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Línguas Maternas e Políticas Educativas em Angola

Este artigo descreve: 1) Como as línguas maternas angolanas, especialmente o kimbundu, são relevantes no contexto das políticas educativas de Angola. 2) A importância de implementar o ensino bilíngue do português e kimbundu nos diferentes níveis de ensino. 3) A necessidade de reformular a legislação educacional para garantir o ensino das línguas maternas angolanas.

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Mariano Cosme
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Línguas Maternas e Políticas Educativas em Angola

Este artigo descreve: 1) Como as línguas maternas angolanas, especialmente o kimbundu, são relevantes no contexto das políticas educativas de Angola. 2) A importância de implementar o ensino bilíngue do português e kimbundu nos diferentes níveis de ensino. 3) A necessidade de reformular a legislação educacional para garantir o ensino das línguas maternas angolanas.

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v.1, n.

3, 2021

REVISTA CIENTÍFICA ACERTTE


ISSN 2763-8928

AS LÍNGUAS MATERNAS ANGOLANAS NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS EDUCATIVAS. O


CASO DA LÍNGUA KIMBUNDU

ANGOLAN MOTHER TONGUES IN THE CONTEXT OF EDUCATIONAL POLICIES. THE CASE OF


KIMBUNDU LANGUAGE

António Francisco Armando1

Submetido em: 29/07/2021 e1326


Aprovado em: 06/09/2021 [Link]

RESUMO
Este artigo debruça-se essencialmente sobre as línguas maternas angolanas no contexto das
políticas educativas, com exemplos do funcionamento da Língua Kimbundu como demonstração da
sua relevância na esfera docente-educativa. Fez-se também a distinção das Línguas Portuguesa e
Kimbundu por meio da colocação dos seus pronomes átonos, e propôs igualmente a necessidade da
implementação do ensino bilingue dessas línguas nos diferentes subsistemas de ensino. Nesse
sentido, a inserção da garantia das línguas angolanas nos diplomas legais permitirá aos diversos
actores da educação traçarem estratégias imediatas para a sua execução e não no formato actual em
que não há obrigatoriedade dessa questão. Todavia, a presente pesquisa formulou os seguintes
objectivos: geral – compreender as línguas maternas angolanas no contexto das políticas educativas,
e como específicos – reflectir sobre as línguas maternas angolanas no contexto das políticas
educativas; descrever o funcionamento da língua kimbundu como indicador para a compreensão da
sua importância, no sentido de despertar aos administradores das políticas educacionais do País, o
interesse em reformular a legislação atinente às línguas de ensino. Quanto à metodologia foi de
revisão bibliográfica, com um paradigma interpretativo-construtivista, tendo em conta a sua índole
qualitativa e, ainda utilizou-se os métodos analítico, sintético e comparativo. Todavia, a pesquisa
deduziu que os Legisladores do Sistema da Educação e Ensino desconsideraram, a natureza técnica
e a realidade plurilingue de Angola, daí a não garantia do ensino das línguas de Angola nos
diferentes subsistemas de ensino, pelo facto de não apresentar fundamentos claros na aludida lei da
intenção real da sua implementação.

PALAVRAS-CHAVE: Língua materna. Políticas educativas. Língua kimbundu

ABSTRACT
This article focuses essentially on Angolan mother tongues in the context of educational policies, with
examples of the functioning of the Kimbundu Language as a demonstration of its relevance in the
teaching-educational sphere. A distinction was also made between Portuguese and Kimbundu
Languages through the placement of their unstressed pronouns, and also proposed the need to
implement bilingual teaching of these languages in the different teaching subsystems. In this sense,
the inclusion of the guarantee of the Angolan languages in the legal diplomas will allow the different
education actors to outline immediate strategies for its implementation and not in the current format in
which this issue is not mandatory. However, this research formulated the following objectives: general
– to understand Angolan mother tongues in the context of educational policies, and as specific – to
reflect on Angolan mother tongues in the context of educational policies; to describe the functioning of
the Kimbundu language as an indicator for understanding its importance, in the sense of awakening to
the administrators of the country's educational policies the interest in reformulating the legislation

1 Doutor em Administração Empresarial pela Florida Christian University - EUA; Mestre em Educação
Internacional; Pós-graduado Lato Sensu em Gestão de Pessoas e Licenciado em Ciências da Educação na
especialidade de Língua Portuguesa. Foi Director Geral e Presidente do Conselho Científico do Instituto Superior
de Angola. É actualmente, Professor de Seminário de Orientação de Trabalhos de Fim de Curso no Instituto
Superior Politécnico Intercontinental de Luanda. É autor da obra literária intitulada "O Português de Angola",
publicada pela Editora Laços.
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REVISTA CIENTÍFICA ACERTTE


ISSN 2763-8928
AS LÍNGUAS MATERNAS ANGOLANAS NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS EDUCATIVAS.
O CASO DA LÍNGUA KIMBUNDU
António Francisco Armando

concerning the languages of instruction. As for the methodology, it was a literature review, with an
interpretive-constructivist paradigm, taking into account its qualitative nature, and also using the
analytical, synthetic and comparative methods. However, the research deduced that the Legislators of
the Education and Teaching System disregarded the technical nature and the plurilingual reality of
Angola, hence the non-guarantee of the teaching of Angolan languages in the different teaching
subsystems, due to the fact that it does not present clear foundations in the mentioned law of the real
intention of its implementation.

