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Equações Diferenciais Parciais I

Este documento discute conceitos básicos de equações diferenciais parciais (EDPs), incluindo definições de termos como multi-índice, ordem de EDPs, linearidade e soluções. Exemplos de EDPs comuns como a equação de Laplace e do calor são apresentados, assim como métodos para resolvê-las como separação de variáveis e características.
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Equações Diferenciais Parciais I

Este documento discute conceitos básicos de equações diferenciais parciais (EDPs), incluindo definições de termos como multi-índice, ordem de EDPs, linearidade e soluções. Exemplos de EDPs comuns como a equação de Laplace e do calor são apresentados, assim como métodos para resolvê-las como separação de variáveis e características.
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Equações diferenciais parciais I


Rodrigo Carlos Silva de Lima

rodrigo.uff.math@[Link]

1
Sumário

1 Equações diferenciais parciais 3


1.1 Condução de calor numa barra-Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.2 Definições básicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.2.1 Multi-ı́ndice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.3 Equações e seus nomes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.3.1 Equação de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.3.2 Equação de Poisson . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1.3.3 Equação do calor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1.3.4 Equação da onda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1.4 Método de separação de variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1.4.1 Equação de condução do calor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1.5 Método das caracterı́sticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.6 Equação de ondas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.6.1 Problema da corda finita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.6.2 Fórmula de D’Alembert . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
1.7 Fórmula da co-área . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
1.7.1 Energia do sistema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
1.7.2 Soluções fracas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
1.7.3 Laplaciano em coordenadas polares . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
1.8 Equação de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
1.9 Equação do Calor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
1.9.1 Equação no espaço todo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
1.9.2 Equação do calor-Caso de domı́nios limitados Ω ⊂ Rn . . . . . . . . 36
1.10 Funções de Green . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36

2
Capı́tulo 1

Equações diferenciais parciais

Notações:
∂u
Escrevemos ux =
∂x

1.1 Condução de calor numa barra-Motivação

b Propriedade 1 (Lei de resfriamento de Fourier). Considera uma barra de compri-


mento L, cuja seção transversal possui área A, a barra feita de um material uniforme que
conduz calor. Supomos que a superfı́cie lateral da barra esteja isolada termicamente, de
modo que não haja transferência de calor da barra com o meio ambiente, porém sendo
possı́vel ocorrer transferência de calor através das extremidades da barra.
A uniformidade do material e o isolamento térmico lateral implicando que o fluxo de
calor seja somente na direção longitudinal, por isso a condução de calor será considerada
em uma dimensão .
Considere duas placas P1 e P2 de áreas iguais a A, mantidas a temperaturas T1 e T2 .
Se as placas são colocadas paralelamente de alguma maneira na barra a uma distância
d uma da outra, haverá passagem de calor da placa mais quente para a mais fria e a
quantidade de calor por unidade de tempo, transferida de uma placa para a outra é dada
por

3
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 4

kA|T2 − T1 |
Q= ,
d
onde k é uma constante chamada de condutibilidade térmica do material entre as placas.
Podemos representar a temperatura como u(x, t), pois a temperatura não depende das
coordenadas y e z, colocamos a barra sobre o eixo x .
Tomamos duas seções transversais na barra localizadas em x e em x + d, supomos
essas seções como as placas P1 e P2 .
kA|T2 − T1 |
Em Q(t) = tomamo T2 (t) = u(x + d, t) e T1 = u(x, t), logo ficamos com
d

kA|u(x + d, t) − u(x, t)|


Q(t) =
d
tomando d → 0 ficamos com a definição da derivada em relação a x e daı́ tal limite fica

kA|u(x + d, t) − u(x, t)|


lim = kA|ux (x, t)|.
d→0 d

m Definição 1 (Fluxo de calor na direção positiva do eixo x).

1.2 Definições básicas

1.2.1 Multi-ı́ndice

m Definição 2 (Multi-ı́ndice). Chamaremos de multi-ı́ndice a toda n-upla α = (αk )n1


de números naturais .

m Definição 3 (Ordem de um multi-ı́ndice). Dado um multi-ı́ndice α = (αk )n1 , defini-


mos a ordem do multi-ı́ndice denotada por |α| como

n
|α| = αk .
k=1

m Definição 4 (Derivada sobre multi-ı́ndice). Definimos o operador Dα onde α = (αk )n1


é um multi-ı́ndice como
∂ |α|
Dα = .
∂xα1 1 · · · ∂xαnn
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 5

m Definição 5 (EDP-Equação diferencial parcial). Uma EDP é uma equação que


envolve uma função indeterminada u (de uma ou várias variáveis) e suas derivadas parciais.
Um problema fundamental no estudo de EDP’s é dada uma equação diferencial parcial
determinar uma função u ou todas funções u que satisfazem certas condições.
Simbolicamente uma EDP é

F (Dk u, Dk−1 u, · · · , Du, u, x) = 0,

k k−1
onde F : Rn × Rn × · · · × Rn × R × U → R.

Vejamos alguns exemplos de EDP’s

Z Exemplo 1. 1. ut + ux = x3 .t

2. utt − uxx = u3

3. ∆u∆u = g(x), x ∈ Rn .

m Definição 6 (Ordem de uma EDP). A ordem de uma EDP, é a ordem da maior


derivada parcial presente na EDP.

m Definição 7 (Parte principal de uma EDP). A parte principal de uma EDP é obtida
ao ignorar todos os termos de ordem menor que a ordem da EDP.

m Definição 8 (EDP Linear). Uma EDP é linear se for linear em u e suas derivadas.
Sendo da forma

aα (x)Dα u(x) = f (x).
|α|≤k

m Definição 9 (EDP Linear homogênea). Uma EDP linear é dita homogênea quando
é da forma

aα (x)Dα u(x) = 0,
|α|≤k

isto é, tomar f como função nula.


CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 6

m Definição 10 (EDP semilinear). Uma EDP é dita ser semilinear se sua parte principal
é linear. Tais equações são da forma

aα (x)Dα u(x) + g(Dk−1 u, · · · , Du, u, x) = 0.
|α|=k

m Definição 11 (EDP quasilinear). Uma EDP é dita ser quasilinear é da forma



aα (Dk−1 u, · · · Du, u, x)Dα u(x) + g(Dk−1 u, · · · , Du, u, x) = 0.
|α|=k

m Definição 12 (EDP Fully nonlinear). Uma EDP é chamada de Fully nonlinear, se


possui não linearidade em todas derivadas da parte principal.

m Definição 13 (Sistema de equações diferenciais). A noção intuitivade de um sistema


de equações diferenciais é uma coleção de equações diferenciais em um certo número de
funções . Simbolicamente um sistema de EDP é

F (Dk u, Dk−1 u, · · · , Du, u, x) = 0,

k k−1
onde F : Rmn × Rmn × · · · × Rmn × Rm × U → Rm , e u : Ω → Rm é a incógnita.

Sistemas de equações diferenciais podem ser classificadas da mesma maneira que


EDP’s, semilinear, quasilinear, etc.

m Definição 14 (Solução da EDP). Uma função u é solução da EDP de ordem k se

ˆ u é k vezes derivável.

ˆ u satisfaz a EDP.

Algumas vezes podemos não ser capazes de explicitar uma solução em forma fechada, mas
podemos garantir sua existência.

m Definição 15.

