Bit quântico
Um qubit representado por uma Esfera de Bloch.
Um bit quântico, ou qubit (às vezes qbit) ['kju.bɪt] ou [k'bɪt] é uma unidade de informação
quântica. Esta informação é descrita por um vetor de estado em um sistema de mecânica
quântica de dois níveis o qual é normalmente equivalente a um vetor de
espaço bidimensional sobre números complexos.
Benjamin Schumacher descobriu uma maneira de interpretar estados quânticos como
informação. Ele apresentou uma forma de comprimir a informação num estado, e
armazenar esta num número menor de estados, o que é agora conhecido por compressão
Schumacher. Nos agradecimentos de seu paper (Phys. Rev. A 51, 2738), Schumacher
afirma que o termo qubit foi inventado como um gracejo, durante suas conversas com Bill
Wootters. O spin de um elétron é um candidato promissor para ser usado como a menor
unidade de informação (qubit) de um computador quântico.
Bit versus qubit
Um bit é a base da informação computacional. Independente de suas representações
físicas, ele sempre é lido como 0 ou 1. Uma analogia são as posições de um interruptor de
luz (a posição desligada pode ser representada por 0, enquanto a posição ligada pode ser
representada por 1).
Um qubit possui algumas similaridades com o bit clássico, mas é bem diferente no geral.
Como o bit, um qubit pode ter dois possíveis valores - normalmente um 0 ou um 1. A
diferença é que enquanto um bit deve ser 0 ou 1, um qubit pode ser 0, 1, ou
uma superposição de ambos.
Representação
Os estados em que um qubit pode ser medido são conhecidos como
estados básicos (ou vetores). Como é tradição com qualquer tipo de estado quântico,
Dirac, ou notação bra-ket é usada para representá-los.
Isso significa que dois estados básicos computacionais são convencionalmente escritos
como e (pronunciado: 'ket 0' and 'ket 1').
O órgão francês Commissariat à l'Énergie Atomique criou uma representação da
superposição. [1]
Estados Qubit
Um estado puro qubit é uma superposição linear de dois estados. Isto significa que o qubit
pode ser representado como uma combinação linear de e :
Onde α e β são amplitudes probabilísticas e geralmente podem ser números
complexos.
Quando nós medimos este qubit na base canônica (standard basis), a probabilidade
de resultar é e a probabilidade de resultar é . Porque o quadrado das amplitudes é
igual à soma das probabilidades, resulta que α e β podem ser determinados pela
equação
simplesmente porque isto garante que você deve medir um estado ou outro.
O espaço de estados de um único registo qubit pode ser representado
geometricamente pela esfera Bloch, um espaço bidimensional que tem a base
geométrica da superfície de uma esfera. Isto essencialmente significa que um
simples espaço registrador qubit tem dois graus locais de liberdade. Representado
na esfera, um bit clássico poderia ficar apenas em um dos pólos. Um espaço
registrador n-quit tem 2n+1 − 2 graus de liberdade. Isto é maior do que 2n, que é o
que era classicamente esperado sem nenhum entrelaçamento. (isto é, usando o
produto cartesiano ao invés de um produto tensor para combinar os estados
qubits.)
Entrelaçamento
Uma importante diferença entre o qubit e o bit clássico é que vários qubits podem
exibir entrelaçamento quântico. Entrelaçamento é uma propriedade não local que
permite que um conjunto de qubits consiga uma correlação maior do que o
esperado em sistemas clássicos. Tome, por exemplo, dois qubits entrelaçados no
estado Bell.
(note que neste estado, existem iguais possibilidades de medir
tanto quanto .)
Imagine que estes dois qubits entrelaçados sejam separados, e sejam dados
um para Alice e outro para Bob. Alice faz uma medida do qubit dela, obtendo –
com igual probabilidade – ou ou . Por causa do entrelaçamento dos qubits,
Bob deve agora conseguir a mesma medida que Alice, isto é, se ela mediu
um , Bob deve medir o mesmo, uma vez que é o único estado onde o qubit de
Alice é um .
O entrelaçamento também permite múltiplos estados (tais com os estados Bell
mencionados acima) serem acionados simultaneamente, diferentemente dos
bits clássicos que podem apenas ter um valor de cada vez. O entrelaçamento
é um ingrediente necessário de qualquer computação quântica que não pode
ser feita eficientemente em um computador clássico. Pesquisadores
conseguiram transformar 20 bits quânticos entrelaçados em um estado de
superposição.[2]
Muitos dos sucessos da computação e comunicação quântica, tais como o
teletransporte quântico e a codificação superdensa, fazem uso do
entrelaçamento, sugerindo que o entrelaçamento é uma fonte única para a
computação quântica.
