Curso de Formação continuada
em Georreferenciamento de imóveis rurais
GEODÉSIA
aplicada ao georreferenciamento
Prof. Augusto Cesar da Silveira
Engenheiro Agrimensor
Mestre em Engenharia
03/2005
Sumário
INTRODUÇÃO – GEODÉSIA
1. Histórico 3
2. Definições 4
3. Divisão 4
4. Funções 5
5. Aplicações 6
6. Superfícies de referência 7
GEOMETRIA DO ELIPSÓIDE
7. Geometria do Elipsóide 11
SISTEMAS DE REFERÊNCIA
8. Sistemas de referência 17
8.1. Coordenadas Cartesianas 17
8.2. Coordenadas Geodésicas 19
8.3. Coordenadas Planas 21
9. Classificação dos Sistemas de Referência 21
9.1. Sistemas de Referência Clássicos 21
9.2. Sistemas de Referência Modernos 22
10. Materialização de um Sistema 23
11. Datum Planimétrico 23
12. Datum Altimétrico 23
13. Sistemas de referência adotados no Brasil 24
14. Posição de um ponto acima do elipsóide de referência 28
15. Transformação entre SAD-69 e outros Sistemas 30
BIBLIOGRAFIA
2
Introdução
1. Histórico
A história da GEODÉSIA teve início quando ERATOSTHENES
(Grécia 276 – 194 a.c.), realizou o famoso experimento, que
determinou a esfericidade e o tamanho da Terra (≅ 6210km)
FIGURA 1 - O experimento de Eratosthenes
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Introdução
2. Definições
“Geodésia é a ciência que mede e representa a superfície da Terra”
(HELMERT 1880)
“Geodésia é a ciência que estabelece os princípios e os métodos por
meio dos quais grandes áreas na superfície da Terra podem ser
levantadas e mapeadas com precisão” (MERRIMAN 1975)
“A Geodésia é a ciência que tem por objetivo determinar a forma e as
dimensões da Terra e os parâmetros definidores do campo gravífico”
(GEMAEL 1987)
“A Geodésia é definida classicamente como a ciência que estuda a
forma e as dimensões da Terra. A palavra Geodésia em si é de
origem grega e significa ‘PARTICIONANDO A TERRA’ (γη – Terra,
δαιω – Dividido)” (BLITZKOW & LEICK 1992)
3. Divisão
Segundo (GEMAEL 1987) a Geodésia apresenta a seguinte divisão:
Geodésia geométrica;
Geodésia Física;
Geodésia Celeste.
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Introdução
SENDO:
As observações angulares e lineares junto das observações
astronômicas relacionam-se com a Geodésia Geométrica;
O conhecimento detalhado do campo de gravidade é tratado na
Geodésia Física;
As medidas realizadas dos satélites artificiais encontram-se na
Geodésia Celeste;
4. Funções
As três principais aplicações da Geodésia correspondem às seguintes
atividades
Posicionamento;
Campo de gravidade da terra;
Variações temporais (nas posições e no campo de gravidade).
Descritas a seguir.
POSICIONAMENTO
O posicionamento ou determinação da posição de um ponto é a
atividade mais conhecida da Geodésia.
Os pontos podem ser posicionados individualmente ou em rede de
pontos.
Estes posicionamentos podem ser absolutos dentro de um sistema
de coordenadas ou relativos a outros pontos.
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Introdução
CAMPO DE GRAVIDADE
O conhecimento do campo de gravidade da Terra é fundamental para
transformar as observações geodésicas obtidas no espaço físico e
afetadas pela ação da gravidade para o espaço geométrico, onde as
posições são facilmente definidas.
VARIAÇÕES TEMPORAIS
As variações temporais das posições e do campo de gravidade são
oriundas das deformações da Terra e de seu campo de gravidade
que são atribuídas a diferentes causas.
Estas variações não são estudadas pela Geodésia, mas sim, pela
Geofísica.
O que a Geodésia estuda são os aspectos e as influências que elas
causam.
