0% acharam este documento útil (0 voto)
93 visualizações30 páginas

Regulamento das Edificações Urbanas em Moçambique

Este documento discute vários instrumentos técnicos e normativos importantes para a construção civil em Moçambique, incluindo o Regulamento Geral das Edificações Urbanas, o Código de Posturas da Cidade de Nampula, a Lei de Terras e a Lei de Ordenamento do Território. Ele fornece detalhes sobre os capítulos e artigos específicos de cada instrumento legal.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
93 visualizações30 páginas

Regulamento das Edificações Urbanas em Moçambique

Este documento discute vários instrumentos técnicos e normativos importantes para a construção civil em Moçambique, incluindo o Regulamento Geral das Edificações Urbanas, o Código de Posturas da Cidade de Nampula, a Lei de Terras e a Lei de Ordenamento do Território. Ele fornece detalhes sobre os capítulos e artigos específicos de cada instrumento legal.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

1

MÁRIO SILVESTRE SIMBINE

MARCELINO TOMÉ MARCELINO LYAULE

INSTRUMENTOS TÉCNICOS E NORMATIVOS


(Licenciatura em Ed. Visual 3º Ano)

UNIVERSIDADE ROVUMA

Nampula

2021
2

MÁRIO SILVESTRE SIMBINE

MARCELINO TOMÉ MARCELINO LYAULE

1º Grupo

INSTRUMENTOS TÉCNICOS E NORMATIVOS


(Licenciatura em Ed. Visual 3º Ano)

Trabalho de carácter avaliativo da


cadeira de Desenho de Construção
Civil, a ser apresentado na Faculdade
de Engenharias e Ciências
Tecnológicas, leccionada pelo
docente: Jurdy Mucussete

UNIVERSIDADE ROVUMA

Nampula

2021
3

ÍNDICE
[Link] ...........................................................................................................................4

[Link] TECNICOS E NORMATIVOS ................................................................ 5

[Link] ............................................................................................................................... 5

2.2.O papel das normas ................................................................................................................ 5

INSTRUMENTOS TÉCNICOS E NORMATIVOS EM MOÇAMBIQUE .............................5

3.2 Regulamento geral das edificações urbanas (REGEU) ......................................................... 5

3.2.1. Capítulo i ........................................................................................................................ 5

4.CÓDIGO DE POSTURAS CAMARARIA DA CIDADE DE NAMPULA ...........................9

4.1. Capítulo i- definições e conceitos ......................................................................................... 9

[Link] DE TERRA.........................................................................................................................14

[Link]ítulo i- disposições gerais .............................................................................................. 14

[Link]ítulo iii- direito de uso e aproveitamento da terra ......................................................... 17

6. LEI DE ORDENAMENTO TERRITORIAL ........................................................................17

[Link]ítulo i- princípios gerais ................................................................................................. 17

[Link]ítulo ii- sistema de gestão territorial .............................................................................. 22

[Link]ítulo iii- regime dos instrumentos de ordenamento territorial ....................................... 26

[Link]ão ...................................................................................................................................29

[Link].................................................................................................................................30
4

1. INTRODUCAO

O presente trabalho apresenta de um modo parcial os instrumentos técnicos e normativos


necessários no processo de elaboração, execução, controle, fiscalização de obras de construção
civil, sendo estes instrumentos orientadores para garantir segurança, conforto, saúde e bem-estar
dos utentes. Portanto, para a efectivação do trabalho recorreu-se a consultas bibliográficas, no
caso consulta de boletins da república.
E no que diz respeito ao eixo organizacional, o trabalho encontrasse organizado em: introdução,
desenvolvimento e por fim a conclusão seguida da bibliografia.
5

2. INSTRUMENTOS TÉCNICOS E NORMATIVOS

2.1. Conceitos

Normas “documento estabelecido por consenso e aprovado por um organismo reconhecido, que
fornece, para uso comum e repetitivo, regras, directrizes ou características para actividades ou
seus resultados, visando à obtenção de um grau óptimo de ordenação em um dado contexto.”

2.2. O papel das normas

De acordo com a definição das normas no site oficial da ABNT, as normas:

Tornam o desenvolvimento, a fabricação e o fornecimento de produtos e serviços mais eficientes,


mais seguros e mais limpos;

Facilitam o comércio entre países tornando-o mais justo;

Fornecem aos governos uma base técnica para saúde, segurança e legislação ambiental, e
avaliação da conformidade;

Compartilham os avanços tecnológicos e a boa prática de gestão;

Disseminam a inovação;

Protegem os consumidores e usuários em geral, de produtos e serviços; e

Tornam a vida mais simples provendo soluções para problemas comuns.

3. INSTRUMENTOS TÉCNICOS E NORMATIVOS EM MOÇAMBIQUE

3.1. Regulamento geral das edificações urbanas (REGEU)

3.2.1. CAPÍTULO I
Disposições gerais
6

Artigo 1

A execução de novas edificações ou de quaisquer obras de construção civil, a reconstrução,


ampliação, alteração, reparação ou demolição das edificações e obras existentes e bem assim os
trabalhos que impliquem alteração da topografia local, dentro do perímetro urbano e das zonas
rurais de protecção fixadas para as sedes de municípios e para as demais localidades sujeitas por
lei a plano de urbanização e expansão, subordinam-se às disposições do presente Regulamento;

Único. Fora das zonas e localidades a que faz referência este artigo, o presente Regulamento
aplica-se nas povoações a que seja tornado extensivo por deliberação dos Governos das
Províncias e, em todos os casos, às edificações de carácter industrial ou de utilização colectiva.

