0% acharam este documento útil (0 voto)
147 visualizações19 páginas

Inclusão do Aluno Autista na Educação Infantil

1. Este documento discute a inclusão de alunos com autismo na educação infantil. 2. O autismo afeta a interação social, comunicação e comportamento, o que dificulta o processo de ensino-aprendizagem. 3. É importante compreender os desafios enfrentados por essas crianças e implementar práticas pedagógicas inclusivas que possibilitem sua participação na rotina escolar.

Enviado por

Nathalia Pires
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
147 visualizações19 páginas

Inclusão do Aluno Autista na Educação Infantil

1. Este documento discute a inclusão de alunos com autismo na educação infantil. 2. O autismo afeta a interação social, comunicação e comportamento, o que dificulta o processo de ensino-aprendizagem. 3. É importante compreender os desafios enfrentados por essas crianças e implementar práticas pedagógicas inclusivas que possibilitem sua participação na rotina escolar.

Enviado por

Nathalia Pires
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO LATO SENSU

NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO


FAVENI

A INCLUSÃO DO ALUNO COM AUTISMO NA


EDUCAÇÃO INFANTIL

MARILENE REIS DE SOUZA


Governador Valadares – MG
2021

A INCLUSÃO DO ALUNO COM AUTISMO NA EDUCAÇÃO


INFANTIL

MARILENE REIS DE SOUZA

Resumo: Este trabalho tem como objetivo compreender como ocorre o processo de ensino
aprendizagem da criança com autismo na educação infantil. O autismo é classificado como um
dos “Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD)”, é descrito como um espectro, pois as
características podem variar do leve ao mais severo, comprometendo o desenvolvimento normal
do indivíduo, afetando a interação social, a comunicação e o comportamento, essa dificuldade
faz com que as crianças com autismo, sejam bastante limitadas em todo o processo de ensino
aprendizagem. A legislação brasileira garante a toda criança, o direito à educação e está prevista
sua inclusão de ser matriculado e permanência na rede regular de ensino, há um aumento
expressivo de alunos com o Transtorno de Espectro Autista (TEA) nas escolas. Como
metodologia utilizou-se a revisão bibliográfica. A partir do levantamento da literatura foi possível
identificar que a discussão acerca do autismo vem crescendo nos últimos anos, com destaque
para os estudos com crianças e educação infantil, fase onde são desenvolvidos componentes
cognitivos e de socialização.

Palavra chave: Autismo; Educação Infantil; Ambiente Escolar; Inclusão.

1. INTRODUÇÃO

Segundo Almeida (2004) o autismo caracteriza-se por uma tríade de


anomalias comportamentais como limitação ou ausência de comunicação verbal,
falta de interação social e padrões de comportamentos restritos.
Esse estudo verificou quais são os desafios mais decorrentes na
educação infantil para os alunos que são portadores de autismo. Possibilitando
um panorama acerca do autismo em crianças na fase da educação infantil, bem
como os sintomas, interação e comunicação do aluno. São apontadas algumas
das práticas pedagógicas que possibilitam a inclusão desse aluno na rotina
escolar, apresentando os possíveis resultados de tais práticas pedagógicas.

Sua origem ainda é desconhecida, porém, a tendência atual é considerá-


la como uma síndrome de origem multicausal envolvendo fatores genéticos,
neurológicos e sociais da criança.

É cientificamente conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA).


É caracterizado por problemas na comunicação, na socialização e no
comportamento, geralmente diagnosticado entre 2 e 3 anos de idade. Segundo
Mello (2007), o autismo é um distúrbio do comportamento que consiste em uma
tríade de dificuldades, são elas: dificuldade de comunicação, dificuldade de
sociabilização e dificuldade no uso da imaginação.

Esse transtorno resulta de alterações neurocognitivas no


desenvolvimento da criança. As quais são expressas por meio da emissão de
diferentes comportamentos a saber: dificuldade na fala e comunicação,
dificuldade em expressar sentimentos, pouco ou nenhum contato visual,
isolamento, ausência de atenção compartilhada, dificuldade em fazer amizades
e estabelecer vínculos afetivos, déficits na reciprocidade socioemocional,
emissão de comportamentos em padrões repetitivos, dentre outros.

Ao longo desta pesquisa será explanado sobre um breve histórico acerca


do autismo, definições do TEA, o autismo na educação infantil, o papel do
professor e da família na inclusão de alunos autistas.

