Apesar da erradicação da pobreza seja um dos principais objectivos nos
programas de governação, a definição do conceito pobreza contínua em debate
ainda não concluído. Para efeitos de definição de políticas, pobreza inicialmente
foi considerada com a falta de rendimentos (dinheiro ou espécies) necessários para
a satisfação das necessidades básicas. Porque esta definição monetarista não
cobria todas as vertentes da pobreza, ao longo de tempo foi-se alargando o
conceito para abarcar aspectos como falta de acesso a educação, saúde, agua e
saneamento entre outros. Nos últimos anos, o conceito da pobreza inclui fora dos
acima mencionados, aspectos como isolamento, exclusão social, falta de poder,
vulnerabilidade e outros. A Caixa 1 apresenta definições alternativas de pobreza
que tentam cobrar as vertentes principais de pobreza incluindo a definição usada
pelo PARPA II.
Caixa 1: O que é a pobreza?
Definição PARPA I: “ incapacidade dos indivíduos de assegurar para si e os seus
dependentes um conjunto de condições mínimas para a sua subsistência e bem-
estar, segundo as normas da sociedade.” 1
Definição PARPA II: “Impossibilidade por incapacidade de/ou falta de
oportunidade de os indivíduos, as famílias e comunidades de terem acesso às
condições básicas mínimas, segundo as normas básicas da sociedade.”
Outras definições:
- “falta de rendimentos necessários para satisfação das necessidades alimentares
básicas, ou os requerimentos calóricos mínimos” (Pobreza Absoluta ou Extrema, em
termos de rendimento);
- “falta rendimento suficiente para satisfação das necessidades alimentares e
não alimentares essenciais, de acordo com o rendimento médio do país” (Pobreza
Relativa);
- “falta capacidade humana básica, como analfabetismo, má nutrição, esperança
de vida reduzida, saúde materna fraca, incidência de doenças preveníveis, com
medidas indirectas tais como acesso à bens, serviços e infra-estruturas necessárias
para atingir capacidades humanas básicas – saneamento, agua potável, educação,
comunicações, energia, etc”. – (Pobreza Humana).
1
Definição adoptada a partir dos estudos das Avaliações da Pobreza (1996-97 e 2002-03).
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47. Dado que a pobreza é um fenómeno multidimensional, não existe nenhum único
indicador capaz de captar todas as suas vertentes. Portanto, para medir a evolução
de pobreza, é preciso empregar vários indicadores que tentam captar as vertentes
principais de pobreza através múltiplas abordagens.
2. Métodos de Medição da Pobreza
48. Existem dois métodos principais de monitoria e avaliação de pobreza: estudos
quantitativos e estudos qualitativos. Os estudos quantitativos são baseados nas
médias da população seleccionada a partir de grandes amostras representativas.
Por exemplo, o Inquérito aos Agregados Familiares (IAF) 2002-03 entrevistou
8700 agregados familiares e o Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) 2003
entrevistou 11,500 mulheres com idade entre 15-45 anos. Os estudos quantitativos
visam fornecer informação objectiva sobre as condições de vida da população.
49. No entanto, estes inquéritos quantitativos têm dificuldades em fornecer certo tipo
de informações. Por exemplo, as percepções qualitativas de população da natureza
e das causas de pobreza são difíceis de captar. A realização de inquéritos
qualitativos e participativos pode fornecer informação que dificilmente é captada
pelos inquéritos convencionais. A desvantagem de estudos qualitativos é que eles
frequentemente baseiam se em amostras pequenas é não representativas que
dificultam a generalização dos resultados.
50. Num mundo ideal, os dois métodos devem complementar-se. As análises de
pobreza em Moçambique ainda não atingiram este objectivo (veja a secção
Monitoria e Avaliação para os planos no futuro). No entanto, um número
considerável de estudos quantitativos e qualitativos foram feitos desde 2000 e
esses estudos fornecem uma riqueza de informação. As secções seguintes tratam
indicadores de pobreza quantitativos, os resultados gerais de estudos qualitativos,
e os factores que contribuíram a redução de pobreza.
3. Indicadores Quantitativos
i. Introdução
51. Há muitos indicadores quantitativos tais como o analfabetismo, as taxas de
mortalidade, percentagem da população sem acesso a água potável, e o
rendimento entre outros. Uma medida importante baseia se no consumo de
agregados familiares. A meta de diminuir a incidência da pobreza de 54% em
2003 para 45% em 2009 indicada no primeiro parágrafo deste documento refere-
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se a um indicador baseado no consumo. Os estudos sobre a situação da pobreza no
país (Pobreza e Bem-Estar em Moçambique: Primeira e a Segunda Avaliação
Nacional (1996-97 e 2002-03)) utilizaram-se o consumo per capita (isto é, o
consumo total do agregado familiar dividido pelo total de membros) como a
medida básica do bem-estar individual.
52. Dada a importância colocada aos indicadores de consumo, vale a pena considerar
esses indicadores em algum detalhe. No entanto, um ponto principal desta secção
do documento é que os indicadores baseados no consumo não têm sido, não são, e
não devem ser as medidas únicas de pobreza utilizadas. Outros indicadores serão
apresentados também em secções seguintes.
ii. Indicadores Baseados no Consumo
53. A motivação do uso do consumo ao nível do agregado familiar e não o
rendimento, por exemplo, se deve ao facto de:
a) O consumo é o indicador ou medida mais apropriada de bem-estar
realizado, enquanto que o rendimento é uma medida de bem-estar
potencial, na medida em que pode ou não ser consumido;
b) O consumo é o indicador de bem-estar mais exacto e mais estável, pois
tem menos flutuações no decorrer do tempo.
54. Nas avaliações da pobreza baseada no consumo, as condições básicas mínimas
foram identificadas com base numa linha de pobreza absoluta, medida em termos
monetários, que permite o agregado familiar obter um cesto de bens
correspondente a um nível de vida básica. Cada linha de pobreza foi construída
como a soma da linha de pobreza alimentar, estabelecida pelos padrões
nutricionais de aproximadamente 2150 kilocalorias por pessoa por dia, acrescida
de uma porção modesta de despesa não alimentar, determinada na base do
consumo de despesas não alimentares de agregados familiares que sofre de
insegurança alimentar. A análise da pobreza em 2002-03 foi feita de modo a
possibilitar a comparação dos resultados entre este período e 1996-97.
55. O índice de incidência de pobreza mede a proporção da população definida como
pobre, isto é, as pessoas cujo consumo se encontra abaixo da linha de pobreza
definida. Duas importantes medidas de pobreza adicionais se calculam através das
linhas de pobreza: o índice de pobreza diferencial da pobreza e o índice de
severidade da pobreza. Visto que, em 2002-03, estas medidas apontam as mesmas
tendências do que a incidência de pobreza, nós contentamo-nos aqui com só o
índice de incidência de pobreza. Em outros contextos, estas duas medidas
adicionais podem fornecer informação útil.
56. A evolução da incidência da pobreza é apresentada na Tabela 2. Os resultados
indicam para uma redução rápida deste indicador nos dois períodos em análise. A
pobreza reduziu de 69.4 por cento em 1996-97 para 54.1 por cento em 2002-03
(uma redução na ordem de 15.3 pontos percentuais). De recordar que o objectivo
do PARPA I era de reduzir a pobreza até 2005 para cerca de 60 por cento o que
significa que esta meta foi ultrapassada em 5 por cento.
57. Embora se tenha conseguido níveis altos na redução da pobreza, a situação ainda
continua critica no país, pois 10 milhões de moçambicanos vivem ainda na
extrema pobreza. O Gráfico ?? mostra a repartição dessas 10 milhões de pessoas
nas províncias. O Gráfico indica que cada província tem pelo menos 500,000
10
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
pessoas em pobreza. Também, mostra-se claramente o peso de Nampula e
Zambézia na população total do país e a população das pobres.
58. Em termos de área (rural e urbana) pode-se notar que as zonas rurais reduziram
mais a pobreza comparada com as zonas urbanas (16 e 10.5 pontos percentuais
respectivamente). Olhando para as províncias, nota-se que as províncias da
Zambézia e Tete tiveram reduções da pobreza superiores a 22 pontos percentuais
enquanto a província de Sofala teve uma redução em mais de 50 pontos
percentuais, saindo da província mais pobre para a menos pobre do país. Reduções
da pobreza foram verificadas em quase todas as províncias do centro e norte do
país com a excepção de Cabo Delgado em que a pobreza aumentou. Na zona Sul
do país o cenário foi quase inverso onde em duas províncias a pobreza aumentou
(Maputo província e Cidade), e na província de Inhambane verificou-se uma
redução marginal (de 82.6 para 80.7 por cento) ficando esta a província mais
pobre do país.
4
Não Pobre
População (milhões)
Pobre
3
0
o
o
ne
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In
ab
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de
c
C
ín
id
ov
C
Província
Pr
Gráfico ?: População e Pobreza por Província, 2002-03.
59. A Tabela 2 também apresenta os intervalos de confiança nas estimativas de
incidência de pobreza de 2002-03. Esses intervalos de confiança surgem do feito
que as estimativas de incidência são baseadas numa amostra aleatória da
população e não a população total. É de salientar que os resultados nas províncias
têm intervalos de confiança alargados em comparação com o resultado nacional e
os resultados por zona. Na realidade, os intervalos de confiança devem ser ainda
mais grandes por causa dos erros não ligados à amostra. Por exemplo, se
existissem erros de comunicação entre o inquiridor e o inquirido, estes erros
alargariam os intervalos de confiança dos níveis apresentados encima.
60. Dado que a pobreza é um fenómeno multidimensional e dado a incerteza
associada com qualquer indicador, especialmente ao nível provincial, é importante
apresentar outras medidas de pobreza.
11
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Tabela 2: Evolução de Incidência de Pobreza e Intervalo de Confiança 2002-03.
Incidência de Pobreza
Estimativa Intervalo de Confiança
(2002-03)
Limite Limite
Região 1996-97 2002-03 Inferior Superior
Nacional 69.4 54.1 50.6 57.5
Urbana 62.0 51.5 46.3 56.7
Rural 71.3 55.3 51.2 59.4
Niassa 70.6 52.1 41.1 63.2
Cabo Delgado 57.4 63.2 55.8 70.5
Nampula 68.9 52.6 43.0 62.3
Zambézia 68.1 44.6 34.6 54.6
Tete 82.3 59.8 51.5 68.1
Manica 62.6 43.6 35.4 51.7
Sofala 87.9 36.1 29.1 43.1
Inhambane 82.6 80.7 75.9 85.5
Gaza 64.6 60.1 53.2 67.1
Maputo Província 65.6 69.3 63.4 75.2
Maputo Cidade 47.8 53.6 47.3 59.9
iii. Indicadores Baseados na Saúde
61. Os indicadores baseados na saúde também mostram uma evolução positiva, mas
os níveis ainda ficam elevados. Por exemplo, a taxa mortalidade das crianças com
idade menos de cinco anos baixou de 207 por 1000 nascimentos vivos em 1997 a
153 em 2003. Este indicador mostrou uma melhoria importante entre 1997 e 2003;
no entanto, o nível em 2003 ainda fica perto da media de países menos
desenvolvidos que situou se a 160 em 2001.
62. A Tabela 3 apresenta estimativas de prevalência de subnutrição em crianças por
inquérito, indicador e grupo de idade. Alguns esforços foram feitos para tornar se
os dados disponíveis comparáveis. Depois de essas correcções, os resultados
indicam que a prevalência de subnutrição em crianças baixou entre 1996/97 e
2003 segundo três indicadores frequentemente usados. No entanto, em
comparação com os ganhos registados no consumo, essas melhorias na
prevalência de subnutrição em crianças parecem pequenos e, as vezes, elas não
são estatisticamente significativas. As razoes atrás de relativamente fraco
desempenho dos indicadores de prevalência de subnutrição dentro de um período
de crescimento económico rápido não são bem compreendidas.
iv. Outros Indicadores
63. A Tabela 4 apresenta um sumário de evolução de 35 indicadores a nível
provincial. Um sinal positivo (+) indica uma melhoria de indicador enquanto que
um sinal negativo (-) indica uma degradação. De acordo com a Tabela 4, o país
12
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
teve uma melhoria em 87.5% dos indicadores do bem-estar considerados, com
maior peso para o acesso a bens e serviços privados como o acesso a iluminação
moderna, a fonte de água potável e melhores sistemas de saneamento, o acesso a
melhores condições habitacionais e posse de bens duráveis. No entanto, por
província, as de Tete e de Maputo são as que apresentaram a mais alta proporção
de melhoria principalmente pelos feitos positivos na área da saúde, acesso a bens e
serviços privados e públicos como as estradas melhoradas, mercados e meios de
comunicação.
64. Caso especial é o da Cidade de Maputo que apresentou uma melhoria em somente
58.3% dos indicadores considerados. Observando o ranking das províncias em
relação ao nível mais alto do acesso aos serviços e infra-estruturas conclui-se que
tem estado sempre em primeiro lugar em relação ao resto do país. Neste seria, esta
modesta melhoria pode estar a reflectir pressões cada vez maiores sobre a Cidade,
principalmente devido a sua crescente expansão territorial com aumento da carga
demográfica, embora seja caso de preocupação especial o aumento da mortalidade
infanto-juvenil e a desnutrição crónica.
65. E preciso salientar a heterogeneidade dos resultados. Nenhuma província
conseguiu melhorar todos os 35 indicadores e nenhum indicador piorou em todas
as províncias. Contudo, no geral, os indicadores quantitativos de consumo, saúde
e outros mostraram uma tendência de melhoria entre o período 1996-97 e 2002-
03.
Tabela 3: Estimativas de prevalência de subnutrição por inquérito.
Indicador e
grupo de idade 1996-97 IAF 1997 IDS 2000-01 QUIBB 2003 IDS
Altura/idade
0–0.9 anos 23.69 20.67 18.73 19.23
1–1.9 anos 52.21 45.57 46.58 46.29
2–2.9 anos 47.10 51.89 48.06 39.79
3–3.9 anos 47.66 – 50.07 46.33
4–4.9 anos 50.41 – 42.70 41.97
Total 0–3 anos 38.66 36.21 36.24 33.94
Total 0–5 anos 42.17 – 40.42 38.03
Peso/idade
0–0.9 anos 16.43 16.00 16.44 15.23
1–1.9 anos 36.27 34.69 31.79 31.42
2–2.9 anos 25.78 35.54 31.44 26.86
3–3.9 anos 21.48 – 23.00 20.91
4–4.9 anos 25.20 – 16.78 17.78
Total 0–3 anos 25.36 26.75 26.08 24.01
Total 0–5 anos 24.50 – 23.82 22.25
Peso/altura
0–0.9 anos 7.61 5.68 8.31 2.98
1–1.9 anos 10.33 12.76 8.02 6.89
2–2.9 anos 5.90 3.55 6.34 4.95
3–3.9 anos 3.52 – 3.01 3.30
4–4.9 anos 3.05 – 2.78 1.88
Total 0–3 anos 8.14 7.51 7.74 4.88
Total 0–5 anos 6.48 – 5.86 4.01
Fonte: Simler e Ibrahimo (2005).
13
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Tabela 4a: Sumário de evolução de vários indicadores entre 1996/1997 e 2002/2003.
C. Map. Map.
Indicador Nacion. Nia. Delga. Namp. Zamb. Tete Man. Sof. Inham. Gaza P. C.
CONSUMO
Incidência da Pobreza + + - + + + + + + + - -
EDUCAÇÃO
Taxa Bruta de Escolarização EP1 + + + + + + + + + + + +
Taxa Líquida de Escolarização EP1 + + + + + + + + + + + +
Acesso aos Serv. Alfab e Educ de adultos* + + + + + + + + + +
Taxa de desistência EP1 + + + + - + + + - - - -
Taxa de Repetição EP1 + + + + + + - + + + + +
Taxa Bruta de Conclusão EP1 + + + + + + + + + + + +
Rácio Aluno-Sala de Aula EP1 - - - - - - + + + + + +
Rácio Aluno-Professor EP1 - + - - - - - - + + + +
Acesso a Escolas do EP1 * - + - + + + + + - +
Taxa Bruta de Escolarização EP2 + + + + + + + + + + + +
EDUCAÇÃO % DE MELHORIA 77.8 81.8 72.7 72.7 81.8 81.8 81.8 90.9 90.9 81.8 81.8 77.8
SAÚDE
Núm. Médio de Habitantes por Unid.
Sanitária + - + + - + - + + + + -
Número Médio de Camas por 1.000
Habitantes + - - - - + + - - - - -
Número Médio de Habitantes por Pessoal
Técnico de Saúde + + - + + + - + + + + -
Acesso a Posto ou Centro de Saúde * - + - + + - + - - +
Acesso a Médico ou Técnico de Saúde * - + + - + - - + + +
Despesa Média em Medicamenos por Habit. + + + + + + + + + + + +
Cobertura dos Partos Institucionais * + + + + + + - - + +
Procura Satisfeita por Métodos de PF + + + + + + + + + + + +
Cobertura das Vacinações Completas em
Crianças (1 - 2 Anos) + - + + + + + + + + + +
Taxa de Mortalidade Infantil + - - + + + - + + + + -
Subnutrição Crónica crianças entre 1 e 2 anos - + + - - + + - - + - -
SAÚDE % DE MELHORIA 87.5 45.5 72.7 72.7 63.6 100.0 54.5 63.6 63.6 81.8 81.8 37.5
NB: * refere-se as áreas rurais, + refere-se a um melhoramento, e – refere-se a uma degradação.
14
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Tabela 4b: Sumário de evolução de vários indicadores entre 1996/1997 e 2002/2003.
C. Map. Map.
Indicador Nacion. Nia. Delga. Namp. Zamb. Tete Man. Sof. Inham. Gaza P. C.
BENS E SERVIÇOS PÚBLICOS
Acesso a Estradas Pavimentadas * - - + + + + - - + +
Acesso a Estradas de Terra Batida * + + + + + + + + + +
Acesso a Mercados ou feiras * - + + + + + + + + +
Acesso a Transporte Colectivo ou Semi
colectivo de Passageiros * + + + + + + + + - +
Acesso a Telefone Público * - - - + + - + - - +
Acesso aos Serviços de Extensão Rural * - - - + + - + + - -
ACESSO A BENS E SERV PÚB %
MELHORIA 33.3 50.0 66.7 100.0 100.0 66.7 83.3 66.7 50.0 83.3
BENS E SERVIÇOS PRIVADOS
Acesso a iluminação moderna + + + + + + + + + + + -
Acesso a água potável + + + + + + + + + + + -
Posse de sistema de saneamento moderno + - + - + + + + - - + +
Posse de paredes de Cimento + + + + + + + + - + + +
Uso de Combustível moderno para cozinha
(gás e electricidade) + + + + + + + + + + + +
Posse de Rádio + + + + + + + + - - + -
Posse de Bicicleta + + + + + + + + + + + +
ACESSO A BENS E SERV PRIV %
MELHORIA 100.0 85.7 100.0 85.7 100.0 100.0 100.0 100.0 57.1 71.4 100.0 57.1
TOTAL % DE MELHORIA 87.5 62.9 74.3 74.3 80.0 94.3 74.3 82.9 71.4 74.3 85.7 58.3
NB: * refere-se as áreas rurais, + refere-se a um melhoramento, e – refere-se a uma degradação.
Fonte: Ibraimo, 2005.
15
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
4. Estudos Qualitativos
66. Por se reconhecer a necessidade da ter informação recolhida usando métodos
qualitativos nas avaliações da pobreza, em 1995 e 1996 se realizou o primeiro
inquérito desta natureza cobrindo 18 distritos. Estudos foram realizados pelo
Centro de Estudos da População da Universidade Eduardo Mondlane (CEP-UEM)
em coordenação com o extinto Ministério do Plano e Finanças (MPF) e outras
organizações governamentais e não governamentais. Em 2001, realizou-se mais
uma serie de Diagnósticos Participativos da Pobreza organizados pelo MPF com a
colaboração da UEM e o PNUD. Neste levantamento foram abrangidos 21
distritos em 7 províncias no país, nomeadamente Cabo Delgado, Nampula,
Zambézia, Sofala, Tete, Inhambane and Maputo Provincia. Em 2005 se realizou o
terceiro Diagnostico Participativo da Pobreza em duas províncias (Sofala e
Inhambane) cobrindo 8 distritos no total. De referir que a escolha destas duas
províncias tem haver com os resultados encontrados na última Avaliação da
Pobreza onde a província de Sofala reduziu a pobreza em mais de 50 por cento
enquanto a província de Inhambane não houve quase nenhuma mudança sendo
actualmente a província mais pobre do país. Fazendo uma comparação entre estas
avaliações participativas da pobreza não se nota grandes diferenças em termos dos
resultados obtidos. Os resultados destes estudos participativos são apresentados
em seguida.
67. Na avaliação de 1995-96 houve uma referencia geral à guerra como determinante
das condições actuais das pessoas mais pobres. A “ignorância” e as condições
climatéricas não favoráveis, também foram mencionados como factores
determinantes da pobreza. Olhando para a Avaliação de 1995-95 e da de 2001,
observa-se uma ligeira mudança nas causas da pobreza, não se mencionando com
muita frequência no último caso a guerra como factor determinante da pobreza
(passavam nove anos após o fim da guerra civil no país). A falta de apoio (social,
do governo e outras instituições), a falta de oportunidades de emprego (trabalho
na conta de outrem), limitado acesso a meios financeiros, problemas de
comercialização ou a incapacidade (física e mental) para trabalhar como factores
determinantes da pobreza no período de 2001. As migrações forcadas devido à
guerra (“deslocados”) e o encerramento das fabricas, também foram salientados
como causas da pobreza. As questões divinas também foram mencionadas onde se
diz que algumas pessoas nasceram para serem ricas e outras para serem pobres.
Outro ponto que merece atenção é que as comunidades mais afastadas sentem que
as que estão perto das estruturas administrativas estão se beneficiando de apoio do
Governo, tem mais acesso aos serviços (educação, saúde e mercados) enquanto as
mais afastadas estão num total abandono. Os resultados da última avaliação
participativa da pobreza (2005) se assemelham aos de 2001, onde foram
destacadas como causas da pobreza as seguintes:
a) Questões ambientais (secas);
b) Questões humanas (falta de emprego, problemas nas vias de acesso,
exclusão baseada na cor partidária) e a preguiça;
c) Aspectos ligados a protecção dos animais pelo governo também forma
mencionados (“Estamos pobres porque não podemos caçar e as ratazanas
destroem as machambas mas não podemos matar porque estão na
coutada”).
16
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
68. A definição das prioridades varia de acordo com a idade, género, situação
económica e posição na estrutura do poder dos informadores. Em ordem
decrescente de importância, os mais pobres priorizam: transporte, estradas, preços,
comercialização, o acesso a terra e água e a instalação de moageiras a motor.
Trata-se de actividades que, em suma, tornam mais rentável a sua produção
agrícola, que melhoram os seus termos de troca ou possibilidade de participar no
mercado e reduzem a necessidade de mao-de-obra, factor sempre limitante. Nos
diagnósticos de 2001 enfatizaram a necessidade de serviços sociais básicos, em
particular a falta de postos de saúde próximo das residências, falta de transporte
para transportar doentes (ambulâncias, por exemplo) e a insuficiência de pessoal.
Os problemas da corrupção, de falta de abastecimento de água potável, em
especial a deficiente manutenção das infra-estruturas existentes (como as bombas)
também foram reportados neste diagnostico. Para o caso da avaliação de 2005,
para além das questões mencionadas em 2001, o problema de órfãos e viúvas,
aumento da presença policial, assistência directa aos pobres e agro-processamento
foram dados como prioridades.
69. Como a maior parte de APP/DRP são realizados antes da implementação de certos
programas sociais, quando se pergunta quem é pobre dentro da comunidade, todos
se clamam pobres no sentido de todos puderem ser abrangido por tais programas
socio-económicos. A dificuldade de identificar os diferentes estratos na
comunidade criou problemas no desenho perfil dos que podiam ser considerados
pobres e os não pobres o que é muito útil no desenho das estratégias uma vez que
já se têm as características dos diferentes grupos. Em relação à percepção da
pobreza, as respostas variaram segundo o local de inquérito. Alguns factores
mencionados e que estão ligados ao ser pobres foram: Bens materiais, fontes de
rendimento e relações sociais/estado civis.
70. De acordo com as comunidades abrangidas pela avaliação de 2005, a população
em termos de riqueza pode ser dividida em 3 grupos, existindo pobres, médios e
ricos. Em termos de frequência de respostas, pobres são aquelas que não podem
trabalhar por causa de deficiência física, idade, doença ou estado civil (viúvas).
Em outras ocasiões, pobreza está relacionada ao facto de a pessoa trabalhar muito,
mas no fim não ter muito poucos rendimentos devido a diversos factores, como
condições climatéricas não favoráveis ou possuir machambas em locais não
férteis. Também a pobreza relacionada com a superstição, pobreza familiar como
uma espécie de predestinação. Contudo, a pobreza material também foi
mencionada como a falta de bens essenciais, comida suficiente, roupa ou não ter
qualquer fonte de rendimento alternativa.
71. Nestes três diagnósticos, os aspectos mais mencionados como caracterizando o
status social (pobreza/riqueza), na ordem apresentada foram entre outros: posse de
cabeças de gado; emprego, posse de bicicleta, posse de carro, posse de roupa e a
sua qualidade, casa e as condições da mesma, ter dinheiro, acesso ao crédito e
bens para vender; posse de loja ou banca; acesso aos alimentos (qualidade e
quantidade). Olhando para a pobreza dentro das comunidades e não a individual,
encontra-se que a falta de infra-estruturas básicas (estradas, mercados, transporte),
fraca produtividade agrícola e de instituições de apoio são os sintomas e causas da
pobreza.
17
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
5. Factores que Contribuíram para a Redução da Pobreza
i. Introdução
72. Identificar os factores que contribuíram para a redução da pobreza no país não é
um exercício fácil. Isto porque é difícil quantificar a contribuição de cada factor e
são muitos factores que interferem no processo. O Governo de Moçambique
implementou uma série de programas, desde a provisão dos serviços básicos como
educação, saúde, construção de estradas e melhoramento de outras infra-estruturas
socio-económicas cruciais para o melhoramento da vida dos cidadãos. Estes
esforços resultaram na atracção de mais investimentos para o país. A paz e
estabilidade política contribuíram em parte para estes sucessos, mas também não
podemos ignorar que as condições climatéricas tiveram um impacto positivo neste
processo, onde em média as precipitações nos últimos anos foram boas para a
prática da actividade agrícola, com excepção do ano 2000 que o país foi assolado
por cheias na zona sul do país. Assim, esta parte do documento será subdividida
em três áreas, onde: (i) factores que contribuíram para o crescimento económico e
a distribuição deste crescimento; (ii) os determinantes da pobreza no país e (iii)
preocupações para o futuro.
ii. O Crescimento Económico e a sua Distribuição
73. A manutenção do crescimento económico na ordem dos 7 por cento por ano,
foram conseguidos graças ao ambiente macroeconómico estável, avanços na
liberalização dos sectores chave, como por exemplo as telecomunicações e
transporte aéreo e no comércio interno e externo. Fora destes factores acima
mencionados mais outros contribuíram para o sucesso da economia moçambicana
que resultou num redução substancial da pobreza, como o aumento na produção, o
apoio prestado pelos parceiros de cooperação e o impacto dos megaprojectos
implantados no país.
74. Olhando para o ambiente macro-economico, a inflação no país baixou de mais de
60 por cento para níveis de um dígito os finais da década de noventa. Os gastos do
governo aumentaram de 24 porcento do PIB em 1997 para 30 por cento em 2002
embora com reduções para 24 por cento em 2004 mas com modalidades de
financiamento diferente uma vez que em 2004 o Governo teve aumento da ajuda
concessional evitou contrair dívida bancário.
75. Em relação a liberalização do mercado, a intervenção do Estado no sector agrário
foi quase suprimida em meados da década de noventa. A área de
telecomunicações tem sido liberalizada desde 2001 o que permitiu o aumento de
uso da rede móvel. Os utentes da rede móvel de telecomunicações aumentaram
dos 51 000 em 2001 para 700 000 em 2004. O transporte aéreo foi liberalizado
permitindo a entrada de novos operadores nesta área.
76. As tarifas de importação foram gradualmente reduzidas até atingir níveis de 9 por
cento na década de noventa que é uma das mais baixas ao nível do continente
africano. A gestão das alfândegas foi a cargo duma empresa privada o que
permitiu o aumento da eficiência que resultou em mais receitas para o Estado. O
volume das exportações aumentou significativamente neste período em análise,
onde os magaprojectos tiveram uma contribuição muito forte.
77. O sector agrícola que é a base de subsistência de 80 por cento da população,
registou um aumento de 6,8 por cento por ano entre 1992 e 1997 e que depois
abrandou para 4,6 por cento por ano entre 1997 a 2003 (ressalvar o impacto das
18
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
cheias de 2000). Os cereais (milho), açúcar e tabaco são as culturas que mais
contribuíram para o crescimento deste sector.
78. A ajuda ao país (que representa cerca de 12-15 por cento do PIB) e a boa
cooperação entre o Governo e os parceiros contribuiu na melhoria na qualidade
dos serviços de educação, saúde, vias de acesso que são preponderantes na vida da
população.
79. A estabilidade macro e alguns benefícios fiscais atraíram investidores para o país
desde 1997 (megaprojectos). A contribuição dos megaprojectos é cerca de 7% do
PIB onde a MOZAL é o maior contribuinte. Os megaprojectos existentes
actualmente sao uma forma de atracção de outros megaprojectos, pois são uma
indicação a nível internacional das boas condições existentes no país. Com a
entrada da MOZAL, embora não tenha contribuição directa na receita do Estado,
este projecto tem intervenções na área social (construção de escolas, unidades
sanitárias, emprego), mas também encorajou melhorias significativas no Porto de
Maputo o que é atracção para outros investimentos.
80. Devido a facto que a desigualdade no país não aumentou significativamente nos
últimos 5 anos, isto significa que o crescimento económico teve uma base
alargada em termos geográficos e socio-económica (veja Tabela ...). Na maioria
das províncias observou-se um pequeno aumento na desigualdade embora não seja
significativa com a excepção da Cidade de Maputo. Nesta província, os pobres
não se beneficiaram tanto como os ricos do crescimento económico.
Tabela ??: Mudanças na desigualdade ao longo do tempo.
Consumo Gini GE(1)
Área médio
(proporção
da linha de
pobreza)
1996-97 2002-03 1996-97 2002-03
Nacional 1.28 0.40 0.42 0.31 0.37
Rural 1.15 0.37 0.37 0.26 0.27
Rural 1.53 0.47 0.48 0.44 0.50
Norte 1.22 0.38 0.39 0.29 0.35
Centro 1.40 0.37 0.39 0.27 0.31
Sul 1.15 0.43 0.47 0.37 0.50
Niassa 1.29 0.35 0.36 0.22 0.26
C. Delgado 1.27 0.37 0.44 0.27 0.62
Nampula 1.18 0.39 0.36 0.30 0.24
Zambézia 1.35 0.32 0.35 0.20 0.23
Tete 1.06 0.35 0.40 0.21 0.30
Manica 1.41 0.41 0.40 0.36 0.30
Sofala 1.81 0.40 0.43 0.32 0.41
Inhambane 0.77 0.38 0.44 0.31 0.40
Gaza 1.24 0.38 0.41 0.27 0.38
1
Maputo 1.01 0.42 0.43 0.35 0.36
C. de Maputo 1.69 0.44 0.52 0.41 0.60
19
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
iii. Determinantes da Pobreza em Moçambique
81. O crescimento económico observado durante o período de 1997 a 2003 (sem
aumento na desigualdade) é um dos determinantes básicos para a redução da
pobreza verificada entre 1996/97 e 2002/03.
82. Para melhor entender as reais causas da pobreza normalmente se usa modelos de
regressão múltiplos e a combinação de análises de natureza qualitativa e
quantitativa. Nesta secção se apresentam os determinantes da pobreza em
Moçambique em 2002-03. Os resultados da análise apontam como um dos
determinantes mais importante:
a) O baixo nível de educação dentro do agregado familiar;
b) Elevadas taxas de dependência nos AFs;
c) Baixos retornos da actividade económica desenvolvida dentro da
agricultura e indústria, em relação ao comércio e serviços; e
d) Localização intra-provincial devido ao acesso diferenciado a infra-
estruturas e meios de produção dentro da província.
6. Algumas Preocupações
i. HIV/SIDA e a Economia
83. Uma das questões de maior preocupação na economia moçambicana é a alta taxa
de prevalência de HIV/SIDA. As últimas estimativas indicam que 16 por cento da
população entre os 15-49 anos de idade são seropositivos. Esta doença irá afectar
negativamente a economia do país através de três diferentes canais:
a) Redução no crescimento da população e acumulação do capital humano,
b) Redução de acumulação de capital físico, e
c) Redução da produtividade da força de trabalho.
84. As estimativas indicam que o HIV/SIDA poderá reduzir o crescimento económico
per capita na ordem de 0.3 a 1.0 por cento por ano. A redução nas taxas de
pobreza será menos rápida por causa de mais fraco crescimento económico,
redução na acumulação do capital humano e no aumento das taxas de dependência
nas famílias.
85. E preciso notar que os efeitos de SIDA estão só agora a sentir se. O Gráfico ?
mostra que, ao nível nacional, o total de óbitos por causa de SIDA que têm
acontecido desde o inicio da doença é igual ao numero projectado de óbitos entre
o período 2006-2010.
20
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
1,400,000
1,200,000
1,000,000
Pessoas
800,000 Óbitos
600,000 Óbitos cumulativos
400,000
200,000
0
91
94
97
00
03
06
09
19
19
19
20
20
20
20
Year
Gráfico ??: Óbitos de Adultos Por Causa de SIDA.
ii. HIV/SIDA e Órfãos
86. As 800,000 mortes projectadas entre 2004-2010 devido a SIDA e doenças
relacionadas resultarão em número significativo de órfãs. Estas crianças enfrentam
problemas sérios de acesso a educação. Especialmente os órfãos vivendo em
famílias substitutas pobres são discriminados em termos de acesso aos recursos da
família. Fraco acesso aos recursos, especialmente os ligados à educação limita a
possibilidade de saírem da pobreza.
iii. Género: Os Dois Lados
87. O perfil da pobreza mostra que 62.5 por cento das famílias chefiadas por mulheres
são pobres comparados com 51.9 por cento das chefiadas por homens. A análise
de determinantes da pobreza indica que as altas taxas de incidência da pobreza
para as famílias chefiadas por mulheres não é uma questão de pura discriminação.
São as características das famílias chefiadas por mulheres, como o baixo nível de
educação e a viuvez, altas taxas de dependência que resulta em mais altas taxas de
incidência da pobreza. Políticas que promovem a educação das mulheres poderão
criar melhores oportunidades para as chefiadas por mulheres.
88. A morte relativamente prematura é a consequência extrema de condições
desfavoráveis de pobreza, doença, actividades de risco e falta de segurança. A
Tabela ... mostra em que medida as mulheres estão longe de ser as mais lesadas
(INE 2004). Ou seja, a pobreza e o tipo de cidadãos sujeitos a más condições de
vida tem mais que uma face.
Tabela ... Estatísticas Vitais Seleccionadas, 2003
Mulheres Homens Diferença
Esperança de vida à nascença 48.2 44.4 3.8
21
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Mortalidade infantil (por mil habitantes) 110.2 121.2 11.0
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
IV. Visão Principal, Objectivos e Acções Fundamentais
1. Crescimento e Alívio à Pobreza
i. Alcances do PARPA I
89. A visão estratégica do PARPA II toma em consideração o desenvolvimento
económico e social do período antecedente. Os indicadores de crescimento
económico e da evolução dos níveis da pobreza indicam uma forte relação
positiva entre ambos, entre 1997 e 2003. Tomando estes dois anos como
referência para os quinquénios 1995-1999 e 2000-2004, respectivamente, o
desempenho desses indicadores mostra que os objectivos do PARPA I 2001-2005
foram largamente alcançados (Grupo 1-1 2005).
90. O crescimento económico médio anual em Moçambique de 6.1%, medido em
termos reais do Produto Interno Bruto (PIB) e excluindo os grandes projectos,
entre 1997 e 2003 correspondeu a uma redução dos níveis de pobreza em 15.3
pontos percentuais (DNP 2005; DNPO et al 2004).
91. A produção agrícola, incluindo a pecuária e silvicultura, cresceu a uma média
anual de 5.4% (INE 2005). O correspondente crescimento da educação e saúde foi
8.6% e 9.4%, respectivamente. Estes sectores fazem parte do grupo de áreas de
acção prioritárias definidas no PARPA I. As áreas da designada boa governação e
da gestão macro-económica e financeira – no âmbito estatal – estão integradas na
administração pública que cresceu a uma média anual de 9.1%. O investimento
em infraestruturas básicas está incluído no sector da construção cujo crescimento
médio anual também foi de 9.1%.
92. A definição dos objectivos e das prioridades do PARPA I 2001-2005 resultaram
de um processo coordenado e articulado de elaboração a nível do Governo e teve a
participação activa da Sociedade Civil, incluindo o sector privado, em todo o país
e dos representantes da Comunidade Internacional.
93. Apesar do período correspondente ao PARPA I ter tido uma tendência particular
de crescimento económico, com o Estado a concentrar-se nos bens e serviços
públicos clássicos, com um elevado influxo de financiamento externo e com o
investimento e entrada em funcionamento da Mozal e do crescimento das
exportações de electricidade de Cahora Bassa, pode-se ainda considerar que foi
um padrão de crescimento semelhante ao que ocorreu desde 1992.
94. É percepção comum que as elevadas taxas médias anuais de crescimento
económico do pós-guerra, terminada em 1992, se devam à recuperação da
capacidade produtiva a partir de um nível muito baixo; ao ambiente de paz e
estabilidade política de uma democracia recente; ao forte financiamento externo e
respectivo empenho a favor do desenvolvimento, por parte da Comunidade
Internacional; à iniciativa do perdão da dívida externa; à resposta positiva dos
produtores agrícolas, em paralelo com condições climáticas favoráveis em termos
médios; ao investimento em infraestruturas básicas – estradas, portos, caminhos
de ferro, escolas, hospitais, telecomunicações, e serviços de electricidade e água;
ao activismo dos comerciantes; a um incipiente desenvolvimento do sistema
bancário e financeiro; à ligeira melhoria do ambiente de negócios, incluindo a
estabilidade macroeconómica, algumas reformas do sistema fiscal e os benefícios
oferecidos aos investidores; à retirada do Estado como proprietário e gestor da
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
grande maioria das empresas estatais ou intervencionadas; à estabilização política
na África do Sul, e ao seu papel de parceiro económico de Moçambique.
95. Os factores de crescimento como o investimento em capital humano e os ganhos
de produtividade nos serviços são de particular importância. O elevado
investimento em professores e na educação desde a independência em 1975 e a
continuação deste tipo de investimento até aos dias de hoje tem tido os seus
efeitos no aumento da produtividade da economia. Este efeito é conjugado com o
crescimento de alguns serviços de suporte à economia em simultâneo com os
serviços próprios da designada indústria da ajuda ao desenvolvimento. Estes
serviços tendem a usar equipamento e programas informáticos, de comunicações e
de reprodução de documentos com uma tecnologia actual nos países mais
desenvolvidos. O pessoal que trabalha neste sector tem sido capaz de se ajustar ao
uso dessas tecnologias e tem contribuído para o aumento da produtividade.