Artigo 2

A execução das obras e trabalhos a que alude o artigo anterior ano pode ser levada a efeito sem
previa licença das câmaras municipais, as quais incumbe também a fiscalização do cumprimento
das disposições deste regulamento.

1. Tratando-se de obras que, pela sua natureza ou localização, possam considerar-se de pequena
importância sob os pontos de vista da salubridade, segurança ou estética, designadamente
pequenas construções para serviços rurais, obras ligeiras de conservação ou outras de pequena
monta em construções existentes que ano afectem a sua estrutura nem o seu aspecto geral,
poderão as câmaras municipais dispensar a licença.

2. Compete as câmaras municipais fixar em regulamento os limites precisos da isenção a que se


refere o parágrafo anterior.

Artigo 3.

As câmaras municipais não poderão conceder licenças para a execução de quaisquer obras sem
que previamente verifiquem que elas ano colidem com o plano de urbanização geral ou parcial
aprovado para o local ou que, em todo o caso, não prejudicam a estética urbana.

Único: A concessão de licença para a execução de quaisquer obras será sempre condicionada à
observância das demais prescrições do presente regulamento, dos regulamentos municipais em
7

vigor e bem assim de quaisquer outras disposições legais cuja aplicação incumba à administração
municipal assegurar.

Artigo 3. a

É permitido as câmaras municipais recusar licenças para novas construções em zonas sujeitas a
plano de urbanização e expansão enquanto nelas não existam arruamentos e redes públicas de
água e de saneamento.

Artigo 4

A concessão da licença para a execução de qualquer obra e o próprio exercício da fiscalização


municipal no seu decurso não isentam o dono da obra, ou o seu proposto ou cometido, da
responsabilidade pela condução dos trabalhos em estrita concordância com as prescrições
regulamentares e não poderão desobrigá-los da obediência a outros preceitos gerais ou especiais a
que a edificação, pela sua localização ou natureza, haja de subordinar-se.

Artigo 5

Os pedidos de licença para a execução de obras serão acompanhados dos elementos estritamente
necessários ao exacto esclarecimento das condições da sua realização, conforme se dispuser nos
regulamentos municipais, na elaboração dos quais se terá em conta a importância, localização e
finalidade de cada tipo de obras.

Único: As câmaras municipais submeterão à aprovação da assembleia municipal os regulamentos


municipais cuja elaboração é prevista neste artigo.

Artigo 6

Nos projectos de novas construções e de reconstrução, ampliação e alteração de construções


existentes serão sempre indicados o destino da edificação e a utilização prevista para os
diferentes compartimentos.

Artigo 7
8

As obras relativas a novas edificações, a reedificações, a ampliações e alterações de edificações


existentes não poderão ser iniciadas sem que pela respectiva câmara municipal seja fixado,
quando necessário, o alinhamento de acordo com o plano geral, e dada a cota de nível.

Artigo 8

A utilização de qualquer edificação nova, reconstruída, ampliada ou alterada, quando da alteração


resultem modificações importantes nas suas características, carece de licença municipal.

1. As câmaras municipais só poderão conceder as licenças a que este artigo se refere em seguida
à realização de vistoria nos termos do § 1.º do artigo 51.º do Código Administrativo, destinada a
verificar se as obras obedeceram as condições da respectiva licença, ao projecto aprovado e as
disposições legais e regulamentares aplicáveis.

2. A licença de utilização só pode ser concedida depois de decorrido sobre a conclusão das obras
o prazo fixado nos regulamentos municipais, tendo em vista as exigências da salubridade
relacionadas com a natureza da utilização.

3. O disposto neste artigo é aplicável à utilização das edificações existentes para fins diversos
dos anteriormente autorizados, não podendo a licença para este efeito ser concedida sem que se
verifique a sua conformidade com as disposições legais e regulamentares aplicáveis.

Artigo 9

As edificações existentes deverão ser reparadas e beneficiadas pelo menos uma vez em cada
período de oito anos, com o fim de remediar as deficiências provenientes do seu uso normal e de
as manter em boas condições de utilização, sob todos os aspectos de que trata o presente
regulamento.

Revogado pelo Decreto-Lei n.º 555/99, de 16 de Dezembro, com as alterações introduzidas pelo
Decreto-Lei n.º 177/2001, de 4 de Junho.

Artigo 10

Independentemente das obras periódicas de conservação a que se refere o artigo anterior, as


câmaras municipais poderão, em qualquer altura, determinar em edificações existentes,
9

precedendo vistoria realizada nos termos do artigo 51.º, § 1.º, do Código Administrativo, a
execução de obras necessárias para corrigir mas condições de salubridade, solidez ou segurança,
contra o risco de incêndio.

1. Às câmaras municipais compete ordenar, precedendo vistoria, a demolição total ou parcial das
construções que ameacem ruína ou ofereçam perigo para a saúde pública.

2. As deliberações tomadas pelas câmaras municipais em matéria de beneficiação extraordinária


ou demolição serão notificadas ao proprietário do prédio no prazo de três dias, a contar da
aprovação da respectiva acta.

4. CÓDIGO DE POSTURAS CAMARARIA DA CIDADE DE NAMPULA

Capitulo I (Definições e conceitos)


ARTIGO 1

Código de Posturas ou simplesmente Código é o conjunto de normas e regulamentos jurídico-


administrativos que regem, de forma geral, a conduta dos cidadãos e das diversas entidades
públicas e privadas sediados ou com actividades na cidade de Nampula, cujas disposições são de
cumprimento obrigatório.

