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Dimensionamento automatizado de vigas mistas conforme a NBR 8800:2008 e
a NBR 6118:2014
Conference Paper · May 2016
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Rafael Otávio Alves Abreu
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
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Dimensionamento automatizado de vigas mistas conforme a NBR
8800:2008 e a NBR 6118:2014
Ray Fernando da Silva Andrade1, Prof. Msc. Clodoaldo Cesar Malheiros Ferreira 2,
Rafael Otávio Alves Abreu3
1
Universidade Estadual do Maranhão – UEMA / Faculdade de Engenharia Civil /
[Link]@[Link]
2
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA / Departamento de Engenharia de Construções e
Estruturas / clodocesar@[Link]
3
Universidade Estadual do Maranhão – UEMA / Faculdade de Engenharia Civil /
rafael_oabreu@[Link]
Resumo
O presente estudo aborda um tratamento automatizado através do “software” MATLAB para o
dimensionamento de vigas mistas aço-concreto. Para tal, baseia-se na NBR 8800:2008 que lida
com o projeto de estruturas de aço e de estruturas de aço e concreto de edificações. O trabalho
faz um apanhado da teoria do dimensionamento de vigas mistas, apresentando-a de maneira
didática e inteligível a todos que se mostrarem interessados em desenvolver o conhecimento
nesta área, tocando na questão da homogeneização das seções mistas e nas equações que
determinam os momentos fletores resistentes das vigas mistas. Sendo assim, exemplos de
procedimentos para dimensionamento são mostrados de forma objetiva e sistemática,
averiguando os estados limites de serviço e o estado limite último. O programa elaborado visa
automatizar o dimensionamento a fim de deixá-lo mais interativo e instantâneo, valendo-se de
uma linguagem clara e direta, tanto para o utilizador quanto para futuros programadores. É
importante ressaltar que o programa é idealizado para o cálculo de vigas mistas biapoiadas de
edifícios, nos casos de seções compactas e semicompactas, que apresentam interação total ou
parcial. Ao final do estudo, será exibido um exemplo resolvido utilizando o processo
automatizado de cálculo.
Palavras-chave
Viga Mista; Dimensionamento computacional; Homogeneização das seções transversais.
Introdução
Sabe-se que viga mista de aço concreto é aquela constituída pela associação de um perfil
metálico com uma laje de concreto, a união entre os dois componentes é feita por conectores
mecânicos, principalmente os do tipo pino com cabeça.
A fim de tornar o método de dimensionamento mais dinâmico, optou-se pela utilização do
“software” MATLAB (2014), devido à grande velocidade de cálculo e relativa facilidade no
manuseio de suas ferramentas.
Dimensionamento da viga mista
O principal norteador para a elaboração do programa desenvolvido no presente trabalho é o
Anexo O da NBR 8800:2008. Segundo o mesmo, a área de compressão do concreto deve ser
suposta como uma área de aço equivalente, tal transformação é atingida ao se dividir a largura
efetiva da laje de concreto pela relação entre módulos de elasticidade do aço e do concreto
abaixo mostrada:
Eaço
α (1)
Econcreto
Segundo a NBR 6118:2014, as seguintes expressões podem ser usadas para a obtenção de um
valor médio do módulo secante do concreto de resistência f ck :
Ec 0 ai . aE . 5600 . fck , para 20 MPa f ck 50 Mpa (2)
Ec 0 ai . 21,5 .10³ . aE . fck /10 1, 25 , para 50 MPa f ck 90 Mpa
1/3
(3)
sendo:
αE 1, 2 , para basalto e diabásio;
αE 1,0 , para granito e gnaisse;
αE 0,9 , para calcário;
αE 0, 7 , para arenito;
f
αi 0,8 0, 2 . ck (4)
80
Contudo, esse são valores obtidos para cargas de curta duração. Como é necessário que para
cargas de longa duração seja considerada a fluência do concreto, PFEIL (2009) considera o
valor de α majorado em três vezes como seguro à vida útil da obra.
As equações de momento fletor resistente, M Rd , variam de acordo com a posição da linha
neutra e com a condição de interação da viga em questão. Serão mostradas abaixo as equações
de momento resistente para interação total e com linha neutra na laje de concreto, equação (5),
e no perfil metálico, equação (6), seguidas pela equação de momento para interação parcial,
equação (7):
a
M Rd βvm .Tad . d1 hF hc (5)
2
onde:
a é a espessura da região comprimida da laje;
hc é a altura da laje de concreto;
d1 é a distância do centro de gravidade do perfil metálico até a face superior do próprio
perfil;
hF é a espessura da pré laje (caso não exista hF 0 );
βvm 1 , para vigas contínuas e biapoiadas;
Tad é a força resistente de cálculo da região tracionada.