96. Resumindo, os factores de crescimento têm sido o investimento em capital físico,
principalmente em infraestruturas públicas básicas e num número limitado de
indústrias e serviços; em capital humano; em ganhos de produtividade; e em grau
reduzido no aumento da força de trabalho qualificada migratória.
ii. Problemas
97. Contudo, a estratégia do PARPA I 2001-2005 e o padrão de crescimento
económico de 1992 a 2005 manifestam sinais de inconsistência e
insustentabilidade. As exportações, excluindo as da Mozal mantiveram-se estáveis
em média, como percentagem do PIB entre 2000 e 2003 (Gráfico exportações).
Somente em 2004, as estatísticas já mostram um crescimento. Excluindo os
grandes projectos, o sector formal da economia também não mostrou sinais de
crescimento assinaláveis. As forças de mercado e o sector privado, por si sós,
revelaram-se incapazes de garantir o crescimento dinâmico e articulado da
produção agrícola com os outros sectores económicos; o aumento significativo da
produtividade agrícola; o desenvolvimento dos pequenos e médios produtores; a
redução das taxas de juro reais e do aumento do crédito à economia; de assegurar
o processo de industrialização e de integração no mercado da SADC e no mercado
internacional aproveitando as vantagens comparativas domésticas a favor de
Moçambique. O Estado continua com elevada dependência do financiamento
externo - cerca de 45% (Tabela 8). Apesar de ter havido uma evolução positiva do
aumento no financiamento directo ao orçamento estatal por parte do Grupo dos 17
países e instituições internacionais, continua a haver financiamentos paralelos e
fraccionados. Isto enfraquece a capacidade de articulação do Estado, e contribui
para o tornar ineficaz e ineficiente. O PARPA II 2006-2009 aborda formas de
resolver estes problemas.
98. A tendência para o aumento da desigualdade na distribuição do rendimento, como
indicada pelo Coeficiente de Gini de 0.40 em 1997 para 0.42 em 2003 é
estatisticamente insignificante. Embora historicamente esta tendência não seja
estranha aos países em fase de crescimento rápido, este indicador deve continuar a
ser monitorado, pois um agravamento da desigualdade pode potencialmente ser
fonte de desestabilização. Na cidade de Maputo este indicador tem o valor de
0.52, em 2003. A agravante desta maior desigualdade é que afecta os órgãos
estatais centrais. Os objectivos implícitos de criação de uma burguesia nacional
também foram e são potencialmente fonte de uma atitude permissiva à corrupção
e infestação do aparelho de Estado, desde os escalões superiores aos inferiores.
24
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Ambos os problemas podem ser minimizados se estudados cuidadosamente, se
enfrentados com um programa incisivo, claro, coerente, e abrangente, e se se
basearem no comportamento exemplar a partir do topo da hierarquia estatal.
Existe uma experiência centenária internacional de articulação entre o Estado e o
sector privado que pode ser útil para o caso de Moçambique.
30
25
Valor das exportações de bens/PIB (%)
20
15
10
0
2000 2001 2002 2003 2004
Exportações totais/PIB, ambos com alumínio; Exportações/PIB, ambos sem alumínio
Gráfico .... O efeito ilusório das exportações de grandes projectos no total das
exportações, em Moçambique
Fonte: Elaborado com base em DNP 2005; INE 2000-2004; e INE 2005.
iii. Visão
99. O objectivo de construção da Nação Moçambicana mantém-se actual, orientando
e motivando os cidadãos a aumentar a produtividade a fim de alcançar melhores
condições de vida e de bem-estar.
100. É importante manter taxas médias anuais de crescimento económico
semelhantes às dos anos anteriores através de um processo abrangente e inclusivo
para melhorar as condições de vida, o bem-estar dos cidadãos e para reduzir a
pobreza. Nestas taxas de crescimento deverão estar excluídos os grandes projectos
do tipo enclave. Esta secção indica as condições básicas para se alcançar estes
objectivos e as linhas gerais da estratégia do PARPA II.
101. A consolidação da paz e da democracia, a estabilidade social, a segurança dos
cidadãos e a garantia das liberdades individuais são condições básicas para o
crescimento da economia e para a redução da pobreza absoluta.
102. O Estado vai continuar a investir na provisão de bens e serviços públicos
clássicos a fim de reduzir a pobreza através da transferência de recursos, à
semelhança do que aconteceu durante a vigência do PARPA I, dando contudo
25
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
relativamente mais atenção ao desenvolvimento económico local e endógeno,
tendo em consideração a integração do país na região continental e no resto do
mundo.
103. A posição de extrema pobreza do país no início dos 1990s, o sucesso no
alcance da paz, da transição para um regime de democracia e de economia de
mercado, criou oportunidade para Moçambique receber o financiamento em
donativos e créditos bonificados da Comunidade Internacional. O compromisso
explícito do Governo foi estabelecer uma estratégia para a redução da pobreza em
2001-2005. Esta consistiu em dar prioridade ao desenvolvimento do capital
humano, de práticas de boa governação, assegurando a estabilidade
macroeconómica, investindo em infra-estruturas básicas e contribuindo para o
desenvolvimento da agricultura e da economia rural.
104. O PARPA II 2006-2009 mantém os objectivos de reduzir a pobreza através da
redistribuição de recursos que também beneficiam a população mais
desfavorecida e pobre. Todavia, esta estratégia deve-se tornar mais consistente e
sustentável considerando o objectivo da elevação das condições de vida e de bem-
estar dos moçambicanos em que o esforço próprio e as poupanças nacionais
adquirem um papel preponderante.
105. Por consequência, o PARPA II define os objectivos adicionais de melhorar a
monitoria do desenvolvimento económico, exercer um papel mais activo de
regulação da actividade privada e dos mecanismos de concorrência, e continuar a
dar espaço para parcerias com o sector privado na criação de um ambiente
propício para os negócios. Através das ligações macro e microeconómicas, o
Estado vai facilitar que o sector privado cumpra a sua função de dinamizar o
sector real e financeiro da economia, não só das grandes empresas, mas
particularmente das pequenas e médias unidades produtivas agrícolas, rurais,
agro-industriais e de outros sectores económicos.
106. O Estado vai aumentar gradualmente as suas receitas fiscais como proporção
do PIB até 2009, atingindo 2 pontos percentuais acima do nível registado em
2003. Este objectivo deverá ser alcançado sem o agravamento da carga fiscal ao
sector formal, alargando a base tributária, e reduzindo os níveis de evasão e
isenções fiscais.
107. As instituições da Sociedade Civil, tendo participado nas acções de redução da
pobreza durante a vigência do PARPA I, continuam a ser partes interessadas e
parceiras importantes para a estratégia do novo PARPA. A ajuda externa e
cooperação com os parceiros internacionais do Governo continuam importantes
no combate à pobreza absoluta.
108. A estratégia de crescimento e redução da pobreza está organizada através dos
pilares de governação, capital humano e desenvolvimento económico.
2. Descrição dos Pilares da Estratégia de Crescimento
109. A estratégia do PARPA II é desenvolvida pela articulação dos pilares da
governação, do capital humano e do desenvolvimento da economia. Segue a
explicação de cada pilar e as ligações entre eles.
i. Governação
110. A melhoria do sistema de governação continua a ser objecto do esforço do
Estado e seus parceiros. É papel do Estado continuar a preservar a paz, consolidar
26
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
a democracia, garantir a segurança e transmitir confiança aos cidadãos. O aparelho
estatal deve desenvolver a sua capacidade de gestão pública, melhorando o
desempenho ao nível da liderança hierárquica e reforçando a sua equipa com
pessoal técnico qualificado para fazer face aos desafios de desenvolvimento
nacional, da globalização e da acirrada concorrência internacional.
111. O Estado tem um papel fundamental na criação de condições propícias para o
desenvolvimento da actividade privada e para o desenvolvimento do capital
humano e das infra-estruturas prioritárias.
112. O programa de descentralização das finanças públicas até ao nível do distrito
deve ser acelerado para cumprir com o programa do governo de alargar a base de
criação de riqueza.
ii. Capital Humano
113. O desenvolvimento do capital humano é imprescindível para se atingir os
objectivos do Governo. A educação primária para todos continua um objectivo
válido e deve ser prosseguido com toda a convicção. O ensino técnico-profissional
deve estar orientado a criar capacidade para os instruendos a aplicarem no
mercado de trabalho local. O ensino superior deve ser expandido em Moçambique
e no exterior através de bolsas de estudo. Também deve estar orientado a
satisfazer as necessidades de solução de problemas no sector produtivo. O
tratamento e prevenção das principais doenças como o HIV-SIDA, a malária e a
tuberculose são objecto do esforço permanente do Estado e da sociedade. O
mesmo acontece com a melhoria dos sistemas sanitário e de acesso à água potável.
iii. Desenvolvimento Económico
114. O desenvolvimento económico, vai permitir melhorar as condições de vida e
reduzir a pobreza. Neste processo é importante o investimento em capital humano,
em infra-estruturas básicas, e a estabilidade macroeconómica. O sector privado
tem um papel fundamental de impulsionar o crescimento num ambiente de
economia de mercado. Para isso, os sistemas legal e de justiça deverão responder
às necessidades de regulação da actividade privada e de resolução eficiente e
célere dos conflitos contratuais de fórum económico.
115. O sistema tributário deve ser transformado para incentivar o crescimento
económico no sector formal, expandir a base tributária e contribuir para a redução
das isenções e da evasão fiscal, aumentando o financiamento, em termos reais, do
Estado contínua e gradualmente através dos recursos internos.
116. O objectivo de manter a estabilidade macroeconómica através da gestão
prudente das finanças públicas e das operações do Banco de Moçambique
permanece essencial no âmbito do crescimento económico sustentável e da
redução da pobreza.
117. Há necessidade de promover maior coordenação e melhorar os fluxos de
informação entre os órgãos do governo e com os financiadores externos. Também
é importante melhorar a gestão dos influxos da ajuda externa.
118. Deve-se acelerar o desenvolvimento e aprofundamento do sistema financeiro e
bancário para incentivar a poupança local e para canalizar uma porção crescente
do crédito à actividade produtiva privada.
27
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
119. O desenvolvimento da agricultura no curto e médio prazo continua relevante
para o crescimento económico e a redução da pobreza absoluta. A ênfase da
assistência do sector público deve recair no desenvolvimento da investigação
científica e de novas tecnologias, no aumento da produtividade dos bens agrícolas
prioritários, e nos ganhos de eficiência no sistema de comercialização.
120. Devido ao seu potencial de rápido crescimento da produção, emprego e
ligação inter-industrial, a expansão do sistema agro-industrial, das manufacturas
intensivas em mão de obra, incluindo as industrias locais orientadas para a
exportação são uma prioridade em termos de promoção do investimento e de
monitoria dos órgãos de tutela estatais, no curto e médio prazo (Grupo 1-1 2005; e
Adelman 1984). O sistema agro-industrial corresponde às indústrias que usam
matéria prima da agricultura, no sentido lato, bem como as indústrias que
fornecem equipamento, bens de consumo intermédio e bens finais aos produtores
agrícolas e rurais.
121. Seguem-se a prioridades do Governo por pilar, em função dos seus objectivos
centrais.
3. Prioridades do Governo
122. O Programa Quinquenal do Governo para 2005-2009 definiu objectivos
centrais gerais, que aqui são individualizados e repartidos entre os pilares. Em
simultâneo, apresentam-se respectivos objectivos estratégicos e as prioridades
centrais. Estes elementos relacionam-se com indicadores e metas anuais na matriz
da estratégia (Anexo).
i. Geral
Objectivos
123. A redução dos níveis de pobreza absoluta; e
124. A promoção do crescimento económico rápido, sustentável e abrangente.
Prioridades
125. Desenvolver políticas e usar instrumentos para promover o crescimento real
médio anual do rendimento nacional per capita;
126. Manter relações de estreita coordenação com a Comunidade Internacional para
permitir a continuação dos fluxos de ajuda ao país e ao orçamento estatal em
particular;
127. Assegurar a redistribuição do rendimento à população, em particular aos mais
pobres, através dos serviços sociais e das restantes funções clássicas relevantes do
Estado;
128. Continuar a monitorar a evolução dos níveis de pobreza; e
129. Melhorar a monitoria da evolução económica, incluindo da produtividade.
ii. Governação
Objectivos
130. A consolidação da unidade nacional, da paz, da justiça e da democracia;
131. O combate à corrupção, burocratismo e criminalidade;
132. O reforço da soberania e da cooperação internacional; e
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
133. O desenvolvimento harmonioso do país.
Objectivo Estratégico
134. Edificação de Estado Nacional Próspero.
Prioridades
135. Assegurar a separação dos poderes executivo, legislativo e judicial;
136. Manter abertos os canais e o espírito de comunicação entre as diferentes forças
políticas;
137. Racionalizar as funções dos órgãos estatais para responder aos objectivos
planificados, melhorar a coordenação intersectorial, e evitar redundância;
138. Descentralizar as funções estatais até ao nível distrital com implicações
orçamentais, para facilitar o desenvolvimento local;
139. Rever o sistema salarial e de incentivos, e aplicar o sistema por contratos fora
do quadro do pessoal para assegurar que as posições que exigem elevada
qualificação técnica sejam preenchidas por nacionais, e que sejam criadas para
responder à formulação de políticas prioritárias;
140. Garantir a defesa dos direitos de propriedade e de uso e aproveitamento da
terra, e coordenar com a sociedade civil e o sector privado formas de solução
rápida de conflitos contratuais de fórum económico, respeitando a legislação em
vigor;
141. Preparar estratégias para enfrentar situações de vulnerabilidade natural ou com
origem humana, como por exemplo secas, cheias, pragas, viroses (e.g. aves),
aumentos de preços do petróleo, deterioração drástica dos termos de troca, e
flutuações acentuadas das taxas de câmbio;
142. Assegurar a efectividade dos órgãos estatais de inspecção e auditoria do
desempenho nas áreas financeiras e de património;
143. Combater a criminalidade, sem tréguas;
144. Integrar nos programas e planos de actividade os principais compromissos
internacionais de integração na sub-região continental, e na comunidade
internacional, tendo em conta que o bem-estar dos produtores e consumidores
moçambicanos não pode piorar;
145. Contribuir para que os investimentos e o orçamento público tenham uma
distribuição nacional equilibrada mas realista.
iii. Capital Humano
Objectivos
146. Melhorar a educação;
147. Melhorar a saúde;
148. Promover e consolidar o espírito de auto-estima dos cidadãos; e
149. A valorização da cultura do trabalho, zelo, honestidade e prestação de contas.
Objectivo Estratégico
150. Desenvolvimento do capital humano.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Prioridades
151. Aumentar os níveis de acesso ao ensino;
152. Incentivar a adequação da educação às necessidades de competências do lado
da procura, em particular no ensino técnico-profissional e superior;
153. Desenvolver a actividade científica e a inovação e aplicação tecnológica,
tomando em consideração a sua aplicação prática e produtiva;
154. Aumentar os níveis de cobertura dos serviços de saúde;
155. Reduzir a mortalidade materno-infantil;
156. Travar os níveis de incidência do HIV-SIDA; e reduzir a incidência de mortes
por malária e tuberculose;
157. Contribuir para a criação de oportunidades iguais entre mulheres e homens,
sem discriminação negativa ou positiva, e dando preferência à harmonia entre a
evolução social e as tradições locais;
158. Incluir no sistema de educação, a partir do nível primário, os temas da moral,
da cultura do trabalho, e da responsabilização individual;
159. Desenvolver e consolidar as redes sociais de apoio aos cidadãos mais
desfavorecidos, crianças órfãs, idosos, deficientes, mutilados, e doentes crónicos;
160. Integrar o sistema de apoio aos cidadãos mal nutridos e sujeitos a crises de
fome com o desenvolvimento do sistema da produção alimentar.
161. Assegurar a manutenção do equilíbrio ambiental em todo o território nacional,
incluindo nas áreas onde decorrem os novos projectos de actividades de qualquer
natureza.
iv. Desenvolvimento Económico
Objectivos
162. O desenvolvimento rural;
163. Propiciar o desenvolvimento do empresariado nacional; e
164. A criação de um ambiente favorável ao investimento.
Objectivo Estratégico
165. Desenvolvimento da economia.
Prioridades
166. Estimular a transformação estrutural da agricultura, implicando o aumento da
produtividade neste sector, bem como a sua integração no sector rural, no resto da
economia e competindo no mercado internacional;
167. Transformar o eixo rodoviário norte-sul num pólo de desenvolvimento
nacional, com ligações multisectoriais e territoriais, para satisfazer objectivos
gerais e dos três pilares;
168. Elaborar uma política nacional de energia sustentável e continuar a investir na
electrificação nacional, em particular das zonas rurais;
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
169. Contribuir para atingir e manter a estabilidade macroeconómica através da
gestão competente das finanças públicas e das operações do Banco de
Moçambique;
170. Aumentar gradualmente as receitas fiscais como proporção do PIB até 2009,
atingindo 2 pontos percentuais acima do nível registado em 2003, revendo as
presentes taxas das leis base do IVA, IRPC e IRPS, sem as agravar;
171. Assegurar que o Estado honre os seus compromissos de pagamento pelos
serviços e bens comprados no mercado;
172. Definir uma estratégia para orientar, sistematizar e regularizar os fluxos da
ajuda externa e do crédito externo ao sector público, bem como fazer uma gestão
sustentável da dívida pública;
173. Incentivar o aumento da poupança nacional e o aumento sustentável do crédito
e micro-crédito à economia, em termos reais;
174. Definir uma política do comércio internacional e uma estratégia de integração
económica regional na África Austral e nos principais mercados internacionais;
175. Promover a expansão do sistema agro-industrial, das manufacturas intensivas
em mão-de-obra, e das indústrias locais orientadas para a exportação, em
particular das unidades de pequena e média escala e as que derem um elevado
contributo relativo para o rendimento nacional;
176. Regular a extracção dos recursos naturais contendo elevado valor de mercado
ou estratégicos, devendo as condições contratuais da sua exploração ser do
conhecimento explícito dos órgãos relevantes do governo e da Assembleia da
República, antes e depois da assinatura;
177. Promover, regular e monitorar o desenvolvimento do turismo, assegurando
que este sector dê um contributo líquido sustentável ao orçamento estatal.
31
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V. Cenário Base Macroeconómico e Fiscal
1. Programação Orçamental de Médio Prazo
178. O objectivo central deste capítulo é apresentar um cenário que possa servir de
base para o quadro macroeconómico e fiscal do PARPA II, quantificando a sua
estratégia e identificando opções/custos de oportunidade. O cenário fornece as
previsões de 2005-9 e 2014.
179. O cenário base apresenta uma meta optimista, ultrapassando uma visão
restritiva e conservadora. Tem um papel político de incentivar reformas.
180. O cenário aborda o sector real, externo, fiscal, e monetário, estando todos eles
interligados.
i. Sector Real
181. O cenário base projecta taxas de crescimento económico que estão em média
acima de 7% até 2009 e são de 6.5% em 2010-14 (Tabela 5). Os sectores da
agricultura, comércio, e transportes desempenham um papel importante no
crescimento, contribuindo para a integração da economia nacional.
Tabela 5. Projecções do PIB, Inflação e População (2005-2009, 2014)
2005 2006 2007 2008 2009 2014
PIB real (base = 1996) 68.561,1 73.977,4 79.151,3 84.678,6 90.597,7 124.715,6
% variação anual 7,7 7,9 7,0 7,0 7,0 6,5
(total em milhões de US$) 3.013,4 2.872,2 2.957,7 3.067,0 3.189,6 3.872,0
(per capita em MZM milhões) 3,5 3,7 3,9 4,1 4,2 5,2
PIB nominal 152.893,6 177.267,7 201.906,3 228.377,0 257.646,5 448.662,8
(per capita em MZM milhões) 7,9 8,9 9,9 11,0 12,1 18,7
(total em milhões de US$) 6.720,1 6.882,4 7.544,7 8.271,6 9.070,7 13.929,5
(em US$ per capita) 346,4 346,5 370,9 397,1 425,3 580,0
Taxa de inflação (fim de período) 8,0 7,0 6,0 5,5 5,4 5,0
Taxa de inflação (média anual) 6,3 7,5 6,5 5,7 5,4 5,0
População (milhões) 19,4 19,9 20,3 20,8 21,3 24,0
Crescimento populacional 2,4 2,4 2,4 2,4 2,4 2,4
182. Os grandes projectos têm um papel mínimo, sendo a única mudança o
arranque de Moma em 2006. Além disso não há planos certos quanto aos outros.
Assim, as taxas de crescimento não se baseiam num grande impulso desta espécie
de empreendimento.
183. É de realçar que por detrás das previsões de crescimento há pressupostos
importantes, nomeadamente: estabilidade e paz interna e internacional; exploração
do potencial da economia na agricultura, agro-indústria, e em menor dimensão nos
recursos naturais, e turismo; a continuidade de reformas no sector público, assim
melhorando o ambiente empresarial e acesso ao crédito, em particular o rural;
melhor sistema bancário e sofisticação do sistema financeiro; esforço considerável
na provisão e manutenção de infra-estruturas; apoio às empresas de pequena e
média escala; entrada de capital externo em forma de ajuda e investimento;
aprofundamento de relações económicas externas, em particular com a SADC.
32
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
184. Constituem potenciais riscos a deterioração da economia mundial em termos
gerais de procura pelas exportações, ou em termos dos preços de mercadorias
específicas, como o caso do petróleo; a baixa radical ao nível de ajuda externa;
choques climáticos; o fracasso de reformas e programas do governo virados ao
fortalecimento do sector da justiça, infra-estruturas, e agricultura; e choques
monetários, por razões políticas, por exemplo.
ii. Sector Externo
185. A projecção da taxa de câmbio assume uma estabilidade na Paridade do Poder
de Compra (PPC), isto é, da taxa de câmbio real e uma taxa de inflação baixa e
estável.
186. As exportações excluindo os produtos dos grandes projectos (mega projectos)
evoluem segundo um pressuposto optimista (Tabela 6). Este tipo de desempenho
será importante para manter os níveis desejados de reservas internacionais.
Tabela 6. Projecções de Indicadores das Relações Externas (2005-2009, 2014)
[em US$ milhões] 2005 2006 2007 2008 2009 2014
Taxa de câmbio (MZM/USD) fim de período 25.476 26.595 27.503 28.308 29.109 32.977
depreciação anual (%) 34,8 4,4 3,4 2,9 2,8 2,5
Taxa de câmbio (MZM/USD) média anual 22.752 25.757 26.761 27.610 28.404 32.209
depreciação anual (%) 0,8 13,2 3,9 3,2 2,9 2,5
Exportações 1.729 1.801 1.899 2.000 2.093 2.792
% variação anual 19,1 4,2 5,4 5,3 4,6 5,3
Mega Projectos 1.247 1.263 1.306 1.349 1.376 1.638
Outras 483 539 593 652 717 1.154
% variação anual 19,7 11,6 10,0 10,0 10,0 10,0
Importações 2.223 2.234 2.377 2.508 2.668 3.371
% variação anual 26,8 0,5 6,4 5,5 6,4 4,7
Mega Projectos 412 356 337 337 345 390
Outras 1.811 1.878 2.040 2.171 2.323 2.981
% variação anual 22,8 3,7 8,6 6,4 7,0 5,0
Balança Comercial -494 -432 -478 -507 -575 -579
Balança Comercial (salvo MPs) -1.328 -1.339 -1.447 -1.519 -1.606 -1.827
% PIB -19,8 -19,5 -19,2 -18,4 -17,7 -13,1
Ajuda Externa ao Governo (donativos + créditos) 889 996 1.044 1.042 1.047 1.031
% PIB 13,2 14,5 13,8 12,6 11,5 7,4
Reservas Internacionais Líquidas (variação) -61 0 35 63 29 50
187. Assume-se a estabilidade da balança comercial (global) e o fortalecimento
gradual da posição das reservas internacionais líquidas. Contudo, o papel da ajuda
externa continua ser de extrema importância.
iii. Sector Monetário
188. Para o cumprimento das metas deste sector pressupõe-se que as metas nos
sectores fiscal e externo sejam alcançadas.
189. A expansão da base monetária deve ser controlada para manter níveis baixos
de inflação. As metas aqui propostas baseiam-se nas projecções da inflação e da
taxa real de crescimento durante o período.
190. As projecções do sector externo sugerem que as reservas internacionais do
Banco de Moçambique melhorem gradualmente até 2014, essencialmente
mantendo um nível constante de cobertura das importações não relacionadas com
33
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
os grandes projectos. Assim, se não for possível alcançar o crescimento forte nas
exportações bem como controlar as importações, aumentará a pressão sobre a taxa
de câmbio.
Tabela 7. Projecções dos Indicadores Monetários (2005-2009, 2014)
(milhões de contos) 2005 2006 2007 2008 2009 2014
Activos externos líquidas 32.819,8 33.713,8 35.257,2 37.586,8 39.160,3 51.691,3
dos quais: Reservas internacionais líquidas 22.928,2 23.934,7 25.708,4 28.253,8 29.886,2 45.043,6
(US$ milhões) 900,0 900,0 934,8 998,1 1.026,7 1.365,9
mêses de cobertura de importações (exl. MPs) 6,0 5,8 5,5 5,5 5,3 5,5
Activos internos líquidos 6.930,5 12.172,3 16.783,9 21.150,5 27.076,3 56.157,7
Crédito interno 11.657,5 13.188,8 13.688,6 14.247,4 16.036,1 37.924,7
Crédito ao governo (líquido) -6.434,4 -7.766,5 -10.410,0 -13.466,0 -16.527,1 -21.000,0
Crédito à economia 18.091,9 20.955,3 24.098,6 27.713,4 32.563,2 58.924,7
Outros activos e passivos -4.727,0 -1.016,4 3.095,2 6.903,2 11.040,2 18.233,1
Moeda e quase-moeda (M3) -39.750,3 -45.886,1 -52.041,1 -58.737,3 -66.236,6 -107.849,1
Moeda em circulação -5.366,3 -6.058,2 -6.870,8 -7.754,9 -8.745,0 -14.239,0
Depósitos -34.384,0 -39.827,9 -45.170,2 -50.982,4 -57.491,6 -93.610,1
Balança 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
191. Em termos de crédito ao governo: prevê-se um aumento líquido nos depósitos
do Governo até 2009, ou seja, em termos líquidos o Governo não receberá crédito
do sistema bancário (Tabela 7). Esta tendência é consistente com o fortalecimento
do défice primário e suporte à política monetária. A partir de 2009 sugere-se que o
Governo mantenha estabilidade fiscal com mudanças mínimas ao seu “stock” de
crédito líquido. Nota-se que uma falta de controlo fiscal do Governo podia limitar
a expansão de crédito ao sector privado.
2. Envelope de Recursos 2006-2009, 2014
192. O envelope de recursos define a totalidade de financiamento disponível ao
Governo, sendo consistente com outras metas macroeconómicas e as previsões
acima apresentadas sobre o comportamento da economia durante o período.
193. O objectivo central é de continuar a mobilizar os recursos domésticos, desta
forma reduzindo a proporção de financiamento externo no Orçamento do Estado e
aumentando a sustentabilidade das finanças públicas no longo prazo.
194. Respeitante às Receitas do Estado, prevê-se um aumento significativo de
14,1% do PIB em 2005 para 15,1% em 2009, representando um incremento real
médio de 9,3% por ano. Este deve-se ao ritmo de crescimento da economia, e
sobretudo às reformas tributárias e outros esforços do sector público indicados nos
capítulos I, IV, e Anexo. Contudo, reconhece-se que tais recursos devem ser
mobilizados de modo a que o crescimento do sector privado não seja prejudicado
e que os incentivos de desenvolver actividades económicas no sector formal não
sejam minados.
195. Prevê-se que o valor de recursos externos disponíveis se mantenha constante a
partir de 2006 em termos de dólares (Tabela 9). Esta estabilidade representa um
alvo político prudente, sendo consistente com a necessidade de tornar as finanças
públicas mais sustentáveis, com a manutenção de estabilidade macroeconómica, e
com a consideração de não prejudicar o desenvolvimento do sector privado. Nota-
se que o incremento antecipado dos recursos externos em 2006 se deve à maior
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
abrangência do Orçamento do Estado, ou seja a inclusão de vários recursos
externos que eram previamente extra orçamentais – off-budget.
196. Em termos globais, projecta-se que o envelope de recursos não aumente em
termos do PIB até 2009 (Tabela 8). Esta tendência baseia-se na projecção que os
recursos externos sejam constantes e que o crédito interno ao Governo diminua
consideravelmente. De facto, prevê-se que o Estado passe a registar um superavit
orçamental durante o período até 2009 ligado à mobilização crescente dos
recursos internos, com o controlo das suas despesas correntes, e com a diminuição
prevista nas suas operações financeiras.
197. O pressuposto do aumento das receitas fiscais é chave para ambas as políticas
tributária e orçamental. Se este objectivo falhar, a estratégia e a consistência do
PARPA II são colocadas em causa.
198. Se fossem realizados, um superavit orçamental habitual e a forte probabilidade
do perdão de dívida externa providenciariam fundos adicionais que poderiam ser
aplicados além do envelope aqui projectado para financiar gastos extraordinários
do Estado. Como tais fundos só podiam ser aplicados se fossem definitivamente
disponíveis, neste momento não deviam constar no plano de financiamento
“normal” do Estado. Porém, vai-se dar uma ideia da importância possivelmente
disponível através da Tabela 10 que apresenta as estimativas pessimistas e
optimistas dos fundos provenientes destas fontes. Calcula-se a estimativa
pessimista como sendo igual a 25% da superavit orçamental do ano anterior
(excluindo as operações com o Banco de Moçambique) mais o valor do cenário A
do perdão de dívida. A estimativa optimista é igual a 80% da superavit orçamental
do ano anterior mais o valor do cenário C do perdão de dívida. Deste modo,
estima-se que estes fundos adicionais possam ficar entre 0,4% e 1,3% do PIB até
2009.
35
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Tabela 8. Resumo do Envelope de Recursos (2005-2009, 2014)
(milhões de contos) 2005 2006 2007 2008 2009 2014
Recursos Totais 44.273,9 52.529,5 59.322,7 63.291,3 69.124,4 104.977,7
Recursos Internos 23.551,2 26.665,7 31.194,3 34.311,0 39.141,4 72.768,3
Receitas do Estado * 21.632,1 27.016,7 31.644,7 36.287,8 41.059,7 72.768,3
Crédito Interno 1.919,1 -351,0 -450,3 -1.976,8 -1.918,3 0,0
Recursos Externos 20.722,8 25.863,8 28.128,3 28.980,3 29.983,0 32.209,5
Donativos 12.425,7 16.756,7 17.719,2 18.607,2 19.503,2 21.612,2
Para projectos 7.228,9 10.510,3 11.076,0 11.545,4 11.877,7 12.904,9
Outros 5.196,8 6.246,4 6.643,2 7.061,7 7.625,5 8.707,3
Créditos 8.297,1 9.107,2 10.409,1 10.373,1 10.479,8 10.597,3
Para projectos 5.372,5 4.711,1 5.245,3 5.466,7 5.624,1 6.110,4
Outros 2.924,6 4.396,1 5.163,9 4.906,4 4.855,8 4.486,9
em % do PIB
Recursos Totais 29,0 29,6 29,4 27,7 26,8 23,4
Recursos Internos 15,4 15,0 15,4 15,0 15,2 16,2
Receitas do Estado 14,1 15,2 15,7 15,9 15,9 16,2
Crédito Interno 1,3 -0,2 -0,2 -0,9 -0,7 0
Recursos Externos 13,6 14,6 13,9 12,7 11,6 7,2
Donativos 8,1 9,5 8,8 8,1 7,6 4,9
Créditos 5,4 5,1 5,2 4,5 4,1 2,2
em % dos Recursos Totais
Recursos Internos 53,2 50,8 52,6 54,2 56,6 69,3
Receitas do Estado 48,9 51,4 53,3 57,3 59,4 69,3
Recursos Externos 46,8 49,2 47,4 45,8 43,4 30,7
Donativos 28,1 31,9 29,9 29,4 28,2 20,6
Créditos 18,7 17,3 17,5 16,4 15,2 10,1
Tabela 9. Recursos Externos (2005-2009, 2014)
(milhões de USD) 2005 2006 2007 2008 2009 2014
Recursos Externos Líquidos 849,7 959,6 1.010,1 1.010,1 1.016,1 1.000,0
Donativos 539,5 643,1 654,7 665,8 677,7 688,2
Projectos 188,4 190,0 190,0 190,0 190,0 189,4
Contravalores 214,4 219,7 230,9 242,4 254,5 266,4
Financiamento Directo 20,9 35,0 35,0 35,0 35,0 34,9
Programas especiais 98,9 181,8 188,9 193,2 193,2 192,6
Fundos de alívio (HIPC) 16,9 16,6 10,0 5,2 5,0 5,0
Empréstimos líquidos 310,2 316,5 355,4 344,3 338,4 311,8
Projectos 228,4 182,7 196,0 198,0 198,0 197,4
Apoio ao Orçamento 62,4 90,0 90,0 90,0 90,0 89,7
Acordos de Retrocessão 58,4 80,0 103,0 87,7 81,0 55,2
Amortização -39,0 -36,2 -33,6 -31,4 -30,5 -30,5
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Tabela 10. Estimativa dos Recursos Extraordinários Disponíveis (2006 – 2009)
(milhões de Contos) 2006 2007 2008 2009
(1) Superavit do ano anterior * - 351,0 450,3 1.976,8
% PIB - 0,2 0,2 0,8
(2) Impacto do perdão de dívida **
(2.1) cenário A 267,8 276,3 286,5 304,0
(2.2) cenário B 564,5 576,7 592,6 624,7
(2.3) cenário C 919,3 925,2 938,2 978,7
Fundos adicionais (pessimista) 267,8 364,0 399,0 798,2
% PIB 0,2 0,2 0,2 0,3
Fundos adicionais (optimista) 919,3 1.206,1 1.298,4 2.560,2
% PIB 0,5 0,6 0,6 1,0
* Esta é antes das operações financeiras entre o Estado e o Banco de Moçmabique
** Calcula-se os cenários por reduzir os pagamentos previstos de juros e amortização:
A = perdão de 25% multilateral; perdão de 10% bilateral
B = perdão de 50% multilateral; perdão de 25% bilateral
C = perdão de 75% multilateral; perdão de 50% bilateral
3. Enquadramento Orçamental do PARPA
199. O enquadramento orçamental do PARPA II traduz-se no programa global
financeiro que irá acompanhar a realização das acções do Estado constatadas nesta
estratégia de crescimento económico e de redução da pobreza absoluta.
200. Este programa baseia-se no Cenário Fiscal do Médio Prazo, um instrumento
do Governo actualizado anualmente e utilizado para planear a evolução do seu
programa financeiro bem como para preparar o orçamento anual.
201. Na secção sobre o envelope de recursos, apresentou-se a parte dos recursos
disponíveis ao programa do PARPA II. Assim, a Tabela 11 dá um resumo global
do programa fiscal, combinando a evolução das despesas com os
constrangimentos financeiros.
202. Claramente o objectivo principal deste programa orçamental do médio prazo é
a manutenção de responsabilidade fiscal de forma a entrincheirar a estabilidade
macroeconómica e a facultar o alcance deste plano de acção. Assim, a
consolidação da posição fiscal do Governo durante o período é evidente nos
valores negativos do crédito interno ao Governo (excluindo as operações com o
Banco de Moçambique) e no declínio do défice total e do saldo primário em
termos do PIB durante o período até 2009.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Tabela 11. Resumo do Programa Fiscal do Governo (2005-2009, 2014)
(milhões de contos) 2005 2006 2007 2008 2009 2014
1. Recursos Totais 42.354,9 52.880,6 59.773,0 65.268,1 71.042,7 104.977,7
1.1 Receitas do Estado 21.632,1 27.016,7 31.644,7 36.287,8 41.059,7 72.768,3
1.2 Recursos Externos 20.722,8 25.863,8 28.128,3 28.980,3 29.983,0 32.209,5
2. Despesa Total 41.221,1 52.529,5 59.322,7 63.291,3 69.124,4 104.977,7
2.1 Despesa Corrente 22.099,3 26.735,1 29.530,5 32.519,2 35.718,8 55.624,8
2.2 Despesa de Investimento 17.941,0 21.787,8 23.904,6 26.360,4 29.046,7 44.866,3
2.3 Operações Financeiras 1.180,8 4.006,6 5.887,6 4.411,7 4.358,9 4.486,6
= Crédito Interno [= 2 - 1] -1.133,7 -351,0 -450,3 -1.976,8 -1.918,3 0,0
Por memôria:
Crédito Interno líquido -1.133,7 -351,0 -450,3 -1.976,8 -1.918,3 -1.802,6
Défice Corrente [= 1.1 - 2.1] -467,3 281,6 2.114,2 3.768,6 5.340,9 17.143,4
Défice Total [= 1.1 - 2] -19.589,0 -25.512,8 -27.678,0 -27.003,5 -28.064,7 -32.209,5
(% PIB) -12,8 -14,4 -13,7 -11,8 -10,9 -7,2
Saldo Primário -4.481,1 -4.681,1 -3.836,2 -3.882,4 -4.380,0 -6.593,6
(% PIB) -2,9 -2,6 -1,9 -1,7 -1,7 -1,5
Tabela 12. Programa de Despesas (2005-2009, 2014)
(milhões de contos) 2005 2006 2007 2008 2009 2014
Despesa Total incl Operações Financeiras 41.221,1 52.529,5 59.322,7 63.291,3 69.124,4 104.977,7
Despesa Total excl Operações Financeiras 40.040,3 48.522,9 53.435,1 58.879,6 64.765,6 100.491,1
Despesa Corrente 22.099,3 26.735,1 29.530,5 32.519,2 35.718,8 55.624,8
Despesas com o Pessoal 11.044,6 13.345,2 15.214,6 17.209,3 19.415,0 33.425,4
Bens e Serviços 4.777,5 5.586,6 6.158,1 6.965,5 7.858,2 13.011,2
Encargos da Dívida 1.309,4 1.567,7 1.571,4 1.630,4 1.619,4 1.346,0
Transferências Correntes 4.003,2 4.726,5 4.971,2 5.069,8 5.156,9 7.178,6
Outras 964,7 1.509,1 1.615,1 1.644,2 1.669,4 663,6
Despesa de Investimento 17.941,0 21.787,8 23.904,6 26.360,4 29.046,7 44.866,3
Componente Interno 5.339,6 6.566,5 7.583,3 9.348,2 11.545,0 25.083,0
Componente Externo 12.601,4 15.221,4 16.321,3 17.012,2 17.501,8 19.783,2
Operações Financeiras 1.180,8 4.006,6 5.887,6 4.411,7 4.358,9 4.486,6
Activas 270,7 2.093,5 2.795,3 2.466,5 2.349,6 2.233,3
Passivas 910,1 1.913,1 3.092,3 1.945,2 2.009,3 2.253,3
em % do PIB
Despesa Total incl Operações Financeiras 27,0 29,6 29,4 27,7 26,8 23,4
Despesa Corrente 14,5 15,1 14,6 14,2 13,9 12,4
Despesas com o Pessoal 7,2 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5
Bens e Serviços 3,1 3,2 3,1 3,1 3,1 2,9
Transferências Correntes 2,6 2,7 2,5 2,2 2,0 1,6
Despesa de Investimento 11,7 12,3 11,8 11,5 11,3 10,0
Componente Interno 3,5 3,7 3,8 4,1 4,5 5,6
Componente Externo 8,2 8,6 8,1 7,4 6,8 4,4
Operações Financeiras 0,8 2,3 2,9 1,9 1,7 1,0
em % da Despesa Total (incl. operações financeiras)
Despesa Corrente 53,6 50,9 49,8 51,4 51,7 53,0
Despesas com o Pessoal 26,8 25,4 25,6 27,2 28,1 31,8
Despesa de Investimento 43,5 41,5 40,3 41,6 42,0 42,7
Componente Interno 13,0 12,5 12,8 14,8 16,7 23,9
Componente Externo 30,6 29,0 27,5 26,9 25,3 18,8
Operações Financeiras 2,9 7,6 9,9 7,0 6,3 4,3
203. A evolução das despesas é profundamente constrangida por dois factores: (a) a
necessidade de manter as operações correntes do Estado em funcionamento,
incluindo o pagamento dos salários e outros bens e serviços indispensáveis; e (b) o
nível de financiamento externo, o qual financia a maior parte do investimento e
geralmente não devia financiar a despesa corrente.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
204. Dados estes constrangimentos, não é realístico efectuar uma transformação
radical na estrutura das despesas. Desta forma, a Tabela 12 indica mudanças
ligeiras até 2009 nas grandes linhas das despesas. Por exemplo, para manter o
funcionamento efectivo do Estado, incluindo a melhoria desejada na prestação dos
serviços tal como educação, o peso das despesas com o pessoal manter-se-á
constante até 2009 em 7,5% do PIB.