2. BREVE HISTÓRICO SOBRE O AUTISMO


A história dos precursores do TEA teve seu destaque entre o século XVII
e século XIX, de acordo com o Ministério da Saúde. Antes disso, o diagnóstico
era nomeado de “idiotia” e cobria todo o campo da psicopatologia de crianças e
adolescentes. Sendo assim, a idiotia pode ser considerada antecessora na
compreensão de diversos transtornos mentais, como por exemplo as psicoses
infantis, a esquizofrenia infantil e o autismo (BERCHERIE, 1998 apud BRASIL,
2015).

O Transtorno do Espectro Autista, já foi conhecido na literatura como


transtorno autistico, autismo da infância, autismo infantil e autismo infantil
precoce (KLIN, 2006). Demonstrando preocupação em evoluir com o tema, bem
como com o uso de conceitos e definições acerca do TEA.

Apesar da concepção do termo ser efetivada no ano de 1911, os primeiros


estudos sobre autismo, somente foram realizados no ano de 1943 pelo psiquiatra
Leo Kanner. De acordo com Donvan & Zucker (2017), De Paula, et. al. (2017),
Schmidt (2013), Assumpção Jr. (2013), Schwartzman (2011) dentre outros, os
primeiros estudos investigativos surgiram quando Leo Kanner publicou o artigo
“Autistic Disturbances of Affective Contact” (Distúrbio Autista do Contato Afetivo).
Este artigo foi fruto de quatro anos de investigação e registro do quadro clínico
de Donald Triplett, um menino identificado como Donald T., o qual, a partir de
dois anos de idade sofreu marcantes regressos de seu desenvolvimento.

Donald T. possuía comportamentos ‘normais’ até dois anos de idade,


quando começou a chamar a atenção dos seus pais por notável regressão do
seu desenvolvimento como a falta de interesse em pessoas e objetos ao seu
redor. Manifestou agressividade ao ter sua rotina alterada ou atividade
interrompida, bem como, a falta de respostas às tentativas afetivas e crescente
isolamento. Tais condutas despertaram a preocupação de sua família que, em
busca de saber que mal havia acometido seu filho, sua mãe escreve uma carta
de confissão descrevendo Donald como “irremediavelmente louco” (DONVAN;
ZUCKER, 2017).

Anos à frente, em 1978, Kanner propôs critérios diagnósticos,


enaltecendo a necessidade em serem realizadas observações comportamentais
dos indivíduos. Conforme expressam Tamanaha, Perissinoto e Chiari (2008, p.
2) os critérios estabelecidos compreendiam

[...] a perda do interesse social e da responsividade; alterações


de linguagem que vão desde a ausência de fala até o uso
peculiar da mesma; comportamentos bizarros, ritualísticos e
compulsivos; jogo limitado e rígido; início precoce do quadro, [...]
antes dos 30 meses de vida.

Em 1980, o autismo foi reconhecido pela primeira vez e inserido em uma


nova classe de transtornos, os transtornos invasivos do desenvolvimento (KLIN,
2006). Atualmente, é utilizado o termo transtorno do espectro autista e este está
inserido no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V),
na categoria Transtornos do Neurodesenvolvimento (TND) (APA, 2014).

Destaca-se que no ano de 2014, no lançamento do DSM-V, ocorreu uma


fusão do transtorno autista, do transtorno de Asperger e do transtorno global do
desenvolvimento no Transtorno do Espectro Autista. Essa fusão foi realizada
pois a American Psychiatric Association (2014, p. 42), por meio de
levantamentos e estudos identificou que

[...] os sintomas desses transtornos representam um continuum


único de prejuízos com intensidades que vão de leve a grave nos
domínios de comunicação social e de comportamentos
restritivos e repetitivos em vez de constituir transtornos distintos.
Essa mudança foi implementada para melhorar a sensibilidade
e a especificidade dos critérios para o diagnóstico de transtorno
do espectro autista e para identificar alvos mais focados de
tratamento para os prejuízos específicos observados.

Como retratado nesse recorte histórico, o autismo foi perpassado por uma
série de questões no decorrer do tempo, que de alguma forma refletem a
impossibilidade de se abordar um tema tão vasto a partir de uma única
concepção.
3. O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)

3.1 CARACTERIZANDO O AUTISMO

O autismo é considerado pelo DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual


of Mental Disorder, da Associação Americana de Psiquiatria) um transtorno
invasivo do desenvolvimento – TID e não é um distúrbio raro.