Registrador Quântico
Um número de qubits entrelaçados tomados juntos forma um registrador
quântico. Computadores quânticos realizam cálculos através da manipulação
dos qubits dentro de um registrador.
Variações de um qubit
Similar ao qubit, um qutrit é uma unidade de informação quântica no sistema
quântico de 3-níveis. Isto é análogo à unidade de informação clássica trit. O
termo “Qudit” é usado para denotar uma unidade de informação quântica em
um sistema quântico de d-níveis.
Representação Física
Qualquer sistema de 2-níveis pode ser usado como um qubit. Sistemas
multinível podem também ser usados, conquanto possuam dois estados que
possam ser efetivamente separados do resto (por exemplo, o estado
fundamental e o primeiro estado excitado de um oscilador não linear). Muitas
implementações físicas que se aproximam de sistemas de 2-níveis em vários
graus foram feitas com sucesso. Tal como um bit clássico pode representar o
estado de um transístor em um processador, a magnetização de um superfície
em um disco rígido e a presença de uma corrente elétrica num cabo podem
ser usados para representar bits em um mesmo computador, um eventual
computador quântico pode vir a usar várias combinações de qubits em seus
padrões.
Um qubit normalmente guarda a mesma informação de 1 bit, mas é possível
guardar mais bits por qubit utilizando SuperDense Coding.
Comparação de valores quânticos (SuperDense
Coding)
1 qubit = 2 bits
2 qubits = 4 bits
3 qubits = 8 bits = 1 byte
4 qubits = 16 bits
5 qubits = 32 bits
6 qubits = 64 bits
7 qubits = 128 bits
8 qubits = 256 bits
9 qubits = 512 bits
10 qubits = 1.024 bits
13 qubits = 8.192 bits = 1 kilobytes
23 qubits = 8.388.608 bits = 1 megabyte
33 qubits = [Link] bits = 1 gigabyte
43 qubits = [Link].208 bits = 1 terabyte
44 qubits = [Link].416 bits
45 qubits = [Link].832 bits
n qubits = 2n bits
Computador quântico
Na computação quântica, os qubits
representam partículas, fótons ou elétrons e seus respectivos dispositivos de
controle que estão trabalhando juntos para atuar como memória de
computador e processador. Os qubits podem interagir com qualquer coisa
próxima que transporta energia próxima à sua, o que pode alterar o estado
dos próprios qubits. A manipulação e controle de qubits é realizada através de
controles de estilo antigo: sinal puro como campos eletromagnéticos
acoplados a um substrato físico no qual o qubit é implantado, por exemplo,
circuitos supercondutores. Defeitos nesses componentes eletrônicos de
controle, provenientes de fontes externas de radiação e variações nos
conversores digital-analógico, introduzem ainda mais erros estocásticos que
degradam o desempenho dos circuitos quânticos. Essas questões práticas
afetam a fidelidade da computação e, portanto, limitam as aplicações de
dispositivos quânticos de curto prazo.[3]
Normalmente, para manter os qubits estáveis, é necessário esfriar os chips a
0,1 Kelvin, mas em 2020, os pesquisadores conseguiram executar uma célula
de unidade quântica do processador em um chip de silício a 1,5 Kelvin.[4]
Qubits baseados em silício
Os protótipos de computadores quânticos do Google, IBM e outras empresas
contêm dezenas de qubits feitos a partir de uma tecnologia que envolve
circuitos supercondutores, mas muitos tecnólogos veem os qubits baseados
em silício, conhecidos como qubits de "spin" de silício, como mais promissores
a longo prazo. Os qubits de spin de silício mantêm seu estado quântico por
mais tempo do que as tecnologias de qubit concorrentes. O uso generalizado
de silício para computadores comuns significa que qubits baseados em silício
podem ser fabricados a baixo custo.[5] Cientistas demonstraram que dois
componentes da computação quântica, os qubits de silício, podem interagir
mesmo quando espaçados relativamente distantes em um chip de
computador. A equipe de Jason Petta demonstrou interação não local entre
dois spins de elétrons separados por mais de 4 milímetros, mediados por um
fóton de microondas.[6]