Resumo: Rerum Novarum
Pelos efeitos resultantes produzidos e que ainda produzem e, por expressar a posição
da Igreja e suas orientações, a Rerum Novarum se encaixa entre as cartas circulares
mais importantes até então elaboradas. Para a ação social cristã a encíclica cristã se
compara, em grau de importância, ao manifesto dos Comunistas (1848) para a ação
socialista. Tem-se então, verificado, o significado atribuído a tal obra.
A fim de dar destaque à classe dos operários, tão castigada pelo liberalismo
econômico, Leão XIII elabora a Rerum Novarum.
Marx partiu sua solução da conjuntura capital e trabalho, por meio do materialismo
histórico, que estava intimamente ligada à luta de classes. Nessa tese há a exclusão da
espiritualidade e da religião. Ao passo que a encíclica de Leão XIII, saudada até mesmo
fora da esfera católica, passou a ganhar a cada ano que passava maior relevância em
virtude dos acontecimentos da época, por se relacionarem àquilo defendido pelo
papa.
Eram criados critérios baseados por meio das realizações da Igreja, por obras dos
padres, especialmente de santo Tomás de Aquino, além de contar com ações práticas
católicas até então, contemporâneas.
Partindo da supressão das corporações de artes e ofícios e pela secularização das
instituições públicas, responsáveis por gerar uma disputa voraz pela usura
desenfreada, defende ser a solução marxista subversiva à ordem social e critica o
direito do homem à propriedade privada, uma vez que esta é concedida ao homem
para fins universais, no entanto, para criar condições necessárias para sua realização,
faz-se necessário sua conformação à natureza, sancionada pela lei positiva, pelo direito
natural e pela ética cristã.
Defende que pelo fato das famílias serem anteriores ao próprio Estado, não podem
ser dissolvidas, como defende os socialistas, pelo contrário, as famílias devem
encontrar no Estado a proteção necessária. Além disso, o respeito mútuo entre
patrões e empregados é substituído pela luta de classes, defendida em tese marxista.
Todos os membros de todas as classes são filhos do mesmo pai, daí a necessidade de
todos serem tratados igualmente, direcionando, assim, à caridade entre as classes.
Cabe ao Estado garantir a proteção de todos, seja em relação à propriedade, à
exploração da classe proletária, ao salário não digno, entre outros.
01. Introdução
Um conflito assustador foi desencadeado por profundas alterações no panorama da
sociedade, entre tais modificações, pode-se citar: os avanços industriais, as relações
modificadas entre os patrões e empregados, a preponderância de uma minoria, dona
do capital, diante de uma minoria indignada.
Cada qual fazendo valer seu interesse faz emergir ações dos gênios, dos sábios, dos
legisladores e dos governantes.
Cabe então à encíclica elaborar uma solução que esteja baseada na eqüidade e na
justiça, revelando-se como algo complexo e dificultoso. Como se definir o que é devido
a quem e como lidar com aqueles cujas tendências levam a desordem?
02. Causas do conflito
Cabe então à Igreja vir em defesa da classe oprimida. A multidão, desprotegida pelas
antigas corporações destruídas com o passar do tempo, as quais concediam amparo
àquela. Constata-se a falta de cunho religioso nas novas leis e nas instituições públicas
e, além disso, apesar de condenado pela Igreja, a usura desenfreada (movimentos
ávidos pelo lucro), promovendo a subordinação da grande maioria.
03. A solução socialista
Os socialistas defendem a repartição da propriedade de bens particulares e dos bens
produzidos. A aparente solução não apresentaria o fim do conflito, mas sim, a violação
dos direitos legítimos dos proprietários, das funções do Estado, provocando, assim, a
destruição do edifício social.
04. A propriedade particular
Compreendida como arte lucrativa, cuja finalidade é adquirir um bem e utilizar deste
como lhe prouver. Logo, conclui-se, pois, que a solução socialista deterioraria ainda
mais as condições dos operários, retirando destes a possibilidade de celebrizar seu
patrimônio e melhorar sua situação.
05. Além disso, contraria à justiça, uma vez que a propriedade é um direito natural do
indivíduo. Nota-se diferença entre os animais destituídos de razão e os seres humanos.
Enquanto àqueles estão subordinados exclusivamente aos sentidos, agindo consoante
aos instintos, estes agem conforme à racionalidade, detentores da faculdade de usar o
que é fornecido pelos sentidos, mas também o de possuírem, ou seja, o que é
consumido através do uso e o que permanece depois de útil.
