Horta
em Casa
1. Introdução................................................
2. Por que fazer uma horta...........................
3. O que plantar............................................
4. Qual o material necessário.....................
5. Qual o local mais adequado...................
6. Como organizar a horta.........................
7. Como preparar a terra...........................
8. Como adubar.........................................
9. Como plantar.........................................
10. Como conservar a horta........................
11. Por que comer hortaliças......................
12. Quando colher as hortaliças.................
13. Como preparar as hortaliças................
14. Algumas dicas para a sua horta............
15. Como controlar pragas e doenças........
16. Como Plantar Alface.......................
17. Como Plantar Repolho....................
18. Como Plantar Alho..........................
19. Como Plantar Mandioca.................
20. Como Plantar Abobrinha................
21. Como Plantar Tomate
22. Como Plantar Pepino
23. Como Plantar Batata
24. Como Plantar Salsa
25. Como Plantar Beterraba
26. Como Plantar Berinjela
27. Como Plantar Manjericão
28. Como Plantar Pimenta
29. Como Plantar Milho
30. Como Plantar Pimentão
1. Introdução
Este trabalho tem como finalidade orientar
famílias urbanas ou rurais na instalação e
condução de uma horta e apresentar sugestões
sobre como utilizar as hortaliças em suas
refeições.
De forma simples e objetiva, procura mostrar o
valor nutritivo das hortaliças, obtidas em
sistema de plantio orgânico, como fontes de
vitaminas e minerais.
Informar sobre as técnicas de plantio e,
finalmente, sugerir algumas formas de controle
alternativo das pragas e doenças mais
frequentes.
2. Por que fazer uma horta?
Uma das grandes vantagens em ter sua própria
horta orgânica é ter a certeza de que os frutos,
ervas e folhas colhidos são realmente
orgânicos e ricos em nutrientes, ao contrário
de alimentos processados e industrializados
que carregam em sua composição inúmeros
ingredientes químicos, o que leva a perda de
parte do seu valor nutritivo.
Outra vantagem é a possibilidade de criar um
ambiente agradável e bonito dentro de casa, e
transformar qualquer pequeno espaço, como
uma cozinha ou varanda, em uma horta
orgânica. Por exemplo, a horta orgânica de
temperos, garantindo que as especiarias
estejam sempre frescas e ao alcance das mãos.
3. O que plantar?
Algumas hortaliças são mais apreciadas pela
família do que outras, entretanto,
recomendase variar ao máximo, utilizando
tanto as folhosas (alface, couve, salsa,
cebolinha, mostarda, etc.), como os frutos
(vagem, quiabo, abóbora, tomate, etc.) e
tubérculos/ raízes (batata-doce, cenoura,
inhame, mandioca, nabo, rabanete, etc.).
Porque uma alimentação mais diversificada
tem melhor qualidade para a boa saúde de
todos.
4. Qual o material necessário?
Para os canteiros, necessita-se, principalmente,
de pá, enxada, ancinho, estacas e barbante.
Outros materiais se tornam importantes na
manutenção das hortas: carrinho de mão,
enxadinha (sacho), enxadão, mangueira,
regador e pulverizador.
5. Qual o local mais adequado?
O terreno deve ficar próximo à residência e
distante de fossas e esgotos. É conveniente
que seja arejado, recebendo a luz direta do sol.
O excesso de sombra compromete muito o
desenvolvimento das hortaliças, entretanto,
não é necessário que o local fique muito longe
das árvores, porque elas abrigam pássaros que
são úteis no controle dos insetos.
O terreno deve ser cercado para evitar a
entrada de animais e, se na área ocorrerem
problemas com ventos, recomenda-se a
utilização de cercas vivas, que funcionam como
barreiras. Outra precaução é evitar áreas
alagadiças; no caso de não ter outra
alternativa, fazer valetas para drenagem do
excesso de água.
Finalmente, a qualidade da água para a rega é
extremamente importante, pois a água com
impurezas pode contaminar os alimentos.
6. Como organizar a horta?
Inicialmente, o portão de entrada da horta
deve ficar na parte mais próxima da casa ou da
escola. Junto à cerca, pode-se colocar um
canteiro de contorno, com mais ou menos
60cm, para o plantio das hortaliças ou fruteiras
trepadeiras (chuchu, bertalha, maracujá,
pepino, etc.).
Um lado da cerca deve estar livre para preparo
de algumas tarefas, como adubações,
pulverizações, sementeiras, esterqueira, etc.
No espaço interior da horta, os canteiros
devem ter orientação norte-sul para
receberem sol na maior parte do dia.
Deve-se escolher cuidadosamente as hortaliças
a serem plantadas. Ao plantar, variar os tipos
de hortaliças, nunca plantando uma só espécie.
Existem plantas que, quando cultivadas ao lado
de outras, ajudam-se mutuamente (plantas
companheiras), como por exemplo: alface e
nabo, alface e beterraba, alface e feijão-
devagem.
Há outras que, pelo fato de serem vizinhas, não
ajudam nem prejudicam (são indiferentes),
como por exemplo: alface e cenoura, alface e
abobrinha, alface e espinafre. E, por último,
existem plantas que terão seu crescimento
prejudicado se estiverem ao lado de outras;
são ditas antagônicas (desfavoráveis), como
por exemplo: alface e salsa, ervilha e
cebolinha. Entretanto, todas as associações
citadas devem ser testadas em cada local de
cultivo, pois podem existir algumas variações
quanto à época e local de plantio.
7. Como preparar a terra?
O preparo do terreno é um dos fatores que
contribuem para o êxito da horta. O local deve
ser limpo, capinado e livre de pedras, tocos e
ervas invasoras. Após a limpeza, revolver a
terra com enxadão para que fique bem fofa e,
por fim, emparelhar o terreno com ancinho.
A sementeira é um canteiro especial, devendo
ser preparada cuidadosamente, pois receberá
as sementes que produzirão as mudas. Para a
horta domiciliar, a sementeira pode ser bem
pequena (com um metro de largura, dois
metros de comprimento e dez centímetros de
altura).
No seu preparo, aconselha-se usar a mistura de
duas partes de terra, uma de esterco e meia de
areia.
Para hortas maiores, a sementeira deverá ser
planejada para poder atender às necessidades
de cultivo.
Os canteiros devem ser marcados perpendicularmente
à maior inclinação do terreno, tomando-se o cuidado
de respeitar o relevo dos morros e encostas.
Recomenda-se construí-los com 1 metro de
largura, 20 centímetros de altura e o
comprimento variando de acordo com o
tamanho da horta. Entre os canteiros, deixar
um espaço de 50 centímetros para facilitar o
trabalho na horta.
As covas devem ser abertas com 20cm x 20cm
x 20cm, tomando-se o cuidado de misturar o
esterco com a terra que foi retirada da cova.
Logo após, encher a cova com esse solo
preparado. Já as leiras são preparadas nas
linhas de plantio, amontoando-se terra e
esterco misturado, de modo a ficar com 40cm
de altura e mais ou menos 60cm de largura na
base.
8. Como adubar?
A adubação orgânica do solo é muito
importante por cooperar com a saúde da terra,
possibilitar a produção de hortaliças de alta
qualidade e ajudar no controle da erosão do
solo.
Pode ser feita diretamente com esterco animal
e através de sua utilização em composto
orgânico e em caldo de estrume.
O esterco animal bem curtido,
preferencialmente de bois ou aves, é um
adubo de excelente qualidade. Para curtir o
esterco, deve ser feita uma esterqueira, que é
o local onde o esterco irá fermentar para que
possa ser usado como adubo. Assim, ele não
prejudicará as sementes e mudinhas.
O esterco deve ser colocado nos canteiros 20
dias antes da semeadura, misturando-o bem
com a terra e, se não chover, fazer duas ou três
regas. Recomenda-se, em média, de 5 a 10
litros de esterco curtido de boi por metro
quadrado de canteiro e a metade quando se
utilizar esterco de aves.
O composto orgânico pode ser feito no próprio
quintal a partir de restos, como lixo caseiro,
folhas, cascas de legumes, casca de ovos, etc.
Nesse caso, deve-se fazer uma composteira,
procedendo-se da seguinte maneira:
- Abrir um buraco no chão de
aproximadamente 1m x 1m x 1m ou separar
um caixote para depositar a matéria orgânica.
- Depositar em camadas: cascas de legumes, de
ovos, de frutas, papéis, pó de café ou chá,
poda de grama, folhas verdes ou secas,
serragem, cinzas ou restos de cultura. Cada
vez que colocar restos, acrescentar uma
pequena quantidade de esterco e um pouco
de terra.
