Currículo da Educação Infantil no Maranhão
Este Documento Curricular do Território Maranhense para a Educação Infantil foi elaborado a
muitas mãos, de modo democrático e participativo, contando com a colaboração de profissionais da
educação de todo o estado. Está em sintonia com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para
essa etapa da Educação Básica, homologada pelo Ministério da Educação em dezembro de 2017, e tem
como objetivo nortear as propostas pedagógicas de todas as unidades educativas públicas e privadas
do Maranhão.
A Educação Infantil constitui uma etapa estratégica para o desenvolvimento das pessoas. É impor-
tante destacar que houve uma mudança considerável na concepção que se tinha acerca da infância e
no atendimento prestado no âmbito das instituições que trabalham com as crianças. Historicamente
ofertada no Brasil em caráter assistencialista, a Educação Infantil era reduzida a um espaço voltado ao
ato de guardar e cuidar da criança. Ao longo do tempo essa visão foi sendo reconstruída e atualmente
essa etapa passou a ser compreendida como parte do processo educativo, no qual o binômio cuidar-
-educar é indissociável. Os eixos norteadores das práticas pedagógicas atuais são as interações e as
brincadeiras (BRASIL, 2009).
A Educação Infantil no Brasil vem passando por um forte processo de expansão. Esse movimento
não é recente. Já nas décadas de 1970 e 1980, com as mudanças advindas da urbanização da sociedade
e da entrada da mulher no mercado de trabalho de modo mais massificado, observou-se uma amplia-
ção no atendimento das crianças. Importante mencionar, também, a pressão de movimentos sociais
para que o poder público incluísse essa temática em sua agenda de políticas públicas. Mas é preciso
registrar que esse movimento foi intensificado ao longo das últimas décadas.
A Constituição de 1988 representou um marco na compreensão da Educação Infantil como um
direito das crianças e também contribuiu, junto com o arcabouço legal aprovado posteriormente, para
a ampliação do atendimento a esse público. Com os avanços no reconhecimento da relevância da
Educação Infantil, sua inscrição no cenário legal no campo dos direitos sociais e a expansão da oferta
de vagas em creches e pré-escolas, outras temáticas passaram a ser tratadas de modo mais sistemático,
como a questão da qualidade da educação ofertada às crianças.
Falar de qualidade na Educação Infantil implica considerar uma série de aspectos que, juntos, garan-
tem o direito das crianças de desenvolver todas as suas potencialidades. Isso vai desde a infraestrutura
das unidades educativas até o planejamento dos projetos pedagógicos, o currículo a ser implementa-
do, a disponibilização de materiais educativos, além da formação inicial e continuada e condições de
trabalho dos profissionais da educação que se dedicam a essa tarefa. Dessa forma, este material, que
está em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, constitui um
elemento essencial para orientar o trabalho pedagógico no sentido de assegurar os direitos de apren-
dizagem e desenvolvimento das crianças.
O texto está organizado em cinco partes. Inicialmente, a Educação Infantil é analisada no cenário
dos direitos. Em seguida, é apresentada uma reflexão sobre o planejamento da prática pedagógica e o
currículo na Educação Infantil, para em continuidade serem abordados os direitos de aprendizagem
e desenvolvimento, os campos de experiências e os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento
propostos pela BNCC. Nessa parte, vale destacar a sugestão de uma série de possibilidades de expe-
Atualmente, existe uma importante legislação no Brasil que assegura os direitos das crianças em
vários setores, como educação, saúde, segurança, entre outros. O art. 227 da Constituição de 1988,
com nova redação dada pela Emenda Constitucional no 65, de 2010, é bastante explícito ao registrar
as responsabilidades da família, da sociedade e do Estado:
O fato de todos os direitos estarem assegurados pela Constituição de 1988 com relação à educação
e bem-estar das crianças, não significa que só o Estado tem esse dever, e a família não pode de forma
alguma eximir-se dessa responsabilidade. Com isso pode-se dizer que o Estado complementa a ação
da família promovendo subsídios como a criação de políticas para amparo da criança. Essas políticas
devem, entre outras coisas, assegurar o direito à educação por meio das políticas educacionais para a
infância.
Especificamente em relação à educação, a Carta Magna estabelece que a responsabilidade do Estado
deve ser efetivada mediante a oferta de “Educação Infantil, em creche e pré-escola, às crianças de até 5
anos de idade” (Emenda Constitucional no 53, de 2006) e “Educação Básica obrigatória e gratuita dos
4 aos 17 anos de idade” (Emenda Constitucional no 59, de 2009). Como se vê, o Estado deve ofertar a
Educação Infantil para crianças com até 3 anos de idade em creches, sendo facultada às famílias a matrí-
cula, mas a partir dos 4 anos de idade tanto a oferta quanto a matrícula na pré-escola são obrigatórias.
Importante fazer referência à questão do regime de colaboração instituído pela Constituição no
campo da educação. À União cabe a coordenação da política nacional de educação e o desempenho
da função redistributiva e supletiva, entre outras atribuições. Os municípios devem atuar priorita-
riamente nas etapas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, ao passo que os estados devem
atuar prioritariamente nas etapas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Desse modo, é possível
constatar que a responsabilidade prioritária pela oferta da Educação Infantil cabe aos municípios, o
que não dispensa uma participação ativa tanto da União quanto dos estados.