KEYWORDS: Mother tongue. Educational policies. Kimbundu language

INTRODUÇÃO

O presente artigo aborda sobre as línguas maternas angolanas no contexto das políticas
educativas, com destaque à língua kimbundu, onde procurou-se demonstrar com exemplos concretos
a importância da inserção dessas línguas no currículo escolar, num quadro legal que as garanta e as
promova.
Porém, traçou como objectivo geral: compreender as línguas maternas angolanas no contexto
das políticas educativas, e como específicos: reflectir sobre as línguas maternas angolanas no
contexto das políticas educativas; descrever o funcionamento da língua kimbundu como indicador
para a compreensão da sua importância, no sentido de despertar aos administradores das políticas
educacionais do País, o interesse em reformular a legislação atinente às línguas de ensino.
No entanto, procurou-se descrever os fenómenos que decorrem no ensino da Língua
Portuguesa em Angola, enquanto língua materna e não materna de muitos angolanos num quadro
plurilingue para aqueles que têm as línguas angolanas como primeira ou segunda língua.
Importa referir que, o ensaio aponta directrizes aos professores e gestores das organizações
educativas que, o sucesso do ensino da Língua Portuguesa depende do entendimento e da atenção
que se deverá dar aos fenómenos sociais e culturais que derivam de outras línguas angolanas, o que
efectivamente influencia o processo de ensino e aprendizagem, pensando sempre que a língua é o
garante da compreensão das demais disciplinas curriculares, daí a sua atenção primordial, apesar da
não obrigatoriedade da sua aplicação nos diferentes subsistemas de ensino.
Por conseguinte, este trabalho assenta sobre a seguinte estrutura: Introdução; Concepção
Teórica sobre as Línguas Maternas Angolanas no Contexto das Políticas Educativas; O caso da
Língua Kimbundu; Metodologia; Considerações Finais e Referências Bibliográficas.
Portanto, o texto faz uma análise sociolinguística sobre o ensino do português considerando o
bilingue ou plurilingue como realidade sociolinguística angolana através de exemplos práticos em
kimbundu que evidenciam esta realidade.

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AS LÍNGUAS MATERNAS ANGOLANAS NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS EDUCATIVAS.
O CASO DA LÍNGUA KIMBUNDU
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CONCEPÇÃO TEÓRICA SOBRE AS LÍNGUAS MATERNAS ANGOLANAS NO CONTEXTO DAS


POLÍTICAS EDUCATIVAS

As línguas são instrumentos de comunicação, de socialização e de administração dos


negócios de um Estado e, quanto às línguas maternas representam a identidade cultural de seu povo.
Nessa perspectiva, os actores das políticas públicas do Estado devem prestar uma atenção ímpar no
seu desenvolvimento e autonomia. Por isso, Reis (2006, p. 76), salienta que, “a língua materna é
aquela com que o indivíduo se identifica de facto e melhor se esta for a língua do berço”.
Já na visão de Spinassé (2006), a Língua Materna ou Primeira não é, necessariamente, a da
mãe, nem a primeira que se aprende, não se trata de apenas uma língua. Todavia, é a que se
aprende primeiro, através dos pais, e também é frequentemente a língua da comunidade e a língua
dos pais pode não ser a da comunidade, e, ao aprender as duas, o indivíduo passa a ter mais de uma
língua primeira. Uma criança pode, portanto, adquirir uma língua que não é falada em casa, e ambas
são consideradas como primeira.
Com esta concepção pode-se extrair o seguinte exemplo, adaptado de Spinassé (2006): uma
criança nasce e cresce em Angola, filho de um Americano com uma Cubana. Se com cada um dos
pais ela se comunica nas suas línguas respectivas, e na escola e com os amigos, o Português é a
língua diária, essa criança tem, claramente, três línguas maternas: português, inglês e espanhol.
Nota-se que, a caracterização de uma Língua Materna como tal, acontece caso se combine
vários fatores e todos eles forem levados em consideração: a língua da mãe, do pai, da comunidade,
a adquirida primeiro pela criança que pode não ser com os seus progenitores. Esses elementos
concorrem para definir uma Língua Primeira.
Se a criança referida anteriormente, agora com 5 anos de idade, se muda para a Alemanha e
começa a adquirir o Alemão para poder comunicar-se bem e integrar-se, na comunidade, esse seria
um caso de Segunda Língua. A aquisição dessa Língua, por sua vez, ocorre, quando o indivíduo já
domina em parte ou totalmente a sua Língua Primeira, ou seja, quando ele já tem o domínio integral
de sua Língua Materna.
No que concerne às políticas educativas, D'Hainaut (1980), sublinhou que, o termo política
implica uma certa consciência da filosofia da acção educativa, e uma certa estratégia na sua
realização. Política educativa é a designação das linhas de força ou as tendências que sustentam as
acções educativas.
D'Hainaut (1980) afirmou ainda que, a clarificação da política educativa deve permitir avaliar
os resultados do ensino em relação às intenções, na medida em que os objectivos operacionais são o
reflexo destes, o que é menos difícil avaliar quanto melhor for clarificada a política educativa. A
análise da política educativa deve efectuar-se em dois níveis:

• Ao nível das intenções declaradas que se podem encontrar em textos e análises de


documentos oficiais, de discursos políticos ou de ensaios.