- Regar para manter a umidade do composto.
- Quando o buraco estiver bem cheio, cobrir a
superfície com um saco molhado. Uma vez
por semana, revirar o composto e manter a
umidade correta.
- Após três semanas, colocar dentro do buraco
ou caixote a maior quantidade de minhocas
que puder encontrar.
- Em dois meses, o adubo poderá ser utilizado.
- O composto deverá ser colocado na mesma
quantidade que o esterco puro nos locais de
plantio.
O esterco animal também pode ser usado na
forma de caldo de estrume, pois ajuda a
manter as plantas sadias e vigorosas.
É feito da seguinte maneira: em um tonel de
200 litros, bem limpo, colocar 50 litros de
esterco fresco e 150 litros de água; cobrir com
tampa de madeira e deixar em local com
bastante sol; mexer o caldo no mínimo duas
vezes por semana; estará pronto dentro de 60
a 90 dias, quando não tiver cheiro forte, não
formar bolhas e não juntar moscas.
Para utilizar, misturar 5 litros de caldo em 10
litros de água, regar a base das plantas de 7 em
7 dias, tomando o cuidado de não deixar cair
nas folhas.
O esterco animal pode ser usado, ainda, na
forma de biofertilizante líquido, que é ótimo
adubo foliar, além de contribuir na defesa das
plantas contra ataques de fitopatógenos e
insetos-pragas.
9. Como plantar?
Algumas espécies de hortaliças, como alface,
cebola, repolho, beterraba, brócolis, chicória,
couve-flor, couve, alface e jiló, necessitam
passar, inicialmente, pelo plantio em
sementeira e, quando as plantinhas estiverem
com 4 ou 5 folhas, são transplantadas para
canteiros definitivos.
Outras são plantadas definitivamente em
canteiros, como alho, cenoura, nabo,
espinafre, rabanete, ervilha, pepino, melancia
e vagem.
Já outras hortaliças, como tomate, berinjela e
pimentão, precisam passar, além da fase de
sementeira, por canteiros de repicagens por
mais ou menos um mês, que possibilitarão
maior desenvolvimento das plantinhas e,
finalmente, irão para os canteiros definitivos.
A batata-doce, por sua vez, é plantada em
leiras e a abóbora, a abobrinha, o inhame, a
mandioca, a batatabaroa (mandioquinha salsa)
e o quiabo são plantados diretamente em
covas.
Detalhes como época de plantio, espaçamento
e outros são apresentados no guia de plantio
(Quadro 1).
Independentemente do sistema de plantio
utilizado, é muito importante utilizar sementes
ou mudas de boa qualidade, pois o sucesso da
horta depende em grande parte delas. De
preferência, usar sementes compradas em
embalagens fechadas, que garantem a
germinação e o prazo de validade.
A semeadura é feita em sulcos de um
centímetro de profundidade, distanciados de
10 em 10 centímetros. Os sulcos devem ser
feitos no sentido da largura da sementeira e
neles distribuídas as sementes uma a uma para
que não fiquem amontoadas.
Após a semeadura, cobrir as sementes com
uma leve camada de terra peneirada,
apertando-a levemente com uma ripa. Sobre a
terra, colocar uma camada de capim seco, sem
semente e, logo a seguir, regar. Repetir a
irrigação diariamente, pela manhã e à tarde.
Logo que as sementes começarem a germinar,
retirar o capim que foi colocado sobre o solo.
Quando todas as plantas estiverem
aproximadamente com 5cm, fazer o desbaste.
Posteriormente, as mudas das sementeiras
serão transplantadas para os canteiros. O
transplante deve ser feito com o auxílio de uma
pequena pá ou colher, aproximadamente 30
dias depois da semeadura, quando as mudas
estiverem com cerca de 10cm de altura ou com
5 a 6 folhas definitivas.
É recomendável regar as sementeiras antes de
retirar as mudas, evitando-se, assim, machucar
as raízes. O horário do dia mais adequado para
essa tarefa é o final da tarde ou em dias de
chuva ou nublados.
A semeadura nos canteiros definitivos é feita
diretamente, semeando-se nos espaçamentos
adequados as diferentes espécies de hortaliças
(Quadro 1).
10. Como conservar a horta?
Algumas tarefas são importantes para manter a
horta em condições ideais de produção:
- Desbaste: é feito quando são realizados
plantios diretamente nos canteiros. Ao plantar
algumas hortaliças, como cenoura, rabanete,
nabo, quiabo e feijão-devagem, é comum que
as sementes nos sulcos e covas fiquem
próximas.
Quando as plantinhas estiverem com mais ou
menos 5cm, devem ser arrancadas as que
estiverem em excesso, mantendo o
espaçamento adequado entre as plantinhas
(Quadro 1).
- Rega: as plantas precisam de umidade para
o seu desenvolvimento. Entretanto, o excesso
de água pode prejudicar as plantas e favorecer
o aparecimento de doenças. A rega deve ser
feita lentamente, de maneira que a água não
escorra por cima do canteiro.
- Rotação de cultura: a rotação de cultura é
a prática de variar o local de cultivo de um
mesma hortaliça. Ajuda na defesa das plantas
contra as pragas e doenças, além de favorecer
o solo.
- Capina: não é necessário retirar todo o
mato dos canteiros. Capinar apenas aqueles
que estiverem abafando ou prejudicando as
hortaliças.
11. Por que comer hortaliças?
A alimentação adequada exige alimentos
contendo carboidratos (açúcares e amidos),
proteínas, gorduras, sais mineiras e vitaminas.
Arroz, carne, manteiga, frutas e,
principalmente, as hortaliças, são exemplos de
alimentos populares ricos nas substâncias
citadas. Sendo assim, somente uma
alimentação variada pode fornecer o
necessário à manutenção da saúde.
Portanto, as hortaliças são indispensáveis à
saúde, pois possuem elevados teores de sais
minerais e vitaminas. É recomendável a
ingestão de pelo menos três variedades,
preferencialmente de cores diferentes, em
cada refeição.
O consumo diário de hortaliças na dieta é uma
boa garantia de saúde. Quando frescas,
possuem melhor sabor e maior teor de
vitaminas. Por isso, é importante ter em casa
uma horta, mesmo que seja pequena.
Além do valor nutritivo, as hortaliças, pelo seu
sabor e coloração, valorizam os cardápios,
dando-lhes melhor aspecto e aumentando a
sua aceitação. Por tudo isso, a dona de casa
deve planejar e preparar as refeições utilizando
bem as hortaliças.
Convém lembrar que as hortaliças com folhas
de coloração verde-escuro são ricas fontes de
vitamina A, vitaminas do complexo B, vitamina
C etc., além de ferro e cálcio, quando
comparadas com as folhas de coloração clara
(Quadro 2).
Entre essas hortaliças, algumas são
consideradas como mato e não são utilizadas
pela população: caruru, serralha, línguadevaca,
beldroega, taioba, etc.
O uso de folhas de mandioca, de batata-doce,
de quiabo e de outras espécies deve obedecer
a algumas recomendações, que são
normalmente citadas em apostilas sobre
alimentação alternativa.
12. Quando colher as hortaliças?
A colheita deve ser efetuada quando a
hortaliça atingir o ponto ideal de
desenvolvimento. Se ela vai ser utilizada na
cozinha da família, deve ser colhida pouco
antes, pois assim a sua riqueza em vitaminas e
sais mineiras é máxima. Então, horas antes da
refeição, a dona de casa vai à sua horta e colhe
somente o que for necessário.
13. Como preparar as hortaliças?
Podem ser preparadas cruas, cozidas,
refogadas, assadas ou então em saladas, sopas,
suflês, bolinhos, ensopados, recheados, etc.
- Hortaliças cruas: utilizar frescas e sadias,
lavando-as muito bem em água corrente.
- Hortaliças cozidas: para reduzir as perdas
de vitaminas e minerais, o preparo e o
cozimento devem ser feitos observando-se
alguns cuidados:
a) não deixá-las de molho antes ou depois de
serem cozidas;
b) colocá-las em panelas tampadas, com
pouca água fervendo e que já contenha o
sal, cozinhando-as por pouco tempo;
c) cozinhá-las inteiras e com as cascas,
sempre que for possível;
d) servir logo depois de serem preparadas;
e) utilizar a água do cozimento em outras
preparações, como no arroz, em sopas e
molhos. Esta água contém minerais e
vitaminas;
f) não colocar bicarbonato de sódio, porque
destrói as vitaminas.
14. Algumas dicas para a sua horta
- As abóboras têm seu melhor lugar no
centro do canteiro, especialmente as
variedades que dão os frutos em volta do caule
e que não se espalham muito, como a
abobrinha italiana.