Direito de uso e aproveitamento de solos - direito que as pessoas singulares ou colectivas e as


comunidades locais adquirem sobre o solo urbano, com as exigências e limitações do presente
código e de mais legislação pertinente;

Licença - documento emitido e autenticado, com assinatura, numeração e carimbo da entidade


competente, em nome do titular a quem é concedido;

Obra – cada uma ou conjunto de escavações, edificações, canalizações, ou colocação de postes e


outros elementos similares.

Terrenos litigiosos – são terrenos disputados por duas ou mais pessoas, para os quais o Conselho
Municipal tenha conhecimento ou venha a ter conhecimento

4.1. CAPÍTULO 2 (Uso e aproveitamento do solo)


10

Secção ii

Transportes, comunicações e infra-estruturas urbanas, aeroporto, caminhos-de-ferro, estradas,


distribuição de água, drenagem, esgotos, distribuição de energia eléctrica, e outros que venham a
ser considerados como tais;

1. Indústrias;
2. Comércio e serviços;
3. Habitação;
4. Turismo e laser;
5. Protecção ambiental e reserva,
6. Agro-pecuária;
7. Locais de culto.

O uso e aproveitamento do solo urbano será feito nos termos deste Código de Posturas e em
harmonia com o estabelecido na legislação em vigor sobre Terras, Ambiente e demais legislações

ARTIGO 9

(Tipos de aproveitamento de solos)

Por imperativos naturais, geográficos, económicos e sociais, o Plano de Estrutura da Cidade de


Nampula considera os seguintes usos e aproveitamentos do solo:

ARTIGO 10

(Afastamento das obras)

O uso e aproveitamento do solo a que se destina cada terreno é aquele que estará definido no
Plano de Estrutura e dos respectivos planos parciais a serem aprovados pelo Conselho Municipal,
em conformidade com o artigo 20 da Lei nº 19/97 de 01 de Outubro.

Sob cominação de multa de um salário mínimo nacional, podendo o infractor ser obrigado a
recomeçar tudo de novo, nas zonas não abrangidas pelo disposto no número anterior ou sem
regulamentação urbanística específica observar-se-ão os seguintes princípios:
11

O afastamento frontal da construção principal, deve estar no alinhamento de cinco metros (ver o
REGEU) relativamente ao limite da vedação;

A distância lateral mínima entre a construção principal e o limite do talhão será de três metros;

Quando a construção principal não possua casa de banho interior, deverá ser construída
obrigatoriamente uma latrina separada da construção principal com um mínimo de dez metros de
distância;

É obrigatório a marcação de talhão, pelo menos através da plantação de espécies arbóreas,


arbustivas, sebes vivas e não espinhosas

ARTIGO 20

(Licenciamento)

À requerimento dos interessados, o Conselho Municipal autorizará as construções de carácter


definitivo, através da emissão de uma licença de construção, cuja minuta vai em anexo 2.

Somente os portadores da licença provisória ou de título de uso e aproveitamento de terra,


poderão obter junto do Conselho Municipal uma licença de construção.

A licença de construção será exigida ao concessionário, sob pena de multa de 800,00MT a


80.000,00MT, não só para obras novas como também relativamente as reconstruções, alterações,
ampliações, demolições e outros trabalhos que impliquem a modificação da topografia, em
conformidade com o 52 nº1 alínea a) do Decreto nº 2/2004 de 31 de Março

ARTIGO 22

(Categorias de construções)

Para efeitos de licenciamento, são estabelecidas pelo Conselho Municipal três categorias de
construções.

1. Categoria A: todas as construções definitivas cujo licenciamento obedece ao Regulamento


Geral de Edificações Urbanas e exige a observância da complexidade contida em cada
projecto de construção;
12

2. Categoria B: construções que devem possuir as seguintes características:


a. Ter área não superior a 80m²;
b. Ser de piso único;
c. Não serem destinadas ao uso público;
d. Não apresentarem vãos superiores a 9m2;
e. Não apresentarem estruturas de betão armado.
3. Categoria C: construção precária, de carácter não permanente, que não carecem de licença
nem projecto de construção mas exigem a concessão legal de um terreno, nos termos do
artigo 11 do presente Código de Posturas.

ARTIGO 23

(Responsabilidade dos técnicos)

Para o licenciamento das construções das Categorias A e B será exigida a responsabilidade de


técnicos registados no Conselho Municipal, inscritos nas Obras Públicas e com parecer das
respectivas Associações socioprofissionais e de acordo com o artigo 105 do Regulamento Geral
de Edificações Urbanas, especificamente autorizados para assinarem os projectos, e dirigirem as
obras que se pretende licenciar.

O técnico responsável da obra deverá presenciar a implantação da obra e enviar num prazo nuca
superior a 15 dias relativamente à data da implantação, ao Conselho Municipal, para juntada no
correspondente processo, o respectivo relatório.

Constitui ainda dever do técnico responsável, presenciar a vistoria da obra prevista no art. 16
deste Código.

A inobservância do disposto no presente artigo importa uma multa correspondente a dois salários
mínimos por cada uma das infracções.

ARTIGO 24

(Construções de categoria A e B)

Nas Zonas Urbanas (ZU) só serão autorizadas construções da Categoria A.


13

As construções de Categoria C carecem de uma licença provisória, que será emitida pelo
Conselho Municipal a requerimento do interessado.

Os afastamentos a serem respeitados com relação ao objecto da obra, deverão ser de:

3m com relação as laterais (direita e esquerda),

5m com relação a fachada frontal.

Único: O referido nos números anteriores deste artigo, deverá constar na placa de identificação
donde constará também o tipo de obra a ser executada, dono da obra, técnico responsável e prazo
da sua execução.