A doença pode ser caracterizada por um desenvolvimento intelectual


alterado que afeta também a capacidade de socialização, como afirma Santo e
Coelho (2006) o autismo trata-se de uma anomalia grave, caracterizado por
severos problemas de comunicação, comportamento e incapacidade de
relacionar-se com as pessoas de forma normal.

Sabe-se que o autismo é uma desordem neurobiológica e que a taxa de


incidência é maior no sexo masculino. Na atualidade, é uma das patologias mais
encontradas na infância. Além disso, estudos apontam que diferente do que os
cientistas pensavam no início das pesquisas sobre o autismo, não existe relação
com a falta de afeto entre a criança e seus pais. Os genes têm papel importante,
mas não são os únicos fatores envolvidos.

A criança autista pode apresentar sintomas desde os primeiros meses ou,


após um determinado período de desenvolvimento normal, ir perdendo todos os
avanços conquistados ao longo dos meses. Vale ressaltar que em ambos os
casos a criança precisa apresentar esses sintomas antes dos 36 meses.

O autista não reconhece o outro como seu semelhante. São


características do autista fazer pouco ou nenhum contato com o olhar, ter
aparente aversão ao contato físico, não interagir, ter dificuldade em brincadeiras
que exijam imaginação, dificuldades para se relacionar com o outro, ter
interesses pouco comuns, manias, apresentar estereotipias e não aceitar de
forma tranquila mudanças em sua rotina.

A dificuldade de interação é um dos sintomas do espectro, classificados


por Wing (1979) juntamente com outros dois sintomas formando o tripé dos
sintomas autísticos. São eles: falha na interação recíproca, dificuldade na
comunicação verbal e não-verbal e comprometimento da imaginação com
repertório restrito de interesses e atividades (GIKOVATE e MOUSINHO, 2004).

As definições utilizadas pela APA (2013) apud Zanon et al (2014) vão de


encontro com as concepções já mencionadas.

[...] as manifestações comportamentais que definem o TEA


incluem comprometimentos qualitativos no desenvolvimento
sociocomunicativo, bem como a presença de comportamentos
estereotipados e de um repertório restrito de interesses e
atividades, sendo que os sintomas nessas áreas, quando
tomados conjuntamente, devem limitar ou dificultar o
funcionamento diário do indivíduo (APA, 2013 apud ZANON et
al, 2014, p.25).

Com essa realidade dos déficits de comunicação, interação social e


comportamental do autista o sujeito com TEA pode estar em diferentes níveis.
De acordo com Cunha (2015, p. 23) “o uso atual da nomenclatura Transtorno do
Espectro Autista possibilita a abrangência de distintos níveis do transtorno,
classificando-os de leve, moderado e severo”. Nesse sentido, não se pode
uniformizar o sujeito com autismo, considerando que são indivíduos diversos,
com níveis de intelectualidade diferentes. É viável o conhecimento mais sucinto
das características desse Transtorno.

Diante do que foi apresentado, nota-se que o Transtorno do Espectro do


Autismo não se apresenta como algo linear, já que não há uma fórmula para
evidenciar sintomas relacionados ao autismo. Identificar um sujeito com autismo
é lembrar que as características supracitadas são indissociáveis, podendo ser
evidentes ou não, de acordo com seu nível de gravidade.

As características da pessoa com autismo não podem ser motivos de


desistência nos aspectos pessoal, educacional e profissional, é um desafio, e os
primeiros passos a serem tomados é conhecer, acompanhar e buscar cada vez
mais por melhores condições para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social.
O TEA não se concentra nas dificuldades, mas na ampliação de novos olhares,
novas possibilidades de conhecimento, na compreensão do sujeito, enquanto
ser social, buscando perspectivas de evolução.
3.2 O AUTISMO E AS LEIS DE APOIO A INCLUSÃO

A Organização Pan Americana da Saúde (OPAS), organização


internacional especializada em saúde, afirmou em 2017 que “em todo o mundo,
as pessoas com transtorno do espectro autista são frequentemente sujeitas à
estigmatização, discriminação e violações de direitos humanos. Globalmente, o
acesso aos serviços e apoio para essas pessoas é inadequado”.