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• Ao nível da realidade que se pode conhecer pela análise das decisões e a observação.

As políticas educativas são estratégias adoptadas pelo governo por meio de diplomas legais
que permitem a implementação das teorias de educação e ensino.
O kimbundu como língua é um sistema organizado de sons vocais de que nos servimos para
expressar ideias e comunicar com os falantes conhecedores do mesmo código. É a expressão da
consciência de um povo.
Por conseguinte, o Kimbundu é a língua do Grupo Etnolinguístico Ambundu e, conforme
Mingas (2007, p. 35):

É uma das diversas línguas bantu que são faladas pelas populações angolanas,
mais precisamente na capital, Lwanda, nas províncias de Malanje, Kwanza Norte,
Bengu, nas zonas fronteiriças ao Sul das províncias de Wije e do Zaire, assim como
nas ao Norte da província do Kwanza Sul.
"Héli Chatelain foi o primeiro linguista a interessar-se pelo Kimbundu. Ele
publicou, em 1888, a Gramática Elementar do Kimbundu ou Língua de
Angola (Mingas, 2007, p. 35), e em 1894, em Nova Iorque, a obra Folk-tales
of Angola” (Ervedosa, 1985, p. 8).

“A primeira obra referente ao kimbundu é a Arte da Língua, escrita por Pedro Dias, em 1697.
O angolano António de Assis Júnior também se interessou pelo kimbundu, embora não sendo
linguista, publicou um dicionário desta língua” (Mingas, 2007, p. 36).
É imperioso referir que, o kimbundu é uma das línguas maternas de muitos angolanos e
representa sem dúvidas a identidade cultural dos ambundu, em particular e dos angolanos em geral.
Segundo Lusakalalu (2005, p. 10), “uma língua é sempre o conjunto das suas variantes”. E,
por isso, Fernandes e Ntondo (2002), descrevem as seguintes variantes que compõe a Língua
Kimbundu: Holo; Ndongo; Kambondo; Kisama; Mbangala; Mbolo; Minungu; Ndembu; Ngola; ou jinga;
Ngoya; Nkari; Ntemo; Puna; Songo; Xinji.
Com base às variadíssimas localidades que falam e praticam o kimbundu como língua
materna, percebe-se a complexidade na sua aplicação no currículo escolar se forem considerados os
vários dialectos ou variantes resultantes dessa língua, tal como descreveu Mateus & Villalva (2006, p.
90):

O ensino de línguas é um dos domínios de aplicação da linguística, que permite


hierarquizar aprendizagens em função da complexidade dos fenómenos linguísticos
envolvidos e também permite encontrar estratégias adequadas à resolução de
problemas suscitados pela consolidação das competências linguísticas aprendidas.
Neste domínio, há que distinguir o ensino da língua materna do ensino das línguas segundas
ou línguas estrangeiras. Os estudantes de língua materna são geralmente falantes nativos dessa
língua. Todavia, o ensino da língua é o ensino de um uso específico dessa língua, comummente o
uso consagrado pela norma, e é a consideração da língua como um objecto de conhecimento, o que
passa pela explicitação do saber gramatical de cada aluno (Mateus & Villalva, 2006).
No entender de Ferraz (2007, p. 20):

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A língua materna ensina-se porque a sua aprendizagem desencadeia processos


cognitivos, facilita a aprendizagem de línguas estrangeiras, propicia o auto-
conhecimento, alarga o conhecimento do mundo, facilita o relacionamento com os
outros, permite o acesso à informação, à cultura, possibilita o sucesso social e no
trabalho.
Como se pode constatar nos excertos anteriores, a língua materna representa a identidade
cultural de um povo e nesta perspectiva é lamentável quando apenas se aborda de maneira genérica
e não obrigatória na Lei nº 17/16 de 7 de Outubro alterada pela Lei nº 32/20 de 12 de Agosto, leis
sobre as Bases do Sistema de Educação e Ensino, a inserção das línguas angolanas nos
subsistemas de ensino.
As políticas educativas de Angola não garantem o ensino das línguas angolanas, como se
pode constatar no artigo 16º da Lei em epígrafe que se descreve a seguir:

1. O Ensino deve ser ministrado em Português.

2. O Estado promove e assegura as condições humanas, científico-técnicas, materiais e


financeiras para a expansão e generalização da utilização no ensino, das demais línguas
de Angola, bem como da linguagem gestual para os indivíduos com deficiência auditiva.

