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Carta de Amor a Ana

A carta descreve a amizade entre Ana e uma amiga que se desenvolveu em algo mais. No entanto, quando Ana se declarou, a amiga começou a evitá-la. Mais tarde, a amiga salvou Ana de ser atropelada por um carro, mas acabou sendo atingida.

Enviado por

Henrique
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Carta de Amor a Ana

A carta descreve a amizade entre Ana e uma amiga que se desenvolveu em algo mais. No entanto, quando Ana se declarou, a amiga começou a evitá-la. Mais tarde, a amiga salvou Ana de ser atropelada por um carro, mas acabou sendo atingida.

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Querida Ana

Querida Ana

Se me lembro bem tínhamos 17 anos, eu era nova na escola e você veio falar comigo, não me
lembro exatamente sobre o que falamos, mas me lembro do brilho em seus olhos e na animação
em sua voz.
Acabei te seguindo por toda a semana, eu adoraria poder reviver esse momento, eu amava
ouvir suas histórias malucas e quando você se distraia e começava a cantar sem perceber.
Quando percebi já havia passado um mês e nos tornamos amigas, você me chamou para ir na
sua casa passar o fim de semana. Depois da aula já fomos direto para sua casa, sua mãe
foi um doce de pessoa comigo, quando deu a hora de irmos dormir eu me ajeitei ao seu lado
na cama de casal e ficamos nos encarando por um tempo.
Naquela noite eu planejava te beijar, mas eu tive medo da sua reação então não o fiz, acho
que eu estava certa em não te beijar porque no mesmo fim de semana você me pediu conselhos
sobre como conquistar alguém.
Eu te disse para ser você mesma, não por ser uma frase clichê, mas porque foi sendo você
mesma que você me conquistou.
Aquele final de semana me rendeu muitas risadas uma blusa de uma banda que você disse
que eu gostaria e uma desilusão amorosa, a semana seguinte não foi muito diferente, fora
pelo fato que você me pediu mais conselhos sobre o que fazer com sua vida amorosa, como se
eu soubesse o que fazer com a minha.

Mais dois meses se passaram e você parou de me pedir conselhos e passava horas escrevendo
para sua “pessoa especial” era assim que você a chamava? De qualquer forma, eu também
escrevia algumas coisas para você, algumas delas estarão nessa carta.
Alguma vez já te disseram que você fica linda de cabelo solto? Se nunca disseram eu estou te
contando agora, me lembro de ter escrito algo sobre seu cabelo uma vez, acho que está na hora
de te entregar.

“Se eu pudesse passaria meu dia listando

Tosas as belezas do seu cabelo

Das pontas até a raiz ele é lindo

Nos dias de outono, via o vento balança-lo

Amo as voltas de seus cachos

Que perfeitamente caem em seus ombros

Da cor dos seus olhos

Mais brilhantes que os astros”

Cada dia que passava eu estava mais apaixonada por você, seu estilo era impecável, suas
conversas interessantes, me pergunto se você tinha algum defeito.

Me lembro do seu cheiro perfeitamente, era algo como o cheiro de livros novos e frutas
vermelhas, acho que nem em um milhão de anos eu conseguiria me esquecer do seu cheiro.

No meu aniversário nós combinamos de ver o pôr do sol juntas e virarmos a noite conversando
até podermos assistir ao nascer do sol, tudo estava indo bem, você estava com uma jaqueta
preta, uma camiseta e um short jeans. Você sentou ao meu lado na janela do meu quarto e
assistimos o sol se pôr, era lindo ver o céu por alguns minutos tomando uma coloração
alaranjada, que logo se transformou em um azul escuro, quando mal dava para enxergar o
sol me virei para você e neste momento percebi que eu realmente estava apaixonada por você,
eu me perdi completamente na sua beleza, a forma com que os últimos raios solares tocavam
sua pele de forma majestosa me fez acreditar que se existe algum tipo de divindade ela se
parece com você.

Quando me dei conta nossos rostos estavam estranhamente perto, em um impulso usei toda a
coragem que tinha para unir nossos lábios em um beijo rápido, mas ainda sim carregado de
sentimento. Acho que você não gostou muito do beijo, já que você se levantou, pegou suas
roupas e suas coisas saindo da minha casa.
Passei aquela noite em claro pensando em como me desculpar, no final das contas acabei
vendo o sol nascer sozinha.

Se passou uma semana do meu aniversário, uma semana que você foi seca comigo e tentou me
evitar, nessa semana eu notei que mesmo sem mim você parecia bastante entretida, eu fiquei
só te olhando de longe.

Antes de completar duas semanas você voltou a conversar comigo, era como se o beijo nunca
tivesse acontecido, nem consigo descrever o quão feliz eu fiquei ao ver você se aproximando de
mim aquele dia.