Em outras palavras, devido às suas necessidades especiais, o sujeito com


autismo é visto com olhos diferenciados e por conta disso, muitas vezes suas
ações e atitudes são vistas como estranhas, esquisitas e mal interpretadas,
levando ao preconceito, bem como a um afastamento, mesmo que mínimo, das
pessoas que o rodeiam. Diante disso, de acordo com Machado (2019), a
Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos
Deputados aprovou um projeto de lei que obriga o Poder Público a criar um
disque-denúncia de ações contra as pessoas autistas.

É possível evidenciar aspectos que rompem barreiras e levam à inclusão.


Baseando-se na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº
9.394/96, na Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da
Educação Inclusiva (2008), as Diretrizes Nacionais para Educação Especial na
Educação Básica (RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 2, DE 11 DE SETEMBRO DE
2001), a lei nº 13.146/15, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com
Deficiência e a lei de amparo à pessoa com autismo, a lei nº 12.764/12, esta, por
sinal, considerada uma das mais importantes para o Brasil nesse enfoque da
inclusão da pessoa com TEA.

A Lei 12.764/12, institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da


Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e estabelece diretrizes para sua
consecução, é um forte instrumento de garantia e cumprimento de deveres. Ela
classifica o transtorno como sendo uma deficiência persistente e clinicamente
significativa da comunicação e da interação social, manifestada pela dificuldade
de comunicação verbal e não verbal, reciprocidade social e dificuldades para
desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento.
Ressalta ainda, os padrões restritivos e repetitivos de comportamento da pessoa
com autismo, manifestados por atividades motoras ou verbais estereotipadas ou
por comportamentos sensoriais incomuns, apego a rotina, bem como interesses
restritos e fixos (BRASIL, 2012).

Logo no 1º parágrafo é especificado quais pessoas podem ser


consideradas com o transtorno do espectro autista. Para isso, precisam
apresentar:

I – deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e


da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação
verbal e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade
social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de
desenvolvimento;

II – padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e


atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais
estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva
aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses
restritos e fixos.

O artigo 2º aponta diretrizes da Política Nacional de Proteção dos Direitos


da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. São eles: a integração de
diversos setores no desenvolvimento das ações e de políticas voltadas para o
atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista, bem como a
participação da comunidade na formulação de políticas pública e a atenção
integral às necessidades de saúde dessa pessoa objetivando o diagnóstico
precoce, o atendimento multiprofissional, e o acesso a medicamentos e
nutrientes.

Outrossim, a inserção da pessoa no mercado de trabalho sempre


respeitando suas particularidades, a responsabilização do poder público quanto
o acesso à informação, o incentivo à pesquisa científica no sentido de quantificar
e analisar os problemas relativos a esse transtorno em nosso país são, também,
contemplados nesse artigo.

O artigo. 3º é importante, pois mostra quais são os direitos da pessoa com


transtorno do espectro autista. Dentre eles, podemos citar o direito a uma vida
digna (proteção, acesso a serviços de saúde, atendimento, nutrição e
medicamentos) e ao diagnóstico precoce, mesmo que não seja definitivo. Devem
ter acesso à educação e ao ensino profissionalizante, à moradia e ao mercado
de trabalho.

O parágrafo único diz que “Em casos de comprovada necessidade, a


pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de
ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2 o, terá direito a acompanhante
especializado”. Ter em um documento oficial, o acesso à mediação é um grande
passo visto que é fundamental o papel desse profissional no processo de
desenvolvimento dessas pessoas.

Como dito anteriormente, o artigo 7º surge para deixar claro que qualquer
forma de preconceito por parte das escolas, não será mais aceita sob pena de
punição. Recusar a matrícula já é algo proibido por lei, a medida reforça isso e
estabelece a punição. Segundo a lei “o gestor escolar, ou autoridade
competente, que recusar a matrícula de aluno com transtorno do espectro
autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três)
a 20 (vinte) salários-mínimos”. A existência de uma punição para tal conduta faz
com que muitos gestores desistam de não aceitar esses alunos em suas
escolas. Caso haja reincidência, haverá perda do cargo.

