COMPETÊNCIAS DO ADMINISTRADOR:
UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE A
PERCEPÇÃO DA ACADEMIA E DO
MERCADO
MARIANA DINIZ LUNA DO NASCIMENTO
marianadiniz2@[Link]
UFCG
MARIELZA BARBOSA ALVES
marielzab@[Link]
UFCG
Resumo:As competências do administrador vem sendo cada vez mais discutida e utilizada como caráter
classificatório no ambiente organizacional, devido ao seu alto grau de representatividade na contribuição
de uma empresa competitiva. O objetivo geral deste trabalho é realizar uma análise comparativa entre a
perspectiva acadêmica e a perspectiva do mercado atual sobre uma temática que apresenta uma tendência
crescente neste cenário. A metodologia utilizada foi uma pesquisa de campo com caráter descritivo. A
coleta de dados foi realizada através da aplicação de um questionário de natureza quali-quantitativa, que
possibilitou uma interpretação mais detalhada desse tema. Após a coleta de dados, os resultados foram
analisados, organizados e explicados através de Tabelas e Gráficos. Conclui-se que as competências e
habilidades básicas mais citadas, foram: reconhecer e definir problemas, habilidade de comunicação,
habilidade em pensar estrategicamente e habilidade em adquirir novos conhecimentos. Todas elas estão
em conformidade com a resolução do MEC, sendo esta, necessária para atuação de um administrador no
cenário atual do mercado de trabalho, desde que, aprimoradas e adaptadas ao desenvolvimento de cada
ambiente.
Palavras Chave: Competência - Administrador - Mercado de trabalho - -
1. INTRODUÇÃO
A gestão estratégica das pessoas como um instrumento de manter a empresa cada vez
mais competitiva está se tornando mais evidente no mundo contemporâneo. Atualmente no
ambiente organizacional o que está se tornando um diferencial vai muito além das máquinas e
tecnologias utilizadas. O potencial humano é visto como grande fonte de sucesso e
desenvolvimento dentro da organização, estas começaram a perceber que o seu diferencial
competitivo está nas pessoas que as compõem. Friedman (2000), conceitua capital humano
como ativos valiosos que devem ser desenvolvidos para viabilizar aos negócios dentro das
organizações. Ou seja, capital humano precisa estar em constante aprendizagem e essas
pessoas devem desenvolver junto com a empresa suas estratégias para alcançar os objetivos
de ambas as partes.
Diante deste cenário, o foco das organizações passou a ser as competências. Para
adentrar neste mercado o profissional necessita estar capacitado, pois suas competências serão
utilizadas como fonte geradora de riqueza. É preciso que o capital humano esteja em
constante aprendizagem, pois elevando o nível de conhecimento, aumenta-se o estimulo ao
desempenho e mantém sempre elevado os resultados da organização. O desenvolvimento do
profissional se dará não apenas com a aquisição de teorias, mas através da prática diante das
diversas situações em que o dinâmico mercado oferece no dia-a-dia, assim, elevando o nível
de experiência profissional. É desta maneira que o profissional obterá experiência e segurança
para agir em cada situação, e poderá utiliza-la em cada tomada de decisão.
No presente artigo optou-se em dirigir este estudo de acordo com a perspectiva
acadêmica dos professores do curso de Administração das Instituições de Ensino Superior da
Paraíba, são elas: Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Universidade Federal de Campina
Grande (UFCG); Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Fazendo uma ponte com a
perspectiva do mercado de trabalho, através dos gestores de algumas lojas e indústrias da
cidade de Campina Grande. De maneira a visualizar o perfil do administrador que está
levando as organizações a manter-se nesse novo cenário competitivo, justifica-se essa
pesquisa como fonte de orientação para possíveis reformulações das práticas pedagógicas, em
busca de ferramentas que possibilitem o real desenvolvimento das competências buscando
sempre o aperfeiçoamento contínuo da carreira do profissional. Partindo desse pressuposto,
questiona-se: Quais as competências que um administrador deve apresentar para se adequar
ao mercado de trabalho atual? Como forma de responder este questionamento, o objetivo
deste artigo foi verificar as competências necessárias ao administrador no contexto atual
através de um estudo comparativo baseado na percepção da academia e do mercado de
trabalho.