Outros documentos legais posteriores também reiteram o direito das crianças. É o caso do Estatuto
da Criança e do Adolescente (ECA), que adicionalmente dá legitimidade aos mecanismos de parti-
cipação e controle social na criação de políticas para a infância. Além disso, há políticas que foram
sendo desenvolvidas ao longo do tempo para garantir a materialização desse direito, como a Política
Nacional de Educação Infantil implementada pelo Ministério da Educação em 1994, com a finalidade
de qualificar o atendimento institucional à criança.
Art. 29. A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, tem como finalidade o de-
senvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico,
intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (Redação dada pela
Lei no 12.796/13).
Essa mesma lei denomina a instituição educacional que atende a crianças de 0 a 3 anos de idade
como creche, e a instituição que atende a crianças de 4 a 5 anos de idade como pré-escola. Vale registrar
que a partir da Lei no 11.274, de 6 de fevereiro de 2006, o Ensino Fundamental passou a ser de nove
anos. Com isso, as crianças de seis anos de idade começaram a frequentar o Ensino Fundamental e
não mais a pré-escola.
Documentos relevantes para o fortalecimento da Educação Infantil foram os Referenciais Curricu-
lares Nacionais para a Educação Infantil (RCNEI), publicados em 1998, com o objetivo de referenciar
e orientar as ações pedagógicas. A ideia dos RCNEI era contribuir com as várias fases do processo
educativo, desde o planejamento até a avaliação das práticas educativas. Nessas práticas, seguramente
questões relacionadas à diversidade e à pluralidade das crianças brasileiras deveriam ser levadas em
consideração.
No ano de 2006, foi elaborada a Política Nacional de Educação Infantil para garantir o direito das
crianças de 0 a 6 anos de idade à educação. Ainda nesse mesmo ano, foram publicados os Parâmetros
Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil, volumes I e II, cumprindo o exposto no Plano Na-
cional de Educação (Lei no 10.172/01), relacionado ao estabelecimento de parâmetros de qualidade
nos serviços de Educação Infantil e expresso nas diretrizes da Política Nacional de Educação Infantil
(BRASIL, 2006a).
Outros documentos importantes nesse campo podem ser citados, como os Parâmetros de Qua-
lidade para a Educação Infantil (2008), os Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de
Educação Infantil (2008), os Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009), os Critérios para
um Atendimento em Creches que Respeite os Direitos Fundamentais das Crianças (2009) e a Política
de Educação Infantil: Relatório de Avaliação (2009).
Em 2009, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI) foram homo-
logadas, em atualização às diretrizes existentes para essa etapa da Educação Básica desde 1999. Vale
reafirmar que esse documento é de caráter mandatório. Acerca da caracterização das instituições que
trabalham com Educação Infantil e da organização dessa etapa, o documento afirma o que segue:
Art. 5o A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, é oferecida em creches e pré-
-escolas, as quais se caracterizam como espaços institucionais não domésticos que constituem
estabelecimentos educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de 0 a 5
anos de idade no período diurno, em jornada integral ou parcial, regulados e supervisionados por
órgão competente do sistema de ensino e submetidos a controle social.
§ 1o É dever do Estado garantir a oferta de Educação Infantil pública, gratuita e de qualidade, sem
requisito de seleção.
O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular
as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio
cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento
integral de crianças de 0 a 5 anos de idade (BRASIL, 2009:18).
O documento defende, em seu art. 4o, que as propostas pedagógicas trabalhadas com as crianças
as coloquem no centro do planejamento curricular, tendo em vista serem elas sujeitos históricos e de
direitos. A criança, conforme destacado em suas interações e vivências “constrói sua identidade pessoal
e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói
sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura” (BRASIL, 2009).
Uma referência precisa ser feita ao Plano Nacional de Educação – PNE, aprovado pela Lei no 13.005,
de 2014. Esse plano apresenta metas de expansão do acesso e melhoria da qualidade da Educação
Infantil. A meta 1 do PNE previa a universalização da pré-escola, destinada a crianças de 4 a 5 anos,
já em 2016, bem como a ampliação da creche para crianças de até 3 anos de idade, com a perspectiva
de atendimento de 50% dessa população até 2024. Entre as estratégias dessa meta, importa destacar
a que prevê
Vale ressaltar que a LDB já apontava, em seu art. 26, que os currículos da Educação Infantil de-
veriam ter uma base nacional comum, “a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada
estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da
sociedade, da cultura, da economia e dos educandos” (Redação dada pela Lei no 12.796/13).
Nesse sentido, foi importante a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a
Educação Infantil, ocorrida em dezembro de 2017. Na BNCC, a Educação Infantil tem destaque como
instrumento de transformação humana, emancipação social e cidadania. Para o seu fortalecimento
O planejamento é uma atividade estratégica em todas as etapas e modalidades de ensino. Para as-
segurar os direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil, é importante
que o fazer pedagógico tenha intencionalidade. Nessa etapa, o ato de cuidar e educar constitui duas
faces de uma mesma ação a ser desenvolvida com a atenção necessária, desde a forma como o espaço
educativo é organizado até a seleção dos materiais, as intervenções do professor durante as atividades,
entre outros aspectos. Conforme o Parecer no 20/09, que fixa as DCNEI (BRASIL, 2009:10):
Um bom planejamento das atividades educativas favorece a formação de competências para a criança
aprender a cuidar de si. No entanto, na perspectiva que integra o cuidado, educar não é apenas
isto. Educar cuidando inclui acolher, garantir a segurança, mas também alimentar a curiosidade,
a ludicidade e a expressividade infantis.
