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Grupos e Subgrupos em Matemática

O documento discute grupos e subgrupos. A seção A1 mostra que o conjunto R com a operação ⊕ definida por x ⊕ y = x + y - 5 é um grupo abeliano. A seção A2 verifica que o conjunto A de números da forma a + b√3 é fechado sob multiplicação e forma um grupo abeliano. A seção A3 mostra que o conjunto F de funções da forma f(x) = ax + b é um grupo não abeliano sob composição.

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Bryan Ystone
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Grupos e Subgrupos em Matemática

O documento discute grupos e subgrupos. A seção A1 mostra que o conjunto R com a operação ⊕ definida por x ⊕ y = x + y - 5 é um grupo abeliano. A seção A2 verifica que o conjunto A de números da forma a + b√3 é fechado sob multiplicação e forma um grupo abeliano. A seção A3 mostra que o conjunto F de funções da forma f(x) = ax + b é um grupo não abeliano sob composição.

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Capı́tulo 3

Grupos e subgrupos

A1) Consideremos o conjunto ’ com a operação ⊕ definida por x ⊕ y = x + y − 5


para quaisquer x, y ∈ ’. Mostre que G = (’, ⊕) é um grupo abeliano.

Solução: Inicialmente, vamos mostrar que a operação ⊕ é associativa, tem ele-


mento neutro e todo elemento de G tem inverso.
• Para quaisquer x, y, z ∈ G, temos:
◦ x ⊕ (y ⊕ z) = x ⊕ (y + z − 5) = x + (y + z − 5) − 5 = x + y + z − 10
◦ (x ⊕ y) ⊕ z = (x + y − 5) ⊕ z = (x + y − 5) + z − 5 = x + y + z − 10
Logo, x ⊕ (y ⊕ z) = (x ⊕ y) ⊕ z.
• Suponhamos que ⊕ tenha elemento neutro e. Então e ⊕ x = x para todo x ∈ ’
o que implica em e + x − 5 = x de onde obtemos e = 5. (Podemos agora
comprovar que e = 5 é realmente o elemento neutro dessa operação: e ⊕ x =
5 ⊕ x = 5 + x − 5 = x e x ⊕ e = x + 5 − 5 = x para todo x ∈ ’.)
• Dado x ∈ ’, vamos determinar y = x−1 . Por definição, temos x ⊕ y = e, ou
seja, x + y − 5 = 5. Daı́, obtemos que y = −x + 10, isto é, x−1 = −x + 10.
(Comprovando: x ⊕ x−1 = x ⊕ (−x + 10) = x + (−x + 10) − 5 = 5 = e e
x−1 ⊕ x = (−x + 10) ⊕ x = (−x + 10) + x − 5 = 5 = 5. Logo, (−x + 10) é realmente
o inverso de x com relação à operação ⊕.)
Agora, vamos mostrar que ⊕ é comutativa:
• x ⊕ y = x + y − 5 = y + x − 5 = y ⊕ x para quaisquer x, y ∈ G.
Fica mostrado assim que (G, ⊕) é um grupo abeliano.

38

A2) Consideremos o conjunto A = {a + b 3 ∈ ’∗ | a, b ∈ ‘}.
a) Dê exemplo de elementos desse conjunto;
b) Verifique se ele é fechado com relação à operação de multiplicação usual dos
números reais;
c) Verifique se A é um grupo multiplicativo abeliano.

