Autenticação Biométrica por Impressão Digital
Autenticação Biométrica por Impressão Digital
Orientado por
Arnaldo Abrantes, Artur Ferreira
aja@[Link], arturj@[Link]
Dezembro de 2003
ISEL Projecto Final de Curso
Resumo
autenticação/identificação pode ser realizada de várias formas: aquilo que se possui; aquilo
que se sabe; aquilo que se é - características biométricas, tais como: íris, impressão digital
e outras).
século.
Neste trabalho trata-se a autenticação com impressão digital. São apresentadas duas
em textura orientada.
de baixa qualidade.
Índice
RESUMO ..........................................................................................................................................................I
ÍNDICE ..........................................................................................................................................................III
1 - INTRODUÇÃO.......................................................................................................................................... 1
1.1 – BIOMETRIA ........................................................................................................................................... 2
1.2 – RESUMO HISTÓRICO DO USO DAS IMPRESSÕES DIGITAIS NA IDENTIFICAÇÃO.................................... 3
1.3 – ORGANIZAÇÃO DO RELATÓRIO ........................................................................................................... 5
2 - IMPRESSÃO DIGITAL............................................................................................................................ 7
7 - REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 59
1 - Introdução
A necessidade de autenticação/identificação está associada à possibilidade de acesso
indivíduo é quem ele diz ser. Realiza-se através da comparação de dois identificadores,
A chave é uma das primeiras formas usadas para conseguir acesso restrito. Pela
combinação única, entre chave e fechadura, o portador da chave tem acesso a algo, que os
outros não têm; esta forma de autenticação é caracterizada pelo que se possui. A
desvantagem desta forma de controlo de acessos é o furto ou a perda da chave, para além
Uma das evoluções introduzidas pelos cartões magnéticos e chip cards traduz-se na
Number), o qual autentica o portador como legítimo utilizador porque só ele o sabe. Este
autenticar o suporte físico; a autenticação é feita com base naquilo que o utilizador sabe. A
memorizar para os diferentes serviços. Para garantir segurança, estas devem ser alteradas
frequentemente e memorizadas.
1.1 – Biometria
biometria é a técnica que autentica/identifica uma pessoa baseada nas suas características
biológicas, (tais como, impressões digitais, íris e outros) ou comportamentais, tais como a
governos e empresas apostam na biometria: este ano (2003) a União Europeia informou a
identificação biométrico.
É neste âmbito que surge este trabalho, cujo objectivo é implementar um sistema
Em 1902 um tribunal de Londres aceita pela primeira vez a impressão digital como meio
de identificação. O homem que impulsionou o uso deste meio, na Scotland Yard, foi
Edward Henry (1850-1931), após de 27 anos na Índia, onde tinha começado a usar as
carteiristas, dos quais, 29 são encontrados nos registos da Scotland Yard. Este novo
método começa a dar provas da sua eficácia. Alguns meses mais tarde, um tribunal de
Londres, condena pela primeira vez um criminoso com base nas provas deixadas no lugar
do crime.
O primeiro a estudar sistematicamente as linhas em relevo existentes nas pontas dos dedos
existência de estrias nos dedos e notou que estas se organizavam em três tipos: espirais,
sobre as cristas existentes nos dedos. Seriam suficientes para identificarem univocamente
uma pessoa? Mudariam com o tempo? É aqui que Herschel ganha relevância no estudo das
unicidade.
Com Herschel, as impressões não passaram de meios de intimidação e confronto entre duas
impressões digitais com milhares de outras arquivadas. Com essa dificuldade a aplicação
Algumas das questões em aberto foram resolvidas algum tempo depois por um médico,
cujo o nome era Henry Faulds (1843-1930). Motivado por um caso que incriminava um
funcionário do hospital de que era responsável e depois de provar a sua inocência através
dedicaria toda a sua vida a criar um sistema de identificação baseado nessas marcas
pessoais. Faulds estudou ao longo da sua vida um universo grande de indivíduos e provou
que os dermatóglifos não mudam durante a vida. Ele próprio e os seus colaboradores
removeram as ridges da pele, usando desde ácido até à pedra-pomes e reparou que elas
foi outro dos contributos de Faulds, de forma a tipificá-las em grupos e assim facilitar a
classificação, a inovação dá-se com o estudo das anomalias que ocorrem na terminação ou
bifurcação das linhas da impressão digital, que ainda hoje é seguido no essencial. É com
estas bases que Edward Henry fundamenta o seu trabalho na Scotland Yard. Desenvolveu,
restante texto está organizado da forma que a seguir se apresenta. O capítulo 3 aborda a
autenticação por Impressão digital, com duas abordagens: baseada nas minúcias; baseada
bibliográficas.
