Nome: Igor Soeiro / Mateus Cabral Nº 10/20 12º B Data: 18/11/2021
Classificação: ________
TÍTULO: Como se transmitem as características em moscas (Drosophila melanogaster)?
1-OBJETIVOS:
● Observar as diferentes características das moscas.
● Saber distinguir moscas macho de fêmeas.
● Distinguir moscas fêmeas de fêmeas virgens.
● Distinguir as diferentes fases do ciclo da vida das moscas.
2-ENQUADRAMENTO TEÓRICO:
Gregor Mendel foi o primeiro cientista importante a realizar experiências verdadeiramente importantes
para o esclarecimento da transmissão dos caracteres hereditários.
Este começou por estudar utilizando as ervilheiras como modelo biológico e o que descobriu resume-se
em algumas leis que este propôs. Nós estudamos as duas primeiras leis deste sendo estas:
- Primeira lei de Mendel - os dois elementos de um par de genes alelos separam-se durante a
formação dos gâmetas, de tal modo que há probabilidade de metade dos gâmetas transportar um
dos alelos e a outra metade transportar o outro alelo.
- Segunda lei de Mendel - durante a formação dos gâmetas, a segregação dos alelos de um gene é
independente da segregação dos alelos de outro gene.
Estas leis explicam, utilizando regras simples de probabilidade, as variações existentes na transmissão
de algumas características. Além disso, elas serviram como base para a ampliação do conhecimento
genético e propuseram a ideia de herança particulada, a qual demonstra que os pais passam adiante
unidades herdáveis separadas (atualmente chamadas de genes).
O modelo biológico utilizado na nossa experiência não foram as ervilheiras mas sim as moscas (da
espécie Drosophila melanogaster), uma vez que estas têm dimensões reduzidas (3 a 4 mm), são fáceis de
conservar, alimentar, manusear e procriar, tem um ciclo de vida curto e tem descendência em número
elevado, grande variedade de características para estudar e por fim tem um número reduzido de
cromossomas (4 pares sendo 3 destes autossomas e um sexual).
Ao nível morfológico esta espécie quando selvagem apresenta olhos vermelhos, corpo
amarelo-acastanhado e o abdómen apresenta riscas à sua volta. Para além disso apresentam também
dismorfismo sexual, ou seja, os machos e as fêmeas são fenotipicamente diferentes sendo que as fêmeas
medem cerca de 2.5 mm e são ligeiramente maiores que os machos e os machos têm uma faixa preta no
final do abdómen e uma espécie de ganchos.
Esta espécie reproduz-se rapidamente, à temperatura ambiente (22ºC), tendo um ciclo de vida que
demora cerca de 2 semanas e que apresenta 4 fases: ovo, larva (forma que se alimenta ativamente e
crescendo muito rapidamente); pupa (forma imóvel que não se alimenta) e adulto (forma sexualmente
madura com asas desenvolvidas). Estas moscas atingem a maturidade sexual 6 horas após a eclosão e tem
um tempo de vida de cerca de 30 dias quando a 29ºC.
A alimentação destas consiste sobretudo de fruta em decomposição. É a fermentação dos açúcares pelos
microorganismos na parte podre da fruta que cria as condições ótimas para a sobrevivência e
desenvolvimento das moscas. As moscas são atraídas pelo cheiro resultante da fermentação.
A forma de Drosophila melanogaster predominante denomina-se forma selvagem (apresenta olhos
vermelhos, corpo cinzento e asas longas).
Contudo, existem várias moscas que possuem mutações tais como as Ebony (mutação na cor do corpo,
este fica preto) e as Vestigial (mutação nas asas), apresentando características morfológicas distintivas
evidentes. As mutações podem ocorrer espontaneamente ou serem induzidas a nível laboratorial (raios X,
raios gama e agentes químicos mutagénicos). São várias as características que podem variar nos mutantes,
desde as asas ao corpo, passando pelos olhos.
CONCEITOS:
Transmissão dos Modelo biológico Leis de Mendel Genes
caracteres hereditários
Genes alelos Gametas Genética Ciclo de vida
Características Cromossomas Autossomas Cromossomas sexuais
Morfologia Dimorfismo sexual Fenótipo Maturidade sexual
Fermentação Mutações
3-MATERIAL:
● População de Drosophila melanogaster (machos e fêmeas)
● Pincéis
● Pinças
● Frasco de vidro alto
● Tubo de plástico com orifícios
● Funil
● Algodão
● Éter
● Vidro de relógio
● Lupa
● Tubo de cultura
● Comida para as moscas (papa de fruta)
4-METODOLOGIA:
Montagem da câmara de adormecimento das moscas:
● Colocar o algodão no interior do frasco de vidro.
● Embeber um pouco de éter no algodão.
● Colocar o tubo de plástico dentro do frasco de vidro.
● Colocar um funil por cima do tubo de plástico.
● Ter um vidro de relógio preparado para pôr em cima do funil após as moscas serem colocadas
neste.
Observação de exemplares de moscas da fruta:
● Adormecer alguns exemplares, colocando-os no interior do tubo de plástico.
● Quando as moscas estiverem imóveis, observá-las à lupa.
● Distinguir as diferentes partes do corpo das moscas, o seu sexo e caso sejam femeas se sao virgens
ou não.
● Observar os segmentos do corpo, número de patas, as asas, olhos…
Distinguir as fêmeas virgens:
● Separam-se as fêmeas dos machos, adormecidos nos vidros de relógios, com a ajuda de um pincel
ou uma pinça.
● Das fêmeas, selecciona-se as que apresentam um corpo mais claro e uma mancha na parte
posterior do abdómen e por vezes ainda não têm asas distendidas.