Solução:

a) Todo racional não nulo como 1, −1, 12 , − 37 pertencem ao conjunto A. Além des-
√ √
ses,
√ qualquer
√ combinação
√ 1 11 √ do tipo a + b 3 , 0 com a, b ∈ ‘ como 1 + 2 3,
− 3, 5 3, −8 − 4 3, 3 + 9 3 também pertencem a A.
√ √
b) Sejam x = a + b 3 e y = c + d 3 dois elementos de A. Vamos verificar
se o produto xy também pertence a A. Usando as diversas propriedades da
adição e da multiplicação usuais
√ em ’,√ podemos desenvolver
√ √o produto√xy2da
seguinte forma: xy = (a √ + b 3)(c + d 3) = ac + ad 3 + bc 3 + bd( 3) =
(ac
| {z+ 3bd}) + (ad + bc
| {z }) 3 ∈ A. Logo, A é fechado com relação à multiplicação.
∈‘ ∈‘

c) ◦ Como a multiplicação é associativa em ’, ou seja, x · (y · z) = (x · y) · z


para quaisquer x, y, z ∈ ’, temos que, em particular, a multiplicação é
associativa em A ⊂ ’, ou seja, x · (y · z) = (x · y) · z para quaisquer x, y, z ∈ A.
◦ O elemento neutro da multiplicação em A é o 1 ∈ A.

◦ Dado x = a+b 3 ∈ A vamos verificar se existe y ∈ A tal que x·y = y·x = 1.
Para verificar se y = 1x = a+b1 √3 ∈ A, racionalizamos o denominador de y,

multiplicando numerador e denominador por (a − b 3):
√ √
1 · (a − b 3) a−b 3 a (−b) √
y= √ √ = = 2 + 2 3 ∈ A.
(a + b 3)(a − b 3) a2 − 3b2 | − 3b}2 |
a {z − 3b}2
a {z
∈‘ ∈‘

◦ Como a multiplicação é comutativa em ’ então, em particular, também é


comutativa em A, ou seja, x · y = y · x para quaisquer x, y ∈ A.
Portanto, fica mostrado assim que (A, ·) é um grupo abeliano.

39
A3) Seja F = { f : ’ −→ ’ | f (x) = ax + b, a, b ∈ ’, a , 0}. Mostre que F é um
grupo não abeliano com relação à composição de funções.

Solução:

• Para quaisquer funções f, g, h de ’ em ’, temos que f ◦ (g ◦ h) = ( f ◦ g) ◦ h.


Logo, em particular, a composição de funções é associativa sobre o conjunto
F.
• Quando a = 1 e b = 0 temos que f (x) = x ∈ F é o elemento neutro da
composição de funções.
• Dada f (x) = ax + b com a, b ∈ ’ e a , 0, a função inversa de f é a função
f −1 : ’ −→ ’ definida por f −1 (x) = 1a x − ba que é um elemento de F .
• Dadas f, g ∈ F definidas por f (x) = ax + b e g(x) = cx + d temos que
( f ◦ g)(x) = f (g(x)) = f (cx + d) = a(cx + d) + b = (ac)x + (ad + b) e
(g ◦ f )(x) = g( f (x)) = g(ax + b) = c(ax + b) + d = (ac)x + (bc + d) de
onde percebemos que, em geral, f ◦ g , g ◦ f . Portanto, a operação ◦ não é
comutativa sobre F .
Outra opção seria escolher um contra-exemplo para mostrar que ◦ não é comu-
tativa, por exemplo, f (x) = 2x + 1 e g(x) = 3x − 4 temos ( f ◦ g)(x) = 6x − 7 e
(g ◦ f )(x) = 6x − 1.

A4) Dê exemplo de um grupo G e elementos x, y ∈ G tais que (xy)−1 , x−1 y−1 .

Solução: No grupo G = GL2 (’) escolhamos dois elementos como por exemplo
[ ] [ ] [ ] [ 7 1 ]
2 1 0 1 0 1
−5 5
x = e y = . Então x−1 = 3
2 , y
−1
= ,
3 0 5 7 1 −3 1 0
[ 1 ] [ ] [ 1 3 ]
−1 −1
x y = 3 0
, xy =
5 9
, (xy) −1
= 5 − 5 . Logo, (xy)−1 , x−1 y−1 .
− 31
15 5
1
0 3 0 31
[ ] [ ]
a b d −b
Observação. Se M = ∈ GL2 (’), então M −1 = det(M) 1
c d −c a
[ d −b
]
= ad−bc
−c
ad−bc .
a
ad−bc ad−bc

Observação. Como (xy)−1 , x−1 y−1 ⇒ y−1 x−1 , x−1 y−1 , temos que esse tipo de
exemplo só é possı́vel com grupos não abelianos.

