Performance de Aeronaves a Jato
Performance de Aeronaves a Jato
A JATO, P&B
Notas de aula
Rogério B. Parra
-- 2008 –
UNIVERSIDADE FUMEC – FEA
INTRODUÇÃO
CARACTERÍSTICA DO JATO:
Com os aviões a jato, de melhor performance se comparada com a dos aviões a pistão, a duração
dos vôos foi reduzida pela metade, a maioria das escalas foi eliminada, as novas altitudes permitiram
voar acima das camadas do tempo e multiplicou-se o número de lugares a bordo.
Uma das diferenças básicas está na rotação dos motores. Quando a tração cresce rapidamente no
motor convencional, a sustentação é simultaneamente aumentada sem modificação de atitude devido
ao aumento da velocidade do ar produzida pela hélice, conseqüentemente sem mudanças no angulo
de ataque. A única maneira de se aumentar a sustentação no jato, é levantando o nariz e aumentando
o ângulo de ataque. Uma aeronave de asa enflechada requer uma modificação ainda maior em
atitude.
A performance do avião a jato com um motor inoperante, requer muito menos cuidado do que a de um
avião a pistão com todos os motores operando. Os procedimentos a serem tomados são
extremamente fáceis. Além disto, para executar uma curva no avião com motor convencional é
necessário usar o leme por causa do arrasto produzido pelo “aileron” da asa que se eleva. No jato,
normalmente, isto não acontece por causa dos spoilers, que trabalhando em conjunto, fazem com que
a curva seja coordenada, limpa.
Um outro diferente aspecto dos convencionais , é o ajuste de potência para um determinado valor de
velocidade. No jato devemos aplicar uma determinada potência até atingirmos uma velocidade e
depois reduzirmos para manter os ajustes ideais. Além disto para vários pesos temos vários ajustes de
potência. Daí a necessidade de se fazer acertos constantemente.
O controle da aeronave em relação à posição do CG também é outro fator. Nos jatos, o estabilizador
com ângulo de incidência variável, permite uma melhor flexibilidade do CG. Porém, antes da
decolagem o piloto deve ajustar o estabilizador de acordo com o balanceamento. Durante o vôo o
piloto automático fará as correções para as variações de “CG”.
Com o desenvolvimento dos motores turbofan Garrett AirResearch TFE731 no final da década de 60,
com expectativas de menores níveis de ruído e consumo específico, levou ao desenvolvimento de
uma nova versão do Learjet 25, conhecido inicialmente como Lear 25B-GF (de Garrett Fan). Um Lear
25 adaptado, com um TFE731 em seu lado esquerdo apenas voou em maio de 1971, seguido de um
segundo protótipo com dois motores deste tipo e finalmente em agosto de 1973, o primeiro protótipo
do novo avião, já conhecido como Learjet 35. Além dos motores, os 35 e a versão de longo alcance
Lear 36, com mais capacidade de combustível, diferem dos Learjet mais antigos, por terem a
fuselagem 30cm maior e uma quinta janela na lateral direita da fuselagem. O Learjet 35 tem
capacidade para até 8 passageiros, enquanto que o 36 leva no máximo seis, já que ambos possuem o
mesmo peso máximo de decolagem. Ambos foram homologados em julho de 1974. As melhorias nos
dois modelos levaram ao desenvolvimento das séries 35A e 36A, em 1976, com peso máximo de
decolagem maior. Foram produzidos até 1994.
Em meados da década de 70, visando enfrentar o crescente sucesso da Airbus, a Boeing decidiu
desenvolver um novo avião de grande capacidade para rotas de médio e longo alcance. Nascia o
Boeing 767, o segundo modelo de fuselagem larga da Boeing, configurado para acomodar até 8
assentos por fileira, separados por dois corredores.
Deixando os passageiros e empresas receosos a princípio, a prática se tornou comum e anos mais
tarde, voltaria a ser usada no 777. Assim mesmo, alguns críticos ainda sustentam que a sigla ETOPS
deve significar "Engines Turn Or Passengers Swim" (as turbinas giram ou os passageiros nadam),
uma lembrança nada agradável para quem passa 10, 12 horas cruzando oceanos.
Outra coisa que pode ser dita dos 767-200 é que eles se tornaram os aviões mais tristemente famosos
da história: foram dois jatos do tipo que os terroristas arremessaram contra as torres do World Trade
Center em Nova York, em 11 de setembro de 2001.
1. DEFINIÇÕES
1.1 VELOCIDADES
A sustentação produzida pelas asas varia com a velocidade do avião. Quanto mais rápido ele voar,
mais sustentação será produzida. Portanto, o estudo de velocidades é de extrema importância na
performance das aeronaves.
Vc– É a velocidade calibrada, e é igual a velocidade indicada corrigida para erro de posição. Sua
abreviação é “CAS” (Calibrated Air Speed), e a equação que relaciona “Vc” e “VI” é:
Vc = VI + Vp. Onde “Vp” é a correção para erro de posição.
Vs – Stall speed, esta é uma velocidade muito importante, uma vez que as velocidades de decolagens
e pousos são baseadas nela. O “F.A.R” (Federal Aviation Regulation) estabelece que, por definição a
“Vs” é atingida quando o “CL” é máximo (CL = coeficiente lift = coeficiente de sustentação), expressa
em “CAS” (Calibrated air speed).
A “Vs” (Stall Speed) é a velocidade em que o avião atinge o “STALL”; em outras palavras, é a mínima
velocidade em vôo estabilizado, na qual o avião é controlável com:
• Tração dos motores igual a zero, ou motores em marcha lenta, desde que a marcha lenta
não tenha efeito sobre a “Vs”; a tração pode permitir até “1.6 Vs” para estabilizar a aeronave em nível
de vôo.
• Centro de gravidade na posição desfavorável (Dianteira).
• Vôo reto com aproximadamente 30° de inclinação lateral.
A técnica de demonstração em testes, é feita para uma velocidade superior à de “STALL” (geralmente
1.3 Vs), suficiente para manter condições de vôo estabilizado. A partir desse ponto, o profundor é
aplicado numa razão tal que a redução de velocidade do avião não exceda a “1 nó p/segundo”.
Performance, Peso e Balanceamento 3
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Os testes são feitos voando com um equipamento medidor de velocidade – “Training Cone” de 1.3 Vs
até o completo “STALL”, gravando a “VI x tempo” e depois convertendo em Ve/Vc (EAS/CAS).
O estol é obtido quando o ângulo de ataque for maior que o máximo ângulo de sustentação (Angulo de
STALL)
Vs1 - Velocidade de “STALL” na configuração desejada, a ser estabelecida para um caso particular.