ARTIGO 27

(Construções ilegais)

O Conselho Municipal só poderá legalizar as construções ilegais do concessionário legal do


terreno, isto é, quem estiver na posse de licença provisória ou do título de uso e aproveitamento
correspondente à área do terreno em que a obra se situa, mediante a aplicação da multa prevista
no nº 3 do art. 20 do presente Código.

Antes de legalizar qualquer construção, o Conselho Municipal mandará realizar uma vistoria
para confirmar o título de uso e aproveitamento, os dados inscritos no pedido e obrigará o
requerente ao pagamento prévio das multas estabelecidas.

Único: Os processos documentais de legalização quer de concessão de terreno, quer de


construção, serão formados obedecendo as mesmas exigências.

ARTIGO 28

(Ligação de água, energia eléctrica, telefone e outros)

A ligação das redes de água, energia eléctrica, telefone e outros, só poderá ser efectuada em
construções devidamente licenciadas, depois de concluída a vistoria ao local.

A infracção ao número anterior dará lugar a multa de três salários mínimos com responsabilidade
solidária entre o proprietário/locatário da construção e empresa/serviço que fizer a ligação.
14

A expansão da rede de água, energia eléctrica e/ou telefone para área não cadastradas, ou com
ocupantes em situação irregular, carece de um parecer de serviços técnicos competentes e de uma
observação prévia do Conselho Municipal.

Únicas – As ligações de infra-estruturas feitas pelas empresas EDM, FIPAG e TDM e outras,
por si ou suas representantes, em áreas não urbanizadas, são da responsabilidade do requerente,
em caso de requalificação das mesmas.

ARTIGO 29

(Abertura de vias de acesso)

A abertura de vias de acesso, mesmo que secundárias, deve obedecer aos traçados previstos nos
planos de urbanização e receber um parecer dos serviços técnicos competentes e aprovação
prévia do Conselho Municipal,

Único: O não cumprimento do presente artigo penaliza o infractor na multa de cinco salários
mínimos, agravados pela ordem de encerramento quando a sua permanência se mostrar
inadequada.

5 LEI DE TERRA
5.1. Capítulo I- Disposições gerais

ARTIGO 1- Definições

Para efeitos da presente Lei, entende-se por:

1. Comunidade local: agrupamento de famílias e indivíduos, vivendo numa circunscrição


territorial de nível de localidade ou inferior, que visa a salvaguarda de interesses comuns através
da protecção de áreas habitacionais, áreas agrícolas, sejam cultivadas ou em pousio, florestas,
sítios de importância cultural, pastagens, fontes de água e áreas de expansão.

2. Direito de uso aproveitamento da terra: direito que as pessoas singulares ou colectivas e as


comunidades locais adquirem sobre a terra, com as exigências e limitações da presente Lei.
15

3. Domínio público: áreas destinadas à satisfação do interesse público.

4. Exploração florestal: actividade de exploração da terra visando responder às necessidades do


agregado familiar, utilizando predominantemente a capacidade de trabalho do mesmo.

5. Licença especial: documento que autoriza a realização de quaisquer actividades económicas


nas zonas de protecção total ou parcial.

6. Mapa de uso da terra: carta que mostra toda a ocupação da terra, incluindo a localização da
actividade humana e os recursos naturais existentes numa determinada área. 5

7. Ocupação: forma de aquisição de direito de uso e aproveitamento da terra por pessoas


singulares nacionais que, de boa fé, estejam a utilizar a terra há pelo menos dez anos, ou pelas
comunidades locais.

8. Pessoa colectiva nacional: qualquer sociedade ou instituição constituída e registada nos termos
da legislação moçambicana com sede na República de Moçambique, cujo capital social pertença,
pelo menos em cinquenta por cento a cidadãos nacionais, sociedadese ou instituições
moçambicanas, privadas ou públicas.

2.2.2. Capítulo II- Propriedade da terra e domínio público

Artigo 3- Princípio Geral

A terra é propriedade do estado e não pode ser vendida ou, por qualquer outra forma, alienada,
hipotecada ou penhorada.

Artigo 4- Fundo estatal de terra

Na República de Moçambique, toda a terra constitui o Fundo Estatal de Terras.

Artigo 5- Cadastro nacional de terras

1. O Cadastro Nacional de Terras compreende a totalidade dos dados necessários, nomeadamente


para:

a) Conhecer a situação económico-jurídica das terras;


16

b) Conhecer os tipos de ocupação, uso e aproveitamento, bem como a avaliação da fertilidade dos
solos, manchas florestais, reservas hídricas, de fauna e de flora, zonas de exploração mineira e de
aproveitamento turístico;

c) Organizar eficazmente a utilização da terra, sua protecção e conservação;

d) Determinar as regiões próprias para produções especializadas.

2. O Cadastro Nacional de Terras procede à qualificação económica dos dados a planificção e a


distribuição dos recursos do país.

Artigo 6- Domínio público

São do domínio público as zonas de protecção total e parcial.

Artigo 7- Zonas de protecção total

Consideram-se zonas de protecção total as áreas destinadas a actividade de conservação ou


preservação da natureza e de defesa e segurança do Estado.