O planejamento é um recurso para a organização do espaço, do tempo, dos materiais, das atividades,
das estratégias de trabalho que trazemos e das que surgem em nossa relação com as crianças. É
ainda o instrumento que ajuda na organização do diálogo entre as expressões infantis e a cultura
vigente no mundo social mais amplo; contribui para que você possa contornar dificuldades de
organização do trabalho. Marca a intencionalidade do processo educativo, que está presente na
elaboração do planejamento: nas escolhas que fazemos, nos caminhos que traçamos.
de modo a não fragmentar a criança nas suas possibilidades de viver experiências, na sua compre-
ensão do mundo feita pela totalidade de seus sentidos, no conhecimento que constrói na relação
intrínseca entre razão e emoção, expressão corporal e verbal, experimentação prática e elaboração
conceitual. As práticas envolvidas nos atos de alimentar-se, tomar banho, trocar fraldas e contro-
lar os esfíncteres, na escolha do que vestir, na atenção aos riscos de adoecimento mais fácil nessa
faixa etária, no âmbito da Educação Infantil, não são apenas práticas que respeitam o direito da
criança de ser bem atendida nesses aspectos, como cumprimento do respeito à sua dignidade
como pessoa humana. Elas são também práticas que respeitam e atendem ao direito da criança
de apropriar-se, por meio de experiências corporais, dos modos estabelecidos culturalmente de
alimentação e promoção de saúde, de relação com o próprio corpo e consigo mesma, mediada
pelas professoras e professores, que intencionalmente planejam e cuidam da organização dessas
práticas (BRASIL, 2009:9-10).
As crianças precisam brincar em pátios, quintais, praças, bosques, jardins, praias, e viver expe
riências de semear, plantar e colher os frutos da terra, permitindo a construção de uma relação
de identidade, reverência e respeito para com a natureza. Elas necessitam também ter acesso a
espaços culturais diversificados: inserção em práticas culturais da comunidade, participação em
apresentações musicais, teatrais, fotográficas e plásticas, visitas a bibliotecas, brinquedotecas, mu-
seus, monumentos, equipamentos públicos, parques, jardins.
Como citado acima, é fundamental planejar situações em que se usem espaços livres nas áreas
externas e que essas áreas se configurem em propostas de interação de crianças com diferentes idades.
Atividades como jogos e brincadeiras cantadas são boas situações para tanto. São bem-vindos jogos
que permitam a socialização, a integração entre as crianças com o meio, garantindo o movimento
amplo, a autonomia, a cooperação, a experimentação.
Nessa perspectiva, o espaço físico concebido como um ambiente de aprendizagem tem um papel
fundamental no processo educativo. É nele que as crianças interagem entre si e com os adultos e, a
depender de como esteja organizado, pode possibilitar desafios compatíveis com suas possibilidades
de construção do conhecimento.
Um dos grandes avanços na Educação Infantil foi a definição de direitos de aprendizagem e de-
senvolvimento para as crianças, pois é através deles que os docentes irão repensar estratégias para a
prática pedagógica. A finalidade é assegurar às crianças as condições de aprendizagem em diversos
ambientes, por meio da vivência de desafios e construção de significados do mundo ao seu redor.
É importante que os professores conheçam e busquem estratégias para garantir o desenvolvimen-
to desses direitos de forma democrática. Conforme a Base Nacional Comum Curricular, são seis os
direitos de aprendizagens: conviver, brincar, explorar, participar, expressar e conhecer-se. Tais direitos
podem ser assim detalhados:
–– conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, construindo vínculos
afetivos, reconhecendo e respeitando as diferentes identidades;
–– brincar com diferentes parceiros, reconhecendo o sentido do singular, do coletivo, da autonomia
e da solidariedade, compartilhando brinquedos e espaços. Brincar com jogos de regras simples,
de faz de conta, entre outros; participar das brincadeiras de diferentes épocas e culturas, respei-
tando regras e combinados;
–– explorar diferentes formas de interação com pessoas e grupos sociais diversos, ampliando a sua
sensibilidade em relação aos outros, suas diferentes características individuais, respeitando-as;
explorar sua imagem, comparando-a com a imagem de outras pessoas. Explorar os papéis de
cuidar dos companheiros e de ser cuidado por eles. Explorar o mundo físico e social por meio
de todos os sentidos; explorar as brincadeiras de diferentes épocas e culturas; explorar o mundo
físico e social por meio de todos os sentidos;
–– participar ativamente das situações do cotidiano, tanto daquelas ligadas ao cuidado de si e do
ambiente quanto das relativas às atividades propostas pelo(a) professor(a), e às decisões da escola
de forma individual ou coletiva; participar com independência e autonomia em situações diversas;
participar de situações de auto-organização, como vestir-se ou desnudar-se; participar de jogos
interativos com adultos e crianças; participar de situações que envolvam a autoproteção e a co-
laboração com o outro; participar de práticas culturais que envolvam saberes e conhecimentos;
–– expressar às outras crianças e/ou adultos suas necessidades, emoções, desejos, preferências, inte-
resses, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, oposições, histórias e pensamentos
de modo autônomo e criativo; expressar-se por meio de diferentes linguagens;
Foi essa concepção integradora que nos levou a propor algumas experiências relacionadas a saberes
e conhecimentos que contemplem as múltiplas relações das crianças com os conhecimentos da
natureza e cultura, mediadas pelas linguagens. Essas experiências que serão propostas, longe de
esgotarem as infinitas possibilidades de trabalhos com as crianças da Educação Infantil, pretendem
apenas provocar os professores a abrir ou ampliar o leque de propostas a serem feitas a elas, de
acordo com suas características e a realidade sociocultural na qual se inserem.