5. Aplicações
A prática da Geodésia envolvem as seguintes atividades:
Determinar a forma e as dimensões da Terra;
Posicionar pontos e objetos na superfície terrestre;
Auxiliar no Planejamento, administração e o desenvolvimento de
áreas rurais e urbanas;
Gerar cartas, mapas e plantas (Digitais ou papel).
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Introdução
6. Superfícies de referência
Nos levantamento Geodésicos, usa-se uma superfície de referência
para distinguir coordenadas curvilíneas e altitudes.
Para o posicionamento (planimétrico e altimétrico) de pontos na
superfície da Terra ou próximo dela, necessita-se de uma superfície
de referência.
Três superfícies são consideradas:
FIGURA 2 – Superfícies de referência
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Introdução
SUPERFÍCIE FÍSICA
A superfície física da Terra (superfície topográfica ou superfície real)
é uma superfície entre as massas sólidas ou fluídas e a atmosfera.
Esta superfície contendo os continentes e o fundo do mar é irregular
e incapaz de ser representada por uma simples relação matemática
(TORGE, 1991).
Nesta superfície, realizam-se as operações geodésicas (GEMAEL,
1997).
GEÓIDE
Etimologicamente geóide significa “forma da Terra” que é definida
pela linha do prolongamento do nível médio dos mares nos
continentes.
Classicamente, define-se geóide a superfície equipotencial que se
aproxima do nível médio do mar.
ELIPSÓIDE
Elipsóide é a figura matemática que imita a forma real da Terra.
Elipsóide é o sólido geométrico definido pela rotação de uma semi-
elipse em torno do seu eixo menor”.
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Introdução
O elipsóide é uma figura geométrica determinada através de
parâmetros e que se utiliza como uma aproximação do geóide (ou da
superfície da Terra) mediante as seguintes condições:
Coincidência do centro da Terra (centro de massa do geóide com o
centro do elipsóide);
FIGURA 3 – Elipsóide
FIGURA 4– Relação Elipsóide - Geóide
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Introdução
Da relação Elipsóide – Geóide podemos ter as seguintes alturas:
Ortométrica (H) = distância entre a superfície física e o Geóide.
Geométrica ou Elipsoidal (h) = distância entre a superfície física e o
elipsóide.
FIGURA 5 – Desvio da vertical
Onde :
N (ondulação geoidal) = h = N + H
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Geometria do Elipsóide
7. Geometria do Elipsóide
O Elipsóide é uma figura geométrica determinada através de
parâmetros e que se utiliza como uma aproximação do Geóide (ou da
superfície da Terra) mediante as seguintes condições:
- Coincidência do centro da Terra (centro de massa do Geóide) com o
centro do elipsóide;
- coincidência do plano equatorial do elipsóide com o plano do
equador terrestre (ambos perpendiculares à linha dos pólos);
- mínimos desvios em relação ao Geóide.
Ajusta-se o Elipsóide, tomando-se os parâmetros semi-eixo maior (a)
e achatamento (α) ou semi-eixo maior (a) e semi-eixo menor (b),
como incógnitas.
Em função dos DATA (plural de Datum), considerados, surgem
diferentes Elipsóides de referência, com parâmetros específicos.
Atualmente trabalha-se para unificar os elipsóides de referência, ou
seja, visa-se determinar um único para o mundo todo, através da
utilização de satélites artificiais.
O Elipsóide de referência é gerado pela rotação da elipse em torno do
eixo Z (eixo dos pólos).