t
M Rd βvm . Cad . d yt yc Ccd . c hF d yt (6)
2
onde:
d é a altura total do perfil de aço;
yt é a distância do centro de gravidade da seção de aço tracionada, medida a partir do
bordo inferior;
yc é a posição do centro de gravidade d seção comprimida do aço medida a partir do
bordo superior da seção de aço;
Cad é a força resistente de cálculo da região comprimida do perfil de aço;
Ccd é a força resistente de cálculo da região comprimida da laje de concreto.
a
M Rd βvm . Cad . d yt yc Ccd . tc hF d yt (7)
2
sendo:
Ccd
a (8)
αc . f cd . b
onde:
αc 0,85 , para concretos de classes até C50;
αc 0,85 . 1,0 fck 50 / 200] , para concretos de classes C50 até C90;
f cd é a resistência de cálculo do concreto;
b é a largura efetiva da laje de concreto;
As verificações quanto ao esforço cortante nas vigas mistas, segundo a NBR 8800:2008, devem
levar em consideração apenas a resistência ao cisalhamento do perfil de aço, tais verificações
podem ser encontradas no item 5.4.3 da norma supracitada. Assim como as verificações
anteriores, o dimensionamento dos conectores de cisalhamento tipo pino com cabeça,
responsáveis por resistir aos esforços cisalhantes horizontais e impossibilitar o deslocamento
vertical entre a viga metálica e a laje, é vislumbrado no item O.4.2.1 do Anexo O da mesma
norma.
Automatização do processo de cálculo
Para o programa elaborado, dois tipos de construção são abordados, a construção não-escorada
e a escorada. Além disso, as seções mistas transversais podem ser calculadas nos casos de seção
compacta ou semicompacta, em vigas de edificações e para perfis com dupla simetria, enquanto
ao tipo de ligação, consideraram-se as ligações totais e parciais.
São adotadas lajes do tipo maciça e diretamente apoiadas sobre a mesa superior do perfil de
aço, conforme NBR 6118:2014. Os carregamentos das lajes devem ser inicialmente conhecidos
e atribuídos em cada viga. Os conectores escolhidos são os do tipo pino com cabeça. A laje de
concreto não será solicitada aos esforços de tração, ou seja, a dada hipótese não considera a
ação de momentos fletores negativos e, por conseguinte, a existência de flambagem lateral.
Assim sendo, a análise somente é feita a vigas biapoiadas, pois a ação do momento é positiva.
Tal consideração foi feita porque proporciona uma melhor resultante em estrutura mista,
propiciando o uso inteligente das características de cada material, além de ser a opção utilizada
em maior escala na construção civil.
O programa foi desenvolvido com o “software” MATLAB (2014), uma vez que o mesmo
apresenta alta performance na área de engenharia e científica. Ainda mais, o mesmo pode
realizar uma manipulação veloz de grande quantidade de dados. Como também, é um
“software” de fácil manejo e desenvolvimento, por não apresentar o grau de complexidade e
rigor da programação tradicional.
O programa elaborado ainda traz uma biblioteca própria com alguns dos perfis de aço mais
utilizados no mercado (perfis CVS, VS, I, W e H), restando ao usuário apenas a função de optar
por qual perfil lhe parece mais vantajoso.
Organograma do “Software” – Entrada de dados
Construção Não-Escorada;
Construção Escorada.
Viga Central;
Viga de Extremidade.
Características Viga de cobertura;
da Construção Viga de piso.
Vão a ser vencido;
Espaçamento entre vigas.
Condição de interação da viga;
Grau de interação da viga.
Entrada dos
parâmetros de Propriedades do Tensão de escoamento - f y ;
dimensionamento Aço Tipo de perfil que será utilizado.
Propriedades do Diâmetro do conector.
conector
Espessura da Laje - hc ;
Propriedades do Coeficiente de ponderação do agregado;
Concreto f ck .
Figura 1 - Organograma dos parâmetros de dimensionamento da viga mista
Cargas permanentes:
Antes da cura do concreto;
Entrada dos esforços Após a cura do concreto.
atuantes Cargas variáveis:
Construção Não- Carga de construção;
Escorada Entrada da altura do perfil Carga de serviço.
de aço para pré-
dimensionamento
Figura 2 - Organograma de entradas de dados para construção não-escorada
Entrada dos esforços Cargas permanentes;
atuantes Cargas variáveis.