- Observe sempre as variedades das plantas
que semear para melhor adaptálas à época do
ano. Exemplo: existem variedades de alface
para plantar no verão e outras para o inverno.
- É prático colocar as plantas medicinais e os
temperos no início do canteiro, porque ficam
mais próximos ao portão da horta.
- O gergelim protege a horta das formigas; o
plantio deve ser feito nas pontas dos canteiros
e perto da cerca que contorna a horta.
- A mamona é um repelente natural de
moscas e mosquitos.
- Recomenda-se, também, plantar algumas
flores ao redor da horta. Além de embelezar,
algumas flores podem ser usadas em receitas
caseiras para controle de pragas e doenças,
como o cravo de defunto.
15. Como controlar pragas e doenças?
As hortas implantadas conforme as sugestões
dadas nesta cartilha não terão maiores
problemas com pragas e doenças. Caso
ocorram alguns insetospragas, como grilo,
lagartas e outros, recomenda-se a catação
desses animais.
Caso surjam plantas doentes, a eliminação
delas é o controle mais eficaz.
- O girassol protege as plantas do ataque de
muitas pragas.
16. Como Plantar Alface
A alface é uma das hortaliças mais conhecidas
e mais cultivadas no mundo, e que tem um
grande número de cultivares, que variam
principalmente na forma, cor e textura das
folhas, havendo inclusive alfaces que são
cultivadas para o consumo dos seus compridos
e grossos caules (alface-aspargo). Exemplos
comuns de grupos de cultivares são as alfaces-
manteiga, alfaces-americanas ou alfaces-
iceberg, alfaces-de-folhas-soltas e alfaces-
romanas.
Clima
A temperatura ideal para cultivar alface se
situa entre 10°C e 24°C, embora existam
cultivares que toleram temperaturas mais altas
e outras que toleram temperaturas mais
baixas. Alta temperatura pode induzir um
florescimento precoce (pendoamento),
impedindo a formação de uma cabeça de
folhas.
Luminosidade
A alface necessita de boa luminosidade,
preferencialmente com luz solar direta, mas é
tolerante a sombra parcial. Assim, em regiões
de clima quente a alface pode se beneficiar se
plantada de forma a receber sombra parcial
durante as horas mais quentes do dia.
Solo
As plantas precisam de solo bem drenado, rico
em matéria orgânica, fértil, com boa
disponibilidade de nitrogênio. A faixa de pH
ideal para o solo é de 6 a 7.
Irrigação
A alface deve ser irrigada com frequência para
manter o solo úmido, mas sem que o solo
permaneça encharcado.
Plantio
É importante escolher cultivares adaptadas a
temperatura da estação em que ocorrerá o
cultivo. Há cultivares ditas de inverno, para
cultivo em temperaturas amenas ou frias, e
cultivares ditos de verão para cultivo com
temperaturas mais altas.
Em clima ameno, as sementes podem ser
semeadas no local definitivo ou em
sementeiras, módulos e outros recipientes, e
depois transplantadas. Para outras regiões, de
clima quente, recomenda-se que as sementes
sejam plantadas em um viveiro onde o
ambiente é mais fresco, pois as sementes
podem se tornar dormentes em temperaturas
mais altas que as da faixa de temperatura
ideal, resultando em baixas taxas de
germinação. Outra possibilidade é plantar as
sementes diretamente na horta no fim da
tarde, irrigando em seguida, o que diminui a
probabilidade de ocorrer dormência nas
sementes, visto que a temperatura tenderá a
ser mais amena. Deixe as sementes a menos de
1 cm de profundidade no solo.
O transplante das mudas de alface pode ser
feito quando estas têm de 4 a 6 folhas. Em
regiões de clima quente, transplante de
preferência em dias nublados e chuvosos, ou
no fim da tarde com o solo já bem irrigado,
pois as mudas de alface pode murchar e
morrer se o transplante ocorrer quando o
tempo está quente e seco.
O espaçamento entre as plantas pode ser de 20
a 35 cm para a maioria das cultivares,
geralmente usando 20 ou 25 cm para cultivares
de menor tamanho ou que serão colhidas
precocemente, e 30 ou 35 cm para as
cultivares de maior tamanho.
A alface pode ser cultivada em vasos e
jardineiras. Também é uma das hortaliças mais
cultivadas em sistemas hidropônicos.
Tratos culturais
Chuvas fortes e granizo podem prejudicar
muito as frágeis folhas da alface. Se sua região
está sujeita as essas condições, é melhor
construir uma proteção com telas agrícolas ou
filmes plásticos sobre a horta para a proteção
dos pés de alface.
Retire plantas invasoras que estejam
concorrendo por recursos e nutrientes.
Colheita
A colheita pode ser feita entre 55 e 130 dias
depois da semeadura, dependendo da cultivar
plantada e das condições de cultivo. Em muitas
das cultivares, a planta normalmente pode
rebrotar após o corte da cabeça da alface,
podendo proporcionar assim uma nova
colheita de cabeças menores após algumas
semanas. Para isso, corte a planta cerca de 2,5
cm acima do solo, permitindo que fique um
pequeno pedaço do caule, onde surgirão os
novos brotos.
Com cultivares de folhas soltas é fácil colher
individualmente as folhas necessárias, sem
cortar a planta toda.
17. Como Plantar Repolho
Os repolhos são plantas da espécie Brassica
oleracea que produzem uma cabeça compacta
de folhas durante seu ciclo de vida. Outras
plantas da mesma espécie são a couve, a
couve-rábano, a couve-flor e o brócolis.
Há cultivares de repolho com cabeças que
variam em tamanho, forma e cor, sendo que
existem dois grupos principais de cultivares, o
que têm folhas lisas (Brassica oleracea Grupo
capitata) e o que têm folhas crespas (Brassica
oleracea Grupo sabauba), conhecidos como
repolhos-crespos, repolhos-savoy ou couves-
lombardas.
O repolho pode ser consumido cru ou cozido, e
é muito comum seu uso em conservas.
Contudo, o cozimento exagerado do repolho
produz um sabor e um cheiro desagradáveis,
resultado da produção de sulfeto de
hidrogênio durante o cozimento. Dentro de
certos limites, quanto mais tempo o repolho
for cozido, mais forte será seu sabor e mais
desagradável seu odor (poucos minutos de
cozimento podem fazer uma grande
diferença). O tempo ideal de cozimento para o
repolho cortado em tiras finas é de
aproximadamente 4 minutos, podendo variar
de cultivar para cultivar.
Clima
O repolho é uma hortaliça de clima frio, sendo
que algumas variedades cultivadas podem
sobreviver mesmo quando a temperatura
chega a -10°C por curtos períodos de tempo.
Algumas variedades cultivadas de repolho
estão adaptadas a climas mais quentes e
toleram temperaturas mais altas. É importante
escolher uma variedade cultivada de repolho
de acordo com o clima local e a época do ano
em que ocorrerá o plantio. Há cultivares de
inverno e cultivares de verão.
Longos períodos com temperaturas muito altas
ou muito baixas podem induzir plantas bem
desenvolvidas a florescer precocemente.
Luminosidade
Necessita de alta luminosidade, devendo ser
cultivado com luz solar direta.
Solo
O solo deve reter bem a umidade, mas deve
ser bem drenado, e deve ser fértil e rico em
matéria orgânica. O pH do solo pode ficar entre
6 e 7,5.
Irrigação
É exigente quanto a disponibilidade de água e
deve ser irrigado com frequência, de forma
que o solo fique sempre úmido, mas sem ficar
encharcado.
Plantio
O plantio é feito através de sementes, que
podem ser semeadas diretamente no local
definitivo ou podem ser semeadas em
sementeiras, com as mudas de repolho sendo
transplantadas quando atingem
aproximadamente 10 a 15 cm de altura. A
profundidade da semeadura pode ser de 1 a 2
cm e a germinação normalmente ocorre em
menos de uma semana.
O espaçamento recomendado entre as plantas
pode variar de 30 a 60 cm, dependendo da
variedade cultivada e do tamanho da cabeça
que se deseja colher. Dentro de certos limites,
quanto maior o espaçamento, maiores
poderão ser as cabeças formadas.
Tratos culturais
Retire as plantas invasoras que estiverem
concorrendo por recursos e nutrientes.
Colheita
A colheita do repolho ocorre de dois a quatro
meses após o plantio, dependendo da
variedade cultivada e das condições de cultivo.
Colha quando as cabeças estão bem formadas,
firmes e compactas.