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Geometria do Elipsóide
FIGURA 6– Parâmetros da Elipse
Desta Elipse temos:
x2 + y2 z2
equação da elipse = 2
+ 2 =1
a b
a -b b
achatamento (α ) = ou (α ) = 1 -
a a
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Geometria do Elipsóide
a2 − b2
1ª excentricidade (e) =
a
a2 − b2
2ª excentricidade (e´) =
b
Coordenadas retilíneas
FIGURA 7– Coordenadas retilíneas
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Geometria do Elipsóide
a. cos ϕ
X=
1 − e 2 .sen 2ϕ
a.(1 − e 2 ).senϕ
Y=
1 − e 2 .sen 2ϕ
ϕ= Latitude geodésica do ponto P
Raios de curvatura sobre o Elipsóide:
1. Raio de curvatura na seção meridiana (M)
a (1 − e 2 )
M= 3
(1 − e 2 .sen 2ϕ ) 2
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Geometria do Elipsóide
2. Raio de curvatura na seção transversa (N)
a
Grande Normal (N) =
1 − e 2 .sen 2ϕ
a.(1 − e 2 )
Pequena Normal (N' ) =
1 − e 2 .sen 2ϕ
3. Raio médio de curvatura (Ro)
Raio médio (Ro) = M.N
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Elipsóides utilizados no Brasil
Elipsóide intenacional de HAYFORD 1924
(Córrego Alegre)
a=6.378.388,000m
b=6.356.911,966m
Elipsóide internacional de 1967 - UGGI-67
(SAD-69)
a=6.378160,000m
b=6.356.774,719m
Elipsóide GRS-80 (SIRGAS 2000)
a=6.378137,000m
b=6.356.752,314m
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Sistemas de referência
8. Sistemas de referência
Para identificar a posição de uma determinada informação ou de um
objeto, são utilizados os sistemas de referência.
Também conhecidos como sistemas de referência terrestres ou
geodésicos, estão associados a uma superfície que se aproxime do
formato da Terra, ou seja, um elipsóide.
Sobre esta figura matemática são calculadas as coordenadas, que
podem ser apresentadas em diversas formas:
em uma superfície esférica recebem o nome de coordenadas
geodésicas;
em uma superfície plana recebem a denominação da projeção às quais
estão associadas, como por exemplo, as coordenadas planas UTM.
Assim, as coordenadas referidas aos sistemas de referência são
normalmente apresentadas em três formas:
Cartesianas;
Geodésicas ou Elipsoidais;
Planas.
8.1. Coordenadas cartesianas
O sistema de coordenadas cartesianas é caracterizado por um
conjunto de três retas (eixos X, Y e Z), mutuamente perpendiculares.
Como sistema de referência geodésico também é conhecido como
sistema de coordenadas cartesianas geocêntricas, devido a sua origem
estar assoada ao centro de massas da Terra (geocentro).
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Sistemas de referência
Estas coordenadas ficaram mais conhecidas e utilizadas após a
criação do sistema de posicionamento global (GPS).
As características deste sistema são:
FIGURA 7– Coordenadas cartesianas
O eixo X coincide com o plano equatorial e orientado positivamente do
centro de massa da Terra e a intersecção deste plano com o meridiano
de Greenwich (longitude 0º).
O eixo Y coincide com o plano equatorial e orientado positivamente do
centro de massa terrestre e a intersecção com a longitude 90º.
O eixo Z é paralelo ao eixo de rotação da Terra e orientado
positivamente na direção Norte.
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Sistemas de referência
Z
Meridiano
Greenwich
O
• Y
X
Equador
FIGURA 8– Eixos ortogonais
8.2. Coordenadas geodésicas
As coordenadas de um ponto na superfície terrestre são definidas por suas
coordenadas geodésicas (latitude, longitude e altitude geométrica ou
elipsoidal) considerando-se um elipsóide de revolução.
Define-se como coordenadas geodésicas de um ponto P qualquer na
superfície do elipsóide como:
Latitude geodésica é o ângulo formado entre a norma l (linha perpendicular
ao elipsóide) no ponto considerado e o plano equatorial do elipsóide. Esta
coordenada tem sinal positivo no hemisfério norte e negativo no hemisfério
sul, pode-se também ser indicada pela letra N quando no hemisfério norte
ou S no hemisfério sul.
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Sistemas de referência
Longitude geodésica é o ângulo formado entre o meridiano de origem
(Greenwich) e o meridiano do ponto considerado, contado sobre o
plano equatorial. Esta coordenada é positiva a leste de Greenwich e
negativa a oeste. Podendo ser indicada pelas letras E e W para leste
ou oeste respectivamente.
Altitude geométrica ou elipsoidal corresponde a distância entre o
ponto considerado à superfície do elipsóide medida sobre a sua
normal. Esta coordenada é nula sobre o elipsóide.