Portanto, podemos dizer que a velocidade mínima em vôo normal é a menor velocidade com o avião
estável , sem apresentar buffet ou stick shaker , isto é, com margem de segurança sobre o estol.
VMCA - Velocidade Mínima do Controle no ar- É aquela velocidade com o motor critico inoperante,
sendo ainda possível o vôo controlado com um ângulo de inclinação das asas não superior a 5 graus
(o motor inoperante para cima) e adicionalmente:
#A máxima tração disponível aplicada nos motores ativos;
#“CG” na posição mais desfavorável, ou seja, traseira;
#Trem de pouso recolhido;
#“Flaps” e compensador na posição “TAKE OFF”
# Em termos práticos a “VMCA” é calculada para 5 graus de inclinação Lateral (Bank Angle).
# A “VMCA” nunca poderá ser maior que 1.2 Vs.
VNO/MNO – (Normal Operating Speed): Velocidade Normal de operação ou Máxima para operações
normais, em algumas aeronaves será a própria VMO/MMO.
VFE – (FLAP EXTENDED SPEED) : Velocidade máxima permitida com os FLAPs extendidos numa
determinada porcentagem do seu curso.
VLO – (Landing Gear Operation Speed) : Velocidade máxima permitida para operação do trem de
pouso, ou seja Extender ou Recolher o trem sem que o impacto do vento danifique o mesmo.
VLE – (Landing Gear Extended Speed): Máxima velocidade permitida com os trens de pouso
entendidos.
1.2 TEMPERATURA
Como o ram rise é proporcional ao quadrado do número de Mach, ele pode acarretar problemas de
creep nas estruturas dos aviões supersônicos e hipersônicos. O nariz do Concorde, por exemplo,
voando a Mach 2, altitude de 50000 pés, pode atingir até 127°C de temperatura, o que corresponde a
um ram rise de 127-(-56,5) = 183,5°. Quando a temperatura ultrapassa esse limite, o piloto deverá
reduzir a velocidade.
• Resumindo, teremos:
SAT — Static air temperature — temperatura do ar imóvel;
1.3 ALTITUDES
é dada pela atmosfera padrão ICAO. A pressão é tirada das tomadas estáticas na parte externa da
fuselagem ou do sistema Pitot-estático, podendo ser diferente da pressão atmosférica local porque o
fluxo através desses dispositivos pode ter velocidade diferente da do avião, e assim serão obtidas
pressões diferentes da real (princípio de Bernoulli). Este erro, que depende da direção e da velocidade
do fluxo do ar, e que também ocorre na medição da velocidade, é o chamado erro de posição. Ou
seja:
Hp=Hi+∆p, onde, Hp=altitude pressão, Hi= altitude pressão indicada (lida no altímetro) e ∆p=erro de
posiçã[Link] aviões modernos, este erro é compensado com um air data computer que tem interface
com o instrumento.
A altitude densidade tem como referência não uma pressão, mas a variação da densidade do ar na
atmosfera padrão. Como o avião não possui nenhum instrumento que meça a densidade do ar, esta
altitude deve ser calculada a partir da altitude pressão e da temperatura do ar atmosférico, com o
auxílio de um computador. Se a variação da temperatura do ar for igual à variação na atmosfera
padrão, a altitude pressão e a altitude densidade serão iguais. Se a temperatura real for maior que a
temperatura na atmosfera padrão, a altitude densidade será maior que a altitude pressão, e vice-versa.
A altitude densidade é muito importante na determinação das pistas necessárias para a decolagem e
pouso, da razão e ângulo de subida, tetos prático e absoluto, na tração do motor, etc. Os cálculos da
performance do avião dependem da altitude densidade e não das outras altitudes (verdadeira,
indicada, de pressão, absoluta, etc.).
O efeito da temperatura é o mesmo, ou seja, com uma temperatura inferior à ISA indicará uma altitude
superior à real, enquanto com uma temperatura superior à ISA, uma altitude inferior à real. A situação
será, portanto, crítica quando ocorrer em baixas temperaturas e baixas pressões.
2. DECOLAGEM
V1 – (Decision speed) – Também conhecida como velocidade máxima de falha do motor critico (Critical
Engine Failure Speed). O ponto onde ocorre a “V1” é chamado de ponto critico de decolagem. Em
função da decisão do piloto em continuar ou não a decolagem, a “V1” pode ser definida como:
a) A máxima velocidade com a qual o piloto poderá conhecer a falha do motor durante a corrida na
pista, decidir, interromper a decolagem e parar o avião dentro do comprimento de pista estabelecido
para as condições daquela decolagem.
b) A mínima velocidade com a qual a aeronave, ocorrendo falha do motor critico, poderá
prosseguir a decolagem com segurança, sem ultrapassar o gabarito do “FLIGHT PATH”.
c) A “V1” não poderá ser menor que a VMCG em hipótese alguma. V1≥VMCG
d) A “V1” não poderá ser maior que a “Vr” ou maior que a Vmbe . V1≤Vr≤Vmbe
As estatísticas também mostram que das causas das decisões Go/ NoGo, apenas 25% foram
problemas de motor; 25% foram devidos a problemas de rodas e pneus, sendo o restante distribuido
por inúmeras causas. Em suma, em 75% dos casos, o avião tinha todos os motores e poderia atingir
150 pés na cabeceira.
No caso da decisão Go, a tripulação simplesmente continuará a decolagem. Se a decisão for “No Go”,
nessa velocidade, deverá ser seguido o procedimento de abortagem. No Boeing 737, se o piloto
perdesse dois segundos para a decisão e optasse pela abortagem, isto poderia aumentar a distância
de parada de 400 a 500 pés.
Vmbe – (Maximum Brake Energy Speed) Velocidade máxima resultante de energia de frenagem.
Quando os freios são aplicados, os conjuntos devem ser capazes de absorver esta energia.
Quando mais energia calorífica é gerada, de que os freios podem absorver, os mesmos serão super
aquecidos e danificados. Esta velocidade é a máxima de frenagem Vmbe (Maximum Brake Energy
Speed). A Vmbe depende do peso de decolagem, temperatura ambiente, pressão ambiente, aclive /
declive da pista e componente de vento.
Vr – (Rotation Speed): Somente considerar nos aviões a jato (nos turbo-hélices a “Vr” é quase igual a
“V2”). Velocidade na qual o piloto inicia a rotação do avião, ou seja, o levantamento da roda do nariz,
com as rodas de trem de pouso principal ainda na pista, isto permite obter o máximo rendimento do
comprimento da pista a ser percorrido; Se o nariz for levantado antes, a corrida de decolagem será
aumentada devido ao aumento do arrasto induzido, e se for levantado após a “Vr”, deverá prejudicar a
performance de decolagem em relação aos segmentos. A “Vr” não poderá ser:
Vmu – (Minimum Unstick Speed): Mínima velocidade com manche livre; É a velocidade com a qual a
aeronave poderá ser cabrada, ou seja, levada ao maior ângulo de ataque, sem haver possibilidade de
ocorrer um estol. Pode ser estabelecido a critério do operador, com todos os motores operando ou
com o motor critico inoperante. Esta velocidade tem relação direta com a “Vr”. Em casos que a “Vr” for
menor que a Vmu, a aeronave poderá bater com a cauda ao rodar.