Algumas variedades cultivadas podem rebrotar
e produzir uma segunda colheita de pequenas
cabeças se as plantas forem deixadas no solo
com um caule de pelo menos 10 cm de altura.
18. Como Plantar Alho
O alho é uma planta que pode atingir de 30 cm
a até 120 cm de altura, e que forma um bulbo
que contêm vários segmentos, normalmente
denominados "dentes de alho". Estes podem
ser consumidos tanto crus quanto cozidos ou
assados, sendo geralmente utilizados como
tempero ou condimento em diversos tipos de
pratos culinários devido ao seu sabor
marcante. Embora menos utilizados, as folhas
jovens, os escapos (caules das flores), as flores,
os bulbilhos que surgem junto as flores e as
sementes também podem ser consumidos.
Muito utilizado popularmente para fins
medicinais, alguns estudos indicam que o
consumo regular de alho oferece benefícios
cardiovasculares, além de possuir outras
propriedades medicinais benéficas. No
entanto, o consumo de alho produz um odor
característico no corpo e mau hálito. Pessoas
que ingerem regularmente ácido acetilsalicílico
ou outras substâncias anticoagulantes devem
evitar o consumo de alho, pois pode haver um
aumento do risco de sofrer hemorragias.
O alho também pode ser usado como pesticida
natural, sendo comum o uso de extratos ou
macerados de alho para combater algumas
pragas em hortas e pequenas plantações.
Clima
O alho pode ser cultivado em diversas regiões
climáticas, havendo diversas cultivares
adequadas a diferentes regiões. No entanto,
regiões quentes e chuvosas não são adequadas
para o plantio, pois é necessário que haja um
período de frio no início ou na metade de ciclo
de cultivo, com temperaturas entre 0°C e 15°C,
para estimular a formação dos bulbos (a
cabeça do alho). As plantas geralmente não
formam os bulbos se a temperatura
permanece acima de 25°C.
O ideal são temperaturas amenas enquanto as
plantas crescem, com um período de baixas
temperaturas no estágio em que os bulbos
devem começar a se formar, seguido de meses
mais quentes na época de maturação das
cabeças.
Luminosidade
Um cuidado necessário para ter sucesso ao
plantar alho é escolher cultivares adaptadas ao
fotoperíodo de sua região, ou seja, ao tempo
de horas de luz, do nascer ao pôr do sol.
Existem muitas cultivares adaptadas a
diferentes fotoperíodos e condições climáticas,
assim procure se informar acerca das melhores
cultivares para o plantio em sua região.
O alho precisa receber luz solar direta pelo
menos por algumas horas diariamente.
Solo
O alho não é muito exigente quanto ao solo,
podendo ser plantado em solos menos férteis,
com menor disponibilidade de nitrogênio. O
ideal é um solo leve, bem drenado e rico em
matéria orgânica. O pH do solo pode ser de 5,5
a 8,3 (pH ideal de 6,2 a 7). O plantio em
camalhões é recomendado se o cultivo será
feito em solos argilosos pesados.
Irrigação
O alho deve ser irrigado com frequência para
que o solo seja mantido sempre úmido durante
a fase inicial de crescimento da planta.
Diminua a frequência das irrigações quando os
bulbos estiverem crescendo. Cerca de 10 a 20
dias antes da colheita, suspenda a irrigação.
Plantio
O alho pode ser cultivado a partir de sementes,
mas é muito mais comum plantar os dentes do
alho. Em plantações comerciais é
recomendado separar os dentes por tamanho,
pois o plantio de dentes de mesmo tamanho
tende a produzir plantações mais uniformes.
Contudo, em pequenas plantações domésticas,
isso é menos importante. Dentes muito finos,
danificados ou com sinais de apodrecimento
devem ser descartados.
Plante cada dente no local definitivo a uma
profundidade de 3 a 5 cm (pode chegar a ser 8
cm ou mais em regiões de inverno rigoroso).
Os dentes também podem ser plantados em
bandejas ou sementeiras, sendo
transplantados após brotarem. É muito
importante plantar os dentes na posição
correta, com a parte mais fina do dente
voltada para cima. O espaçamento pode ser de
25 a 30 cm entre as linhas de plantio, e 10 cm
entre as plantas. Em pequenas plantações, sem
linhas de plantio, o espaçamento pode ser de
15 a 18 cm entre as plantas. Espaçamentos
maiores que esses propiciam que as plantas
gerem cabeças maiores, mas a produtividade
por área diminui. O alho também pode ser
cultivado facilmente em vasos e jardineiras.
Geralmente o plantio é realizado no outono.
Em regiões mais frias, pode ser plantado no fim
do verão, no começo do outono ou no início da
primavera. Em regiões com inverno ameno, o
plantio pode ser feito no outono ou no
inverno. Normalmente as melhores cabeças
são colhidas de plantas que foram plantadas
durante o outono. Para o cultivo em regiões
mais quentes, os dentes podem ser
armazenados sob refrigeração (0°C a 10°C) por
um ou dois meses antes do plantio ser
realizado (o período adequado de refrigeração
varia com a cultivar).
Tratos culturais
Retire as plantas invasoras que podem
competir com o alho por nutrientes e recursos,
pelo menos durante os três primeiros meses
de cultivo.
Não plante alho em locais onde houve cultivo
de alho ou cebola recentemente, pois seu
cultivo no mesmo local aumenta muito o risco
de surgimento de doenças na plantação.
Colheita
A colheita do alho ocorre de 16 a 36 semanas
após o plantio, dependendo da cultivar
utilizada, da região onde o plantio é realizado,
da época do ano, etc.
As cabeças de alho estão prontas para a
colheita quando as folhas mais velhas
começarem a amarelar e secar. Arranque a
planta inteira, sem destacar as folhas,
preferencialmente em dias secos e
ensolarados.
A cura é o processo em que o alho perde o
excesso de água e consiste em deixar os bulbos
secando ao sol por alguns dias. Após este
período, quando as folhas e a camada externa
dos bulbos estiverem completamente secas, os
bulbos podem ser armazenados em locais
frescos e secos, em tranças, amarrados em
varais de madeira ou bambu, ou em bandejas.
É importante para a conservação das cabeças
de alho mantê-las em ambiente seco e com
boa ventilação. As cabeças de alho podem ser
armazenadas por até quase um ano,
dependendo da cultivar e das condições de
armazenagem. Dentes soltos e cabeças
danificadas não duram muito tempo.
19. Como Planta Mandioca
A mandioca é classificada como mandioca-
brava ou mandioca-mansa, de acordo com o
teor de cianeto produzido em suas raízes
tuberosas, sendo este muito maior nas
mandiocas-bravas que nas mandiocas-mansas.
A mandioca-mansa também é chamada de
aipim ou macaxeira.
Clima
A mandioca é uma planta de origem tropical,
nativa do Brasil, e necessita de temperaturas
acima de 18°C para se desenvolver bem, sendo
que o ideal para o cultivo é um clima quente e
úmido.
Luminosidade
A mandioca necessita de boa luminosidade,
podendo ser cultivada com luz solar direta ou
em sombra parcial .
Solo
A mandioca pode ser cultivada até em solos
pouco férteis, desde que sejam bem drenados.
Solos argilosos pesados e solos compactados
não são adequados, pois prejudicam o
crescimento das raízes. O mais indicado é que
o solo seja permeável, fértil, rico em matéria
orgânica, com pH entre 5 e 6.
Irrigação
Irrigue de forma a manter o solo sempre
úmido, sem que fique encharcado. A planta é
muito sensível à falta de água durante os cinco
primeiros meses de cultivo. Quando bem
desenvolvidas, as plantas são tolerantes a
períodos de seca.
Plantio
O plantio é realizado a partir de pedaços de
caule de plantas adultas saudáveis,
denominados manivas, com 15 a 25 cm de
comprimento e cerca de 2,5 cm de diâmetro.
As manivas são colocadas em sulcos ou covas
de 5 a 10 cm de profundidade, podendo ser
dispostas na posição horizontal, vertical ou
obliqua. Fincadas na posição vertical ou
inclinadas, as manivas dão origem a plantas
cujas raízes serão mais profundas, resultando
em uma colheita mais trabalhosa. Dispostas na
horizontal, no sentido do sulco, as raízes serão
mais superficiais, facilitando a colheita. A
vantagem do posicionamento vertical e do
inclinado é que a porcentagem de manivas que
brotarão é maior que no plantio horizontal,
resultando em um maior rendimento por área.
O espaçamento geralmente recomendado é de
1 m entre as fileiras e 50 a 60 cm entre as
plantas, podendo variar com a fertilidade do
solo, do clima da região e da cultivar utilizada.