1
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Cenário Atual do Mercado
O grande desafio das empresas nesse novo século é conseguir se adaptar com as
mudanças constantes, impostas pela globalização. Saber aproveitar as oportunidades do
ambiente, que estão inseridos e superar as ameaças sem deixar que a situação fuja de controle.
O aumento do nível de exigência do mercado com consumidores cada vez mais exigentes,
dispostos a lutar pelos seus direitos, que buscam sempre bens e serviços exclusivos e de
qualidade com atendimento personalizado, é a característica forte desse novo mercado.
A revolução da informação e da comunicação com o avanço de tecnologias como:
telefone, internet, pager, vídeo conferencia, permite diminuir cada vez mais a distancia entre
as pessoas nas diversas partes do mundo. No entanto, nesta era da valorização dos mais
sofisticados aparelhos eletrônicos, é necessário que haja a garantia de um suporte humano
inteligente. São estas pessoas, capazes de gerir adequadamente esses artefatos, que trazem
melhorias para o ambiente das comunicações. Sem elas seria impossível de se efetivar e muito
menos utilizar, tais tecnologias, de forma correta dentro da organização.
É com o conhecimento e a colaboração de cada um de seus agentes que a organização
pode se manter no mercado competitivo e obter um retorno satisfatório. A visão de que o
colaborador é o parceiro principal da organização caracteriza a nova ordem econômica, que
tem o conhecimento e não a base industrial como fator determinante. Gil (2010, p.23) trata
essa situação como o recurso principal para o bom desenvolvimento das empresas no
ambiente atual:
[...] Propõem, então, os críticos que as pessoas sejam tratadas como
parceiros da organização. Como tais, passariam a ser reconhecidas
como fornecedoras de conhecimentos, habilidades, capacidades e
sobretudo, o mais importante aporte para as organizações: a
inteligência.[...]
Segundo Bouchiki e Kimberly (2003), o local de trabalho personalizado, no mundo
globalizado de hoje, é aquele onde, a gerência da empresa primeiro elabora suas estratégias e
em seguida imagina como deve estar organizada toda a empresa para a realização desse
objetivo, visando os incentivos que devem ser utilizados para motivar os indivíduos. Dessa
maneira o colaborador se sentirá confortável para desenvolver suas competências em
benefício da organização.
2.2 Conceito de Competência
São vários os conceitos destinados para esse termo, mas acaba que a grande maioria
gira em torno de três características, que usadas de forma integrada e coordenada podem
auxiliar a um desempenho superior e diferenciado de cada indivíduo. São elas: conhecimento
(SABER), atitudes (FAZER) e as habilidades (SABER FAZER), isso segundo Picarelli
2
(2002). Tais características, em níveis de aprendizagem constante, eleva o crescimento do
profissional e por conseqüente aumenta os benefícios gerados à empresa.
O conceito de competência foi utilizado por vários autores ao longo dos anos, e apesar
de divergir em alguns pontos, todos convergem para a importância que esse conceito
apresenta para a organização. O quadro abaixo mostra uma evolução desses conceitos.
Quadro 1 – Conceito de Competência
AUTOR CONCEITO
[Link] (1982, p. 23) “Competências são aspectos verdadeiros ligados à
natureza humana. São comportamentos observáveis que
determinam, em grande parte, o retorno da organização.”
2. Spencer e Spencer “A competência refere-se à características intrínsecas ao
(1993, p. 9) indivíduo que influencia e serve de referencial para seu
desempenho no ambiente de trabalho.”
3. Sandberg (1996, p. 411) “A noção de competência é construída a partir do
significado do trabalho. Portanto, não implica
exclusivamente a aquisição de atributos”.