C k (Ω) = {f : Ω → R k vezes derivável e tal que as derivadas de ordem k são contı́nuas }


CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 7

m Definição 16 (Solução clássica). u é uma solução clássica da EDP de ordem k em


Ω se

1. u ∈ C k (Ω).

2. u satisfaz a EDP.

m Definição 17 (Solução fraca). Uma solução fraca é uma solução da EDP que não é
clássica.

m Definição 18 (Laplaciano).

∇2 u = uxx + uyy + uzz .

m Definição 19 (Problema bem posto , segundo Hadamard1 ). Um problema é bem


posto se satisfaz as condições

1. Existência. O problema tem uma solução.

2. Unicidade. Existe apenas uma solução.

3. Estabilidade. Pequenas alterações na equação ou nas condições iniciais acarretam


apenas em pequenas alterações nas soluções.

Se alguma das condições não se verifica dizemos que o problema está mal posto.

1.3 Equações e seus nomes


Apresentamos aqui alguns tipos de equações e o nome pelas quais são chamadas.

1.3.1 Equação de Laplace

{
∇2 u = 0 em Ω,
u|∂Ω = f (x).
1
Jacques Hadamard(1865-1963), matemático francês
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 8

1.3.2 Equação de Poisson

{
∇2 u = g(x) em Ω,
u|∂Ω = f (x).

1.3.3 Equação do calor

{
∂t u = ∇2 u em [0, ∞) × Rn ,
u(0, x) = f (x).

1.3.4 Equação da onda



 ∂tt u = ∇ u em [0, ∞) × R ,
2 n

u(0, x) = f (x),


 ut (0, x) = g(x).

1.4 Método de separação de variáveis

1.4.1 Equação de condução do calor


E a equação dada por
ut = α2 uxx

com 0 < x < l e t > 0. α2 é uma constante chamada de difusividade térmica Iremos
considerar a condição inicial u(x, 0) = f (x) e as condições de contorno

u(0, t) = 0 e u(l, t) = 0

O método de separação de variáveis consiste em supor u(x, t) = X(x).T (t) substituindo


na equação tem-se
X(x).T ′ (t) = α2 X ′′ (x)T (t)

daı́
X ′′ (x) T ′ (t)
= 2 =σ
X(x) α T (t)
é uma constante σ daı́ temos as EDO’s

X ′′ = σX
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 9

T ′ = σα2 T

u(0, t) = 0 = X(0).T (t) → X(0) = 0

u(l, t) = 0 = X(l).T (t) → X(l) = 0

pois não queremos u identicamente nula . Se σ = 0 então X ′′ = 0 implicando X = ax + b,


nesse caso X(x) é nula (pelas condições de contorno), o que não queremos, então σ ̸= 0.
Se σ > 0 a solução é da forma
√ √
X(x) = c1 e σx
+ c2 e− σx

nesse caso com as condições de contorno tem-se c1 = 0 = c2 , que implica numa função
nula, que não nos interessa, resta então o caso σ < 0, que podemos escrever como σ = −λ2 ,
com λ real , nesse caso a equação X ′′ = −λ2 X tem solução

X(x) = c1 cos(λx) + c2 sen(λx)

usando as condições de contorno novamente temos c1 = 0 e

X(L) = c2 sen(λL) = 0

que implica λ = , pois se c2 é nulo temos a solução trivial. Então podemos escrever
L
kπx
X(x) = ck sen( ).
L
Resolvendo agora a outra EDO

T ′ = σα2 T

tem-se
k2 π 2 2
T = c.eσα t = c.e−λ = c.eσα t = c.e−
2 2 α2 t 2 α t
L2

então funções da forma


k2 π 2 2 kπx
Uk (x, t) = e− L2
α t
sen( ) k ∈ N1
L
satisfazem a EDP


k2 π 2 2 kπx
u(x, t) = ck e − L2
α t
sen( )
k=1
L
e devemos ter


kπx
u(x, 0) = f (x) = ck sen( ).
k=1
L
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 10

1.5 Método das caracterı́sticas


2
Apresentamos vários exemplos de solução de problemas usando o método das carac-
terı́sticas. No primeiro exemplo definimos as notações que usamos nos outros exemplos.

Z Exemplo 2. Seja g ∈ C (R), α, β ∈ R, encontre uma fómula explı́cita para uma


1

solução u(x, t) do problema de valores iniciais



 ∂y u + a∂x u + βu = 0 em R × (0, ∞)
 u(x, 0) = g(x).

Denotaremos neste exemplo xt o coeficiente de ux , yt o coeficiente de uy . A condição


inicial é tomada como u(x1 , t1 ) = g(x1 , t1 ), logo a condição inicial da parametrização é

( x1 , t1 , g(x1 , t1 )).
|{z} |{z} | {z }
x(0,s) y(0,s) u(0,s)

ut é o termo sem derivada em x ou y, tomado do outro lado da igualdade uy + ux = −βu.


|{z}
ut
Temos então

xt = a, yt = 1, ut = −βu. (1.1)

De parametrização (s, 0, g(s)), dada por u(x, 0) = g(x), logo temos as condições iniciais
x(0, s) = s, y(0, s) = 0, u(0, s) = g(s).. Integrando em t os termos de (1.13), segue que

x = at + c1 , y = t + c2 , u = e−βt c3 ,

usando as condições iniciais, segue que

x at + s} , y = t, u = e−βt g(s).
| = {z
s=x−at=x−ay

Substituindo os valores em u, chegamos finalmente em

u = e−βy g(x − ay).


2
O método de caracterı́sticas foi descoberto por Hamilton
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 11

Z Exemplo 3. Ache a solução da EDP


ux + uy = 2,

1 .ux + |{z}
|{z} 1 .uy = |{z}
2
xt yt ut

com condição
u(x, 0) = x2 .

Temos a parametrização (s, 0, s2 )

xt = 1, yt = 1, ut = 2 logo x = t + c, y = t + c, u = 2t + c

usando as condições x(0, s) = s, y(0, s) = 0 e u(0, s) = s2 chegamos em

x = t + s, y = t, u = 2t + s2

de onde podemos tirar resolvendo o sistema

u(x, y) = 2y + (x − y)2 .

Para que tenha solução podemos analisar o jacobiano




xt yt
=
̸ 0
xs ys

no caso temos o jacobiano −1 e não temos problemas com a solução.

Z Exemplo 4. Achar solução


ux = 0

u(0, y) = g(y).

Temos a parametrização (0, s, g(s)) as condições

x(0, s) = 0, y(0, s) = s, u(0, s) = g(s)

xt = 1, yt = 0, ut = 0
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 12

que implica
x = t + c, y = c, u = c

usando as condições iniciais


x = 0, y = s, u = g(s)

logo u(s) = g(s), u(x, y) = g(y) e o jacobiano



1 0
=1

0 1

logo não temos problemas com as soluções.

Z Exemplo 5. Considere o problema de transporte



 uy + ux = e−y em y > x2
 u(y, x) = 0 em y = x2 .

Pelo método das caracterı́sticas, temos yt = 1, xt = 1, ut = e−y , com condições iniciais


y(0, s) = s2 , x(0, s) = s, u(0, s) = 0. Logo y = t + s2 , x = t + s, ut = −e−t−s ⇒ u =
2

−e−t−s + c que com a condição inicial u(0, s) = 0, segue que u(y, x) = −e−t−s + e−s =
2 2 2

e−y + e−s , basta determinar então s2 .