2 - IMPRESSÃO DIGITAL
O processo de formação dos dermatóglifos acontece até aos sete meses de gestação e
mantém-se ao longo de toda a vida. O crescimento das células das impressões digitais
no qual o feto está envolvido e que varia de dedo para dedo. O micro-ambiente é a razão
A impressão digital é formada por um conjunto de cristas ou ridges, usando o termo inglês.
em largura desde 100 micro metros, para cristas muito finas, até 300 micro metros, para
aparecimento das anomalias locais que são a terminação ou bifurcação de uma crista,
conhecidas por minúcias. Estes dois tipos de minúcia subdividem-se dando origem pela
sua conjugação a outras anomalias menos frequentes [2], tal como apresentado na figura
2.1.
Para lidar com as dificuldades da detecção automática dos diferentes tipos, são utilizados
considera apenas terminações e bifurcações – cada minúcia é caracterizada pelo seu tipo,
Do ponto de vista global, as cristas formam padrões geométricos, onde são identificados
três tipos de pontos: Loop; Whorl e Delta, conhecidos por pontos de singularidade,
extracção da área a analisar. As impressões digitais são classificadas com base nos seus
padrões globais. Existem três classes básicas que depois se subdividem em cinco [3]. As
três classes são: Arch , Loop e o Whorl, tal como mostrado na figura 2.3, e que se
Neste trabalho usam-se cinco classes – Arch, Tented Arch, Left loop, Right loop, Whorl,
identificadas pelo National Institute of Standards and Technology (NIST) para comparação
Figura 2.4 – Classes definidas pelo NIST, da esquerda para a direita: Arch, Tented Arch,
Left loop, Right loop, Whorl.
digitalização das mesmas. A impressão digital é guardada numa matriz de intensidade com
de 0 a 255. Valores próximos de 0, são pixels escuros e fazem parte de uma crista, valores
A classificação da impressão digital é realizada com base nos padrões globais e é utilizada
impressão digital: assistida e automática. A assistida é feita por peritos que, por inspecção
visual, determinam se uma impressão é ou não igual a outra, através das minúcias.
digital de imagem.
Esta forma tem a vantagem de libertar o ser humano de tarefas rotineiras e diminuir o
detecção estrutural da impressão digital (minúcias); (2) por textura orientada que tira
(a) (b)
Figura 3.1: Exemplo da localização das características com base no ponto de referência:
(a) minúcias; (b) textura orientada.
impressão deve ter sempre a mesma localização relativa na imagem. A detecção do ponto
que afectam o seu cálculo. Se a impressão digital estiver danificada por cortes ou outro tipo
de agressões, a detecção do ponto de referência é prejudicada. Por outro lado, existe ruído
A abordagem usada neste trabalho é a de [4], que consiste em encontrar o ponto de maior
curvatura côncava.
Da observação da figura 2.4, verifica-se que, para todas as classes de impressão digital,
ponto de referência.