3. (…) podem ser utilizadas as demais línguas de Angola nos diferentes subsistemas de
ensino, nos termos a regulamentar em diploma próprio.

4. O Estado promove políticas públicas para a inserção e a massificação do ensino das


principais línguas de comunicação internacional, em todos os subsistemas de ensino,
com prioridade para o ensino do inglês e do francês.

Depreende-se deste artigo, que os legisladores desconsideraram a natureza técnica e a


realidade plurilingue de Angola. Por isso, o tratamento que lei estabelece sobre o ensino das línguas
de angola não responde às teorias sociolinguísticas.
Nesse sentido, num País como Angola em que coabitam diversas línguas deve haver uma
língua oficial que serve de comunicação e de interesse dos negócios do Estado, bem como de
relação social entre os diversos povos que nela habitam, tal como é espelhado no artigo 16º, número
1 da referida lei.
No entanto, é essencial perceber que o Sistema de Educação e Ensino promove as línguas
internacionais em todos os subsistemas de ensino, com destaque ao Inglês e ao Francês e não
garante, o ensino das línguas angolanas.
Concomitantemente, verifica-se no artigo 16º, número 3, da referida lei, a não obrigatoriedade da
inserção das línguas angolanas no currículo escolar, demonstrada com a utilização do termo
“podem”, na descrição do texto.
Ora, o problema não se prende com a promoção de línguas internacionais, aliás elas tornam-
se importantes no panorama da globalização, mas é essencial que se valorize a identidade cultural de
um povo, para além das nuances que resultam da complexidade do ensino do português se a sua
presença no currículo escolar for banalizada. Um outro aspecto a ressaltar é o facto de que com as
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insuficiências da referida Lei inibe toda a iniciativa que visa fortalecer o desenvolvimento e a
progressão das línguas angolanas, sabendo que a legislação é o primeiro passo para que haja
envolvimento de outros actores da esfera nacional ou internacional no processo de autonomia dessas
línguas, bem como, a sua influência no processo de ensino e aprendizagem.
Apesar da abordagem que a referida Lei faz menção relativamente à regularização da
temática das línguas de Angola em diploma próprio, é imperioso que a Constituição Angolana, assim
como, a Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino clarificassem a relevância das aludidas
línguas no sistema de educação e ensino para que os aspectos específicos a serem tratados no
diploma próprio tivessem em consideração, o estabelecido na lei de bases.
E, nesse sentido, Reis (2007, p. 85) apontou que, “Angola conhece uma situação de
plurilinguismo onde coexistem línguas nacionais e a língua portuguesa. Esta promiscuidade
linguística gerou uma situação diglóssica em que o português, privilegiado pela política de ausência
de política linguística, domina as outras línguas”.
Na cosmovisão de Reis (2007), o sistema educativo, ignora, a sua existência das línguas
nacionais, utilizando apenas o português. Este afastamento permanente não só deprecia o valor
intrínseco das mesmas como também atrasa o seu desenvolvimento. Por outro lado, ao invés de o
português melhorar e aperfeiçoar o nível de ensino, cria ainda mais dificuldades, na medida em que
os insucessos escolares não diminuem.
Essa visão mostra nitidamente que o comportamento dos fazedores das políticas educativas
não está alinhado com as teorias sociolinguísticas, se tivermos em conta a complexidade da
variedade linguística predominante em Angola.
Reis (2007) esclareceu que, todo o angolano vive num mundo africano-europeu e não
europeu-africano. A presença inconsciente dos substratos das línguas nacionais dificulta o
desenvolvimento do português, mesmo naqueles que o têm como língua materna. Portanto, o método
mais adequado para o ensino das línguas em Angola seria aquele que tomasse em consideração o
factor de coexistência linguística, o que significa a presença de dois grupos de línguas, tais como, as
línguas nacionais (bantu e não bantu) e o português, aplicando o bilinguismo funcional.
Tendo em conta, a existência do plurilingue, impõe-se o cuidado de selecionar uma língua
representativa no interior de cada região linguística com base aos seguintes princípios estabelecidos:
número de falantes, existência de uma tradição de escrita, presença de material de apoio. E, portanto,
aplica-se o bilinguismo funcional que pode funcionar em função do grau da competência em
português que se pretende alcançar. Vários países africanos com situação sociolinguística similar ao
de Angola têm optado pelo método do ensino bilingue, pois, o ensino monolingue tem demonstrado
insuficiências, que obrigam a uma reorientação de programas escolares e dos seus conteúdos (Reis,
2006).
No entanto, apesar das adversidades que pode gerar essa medida, é fulcral que se comece a
ensaiar o bilinguismo funcional pensando sempre na melhoria dos processos linguísticos, depois de
aplicado um determinado método linguístico.
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A prática da criança de mais de uma língua e a promoção do ensino em línguas nacionais,


com uma simultaneidade desses dois tipos de línguas, aponta-se como a via mais provável para
sucesso escolar (Reis, 2006).
Todavia, a situação plurilingue em Angola onde coexistem crianças com o português como
língua materna e crianças com línguas nacionais como maternas, a não aplicação do bilinguismo
funcional implica a continuidade no actual problema do insucesso no ensino das línguas.
No entender de Maurice apud Reis (2006, pp. 87-88):