2

Temos que y = t + s2 , x = t + s logo y − s2 = t = x − s, daı́ temos a equação


s2 − s + x − y = 0, que possui discriminante

∆ = 1 − 4(x − y),

e portanto uma solução dada por



1+± 1 − 4(x − y)
s= .
2

Portanto a solução é
( √ )2
(1+ 1−4(x−y))

u(y, x) = −e−y + e 2
.
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 13

Z Exemplo 6.
ux = 0

u(x, 0) = h(x).

Temos parametrização (s, 0, h(s))

x(0, s) = s, y(0, s) = 0, u(0, s) = h(s)

xt = 1, yt = 0, ut = 0

x = t + c, y = c, u = c

usando as condições iniciais

x = t + s, y = 0, u = h(s)

o jacobiano é



1 0
=0

1 0

logo não podemos inverter.

Z Exemplo 7 (Equação de Euler).


xux + yuy = αu

u(x, 1) = h(x).

Temos parametrização (s, 1, h(s))

x(0, s) = s, y(0, s) = 1, u(0, s) = h(s)

xt = x, yt = y, ut = αu

resolvendo primeiro em relação a u

du
= αdt, lnu = αt + c, u = (et )α .c
u
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 14

o caso de y e x sái do caso acima fazendo α = 1 e trocando a variável

x = u = (et ).c, y = u = (et ).c, u = (et )α .c

usando as condições iniciais temos

x = u = (et ).s, y = u = (et ) u = (et )α .h(s)

divindo x por y temos s e y = et substituindo em u segue


( )
α x
u(x, y) = y .h
y

o jacobiano



x y
= −yet
t
e 0

só dá problema quando y = 0, onde não temos definida


( )
α x
u(x, y) = y .h .
y

Z Exemplo 8.
ux + uy = 1 − u

u(x, x + x2 ) = senx.

temos parametrização (s, s + s2 , sens)

xt = 1, yt = 1, ut = 1 − u

x(0, s) = s, y(0, s) = s + s2 , u(0, s) = sen(s)


du
x = t + c, y = t + c, =1−u
dt
temos

du du
= 1 − u, − = dt, −ln(u − 1) = t + c, u − 1 = e−t .c, u = e−t .c + 1
dt u−1
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 15

usando as condições iniciais segue

u = (0, s) = sens = c + 1, c = sens − 1

x = t + s, y = t + s + s2 , u = e−t .(sens − 1) + 1
√ √
temos y − x = s2 logo s = y − x e x − y − x = t substituindo em u

√ √
u(x, y) = e−x+ y−x
(sen( y − x) − 1) + 1

o jacobiano fica

1 1
= 2s + 1 − 1 = 2s.

1 2s + 1

Z Exemplo 9. Obtenha a solução da EDP u y + ux = 0 satisfazendo u(3y, y) = seny.


Tomamos a parametrização (3s, s, sens) e temos

xt = 1, yt = 1, ut = 0

x(0, s) = 3s, y(0, s) = s, u(0, s) = sens

x = t + c, y = t + c, u = c

usando as condições iniciais

x = t + 3s, y = t + s, u = sens

x−y x−y
temos x = t+s+2s = y+2s logo = s, substituindo em u temos u(x, y) = sen( )
2 2
que é a solução da EDP.

Z Exemplo 10.
ux + cuy = 0

u(x, 0) = u0 (x).
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 16

1.6 Equação de ondas

1.6.1 Problema da corda finita


Considere a equação de onda

a2 uxx = utt , x ∈ (0, l), t > 0

u(0, t) = 0 = u(l, t), t ≥ 0


(1.2)
u(x, 0) = f (x) := u0 (x), x ∈ (0, l)

∂t u(x, 0) = v0 (x), v0 (0) = 0 = v0 (l)


Vamos escrever formalmente sua solução na forma de série de Fourier.
Pelo método de separação de variáveis, tomamos u(x, t) = g(x).h(t), substituindo em
(1.11)1 , segue que
a2 g ′′ (x)h(t) = g(x).h′′ (t),

logo
g ′′ (x) h′′ (t)
= 2 = c.
g(x) a h(t)
Daı́ temos que
g ′′ (x) − cg(x) = 0. (1.3)

h′′ (t) − a2 ch(t) = 0. (1.4)

1. Se c = 0 então g ′′ (x) = 0 o que implica g(x) = ax + b, logo pela condição (1.11)2 ,


temos
u(0, t) = g(0)h(t) = 0 ⇒ g(0) = 0,

u(l, t) = g(l)h(t) = 0 ⇒ g(l) = 0,

não queremos h(t) = 0, t ≥ 0, pois se não a solução u(x, t) seria nula. Dos itens
anteriores, segue que

b = al ⇒ a = 0,
g(0) = 0 = a.0 + b = b, g(l) = al + |{z}
=0

daı́ g é função nula, o que não queremos.


CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 17

2. Se c > 0 a solução de (1.3) é da forma


√ √
g(x) = c1 e cx
+ c2 e − cx
.

Aplicando a condição g(0) = 0, segue que


√ √
g(0) = c1 e c0
+ c2 e− c0
= c1 + c2 ⇒ c1 = −c2 .

Aplicando a condição g(l) = 0, segue que


√ √ √ √
g(l) = c1 e cl
+ c2 e − cl
= −c2 e cl
+ c2 e − cl
= 0 ⇒ c2 = 0.
|{z}
−c2

Então da injetividade da função exponencial, segue que c1 = c2 = 0 o que não


queremos também, pois daı́ g ≡ 0.

3. Então o único caso possı́vel é com c < 0 e vamos escrever c = −λ2 . Nesse caso as
soluções são da forma
g(x) = c1 cos(λx) + c2 sen(λx).

Com as condições iniciais, g(0) = 0 implica


1
z }| {
g(0) = c1 cos(λ0) = 0 ⇒ c1 = 0.

Portanto g(x) = c2 sen(λx), agora com a outra condição g(l) = 0, segue que

g(l) = c2 sen(λl) = 0,

não queremos c2 = 0, pois implicaria g como identicamente nula, portanto sen(λl) =


e daı́ λl deve ser raı́z da função seno,

λl = kπ ⇒


λ= (1.5)
l
Logo
kπx
g(x) = c2 sen( ).
l
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 18

Da mesma maneira, temos de (1.4) que

h(t) = c1 cos(aλt) + c2 sen(aλt).


kπat kπat
h(t) = c1 cos(
) + c2 sen( ).
l l
Tomando a superposição das soluções encontramos a representação em série


n
kπx kπat kπat
u(x, t) = sen( )[ck cos( ) + bk sen( )], (1.6)
k=1
l l l
ck e bk são constantes que devem ser escolhidas por meio das condições iniciais tomadas
para o problema.