A Vmu é uma velocidade fixa, calibrada, em que uma velocidade igual ou acima da mesma permite a
aeronave levantar do solo com segurança e continuar a decolagem. Os valores da Vmu não são
publicadas nos manuais de vôo.
Vlof – (Lift Off Speed): Velocidade de Levantamento de vôo. É a velocidade do exato momento na
qual a aeronave deixa o solo. Não é publicado nos manuais de vôo. A Vlof depende do ângulo de
ataque, ajuste do Flap e peso de decolagem. Não pode ser menor do que 1.1 Vmu com todos os
motores operando ou 1.05 Vmu com o motor critico inoperante. A velocidade máxima de Vlof deve ser
inferior á velocidade que os pneus suportam (Tire Speed Limit).
Vts-Tire Speed Limit: Velocidade máxima dos pneus. Os pneus foram construídos para suportar até
uma certa velocidade. Nos casos em que a “Vr”, determinada de acordo com os critérios anteriores
for muito elevada, a velocidade máxima dos pneus poderia ser ultrapassada, o que não é permitido.
Isto acarreta algumas vezes limitação de peso máximo de [Link] nos manuais de
operações existem gráficos ou tabelas para se determinar o peso de decolagem limitado pela
velocidade máxima dos pneus.
NOTA: Esta velocidade aparece normalmente nos manuais em MPH
(Milhas Terrestres por hora ou Milhas Inglesas ).
V2 — velocidade de decolagem e subida (take off climb speed) — é a velocidade a ser atingida a 35
pés de altura sobre a pista, e deve ser igual ou maior que 120% da velocidade de estol na
configuração de decolagem e 110% da velocidade mínima de controle no ar (Vmca). Uma decolagem
normal, com todos os motores funcionando, o avião normalmente sobe com 10 a 15 nós acima de V2
nos primeiros segmentos de decolagem.
V1 VR V2
35 ft
2.2.1 Limitações:
A performance de uma aeronave na decolagem depende de diversos fatores. Os principais são:
B) Densidade do Ar
O conjunto Temperatura / Pressão é um dos fatores mais importante, pois faz variar a densidade do ar
que entra nos cálculos de tração do motor e sustentação. Neste caso deve ser levado em
consideração sempre que se calcular o peso máximo para decolagem, a temperatura e a elevação do
aeroporto corrigido pelo QNH (Altitude de Pressão).
C) Influência do Vento
A influencia do vento na decolagem se reflete na velocidade que o avião atinge no solo (Velocidade
Resultante) para adquirir a velocidade indicada necessária para decolagem.
O vento de proa permite que se aumente o peso de decolagem de um avião . Como o vento (positivo)
aumenta a velocidade em relação ao ar (TAS) para o mesmo comprimento de pista (efetivo), o ganho
em retificação permite então um melhoramento de performance.
Com vento de cauda a situação é invertida fazendo com que o peso máximo de decolagem seja
reduzido.
F) Condições da Pista
As distâncias para decolagens e pouso nos manuais de operação de vôo estão baseadas na
condições da superfície das pistas, ou seja, rígida e resistente, lisa e seca, caso contrário, a
performance da aeronave será deteriorada devido ao atrito, arrasto, etc.
G) Condições da Aeronave
Sistemas diversos em operação ou não, afetam sensivelmente o desempenho da aeronave. Sangria
do ar do motor para atender as necessidades do Ar Condicionado, Pressurização, Anti Gelo, etc.,
reduzem a potência dos motores, conseqüentemente reduzem o máximo peso de decolagem.
O sistema de frenagem computadorizada (ANTI-SKID) que evita o bloqueio da rodas, Sistema
Hidráulico que atua nas principais superfícies de controles, condições de freio, e outras coisas
operando com deficiência fazem com que o peso máximo da decolagem seja reduzido.
I) Obstáculos
Nos manuais de performance existem gráficos que determinam o peso máximo de decolagem
considerando obstáculos próximos ou afastados da cabeceira da pista.
A exigência destes obstáculos deteriora a trajetória do vôo, isto faz com que o comprimento da pista
necessário para a corrida aumente ou diminua de acordo com a performance da aeronave.
Exemplo:
Boeing 737-300 CFM56-3
Origem SBBH Temp. 25°C 2716ft.
Destino SBSV Temp. 30ºC 0064ft.
FUEL TIME
Destino SBSV 3182 0120 526NM
Peso Básico 34,057Kg
Fuel 9304Kg
Carga Paga 8000Kg +
51,361Kg
Táxi 00200 -
51,161Kg Peso planejado de decolagem
VMCG = 107 kt
Os requisitos quanto ao mínimo comprimento de pista para decolagem, variam com peso,
temperatura, altitude do aeroporto, vento, slope da pista, ajuste de flapes e condições de sangria de
motor.
Dependendo da aeronave, o ajuste dos flapes para a decolagem pode ser fixo e único, selecionado
de acordo com a situação e uma posição dentro de uma faixa fixa determinada pelo fabricante ou,
como no B-767, que pode variar a um ajuste tal, que resulte em melhor performance para qualquer
condição – Flape ótimo.
O comprimento de pista requerido para qualquer combinação das variantes acima, deve ser o maior
dentre as seguintes distâncias:
Calcula-se 115 % da distancia de decolagem com todos os motores, medida do “Brake Release”(freios
soltos) até a altura de 35 pés. Este procedimento não é utilizado para aeronaves turbo-hélices.
È a distância para acelerar do “Brake Release” até a V1 com todos os motores operantes, reconhecer
a falha do motor crítico ate a V1, retardar as manetes de potência (throttles) para a posição de marcha
lenta (idle), aplicar máxima frenagem com anti-skid operando (ou moderada sem o anti-skid, de acordo
com a situação), operar os Spoilers manualmente (se instalados), e levar a aeronave à parada total em
pista seca, sem a utilização dos reversíveis.
È a distância para acelerar até a V1 com todos os motores, perder um motor, continuar acelerando até
a Vr e rodar a aeronave para atingir os 35 pés de altura sobre a pista com velocidade igual á V2.
A “Take-off run available” é declarada pelas autoridades aeroportuárias como a parte de superfície
de decolagem que é livre de obstáculos e consiste de uma superfície capacitada de suportar a
aeronave sob condições normais.