Matrix O Ponto de
Matrix I Matrix O’ Matrix E Matrix V
dim P x Q referência
dim M x N dim P x Q dim P x Q dim P x Q
(x,y)
Determina Calcula
Suaviza Detecção de
orientação local componente seno Filtro de variância
orientação Maximo
dos blocos
O Bloco orientação local (1) recebe a imagem da impressão digital em níveis de cinzento
Entrada:
1. Calcular os gradientes σ x (i, j ) e σ y (i, j ) para cada pixel I(i,j); foi usado o operador de
Sobel.
w w
i+ j+
2 2
ν x (i, j ) = ∑ ∑ (σ (u, v ) − σ (u, v ))
2
x
2
y (3.1)
w w
u =i − v = j −
2 2
1 v y (i, j )
ο (i, j ) = tan −1 ( ) (3.3)
2 vx (i, j )
Y
r
v = (x, y )
y
θ
x X
r
u = (− x,− y )
Dado que a informação do sentido não é importante, isto é, as transições claro para escuro
e escuro para claro têm o mesmo significado para o propósito da autenticação, e orientação
x
cos(θ ) = r (3.7)
v
Substituindo nas equações (3.4) e (3.5) as equações (3.6) e (3.7) obtém-se
2 xy x2 − y2
sen(2θ ) = r 2 e cos(2θ ) = r2 (3.8)
v v
sen(2θ ) 2 xy
Dado que tg (2θ ) = = 2 substituindo x e y respectivamente pelos gradientes
cos(2θ ) x − y 2
2σ xσ y 1 2σ xσ y
em x e em y do bloco temos , resultando θ= tan −1 ( 2 ).
σ x2 −σ y2 2 σ x −σ y2
provocadas por ruído. Recebe a matriz orientação do campo, transforma a orientação nas
suas componentes em x e y e aplica um filtro passa baixo e devolve uma matriz com as
orientações suavizadas.
definido por:
wΦ × wΦ ; ( wΦ = 5 ).
Φ ′y (i, j ) = ∑u =Φ− w ∑ W (u , v )Φ y (i + u , j + v )
w 2 wΦ 2
2 v = − wΦ 2
(3.13)
Φ
1 Φ ′y (i, j )
O ′(i, j ) = tan −1 (3.14)
2 Φ ′x (i, j )
A figura 3.4 apresenta imagens de duas impressões digitais antes e depois da suavização da
orientação.
Figura 3.4 - Resultado obtido pelo método apresentado no cálculo da orientação das
cristas para duas imagens:(a) antes da filtragem e (b) após a filtragem.
campo suavizada.
EQ(i, j ) = ∑u = − w 2 ∑v = − w 2 (K (u, v ) ⋅ ε 2 (i − u , j − v ))
w2 w2
(3.17)
m E (i, j ) = ∑u = − w 2 ∑v = − w 2 (K (u , v ) ⋅ ε (i − u, j − v )) , em que
w2 w2
(3.18)
w = 5.
correlação cruzada com essa máscara, dando origem à matriz Z . O máximo da matriz Z
Figura 3.5 - Exemplo do resultado dos vários passos no método de cálculo do ponto de
referência, (a) imagem original, (b) gradiente na horizontal ∂ x , (c) gradiente na vertical
∂ y , (d) orientação do campo O , (e) orientação do campo após filtragem O ′ e (f) após o
filtro de variância .
campo antes e após a filtragem de média; mostra-se o ponto de referência após o filtro de
variância e antes de se detectar o máximo, onde se pode ver a branco a zona onde se situa o
ponto de referência. Na figura 3.6, mostra-se o ponto de referência obtido para quatro
a) b)
c) d)
situações. Estas são algumas das perguntas para as quais houve preocupação em obter
resposta:
capítulo 2 ?
Para dar resposta a estas perguntas, foi desenvolvido um conjunto de testes, que se passam
a descrever. Para verificar o comportamento do algoritmo nas cinco classes foi criada uma
base de dados. Esta designa-se por base de dados 1 e é constituída por 100 impressões
digitais sintéticas, geradas com o programa SfingeV2.0 [5], segundo a sua distribuição na
avaliar o desempenho do algoritmo nas várias classes, com imagens sem ruído. A má
Para testar o algoritmo com imagens reais, foi criada a base de dados 2, com 130
impressões digitais recolhidas num sensor do tipo óptico. A base de dados 3 foi criada,
com 240 impressões digitais; foram usados 4 dedos e por cada dedo foram recolhidas 60
o ponto de referência, em cada uma das impressões da base de dados 1, é bem localizado.
indica se o ponto está localizado na zona de maior curvatura côncava da imagem. O ponto
é considerado bem localizado apenas quando ambas concordam que está bem localizado.