205. Em termos de investimento, prevê-se que o volume de financiamento externo
diminua em termos do PIB a partir de 2006. Todavia, o controlo efectivo de gastos
correntes e o aumento nas receitas do Estado possibilitaria um aumento na
componente interna do investimento, assim assegurando que o valor total de
investimento fique acima de 10% do PIB.
39
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
VI. Cenários da Redução da Pobreza Absoluta
206. As condições de vida dos pobres são influenciadas pelo crescimento
económico. A economia moçambicana nos últimos anos cresceu na ordem dos 8
por cento por ano e no período 1997-2003 observou-se uma redução na incidência
da pobreza em 15.1 pontos percentuais (Tabela ??). Evidencias em outros países
em desenvolvimento (como Moçambique) indicam que países que tiveram um
crescimento económico sustentável por pelo menos uma década tiveram reduções
nos níveis de pobreza. O crescimento económico é frequentemente acompanhado
pela redução da pobreza (Tabela 14). Situações de crescimento económico sem
redução na pobreza estão intimamente ligadas a níveis a desigualdade na
distribuição dos recursos no país.
Tabela 14. Crescimento económico e a redução da pobreza
Países Período Mudança/ano Pontos [Link] per
Percentuais capita (%)
Vietname 1993-98 -4.1 6.8
Bangladesh 1992-96 -1.7 2.8
Camboja 1994-97 -1.0 2.6
Índia 1992-97 -1.4 3.8
Filipinas 1994-97 -1.3 1.9
Indonésia 1990-96 -2.1 6.4
Moçambique 1997-2003 -2.6 6.0
Tailândia 1992-96 -1.0 7.2
Fonte: Balisacan e outros (2003) e GDM (2005)
207. A importância da estratégia macro-económica para a redução da pobreza
pode-se apreciar na Tabela 15, que mostra o impacto sobre a incidência da
pobreza de vários cenários que consideram diferentes projecções de crescimento
económico e os efeitos distributivos associados.7
Considerando o cenário de crescimento do consumo per capita de 5% anual, com
efeito neutro sobre a distribuição de rendas, a incidência da pobreza absoluta
(headcount index) reduzir-se-á de 54.1% da população em 2003 a 36.4% em 2009.
Para o agregado familiar pobre médio (segundo as definições do IAF 02/03), o
consumo real per capita aumentará um 44% até 2009. Pelo contrário, uma taxa baixa
de crescimento do consumo real per capita, de 2% anual, ainda deixaria cerca de
47.2% população debaixo da linha da pobreza em 2009. Neste cenário de crescimento
lento, os resultados permanecem inaceitáveis ainda que se considere a possibilidade
de uma estrutura do crescimento pró-pobre, isto é, segundo a qual o consumo per
7
Esta tabela vem a actualizar e revisar a análise apresentada no capítulo 3 e na tabela 3.10 do estudo
da. Pobreza e Bem Estar em Moçambique - Primeira Avaliação Nacional, MPF . Os cálculos baseiam-
se nos dados do IAF 96/97, tendo em conta os níveis de consumo ajustados aos dados até 2001,
provenientes das estimativas do INE sobre o crescimento das despesas de consumo privado até 1999, e
das estimativas da DNPO para o período 2000 e 2001. O ajustamento pressupõe um crescimento
demográfico do 2.3% durante este período, e uma distribuição neutral do crescimento (tendo em conta
que o sector agrícola cresceu aproximadamente ao mesmo ritmo que o PIB real).
40
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
capita dos pobres cresceria 1.25 vezes mais rápido que o dos não pobres. Portanto, um
crescimento lento significa um progresso lento na redução da pobreza, para qualquer
pressuposto sobre distribuição, dos considerados nos cenários indicados.
41
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Tabela 15. Relação entre Crescimento Económico e Redução da Pobreza
Consumo médio do agregado Consumo médio dos agregados
Incidencia da Pobreza Pobre \a Pobres
(Média por pessoa por dia, % da
Cenários (% populacao Pobre) linha de Pobreza) (Índice, 1997 = 100)
1997 2003 2009 1997 2003 2009 1997 2003 2009
A. Várias taxas de crescimento, distribuição neutral \b
2% crescimento, consumo real per capita 69.40% 54.10% 47.23% 57.80% 62.06% 69.89% 100 107.37% 120.92%
3% crescimento, consumo real per capita 69.40% 54.10% 43.46% 57.80% 62.06% 74.10% 100 107.37% 128.20%
4% crescimento, consumo real per capita 69.40% 54.10% 40.00% 57.80% 62.06% 78.53% 100 107.37% 135.87%
5% crescimento, consumo real per capita 69.40% 54.10% 36.43% 57.80% 62.06% 83.17% 100 107.37% 143.89%
B. 5% crescimento per capita, distribuição não neutral
Pró Pobre: Gr(Pobre) = 1.25 x Gr(Não Pobre) 69.40% 54.10% 34.13% 57.80% 62.06% 86.77% 100 107.37% 150.12%
Anti Pobre: Gr(Não Pobre) = 1.25 x Gr(Pobre) 69.40% 54.10% 38.66% 57.80% 62.06% 79.88% 100 107.37% 138.20%
Anti Pobre: Gr(Não Pobre) = 2 x Gr(Pobre) 69.40% 54.10% 43.34% 57.80% 62.06% 74.21% 100 107.37% 128.39%
Anti Pobre: Gr(Não Pobre) = 3 x Gr(Pobre) 69.40% 54.10% 46.59% 57.80% 62.06% 70.59% 100 107.37% 122.13%
C. 2% crescimento per capita, não neutral
Pró Pobre: Gr(Pobre) = 1.25 x Gr(Não Pobre) 69.40% 54.10% 45.86% 57.80% 62.06% 71.24% 100 107.37% 123.25%
Anti Pobre: Gr(Não Pobre) = 1.25 x Gr(Pobre) 69.40% 54.10% 48.29% 57.80% 62.06% 68.67% 100 107.37% 118.81%
Anti Pobre: Gr(Não Pobre) = 2 x Gr(Pobre) 69.40% 54.10% 49.85% 57.80% 62.06% 66.57% 100 107.37% 115.17%
Anti Pobre: Gr(Não Pobre) = 3 x Gr(Pobre) 69.40% 54.10% 50.99% 57.80% 62.06% 65.22% 100 107.37% 112.84%
Consumo médio equivale à rendimento familiar dividido pelo número de membros do agregado, ajustado às diferenças de preços regionais e aos ratios regionais de amostragem. Os dados apresentados mostram
mudanças no consumo médio dos agregados que estavam debaixo da linha da pobreza no IAF 02/03, como a percentagem da linha de pobreza a preços constantes de 2002/03 (8 472.614,MT pessoa/dia).
"Distribuição neutral” significa que a distribuição do rendimento permanece estável, o que implica que os níveis de consumo aumentam em proporções iguais para todos os grupos de rendimento.
Fonte: Cálculos do MPD.
42
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
VII. Assuntos Transversais
208. Estes assuntos são considerados transversais na medida em que não podem ser
considerados isoladamente, uma vez que as estratégias e acções dependem duma
acção concertada e integrada de uma multiplicidade de actores. Atacar estes
factores é crucial para o sucesso de toda a estratégia de crescimento e redução da
pobreza. A não consideração destes assuntos transversais pode limitar o sucesso
das estratégias e programas definidas para os outros sectores. Com vista a
implentar uma estratégia de redução da pobreza, é importante abordar e tratar das
causas básicas que impedem o desenvolvimento do país.
209. O PARPA II identifica nove (9) assuntos transversais, que constituem as áreas
de impedem ou comprometem a implementação desta estratégia, nomeadamente:
(a) a desminagem, (b) o ambiente, (c) a redução do impacto das calamidades
naturais, (d) HIV/SIDA, (e) Género, (f) segurança alimentar e nutricional, (g)
ciência e tecnologia, (h) desenvolvimento rural, e (i) demografia.
210. Pretende-se com estes assuntos: (a) a criação dum ambiente seguro quer seja
para a mobilidade da população e sua fixação, como para a prática das várias
actividades humanas; (b) e (c) a manutenção de um sistema de condições que
previnam, reduzam e mitiguem situações de vulnerabilidade derivadas dos
desastres naturais; (d) a redução da morbilidade e mortalidade causadas pelo
HIV/SIDA e seu impacto tanto sobre o bem-estar das famílias como sobre a
economia; (e) a redução das disparidades de género de tal forma que homens e
mulheres participem e beneficiem equitativamente do processo do
desenvolvimento e que nenhuma alocação orçamental adicional contribua para a
deterioração das condições de vida da mulher; (f) a redução da inseguridade e
vulnerabilidade alimentar e nutricional principalmente dos grupos populacionais
mais vulneráveis; e (g) o desenvolvimento científico e tecnológico, de tal forma
que os ganhos produtivos sejam ainda maiores dado o acesso a capacidades
técnicas e a tecnologias de maior produtividade em todos os sectores de
actividade; (h) o desenvolvimento rural para reduzir i número de pobres existentes
nas áreas rurais em Moçambique e aumentar o crescimento da economia nacional;
e (i) a integração da demografia que deve ser considerada no desenvolvimento das
diferentes áreas.
211. Todos os assuntos acima encontram-se tratados em cada um dos pilares. No
entanto a necessidade de conferir maior visibilidade em face da relevância dos
mesmos para o sucesso da estratégia explanasse de seguida os principais
objectivos dos mesmos.
212. As questões relativas ao à desminagem, ao ambiente, aos desastres naturais, ao
género, ao HIV-SIDA, à segurança alimentar e nutricional, ao desenvolvimento
rural e à ciência e tecnologia e demografia, são consideradas transversais em
relaçãos aos diferentes sectores e aspectos da vida social e económica do país.
Contudo, elas são também transversais entre si, no sentido de que cada questão
tem importância e relevância na abordagem dos demais assuntos transversais.
1. Desminagem
213. No âmbito dos esforços do Governo na luta contra a pobreza, a desminagem
assume um carácter estrategicamente crucial por ter um impacto directo nas áreas
43
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
de prioridades chaves e noutras, uma vez que com a existência de minas não é
possível a implementação de projectos ou programas de desenvolvimento como
sejam a abertura de escolas ou postos de saúde, a construção de estradas e vias de
acesso, de linhas de transporte de energia eléctrica e/ou infra-estruturas da rede
comercial, turística e industrial.
214. Em Moçambique as minas continuam a constituir um constrangimento nos
esforços de redução da pobreza, sobretudo na implementação de programas de
desenvolvimento do país, em particular nas zonas rurais. Estima-se que 70%
dessas áreas localizam-se nas Províncias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia,
Inhambane e Maputo.
215. Após um processo intensivo de desminagem, logo após a fim da guerra em
1992, o país ainda apresenta áreas territoriais com acumulação de engenhos de
guerra que constituem um perigo para a segurança humana e inibem a expansão
das actividades económicas.
216. Dois objectivos fundamentais na área de desminagem, conforme o PQG,
incluem assegurar a desminagem das regiões afectadas para (i) evitar e reduzir a
perda de vidas humanas e (ii) permitir a implementação de proveitos económicos
e reassentamento e maior mobilidade das populações.
217. A continuidade do processo de desminagem permitirá não somente a maior
liberdade de circulação humana mas também a maior disponibilidade de terras
para a sua utilização.
2. Meio Ambiente
218. A grande dependência da maioria da população moçambicana em relação aos
recursos naturais para a sua subsistência e geração de rendimentos, impõe o
reconhecimento de que o sucesso e relevância do PARPA depende profundamente
do modo como a quantidade e qualidade dos recursos naturais de que o país
dispõe é gerida e conservada, e da relação directa entre o uso e exploração de
recuross naturais e a geração de rendimentos para benefício dos pobres. Por isso
este asunto constitui uma permanente chamada de atenção para a necessidade de
que as opções estratégicas para a redução da pobreza absoluta reflictam e
priorizem a relação estreita existente entre a pobreza e a qualidade do ambiente
em que os pobres vivem.
219. Factos ilustram uma forte relação entre a pobreza e o ambiente. O aumento
não planificado da densidade populacional contribui para uma degradação
ambiental mais acelerada. Os agregados familiares pobres tendem a depender,
para a sua subsistência quotidiana, de actividades que incidem directamente sobre
o ambiente tais como por exemplo: a habitação e cultivo em zonas propensas à
erosão; o uso permanente de material vegetal e lenhoso para a construção,
confecção de alimentos e produção de utensílios domésticos; a drenagem e
saneamento inadequados; o recurso a queimadas para limpeza de áreas de cultivo;
o incorrecto maneio e depósito de resíduos sólidos e orgânicos.
220. A educação e a geração de rendimentos, de forma sustentável, para os
agregados mais pobres poderão contribuir para aliviar a pressão da pobreza sobre
o ambiente. A introdução gradual e a disseminação de tecnologias alternativas
para a construção, cultivo e fertilização de solos, saneamento e fontes de energia
renovável, poderá constituir também um contributo relevante para o propósito de
um ambiente cada vez mais sustentável.
44
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
221. Nas zonas urbanas, onde a densidade da população é mais expressíva, a
degradação ambiental pode contribuir para exacerbar os problemas de saúde e
bem estar das famílias. Doenças endémicas como a malária e a cólera são
consequeência directa de condições precárias de drenagem, saneamento, gestão de
resíduos sólidos e abastecimento de água. A melhoria destas condições de
degradação ambiental passa por medidas de planeamento adequado, ou de
requalificação urbana, nomeadamente o cadastramento e ordenamento do solo, a
dotação correcta de infra-estruturas de acesso, drenagem e abastecimento de água.
Um desenvolvimento integrado do território poderá conter a proliferação de
aglomerados informais nos arredores dos centros urbanos, que são uma das
expressões mais abjectas de atentado à saúde pública, bem estar social e à
biodiversidade.
222. A ligação rural-urbana deve ser encarada de forma integrada e atendendo que
não é possível isolar ambos os sistemas. As actividades económicas geradas no
meio urbano potenciam o desenvolvimento das zonas rurais e vice-versa.
223. A componente do ambiente reflecte as responsabilidades que cabem ao
MICOA, como sector de coordenação, mas também as responsabilidades de cada
um dos diferentes sectores socio-económicos prioritários, incluindo o sector
privado e a sociedade civil. O combate à pobreza é um processo de parcerias em
que o contributo de todos deve ser promovido, reconhecido e estimulado.
224. Produzida à luz dos princípios e prioridades incluídos em três documentos
fundamentais, nomeadamente a Agenda 2025, o Plano Estratégico para o Sector
do Ambiente (PESAM) e o recentemente aprovado Plano Quinquenal do
Governo, a componente do ambiente do PARPA II resulta, por isso, dum
exercício de harmonização destes três documentos, assim como da sua
harmonização com os planos estratégicos dos diferentes sectores e respectivas
componentes no PQG.
225. A capacidade dos extractos pobres de usarem os recursos naturais de uma forma
racional e sustentável é geralmente muito fraca. Isso resulta em que os
rendimentos desses grupos têm um grau de imprevisibilidade enorme. A exaustão
dos recursos naturais coloca em risco o futuro desses grupos. Uma gestão racional
e sustentável dos recursos naturais é fundamental para o desenvolvimento da
agricultura e redução dos elevados índices de incidência da pobreza.
Adicionalmente, as flutuações enormes de rendementos aumentam a insegurança
alimentar e nutricional que, deste modo, aumenta o nivel da pobreza.
226. A protecção dos recursos naturais e seu uso sustentável para assegurar maior e
melhor produção de alimentos exige que se impeça a contaminação das águas, se
proteja a fertilidade do solo e se promova o ordenamento da pesca e a conservação
das florestas.
227. Por outro lado, nas zonas urbanas, a degradação ambiental pode contribuir para
exacerbar problemas de saúde e bem-estar das famílias. Saneamento urbano
insuficiente ou deficitário, fraca capacidade de reciclagem ou gestão do lixo ou
poluição atmosférica contribui para redução da qualidade no meio urbano,
aumentando deste modo o nível de pobreza. Um ambiente limpo é fundamental
para a saúde pública.
228. As grandes prioridades ambientais em Moçambique concentram-se nas
seguintes: (i) saneamento do meio e abastecimento de água; (ii) ordenamento
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
territorial; (iii) degradação das terras (erosão, perda da fertilidade, salinização dos
solos); (iv) gestão dos recursos naturais (flora, fauna, águas, incluindo o controle
das queimadas descontroladas); (v) aspectos legais e institucionais (educação
ambiental, cumprimento da legislação e capacitação institucional); e (vi) poluição
(ar, águas e solos).
229. A transversalidade na abordagem das questões ambientais visa assegurar que
todos os actores do processo de desenvolvimento, e o Estado realizem
devidamente o seu papel na preservação do meio ambiente tanto urbano como
rural.
3. Redução do Impacto das Calamidades Naturais
230. Os perigos naturais só se consideram desastres quando actuam sobre as acções
e actividades humanas. As ameaças naturais não afectam a todos por igual. As
suas consequências desastrosas são proporcionais à vulnerabilidade das
comunidades e dos territórios. Por isso, 90% das vítimas de desastres vivem em
países em vias de desenvolvimento, em condições de pobreza que levam
comunidades a viverem em áreas de risco, propensas a serem afectadas por
inundações, terramotos, etc. Os seus riscos são maiores quando há práticas
ambientais, tecnológicas e urbanistas que aumentam o problema.
231. O aumento da ocorrência de desastres no mundo, sobretudo em países como
Moçambique ameaça destruir a riqueza humana e a própria vida. Os desastres não
são inevitáveis. Por isso, a prevenção de desastres torna-se um assunto muito
importante do desenvolvimento. Mediante a prevenção de desastres pode-se
reduzir a vulnerabilidade das comunidades e dos territórios, em face das diversas
ameaças. Contudo, não é fácil promover uma cultura de prevenção, porque os
custos se pagam no presente para surtir efeitos no futuro.
232. Os desastres acontecem quando se desencadeia uma força ou energia com
potencial destruidor (ameaça) e encontra condições de debilidade perante essa
força ou incapacidade para responder aos seus efeitos (vulnerabilidade). A
vulnerabilidade determina a intensidade do desastre, ou seja, o grau de destruição
da vida.
233. As calamidades naturais resultantes de mudanças climatéricas e actividades
sísmicas podem agravar a situação da pobreza absoluta, devido ao impacto
destrutivo sobre a dimensão humana e infra-estruturas sócio económicas. A
localização geográfica de Moçambique torna o país vulnerável a anomalias
climáticas.
234. Com vista a responder adequadamente às calamidades naturais, é importante
conhecer as ameaças, as vulnerabilidades e as capacidades das comunidades
afectadas para poderem mitigar e responder aos impactos negativos causados pela
ocorrência de uma calamidade.
235. Os objectivos principais na área de gestão de risco de calamidades naturais são:
(i) reduzir o número de vítimas humanas e a perda de propriedades; (ii) consolidar
a cultura de prevenção; e, (iii) dotar o país de meios de prevenção e mitigação.
236. A estratégia do governo para a redução do impacto das calamidades passa por
dotar o país de meios de prevenção através de sistemas de aviso prévio de emissão
atempada de informação sobre os desastres mais frequentes em Moçambique,
nomeadamente, cheias e ciclones, a localização e mapeamento das zonas de risco.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
E mecanismos de resposta apropriados (informação para população afectada,
evacuação, busca e salvamento.
237. Outras acções passam pela necessidade de reforçar a coordenação institucional,
regional e internacional, bem como a intensificar acções de formação e educação
cívica em matérias ligadas a aspectos climatéricos.
4. HIV/SIDA
238. Actualmente mais de 1.4 milhões de moçambicanos vivem com HIV-SIDA. a
taxa de prevalência da pandemia do HIV/SIDA é de 15.6%. Estatísticas de 2004
indicam que 500 novas infecções de hiv/sida ocorrem por dia em adultos dos 15
aos 49 anos de idade.
239. Os elevados índices de pobreza contribuem para a rápida expansão do
HIV/SIDA e vice versa. De facto a pobreza pode ser identificada como um dos
mais importantes factores contribuindo para a rápida expansão da epidemia. Os
pobres estão mais vulneráveis ao impacto do HIV por uma variedade de factores:
(i) eles tem pouco acesso aos cuidados de saúde; e, (ii) na busca de meios de
subsistência tendem a migrar mais, aumentando a probabilidade de aumento de
parceiros sexuais. Por outro lado, as mulheres podem enfrentar riscos adicionais
ao envolverem-se em actividades sexuais para subsistência. Mais ainda, os pobres
tem pouco acesso a informação, o que pode limitar a capacidade de tomar
decisões e escolhas sobre o seu comportamento sexual. Portanto, os pobres estão
mais expostos a actividades de risco como parte da sua estratégia de
sobrevivência.
240. O sistema moçambicano de saúde não está preparado para providenciar
assistência adequada para todos os que vivem com SIDA. A pandemia do SIDA
colocou uma enorme pressão sobre a disponibilidade de serviços. Há a
necessidade de medicamentos adicionais para aqueles que sofrem de doenças
oportunistícas aumentando a pressão quer de orçamentos adicionais, quer de
pessoal para os services de testagem, aconselhamento e prevençao do HIV/SIDA.
241. Estimativas recentes indicam que a incidência do HIV/SIDA em Moçambique
tem aumentado significativamente, principalmente entre as mulheres, com
impacto negativo não somente no tamanho da população, mas também no bem-
estar dos agregados familiares e da economia pela perda dos membros
economicamente activos, pelo aumento do número de pessoas economicamente e
socialmente vulneráveis como os órfãos e velhos, e pela perda da mão-de-obra,
com aumento dos custos de produção.
242. O número de casos tem vindo a aumentar, com maior concentração no centro do
país e uma maior incidência de novos casos ocorrendo na região sul. O maior
número de infecções estáconcentado nos corredores de desenvolvimento,
afectando desproporcionadamente as populações móveis (mineiros, trabalhadores
emigrantes, comerciantes, condutores e serviços uniformizados e os seus
parceiros.
243. O impacto sobre a economia começa a manifestar-se através das perdas do
capital humano e com possíveis efeitos na redução dos níveis de produtividade.
Considerando que a incubação do vírus decorre durante um tempo em que não
existem sinais nem sintomas visíveis, é importante que o tratamento desta questão
seja feito na perspectiva da prevenção mulitisectorizada, considerando o peso que
a pandemia coloca sobre a economia do país.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
244. O HIV/SIDA gera implicações jamais pensadas nas esferas produtivas dos
sectores económicos e sociais. Com efeito, esta epidemia está primariamente
concentrada na população activa, 15 aos 49 anos de idade, impondo, assim, um
peso desproporcional nos grupos etários com papéis chave no desenvolvimento
destes mesmos sectores. O reconhecimento desta realidade cedo despertou atenção
de estudiosos que iniciaram análises sobre o impacto potencial desta epidemia na
economia tendo avançado com previsões de desastre económico. Estas previsões,
sustentadas em análises e projecções do desempenho dos sectores vis a vis as
prevalências e consequências previsíveis do HIV/SIDA nos mesmos têm
produzido algumas luzes para uma interpretação mais obectiva e acurada sobre os
prováveis e mais aproximados impactos da pandemia na economia, como ainda
têm subsidiado (n)o desenho de políticas e estratégias com vista a fazer face a esse
cenário.
245. O objectivo central em relação ao HIV/SIDA é o de travar a sua propagação.
Com base no Segundo Plano Estratégico Nacional de Combate ao HIV/SIDA
(PEN II, 2005-2009) pretende-se focalizar em alguns resultados seleccionados nas
cinco áreas seguintes: a Prevenção, o Estigma e Discriminação, o Tratamento, a
Mitigação do Impacto, e a Coordenação da Resposta Nacional. São considerados
actores do PEN o Ministério da Saúde, todo o sector público e privado e as ONGs
que trabalham em prole da redução da propagação da pandemia e que trabalham
com a população directa ou indirectamente afectada, sob coordenação do
Conselho Nacional para o Combate ao SIDA.
246. Constituem objectivos fundamentais nesta área: (i) redução do número de novas
infecções do nível actual de 500 por dia, para menos de 350 em 5 anos e menos de
150 em 10 anos; (ii) transformar o combate ao HIV/SIDA numa emergência
nacional; (iii) reduzir o estigma e a discriminação ligados ao HIV/SIDA; (iv)
prolongar e melhorar a qualidade de vida das pessoas infectadas pelo HIV e dos
doentes de SIDA; (v) reduzir as consequências do HIV/SIDA a nível dos
indivíduos, das famílias, comunidades, empresas e ainda os impactos globais; (vi)
aumentar o grau de conhecimento científico sobre o HIV/SIDA, suas
consequências e as melhores práticas no seu combate; (vii) reforço da capacidade
de planificação e coordenação e descentralização dos mecanismos de tomada de
decisão e gestão de recursos.
5. Género
247. Cerca de 52% da população moçambicana é constituída por mulheres, dos quais
72.2% na zona rural, com indicadores de desenvolvimento humano extremamente
baixos, principalmente a taxa de analfabetismo de cerca de 68%.
248. A Constituição da República no seu artigo 67º garante a igualdade de direitos e
oportunidades entre homens e mulheres. Este pressuposto cria um marco
importante para que ao longo do processo do desenvolvimento económico e social
do país se focalize na maior equidade no acesso aos recursos, na participação
económica e no acesso aos benefícios do desenvolvimento e na participação nos
órgãos de tomada de decisão.
249. Dados os grandes desequilíbrios de desenvolvimento entre homens e mulheres,
o “empoderamento” das mulheres reconhecido pelo Programa do Governo para
2005-2009, torna-se num factor decisivo para a erradicação da pobreza. As acções
viradas ao “empoderamento” da mulher são abordadas de forma transversal, uma
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
vez reconhecida a grande dimensão da população feminina e o carácter estrutural
dos constrangimentos que impedem a sua activa participação na sociedade. Estas
são de carácter directo e indirecto.
250. Acções de carácter indirecto referem-se a abordagem do processo do
crescimento económico com redução equitativa da pobreza e abrangem (i) a
política macroeconómica, (ii) as prioridades e critérios definidos para o
crescimento do sector produtivo, aumento da produtividade e do emprego e, (iii) a
priorização/alocação dos recursos públicos entre os diversos sectores económicos
e sociais. Os pressupostos básicos consistem em que (i) mais de dois terços da
força de trabalho feminina encontra-se empregue no sector agrícola,
principalmente de subsistência. Assim, são necessárias acções viradas ao aumento
da produtividade deste sector, mas é também imprescindível o aumento da
absorção desta força de trabalho nos outros sectores produtivos, com ênfase na
indústria de mão-de-obra intensiva dada a sua capacidade de absorver mão-de-
obra não qualificada; e em que (ii) nenhuma política ou recurso financeiro alocado
deve colocar a mulher numa posição cada vez deteriorada.
251. As acções de carácter directo referem-se aos programas especificamente
dirigidos a minimizar a sobrecarga da mulher e criar mecanismos para que estas e
seus dependentes saíam da situação de vulnerabilidade económica e social,
incluindo a protecção contra a violência. Algumas destas acções estão previstas na
Política Nacional do Género e Estratégia de Implementação e no Plano Nacional
para o Avanço da Mulher.
252. As questões sobre o género são consideradas em todos pilares da estratégia,,
mas devem ser também centro de atenção no âmbito jurídico, político e da
liderança, da planificação descentralizada e mesmo no âmbito dos outros temas
transversais.
6. Segurança Alimentar e Nutricional
253. Toda a pessoa tem o direito humano a um padrão de vida que lhe assegure
saúde e bem-estar. O acesso a alimentação numa base regular e previsível é um
direito fundamental de todas as pessoas e uma premissa básica para o seu bem-
estar. A segurança alimentar e nutricional requer que todas as pessoas tenham em
todo momento, acesso físico e económico a uma quantidade suficiente de
alimentos inofensivos, nutritivos e aceitáveis numa contexto cultural
determinadoa para satisfazer as suas necessidades alimentares e as suas
preferências em relação aos alimentos, a fim de levar uma vida activa e saudável.
As quatro componentes da segurança alimentar e nutricional são a
disponibilidade, a estabilidade do abastecimento, o acesso e a utilização de
alimentos.
254. Segurança alimentar não deve ser interpretado num sentido restritivo, que o
equaciona em termos de um pacote mínimo de calorias, proteínas e outros
nutrientes específicos. A adequação do conceito também se refere à segurança do
alimento (não-contaminação), à qualidade, à diversidade, à sustentabilidade das
práticas produtivas e ao respeito das culturas alimentares tradicionais.
255. O obectivo deste assunto transversal é assegurar todas as condições para
produzir uma alimentação nutritiva e saudável ou ganhar os meios para consegui-
la (ter acesso a uma alimentação adequada). Por forma a facilitar a população
economicamente activa deve-se promover actividades orientadas a fortalecer o
49
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
acesso da população aos recursos e meios necessários para garantir a sua
subsistência. Para proteger aqueles que não se podem manter a si próprios deve-se
estabelecer e manter redes de segurança ou outros mecanismos de assistência.
Considerando a interdepêndencia e interrelação de segurança alimentar e
nutricional com todas as áreas de desenvolvimento, é necessária uma abordagem
holistica.
256. A Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (ESAN) a
Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) tem basicamente quatros dimensões: (i)
suficiente disponibilidade de alimentos numa determinada região para abastecer as
necessidades alimentares da população dessa região; (ii) suficiente poder de
compra ou produção própria dos agregados familiares para ter um acesso físico
e/ou económico a suficientes alimentos em qualidade e quantidade para satisfazer
os seus requerimentos nutricionais a todo momento; (iii) suficiente capacidade de
utilização biológica dos alimentos pelo organismo humano para absorver os
alimentos ingeridos (bom estado da saúde); (iv) suficiente conhecimentos e
hábitos alimentares adequados do agregado familiar no uso dos alimentos
disponíveis.
257. Factores como a ausência de um quadro operativo na estratégia nacional de
segurança alimentar e nutricional, a predominância de uma cultura de gestão de
emergências em detrimento de uma visão integrada de SAN nos planos de
desenvolvimento sectoriais, a fraca análise institucional sobre temas transversais
como o HIV/SIDA e as questões de género e sua estreita relação com SAN,
dificultaram uma abordagem coerente vertical e horizontal no PARPA I (2000-
2005).
258. No seu desenho e operacionalização, o PARPAI coloca a SAN numa
perspectiva sectorial, diluindo o seu âmbito integrado e holístico. Esta abordagem
sectorial contribui também para uma diluição das competências e
responsabilidades que todos os sectores ou áreas devem assumir para a redução da
insegurança alimentar e má nutrição.
259. A SAN é ainda uma questão fundamental em Moçambique. Estatísticas mostram
que os índices de desnutrição crónica ainda continuam altíssimos com 41 % só
nas crianças menores de 5 anos, sendo isto uma percentagem alarmante de
aproximadamente mais de 2 milhões de crianças. É igualmente alarmante o
número de pessoas que anualmente encontram-se em risco de fome aguda devido
a fenómenos adversos de natureza transitória (secas, cheias, pragas e doenças nas
culturas, ou ciclones).
260. Embora o nível da pobreza tenha sido reduzido de 69.4% para 54.1% no período
1997-2003, os níveis de malnutrição, em termos da percentagem de crianças
menores de cinco anos com baixo peso, continuam elevados, não tendo melhorado
significativamente entre 2001 e 2003 (-2,3%). As àreas rurais observaram um
declínio de 3.6% enquanto que nas àreas urbanas houve um aumento de 0.4%.
261. Existe portanto, uma relação muito estreita entre a redução da pobreza, a
segurança alimentar e nutricional, o desenvolvimento rural e o crescimento
económico sustentável; neste sentido, o alívio à pobreza é essencial para se atingir
a segurança alimentar, uma vez que a fome é tanto causa assim como resultado da
pobreza e a erradicação da pobreza verifica-se quando se elimina a fome e desta
maneira se garante o crescimento económico sustentável.
50
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
262. O objectivo na SAN até o Ano 2015: “Entre o ano 1990 e ano 2015 a
percentagem de população moçambicana que sofre de fome e desnutrição crónica
(insegurança alimentar e nutricional transitória e estrutural) e reduzida a metade”.
Este objectivo coincide com o ODM 1, meta 2 (Reduzir para metade a
percentagem de pessoas a sofrer de fome até 2015).
263. O objectivo Geral da SAN para o PARPA II (até o Ano 2009): “Entre o ano
1990 e ano 2009 a percentagem de população moçambicana que sofre de fome e
desnutrição crónica (insegurança alimentar e nutricional transitória e estrutural) é
reduzida em 30 % ”.
264. No âmbito global da SAN temos três principais desafios: a) Reduzir os
altíssimos níveis de desnutrição crónica e aguda no pais, que estão afectar
seriamente o capital humano actual e futuro de Moçambique, b) Estruturar uma
intervenção multi-sectorial e inter-institucional abrangente nas três dimensões da
SAN e dirigida aos grupos alvo vulneráveis para atingir e manter a Segurança
Alimentar e Nutricional no Pais e c) Estabelecer a SAN como um elemento
central no combate a pobreza absoluta em Moçambique
265. A implementação dos objectivos de SAN está contemplada em acções no âmbito
do todos os sectores do estado, principalmente, a agricultura, a saúde, a educação,
e infra-estruturas (estradas e águas). A boa governação, legalidade e justiça que
contemplam a descentralização e desconcentração através da expansão do
planeamento distrital participativo e consolidação das autarquias locais, colocando
a SAN como um objectivo do desenvolvimento local devem ser igualmente
considerados.
7. Ciência e Tecnologia
266. A Ciência e Tecnologia contribui significativamente para o desenvolvimento
económico e social. Moçambique é ainda caracterizado por baixos indicadores de
ciência e tecnologia em todos os sectores da economia, o que constitui uma
barreira ao carecimento e desenvolvimento económico, contribuindo para
elevados índices de pobreza.
267. O PQG define como objectivos para esta componente: (i) o desenvolvimento de
um sistema de investigação científica e de inovação integrado, dinâmico e de
qualidade; (ii) o reforço do o sistema nacional de educação e formação
profissional na componente de criação de capacidades científicas e tecnológicas;
(iii) desenvolver um sistema de disseminação e comunicação do conhecimento
científico e tecnológico, aproveitando também as novas tecnologias de informação
e comunicação.
268. As acções estratégicas incluem a necessidade de: (i) estimular a expansão das
instituições de investigação; (ii) promover a ligação entre a actividade de
investigação e o sector produtivo; (iii) tornar as instituições de ensino veículo de
disseminação da ciência e tecnologia.
269. Por forma a proteger todas as pessoas contra a fome é necessário melhorar os
métodos de produção, conservação e distribuição de géneros alimentícios através
de uma plena utilização dos conhecimentos técnicos e científicos, pela difusão de
princípios de educação nutricional e pelo aperfeiçoamento ou reforma dos regimes
agrários, de maneira a que se assegurem a exploração e a utilização mais eficazes
dos recursos naturais.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
8. Desenvolvimento Rural
270. O desenvolvimento rural em Moçambique pretende assegurar o envolvimento
activo e directo das famílias rurais pobres no crescimento rápido da economia
moçambicana e garantir que a economia agrária contribua directamente para a
redução da pobreza em Moçambique. A maioria dos pobres em Moçambique vive
nas zonas rurais.
271. Existem pelo menos cinco factores determinantes do desenvolvimento rural: (a)
Um dos eixos cruciais no desenvolvimento é íntima interdependência entre as
comunidades rurais, os centros urbano e o mercado global, a qual se insere numa
economia nacional aberta ao mundo. Em outras palavras, o desenvolvimento
económico e social das áreas rurais não é sinónimo de desenvolvimento agrícola;
(b) O padrão de vida da familiar rural depende da complexa relação entre a
produção familiar e trabalho assalariado, agrícola e não-agrícola; (c)O
crescimento económico nacional só conseguirá romper o ciclo vicioso da pobreza
se a população rural pobre contribuir e beneficiar do referido crescimento
económico nacional; (d) O ritmo do desenvolvimento rural, depende directamente
do nível do investimento concentrado no fomento do capital rural, nomeadamente:
humano, financeiro, comercial, intelectual e social; e (e)O investimento público
deve priorizar o desenvolvimento de capacidade produtiva rural, infra-estruturas e
serviços físicas e institucionais.
272. O desenvolvimento rural ocupa um lugar de destaque nas agendas sobre o
desenvolvimento económico e social do país, pois em 2003, 64,3% da população
moçambicana era rural9. Nessas regiões, a pobreza está de alguma forma
associada ao fraco desenvolvimento da agricultura, infra-estruturas rurais, e
mercados. Por outro lado persiste uma fraca disponibilidade de instituições
financeiras e a alta vulnerabilidade
273. Diversas actividades têm sido levadas a cabo em todo o território nacional,
quer pelo estado, pelo sector privado, organizações da sociedade civil,
comunidades rurais e outros actores, visando o desenvolvimento. Contudo existe
necessidade de uma maior harmonização das acções viradas para o
desenvolvimento rural visando o desenvolvimento integrado e sustentável.
274. Constituem principais desafios no que diz respeito ao desenvolvimento rural
(i) definição de políticas e estratégias de desenvolvimento rural; (ii) reforçar o
papel dos organismos do Estado na coordenação das acções intersectoriais de
desenvolvimento rural; (iii) promover os serviços financeiros adequados às
iniciativas locais; (iv) fortalecer o associativismo e as organizações de base local
e/ou comunitária e promover a comunicação horizontal; (v) mercados rurais; (vi)
participação comunitária.
275. O PQG enfatiza que desenvolvimento rural, traduzido pela transformação social
e económica e consequente elevação do bem-estar nas zonas rurais, é o esteio
fundamental do desenvolvimento social e económico global do país. Mais afirma
que “a transformação social e económica requerida para o desenvolvimento rural
depende criticamente da inovação bem como da elevação significativa da
produtividade global e em particular da agricultura”.