A “Take-off distance available” é a distancia disponível, ou seja, é igual ao cumprimento da pista mais
qualquer área adjacente de Clearway.
D) Clearway
Uma “Clearway” é uma área da pista, com uma largura de 500 pés, centrada com o eixo da pista, e
sob o controle das autoridades aeroportuárias. É expressa em termos de uma área livre plana,
extendendo-se do final da pista com um gradiente não superior a 1,25% e sem obstáculos , exceto as
luzes da cabeceira da pista com altura no final da pista até 26 polegadas e localizadas somente de
cada lado da pista.
F) Stopway
É uma área ao longo da pista, com largura não inferior a da própria pista, centrada com seu eixo, e
designada por autoridades aeroportuárias para uso em caso de desaceleração e parada da aeronave
numa decolagem interrompida. Para ser considerada, a “Stopway”, deve ser capaz de suportar o peso
da aeronave durante a abortagem de uma decolagem sem induzir a um dano estrutural.
OBS: Alguns dos fatores usados durante os testes de voo para preparação dos dados de performance
foram os seguintes:
# As cartas de performance foram construidas usando apenas 50% dos ventos de proa
reportados, e 150% dos ventos de cauda, medidos a uma altura de 50 pés (FAA).
G) Pista Balanceada
Uma pista é balanceada quando o comprimento disponível para parar a aeronave, após uma falha de
motor antes da V1, é igual ao comprimento horizontal ao longo da pista utilizado para acelerar a
aeronave e continuar a decolagem com falha de motor após a V1, ou seja, TOD=ASD
TOD
BR
ASD
Quando a V1 é selecionada de forma que a ASD fique igual à TOD , o comprimento de pista resultante
da operação “Engine-out” é chamado de “Balanced Field Lenght”. Adicionalmente aos requisitos
acima, que utilizam somente o comprimento da pista ou espaço sobre a mesma, podem incluir a
utilização de “Clearway” ou “Stopway”.
Devido à mundialização da aviação foi necessário criar padrões internacionais envolvendo a utilização
do avião como transporte aéreo. Sendo assim, foram criados padrões para o uso das pistas em
comparação com o peso das aeronaves e, nesse caso, entre o peso do avião e a capacidade da pista
em suportar esse peso.
Dentre os muitos tipos de métodos de reporte dessa capacidade, o método ACN/PCN (Aircraft
Classification Number/Pavement Classification number) é o modelo mais adotado pela ICAO.
Como exemplo, temos abaixo, marcado em negrito, o PCN da pista 09L / 27R do Aeroporto
Internacional de Guarulhos.
2. Tipo de Pavimento: é representado por duas letras, "R" para Rígido e "F" para Flexível. É
relacionado à rigidez do pavimento. Normalmente, se a força de resistência é derivada de uma laje de
concreto, é dito como Rígido; se de asfalto, Flexível.
400 180000 20 23 27 31 23 24 27 35
11000 6 7 7 7 5 6 6 7
Seu uso é simples. Escolha a aeronave a se utilizar e siga em linha reta até o Tipo de Pavimento com
a relativa Categoria da Camada de Sub-Ieito. Os dois números encontrados representam os ACN's da
aeronave com peso máximo - MTWA [Maximum Total Weight Authorized, ou Peso Máximo Total
Autorizado, normalmente o Peso Máximo de Rampa (MRW), que é o Peso Máximo de Decolagem
(MTOW) somado com o Combustível para o Taxi (TXF)] - e mínimo [Peso Básico Operacional (BOW)].
Deve-se agora fazer a interpolação para que o ACN Real da aeronave seja obtido. Para isso, pode-se
usara fórmula abaixo:
Por exemplo, qual é o ACN de um B717-200 com um peso de 48000kg e pressão de pneus de 164psi,
utilizando a pista 09Lj27R de Guarulhos (asfalto e categoria de resistência de sub-Ieito média)?
O Número de Classificação de Aeronave (ACN) deve ser menor ou igual ao Número de Classificação
de Pavimento (PCN) publicado para uma determinada pista a fim de que a operação da aeronave seja
permitida.
1 2 3 4
1- Tipo de Pavimento:
R = Rígido (Concreto) F = Flexível (Asfalto)
2- Categoria do Sub-Leito do Pavimento:
A = Alto, B = Médio, C = Baixo, D = Ultra Baixo
3- Pressão Máxima de Pneu Autorizada:
W = Alto, sem limite X = Médio (até 217 psi)
Y = Baixo (até 145 psi) Z = Muito Baixo (até 73 psi)
4- Método de Avaliação do Pavimento:
T = Avaliação Técnica U = Avaliação por Experiência
Procedimento:
Nas páginas a seguir há um gráfico para tipo de pavimento “R” = Rígido-(concreto) e um para “F” =
Flexível (asfalto). Para calcular o limite de pavimento em um determinado aeroporto, deve-se entrar
no lado esquerdo do gráfico apropriado com o valor do PCN, trançando-se uma linha à esquerda até
interceptar a linha de categoria de sub-leito aplicável (A, B, C ou D), e em seguida traçar uma linha
para baixo determinando assim o limite de pavimento.
Sobrecarga:
As autoridades aeroportuárias podem autorizar operações com sobrecarga no pavimento (ACN maior
do que PCN), desde que o pavimento permaneça seguro para utilização. Em geral, os seguintes
critérios são adotados:
1. Uma diferença de 10% entre o ACN e PCN para pavimentos flexíveis, ou 5% para pavimentos
rígidos é normalmente aceitável, desde que as operações com sobrecarga não excedam 5% do
número total de decolagens no ano, e que estas operações sejam espalhadas ao longo do ano.
FLEXIBLE RIGID
PCN PCN
A B C D A B C D
15 32300 31800 15
16 34050 33400 31600 16
17 35800 35000 33000 32200 17
18 37550 36600 34400 31100 33700 32450 18
19 39300 38200 35800 32400 35200 33850 32200 19
20 41300 40000 37200 33700 36700 35250 33550 32200 20
21 43050 41600 38600 35000 38200 36650 34900 33540 21
22 44800 43200 40000 36300 39700 38050 36250 34880 22
23 46550 44800 41400 37600 41200 39450 37600 36220 23
24 48300 46400 42800 38900 42700 40850 38950 37560 24
25 50050 48000 44200 40200 44200 42250 40300 38900 25
26 51800 49600 45600 41500 45700 43650 41650 40240 26
27 53550 51200 47000 42800 47200 45050 43000 41580 27
28 55300 52800 48400 44100 48700 46450 44350 42920 28
29 57050 54400 49800 45400 50200 47850 45700 44260 29
30 59000 56300 51300 47000 51600 49500 47200 45600 30
31 60750 57900 52700 48300 53100 50900 48550 46940 31
32 62500 59500 54100 49600 54600 52300 49900 48280 32
33 64250 61100 55500 50900 56100 53700 51250 49620 33
34 62700 56900 52200 57600 55100 52600 50960 34
35 64300 58300 53500 59100 56500 53950 52300 35
36 59700 54800 60600 57900 55300 53640 36
37 61100 56100 62100 59300 56650 54980 37
38 62500 57400 63600 60700 58000 56320 38
39 63900 58700 62100 59350 57660 39
40 60000 63500 60700 59000 40
41 61300 62050 60340 41
42 62600 63400 61680 42
Esta tabela foi preparada a partir dos dados dos gráficos de pavement loading do manual da Boeing
para possibilitar uma consulta mais rápida.