Pode-se concluir que essa lei representa uma grande conquista para
todos os pais, médicos, professores e demais profissionais envolvidos com o
desenvolvimento da criança autista e mais um reforço na luta pela inclusão.
Conseguir incluir o autismo como deficiência é um grande passo para garantir
direitos que deveriam ser de todos, mas não são, como acesso a escolas
regulares sem possibilidade de recusa.
4. O AUTISMO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

A Constituição Federal Brasileira de 1988 garante que todos têm direito a


educação e a criança com autismo também possui os mesmos direitos que toda
criança tem garantidos por lei. A escola é um lugar que proporciona às crianças
a possibilidade de integração social, faz com que a criança tenha contato com
outros sujeitos que não são do seu meio familiar contribuindo para o seu
desenvolvimento social. Vasques; Baptista, (2003, p.9) diz:

[...] mais que um exercício de cidadania, ir á escola, para as


crianças com psicose infantil e Autismo poderá ter valor
constitutivo, onde, a partir da inserção escolar seja possível uma
retomada e reordenação da estruturação psíquica do sujeito.

Com a chegada da idade escolar da criança, inicia-se a procura por uma


instituição que melhor o acolha, que possa desenvolver seus potenciais, e que
lhe dê condições na qualidade de ensino. Com crianças com autismo, esse
comportamento dos cuidadores não difere. Mas, há muitas escolas que ainda
não estão preparadas estruturalmente e pedagogicamente para aceitá-las.

De acordo com Martins e Monteiro (2017, p. 3),

[...] independente de o aluno autista frequentar a escola regular


ou a instituição especial, há em vigor um discurso sobre a
escolarização dessas crianças, aspecto que demanda maior
conhecimento sobre as relações estabelecidas entre os alunos
com seus pares, equipe pedagógica e com outras instâncias
institucionais, assim como reflexões sobre as possibilidades de
ensinar esses alunos.

A escola é sem dúvida o primeiro passo para a integração e a inclusão do


aluno autista. Tudo começa com a sua integração na educação infantil, onde a
criança autista começa a se desenvolver intelectualmente e afetivamente nos
ambientes internos e externos, conhecendo uma nova realidade, proporcionada
pelos alunos, docentes e toda equipe da instituição escolar. Kupfer (2007, p.36),
ressalta que:

A criança moderna é uma criança indissoluvelmente ligada ao


escolar, que lhe atribui o lugar social, a inserção social, é o que
a constitui, o que lhe dá identidade [...]. A história sublinha então
uma dimensão da infância que é dada pelo campo social, que a
enquadra, lhe dá significação e interpretação. O campo social
também define um tempo para essa infância, que é justamente
a escolarização obrigatória.

Para que haja uma qualidade no ensino é necessário iniciativas que todos
os envolvidos como gestores, pedagogos, professores, coordenadores, pais,
alunos e demais profissionais da área busquem e lutem pelo mesmo ideal, que
é a melhoria do ensino aprendizagem em todas as escolas, segundo as suas
necessidades.

Cada escola é única, com seus problemas sociais, sua realidade,


vivências, assim como seus alunos que são únicos, reconhecendo e valorizando
suas diferenças. As mudanças necessárias para melhor atender uma instituição
escolar e todos os que nela pertencem, não acontece por acaso e nem por
decreto, mas fazem parte da vontade política do coletivo da instituição escolar,
que estão explícitos no seu Projeto Político Pedagógico, que deverão ser vividas
pela sua direção, seu gestor democrático e todo corpo docente.

4.1 O PAPEL DO EDUCADOR

O desafio na educação requer em compreender como ocorrem às


relações sociais, didáticas e metodológicas da criança autista a partir da
educação infantil, analisando o desenvolvimento cognitivo, afetivo e histórico-
cultural e a influência familiar. De acordo com Cunha, (2016, p.23). O autismo
tem que ter um olhar pedagógico e sabermos como lidar na escola e como
abordá-lo, os sintomas variam muito de indivíduo para indivíduo. Em alguns
quadros, há o acometimento de convulsões, já que o transtorno pode vir
associado a diversos problemas neurológicos e neuroquímicos.

Após o aluno estar incluído na escola, cabe ao educador fazer a primeira


identificação precoce na criança de algo que não está dentro da normalidade,
uma conduta essencial para a intensificação à comunicação, interação social da
criança no ambiente escolar e na sociedade.