Fêmea virgem: Fêmea não virgem:
Distinguir os machos das fêmeas:
Machos:
● Tamanho relativo do corpo menor.
● Extremidade do abdómen negra e arredondada.
● Presença de um pente sexual na base do metatarso do par de patas anterior.
Fêmeas:
● Tamanho relativo do corpo maior.
● Extremidade do abdómen típica de listas claras e escuras e menos arredondada.
● Inexistência de pente sexual.
Fêmea Macho
5-RESULTADOS/OBSERVAÇÕES:
No que diz respeito ao seu sexo, verificou-se nos ensaios o seguinte:
● 8 machos // 5 fêmeas // 3 fêmeas com larvas. ← Vestigial
● 7 machos // 1 fêmea. ← Ebony
No que diz respeito à cor dos seus olhos verificou-se que todas as moscas tinham olhos vermelhos.
No que diz respeito à forma das asas das moscas, verificou-se nos ensaios o seguinte:
● Todas as moscas ebony tem asas longas.
● Todas as moscas vestigiais têm asas vestigiais.
Surgem ainda outros registos relevantes:
● Em nenhum dos tubos observados pelo nosso grupo de trabalho se verificam quaisquer tipos de
mutantes diferentes dos indicados na sua referência.
● Em alguns dos tubos encontramos larvas ou pupas (não conseguimos distinguir visualmente).
6-INTERPRETAÇÃO:
Tendo em consideração os dados obtidos, acreditamos que os resultados, deste trabalho, na sua maioria
nos levam a concluir o que era pretendido com os objetivos inicialmente definidos.
Na nossa experiência conseguimos verificar que todas as moscas registadas tinham os olhos vermelhos,
isto pode ter sido uma coincidência (podemos ter cruzado um macho com olhos brancos e uma fêmea com
olhos vermelhos fazendo com que todos os descendentes possuem olhos vermelhos pois o alelo que
condiciona a cor dos olhos vermelhos (W+) é dominante em relação ao alelo que condiciona a cor branca
dos olhos (W) e considerando que o alelo responsável pela cor branca se localiza no cromossoma X
justificam se assim os resultados deste cruzamento, pois este gene está ligado aos cromossomas sexuais) ou
um erro de leitura e análise. Contudo, caso seja a primeira hipótese, podemos confirmar que o fenótipo dos
olhos brancos é recessivo e o fenótipo dos olhos vermelhos é dominante nas moscas da fruta.
Também foi observado que todas as moscas Ebony tinham asas longas. Isto permite-nos concluir que as
moscas da geração parental tinham todas o mesmo fenótipo (asas longas) e o genótipo destas tinha de ser
(vg+;vg+), sendo o vg o alelo recessivo responsável pelas asas vestigiais e vg+ é o alelo responsável pelas
asas normais, longas. Caso o genótipo destes fosse diferente então durante a observação das moscas iriam
aparecer moscas sem asas longas, isto é com asas vestigiais.
Já no caso das moscas vestigiais, estas tinham todas asas vestigiais (asas mutadas). Isto permite-nos
concluir que as moscas da geração parental tinham todas o mesmo fenótipo (asas vestigiais) e o genótipo
destas tinha de ser (vg;vg). Caso o genótipo destes fosse diferente então durante a observação das moscas
iriam aparecer moscas sem asas vestigiais, logo com asas “normais”, longas.
As características morfológicas gerais da espécie são bem visíveis à lupa, logo como era de se esperar, os
registos efectuados vão de encontro às indicações bibliográficas consultadas.
O nosso grupo realizou uma distinção entre as moscas fêmeas e machos tendo em conta registos das
características morfológicas, rapidamente nos machos se compreende a existência de uma mancha negra
no abdómen devido à fusão dos segmentos terminais e nas fêmeas podemos ver os segmentos abdominais
mais claros. Apesar do nosso grupo ter conseguido distinguir o sexo das moscas às vezes era difícil, por
diferentes razões, como a falta de luz nos microscópios, ou a posição das moscas.
Nós conseguimos também distinguir as fêmeas fecundadas das virgens, pois as suas características eram
bem visíveis, como o seu corpo mais claro e uma mancha escura na posição lateral do abdómen, no caso
das virgens.
O nosso grupo anestesiou as moscas várias vezes e rapidamente percebemos que o excesso das
quantidades de éter no algodão poderiam levar à morte imediata dos exemplares, algo que vimos a
acontecer, logo tentámos reduzir a quantidade de éter e o tempo em que estas estavam em “contacto” com
este. Durante as observações o nosso grupo também se apercebeu que alguns dos exemplares acordaram
durante as observações o que levou à necessidade de as colocar novamente no tubo onde se encontrava o
algodão com o éter.
Apesar do nosso grupo saber a diferença entre as diferentes fases do ciclo de vida, foi por vezes difícil
distinguir visualmente as larvas das pupas e também ver os ovos das moscas.
7-CONCLUSÕES:
Em suma, nós registramos bastantes informações durante a atividade e, na nossa opinião, apenas
cometemos pequenos erros tais como possivelmente identificar mal o gênero de uma mosca ou de as
afogar em comida, tirando isso trabalho correu bastante bem e os objetivos foram todos cumpridos.
8- BIBLIOGRAFIA:
Amparo Dias da Silva, Maria Ermelinda Santos, Almira Fernandes Mesquita, Ludovina Baldaia, José Mário
Félix (2017). Terra, Universo de Vida. Porto. Porto Editora.
9- WEBGRAFIA:
[Link] acedido em 18/11/2021
[Link] acedido em 18/11/2021
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acedido em 18/11/2021