Introdução
Hoje em dia é comum empresas e provedores de hospedagens utilizarem a tecnologia
RAID em suas empresas, até mesmo como porta de entrada para as tomadas de decisões
e inclusive oferecer espaços para armazenamento como é o caso das provedoras de
hospedagens e Data Centers. Muito se fala sobre performance e entrega, porém pouco
se fala sobre a particularidades de cada configuração.
Conhecer a particularidade de arranjo de RAID, certamente influenciará você a decidir
qual o tipo atende às suas necessidades. Importante salientar que RAID não é backup,
apesar que pode ser usado como uma solução de replicação de ambientes, é um erro
comum mantê-lo como única fonte de dados, mesmo que o arranjo seja um
espelhamento como veremos aqui nesse artigo.
Para saber o que é RAID, acesse nossa página específica sobre esse tipo de
armazenamento: [Link]
Iremos falar sobre cada tipos de RAID, porém deixaremos de fora os tipos que não são
mais usados ou pouco usados e também a nossa visão como especialistas em recuperar
dados de servidor ou storage que trabalham com RAID.
Você precisa recuperar dados de servidor? Fale conosco, estamos online.
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Tipos de RAID
RAID 0
Conhecido como “striping” é um arranjo formado a partir de 2 HDS do mesmo tamanho
e a forma de escrita acontece por faixas de setores, os dados são distribuídos pelo
arranjo seguindo a faixa. A faixa de dados em cada disco é definido geralmente na
configuração do arranjo e quanto maior a faixa mais lento se torna. Indicamos que
configuração não passe de 64 bytes por faixa ou 128 setores, porém em alguns casos a
configuração é automática da própria controladora. Veja na imagem abaixo o exemplo
de como funciona a escrita:
RAID 0
Repare que a faixa de dados começa no A1 do disco 0 e em seguida vai para o A2 do
disco 1. A escrita segue por exemplo: 128 setores do disco 1, 128 setores do disco 2.
Apesar de oferecer uma velocidade consideravelmente boa, a nível de segurança não é o
mais indicado. Como você pode ver na imagem, os dados são distribuídos pelos discos
sem redundância alguma, ou seja, se um dos discos parar, automaticamente o RAID não
será mais reconhecido e se o disco que parou não for passível de recuperação, você não
terá mais os seus dados de volta, a não ser que seus arquivos sejam extremamente
pequenos e fique dentro da faixa, porém hoje em dia é muito difícil dados pequenos.
RAID 1
Conhecido também por “mirror” em tradução livre significa espelhamento. Nesse
arranjo, a configuração acontece a partir de 2 HDs e tem escrita simultânea de dados em
ambos os discos exatamente iguais. A vantagem desse arranjo é a replicação dos dados,
porém vale a atenção em relação sobre a replicação. O que acontece muito, é a
replicação falhar e não avisar e quando você perde os dados do primeiro disco (disco
principal) e vai checar o secundário (espelho), percebe que os dados não funcionam.
Isso acontece porque o espelhamento quebrou. Veja abaixo como funciona a escrita:
RAID 1
Se você não precisa de muito espaço e nem de velocidade elevada, essa pode ser uma
solução para você, desde que siga a orientação de sempre avaliar a integridade dos
dados no espelho. Importante salientar que se o disco 2 parar, você continuará usando
normalmente, então a avaliação do espelhamento é necessária, quase que diariamente.
RAID 0+1
Esse é um arranjo de RAID que chamamos de “custom”, devido customização que
combina velocidade com replicação. Gostamos bastante dessa configuração, apesar de
não ser comum o seu uso, pois a configuração tanto via hardware como via software não
é tão fácil de se encontrar. Nessa configuração, o aproveitamento da velocidade do
RAID 0 com a segurança do espelhamento do RAID torna a configuração hibrida,
segura e performática. A desvantagem é que para chegar nessa configuração você
precisará de 4 HDs tornando caro demais manter essa configuração, principalmente se
você precisa de bastante disponibilidade de espaço. Abaixo, o esquema de escrita desse
arranjo:
RAID 0 + 1
Repare que o conjunto A do RAID 0 com 2 discos espelham para o conjunto B de 2
discos. Outra desvantagem que podemos falar sobre esse arranjo, é se você tiver a
infelicidade de parar 2 discos espelhados, exemplo:
Disco 0 espelha para o disco 2 e disco 1 espelha para o disco 3
Se você perder o disco 0 e 1, não tem problema (caso o espelhamento esteja funcional),
teoricamente seus dados permanecem íntegros, agora, se você perde o disco 0 e o disco
2 você não terá mais os seus dados de volta.