4. Bruce (1996, p. 6) “Competência é o resultado final da aprendizagem.”
5. Boterf (1997, p. 267) “Competência é assumir responsabilidades frente a
situações de trabalho complexas, buscando lidar com
eventos inéditos, surpreendentes, de natureza singular.”
6. Magalhães et al. (1997, “Conjunto de conhecimentos, habilidades e experiências
p. 14) que credenciam um profissional a exercer determinada
função.”
7. Perrenoud (1998, p. 1) “A noção de competência refere-se a práticas do
cotidiano que se mobilizam através do saber baseado no
senso comum e do saber a partir de experiência.”
8. Durand (1998, p. 3) “Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes
interdependentes e necessária à consecução de
determinado propósito”.
9. Fleury e Fleury (2000, p. “Competência: um saber agir responsável e reconhecido,
21) que implica mobilizar, integrar, transferir
conhecimentos, recursos, habilidades, que agreguem
valor econômico à organização e valor social ao
indivíduo.”
10. Becker et al. (2001, p. “Competências referem-se a conhecimentos individuais,
156) habilidades ou características de personalidade que
influenciam diretamente o desempenho das pessoas.”
Fonte: Adaptado de Bitencourt, 2001
Colocando as pessoas e as organizações lado a lado, observa-se um misto de
competências, que precisam ser utilizadas de maneira adequada para que gerem benefícios
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para ambos. Uma pessoa apresenta competências individuais, as quais podem se tornar
hábitos no trabalho, sendo assim mensuráveis, e suas habilidades pessoais, que estarão
disponíveis para alcançar os objetivos de trabalho da organização. Segundo Green (2000), as
competências organizacionais ou essenciais são os conjuntos únicos de conhecimentos
técnicos e habilidades que causam impacto em produtos e serviços dentro e fora da
organização e fornecem a vantagem competitiva no mercado.
Fleury (2000), em seus estudos, constatou que o indivíduo precisa apresentar valores
sociais que o façam comprometer-se em cumprir com os objetivos que lhes são impostos,
desempenhando com eficácia sua função. Só assim as organizações iram poder vencer os
obstáculos impostos pelo novo cenário empresarial atual.
Diante deste contexto, é preciso repensar as competências dos profissionais inseridos
no mercado de trabalho atual e quais os papéis que o administrador precisa desempenhar para
continuar fazendo parte de mercado diferenciado que está se tornando cada vez mais dinâmico
e acirrado.
2.3 O Papel do Administrador
Diante ao novo cenário que vivemos em que a competitividade é muito acirrada,
obrigando as empresas a se apresentarem de forma eficiente e eficaz para poder vencer a os
desafios do mercado, o administrador precisa estar pronto para responder as diversas situações
imprevistas e saber lidar com as novas necessidades impostas pelo cenário. Para isso, ele
precisa deter algumas competências individuais, que podem ser melhoradas ao longo do
tempo através de treinamentos e desenvolvimento. (RESENDE, 2000).
O papel do administrador dentro de uma organização vai de acordo com suas
habilidades e como elas serão utilizadas em prol da mesma. Vem definir o papel do
administrador como:
[...] O administrador é um agente – não só de condução do cotidiano -
de mudança e transformação das organizações, levando-as a novos
rumos, novos processos, objetivos, estratégias, tecnologias e novos
patamares; ele é um agente educador e orientador, pois sua orientação
modifica comportamentos e atitudes de pessoas; é um agente cultural,
pois com seu estilo de Administração modifica a cultura
organizacional. O administrador deixa marcas profundas na vida das
pessoas, pois lida com elas e com seus destinos e influencia o
comportamento dos clientes, fornecedores, concorrentes e demais
organizações humanas [...] (CHIAVENATO, 2006, p.13),
O administrador precisa ter uma visão sistêmica do seu ambiente de trabalho, tanto
interno quanto externo. É preciso que ele conheça os seus colaboradores e tenha a habilidade
de conduzi-los, formando e liderando equipes de sucesso. É importante também, que o
administrador saiba articular e integrar as diversas áreas da organização, para que saibam a
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importância do trabalho em conjunto e juntas ofereçam a empresa resultados satisfatórias.