9
PNUD (2003)
52
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
276. Tomando em consideração o Programa Quinquenal do Governo, a Agenda
2025, são os seguintes objectivos para a área de desenvolvimento rural a
incorporar no PARPA II: (i) promover políticas que contrariem o êxodo rural
resultante da falta de oportunidades locais de desenvolvimento de actividades
comerciais que permitem às famílias rurais melhorar as condições e padrão de
vida dos seus membros; (ii) contribuir para a manutenção do crescimento
económico rápido e abrangente, sendo que a médio prazo o crescimento tenha um
maior contributo da economia rural; (iii) alterar o padrão de acumulação de capital
na economia nacional (iv) romper o ciclo vicioso da pobreza humana rural,
através da melhoria da produtividade, competitividade, eficiência e qualidade do
capital humano nas áreas rurais, através dos apoio directo, explícito e massivo à
pequena e média empresa capaz de transformar o campo.
277. O investimento em infra-estruturas deverá incluir não só as infra-estruturas
físicas, mas também e, sobretudo, a criação de infra-estruturas institucionais
(legais, administrativas, executivas), sem as quais o imenso capital improdutivo
existente no país dificilmente poderá ser convertido em capital produtivo.
9. Demografia
278. Com uma população de cerca de 18.9 milhões de habitantes em 200410,
Moçambique é o terceiro país mais populoso da África Austral, depois da África
do Sul e da Tanzânia. A taxa anual de crescimento é de 2.4 %, e segundo as
projecções populacionais do INE, prevê-se que até ao ano 2010 a população
moçambicana seja de 22 milhões, sem considerar os efeitos do HIV/SIDA.
279. A taxa de pobreza nacional foi estimada em 69.4 % em 1997, indicando que
mais de dois terços da população encontrava-se em estado de pobreza absoluta. A
taxa de pobreza registou uma redução para 54.1 % em 2003, um decréscimo de
15% dos níveis registados em 1996-97. (IAF, 2002-2003).
280. Segundo o Recenseamento Geral de População e Habitação de 1997 e do
IDS/2003 os níveis de analfabetismo atingem os 53.6%. As variações de taxas de
analfabetismos são ainda maiores nas zonas rurais, 72.2 % se comparadas com as
zonas urbanas, 33.0 %. (INE, 1997). Ainda nas zonas rurais, as taxas de
analfabetismos para mulheres atingem os 85.1%.
281. O HIV/SIDA é um dos grandes de saúde pública em Moçambique, apresentando
se como um desafio para o desenvolvimento sócio económico do país. Estima - se
que até o final de 2005, existam cerca de 1.500.000 indivíduos infectados pelo
HIV, e a uma taxa de prevalência de 16,2% entre a população adulta. As
estimativas apontam também que ocorram actualmente, cerca de 500 infecções
por dia. (INE et al 2002).
282. Segundo o Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) 2002-2003, os elevados
índices de mortalidade materna, que atingem cerca de 408 por 100 000 nados
vivos e de mortalidade infantil, com 124 por mil nados vivos, revelam
características típicas de uma sociedade cuja transição demográfica ainda se
encontra na sua fase inicial. Ademais a esperança de vida ao nascer é de cerca de
46.7 anos, mas com o impacto do HIV/SIDA calcula-se que para os próximos
tempos os níveis venham a reduzir.
10
Projecções de População, INE, 1999
53
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
283. A Taxa Global de Fecundidade no país é ainda bastante elevada, com cerca de
5.5 filhos por mulher em idade reprodutiva, sendo de 6.1 nas zonas rurais e de 4.4
nas urbanas (IDS, 2003). Esta situação faz com que o país tenha uma estrutura
etária predominantemente jovem, com mais de metade dos seus habitantes com
idade mediana inferior a 18 anos.
284. Para além do elevado índice de dependência demográfica, com cerca de 91
dependentes em cada 100 habitantes em idade activa (INE, 2000). a estrutura
etária jovem cria uma grande pressão numérica sobre o provimento de
infraestruturas sociais básicas, como a saúde, educação e àgua potável e
saneamento do meio.
285. Moçambique está menos urbanizado que a média dos países da África Austral,
com mais de 70% de população a residir nas zonas rurais, sendo apenas de 28.6 %
a percentagem de população urbana.(INE, 2000).
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
VIII. Estratégia de Desenvolvimento por Pilares
1. Governação
i. Introdução
286. A Governação é um dos elementos de extrema importância no processo de
redução da pobreza absoluta, como fenómeno multi-dimensional. Pobreza não é
somente carência de meios materiais, mas sim falta de acesso aos serviços,
exclusão da tomada de decisões, falta de participação, maior exposição a abusos
perpetrados por funcionários públicos (incluindo à corrupção), menor segurança
em relação a criminalidade, falta de valorização do património e experiências das
populações a nível local.
287. Por todas estas razões o bom funcionamento das instituições do Estado, a sua
capacidade de aproximar os serviços aos cidadãos, a inclusão de formas de
democracia participativa na administração pública e a valorização de instrumento
tradicionais de resolução de conflitos têm uma grande relevância no combate a
pobreza pois assumindo-se que o Estado não é o único actor na gestão pública, ela
ganha corpo no sentido da partilha da autoridade neste processo. Este Pilar
afigura-se relevante no processo da redução da pobreza pelo facto de poder tornar
as instituições mais próximas dos cidadãos e possibilitar a prestação de serviços
de qualidade aos cidadãos.
288. Face aos pressupostos evocados o Pilar da Governação está organiza-se em
torno destes, inspirando-se em grande medida nas acções já em curso e
consideradas cruciais no quadro da vigência do PARPA I. Assim, a secção II.
Apresenta os progressos alcançados na implementação do PARPA I, no domínio
da Reforma do Sector Público e na área da Justiça, Legalidade e Ordem Pública; a
secção III apresenta a visão e desafios para a Governação para o futuro; a Secção
IV apresenta os objectivos estratégicos e acções principais a empreender no
quadro do PARPA II nos domínios da Reforma do Sector Público e da Justiça,
Legalidade e Ordem Pública; a V secção apresenta os factores considerados como
determinantes para uma Governação que contribua para um ambiente favorável à
redução da pobreza.
ii. Progressos Alcançados no Quadro do PARPA I
Reforma do Sector Público
289. O PARPA I concentrou-se em várias áreas principais de actividade com o
objectivo de capacitação dos governos locais para que sejam capazes de abordar a
questão da pobreza. A primeira destas áreas foi a adopção da lei e respectivos
regulamentos relacionados com os Órgãos Locais do Estado aos níveis provincial
e distrital. A segunda área de actividade esteve relacionada com a consolidação e
expansão dos processos de planificação local participativa, principalmente (mas
não exclusivamente) na planificação do desenvolvimento distrital.
290. Todavia, existe uma necessidade contínua de planificar adequadamente o
fortalecimento da capacidade local das instituições do Governo e da Sociedade
Civil para a realização do processo de planificação participativa através do ciclo
de planificação total (diagnóstico, estratégia, implementação, monitoria e
avaliação).
55
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
291. Ao longo do período, vários ministérios, no âmbito da Reforma do Sector
Público, iniciaram o processo de descentralização e desconcentração da tomada de
decisões de alguns serviços para o nível provincial. Além disso, houve várias
iniciativas adicionais com vista a melhorar o acesso público aos serviços públicos,
tais como os balcões de atendimento único criados em algumas províncias pelo
MIC. Foi consolidado o processo da municipalização, através da publicação pelo
MAE, de três Decretos relacionados com a administração dos municípios.
292. Durante o PARPA I foi feito um esforço, no âmbito do trabalho de
modernização estrutural em curso nos ministérios, com vista a assegurar que as
funções de formulação de políticas sejam adequadamente identificadas e incluídas
no reajuste da estrutura e funções. Além disso, em finais de 2004, foi realizado o
estudo da Macro-estrutura do Governo. Algumas propostas desse estudo foram
usadas na recente reorganização dos ministérios, depois da tomada de posse do
novo governo, no início deste ano. Foi também iniciado o processo de elaboração
da Estratégia de Governo Electrónico, que permitirá o uso de tecnologias de
informação como ferramenta para a melhoria do funcionamento do sector público.
293. No que se refere ao desenvolvimento da capacidade do pessoal da função
pública, ao longo do período em análise o trabalho esteve centrado na criação do
Sistema de Formação em Administração Pública (SIFAP). Isto incluiu a criação
de 3 institutos regionais de formação em administração pública (IFAPAs) no país
(Beira, Lichinga e Maputo), bem como a criação do Instituto Superior de
Administração Pública (ISAP) que foi formalmente constituído nos finais de 2004
e que deverá completar o processo de instalação durante a última metade de 2005.
294. Foi iniciado durante o ano de 2005 o trabalho relativo à integração dos bancos
de dados do pessoal, sob liderança do Ministério da Administração Estatal,
Ministério das Finanças e Tribunal Administrativo como precursor para o
desenvolvimento dum banco de dados intra-governamental comum.
295. Em relação à integração de questões transversais, o Programa de RSP
começou a apoiar o Ministério da Administração Estatal, Ministério da Mulher e
Acção Social e o Conselho Nacional de Combate ao SIDA, na preparação de dois
estudos separados que se debruçam sobre questões de gestão do HIV/SIDA e o
Género nos sistemas de gestão dos recursos humanos dos ministérios, aos níveis
do governo central e local. Prevê-se que o estudo sobre o HIV/SIDA resulte na
preparação de algumas orientações para as organizações do Sector Público com
vista a responder ao possível impacto da doença e também adaptar as práticas de
gestão dos recursos humanos para assegurar um tratamento justo para os
funcionários públicos afectados pela doença.
296. Outras actividades realizadas no período coberto pelo PARPA I incluem a
adopção da lei de combate a corrupção em 2004 (6/2004). Foi realizada em 2004,
a Pesquisa Nacional sobre Governação e Corrupção. A pesquisa avaliou as
percepções do sector privado, dos funcionários públicos e dos agregados
familiares sobre a prestação de serviços ao cidadão, gestão das finanças públicas,
gestão dos recursos humanos, gestão dos recursos público e corrupção. Como
seguimento da pesquisa, está em processo a elaboração da estratégia e plano de
acção de combate à corrupção.
297. Um dos aspectos relevantes das Linhas Gerais da Estratégia Anti-Corrupção é
que tem um enfoque do combate à corrupção e deve reflectir-se nas seguintes
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
áreas: simplificação dos processos administrativos, desenvolvimento na
administração pública da cultura de uma gestão orientada para resultados,
fortalecimento do processo e mecanismos de prestação de contas e transparência
na gestão de recursos humanos, financeiros, patrimoniais e do procurement
público, estabelecimento dos mecanismos de participação da sociedade civil e
sector privado na acção governativa, incremento das acções que levam a
julgamento de casos de corrupção como forma de desencorajar o desenvolvimento
da cultura de impunidade, promoção e materialização do processo de
descentralização da acção governativa por forma a levar as decisões do governo
mais próximas do cidadão.
Justiça, Legalidade e Ordem Pública
298. Os objectivos definidos no âmbito do PARPA I para o Sector da Justiça e
Legalidade concentram-se fundamentalmente na necessidade de elevar a
capacidade e eficiência do sistema legal, judiciário, e de ordem pública, tendo
como fim o reforço do papel do Estado de Direito em Moçambique como
instrumento de materialização da justiça, consolidação da unidade nacional, paz e
estabilidade e da defesa dos direitos e liberdades dos cidadãos. A prossecução
gradual destes objectivos foi sendo consubstanciada na realização das acções
programáticas do quinquénio 1999-2004, renovando hoje a sua vigência e
pertinência nos programas em curso, designadamente o Programa do Governo e os
Planos sectoriais.
299. As primeiras realizações do PARPA I, neste domínio, dizem respeito à
elaboração do Plano Estratégico Integrado do sector de Justiça, em 2001, e a
conclusão do respectivo Plano Operacional em 2002. Seguiu-se, no mesmo
período, a divulgação da Política Prisional. Houve ainda, neste período, acções de
formação e desenvolvimento de recursos humanos, particularmente através de
acções de formação e capacitação realizados no âmbito da ACIPOL. Neste mesmo
período, foram realizadas várias acções de formação e capacitação de magistrados,
oficiais de justiça, conservadores e notários e oficiais das alfândegas, em diversas
áreas, com uma percentagem de cumprimento das metas inicialmente
estabelecidas que varia entre 68% e 200%. Com 68% apenas situou-se a
capacitação de magistrados judiciais do Ministério Público, em matérias de direito
à terra, ambiente, floresta e fauna bravia.
300. E, com um cumprimento de 200% relativamente à meta estabelecida, situou-se
a formação inicial de oficiais de justiça. Foram ainda desenvolvidos esforços
visando a melhoria das condições detenção.
301. Foi iniciada a implementação do POPEI que inclui um sistema de
planificação, orçamentação e monitoria com vista a dar prioridade à prestação de
serviços do sector da Justiça.
302. No capítulo da Reforma Legal, na vigência do PARPA I, foram realizadas
diversas actividades que incluem, fundamentalmente, aprovação do Código de
Registo Civil propostas de reforma do Código de, Registo Comercial e da Lei de
organização prisional, revisão da Lei Orgânica da PGR. Foram também
elaboradas as proposta do código de Notariado, do código do processo penal e
começada a elaboração do anteprojecto do código do processo civil e Estatuto do
Magistrado do Ministério Público , Lei de Bases do Sistema de Administração da
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Justiça e a Lei do Trabalho, tendo sido publicados o Código de Registo Civil e a
Lei da Família.
iii. Visão e Desafios para a Governação
303. No âmbito da Agenda 2025 e da NEPAD (Nova Parceria para o
Desenvolvimento de África) – dois instrumentos que se têm posicionado como
pilares na definição da visão estratégica em Moçambique - estão estabelecidas as
linhas de orientação do país na área de Governação. Neste domínio, estes
instrumentos destacam a boa governação como sendo um elemento indispensável
para a concretização de toda e qualquer visão, porque a governação actua em
todos os actos públicos e privados, daí que os governos e os demais órgãos de
soberania devem exercer o seu papel regulador e de supervisão das actividades
económicas e sociais, na perspectiva de promover o desenvolvimento harmonioso
do país.
304. Todavia, tal como indicado na Agenda 2025, o sistema político actual
caracterizado por uma democracia representativa que envolve apenas os partidos
políticos, apesar de constituir um grande progresso nacional, não é totalmente
satisfatório. É essencial garantir os mecanismos de democratização interna dos
partidos políticos e desenvolver a democracia participativa, de modo a assegurar a
representação dos vários grupos de interesse da Sociedade Civil. Desta forma, o
cidadão poderá constituir-se como o agente principal da construção democrática.
305. A sociedade moçambicana aspira à estabilidade governativa permanente. Para
ir de encontro a esta aspiração, a acção governativa deve ser sustentada por um
sistema político que não se restrinja apenas à acção político-partidária mas que
incorpore, também, interesses económicos, sociais no objectivo de se alcançar o
interesse geral comum, privilegiando o processo de consulta participativa, de
concertação, negociação e resolução pacífica de conflitos. No âmbito do PARPA
II esta visão concretiza-se com a inclusão de intervenções estratégicas específicas
nos domínios do Parlamento, do fortalecimento dos órgãos locais do Estado e do
desenvolvimento Autárquico. A multiplicidade de sistemas de administração da
justiça, implica repensar na organização jurídica e judiciária em Moçambique.
306. O exercício da democracia pluralista ainda é novo em Moçambique e a sua
consolidação exige elevada capacidade de elaboração e de gestão de políticas
públicas, uma governação eficiente, descentralizada e transparente e que respeite a
memória institucional, num contexto em que a construção de uma cultura
institucional ainda é um desafio a enfrentar.
307. Na área de instituições públicas, verifica-se ser necessário introduzir
profundas alterações para se tornarem mais operativas, elevar a qualidade dos
funcionários e melhorar os serviços prestados. Assim, o aprofundamento da
reforma do sector público é vital para apoiar o crescimento empresarial e das
instituições da sociedade civil e para contribuir para a remoção de impedimentos
ao investimento e ao atendimento dos cidadãos.
308. A morosidade no licenciamento de empresas, nas transacções que envolvem o
uso e aproveitamento da terra, a prevalência de legislação e regulamentos laborais
que desencorajam a produção e a contratação de técnicos e a corrupção nos
serviços públicos, tornam onerosos os custos das actividades empresariais e os
rendimentos dos agregados familiares.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
309. A visão aqui exposta sugere como chaves as seguintes categorias de demandas
no quadro da Governação: (1) boa governação com combate à corrupção; (2)
descentralização e desconcentração; e (3) legalidade, fiscalidade e inibição da
evasão fiscal e doutras formas de fraude ao fisco; No capítulo da descentralização
e desconcentração interessa abordar o desafio que se coloca ao Estado resultante
da definição do distrito como unidade de planificação orçamental e, igualmente, a
relação desta visão com o processo de reestruturação funcional aos níveis central e
provincial.
310. Outro desafio aqui refere-se à relação entre o distrito e as autoridades
municipais num cenário em que se prevê o alargamento gradual dos espaços
municipalizados no País nos próximos anos.
311. Igualmente pertinentes são as prioridades para a Governação Democrática em
Moçambique no futuro próximo, que incluem também o Parlamento, os Direitos
Humanos e a Sociedade Civil e Comunicação Social, para além das outras
componentes que já estão distribuídas pelas áreas da Reforma do Sector Público e
da Reforma da Justiça. Esta identificação de prioridades fica assim consistente
com o leque de intervenções estratégicas – nos domínios do Parlamento e dos
Media propostos para o PARPA II.
312. Estes aspectos, contudo, estão inseridos no objectivo da melhoria da
Governação e doutros aspectos relevantes do funcionamento das instituições do
Estado e sua relação com o sector privado e a sociedade civil, no geral. Com
efeito, intervenções relativas à criação de tribunais distritais e comunitários, ao
fortalecimento da função legislativa da Assembleia da República, bem como
resposta e mecanismos de protecção dos cidadãos que denunciam actos de
corrupção de funcionários públicos, são medidas importantes no domínio da
protecção dos direitos humanos.
313. Por outro lado, os novos desenvolvimentos a escala mundial colocam novos
desafios aos Sectores da Legalidade, Justiça e a Sociedade Civil, nomeadamente,
os fenómenos do terrorismo, o branqueamento de capitais e a imigração ilegal que
não devem ser totalmente ignorados face aos seus efeitos nefastos no investimento
estrangeiro.
314. Neste sentido, o Governo tem consciência que o progresso lento no programa
de reforma da justiça e na prestação de serviços poderá inviabilizar a confiança
dos cidadãos nas instituições democráticas do Estado e sua capacidade de combate
ao crime e a corrupção. Se estes constrangimentos não forem rapidamente
ultrapassados continuarão a afectar o funcionamento adequado da administração
dos serviços de justiça, e a capacidade da contribuição do sector na redução da
pobreza.
315. Finalmente, e no âmbito dos desafios da Governação de longo prazo, tanto
para o Governo assim como para a sociedade moçambicana, é fundamental ter em
consideração um leque de assuntos transversais que deverão sempre ser tidos em
consideração em todos os exercícios de planificação, implementação e avaliação
de programas no quadro do PARPA II. Destes assuntos, destacam-se (i) Género;
(ii) HIV/SIDA; (iii) Segurança alimentar e Nutricional (iv) ambiente; e (v)
tecnologias de informação e comunicação.
316. No que concerne ao Género no quadro da Boa Governação, o Governo
considera crucial no quadro da implementação do PARPA II, melhorar o nível de
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
acesso das mulheres aos serviços da administração pública bem como a
participação, progressão e posicionamento da mulher na administração pública
incluindo nas empresas públicas. Por outro lado, a participação das mulheres no
processo de planificação descentralizada - ao nível provincial e distrital é
fundamental.
317. Mostra-se também prioritário no quadro da Reforma do Código Penal e do
Processo do Código Penal, preconizada pelo PARPA II, a inclusão da violência
doméstica de forma adequada e efectiva, para garantir uma protecção total contra
este tipo de crime, e garantir o acesso de mulheres e homens ao sistema de
administração da justiça incluindo uma analise consistente entre os conflitos entre
o direito moderno e o consuetudinário em relação ao Género.
318. Concomitantemente, afigura-se incontornável, sob ponto de vista do Governo,
uma atitude vertical sobre as questões relacionadas ao HIV/SIDA e a Governação
em particular a necessidade de assegurar-se a observância dos direitos da pessoa
afectada pelo HIV/SIDA, sobretudo os trabalhadores da função pública e do sector
privado, bem como os direitos da criança, da pessoa portadora de deficiência e do
idoso.
319. Estas prerrogativas estende-se igualmente e no âmbito geral ao “Direito
Humano a Alimentação Adequada”, em alinhamento sistemático da Boa
Governação aos direitos dos cidadãos.
320. Os aspectos relativos à Boa Governação na área do ambiente também são
muito importantes para a luta contra pobreza. Em paralelo com a necessidade de
assegurar a eficiência e responsabilidade dos agentes do Governo central e local
na implementação da estratégia de redução da pobreza, o empoderamento das
comunidades locais e suas instituições, através do seu envolvimento na gestão de
recursos naturais, é também crucial para sucesso dos esforços de redução de
pobreza.
321. O Governo considera que um exercício em parceria com a Sociedade Cívil
para estimular a adopção de princípios de gestão ambiental que promovam a
inclusão das comunidades pobres no desenho, implementação e monitoria de
programas ambientais é importante, tanto ao nível central e regional como
também ao nível local.
322. As tecnologias de informação e comunicação (TICs) são consideradas um dos
elementos de suporte prioritários para uma Boa Governação. O Governo considera
que as TICs podem imprimir maior dinâmica nos aos actos administrativos e
oferecem métodos eficientes para facilitar e acelerar as mudanças e alcançar as
metas dos programas nacionais, tal como a Reforma do Sector Público e a
Reforma Legal e de Justiça.
323. Por outro lado, considera necessário analisar as lacunas da legislação actual
(direitos e penas), no que se refere a segurança dos cidadãos, registo de dados
(finanças, saúde, segurança) e a gestão de crimes cibernéticos.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
iv. Objectivos e Acções, em Detalhe
324. As acções são apresentadas a seguir a cada objectivo específico.
Reforma do Sector Público
325. É objectivo geral no domínio da Reforma do Sector Público, melhorar a
qualidade de prestação dos serviços públicos ao cidadão.
326. Seguem-se os objectivos específicos e as respectivas acções.
327. Reestruturação e descentralização das estruturas do Governo para promover
eficiência e eficácia na prestação de serviços públicos:
a) Terminar a realização da Análise Funcional e a preparação dos Planos de
Reestruturação de todos os Ministérios, Governos provinciais e distritais;
b) Elaborar, aprovada e implementada a política e estratégia de
descentralização;
c) Fortalecer a capacidade institucional dos governos provinciais e distritais;
d) Expandir o número de municípios;
e) Operacionalizar o sistema de inspecção administrativa dos governos
provinciais e distritais;
f) Aprovar e implementar a estratégia nacional do programa de planificação e
finanças descentralizada.
328. Reformulação dos processos de prestação de serviços para que sejam mais
simples, acessíveis e satisfaçam as necessidades do cliente:
a) Estabelecer Balcões Únicos de atendimento públicos nos principais centros
urbanos;
b) Implementar melhorias na eficiência de processos administrativos nos
serviços de maior importância para o público (ao nível central, e local);
c) Ligar a rede electrónica do governo todas as instituições públicas (desde o
nível do distrito até ao central);
d) Disponibilizar informações e formatos electrónicos sobre todos os serviços
públicos na Internet;
e) Rever e implementar a política sobre a gestão de documentos públicos.
f) Melhorar os sistemas de gestão de reclamações/ sugestões em todas as
instituições públicas.
329. Fortalecimento de processos de gestão de políticas a nível sectorial e inter-
sectorial:
a) Fortalecer os sistemas e capacidade de gestão de políticas em todos os
ministérios e governos locais;
b) Fortalecer as capacidades e sistemas de planificação, monitoria e avaliação
em todas as instituições públicas;
c) Fortalecer as capacidades para a análise de políticas ao nível das
Assembleias da República e das Municipais;
d) Fortalecer as instituições e processos de coordenação de políticas públicas
inter-sectoriais;
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
e) Assegurar que as políticas públicas respondem adequadamente as questões
transversais
f) Concluir a harmonização/integração do Cenário Fiscal de Médio Prazo,
PES e PARPA no processo de planificação;
g) Definir e aprovar o quadro legal para o sistema nacional de planificação;
h) Fortalecer o sistema integrado de planificação desde o nível distrital ao
nível central.
330. Capacitação dos Funcionários públicos para gerirem a administração pública
de forma eficiente e eficaz:
a) Fortalecer a capacidade organizacional e de gestão dos funcionários
seniores das instituições públicas;
b) Continuar o processo de formação dos funcionários públicos;
c) Rever o sistema de pensões dos funcionários públicos.
331. Melhoria do processos de gestão de recursos humanos:
a) Rever, aprovar e implementar a política salarial em todas as instituições
públicas;
b) Rever, aprovar e implementar o sistema e estrutura de carreiras em todas
instituições públicas;
c) Desenvolver e implementar um único sistema de informação e gestão de
pessoal em toda função pública;
d) Disseminar, aplicar e monitorar o EGFE revisto em todas as instituições
públicas;
e) Adoptar novas Políticas de gestão dos recursos humanos nas instituições
públicas em respostas a problemática de HIV/SIDA e de Género.
332. Integração dos processos de planificação e orçamentação pública de forma
eficiente e eficaz:
a) Aprovar e implementar a Estratégia Nacional de Planificação e Finanças
Distritais
b) Integrar os aspectos territoriais incluindo gestão de recursos naturais na
planificação distrital;
c) Desenvolver um quadro técnico para transferências fiscais aos Órgãos
Locais do Estado;
d) Estender o SISTAFE e o e-SISTAFE para cobrir todas as instituições
públicas;
e) Integrar os fundos “off-budget” no SISTAFE;
f) Operacionalizar a Autoridade Central para a Colecta dos Impostos;
g) Melhorar a eficiência no sistema de colecta de impostos;
h) Criar a Associação dos Contabilistas;
i) Fortalecer os sistemas de gestão do património do Estado.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
333. Um sector público mais transparente, com menos corrupção e mecanismos de
prestação de contas mais eficazes e inclusivos:
a) Disseminar e implementar o regulamento da Lei Contra a Corrupção;
b) Preparar, adoptar e implementar a Legislação de acesso a informação;
c) Fortalecer o Gabinete Anti-Corrupção na Procuradoria Geral da República;
d) Fortalecer a capacidade da Assembleia da República e das Assembleias
Municipais para monitorar o desempenho do Governo;
e) Realizar pesquisas regulares sobre governação e corrupção;
f) Fortalecer a legislação e mecanismos de implementação em relação a
integridade dos funcionários públicos;
g) Implementar efectivamente a Estratégia de Combate à Corrupção;
h) Fortalecer a capacidade da sociedade civil e do sector privado para
monitorar o desempenho do governo e denunciar os actos de corrupção.
Reforma da Justiça, Legalidade e Ordem Pública
334. É objectivo geral no domínio da reforma da justiça, legalidade e ordem
pública, consolidar um sistema de justiça acessível, transparente e inclusivo.
335. Seguem-se os objectivos específicos:
a) Tornar a justiça mais acessível ao cidadão;
b) Tornar a legislação mais adequada a realidade do país e ao bom
funcionamento da administração da justiça;
c) Aumentar a efectividade, eficiência e celeridade na provisão de serviços
do sector da justiça;
d) Garantir a protecção dos direitos de defesa e assistência jurídica dos
cidadãos mais vulneráveis, particularmente a Mulher;
e) Reforçar e consolidar a independência dos tribunais face aos demais
órgãos do exercício poder do Estado;
f) Reforçar a segurança do cidadão através da prevenção e combate ao crime;
g) Reformar e redimensionar os serviços correccionais de forma a melhorar a
sua gestão e garantir ao prisioneiro, um tratamento consistente as normas e
princípios internacionais dos direitos humanos.
336. Seguem-se as acções correspondentes:
337. Usar os instrumentos de planificação elaborados durante o PARPA I como
instrumentos de base de referência para todas as acções. O Plano Estratégico
Integrado do Sector da Justiça tem como suporte operacional o POPEI, que é o
conjunto dos planos operacionais das instituições do Sector da Justiça em
Moçambique e fundamenta-se no processo da Visão do sector já iniciado, visando
a sistematização dos princípios fundamentais do modelo moçambicano de justiça.
Assim, impõe-se a necessidade de avaliação e actualização destes instrumentos de
planificação em função da Visão do Sector.
338. O exercício das Comissões de Reforço da Legalidade deverá ser consolidado,
conferindo a estas maior dinâmica, quer apostando no reconhecimento social do
seu papel institucional no sistema de administração da justiça, sem prejuízo dos
princípios de independência e autonomia dos intervenientes, como através da
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
alocação de meios que contribuam para a melhoria do seu grau de intervenção
neste sistema.
339. A reforma legal continuará a ser um dos objectivos centrais no
desenvolvimento das acções programadas no Sector da Justiça. Essas acções serão
parte integrante do processo de elaboração legislativa que abrange o estudo,
sistematização e actualização da legislação vigente, bem como a formulação da
nova legislação, tendo como mutações sociais e económicas.
340. Melhorar o acesso à justiça através da expansão da rede de tribunais, reforço
da inspecção judicial e capacitação institucional dos tribunais.
341. Melhorar a eficácia e eficiência dos tribunais através da formação e
desenvolvimento dos recursos humanos, reforma do quadro de procedimentos
processuais, modernização do aparelho judicial.
342. Prosseguir o processo de reformas e unificação do sistema prisional.
343. Melhorar as condições habitacionais e de segurança nos estabelecimentos
prisionais.
344. Os esforços na identificação de mecanismos e clarificação das funções da
Polícia continuarão, devendo contribuir para elevar a capacidade operacional da
corporação. Neste sentido, serão promovidas acções com vista a elaboração da Lei
Orgânica do MINT e o respectivo regulamento interno que abrange as normas
sobre a inspecção da Polícia.
345. A melhorar a qualidade do serviço da Polícia de Investigação Criminal
continuará no centro das preocupações do sector, devendo-se, para o efeito,
prosseguir-se com a realização de cursos de raiz para a investigação criminal e
prosseguir-se com estudos de cenários para a reforma da Polícia de Investigação
Criminal, tendo como objectivo imprimir maior celeridade nos procedimentos de
investigação criminal.
346. Considerando que a melhoria das condições físicas e infra-estruturais das
forças especiais constitui um elemento importante para a eficiência do seu
desempenho, as acções já iniciadas no domínio da reabilitação de instalações e
equipamento das esquadras deverão prosseguir.
347. Em termos de formação e capacitação dos efectivos policiais, as acções
prosseguirão tendo como objectivos estratégicos aumentar o efectivo das forças
policiais e melhorar a sua capacidade de intervenção. Neste sentido, prevê-se a
criação de uma prática da polícia na zona Centro do país.
348. A conclusão da Lei Orgânica do MINT e o seu regulamento virá a constituir o
instrumento para reforçar os programas operativos em curso que visam a
manutenção da ordem e disciplina no seio da Polícia. E, de forma particular, a
elaboração de uma estratégia de Combate à Corrupção no seio da polícia afigura-
se uma acção urgente e prioritária.
349. Com a finalidade de melhorar o desempenho da gestão orçamental, foram
ministrados e deverão prosseguir os cursos práticos aos directores e gestores de
logística e finanças da PRM.
350. Com vista ao reforço do combate à corrupção, estão programadas as seguintes
acções:
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
a) Expandir os Gabinetes Provinciais de Combate à Corrupção;
b) Aumentar os recursos do Governo - particularmente uma melhor
contratação do pessoal afecto ao Gabinete Central de Combate à
Corrupção;
c) Incrementar um sistema de controlo interno de desempenho;
d) Rever a Lei Orgânica da Procuradoria e elaborar o Estatuto dos
Magistrados;
e) Formar mais magistrados e oficiais de justiça e administrativos;
f) Recrutar e seleccionar magistrados e funcionários;
g) Construir ou reabilitar Procuradorias e residências para magistrados;
h) Harmonizar a Lei de Combate à Corrupção com a Legislação regional e
internacional, em particular o protocolo da SADC.
351. Reforço institucional do Tribunal Administrativo através de:
a) Desenvolvimento do controlo externo;
b) Desenvolvimento de infra-estruturas;
c) Expansão territorial;
d) Reforma legislativa e regulamentar no quadro da Constituição de 2004.
352. No domínio da protecção da criança, fortalecer o sistema legal através do
processo de revisão do quadro Legal de protecção à Criança, elaborar os padrões
mínimos de atendimento a criança sob os cuidados de instituições como orfanatos
e centros de trânsito, adoptar e implementar o Plano Nacional de Registo de
Nascimento, advocacia para aprovar medidas de protecção e mitigação de actos de
violência doméstica e apoiar a criação de capacidade institucional dos parceiros de
cooperação na monitoria e recolha de dados.
v. Outros Domínios
Paz, Estabilidade Política e Social
353. O Governo considera a manutenção da Paz e da Estabilidade Política e Social
como elementos cruciais para a prossecução do objectivo central da redução da
Pobreza. Elege o diálogo, o respeito pela diferença de opinião, a concertação e a
negociação como práticas permanentes a serem seguidas por todos segmentos da
sociedade encorajando-os a não agirem de modo a perturbarem a estabilidade
Governativa e as instituições que servem de suporte a acção governativa.
354. O primado da lei, a garantia da ordem e tranquilidade permanente dos
cidadãos e a transparência na gestão da coisa pública acima de interesses político-
partidários, princípios cunhados na vigência do PARPA I e reafirmados na
Agenda 2025, serão cada vez mais consolidados, no espírito da Boa Governação.
355. Neste sentido, será prioritário a consolidação do papel do Estado e da
Sociedade Civil como garantia da unidade nacional, da Paz e Estabilidade Política
e Social, incrementando-se a concertação social, a convivência, o diálogo e a
tolerância entre cidadãos de diferentes idades, raças, grupo etnolinguístico, sexos,
partidos políticos, organizações sociais, económicas e religiosas.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
356. Por outro lado, a prevenção de conflitos de vária natureza com recurso a
mecanismos baseados nos costumes e regras locais serão amplamente encorajadas
pelo Governo em estreita parceria com a Sociedade Civil.
357. A experiência tem demonstrado que a paz, a democracia e o desenvolvimento
são inseparáveis. O processo democrático em que estamos só será sustentável se
for capaz de garantir ao cidadão a estabilidade necessária para o exercício da
cidadania e dos seus projectos de vida.
Combate à Corrupção
358. É factual, que a corrupção, têm um impacto devastador sobre as condições de
bem-estar da população na medida em que inibe o investimento, tão necessário
para a criação de condições de vida adequadas para os cidadãos e
concomitantemente condiciona a prestação de serviços de forma atempada e com
qualidade. A corrupção corrói o tecido social, desestabiliza as instituições, esvazia
a confiança da sociedade nos órgãos do Estado, atenta contra a unidade nacional e
retarda o desenvolvimento económico, chave da nossa luta contra a pobreza.
359. Por estes e outros factores, o Governo entende que o fenómeno da corrupção
deve ser combatido com todo o vigor e com todas as armas disponíveis.
O combate à corrupção deve ser desencadeado em todos os sectores e a todos os
níveis das instituições públicas mediante acções que visem identificar os corruptos
e os corruptores, seguido da instauração de procedimentos legais contra os
implicados. A luta contra a corrupção deve envolver, para além dos organismos
intervenientes no processo da administração da justiça penal, a própria Sociedade
Civil que, não raras vezes, vê e sente directamente os seus efeitos nocivos.
360. Neste sentido, o Governo considera a promoção da ética e a deontologia
profissionais, melhoria da qualidade na prestação de serviços públicos e reforço da
participação democrática dos cidadãos aos diversos níveis de Governação como
cruciais para um efectivo exercício da Boa Governação.
Justiça Social
361. Uma sociedade justa implica, de entre outros elementos, igualdades de direitos
e oportunidades para todos cidadãos sem distinção de raças, grupo etnolinguístico,
sexos ou culturas. Neste domínio, a redução das desigualdades sociais e regionais,
a equidade das relações de Género em todas as esferas da sociedade, são
consideradas pelo Governo como factores fundamentais para uma Boa
Governação. A evolução das relações sociais deve ser harmoniosa, respeitando
ambos os interesses: o moderno e o baseado no equilíbrio das tradições sócio-
culturais.
Democracia e Instituições Locais
362. A democracia exprimida no pluralismo politico, na incorporação dos vários
segmentos da sociedade actuando fora da dinâmica politico-partidaria no debate
das questões nacionais, no privilegio da concertação social e na promoção dos
direitos e liberdades consagradas na Constituição da República são um pilares
fundamentais no exercício que visa o desenvolvimento das plataformas da boa
governação.
363. O Governo entende que para a Governação promover a redução da pobreza é
cada vez mais necessário, consolidar os aspectos da democracia evocados, assim
como as formas e mecanismos de participação mais alargadas e próximas do
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
cidadão desencadeadas pela Lei nº 8/2003 relativa ao funcionamento dos órgãos
locais, incluindo outras formas inovadoras do exercício da cidadania.
364. Neste contexto, o Governo considera que a dinâmica despoletada pela criação
do Observatório da Pobreza a nível central e alargada as províncias no quadro da
implementação do PARPA I, bem como as Instituições de Participação e Consulta
Comunitária (IPPCC’s), jogam um papel incontornável para a expressão da boa
governação, na medida em que através delas os vários segmentos da população a
nível central e local, nomeadamente a Sociedade Civil, tem a oportunidade de
influenciar as decisões que lhes dizem respeito.
365. Com efeito, o Governo está ciente que tal como no PARPA I, grande parte das
acções preconizadas no PARPA II, irão ser materializadas a nível local,
considerando que o distrito é a base da planificação do desenvolvimento
económico, social e cultural do país. Desta forma criam-se condições para o
cidadão se transformar em agente primordial da construção democrática agindo no
nível em que lhe é mais próximo.
Legalidade e Segurança
366. O Estado de Direito em construção exige de todos segmentos da sociedade o
respeito da lei, uma eficiente administração da justiça e o direito à protecção da
pessoa e bens, por parte das autoridades competentes, como pressupostos para o
exercício de uma Boa Governação.
367. Neste sentido, o respeito e conhecimento do ordenamento jurídico e a
interactividade entre os tribunais judiciais e os tribunais comunitários, as
autoridades policiais e as autoridades comunitárias, podem contribuir para dirimir
conflitos e fazer prevalecer a legalidade, sendo que estes procedimentos serão
encorajados pelo Governo.
368. O Governo considera que o combate ao crime deve ser um processo contínuo
e participativo no qual resultados positivos, seguros e sustentáveis só serão
possíveis se formos capazes de estabelecer uma partilha de responsabilidades
numa frente coordenada entre as forças da lei e ordem e a sociedade em geral.
369. Neste contexto, os órgãos de soberania, os partidos políticos, as instituições
públicas e privadas, as confissões religiosas, os líderes comunitários e a sociedade
em geral, devem empenhar-se neste esforço comum visando a eliminação do
fenómeno da insegurança e da falta de tranquilidade.
Os órgãos de administração da justiça, na sua qualidade de intérpretes e
aplicadores das leis assim como a polícia, como garante da manutenção da ordem
e tranquilidade públicas, são nevrálgicos e têm responsabilidades acrescidas neste
empreendimento global.
Informação e Comunicação
370. O Governo tem consciência que o direito a informação constitui um dos
elementos fundamentais para o exercício da cidadania e participação na
construção de um Estado Democrático. De modo que, considera a comunicação e
o acesso à informação, por exemplo, sobre as contas públicas, bem como o
dialogo regular com os Governos locais e a Sociedade Civil, sobre os contornos
do Orçamento do Estado, estimulam a transparência e reforçam a Boa
Governação.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
371. Esta estratégia de actuação será consolidada em contextos onde já foram dados
passos significativos como por exemplo as instituições participativas locais e os
Observatórios da Pobreza, e encorajada onde permanecem ausentes.