Nesse processo, é fundamental o desafio e propósito de um currículo integrado, que seja compro-
metido com a qualidade social da educação e que considere a regionalidade do estado e as diversidades
que compõem as infâncias, contrapondo-se às desigualdades (étnicas, raciais, de gênero, econômicas,
geográficas e religiosas). É preciso propor um espaço integrador coletivo na Educação Infantil, que
trabalhe conhecimentos e que ultrapasse os muros das instituições educativas, tendo como referência
a realidade social da criança. Essa construção deve estar contemplada no processo participativo de
elaboração dos projetos político-pedagógicos (PPP) das escolas.
A seguir, cada um dos campos de experiências será tratado de forma mais específica. Inicialmente
esses campos são fundamentados e, em seguida, apresentados a partir de um organizador curricular.
É na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio
de agir, sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida, pessoas diferentes,
com outros pontos de vista. Conforme vivem suas primeiras experiências sociais (na família, na
instituição escolar, na coletividade), constroem percepções e questionamentos sobre si e sobre os
outros, diferenciando-se e, simultaneamente, identificando-se como seres individuais e sociais
(BRASIL, 2017:38).
Ao mesmo tempo que participam de relações sociais e de cuidados pessoais, as crianças cons-
troem sua autonomia e senso de autocuidado, de reciprocidade e de interdependência com o
meio. Por sua vez, na Educação Infantil, é preciso criar oportunidades para que as crianças
entrem em contato com outros grupos sociais e culturais, outros modos de vida, diferentes
atitudes, técnicas e rituais de cuidados pessoais e do grupo, costumes, celebrações e narrativas.
Nessas experiências, elas podem ampliar o modo de perceber a si mesmas e ao outro, valorizar
sua identidade, respeitar os outros e reconhecer as diferenças que nos constituem como seres
humanos (BRASIL, 2017:38).
(EI01EO01) Perceber que suas ações têm efeitos nas Expressão de múltiplas linguagens, tais como gestos, fala, ruídos, sons, músi-
outras crianças e nos adultos. cas, danças em acolhidas e outros tempos e espaços da rotina, além de rodas
de conversa.
(EI01EO02) Perceber as possibilidades e os limites
de seu corpo nas brincadeiras e interações das quais Participação de manifestações culturais exprimindo seus sentimentos e emoções
participa. de acordo com sua diversidade cultural.
(EI01EO03) Interagir com crianças da mesma faixa Colaboração com as regras e rotinas diárias no ambiente de convivência para
etária e adultos ao explorar espaços, materiais, objetos, um melhor relacionamento com o outro.
Bebês
recontos.
(EI02EO03) Compartilhar os objetos e os espaços com
crianças da mesma faixa etária e adultos. Participação de experiências que envolvam atitudes de respeito para com o
outro, valorizando suas falas e expressões;
(EI02EO04) Comunicar-se com os colegas e os adultos,
buscando compreendê-los e fazendo-se compreender. Participação em ações com o tema diversidade, em que possam identificar as
diferenças humanas, valorizando a diversidade (fotografia, recortes, desenhos).
(EI02EO05) Perceber que as pessoas têm características
físicas diferentes, respeitando essas diferenças. Colaboração na elaboração de regras de convivência do dia a dia.
(EI02EO06) Respeitar regras básicas de convívio social Colaboração na organização de brinquedos e materiais de uso coletivo.
nas interações e brincadeiras.
Resolução de conflitos com a orientação de um adulto.
(EI02EO07) Resolver conflitos nas interações e brinca-
deiras, com a orientação de um adulto. Discussão e construção de regras simples pelas crianças em jogo e brincadeiras.
Demonstração de carinho e respeito para com o próximo, participando de
regras de convivência e aprendendo gradativamente a trabalhar em equipe
sabendo ouvir, dividir, pedir ajuda.
Com o corpo (por meio dos sentidos, gestos, movimentos impulsivos ou intencionais, coordenados
ou espontâneos), as crianças, desde cedo, exploram o mundo, o espaço e os objetos do seu entorno,
estabelecem relações, expressam-se, brincam e produzem conhecimentos sobre si, sobre o outro,
sobre o universo social e cultural, tornando-se, progressivamente, conscientes dessa corporeidade.
Por meio das diferentes linguagens, como a música, a dança, o teatro, as brincadeiras de faz de
conta, elas se comunicam e se expressam no entrelaçamento entre corpo, emoção e linguagem
(BRASIL, 2017:39).
As crianças conhecem e reconhecem as sensações e funções de seu corpo e, com seus gestos e
movimentos, identificam suas potencialidades e seus limites, desenvolvendo, ao mesmo tempo, a
consciência sobre o que é seguro e o que pode ser um risco à sua integridade física. Na Educação
Os gestos e as mímicas faciais são meios utilizados pelas crianças para se comunicarem, se expressarem
e interagirem com o apoio do corpo. Dessa forma, os primeiros sinais de aprendizagem na infância são
evidenciados por meio do tato, do gesto, do movimento, do jogo, enfim, das construções elaboradas por
elas. O movimento assume um importante papel para o desenvolvimento e a aprendizagem da criança.
dentro, fora etc., ao se envolver em brincadeiras e Pintura com os dedos, com pincel de pelo.
atividades de diferentes naturezas. Exploração de leitura de imagens mais complexas (com vários elementos).