06. Uso comum dos bens criados e propriedade particular deles
A grandiosidade humana reside na possibilidade daquilo que provém dos sentidos,
sem, no entanto, se prender a eles. Daí o direito de escolha, de julgamento em relação
às coisas, tanto no presente, quando no futuro. Não só deve se beneficiar do que a
terra oferece, mas da terra em si, ou seja, direito à propriedade. O homem possui
necessidades, as quais não são cessadas. Sempre surgem novas necessidades para
serem satisfeitas, configurando um processo contínuo. Não se pode tomar como base
o Estado para a efetivação da propriedade, uma vez que o homem é anterior ao Estado
e àquele sempre foi fornecido o direito à vida e à proteção da sua própria existência. A
fundamentação da propriedade também não poderá basear-se em Deus, uma vez que
aquela não é concedida por este para que haja a dominação caótica. Essa divisão foi
concedida aos homens. Reparti-la cabe aos homens. Sua divisão não retira-lhe o
caráter de universalidade, uma vez que todos poderiam beneficiar-se. E caso, falte algo
a alguém, a solução poderia surgir por meio do trabalho. Conclui-se, pois, a exigência
da conformação da propriedade à natureza.
07. A propriedade sancionada pelas leis humanas e divinas
Estranha-se aqueles que permanecem na negação da propriedade. Áreas até então
inférteis, foram trabalhadas, tornando-se férteis, confundindo-se com o próprio
proprietário.
Confirmada pela tradição e protegida pelo direito. Destaca ainda as leis divinas, que
de maneira imperativa impedem até mesmo desejar o que pertence a outrem.
08. A família e o Estado
Independente do Estado, deve-se conferir direitos e deveres às famílias, uma vez
anteriores a própria sociedade civil. O direito de propriedade deve ser transferido ao
chefe de família. Posteriormente, há a necessidade de passá-lo pela sociedade civil,
cuja força se estende.
As famílias são verdadeiras sociedades e não podem ser extintas arbitrariamente
pelo Estado, só em casos que forem necessários, como por exemplo, para restituírem
deveres até então perdidos. Existe um limite, não podendo este ser extrapolado pelo
Estado, cuja função é a defesa, a proteção, o auxílio. A figura paterna deve ser
preservada, pelo fato de sua origem estar intimamente ligada à vida humana.
09. O comunismo princípio de empobrecimento
O comunismo representaria o descontentamento dos indivíduos. Seria sim a
igualdade da miséria. Não haveria estímulo aos cidadãos, apenas a violação de direitos
naturais, aos transtornos das funções estatais e o ensejamento crescente à desordem.
10. Igreja e a questão social
Caso a solução não esteja baseada na Igreja e na religião, àquela se apresentaria
ineficaz. Cabe não só a Igreja, mas aos ricos, aos governantes e aos pobres a questão.
A Igreja não poderia fechar os olhos para tal situação, correndo o risco do não
cumprimento do seu dever. As leis e a autoridade pública devem, de maneira sensata,
dar seu devido apoio a solução.
11. Não luta, mas concórdia das classes
Inicialmente é necessário que os homens aceitem que seria impossível o nivelamento
de todos da sociedade igualmente. Pelo menos é a idéia desejada pelos socialistas e
vai de encontra à natureza, uma vez que esta foi responsável por estabelecer entre os
homens sua respectiva diferenciação, seja de força, talento, agilidade ou saúde,
originando, por conseguinte, a desigualdade de condições. Mas há de se considerar
que esta diversidade é necessária à sociedade, uma vez que esta necessita das mais
diversas funções e de seus compartilhamentos.
Desde o estado de inocência, o homem estava fadado ao trabalho, sendo escolhido
um exercício prazeroso, mais tarde a necessidade, depois o pecado e a dor
imperativamente conduziram os homens ao trabalho.
Da mesma forma que um organismo, composto de partes diferentes, mas que juntas
exercem seu papel. Entre pobres e ricos não deve haver conflitos, uma vez que não
foram criados para isso. Dependem um do outro. Cabem as duas classes, deveres e
direitos, inicialmente aqueles normatizados pelo direito. Logo, a Igreja é a responsável
pela reconciliação das classes.