40
A5) Sejam a, b, c elementos de um grupo (G, ∗) com elemento neutro e. Determine
as soluções x ∈ G das seguintes equações:
a) c−1 ∗ x ∗ c = e b) b ∗ x ∗ b−1 = b
c) c ∗ x ∗ a ∗ c = b d) a ∗ b−1 ∗ x ∗ b ∗ a−1 = a ∗ b
Solução:

a) Multiplicando por c à esquerda e por c−1 à direita, obtemos: c−1 ∗ x ∗ c = e


c−1
⇒ c| ∗{z c−1
} ∗x ∗ c| ∗{z ∗ c−1
} = c| ∗ e{z } ⇒ x = e. Neste caso, o uso de parênteses
=e =e =e
pode ser eliminado porque a operação ∗ é associativa.
b) Multiplicando por b−1 à esquerda e por b à direita, obtemos: b ∗ x ∗ b−1 = b
−1
⇒b b ∗x ∗ b|−1
| {z∗ } {z∗ }
b=|b−1
{z∗ }
b ∗b ⇒ x = b.
=e =e =e

c) Multiplicando por c−1 à esquerda e à direita, obtemos: c ∗ x ∗ a ∗ c = b ⇒


c|−1 c−1
{z∗ }c ∗x ∗ a ∗ c| ∗{z
−1 −1 −1 −1
} = c ∗ b ∗ c ⇒ x ∗ a = c ∗ b ∗ c . Multiplicando por
=e =e
a−1
à direita, obtemos x ∗ a a−1
| ∗{z
−1 −1 −1 −1 −1
} = c ∗b∗c ∗a ⇒ x = c ∗b∗c ∗a
−1

=e
é a única solução da equação.
d) Multiplicando por a−1 à esquerda e por a à direita, obtemos: a∗b−1 ∗ x∗b∗a−1 =
a∗b ⇒ |a−1 a ∗b−1 ∗ x∗b∗a
{z∗ }
−1
| {z∗ }
a=a −1
| {z∗ }a ∗b∗a−1 ⇒ b−1 ∗ x∗b = b∗a−1 . Mul-
=e =e =e
tiplicando por b à esquerda e por b −1
à direita, obtemos: b b−1
| ∗{z } ∗x ∗ b b−1
| ∗{z }=
=e =e
b ∗ b ∗ a−1 ∗ b−1 ⇒ x = b ∗ b ∗ a−1 ∗ b−1 . Denotando b ∗ b por b2 temos que a
solução dessa equação também pode ser escrita na forma x = b2 ∗ a−1 ∗ b−1 .

Observação. Não podemos mudar a ordem dos fatores em cada caso porque não
sabemos se a operação é comutativa. Dessa forma, não é correto escrever a solução
da última equação como sendo x = b ∗ a−1 depois do “cancelamento” errado de b2
com b−1 .

A6) ( Determine x ) ∈ S 5( que seja solução


) da( equação a2 xb)−1 = c, onde
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
a= ,b= ec= .
4 5 1 2 3 1 2 4 3 5 5 4 3 1 2
Solução: A equação dada é aaxb−1 = c. Multiplicando por a−1 a−1 à esquerda
a−1 a ax |{z}
e por b à direita, obtemos: a−1 |{z} b−1 b = a−1 a−1 cb ⇒ |{z}
a−1 a x = a−1 a−1 cb
=e =e =e

41
⇒ x = a−1 a−1(cb. Para calcular −1
) a ( , basta trocar as) linhas e, depois, reordenar as co-
4 5 1 2 3 1 2 3 4 5
lunas: a−1 = = . Assim, podemos agora calcular
1 2 3 4 5 3 4 5 1 2
o valor de x:

Seguimos os seguintes “caminhos”, começando sempre na permutação mais à direita


e terminando na que estiver mais à esquerda:
• 1 7→ 1, 1 −→ 5, 5 −→ 2, 2 −→ 4; logo, x : 1 7→ 4.
• 2 7→ 2, 2 −→ 4, 4 −→ 1, 1 −→ 3; logo, x : 2 7→ 3.
• 3 7→ 4, 4 −→ 1, 1 −→ 3, 3 −→ 5; logo, x : 3 7→ 5.
• 4 7→ 3, 3 −→ 3, 3 −→ 5, 5 −→ 2; logo, x : 4 7→ 2.
• 5 7→ 5, 5 −→ 2, 2 −→ 4, 4 −→ 1; logo, x : 5 7→ 1.
Portanto, ( )
1 2 3 4 5
x= .
4 3 5 2 1

A7) Seja (G, ∗) um grupo para o qual (x ∗ y)2 = x2 ∗ y2 , ∀x, y ∈ G. Mostre que G é
abeliano. Observação: Se a ∈ G, então a2 é o mesmo que a ∗ a.

Solução: Para quaisquer x, y ∈ G, a igualdade dada é equivalente a x ∗ y ∗ x ∗


y = x ∗ x ∗ y ∗ y. Multiplicando por x−1 à esquerda e por y−1 à direita, obtemos:
x−1
| y−1 = |
{z∗ }x ∗y ∗ x ∗ y| ∗{z x−1
{z∗ }x ∗x ∗ y ∗ y ∗ y−1 ⇒ y ∗ x = x ∗ y. Como x e y são dois
} | {z }
=e =e =e =e
elementos genéricos, concluı́mos que o grupo é abeliano.

A8) Seja (G, ∗) um grupo com elemento neutro e para o qual x2 = e, ∀x ∈ G. Mostre
que G é abeliano.

Solução: Sejam x, y dois elementos genéricos de G. Por hipótese, neste grupo,


todo elemento elevado ao quadrado é igual ao elemento neutro, logo, x2 = e, y2 = e
e (x ∗ y)2 = e. Como (x ∗ y)2 = e é o mesmo que x ∗ y ∗ x ∗ y = e, multiplicando por x

42
x ∗ x ∗y ∗ x ∗ y ∗ y = x ∗ e ∗ y ⇒ y ∗ x = x ∗ y.
à esquerda e por y à direita, obtemos |{z}
|{z}
=e =e
Logo, G é abeliano.

A9) Em cada caso, verifique se H é subgrupo de G.


a) H = {x ∈ ‘ | x > 0}, G = (’∗ , ·)
b) H = {x ∈ ‘ | x < 0}, G = (’∗ , ·)
c) H = {7k | k ∈ š}, G = (š, +)

d) H = {a + b 2 ∈ ’∗ | a, b ∈ ‘}, G = (’∗ , ·)
√3
e) H = {a + b 2 ∈ ’∗ | a, b ∈ ‘}, G = (’∗ , ·)
√3
f) H = {a + b 2 ∈ ’ | a, b ∈ ‘}, G = (’, +)

Solução: Se H não for um subgrupo de G, então apresentamos um contra-


exemplo como justificativa. Se H for subgrupo de G, então mostramos que ele não é
vazio e que a, b ∈ H ⇒ a ∗ b−1 ∈ H.
a) H , ∅ porque, por exemplo, 1 ∈ H. Sejam a = qp e b = rs dois elementos
genéricos de H com p, q, r, s ∈ š∗ . Então a · b−1 = ( qp ) · ( rs )−1 = qp · rs = qr
ps
∈ H.
Logo, H é subgrupo de G.
b) H não é fechado com relação à multiplicação usual dos números reais. Por
exemplo, −2 ∈ H e −5 ∈ H, mas (−2) · (−5) = 10 < H. Logo, H não é subgrupo
de G.
c) H é o conjunto de todos os múltiplos de 7. H , ∅, porque, por exemplo,
14 ∈ H. Sejam a, b ∈ H. Então a = 7m e b = 7n onde m, n ∈ š. Daı́, temos que
a + (−b) = a − b = 7m − 7n = 7(m − n) também é um múltiplo de 7, ou seja,
a − b ∈ H. Logo, H é um subgrupo de G.