Também é recomendado o plantio com fileiras
duplas, onde a distância entre os sulcos é
alternadamente de 2 m e de 60 cm, isto é, uma
distância de 2 m entre duas fileiras e depois 60
cm até a próxima fileira, então 2 m até a
seguinte, etc., mantendo 50 a 60 cm entre as
plantas de uma mesma fileira.
Embora seja uma prática incomum e não seja o
procedimento recomendado, a mandioca
também pode ser cultivada a partir de
sementes extraídas de seus frutos.
Tratos culturais
É necessário retirar regularmente plantas
invasoras que concorrem com a mandioca por
nutrientes e recursos, pelo menos durante os
cinco primeiros meses de cultivo.
Podar as plantas diminui a produção, assim
evite qualquer poda, a não ser que seja
necessária a obtenção de manivas para o
plantio em uma época que não corresponde a
época da colheita.
Colheita
A colheita da mandioca pode ocorrer de 6
meses a 3 anos (geralmente de 12 a 18 meses)
após o plantio das manivas, dependendo da
cultivar e das condições de cultivo.
A planta inteira contém dois glicosídeos
cianogênicos, linamarina e lotoaustralina.
Quando a planta é cortada ou sofre algum
dano, uma enzima chamada linamarase
decompõem estes glicosídeos, liberando
cianeto de hidrogênio (HCN), também
chamado de ácido cianídrico ou ácido prússico,
uma substância muito tóxica. Assim nem a
mandioca, nem suas folhas e ramos devem ser
consumidos crus. A mandioca mansa pode ser
consumida cozida, frita ou transformada em
farinha. Suas folhas podem ser utilizadas em
refeições cozidas ou fritas depois que as folhas
são picadas e lavadas várias vezes. A mandioca-
brava deve ser utilizada após cuidadoso
preparo como farinha e derivados.
20. Como Plantar Abobrinha
Abobrinha é o nome popular dado a algumas
variedades ou cultivares de abóboras cujos
frutos são colhidos e consumidos quando ainda
estão imaturos. A grande maioria destas
variedades são da espécie Cucurbita pepo, mas
há exceções. Quase todas as cultivares de
abobrinha formam moitas que não se alastram
muito.
As abobrinhas podem ser classificadas como
segue:
Abobrinhas-italianas ou Zuchinni - C. pepo - é o
grupo de cultivares mais comum e mais
cultivado, cujos frutos são cilíndricos e não
alargam ou alargam pouco em direção a
extremidade.
Cocozelle - C. pepo - apresenta longos frutos
cilíndricos que alargam na extremidade
formando um bulbo.
Crookneck - C. pepo - apresenta frutos
cilíndricos curvos, com alargamento em
direção a extremidade. Geralmente
apresentam uma casca com aparência
enverrugada, embora também possa ser lisa.
Straightneck - C. pepo - apresenta frutos
cilíndricos sem curvatura pronunciada, com
alargamento em direção a extremidade. Pode
apresentar aparência externa que pode ir de
enverrugada a lisa.
Patty pan ou scallop - C. pepo - apresenta
frutos achatados ou com forma de disco,
frequentemente com ondulações ou projeções
na superfície lateral.
Abobrinha-redonda - C. pepo - apresenta
frutos arredondados.
Tromboncino ou zucchetta - C. moschata - uma
variedade que produz longos frutos curvos com
uma extremidade bulbosa. Esta abobrinha
apresenta hábito rastejante, não forma moita.
Abobrinha-redonda-escura ou Zapallito - C.
máxima - apresenta frutos redondos verde-
escuros.
Clima
A abobrinha cresce melhor em clima quente,
sendo que a temperatura média ideal para o
cultivo é de 18°C a 27°C. A temperatura
mínima recomendada para o plantio é de 15°C,
pois a planta não suporta geadas e baixas
temperaturas.
Luminosidade
Preferencialmente deve ser cultivada em locais
ensolarados, mas pode ser cultivada em
sombra parcial, desde que haja uma alta
luminosidade.
Solo
Cultive em solo bem drenado, fértil, rico em
matéria orgânica, com pH entre 5,5 e 6,8.
Irrigação
Irrigue de forma a manter o solo sempre
úmido, sem que fique encharcado.
Plantio
Semeie as sementes de abobrinha no local
definitivo na horta, colocando 2 ou 3 sementes
por cova a cerca de 2 cm de profundidade,
seguindo a recomendação de espaçamento
para a cultivar utilizada (geralmente vai de 0,9
m x 0,9 m a 1 m x 1,5 m).
As sementes também podem ser semeadas,
por exemplo, em sementeiras grandes, em
vasos pequenos, saquinhos plásticos próprios
para mudas ou copinhos de 10 cm de altura e 5
cm de diâmetro feitos com papel jornal ou
outro material. O transplante das mudas de
abobrinha para a horta pode ser feito quando
as mudas têm pelo menos três folhas
definitivas.
Algumas cultivares de abobrinha podem
crescer bem em vasos grandes.
Tratos culturais
Como outras cucurbitáceas, as aboboreiras são
monoécias, ou seja, são plantas que
apresentam flores masculinas e flores
femininas separadas, embora cada planta
tenha os dois gêneros de flores. Flores
masculinas produzem pólen e não formam
frutos. Flores femininas têm um ovário inferior
que lembra uma minúscula abobrinha e este se
desenvolve no fruto quando a flor é polinizada.
A presença de insetos polinizadores,
principalmente abelhas, é necessária para a
polinização das flores e a formação dos frutos.
Se não houver abelhas e não houver formação
de frutos, realize a polinização das flores
manualmente com a ajuda de um pequeno
pincel de cerdas suaves, transferindo o pólen
das flores masculinas para as flores femininas.
Outra alternativa é colher algumas flores
masculinas e esfregar levemente as anteras
carregadas de pólen destas flores no estigma
das flores femininas.
Quando a floração se inicia, surgem apenas
flores masculinas. As flores femininas
começam a aparecer bem depois (de duas
semanas a um mês ou mais). Altas
temperaturas e dias longos aumentam a
proporção de flores masculinas, que todavia
sempre são mais numerosas que as flores
femininas. As flores se abrem apenas por
algumas horas, no início da manhã.
Colheita
A colheita da abobrinha pode começar de 45 a
80 dias depois do plantio, dependendo da
cultivar e das condições de cultivo. Colha a
abobrinha quando bem desenvolvida, mas
ainda imatura (o tamanho adequado para a
colheita varia com a cultivar).
21. Como Planta Tomate
O tomate é um dos frutos mais cultivados do
mundo, havendo milhares de cultivares que
variam na forma, tamanho, cor e sabor.
Cultivado nos Andes, na América Central e no
México muito antes das viagens marítimas
europeias, o tomateiro foi introduzido na
Europa no século XVI, sendo primeiramente
cultivado como planta ornamental nos jardins,
pois foi inicialmente considerado inadequado
para o consumo, visto que é uma planta da
família da mortal beladona (Atropa
belladonna), a família das solanáceas, que
também inclui outras plantas tóxicas. De fato,
as folhas e os caules do tomateiro contém o
alcaloide tomatina, e até mesmo os frutos
imaturos contêm esta substância, porém em
pequenas quantidades, de forma que o
consumo de tomates verdes geralmente não
causa intoxicação, embora isso possa
teoricamente ocorrer caso sejam consumidos
em grandes quantidades. Além disso, há alguns
estudos que sugerem que o consumo
moderado de tomatina traz benefícios para a
saúde. Quando o tomate amadurece, a
concentração deste alcaloide no fruto diminui
muito.
Os tomates cultivados atualmente variam
bastante no tamanho, indo dos pequenos
tomberries, com cerca de 5 mm de diâmetro, a
grandes tomates com mais de 10 cm de
diâmetro. Também variam muito na forma,
indo de tomates arredondados e lisos a
tomates ovalados, oblongos, angulosos,
tomates com formato de pera e tomates ocos
que lembram um pimentão ou pimento.
Quanto a cor, os tomates geralmente são
vermelhos quando maduros, mas há cultivares
com frutos amarelos, laranja, rosados, brancos,
creme, roxos e tomates que permanecem
verdes quando maduros, além de haver
tomates bicolores rajados.