(EI02CG03) Explorar formas de deslocamento no es- Realização de modelagem livre e/ou direcionada.
paço (pular, saltar, dançar), combinando movimentos Colagens, com diferentes materiais, incluindo elementos regionais/locais.
e seguindo orientações. Brincadeiras livres nos espaços da unidade escolar.
(EI02CG04) Demonstrar progressiva independência no Participação em brincadeiras que envolvam ações como: arrastar, levantar,
cuidado do seu corpo. subir, descer, passar por dentro, por baixo, saltar, rolar, virar cambalhotas e
demais expressões dos movimentos.
(EI02CG05) Desenvolver progressivamente as habili-
dades manuais, adquirindo controle para desenhar, Realização de diferentes movimentos corporais, compreendendo gradativa-
pintar, rasgar, folhear, entre outros. mente a lateralidade (direita e esquerda) e a noção de espaço (frente, atrás,
em cima, embaixo) de forma lenta, moderada e acelerada, por meio de músicas
e brincadeiras.
Comparação de medidas (maior, menor, curto/comprido, grande /pequeno,
mesmo tamanho, alto/baixo, largo/estreito), fazendo uso de materiais concretos.
reconto de histórias, atividades artísticas, entre outras Vivência nas experiências de calçar e descalçar-se utilizando sapatos ou sandálias
possibilidades. com fivelas, cadarços etc.
(EI03CG03) Criar movimentos, gestos, olhares e mími- Uso de equipamentos de informática pelas crianças: computadores, tablets,
cas em brincadeiras, jogos e atividades artísticas como celulares, jogos e aplicativos educacionais.
dança, teatro e música. Brincadeiras de faz de conta que possibilitem às crianças assumir diferentes
(EI03CG04) Adotar hábitos de autocuidado relacionados papéis, criando cenários, diálogos e tramas.
a higiene, alimentação, conforto e aparência. Vivência de momentos de expressão facial, corporal, através de espelhos,
fotografias, canções etc.
(EI03CG05) Coordenar suas habilidades manuais no
atendimento adequado a seus interesses e necessi- Observação da própria imagem no espelho, e imitação dos gestos dos colegas.
dades em situações diversas. Filmagem de dramatização das crianças e posterior reprodução para elas.
Exploração do ambiente físico por meio de situações de orientações espaciais.
Movimento livre do corpo possibilitando o desenvolvimento de gestos e ritmos
criativos e estéticos pelas crianças.
Exploração e expressão por meio da prática artística como: o teatro, a dança,
a música, bem como as demais formas de expressão para que sejam vividas
como fonte de prazer, cultura e possibilidade de as crianças se expressarem
corporalmente.
Apreciação e interação com a diversidade cultural brasileira e maranhense e
suas origens por meio da dança (capoeira, maracatu, maneiro pau, pau de fitas,
entre outras) e brincadeiras tradicionais (“eu sou pobre, eu sou rica”, “lagarta
pintada”, peteca, cirandas etc.).
Brincadeiras que incluam práticas de esportes conhecidos pelas crianças em
seu meio social.
O campo de experiências “traços, sons, cores e formas” aponta para a relevância de ambientes que
estimulem a criatividade das crianças, a exploração e a valorização da multissensorialidade, o prota-
gonismo e o prazer contínuo das crianças pelas descobertas. Na BNCC, esse campo é apresentado da
seguinte forma:
Esse campo comporta experiências com as múltiplas linguagens e suas formas de expressão, que
necessitam de ambientes ricos de significados, que se constituem de imagens, cores, sons, traços e que
compõem a diversidade de linguagens, as quais as crianças utilizam para se expressar, se comunicar
e interagir com o meio.
de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. Sessões de fotografia pelas crianças, propiciando a apreciação por elas das
(EI03TS02) Expressar-se livremente por meio de dese- imagens captadas (utilizando-se de datashow, exposições fotográficas etc.).
nho, pintura, colagem, dobradura e escultura, criando Utilização de recursos tecnológicos como filmes/vídeos/musicais apropriados
produções bidimensionais e tridimensionais. à idade delas.
(EI03TS03) Reconhecer as qualidades do som (intensi- Produções individuais e coletivas das crianças (desenho, pinturas, esculturas
dade, duração, altura e timbre), utilizando-as em suas etc.).
produções sonoras e ao ouvir músicas e sons. Utilização de recursos para teatralizar (deboches, fantoches, teatro de sombras,
mamulengos, marionetes, mímica, imitação, máscara).
Improviso de cena, utilizando o repertório vocal, corporal e emotivo.
Apreciação de espetáculos artísticos dentro e fora da instituição.
Brincadeira livre com tintas, experimentando as sensações (pintar com as mãos,
pintar o corpo, o papel, misturar tintas) e utilizando diferentes tipos de papéis,
texturas, superfícies e objetos.
Vivências em brincadeiras, danças, cantigas de roda e outras manifestações
da cultura popular regional.
Apreciação de diferentes tipos de música e a expressão por meio de gestos,
ritmos e cantos.
Vivência de situações em que as crianças criem gestos, façam mímicas, reali-
zem expressões corporais e sigam ritmos espontâneos, ao som de músicas e
brincadeiras (“seu mestre mandou”, “cadê o bolinho que estava aqui?” etc.).