Construção Escorada
Entrada da altura do
perfil de aço para pré-
dimensionamento
Figura 3 - Organograma de entrada de dados para construção escorada
Etapas de Cálculo – Fluxograma
Cálculo da largura efetiva da laje (em acordo com a entrada de dados, podendo ser para
viga central ou de extremidade)
Cálculo dos esforços de flexão positivos solicitantes
Cálculo da seção de aço necessária (de acordo com a altura do perfil de aço na entrada
de dados)
Cálculo de classificação da seção quanto a flambagem lateral
Cálculo das tensões em regime elástico para o perfil metálico e a laje de concreto
(apenas para o caso de seções semicompactas)
Cálculo da posição da linha neutra (podendo estar na laje de concreto ou no perfil
de aço)
Cálculo do momento resistente (caso a construção seja não-escorada, também é
analisada a etapa construtiva)
Cálculo dos esforços cortantes solicitantes
Cálculo dos esforços cortantes resistentes
Cálculo do número de conectores de cisalhamento
Cálculo do espaçamento entre conectores
Cálculo dos espaçamentos máximo e mínimo entre os conectores
Cálculo dos deslocamentos da viga mista no Estado Limite de Serviço
(de acordo com a entrada de dados para viga de cobertura ou de piso)
Visualização de todos resultados e comparação entre os valores solicitantes e
resistentes; para as construções não-escoradas, também serão mostrados os valores
para a etapa construtiva
Exemplo resolvido
Dimensionar uma viga central de piso que deve vencer um vão de 8 metros e está espaçada por
3 metros das vigas adjacentes, como viga mista pela NBR 8800:2008. Sabe-se que a laje de
concreto será moldada no local, com uma espessura de 9 cm, resistência fck 25MPa e para
uma condição de não-escoramento. Considerar, também, interação total, seção metálica do tipo
VS, conectores do tipo pino com cabeça e aço AR 350. As cargas atuantes na viga são:
Antes da cura do concreto:
Carga permanente ( g1 ) = 7.2 KN/m;
Carga de construção ( q1 ) = 2 KN/m.
Após a cura do concreto:
Carga permanente ( g 2 ) = 6 KN/m;
Carga de serviço ( q2 ) = 9 KN/m.
As imagens abaixo apresentam a interface do programa e como os resultados são expostos ao
usuário:
Figura 4 - Entrada de dados sobre as características da construção.
Figura 5 - Entrada de dados com os carregamentos atuantes, com o pré-
dimensionamento e o valor do momento resistente.
Figura 6 - Resultados dos cálculos de momento fletor, esforço cortante e número de
conectores.
Figura 7 - Resultados dos espaçamentos e verificação das flechas.
Conclusões
No que diz respeito ao procedimento automatizado, pode-se inferir que o objetivo do programa
foi alcançado, uma vez que as soluções obtidas foram coerentes com o processo de cálculo
manual. Sendo assim, há uma otimização no dimensionamento, visto que são necessárias
apenas informações sobre as características da construção e as cargas atuantes na estrutura para
que as respostas quanto há momentos fletores e esforços cortantes sejam obtidas em um breve
período de tempo.
Por fim, é importante afirmar que o programa é somente uma introdução à abordagem das
estruturas mistas, com propósito de servir como interação inicial para todos aqueles que tenham
interesse no assunto. Uma vez que fora desenvolvido da maneira mais inteligível e acessível
possível, de forma autoexplicativa e simples manipulação.
Referências
ALVA, G. M. S.; MALITE, M.. Comportamento estrutural e dimensionamento de elementos mistos
aço-concreto. Cadernos de Engenharia de Estruturas. São Carlos, v.7, n. 25, p. 51-84, 2005.
ANDRADE, R. F. S.. Dimensionamento de vigas mistas em aço-concreto: utilização de software para
automatização do processo de cálculo. São Luís, 2015. 138 p. (Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Curso de Engenharia Civil, UEMA – Campus São Luís, para obtenção do título de
Engenheiro Civil).
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto de estruturas de concreto –
Procedimento. Rio de Janeiro, 2014. NBR 6118.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Projeto de estruturas de aço e de estruturas
mistas de aço e concreto de edifícios. Rio de Janeiro, 2008. NBR 8800.
BELLEI, I. H.; PINHO F. O.; PINHO M. O.. Edifícios de múltiplos andares em aço. 2. ed. São Paulo:
Pini, 2008.
GILAT, A.. MATLAB com aplicações em engenharia. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.
CAMPOS JÚNIOR, H. S.. Automatização do dimensionamento de vigas mistas: aço-concreto. São Luís,
2009, 119 p. (Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Engenharia Civil, UEMA
– Campus São Luís, para obtenção do título de Engenheiro Civil).
MATLAB R2014a. Natick, Massachusetts: MathWorks, 2014.
PFEIL, W.; PFEIL, M.. Estruturas de aço: dimensionamento prático. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2009.
TONINI, A. M.; SCHETTINO, D. N.. MATLAB para engenharia. Centro Universitário de Belo
Horizonte, 2002.
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