O diagnóstico precoce é o primeiro grande instrumento da


educação. O que torna o papel docente fundamental, pois é na
idade escolar, quando se intensifica a interação social das
crianças, que é possível perceber com maior clareza
singularidades comportamentais. Será sempre pertinente o
professor ou a professora observar atentamente seu aluno,
quando este apresentar algumas das seguintes características
comportamentais: retrai-se e isolar-se das outras pessoas; não
manter o contato visual; desligar-se do ambiente externo; resistir
ao contato físico; inadequação a metodologias de ensino; não
demonstrar medo diante de perigos; não responder quando for
chamado; birras; não aceitar mudança de rotina; usar as
pessoas para pegar objetos; hiperatividade física; agitação
desordenada; calma excessiva; apego e manuseio não
apropriado de objetos; movimentos circulares no corpo;
sensibilidade a barulhos; estereotipias; ecolalias; ter dificuldades
para simbolizar ou para compreender a linguagem simbólica; e
ser excessivamente literal, com dificuldades para compreender
sentimentos e aspectos subjetivos de uma conversa. (CUNHA,
2016, p. 24-25).

Estas características precisam ser avaliadas pelo educador para seu


conhecimento, tornando-se essencial para entender que tipo de síndrome a
criança está sofrendo, isso se ela não tem um laudo médico. Após identificar que
tipo de síndrome a criança está acometida, caberá ao docente usar metodologias
pedagógicas apropriadas para aquela criança, juntamente com o afeto, pois o
afeto é uma ferramenta pedagógica essencial para o professor encontrar
recursos necessários para trabalhar as dificuldades encontradas no seu aluno,
que podem ser várias.
O docente necessita estar sempre atualizado com as metodologias
inovadoras, buscando especializações, novos conhecimentos, para interagir
com seus alunos. Conforme cita Rodrigues (2010, p. 72-73),

[...] a proposta inclusiva da Educação (um direito assegurado)


tem por fim conscientizar os (as) professores (as) sobre as bases
filosóficas, políticas educacionais, jurídicas, éticas responsáveis
pela formação de competências do profissional que participa
ativamente dos processos de integração, desenvolvimento e
inserção da pessoa deficiente na vida produtiva em sociedade,
evidenciar o direito legal mediante dever do Estado com a
educação; e garantir, conforme determina a Constituição da
República Federativa do Brasil no seu artigo 208, inciso III, o
atendimento educacional especializado aos portadores de
deficiências, preferencialmente na rede regular de ensino.

Para que aconteça de fato e de direito, necessita de docentes


comprometidos com a educação, visto que a Lei é clara quando diz que a
educação é para todos e que a inclusão se faz necessária, pois com ela
acontecem mudanças na perspectiva e no olhar destes profissionais. De modo
geral, as formações continuadas são de suma importância, para que a educação
seja ofertada com qualidade para todos.

Vale ressaltar que o movimento de inclusão escolar revelou que a


educação, com seus métodos tradicionais, exclui cada vez mais alunos, ao invés
de incluí-los (FREITAS, 2005). O que corrobora com a teoria de que se deve
levar em consideração, as especificidades de cada aluno, com vista a garantir a
qualidade de ensino para todos, e não apenas para aqueles que apresentam
dificuldades mais evidentes. Sabendo que todas as crianças, típicas ou atípicas,
apresentam características físicas, comportamentais e emocionais únicas e
singulares, e a existência de tais características, exige, uma prática de ensino
voltada para atender essas singularidades, de forma que todos os alunos logrem
êxito em sua vida escolar e acadêmica.

A literatura aponta que a opção por uma ou outra forma de se estabelecer


vínculo com o aluno com necessidades educativas especiais perpetrará muita
diferença na prática seguida pelo educador. Admitir que a patologia ganhe
sobressalto nessa relação causa impedimentos para a realização de um trabalho
efetivo, como também para o reconhecimento das capacidades desse aluno,
que, em muitos casos, acaba recebendo a visão apenas pelo viés da deficiência
que possui. (SANINI; BOSA, 2015, p. 181).

4.2 O PAPEL DA FAMÍLIA

Dentro do processo de ensino aprendizagem do aluno autista é


necessário que haja uma integração da família com a escola. A parceria da
família é essencial para que o aprendizado e o desenvolvimento cognitivo da
criança venham acontecer da forma esperada. A escola sozinha não consegue
fazer com que o desenvolvimento da criança aconteça, por esse motivo há uma
necessidade de consolidar esta parceria com a família no processo de
escolarização da criança com autismo.

Dessen & Polonia (2007) afirmam que na escola os conteúdos e os


conceitos curriculares asseguram a instrução e apreensão de conhecimentos,
havendo uma preocupação central com o processo ensino aprendizado. Já na
família, para as autoras, os objetivos, conteúdos e métodos de diferenciam,
fomentando o processo de socialização, da proteção, das condições básicas de
sobrevivência e de desenvolvimento de seus membros no plano social, cognitivo
e afetivo.

