CIRURGIA
CRIPTORQUIDIA
A criptorquidia é a anormalidade congênita mais comum do trato gênito-urinário.
Definições:
1. Criptorquidia: testículos que não estão dentro do escroto e não desceram espontaneamente
dentro do escroto até os 4 meses de idade (ou da idade corrigida para prematuros). Os
testículos podem estar ausentes ou podem, simplesmente, não terem descido.
2. Testículo ausente: pode ser uma condição causada por agenesia ou atrofia secundárias ao
comprometimento vascular intrauterino ([Link].: torção testicular). Meninos que tem os testículos
bilaterais ausentes apresentam anorquidia.
3. Testículo não-descendente: os testículos param sua descida fisiológica. Eles podem
permanecer na cavidade abdominal ou podem ser palpados no canal inguinal ou fora do anel
inguinal externo.
4. Testículo retrátil: testículos que são elevados a uma posição supraescrotal por um reflexo
cremastérico.
5. Testículo ascendente: logo no início da infância, os testículos são palpados em posição
escrotal mas, após algum tempo, ascendem e tornam-se testículos não-descendentes.
6. Testículo ectópico: os testículos descem normalmente pelo anel
inguinal externo, mas depois são desviados para uma posição anormal.
Eles podem ser palpados em região inguinal, suprapúbica, no canal
femoral, no períneo ou no compartimento escrotal contralateral –
acredita-se que o gubernáculo o prenda fora de posição fisiológica.
Entre 2 a 5% dos nascidos a termo e aproximadamente 30% dos prematuros
nascem com criptorquidia, mas durante o primeiro ano, aproximadamente em
70% deles, o testículo faz a descida espontânea. Dessa forma, o primeiro ano
de vida, apenas 1% dos bebês apresentam criptorquidia. O testículo direito é
o mais comum de estar fora da bolsa.
Dentre os fatores de risco, os mais comuns são prematuridade, crianças
pequenas para a idade gestacional ao nascimento, peso inferior a 2.5kg ao
nascimento. Além disso, exposição a alguns agentes químicos durante a
gravidez está associado a um maior número de criptorquidia.
Manifestações Clínicas:
• Escroto hipoplásico e vazio. Pode-se palpar o testículo em região
inguinal ou em abdome, em alguns casos.
• Proeminência do testículo contralateral.
Algumas complicações e sequelas da criptorquidia verdadeira (não incluindo
testículos retráteis ou ausentes) incluem hérnia inguinal (por persistência do
canal peritônio-vaginal), aumento do risco de torção testicular e trauma
testicular, infertilidade (há um potencial aumento de temperatura do testículo
fora da bolsa escrotal, com consequente diminuição das células de Sertolli),
potencial transformação neoplásica (principalmente em testículos que
permanecem intra-abdominais). Complicações de testículos ectópicos incluem
trauma por compressão contra o osso púbico e diminuição da
espermatogênese (diminuição da fertilidade), mas, nesse caso, não há
associação com transformação neoplásica.
Durante a anamnese, alguns dados são de extrema
importância:
• História familiar de criptorquidia;
• Perguntar aos pais se alguma vez ambos os testículos foram
palpados na bolsa escrotal;
• Cirurgia inguinal prévia (pode estar associada com
criptorquidia iatrogênica);
• Evidência de anormalidades endócrinas durante a gestação
([Link].: a exposição materna a andrógenos).
Tratamento: A principal meta do tratamento é alocar os
testículos em sua posição escrotal normal ou remover
remanescentes testiculares não-viáveis, reduzindo o risco de
futuras complicações e sequelas. Se feito no momento
adequado, pode inclusive reduzir o risco de infertilidade e
câncer de testículo. Normalmente o tratamento é cirúrgico.
Cirurgia: tratamento de escolha – menos risco que a terapia hormonal e apresentação de
melhores resultados.
• O tratamento cirúrgico deve ser feito o quanto antes, dos 4 meses aos 2 anos da
criança (preferencialmente antes do primeiro ano).
• Orquidopexia: reposicionamento dos testículos palpáveis, manipulando-os até o
escroto.
• Abordagem inguinal ou laparoscópica para testículos não-palpáveis.
Tratamento hormonal com gonadotrofina coriônica: não é mais recomendado por falta de
evidências.