Caso contrário é considerado mal localizado. A tabela 3.1, apresenta os resultados obtidos.
Localizaç
número de
distribuição da Localização ão
classe impressões
classe (%) correcta (%) incorrect
digitais
a (%)
right loop 37 37,0 97,3 2,7
whorl 33 33,0 100,0 0,0
left loop 17 17,0 100,0 0,0
tented arch 8 8,0 87,5 12,5
arch 5 5,0 0,0 100,0
Tabela 3.1 - Resultados do teste de localização do ponto de referência em cada uma das
classes de impressões digitais – imagens sintéticas; total de 100 imagens.
O ponto de referência é localizado com taxas de sucesso acima dos 80% em todas as
classes, à excepção da classe Arch. Esta classe tem ocorrência de 5%, sendo a mais rara na
constrangimento para um sistema que pretende ser universal. A razão porque este
da classe Arch, é porque se baseia no ponto de maior curvatura côncava. A observação das
impressões digitais da classe Arch, (ver a figura 3.7), leva a concluir que não existe um
número de
distribuição da Localização Localização
classe impressões
classe (%) correcta (%) incorrecta (%)
digitais
left loop 49 37,69 81,63 18,37
whorl 38 29,23 76,32 23,68
right loop 36 27,69 94,44 5,56
tented arch 6 4,62 100,00 0,00
arch 1 0,77 0,00 100,00
Tabela 3.2 - Resultados do teste de localização do ponto de referência em cada uma das
classes de impressões digitais – imagens reais.
este pressuposto. A figura 3.8 mostra algumas das impressões da base de dados 2; as três
Mostram-se também imagens, (as três superiores), que apesar do ponto bem localizado não
seria possível extrair área útil centrada nesse ponto, para análise. Este constrangimento é
ultrapassado com um sistema mecânico rígido que dificulte a não cooperação do utilizador
e facilite o contacto no que diz respeito à área recolhida e qualidade da imagem. Através de
pré processamento sobre a imagem, é possível validar a sua área útil e/ou qualidade de
aquisição.
Neste teste avalia-se o desempenho do algoritmo face à rotação da imagem, nas várias
classes de impressão digital. O algoritmo é tanto melhor quanto maior for a consistência da
localização do ponto de referência nas versões rodadas da imagem. Dado que não é
garantir que esta sofra apenas rotação, usa-se a função imrotate() do Matlab para criar
uma dada rotação da imagem, e compara-se com a localização medida depois de submeter
com espaçamento de 1º. Não se consideram rotações maiores porque tal implicaria que o
dedo se encontrasse fora da área do sensor. A medida usada para aferir a proximidade entre
Q3 Q2
ρ
α
pontoref . = (lin, col )
Q4 Q1
X
x = lin − x0 e y = col − y 0 .
y
4. Determinar ρ = x 2 + y 2 e α = tg −1 , a tangente inversa deve ser obtida em
x
col ′ = y ′ + y 0 .
A figura 3.9 mostra os resultados dos testes efectuados, em impressões digitais de classes
se que para as classes right loop, left loop e tented arch os erros só são significativos acima
recolha de imagem do sensor. Para a classe Whorl o algoritmo revela-se algo irregular:
com 4 impressões desta classe o comportamento é similar ao das outras classes; nas outras
imagens existem diferenças grandes, para rotações abaixo dos 30º, correspondentes a
situações em que falha a detecção do ponto de referência. Estes ensaios são úteis porque
verificam onde o algoritmo apresenta falha e que é necessário ter em conta na análise dos
250
150
100
50
0
50 40 30 20 10 0 -10 -20 -30 -40 -50
Rotação (degrees)
a)
300
250
Distância (pixels)
200
150
100
50
0
50 40 30 20 10 0 -10 -20 -30 -40 -50
Rotação (degrees)
b)
250
200
Distância (pixels)
150
100
50
0
50 40 30 20 10 0 -10 -20 -30 -40 -50
Rotação (degrees)
C)
180
160
120
100
80
60
40
20
0
50 40 30 20 10 0 -10 -20 -30 -40 -50
Rotação (degrees)
d)
4 - Sistema de autenticação
Neste capítulo descreve-se o sistema de autenticação desenvolvido, cujo modelo básico é
Iguais
Extracção de Modo de comparação Comparador /
caracteristicas diferentes
Modo de extracção
Base de dados
Em caso afirmativo as impressões são classificadas como iguais, caso contrário são
diferentes.