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2. Capital Humano
i. Introdução
372. A capacidade humana é um activo primordial para a iniciativa e acção dos
cidadãos e de todas as instituições da sociedade. Essa capacidade deve ser
permanentemente elevada. Para esse fim, são áreas de elevado mérito e
incontornáveis de acção, a educação, a saúde, água e saneamento, acção social,
HIV/SIDA e habitação. Através destas áreas, operam-se políticas redistributivas
do rendimento e riqueza, eleva-se o bem estar imediato da população, contribui-se
para a criação de bases para a elevação da eficiência dos processos de trabalho,
expande-se a capacidade de realizar, de agir , e garante-se a sustentabilidade no
longo prazo. Neste sentido, e no que concerne à educação, para além do elevado
mérito que continuam a ter a educação primária de base e a alfabetização, ganham
também relevância o ensino pós primário.
373. A relação entre educação e pobreza é significativa. A pobreza é
multidimensional, porque inclui aspectos não monetários, como a educação.
Assim, a educação actua directamente e indirectamente para a redução da pobreza.
Directamente, porque a educação é um dos direitos humanos básicos e faz parte
do desenvolvimento humano. A formação dos cidadãos através de um sistema de
educação de qualidade e para todos, orientado para a resolução de problemas,
contribui directamente para o desenvolvimento humano, aumentando as
capacidades das populações, sobretudo para as mais desfavorecidas, de
encontrarem soluções para as suas principais preocupações. O acesso a uma
educação de qualidade permite incrementar as oportunidades de participação
activa de todos na vida plena da sociedade. A educação contribui indirectamente
para a redução da pobreza porque é essencial para acelerar o crescimento
económico, uma vez que expande a qualidade e quantidade do capital humano no
processo de produção, assim como a capacidade da nação de utilizar plenamente
as novas tecnologias.
374. A saúde, da mesma maneira, também contribui para o desenvolvimento
humano, e directa e indirectamente para a redução da pobreza. A saúde, sendo um
direito constitucional, representa uma componente fundamental no combate à
pobreza absoluta, e por isso é considerado como um sector prioritário do PARPA.
Além disso, o desenvolvimento sustentável do país exige uma população saudável
e com alta capacidade produtiva. O circlo vicioso em que a pobreza é uma causa
directa de um número de doenças, que por sua vez em várias ocasiões acentuam o
estado de pobreza dum indivíduo, deve ser eliminado progressivamente.
375. A água é um recurso estratégico chave, vital para o sustento da vida, promove
o desenvolvimento e a manutenção do ambiente, de entre outros aspectos
contribuem para a disponibilidade e mobilidade de factores, viabilizam os
processos de trabalho, viabilizam a inovação e mudanças estruturais requeridas no
médio e longo prazos, garantem a funcionalidade e expansão dos mercados.
376. O HIV/SIDA poderá reverter os avanços conseguidos até agora no âmbito do
Combate à Pobreza Absoluta. A pobreza, sob as suas diversas formas e
manifestações, ao criar vulnerabilidade nas pessoas e comunidades, cria condições
favoráveis à propagação da epidemia do HIV/SIDA. Alguns dos determinantes da
pobreza, como por exemplo, desigualdade do género, o grau de sofrimento pela
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
fome, desnutrição, o baixo nível de escolarização, e o fraco acesso aos serviços de
saúde, são associados às condições que facilitam a propagação da epidemia (PEN
II). Por outro lado, o HIV/SIDA ao incidir sobre as idades produtivas, não só
reduz a produtividade nos sectores – por levar à situação de morbilidade e morte -
, como também cria erosão nas poupanças domésticas das famílias remetendo-as
ao estado de pobreza e vulnerabilidade.
377. O processo de desenvolvimento, tido como condição indispensável para a
garantia de igualdade de direitos para todos, só pode ser global, íntegro e efectivo
se abranger todos os segmentos da população. Face a este imperativo, o Sector da
Mulher e da Acção Social assume a responsabilidade de assegurar a assistência e
integração social dos grupos populacionais desfavorecidos e vulneráveis devido as
suas condições especiais (físicas, psíquicas ou sociais) e de garantir a sua
participação no processo de desenvolvimento do País de forma sustentável.
378. Habitação é um aspecto de importância crítica para a melhoria das condições
de vida e para o reforço do desenvolvimento do capital humano.
ii. Progressos Alcançados no Quadro do PARPA I
379. A educação tem vindo a registar progressos significativos ao longo dos
últimos anos. Estes são particularmente notórios no que respeita ao acesso ao
ensino básico, incluindo a alfabetização. No entanto, este crescimento não é
homogéneo, registando-se grandes disparidades regionais, socio-económicas e de
género. Neste contexto, o esforço do sector deverá ser o de garantir uma
intervenção, orientada para as regiões onde a falta destes serviços mais se fazem
sentir, particularmente a nível do ensino básico, assegurando a construção de
escolas completas próximas das comunidades.
380. O Ensino Básico (Ep1 e EP2) ultrapassou as expectativas em relação ao
ingressos tendo alcançado os cerca de 3,47 milhões de alunos em 2004, contra os
3 milhões projectados; houve uma redução da taxa de analfabetismo em que foi
estimada em 53,6% em 2005, contra os 60% estimados em 2001. Houve uma
continuação da implementação da estratégia de integração dos alunos com
necessidades educativas especiais em escolas inclusivas que continuaram a
funcionar as 4 escolas especiais para acomodar os casos de alunos com
deficiências agudas. Foi introduzido um novo sistema de financiamento em todas
as escolas primárias do país denominado Apoio Directo às Escolas (ADE) que
atribui fundos a estas para assegurar o seu funcionamento. Note-se que
anteriormente as escolas primárias não recebiam fundos para as suas actividades
básicas. Paralelamente, em 2004, foi abolida a taxa de matrícula no Ensino
primário para todos os alunos deste subsistema, com o objectivo de alargar o
acesso às crianças mais desfavorecidas. Na área do género, mais de 50% dos
estudantes dos cursos de formação de professores são mulheres. A proporção de
raparigas no EP1 ultrapassa os 46%, sendo que na faixa etária de 6-10, mais de
80% das meninas estão na escola primária. Em 2004, na primeira classe, a
proporção de meninas na escola alcançou os 48%, contra os 49% programados. A
maior parte das novas escolas do EP2 resultam da implementação progressiva de
escolas primárias completas, que incorporam o EP1 e o EP2. Neste sentido, em
2005, foram introduzidas 907 escolas primárias completas, contra as 303
existentes em 2001. O primeiro ciclo do Ensino Secundário Geral cresceu em 96
mil efectivos escolares tendo atingido em 2005, 247.787 alunos, contra os 151.873
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em 2001. O ES2 cresceu em 32.803 efectivos, contra 20.267 alunos existentes em
2001.
381. Uma análise do desempenho do sector da Saúde mostra que de um modo
geral, os indicadores para o sector tem vindo a melhorar nos últimos anos, apesar
de ainda serem necessários esforços consideráveis para o alcance das metas do
milénio estabelecidas. Enquanto reduções substanciais podem se verificar nas
taxas de mortalidade em crianças menores de cinco anos de idade que decresceu
em 18% de 1997 2003 e a taxa da mortalidade materna que decresceu de
600/100.000 nados vivos em 1997 para 408/100.000 nados vivos, os indicadores
nutricionais tem melhorado com muita lentidão. A malária continua a ser a
principal causa da morbimortalidade no país, afectando principalmente crianças e
mulheres grávidas. Registam-se cerca de 500 novas infecções por dia com
HIV/SIDA, cujos efeitos socio-económicos são catastróficos, afectando
principalmente os jovens e adultos em idade produtiva. Verificou-se que o estado
actual das unidades sanitárias em termos de infra estruturas básicas não é
aceitável, e que o número de pessoal de saúde existente, apesar de ter aumentado
significativamente, ainda não é suficiente para responder às necessidades
crescentes do país, principalmente se forem considerados os efeitos desastrosos do
HIV/SIDA. Finalmente uma análise em termos de equidade vertical mostra que:
(i) os indicadores de saúde são piores para os pobres do que para os não pobres;
(ii) os pobres utilizam menos os serviços do que os não pobres; (iii) as zonas
rurais estão mais desfavorecidas que as urbanas.
382. Águas conseguiu alcançar as metas previstas para o abastecimento de água às
zonas rurais que era de 40% servindo cerca de 6 milhões de pessoas, e não teve
sucessos no alcance da meta estabelecida para o abastecimento de água às zonas
urbanas que era de 50% e só foi possível atingir os 36% que representa cerca de
1,400mil famílias. Em relação à Gestão Integrada dos Recursos Hídricos houve
avanços significativos nos aspectos de reabilitação da rede hidrometereológica,
mobilização de fundos para a reabilitação de obras hidráulicas, realização de
estudos conjuntos das bacias hidrogáficas partilhadas para o desenvolvimento e
gestão sustentável dos recursos hídricos das bacias partilhadas e preparação de
acordos de cooperação com os paises riberinhos no domínio dos rios
internacionais.
383. Conselho Nacional de Combate ao Sida coordenou o desenvolvimento da
componente estratégica do Segundo Plano Nacional Estratégico (PEN II) sobre
HIV/SIDA, e está a apoiar os esforços para o desenvolvimento da componente
operacional; O MISAU desenvolveu um plano estratégico sobre HIV/SIDA
abrangente e integrado (PEN Saúde); foi aprovada a legislação contra a
discriminação no local de trabalho; o acesso ao aconselhamento e teste voluntários
melhorou significativamente; iniciou a divulgação do ART no sector público; e
foram mobilizados muitos recursos financeiros para o combate ao HIV/SIDA em
Moçambique.
384. O Sector da Mulher e da Acção social desempenhou, durante a implementação
do PARPA I, um papel crucial na coordenação de acções de assistência e
integração dos grupos mais carenciados, sobretudo nas zonas rurais onde se
encontra a maioria da população empobrecida. A estratégia privilegiada foi a
sensibilização das comunidades para a análise e solução dos seus problemas, bem
como o envolvimento da sociedade civil, organizada em Associações, ONG's e
71
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
confissões religiosas e do sector privado, na implementação de acções de
assistência e integração dos grupos populacionais mais vulneráveis.
385. Relativo à Educação Pré-Escolar que visa o desenvolvimento integral e
harmoniosa da criança, sobretudo as suas capacidades intelectuais, morais, sociais
e as habilidades psicomotoras e da análise feita foi possível observar que em todo
o país funcionam 15 centros infantis sob gestão do MMCAS e 111 privados e ao
nível das zonas rurais e peri-urbanas funcionam 526 escolinhas comunitárias que
atenderam 37.434 crianças assistidas por 841 animadores; o atendimento de
crianças da/na rua, nos centros abertos e fechados, registou um crescimento na
ordem dos 475% e 146%, respectivamente; O atendimento a crianças órfãs e
abandonadas, através de infantários, contou com a participação activa de
instituições religiosas que ao longo do período em análise atenderam 932 crianças
em 20 centros, contra 8 sobre alçada do MMCAS que em analise atenderam 345
crianças; No âmbito do atendimento a Pessoa Idosa funcionaram ao longo do
período em análise 9 Centros de Apoio a Velhice sob gestão do MMAS e 11 de
gestão privada; Neste âmbito foram construídas/reabilitadas casas para crianças
órfãs e idosos chefes de agregados familiares, tendo até então beneficiando 44
famílias chefiadas por crianças e 4 por idosos; O programa de subsídio de
alimentos atendeu cerca de 63.772 beneficiários directos e indirectos
respectivamente, contra 56.011 no quinquénio passado.
386. No PARPA I, a meta para a área de habitação estabelecia a disponibilização de
27 000 talhões nas áreas rurais e 14 000 para as urbanas, como uma forma de
aumentar o acesso à habitação dos agregados de baixa renda. As catástrofes
naturais ocorridas em 2000 e 2001, implicaram um redobrar de esforços com vista
ao restabelecimento das condições mínimas para o reassentamento da população e
a reposição dos serviços básicos. As realizações efectuadas no contexto do
programa de reconstrução pós-cheias, comparativamente as previstas no programa
do governo, mostram um desempenho positivo no sentido em que a execução
física foi superior a 90% para a componente de urbanização básica e
aproximadamente 60 % para a construção de habitação. Em termos numéricos,
dos 63.222 talhões previstos foram demarcados 58.614 e das 63.222 casas
previstas foram construídas cerca de 35.309.
iii. Visão e Desafios
Educação
387. A Educação constitui um dos sectores chave da estratégia do Governo para o
combate à pobreza absoluta. Com efeito, apenas uma população bem formada e
competente poderá, efectivamente, participar na vida plena da sociedade. Os
benefícios da Educação vão para além do individuo em particular e têm um
enorme efeito multiplicador para toda a sociedade na esfera social, económica e
de participação cidadã na vida política da comunidade.
388. A área social ocupa um lugar central na acção Governativa, em função do
objectivo de redução da pobreza. A acção pública no sector social tem um efeito
directo redistributivo do rendimento e da riqueza. Fomenta-se o desenvolvimento
da capacidade humana, um activo fundamental em todas as esferas da vida da
sociedade, com procura "ilimitada" por parte de indivíduos e instituições (públicas
e privadas11). A educação ocupa nesse contexto um lugar de mérito, actuando
11
Incluem-se famílias, empresas, associações, instituições religiosas, ONG’s, clubes, etc.
72
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
directamente na criação e expansão das capacidades/habilidades humanas, que
também contribuem decisivamente para o crescimento económico inclusivo e
abrangente.
389. A educação das mulheres tem uma particular importância, porquanto permite
melhorar as condições de vida de toda a sociedade ao contribuir para o aumento
da produção no campo, a redução da mortalidade infantil, melhoria da nutrição
familiar e, sobretudo das crianças. A Educação das mulheres contribui, igualmente
para a prevenção de doenças diversas com destaque para o HIV/SIDA e para a
reprodução, na comunidade, de valores positivos.
390. A Educação tem um papel fundamental na manutenção dos actuais índices de
crescimento económico. Note-se que o país tem crescido, nos últimos anos, a
ritmos muito acelerados (cerca de 7% ao ano). Contudo, este crescimento ainda
não se faz notar no aumento do desenvolvimento humano da população. Urge,
portanto, assegurar um contínuo investimento no sector da educação, sobretudo
para as populações mais desfavorecidas, orientando-as para a participação mais
activa no combate à pobreza. Para que o investimento social resulte num maior
impacto é necessário continuar a envidar esforços no sentido de assegurar a
eficiência interna do sector.
391. A educação é aqui referida no sentido de um sistema amplo e complexo,
envolvendo elementos formais e informais. Na gestão do sistema educacional
actua-se sobre subsistemas fundamentais, incluindo: o ensino primário; a
alfabetização e educação de adultos; o ensino secundário geral; o ensino técnico
(elementar e de artes e ofícios; técnico básico; médio); a formação de professores;
o ensino superior; a formação profissional. Apesar da sua autonomia relativa,
estes subsistemas interagem e em consequência requerem no médio e longo prazo
um tratamento sob uma visão sistémica (de conjunto).
392. O principal objectivo do Sector da Educação, no âmbito da política do
Governo de Combater à Pobreza, será de garantir uma educação de qualidade para
todos, com destaque para o Ensino Primário. Igualmente, o Governo vai continuar
a dar atenção ao desenvolvimento de um ensino pós primário mais
profissionalizante no sentido de assegurar que os graduados destes subsistemas
sejam capazes de se adaptar melhor à vida na comunidade e ao mercado de
emprego.
393. Desafio da educação é de reforçar a qualidade e eficiência no ensino primário
através da melhoria nas taxas de conclusão, diminuição da entrada tardia de
alunos na primaria classe com mais enfoque para as raparigas, redução das
desistências e repetições e redução do custo unitário por graduado; assegurar o
fornecimento e a manutenção de material básico, livros, equipamento e
mobiliário; acelerar os programas intensivos de formação em serviço dos
professores e a progressão na carreira profissional; acelerar a construção de
escolas a baixo custo bem como na reforma de instalações existentes o que requer
maior envolvimento das comunidades locais. isto vai permitir que haja mais
escolas dentro das comunidades o que irá reduzir a necessidade de internatos no
país; adequar os currículos às necessidades do mercado de trabalho o que passa
pela sua revisão (tanto do ensino secundário como o de técnico profissional); e
analisar a forma óptima de prestação e de financiamento dos programas da
educação.
73
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Saúde
394. A saúde (a par da educação) ocupa também um lugar de mérito na área social,
pela sua contribuição directa e no curto prazo para a elevação do bem estar da
população, desempenhando as políticas e programas públicos na área, um papel
necessário de redistribuição do rendimento e da riqueza. Concorre para a
formação e preservação da capacidade humana (activo fundamental) na
estratégia visando a redução da pobreza através de um crescimento económico
acelerado e abrangente. As acções no sector da saúde concorrem directamente
para a redução da morbilidade e mortalidade da população, contribuindo assim
para a viabilização de níveis elevados de produtividade. Por outro lado, contribui
para a manutenção e expansão do stock do capital humano.
395. Actualmente estima-se que a cobertura dos serviços de saúde é de cerca de
40%. As causas mais importantes de morbi-mortalidade continuam a ser as
doenças transmissíveis nomeadamente a malária, parasitoses, tuberculose
infecções respiratórias agudas, diarreias etc. A pandemia do HIV-SIDA (que é
um factor de risco para o crescimento económico e sobrevivência nacional, no
longo prazo) está em rápida expansão e constitui já um enorme desafio para o
sistema de saúde que se vê com uma sobrecarga adicional de doenças atribuíveis
ao HIV/SIDA.
396. O PARPA II é baseado numa estratégia específica de redução da pobreza, que
visa a aumentar o acesso e responder directamente às necessidades crescentes da
população, destacando as camadas mais desfavorecidas. Para este efeito
continuam a ser priorizados os cuidados de saúde primários, promovendo a sua
integração progressiva de maneira a aumentar a eficência no uso dos recursos e
melhorar a qualidade dos serviços prestados. Os programas prioritários do sector
constituem um elemento fundamental na estratégia de fortalecimento dos cuidados
de saúde primários.
397. Num esforço para dirigir estes programas aos mais pobres, sejam estes
populações em zonas rurais desfavorecidas ou indivíduos específicos dentro das
famílias, decidiu-se, por um lado, continuar a dar ênfase aos grupos mais
vulneráveis, nomeadamente mulheres, crianças, jovens escolares, adolescentes e
órfãos, e aos mais pobres entre estes.
398. Por outro lado, sabe-se que os mais pobres são vulneráveis à um número de
doenças, inclusive malária, tuberculose, lepra, HIV/SIDA, parasitoses e doenças
epidémicas em situações de emergência, tais como cólera, disentria, meningite, e,
cada vez mais, à um número de doenças não transmissiveis. Além disso, o
impacto de um número de doenças não transmissíveis se faz sentir cada vez mais,
e poderá ter um impacto negativo significativo nos próximos anos se os problemas
associados com estas não forem tratados desde já.
399. Para permitir a implementação eficiente dos programas do sector e garantir o
acesso da população à um conjunto de serviços básicos de qualidade, foi
identificada como uma prioridade o fortalecimento do SNS existente, inclusive
através duma melhoria na sua capacidade de gestão, que por sua vez permite
atingir uma melhor qualidade e organização dos serviços oferecidos.
400. Para além de capacitar o pessoal em termos de gestão e administraçaõ a todos
os níveis, trata-se, em primeiro lugar, de adequar as unidades sanitárias em termos
74
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
de instalações básicas, assim como criar e implementar normas actualizadas para
permitir o bom funcionamento destas.
401. O SNS deve ser visto como um todo que permite a implementação completa
dos cuidados de saúde primários, dai a necessidade de fortalecer a capacidade de
referência e os cuidados especializados básicos.
402. Ao mesmo tempo, é preciso melhorar o acesso geográfico através da expansão
da rede para zonas mais desfavorecidas, em particular zonas rurais afastadas. Três
componentes são fundamentais para o sucesso deste tipo de intervenção,
nomeadamente a construção das infra estruturas básicas, a colocação e fixação de
pessoal e o apetrechamento adequado das unidades sanitárias, seja em termos de
equipamento e/ou medicamentos.
403. Quanto à estratégia no âmbito dos recursos humanos, destacam-se grandes
esforços para reforçar a componente de formação, junto com a colocação e
fixação de quadros em zonas mais desfavorecidas, através da ciração de condições
de alojamento e definição de incentivos execuíveis.
404. Para a Saúde o grande desafio diz respeito ao aumento do acesso à serviços de
saúde de qualidade para toda a população, com destaque para os mais pobres. Isto
implica o alcance dum equilíbrio entre diferentes intervenções à vários níveis,
inclusive a participação activa na comunidade na promoção da sua própria saúde e
o fortalecimento da parceria com a medicina tradicional. Por sua vez, a estratégia
de financiamento adoptada pelo sector deve reflectir directamente as prioridades
estabelecidas, para permitir a implementação eficaz e imediata das actividades
escolhidas, em vista a melhorar significamente o estado de saúde da população
moçambicana.
Água e Saneamento
405. Acesso à água potável e a um serviço adequado de saneamento, constitui um
pré-requisito para o aumento de produtividade e melhoria da qualidade de vida das
pessoas. A água é vital para o alcance dos outros objectivos de desenvolvimento
do milénio, tais como a redução da pobreza, a educação, saúde e igualdade de
género. A água joga um papel importante e insubstituível no bem estar das
populações.
406. Acesso à água potável tem um efeito multiplicador na saúde. A falta de água
potável e de um serviço adequado de saneamento, são as causas principais das
doenças de origem hídrica, tais como cólera, malária e doenças diarreicas. A
cultura da lavagem das mãos depois de uso da latrina e antes das refeições, pode
reduzir as doenças diarreicas em cerca de 40%. Estudos recentes indicam que o
acesso a água potável pode prolongar a vida das pessoas vivendo com HIV/SIDA
e tornar mais efectivo o tratamento com os anti-retrovirais. Como resultado da
fraca cobertura de serviços básicos, em Moçambique, verificam-se altas taxas de
mortalidade infantil em crianças menores de cinco anos (192 por 1000)12, sendo a
malária, as diarreias e cólera as principais doenças que contribuem para estas
taxas de mortalidade.
407. A existência de um serviço adequado de água e de saneamento nas escolas é
um pre-requisito para a educação das raparigas e consequentemente da melhoria
12
INE – Maio 2004. Guião de Orientação das Estatísticas Sociais, Demográficas e Económicas de
Moçambique.
75
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
da saúde da família, como futuras mães. Caminhar longas distâncias a procura de
água e a espera de água nas fontes, são desperdícios de energia e tempo, e pode
ser prejudicial para a seguranca, em particular para as mulheres e crianças, que
deveriam ser empregues no trabalho produtivo e actividades sociais da família,
tais como a educação.
408. Dentro deste contexto o Governo de Moçambique reconhece que o acesso a
água potável e um serviço adequado de saneamento é uma necessidade básica para
qualquer cidadão e assume que o acesso a água potável e saneamento adequados é
vital para a saúde pública, bem estar e dignidade das populações menos
favorecidas. O baixo nível de cobertura e qualidade de serviços de abastecimento
de água e saneamento afecta o desenvolvimento económico e social do País.
409. A água tem um papel importante na redução da pobreza, pois ela é um factor
de erradicação da fome e de garantia da segurança alimentar, condições essenciais
para a geração de receitas por parte das famílias.
410. Para exacerbar a vulnerabilidade, cerca de 54% (IAF, 2003) dos 18 milhões de
habitantes vivem abaixo da linha de pobreza, não possuindo deste modo
capacidade (resilience) para absorver choques externos causados pelos desastres
naturais (cheias, secas e ciclones). A experiência demonstra que, países com um
PIB mais baixo como é o caso de Moçambique, tem menor capacidade de resposta
em situação de cheia ou de seca, se comparados com países de PIB mais elevado
(países desenvolvidos).
411. Água apresenta como desafio o reforço actual da capacidade do sector de
águas na provisão de serviços adequados; capacitação e treinamento dos principais
intervenientes no sector de aguas; assegurar a sustentabilidade das infra-estruturas
de abastecimento de agua e saneamento; promover projectos integrados de
abastecimento de água e saneamento; o reforço da educação para a água, saúde e
higiene nas comunidades; e assegurar a disponibilidade de água para produção
agrícola e desenvolvimento rural.
412. Reduzir a vulnerabilidade do país através da mitigação e gestão do risco dos
evento extremos (seca e cheias); expansão e modernização da rede de estações
hidrometeorológicas do país; mobilização de financiamentos para o
desenvolvimento de obras hidráulicas; e assegurar a implementação de uma
política tarifária que implique a recuperação dos custos.
HIV/SIDA
413. Em termos demográficos e sócio-económicos, uma das grandes ameaças ao
desenvolvimento é o alastramento para todo o País da pandemia do HIV/SIDA. O
alastramento de tal pandemia traz consequências desastrosas para o
desenvolvimento da economia, pois que afecta sobretudo os adultos, entre os 15 e
os 49 anos, numa fase da vida altamente produtiva e responsável. Esta situação é
agravada pela fraca capacidade de cobertura da rede sanitária que só atinge 50%
da população. O baixo índice de saneamento do meio e as precárias condições de
higiene agravam a situação. Saliente-se o facto de ser raro encontrarem-se
sanitários públicos em funcionamento na maioria das cidades e vilas do País.
414. Prevê-se que em Moçambique o número de crianças órfãs e vulneráveis por
causa directa do HIV/SIDA irá aumentar consideravelmente tendo em conta que
Moçambique está a caminhar mais para a “curva da morte”. Deve ser estabelecido
76
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
um quadro abrangente para responder ás necessidades específicas deste grupo
mais vulnerável.
415. As mulheres e raparigas são mais afectadas e infectadas pelo HIV/SIDA. São
mais afectadas porque cabe a elas a principal responsabilidade de prestar
assistência, agravando ainda mais a sua situação de pobreza. São mais infectadas
por razões biológicas e sociológicas. Por exemplo, as taxas de infecção nas jovens
são quatro vezes superiores ás dos jovens. Por isso, é importante que as
desigualdades do género que têm como consequência a epidemia do HIV/SIDA
sejam resolvidas de forma franca e abrangente no quadro desta estratégia geral de
redução da pobreza.
416. As Avaliações do Impacto do HIV/SIDA a nível sectorial é um grande desafio
transversal. Os sectores precisam de desenvolver e implementar
políticas/programas do HIV/SIDA no local de trabalho por forma a reduzir o
impacto sócio-económico da pandemia no seio da forca laboral.
417. O objectivo geral é ver reduzida a taxa de novas infecções do nível actual de
500 por dia, em adultos, para 350 em 2009 e para 150 em 2014, cuidar e tratar um
número razoável de pessoas infectadas elegíveis ao TARV, reduzir
significativamente a vulnerabilidade das mulheres à infecção, and metigar o
impacto da pandemia nos orfãos e crianças vulneráveis.
418. Para o CNCS o grande desafio é o de transformar o HIV/SIDA numa urgência
Nacional, através de uma resposta multisectorial efectiva e sustentável, que não só
contribua para estancar os índices de novas infecções, como ainda para o
prolongamento da esperança de vida das pessoas vivendo com HIV/SIDA, através
de provimento de cuidados e tratamento adequados e melhoria das suas condições
sócio-sanitárias. Este desafio pressupõe o reconhecimento de que o HIV/SIDA
constitui um entrave ao desenvolvimento e a adopção de estratégias sectoriais
consentâneas, incluindo a criação e viabilização de um ambiente jurídico e legal
favorável e de uma cada vez mais articulação da resposta à pandemia a partir da
realidade sócio-cultural do país.
Acção Social
419. O processo de desenvolvimento, tido como condição indispensável para a
garantia de igualdade de direitos para todos, só pode ser global, íntegro e efectivo
se abranger todos os segmentos da população. Face a este imperativo, o Sector da
Mulher e da Acção Social assume a responsabilidade de assegurar a assistência e
integração social dos grupos populacionais desfavorecidos e vulneráveis devido às
suas condições especiais (físicas, psíquicas ou sociais) e de garantir a sua
participação no processo de desenvolvimento do País de forma sustentável.
420. MMAS joga um papel preponderante nos esforços de redução da pobreza dada
a sua responsabilidade na integração dos grupos mais vulneráveis da população.
421. Daí a necessidade de se reforçar a capacidade do MMAS para uma
intervenção cada vez mais dinâmica que estimule a participação do sector público
e privado, das organizações e/ou associações da sociedade civil na redução da
pobreza e exclusão dos grupos populacionais desfavorecidos, em todas as suas
77
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
dimensões: económica, humana, sócio-cultural, política e em termos de protecção
social numa perspectiva de género4.
422. O MMAS vem assumindo uma abordagem transformadora que potência o
enfoque na participação activa e no empoderamento dos próprios grupos
envolvidos, no contexto das suas comunidades.
423. A assistência e integração dos grupos sociais mais desfavorecidos e
vulneráveis no PARPA II é uma prioridade e constitui uma forma de assegurar a
concretização dos objectivos preconizados no Programa Quinquenal do Governo,
nos planos anuais e nos instrumentos de âmbito internacional, para responder aos
compromissos assumidos por Moçambique no plano internacional com vista a
redução dos índices da pobreza absoluta para se alcançar as metas definidas nos
Objectivos do Desenvolvimento do Milénio. Esta integração irá impulsionar o
processo de capacitação e de empoderamento das populações mais vulneráveis
garantindo a sua participação no processo de desenvolvimento do país.
424. O ponto de partida para a concretização destes objectivos deverá ser a
definição de instrumentos de planificação estratégica, normativos e legislativos, a
identificação e localização das populações mais vulneráveis e em situação de
pobreza absoluta bem como a capacitação institucional do MMAS.
425. Os principais desafios do Sector da Acção Social concentram-se na garantia de
que a alocação dos recursos de combate à pobreza absoluta seja direccionada às
populações mais vulneráveis, implementar projectos de atendimento aos grupos
alvo desamparados e em situação de exclusão social, implementar projectos de
capacitação profissional dos grupos alvo e de promover o auto-emprego, expandir
e melhorar a implementação dos programas de geração de rendimentos e de
desenvolvimento comunitário, incentivar o associativismo para facilitar a
concessão de apoios e assistência das populações vulneráveis, potenciar os
beneficiários de projectos de desenvolvimento em tecnologias simples e
adequadas às condições dos beneficiários e ao meio rural e promover campanhas
de sensibilização e de mobilização para a eliminação das praticas discriminatórias
e de violência dos seus membros.
Habitação
426. O acesso a habitação adequada como um direito universalmente reconhecido,
constitui um desafio do sector de habitação para o alcance das metas de
desenvolvimento do milénio e dos objectivos do programa do governo. A contínua
melhoria das condições básicas de vida, que incluem uma habitação condigna,
trazem benefícios em termos de saúde, num país onde a baixa qualidade da
habitação agrava a vulnerabilidade das populações à infecção pelo HIV/SIDA e
outras doenças a ela associadas13.
427. No contexto moçambicano, onde as condições de pobreza determinam a
precariedade da habitação14 tanto no meio rural (93%) como urbano (60%),
associando-se a vulnerabilidade do país a catástrofes naturais, é fundamental
4
A perspectiva de género não se preocupa exclusivamente com a condição feminina, ou com as
experiências e percepções das mulheres, mas sim com a atribuição de papéis, recursos,
responsabilidades e expectativas relativas a homens e a mulheres.
13
CNCS. (2004). Plano Estratégico Nacional de Combate ao HIV/SIDA.
14
INE. (2005). IAF 2002/3: CONDIÇÕES DA HABITAÇÃO E SUA RELAÇÃO COM AS DESPESAS.
78
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
desenvolver acções orientadas para a melhoria da qualidade da habitação. A
Agenda do Desenvolvimento Sustentável, destaca a habitação como uma das
condições determinantes e essenciais para a redução da pobreza, que é expressa
pela disponibilidade de serviços básicos de infraestruturas (água, saneamento e
electricidade), para além das características construtivas e espaço físico suficiente
para os seus moradores.
428. Moçambique possui uma variedade habitacional caracterizada por unidades
habitacionais de construção permanente nos centros urbanos e a coexistência entre
construções permanentes e precárias nas periferias urbanas e outras em materiais
não duráveis, sendo parte destas num contexto rural.
429. Apesar de nas zonas urbanas verificar-se um significativo défice qualitativo, é
nas zonas rurais onde reside cerca de 62% da população do país, que se
concentram as necessidades qualitativas. Em termos de materiais predominantes,
37,9% das casas tem paredes de paus maticados, caniço ou blocos de adobe;
75,8% tem pavimento com terra batida e 74,3% tem tecto de capim, colmo,
palmeira. O uso de materiais de melhor qualidade é mais frequente nas áreas
urbanas, dado que a habitação de carácter formal é mais frequente, ainda que não
sejam predominantes.
430. Estão também directamente relacionados aos aspectos qualitativos a má
utilização dos materiais; o não cumprimento das normas e outros aspectos de
ordem cultural; a baixa qualidade dos materiais utilizados na construção; a falta de
segurança na posse de terra; infra-estruturas e serviços como água potável e
canalizada, saneamento básico, electricidade e ainda ás redes de Saúde e de
Educação.
431. A visão do sector é de garantir condições básicas de sobrevivência humana,
através da implementação de políticas e programas habitacionais que se traduzam
numa contínua melhoria da qualidade de vida.
432. No âmbito da habitação o desafio será o de elaborar e implementar a Política
de Habitação, que inclua aspectos ligados ao alivio a pobreza; Mobilização de
financiamento para o desenvolvimento de programas habitacionais para
populações de baixa renda.
iv. Objectivos e Acções
Educação
433. Assim as áreas de acção do sector da Educação serão as da Alfabetização e
Educação Não Formal e de Adultos, Ensino Primário, Ensino Secundário, Ensino
Técnico, Profissional e Vocacional, Ensino Superior, Educação Especial,
Formação de Professores, e as questões transversais como o HIV/SIDA, Género,
formação em Direitos Humanos e contra todos os tipos descriminação, o combate
ao consumo de estupefacientes nas escolas e meio ambiente.
Alfabetização e Educação Não Formal e de Adultos
434. Objectivo principal: redução das elevadas taxas de analfabetismo entre
homens e mulheres, jovens adultos, sobretudo nas zonas rurais, e suprir as lacunas
da falta de acesso de crianças ao subsistema do ensino primário.
435. Objectivo específico: redução da taxa de analfabetismo em 10%, através da
alfabetização de 1.500.000 pessoas, 70% das quais mulheres, e tendo em conta o
79
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
alcance da meta de Educação Para Todos, utilizando programas de rádio, TV e
alfabetização presencial.
Ensino Primário15
436. Objectivo principal: escolarização universal.
437. Objectivos específicos:
a) Aumentar a frequência no ensino primário de 7 ª classe de crianças em
idade escolar, com destaque para raparigas, através de recrutamento de
professores, construção de escolas a baixo custo mais próximas das
comunidades e do Apoio directo às Escolas;
b) Aumentar a conclusão no Ensino básico da 7ª classes, através da
implementação do novo currículo do ensino básico, formação inicial e em
exercício de professores distribuição dos livros escolares;
c) Melhorar a qualidade do ensino, através de contratação de professores em
número suficiente, implementação do novo currículo Ensino Básico.
Ensino Secundário
438. Objectivo principal: expansão de um ensino secundário relevante e de
qualidade.
439. Objectivos específicos:
440. Assegurar a expansão de um ensino secundário de qualidade e eficiente tendo
em conta a necessidade da integração dos rapazes e raparigas na vida da
sociedade, no mercado de trabalho, bem como a necessidade da sua formação ao
longo da vida através da conclusão e implementação da reforma curricular do
Ensino Secundário por forma a assegurar a sua eficiência e qualidade, bem como a
integração de disciplinas de formação técnico-profissionais; expandir o ensino
secundário assegurando a integração dos alunos que concluem o ensino primário,
com primazia para as crianças desfavorecidas, com crianças com necessidades
educativas especiais e as raparigas; desenvolver parcerias com o sector privado,
com a sociedade civil e com as famílias no sentido de garantir a partilha de custos
neste nível de ensino, contratar professores e construir escolas.
Ensino Técnico
441. Objectivo principal: expandir o acesso a um ensino de qualidade.
442. Objectivos específicos:
443. Implementação do Programa Integrado da reforma da Educação Profissional
(PIREP) através da reforma integrada do sistema e desenvolvimento institucional
que resulte num sistema de ETP dirigido para a procura que oferece oportunidades
de formação de qualidade e apoiado por parceiros do sector público e privado, e
parceiros da cooperação e sociedade civil; melhoria da eficiência e qualidade de
formação em instituições de formação seleccionadas do ETP; prosseguir com o
programa de reabilitação, ampliação da rede das escolas profissionais e equipar;
implementar a reforma curricular do sistema através da introdução de cursos
modulares e virados para o desenvolvimento rural por forma a fortalecer a
qualidade de formação técnica e prática dos formandos, prosseguir com o
programa de transformação da rede das escolas de artes e ofícios em escolas
15
O Ensino Pré escolar é da responsabilidade do Ministério da Mulher e da Acção Social
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profissionais, introduzir um sistema de qualificações visando o reconhecimento
das competências profissionais dos níveis (básico) ao nível IV (superior-
politécnico)
Ensino Superior
444. Objectivo principal: Expansão do acesso ao ensino superior.
445. Objectivos específicos:
a) Expansão de oportunidades de acesso ao ensino superior,
b) Promover a equidade social, regional e do género,
c) Melhorar a qualidade e relevância do ensino.
Formação de Professores
446. Objectivo principal: Assegurar a formação de professores para todos os
subsistemas de ensino.
447. Objectivos específicos:
448. Estabelecer e implementar um sistema coerente e articulado de formação de
professores para todos os subsistemas de ensino incluindo os da educação técnica
através da capacitação e supervisão contínua de todos os professores do sistema,
com destaque para os não abrangidos pela formação inicial; prosseguir com a
implementação de cursos de formação à distância para assegurar a formação
contínua e em serviço dos professores; formar os professores em matérias ligadas
à prevenção do HIV-SIDA, de modo a envolvê-los em programas de prevenção,
no seu seio e dos seus alunos e da comunidade, bem como em programas de
mitigação e apoio às crianças órfãs e vulneráveis.
Desenvolvimento Institucional
449. Objectivo principal: assegurar uma efectiva descentralização da gestão do
sistema educativo para os distritos e escolas que tenha em atenção a planificação,
a implementação, e prestação de contas a todos os níveis.
450. Objectivos específicos:
a) Garantir o cumprimento das metas traçadas através de realizações de
reuniões anuais com todos os parceiros do sector;
b) Assegurar a eficácia na aplicação dos fundos e a transparência da sua
gestão através de formação e criação de condições para o funcionamento
do SISTAFE; e
c) Reforço da capacidade de planificação e gestão através de formação em
planificação gestão financeira de recursos humanos e gestão escolar.
Saúde
451. Ao Sector da Saúde, em coordenação com um número de outros sectores, cabe
a responsabilidade de intervir tanto na identificação e no combate progressivo às
causas da pobreza, bem como no alívio das suas consequências. A missão do
MISAU através do SNS e eventualmente de instituições privadas com carácter
não lucrativo, será o de colocar à disposição de uma cada vez maior população
pobre Cuidados de Saúde de qualidade aceitável, gratuitos ou a um preço
comportável.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
452. O programa integra seis componentes: programas prioritários; melhoria do
acesso aos serviços de saúde, melhoria da qualidade, recursos humanos,
colaboração intersectorial, e financiamento do sector.