Exemplos :
Algumas vezes a decolagem tem que ser interrompida por razões que contra-indicam seu
prosseguimento. O aspecto mais importante desta manobra, é ter comprimento restante de pista para
poder parar o avião com segurança.
Teoricamente, se a força dos freios mais o atrito com o solo tivessem capacidade igual de
desaceleração como a tração tem para acelerar, a metade do comprimento mínimo de pista seria o
ponto de decisão. Na prática, a soma da ação dos freios, mais o atrito com o solo e, em alguns aviões
a ação dos “spoilers”, produzem uma desaceleração maior do que a aceleração da força de tração,
Performance, Peso e Balanceamento 22
UNIVERSIDADE FUMEC – FEA
fazendo com que o ponto de decisão (V1) se desloque para além da metade da pista mínima de
decolagem.
Os recursos para interromper uma decolagem são os mesmos usados para parar o avião após o
pouso. .Os principais mais usados na aviação civil, são os seguintes:
*Spoilers - os aviões de grande porte dispõem deste recurso,que atua de duas maneiras:
- como freio aerodinâmico para reduzir a velocidade em vôo e
- na função de quebrar a sustentação após o pouso, a fim de que os freios possam atuar com maior
eficiência;
*Reversíveis — Tanto os jatos como os turbohélices estão equipados com este dispositivo, que
permite usar a tração dos motores como um freio aerodinâmico para ajudar a desacelerar o avião após
o pouso.
Outros recursos mais usados na aviação militar são os drag-chute (paraquedas) e um sistema
chamado de “arresting gear”, o qual consiste de um cabo que é apanhado por uma espécie de gancho
no avião, fazendo-o parar em caso de atingir o fim da pista. Este sistema é basicamente o mesmo
utilizado nos navios porta-aviões.
Na certificação oficial dos aviões civis o efeito dos reversíveis geralmente não é considerado para o
cômputo da distância de parada numa interrupção de decolagem.
As tabelas a seguir, mostram como é determinado o comprimento de pistas para o Lear Jet 35A e
para o Boeing 737.
A trajetória de decolagem começa após o avião ter atingido 35 pés na velocidade V2 e termina a no
mínimo 1500 pés de altura sobre a pista ou em uma altitude onde a transição de configuração de
decolagem para a configuração de vôo em rota for completada, o que equivale dizer, na altitude mais
elevada entre as duas. Ela é dividida em 4 segmentos, nos quais são considerados valores referência
para segurança em caso de perda ou falha do motor na corrida de decolagem após ter sido atingida a
velocidade V1 (decisão).
Os gradientes mínimos de decolagem são determinados pelo FAR 25 (Federal Aviation Regulations).
Durante uma decolagem na qual ocorra falha de qualquer um dos motores,o avião deverá ser mantido
nesta trajetória ou acima dela. Para alguns tipos de aviões a trajetória de decolagem difere um pouco
com relação ao 3º segmento ou à velocidade em cada segmento, porém, as características de cada
um nunca poderão ser inferiores aos mínimos relativos a gradientes e velocidades. Durante essa
trajetória, qualquer curva só poderá ser realizada após atingir a V2 a 35 pés de altura e sua inclinação
máxima deverá ser de 15º.
Durante a subida a razão de subida e o ângulo de subida diminuem gradativamente, enquanto a TAS
(True Airspeed - Velocidade Aerodinâmica) aumenta. A subida é feita com velocidade de maior razão
de subida.Não havendo obstáculos nas proximidades do aeródromo, somente é exigido que a
aeronave cumpra o 1º e o 2º segmentos, podendo voltar para pouso após ter completado os dois. É
permitido eliminar o 3º segmento, passando do 2º para o Final, a critério do operador, fazendo a
aceleração e o recolhimento do flap no segmento final.
1° Segmento
Inicia-se após ter sido atingida a velocidade V2 a 35 pés de altura. Neste segmento é efetuado
o recolhimento do trem de pouso. Ele termina quando o trem estiver totalmente recolhido. Os
gradientes exigidos para este segmento são pequenos devido ao arrasto do trem de pouso.
Definições do 1° Segmento:
Dentro deste segmento a aeronave poderá estar operando nas seguintes condições:
A) um motor inoperante;
B) demais motores com potência de decolagem;
C) trem de pouso recolhendo;
D) flap em posição de decolagem;
E) velocidade - mantendo a V2;
F) gradiente - aeronave de 04 reatores = 0,5%
aeronave de 03 reatores = 0,3%
aeronave de 02 reatores = no mínimo positivo
2° Segmento
Inicia-se logo após o total recolhimento do trem de pouso. Este é o segmento é o mais restrito, pois
exige altos gradientes de subida para poder ganhar altura mais rapidamente e livrar os obstáculos.
Termina quando a aeronave atinge no mínimo 400 pés de altura sobre o nível da pista.
Definições do 2° Segmento
A) um motor inoperante;
B) demais motores em potência de decolagem;
C) trem de pouso recolhido;
D) flap na posição de decolagem;
E) velocidade - V2;
F) gradiente mínimo - aeronave de 04 reatores: 3%
aeronave de 03 reatores: 2,7%
aeronave de 02 reatores: 2,4%
3° Segmento
Inicia-se a no mínimo a 400 pés sobre o nível da pista. Este segmento é horizontal, pois no mesmo é
efetuada a aceleração da aeronave e o recolhimento dos flaps. Por ser um segmento com gradiente
nulo, ou seja 0%, uma tração extra é aplicada na aceleração da aeronave, porém, em alguns casos
em que a aeronave estiver leve, ela poderá atingir velocidades acima da máxima permitida com os
flaps abaixados (Vide Flap placard speed), sendo necessário continuar a subida para evitar danos
estruturais nos flaps. Este segmento termina após o recolhimento total do flap ou após a aeronave ter
atingido 1,25 VS, o que ocorrer por último.