cristas. Nas secções 4.1 e 4.2 são descritos os processos que usam estas características,
respectivamente.
das minúcias, sendo usadas na identificação criminal. Trata-se de inspecção visual, para
determinar se duas impressões digitais são iguais ou não. Para que uma impressão digital
seja considerada igual a outra, existe um número mínimo de minúcias iguais que têm de ser
encontradas e não pode ser encontrada nenhuma diferente. O número mínimo de minúcias
impressões digitais diferentes. Quanto mais minúcias forem consideradas, mais baixa é a
probabilidade das impressões serem consideradas iguais quando na realidade são diferentes
(falsa aceitação). Existem vários modelos que determinam esta probabilidade para um
analisar deve conter o número suficiente de minúcias para que a autenticação seja válida.
Na extracção das minúcias é necessário ter em atenção que, a deformação, provocada pela
pressão do dedo na superfície do sensor, origina imagens diferentes para o mesmo dedo. A
sujidade, suor, cortes e outras marcas provocadas por acidentes também danificam as
minúcias.
Vector de
características
melhoramento da binarização da extracção das
esqueletização
imagem imagem minúcias
Extracção de
características
obter uma qualidade mínima. Para sobressair as cristas dos vales usa-se filtragem orientada
realizada, por exemplo com filtros de gabor [7], com diferentes orientações. O passo
seguinte consiste na binarização, a qual transforma a imagem noutra com dois níveis de
valor 0 se a intensidade desse pixel for menor que o nível de decisão e o valor 1 se a
intensidade for maior. O nível de decisão é calculado pela função MATLAB graythresh,
que recebe a imagem de níveis de cinzento e devolve o limiar de decisão. Esta função usa o
método de Otsu [6]. Para facilitar a extracção de minúcias e minimizar os erros (detecção
imagem e procura padrões guardados numa tabela: terminações, bifurcações, ilhas; quando
encontra um destes padrões, extrai a sua posição e cria uma entrada no vector de
figura 4.3.
1 coord x coord y orientação tipo minucia ... n coord x coord y orientação tipo minucia
resultados práticos foram divididos em duas fases. Na primeira, foram testados os blocos
(imagens sintéticas criadas com o programa Sfinge v2.0, disponível no site da universidade
de Bolonha [5]). Na segunda fase, foi testado o bloco de melhoramento da imagem, com
imagem binária, para realizar a operação ‘thin’, a qual reduz as cristas a um pixel de
a) b)
funções MATLAB makelut e applylut. A primeira recebe uma função e a dimensão de uma
matriz, (neste caso 3) e cria uma tabela com 512 entradas. Cada entrada contém o valor 0,
terminação, ilha ou bifurcação. Na tabela, o valor de cada entrada é calculado pela função
para decimal; cada número representa uma possível minúcia que pertence a um dos tipos
referidos anteriormente. A figura 4.5 mostra como são codificadas as minúcias do tipo
terminação, tendo em consideração o peso de cada pixel num bloco 3x3 e as posições que a
17 18 20 24
48 80 144 272
b)
Figura 4.5 – a) Peso dos pixels no bloco, b) codificação da minúcia tipo terminação.
imagem analisando blocos centrados nos vários pixels. A análise consiste em converter o
conteúdo do bloco num número decimal e indexar à tabela obtendo o tipo. Cada pixel da
detecção das minúcias é comprovado na figura 4.6, na qual as minúcias são identificadas
na imagem original, distinguindo-se o seu tipo pela cor (ou tonalidade claro/escuro).