12. Obrigação dos operários e dos patrões
O operário e o pobre devem cumprir com seu trabalho desde que de acordo com um
contrato livre. Não deve prejudicar seu patrão, nem seus bens. Suas reivindicações
devem ser pacíficas e não podem estar ligadas a líderes, responsáveis por promessas
de esperanças grandiosas.
Já os ricos e patrões não devem tratar seus empregados como escravos. Devem
respeitá-los. O trabalho do corpo deve ser visto com honra, por ser um mecanismo de
sustento, ao contrário, é utilizar outros homens com finalidade de lucros. Não deve
obrigar seus empregados a qualquer atividade que não esteja de acordo com suas
qualidades. Destaca-se a maior de todas as obrigações dos patrões: conceder a cada
um o que lhe é de direito, sendo que a exploração da miséria é duramente reprimida
pelas leis divinas.
13. A fim de unir as classes em laços sinceros de amizade, a Igreja, dirigida por Jesus
Cristo, elabora um conjunto de preceitos mais complexos. A terra seria um exílio,
passagem dos homens. Ter ou não bens nada importaria para as coisas celestes e
eternas – para a qual realmente fomos criados – mas sim, a maneira pela qual se lida
com elas. A riqueza não seria advertência de dor aos ricos, os quais, prestarão
satisfação a Deus, prestando-lhE contas.
14. Posse e uso das riquezas
Aquele cujas necessidades já foram atendidas deve oferecer ao pobre. Trata-se não
de um dever, mas sim de uma caridade cristã. Jesus Cristo afirma, em passagem
bíblica: aquele que ajuda um irmão, na verdade, ajuda a ele próprio.
15. Dignidade do trabalho
A dignidade residiria no caráter, na virtude do indivíduo e não nas suas posses, ou
seja, aqueles que não possuem posses não devem se sentir inferiores, tampouco
envergonhados por obter bens pelo suor do trabalho. Deus declinava-se aos pobres e
endurecia as regras aos ricos, possibilitando a união de ambas as classes.
16. Comunhão de bens de natureza e de graça
Todos os filhos de Deus são herdeiros, logo, possuem entre si um laço de
fraternidade. Todos os bens da natureza pertencem a todos.
17. Exemplo e magistério da Igreja
A Igreja não se restringe à teoria, ou seja, também a aplica. Pelo ministério dos
bispos e o do clero, objetiva transmitir sua doutrina. A Igreja, através dos preceitos
divinos, se faz soberana, impondo ao homem seus respectivos deveres, como amar a
Deus e ao próximo.
18. A Igreja e a caridade durante os séculos
A Igreja julga determinadas instituições responsáveis por aliviar a miséria dos
desfavorecidos, levando-os a certo grau de felicidade. Tais benefícios foram alvos de
elogios até mesmos daqueles que se posicionavam contrários à Igreja. Era comum,
ricos se desfazerem de seu patrimônio em detrimento dos desfavorecidos. A Igreja
adquiriu patrimônio, se multiplicou e, ao passo que atendia aos pobres, evitava a
humilhação destes. Essa caridade só cabia ser regulada pela Igreja, detentora de
virtude.
19. O concurso do Estado
No entanto, para se alcançar os objetivos pretendidos, utilizam-se dos meios
humanos, ou seja, exige a cada qual cumprir com sua respectiva função.
Ressalta-se a idéia de Estado: todo governo correspondente à razão natural e aos
ensinamentos divinos.
20. Origem da prosperidade nacional
A prosperidade quer pública, quer particular deve brotar espontaneamente. Trata-se
da prudência civil e das funções daqueles que governam. Haverá a melhoria da ordem
geral através de práticas religiosas, do respeito mútuo, dos costumes puros e morais,
do respeito à justiça, da distribuição eqüitativa dos cargos públicos, da imposição
moderada, dos progressos industriais, comercias e agrícolas. Assim, o Estado cumprirá
com o objetivo de atender ao bem comum, melhorando a qualidade de vida da classe
proletária.
Diante de todas as obrigações do Estado, a eqüidade se manifesta de maneira
acentuada, cuja atenção deve ser rigorosa, ou seja, caberá a ele zelar pelos direitos da
classe operária, uma vez que todo indivíduo, rico ou pobre é cidadão, segundo o
próprio Direito Natural. Negligenciar uma classe seria inaceitável. Caso contrário, não
haverá o cumprimento para com as leis da justiça, chamada distributiva.
Cabe a todos os indivíduos, impreterivelmente, contribuir para o bem comum.
