Podcast – Caridade e empatia
Vamos conversar hoje sobre aquela que é a maior de todas as virtudes: a caridade. Quem a
classifica assim é São Paulo, em sua carta aos Coríntios, em que nos fala: “Mesmo que eu
tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que
tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. A
caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é
arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda
rancor. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a
caridade." (ICor 13, 1-2.4-5.13)
Caridade, do latim caritas, significa amor na sua expressão mais intensa, mais profunda. Vai
além da empatia, que é quando temos a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de
sentirmos com o outro, de acolhermos o outro em seu sofrimento. A caridade é o amor que
nos move a fazermos algo pelo outro, a doarmos de nós mesmos para que o outro tenha vida.
Parece difícil demais viver essa dimensão da caridade, mas tenho um exemplo de alguém bem
próximo de nós, da nossa missão marcelina, alguém que tinha o coração unido ao coração de
Deus e os olhos bem atentos à sua realidade, e que soube sair de si para que muito bem fosse
feito no seu tempo e, por ter sido feito com amor, durasse até os nossos dias.
Estou falando do Beato Luigi Biraghi, fundador do instituto das Irmãs Marcelinas. Biraghi,
sacerdote, professor, diretor espiritual, homem culto, com inúmeras obrigações, contempla a
realidade das meninas que não tinham uma instituição que as formasse com aquilo que a
época exigia. Biraghi acreditava que formar a mulher era um meio poderoso de se transformar
a sociedade, pelo papel que ela desempenha na família.
Biraghi sente a necessidade do seu tempo, percebe os estragos da sociedade, tem uma
“experiência empática”. Quantas vezes nós somos impactados por tantas mazelas que atingem
pessoas perto ou longe de nós... sentimos nosso coração apertado... acolhemos o sofrimento...
sem julgamento... Não somos indiferentes ao sofrimento do mundo. Mas, corremos o risco de
parar aí. De apenas nos impressionarmos.
Biraghi poderia ter feito isso. Parado no seu incômodo. Mas ele permite que Deus aja através
dele e, fazendo da sua empatia pelo seu tempo um ato de caridade, funda a nossa
congregação.
A caridade é exigente. Para Biraghi também o foi. Ele, em uma de suas cartas, diz que ao
pensar na fadiga, no empenho, no trabalho que daria aquela obra, se sentiu desanimado,
desolado e diante da Virgem das Dores ele tem o seu ânimo retomado e a certeza em seu
coração de que a obra era da vontade de Deus. Isso aconteceu nos anos 1800 e até hoje o
amor colocado em cada ação, ou seja, a caridade, é nossa marca. Não foi buscando a glória
pessoal, o reconhecimento, que Biraghi fundou a congregação. Foi movido, impulsionado pelo
amor. Quanto será que o amor tem nos impulsionado a ir ao encontro do outro, da sua
necessidade e, com aquilo que temos e, mais ainda, com quem somos, fizemos algo por ele? A
caridade vai muito além de dar coisas. É um dar de si, com amor, pois é ele quem fica, é ele
quem dá sentido às nossas ações. Um olhar, um bom dia, um “estou aqui”, uma escuta, são
atos de amor capazes de gerar alegria e um ambiente mais saudável, acolhedor.
A Associação Santa Marcelina mantém esse princípio muito vivo. O ofício de educar é santo,
mas exigente e, independente da função, todos somos educadores, colaboramos com a missão
de Cristo de salvar a humanidade. Que saibamos, qualquer que seja o nosso ofício, nos colocar
no lugar do outro e, impelidos pelo amor, fazer algo por ele.