d) Escolhendo, por exemplo, √ a = 1 e b = 2, √obtemos que 1 + 2 2 ∈ H. Logo,
H , ∅. Sejam α = a + b 2 e β = c + d 2 dois √ elementos √genéricos√de H,
α a+b 2 (a + b 2)(c − d 2)
com a, b, c, d ∈ ‘. Então, α · β−1 = = √ = √ √ =
β c + d 2 (c + d 2)(c − d 2)

(ac − 2bd) + (bc − ad) 2 ac − 2bd bc − ad √
= + 2 2 ∈ H. Logo, H é sub-
c2 − 2d2 2 − 2d 2
|c {z } | − 2d}2
c {z
∈‘ ∈‘
−1
grupo de G. Note que para mostrar que α · β ∈ H é indispensável usar a
racionalização do denominador da fração.

43
e) H não é fechado
√3 com√relação à multiplicação
√3 √3 usual √
dos números reais. Por
exemplo, 2 ∈ H e 2 2 ∈ H, mas ( 2) · (2 2) = 2 4 < H. Logo, H não é
3 3

subgrupo de G.
√3 √3 √
f) H , ∅ porque, por exemplo, 4 − 5 2 ∈ H. Sejam α = a + b 2 e β = c + d 2
dois elementos
√3 de √H, onde a, b, c, d ∈ ‘.√ Temos que α + (−β) = α − β =
(a + b 2) − (c + d 2) = (a
| {z } | {z } 2 ∈ H. Logo, H é subgrupo de G.
− + −
3 3
c) (b d)
∈‘ ∈‘

A10) Uma função f : ’ −→ ’ chama-se par quando f (−x) = f (x), ∀x ∈ ’. Veri-


fique se o conjunto P de todas as funções pares de ’ em ’ é um subgrupo de (’’ , +).

Solução: Considerando f (x) = x2 , temos que P , ∅. Sejam f, g ∈ P. Vamos


verificar se f + (−g) = f − g ∈ P. Como f e g são pares, temos f (−x) = f (x) e
g(−x) = g(x). Daı́, temos que ( f − g)(−x) = f (−x) − g(−x) = f (x) − g(x) = ( f − g)(x),
∀x ∈ ’. Logo, f − g ∈ P e concluı́mos que P é um subgrupo de (’’ , +).
Observação. De modo análogo, temos também que o conjunto das funções ı́mpares
( f (−x) = − f (x), ∀x ∈ ’) é um subgrupo de (’’ , +).

B1) Seja E o conjunto dos números reais não negativos e ∗ a operação sobre E
definida por:
x+y
x∗y= .
1 + xy
a) Verifique se a operação ∗ é associativa;
b) Verifique se (E, ∗) é um grupo.

Solução:

a) Sejam a, b, c ∈ E = ’+ . Temos que:


b+c
a+ 1+bc
◦ a ∗ (b ∗ c) = a+(b∗c)
1+a·(b∗c) = b+c
1+a· 1+bc
= a+abc+b+c
1+bc+ab+ac

1+ab +c
a+b
◦ (a ∗ b) ∗ c = (a∗b)+c
1+(a∗b)·c = a+b
1+c· 1+ab
= a+b+c+abc
1+ab+ac+bc

Logo, a operação ∗ é associativa sobre o conjunto E.


b) Como a operação ∗ é associativa, para (E, ∗) ser um grupo, ∗ precisa ter ele-
mento neutro e todo elemento deve ser invertı́vel.