RAID 10
Muitas pessoas confundem o RAID 10 com RAID 0+1, não é a mesma coisa, pelo
contrário, são completamente diferentes. No RAID 0+1 você tem 2 conjuntos de RAID
0 espelhando um para o outro enquanto no RAID 10 você tem 2 conjuntos de RAID 1
interligados pelo RAID 0, confuso? Veja a imagem abaixo:
RAID 10
Outra configuração hibrida que gostamos bastante justamente por causa da velocidade,
porém caro também de se manter devido a replicação, embora a segurança seja
razoável, porém como o RAID 0+1, você não pode perder os espelhos de forma alguma.
RAID 5
O mais comum de todas as configurações, esse arranjo é amplamente utilizado devido a
sua segurança e versatilidade no sentido de manter o funcionamento mesmo que um HD
danifique, isso ocorre devido a redundância de paridade. Nessa modalidade,
obrigatoriamente você irá precisar de três discos (mínimo) para configurar o arranjo.
O que é paridade?
Apesar que paridade tem a ver com cálculos de bits, não iremos falar especificamente
sobre essa vertente. O conceito dentro da área de RAID, significa a replicação de bits
iguais espalhados por todos os discos que compõem o arranjo. Devido a essa replicação,
um HD será sacrificado sempre para manter a redundância, por isso é amplamente
usado, caso um disco danifique, o arranjo continua em funcionamento e você tem a
possibilidade de trocar o disco danificado e executar um comando chamado REBUILD
para que o disco seja atualizado com as informações.
O erro comum que muitas pessoas cometem é não dar atenção para esse processo de
rebuild e negligenciam. A maioria dos casos que recebemos para recuperar dados do
RAID danificado é devido a negligência, enfim, vale a pena se atentar sobre o RAID
estar funcionando de forma degradada (sem um disco), porque caso pare mais algum,
você perderá acesso aos dados. Já vimos casos de fabricante orientar o usuário a religar
o sistema com todos os discos e isso causar danos maiores ainda ao arranjo. Não faça
isso! Colocar um disco “desatualizado” no arranjo através do rebuild irá corromper a
estrutura lógica dos seus dados.
Disco “Spare”
É um HD reserva, que não está configurado pra fazer parte do arranjo inicialmente,
porém fica acionado para entrar no lugar de algum outro que falhar. A configuração do
spare acontece no momento que você cria o arranjo. Indicamos o spare, justamente pela
facilidade de ele entrar automaticamente e já ser atualizado com os dados pela
controladora.
Abaixo, veja a forma que o RAID 5 se comporta:
RAID 5
As referências Dp, Cp, Bp e Ap são as faixas de paridade. Elas são responsáveis pela
reconstrução dos dados caso haja uma falha de disco. É uma das coisas mais fascinantes
de se ver, o comportamento disso em baixo nível (programação).
Aqui existe um detalhe que acho ainda mais fascinante; cada controladora utiliza a sua
configuração de forma a atingir os seus objetivos. Nesse caso da imagem acima, a
paridade começa no disco 4, porém ela poderia começar no disco 3 por exemplo e
inclusive mudar a direção, exemplo: Partir do disco 3 para o 2. Essas configurações tem
um nome, e na área de recuperação de dados, é imprescindível você dominar isso, caso
contrário você não conseguirá montar o RAID de forma correta. Vamos falar sobre
essas configurações.