Definições do 3° Segmento
A) um motor inoperante;
B) demais motores em potência de decolagem;
C) trem de pouso recolhido;
D) flap recolhendo;
E) velocidade - acelerando de V2 para 1,25 VS;
F) gradiente nulo -0%
Segmento Final:
Inicia-se a partir do ponto onde a configuração for atingida. Neste ponto o avião atinge normalmente o
limite de uso da potência de decolagem (5 minutos para motores a reação) e passa a utilizar a
potência máxima contínua (MCT - Maximum Continuous Thrust). Termina a no mínimo 1500 pés acima
do nível da pista.
As tabelas a sequir, mostram como é determinado o gradiente mínimo de decolagem para o Lear Jet
35A e para o Boeing 737.
A trajetória “NET” de decolagem, deve sobrevoar todos os obstáculos no mínimo á 35 pés acima dos
mesmos.
O setor começa no fim da pista com uma largura de 300 pés de cada lado de eixo longitudinal da
pista, continuando com um desvio angular de 7 graus de cada lado .
A altura mínima para se iniciar uma curva é de 50 pés, onde a influencia da elevação do campo,
temperatura e vento deverão ser levados em consideração.
No caso de um vôo em curva, a redução de performance deverá ser aplicados conforme publicado no
Airplane Flight Manual.
2.6 Subida
A subida influi muito no consumo de combustível e no alcance da aeronave. Como após a decolagem
o avião ainda está voando na densa atmosfera das baixas altitudes e geralmente ainda muito pesado,
o consumo de combustível será extremo. Normalmente é a subida a fase do vôo onde há o maior
consumo de combustível. Por isso mesmo é que pequenas mudanças na razão de subida ou na
velocidade podem fazer uma grande diferença.
Com uma mesma potência é possível se subir mais rápido, porém com menor velocidade, e vice-e-
versa. Com uma maior potência pode-se subir mais rápido e mais veloz, porém nem sempre o
aumento no consumo de combustível será viável para esta operação.
ERJ-145
Time: 19min
Fuel: 1500kg
Distance: 116NM
TAS: 400
3. VÔO DE CRUZEIRO
Considerando que os aviões comerciais passam o maior tempo de vôo durante o regime de
cruzeiro, serão de máxima importância os cálculos relativos á consumo de combustível,
alcance, autonomia, tempo de vôo, etc. Nas aeronaves equipadas com motores a pistão , o
alcance máximo é obtido voando-se num angulo de ataque onde a relação Cl/Cd é máxima.
Para os aviões equipados com motores turbofan ou turbojato, o alcance máximo será obtido
quando a relação M (Cl/ Cd) for máxima, ou seja, uma aeronave a jato de baixa velocidade é
ineficiente.
Alcance Específico
Máx. Alcance
Longo Alcance
Máx. Autonomia
Fluxo de Combustível
Velocidade
Para os aviões, o alcance específico, é a distância percorrida dividida pelo peso do combustível
consumido, ou seja:
Cruzeiro de longo alcance (!ong range cruise - LRC) comparando com MRC, o LRC tem o alcance
específico cerca de 1 % menor, e a velocidade 3 a 5% maior.
Assim, os benefícios de maiores velocidades (viagens mais rápidas, maior estabilidade de velocidade
e menos ajustes do motor) são obtidos ao preço de uma perda de perto de 1 % do alcance específico
máximo. Os flight manuals dos aviões de transporte a jato normalmente incluem dados e tabelas sobre
o LRC e não sobre o MRC.
Cruzeiro de máxima autonomia (maximum endurance cruise-MEC) é aquele que permite a maior
autonomia, isto é,o maior número de horas de vôo. A velocidade para a autonomia máxima é obtida
quando o consumo horário for mínimo, o que ocorre numa velocidade pouco menor que a de máximo
Cl/ Cd. É usado nas esperas sobre aeroportos.
Cruzeiro de velocidade máxima — é aquele no qual é atingida a VMO/ MMO. Naturalmente a tração e
o EGT são muito elevados, o que diminui a vida útil do motor, e aumenta o consumo de combustível.
Cruzeiro com velocidade constante (constant speed cruise) algumas vezes o LRC pode ser substituído
por um regime de velocidade constante, sem apreciável perda de alcance específico. Este regime tem
a vantagem da simplicidade.
È aquele no qual o custo por quilômetro percorrido é mínimo. Ver descrição fig. abaixo.
As tabelas a sequir, mostram o Normal Cruise e o Long Range Cruise para o Lear Jet 35A e o Long
Range Cruise para o Boeing 767.
• Time: 38 min
• Fuel: 1412kg
• Distance: 304NM
5. AFUNDAMENTO - DRIFTDOWN
Caso ocorra a perda de um ou dois motores, o avião normalmente não terá capacidade de manter a
altitude de cruzeiro, apesar da possibilidade de se empregar o regime de potência máxima contínua
nos motores restantes. A velocidade escolhida para a descida deve assegurar:
a) Maior L/D
b) Trajetoria Líquida - 2000ft acima do maior obstáculo e 8 Km afastamento
c) Chegada – 1500ft da pista + 30 min de reserva
d) Alcance suficiente
Os regulamentos determinam que nesses casos a trajetória liquida ultrapasse em pelo menos 600 m
(2.000 pés) os obstáculos que estejam a 8 Km de cada lado da trajetória prevista .Esta trajetória é
obtida da seguinte forma:
Determina-se o gradiente bruto e subtrai-se o valor tirado da tabela abaixo, obtendo-se o gradiente
líquido. A trajetória líquida pode ser estabelecida a partir deste gradiente.
Motores parados
Motores
1 2
4 1.6% 0.5%
3 1,4% 0,3%
2 1,1%
Se, na descida para uma altitude menor, o alcance ou a ultrapassagem de um obstáculo se tornar
crítico, então a trajetória deve seguir o menor ângulo possível. Para isso, o avião inicialmente deve
desacelerar para a velocidade de menor arrasto (CL/CD)Max, e descer até à altitude de nivelamento.
Se esta não for suficiente para ultrapassar os obstáculos com segurança, então o peso deve ser
reduzido por alijamento de combustível para assegurar uma altura de nivelamento maior. Quanto mais
cedo for iniciado o alijamento, maior será o alcance obtido. É evidente que o combustível
remanescente deve ser suficiente para prosseguir o vôo até o aeroporto a uma altitude mínima de
chegada de 1.500 pés, e com 30 minutos de vôo de reserva.
Exemplo:
Se um Boing 767 estiver com 170 toneladas de peso no instante da perda do motor, e a temperatura
do ar externo for igual ou menor que a ISA, ele poderá atingir a altitude máxima de 18.900 pés com
um peso de 164 000Kg, e se o vento local for de 40 kt de proa, a distância percorrida em relação ao
solo será de 400 milhas náuticas em 75min (Tab) .Se considerarmos o nivelamento a 18000 pés, o
avião terá um consumo de 5373Kg/h de combustível para LRC (Tab) .