Vivências de faz de conta e imitação a partir de sons, gestos e movimentos.
Atividades com balões cheios para produções de sons graves e agudos.
Participação de “show de talentos” na escola utilizando instrumentos confec-
cionados pelas próprias crianças.
Importante ressaltar que as crianças necessitam do contato com indivíduos a fim de criar vínculos
e constituir um canal comunicativo. É no convívio com o outro que as crianças exercitam sua fala e o
desenvolvimento das demais linguagens. Tal como posto na BNCC:
Desde cedo, a criança manifesta curiosidade com relação à cultura escrita: ao ouvir e acompanhar
a leitura de textos, ao observar os muitos textos que circulam no contexto familiar, comunitário e
escolar, ela vai construindo sua concepção de língua escrita, reconhecendo diferentes usos sociais
da escrita, dos gêneros, suportes e portadores. Na Educação Infantil, a imersão na cultura escrita
deve partir do que as crianças conhecem e das curiosidades que deixam transparecer. As expe
riências com a literatura infantil, propostas pelo educador, mediador entre os textos e as crianças,
contribuem para o desenvolvimento do gosto pela leitura, do estímulo à imaginação e da ampliação
do conhecimento de mundo. Além disso, o contato com histórias, contos, fábulas, poemas, cordéis
etc. propicia a familiaridade com livros, com diferentes gêneros literários, a diferenciação entre
ilustrações e escrita, a aprendizagem da direção da escrita e as formas corretas de manipulação de
livros. Nesse convívio com textos escritos, as crianças vão construindo hipóteses sobre a escrita que
se revelam, inicialmente, em rabiscos e garatujas e, à medida que vão conhecendo letras, em escritas
espontâneas, não convencionais, mas já indicativas da compreensão da escrita como sistema de
representação da língua (BRASIL, 2017:40).
As Diretrizes de 2009 orientam que “na pequena infância, a aquisição e o domínio da linguagem
verbal estão vinculados à constituição do pensamento, à fruição literária, sendo também instrumento
de apropriação dos demais conhecimentos” (BRASIL, 2009:24). A prática pedagógica precisa ter uma
organização de espaços, tempos e materiais que facilitem as interações, para que as crianças possam se
expressar, imaginar, criar, comunicar, organizar pensamentos e ideias, bem como brincar e trabalhar
em grupo e individualmente.
Esse campo de experiências se articula com os demais. Apesar de a escrita ser uma linguagem
extremamente valorizada na sociedade atual, na Educação Infantil as crianças necessitam vivenciar
todas as linguagens humanas, pois estão descobrindo ainda o mundo e precisam de muitas formas de
expressão. Por outro lado, também é preciso mencionar que por muito tempo houve incompreensões
em relação ao trabalho com a leitura e escrita nessa etapa, negando, muitas vezes, o acesso a essas
linguagens aos bebês e crianças, como se esses sujeitos não fossem capazes de participar de situações
de letramento. É preciso que os professores dessa etapa compreendam que é direito das crianças terem
acesso à linguagem escrita por meio de práticas sociais com sentido de leitura e escrita.
(EI02EF04) Formular e responder perguntas sobre fatos Expressão livre de suas ideias, participação de discussões de temáticas estudadas
da história narrada, identificando cenários, personagens pelo grupo e outros assuntos do seu interesse.
e principais acontecimentos. Manuseio de diferentes suportes textuais, de acordo com seu interesse, simu-
(EI02EF05) Relatar experiências e fatos acontecidos, lando a leitura por meio da brincadeira livre e do faz de conta.
histórias ouvidas, filmes ou peças teatrais assistidos etc. Exploração dos gêneros textuais de forma sistemática, enfatizando suas sin-
(EI02EF06) Criar e contar histórias oralmente, com base gularidades; realizando leitura de imagens (objetos, cartazes, rotina escolar,
em imagens ou temas sugeridos. crachás com fotos dos colegas, do/a professor(a), etc.).
(EI02EF07) Manusear diferentes portadores textuais, Manutenção de contato com diversos tipos de linguagem e gêneros, estimulando
demonstrando reconhecer seus usos sociais. sua capacidade de comunicação e expressão de suas vivências, encantando-
-se com os textos literários e pelas estratégias lúdicas que o professor adota.
(EI02EF08) Manipular textos e participar de situações
de escuta para ampliar seu contato com diferentes Criação de um ambiente letrado, em que se possa manusear e explorar diversos
gêneros textuais (parlendas, histórias de aventura, portadores textuais, além de expor as diferentes formas de escrita infantis (de
tirinhas, cartazes de sala, cardápios, notícias etc.). acordo com as hipóteses de escritas das crianças) e escritas convencionais.
(EI02EF09) Manusear diferentes instrumentos e su- Contação de histórias, troca de livros, manuseio de diferentes textos, valorizando
portes de escrita para desenhar, traçar letras e outros leitura como fonte de prazer e entretenimento.
sinais gráficos. Identificação da escrita do ambiente social.
Apreciação de atividades escritas com diferentes funções sociais.
Participação de experiências em que se sinta motivado a realizar escritas
autônomas.
Desenvolvimento de habilidades gráficas, tendo, gradativamente, o controle
do movimento das mãos.
Envolvimento em situações de escrita, manuseando coletivamente letras
móveis, com mediação do professor.