É evidente que a classe operária se apresenta como a fonte que produz todos os
bens existentes na sociedade, logo, é preciso que uma parte de tudo que é produzido
seja direcionada a ela, oferecendo-lhe melhores condições e agindo segundo a justiça.
21. O governo é para os governados e não vice-versa
A família tem total liberdade, desde que não prejudique a outrem e, essa garantia
deve ser assegurada pelo Estado.
O depositário, cuja autoridade vem de Deus, deve tomar atitudes semelhantes a
Este, ou seja, direcionar sua atenção a todos, visando o bem comum, não se
restringindo a uma ou outra classe.
22. Obrigações e limites de intervenção do Estado
É necessário que as leis sejam aplicadas de modo que não exerça algo além do que
lhe é devido. A classe rica em virtude de suas riquezas necessita de menor proteção
pública, caberá, então, ao Estado, fornecer total tutela aos pobres, desprovidos de
mecanismos patrimoniais que os protejam.
23. O Estado deve proteger a propriedade particular
É indispensável a asseguração, por parte do Estado, das propriedades. A classe
operária receberá totais condições do Estado para que possa crescer de maneira justa
e honesta, logo tudo aquilo que não seguir tais requisitos deve ser reprimido pelo
órgão estatal, a fim de que se proteja a propriedade e que não haja a ilusão por parte
dos operários.
24. Impeça as greves
A fim de se evitar as manifestações operárias é preciso leis que hajam com
autoridade suficiente, uma vez que tais movimentos não prejudicam apenas patrões e
empregados, ao contrário, vai muito além, alterando negativamente a tranqüilidade
pública.
25. Proteja os bens da alma
A dignidade da alma é inviolável. A vida temporal é apenas uma fase, a qual deve
servir para o aprimoramento do espírito, o qual mais assemelha-se à imagem de Deus.
Não cabe a nenhum homem se submeter ao outro, nem que seja de maneira
espontânea. Seja rico ou pobre, são todos filhos do mesmo Pai.
26. O homem deve ter repouso festivo, o qual não indica inação total, pelo contrário.
Tal repouso se refere à religião, ou seja, voltar-se aos bens celestes e à Majestade
divina.
27. Proteção do trabalho dos operários, das mulheres e das crianças
Não cabe a nenhum homem submeter outro e exigir deste aquilo que esteja além do
que se pode ser oferecido. O trabalho desenvolvido pelo trabalhador deve
corresponder aos seus limites, repousando sempre que necessário, variando de acordo
com as circunstâncias, com a atividade desenvolvida, com saúde do operário e com
seus respectivos limites.
28. Não poder-se-á exigir da mesma forma que se faz com um homem em pleno vigor,
o mesmo exigir de crianças e adolescentes. Crianças poderão desenvolver trabalhos a
partir do momento que houver os desenvolvimentos físicos, intelectuais e morais,
impreterivelmente. Já as mulheres, que apresentam tendências aos trabalhos
domésticos devido a sua natureza, devem salvaguardar a honestidade do sexo, a
educação dos filhos e a prosperidade familiar.
O descanso e o dia do Senhor são indispensáveis. Todo e qualquer contrato que não
fixar tais garantias, considerar-se-á injusto.
29. O quantitativo do salário dos operários
A interferência do poder público a fim de fazer valer o interesse de uma das partes só
se faz necessário quando o patrão não cumprir com seus pagamentos, exigir além do
permitido ou objetivar atender suas necessidades. Caso contrário, desde que o
contrato seja feito de acordo com a vontade de ambos, não haverá a necessidade de
intervenção pública e ao patrão não caberá mais nada.
O trabalho é pessoal e necessário, ao passo que é advindo da força, da capacidade
própria da pessoa e pelo fato de que por meio dele, satisfazer seu sustento,
obedecendo às ordens naturais.
A definição do salário deve atender as necessidades do operário e caso haja
desentendimentos entre as partes, caberá às corporações ou sindicatos as respectivas
regulamentações, com o apoio necessário se assim necessitar.
30. A economia como meio de conciliação das classes
Faz-se necessário incentivar o espírito de propriedade, cuja proteção estatal é
indispensável. A partir do recebimento de salário, o qual supra as necessidades
operárias e que possa através de sua acumulação, adquirir a propriedade.