As coordenadas curvilíneas podem ser representadas em um sistema
cartesiano, através de formulações que fazem associações entre estes
dois sistemas (Cartesiano e Geodésico). Tais formulações podem ser
encontradas na “Resolução da Presidência da República nº 23 de
21/02/89. (IBGE 2003)
FIGURA 9– Latitude e longitude
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Sistemas de referência
8.3. Coordenadas planas
As coordenadas podem ser representadas no plano através nas
componentes Norte (N) e Leste (E) regularmente utilizadas em mapas
e cartas, referidas a um determinado sistema de referência geodésico.
Para representar uma superfície curva em plana são necessárias
formulações matemáticas chamadas de projeções.
Diferentes projeções poderão ser utilizadas na confecção de mapas, no
Brasil a projeção mais utilizada é a Universal Transversa de Mercator
(UTM).
9. Classificação dos sistemas de referência
Os sistemas de referência são classificados em dois tipos:
Clássico;
Moderno.
9.1. Sistemas de referência clássicos
Historicamente, os sistemas geodésicos eram obtidos através das
seguintes etapas:
Escolha de um sólido geométrico e seus parâmetros definidores.
Definição de um ponto de origem, um azimute inicial,
determinação da separação entre elipsóide-geóide e desvio da
vertical.
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Sistemas de referência
Com estas informações assegura-se a boa adaptação entre a
superfície do elipsóide e geóide na região onde este referencial será
desenvolvido. Sendo assim, o centro do elipsóide não está localizado
no geocentro. (IBGE 2003)
Realização de observações geodésicas através de ângulos e distâncias
de origem terrestre, materializando o referencial
9.2. Sistemas de referência modernos
Com a era da geodésia espacial (satélites artificiais) os sistemas de
referencia terrestres passam a ter características diferentes em relação
aos sistemas clássicos visto anteriormente, mas a essência é a mesma
no sentido de possuir uma parte definidora e atrelada a ela, uma
materialização (IBGE 2003).
As etapas necessárias na obtenção destes sistemas terrestres são:
Adoção de uma plataforma de referência que represente a forma e as
dimensões da Terra em caráter global (sistemas geodésicos de
referência – SGR), sendo portanto geocêntricos.
Esta plataforma é derivada de extensas observações do campo
gravitacional terrestre e a partir de observações a satélites.
A materialização do sistema terrestre geocêntrico é dada através de
redes geodésicas, entretanto, os métodos e procedimentos para sua
obtenção utilizam-se das técnicas espaciais de posicionamento, como
por exemplo, o VLBI (Very Long Baseline Interferometry), SLR (Satellite
Laser Range) e o GPS (Global positioning System).
Estas técnicas possuem duas vantagens sobre as outras. A primeira
consiste no posicionamento tridimensional (3D ou X,Y,Z) de uma
estação geodésica e a segunda é sua alta precisão nas coordenadas.
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Sistemas de referência
10. Materialização de um sistema
Para a materialização de um sistema de referência são necessários
vários ajustamentos das redes geodésicas, relacionando os pontos
físicos com um determinado referencial.
O resultado, estabelece um conjunto de coordenadas para as estações
que constituem a materialização do SGR (Sistema Geodésico de
Referência).
Usualmente, é comum adotar uma única denominação para definição e
materialização de um sistema (ex. SAD-69).
11. Datum planimétrico
Ponto inicial de um sistema de referência geodésico, que representa a
base dos levantamentos horizontais.
A localização ideal desse ponto é onde haja coincidência entre as
superfícies do Geóide e do Elipsóide. (n = 0)
12. Datum altimétrico
É a superfície formada pelo nível médio do mar, definida através do
marégrafo estável, a partir de longos períodos de observação para
estabelecer a altitude zero. As altitudes são calculadas partindo-se do
Datum Altimétrico.