Em relação ao ambiente externo, a administrador precisa estar conectado com os
acontecimentos recentes, entre eles o conceito de globalização e internacionalização, saber a
importância da responsabilidade social, justiça e ética, além de estar em constante
aperfeiçoamento profissional (CHIAVENATO, 2006).
O autor ainda afirma que o administrador é responsável por “efetuar diagnósticos de
situações, define estratégias, dimensiona recursos, planeja sua aplicação, utiliza tecnologias,
aplica competências, resolve problemas, gera inovação e competitividade.” (CHIAVENATO,
2006, p. 3). Isso demonstra que o administrador não vai ser avaliado apenas pelo seu
conhecimento, ele precisar mostrar habilidades para por em prática no dia a dia do seu
trabalho como um profissional deve agir no ambiente cercado de incertezas. Demonstrando
assim, suas competências, e utilizando-as de modo favorável para a organização.
2.4 Competências do Administrador Conforme a Resolução nº4
A formação acadêmica de um administrador assim como de qualquer curso de nível
superior, deve seguir as resoluções que são instituídas pelo Conselho Nacional de Educação.
Além de elementos básicos, hoje encontrados em todos os cursos, como: interdisciplinaridade,
atividades didáticas, incentivo a pesquisa, estágios, monografia entre outros. O aluno do curso
de administração precisa de uma formação que possibilite o desenvolvimento de suas
habilidades e competências.
A resolução de nº 4, de 13 de julho de 2005, descreve quais competências e
habilidades básicas que são necessárias para o ingresso do administrador no mercado de
trabalho, são elas:
I - reconhecer e definir problemas, equacionar soluções, pensar estrategicamente,
introduzir modificações no processo produtivo, atuar preventivamente, transferir e generalizar
conhecimentos e exercer, em diferentes graus de complexidade, o processo da tomada de
decisão;
II - desenvolver expressão e comunicação compatíveis com o exercício profissional,
inclusive nos processos de negociação e nas comunicações interpessoais ou intergrupais;
III - refletir e atuar criticamente sobre a esfera da produção, compreendendo sua
posição e função na estrutura produtiva sob seu controle e gerenciamento;
IV - desenvolver raciocínio lógico, crítico e analítico para operar com valores e
formulações matemáticas presentes nas relações formais e causais entre fenômenos
produtivos, administrativos e de controle, bem assim expressando-se de modo crítico e
criativo diante dos diferentes contextos organizacionais e sociais;
V - ter iniciativa, criatividade, determinação, vontade política e administrativa,
vontade de aprender, abertura às mudanças e consciência da qualidade e das implicações
éticas do seu exercício profissional;
VI - desenvolver capacidade de transferir conhecimentos da vida e da experiência
cotidianas para o ambiente de trabalho e do seu campo de atuação profissional, em diferentes
modelos organizacionais, revelando-se profissional adaptável;
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VII - desenvolver capacidade para elaborar, implementar e consolidar projetos em
organizações;
VIII - desenvolver capacidade para realizar consultoria em gestão e administração,
pareceres e perícias administrativas, gerenciais, organizacionais, estratégicos e operacionais.
A resolução que rege o curso de administração, enfatiza que é preciso que o
administrador tenha habilidades e atitude para saber colocar em prática todos os
conhecimentos e competências adquiridos no decorrer do seu curso de graduação. É de grande
importância que o administrador saiba que são peças fundamentais, imprescindíveis para o
bom desempenho da organização. Assim, é preciso saber compreender os objetivos da
empresa, a qual faz parte, adquirindo uma postura compatível com o seu cargo e buscando
cada vez mais entender e conhecer as competências necessárias à sua função, para que o
feedback organizacional seja eficiente e eficazmente aproveitado.