(EI03EF05) Recontar histórias ouvidas para a produção Vivência de momentos de pseudoleitura, tendo como parâmetro o compor-
de reconto escrito, tendo o professor como escriba. tamento leitor do professor.
Dramatização de situações do dia a dia e narrativas: textos literários, informa-
(EI03EF06) Produzir as próprias histórias orais e escritas
tivos, trava-línguas, cantigas, quadrinhas, notícias.
(escrita espontânea), em situações com função social
significativa. Identificação de personagens, cenários, trama, sequência cronológica, ação e
intenção dos personagens.
EI03EF07) Levantar hipóteses sobre gêneros textuais
Criação de histórias orais e escritas (desenhos), em situações com função
veiculados em portadores conhecidos, recorrendo
social significativa.
a estratégias de observação gráfica e/ou de leitura.
Participação de momentos de criação de símbolos e palavras com a intenção
(EI03EF08) Selecionar livros e textos de gêneros co- de identificar lugares e situações e elementos da rotina.
nhecidos para a leitura de um adulto e/ou para sua
Criação e contação de histórias ou acontecimentos oralmente, com base em
própria leitura (partindo de seu repertório sobre esses
imagens ou temas sugeridos.
textos, como a recuperação pela memória, pela leitura
das ilustrações etc.). Diferenciação de desenho, letra e número em suas produções espontâneas.
Levantamento de hipótese em relação à linguagem escrita, realizando re-
(EI03EF09) Levantar hipóteses em relação à linguagem
gistros de palavras e/ou quantidades por meio da escrita espontânea e/ou
escrita, realizando registros de palavras e textos, por
convencional.
meio de escrita espontânea.
Manuseio de livros, revistas e outros portadores de textos e participação em
diversas situações reais nas quais seus usos se fazem necessários.
Participação em rodas de conversa para expressarem suas hipóteses sobre
“para que servem” os diferentes gêneros textuais como: receita, classificados,
poesia, bilhete, convite, bula e outros.
Criação de histórias a partir da leitura de ilustrações e imagens para desenvol-
verem a criatividade e a imaginação.
Narração de histórias ouvidas utilizando somente a memória como recurso.
(EI03ET02) Observar e descrever mudanças em di- Participação de situações que envolvam a medição da altura de si e de outras
ferentes materiais, resultantes de ações sobre eles, crianças, por meio de fitas métricas e outros recursos.
em experimentos envolvendo fenômenos naturais e Comparação de tamanhos entre objetos, registrando suas constatações e/ou
artificiais. da turma.
(EI03ET03) Identificar e selecionar fontes de informa- Observação das transformações produzidas nos alimentos durante o cozimento,
ções, para responder a questões sobre a natureza, seus fazendo registros espontâneos e/ou convencionais.
fenômenos, sua conservação. Identificação das características geométricas dos objetos, como formas, bidi-
Crianças pequenas
(EI03ET04) Registrar observações, manipulações e me- mensionalidade e tridimensionalidade em situações de brincadeira, observando
didas, usando múltiplas linguagens (desenho, registro imagens e ambientes e em suas produções artísticas.
por números ou escrita espontânea), em diferentes Organização de materiais e brinquedos em caixas de acordo com critérios
suportes. definido.
(EI03ET05) Classificar objetos e figuras de acordo com Organização de materiais e brinquedos em caixas de acordo com critérios que
suas semelhanças e diferenças. a própria criança escolher, de acordo com suas hipóteses de classificação.
(EI03ET06) Relatar fatos importantes sobre seu nasci- Exploração do espaço por meio da percepção de noções de profundidade,
mento e desenvolvimento, a história dos seus familiares analisando objetos, formas e dimensões.
e da sua comunidade. Exploração de objetos pessoais e do meio em que vive, conhecendo suas
características, propriedades e função social para que possam utilizá-los de
(EI03ET07) Relacionar números às suas respectivas forma independente, de acordo com suas necessidades.
quantidades e identificar o antes, o depois e o entre
em uma sequência. Relato de fatos de seu nascimento com apoio de fotos e entrevista com fa-
miliares para descobrir aspectos importantes de sua vida: onde nasceu? Em
(EI03ET08) Expressar medidas (peso, altura etc.), cons- que hospital? Como foi? Quanto pesava? Quanto media? Foi amamentado?
truindo gráficos básicos.
Construção da linha do tempo com auxílio da família ou do professor, utili-
zando fotos.
Representação numérica e das quantidades identificadas em diferentes situa-
ções, fazendo a relação entre número e quantidade.
Contagem oral nas diferentes atividades lúdicas como parlendas, músicas e
adivinhas, desenvolvendo o reconhecimento de quantidades.
Uso de unidades de medidas convencionais ou não para comparar distâncias
ou tamanhos, medindo comprimentos utilizando passos e pés através de jogos
e brincadeiras.
Representação de quantidades (de meninas, meninos, objetos, brinquedos,
bolas e outros) por meio de desenhos e registros gráficos (riscos, bolinhas,
numerais e outros).
Realização de contagem oral por meio de diversas atividades do dia a dia,
brincadeiras e músicas que as envolvam.
Construção de gráficos a partir dos registros de medições de altura, massa e
registros de quantidades.
Leitura de gráficos coletivamente, comparando informações desses instrumentos
dentro do contexto da criança.