aos apresentados na figura 4.6, isto é, as minúcias são correctamente identificadas (posição
e tipo). A figura 4.7 mostra imagens reais, antes e depois de aplicado o algoritmo de
a) b)
Figura 4.6 – a) Imagem onde cada minúcia é identificada por uma etiqueta. b) Impressão
digital com as minúcias identificadas, terminação (vermelho/ponto claro), bifurcação
(azul/ponto escuro).
a) b) c) d)
Os resultados obtidos verificam que para autenticar com impressões digitais reais é
minúcias tem alta dependência com a qualidade da imagem. Os resultados obtidos com
imagens reais mostram que sem pré-processamento, a autenticação pelo método das
minúcias não é fácil. A implementação do método aqui descrito ficou na detecção das
minúcias.
textura orientada pode ser usada para distinguir componentes com diferentes frequências
resultar em erros, porque é muito dependente do ruído existente; por outro lado a
classificação baseada apenas em informação global é muito limitada, já que não descrimina
todo o pormenor e pode levar a que duas imagens diferentes sejam classificadas iguais.
A impressão digital pode ser encarada como textura: localmente as impressões digitais
podem ser vistas como um conjunto de cristas e vales paralelos com frequência espacial e
orientação bem definidas. Globalmente, as cristas e vales formam um padrão descrito pela
mudança de direcção das cristas e vales ao longo da imagem. Um filtro de Gabor [7],
uma vez que estas podem ser vistas como anomalias entre duas cristas paralelas. Este é o
princípio base para a extracção de características da impressão digital, com base na textura
orientada.
designado por FingerCode, que identifica a impressão digital, usando informação local e
O método consiste, conforme mostra o diagrama de blocos da fígura 4.8: (1) calcular o
ponto de referência (apresentado no Cap. 3); (2) dividir em células uma região circular
circular; (4) captar a informação local da imagem (cada célula) por um conjunto de filtros
valor de 0 a 255 usando a medida estatística desvio médio absoluto da intensidade média
da célula. Cada valor quantificado é organizado num vector. O vector é composto pelo
8
3 bandas x 16 sectores =
48 células 1 .. .
Filtro de Gabor Quantificação
Divisão da área Fingecode
Calculo do ponto Normalização da Filtro de Gabor usando desvio médio
considerada em
de referência intensidade orientado 0º absoluto da intensidade
células
média da célula
Extracção de
características
Com centro nele é extraída a região de interesse que consiste numa área circular de B
células.
Onde,
Ti = i div k
θ i = (i mod k ) × (2π k )
r= ( x − x c )2 + ( y − y c )2 ,
θ = tg −1 (( y − y c ) ( x − xc ))
A figura 4.9 mostra a região de interesse para duas impressões digitais. O número de
bandas deve ser escolhido de forma a que a área seleccionada não saia fora da imagem;
tal acontece se o número de bandas for grande. Por outro lado, o número de bandas não
pode ser pequeno, porque é necessário captar informação suficiente para bom
ser escolhido tendo em atenção que se for muito grande implica células mais pequenas
onde a influência do ruído é maior; por outro lado um número pequeno de sectores
implica células maiores, o que pode levar a que se perca informação local
discriminatória. Segundo [4], a largura das bandas (parâmetro b) deve ser tal que, em
média, deve conter uma crista, um vale e uma minúcia. A distância entre cristas
praticamente não varia entre impressões lidas com a mesma resolução. Existe portanto,
uma distância entre cristas que pode ser considerada óptima, observada nas impressões
Autenticação com impressão digital Página 40
ISEL Projecto Final de Curso
recolhidas com o sensor óptico, para o qual a distância média de pixels entre cristas foi
cada célula da região seleccionada para remover o ruído introduzido pelo sensor, bem
V0 × ( I ( x , y ) − M i )
2
M 0 + , se I ( x, y ) > M i
Vi
N i ( x, y ) = (4.2)
V0 × ( I ( x , y ) − M i )
2
M 0 − , se I ( x, y ) ≤ M i
Vi
num banco de oito filtros de Gabor. Os filtros são sintonizados à mesma frequência
espacial mas com direcções diferentes. A frequência espacial foi determinada com base
com o mesmo sensor, mantendo a mesma resolução. Sendo Rridges a distância entre
cristas, a frequência é dada por f ridges = 1 Rridges ; neste caso tem-se f ridges = 0,1 . Os oito
filtros foram calculados recorrendo à expressão (4.3), em que as diferentes rotações são
y ′ = x ⋅ cos(θ ) − y ⋅ sen(θ ) .