Artigo 8- Zonas de protecção parcial

Consideram-se zonas de protecção parcial:

a) O leito das águas interiores, do mar territorial e da zona económica exclusiva;

b) A plataforma continental;

c) A faixa da orla marítima e no contorno de ilhas, baías e estuários, medida da linha das
máximas preia-mares até 100 metros para o interior do território;

d) A faixa de terreno até 100 metros confinante com as nascentes de água;

e) A faixa de terreno no contorno de barragens e albufeiras até 250 metros;

f) Os terrenos ocupados pelas linhas férreas de interesse público e pelas respectivas estações, com
uma faixa confinante de 50 metros de cada lado do eixo da via;
17

g) Os terrenos ocupados pelas auto-estradas e estradas de quatro faixas, instalações e condutores


aéreos, superficiais, subterrâneos e submarinos de electricidade, de telecomunicações, petróleo,
gás e água, com uma faixa confinante de 50 metros de cada lado, bem como os terrenos ocupados
pelas estradas, com uma faixa confinante de 30 metros para as estradas primárias e de 15 metros
para as estradas secundárias e terciárias;

h) A faixa de dois quilómetros ao longo da fronteira terrestre;

i) Os terrenos ocupados por aeroportos e aeródromos, com uma faixa confinante de 100 metros;

j) A faixa de terreno de 100 metros confinante com instalações militares e outras instalações de
defesa e segurança do Estado.

Artigo 9- Licenças especiais para o exercício de actividades nas zonas de protecção total e
parcial

Nas zonas de protecção total e parcial não podem ser adquiridos direitos de uso e aproveitamento
da terra, podendo, no entanto, ser emitidas licenças especiais para o exercício de actividades
determinadas.

5.2. Capítulo III- Direito de uso e aproveitamento da terra

Artigo 10- Sujeitos nacionais

1. Podem ser sujeitos do direito de uso e aproveitamento da terra as pessoas nacionais, colectivas
e singulares, homens e mulheres, bem como as comunidades locias.

2. As pessoas singulares ou colectivas nacionais podem obter o direito de uso e aproveitamento


da terra, individualmente ou em conjunto com outras pessoas singulares ou colectivas, sob a
forma de co-titularidade.

6. LEI DE ORDENAMENTO TERRITORIAL

6.1. Capítulo I- Princípios gerais


Artigo I- Definições

Para os efeitos da presente Lei, entende-se por:


18

Comunidade local: agrupamento de famílias ou indivíduos, vivendo numa circunscrição


territorial de nível de localidade ou inferior. que visa a salvaguarda de interesses comuns através
da protecção de áreas habitacionais, áreas agrícolas, sejam cultivadas ou em pousio. florestas,
locais de importância cultural, pastagens, fontes de água e áreas de expansão. Desenvolvimento
sustentável:' desenvolvimento baseado numa gestão ambiental que satisfaz as necessidades da
geração presente sem comprometer o equilíbrio do ambiente e a possibilidade das gerações
futuras satisfazerem também as suas necessidades.

Instrumentos de ordenamento territorial: elaborações reguladoras e normativas do uso do


espaço nacional, urbano ou rural, vinculativos para as entidades públicas e para os cidadãos,
conforme o seu âmbito e operacionalizados segundo O sistema de gestão territorial.

Ordenamento territorial: conjunto de princípios, directivas e regras que visam garantir a


organização do espaço nacional através de um processo dinâmico, contínuo, flexível e
participativo na busca do equilíbrio entre o homem, o meio físico e os recursos naturais. com
vista à promoção do desenvolvimento sustentável.

Planeamento territorial: processo de elaboração dos planos que definem as formas espaciais da
relação das pessoas com o seu meio físico e biológico, regulamentando os seus direitos e formas
de uso e ocupação do espaço físico.

Plano de ordenamento territorial: documento estratégico, informativo e normativo, que tem


como objectivo essencial a produção de espaços ou parcelas territoriais socialmente úteis,
estabelecido com base nos princípios e nas directivas do ordenamento do território.

Sistema de gestão territorial: quadro geral do âmbito das intervenções no territ6rio,


operacionalizado através dos instrumentos de gestão territorial, hierarquizado aos níveis nacional,
provincial, distrital e municipal.

Solo rural: parte do território nacional exterior aos perímetros dos municípios, cidades, vilas e
das povoações, legalmente instituída.
19

Solo urbano: toda a área compreendida dentro do perímetro dos municípios, vilas e das
povoações. Sedes de postos administrativos e localidades, legalmente instituídas.

Território: realidade espacial sobre a qual se exercem as interacções sociais e as do Homem com
o meio ambiente e que tem a sua extensão definida pelas fronteiras do país.

Bens tangíveis: colheitas, imóveis e benfeitorias efectuadas na área expropriada.

Bens Intangíveis: vias de comunicação e acessibilidade aos meios de transporte.

Ruptura da coesão social: aumento da distância do novo local de reassentarnento de estruturas


sociais e do núcleo familiar habitual, cemitérios familiares, plantas medicinais.

Artigo 2- Objecto

A presente Lei tem por objecto:

a) Criar um quadro jurídico-legal do ordenamento do território, em conformidade com os


princípios, objectivos e direitos dos cidadãos consagrados na Constituição da República;

b) Materializar, através dos instrumentos de ordenamento territorial, a Política de Ordenamento


Territorial.

Artigo 3- Âmbito

A presente Lei aplica-se a todo o território nacional e, para efeitos do ordenamento do território,
regula as relações entre os diversos níveis da Administração Pública, das relações desta com os
demais sujeitos públicos e privados. representantes dos diferentes interesses económicos, sociais
e culturais, incluindo as comunidades locais.