A avaliação é uma atividade importante em qualquer processo educativo. Seu objetivo deve ser
conhecer melhor em que estágio as crianças estão e identificar de que modo é possível atuar de maneira
mais efetiva para assegurar o seu pleno desenvolvimento. Assim, constitui um recurso pedagógico adi-
cional para os professores e coordenadores pedagógicos ou diretores de unidades de Educação Infantil.
A avaliação na Educação Infantil deve incidir diretamente no planejamento das atividades diárias
promovidas pelo professor junto às crianças, devendo subsidiar elementos que ampliem as aprendi-
zagens e experiências apresentadas por elas, contribuindo também para suas manifestações, desejos
e necessidades.
Vale ressaltar que a avaliação nesta etapa da Educação Básica possui algumas especificidades que
devem ser observadas. A mais importante delas é o fato de que os procedimentos avaliativos não de-
vem ter caráter de classificação ou promoção das crianças de uma fase a outra. Sua finalidade maior
é educativa.
A LDB de 1996 estabelece que a Educação Infantil precisa ser organizada com base em algumas
regras comuns, entre elas “avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das
crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental” (incluído pela
Lei no 12.796/13). Assim, o foco da avaliação está voltado para o registro de todas as conquistas, avan-
ços, dificuldades e desafios enfrentados pelas crianças, com a finalidade de observar seu progresso no
processo de ensino e aprendizagem.
Importante, ainda, considerar o disposto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Infantil de 2009, que reitera que “as instituições de Educação Infantil devem criar procedimentos para
acompanhamento do trabalho pedagógico e para avaliação do desenvolvimento das crianças, sem
objetivo de seleção, promoção ou classificação”. Conforme detalhado no documento, essa avaliação
deve garantir:
I – a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e interações das crianças no
cotidiano;
II – utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças (relatórios, fotografias,
desenhos, álbuns etc.);
III – a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da criação de estratégias adequadas
aos diferentes momentos de transição vividos pela criança (transição casa/instituição de Educação
Infantil, transições no interior da instituição, transição creche/pré-escola e transição pré-escola/
Ensino Fundamental);
IV – documentação específica que permita às famílias conhecer o trabalho da instituição junto
às crianças e os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança na Educação Infantil;
V – a não retenção das crianças na Educação Infantil.
Essa passagem mostra a importância de, por um lado, propiciar experiências educativas cheias
de significados para as crianças e, por outro, registrar seu desenvolvimento ao longo das atividades,
apontando desafios e progressos e, sobretudo, estimulando suas potencialidades.
Educação Infantil e Ensino Fundamental são frequentemente separados. Porém, do ponto de vista
da criança, não há fragmentação. Os adultos e as instituições é que muitas vezes opõem Educação
Infantil e Ensino Fundamental, deixando de fora o que seria capaz de articulá-los: a experiência
com a cultura. Questões como alfabetizar ou não na Educação Infantil e como integrar Educação
Infantil e Ensino Fundamental continuam atuais. Temos crianças, sempre, na Educação Infantil e
no Ensino Fundamental (KRAMER, 2007:19).
Assim, esse período de transição deve ser compreendido como um processo contínuo e não frag-
mentado, pois as crianças da Educação Infantil são as mesmas que irão para o Ensino Fundamental,
tornando necessário criar ambientes e práticas que respeitem as características de cada faixa etária,
ao mesmo tempo que promovam aprendizagens compatíveis com suas necessidades. O foco deve ser
sempre o bem-estar e o desenvolvimento integral das crianças nas diferentes etapas, a partir da arti-
culação entre cuidar e educar, que deve perpassar toda a Educação Básica.
Segundo Zabalza (1998:32):
Essa transição, como qualquer outra, requer atenção e cuidado por parte da família e dos educadores.
Quando a escola oferece em um mesmo espaço as duas etapas – Educação Infantil e Ensino Funda-
mental –, há possibilidade de essa transição acontecer de forma mais tranquila, porque as crianças já
têm convivência com as pessoas dos dois espaços, sendo necessário dar atenção especial à alteração
da rotina escolar. Mas quando as instituições de Educação Infantil e do Ensino Fundamental estão
em prédios distintos, esse processo se torna mais complexo, sendo necessário que os educadores das
duas etapas e instituições promovam ações para minimizar possíveis transtornos e /ou dificuldades.
Gestores e professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental necessitam estabelecer um
diálogo sobre a transição entre as duas etapas, traçando métodos e estratégias para o desenvolvimento
integral do educando. Isso requer a revisão do projeto político-pedagógico para que contemple as
A transição entre essas duas etapas da Educação Básica requer muita atenção, para que haja equilíbrio
entre as mudanças introduzidas, garantindo integração e continuidade dos processos de aprendi-
zagens das crianças, respeitando suas singularidades e as diferentes relações que elas estabelecem
com os conhecimentos, assim como a natureza das mediações de cada etapa. Torna-se necessário
estabelecer estratégias de acolhimento e adaptação tanto para as crianças quanto para os docentes,
de modo que a nova etapa se construa com base no que a criança sabe e é capaz de fazer, em uma
perspectiva de continuidade de seu percurso educativo (BRASIL, 2017:51).
Desse modo, é necessário buscar estratégias para garantir que os processos de aprendizagem viven-
ciados pelas crianças da Educação Infantil tenham continuidade sem mudanças abruptas no Ensino
Fundamental, no sentido de respeitar seus estágios peculiares de desenvolvimento e concretizar seu
direito à educação.
Referências