Saúde Reprodutiva
453. Objectivo principal: melhoria do estado de saúde da mulher e da criança,
através dum programa de saúde reprodutiva integrado, acessível à todas as
mulheres Moçambicanas.
454. Objectivos específicos:
a) Redução da taxa de mortalidade materna intra hospitalar para 170/100.000
nados vivos, através de: extensão e acreditação de Unidades Sanitárias
capazes de oferecer cuidados obstétricos de emergência básicos e
completos, com particular ênfases nas áreas rurais e com um bom sistema
de comunicação e referência; formação de novos profissionais para
responder a extensão das US, tendo em conta o impacto do HIV/SIDA;
formação em serviço do pessoal técnico ligado as maternidades; o aumento
de pessoal SMI ligados às maternidades; garantir o fornecimento de
medicamentos essenciais a todas as US com maternidades;
b) Redução da taxa de mortalidade materna de 408 para 350 por 100.000, em
vista a atingir a meta do milénio de 250 por 100.000 em 2015, através de:
aumento da cobertura para as consultas de seguimento de casos de alto
risco obstétrico; sensibilizar a comunidade e ONGs para construção de
casas mãe espera em todas as US referências das sedes distritais; expandir
e fortalecer a estratégia de brigadas móveis e a componente de
planeamento familiar dentro destas; aumentar a colaboração com ONGs
como prestadores de serviços; produzir material educativo para a
sensibilização dirigidas aos formadores de opinião com poder de decisão
(homens e mulheres mais velhas); reforçar acções de formação das
parteiras tradicionais como promotoras de saúde. De referir que, em
grande parte, estas acções irão contribuir para aumentar a cobertura de
partos institucionais de 48% para 56%, que constitui um objectivo
intermédio fundamental na redução da mortalidade materna;
c) Garantir que 22% de Mulheres HIV+ e recém nascidos recebem profilaxia
para a prevenção da transmissão vertical do HIV, através de: expansão das
USs com PTV, actividade que deve incluir a garantia de disponibilidade
contínua nas US de: reagentes para o teste rápido do HIV e de ARV
profilácticos; fortalecimento da estratégia de comunicação sobre o PTV
nas comunidades; integração do aconselhamento e testagem voluntária de
HIV e outras actividades específicas do PTV na rotina dos serviços SMI;
aumento da capacidade de aconselhamento e testagem voluntária de HIV
em todos os serviços SMI para todas as mulheres grávidas; assegurar que
as crianças nascidas de mãe HIV+ recebem ARV profilácticos à nascença.
Saúde Infantil
455. Objectivo principal: reduzir a morbilidade e mortalidade neonatal, infantil e
juvenil.
456. O objectivo específico visa reduzir a taxa de mortalidade infanto-juvenil de
178 para 135 por 1.000, em vista a atingir a meta do milénio de 108. Isto poderá
ser atingido através da melhoria dos cuidados prestados ao recém-nascido, e à
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
criança sadia e doente das causas mais comuns que afectam as crianças menores
de 5 anos. Para este efeito, foram elaboradas as estratégias de Saúde Neonatal e
Atenção Integrada às Doenças da Infância (AIDI). A implementação destas
estratégias envolve três componentes: a melhoria das habilidades dos
trabalhadores no manejo de casos, a melhoria do sistema de saúde para um melhor
atendimento das crianças doentes e a melhoria das práticas familiares e
comunitárias.
457. Mais especificamente, as actividades identificadas são as seguintes:
empreender as acções necessárias para expandir a estratégia AIDI a pelo menos
80% das unidades sanitárias do nível primário; melhorar as práticas familiares e
comunitárias relacionadas com a saúde da criança; formação de pessoal sobre os
cuidados essenciais ao recém-nascido em 70% das US; implementação de método
mãe canguru em todas as maternidades; equipar as US periféricas com
maternidade com material básico e de reanimação do recém-nascido; promover
cursos de manejo da criança grave em 100% dos hospitais de referência.
458. Ao mesmo tempo, também há uma grande necessidade de fortalecer o
Programa Alargado de Vacinação, para aumentar as coberturas de crianças
imunizadas em cada distritos, e principalmente aquelas com menos de um ano de
idade. Entre outros, um dos objectivos a ser atingido é que 88% das crianças de
menos de um ano de idade em cada distrito sejam imunizadas contra o sarampo.
Para este efeito, o papel das brigadas móveis é fundamental, daí que estas devem
ser expandidas e fortalecidas adequadamente.
Saúde para os Escolares, Adolescentes e Jovens
459. Objectivo principal: reduzir a morbi-mortalidade no grupo dos 6 aos 24 anos,
promovendo práticas necessárias a uma vida saudável, através de intervenções
integradas, preventivas e curativas desde a comunidade até aos níveis de
referência dos serviços de saúde.
460. Objectivos específicos:
a) Tornar acessível a todos os escolares um pacote de saúde básico
sistemático, compreensivo e sustentável, através de duas acções principais,
em coordenação com o Ministério da Educação, (i) a revisão da estratégia,
e (ii) a melhoria dos mecanismos de operacionalização, gestão e monitoria;
b) Aumentar o número de utilizadores de SAAJ de para 350.000, através de:
expansão da rede de SAAJs para as US mais periféricas, melhorando a
questão da equidade de acesso, principalmente dado que há muita procura
ainda não satisfeita; ampliação do horário de atendimento nos SAAJs, que
passa por uma melhor gestão dos recursos humanos disponíveis;
implementação da estratégia de Aconselhamento e Testagem Voluntária
nos SAAJs, como importante de entrada para outros serviços
especializados em HIV/SIDA.
HIV/SIDA
461. Objectivo principal: oferecer uma combinação adequada de serviços de saúde
preventivos e curativos, integrados no Serviço Nacional de Saúde, que visem
reduzir as transmissões sexual e vertical, evitar a transmissão do HIV nas US, e
prolongar o tempo e a qualidade de vida das PVHS, incluindo os próprios
trabalhadores de saúde.
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462. Objectivos específicos:
a) Em colaboração com o CNCS, redução do número de novas infecções pelo
HIV, do nível para 350 por dia, através de: estimulação e coordenação de
acções de informação, educação e aconselhamento a nível das
comunidades; melhoria do despiste de sangue e seus derivados; melhoria
das medidas de bio-segurança dos procedimentos a todos os níveis;
b) Em colaboração com o CNCS, redução da taxa de Prevalência de HIV nos
jovens 15 – 19 para 4 %, através do aumento no acesso dos adolescentes e
jovens a serviços para eles orientados, de forma a contribuir para a
mudança de comportamentos sexuais;
c) Aumentar o número de utilizadores das consultas de Diagnóstico e
tratamento das ITS, para 1.500.000, e melhorar progressivamente sua
qualidade, através do reforço a abordagem sindrómica das ITS, tornando-a
acessível em todas as unidades sanitárias;
d) Aumentar a percentagem de doentes beneficiários da profilaxia e
tratamento das infecções oportunisticas para 75 %, através de: aumento na
capacidade das unidades sanitárias para o diagnóstico da SIDA e
tratamento das doenças oportunistas associadas à mesma; aumento no
acesso aos serviços de testagem e aconselhamento;
e) Em colaboração com o CNCS, prolongar e melhorar a qualidade de vida
das pessoas infectadas pelo HIV e dos doentes de SIDA, através da
coordenação entre a prestação de cuidados domiciliares e o conteúdo de
cuidados médicos nas US;
f) Aumentar a cobertura na prevenção do HIV/SIDA e mitigação dos seus
efeitos para mulheres, através de: aumento no acesso ao TARV para
mulheres, principalmente nas zonas rurais; expansão dos mecanismos de
informação e melhoria na qualidade de informação e mensagens dirigidas
a rapazes e raparigas em zonas rurais.
Malária
463. Objectivos principal: redução do peso da malária em Moçambique, que deve
ser reduzido por metade em 2015 em comparação com 2000, de acordo com as
metas do milénio.
464. Objectivos específicos:
a) Reduzir a mortalidade causada pela malaria nos grupos vulneráveis e
garantir que pelo menos 50% dos que correm risco de contrair malária
possam beneficiar da combinação mais adequada de medidas de protecção
pessoal e colectiva, através de: expansão rápida da luta anti vectorial
através de pulverizações intra-domiciliárias em todo o país; distribuição de
redes mosquiteiras tratadas e promover o seu uso, com destaque para a
população vulnerável (mulheres grávidas e crianças de menos de 5 anos), e
expandir o seu acesso as zonas mais remotas; expansão rápida do
tratamento presuntivo e intermitente às mulheres grávidas que correm
risco de contrair malária; Promoção da participação da comunidade nas
questões de saneamento de meio, para que reconheçam os riscos e
melhorem a gestão ambiental; promoção da educação das comunidades
(IEC), para aumentar os conhecimentos sobre, entre outros, pulverizações
e o uso de redes mosquiteiras, daí aumentando a eficácia destas
intervenções;
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b) Redução da taxa de letalidade por malária para 6%, em vista a atingir o
ODM de 3.5% em 2015, através de: garantia do tratamento e seguimento
adequado da malária nos doentes internados; promoção da gestão
integrada dos programas do sector nas unidades sanitárias;
c) Garantir o acesso rápido a um diagnóstico e tratamento correcto e de baixo
custo nas primeiras 24horas após o início dos sintomas, através de:
melhoria do diagnóstico da malária, através da introdução de testes rápidos
de malária em todo o país; expansão da promoção da saúde nas
comunidades, para modificar as atitudes práticas e garantir que as pessoas
reconheçam os sintomas e se dirijam às USs, caso for necessário.
Tuberculose
465. Objectivo principal: reduzir a mortalidade e a morbilidade e a transmissão da
tuberculose, para que, em 2015, tenha parado de subir e comece a descer.
466. Objectivos específicos:
a) Redução da taxa de prevalência de Tuberculose para 450/100.000;
b) Redução da taxa de letalidade por Tuberculose para 8%;
c) Aumento da taxa de sucesso terapêutico com tratamento de ciclo curto
com DOT dos para 85% no final de 2010.
467. Prevê-se atingir estes objectivos através da melhorar da cobertura geográfica e
funcional do programa, por forma que todos os postos de saúde existentes e as
comunidades com voluntários capacitados tenham a possibilidade de tratar
correctamente a tuberculose, assim como a integração dos cuidados de saúde aos
tuberculosos nos cuidados de saúde primários até final de 2007.
Lepra
468. Objectivo principal: erradicar esta doença de Moçambique.
469. Objectivos específicos:
a) Reduzir da taxa de prevalência da Lepra para níveis que não constituam
um problema de saúde pública, e finalizar toda a documentação nacional
de certificação, através da melhoria da cobertura geográfica e funcional do
programa por forma a que todos os postos de saúde existentes e as
comunidades com voluntários capacitados, tenham a possibilidade de
tratar correctamente a Lepra;
b) Atingir a taxa de cura (alta de tratamento) de pelo menos 85% de casos de
lepra, através duma busca activa de todos os casos suspeitos para
diagnóstico e tratamento.
Controlo das Doenças Epidémicas em Situações de Emergência
470. Objectivo principal: Diminuição da vulnerabilidade da população perante as
epidemias e situações de emergência em Moçambique, reforçando a capacidade
de resposta do Ministério da Saúde através da disponibilização de recursos que
permitam a implementação imediata de medidas de controlo.
471. Objectivos específicos:
472. Diminuir a vulnerabilidade da população perante as epidemias e situações de
emergência em Moçambique, através do reforço da capacidade de resposta do
Ministério da Saúde, inclusive disponibilização de recursos que permitam a
implementação imediata de medidas de controlo. Mais especificamente, trata-se
de: melhorar a capacidade de detecção precoce das doenças com potencial
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
epidémico, através da intensificação da Vigilância Epidemiológica existente a todos
os níveis do Serviço Nacional de Saúde; aumentar a capacidade do laboratório no
diagnóstico das principais doenças epidémicas (Cólera, Disenteria e Meningite);
garantir capacidade técnica e infraestrutural para o tratamento das principais
doenças epidemias; formar uma equipe central e provincial de choque para
emergências; fortalecer a colaboração com o sector de água e saneamento para
melhorar a qualidade e reduzir os riscos; envolver a comunidade na gestão dos
riscos e promover sistemas de controlo de qualidade com base na comunidade.
Doenças Não Transmissíveis (DNT)
473. Objectivo principal: Melhorar o acesso e a qualidade de vida dos doentes
crónicos, através do fortalecimento dos cuidados de saúde primários e promoção
de estilos de vida saudáveis, aumentando a proporção de doentes crónicos tratados
e controlados.
474. Objectivos específicos:
a) Redução da taxa de mortalidade (específica) por Acidente cardiovascular
(AVC) nos indivíduos com mais de 40 anos para 10%, através de:
elaboração Plano Nacional de prevenção e controlo das DNT/Trauma;
sensibilizar a comunidade para adopção de estilos de vida saudáveis e
promoção da saúde; realizar acções de sensibilização e educação dos
doentes para importância da aderência ao tratamento e controlo regular;
reforçar acções de formação para técnicos de fisioterapia, clínicos
(técnicos, enfermeiros, médicos); promover pesquisas e disseminar
informação sobre factores de riscos;
b) Aumentar o conhecimento dos doentes sobre as doenças crónicas
(Diabetes e Doenças cardiovasculares), através de: extensão da Associação
Moçambicana de Diabéticos (AMODIA) a todo o país; educação e
formação de formadores a profissionais de saúde e aos próprios doentes;
promoção de estudos de conhecimentos, atitudes e práticas (CAP);
c) Diminuição da taxa de mortalidade por acidentes de viação (rodoviário)
por 20%, através de: implementação das leis já existentes; criação de
serviços de atendimento pré-hospitalar (no local do acidente); coordenação
das actividades de prevenção entre os vários sectores (INAV, Ministério
do Interior, MINED, MMICAS); promoção de práticas correctas de
condução de veículos, uso de cinto de segurança, etc; educação rodoviária
de pões, automobilistas, alunos nas escolas, velhos;
d) Redução da violência interpessoal por grupo etário para 10%, através de:
formação de activistas; criação de meios que permitam denunciar actos de
violência (linha telefónica); acções de educação cívica.
Nutrição
475. Objectivo principal: melhoria do estado nutricional da população.
476. Objectivos específicos:
a) Reduzir a taxa de prevalência do baixo peso para a idade para 18% (meta
do milénio é de 13%) e a taxa de prevalência da mal nutrição crónica para
30%, através de: promoção intensiva do aleitamento materno exclusivo;
intensificação do desmame apropriado; suplementação com suplementos
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
nutricionais proteico-calóricos de mulheres grávidas, crianças de menos de
5 anos, doentes crónicos, órfãos e crianças das escolas primárias16;
b) Redução da taxa de prevalência da carência de Vitamina A, nas crianças
dos 6 aos 59 meses para 40 %, através de: administração da vitamina A à
crianças dos 6 aos 59 meses; suplementação curativa de vitamina A em
casos de xeroftalmia, de sarampo, diarreia persistente, pneumonia grave e,
eventualmente, de malária;
c) Redução da taxa de prevalência da carência de iodo, sobretudo nas
Províncias mais afectadas, para 25 %, através de: aumento da capacidade
de iodização universal do sal de consumo humano e animal; continuação
da promoção do uso do sal iodado; continuação e intensificação do
programa de distribuição de cápsulas de óleo iodado às mulheres em idade
fértil e às crianças dos 0 a 59 meses e em idade escolar (6 aos 14 anos), nas
Províncias de Tete e Niassa;
d) Aumentar as taxas de cobertura de administração preventiva de Vitamina
A, a mulheres no pos-parto, para 75%, através de: continuação da
administração preventiva de Vitamina A a mulheres no pós-parto;
continuação e intensificação da promoção do consumo de alimentos ricos
em vitamina A;
e) Desenvolvimento da capacidade de investigação em nutrição, através da
realização dos estudos necessários à avaliação deste Plano.
Melhoria do Acesso aos Cuidados de Saúde
477. Objectivos principais:
a) Expansão da rede sanitária para as zonas mais desfavorecidas, e
principalmente as Províncias em que o raio teórico de influência de cada
US está muito acima da média nacional de 14 km, nomeadamente Niassa,
Tete, Cabo Delgado e Manica;
b) Melhorar o estado actual das unidades sanitárias, inclusive o
abastecimento de água, energia, consumíveis para os pacientes, produtos
de limpeza, etc;
c) Fortalecer a capacidade logística de referência das unidades sanitárias e
reforçar os serviços especializados básicos;
d) Eliminação progressiva as barreiras financeiras e não financeiras, através
do fortalecimento do sistema distrital de saúde, a promoção da
participação comunitária na promoção e defesa da sua própria saúde, a
parceira com a medicina tradicional, e a realização dum estudo abrangente
sobre o financiamento do sector, para explorar sistemas de financiamento
sensíveis à pobreza;
e) Garantir que um montante adequado de financiamento seja alocado para as
zonas mais desfavorecidas e para programas que beneficiem os pobres,
começando pela revisão dos critérios de alocação.
Melhoria da Qualidade do Sistema Nacional de Saúde
478. Objectivos principais:
a) Reorganizar e reestruturar o SNS, e elaborar um projecto de lei de Bases
do SNS, para garantir um desempenho eficaz e descentralizado;
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Para atingir os objectivos quanto à suplementação, será necessária a colaboração inter sectorial,
principalmente com a Educação e Acção Social, PMA e outras ONGs.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
b) Aumentar a capacidade de gestão dos recursos nas US;
c) Actualizar e divulgar protocolos de atendimento e normas de organização
das Unidades Sanitárias;
d) Aquisição de meios auxiliares e colocação de pessoal qualificado para
aumentar a capacidade de diagnóstico e tratamento;
e) Reforçar a bio-segurança, através de formaçaõ de pessoal e equipamento
básico das unidades sanitárias;
f) Melhorar o sistema de recolha de dados; e
g) Promover pesquisas operacionais em todas as áreas.
Recursos Humanos
479. De acordo com as expectativas de expansão e reforço técnico das Unidades
Sanitárias espera-se contar com 27.189 funcionários para o ano de 2010, uma
projecção que leva em conta as perdas devidas ao HIV/SIDA ao longo dos
próximos anos.
480. Para atingir os objectivos políticos preconizados serão implementadas
estratégias visando melhorar a capacidade técnica do pessoal, através de várias
acções de formação, inclusive no âmbito da implementação do plano operacional
de HIV/SIDA.
481. Objectivos principais:
a) Criação de condições de alojamento e definição de incentivos para garantir
a colocação e retenção de quadros, principalmente em zonas
desfavorecidas;
b) Fortalecer as actividades de formação de técnicos básicos, médios e
especializados, assim como de formação contínua;
c) Desenvolver acções no sentido de reduzir o impacto do HIV/SIDA sobre
os trabalhadores; e
d) Incentivar e priorizar o ingresso das jovens das zonas rurais aos cursos de
saúde, estender os locais de realização dos exames de admissão aos cursos
de saúde para as zonas rurais, e promover e incentivar políticas de
igualdade e equidade no local de trabalho.
Colaboração Intersectorial
482. O estado de saúde é determinado por vários factores, que tocam a diferentes
sectores, daí que existe um número de intervenções que necessitam da
colaboração intersectorial para garantir efeitos significativos sobre a população
das acções identificadas. Embora as áreas de colaboração sejam várias, foram em
particular, identificadas, três áreas em que esta cooperação é fundamental,
nomeadamente a nutrição, agua e saneamento e educação.
483. Nutrição: O papel da saúde deve ser de prevenir e tratar as consequências da
desnutrição, enquanto que as causas e prevalência desta requerem um forte nível
de participação de vários outros sectores, inclusive Ministérios da Agricultura e
Desenvolvimento Rural, Educação, Industria e Comercio, INNOQ e Acção Social,
assim como os Governos Provinciais, para que a desnutrição seja vista como um
problema do Estado, e não limitado a saúde.
484. Águas e Saneamento: Baseia se, por um lado, na prevenção, através do
envolvimento das comunidades na fiscalização e promoção de sistemas de
controlo de qualidade de água das fontes já existentes. Por outro, de maneira a
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
combater as epidemias já identificadas é necessário combinar a informação
epidemiológicos sobre diarreias (incluindo a cólera) e disenteria distribuição
territorial de fontes de agua, com o fim de melhor dirigir os investimentos em
fontes seguras de agua aumentar a disponibilidade da água com qualidade que
permita reduzir os riscos de surgimento e disseminação de doenças transmissíveis
através da agua.
485. Educação: Através da garantia que os currículos incluam uma componente
adequada de educação sanitária, sexual e reprodutiva, etc. Ao mesmo tempo,
deve-se formular uma estratégia para melhorar não apenas o conteúdo do pacote
de saúde escolar, como também a sua implementação em todas as escolas. A nível
comunitário será necessário fortalecer as ligações entre saúde, educação,
Ministério da Juventude, Acção Social em prol de um grupo vulnerável, em
continuo crescimento devido a epidemia do HIV/SIDA. A finalidade é de
promover a integração dos cuidados de saúde nas actividades necessárias para
reduzir os factores de risco e proteger as Crianças Órfãs e Vulneráveis (COVs).
Financiamento do Sector
486. No âmbito do financiamento do sector, foram identificadas quatro questões
chave que deverão ser exploradas e desenvolvidas ao longo dos próximos anos, de
maneira a assegurar um montante de financiamento adequado para o sector, e
garantir uma alocação e gestão dos fundos eficiente dentro do sector.
487. Objectivos principais:
a) Melhorar a eficiência na utilização dos recursos;
b) Assegurar um montante de financiamento adequado para o sector, através
do diálogo contínuo com o MPD e a continuação da cooperação com os
vários parceiros do sector;
c) Proceder à elaboração dum estudo abrangente sobre o financiamento do
sector;
d) Garantir a existência de instrumentos adequados e pessoal capacitado a
todos os níveis, para permitir a implementação eficiente das reformas do
sector, minimizando os efeitos negativos sobre a prestação de serviços.
Água e Saneamento
488. O programa das águas e saneamento integra duas componentes:
Abastecimento de água e saneamento e gestão dos recursos hídricos.
Abastecimento de Água e Saneamento
489. Objectivo principal:
490. Objectivos específicos:
a) Aumentar a cobertura de abastecimento de água para 60%, servindo cerca
de 4 milhões de habitantes, vivendo nas zonas urbanas;
b) Aumentar a taxa de cobertura para 55% da população servindo cerca de 8
milhões de habitantes, vivendo nas zonas rurais;
c) Aumentar a cobertura de saneamento urbano para 55%, servindo cerca de
3.8 milhões de pessoas vivendo nas zonas urbanas e peri-urbanas;
d) Aumentar a taxa de cobertura de saneamento rural para 40%, de modo a
servir cerca de 6 milhões de pessoas vivendo nas zonas rurais;
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
e) Contribuir para a redução da morbilidade e mortalidade devida às doenças
de origem hídrica e condições sanitárias inadequadas.
Gestão de Recursos Hídricos
491. Objectivo principal:
492. Objectivos específicos:
a) Promover o desenvolvimento de obras hidráulicas para a regularização e
armazenamento de águas para fins múltiplos;
b) Prosseguir com as negociações internacionais visando celebrar acordos de
partilha, gestão conjunta e uso sustentável dos recursos hídricos
partilhados;
c) Reforçar a capacidade de implementação e monitoramento dos acordos
internacionais;
d) Garantir a gestão integrada e participativa dos recursos hídricos através de
desenvolvimento e implementação da regulamentação sectorial e
envolvimento dos utentes através de comités de bacias;
e) Desenvolver medidas para mitigar impactos dos eventos climáticos
extremos, estabelecendo sistemas de previsão e aviso de cheias nas
principais bacias hidrográficas e definir as zonas de riscos de cheias e
secas;
f) Implementar as acções prioritárias preconizadas na Estratégia Nacional de
Gestão dos Recursos Hídricos (ENGRH).
HIV/SIDA
493. Usando o Segundo Plano Estratégico Nacional de Combate ao HIV/SIDA
(PEN II, 2005-2009) como quadro operativo, serão priorizados intervenções em
cinco áreas específicas onde for sentido que resultados podem ser alcançados para
efectivamente travar a propagação da epidemia. Estas áreas são a Prevenção, o
Estigma e Discriminação, o Tratamento, a Mitigação do Impacto, e a Coordenação
da Resposta Nacional.
Prevenção
494. Objectivos específicos:
a) 70% de Mulheres HIV+ e recém-nascidos recebem profilaxia para a
prevenção da transmissão vertical do HIV;
b) 350,000 jovens (10-24) frequentam os Serviços de Saúde Amigos dos
Jovens;
c) 60% dos jovens (15-24) que são sexualmente activos reportam terem
usado preservativo a última vez que tiveram contacto sexual com um
parceiro irregular.
Redução de Estigma e Discriminação
495. Objectivo específico: 60% de pessoas de 15 to 49 anos expressam aceitar
atitudes para com pessoas vivendo com HIV/SIDA.
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Tratamento
496. Objectivos específicos:
a) 39% de adultos positivas elegíveis para a terapia Antiretroviral recebem a
terapia Antiretroviral; e
b) 50% de crianças HIV positivas elegíveis para a terapia Antiretroviral
recebem a terapia Antiretroviral.
Mitigação do Impacto
497. Objectivos específicos:
a) O Rácio da frequência escolar das crianças órfãs maternas e não órfãos é
igual;
b) O Rácio de prevalência de baixo peso entre crianças órfãs e não órfãs é
igual; e
c) 30% dos órfãos e crianças vulneráveis vivem em famílias que recebem
apoio externo gratuito em cuidados para as crianças.
Coordenação da Resposta Nacional
498. Objectivos específicos:
a) 100%do Orçamento de Estado alocado anualmente ao CNCS será
desembolsado para esta entidade; e
b) Todos os Ministérios e Direcções Provinciais terão aprovado planos
sectoriais de actividades e orçamento de combate ao HIV/AIDS nos
seus sectores/províncias e terão implementado os seus planos.
Acção Social
499. O programa integra seis sub áreas: desenvolvimento da família,
desenvolvimento da mulher, pessoa portadora de deficiência, criança em situação
difícil, pessoa idosa e capacitação institucional.
Desenvolvimento da Família
500. Objectivos principal: Promover a estabilidade da família, estimulando e
reforçando o seu papel na protecção dos seus membros.
501. Objectivos específicos:
a) Sensibilização da família para o seu papel na protecção dos seus membros,
através da formação de formadores e activistas para actividades de
sensibilização, produção de instrumentos de sensibilização e realização de
acções de sensibilização;
b) Reforço e expansão dos Centros de Aconselhamento familiar e casas de
acolhimento para protecção das vítimas de violência, através da divulgação
dos serviços disponíveis nos Centros de Acolhimento e Aconselhamento e
na prestação de serviços de acolhimento, atendimento psico-social,
orientação jurídica e na construção de centros e casas;
c) Elaboração e implementação de estratégias e planos de prevenção e
protecção das vítimas de violência familiar, através da elaboração e
implementação das estratégias e planos de prevenção e protecção das
vitimas de violência familiar e na formação de pessoas em matéria de
planificação e estatística;
91
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
d) Fortalecimento da capacidade das comunidades para protecção das
famílias infectadas e afectadas pelo HIV/SIDA através da produção de
instrumentos de sensibilização, formação de activistas e da realização das
campanhas de divulgação.
e) Reforço das acções do combate ao tóxico-dependência através da
realização de actividades de sensibilização, construção de Centros de
Apoio Psico-Social para toxico-dependentes e na realização das
actividades de reintegração social dos tóxico dependentes.
Desenvolvimento da Mulher
502. Objectivo principal: Implementar políticas e estratégias conducentes à redução
da pobreza absoluta, em particular nas zonas rurais tendo em conta a perspectiva
de género.
503. Objectivos específicos: Promoção e capacitação de associações e
estabelecimento de parcerias estratégicas de luta contra a pobreza através da
dinamização e facilitação do associativismo no seio dos grupos mais vulneráveis,
com vista ao combate da pobreza, implementação de projectos de geração de
rendimentos e de auto-emprego para apoiar mulheres chefes de agregados familiar
com fraca capacidade económica e na identificação, selecção e estabelecimento de
parcerias com organizações que actuam no combate a pobreza.
Pessoa Portadora de Deficiência
504. Objectivo principal: garantir assistência à Pessoa Portadora de Deficiência em
risco de exclusão social.
505. Objectivos específicos: atendimento de Pessoa portadora de deficiência em
situação de pobreza através da implementação de projectos de geração de
rendimentos dirigidas a pessoas com capacidade para o trabalho, criar Centros
Comunitários abertos para o atendimento as PPDs na comunidade, realizar acções
de sensibilização dirigidas a vários sectores da sociedade com vista a integração
social das PPDs, realizar acções de capacitação profissional para a integração das
pessoas portadoras de deficiência no emprego, providenciar meios de
compensação para pessoas portadoras de deficiência, assistir Pessoas Portadoras
de Deficiência sem amparo familiar, construir escolas especiais para pessoas
ambliópes nas três regiões do pais, providenciar material didáctico incluindo o
braille, capacitar pessoas em língua de sinais, prôpor legislação para que nos
órgãos do Estado haja pessoas habilitadas em língua de sinais e promover a
Educação inclusiva para pessoas portadoras de deficiência auditiva.
Crianças em Situação Difícil
506. Objectivo principal: garantir a assistência em risco de exclusão social.
507. Objectivos específicos: atendimento de crianças em situação difícil através da
realização das sessões de sensibilização dirigidas a famílias e a sociedade em geral
sobre os direitos da criança, localizar as famílias das crianças separadas, reunificar
as crianças separadas das suas famílias, dar assistência as crianças sem amparo
familiar, assistir técnica, material e financeiramente famílias que integrem
crianças órfãs e desamparadas e implementar projectos de capacitação pré-
profissionalizantes e de geração de rendimento para crianças incluindo as
envolvidas na prática da prostituição.
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Pessoa Idosa
508. Objectivo principal: garantir assistência social a pessoa idosa em situação de
pobreza absoluta.
509. Objectivos específicos: atendimento a idosos e idosas vivendo em situação de
pobreza absoluta através da criação de Centros Comunitários Abertos, assistir
financeira e materialmente a idosos e idosas sem meios de subsistência e sem
capacidade para o trabalho, assistir financeira e materialmente a pessoas idosas e
idosas cuidando de pessoas infectadas e afectadas pelo HIV/SIDA, realizar acções
de sensibilização sobre os direitos da idosa e idoso, particularmente sobre a
violência baseada no género e assistir a idosos e idosas sem amparo familiar em
Unidades Sociais.
Habitação
510. O programa integra duas sub áreas: segurança de direito de uso e
aproveitamento de terra e a durabilidade de habitação.
Segurança de Direito de Uso e Aproveitamento de Terra
511. Objectivo principal: assegurar o acesso a terra com infraestruturas para
habitação através da implementação de programas de urbanização
512. Objectivos específicos: reduzir o nº de agregados sem acesso a talhão para
habitação (de cerca de 20% em 2004 para 10% em 2009) através do apoio a
implementação de planos parciais de ordenamento do solo; da harmonização do
projecto de decreto de regulamento de solo urbano e submeter a aprovação pelo
Conselho de Ministros e das realizações de campanhas de estudo e divulgação de
legislação sobre terra e habitação.
Durabilidade da Habitação
513. Objectivo principal: Garantir a durabilidade da habitação através da
implementação de programas de melhoramento habitacional.
514. Objectivos específicos: promover o acesso a habitação adequada através da
monitoria do treinamento de produtores de materiais de construção nas
comunidades; Apoiar a instalação de centros de recursos para construção
habitacional incluindo formação de extensionistas rurais; Revisão do Regulamento
de Edificações Urbanas; Elaborar o Regulamento da actividade de produção de
materiais de construção
19
O grau de desempenho interno das políticas públicas é monitorado a eficácia e eficiência através do
inventário do progresso físico e financeiro das actividades com recurso a comparação de indicadores
antes e depois da implementação dos programas ou seja, averiguação do cumprimento das metas
previstas nos diferentes programas. Em outro sentido, o grau de desempenho externo das políticas
públicas consiste em captar, não somente nos grupos mas também nos subgrupos de beneficiários, o
grau de satisfação em relação a qualidade dos serviços públicos prestados, e respectivas prioridades,
adequação, sustentabilidade e utilidade dos mesmos, ou seja se este agregou valor ou não as suas
condições de vida e quais os efeitos colaterais.
93
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
3. Desenvolvimento Económico
i. Introdução
515. O desenvolvimento económico e social sustentável é a condição necessária e
suficiente para a redução da pobreza absoluta, através da sua contribuição à:
a) Geração de rendimento; incluindo nas zonas rurais onde se concentra os
maiores índices de pobreza
b) Criação e melhoria na qualidade de emprego e promoção de auto-emprego
por forma a melhorar o bem estar dos Moçambicanos;
c) Aumento a oferta de bens e serviços de qualidade para o consumo da
população;
d) Aumento das receitas do estado que irão contribuir aos esforços de
redução da pobreza através do maior volume de recursos disponíveis para
fazer face as despesas nas áreas prioritárias (e.g. Saúde, Educação, etc.);
516. O desenvolvimento económico atinge-se por meio do desenvolvimento dos
sectores produtivos do país −quer do sector da produção familiar e de micro-
empresas quer do sector empresarial que opera em Moçambique − especialmente
de aquelas actividades com uma maior contribuição à geração de emprego,
exportações, divisas e à articulação intersectorial da economia moçambicana (e.g.
agroindustria). São condição necessária para atingir um grau de desenvolvimento
económico sustentável que contribua a redução rápida da pobreza em
Moçambique os seguintes: (i) um entorno macroeconómico estável, (ii) um
quadro institucional e ambiente de negócios favoráveis ao investimento, (iii) um
sector financeiro desenvolvido e abrangente, (iv) boas infra-estruturas de energia,
estradas e transportes, (v) a modernização e capacitação técnica e tecnológica das
empresas e trabalhadores/as Moçambicanos/as, (vi) e condições adequadas que
permitam a comercialização efectiva de bens e serviços nos mercados nacionais e
internacionais. Contudo, no longo prazo o desenvolvimento económico só poderá
ser sustentado se tiver em conta o impacto das questões transversais como o
HIV/SIDA, género, meio ambiente, que poderão garantir um crescimento
económico socialmente e meio-ambientalmente abrangente e sustentável.
517. Neste contexto, o Estado tem o papel de fomentar o investimento em infra-
estruturas económicas e sociais, a provisão de serviços básicos e dum marco
institucional que crie o ambiente favorável e indutor da expansão da iniciativa,
acção e investimento privado nacional, principalmente investimento em pequenas
e médias empresas. Por esta via, ampliam-se as possibilidades do necessário
crescimento económico abrangente, com mais ênfase nas zonas rurais onde se
encontra a maior parte da população e maior incidência de pobreza. A acção em
prol destes objectivos sistemáticos realiza-se através de uma gestão
macroeconómica rigorosa, aliada à procura de manutenção de níveis adequados de
abertura do país e da economia que assegurem fluxos requeridos de tecnologia,
capacidades, informação, recursos financeiros, investimentos e comércio, para
uma integração efectiva no mercado mundial, e garantir que tais recursos sejam
canalizados de forma eficiente e eficaz aos sectores produtivos da economia.
ii. Progressos Alcançados no Quadro do PARPA I
Evolução Macroeconómica
94
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
518. A evolução do quadro macroeconómico nos últimos anos deu sinais positivos
de uma recuperação económica no País onde se registaram nos últimos anos taxas
de crescimento significativas; de 1997 a 2003 registou um crescimento económico
médio de cerca de 9%, muito acima da média do continente. Referir que este
crescimento foi conseguido num ambiente em que a inflação esteve controlada.
Esta evolução reflecte as medidas que vêm sendo adoptadas pelo Governo, através
da criação dum ambiente propício para a promoção dum crescimento económico
sustentável e abrangente e aumento do investimento no País.
519. Em 2005 prevê-se que a economia evolua na ordem dos 7,7%. Com base na
continuidade de um bom desempenho dos sectores tradicionais da economia, e
uma relativa estabilidade da contribuição de mega-projectos no crescimento.
Deste modo, para 2006 prevê-se um ritmo de crescimento económico de cerca de
8%, mantendo a cifra de 7% para os anos 2007 e 2008 respectivamente.
520. Em relação à inflação o Governo continuará a orientar a sua acção e políticas
para que a sua taxa se situe na banda de 1 dígito, através da limitação do
crescimento da base monetária e redução do recurso ao crédito interno para
financiar o Orçamento do Estado.
521. Contudo, e não obstante os importantes progressos atingidos no
desenvolvimento económico e estabilidade macroeconómica verificado nos
últimos anos, os problemas de ocupação da população activa continuam a marcar
de forma decisiva o País e a reflectir-se, decisivamente, nos níveis de pobreza
existentes. O crescimento actual em Moçambique estar a acontecer na sua maioria sem
um grande impacto no emprego formal, que está a diminuir. Por outro lado Estima-se
que cerca de 60% dos cidadãos moçambicanos em idade de trabalhar estejam
desempregados ou subempregados.
522. Também constitui preocupação a evolução no longo prazo do sector exterior.
Nesta área, tem-se verificado uma forte expansão das exportações Moçambicanas
para o resto do mundo nos últimos anos, passando de apenas 367.043 mil dólares
americanos em 2003 para 403.352 mil dólares em 2004 e espera-se atingir
651.595 e 716.534 mil dólares em 2008 e 2009 respectivamente, contribuindo
desta forma na melhoria da balança comercial com o exterior.
523. A este panorama no sector exterior, soma-se os importantes desenvolvimentos
que tem havido nas relações comerciais de Moçambique tanto com os países da
região como a nível internacional −SADC, possível integração na SACU, EPAs,
OMC, etc.− que, eventualmente, irão afectar a evolução do sector exterior nos
próximos anos e reforçar a necessidade de estimular a actividade exportadora, por
forma de garantir o fortalecimento e expansão da economia Moçambicana e sua
estabilidade macroeconómica.
524. O Governo ao destacar no seu Programa como principal desafio a redução do
índice da pobreza absoluta, fê-lo num cenário de estabilidade de crescimento
económico e num maior comprometimento na realização das despesas públicas,
através da afectação dum maior volume de recursos nas áreas com maior impacto
social nomeadamente, na saúde, educação e infra-estruturas.
525. Deste modo, os principais objectivos macroeconómicos, resumem-se no
seguinte: (i) alcançar um crescimento económico que se situe em torno de 8%, (ii)
conter a taxa de inflação média anual em 7.5%; (iii) atingir um nível de 1,802.5
milhões de dólares, em exportações de bens o que representa um crescimento de
95
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
cerca de 5%; (iv) atingir um nível de reservas internacionais líquidas que
financiem cerca de 4 meses de importações de bens e serviços; (v) prosseguir
com a criação de condições que tornem atractivo o investimento em Moçambique,
salvaguardando no entanto uma correcta gestão do meio ambiente; e Melhorar a
quantidade e qualidade dos serviços públicos de educação, saúde, água, energia,
saneamento e estradas.
Evolução sectorial
526. Nos últimos anos, um dos aspectos mais destacados da evolução da economia
Moçambicana, e a gradual queda no peso relativo do sector agrícola que passou de
representar quase o 30% do PIB em 1995 a, apenas, 22% em 2003. Esta evolução
reflecte, em parte, a transformação da economia Moçambicana crescentemente
virada para a produção de serviços e, em menor medida para os sectores turismo e
industrial.