Naquele mesmo dia você me entregou sua jaqueta preta e me disse que era pra mim ficar com
ela até chegar o momento certo para lhe devolver, confesso que eu não tinha entendido na
época, mas agora eu entendo, é como se você soubesse do que viria a acontecer.

Notei que você começou a escrever com mais frequência e sempre me dizia que precisava
terminar o que tinha começado a escrever, mas assim que parava de escrever você olhava para
a folha, amassava ela e jogava no lixo.

Era o último dia de aula antes das férias de junho, você apareceu na escola com um chupão
em seu pescoço, ao ver aquela cena admito que fiquei chateada, mas também fiquei bastante
curiosa, quem seria o garoto misterioso que havia deixado uma marca em você, afinal?

Aquelas férias foram entediantes, quase não consegui falar com você, mas as poucas vezes
que nós falávamos você me contava sobre a viagem que fez com sua mãe e sobre as coisas que
fazia ai.

Assim como as férias o primeiro dia de aula foi um tedio, alguns professores perguntavam
sobre nossas férias ou nos pediam para escrever sobre elas, na saída da escola eu vi você
beijando um garoto, corri para casa o mais rápido que pude.

Quando eu cheguei em casa fui direto para o banho, a medida que a agua do chuveiro caia
sobre meu corpo minhas lagrimas desciam, na minha mente a cena de você beijando o garoto
não parava de passar.
No outro dia já pela manhã você decidiu me apresentar o tal menino, não me lembro se o nome
dele era Lucio ou Luiz, ele tinha uma gominha de cabelo no pulso, mas parece que só eu notei
esse detalhe, era estranho porque ele tinha cabelos curtos.

Se passaram cerca de três meses, o garoto tinha se declarado para você e você decidiu dar
uma chance a ele, eu sentia que tinha algo estranho, mas decidi não falar nada, eu achava
que poderia ser só ciúmes.

Um mês, foi o tempo que seu relacionamento com ele durou, ele havia te traído, ele andava
com suas gominhas de cabelo no pulso, a outra garota não pareceu se importar com isso
também. Você veio até minha casa e passamos a noite vendo filmes, do nada você tentou me
beijar, eu obviamente te afastei, afinal, não era um bom momento para isso.

Enquanto você dormia na minha cama acabei escrevendo outro poema sobre você, ate dormindo
você ficava bonita.

“Seu rosto tão sereno

Sua respiração calma

Teu sono ameno

Te ver assim me acalma

Consigo ouvir sua respiração

E é impossível não notar

O quão bela é sua feição

Que me tira o ar

E aquece o meu coração”

Acordei com seus braços em volta da minha cintura e sua cabeça estava apoiada em meu
peito, em poucos minutos você desperta de seu sono, como eu queria poder te ver assim
novamente.
Por um tempo tudo esteve calmo, como se já não existissem problemas para nos abalar,
voltamos a andar juntas pela escola e vez ou outra fazíamos chamadas. Você me disse que já
estava acabando o texto que a alguns meses tentava escrever, eu estranhei, afinal, não ela o
garoto a sua pessoa especial?

Ao mesmo tempo que eu queria descobrir para quem era a carta eu tinha receio de descobrir e
isso me deixar magoada, mal sabia eu.

Setembro já havia acabado, no início do mês nos estávamos mais próximas e vivíamos
visitando a casa uma da outra, nos emprestávamos livros, roupas, sapatos e até maquiagem,
mas você me disse que ainda não era a hora de eu lhe devolver sua jaqueta.

Um dia para minha surpresa você acabou me beijando, me deu a desculpa que era o álcool
que havia experimentado, eu fingi acreditar, mesmo sabendo que você não bebeu nada naquele
dia e que ainda era uma da tarde.

Depois disso, a pedido seu começamos a trocar selinhos, você disse que era coisa de amigas,
eu não consegui negar, quando percebi nos beijávamos com frequência.

Eu sentia que meu coração não iria aguentar por muito mais tempo, então decidi me declarar,
escrevi um bilhete que dizia tudo que eu amava em você, seu estilo, seu cheiro, seu cabelo,
seus olhos, seu sorriso e mais algumas coisinhas, colei o bilhete na porta do seu guarda roupa
e fui pra casa.

Chegando em casa olhei meu telefone, não tinha nenhuma mensagem sua, pensei que você
precisaria de um tempo, então decidi lhe dar todo o tempo que você precisasse.

Depois de um tempo tentei me comunicar com você, mas todas as vezes que eu tentava você me
ignorava e dava um jeito de sair, depois de algumas tentativas acabei desistindo, confesso
que doeu bastante não poder ir falar com você. Quase morri de preocupação quando você
faltou uma semana inteira de aula, perguntei a algumas garotas que andavam com você o que
tinha acontecido, elas me falaram que você estava com uma gripe forte ou algo do tipo.
Lembra de achar um recado e um chocolate no meio das suas coisas? Eu que mandei.
Quando te via pelos corredores eu acenava, normalmente não tinha nenhuma resposta, mas um
dia você decidiu acenar de volta, chega a ser surreal a forma que um único aceno me deixou
feliz pelo resto do dia, me relaxou saber que você não me odiava.