Obtenção das constantes

Da série (1.6) e (1.11)3 , segue que



n
kπx
u(x, 0) = ck sen( ) = f (x),
k=1
l
∫ l
2 nπx
multiplicando por sen( ) e aplicando , segue que
l l 0
∫ ∫ n
2 l nπx 2 l∑ kπx nπx
f (x)sen( )dx = ck sen( )sen( )dx =
l 0 l l 0 k=1 l l

2∑
n l
kπx nπx 2l
= ck sen( )sen( )dx = cn = cn ,
l k=1 l l l2
|0 {z }
2
l
δ(k,n)

onde δ(k, n) = 0, se k ̸= n e 1 se k = n.
Logo concluı́mos que

2 l nπx
cn = f (x)sen( )dx.
l 0 l
Supondo que a série (1.6) possa ser diferenciada termo a termo, em relação a t, segue
que

n
kπx kπa kπat kπa kπat
∂t u(x, t) = sen( )[−ck sen( ) + bk cos( )],
k=1
l l l l l
aplicando em t = 0, segue que

n
kπa kπx
∂t u(x, 0) = bk sen( ),
k=1
l l
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 19

∫ l
2 nπx
novamente, multiplicando por sen( ) e aplicando , segue que
l l 0

∫ ∫
2 ∑ bk kπa
l ∞ l
2 nπx kπx nπx bn nπa
v0 (x)sen( )dx = sen( )sen( )dx = ,
l l l k=1 l l l l
0
|0 {z }
2
l
δ(k,n)

logo obtemos ∫ l
2 nπx
bn = v0 (x)sen( )dx,
nπa 0 l

2 l nπx
cn = u0 (x)sen( )dx,
l 0 l


kπx
u(x, t) = gk (t)sen( )dx,
k=1
l
kπx kπx
onde gk (t) = ck cos( ) + bk sen( ).
l l

b Propriedade 2. O problema ut + bux = f (x, t) com u(x, 0) = g(x) possui solução da


forma
∫ t
u(x, t) = f (x + (s − t)b, s)ds + g(x − tb).
0

ê Demonstração.
Tomando z(s) = u(x + sb, t + s), temos que z(0) = u(x, t), z(−t) = u(x − tb, 0). Além
disso por regra da cadeia temos
d d ′ d
z ′ (s) = u(x + sb, t + s) = u (x + sb, t + s).b + u(x + sb, t + s) = f (x + sb, t + s).
ds dx dt
Logo
∫ 0 ∫ 0

u(x, t) − g(x − tb) = z(0) − z(−t) = z (s)ds = f (x + sb, t + s)ds =
| {z } −t −t
u(x−tb,0)

fazendo a mudança de somar t aos ı́ndices


∫ t
= f (x + (s − t)b, s)ds.
0

Portanto ∫ t
u(x, t) = f (x + (s − t)b, s)ds + g(x − tb).
0
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 20

1.6.2 Fórmula de D’Alembert

b Propriedade 3 (Fórmula de D’Alembert). Dados u0, v0 ∈ R, a equação da onda




 ∂ u − c∆u = 0, x ∈ R, t ∈ R,

 tt
u(0, x) = u0 , x ∈ R




∂t u(0, x) = v0 , x ∈ R.

possui solução da forma


∫ x+ct
1 1
u(x, t) = [u0 (x + ct) + u0 (x − ct)] + v0 (s)ds. (1.7)
2 2c x−ct

ê Demonstração. Reescrevemos ∂tt u − c2 ∂xx u como

(∂t + c∂x)(∂t − c∂x )u.

Definimos v(x, t) = (∂t − c∂x )u, logo

vt (x, t) + cvx (x, t) = 0,

com v(x, 0) = a(x). Aplicamos o método das caracterı́sticas. Temos

ty = 1, xy = c, vy = 0,

com condições t(0, s) = 0, x(0, s) = s, v(0, s) = a(s). Logo

t = c1 + y, x = cy + c2 , v = c3 .

Com as condições iniciais obtemos

t = y, x = cy + s, v = a(s)

e daı́ x − ct = s,
v(x, t) = a(x − ct).

Da definição de v segue que

ut (x, t) − cux (x, t) = a(x − ct).

Aplicamos o resultado anterior para equação do tipo ut + bux = f (x, t) com b = −c,
f (x, t) = a(x − ct), logo f (x + (s − t)b, s) = f (x + c(t − s), s),
∫ t ∫ t
u(x, t) = a(x + c(t − s) − cs)ds + u0 (x + ct) = a(x + ct − 2cs)ds + u0 (x + ct),
0 0
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 21

dy
fazendo a transformação y = x + ct − 2cs temos = −2c, s = 0 ⇒ y = x + ct, s = t ⇒
ds
y = x − ct, então a integral fica como
∫ x−ct
1
u(x, t) = a(y)dy + u0 (x + ct),
−2c x+ct

além disso temos a(x) = v(x, 0) = ut (x, 0)−cux (x, 0) = v0 (x)−cu′0 (x), finalmente obtemos
a fórmula

1 x+ct −u0 (x + ct) + u0 (x − ct)
u(x, t) = v0 (y)dy + + u0 (x + ct) =
2c x−ct 2

u0 (x + ct) + u0 (x − ct) 1 x+ct
u(x, t) = + v0 (y)dy,
2 2c x−ct
como querı́amos demonstrar.
ê Demonstração.[2] Formalmente a solução do problema da corda finita também
se escreve como (1.7).
Sejam ue0 e ve0 , funções definidas como
{
u0 (x) se x ∈ (0, l)
ue0 =
−u0 (−x) se x ∈ (−l, 0)

e para outros intervalos considerando a extensão periódica ue0 (x + 2l) = ue0 (x), da mesma
maneira para ve0 , {
v0 (x) se x ∈ (0, l)
ve0 =
−v0 (−x) se x ∈ (−l, 0)
ve0 (x + 2l) = ve0 (x). Temos


∞ ∫ l
kπx 2 kπx
ue0 (x) = ck sen( ), ck = u0 (x)sen( )dx,
k=1
l l 0 l


∞ ∫ l
kπa kπx 2 kπx
ve0 (x) = bk sen( ), bk = v0 (x)sen( )dx. (1.8)
k=1
l l kπa 0 l
Disso segue de sen(a + b) = sen(a)cos(b) + sen(b)sen(a), que
∑∞ ( )
kπx kπt kπx kπt
ue0 (x + t) = ck sen( ).cos( ) + cos( ).sen( ) (1.9)
k=1
l l l l

e da mesma maneira

∞ ( )
kπx kπt kπx kπt
ue0 (x − t) = ck sen( ).cos( ) − cos( ).sen( ) . (1.10)
k=1
l l l l
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 22

Somando (1.9) com (1.10) e dividindo por 2, segue que3

ue0 (x + at) + ue0 (x − at) ∑



kπx kπat
= ck sen( )cos( ).
2 k=1
l l
∫ x+t
1
Aplicando dx em (1.8), segue que
2a x−t

∫ x+t ∑
∞ ∑ bk kπ ∞ ∫ x+t
1 kπa kπx kπx
bk sen( )dx = sen( )dx =
2a x−t k=1
l l k=1
2l x−t l