Será indispensável distinguir entre ensinar o português como língua primeira e


ensinar o português como língua segunda e estrangeira. No primeiro caso, utilizar-
se-á a metodologia directa, pois a aprendizagem realiza-se através de um processo
natural, na convivência das pessoas que falam esta língua. No segundo caso, tendo
em conta o estatuto de língua oficial adstrita ao português, desenvolver-se-á um
bilinguismo escolar africano-europeu.
Conforme Diarra, p. 27 apud Reis (2006, p. 88), “para efectivação adequada do bilinguismo
funcional, adoptar-se-á o método convergente, que consiste numa aprendizagem paralela das línguas
nacionais e de uma língua segunda no sentido de se chegar a um bilinguismo funcional”. O autor
referido, ressalta ainda que, este método fez a sua prova em muitos países africanos caracterizados
pelo multilinguismo, especialmente no Mali. Por outro lado, considera-se que o melhor meio de fazer
adquirir a competência comunicativa é o de colocar o aprendiz em variadas situações, levando-o a
falar, isto é, à prática efectiva da língua segunda.
De acordo com Reis (2006, p. 88):

A escola, em toda a sociedade moderna, joga um papel importante no


desenvolvimento mental do homem e da sociedade em que vive. As línguas evoluem
em função do desenvolvimento desta. Do ponto de vista pedagógico, quando a
criança chega à escola, já atingiu uma certa maturidade linguística da sua língua
materna: ela possui o essencial das estruturas da sua língua e um vocabulário de
base. A escola deverá proporcionar-lhe os mecanismos para melhor conhecer o
funcionamento estrutural da sua língua e também estruturar a sua língua. A escola
afigura-se como o lugar privilegiado de organização, estruturação, enriquecimento,
desenvolvimento e promoção das línguas.
Ferraz (2007) afirmou que, a escola é responsável pelo ensino e, pela aprendizagem da
língua. Compete-lhe dar a todos a possibilidade de desenvolverem a competência linguística que lhes
permita aceder ao conhecimento, proporcionando as aprendizagens necessárias, fazendo adquirir
saberes que os tornem cidadãos íntegros; saber-fazer que lhes permitam resolver problemas; atitudes
que os ajudem a afirmarem-se para que sejam reconhecidos como parte integrante da sociedade em
que vivem.
A Escola só poderá desempenhar sua função se as políticas educativas contemplarem nos
diplomas legais a igualdade de tratamento das diferentes línguas que se falam no país, não
descurando o papel criativo das organizações escolares através dos seus principais actores, em
aplicar medidas que venham mitigar os efeitos negativos do ensino da Língua Portguesa.
Descreve Armando (2014, p. 118), a Entrevista que teve acesso, via Internet concedida por
Augusto Nunes no dia 08/11/2010 sobre o estatuto das línguas nacionais em Angola, que afirmou o
seguinte:
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As línguas nacionais de Angola pertencem a duas famílias diferentes: a primeira é a família


das línguas “khoisan”, faladas pelos bochimanes, caçadores recolectores; a segunda, é família das
línguas “Bantu”, à qual pertence a maioria das línguas nacionais do país.
Elas são faladas por alguns milhares de locutores disseminados pela parte Sul de Angola e
pertencem a dois subgrupos linguísticos diferentes: o khoisan setentrional ou khung e o khoisan
central. As línguas bantu estendem-se por todo o território nacional, sendo algumas delas comuns a
determinados países vizinhos.
Quanto ao alfabeto, foram aprovados, a título experimental, pela Resolução nº 3/78, de 23 de
Maio de 1987, do Conselho de Ministros, os alfabetos das línguas nacionais kikongo, kimbundu,
umbundu, cokwe, oxikwanyama e mbunda e suas respectivas regras de transcrição.
Com o surgimento da Faculdade de Letras e Ciências Sociais o problema ficou basicamente
resolvido, através da formação de quadros com o nível de licenciatura em Línguas e Literaturas
Africanas. O maior problema prende-se com a colocação de quadros seleccionados para ingressarem
no Instituto de Línguas Nacionais – ILN. De acordo com as instruções em vigor no país tudo depende
das quotas que o Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social – MAPESS
disponibiliza anual ou as vezes bianualmente e que estão muito longe de satisfazer as nossas
necessidades.
Foram realizados no domínio linguístico Histórico Sobre a Criação dos Alfabetos em Línguas
Nacionais; Esboço Fonológico; Alfabeto. São estas obras que deram lugar aos alfabetos das línguas
nacionais.
Ao nível da protecção jurídica das línguas nacionais de Angola está a ser submetido, neste
momento, o Ante-Projecto de Lei Sobre o Estatuto das Línguas Nacionais, uma premissa fundamental
para a protecção jurídica das línguas nacionais com vista à sua salvaguarda, valorização e promoção.
O ILN, foi criado em 1978, através do Decreto nº 62 de 6 de Abril, sob tutela do Ministério da
Educação, cujas atribuições prendiam-se essencialmente com a investigação científica no domínio da
linguística e integrava, na sua estrutura orgânica, entre outros, um Departamento de Línguas
Nacionais e outro de Línguas Estrangeiras.
Em 1985, o Conselho de Defesa e Segurança, através do Decreto nº 40 de 18 de Novembro
extingue o Instituto Nacional de Línguas e cria o actual Instituto de Línguas Nacionais, sob tutela do
Ministério da Cultura. Este instituto tem como finalidade estudar cientificamente as línguas nacionais,
contribuir para a sua normalização e ampla utilização em todos os sectores da vida nacional e
desenvolver estudos sobre a tradição oral.
Do ponto de vista da investigação científica, o ILN compreende dois Departamentos: o de
Linguística Descritiva e Aplicada e o de Documentação e Tradição Oral.
Neste momento temos muito poucos investigadores ou quase nada. Tirando o Director Geral,
o ILN conta apenas com um número bastante reduzido de recém-formados em linguística africana
pelo Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda e pela Faculdade de Letras e Ciências
Sociais.
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O CASO DA LÍNGUA KIMBUNDU
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Temos dificuldades na colocação de quadros e na obtenção de financiamentos para a