3. METODOLOGIA DA PESQUISA
Este estudo quali-quantitativo, através de uma pesquisa descritiva e de campo, que
segundo Creswell (2007) a abordagem quali-quantitativo, pode ser entendida como “a
ampliação do uso de métodos mistos de pesquisa nas ciências humanas e sociais decorrente da
necessidade de articular dados qualitativos e quantitativos em um estudo”. Assim, buscou-se
coletar opiniões sobre as competências essenciais na percepção dos professores e gestores de
empresa, buscando complementar os dados quantitativos encontrados nas questões
relacionadas com as competências mencionadas na Resolução.
O universo desta pesquisa foi dividido em dois subgrupos. O primeiro são os
professores do curso de Administração de instituições públicas da Paraíba, a tabela abaixo
relaciona cada uma delas:
Tabela 1: Universo Acadêmico
INSTITUIÇÃO UNIVERSO
UFPB 40
UEPB 28
UFCG 23
TOTAL 91
Fonte: Elaboração Própria (2014)
Essas informações foram obtidas através do site da instituição no caso da UFPB,
através da coordenadora de graduação do curso de Administração da UEPB e no próprio
departamento do curso da UFCG.
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O outro subgrupo desse universo é formado por gestores de lojas e indústrias Esses
dados estão disponíveis no cadastro lojista – CDL, e no cadastro das indústrias oferecido no
site da FIEP – PB.
Os pesquisados foram selecionados de acordo com a facilidade de acesso a eles,
segundo Vergara (2010), este tipo de amostra é definida como não probabilística por
acessibilidade. Nesta pesquisa obteve-se um feedback de 40 questionários respondidos pelos
professores e 16 questionários respondidos pelos gestores.
A coleta dos dados foi realizada através de questionário eletrônico, elaborado por meio
do programa disponível na internet o Google Docs. O questionário se divide em duas partes:
- A primeira parte é subjetiva, onde o participante fica livre para elencar quais são as
habilidades, conhecimentos e atitudes que um administrador deve apresentar para atuar no
mercado de trabalho.
- A segunda parte é objetiva. Esta segunda parte do questionário foi adaptada de Souza
(2011), o participante irá mensurar em grau de importância as competências e habilidades que
um administrador adquirir/desenvolver ao longo do curso para estar preparado ao ingressar no
mercado de trabalho, estas estão disposta na Resolução Nº 4, de 13 de julho de 2005, segundo
a qual, é regido o curso de administração nas instituições brasileiras.
Para análise e interpretação dos dados coletados, por meio do questionário aplicado
via e-mail, foram obtidas respostas que posteriormente foram transformadas em porcentagens.
4. ANÁLISE DOS RESULTADOS
Aqui discorre-se sobre os dados que foram coletados dividido em duas partes, a
primeira apresenta as competências que cada administrador deve possuir para fazer frente aos
desafios do mercado de trabalho e a segunda parte leva em consideração o Grau de
importância das Competências dos Administradores no Cenário Atual de acordo com o que é
descrito na Resolução Nº4 que rege o curso de graduação em Administração.
PARTE I – COMPARAÇÃO DA PERCEPÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DO
ADIMINISTRADOR
COMPETÊNCIA – CONHECIMENTO
Segue-se os conhecimentos citadas de acordo com a percepção da acadêmica e a
percepção do mercado respectivamente. Dentre as mais citadas pela percepção acadêmica
encontramos o Conhecimento em Teoria da Administração, Conhecimento em Mercado, em
Estratégia, Formação continuada, Conhecimento em Informação, Conhecimento em
Empreendedorismo, Conhecimento em Funções Administrativas e Conhecimento em
Finanças. Os conhecimentos mais citadas, como já era de se esperar, neste caso estão ligadas
a conhecimentos adquiridos dentro da academia, teorias que muitas das vezes não são aliadas
a atitude de por em prática. Podemos perceber que na visão da academia o embasamento
teórico é importante para o administrador, importante entender os modelos teóricos como
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também a visão da estratégia. Confirma-se assim a importância de saber adequar a estratégia
para cada tipo de organização. Segundo Porter (1980 apud Tschá e Filho, 2005, p.4).