∑∞ ( ) ]x+t ∑ ∞ [ ]
bk kπ kπx l bk kπ(x + t) kπ(x − t)
= −cos( ) = − cos( ) + cos( ) ,
k=1
2l l kπ x−t k=1
2 l l
usamos as identidades
kπx kπt kπx kπt kπx kπt
cos( − ) = cos( )cos( ) + sen( )sen( ),
l l l l l l
kπx kπt kπx kπt kπx kπt
−cos( + ) = −cos( )cos( ) + sen( )sen( ),
l l l l l l
somando as duas expressões e usando na série anterior, obtemos que


bk kπx kπt ∑ ∞
kπx kπt
2sen( )sen( )= bk sen( )sen( ).
k=1
2 l l k=1
l l

Subtituindo na expressão acima t por at, obtemos as seguintes identidades

ue0 (x + at) + ue0 (x − at) ∑



kπx kπat
= ck sen( )cos( )
2 k=1
l l
∫ x+at ∑

1 kπx kπat
ve0 (x)dx = bk sen( )sen( ).
2a x−at k=1
l l
Somando as duas expressões obtemos finalmente que
∫ ∑

ue0 (x + at) + ue0 (x − at) 1 x+at
kπx kπat kπat
+ ve0 (x)dx = sen( )[ck cos( ) + bk sen( )],
2 2a x−at k=1
l l l

onde a expressão da direita é exatamente a fórmula que obtemos para u(x, t), então

ue0 (x + at) + ue0 (x − at) 1 x+at
u(x, t) = + ve0 (x)dx.
2 2a x−at

3
Tomamos at no lugar de t.
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 23

b Propriedade 4 (Solução da equação da onda para n = 1). Seja g ∈ C 2(R), h ∈ C 1 (R)


e

∫ x+t
1 1
u(x, t) = [g(x + t) + g(x − t)] + h(y)dy, x ∈ R, t ≥ 0.
2 2 x−t

Então

1. u ∈ C 2 (R × [0, ∞)),

2. utt − uxx = 0 ∈ R × (0, ∞),

3. Para cada ponto x0 ∈ R fixado, temos que

lim u(x, t) = g(x0 ),


(x,t)→(x0 ,0), t>0

lim ut (x, t) = h(x0 ).


(x,t)→(x0 ,0), t>0

ê Demonstração.

⋆ Teorema 1 (Existência e unicidade do problema da corda finita). Sejam u0 ∈ C 2 ([0, l])


e v0 ∈ C 1 ([0, l]), tais que u0 , u′′0 e v0 se anulam em x = 0 e x = l, então a função
u : [0, l] × [0, ∞) → R definida por


ue0 (x + at) + ue0 (x − at) 1 x+at
u(x, t) = + ve0 (x)dx,
2 2a x−at

onde ue0 , ve0 :→ R são as extensões ı́mpares e periódicas de perı́odo 2l das funções u0 e v0 ,
respectivamente, é a única solução do problema

a2 uxx = utt , x ∈ (0, l), t > 0

u(0, t) = 0 = u(l, t), t ≥ 0


(1.11)
u(x, 0) = f (x) := u0 (x), x ∈ (0, l)

∂t u(x, 0) = v0 (x), v0 (0) = 0 = v0 (l)

além disso u ∈ C 2 ([0, l] × [0, ∞]).


CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 24

ê Demonstração.[Justificativa da solução por séries] Por meio das séries e extensão


de u0 e v0 obtemos a identidade

ue0 (x + at) + ue0 (x − at) 1 x+at
u(x, t) = + ve0 (x)dx. (1.12)
2 2a x−at

que usamos para definir uma solução. Vamos agora as condições necessárias para as
funções u0 e v0 .

1. u(x, t) é contı́nua com (x, t) ∈ (0, l) × (0, ∞) se ue0 e ve0 são contı́nua em R. Daı́ se u0
é contı́nua em [0, l] necessitamos que u0 (0) = u0 (l) = 0, pois se fosse um valor não
nulo terı́amos descontinuidade, pelo fato de ue0 ser periódica de perı́odo 2l, o mesmo
para v0 .

2. u ∈ C 2 ((0, l) × (0, ∞)) se u0 ∈ C 2 (0, l) e v0 ∈ C 1 (0, l) ( menos requerimento sobre


v0 , pois seu termo aparece como integral, então ganhamos regularidade).

3. Como ue′′0 é extensão ı́mpar de u′′0 , devemos4 ter que u0 (0)′′ = u′′0 (l) = 0. Como ue′ é
extensão par de u′ não necessitamos condições adicionais sobre u′ .

4. Nessas condições uxx e utt podem ser calculadas a partir de (1.12) e podemos mostrar
que u satisfaz a equação da onda.
∫ x+at
ue0 (x + at) + ue0 (x − at) 1
Seja h(x, t) = e g(x, t) = ve0 (s)ds.
2 2a x−at
Temos que
ue0 ′′ (x + at) + ue0 ′′ (x − at)
hxx = .
2
∫ x+at ∫ at
1 1
g= ve0 (x)dx = ve0 (x + s)ds,
2a x−at 2a −at

logo derivando segue que


∫ at
1 1
gx = ve0 ′ (x + s)ds = [ve0 (x + at) − ve0 (x − at)],
2a at 2a
derivando mais uma vez
1 ′
gxx = [ve0 (x + at) − ve0 ′ (x − at)].
2a
4
Onde usamos que derivada de uma função ı́mpar u, define uma função par, que aplicando novamente
a derivada temos a segunda derivada como função ı́mpar.
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 25

Agora derivando em relação a t, por regra da cadeia

ue0 ′′ (x + at) + ue0 ′′ (x − at)


htt = a2 [ ].
2
Além disso temos
∫ at ∫ at ∫ 0
1 1
g= ve0 (x + s)ds = [ ve0 (x + s)ds + ve0 (x + s)ds] =
2a
−at 2a 0 −at
∫ at ∫ −at
1
= [ ve0 (x + s)ds − ve0 (x + s)ds],
2a 0 0
derivando uma vez pela regra da cadeia, segue que
1 1
gt = [ave0 (x + at) − (−a)ve0 (x − at)ds] = [ve0 (x + at) + ve0 (x − at)ds],
2a 2
derivando mais uma vez e listando todas identidades
a
gtt = [ve0 ′ (x + at) − ve0 (x − at)ds],
2
ue0 ′′ (x + at) + ue0 ′′ (x − at)
htt = a2 [ ],
2
1 1
gxx = [ve0 ′ (x + at) − ve0 ′ (x − at)] = 2 gtt ,
2a a
ue0 ′′ (x + at) + ue0 ′′ (x − at) 1
hxx = = 2 htt .
2 a
Logo com a definição que adotamos, temos

a2 uxx = utt ,

e temos solução do problema.

1.7 Fórmula da co-área

b Propriedade 5 (Fórmula da co-área). Seja D ⊂ Rn um conjunto limitado e f uma


função de classe C 1 (D), denotamos Df (t) = {x ∈ D | f (x) = t}, a curva de nı́vel t de f .
Seja h uma função contı́nua em D, então

∫ ∫ ∞ ∫
h(y)
h(x)dx = dS(y),
D −∞ Df (t) |∇f (y)|
onde dSy é a medida de superfı́cie em Df (t) e a integral sendo tomada apenas onde
Df (t) ̸= ∅.
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 26

v
u n
u∑
$ Corolário 1 (Teorema de Fubini na esfera). Tomando f (x) = r = t x2k a função
k=1
distância, temos que
∂r 1 ( ) 1 −1 xk
= 2xk x2k 2 = .
∂xk 2 r
Logo
( ) (x
∂r ∂r 1 xn ) x
∇f (x) = ∇r = ,··· , = ,··· , = ,
∂x1 ∂xn r r r
portanto |∇f (x)|Rn = 1. Tomando D = B(0, r) = {x ∈ Rn , |x| < r}, Df (t) é não vazia
para t ∈ [0, r) o teorema da co-area fornece
∫ ∫ r (∫ )
h(x)dx = h(x)dSx dt.
B(0,r) 0 ∂B(0,t)

$ Corolário 2. O teorema da co-área implica, de modo semelhante que


∫ ∫ t (∫ )
g(y)dy = g(y)dS(y) ds ,
B(x,t) 0 ∂B(x,s)

logo podemos derivar com relação a t implicando que


∫ ∫
d
g(y)dy = g(s)ds.
dt B(x,t) ∂B(x,t)

b Propriedade 6. Seja u ∈ C 2(U ), U ⊂ Rn , então dada a função definida como



1
ϕ(r) = u(y)dS(y),
rn−1 ∂B(x,r)

então


′ 1
ϕ (r) = ∆u(y)dy.
rn−1 B(x,r)

ê Demonstração. Evans página 25, na demonstração da fórmula de valor médio


para equação de Laplace.