Quando a família e a escola mantem boas relações, as condições para


um melhor aprendizado e desenvolvimento da criança podem ser maximizadas
(POLONIA e DESSEN, 2005). Sendo assim, pais e professores devem ser
estimulados a discutirem e buscarem estratégias conjuntas e especificas ao seu
papel, que resultem em novas opções e condições de ajuda mútua (LEITE e
TASSONI, 2002).

Ainda para Polonia e Dessen (2005) no que tange a inclusão da família


no contexto escolar, a escola deve reconhecer a importância da colaboração dos
pais na história e no projeto escolar dos alunos e auxiliar as famílias a exercerem
seu papel na educação, na evolução e no sucesso dos filhos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Frente ao conteúdo coletado e analisado, percebe-se que ainda o


processo de ensino aprendizagem entre alunos com autismo e professores
proporciona grandes dificuldades na escola. Há a necessidade que eles, a escola
junto aos professores, possuam interesse em buscar e conhecer novas
metodologias educativas, para que assim, a criança com autismo possa se
envolver no meio educacional e social.

Com os dados obtidos na literatura é possível iniciar uma reflexão a


respeito da relevância e do esclarecimento de diferentes enfoques do autismo,
para buscar uma forma de intervenção conjunta entre a família e o educador de
um aluno autista. A ação educativa da escola e da família apresentam nuances
distintas quanto aos objetivos, conteúdos, métodos e questões interligadas a
afetividade.

Nesse sentido, é preciso que ocorra um trabalho coletivo entre os


profissionais da escola, professor regente e do AEE, e, também, é de extrema
importância que um profissional capacitado e formado adequadamente
acompanhe esse aluno diariamente em sala de aula. Esse acompanhamento
fortalece o vínculo do autista com uma pessoa de confiança e referência e facilita
o trabalho pedagógico do professor.

É importante lembrar que, embora existam as manifestações mais


comuns, elas não são condições determinantes para diagnosticar um autista. É
necessário um acompanhamento profissional minucioso e processual para se
diagnosticar com precisão. O ideal é que esse diagnóstico seja feito de forma
coletiva, com a participação de diferentes profissionais, como pediatras;
psiquiatras; clínicos gerais; psicólogos educacionais e fonoaudiólogos e,
utilizando também de relatos da família e de pessoas próximas. Por fim, como
foi exposto no presente trabalho, existe um grau de variação dentro do espectro
autista, que pode ir do mais leve ao mais severo.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, S. F.C. Inclusão escolar do politicamente correto a ética do


sujeito no campo da educação. São Paulo: LEPSI,2004.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION- APA. Manual diagnóstico e


estatístico de transtornos mentais- DSM- 5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

BRASIL. Lei 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Lei que institui a Política


Nacional de proteção dos direitos da pessoa com transtornos do espectro
autista. Diário Oficial da União, Brasília, DF: 2012.

BRASIL, Ministério da Saúde. Linha de Cuidado para a Atenção Integral às


Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo e suas Famílias na Rede
de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde. Brasília, DF: Ministério
da Saúde, 2015.
CUNHA, Eugenio. Autismo e inclusão: psicopedagogia práticas educativas na
escola e na família. 6 ed. Rio de Janeiro: Wak Ed. 2015. 140 p.

CUNHA, Eugênio. Autismo na escola: um jeito diferente de aprender, um jeito


diferente de ensinar- ideias e práticas pedagógicas. 4 ed. Rio de Janeiro: Wak
Editora, 2016.

DESSEN, M.A. & POLONIA, A.C. A família e a escola como contextos de


desenvolvimento humano. Brasília: Universidade do Distrito Federal, 2007.

DONVAN, John; ZUCKER, Caren. Outra Sintonia: a história do autismo


Companhia das Letras, 2017.
FREITAS, E. S. Fui Bobo em Vir? Testemunha de uma Inclusão. In: COLLI,
F. A. G.; KUPFER, M. C. M. (Orgs). Travessias, Inclusão Escolar: a Experiência
do Grupo Ponte Pré-Escola Terapêutica Lugar de Vida. São Paulo: Casa do
Psicólogo, 2005. p. 121-131.