execução do projecto de elaboração e publicação de gramáticas, léxicos e dicionários.
Relativamente à meta a atingir aproximadamente, “a curto prazo, a uniformização e
estandardização das ortografias das línguas nacionais; a médio prazo, publicação das gramáticas das
línguas nacionais e de léxicos temáticos língua nacional/português e vice-versa”.
O ILN formou, não muitos, mas um número considerável de quadros no domínio da linguística
africana e das técnicas de recolha da tradição oral, mas que infelizmente, por razões de ordem social,
abandonaram a instituição. Estou a falar de quadros de nível médio e superior. Só para lhe dar um
exemplo, os quadros que hoje dirigem a área da linguística africana e das línguas nacionais, em
particular saíram do ILN.
Quando lhe foi questionado para dar o seu ponto de vista sobre a problemática linguística em
Angola, uma vez que tem sido motivo de vários argumentos, até mesmo de polémicas no seio social,
político, académico e não só, Augusto Nunes respondeu “Ó maka twala nayu (É o problema que há) e
que mais cedo ou mais tarde iremos resolvê-lo”.
Relativamente ao exposto, é inacreditável aceitar, que decorridos mais de 10 anos e com
alguma documentação existente apontada por Augusto Nunes nada se faz para o desenvolvimento
das línguas nacionais, agora línguas angolanas.
Portanto, o estatuto das línguas angolanas compreende-se como o enquadramento legal ou a
relevância jurídica que elas devem ocupar na esfera nacional, no quadro das políticas educacionais
do Estado.

O CASO DA LÍNGUA KIMBUNDU

Retornando a discussão sobre a Língua Kimbundu, a sua estrutura funcional apresentada


nesta pesquisa, demonstra, a necessidade premente de se aplicar estratégias para o seu
fortalecimento e o contributo que advém da sua influência no ensino do Português, e desta forma,
destacou-se os pronomes átonos dessas duas línguas como protótipos de ilustração da sua estrutura
morfossintática. Nesse sentido, a estrutura do kimbundu, bem com, a do português contrastam-se,
daí, a essência da descrição do seu funcionamento para se compreender a dificuldade que gera o
afastamento das línguas angolanas no processo docente-educativo.
Relativamente, aos pronomes átonos são formas dos pronomes pessoais e, de acordo com a
pesquisa realizada e com base aos intentos que se pretende atingir são apresentados de forma
detalhada para que se possa estabelecer uma comparação clara entre a estrutura do Português e a
do Kimbundu neste quesito.
Na concepção de Armando (2014, p. 57):

Os pronomes pessoais átonos são aqueles que, não tendo acentuação própria,
estão subordinadas ao acento tónico de outras palavras (os verbos). A sua
colocação na frase pode variar devido a aspectos como o ritmo, a ênfase, o estilo de
escrita ou o efeito acústico provocado pelo encontro de determinados sons. No

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entanto, existem regras sintácticas básicas que determinam a sua posição antes,
após e no meio das formas verbais.
Os pronomes átonos desempenham na frase a função de objecto directo ou indirecto. Pois,
são formas dos pronomes pessoais, tal como mostra a tabela abaixo.

Quadro 1. Formas átonas dos pronomes pessoais

Formas Átonas
Formas de objecto directo o, a, os, as
Formas de objecto indirecto lhe e lhes
Formas que podem empregar-se como objecto directo e indirecto me, te, nos e vos

Fonte: Armando (2014) in O português de Angola

Em relação ao verbo, o pronome átono pode estar:

• Enclítico, isto é, depois do verbo.