1 x′ 2 y ′ 2
− 2 + 2
G ( x , y; f , θ ) = e ⋅ cos(2πfx ′)
2 δ x δ y
(4.3)
Como a distância entre cristas se mantém constante, os filtros têm todos a mesma
o
180
por i × , i ∈ [1,8] , δ x e δ y são as constantes da envolvente gaussiana que
8
A extracção da informação local realiza-se pela convolução de cada uma destas funções
com a impressão digital. As cristas sintonizadas com os filtros são evidenciadas, tudo o
cada célula das 8 imagens é codificada num valor de 0 a 255 e dá origem a um vector de
características com dimensão 8*48 = 384 bytes. A codificação de cada célula baseia-se
1 ni
Viθ = ∑ Fiθ ( x, y ) − Piθ (4.4)
ni j
j =1
bastante distintas.
Diferentes aquisições da mesma impressão digital, dão origem a diferentes imagens com
rotação e translação. Tal implica que as características extraídas são diferentes, nas várias
resolvido depois da aquisição. O sensor usado neste trabalho não resolve o problema da
+
− 30 º . Considera-se que o dedo rodado mais de 30 º ou menos de 30 º não está alinhado com
o sensor e por isso a imagem adquirida não é válida. Por causa do tipo de estatística e da
deve ser suficientemente pequeno para captar as alterações no FingerCode, mas também
deve ter em conta o número de FingerCodes gerados. Neste trabalho considerou-se α =7º e
rotações não superiores a 30º, pela razão já referida. É gerado um FingerCode da imagem
-29.5º, -22.5º, -15.5º, -7º, 0º, 7º, 15.5º, 22.5º e 29.5º. O algoritmo 4.1 é usado para criar os
FingerCodes.
Entrada:
R – número e direcção do sector rodado [-1,0,1]
k – número de sectores em cada banda
i - índice dos sectores de cada imagem
θ - orientação das funções de Gabor
R
Saída: Viθ - FingerCode rodado.
R
O FingerCode rodado de um angulo R × 22.5º ( Viθ ), é calculado a partir do FingerCode
R
original Viθ = Vi′θ ′ , com:
i ′ = (i + k − R ) mod k + (i div k ) × k
impressão digital guardada na base de dados. A distância euclidiana, equação (4.5), entre
baixos indicam que as imagens são da mesma impressão digital, valores altos indicam o
contrário. O valor nunca será zero porque as condições de aquisição e cálculo variam, tais
como sujidade e rotação, por exemplo. Devido à variabilidade nas condições de aquisição,
cada impressão digital é adquirida três vezes, o que em termos de registo, significa guardar
impressão que se pretende autenticar com todos os FingerCodes das impressões digitais
impressões como iguais é feita com base num limiar de decisão; valores inferiores indicam
muito próximos existindo uma zona de intersecção. Esta zona resulta do facto do método
percentagem cumulativa das impressões iguais e diferentes, as quais podem ser observadas
na figura 4.14. Estas indicam a percentagem cumulativa de uma imagem ocorrer com
determinado valor de semelhança. A linha rosa (clara) indica que todas as imagens iguais
têm um valor de semelhança superior a 50, 40% valor superior a 700 e 0,02% valor
superior 1200. A linha azul (escura) indica que todas as imagens diferentes têm valor de
semelhança inferior 2150, 50% têm valor inferior a 1200 e 0% têm valor inferior 950.