Artigo 4- Princípios

O processo de ordenamento do território obedece aos seguintes princípios:

a) Princípio da sustentabilidade e valorização do espaço físico, assegurando a transmissão às


futuras gerações de um território e espaço edificado, e devidamente ordenado;
20

b) Princípio da participação pública e consciencialização dos cidadãos, através de acesso à


informação, permitindo assim a sua intervenção nos procedimentos de elaboração, execução,
avaliação, bem como na revisão dos instrumentos de ordenamento territorial;

c) Princípio da igualdade no acesso à terra e aos recursos naturais, infra-estruturas, equipamentos


sociais e serviços públicos por parte d os cidadãos, quer nas zonas urbanas quer nas zonas rurais;

d) Princípio da precaução, com base no qual a elaboração, execução e alteração dos instrumentos
de gestão territorial deve priorizar o estabelecimento de sistemas de prevenção de actos lesivos ao
ambiente, de modo a evitar a ocorrência de impactos ambientais negativos. Significativos ou
irreversíveis, independentemente da existência da certeza científica sobre a ocorrência de tais
impactos;

e) Princípio da responsabilidade das entidades públicas ou privadas por qualquer intervenção


sobre o território, que possa ter causado danos ou afectado a qualidade do ambiente e
assegurando a obrigação da reparação desses mesmos danos e a compensação dos prejuízos
causados à qualidade de vida dos cidadãos;

f) Princípio da segurança jurídica 'como garantia de que na elaboração, alteração e execução dos
instrumentos de ordenamento e de gestão territorial sejam sempre respeitados os direitos
fundamentais dos cidadãos e as relações jurídicas validamente constituídas, promovendo-se a
estabilidade e a observância dos regimes legais instituídos;

g) Princípio da publicidade dos instrumentos de ordenamento territorial, através da sua


publicação no Boletim da República, afixação nos locais de estilo das administrações distritais"
das autarquias e por outros meios de publicidade, para amplo conhecimento dos cidadãos.

Artigo 5- Objectivos

1. O ordenamento do território visa a! segurar a organização do espaço nacional e a utilização


sustentável dós seus recursos naturais, observando as condições legais, administrativas, culturais
e materiais favoráveis ao desenvolvimento social e económico do país, à promoção da qualidade
de vida das pessoas, à protecção e conservação do meio ambiente
21

2. Constituem objectivos específicos da presente Lei:

a) Garantir o direito à ocupação actual do espaço físico nacional pelas pessoas e comunidades
locais, que são sempre consideradas com o elemento mais importante em qualquer intervenção de
ordenamento e planeamento do uso da terra, dos recursos naturais ou do património construído;

b) Requalificar as áreas urbanas de ocupação espontânea, degradadas ou aquelas resultantes de


ocupações de emergência; 16

c) Identificar e valorizar as potencialidades de actividade económica, social e cultural da


população rural, visando a sua maior e melhor inserção nos sectores mais dinâmicos da economia
nacional, para que se obtenha uma maior produtividade para benefício directo das próprias
comunidades em cujo território se identifiquem tais potencialidades;

d) Preservar o equilíbrio ecológico da qualidade e da fertilidade dos solos, da pureza do ar, a


defesa dos ecossistemas e dos habitats frágeis, das florestas, dos recursos hídricos, das zonas
ribeirinhas e da orla marítima, compatibilizando as necessidades imediatas das pessoas e das
comunidades locais com os objectivos de salvaguarda do ambiente;

e) Defender, preservar e valorizar o património construído e da paisagem natural ou transformada


pelo homem;

f) Compatibilizar e articular as políticas e estratégias ambientais e de desenvolvimento


socioeconómico, respeitando as formas actuais de ocupação do espaço;

g) Optimizar a gestão dos recursos naturais para que o seu uso e aproveitamento bem como a
defesa e a protecção do meio ambiente, se processe com a estrita observância da lei;

h) Gerir os conflitos de interesses, privilegiando sempre o acordo entre as partes, salvaguardando


os direitos de ocupação das comunidades locais.

Artigo 6- Dever de ordenar o território


22

1. Compete ao Estado e às Autarquias Locais promover, orientar, coordenar e monitorizar de


forma articulada o ordenamento do território, no âmbito das-suas atribuições e das competências
dos respectivos órgãos, nos termos da presente Lei.

2. Ao intervirem no ordenamento do território, o Estado e as Autarquias Locais, fazem-no no


sentido de garantir o interesse público, com respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos
cidadãos.

Artigo 7- Utilização dos recursos naturais

1. O ordenamento do território deve respeitar o uso e aproveitamento da terra e dos recursos


naturais nos termos da legislação em vigor, sem prejuízo da preservação da propriedade do
Estado.

2. O ordenamento do território deve garantir a organização do domínio público, designadamente


águas territoriais, as estradas, os caminhos públicos e servidões, os lugares sagrados e cemitérios.
as praias, zonas de protecção da natureza, de uso e interesse militar e das fronteiras, portos,
aeroportos, monumentos nacionais e outros, nos termos da legislação em vigor. 17

6.2. CAPITULO II- Sistema de gestão territorial


Artigo 8- Níveis de Intervenção

1. O ordenamento territorial compreende os seguintes níveis de intervenção no território,


nomeadamente;

a) Nacional;

b) Provincial;

c) Distrital;

d) Autárquico.

2. Para além dos níveis dispostos no número anterior, é ainda considerado o nível de intervenção
autárquica, que interage com o nível de inserção da autarquia respectiva.
23

3. Os diferentes níveis-de gestão territorial interagem no quadro de coordenação das suas


actividades, devendo os níveis inferiores compatibilizar as respectivas acções com as dos níveis
superiores.

4. A interacção ao mesmo nível de gestão territorial, interprovincial, interdistrital e autárquico, é


objecto de acções de compatibilização, cooperação e coordenação específica.

Artigo 9- Caracterização do ordenamento territorial

l. Ao nível nacional definem-se as regras gerais da estratégia do ordenamento do território, as


normas e as directrizes para as acções de ordenamento provincial, distrital e autárquico e
compatibilizam-se as políticas sectoriais de desenvolvimento do território.