As tabelas a sequir, mostram como é determinado o Driftdown para o Boeing 767 e para o Lear Jet
35A
6. DESCIDA
A determinação das velocidades de descida são estabelecidas por critérios puramente econômicos e
são influenciadas pelo peso, vento, levando-se em consideração o conforto dos passageiros e a
pressurização da cabine.
Usualmente determina-se uma velocidade de descida de 20 a 30 kt maior que a velocidade de descida
de custo mínimo. A velocidade econômica de descida é definida comparando-se custos e consumo em
diferentes velocidades.
Normalmente especifica-se três perfis de descida em idle power (aceleração mínima), A, B e C onde
o perfil A terá velocidade no arrasto mínimo até C na VMO. O perfil “A” será o de maior economia e o
perfil C, o de menor tempo de vôo. A velocidade econômica é cerca de 20 a 40 kt acima da
velocidade de arrasto mínimo, enquanto a velocidade para consumo mínimo é cerca de 10 kt acima da
velocidade de arrasto mínimo.E uma vez feita a seleção de velocidades, ela poderá ser corrigida caso
haja a ocorrência de ventos. Para o planejamento e execução de descidas, isto significa que no caso
de ventos não previstos, ela deve ser iniciada um pouco mais tarde, corrigindo-se o perfil de descida
através de mudanças de velocidade. Isto evitaria a situação adversa de retornar ao perfil previsto
através de aumento de potência do motor.
7. POUSO
7.1 Generalidades
O desempenho de um avião na operação de pouso tem muitos fatores em comum com a operação de
decolagem, ou seja, o peso do avião, a densidade do ar, o arrasto total, o atrito com o solo, o vento e o
gradiente da pista influenciam na distância de pouso.
Os fatores que influenciam especificamente na distância de pouso são os recursos de frenagem do
avião, sendo o principalmente os freios das rodas e, nos aviões mais modernos, teremos também os
reversíveis e os “spoilers”.
Um fator que é comum às duas manobras, mas que na distância de pouso é extremamente
importante, são as condições de atrito da pista; uma pista contaminada por água, neve, gelo, etc. pode
ocasionar um pouso tão longo que o piloto não consegue parar o avião no comprimento existente de
pista.
VRef (Reference Speed): Velocidade teórica na configuração de pouso na qual a aeronave deve
cruzar a cabeceira da pista numa altura mínima de 50 pés, não deve ser menor que 1.3 VS. A VRef
depende do peso e da configuração e da posição dos Flapes;
DC-9, DC-10 e aeronaves executivas não possuem estes computadores e o engenheiro de vôo ou o
piloto tem que consultar seus manuais e gráficos para obter os dados .
7.5 Regulamento para o Máximo Peso de Pouso para um determinado comprimento de Pista.
a) Distancia de Pouso Demonstrado, é a requerida para pousar e alcançar a parada total da aeronave
a partir de uma altura de 50 pés acima da pista. Esta distancia é determinada por vários pesos de
pouso, altura da pista e componentes de vento, considerando condições de pista seca, temperatura
(ISA) e VRf = 1.3 Vs até uma altura de 50 pés acima da pista.
c) Velocidade de Referencia para Pouso (VRef), também chamada de THRESHOLD SPEED (Vth) ou
velocidade na cabeceira da pista, que é a prevista para manter na configuração de pouso a 50 pés de
altura, na cabeceira da pista para um pouso normal.
Vref = Vth = 1.3 Vs, onde Vs = Velocidade de “STALL” na configuração de pouso.
7.6 Máximo Peso de Pouso limitado pela Energia dos freios (Brake Energy)
Considerando uma ação de frenagem completa, que os spoilers são totalmente estendidos e
reversíveis não aplicados, os freios podem produzir energia térmica suficiente para permitir que o
fusível derreta depois de um certo período. Isto naturalmente, ocorre sob condições extremamente
desfavoráveis (Peso alto de pouso, elevação do aeroporto, temperatura alta do ar ambiente, pouco
flap e declive acentuado na pista). Decolagem imediata sem dar o tempo necessário para o
resfriamento dos freios, poderia causar dificuldades posteriormente. O tempo de permanência no solo
e a temperatura nos freios para evitar que os fusíveis derretem, podem ser obtidas nos manuais de
vôo publicados pelo fabricante.
Razões técnicas podem forçar o retorno de um vôo, necessitando assim, alijamento de combustível
para evitar pousos acima do estrutural. Considerando os aspectos da falta de combustível, e os pontos
de vista ecológicos, pousos acima do estrutural, podem ser autorizados pelas autoridades
competentes sob certas condições, desde que não apresente nenhum risco na segurança da aeronave
e seus ocupantes, caso contrario, o combustível deverá ser alijado. Planejar um vôo com pouso acima
do estrutural, não é permitido.
Os seguintes aspectos devem ser levados em consideração para um pouso acima do estrutural.
Os gráficos a seguir, mostram como é determinada a distância de pouso para o Boeing e Lear Jet 35,
alem das velocidades de aproximação e Vref:
Peso planejado de
pouso: 49.685Kg
Velocidade: 131Kts para
flaps 40°
8. PESO E BALANCEAMENTO
Para garantir condiçıes de vôo, um balanceamento adequado das cargas permite que o CG fique nos
limites de posicionamento determinados pelo fabricante. Por este motivo, para cada decolagem é
obrigatória a determinaçăo da posiçăo do CG .
Nas aeronaves atuais, o estabilizador horizontal tem sua posiçăo para decolagem determinada em
funçăo do CG . Por esta razăo é necessário que o comandante da aeronave tenha ou calcule posiçăo
correta do CG.
Um mau balanceamento pode trazer sérios problemas, năo só na decolagem como também durante o
vôo, como, atitude anormal , vôo desnivelado, maior consumo de combustível, velocidade abaixo da
prevista, comandos restritos do profundor , pouso difícil, mudança da velocidade de estol, etc.
A posiçăo ideal é aquela em que o aviăo pode operar mais eficientemente. O melhor balanceamento
para vôo de cruzeiro é aquele em quę o aviăo pode voar uma maior distância para o combustível
transportado, obtendo um melhor rendimento
Um bom balanceamento é obtido com uma distribuiçăo de carga planejada e consciente. As cargas
concentradas, localizadas próximo ŕ asa, podem ser balanceadas por cargas mais leves, posicionadas
em direçăo ao nariz ou ŕ cauda da aeronave.