Exemplo: “Lembrei-me agora duma coisa” (Pepetela apud Armando, 2014, p. 58).

• Proclítico, isto é, antes do verbo.

Exemplo: - “Não me afogo” (Pepetela apud Armando, 2014, p. 58).

• Mesoclítico, ou seja, no meio do verbo, colocação que só é possível com formas do futuro do
presente ou do futuro do pretérito.

Exemplo: Dir-lhe-ei que queres falar com ele/ dir-lhe-ia que querias falar com ele.

No entender de Moura apud Armando (2014, p. 58), “o pronome torna-se uma forma
mesoclítica, ocupando uma posição medial, com formas de futuro e de condicional”.

Exemplos:

• Mesmo que nada lhes diga, dir-lhes-á ele.

• Mesmo que nada lhes tivesses dito, ele tê-los-ia informado.

Diferentemente do português, a língua kimbundu possui um alfabeto de vinte e três letras que
são: a, b, d, e, f, g, h, i, k, j, l, m, n, o, p, s, t, u, v, w, x, y, z. É composto de cinco vogais: a, e, i, o, u
(vokaji); duas semi-vogais (semi-vokaji): w, y e dezasseis consoantes (jikosowande): b, d, f, g, h, k, j,
l, m, n, p, s, t, v, x, z.

As vogais geralmente são pronunciadas abertas. As semi-vogais têm valor morfológico de


consoantes, por isso mesmo, antecedem sempre as vogais.
Exemplo: kyawaba (bom).
Em kimbundu como em todas as línguas bantu, a formação do plural dos substantivos é feita
por prefixação, tal como se pode observar no quadro abaixo:

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Quadro 2. Prefixos substantivais da Língua Kimbundu

Classe Prefixo Exemplo em Kimbundu Exemplo em Português


1 mu - muimbu hino
2 a- atu pessoas
3 mu - mukanda carta
4 mi - mixi alvoredo
5 di - diluendela luminosidade
6 ma - makutu mentira
7 ki - kindumbu cobertor
8 i- ifuba osso
9 ø, i - ixi terra
10 ji- jinguma inimigos
11 lu - lunji fulcro
12 ka - kaluingi nervosismo
13 tu - tungu madeira
14 u- umbote higiene
15 ku - kusenga abandonar
Classes locativas
16 bhu - -
17 ku - -
18 mu - -

Fonte: Elaboração própria

No quadro acima, a classe 15 é caracterizada como verbo-nominal, agrupando verbos e


nomes e, as classes 16, 17 e 18 são locativas e indicam lugares.
Na língua kimbundu, o pronome pessoal em função de complemento directo e ou indirecto é
representado por um mesmo morfema, /mu/ e, o locutor do kimbundu ao falar o português não faz a
distinção entre o, a, pronome pessoal em função de complemento directo e, lhe, o mesmo tipo de
pronome mas, desta feita, em função de complemento indirecto, o qual pode aparecer amalgamado
com os pronomes o, a, (complemento directo) em -lho e/ ou -lha (Mingas, 2007).

Exemplos:

• Ngamugia kya (eu já o conheço)

Nga-mu-bane/ kya

Eu-o-der/ já

• Ngamubane makudia (eu dei-lhe comidas)

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Nga-mu-bane/ ma-kudia

Eu-lhe-dar/ comidas

Com base aos exemplos apresentados acima, constata-se que, no Português Falado em
Angola – PFA, por interferência do mesmo tipo de construção em kimbundu, que o pronome nunca é
enclítico como na Variante Portuguesa – VP, mas proclítico, como se pode notar nos exemplos
seguintes:

a) Sr. Paulo, lhe atropelaram na Avenida Fidel de Castro (PFA).

Sr. Paulo, atropelaram-no na Avenida Fidel de Castro (VP).

b) Foi ele que lhe levou no Hospital (PFA).

Foi ele que o levou ao Hospital (VP).

Todavia, perante uma frase em que as funções de complemento directo e indirecto aparecem
na mesma frase e são representadas por nominais, à semelhança do que acontece em kimbundu,
onde só um dos elementos pode ser representado por um pronome, nota-se a construção seguinte:

Deste o lápis à Irma?

• PFA – Sim lhe dei com ele.

• VP – Sim, dei-lho.

Nestes exemplos, os escritores angolanos, ao representarem a linguagem popular, não lhes


são muito fiéis, por não existir seguramente em kimbundu a palatal lateral [ʎ], os locutores da variante
utilizam a lateral alveolar [l] ou a nasal alveolar [n]. Assim, em vez de dizerem “… Sim, lhe dei com
ele”, dizem “…Sim, le dei com ele” ou … “Sim, ni dei com ele”.
O kimbundu é apenas uma das várias línguas angolanas com estruturas morfossintáticas
semelhantes, que necessita de igual tratamento para que funcione paralelamente com o português,
no sentido de facilitar a compreensão dos alunos no processo de ensino e aprendizagem.
O funcionamento da língua kimbundu e das demais línguas angolanas remete-se a ideia de
que é necessário a aplicação do bilingue ou plurilingue nos subsistemas de ensino e para tal, é
imprescindível que se contemple nas políticas educativas angolanas, a obrigatoriedade das línguas
angolanas, tendo em atenção a realidade de cada região linguística.