“Estratégia competitiva são ações ofensivas ou defensivas para criar uma posição defensável
numa organização, para enfrentar com sucesso as forças competitivas e assim obter um
retorno maior sobre o investimento”.
Já na visão do mercado, os conhecimentos mais mencionados são aqueles que
geralmente são adquiridos com a prática e a experiência do dia a dia organizacional. São eles
o Conhecimento em Língua Estrangeira, Conhecimentos Estratégicos, Conhecimento
Interpessoais, Conhecimento em Domínio na Área de Atuação. Na visão do mercado,
observa-se a importância de outra língua, especificamente o inglês, fato que tornou cada vez
mais importante em um ambiente globalizado onde as empresas estão constantemente se
internacionalizando.
Uma observação importante nas duas percepções é a importância da formação
continuada, buscando especializar-se na área de atuação. Picarelli (2002, p. 226), destaca esta
competência como forma de crescimento para carreira do profissional:
As ações de capacitação constituem, em geral, em meios de obtenção
de proficiência nas competências e na conseqüente progressão na
carreira. O aumento do nível de proficiência das competências,
quando proveniente de capacitação poderá se dar por meio de ações de
capacitações variadas, como: experiência práticas; auto-estudo;
treinamentos conceituais; treinamentos práticos; e-learning; cursos de
mercado; estágio programado; disseminação de conhecimento.
Após suprir esta competência à empresa a utiliza de forma estratégica direcionando-as
para o alcance das necessidades e objetivos da organização. Sendo assim, quando o
conhecimento adquirido continuadamente por cada colaborador é utilizado adequadamente
dentro da organização o resultado alcançado será o almejado.
COMPETÊNCIA – HABILIDADE
Os resultados obtidos demonstram as habilidades que foram mencionadas,
respectivamente, de acordo com a percepção acadêmica e a percepção do mercado.
De acordo com a academia, as habilidades que foram obtiveram maior
representatividade foram a Habilidade de Trabalhar em Equipe, Habilidade em Planejamento,
Habilidade de Execução, Habilidades Humanas, Habilidade de Integração, Habilidade de
Analisar as Variáveis do Ambiente e do Mercado, Habilidades Conceituais, Habilidade de
Saber Motivar, Habilidade de Reconhecer Méritos, Habilidade de Reconhecer Problemas,
Habilidade de Saber Gerenciar e Habilidade de Implementar Resolução para o Problema.
Diante da percepção do mercado, as mais citadas foram a Habilidade de ter Atenção,
Habilidade de Saber Ensinar, ter Auto Conhecimento e Habilidade de Solucionar Crises.
Por este conhecimento estar relacionado ao saber FAZER, ambos os lados da pesquisa
se posicionaram de acordo com experiências vividas na prática, pois estas demonstraram
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como cada ator tem habilidade para vivenciar cada situação. Cada uma dessas habilidades
reforçam ainda mais o novo momento que se encontra o mercado atual, o qual se volta mais
fortemente ao conceito de gestão de pessoas. É preciso que o local de trabalho esteja voltado
para a boa convivência das pessoas. As habilidades mencionadas estão voltadas para o
trabalho em equipe satisfatório para todos que a compõe, como diz Morin (2001, p.8):
A organização do trabalho deve oferecer aos trabalhadores a
possibilidade de realizar algo que tenha sentido, de praticar e de
desenvolver suas competências, de exercer sue julgamentos e seu
livre-arbítrio, de conhecer a evolução de seus desempenhos e de se
ajustar.