A principal característica que varia nos
tomateiros é o hábito de crescimento, sendo
que uma parte das cultivares tem hábito
determinado, formando moitas e produzindo
todos os frutos em um curto período de
tempo, e outra parte das cultivares têm um
hábito indeterminado, com ramos que
continuam crescendo por vários metros, que
necessitam de tutoramento e que continuam
produzindo frutos enquanto a planta cresce (o
maior tomateiro que se tem registro alcançou
quase 20 m de comprimento). Além destes
dois hábitos principais, há também cultivares
com um hábito intermediário, crescendo mais
que os tomateiros de hábito determinado, e
que assim necessitam de tutoramento, mas
que apresentam um crescendo limitado. Outro
tipo são as cultivares anãs, que podem ser
consideradas como sendo do tipo
determinado, mas que têm a distinção de
serem plantas bastante pequenas.
Clima
Os tomateiros são cultivados no mundo todo,
mas não suportam extremos de temperatura,
ou seja, não crescem bem nem em baixas
temperaturas (temperaturas diurnas abaixo de
15°C), que prejudicam o crescimento da planta
e diminuem a taxa de germinação das
sementes, nem em altas temperaturas (acima
de 27°C), que podem prejudicar a formação
dos frutos. Geralmente o tomateiro cresce
melhor com temperaturas diurnas entre 20°C e
26°C, com uma variação de temperatura entre
o dia e a noite. Em regiões sujeitas a geadas e a
baixas temperaturas, os tomateiros costumam
ser cultivados dentro de estufas.
Quanto à umidade do ar, os tomateiros são
sujeitos a menos doenças quando cultivados
sob uma condição de baixa umidade do ar. Alta
umidade do ar favorece o surgimento de
doenças e pragas nas plantações de tomate.
Luminosidade
Os tomateiros geralmente crescem e
produzem melhor em condições de alta
luminosidade, com sol direto pelo menos
algumas horas por dia.
Solo
O tomateiro é tolerante quanto ao tipo de solo,
devendo-se apenas evitar solos argilosos com
tendência ao encharcamento.
Os melhores resultados são obtidos em um
solo bem drenado, fértil e rico em matéria
orgânica, com pH entre 5,5 e 7.
Atualmente o tomateiro é também muito
cultivado em estufas sem o uso de solo natural.
Por exemplo, é cultivado com o uso de solos
artificiais, sistemas hidropônicos e sistemas
aeropônicos.
Irrigação
Irrigue de forma a manter o solo sempre
úmido, mas sem que permaneça encharcado.
Plantio
As sementes de tomate podem ser semeadas
diretamente no local definitivo ou em
sementeiras, copos ou saquinhos de plástico
ou papel, com cerca de 10 cm de altura e 7 cm
de diâmetro. Coloque de duas a cinco
sementes em cada recipiente, a no máximo 1
cm de profundidade, deixando posteriormente
apenas uma ou duas plantas por recipiente,
mantendo as mudas que são mais vigorosas. O
transplante das mudas de tomate é realizado
quando as mudas atingem de 15 cm a 25 cm de
altura, e no transplante parte do caule pode
ser enterrado para propiciar o surgimento de
mais raízes.
O espaçamento recomendado varia
amplamente e depende da variedade cultivada
e das condições de cultivo. Em geral, as
cultivares de hábito indeterminado podem ser
cultivadas com um espaçamento de 50 cm a
1,6 m entre plantas, e as cultivares de hábito
determinado podem ser cultivadas com um
espaçamento de 50 cm a 1 m entre plantas.
Cultivares anãs podem ser plantadas com um
espaçamento de 30 cm entre as plantas.
Os tomateiros podem ser plantados em vasos,
jardineiras, cestas suspensas, sacos plásticos
com terra e outros tipos de recipientes, mas a
cultivar a ser plantada deve ser escolhida de
forma a adequar o tamanho da planta com o
tamanho do recipiente. Em vasos grandes é
possível plantar a maioria das cultivares, senão
todas, mas as plantas podem ter seu tamanho
e sua produtividade limitadas. Há cultivares de
porte anão que podem ser cultivadas até
mesmo em vasos relativamente pequenos, e
que além de produzir frutos, também são
bastante ornamentais.
Tratos culturais
Muitas cultivares de tomate apresentam
crescimento indeterminado e precisam ser
cultivadas com tutoramento. Isso pode ser
feito amarrando a planta a uma cerca, a varas
dispostas em X ou a um caramanchão, a cada
10 ou 15 dias. A altura mínima do suporte deve
ser de 1,5 m (geralmente é de mais de 2 m).
Nestas cultivares as flores e frutos surgem
continuamente ao longo do ramo, assim os
brotos laterais podem ser removidos das
plantas semanalmente, para manter um
crescimento linear até que a planta atinja a
altura máxima do suporte.
Para as cultivares que têm crescimento
determinado não há necessidade de
tutoramento, e os brotos laterais da planta não
devem ser retirados, pois são principalmente
os novos ramos que produzirão flores e frutos.
Estes tomateiros são mais compactos e são
bastante ramificados.
Para as cultivares que apresentam
características intermediárias entre os tipos de
crescimento determinado e os tipos de
crescimento indeterminado, também são
usados suportes.
Retire as plantas invasoras que estiverem
concorrendo por recursos e nutrientes.
Colheita
O início da colheita depende da cultivar de
tomate plantada e das condições de cultivo.
Geralmente a colheita dos tomates inicia-se
em 7 ou 8 semanas após o plantio para
cultivares de crescimento determinado, e de
10 a 16 semanas para cultivares de grande
porte.
Para a grande maioria das cultivares, os frutos
serão mais saborosos se colhidos quando estão
completamente maduros, visto que a
concentração de açúcares será maior se o fruto
permanecer na planta até sua completa
maduração. Em plantações comerciais os
tomates são colhidos quando bem
desenvolvidos mas ainda imaturos ou quase
maduros, dependendo da distância aos
mercados a que se destinam.
Tomateiros são plantas perenes de vida curta e
em condições adequadas podem produzir
frutos por alguns anos, embora essa não seja a
prática em plantações comerciais, onde os
tomateiros são cultivados apenas por alguns
meses.
22. Como Plantar Pepino
O pepino é uma planta trepadeira, cujos ramos
podem crescer de 1 a 3 m de comprimento.
Seus frutos são normalmente consumidos
ainda imaturos, crus ou em conservas.
Clima
O pepineiro prefere clima quente, crescendo
bem em locais com temperaturas entre 18°C e
30°C. Em regiões sujeitas a geadas e a baixas
temperaturas, o pepino pode ser cultivado
dentro de estufas. A planta não deve ser
cultivada em local exposto ao vento.
Luminosidade
O pepino cresce melhor em condições de alta
luminosidade, com luz solar direta pelo menos
algumas horas por dia.
Solo
Plante em solo rico em matéria orgânica, fértil
e bem drenado. Esta planta não precisa de um
solo rico em nitrogênio. O pH ideal do solo é de
5,5 a 6,8.
Irrigação
O pepineiro deve ser irrigado com a frequência
necessária para que suas raízes nunca fiquem
secas, porém sem que o solo fique encharcado.
Plantio
As sementes de pepino não germinam bem em
temperaturas abaixo de 20°C. Semeie de
preferência diretamente na horta, pois as
mudas não suportam bem o transplante.
Entretanto, se desejar ou for conveniente
(como por exemplo, se sua região tem invernos
frios e você deseja plantar no início da
primavera, quando ainda existe risco de baixas
temperaturas), as sementes podem ser
semeadas em vasos, saquinhos de plástico
para mudas ou copos feitos de papel jornal,
mantidos em locais aquecidos, e
posteriormente transplantadas com cuidado
para o local definitivo. As sementes podem ser
semeadas a 2 ou 3 cm de profundidade, e a
germinação leva de 5 a 15 dias.
O espaçamento indicado para o pepino pode
variar muito com a cultivar e o método de
cultivo. No cultivo tutorado, o espaçamento
geralmente pode ser de 60 cm a 1 m entre as
linhas de cultivo e 45 a 50 cm entre as plantas.
Para cultivo com as plantas crescendo
rasteiras, o espaçamento pode ser de 2 m
entre as linhas e de 75 cm a 1 m entre as
plantas. Para a produção de pepino destinado
a conservas, o espaçamento pode ser de 1 m a
1,2 m entre as linhas de cultivo e de 20 cm
entre as plantas.
É possível cultivar pepino em vasos que
tenham pelo menos 30 cm de diâmetro e
profundidade, mas a maioria das cultivares não
cresce e produz bem nestas condições.
Tratos culturais
O pepino pode ser cultivado como uma planta
rasteira ou pode ser tutorado, crescendo então
em uma cerca, uma treliça, um caramanchão,
etc. Existem algumas poucas cultivares que
formam moitas e não se espalham pelo
terreno.
As pontas das ramas principais podem ser
cortadas para promover uma maior
ramificação das plantas. Para plantas
tutoradas, isso só deve ser feito quando as
ramas atingem a altura total do suporte.