8.1 Pesos
Definiçıes de peso:
Também conhecido como Peso Zero Combustível Atual (Actual Zero Fuel Weight) para
diferenciá-lo do Peso Máximo Zero Combustível (Maximum Zero Fuel Weight), que é um Iimitante. É
igual ao Peso Básico Operacional acrescentado do total de carga a bordo (PAYLOAD).
E igual ao Peso Zero Combustível acrescentado do combustível na decolagem (Take off fuel);
G) Peso Maximo estrutural de decolagem – PMED , Maximun takeoff Gross weight MTOGW
É o Peso Máximo de Decolagem, determinado pelo fabricante em funçăo da resistęncia estrutural da
aeronave ou outro fator relacionado ŕ sua construçăo.
I) Peso Máximo estrutural de pouso – PMEP, Maximun landing gross weight - MLGW
É o Peso Máximo de Pouso determinado pelo fabricante em funçăo de sua estrutura.
K) Peso máximo zero combustível – PMZC , Maximun zero fuel weight - MZFW
É um limite estrutural em funçăo da resistęncia da asa. Com aviăo em voo, as asas sofrem esforço
de baixo para cima (sustentaçăo) e a fuselagem, com seu peso, produz sempre uma força para baixo.
Esta força tem que ser limitada para que a asa năo se quebre.
8.2 Balanceamento
A teoria de. Peso e Balanceamento é baseada no Princípio da balança de onde se origina o termo
balanceamento. O trabalho de quem utiliza uma balança é equilibrá-la. No balanceamento de uma
aeronave o trabalho não é diferente.
Pode-se afirmar que estando pesos iguais a uma mesma distância do ponto de apoio, a gangorra está
equilibrada. Esta distância do ponto de aplicação do peso ao ponto de apoio recebe o nome de
BRAÇO.
Qualquer peso aplicado em qualquer ponto desta gangorra, diferente do ponto de apoio, gera uma
força que a movimenta em torno deste. Esta força recebe o nome de MOMENTO, e seu valor pode ser
determinado com o uso da seguinte fórmula: M = P x B, onde:
M=MOMENTO
P=PESO
B = BRAÇO
Datum Line é uma linha vertical da qual todas as medidas horizontais são tomadas.
A datum line pode ser posicionada no bordo de ataque da asa, tangente ao nariz do avião ou adiante
deste, não existindo uma regra quanto à sua localização. Na maioria das aeronaves é localizada à
frente do nariz. Sua posição é determinada pelo fabricante da aeronave.
È um plano vertical em relação ao eixo longitudinal da aeronave. A estação é identificada por sua
distância da DATUM LINE, geralmente medida em polegadas.
8.5 Cálculo do CG
Considera-se a aeronave à direita da gangorra e o ponto de apoio coincidindo com a Datum line . As
distâncias coincidem assim com as estações.
A aeronave tem no exemplo, três pontos de apoio: Um no trem de pouso de nariz e dois nos trens de
pouso principais, cujas posições em estação são conhecidas. Determina-se o peso em cada ponto
com o uso de balanças e calcula-se o CG com a somatória dos momentos.
8.6 Deslocamento do CG
O centro de gravidade de uma aeronave tem sua posição determinada em função da distribuição de
pesos a bordo como: carga nos porões, material de comissaria , número de tripulantes e passageiros,
e muda sempre que algum peso é retirado, colocado ou trocado de posição em relação ao eixo
longitudinal da aeronave.
O centro de gravidade pode ser deslocado ao longo de qualquer um dos três eixos básicos do avião.
Devido às reduzidas dimensões de largura e altura da fuselagem, não existe muita variação de
posição do CG em torno dos eixos vertical e lateral.
O carregamento foi realizado sem seguir os procedimentos preconizados pela empresa aérea. Como
resultado, a tripulação usou ajuste do compensador que não correspondia ao centro de gravidade
(traseiro) da aeronave.
O vôo foi planejado originalmente para ser realizado por um outro avião também DC-8, com
características diferentes, que não chegou no horário previsto. Com o replanejamento, nova
distribuição da carga foi confeccionada, alterando as posições de alguns 'pallets', com as posições 2 e
13 vazias.
O funcionário que levou os documentos até a rampa não sabia da troca de aeronaves e apanhou, no
escritório, a ficha de distribuição da carga com o planejamento anterior, no qual seria baseado o
carregamento.
O atraso provocado pela troca de aeronave fez com que o serviço de carregamento fosse executado
apressadamente e com uma série de improvisos. Não foram travados vários 'pallets' em face da carga
bloquear a passagem. Como tentativa de correção, todos os 'pallets' a partir da posição 5 foram
empurrados para trás, ocupando, assim, a posição que ficaria vazia.
Não foi feita nenhuma tentativa para estabelecer como essas alterações afetariam adversamente a
performance do avião.
O manual de operações da empresa estabelece que o engenheiro de vôo deve verificar a condição da
carga, entretanto, existe uma confiança entre o supervisor de carga e a tripulação.
Outras pessoas informaram que nessa base, normalmente os aviões são carregados antes da
chegada dos tripulantes e, como neste caso específico, a carga não permitia a locomoção dentro do
avião para essa conferência.
- Investigação
A investigação constatou que a carga foi pesada pela empresa de rampa, antes de ser acomodada
nos 'pallets', mas não foi conferido pela empresa aérea.
A sucessão de erros das empresas e as deficiências nos procedimentos de carregamento deste vôo,
não permitiram que a investigação pudesse reconstituir esse processo.
O peso declarado na folha de carga pode ter sido muito inferior ao real colocado no avião, assim como
o CG poderia estar além do limite traseiro.
Tal erro causaria um 'pitch-up' maior do que a expectativa e fora dos limites previstos para a aeronave.
Há cerca de seis meses antes deste acidente a empresa aérea vinha apresentando deficiências no
processo de carregamento e não adotava medidas corretivas concretas.
Uma vistoria detectou, após observar os serviços da empresa, problemas na área de peso e
balanceamento; manejo da carga no solo e amarração da mesma; precisão no peso dos 'pallets'
individuais; a conservação de 'pallets' e redes de contenção. Nesse período uma aeronave foi
carregada sem que os pesos da carga fossem registrados. O piloto constatou essa deficiência e um
erro no cálculo do CG, cancelando o vôo.
Um mês antes deste acidente, nessa mesma base, durante a corrida de decolagem, uma aeronave
começou uma rotação não comandada, próximo a V1. Este incidente não teve uma investigação
aprofundada, somente uma discussão a esse respeito com o setor de operações da empresa, não
gerando nenhuma recomendação preventiva.
- Conclusão
Deve fornecer treinamento periódico para o pessoal que manipula cargas e desenvolver material
explicativo sobre os riscos de erros no carregamento.
Artigo adaptado da Revista Accident Prevention da Flight Safety Foundation (Retirado do Informativo
VASP Safety News).