Backward, Backward Dynamic, Forward, Forward Dynamic, Parity Delayed
Backward
Esse esquema demonstra o RAID 5 em modo “Backward”, a paridade começa no disco
C e corre sobre os demais discos da direita para a esquerda sempre partido do disco C e
seguindo a sequência de simetria. 1 2 P 3 P 4 P 5
Backward Dynamic
Aqui existe uma mudança de direção, a paridade continua fixa, partindo do disco C da
direita para a esquerda, porém muda a dinâmica de escrita dos dados. Repare que existe
um “cruzamento” 1 2 P 4 P 3 P 5 6.
Nota
Em nossos testes em laboratório, não percebemos grandes diferenças entre a velocidade
das configurações, apenas é uma questão de logística das fabricantes. Acredito que por
conta propriedade intelectual, nasceram outras formas de escrita.
Forward
Percebe que mudou a direção das paridades nessa configuração? Agora ela inicia no
disco A e parte da esquerda para a direita. Essa configuração também é conhecida por
“Right Asynchronous”, geralmente não é usada mais, porém ainda existem muitas
controladoras em operação que utilizam essa configuração. Recebemos em nosso
laboratório, equipamentos antigos da DELL que utilizar ambas as configurações:
Forward e Forward Dyn.
Forward Dynamic
Paridade fixa da esquerda para a direita, mudou a dinâmica de gravação dos dados.
Conhecida também por “Right Synchronous”.
Parity Delayed
Comum em RAID da HP/Compaq, a paridade é maior aqui ela ocupa 3 faixas de blocos
em cada disco, porém pode ser muito maior, temos casos de até 16 faixas de blocos em
disco. Um dos mais difíceis de se recuperar, inclusive tem varrições de direção
(Backward, Backward Dynamic, Forward, Forward Dynamic).
Importante salientar que listamos apenas essas, porém existem mais configurações.
Existem as configurações que chamamos de “custom”, muito raros. Um dos mais
complicados que já vimos são os RAID PRO (solução da Apple), Beyond RAID
(solução da DROBO) e por último e mais difícil de todos o HP EVA. Iremos falar de
cada um deles.
Exemplo de RAID Customizado (RAID PRO):
Exemplo de RAID Beyond:
Nota
Ainda existem mais variações de RAID 5, são eles os RAID 5E e RAID 5EE, não são
comumente usados.
RAID 50
Arranjo bastante usado também, oferece bastante segurança e agilidade por causa do
RAID 0 presente na junção dos SETS de RAID 5. Você precisará avaliar se o custo vale
a pena, pois cada SET de arranjo RAID 5 perde um disco devido a paridade e a
configuração inicial é a partir de 6 discos. Veja abaixo como funciona esse array:
RAID 50
RAID 6
O RAID 6 é uma evolução do RAID 5 com paridade dupla, ou seja, existe uma
segurança maior. Nesse arranjo, dois discos são reservados para armazenar as paridades.
Gostamos bastante dessa configuração, devido a segurança e velocidade proporcional,
porém, dependendo do espaço que você precise, pode ser tornar caro demais mantê-lo
devido a “indisponibilidade” de dois discos. Importante salientar que o RAID 6 só é
possível configurar a partir de 4 discos e também tem o mesmo esquema de leitura do
RAID 5 (Backward, forward, etc). Veja abaixo como funciona a paridade:
RAID 6
Percebe que as paridades sempre caminham juntas nessa configuração? Essa é a
segurança oferecida por esse arranjo, além do RAID 6, existem outras variações como
RAID 6E e RAID 6 XOR, ambas com as mesmas características de paridade dupla,
porém mudam a forma como a paridade é escrita nos discos.
RAID 60
Seguindo as mesmas características do RAID 50 citado acima, esse arranjo oferece
ainda mais segurança devido a paridade dupla do RAID 6. Atualmente é bastante usado
e dificilmente vemos problemas com perdas de dados nesse arranjo. São necessários 8
discos para começar a configurar esse array. Saiba mais vendo a imagem abaixo:
RAID 60
Conclusão
Essas são as particularidades técnicas de cada arranjo de RAID, existem mais algumas
configurações, porém não são tão comuns como essas.