A maioria das cultivares necessita da presença
de abelhas para a polinização e consequente
formação dos frutos. Algumas poucas
cultivares são partenocárpicas, ou seja,
apresentam a formação do fruto sem que
tenha ocorrido a polinização. Estas cultivares
geralmente produzem apenas flores femininas,
mas ocasionalmente podem produzir algumas
flores masculinas, que podem ser retiradas.
Nestas cultivares a polinização deve ser
evitada, pois os frutos perdem qualidade se
produzirem sementes. Para isso, ou impeça as
abelhas de chegar às flores, por exemplo,
fazendo o cultivo dentro de uma estufa
fechada, ou não plante nas proximidades
outras cultivares de pepino.
Colheita
Geralmente a colheita dos pepinos inicia-se em
30 a 70 dias depois do plantio, dependendo da
cultivar, da finalidade (pepinos para conserva
são colhidos mais cedo) e das condições de
cultivo. A colheita dos frutos da maioria das
cultivares deve ser feita quando estes estão
bem desenvolvidos, mas antes que comecem a
amadurecer. O pepino destinado a conservas é
colhido ainda jovem, quando tem de 3 cm a 9
cm de comprimento. O pepineiro é uma planta
anual.
23. Como Plantar Batata
A batata, também conhecida como batata-
inglesa apesar de sua origem ser as regiões
andinas do Peru e da Bolívia, é um dos
principais alimentos de origem vegetal
cultivados no mundo, sendo apenas menos
cultivada que a cana-de-açúcar, o milho, o trigo
e o arroz.
A batata propriamente dita é um tubérculo, ou
seja, um órgão de armazenamento de
nutrientes desenvolvido nos rizomas da planta,
que por sua vez são caules que crescem abaixo
do solo. Estes tubérculos são ricos em amido,
contendo além dos carboidratos, uma
quantidade razoável de proteínas de alta
qualidade, potássio e algumas vitaminas.
Muito da má reputação atual da batata como
alimento se deve ao seu modo de preparo. Em
particular, seu uso em frituras, assados ou
produtos de panificação, com uma exposição
prolongada a altas temperaturas (>120°C), leva
ao surgimento de acrilamida, uma substância
com potencial cancerígeno. Batatas cozidas
não contêm acrilamida.
A batateira é uma planta que pode atingir de
30 cm a cerca de 1 m de altura. Suas flores
podem ser brancas, rosas ou violetas, seus
frutos têm 1 ou 2 cm de diâmetro e contêm
algumas centenas de sementes. Todas as
partes da planta contém alcaloides tóxicos,
principalmente solanina e chaconina, mas os
tubérculos normalmente contém uma
concentração muito menor do que os ramos,
folhas e frutos.
Atualmente há mais de quatro mil variedades
cultivadas de batata, com grande variação nos
tubérculos, principalmente de tamanho, forma,
cor interna e externa. A quantidade de
solanina e chaconina também pode variar
bastante, com algumas cultivares contendo
muito pouco destes alcaloides a cultivares
contendo o suficiente para serem amargas e
potencialmente tóxicas. A maioria das
cultivares apresenta uma concentração de
alcaloides abaixo de 200 mg/Kg, e são assim
consideradas seguras para o consumo.
Clima
A batata cresce melhor em clima ameno, sendo
que a temperatura ideal para o cultivo situa-se
entre 15°C e 25°C. Quando a temperatura do
solo ultrapassa 27°C, a formação dos
tubérculos é inibida.
Luminosidade
A batateira necessita de boa luminosidade para
crescer bem, com pelo menos algumas horas
de luz solar direta diariamente. Em regiões de
clima quente, a batata pode ser cultivada com
sombra parcial.
Solo
Plante a batata em solo bem drenado, sem
pedras e outros detritos, fértil, rico em matéria
orgânica e rico em nitrogênio. Solos argilosos
pesados são menos adequados para o cultivo.
O pH ideal do solo situa-se entre 5 e 6, mas a
batateira é bastante tolerante quanto ao pH do
solo.
Irrigação
Irrigue de forma a manter o solo sempre
levemente úmido. O excesso de água facilita o
surgimento de doenças na plantação.
Suspenda a irrigação nas duas últimas semanas
antes da colheita.
Plantio
Plantações comerciais fazem o plantio de
batata com as assim chamadas batatas-
sementes certificadas, que tradicionalmente
são batatas cultivadas em regiões livres de
doenças que afligem a batateira. Geralmente
essas regiões são sujeitas a invernos rigorosos,
onde o solo congela no inverno, matando
insetos vetores de viroses e patógenos que
causam doenças. Atualmente as batatas-
sementes certificadas também podem ser
obtidas de plantas cultivadas com técnicas
modernas em ambiente controlado.
Em hortas domésticas o plantio pode ser
realizado com batatas que não apresentam
sinais de doenças. O ideal é deixar as batatas
em ambiente bem iluminado até que os brotos
(ou rebentos) cresçam (cada olho do tubérculo
produz um broto ou rebento). As batatas
podem ser plantadas quando os brotos
atingem aproximadamente 2 cm de
comprimento.
É possível utilizar tanto batatas grandes
cortadas quanto batatas de qualquer tamanho
inteiras. Batatas grandes podem ser cortadas
para produzir mais plantas, bastando deixar
pelo menos dois olhos ou brotos por pedaço.
Os pedaços devem ser deixados em ambiente
arejado ao menos por um dia para que as
superfícies dos cortes sequem antes do plantio.
Algumas cultivares de batata podem também
ser cultivadas a partir de sementes retiradas do
fruto da batateira, que são plantadas em
sementeiras e posteriormente transplantadas
quando têm pelo menos 4 folhas. Plantas
originadas por sementes demoram mais pra
crescer e produzir, além de não apresentarem
a uniformidade obtida pelo plantio de
tubérculos, razão pela qual o plantio por
sementes é normalmente utilizado somente
para a obtenção de novas variedades.
Batatas podem ser cultivadas em vasos, sacos e
recipientes, desde que estes tenham pelo
menos 30 cm de largura e de profundidade,
que é o espaço mínimo recomendado para o
plantio de uma única batata-semente.
Tratos culturais
O principal cuidado é não permitir que os
tubérculos da planta (as batatas que serão
colhidas) fiquem expostos à luz solar. Isso deixa
as partes expostas da batata com uma cor
esverdeada por causa da produção de clorofila
e induz a produção de alcaloides tóxicos.
Assim, amontoe terra junto aos pés das
batateiras a cada 30 dias, mantenha o solo com
uma boa camada de cobertura morta ou cubra
o solo com um plástico preto opaco desde o
início do plantio.
Retire plantas invasoras que estejam
concorrendo por nutrientes e recursos.
Colheita
As batatas podem ser colhidas quando as
ramas estão amareladas e os tubérculos estão
se soltando com facilidade. Deixar a planta
secar antes de iniciar a colheita permite que as
batatas fiquem armazenadas por um período
maior, mas é necessário que o solo não esteja
úmido. A batata pode estar pronta para ser
colhida de 75 dias a 180 dias (na maioria das
vezes, 100 a 150 dias), dependendo da cultivar,
do clima e de outros fatores regionais.
A batateira é uma planta tóxica e suas ramas,
folhas e frutos não devem ser utilizados na
alimentação humana ou de animais. Batatas
esverdeadas podem ainda ser consumidas se
um bom pedaço da parte que estiver verde for
descartado, mas é preferível descartar a batata
inteira ou usá-la como batata-semente.
24. Como Plantar Salsa
A salsa ou salsinha é uma planta cultivada
desde a antiguidade, e é atualmente a erva
culinária mais utilizada no ocidente. Apesar de
ser mais conhecida como uma erva de folhas,
também há uma variedade que produz grossas
raízes semelhantes a cenouras ou pastinacas,
de cor branca e sabor forte, e que podem ser
consumidas cruas ou cozidas. As variedades de
folhas podem apresentar folhas lisas e folhas
crespas.
As folhas da salsa contêm grande quantidade
de ácido oxálico e assim não devem ser
consumidas em grande quantidade. Mulheres
grávidas também devem evitar um consumo
excessivo de salsa, sendo que é considerado
seguro o consumo nas quantidades
normalmente utilizadas na culinária.
Petroselinum crispum var. crispum – salsa de
folhas crespas
Petroselinum crispum var. neapolitanum –
salsa de folhas lisas
Petroselinum crispum var. tuberosum – salsa
de raiz
Clima
A salsa ou salsinha pode ser cultivada em uma
variedade de climas, embora cresça melhor se
cultivada em regiões de clima ameno, com
temperaturas entre 10ºC e 22°C.