$ Corolário 3. Em especial se n = 3, temos que



2
[t ϕ(t)] = u(y)dS(y),
∂B(x,t)
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 27

logo derivando, segue que



2 ′ d
2tϕ(t) + t ϕ (t) = [ u(y)dS(y)] =
dt ∂B(x,t)
∫ ∫
2t t2
= 2 u(y)dS(y) + 2 ∆u(y)dy =
t ∂B(x,t) t B(x,r)
∫ ∫
2
= u(y)dS(y) + ∆u(y)dy.
t ∂B(x,t) B(x,r)

Portanto
∫ ∫ ∫
d 2
[ u(y)dS(y)] = u(y)dS(y) + ∆u(y)dy.
dt ∂B(x,t) t ∂B(x,t) B(x,r)

b Propriedade 7. Seja

1
u(t, x) = V0 (s)ds, V ∈ C 2 (Ω),
4πt ∂B(x,t)

então

1
utt = ∆V0 (s)ds.
4πt ∂B(x,t)

ê Demonstração. Aplicando a primeira derivada segue que


∫ ∫
1 1 d
ut = − V0 (s)ds + V0 (s)ds =
4πt2 ∂B(x,t) 4πt dt ∂B(x,t)
∫ ∫ ∫
1 1 2 1
=− V0 (s)ds + V0 (y)dS(y) + ∆V0 (y)dy =
4πt2 ∂B(x,t) 4πt t ∂B(x,t) 4πt B(x,r)
∫ ∫
1 1
= V0 (y)dS(y) + ∆V0 (y)dy.
4πt2 ∂B(x,t) 4πt B(x,r)
Derivando mais uma vez e lembrando da identidade
∫ ∫
1 ′ 1
ϕ(r) = 2 u(y)dS(y) ⇒ ϕ (r) = 2 ∆u(y)dy.
r ∂B(x,r) r B(x,r)
segue que
∫ ∫ ∫
1 1 1
utt = ∆V0 (y)dS(y) − ∆V0 (y)dy + ∆V0 (y)dy =
4πt2 B(x,t) 4πt2 B(x,r) 4πt ∂B(x,r)

1
= ∆V0 (y)dy,
4πt ∂B(x,r)
como querı́amos demonstrar.
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 28

$ Corolário 4 (Solução da equação da onda em R3 .). Tomando v0 (x) ∈ C 2 , temos que



1
u(t, x) = v0 (s)ds, v ∈ C 2 (Ω),
4πt ∂B(x,t)

é uma solução de ∂tt u − ∆u, ∈ R3 .


Aplicando inicialmente o Laplaciano, temos que

1
∆u = ∆v0 (x + s)ds,
4πt ∂B(0,t)

e pelo resultado anterior de segunda derivada segue que



1
utt = ∆v0 (x + y)dy,
4πt ∂B(0,r)

logo ∆u = utt , e temos uma solução.

1.7.1 Energia do sistema

∫ ∞
1
E(t) = u2t (x, t) + c2 u2t (x, t)dx.
2 −∞

1.7.2 Soluções fracas


Dizemos que a fórmula de d’Alembert

f (x + ct) + f (x − ct) 1 x+ct
u(x, t) = + g(y)dy
2 2c x−ct

é uma solução fraca de 



 utt = c uxx x ∈ R, t > 0
2

u(x, 0) = f (x) x ∈ R


 u (x, 0) = g(x) x ∈ R
t

quando f ∈
/ C 2 ou g ∈
/ C 1.

1.7.3 Laplaciano em coordenadas polares


Partimos de x = rcos(θ), u = rsen(θ). Usamos as identidades
∂ ∂ ∂x ∂ ∂y
= +
∂r ∂x ∂r ∂y ∂r
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 29

logo
∂u ∂u ∂u
= cos(θ) + sen(θ)
∂r ∂x ∂y
∂u
aplicando mais uma vez e simplificando tem-se
∂r
∂ 2u 2 ∂ 2u ∂2u 2 ∂2u
= cos (θ) + 2cos(θ)sen(θ) + sen (θ) .
∂r2 ∂x2 ∂x∂y ∂y 2
Usando o mesmo procedimento
∂ ∂ ∂
= −rsen(θ) + rcos(θ)
∂θ ∂x ∂y
∂ 2u
daı́ podemos calcular usando agora a regra da cadeira para derivadas, podemos chegar
∂θ2
em
−r ∂u
z }| ∂r
{
∂2u ∂u ∂u 2 ∂ 2u ∂2u ∂ 2u
= −rcos(θ) − rsen(θ) +r [sen2
(θ) − 2cos(θ)sen(θ) + cos 2
(θ) ]=
∂θ2 ∂x ∂y ∂x2 ∂y∂x ∂y 2
∂2u ∂u ∂ 2u ∂2u ∂ 2u
= 2 = −r + r [sen (θ) 2 − 2cos(θ)sen(θ)
2 2 2
+ cos (θ) 2 ]
∂θ ∂r ∂x ∂y∂x ∂y
∂ 2u ∂2u
calculamos agora a soma de com
∂r2 r2 ∂θ2
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u ∂u
2
+ 2 2
= 2
+ 2−
∂r r ∂θ ∂x ∂y r∂r
logo vale a identidade
∂ 2u ∂u ∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u
+ + = + = ∇2 u.
∂r2 r∂r r2 ∂θ2 ∂x2 ∂y 2

b Propriedade 8. O Laplaciano comuta com transformações ortogonais, isto é, se T é


ortogonal e u ∈ C 2 (Ω), Ω ∈ Rn então

∆(u ◦ T ) = (∆u) ◦ T, em T −1 (Ω).

ê Demonstração.
Passos da demonstração:

1. Escrevemos T na forma matricial e calculamos T (x) e depois u(T (x)).

2. Calculamos ∂m u(T (x)) aplicando a regra da cadeia. Aplicamos mais uma vez ∂m e
depois somamos de m = 1 até n encontrando ∆u(T (x)).
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 30

3. Usamos que T.T t = I e definição do produto de matrizes para obter ∆u(T (x)) =
(∆u)(T (x)).

Seja
 
T1,1 T1,2 · · · T1,n
 
 T2,1 T2,2 · · · 
 Tn,n 
T = . .. .. .. 
 .. . . . 
 