2. Ao nível provincial definem-se as estratégias de ordenamento do território da província,


integrando-as com as estratégias nacionais de desenvolvimento económico e social e,
estabelecem-se as directrizes para o ordenamento distrital e autárquico.

3. Ao nível distrital elaboram-se os planos de ordenamento do território da área do distrito e os


projectos para a sua implementação, reflectindo as necessidades e aspirações das comunidades
locais, integrando-os com as políticas nacionais e de acordo com as directrizes de âmbito
nacional e provincial.

4. Ao nível autárquico estabelecem-se os programas, planos, projectos de desenvolvimento e o


regime de uso do solo urbano de acordo com as leis vigentes.

Artigo 10- Instrumentos de ordenamento territorial

1. O ordenamento territorial, de acordo com o seu nível de intervenção, é realizado utilizando os


instrumentos necessários à concretização dos objectivos do ordenamento do território, em
conformidade com sua regulamentação e baseia-se no princípio de que os instrumentos de
ordenamento territorial de nível inferior não devem contrariar as decisões e as directivas
emanadas do nível superior.

2. Constituem instrumentos de ordenamento territorial a nível nacional:


24

a) O Plano Nacional de Desenvolvimento Territorial, que define e estabelece as perspectivas e as


directrizes gerais que devem orientar o uso de todo o território nacional e as prioridades das
intervenções à escala nacional;

b) Os Planos Especiais de Ordenamento do Território, que estabelecem os parâmetros e as


condições de uso de zonas com continuidade espacial, ecológica ou económica de âmbito
interprovincial.

3. Constituem instrumentos de ordenamento territorial ao nível provincial os Planos Provinciais


de Desenvolvimento Territorial, de âmbito provincial e interprovincial, que estabelecem a
estrutura de organização espacial do território de uma ou mais províncias e definem as
orientações medidas e as acções necessárias ao desenvolvimento territorial, assim como os
princípios e critérios específicos para a ocupação e utilização do solo nas diferentes áreas, de
acordo com as estratégias. Normas e directrizes estabelecidas ao nível nacional.

4. Constituem instrumentos de ordenamento territorial ao nível distrital os Planos Distritais de


Uso da Terra, de âmbito distrital e interdistrital, que estabelecem a estrutura da organização
espacial do território de um ou mais distritos, com base na identificação de áreas para os usos
preferenciais e definem as normas e regras a observar na ocupação e uso do solo e a utilização
dos seus recursos naturais.

5. Constituem instrumentos de ordenamento territorial ao nível autárquico:

a) Os Planos de Estrutura Urbana, que estabelecem a organização espacial da totalidade do


território do município ou povoação. os parâmetros e as normas para a sua utilização, lendo em
conta a ocupação actual, as infra-estruturas e os equipamentos sociais existentes e a implantar e a
sua integração na estrutura espacial regional;

b) Os Planos Gerais e Parciais de Urbanização, que estabelecem a estrutura e qualificam o solo


urbano, tendo em consideração o equilíbrio entre os diversos usos e funções urbanas, definem as
redes de transporte, comunicações; energia e saneamento, os equipamentos sociais. com especial
atenção às zonas de ocupação espontânea como base sócio-espacial para a elaboração do plano;
25

c) Os Planos de Pormenor, que definem com pormenor a tipologia de ocupação de qualquer área
específica do centro urbano, estabelecendo a concepção do espaço urbano, dispondo sobre usos
do solo e condições gerais de edificações, o traçado das vias de circulação, as características das
redes de infra-estruturas e serviços, quer para novas áreas ou para áreas existentes, caracterizando
as fachadas dos edifícios e arranjos dos espaços livres.

6. Constituem instrumentos de carácter geral:

a) A Qualificação dos Solos, instrumento informativo e indicativo da utilização preferencial dos


terrenos, em função da sua aptidão' natural ou dá actividade dominante que nelas se exerça, ou
possa ser exercida para o seu mais correcto uso e aproveitamento e garantia da sustentabilidade
ambiental;

b) A Classificação dos Solos, instrumento que determina o regime político-administrativo de cada


parcela do território em duas categorias fundamentais, a de solo urbano e a de solo rural, tal como
definidas no artigo I da presente Lei;

c) O Cadastro Nacional de Terras, instrumento vinculativo e indicativo dos titulares dos direitos
de uso e aproveitamento da terra, a localização geográfica, a forma, as regras e os prazos para a
sua utilização, os usos ou a vocação preferencial para a utilização, protecção e conservação dos
solos;

d) Os Inventários Ambientais, Sociais e 'Económicos, instrumentos informativos. a elaborar pelos


vários órgãos sectoriais, através da recolha e tratamento de dados ambientais, sociais e
económicos;

e) O Zoneamento, instrumento de carácter informativo e indicativo elaborado com base na


qualificação dos solos, existência de recursos naturais e na ocupação humana, que qualifica e
divide o território em áreas vocacionadas preferencialmente para determinadas actividades de
carácter económico, social e ambiental.

7. Os instrumentos de carácter geral enunciados no nº 6 do presente artigo são acessíveis a todos,


os intervenientes no processo de ordenamento do território, para os fins dispostos na presente Lei.
26

8. O uso e aproveitamento do sole urbano é objecto de regulamentação específica, de acordo com


a política nacional de terras e a política do ordenamento do território, no âmbito do quadro legal
vigente.

Artigo 11- Vinculação dos Instrumentos de ordenamento territorial

Os instrumentos de ordenamento territorial, uma vez publicados no Boletim da República, têm o


efeito de lei e vinculam todas as entidades públicas, bem como os cidadãos, as comunidades
locais e as pessoas colectivas de direito privado.