GIKOVATE, Carla; MOUSINHO, Renata. Espectro autístico e suas


implicações educacionais. Rio de Janeiro: Revista Sinpro-RIO. Ano 5, n.6,
2004.

KLIN, A. Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral. Revista Brasileira


de Psiquiatria, São Paulo, v. 28, supl. 1, p. 3-11, 2006. Disponível em:
[Link] -
44462006000500002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 12 nov. 2020.

KUPFER, M. C. M. Educação para o futuro: psicanálise e educação. São


Paulo: Escuta, 2007.

LEITE, S.A.S & TASSONI, E.C.M. A afetividade em sala de aula: Condições do


ensino e a mediação do professor. In: AZZI, R.G.; SADALLA, A.M.F.A. (Orgs.),
Psicologia e formação docente: desafios e conversas. São Paulo: Casa do
Psicólogo, 2002.

MACHADO, R. Educação aprova disque-denúncia em defesa da pessoa


autista. Câmara dos Deputados, Brasília, 11 jul. 2019. Direitos Humanos.
Disponível em: [Link] -aprova-
disque-denuncia-em-defesa-da-pessoa-autista/. Acesso em 12 de nov. 2020.

MARTINS, A. D. F.; MONTEIRO, M. I. B. Alunos autistas: análise das


possibilidades de interação social no contexto pedagógico. Psicologia Escolar e
Educacional, Maringá, v. 21, n. 2, p. 215-224, 2017. Disponível em:
[Link] Acesso
em: 13 nov. 2019.

ORGANIZAÇÃO PAN AMERICANA DA SAÚDE- OPAS. Folha informativa:


Transtorno do espectro autista. Brasília, DF: Organização Mundial de Saúde,
2017. Disponível em: [Link] php?Itemid=1098. Acesso
em: 06 nov. 2020.
PAULA, Cristiane S. de; et. al Conceito do Transtorno do Espectro Autista:
definição e epidemiologia. In: BOSA, Cleonice Alves; TEIXEIRA, Maria Cristina
T.V. Autismo: Avaliação psicológica e neuropsicológica.. 2ª ed. – São Paulo:
Hogrefe, 2017. cap. 01. p. 07 – 28.

Salomão. Transtornos do Espectro do Autismo: conceitos e generalidades.


São Paulo: Memnon, 2011.

SCHMIDT, Carlo. Autismo, educação e transdisciplinaridade. In: SCHMIDT,


C (org) Autismo, educação e transdisciplinaridade. Campinas, SP: Papirus,
2013.

TAMANAHA, A. C.; PERISSINOTO, J.; CHIARI, B. M. Uma breve Revisão


Histórica Sobre a Construção dos Conceitos do Autismo Infantil e da
Síndrome de Asperger. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia,
São Paulo, v. 13, n. 3, p. 296-299, 2008. Disponível em:
[Link] Acesso em: 05 nov. 2020.

VASQUES, C.K; BAPTISTA, C.R. Transtornos Globais do Desenvolvimento


e Educação: um discurso sobre possibilidades. In. Seminário Internacional
Educação Intercultural, Gênero e Movimentos Sociais, 2, 2003, Florianópolis.
Anais... Florianópolis: UFSC, 2003. Disponível em:
[Link] - [Link]. Acessado em 10 de outubro de
2020

RODRIGUES, S. R. Oficinas de Acessibilidade ao Currículo: Pensando na


inclusão da diversidade. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO
ESPECIAL, 4., São Carlos. Anais eletrônicos [...] São Carlos: UFSCar, 2010.

SANINI, C.; BOSA, C. A. Autismo e inclusão na educação infantil: Crenças e


autoeficácia da educadora. Estudos de Psicologia, Natal, v. 20, n. 3, p. 173-183,
2015. Disponível em: [Link] v20n3/1413-294X-epsic-20-
[Link]. Acesso em: 06 nov. 2020.

SANTOS, A.M.E. ; COELHO, M.M. Necessidades Educativas Especiais de


Caráter Permanente/ Prolongado: no contexto da escola inclusiva. Castro
Verde: Cenfocal, 2006.

ZANON, Regina Basso. BACKES, Bárbara. BOSA, Cleonice Alves.


Identificação dos Primeiros Sintomas do Autismo pelos Pais. Psicologia:
Teoria e Pesquisa. Jan – Mar, 2014, Vol. 30 n. 1, pp. 25-33.

Você também pode gostar