527. Sector Agrícola: Contudo, neste contexto de transformação da economia
Moçambicana, o sector agrícola continua a ser de grande importância,
empregando aproximadamente 80% da população Moçambicana e sendo a
principal fonte de rendimento dos mais pobres. Dado o peso da agricultura no
conjunto da economia Moçambicana, nos próximos anos este sector continuará a
jogar um papel fulcral no desenvolvimento das capacidades produtivas do país e
na redução da pobreza absoluta.
528. Ainda que abaixo da taxa média de crescimento do PIB, o sector agrícola
continuou a sua expansão devido, dentre outros factores, à melhora nos
rendimentos agrícolas, ao crescimento da força de trabalho empregada no sector e
uma expansão das áreas cultivadas, acima de 2% por ano entre 1992 e 2003
(Banco Mundial, 2005). Entre as culturas de maior crescimento, destacam os
cereais (milho), o açúcar e o tabaco.
529. De 1996 para 2002 houve uma tendência de diversificação de culturas o que
contribuiu para o aumento do rendimento líquido agrícola. O número médio de
culturas praticadas quase que duplicou de 4.6 par 7.9 culturas por família. Esta
diversificação foi mais pronunciada para culturas alimentares. O milho
representou 71% da produção total de cereais em 2004, levando o país a caminhar
para uma situação de auto-suficiência alimentar. Em relação as culturas de
rendimento, destaque vai para as culturas de castanha de caju, tabaco, cana de
açúcar e algodão. Desde o ano 2000 estas culturas tiveram uma tendência positiva
exceptuando a cultura de algodão e de castanha de caju que registaram um
decréscimo da produção no ano 2003 e 2004 respectivamente. No sector pecuário,
registou-se no geral uma tendência positiva, particularmente na evolução dos
efectivos bovinos. Registou-se também uma produção de carne (vaca, porco,
franco e pequenos ruminantes) a realçar, além de leito e ovos de consumo. O
volume total de madeira licenciada neste período foi de cerca de 168.196 m3, um
aumento de cerca de 39% em relação a 2003. Relativamente aos combustíveis
lenhosos, verificou-se uma tendência crescente na sua exploração.
530. Embora desta evolução favorável da agricultura em Moçambique, o sector
enfrenta desafios importantes que irão a determinar o sucesso nestas áreas. Entre
eles, destacam a melhora continuada dos rendimentos da produção agrícola, a
extensão do uso do regadio −em especial, dos sistemas de irrigação de pequena
escala−, a prevenção e controle de pragas e doenças (tanto animais como
96
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
vegetais), a gestão sustentável dos recursos naturais, a melhora da comercialização
agrícola e o fomento das actividades pecuárias e, no geral, da actividade agrícola
comercial, por forma a contribuir a modernização e expansão da economia
Moçambicana. Também, existem importantes factores que constringem o
desenvolvimento agrícola em Moçambique, e que deverão ser abordados a fim de
garantir a contribuição efectiva do sector agrícola à redução da pobreza e o
desenvolvimento económico e social do país. Trata-se, de problemas associados à
comercialização agrícola (infraestruturas, informação de mercados, etc.), à gestão
do risco das actividades do sector, o acesso ao crédito, o uso e aproveitamento da
terra, o impacto do HIV-SIDA e a maior articulação com os outros sectores
produtivos, nomeadamente o sector industrial a través da promoção das
actividades agro-industriais.
531. Indústria Transformadora: Neste último sector, a actividade industrial no seu
conjunto experimentou um processo de expansão, com taxas de crescimento
acima da média do conjunto da economia. Contudo, este crescimento foi
fortemente influenciado pelo impacto dos grandes projectos e outros
investimentos, entre eles a Mozal, cujo impacto na industria transformadora
moçambicana e na pobreza é limitado, devido ao pouco emprego que criam e às
fracas ligações com o resto da economia. Tirando estes grandes projectos, o sector
tem vindo a registar um processo de estagnação gradual. Assim o sector industrial
em Moçambique tem uma base muito pequena e está concentrado nos mega-
projectos e na cidade de Maputo (80% da produção), com pequenos pólos de
desenvolvimento na Beira, Nampula e agro-indústria em Chimoio. A
concentração também é muito alta se excluímos a Mozal, com as 10 maiores
empresas produzindo um 67% da produção do sector, e pouco integrada,
importando cerca do 80% da matéria prima consumida. Também sofre de fraca
produtividade e relações intersectoriais pouco desenvolvidas. As PMEs, que
constituem a maior parte da actividade económica do país sofrem de mesmos
problemas com o agravante de carecer de economias de escala que ajudem a
enfrentar estes problemas.
532. As diversas análises feitas do sector apontam, de entre outras, como principais
causas desta evolução o fraco ambiente negócios; o fraco quadro institucional; os
problemas com acesso a serviços financeiros que dificulta a inversão na
modernização dos equipamentos industriais; a baixa capacitação técnica de
empresas e trabalhadores; a baixa qualidade dos produtos e processos de produção
Moçambicanos; o fraco mercado doméstico, devido a concorrência vinda da
liberalização comercial e as importações ilegais; escassos serviços de apoio à
indústria, a elevada carga fiscal suportada pelas empresas formais, assim como os
problemas com as infraestruturas de transporte e energia. A resolução destes
constrangimentos irá determinar o sucesso da estratégia de maior
desenvolvimento da actividade transformadora em Moçambique, aspecto chave
para a transformação económica e contribuição à redução da pobreza em
Moçambique. Isto é especialmente assim para o segmento das micro-, pequenas e
medianas empresas, principais contribuidoras a geração de emprego que não
dispõem nem dos recursos nem das capacidades para ultrapassar estes
constrangimentos.
533. Turismo: O sector turismo constitui outros dos sectores chave para o
desenvolvimento económico e redução da pobreza absoluta em Moçambique.
Neste área económica constatou-se avanços significativos nos indicadores
97
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
principais do sector, nomeadamente o crescimento global da capacidade de
alojamento em 6.7%, o surgimento de serviços de hotelaria com padrões
internacionais em vários pontos do país, e em particular na zona norte (Nampula,
Cabo Delgado e Niassa), a melhoria de qualidade e diversificação de serviços, o
crescimento de número postos de emprego em 26.1% relativamente ao ano de
2000, entre outros. Também conseguiu-se a recuperação gradual das áreas de
conservação através da realização de investimentos e formação de fiscais para
proteger estas áreas, o repovoamento em fauna em algumas delas, assim como a
criação de mecanismos de parceria com o sector empresarial e as comunidades
locais. Neste sentido, o Turismo no país tem vindo a demonstrar o grande papel
que pode desempenhar na batalha contra a pobreza absoluta, expandindo os
investimentos, os postos de emprego assim como revitalizando outras áreas como
as de conservação, que constituem um patrimônio valioso da sociedade
moçambicana.
534. A Continuação do processo de desenvolvimento e expansão do sector turístico
em Moçambique ao longo dos próximos anos irá depender, de entre outros
factores, da capacidade do Estado para agilizar a tramitação das propostas de
investimento turístico; melhorar a qualidade, diversidade e divulgação do produto
turístico; dotar o sector em meios humanos com capacidade técnica para uma
melhor gestão e realização das suas atribuições; criar um ambiente atractivo de
negócios e proporcionar aos turistas um ambiente atractivo e de repouso real
através de transmissão de ambiente de segurança e estima ao longo dos corredores
turísticos.
Factores Determinantes para o Desenvolvimento Económico
535. Neste contexto, e ao margem dos desafios específicos para cada um dos
anteriores sectores, o sucesso da estratégia de desenvolvimento económico em
Moçambique e a sua contribuição para a redução da pobreza absoluta irá depender
da resolução duma série de constrangimentos que poderão travar o
desenvolvimento da economia Moçambicana ao longo dos próximos anos. Entre
eles, destacam o desafio de melhorar o ambiente de negócios, o acesso ao credito,
o desenvolvimento da rede de estradas e transportes, do abastecimento de energia,
a maior capacitação técnica das empresas e trabalhadores, a necessidade duma
maior integração da economia económica na economia regional e mundial, a
maior interligação sectorial em Moçambique e o impacto do HIV/SIDA.
536. Melhora do Ambiente de Negócios: A opinião geral é que houve melhorias
significativas nos últimos anos mas que ainda é muito difícil fazer negócios em
Moçambique, dificuldade que aumenta a medida que as empresas estão mais
longe de Maputo. As pequenas empresas sofrem mais este tipo de
constrangimentos, enquanto que as grandes empresas normalmente têm a
capacidade para ultrapassar estes problemas. As áreas mais problemáticas são: (i)
Acesso à terra, (ii) Registo de Empresas, (iii) Licenciamento de Actividades, (iv)
Cobrança de Dívidas ao Estado (v) Lei de Trabalho, (vi) Resolução de Disputas,
(vii) Processos de Exportação e Importação e (viii) IRPS, IRPC e IVA e, (ix) As
barreiras administrativas (burocracia no registo, licenciamento comercial)
537. Reforma do Sector Financeiro: O funcionamento dos mercados financeiros é
de especial importância para o desenvolvimento e estabilidade do país. O bom
funcionamento dos mercados financeiros é crucial para o desenvolvimento do
sector privado, a agricultura e outros sectores cujo desempenho pode ter um
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
grande impacto no alívio à pobreza. No obstante, há consenso geral sobre a
necessidade de reformar o sistema financeiro. A falta (e principalmente o custo)
do capital é salientado como um dos maiores problemas para o desenvolvimento
do sector privado, especialmente nas zonas rurais e no caso de certas actividades
económicas (agricultura, manufacturas, etc.). Estas dificuldades travam o
investimento em actividades produtivas em Moçambique e, portanto, e
desenvolvimento económico, a geração de emprego e a luta contra a redução da
pobreza. O Relatório Anual da Pobreza do G20 2004 mostra no seu inquérito que
uma parte mínima da população é abrangida pelo sector financeiro formal.
538. Vários factores poderão explicar os problemas havidos no sistema financeiro.
Por um lado, os custos associados as operações bancárias dificultam o
alargamento da rede bancária aos pontos mais recônditos do País. Por outro, a
concessão de créditos vê-se afectada pelos, os elevados níveis de risco existentes,
os fracos planos de trabalho dos potenciais investidores, deficiente organização
das empresas, a exiguidade de Capitais próprios das empresas, assim como a
inexistência de Tribunais Comerciais para dirimir situações de incumprimento.
Enquanto a captação de poupanças pelo sistema financeiro, esta está dificultada
pelas práticas de entesouramento, assim como rendas familiares escassas.
Finalmente, a existência de fraudes bancárias e a inexistência de sector judicial
específico para resolução de crimes financeiros, cria um clima de desonestidade e
mina a confiança e credibilidade no sistema financeiro.
539. Consolidação do Mercado Moçambicano: Transportes, Estradas e Comércio
Interno: As infra-estruturas de estradas e dos transportes e comunicação são o
factor dinamizador da expansão das actividades económicas do país, sendo deste
modo, de grande importância para a redução da pobreza absoluta. Elas contribuem
à criação dum mercado interno, facilitando o escoamento da produção agrícola e
industrial, a circulação de pessoas e bens, assim como a transmissão efectiva dos
ganhos derivados da participação na economia mundial para todas as camadas
populacionais, regiões e sectores produtivos moçambicanos, e permitam o acesso
efectivo aos mercados regionais e internacionais dos produtos Moçambicanos.
540. Contudo, duma rede de estradas classificadas em Moçambique de 29341 km
de extensão, apenas 5304 km (18%) são pavimentadas. Com a escassez de
recursos para a reabilitação e manutenção desta rede aliada as chuvas intensas,
ciclones e tráfego pesado à que a rede rodoviária é imposta, torna-se difícil
elaborar programas de manutenção que permitam garantir a transitabilidade
eficiente de pessoas e bens da mesma durante todo o ano, o que dificulta a
consolidação e integração regional do mercado interno Moçambicano. De
salientar que a rede de estradas está a apresentar melhorias assinaláveis pois, vem
se beneficiando dos programas de reabilitação, nomeadamente os projectos ROCS
1 e 2 já concluídos e o Estradas III actualmente em curso. Contudo, continuam
haver importantes desafios na área dos transportes e as estradas, entre os quais
destacam a articulação rodoviária do eixo norte-sul e o alargamento e melhora da
rede rodoviária nas zonas rurais
541. Abastecimento de Energia: Para o desenvolvimento duma economia forte e
competitiva é condição imprescindível um abastecimento regular e abrangente de
fontes de energia as actividades produtivas. Como mostram diversos estudos do
sector (por exemplo, RPED 199 e 2002) isto é especialmente certo para os
sectores industriais e de transformação, importantes consumidores de energia, é
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Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
que precisam dum abastecimento regular e fiável deste insumo para operar de
forma competitiva. Também é fulcral a extensão das redes de distribuição de
fontes de energia para as zonas rurais do país, de forma a dinamizar as actividades
produtivas –agricultura, comercio, etc.– destas regiões e, paralelamente, melhorar
as condições de vida das populações nas zonas rurais, onde se concentra as
maiores bolsas de pobreza absoluta do país.
542. No âmbito do sector de energia os principais problemas residem na falta de
abastecimentos de energia fiável, a pouca cobertura da rede eléctrica nacional a
todo o país, especialmente às zonas rurais, e a dependência externa face ao
combustível líquido.
543. Capacitação Técnica de Empresas e Trabalhadores: a capacitação técnica dos
trabalhadores e empresas Moçambicanas constitui um dos mecanismos chave para
aumentar a competitividade nacional e nos mercados internacionais da economia
Moçambicana, assim como para a criação de emprego e, em particular, de
emprego de alta qualidade e maiores rendimentos, contribuindo desta forma à
redução da pobreza absoluta em Moçambique no longo prazo. A capacitação
técnica de empresas e trabalhadores atinge-se mediante a reabilitação e
modernização da maquinaria e equipamentos de produção, a melhora das
habilidades técnicas dos trabalhadores moçambicanos, a adopção de sistemas de
gestão e produção modernos e de qualidade, o reforço dos mecanismos de
transmissão tecnológica e conhecimentos e dum marco institucional virado à
inovação e o desenvolvimento tecnológico e das capacidades.
544. Entretanto, em esta área de capacitação técnica, a economia Moçambicana
apresenta constrangimentos que travam o desenvolvimento do potencial
económico do país. Assim, por exemplo, a grande parte das empresas industriais
Moçambicanas operam com equipamentos com mais de 20 anos de antiguidade e
só um pequeno número de empresas nacionais possuem certificados de qualidade
internacionais (tipo ISO) para os seus produtos ou processos de produção. Do
outro lado, a fraca formação técnica da força de trabalho moçambicana tem sido
salientada repetidas vezes pelas organizações de empresários e produtores como
um dos principais problemas que afronta o sector privado e, neste sentido, e
constitui uma das áreas prioritárias do governo de Moçambique para o presente
quinquénio.
545. Integração Regional e Internacional: Como já foi reconhecido em diversos
estudos realizados tanto em Moçambique (e.g. DTIS, 2004) como a nível
internacional (UNCTAD, 2004) a maior integração da economia Moçambicana na
economia internacional constitui um dos mecanismos chave para a redução dos
pobreza absoluta em Moçambique. Assim, a maior abertura aos fluxos de
comercio regional e internacional aumenta a disponibilidade de bens e serviços
mais baratos e de maior qualidade para a população e os sectores produtivos
Moçambicanos. Por outro lado, os mercados regionais e internacionais oferecem
novas oportunidades de negócios para o as empresas Moçambicanas,
especialmente em aqueles sectores exportadores onde Moçambique apresenta
vantagens comparativas, como são os sectores agrícolas e agroindustrial, dentre
outros.
546. Com tudo, como mostram diversos estudos recentes [Winters et al (2001),
UNCTAD (2004)], a realização e maximização dos ganhos derivados dum maior
grau de integração no comercio internacional irá precisar de intervenções que vão
100
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alem da simples liberalização comercial e do regímen de investimentos e que
exigirá a articulação de políticas num grande leque de áreas. Desta forma, a plena
integração da economia Moçambicana no contexto internacional exige medidas
de acompanhamento nos âmbitos da facilitação de comercio, infraestruturas,
transportes e distribuição, comércio interno e da concorrência que garantam a
transmissão efectiva dos ganhos derivados da participação na economia mundial
para todas as camadas populacionais, regiões e sectores produtivos
moçambicanos, e permitam o acesso efectivo aos mercados regionais e
internacionais dos produtos Moçambicanos.
547. Do outro lado, a materialização do aceso aos mercados mundiais exige acções
que promovam o desenvolvimento, integração e modernização do tecido
económico do país e a capacitação dos trabalhadores Moçambicanos, de forma
aumentar a competitividade e qualidade dos produtos Moçambicanos. Para
maximizar os ganhos da maior participação no comércio regional e internacional
também será preciso articular políticas que apoiem a geração de maior valor
acrescentado em Moçambique, promovam as exportações e os produtos
moçambicanos no estrangeiro, e fomentem a criação de emprego e maiores
rendimentos para os trabalhadores moçambicanos, mediante as actividades de
extensão agrícola, reforço do sistema financeiro nacional, o fomento de
exportações não tradicionais, o apoio das pequenas e medias empresas e a
promoção da agro-industria.
548. Finalmente, será preciso o reforço institucional nos âmbitos comercial, da
tributação e fiscalidade. No primeiro caso, este reforço irá permitir fazer frente a
crescente complexidade dos fluxos comerciais internacionais –mediante o maior
grau de facilitação ao comércio, e a melhora do ambiente de negócios dentre
outros– e garantir a participação efectiva de Moçambique nos foros regionais e
internacionais de negociação comercial, reforçando a coordenação inter-
institucional em Moçambique e pressionando para a reforma institucional dos
organismos reguladores do comércio internacional. No segundo caso, será preciso
reforçar a capacidade tributária e de gestão fiscal do Estado, para afrontar a
previsível perda de receitas geradas pela redução de taxas de direitos aduaneiras
no contexto dos acordos alcançados na OMC, da implementação do Protocolo
Comercial da SADC e de outros acordos de comércio preferencial.
iii. Visão e Desafios
549. Neste contexto, os principais desafios para o pilar de desenvolvimento
económico que devera afrontar o PARPA-II, são:
a) Continuar a garantir a estabilidade macroeconómica em Moçambique, a
traves duma gestão macroeconómica sólida e estável das variáveis
monetárias e fiscais.
b) Continuar a melhorar a gestão financeira do estado, incluindo a gestão das
despesas publicas, a colecta de receitas e as relações financeiras com os
parceiros da cooperação internacional.
c) Melhorar o ambiente de negócios e trabalho em Moçambique para: (i)
incentivar o investimento doméstico e estrangeiro (ii) facilitar a
formalização do sector formal (iii) e contribuir à criação de emprego de
qualidade.
d) Reforçar a regulamentação e supervisão do sistema financeiro para
minimizar os riscos de crises financeiras
101
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
e) Modernizar e expandir o sistema financeiro, mediante a criação de novos
instrumentos e maior cobertura regional, especialmente nas zonas rurais,
com o objectivo de aumentar as poupanças e a disponibilidade de credito.
f) Contribuir para a criação de um sector privado forte, dinâmico,
competitivo e inovador, mediante a maior integração da economia
Moçambicana (ligações intersectoriais) modernização da base produtiva
de Moçambique, a capacitação técnica e tecnológica das empresas e
trabalhadores Moçambicanos e a garantia do abastecimento continuado de
energia e melhor infraestruturas de transportes.
g) Promover o alargamento da base empresarial e o desenvolvimento dos
sectores e actividades prioritárias em Moçambique por forma a contribuir a
criação de emprego, recursos financeiros para o estado e, portanto, a
redução da pobreza absoluta em Moçambique.
h) Continuar a melhorar a inserção de Moçambique na economia regional e
internacional a través do continuado desenvolvimento das relações
comerciais e de investimento com o exterior, da gradual e progressiva
liberalização das trocas comerciais internacionais e do crescimento do
fluxos comerciais e de investimentos com o exterior.
i) Promover a consolidação e integração do mercado nacional, a traves da
melhora das infraestruturas de estradas, dos sistemas de transporte e a
melhor regulação das trocas comerciais no mercado interno.
550. Contribuir para um desenvolvimento económico e social abrangente,
sustentável (meio ambiente, HIV/SIDA, etc.) e que contribua ao bem-estar geral
do cidadãos.
102
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
4. Ligações entre os Pilares do Parpa II e os ODM
Pilares/Temas do PARPA II OBJECTIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILENIO
Macroeconomia e Pobreza Objectivo 1: Erradicar a pobreza extrema e a fome
• Crescimento macroeconómico e Meta 1: reduzir para metade a proporção de pessoas que vivem na
estabilidade pobreza absoluta até 2015
• Sistemas de monitoria e análise Meta 2: reduzir para metade a proporção de pessoas que sofre de
de pobreza fome até 2015
• Gestão das finanças publicas
Governação Objectivo 8: Desenvolver uma Parceria Global para o
• Reforma do sector publico Desenvolvimento
• Descentralização Meta 12: continuar a desenvolver um sistema comercial e financeiro
• Reforma da legalidade e justiça multilateral aberto, baseado em regras, previsível e não
discriminatório, incluindo o compromisso em relação a uma boa
governação, ao desenvolvimento e à redução da pobreza, tanto a
nível nacional como internacional.
Desenvolvimento Económico Objectivo 8: Desenvolver uma Parceria Global para o
• Sector financeiro Desenvolvimento
• Sector privado Meta 16: em cooperação com os países em desenvolvimento,
• Agricultura e desenvolvimento formular e implementar estratégias que proporcionem aos jovens
rural um trabalho digno e produtivo.
• Infra-estruturas: estradas, Meta 18: em cooperação com o sector privado, tornar acessíveis os
telecomunicações, portos e benefícios das novas tecnologias, em particular os das tecnologias
caminhos-de-ferro de informação e comunicação
• Infra-estruturas: energia
Capital Humano Objectivo 2:Alcançar a educação primária universal
• Saúde Meta 3: garantir que todos os rapazes e raparigas concluam o ciclo
• Educação completo do ensino primário até 2015
• Agua e saneamento
Objectivo 4:Reduzir a mortalidade infantil
Meta 5: reduzir em dois terços a taxa de mortalidade de menores de
cinco anos até 2015
Objectivo 5: Melhorar a saúde materna
Meta 6: reduzir em três quartos o rácio de mortalidade materna até
2015
Objectivo 6: Combater o HIV/SIDA, malária e outras doenças
Meta 8: ter travado e iniciado a inversão da incidência da malária e
outras doenças graves até 2015
Assuntos Transversais Objectivo 3: Promover a igualdade do género e autonomização
• HIV/SIDA da mulher
• Género Meta 4: eliminar a disparidade do género no ensino primário e
• Meio Ambiente secundário de preferência até 2005, e em todos os níveis de ensino o
• Ciência e Tecnologia mais tardar até 2015
• Segurança Alimentar e
Nutricional Objectivo 6: Combater o HIV/SIDA, malária e outras doenças
• Redução do Impacto das Meta 7: ter travado e iniciado a inversão do alastramento do
Calamidades Naturais HIV/SIDA até 2015
• Desminagem
Objectivo 7: Assegurar a sustentabilidade ambiental
103
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
• Desenvolvimento Rural Meta 9: integrar os princípios de desenvolvimento sustentável nas
políticas e programas nacionais e inverter a perda de recursos
ambientais
Meta 10: reduzir para metade até 2015, a proporção de pessoas sem
acesso a água potável e saneamento
Meta 11: até 2020, ter conseguido uma melhoria significativa no
nível de vida dos residentes dos bairros degradados
104
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
IX. Factores Determinantes no Sucesso da Implementação
1. Apropriação/Participação dos Diferentes Actores
551. O Estado, como o principal aparato da organização social da nação, tem a
função de dirigir a elaboração da estratégia do PARPA II, em colaboração com a
Sociedade Civil e os representantes da Comunidade Internacional interessada.
Apesar do exercício do PARPA ser uma condicionante dos financiadores
externos, tem a vantagem de estabelecer a ligação entre a visão de
desenvolvimento, as prioridades governamentais, a estrutura do orçamento estatal
e as acções de redução da pobreza absoluta para o período do mandato
governamental. Em simultâneo, faz-se um exercício de auscultação e discussão
dos problemas e formas de os resolver, alargado a várias organizações da
sociedade.
552. O sucesso da implementação do PARPA II depende de:
a) A participação activa dos principais intervenientes mencionados no
parágrafo anterior, na elaboração, execução, monitoria, avaliação e ajuste
da sua estratégia;
b) A coordenação estreita entre as partes envolvidas em todas as fases da
estratégia, permitindo a criação de consensos ou a inclusão de diferentes
pontos de vista;
c) A definição clara das funções e atribuições de cada parte envolvida, de
modo ao processo ser eficaz e eficiente, evitando o custo da redundância e
do sacrifício das acções não desenvolvidas;
d) O compromisso claro das partes envolvidas no cumprimento do plano de
acção; e
e) A afectação dos recursos previstos para as acções definidas.
553. Apresenta-se a seguir o papel dos principais intervenientes no processo do
PARPA II.
554. As Províncias contribuem para a elaboração do PARPA II através dos
relatórios dos Observatórios da Pobreza Provinciais.
555. A Comunidade Internacional será referida adiante na sub-secção dos Parceiros
Internacionais.
556. O Sector Privado tem a função de fazer crescer a economia. Esta função é
realizada através da criação de postos de trabalho, do aumento da produtividade,
da inovação tecnológica, do aumento do rendimento dos trabalhadores e dos
proprietários do capital, e da integração entre diversos sectores da economia
nacional, doméstica e internacional.
557. O sucesso do sector privado depende do funcionamento da economia de
mercado. Isto é, em grande medida depende do esforço e mérito do próprio sector
privado.
558. Contudo, há falhas no sistema da economia de mercado que são
universalmente reconhecidas. Para estes casos, o Estado tem a função de ajudar na
afectação de recursos. Quando o Estado tem capacidade, cumpre essa função. Mas
105
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
na presença de um Estado decapitado, o risco do mesmo não cumprir com a
função de emendar as falhas de mercado é elevadíssimo. Em Moçambique
estamos na presença de um Estado com fraca capacidade. Mais de 80% dos
funcionários do Estado têm nível de formação básica ou inferior. Menos de 4%
dos funcionários possuem o nível de ensino superior (CIRESP 2001).
559. O PARPA II apresenta uma solução para esta fraca capacidade do Estado,
através da selecção de prioridades.
560. Apesar deste nível de formação educacional dos funcionários do aparelho de
Estado, e das remunerações relativamente baixas, uma parte do seu pessoal tem
qualidade igual ou superior ao do pessoal no sector privado. É por isso que o
sector privado, as organizações não-governamentais (ONG’s) e as organizações
internacionais continuam a atrair alguns técnicos do Estado. Além disso, tem
havido uma evolução positiva na qualidade do trabalho, devido à elevação do
nível educacional e do uso de novas tecnologias.
561. O sistema de economia de mercado ainda se está a desenvolver em
Moçambique. Contudo, há fraquezas sérias também a nível de instituições como é
o caso do sistema judicial. O sector privado e o sector público devem procurar
soluções intermédias, pragmáticas e imaginativas enquanto se desenvolvem as
instituições judiciais clássicas.
562. Cerca de 80% do sector privado em Moçambique dedica-se à agricultura e
outras actividades rurais (fonte?). Grande parte deste sector vive ao nível de
subsistência. Ou seja, a sua integração no mercado existe, mas é muito rudimentar
e vulnerável. A agravar, ele enfrenta a concorrência internacional dos agricultores
em países mais desenvolvidos, com uma produção mecanizada, tecnologia
moderna, e beneficiando de elevados subsídios dos seus Estados.
563. O PARPA II também aborda a política agrária, onde é importante a
coordenação estreita entre as organizações de agricultores (e.g., UNAC), o Estado,
e os Parceiros Internacionais. É evidente que estes últimos estão sob pressão de
interesses contrários. Cabe aos moçambicanos coordenarem melhor as suas
políticas e acções, aproveitando as oportunidades oferecidas pelos parceiros
internacionais.
564. O sector privado citadino lidera a organização através da Confederação das
Associações de Empresários (CTA). O principal mecanismo de articulação entre a
CTA e o Estado são as Conferências do Sector Privado anuais onde se discutem as
matrizes de problemas e soluções propostas.
565. As Organizações dos Trabalhadores têm a função de garantir que uma parte
dos ganhos de produtividade beneficie este grupo social. Também zelam pela
manutenção do emprego quando as empresas abrem falência ou mudam de
proprietário. Esta é uma função importante na sociedade. Contudo, quando a
produtividade é relativamente baixa comparada com os níveis internacionais, as
organizações dos trabalhadores têm um campo de manobra limitado.
566. As Organizações Não Governamentais multiplicaram-se em Moçambique
com o enfraquecimento do Estado e com a expansão da presença da comunidade
dos Parceiros Internacionais. As ONG’s são um sistema de Estado paralelo. São
organizações importantes, mesmo nos países membros do G7. Em Moçambique as
ONG’s complementam o papel do Estado. A sua presença não deixa de ser
polémica pois inicialmente pretenderam substituir o mais possível o Estado
106
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Moçambicano, mas tiveram que reconhecer os seus limites. Contudo, são
organizações importantes na estratégia de redução da pobreza absoluta.
567. As Confissões Religiosas (Igrejas) têm um papel milenar no alívio à pobreza.
Em Moçambique também têm o papel de restabelecer o tecido social na sua
dimensão moral e de pacificação, depois de várias convulsões sociais e da guerra
terminada em 1992. Tradicionalmente também têm tido um papel importante na
educação e saúde, neste país. Para o PARPA I, as Igrejas propuseram que o
governo criasse um canal permanente, estável e regular de auscultação e com
poder de resolução de problemas.
568. A Juventude e Estudantes têm o espaço das suas organizações para contribuir
na elaboração e comentários do PARPA II.
569. Os Meios de Comunicação Social têm difundido as notícias sobre os encontros
de discussão sobre o PARPA, bem como têm publicado artigos de opinião sobre o
assunto. A função destes agentes de difundir informação é importante, devendo
ser mais aproveitada enquanto se está a elaborar o PARPA II e durante o processo
de monitoria e avaliação.
570. Os Beneficiários Directos do PARPA II, se tiverem oportunidade, farão
chegar os seus pontos de vista e contribuições através dos Observatórios da
Pobreza Provinciais e das diversas organizações da sociedade civil.
2. Liderança Política
571. Os líderes do Governo Moçambicano têm dirigido o processo de elaboração
do PARPA II e têm pronunciado explicitamente o objectivo reduzir a pobreza
absoluta. Este empenho é importante para assegurar a qualidade da estratégia, e
para garantir que a sua implementação tenha sucesso.
572. Para além da dedicação directa no processo de preparação e execução da
estratégia definida pelo PARPA II, é importante ter um comportamento e atitude
exemplares de respeito pelas leis, normas sociais e bens públicos, a partir do topo
da hierarquia dos órgãos do Estado até aos escalões inferiores.
573. Uma vez que a pobreza absoluta afecta mais de metade dos moçambicanos em
todo o território nacional, os líderes políticos dos vários partidos da oposição
podem ter um papel construtivo através: (i) do apoio ao PARPA II nos pontos em
que estejam de acordo; e (ii) da apresentação de uma visão crítica e de alternativas
viáveis, nos pontos em que discordem com o PARPA II.
3. Coordenação entre Sectores, incluindo Assuntos Transversais
574. A coordenação entre os ministérios e diversos órgãos do aparelho de Estado
faz-se a vários níveis, político e técnico: (i) Nos encontros de trabalho previsto na
legislação, nos programas de actividade e para resolver assuntos imprevistos e
urgentes; (ii) Na elaboração e execução, em sentido lato, do programa quinquenal
do governo, do PARPA, dos planos estratégicos sectoriais e provinciais, no
cenário fiscal de médio prazo, no plano económico e social, no orçamento de
Estado, e demais instrumentos de governação.
575. A coordenação intersectorial feita através dos encontros de trabalho vai desde
o Conselho de Ministros, os diversos conselhos especializados como por exemplo
o Conselho Económico, os encontros específicos em que participam membros do
107
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Conselho de Ministros, como por exemplo sobre o HIV-SIDA ou a SADC, aos
encontros múltiplos a nível técnico.
576. A coordenação intersectorial feita a propósito dos programas, planos,
estratégias, orçamento e outros instrumentos obedece às prioridades definidas pelo
governo e à disponibilidade de recursos. Onde parece não haver articulação
intersectorial, na realidade se deve às restrições indicadas no parágrafo anterior.
577. Os assuntos transversais são abordados nos vários planos e estratégias globais,
sectoriais, e específicos.
4. Reforma da Assistência dos Parceiros Internacionais
578. O financiamento externo tem sido fulcral para reduzir os níveis de pobreza,
para o financiamento em infraestruturas físicas e sociais e para o funcionamento
de uma porção considerável de instituições públicas. Este financiamento continua
a ser importante para complementar as fontes de financiamento interno, no longo
prazo.
579. Contudo, permanece alto o nível de dependência do Governo em
financiamento externo, atingindo cerca de 45% do Orçamento do Estado (Tabela
5.6). Dados do Banco Mundial constatam que Moçambique é mundialmente um
dos países mais dependentes da ajuda externa (Grupo 1-1 2005). Esta situação
representa um elevado risco de alienação dos interesses nacionais durante a
elaboração e execução dos planos e estratégias do governo. Os outros
inconvenientes são as distorções macroeconómicas como a Doença Holandesa –
Dutch Disease, e a instabilidade derivada do efeito monetário, e a criação de
oportunidades para a corrupção e desvio de recursos.
580. A solução é fortalecer a equipa do governo que lida com a assistência dos
parceiros internacionais. O governo deve definir uma estratégia clara e
abrangente, abordando:
a) Os mecanismos e instrumentos de financiamento aceitáveis e preferidos –
e.g. o peso relativo de créditos e donativos; o financiamento via projectos;
apoio directo ao orçamento estatal, etc;
b) Os mecanismos de fiscalização, transparência e prestação de contas por
parte do Governo e dos Financiadores;
c) Os mecanismos para alinhar e coordenar as prioridades e os calendários do
Governo com os dos Doadores;
d) O volume de financiamento desejável ou absorvível no global e em cada
sector, levando em conta a capacidade de absorção e o tamanho do Estado
na economia; e
e) A relação preferida entre o peso de recursos domésticos – receitas fiscais –
e a ajuda externa no orçamento do Estado.
581. O Governo Moçambicano tem relações de cooperação com grupos de países,
bem como bilaterais e com organizações internacionais, várias das quais têm um
impacto considerável para a presente estratégia.
582. O Grupo dos 17 parceiros tem prestado uma assistência valiosa enquadrada no
Programa de Apoio Programático, e assegurado pelo Memorando de
Entendimento com o Governo Moçambicano.
108
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
X. Monitoria e Avaliação
Introdução
583. No quadro da primeira revisão do PARPA coloca-se a necessidade de
reformular a estratégia e o sistema de Monitoria e Avaliação) M&A identificando
fraquezas tais como a integração dos assuntos transversais, uma abordagem
intersectorial, respostas as novas realidades como a descentralização e a
monitoria e avaliação participativa.
Pontos Fortes e Pontos Fracos
584. No que concerne a M&A participativa foi dado um grande salto em frente
através da dinâmica despoletada pelos Observatórios da Pobreza a nível central e
provincial que institucionalizaram a participação activa da Sociedade Civil na
M&A do PARPA.
585. Nos últimos dois anos houve também progresso nas Análises da Pobreza,
tendo sido produzidos relatórios referentes a vários aspectos da pobreza, tais como
os determinantes e perfis de pobreza, desigualdade e comparações entre os dois
mais recentes Inquéritos aos Agregados Familiares. No entanto, a prevista
triangulação analítica de dados quantitativos e qualitativos permanece um grande
desafio.
586. Registaram-se melhorias na integração de indicadores do Perfomance
Assesment Framework (PAF) no Plano Económico e Social (PES), Orçamento do
Estado (OE) e Cenário Fiscal de Médio Prazo (CFMP) usando a Metodologia do
Processo Único e fortalecendo o Balanço do PES (BdPES). O PES e OE de 2004
são uma boa representação da melhoria das ligações entre acções centrais, produto
final e resultados a serem alcançados com vista à implementação do PARPA.
587. O BdPES é uma melhor reflexão da implementação do PES mas ainda precisa
de fornecer mais informação analítica em relação a implementação das políticas
públicas. Para além deste facto, os sistemas de monitoria dos sectores a nível
central e provincial não estão ainda completamente harmonizados com a
preparação do BdPES apesar dos esforços nesse sentido. No que concerne a parte
da monitoria qualitativa, foi possível definir uma abordagem que visa a
complementaridade com outros tipos de monitoria.
Desafios para a M&A do PARPA II
588. Foram Identificados os seguintes desafios para a estratégia e a organização e
gestão do sistema de M&A do PARPA II:
1) Melhorar instrumentos de M&A existentes (PES/BdPES/PEP) e implementar
instrumentos ainda ausentes (novo RAI);
2) Fortalecer e clarificar ligações eficientes e eficazes entre níveis e entre tipos de
M&A, e entre M&A e planificação, e fortalecer a capacidade analítica de
relacionar causas e efeitos das politicas publicas;
3) Alinhar-se ao processo de descentralização e com as exigências participativas
em volta dos Observatórios de pobreza nacional e provinciais, e das novas
instituições participativas locais criadas ao abrigo da Lei dos Órgãos Locais;
4) Estabelecer uma forma organizacional de M&A e de analise, que garanta uma
cooperação e um fluxo de informações eficaz; e
109
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
5) Criar e desenvolver capacidades – elementos de uma estratégia de
implementação da Estratégia de M&A actualizada, em volta de programas de
capacitação continua que se enderece a todos os sectores e níveis de
planificação e M&A acima mencionados.
Estratégia do M&A do PARPA II
589. A M&A do PARPA e da Pobreza tem por função principal fornecer
informações relevantes para decisores políticos, planificadores, parceiros, e ao
publico em geral. É um instrumento para controlar a eficácia e eficiência, para
apreciar o impacto, para determinar o peso das politicas públicas na redução da
pobreza nas diferentes categorias sociais e para captar e analisar as mudanças e
nas formas e tipos de pobreza, incluindo o desenvolvimento das desigualdades.
Sendo parte integrante do ciclo da planificação a M& A cria capacidade de
prestação de contas para racionalizar estratégias e acções para redução da pobreza.
Constitui, portanto, um instrumento indispensável para fundar decisões politicas
que permitem levar a cabo a implementação eficaz e eficiente do PARPA e os
seus resultados através de um sistema de controles pertinentes, e com ligações
estreitas com a planificação.
590. No PARPA I a estratégia de M&A foi organizada em volta de quatro
dimensões e respectivos instrumentos:
• O Plano Económico e Social (PES) e Balanço do Plano Económico e Social
(BdPES) como instrumentos para acompanhar o desempenho interno19 dos
ministérios sectoriais no âmbito da prestação de serviços e da criação de
produtos, com foco particular sobre as áreas consideradas com áreas-chave
para a redução da pobreza.
• O Relatório de Execução do Orçamento do Estado, como o principal
instrumento de acompanhamento das despesas públicas para o PARPA, que
realiza a monitoria de insumos com o acompanhamento dos recursos a
disposição dos sectores implementadores das acções prioritárias do PARPA.
Trata-se portanto de acompanhar as despesas públicas em consonância com as
prioridades estabelecidas e orçamento aprovado. Para além deste instrumentos
os Public Expenditures Review oferecem informação adicional relevante
através de analises mais rigorosas de custos / eficácia / eficiência.