METODOLOGIA

Metodologia é o estudo dos métodos, das técnicas e dos instrumentos que possibilitam o
alcance dos objectivos da pesquisa. E nesse sentido, Braga (2015, p. 20), ressalta que, “a
metodologia científica, em seu sentido geral, é o estudo dos diversos métodos empregados e
desenvolvidos para o processo de conhecimentos, denominado ciência”.

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Entretanto, utilizou-se a pesquisa de revisão bibliográfica. Quanto aos métodos foi aplicado o
de análise e síntese, e conforme Ramos e Naranjo (2014, p. 1003), análise “é um procedimento
teórico mediante o qual um todo complexo se decompõe nas suas diversas partes e qualidade.
Permite a divisão mental do todo nas suas múltiplas relações e componentes”. Os autores
referenciados neste nível sublinham que, a síntese “estabelece mentalmente a união entre as partes
previamente analisadas e possibilita a descoberta das relações essenciais e as características gerais
entre elas”. Este método possibilitou a decomposição e a síntese do referencial teórico do presente
artigo.
Ainda assim, aplicou-se o método comparativo que possibilitou distinguir as línguas
portuguesa e kimbundu, no que tange a colocação dos pronomes átonos, visando a clarificação da
necessidade de se estabelecer o ensino paralelo ou bilingue dessas línguas.
Tratando-se de uma pesquisa qualitativa, selecionou-se o paradigma interpretativo-
construtivista, cujo critério baseia-se em fidelidade, credibilidade, assim como aponta Aires (2015), “a
escolha de um paradigma de investigação é essencial, pois, coadjuva o pesquisador na escolha de
métodos específicos, melhores estratégias, bem como, melhores instrumentos, procurando relacioná-
los para que os resultados sejam mais fiáveis e se ajustem ao paradigma preferido”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa, cujo objecto centrou-se nas línguas maternas no contexto das políticas
educativas, com um enfoque à língua kimbudu permitiu reflectir sobre a necessidade de
implementação das línguas angolanas no currículo escolar, sugerindo a reformulação do artigo 16º,
com realce ao número 3, cuja redacção não garante a inserção das línguas angolanas nos diferentes
susbsistemas de ensino, o que inibe a celeridade da sua regulamentação em diploma próprio.
Porém, os Legisladores do Sistema da Educação e Ensino desconsideraram a natureza
técnica e a realidade plurilingue de Angola. E num contexto como Angola em que a presença do
plurilingue é uma realidade incontornável deve-se aplicar o bilinguismo funcional.
Assim sendo, o kimbundu como língua materna de muitos angolanos ou de seus progenitores
deve ser conhecida para melhor se compreender as dificuldades dos falantes do português,
sobretudo no ensino primário.
Contudo, a situação plurilingue de Angola onde coexistem crianças com o português como
língua materna e crianças com as línguas angolanas como maternas, a não aplicação do bilinguismo
funcional implica a continuidade no actual problema do insucesso no ensino das línguas. Desta
maneira, é imprescindível que se contemple nas políticas educativas angolanas, a obrigatoriedade
das referidas línguas, tendo em atenção a realidade de cada região linguística.

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REFERÊNCIAS

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20edi%c3%a7%c3%a3o_atualizada%[Link]. Acesso em: 14 jun. 2021

ARMANDO, A. F. O português de angola. São Paulo: Laços, 2014.

D'HAINAUT, L. Análise de uma política educativa. Coimbra: Universidade da Madeira, 1980.


Disponivel em:
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FERNANDES, J.; NTONDO, Z. Angola: povos e línguas. Luanda: Editorial Nzila, 2002.

FERRAZ, M. J. O ensino da língua materna. Luanda: Editorial Nzila, 2007.

LUSAKALALU, P. Línguas e unidades glossonímicas. Luanda: Editorial Nzila, 2005


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MATEUS, M. H. M.; VILLALVA, A. O essencial sobre linguística. Luanda: Editorial Nzila, 2006.

MINGAS, A. A. Interferência do kimbundu no português falado em lwanda. 2. ed. Luanda:


Edições Chá de Caxinde, 2007.

RAMOS, S. T. C.; NARANJO, E. S. Metodologia da investigação científica. Lobito: Escolar Editora,


2014.

REIS, V. Sociolinguística – dinâmica funcional vs problemas funcionais da língua. Luanda:


Editorial Nzila, 2006.

SPINASSÉ, K. P. Os conceitos língua materna, segunda língua e língua estrangeira e os falantes de


línguas alóctones minoritárias no Sul do Brasil. Revista Contingentia, v. 1, 2006. Disponivel em:
[Link] Acesso em: 28 mar. 2021.

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