Tn,1 Tn,2 · · · Tn,n
daı́
 
T1,1 T1,2 · · · T1,n
 
 T2,1 T2,2 · · ·  ∑n ∑n ∑n
 Tn,n 
T (x) =  . .. .. .. =( t1,k xk , t2,k xk , · · · , tn,k xk ).
 .. . . . 
  k=1 k=1 k=1

Tn,1 Tn,2 · · · Tn,n

Usando a regra da cadeia, temos que


∑n ∑
n ∑
n
∂m [u( t1,k xk , t2,k xk , · · · , tn,k xk )] =
k=1 k=1 k=1


n ∑
n
∂ t1,k xk ∂
tn,k xk
∂u k=1 ∂u k=1
= + ··· + =
∂x1 ∂xm ∂xn ∂xm
∂u ∂u
= t1m + · · · + tnm .
∂x1 ∂xn
Concluı́mos então que
∑n
∂u
∂m (u(T (x))) = [ (T (x))]tkm .
k=1
∂xk
Aplicando mais uma vez ∂m , temos

n ∑∑ n n ( )
∂u ∂ 2u
∂mm (u(T (x))) = [∂m (T (x))]tkm = Tkm Tjm .
k=1
∂x k
k=1 j=1
∂xk ∂xj

Resumindo, temos

n ∑
n
∂ 2u
∂mm (u(T (x))) = Tkm Tjm .
k=1 j=1
∂xk ∂xj
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 31


n
Para obter o Laplaciano, aplicamos a soma , de onde tem-se
m=1


n ∑
n ∑
n
∂ 2u ∑∑∑ n n n
∂ 2u
∆u(T (x)) = Tkm Tjm (T (x)) = Tkm Tjm (T (x)).
m=1 k=1 j=1
∂xk ∂xj k=1 j=1 m=1
∂x k ∂x j

Agora do fato que T.T t = I é a matriz identidade e que o termo geral da multiplicação
de matrizes é dado por

n ∑
n
ck,j = ak,m .bm,j = tk,m .tj,m .
m=1 m=1

Onde usamos que bm,j = tj,m pois multiplicamos pela matriz transposta. Como o resultado
é a matriz identidade, os únicos termos que não se anulam são os da forma ci,i . Segue que
Ck,j
z }| {
n ∑
∑ n ∑ n
∂2u
∆u(T (x)) = Tkm Tjm =
k=1 j=1 m=1
∂xk ∂xj

n ∑
∑ n
∂ 2u ∑ ∂ 2u
n
= Ck,j (T (x)) = 2
(T (x)) = (∆u) ◦ T.
k=1 j=1
∂x k ∂x j j=1
∂x k

$ Corolário 5. Se u é harmônica, então u ◦ T , onde T é ortogonal, pois

∆(u ◦ T )(x) = (∆u) ◦ T (x) = 0.

1.8 Equação de Laplace

m Definição 20 (Solução fundamental da equação de Laplace). A função Φ : Rn \{0} →


R, definida por


 1
 ln |x|, n = 2

Φ(x) = 2π
 1
 , n≥3
(n)(n − 2)|x|n−2
b Propriedade 9. Dado que

 −∆u = f em B(0, r).
 u = g em ∂B(0, r).
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 32

sendo f e g funções regulares definida em B(0, r), então vale que

∫ ∫ ( )
1 1 1 1
u(0) = gds + − n−2 f dx,
nα(n)rn−1 ∂B(0,r) n(n − 2)α(n) B(0,r) |x|n−2 r

onde αn é o volume da esfera unitária em Rn .

ê Demonstração.
Seja ∫
1
φ(t) = u(y)ds(y), t ∈ [0, r],
nα(n)tn−1 ∂B(0,t)

por propriedade de integral temos que



1
lim φ(t) = lim u(y)ds(y) = u(0).
t→0 t→0 nα(n)tn−1 ∂B(0,t)

Como temos u = g em ∂B(0, r), segue que



1
φ(r) = g(y)ds(y),
nα(n)rn−1 ∂B(0,r)

logo, usaremos que se ∫


1
φ(t) = u(y)ds(y)
nα(n)tn−1 ∂B(0,t)

então5 ∫ ∫
′ t −1
φ (t) = −f dx = f dx. (1.13)
nα(n)tn B(0,t) nα(n)tn−1 B(0,t)

Dado ε > 0, temos que

∫ r ∫ ∫ r
′ 1
φ(ε) = φ(r) − φ (t)dt = g(y)ds(y) − φ′ (t)dt, (1.14)
ε nα(n)rn−1 ∂B(0,r) ε

usando (1.13), obtemos


∫ r ∫ r ∫
′ 1
− φ (t)dt = f dydt. (1.15)
ε ε nα(n)tn−1 B(0,t)

Vamos usar agora o seguinte resultado de integração por partes


∫ r ( ∫ ) ∫ ]r
1 1
Dt n−2 f (y)dy = n−2 f (y)dy =
ε t B(0,t) t B(0,t) ε

5
Ver por exemplo Evans página 26 na demonstração da fórmula do valor médio
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 33

∫ ∫ ∫ ∫
r
(2 − n) r
1
= f (y)dy + f (y)dydt.
ε tn−1 B(0,t) ε tn−2 ∂B(0,t)

Logo dividindo os termos da identidade acima por (2−n).n.α(n) e rearranjando os termos,


segue que

∫ r ∫ ∫ ]r
1 1
f (y)dy = f (y)dy
ε ∫ n.α(n)t
n−1
B(0,t) ∫ n.α(n)(2 − n)tn−2 B(0,t) ε
r (1.16)
1
− f (y)dydt.
ε n.α(n)(2 − n)t
n−2
∂B(0,t)

Logo substituindo (1.16) em (1.15), obtemos


 
I
∫ r z∫ r 1 ∫ }| { ∫ ∫ 
′ 1  1 1 
− φ (t)dt =  f (y)dsdt − n−2 f dy + n−2 f dy  .
ε n(n − 2)α(n)  ε t n−2
∂B(0,t) r B(0,r) ε B(0,ε) 
| {z }
J

Temos que
≤Kεn
z∫ }| {
1
J= f dy ≤ Cε2 , C > 0.
εn−2 B(0,ε)

Onde usamos dx = Cn εn e que f é regular. Com ε → 0, temos que
B(0,ε)
∫ r ∫ ∫
1 f (x)
I +J → f (y)dsdt = dx.
0 tn−2 ∂B(0,t) B(0,t) |x|n−2
Logo
∫ r (∫ ( ) )
′ 1 1 1
lim − φ (t)dt = − f (x)dx .
ε→0 ε n(n − 2)α(n) B(0,r) |x|n−2 rn−2
Aplicando o limite ε → 0 em (1.14) e usando o limite anterior, obtemos finalmente
∫ ∫ ( )
1 1 1 1
u(0) = φ(0) = gds + − f (x)dx,
nα(n)rn−1 ∂B(0,r) n(n − 2)α(n) B(0,r) |x|n−2 rn−2
como querı́amos demonstrar.

1.9 Equação do Calor

m Definição 21 (Equação do calor). A equação do calor é a seguinte EDP

∂t u − ∆u = 0, t ∈ R, x ∈ Rn .
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 34

1.9.1 Equação no espaço todo


Iremos considerar aqui o problema de valor inicial
{
ut − ∆u = 0, t ∈ R+ , x ∈ Rn
u(0, x) = u0 (x), u0 uma função regular em Rn .