COMPETÊNCIA – ATITUDE
Os resultados expostos relacionam as atitudes mais citadas na percepção acadêmica e
na percepção do mercado, respectivamente. Dentre as mais mencionadas na percepção
acadêmica estão a Habilidade para ter um bom Relacionamento Interpessoal, ser Proativo, ter
Iniciativa, ter Humildade, Desenvolver Relacionamentos, Demonstrar Interesse, Senso de
Cooperação, Inovação e Criatividade.
No que diz respeito à atitude, a formação acadêmica ainda não consegue abranger tal
desenvolvimento, são poucas as atividades pedagógicas realizadas buscando mensurara-lo,
como também a identificação destas nos alunos. Assim, deve-se repensar o desenvolvimento
das disciplinas dando foco tanto no conhecimento teórico, mas também com ênfase nas
atitudes.
Na percepção do mercado as atitudes mais citadas foram, ser Flexível, ser Adaptável,
ser Motivador, saber Inovar. Percebemos em ambas as repostas que essa competência é a que
mais depende da iniciativa do Administrador, pois ele precisa realmente FAZER para
conhecer e adquirir a experiência necessária. E para desenvolver estas atitudes do
administrador é necessário que se crie uma nova forma de gestão que estimule esse
desenvolvimento, é isso que vem trazer a Gestão de Pessoas. Segundo Gil (2010, p. 32), “As
pessoas nas organizações devem ser capazes de aprender com rapidez e continuidade, de
inovar incessantemente e de assumir novos imperativos estratégicos com maior velocidade e
naturalidade”.
PARTE II – COMPARAÇÃO DO GRAU DE IMPORTÂNCIA DAS COMPETÊNCIAS
APRESENTADAS NA RESOLUÇÃO
Visualizando de modo geral pode-se identificar que diante da percepção dos gestores,
as competências apresentadas na resolução e consideradas mais importantes (média e grande
importância), são:
Reconhecer e definir problemas (94%)
Pensar estrategicamente (100%)
Identificar problemas e oportunidades (94%)
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Habilidade e conhecimento em comunicação (94%)
Habilidade de comunicação (93%)
Habilidade de comunicação interpessoal (100%)
Habilidade em usar a comunicação estruturada (100%)
Comportamento ético (100%)
Diante disso, o perfil do administrador, segundo a percepção do mercado, seria de um
comunicador visionário. Maximiano (2002) afirma que, o administrador de hoje deve assumir
diversos papéis, dentre os quais o de facilitador dos processos organizacionais. Ele acredita
que a prática cotidiana exige dos administradores uma maior flexibilidade e agilidade nas
decisões que os distancia da formação acadêmica e dos regulamentos.
O autor ainda afirma que os administradores precisam lidar com um diverso número
de funções no seu dia a dia de trabalho, levando-os a assumir diferentes papéis que integrados
alcançam o melhor resultado funcional. Esses papéis estão divididos em três categorias são
elas: interpessoal, quando o administrador precisa representar bem a empresa, ser líder e um
bom elemento de ligação; informacional, quando o administrador precisa ser um coletor,
disseminador e porta-voz para sua equipe; e por fim a função decisória, onde o administrador
precisa ser empreendedor, solucionar problemas, alocar recursos e ser um bom negociador.
Confirmando ainda mais as repostas encontradas na percepção do mercado.
Na percepção da academia, as competências apresentadas na resolução e consideradas
mais importantes (média e grande importância), foram:
Habilidade em pensar estrategicamente (90%)
Habilidade e conhecimento do ambiente organizacional (100%)
Habilidade em identificar problemas e oportunidades (100%)
Habilidade e conhecimento em comunicação (100%)
Atitude de tomar iniciativa (95%)
Motivação (95%)
Habilidade em adquirir novos conhecimentos (100%)
Adaptabilidade (100%)
Comportamento ético (100%)
Visão de projetos (90%)
Assim, na visão acadêmica, o perfil do administrador deve ser além do conhecimento
adquirido no curso de graduação. Segundo Quinn (2003), a gestão por competências constitui
um modelo gerencial que se propõe a integrar e orientar esforços, sobretudo os que estão
relacionados à gestão de pessoas, visando desenvolver e sustentar competências consideradas
fundamentais aos objetivos organizacionais. Desenvolvendo as funções, que são julgadas
necessárias para o bom desempenho do seu papel, na posição que ocupa dentro da
organização, o administrador consegue tomar as decisões necessárias e tem um perfil
visionário diante dos acontecimentos da organização.