• O Relatório Anual de Impacto (RAI) como instrumento para medir o
desempenho externo das politicas publicas. Além de integrar os resultados do
BdPES, o RAI foi concebido para integrar as várias analises e avaliações da
pobreza quantitativas e qualitativas. Foi previsto que a revisão periódica do
PARPA deviria se alinhar a um Relatório de Impacto Quinquenal que
sintetizasse os relatórios anuais.
• Analises quantitativas e qualitativas da pobreza (IAF/QUIBB, Censos,
estudos temáticos qualitativos etc.) organizados em parceria com actores e
instituições externas.
110
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
(i) A estratégia do M&A do PARPA II mantém o PES/BdPES e Relatório de
Execução do Orçamento do Estado como instrumentos de monitoria do desempenho
interno do PARPA II com as mesmas funções assumidas no PARPA I.
591. No entanto, são implementadas mudanças estruturais para a elaboração do
PES/BdPES, de modo a tornar o PES um instrumento de planificação mais
orientado para resultados e em simultâneo tornar o BdPES um instrumento
melhorado de monitoria. Neste sentido, cria-se um quadro lógico único,
estruturado da seguinte forma:
Esquema do quadro lógico único
Pilar
Área
Sub-Área
Objectivo Estratégico
Indicador de Impacto
Estado Meta
Objectivo Indicador de Actual
Realizações Indicador de Base Meta Meta Meta Meta
Específico Resultados (2004) 2009 (Acções) Produto / Execução 2005 2006 2007 2008 2009
592. Este quadro lógico será a base para todos instrumentos de planificação e de
M&A a nível central e provincial facilitando o respectivo processo na priorização
de actividades e no seguimento dos principais indicadores de impacto, de
resultado e de produtos.
593. A estratégia introduz um indicador de prestação de serviços para controlar os
processos de produção dos bens e serviços, a monitorar a nível distrital e local,
desagregado (i) em indicadores de execução em termos de quantidade, prazos e
custos e (ii) em indicadores de qualidade e de sustentabilidade composto de sub-
indicadores de utilidade e de acessibilidade aos bens e serviços produzidos.
594. Os indicadores de execução serão monitorados pela instâncias de planificação
respectivas (sectores) enquanto a monitoria dos indicadores de qualidade e
sustentabilidade será feita de forma participativa e permitirá a desagregação em
termos de género.
595. No tocante a actualização da estratégia da M&A a nível provincial integrar-se
a estratégia do PARPA II no sistema de planificação e de M&A territorial através
do Plano Estratégico Provincial (PEP) da seguinte forma: O PEP, sendo
instrumento de planificação estratégico provincial, realizará a tradução das metas
nacionais do PARPA II em metas províncias em função dos recursos disponíveis,
oportunidade existentes e necessidades prioritárias, mantendo de forma integral a
lista de indicadores definidos no PARPA II.
596. Assim, logo depois de entrada em vigor do novo PARPA II, as províncias são
convidadas a elaborar matrizes províncias que servirão como quadro para
elaboração do PES e, portanto, do BdPES provincial. Pretende-se que a
desagregação das metas nacionais em metas províncias com a manutenção de
indicadores idênticos, contribua para aumentar o realismo em termos de
planificação e de M&A.
111
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
597. No âmbito da elaboração dos Planos Estratégicos Distritais far-se-á a
elaboração de matrizes do PARPA II em analogia ao procedimento acima
mencionado na planificação estratégica provincial.
(ii) A monitoria de programação e execução orçamental através do Relatório de
Execução do Orçamento do Estado produzido pela Direcção Nacional de
Contabilidade Pública (DNCP) no Ministério da Finanças, vai-se manter. No entanto,
será implementada a monitoria das despesas em volta dos programas de acção
sectoriais desagregados em actividades e produtos em conjunção com a
implementação do Processo Único.
(iii) No quadro da monitoria de impacto, o PARPA II introduz uma nova estratégia
em volta da triangulação de inquéritos quantitativos e qualitativos, de análise da
pobreza e de um novo instrumento: o Relatório de Avaliação do Impacto (RAI).
Assim, enquanto que ao BdPES cabe o papel de monitorar o grau de desempenho
interno das politicas publicas alinhadas ao PARPA II, a medida do seu desempenho
externo far-se-á através do RAI.
a) Monitoria de impacto quantitativa: Os diferentes inquéritos devem integrar os
indicadores relevantes do PARPA e/ou permitir acompanhar indicadores de
impacto de médio e longo prazo, como, por ex., linhas de pobreza, posse de bens,
assim como de HIV/SIDA, género, emprego, desenvolvimento económico, taxas
de migração etc. Além disso, e em complemento aos inquéritos existentes
(IAF/QUIBB etc), em termos de visão, prevê-se a realização de um inquérito
nacional com um painel durante 3 anos, para entender melhor a volatilidade da
pobreza, e os factores que influenciam as estratégias dos agregados familiares. O
painel deve ser repetido de quando em vez e em função das necessidades de
compreensão das dinâmicas sociais. Os resultados do estudo de painel deverão
também ser um complemento aos estudos temáticos qualitativos acima
mencionados.
b) Monitoria de impacto qualitativa: prevê-se alinhar a monitoria qualitativa com a
monitoria quantitativa e vice-versa, e portanto substituir os Diagnósticos Rápidos
Participativos (DRPs) e Avaliações Participativas da Pobreza (APPs), para
estudos de campo sociológicos e antropológicos de modo a (i) captar as
percepções e experiências das populações mais carentes e beneficiárias dos bens e
serviços produzidos; (ii) de satisfazer as necessidade de informações para a M&A
de impacto das políticas públicas assim como sobre tipos e formas de pobreza. Em
termos de abordagem prevê-se a aplicação de métodos sociológicos com fins
extractivos.
Neste sentido, a produção do RAI deve-se ajustar as capacidades existentes no
MPD. Propõe-se produzir no mínimo um RAI durante o ciclo de PARPA II, ou seja,
um ano antes da revisão seguinte do PARPA. O RAI não somente deverá ser o
instrumento de cruzamento de todas as fontes e tipos de informações relevantes, mas
será um documento analítico e explicativo em termos de abordar a questão de
atribuição (relacionar causas e efeitos).
O RAI constituirá um documento chave para orientar as futuras revisões do
PARPA, e fará uso de todos os documentos, informações, avaliações e estudos
relevantes disponíveis, incluindo os elaborados por instituições externas ao MPD, na
112
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
condição de corresponderem as normas de qualidade cientificas, e/ou terem sido
apresentados em um Observatório da Pobreza (OP).
(iv) Em complemento do RAI serão realizadas analises da pobreza e de politicas
públicas no sentido de fortalecer a capacidade analítica no âmbito da M&A de
impacto. Para promover a capacidade interna do MPD de determinar o peso das
politicas públicas e de outros factores relacionados a redução da pobreza, prevê-se a
produção regular de policy analysis papers temáticos, combinando, na medida do
possível – dados de diferentes fontes qualitativas e quantitativas. O conjunto destes
instrumentos deve permitir avaliar condições e impactos, desagregados em grupos
alvos (por Ex., urbano – rural) , em termos de género, e de categorias sociais.
598. A definição de temas a investigar será coordenada com planificadores
seniores, nomeadamente nos sectores, para integrar as necessidades de
informações aí existentes. Espera-se que através desta coordenação se crie uma
ligação automática entre M&A e planificação.
Esquema de Monitoria de Programação e Execução Orçamental
Processo Produto esperado Instituições responsáveis Submissão dos Produtos
1. Conselho Económico
(decisão)
2. Conselho de Ministros
Relatórios Trimestrais
1. MF (DNCP) (decisão)
e Anuais de Execução
2. DAF dos 3. Assembleia da República
do Orçamento do
Sectores/Ministérios e DPPF (decisão)
Estado
MONITORIA DE • Observatório da Pobreza e do
PROGRAMAÇÃO PARPA (consultas)
E EXECUÇÃO
ORÇAMENTAL
Balanços de Execução 1. Sectores/Ministérios 1. MF
Orçamental ao nível 2. Governos/Direcções 2. Conselho Técnico do MF
sectorial/ministerial e Provinciais coordenados pelo 3. Conselho Económico
provincial DPPF
113
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Esquema de Instrumentos de M&A
Produto de
Objectivos Formato Conteúdos Prazo
Monitoria
1. Monitorar as actividades
sectoriais programadas Propõe-se incluir principalmente:
1. Actividades em processo de
para as metas do
Mantém-se o formato dos
realização e realizadas no âmbito
PARPA II existentes Relatórios
Trimestrais de Balanço do PARPA II
Relatórios 2. Acompanhar e analisar
PES, incluindo as
2. Indicadores sectoriais mensais,
Trimestrais os indicadores sectoriais informações sobre acções Trimestral
de Balanço ligadas, especificamente, à trimestrais ou semestrais
e globais de carácter
redução da pobreza (ou seja,
3. Constrangimentos na aplicação
trimestral ou semestral, contidas nas matrizes
operacionais do PARPA II). de programas
relevantes para a
4. Perspectivas para o curso de ano
redução da pobreza
Propõe-se incluir principalmente:
1. Reforma-se a estrutura 1. Actividades programadas e grau
1. Monitorar as actividades global do Relatório de de implementação.
e os resultados anuais Balanço Anual do PES 2. Metas programadas e grau de
das metas do PARPA II em consistência com a realização.
incluindo indicadores de estrutura do PARPA II. 3. Constrangimentos e problemas
Relatório impacto. 2. Análise sectorial, encontrados.
Anual
Anual de 2. Apresentar as matrizes especificando, em cada 4. Soluções propostas. (Abril)
Balanço 5. Revisão de metas para ano a
de monitoria anual. caso, os indicadores e
3. Reformular metas acções levadas a cabo seguir.
anuais do PARPA II no âmbito do PARPA 6. Quando for preciso, fazer
para o ano seguinte. II, mas sempre dentro ligações com a M&A de
do PES. Impacto
7. Indicadores anuais
Propõe-se incluir principalmente:
1. Informações demográficas,
sócio-económicas e sócio-
culturais
2. Acesso aos serviços básicos
1. Cruzar informações
(saúde, educação, infra-
quantitativas oriundas
estruturas rurais)
de inquéritos de analise
3. Condições de vida (habitação,
da pobreza e de estudos
posse de bens, terras, outros
qualitativos.
Relatório de indicadores de pobreza, etc.)
2. Analisar o progresso do (bi-
Avaliação de 4. Situação das crianças de 0-5 anual/tri-
Impacto PARPA no tocante a anual)
anos
redução da pobreza nas
5. Percepções qualitativas sobre
diferentes categorias
evolução da pobreza, bem-estar,
sociais e regiões
necessidades básicas,
geográficas.
prioridades de acções ao nível
comunitário (a partir de
inquéritos qualitativos
participativos)
114
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
O Sistema de M&A do PARPA II
599. O sistema de M&A do PARPA II procura responder ao desafio imposto pelo
processo de descentralização e de participação como parte dos esforços da Boa
Governação.
a) M&A e Descentralização
600. Neste âmbito, definem-se responsabilidades de M&A às instâncias de acção
politica a nível nacional, provincial, distrital/local incluindo as autarquias.
601. A nível nacional vai-se globalizar, analisar e disseminar toda informação
gerada pelas diferentes fontes de recolha de dados produzidos pelos sectores, o
INE, a DNCP, assim como instituições de investigação académicas e da
Sociedade Civil. O MPD será responsável para elaboração do PES/BdPES, assim
como do RAI; será responsável pela triangulação de informações administrativas,
quantitativas e qualitativas; produzir analises sobre o grau desempenho interno
(capacidade de alcançar as metas) e externo (capacidade de reduzir a pobreza) do
PARPA II; e para disseminar a informação em volta do Observatório da Pobreza
(OP), e cruzar as suas analises com organizações externas académicas e da
Sociedade Civil.
602. Sendo o PEP o mecanismo para implementar a estratégia do PARPA II em
coerência com as necessidades e oportunidades provinciais tornado-se assim o
plano quadro para elaboração do PES provincial, cria-se a necessidade de
monitorar o progresso e o impacto do PARPA II a nível provincial. Portanto, será
elaborado o BdPES provincial como instrumento de monitoria dos principais
indicadores do PARPA II . Para além deste facto, e no âmbito de apreciar o
impacto das políticas públicas as instâncias provinciais serão convidadas a realizar
estudos de impacto de natureza quantitativa e qualitativa que revelam em que
medida foi possível reduzir a pobreza nas diferentes zonas geográficas e nas
diferentes categorias sociais. As avaliações sobre o desempenho interno e externo
das politicas públicas serão apresentadas e apreciadas nas respectivas instituições
participativas, nomeadamente os Observatórios da Pobreza provinciais.
603. A nível distrital/local, em alinhamento com as novas responsabilidades dos
distritos como unidades centrais de orçamentação e de planificação, são definidas
as seguintes responsabilidades no quadro da M&A:
a) No quadro dos balanços anuais dos planos distritais/locais prevê-se a
monitoria de indicadores de prestação de serviços mencionados na
secção sobre a estratégia, nomeadamente, indicadores de execução e
indicadores de qualidade. A responsabilidade de monitorar os
indicadores de prestação de serviços fica a cargo do governo distrital.
No que diz respeito a parte da monitoria de qualidade ela será feita de
forma participativa em volta das Instituições Participativas e com
apoio de métodos de avaliação da pobreza participativa (APP) em
cooperação com ONGs locais.
b) M&A e Participação
604. O principio da participação é um instrumento essencial par aumentar a
eficiência e eficácia das politicas publicas orientadas para redução da pobreza e
para promover a “apropriação” nacional da estratégia para redução da pobreza
115
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
democratizando o processo de tomada de decisões. A necessidade de participação
na planificação e M&A aumenta proporcionalmente na medida em que se desce
no nível hierarquico-politico administrativo dado que os problemas se colocam a
nível local, onde deve-se, portanto manifestar e monitorar em conjunto com a
população beneficiária a eficácia da intervenção política.
605. A M&A participativa no PAR PA II está organizada em torno de seguintes
princípios: (i) transparência mútua; (ii) prestação de contas recíproca; e (iii)
diálogo democrático. Todos os actores e instâncias que constituem o sistema de
M&A devem respeitar e institucionaliza-los. Ela se organiza em torno dos
Observatórios da Pobreza a nível central e provincial e em torno das Instituições
de Participação e Consultas Comunitárias (IPCC), a funcionarem a nível dos
Distritos, Postos Administrativos e Localidades, assim como em volta das
instituições autárquicas.
606. No que concerne aos Observatórios da Pobreza a nível central e provincial as
suas prerrogativas e responsabilidades no âmbito da participação activa da
Sociedade Civil e de outros parceiros na M&A do PARPA II são definidas nos
respectivos termos de referência.
607. Quanto as Instituições Participativas distritais/locais a definição da suas
funções no quadro da M&A do PARPA II e das politicas públicas está
determinado pela lei dos órgãos locais. No que respeita as instâncias autárquicas
(municípios) a M&A do PARPA II deverá seguir o exemplo dos distritos
utilizando neste âmbito as instituições participativas existentes.
Ligações
608. O sucesso da M&A do PARPA II depende da criação de ligações claras entre
a Estratégia e o Sistema, entre diferentes níveis e tipos da M&A, assim como entre
M&A e planificação. Neste sentido, a gestão do sistema depende da manutenção
de um fluxo de informações eficaz.
609. No que diz respeito a ligação ente a Estratégia e o Sistema são clarificadas
responsabilidades específicas para actores e instâncias implicadas que se reflectem
na construção do no sistema de M&A.
(i) Ligação entre níveis de M&A
610. Quanto as ligações entre níveis, previlegia-se uma organização do fluxo de
informações em direcções verticais: a) de cima para o baixo, por um lado, e b) de
baixo para em cima, por outro lado; e em direcções horizontais.
Ligações verticais entre as diferentes instâncias de M&A
611. Ligações de cima para baixo: apoia-se sobre os mecanismos e canais
existentes. Neste contexto, a actualização da estratégia de M&A introduz apenas
uma inovação, i.e. o papel de coordenação e de apoio assumido pelo Secretariado
Técnico do Observatório da Pobreza (STOP) nacional vis-à-vis ao STOP
provinciais (localizado nas DPPFs), e entre os STOP províncias e as emergentes
instituições participativas e descentralizadas, locais. Alem disso, a relação vertical
descendente toca mais as exigências de coordenação e de monitoria da execução
de planos, assim como de globalização, analise e disseminação de informações
fornecidas pelas instâncias inferiores.
116
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
612. Ligações de baixo para cima: no tocante a M&A, a organização do fluxo de
informações de baixo para cima se revela tarefa decisiva o que enfatiza a questão
da qualidade da informação comunicada. Além do acompanhamento dos
principais indicadores do PARPA II, incumbe as instâncias inferiores a nível
distrital/local a monitoria dos indicadores de prestação de serviços. Os resultados
serão comunicados às instâncias superiores utilizando instrumentos e canais
existentes. Estas informações serão utilizadas para a produção do BdPES na
província.
Ligações horizontais entre as diferentes actores de M&A
613. A nível distrital/local a realização e disseminação dos resultados da M&A
deverá ser comunicados, discutidos e apreciados nas novas instituições
participativas segundo as normas de funcionamento já estabelecidas.
614. A nível nacional e provincial incumbe aos Observatórios da Pobreza central e
provincial de preencher este papel. A responsabilidade de preparação e de
organização dos OP e OPPs incumbe aos respectivos Secretariados Técnicos
(STOP) e também se responsabiliza pela disseminação e publicação de todas
informações relevantes a todos parceiros. Além disso, o STOP funcionará como
ponto de contacto para receber, analisar e disseminar informações produzidas
pelos parceiros, nomeadamente as organizações da Sociedade Civil
(ii) Ligações entre tipos de M&A
Ligações entre a M&A do desempenho interno e externo
615. No âmbito de dar resposta a questão da atribuição exige-se o cruzamento
sistemático e regular de informações oriundas do BdPES, dos inquéritos e das
avaliações de impacto disponíveis, tal como o Relatório Anual da Pobreza (RAP)
da Sociedade Civil, a ser feito através do Relatório de Avaliação de Impacto
(RAI)
Ligações entre a M&A quantitativa e qualitativa
616. Em complementaridade a ligação acima mencionada realizar-se-á a
triangulação de informações quantitativas e qualitativas. A monitoria quantitativa
e qualitativa constituem elementos indispensáveis para criação de uma estratégia
de M&A compreensiva e pormenorizada. O cruzamento de informações
aumentará a capacidade analítica e a compreensão da problemática da pobreza em
termos de factores e forças, práticas e raciocínios que serão directamente
benéficos à avaliação e definição da estratégia da redução da pobreza.
(iii) Ligação entre M&A e Planificação
617. Em virtude de a M&A fazer parte do ciclo de planificação a criação de uma
ligação forte, consistente e regular entre a M&A e o ciclo planificador constitui
um aspecto essencial para garantir um alto desempenho na definição e
implementação das políticas públicas que visam alcançar os objectivos do PARPA
II, e, num quadro mais abrangente, dos Objectivos de Desenvolvimento Milénio.
618. A questão da ligação neste âmbito toca nomeadamente a ligação entre o
BdPES e PES por um lado, e entre a avaliação de impacto e do PARPA II por
outro lado.
117
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
• ligação BdPES - PES: do BdPES retiram-se lições e recomendações para o
seguinte ciclo de planificação. Portanto, há a necessidade de fortalecer a ainda
fraca ligação entre monitoria e planificação, ou seja entre BdPES e PES. Em
termos de solução intermediária prespectiva-se utilizar os resultados dos balanços
e análises do ano anterior para orientar a planificação do ano a seguir. Esta
solução resguarda tempo para analisar os resultados, para tirar lições para a
planificação e a sua execução. Nesta constelação, os resultados do BdPES de 2004
devem orientar, em complemento de informações actuais, a elaboração do PES
2006.
• Ligação M&A de Impacto e a Estratégia do PARPA II: Dado que o RAI se
constituirá como o instrumento chave para avaliação do impacto, e por
conseguinte da avaliação do progresso do PARPA II, o RAI será também a fonte
principal para futuras revisões do PARPA.
Esquema de tipos e níveis de M&A
TIPOS INSTRUMENTOS INDICADORES NIVEIS MÉTODO
/RESPONSABILIDADES
M&A do Insumos Relat. Exec. OE % de orçamento Nacional (MF/DNCP) Contabilidade
desempenho
interno do Execução BdPES/Nac./Prov. Números, Nacional/provincial Administrativo
PARPA Prazos, custos
Produtos Balanços anuais qualidade, Local Qualitativo e participativo
distritais sustentabilidade (DRPs, APPs etc.)
Resultados Balanços anuais Taxas, Local/provincial/ nacional Quantitativo
distritais e BdPES percentagens
Impacto Taxas, Nacional/provincial Quantitativo
(desenv. de BdPES percentagens
indicadores)
TIPOS INSTRUMENTOS INDICADORES NIVEIS MÉTODO
/RESPONSABILIDADES
M&A do
desempenho Inquéritos IAF/QUIBB/painel/ Consumo, Central: Quantitativo econométrico
externo do Censos/ TIA/ Rendimentos, posse INE/MPD
PARPA Analises de de bens etc. Provincial: INE/DPPF
pobreza Policy papers
Determinantes/Perf Coeficientes de Analítico
is de Pobreza desigualidades etc.
etc./desagregação
Estudos temáticos
interactivos/ Percepções, Central:
Estudos Policy papers/ práticas, variáveis MPD/Instituições Estudos de campo:
Qualitativos Impact studies/ subjectivas etc. académicas Sociológico/Antropológico
Desagregação em
Avaliações categorias e grupos Provincial: DPPF/ Interpretativa/explicativa
de politicas alvos Instituições académicas
TIPOS INSTRUMENTOS INDICADORES NIVEIS MÉTODO
/RESPONSABILIDADES
M&A de Avaliação Relatório de Qualitativos e Nacional (INE/MPD) Triangulação de
Impacto do Avaliação de quantitativos informações
progresso Impacto (RAI) disponíveis
Analise e
Ligações Integração de dados Interpretação/
entre causas oriundo da
e efeitos Sociedade Civil e Recomendações
de parceiros
118
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
Estrutura Organizacional da M&A.
619. A nível central as actividades de M&A serão assumidas pelas diferentes
direcções do MPD nomeadamente a Direcção Nacional de Planificação e Direcção
de Estudos e Analises de Políticas. Em volta destas duas direcções estará
posicionado o Secretariado Técnico do Observatório da Pobreza. Enfatiza-se a
necessidade de criar uma rede de comunicação e de cooperação interna eficaz
entre todas as instâncias e actores com responsabilidades diferentes de M&A do
PARPA e da Pobreza. O bom desempenho do funcionamento do sistema de M&A
do PARPA II depende adicionalmente de uma rede de comunicação e cooperação
com actores externos, nomeadamente direcções nacionais e provinciais sectoriais,
incluindo em primeiro lugar as Direcções Provinciais do Plano e Finanças, assim
como com outros parceiros.
620. As Direcções Provinciais do Plano e Finanças continuam a preencher o seu
papel chave em termos de relações com os sectores. Será criado em cada DPPF
um Secretariado Técnico do Observatório da Pobreza que fará a ligação com os
parceiros, em torno do Observatórios da Pobreza, assim como as instituições
participativas locais. Em coordenação com os sectores e os parceiros, o STOP será
responsável em definir necessidades de estudos de impacto que deve enquadrar.
621. A nível distrital a gestão do sistema de M&A fica na responsabilidade do
Governo local em torno das instituições participativas locais.
Matriz de Monitoria e Avaliação
Pilar SAÚDE
Área Saúde Reprodutiva
Sub-Área Saúde da Mulher
Objectivo Melhorar o acesso e a qualidade dos cuidados da saúde da mulher, através do fortalecimento do programa de
Estratégico maternidade segura
Indicador Por Especificar
de Impacto
Estado Meta
Objectivo Indicador de Realizações Indicador de Base Meta Meta Meta Meta
Actual
Específico Resultados (2004) 2009 (Acções) Produto / Execução 2005 2006 2007 2008 2009
1. Redução da taxa Taxa de Mortalidade 1.1 Elaboração dum plano para Elaboração do plano
de mortalidade Materna Materna do ano 400 360
dos 408 x 100.000 nados
a identificação de casos de (Plano apresentado ao X
alto risco obstétrico MISAU)
vivos registados em (número de mães mortas
2003 para 350 x 100.000 por cada 100.000 nados 1.2 Sensibilizar a comunidade
Campanhas de
em 2010 vivos) para construção de casas de
Sensibilização
mãe espera em todas US de 10 10 10 10 10
(Nº Campanhas / ano /
cuidados secundários de
província)
saúde
1.3 Realizar acções de
sensibilização dirigidas aos
formadores de opinião e com
poder de decisão (homens, Campanhas de
mulheres mais velhas) para sensibilização (Nº de 2 5 5 6 7
identificarem sinais de perigo Campanhas / ano)
e envolvimento em
programas de saúde
reprodutiva
Acções formativas
1.4 Reforçar acções de formação
(Nº acções formativas /
a Parteiras Tradicionais
ano)
1.5 Promover pesquisas e Acções de Pesquisas e
disseminar informação sobre disseminação de Acção de realização continuada
a saúde das mulheres informação
119
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
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120
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar! – 7 Novembro 2005
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Politicas, Ministério da Planificação de Desenvolvimento, Maputo.
121
Versão preliminar, para circulação interna. Não citar!
Anexo
Versão perliminar, para discussão Anexo Não citar! - 14 Outubro 2005
PARPA II (2006-2009)
Programa Governo – PARPA II Prioridades Indicadores No. Metas do PARPA II
Objectivos Áreas Sub-áreas Objectivos Acções 2006 2007 2008 2009
Estratégicos
Edificação de Estado Reforma do Racionalização das Analisar, elaborar e implementar Implementação concluída, a nível 1 MAE, MPD, MF, Agricultura, MIC, MOPH, Restantes ministérios e
Estado nacional Sector Público funções do Estado planos de reestruturação, dentro do nacional Educação, Saúde, MMAS Justiça, MINT, MCT, instituições públicas
próspero CFMP MIREM, MEN, MITUR
MAE, MPD, Melhoria da quali- Rever sistema salarial e de Novo SII aplicado, a nível 2 MAE, MPD, MF, Agricultura, MIC, MOPH, Restantes ministérios e
MF dade de políticas incentivos (SII) nacional Educação, Saúde, MMAS Justiça, MINT, MCT, instituições públicas
MIREM, MEN, MITUR
Estado MPD, MF Melhorar a Elaborar e implementar estratégia % de faltas nos principais 3
coordenação inter- de planificação e orçamentação encontros de coordenação[ou %
sectorial (com calendário) de componentes em falta]
MAE, MPD, Descentralização, e Descentralizar as finanças públicas, Valor médio anual e nacional do 4
MF equilíbrio nacional de acordo com plano (CFMP) orçamento estatal distrital, a
preços constantes de 2005
MPD, MF, CPI Investimento Equilíbrio nacional Contribuir para distribuição Valor médio anual do 5
público e do investimento equilibrada dos investimentos, entre investimento executado, por
privado as províncias província, a preços constantes de
2005
MF Inspecção de Transparência na Realizar auditoria e inspecções % dos distritos e municípios 6 20% 50% (20%) 70% (20%) 80% (20%)
finanças e gestão financeira e financeiras e do património, a nível auditados (e inspeccionados) pela
património do património nacional IGF
Justiça Direito Tornar sistema Resolver conflitos contratuais e de Percentagem de casos resolvidos 7
económico judicial mais eficaz e dívidas, com maior rapidez e de sobre o total de queixas formais
eficiente acordo com a lei
Justiça Corrupção Reduzir oportuni- Definir estratégia de combate à % de casos concluídos sobre 8
dade e incidência de corrupção, no médio e curto prazo casos denunciados (à unidade
corrupção anti-corrupção)
Justiça, Interior Elevar eficiência na Elaborar estratégia com efeitos no % de presos à espera de 9 50% 43% 36% % (29?)
provisão de serviços longo prazo, incluindo monitoria, julgamento sobre o total de
pelo sistema judicial avaliação e correcção presos (MINJ e MINT)
Interior, Justiça Melhorar segurança Elaborar e implementar estratégia Redução de crimes (número de 10
civil nacional de prevenção e combate à assassínios por mil habitantes)
criminalidade
INGC, INM, Calamidades Minimizar impacto Preparar estratégia para enfrentar Custo unitário da assistência por 11 Custo unitário ... Custo unitário … Custo unitário … Custo unitário …
SAP naturais negativo sobre vulnerabilidades, por tipo (seca, pessoa afectada, a preços (Estratégia concluída)
pessoas e bens cheia, ciclone, etc) constantes de 2005
1
Versão perliminar, para discussão Anexo Não citar! - 14 Outubro 2005
PARPA II (2006-2009)
Programa Governo – PARPA II Prioridades Indicadores No. Metas do PARPA II
Objectivos Áreas Sub-áreas Objectivos Acções 2006 2007 2008 2009
Estratégicos
Desenvolvimento do Acção Social Ensino Pré- Reactivar a formação Elaborar e implementar estratégia Número de formadores de 12
capital humano Escolar de educadores de formação de formadores e educadores infantis que
infantis educadores infantis concluiram o curso
Educação Ensino Primário Escolarização Aprovar, implementar e avaliar o Taxa líquida de escolarização EP 13 85% 88% 91% %
universal Plano Estratégico 2005-2009 (1+2) - Total
Taxa líquida de escolarização EP 14 82% 86% 89% %
(1+2) - Meninas
Elevar padrões de Incluir os temas de ed. cívica, Proporção dos alunos 15 % (15?) % (40?) %
comportamento cultura de trabalho e beneficiando deste programa
responsabilização individual
Ensino Técnico- Melhorar a qualidade Fazer e implementar plano de 16 Início/continuação do Conclusão do investimento
Profissional investimento e revisão dos investimento de 2005 2005 (Valor…);
currículos, incluindo M&A (Valor…); Implementação do plano
Plano para 2007-09, 2007-09
aprovado
Ensino Superior Melhorar a qualidade Fazer diagnóstico; rever e Índice de qualidade baseado em 17
implementar os currículos, inquérito às empresas,
incluindo M&A instituições públicas, ONG's e
instituições internacionais
Educação, Universidades, Desenvolver a Diagnóstico; criar sistema de 18 Sistema de incentivos
MCT DNES, DNET, ciência, e inovação e incentivos ligando sector produtivo (simples, prático e flexível),
DNI, DNEAP, aplicação tecnológica às instituições de ensino e aprovado
DGI, DNP, investigação
DNO
Saúde Aumentar o acesso Expandir o acesso ao tratamento de Índice de utilização: consultas 19 0,94 0,95 0,97 (0.98?)
aos serviços básicos qualidade para as doenças profissionais externas/habitante
de saúde transmissíveis e não transmissíveis
Materno-Infantil Redução mortalidade Aumentar a oferta de cuidados Taxa de cobertura de partos 20 51% 52% 53% % (54?)
materna obstétricos institucionais
Redução mortalidade Aumentar a cobertura do Taxa de cobertura <1 ano DPT3 21 95% 95% ? 95% ? % (96?)
Infantil Programa Alargado de Vacinações e HB
Malária Reduzir a mortali- Melhorar a prevenção, desenvolver Mortes por mil habitantes 22
dade a vacina, aumentar acesso a melhor
tratamento
Tuberculose Reduzir mortalidade ... Mortes por mil habitantes 23
2
Versão perliminar, para discussão Anexo Não citar! - 14 Outubro 2005
PARPA II (2006-2009)
Programa Governo – PARPA II Prioridades Indicadores No. Metas do PARPA II
Objectivos Áreas Sub-áreas Objectivos Acções 2006 2007 2008 2009
Estratégicos
Desenvolvimento do Saúde HIV-SIDA Reduzir o número de Expandir o acesso à prevenção da Percentagem (e número) de 24 10% (16,000) (As metas para os anos
capital humano Prevenção novas infecções de transmissão vertical mulheres grávidas HIV+ que 2007 e subsequentes serãi
(continuação) HIV recebem tratamento de profilaxia fixadas após avaliação do
completa nos últimos 12 meses Plano Estratégico HIV-
para reduzir o risco de Sida)
transmissão vertical de mãe para
a criança.
HIV-SIDA Melhorar os cuidados Expandir o acesso à terapia anti- Percentagem (e número) de 25 15% (40,000) (As metas para os anos
Cuidados clínicos para as retroviral pessoas com infecção HIV 2007 e subsequentes serãi
clínicos pessoas vivendo com avançada que recebem o TARV fixadas após avaliação do
HIV (terapia anti-retroviral) Plano Estratégico HIV-Sida
combinado segundo os )
protocolos nacionais
(desagregados por sexo e por
grupos etários (0-14, 15-24, 25 e
+ anos)).
Epidemias (e.g. Prevenir e combater Elaborar e implementar estratégia Custo unitário da assistência por 26
cólera, gripe das epidemias de prevenção e combate às pessoa afectada, a preços
aves) epidemais constantes de 2005
Género Mulher Igualdade de Assegurar a igualdade de direitos e Aprovação e implementação da 27 Aprovação Inicio da implementação em Inicio da implementação em
oportunidades entre oportunidades entre mulheres e política do género e a estratégia metade do sectores metade do sectores
mulheres e homens, à homens, evitando a discriminação de implementação (considerando prioritários do PARPA prioritários do PARPA
luz da Constituição negativa ou positiva a redução das violentações e do
tráfico de prostitutas)
Acção Social Cidadãos mais Aumentar e melhorar Definir estratégia de apoio à Proporção da população 28 Estratégia aprovada; Identificar % até Dez. 2006 Identificar % até Dez. 2006
desfavore-cidos o apoio população mais defavorecida, desfavorecida beneficiando de Identificação da proporção
incluindo a monitoria, avaliação e apoio da população apoiada
correcção
Agricultura, Segurança Reduzir níveis de Garantir um nível de auto- Número de refeições por dia da 29
Desenvolvi- alimentar insegurança alimentar dependência alimentar; promo-ver uma amostra de cidadãos [ou,
mento rural, a distribuição alimentar pelos mais valor médio por pessoa da
MIC necessitados assistência em comida, a preços
de 2005]
MICOA Ambiente Assegurar o Elaborar e implementar a estratégia Nível de desertificação [ou nível 30 Aprovar e divulgar a
equilíbrio ambiental nacional para o desenvolvimento de poluição das águas, ou do ar] estratégia
sustentável, incluindo moni-toria,
avaliação e correcção
Desminagem Reduzir número de Elaborar (Actualizar?) e Proporção do território nacional 31
minas implantadas e implementar a estratégia nacional ainda minado
os seus efeitos de desminagem
negativos
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PARPA II (2006-2009)
Programa Governo – PARPA II Prioridades Indicadores No. Metas do PARPA II
Objectivos Áreas Sub-áreas Objectivos Acções 2006 2007 2008 2009
Estratégicos
Desenvolvimento Agricultura e Desenvolver a Garantir que a actual estratégia Produtividade agregada dos 32
económico Desenvolvi- transformação (PROAGRI) conduz à produtos prioritários; valor
mento rural estrutural da transformação dos camponeses em médio do capital por unidade
agricultura agricultores usando tecnologia e produtiva familiar (?);
equipamento moderno, no longo
prazo (30-40 anos)
Infra-estruturas Estradas Integração da Reabilitar e manter a rede de N1: % da estrada em boas 33 75% (discutir com fundo de 85% 95% 100%
economia nacional estradas: N1, incluindo a ponte de condições; e terminar a ponte de estradas)
(prior. nacional) Caia Caia em 2009
Ligação aos portos e Reabilitar e manter a rede de % das estradas em condições 34 75% (discutir com fundo de 85% 95% 100%
SADC estradas: Lichinga-Pemba, razoáveis estradas)
Nampula-Nacala; V. Machipanda-
Beira; Ressano Garcia-Maputo
Água Aumento do acesso Abrir poços, estabelecer novas % População com acesso à agua 35 42% 43.0% 45.0%
ligações potável
Saneamento Aumento do acesso Latrinas melhoradas, fossas % População com acesso a 36 37% 39.0% 41.0%
sépticas serviço de saneamento
Energia Atingir o estádio de Elaborar e implementar estratégia, Volume médio anual de 37
auto-dependência em com clara projecção dos avanços electricidade disponível para a
energia, no longo no curto, médio e longo prazos produção, por província
prazo
MF, MPD Estabilidade Gestão prudente do défice fiscal Défice fiscal 38
macroeconómica
Banco de Inflação baixa e estável Inflação (IPC, média anual) 39 7.5% (6-9) 6.5% (5-8) 5.7% (4-7) 5.4% (4-7)
Moçambique
MF, MPD Política Aumentar receitas Alargar a base tributária, reduzir as Rácio das receitas fiscais sobre o 40 12,2% 12,7% 13,2% 13,7%
tributária fiscais, sem im-pedir isenções e a evasão fiscal, sem PIB
crescimento do agravar a carga fiscal; rever actual
sector formal carga fiscal
MF, MPD Orçamento Melhorar a gestão do Elaborar e implementar estratégia Percentagem do financiamento 41
estatal e financiamento de gestão do financiamento externo externo directo ao OE, sobre o
financiamento externo total do FE
externo
MF, MPD Melhorar a gestão do Expansão das funções básicas do e- Funções básicas (tesouro, 42
orçamento, e honrar Sistafe execução orçamental,
os pagamentos aos contabilidade)
clientes do Estado
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PARPA II (2006-2009)
Programa Governo – PARPA II Prioridades Indicadores No. Metas do PARPA II
Objectivos Áreas Sub-áreas Objectivos Acções 2006 2007 2008 2009
Estratégicos
Desenvolvimento Banco de Poupança Incentivar a … Valor da poupança nacional, a 43
económico Moçambique, nacional poupança nacional preços constantes de 2005 [ou
(continuação) MF …]
Banco de Crédito Promover o aumento … Valor do crédito à economia, a 44
Moçambique do crédito à preços constantes de 2005
economia (concedido a pequenas e médias
empresas)
MIC, MPD, Comércio Definir política do Definir política tarifária pro- Rácio das exportações nacionais 45 12% 13% 14% 15%
MF internacional comércio competitiva; elaborar estratégia de (sem mega-projectos) sobre o
internacional integração na SADC e nos PIB
principais mercados internacionais
MIC, MPD, Sector privado Melhorar ambiente Elaborar e implementar estratégia Número de dias para se começar 46 90 60 50 30 (?)
MF, MINAG de negócios para melhorar ambiente de um negócio (registo e
negócios licenciamento)
MIC, MPD, Promover a expansão Aperfeiçoar, aprovar e implementar Valor acrescentado das agro- 47
MF, MINAG do sistema agro- a estratégia de industrialização indústrias, no sector das
industrial pequenas e médias empresas, a
preços constantes de 2005
MIREM, Recursos Fazer exploração Elaborar e implementar estratégia Valor das receitas estatais por 48 …x… …x… …x… …x…
MPD, MF minerais e sustentável, e de exploração de recursos naturais, tonelada de gás natural extraído,
naturais rentável, manten-do contabilizando por tipo de recurso a preços constantes de 2005,
o equilíbrio ecológico (gás natural, areias pesadas, etc) vezes a quantidade extraída
(tons)
MITUR, MPD, Turismo Desenvolvimento Elaborar estratégia de Valor acrescentado do turismo, a 49
MF auto-sustentável do desenvolvimento auto-sustentável preços constantes de 2005
turismo do turismo; garantir que o sector
forneça receitas líquidas ao Estado