No Brasil, o Marégrafo de Imbituba (SC) – 1958 representa a altitude
origem em relação ao nível médio do mar local
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Sistemas de referência
13. Sistemas de referência adotados no
Brasil
Córrego Alegre
Ponto Datum: Vértice Córrego Alegre
Coordenadas: γ = -19º 50’ 14,91’’
λ = -48º 57’ 41,98’’
h = 683,81m
Superfície de referência: Elipsóide internacional de Hayford 1924
a = semi-eixo maior = 6.378.388m
α = achatamento = 1:297
Ondulação Geoidal: N = 0
Astro Chuá
Ponto Datum: Vértice Chuá
Superfície de referência: Elipsóide internacional de Hayford 1924
a = semi-eixo maior = 6.378.388m
α = achatamento = 1:297
Ondulação Geoidal: N = ignorada
Este sistema serviu como ensaio para o sistema SAD-69
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Sistemas de referência
SAD-69
O SAD-69 é um sistema regional de concepção clássica e com sua
utilização recomendada em 1969 na XI Reunião pan-americana de
Consulta sobre Cartografia, recomendação que não foi seguida pela
totalidade dos países do continente.
Apenas em 1979 ele foi oficialmente adotado como sistema de
referência para trabalhos geodésicos e cartográficos em território
brasileiro.(IBGE 2003)
A definição do sistema foi contemplada através do fornecimento das
coordenadas geodésicas do ponto de origem e do azimute geodésico
da direção inicial CHUÁ-UBERABA. Os seguintes parâmetros Foram
adotados na definição deste sistema:
Ponto Datum: Vértice Chuá
Coordenadas: γ = -19º 45’ 41,6527’’
λ = -48º 06’ 04,0639’’
Altitude ortométrica: 763,28m
Azimute geodésico: 271º 30’ 04,05’’ (Chuá-Uberaba)
Superfície de referência: Elipsóide internacional de 1967 (UGGI-67)
a = semi-eixo maior = 6.378.160m
α = achatamento = 1:298,25
Ondulação Geoidal: N=0
Este sistema foi dividido inicialmente em 10 (dez) áreas de ajuste que
foram processadas em blocos separados, em função das limitações
impostas pelos meios computacionais.
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Sistemas de referência
SIRGAS 2000
(Sistema de referência Geocêntrico das Américas)
Implantado em 25/02/2005 pela [Link].1/2005
O desenvolvimento do Projeto SIRGAS compreende as atividades
necessárias à adoção no continente de sistema de referência de
precisão compatível com as técnicas atuais de posicionamento,
notadamente as associadas ao Sistema de Posicionamento Global
(GPS).
Considerando a proliferação do uso do GPS, referir estes novos
levantamentos a uma estrutura geodésica existente - implantada
basicamente pela utilização dos métodos clássicos (triangulação,
poligonação, trilateração, etc.) e cuja precisão é pelo menos dez vezes
pior que a fornecida facilmente com o GPS - implica, no mínimo, em
desperdícios de recursos.
Além disto, a multiplicidade de sistemas geodésicos clássicos,
adotados pelos países sul-americanos, dificulta em muito a solução de
problemas tecnicamente simples, tais como a definição de fronteiras
internacionais.
Por outro lado, a adoção do ITRS (International Terrestrial Reference
System) como sistema de referência, além de garantir a
homogeneização de resultados internamente ao continente, permitirá
uma integração consistente com as redes dos demais continentes,
contribuindo cada vez mais para o desenvolvimento de uma geodésia
"global".
Objetivos
1. Definição de um sistema geocêntrico de referência para a América
do Sul, adotando-se o ITRS;
2. Estabelecimento e manutenção de uma rede de referência;
3. Estabelecimento e manutenção de um datum geocêntrico.
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Sistemas de referência
Caracterização do SIRGAS 2000
Sistema Geodésico de Referência: Sistema de Referência Terrestre
Internacional - ITRS (International Terrestrial Reference System)
Figura geométrica para a Terra: Elipsóide do Sistema Geodésico de
Referência de 1980 (Geodetic Reference System 1980 – GRS80)
Semi-eixo maior a = 6.378.137 m
Achatamento f = 1/298,257222101
Origem: Centro de massa da Terra
Orientação: Pólos e meridiano de referência consistentes em ±0,005”
com as direções definidas pelo BIH (Bureau International de l´Heure),
em 1984,0
Estações de Referência: As 21 estações da rede continental
SIRGAS2000, estabelecidas no Brasil,e identificadas nas Tabelas 1 e 2
da [Link] 1/2005, constituem a estrutura de referência a partir da qual o
sistema SIRGAS2000 é materializado em território nacional.