As revoluções políticas foram responsáveis pelo abismo verificado entre as duas
classes: uma detentora das grandes indústrias, comércio e boa parte da administração
pública e de outro lado, uma classe sempre disposta à desordem. A devida estimulação
à propriedade do solo, nivelará a distância entre as classes.
A dita terra seria vista de maneira utilitária, ou seja, seria fornecido não só o
necessário para a subsistência, mas também verificar-se-ia abundância, contribuindo
para a diminuição do desejo de imigrações, uma vez que aqui encontrar-se-ia
mecanismos de vida toleráveis.
Não cabe ao Estado impedir o total acesso à propriedade, cuja garantia é da própria
natureza. Cabe ao Estado, unicamente, criar mecanismos de regulá-la e conciliá-la ao
bem comum, não criando impostos demasiadamente.
31. Benefícios das corporações
Tanto patrões quanto empregados podem contribuir para diminuir o abismo
existente entre as classes.
32. As associações particulares e o Estado
O homem acaba por ser obrigado a se integrar a uma coperação estranha. As
sociedades particulares objetivam alcançar um fim restrito a seus membros, enquanto
as sociedades civis buscam alcançar um objetivo comum, não determinado. Não cabe
ao Estado negar as sociedades particulares tampouco às públicas, uma vez que estas
tiram seu fundamento através da própria natureza: sociabilidade do homem. Sendo
assim, leis devem estar em conformidade para com a razão e para com Deus.
33. Não cabe ao Estado a função de regular confrarias, congregações, ordens religiosas
de todo gênero que nasceram pela autoridade da Igreja e pela piedade dos fiéis.
Caberá a ele, se necessário, defendê-las. No entanto, verifica-se uma inversão nesse
panorama, no qual o Estado tenta interferir. Tais associações particulares visam se
não, unicamente, o bem público, não cabendo à subordinação às leis civis, à espoliação
dos bens da Igreja, que é, todavia, seus direitos: cada qual possuindo os seus; as
doações, as quais permitiam o alívio daqueles que necessitassem.
34. As associações operárias católicas
Verificam-se, como nunca, as numerosas associações. Parece que determinadas
associações são governadas por forças ocultas, hostis e que ameaçam a segurança
pública. No entanto, existe outra opção: as associações dos cristãos, as quais lutam por
uma intolerável situação.
Por meio de congressos há a difusão de idéias que possam favorecer os progressos,
sejam individuais, sejam domésticos. A essas associações são dadas total proteção por
parte dos bispos e recebem voluntárias ajudas dos abastados em fortuna, com o
objetivo de contribuir para o bem comum e para um descanso digno no futuro. Cabe,
então, ao Estado proteger tais associações, sem nelas interferir, uma vez que podem
se extinguir por influências externas constantes.
35. Disciplina e fim destas associações
Difícil é fornecer regras que disciplinarão o comportamento de tais associações, uma
vez que envolvem circunstâncias; gêneros de trabalho a qual se destinam; experiência
adquirida peculiares. No entanto, é certo que devam fornecer todas as condições que
concitam para o aumento dos bens do corpo, do espírito e da fortuna de maneira mais
cômoda e rápida.
Inegável é o objeto principal a ser buscado: o aperfeiçoamento moral e religioso, os
quais devem regular a economia das sociedades, caso contrário, estas alcançariam
estágios em que a religião não teria espaço, tampouco acesso.
Logo, a religião, como fundamento de todas as leis fundamentais determinar-se-ão,
com facilidade, a paz e a prosperidade de toda a sociedade.
36. Convite para os operários católicos se associarem
Os operários têm a oportunidade de resolver quais sejam os seus problemas através
da razão se, como seus antepassados, unirem-se em direção correta; unicamente
através das associações, que não sejam chefiadas por líderes que apenas iludem os
membros, haverá a solução para todos seus males, proteção e defesa.
37. Solução definitiva: a caridade
Todos, patrão e empregados, devem se incumbir de suas funções para que todos
possam colaborar para a solução de uma situação tão crítica, antes que torne-se
irrecuperável. Por parte da Igreja não faltará esforços e mais livremente atuará se não
houver a intervenção estatal. Ressalta-se a importância da divulgação do Evangelho
seja para qual classe for, a fim de colaborar de forma efetiva para a salvação dos
povos: a caridade. “A caridade é paciente, é benigna, não cuida do seu interesse; tudo
espera; tudo suporta.” (1Cor 13,4-7).
Stanley Souza Marques