Estas curvas permitem calcular o limiar de semelhança com base na FAR (False Accept
Rate) e FRR (False Reject Rate) especificada. O FAR é a percentagem de imagens que
foram rejeitas e eram iguais. Por exemplo no gráfico da figura 4.14, para FAR=12,5% e
autenticação. Em determinados casos o FAR deve ser mínimo e noutros casos o importante
é reduzir o FRR. É necessário ter ainda em atenção que FAR e FRR são dependentes.
O treino foi realizado com base em 60 imagens de três impressões digitais diferentes, num
universo de 180 imagens. Cada uma das três impressões digitais foi comparada com todas
as outras. Como resultado foram obtidos 180 valores de impressões iguais e 360 de
figura 4.15.
100,00
90,00
80,00
70,00
Percentagem acumulada
60,00
cum dif
50,00
cum same
40,00
30,00
20,00
10,00
0,00
0
00
00
00
00
0
00
00
00
00
00
00
00
00
00
00
60
10
20
30
40
50
70
80
90
10
11
12
13
18
19
14
15
16
17
20
21
22
23
Distância euclidiana
80
70
60
50
Número ocorrências
hist dif
40
hist same
30
20
10
0
0
00
00
00
00
00
00
00
00
00
00
00
00
00
00
20
50
70
10
30
40
60
80
90
14
16
21
23
10
11
12
13
15
17
18
19
20
22
Distância euclidiana
5 - Aplicação de demonstração
Foi criada uma aplicação de demonstração que implementa o algoritmo de autenticação
A janela “Registar”, apresentada na figura 5.2, permite dois modos de registo da impressão
então, de uma imagem gravada em disco. No primeiro modo, as três imagens de registo são
adquiridas através de aplicação que controla o sensor e grava em disco as imagens; esta é
impressão, assim como o nome a dar ao registo. O segundo modo, é idêntico ao primeiro,
lista disponível na Combo Box – “Seleccionar impressão digital”. Nos dois modos é
check box.
Figura 5.3- Aplicação [Link] que controla o sensor e adquire as imagens no formato
windows bitmap [8].
A janela “autenticar”, ilustrada na figura 5.4, autentica uma impressão digital com outra
combo box – “Seleccionar a impressão digital”. O registo com o qual se pretende autenticar
autenticação vão depender do limiar de decisão, o qual pode ser alterado. A visualização
dos passos seguidos no processo autenticação podem ser seleccionados nas respectivas
mostrada a mensagem de “Acesso Negado”, ver figura 5.4, ou “Acesso Permitido”, ver
imagens reais. A solução baseada em textura orientada funciona bem em imagens reais
com excepção das impressões pertencentes à classe Arch. Este mau desempenho não está
é bem sucedida (caso das imagens sintéticas). A dependência com a qualidade da imagem
processamento. Pode-se dizer que o método das minúcias produz resultados fiáveis no que
Ao contrário do uso das minúcias, a textura orientada, produz resultados estatísticos que
alguns erros. Este método é mais rápido do que aquele baseado em minúcias.
uma forma de resolver o problema. Este algoritmo seria usado para solicitar a autenticação
de outro dedo, dado que, normalmente, um indivíduo possui impressões digitais de várias
classes.
Com o objectivo de tornar a autenticação por textura orientada mais fiável, o cálculo do
deveria incluir um universo maior de impressões, adquiridas com o sensor óptico, em dois
7 - Referências
[1] E.P. Richards, “Phenotype vs. Genotype: why identical Twins Have Diferent
Fingerprints?”
[2] [Link]
[3][Link]
[Link]
[4] Salil Prabhakar, Fingerprint Classification and Matching Using a Filterbank, PhD
Thesis, Michigan State University, 2001.
[5] [Link]
[6] N. Otsu, "A Threshold Selection Method from Gray-Level Histograms," IEEE
Transactions on Systems, Man, and Cybernetics, vol. 9, no. 1, pp. 62-66, 1979.
[8] W. Wouters, “BMP Format –Windows Bitmap File Format Specifications, v1.1”, Clean
Coding Company, 1997.
[9] “Pelas pontas dos dedos”, Revista do Jornal Expresso, 23 de Novembro de 2002.