Está incluída nestas tabelas a estação SMAR, pertencente à Rede
Brasileira de Monitoramento Contínuo do Sistema GPS (RBMC), cujas
coordenadas foram determinadas pelo IBGE posteriormente à
campanha GPS SIRGAS2000.
Época de Referência das coordenadas: 2000,4
Materialização: Estabelecida por intermédio de todas as estações que
compõem a Rede Geodésica Brasileira, implantadas a partir das
estações de referência.
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Sistemas de referência
14. Posição de ponto acima do elipsóide de
referência
Considerando-se um ponto (P) na superfície física da Terra com
coordenadas geodésicas (φ, λ) e altura geométrica (h), e sua projeção
na superfície do elipsóide, ao longo da normal, são fornecidas pelas
equações:
FÓRMULAS:
Coordenadas Cartesianas a partir da latitude e longitude:
X = (N + h). cos φ .cos λ
Y = ( N + h). cos φ. sen λ
Z = [N (1 – e²) + h]. sen φ
Coordenadas Geodésicas a partir das Coordenadas Cartesianas :
Z + e'2 .[Link] 3u
φ = arctan 3
2 2 2
X + Y − e .a. cos u
Y X2 +Y2
λ = arctan h= −N
X cos φ
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Sistemas de referência
tan u 1
sen u = cos u =
1 + tan 2 u 1 + tan 2 u
Z a
tan u = .
X 2 +Y 2 b
N=
a a.(1 − e 2 )
2 2
M= 3
1 − e .sen Φ [1 − e .sen Φ]
2 2 2
Ro = M .N
Φ = latitude geodésica (graus)
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Sistemas de referência
15. Transformação entre SAD-69 e outros
sistemas
PARÂMETROS:
Conforme Resolução da Presidência do IBGE nº23 de 21/02/89 e
n°01/2005 de 25/02/2005
Para WGS-84: ∆x = -66,87m
∆y = 4,37m
∆z = -38,52m
FIGURA 10 – Transformação entre sistemas
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Sistemas de referência
Para Córrego Alegre: ∆x = 138,70m
∆y = -164,40m
∆z = -34,40m
Para SIRGAS 2000: ∆x = - 67,35m
∆y = + 3,88m
∆z = - 38,22m
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Bibliografia
BLITZKOW, Denizar. Posionamento por Satélite: NAVSTAR/GPS. 36p.
Apostila – Escola Politécnica, USP, São Paulo, 1991.
GEMAEL, Camil. Astronomia de Campo e Geodésia Elementar:
Fórmulas e Tabelas. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1954
HOFMANN-WELLENOF, B.; LICHTENEGGER, H.; COLLINS, J..
Global Positioning System: Theory and Pratice. 3d. Edition. Springer-
Verlag Wien New York, 1994.
IBGE, Noções básicas de Cartografia. Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística. Documentação Geral, Diretoria de Geociências,
Departamento de Cartografia, Rio de Janeiro, 1998.
KAVANAGH, F. B. Geomatics. Prentice Hall, New Jersey, 2003.
KAVANAGH, F. B.; BIRD, J. S. Surveying: Principles and Applications.
5d., Prentice Hall, New Jersey, 2000.
LEICK, Alfred. GPS Satellite Surveying 3d.. John Wiley & Sons Inc.,
1994.
MONICO, J. F.. Posicionamento pelo NAVSTAR/GPS: Descrição,
Fundamentos e Aplicações, Editora UNESP, São Paulo, 2000.
SEEBER, G. Satellite Geodey: Foundations, Methods and applications.
Walter Gruyter, New York, 1993.
TORGE, Wolfgang. Geodesy. 3d.. Walter Gruyter, New York, 2001.
WOLF, R. Paul; GHILANI, D. Charles. Elementary Surveying: An
Introdution to Geomatics. 10d.. Prentice Hall, New Jersey, 2002
Prof. Augusto Cesar da Silveira - augusto@[Link] 32