44
◦ Seja x ∈ E. Temos que x ∗ 0 = x+0
1+x·0 = x e 0∗x= 0+x
1+0·x = x. Logo, o zero
é o elemento neutro de ∗.
◦ Dado x ∈ E, suponhamos que exista y = x−1 ∈ E tal que x ∗ y = 0 =
x+y
elemento neutro de ∗. Então 1+xy = 0 ⇒ x + y = 0 ⇒ y = −x. A única
possibilidade de se ter x ∈ ’+ e y ∈ ’+ é quando x = y = 0. Isso significa
que o único elemento invertı́vel é o zero.
Logo, E não é um grupo com a operação ∗.

B2) Sejam H1 e H2 subgrupos de um grupo G. Mostre que a interseção H1 ∩ H2


também é um subgrupo de G.

Solução:

• Como H1 e H2 são subgrupos de G, cada um deles deve conter o elemento


neutro e ∈ G, ou seja, e ∈ H1 e e ∈ H2 . Logo, e ∈ H1 ∩ H2 o que mostra que
H1 ∩ H2 , ∅.
• Sejam a, b ∈ H1 ∩ H2 . Então, a, b ∈ H1 e a, b ∈ H2 . Como H1 é subgrupo de
G, a, b ∈ H1 ⇒ a ∗ b−1 ∈ H1 . De modo análogo, a, b ∈ H2 ⇒ a ∗ b−1 ∈ H2 .
Portanto, a ∗ b−1 ∈ H1 ∩ H2 .
Fica mostrado dessa forma que H1 ∩ H2 é um subgrupo de G.

B3) Dê exemplo de dois subgrupos H1 e H2 de um grupo G e tais que a união H1 ∪ H2


não seja subgrupo de G.

Solução: Seja G = (š, +) o grupo aditivo dos inteiros. Para todo n ∈ š fixado,
o conjunto dos múltiplos de n é um subgrupo de š. Escolhamos H1 como sendo o
conjunto dos múltiplos de 3 e H2 como sendo os múltiplos de 5. H1 ∪ H2 é o conjunto
dos inteiros que são múltiplos de 3 ou de 5:
H1 ∪ H2 = {0, ±3, ±5, ±6, ±9, ±10, ±12, ±15, ±18, ±20, · · · }
O conjunto H1 ∪ H2 não é fechado com relação à soma (por exemplo, 3 ∈ H1 ∪ H2 e
5 ∈ H1 ∪ H2 , mas 3 + 5 = 8 < H1 ∪ H2 ) e, consequentemente, não é um subgrupo de
G.

[ ]
cos(θ) sen(θ)
B4) Verifique se R, o conjunto das matrizes da forma com θ ∈ ’,
− sen(θ) cos(θ)
é um subgrupo do grupo multiplicativo GL2 (’).

45
Solução: É claro que R , ∅ porque basta escolher qualquer valor para θ para ob-
[ ]
cos 0 sen 0
termos um elemento de R. Por exemplo, escolhendo θ = 0, obtemos
− sen 0 cos 0
[ ]
1 0
= ∈ R.
0 1
[ ] [ ]
cos(α) sen(α) cos(β) sen(β)
Sejam A = eB = dois elementos de R.
− sen(α) cos(α) − sen(β) cos(β)
[ ] [ ][ ]
cos(β) − sen(β) cos(α) sen(α) cos(β) − sen(β)
Então B−1 = e AB−1 = ,
sen(β) cos(β) − sen(α) cos(α) sen(β) cos(β)
[ ]
−1 cos(α) cos(β) + sen(α) sen(β) sen(α) cos(β) − cos(α) sen(β)
ou seja, AB = que
cos(α) sen(β) − sen(α) cos(β) cos(α) cos(β) + sen(α) sen(β)
[ ]
cos(α − β) sen(α − β)
é equivalente a AB−1 = . Como α − β ∈ ’, temos que
− sen(α − β) cos(α − β)
AB−1 ∈ R. Portanto, R é um subgrupo de GL2 (’).
Observação. Essas matrizes que formam o conjunto R são conhecidas pelo nome
de matrizes
[ de rotação porque
] ao multiplicarmos um ponto P = (x, y) do plano por
cos(θ) − sen(θ)
M= , o resultado corresponde a um ponto P′ = P · M que é igual
sen(θ) cos(θ)
ao ponto P rotacionado de θ radianos em torno da origem.