Com as provas finais vieram o mês de novembro, o clima estava quente, quente até demais,
começou a cair uma tempestade e rapidamente veio uma neblina, eu decidi enfrentar a chuva e
ir para casa mesmo assim, péssima ideia, além de estar encharcada e com frio eu não
consegui ver um carro se aproximando de mim. Você notou aquele carro, antes que ele me
atropelasse você pulou na frente dele e me empurrou, mas não deu tempo de eu te puxar para
o outro lado da rua.

Quando a ambulância chegou os paramédicos disseram que já não havia nada que pudesse ser
feito, eu disse a eles que você era uma heroína. Você salvou a minha vida, mas acabou
perdendo a sua, eu me perguntava inúmeras vezes o porquê de você ter feito isso, agora eu
entendo, pelo menos acho que eu entendo, eu faria o mesmo por você. Embora as vezes eu
ainda ache que foi por minha culpa.

Eu estava na sua casa ajudando sua mãe a escolher uma roupa para o seu enterro quando eu
achei seu diário em cima da sua cama, eu ia entregar para sua mãe mas ela me disse que
deveria ficar comigo, algo que só foi fazer sentido um tempo depois.

Eu estava ajudando as moças a arrumar o seu corpo, eu levei muitos girassóis, pedi a elas
para que colocassem em seu caixão, uma vez você me disse que gostava, pedi um momento a
sós com você, levantei seu corpo e por cima do vestido de alça preto que você usava coloquei
sua jaqueta, afinal já estava na hora de devolver, quando fui colocar em você percebi um
bolso secreto, nele havia uma moeda de ouro, me lembrei de uma das primeiras conversas que
tivemos, onde você disse que queria ser enterrada com um dracma na sua boca para pagar o
Caronte. Você realmente sabia de tudo, não é? Coloco a moeda em sua boca e dou um beijo em
sua testa.

Seu enterro foi tão triste e melancólico quanto deveria ter sido, olhar para seu corpo e saber
que você nunca mais poderia se levantar, se formar na escola e cantar suas músicas novamente
me deixou bem mais abalada do que eu achei que ficaria.
Você foi sepultada em um cemitério perto da minha casa, fiz questão que te colocassem em um
lugar bonito, perto de uma fonte, não que você possa ver, mas achei que gostaria de saber.

Eu ainda uso a blusa de banda que você me deu quando fui à sua casa a primeira vez.

Um dia depois do seu enterro eu tomei coragem para abrir seu diário, só tinha uma página
escrita, me lembro de cada palavra.

Eu lhe escrevi um último poema essa noite, meio mórbido, mas combina com a ocasião.

“Somos um casal sem muita sorte

A única mulher que já amei

Acabei de perder para a morte

A musa para qual minhas obras declarei

Estou sentada ao lado de seu tumulo

Com uma carta em mãos

Assistindo ao crepúsculo

E lembrando dos nossos momentos

Ao lado da pessoa para qual meu coração entreguei”

Pela última vez decidi ler a carta que você me escreveu, dessa vez em voz alta, na esperança
de que você saiba que eu recebi.
“Querida Laura

Eu estive escrevendo isso por um bom tempo, mas nunca parecia bom o suficiente,
vou direto ao ponto, eu te amo, te amo dês do dia do seu aniversário, quando você me
beijou na sua janela meu coração bateu tão forte que pensei que iria explodir, me
desculpe ter ido em bora. Eu tentei ficar com Luiz para tentar te esquecer, quando
descobri que ele me traia eu chorei, não por ele, eu chorei por não ter chegado nem
perto de conseguir tirar você da minha cabeça , cheguei até a te dar selinhos na
esperança de que o sentimento passasse, mas quando percebi eu já estava lhe
beijando, quando vi o recado que deixou no meu armário eu fiquei com medo de estar
te iludindo por ser algum tipo de fase, por isso me afastei, para tentar entender
melhor meus sentimentos, aproveitei a minha gripe para tentar escrever uma boa
declaração e também um pedido de desculpas, me perdoa por ter te ignorado? Bom,
não era só isso, eu queria saber, se caso você me perdoar se você gostaria de ser minha
namorada, te amo.

ASS: Ana”

Vou aproveitar esse momento para te dar minha resposta, eu adoraria ser sua namorada Ana,
nunca me esquecerei de você, te amo.

ASS: Laura

Vih Barbosa Reis, nascido em 27/01/2004 (17 anos),


Belo Horizonte, Minas Gerais. Atualmente estudante do
terceiro ano do ensino médio, comecei a escrever em
2017. “Querida Ana” é meu primeiro livro terminando, escrito em 2020.

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