6.3. CAPITULO III- Regime dos instrumentos de ordenamento territorial


Artigo 12- Regime jurídico

Compete ao Conselho de Ministros 'provar o regulamento do regime jurídico dos instrumentos de


ordenamento territorial.

Artigo 13- Competência para elaboração e aprovação dos Instrumentos de ordenamento territorial

1. A elaboração e a aprovação dos instrumentos de ordenamento territorial é da competência dos


seguintes órgãos:

a) Ao nível nacional são elaborados por iniciativa do Conselho de Ministros, sob a coordenação
do órgão que superintende a actividade de planeamento do território, depois de um processo de
apreciação pública, nos termos definidos no artigo 22 da presente Lei e aprovados pela
Assembleia da República;

b) Ao nível provincial são elaborados por iniciativa do Governo Provincial, sob coordenação do
órgão que superintende a actividade de planeamento do território ao nível provincial, com
audição das autarquias e dos distritos, ouvida a delegação ou representação do Conselho Nacional
de Desenvolvimento Sustentável, depois de um processo de apreciação pública, nos termos do
artigo- 22 da presem e Lei e aprovados pelas respectivas Assembleias Provinciais, a ratificar pelo
Conselho de Ministros, nos termos da presente Lei;

c) Ao nível distrital ser elabore dos por iniciativa do Governo Distrital, sob a coordenação do
órgão que superintende a actividade de planeamento do território ao nível distrital e aprovados
27

pelo Governo Distrital, depois de um processo de apreciação pública, nos termos do artigo 22 da
presente Lei, a ratificar pelo Governador Provincial;

d) Ao nível autárquico são elaborados e aprovados pelos órgãos competentes para o efeito de
planeamento do território ao nível autárquico. depois de um processo de apreciação pública, 21

Como definido no artigo 22 da presente Lei e, estão sujeitos à ratificação tutelar, nos termos
previstos na Lei nº 8/2003, de 19 de maio.

2. A elaboração dos instrumentos de ordenamento territorial, de carácter obrigatório para os nível


distrital e autárquico.

3. Os instrumentos de ordenamento territorial que resultarem de âmbito inter-provincial, inter-


distrital ou inter-municípal, seguem as regras previstas no presente artigo, para o respectivo nível
de ordenamento territorial.

Artigo 14- Ratificação

I. A ratificação dos instrumentos de ordenamento territorial ao nível provincial, distrital e


autárquico destina-se a verificar a sua conformidade com· as disposições legais e regulamentares
vigentes.

2. A ratificação dos instrumentos de ordenamento territorial pode ser parcial, aproveitando-se


apenas a parte que se mostrar conforme as leis e regulamentos em vigor.

3. A falta de ratificação dos instrumentos de ordenamento territorial fere de nulidade os


respectivos instrumentos e a sua natureza vinculativa.

4. Os prazos para a ratificação dos instrumentos de ordenamento territorial são fixados pelo
regulamento, a aprovar pelo Conselho de Ministros.

Artigo 15- Alteração

1. Os instrumentos de gestão do ordenamento territorial podem ser alterados sempre que as


perspectivas do desenvolvimento administrativo, económico, social e jurídico o justifiquem.
28

2. Os instrumentos de ordenamento territorial, vinculativos para os particulares, devem respeitar


um período mínimo de vigência de dois anos, durante o qual eventuais alterações têm carácter
excepcional.

3. O processo de alteração está sujeito aos mesmos requisitos para a elaboração e a aprovação do
respectivo instrumento, sob pena de nulidade.

Artigo 16- Revisão

Os instrumentos de ordenamento territorial devem ser revistos periodicamente, nos prazos e


condições previstas em regulamento específico. 22

Artigo 17- Suspensão

1. Os instrumentos de ordenamento territorial podem ser total ou parcialmente suspensos


temporariamente, em casos excepcionais e quando a sua execução possa pôr em causa a
prossecução de relevante interesse público.

2. As razões de relevante interesse público que determinem a suspensão de um instrumento de


ordenamento territorial devem ser indicadas na decisão a tomar pelo órgão competente do mesmo
nível ou superior ao do instrumento. publicadas no Boletim da República e devidamente
publicitadas através dos meios de comunicação social.

3. Excepto nos casos de calamidade pública, expressamente declarada nos termos da lei, o
processo de suspensão, que não observar os ditames do número anterior, incorre em nulidade.
29

7. Conclusão

Chegado a este ponto pode se entender que os elementos normativos e técnicos mencionados de
forma parcial ao longo do desenvolvimento do trabalho são de extrema importância visto que
servem como guia e caminho para as sociedades vivendo em harmonia e segurança. os elementos
normativos e técnicos não só proporcionam a boa qualidade das obras de construção civil mas
também é um jeito melhor de colocar directrizes e normas no que diz respeito a boas e ecológicas
maneiras de uso da biosfera que é o lugar onde todos nos vivemos, sendo assim há a necessidade
de haja certas regras, para o bem estar das nossas comunidades e perspectivar um futuro melhor.
30

8. Bibliografia

BOLETIM DA REPUBLICA DE MOÇAMBIQUE. Lei nº 19.1997- lei de terra, de 7 de Outubro


dde 1997.
BOLETIM DA REPUBLICA DE MOÇAMBIQUE. Lei nº 19/2007- ordenamento territorial, de
18 de julho de 2007.
Código de postura do conselho municipal da cidade de Nampula. Acesso via:
[Link] aos 04/12/2021, pelas 20h:47.

Você também pode gostar