B5) Identifique todos os elementos invertı́veis de š12 com relação à multiplicação


x̄ · ȳ = xy.

Solução: Suponhamos que ā ∈ š12 seja invertı́vel e seja b̄ o seu inverso multipli-
cativo. Então ā · b̄ = 1̄ = elemento neutro de š12 , temos que ab = 1̄ ⇒ ab − 1 = 12k,
onde k ∈ š ⇒ ab−12k = 1. Conseguimos assim uma combinação linear dos inteiros
a e 12 dando 1 como resultado. Portanto, mdc(a, 12) = 1.
Por outro lado, se mdc(a, 12) = 1, então existem x, y ∈ š tais que ax + 12y = 1 ⇒
ax + 12y = 1̄ ⇒ ā x̄ + 12ȳ = 1̄ ⇒ ā x̄ = 1̄, ou seja, ā é invertı́vel.
|{z}
= 0̄
Assim, mostramos que ā ∈ š12 é invertı́vel se, e somente se, mdc(a, 12) = 1. Con-
cluı́mos então que os elementos invertı́veis de š12 são 1̄, 5̄, 7̄ e 11. Como 1̄ · 1̄ = 1̄,
5̄ · 5̄ = 1̄ e 7̄ · 11 = 1̄ temos que (1̄)−1 = 1̄, (5̄)−1 = 5̄, (7̄)−1 = 11 e (11)−1 = 7̄.
Observação. Seja ā ∈ š12 tal que mdc(a, 12) > 1, por exemplo, a = 3. Então,
dividindo 12 por mdc(a, 12) obtemos 4 como quociente, ou seja, 3 · 4 = 12. Daı́,
3 · 4 = 12, isto é, 3̄ · 4̄ = 0̄. Se 3̄ fosse invertı́vel em š12 , obterı́amos (3̄)−1 · (3̄ · 4̄) =
−1
(3̄)−1 · 0̄ ⇒ ((|3̄){z · 3̄)
} ·4̄ = 0̄ ⇒ 4̄ = 0̄ o que é absurdo. Fica mostrado assim que 4̄
= 1̄

46
não é invertı́vel. Da mesma forma, poderia ser mostrado também que 2̄, 3̄, 6̄, 8̄, 9̄ e
10 não são invertı́veis.
Observação. Este exercı́cio pode ser generalizado: um elemento ā ∈ šn é invertı́vel
se, e somente se, mdc(a, n) = 1.

B6) Suponhamos H um subgrupo do grupo aditivo š. Mostre que existe n ∈ Ž tal


que H = {kn | k ∈ š}, isto é, existe um número natural n tal que H é formado por
todos os múltiplos de n.

Solução:

• Se H = {0}, então basta considerar n = 0: neste caso, todo elemento de H é


múltiplo de 0.
• Suponhamos H , {0}. Seja r um elemento não nulo de H. Como H é um grupo,
x ∈ H ⇔ −x ∈ H. Assim, H contém inteiros positivos. Seja n o menor inteiro
positivo de H. Se h for um elemento positivo de H, então, dividindo h por n
obtemos um quociente q e um resto r tal que 0 ≤ r < n, ou seja, h = nq + r.
Daı́, obtemos que r = h − nq. Como h ∈ H e nq ∈ H, temos que r ∈ H. Não
podemos ter r > 0 porque assim r seria um elemento positivo menor do que n
(não pode porque n é o menor elemento elemento positivo de H). Concluı́mos
então que r = 0, ou seja, que h = nq. Isso mostra que h é múltiplo de n.
• Se h fosse negativo, então −h > 0 e daı́ −h seria um múltiplo de n o que implica
que h também é múltiplo de n.
Se h for um elemento genérico de H, ficou mostrado que em qualquer situação h é
múltiplo de um número natural n. Isso significa que H = {kn | k ∈ š}.

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