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho realizado, a partir de sua fundamentação teórica, ampliou o entendimento e
os conhecimentos a cerca do conceito de competência quem vem sendo cada dia mais
abordado e utilizado pelos administradores como uma ferramenta de diferencial competitivo e
fonte de riqueza. O advento da comunicação tem papel fundamental nessa nova vertente, as
distâncias diminuíram; as tecnologias aumentaram, possibilitando um maior acesso ao
conhecimento. A habilidade e a atitude usadas adequadamente em cada situação é o que torna
um administrador diferente diante do mercado. Assim motivar o desenvolvimento dessas
competências para que estejam em constante sintonia com o mercado será um ponto positivo
agregado.
A pesquisa nos revela, que de acordo com o ponto de vista dos entrevistados, nas duas
percepções, academia e mercado, o que eles definem como competências para um
administrador se apresentam semelhantes em diversos aspectos. Foi perceptível a semelhanças
entre algumas respostas com isso podemos concluir que existe uma ligação entre o ambiente
acadêmico e o cenário do mercado atual.
Na primeira parte da pesquisa um fator importante e enriquecedor é a perceptível
utilização da linguagem formal desenvolvida dentro da academia, que enfatiza termos como
as funções da administração e as áreas da administração, no decorrer das repostas desses
atores. Na outra vertente são utilizados conceitos mais práticos encontrados no dia a dia
profissional. Dando ênfase a importância utilização conjunta da prática e aliada a teoria, como
forma de tornar as competências ainda mais resistentes às transformações decorrentes da
globalização.
Os resultados da segunda parte da pesquisa que classificaram de acordo com o grau de
importância, as competências e habilidades do profissional que estão na resolução que rege o
curso de administração, obtiveram um resultado satisfatório. Grande maioria das
competências citadas na resolução foram consideradas de grande importância para os atores
participantes da pesquisa. Concluindo que se durante o curso de graduação, esse profissional
consegue desenvolver tais características estará apto para ingressar no mercado de trabalho
sem muitas dificuldades.
Conforme os resultados da nossa pesquisa é necessário que haja uma reformulação nas
práticas pedagógicas dessas instituições, inserindo ao longo do curso de graduação vivências
concretas que se assemelhem ao que cada profissional irá se deparar, nos ambientes de sua
atuação, após o término de seu curso. Diante desta afirmativa sugerimos as mudanças algumas
mudanças, abaixo relacionadas:
Criação de ambientes que simulem situações organizacionais;
Incentivo a pesquisa de campo em empresas;
Trabalhos dinâmicos em grupos;
Atividades que estimulem a expressão e comunicação pessoal;
Atividades que incentive e ensine o comportamento ético necessário a cada
profissional;
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Utilizar a forma lúdica através de jogos para despertar o pensamento
estratégico de cada profissional.
Assim, aliada a teoria ensinada em sala de aula, a prática, estaria dando a cada
profissional uma maior experiência, tornando-os capazes de enfrentar, sem grandes
dificuldades o ambiente, o qual será inserido.
Por fim, sugere-se que os administradores, ou aqueles que desempenham a função
destes dentro do mercado, sempre busquem investir no aprimoramento de suas competências
de maneira a aumentar o seu desempenho dentro da organização. São estas competências que
caracterizaram cada um desses atores como um profissional diferenciado levando-o a novos
caminhos. É com esse diferencial, que cada profissional se tornará apto a competir, sem ter
medo das dificuldades que poderão vir a aparecer, no crescente e avançado cenário que se
encontra o mercado atual.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Administração, bacharelado, e dá outras providências.
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