Z Exemplo 11. Seja o caso onde n = 1,





 ut − ∆u = 0, t ∈ R , x ∈ R
+

∑∞


 u(0, x) = ak sen(kx).
k=0

Então, temos uma solução da forma




ak e−k t sen(kx).
2
u(x, t) =
k=0

Supondo que as séries sejam convergentes e podemos derivar termo-a-termo. Derivando


o termo da série em relação à t, temos

∂ ( −k2 t )
sen(kx) = −k 2 e−k t sen(kx),
2
e
∂t

no caso n = 1, temos que −∆ = − , temos
∂xx
∂ ( −k2 t )
sen(kx) = k 2 k 2 e−k t sen(kx),
2
− e
∂xx

então a soma dos termos se anula e temos solução da equação, sendo o valor inicial também
satisfeito.

b Propriedade 10 (Unicidade de solução). Seja u solução da equação do calor


ut − ∆u = 0, ∈ [0, T ] × Rn .

Se u(T, x) = 0, ∀ x ∈ Rn então u(t, x) = 0 ∀ x ∈ Rn , t ∈ [0, T ].

ê Demonstração.
Multiplicando a equação por u e integrando, obtemos por meio da fórmula de Green,
supondo u de suporte compacto
∫ ∫ ∫
[Link] dx = u.∆udx = − |∇u|2 dx,
Rn Rn Rn
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 35

o que implica escrevendo a primeira integral como derivada, que


∫ ∫
1d
|u| dx = −
2
|∇u|2 dx.
2 dt Rn Rn

Isso implica que ||u(t)||L2 (Rn ) é decrescente, se u(t1 ) ̸= 0 para t1 < T então ||u(t1 )|| > 0
para t < t1 temos ||u(t)|| ≥ ||u(t1 )|| > 0 pois ||u(t)|| é decrescente. Defina E(t) =
e ∫
1
|∇u|2 dx. Suponha por absurdo que existe t1 ∈ (0, T ) tal que u(t, x) ̸= 0 em (0, t1 )
2 Rn
e u(t1 , x) = 0. Com isso temos pela desigualdade de Poincaré que
∫ ∫
0< |u(t)| dx ≤ C
2
|∇u(t)|2 dx = C1 E(t), t ∈ (0, t1 ).
Rn Rn

Temos que ∫

E (t) = ∇u∇ut dx
Rn
∫ ∫
′′
E (t) = ∇ut ∇ut dx + ∇u∇utt dx =
Rn Rn
∫ ∫ ∫ ∫
= |∇ut | dx −
2
(∆u)∇utt dx = |∇ut | dx −
2
ut ∇utt dx =
Rn Rn Rn Rn
aplicando novamente a fórmula de Green
∫ ∫ ∫
= |∇ut | dx +
2
|∇ut | dx = 2
2
|∇ut |2 dx.
Rn Rn Rn

Portanto
(∫ )2 ∫ ∫
′ 1
2
[E (t)] = ∇u∇ut dx ≤ |∇u| dx.
2
|∇ut |2 dx = E(t).E ′′ (t),
Rn 2 Rn Rn

onde usamos que < u, v >≤ ||u|| ||v|| com o produto interno dado pela integral
(∫ )2 ∫ ∫
u.v ≤ 2
u dx v 2 dx.

Portanto E.E ′′ − (E ′ )2 ≥ 0 e daı́ divivindo por E 2 em ambos lados, segue que


( ′ )′
E.E ′′ − (E ′ )2 E
2
= ≥ 0.
E E

E′
Portanto = [ln(E)]′ é uma função crescente, daı́ por critério de derivada ln(E) é
E
uma função convexa. Temos que lim E(t) = 0, pois u(t1 , x) = 0∀ x logo seu gradiente de
t→t1
anula e daı́ E(t1 ) = 0. Daı́ quando t → t1 temos que

ln(E(t)) → −∞,
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 36

o que não pode acontecer pois para uma função convexa f , vale que

f (x) ≥ f (a) + f ′ (a)(x − a), a, x ∈ I.

O gráfico de f está acima de suas tangentes.


Logo u(t, x) = 0 ∀ (t, x) ∈ [0, T ] × Rn .

1.9.2 Equação do calor-Caso de domı́nios limitados Ω ⊂ Rn


Faremos inicialmente o estudo do caso n = 1 e Ω = (a, b).

1.10 Funções de Green

Z Exemplo 12. Seja Ω = (0, 1) e considere o problema de Dirichlet



 −u′′ = f em (0, 1)
 u(0) = u(1) = 0.

Determine uma função de Green G(x, y) associada ao sistema acima, de modo que u
é escrita como
∫ 1
u(x) = G(x, y)f (y)dy.
0

Usaremos o seguinte procedimento ( que pode ser encontrado por exemplo, como no
livro Butkov-Fı́sica Matemática, página 511). Iremos trabalhar com a equação u′′ = f no
caso −u′′ = f basta substituir f por −f daı́ trocamos o sinal da função de Green.

1. Sendo o operador L = D2 + a1 (x)D + a0 (x), onde D é o operador derivada, primeiro


encontramos um sistema fundamental de soluções {u1 , u2 } de L(y) = 0.

2. Consideramos o intervalo (a, b). A equação L(y) = 0 com condições

α1 y(a) + β1 y ′ (a) = 0, (1.17)

α2 y(b) + β2 y ′ (b) = 0. (1.18)


CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 37

Procuramos y1 , y2 que satisfaçam (1.17), (1.18) respectivamente e sejam combinação


linear de u1 e u2 . Em nosso caso, temos α1 = α2 = 1 e β1 = β2 = 0 pois temos
y(a) = 0 = y(b) e temos ainda (a, b) = (0, 1).

3. Usamos a seguinte fórmula para obter a função de Green




 y1 (y)y2 (x)
 se a ≤ y ≤ x ≤ b
W (y1 , y2 )(y)
G(x, y) =

 y1 (x)y2 (y)
 se a ≤ x ≤ y ≤ b
W (y1 , y2 )(y)
onde

y1 (y) y2 (y)
W (y1 , y2 )(y) =

y1′ (y) y2′ (y)
é chamado de Wronskiano.

4. Escrevemos finalmente a solução da forma


∫ b
y(x) = G(x, y)f (y)dy.
a

Vamos aplicar entao tal procedimento com u′′ = 0.

1. Temos as soluções fundamentais {1, x}.

2. As combinações y1 (x) = x, y2 (x) = x − 1 satisfazem y1 (0) = 0 e y2 (1) = 1.

3. O Wronskiano resulta em


x x−1
W (y1 , y2 )(y) = = 1.

1 1

Logo temos a fórmula de Green



 y(x − 1) se 0 ≤ y ≤ x ≤ 1 (1a)
G(x, y) =
 x(y − 1) se 0 ≤ x ≤ y ≤ 1 (2a)

4. E temos a solução

∫ 1
y(x) = G(x, y)f (y)dy.
0
CAPÍTULO 1. EQUAÇÕES DIFERENCIAIS PARCIAIS 38

Perceba que


 x(y − 1) se 0 ≤ x ≤ y ≤ 1 (2a)
G(y, x) =
 y(x − 1) se 0 ≤ y ≤ x ≤ 1 (1a)

Logo G(y, x) = G(x, y).


Da identidade
∫ 1
y(x) = G(x, y)f (y)dy,
0

derivando duas vezes segue que


∫ 1
G′′ (x, y)f (y)dy = f (x),
0

portanto de modo informal, considerando

g ′′ (x, y) = δ(y − x) = δ(x − y) = g ′′ (y, x),

a simetria podendo ser interpretada como algo que leva a coerência dessa identidade.

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