Luminosidade
A salsa pode ser cultivada em lugares
ensolarados ou em sombra parcial com alta
luminosidade. Em regiões de clima quente,
cultive em locais frescos e bem iluminados,
mas sem que fique exposta a luz solar direta
nas horas mais quentes do dia.
Solo
Cultive a salsa de preferência em solo bem
drenado, fértil, rico em matéria orgânica, com
pH entre 5,8 e 7,2. Contudo, a salsa é uma
planta rústica, que tolera bem várias condições
de solo, crescendo mesmo em solos pouco
férteis.
Irrigação
Irrigue de forma a manter o solo sempre
úmido, sem que fique encharcado.
Plantio
As sementes de salsa podem tomar um longo
tempo para germinar, variando de 2 a 6
semanas. Deixar as sementes de molho em
água morna por um dia pode apressar a
germinação. Semeie as sementes no local
definitivo na horta.
A salsa pode ser cultivada em vasos e
jardineiras, porém vasos muito pequenos
limitam muito o crescimento da planta e a
duração de sua vida, que pode atingir até 80
cm de altura na floração e cuja raiz pode
ultrapassar a 50 cm de profundidade. Portanto,
para obter um bom desenvolvimento, os vasos
e jardineiras utilizados devem ter pelo menos
30 cm de profundidade e diâmetro.
Tratos culturais
Retire plantas invasoras que estejam
competindo por recursos e nutrientes.
Colheita
A colheita das folhas da salsa pode começar de
60 a 90 dias depois do plantio, quando a planta
tem aproximadamente 12 a 16 cm de altura.
Colha as folhas mais externas inteiras, ou seja,
com o pecíolo (o talo da folha), e procure não
retirar mais do que um terço das folhas. A salsa
ou salsinha é uma planta bienal.
25. Como Plantar Beterraba
A beterraba olerácea é uma planta cultivada
para o consumo de sua raiz primária e de suas
folhas, que são muito nutritivas. A maioria das
cultivares têm raízes de cor vermelha ou
vermelha-arroxeada, mas também há
cultivares amarelas, alaranjadas e brancas. Das
cultivares avermelhadas também é extraída a
substância betanina, utilizada como um
corante vermelho para alimentos (é o corante
E-162 encontrado em alguns alimentos
industrializados, como alguns molhos de
tomate e sorvetes).
A beterraba olerácea, originou-se da espécie
selvagem conhecida como beterraba-marítima
ou beterraba-do-mar, que como o nome
indica, é encontrada em regiões litorâneas da
Europa, norte da África, sul da Ásia e nos
arquipélagos da Madeira e Açores. Outras
plantas cultivadas com o mesmo ancestral
selvagem são a beterraba-açucareira, a
beterraba-forrageira e a acelga.
A beterraba-açucareira é cultivada para a
extração de sacarose (o açúcar comum) ou
para a produção de álcool. Sua raiz primária,
que armazena o açúcar produzido nas folhas, é
geralmente maior e mais longa que a raiz da
beterraba olerácea, e pode ser branca ou
amarelada.
A beterraba-forrageira é cultivada
principalmente para fornecer alimento para o
gado, mas também pode ser consumida por
humanos, especialmente se colhida ainda
jovem. São geralmente plantas maiores que as
cultivares oleráceas e suas raízes também
podem ser brancas, amarelas, alaranjadas ou
vermelhas.
As beterrabas são plantas bienais, florescendo
normalmente no segundo ano, embora não
floresçam se não há um período de baixas
temperaturas no inverno e um verão com dias
longos.
Clima
Cresce melhor em clima ameno (temperatura
entre 10°C e 24°C). Há cultivares que crescem
bem em temperaturas mais altas, mas muitas
cultivares, especialmente cultivares de
beterrabas açucareiras e forrageiras, não
crescem bem em climas mais quentes. Por
outro lado, plantas bem desenvolvidas podem
suportar baixas temperaturas e geadas.
Luminosidade
A beterraba necessita de boa luminosidade,
com pelo menos algumas horas de sol direto
diariamente.
Solo
A beterraba precisa de solo bem drenado,
profundo, leve, sem pedras e outros detritos,
fértil, rico em matéria orgânica e com pH entre
6 e 7,5. Em particular, o solo deve ser rico em
boro para que as plantas cresçam melhor, de
forma que este deve ser adicionado, se
necessário, usando adubos que contêm boro
ou adicionando bórax ao solo.
Irrigação
Irrigue com a frequência necessária pra que o
solo fique sempre úmido, mas sem que
permaneça encharcado.
Plantio
O que se planta são os glomérulos de frutos,
cada um contendo algumas sementes, de
forma que é necessário retirar o excesso de
plantas quando as mudas estão com 5 a 10 cm
de altura. Semeie a uma profundidade de
aproximadamente 1 cm no solo,
preferencialmente diretamente no local
definitivo da horta, pois as mudas de beterraba
podem facilmente sofrer danos. Ainda assim, é
possível semear em sementeiras e outros
recipientes. O transplante das mudas para a
horta deve então ser realizado quando atingem
aproximadamente 5 cm de altura, sendo que o
transplante deve ser feito com cuidado para
não danificar as raízes das mudas. A
germinação das sementes geralmente leva de
uma a três semanas, dependendo das
condições ambientais.
O espaçamento recomendado para as
cultivares oleráceas de beterraba pode ser de
30 cm entre as linhas de plantio e 5 a 10 cm
entre as plantas. Para as cultivares açucareiras,
o espaçamento pode ser de 30 a 60 cm entre
as linhas e 15 a 30 cm entre as plantas. Para a
beterraba-forrageira, o espaçamento pode
variar entre 40 e 100 cm entre as linhas e 15 a
60 cm entre as plantas, dependendo do
tamanho da cultivar.
Tratos culturais
Retire as plantas invasoras que estiverem
concorrendo por recursos e nutrientes.
Não deixe as raízes ficarem expostas, pois elas
podem endurecer. Cubra as raízes que ficarem
expostas com terra ou palha.
Colheita
A colheita das beterrabas oleráceas inicia-se
em 60 a 90 dias depois da semeadura. A
colheita não deve ser muito atrasada, pois as
raízes podem se tornar fibrosas.
A colheita da beterraba-açucareira ocorre de 4
a 6 meses após o plantio.
26. Como Plantar Berinjela
A berinjela é uma planta cuja origem é
disputada, tendo sido cultivada na Índia e no
sul da China por pelo menos dois mil anos. Há
um grande número de cultivares, com plantas
que podem atingir de 40 cm a mais de dois
metros de altura, e seus frutos podem ter
diversos tamanhos, formatos e cores, embora
os mais cultivados sejam roxo-escuros. O fruto
é a única parte comestível da planta, pois suas
folhas e flores contêm o alcaloide tóxico
solanina.
Clima
A berinjela é uma planta tropical que necessita
de temperaturas acima de 20°C para se
desenvolver bem. Em regiões de clima quente
pode ser cultivada o ano todo. Em regiões
onde o inverno apresenta baixas temperaturas,
pode ser cultivada nos meses mais quentes do
ano. O cultivo em estufas agrícolas é indicado
para regiões onde a temperatura pode cair
abaixo dos 13°C durante o período de cultivo.
Chuvas durante o período de floração podem
prejudicar a polinização e afetar a
produtividade.
Luminosidade
Esta planta necessita de alta luminosidade,
com pelo menos algumas horas de sol direto
diariamente.
Solo
O solo deve ser bem drenado, fértil, com boa
disponibilidade de nitrogênio, rico em matéria
orgânica, com pH entre 5,5 e 6,8.
Irrigação
Irrigue com frequência para que o solo seja
mantido úmido, porém sem que permaneça
encharcado.
Plantio
As sementes podem ser deixadas na água por
um dia para facilitar a germinação. Semeie as
sementes na superfície do solo, podendo cobri-
las com uma leve camada de terra peneirada
ou serragem fina. As sementes podem ser
semeadas em sementeiras, saquinhos de
plástico ou copinhos de papel, realizando o
transplante das mudas de berinjela quando
estas estão com 8 a 10 cm de altura. A
germinação das sementes geralmente ocorre
em uma ou duas semanas.
O espaçamento ideal varia com o porte da
cultivar e o clima da região (maior em clima
mais quente, ligeiramente menor em clima
mais ameno), podendo variar de 60 cm a 1 m
entre as linhas de plantio e de 50 cm a 1 m
entre as plantas.
É possível cultivar em vasos grandes as
cultivares de berinjela mais comuns, mas as
cultivares que apresentam plantas de pequeno
porte são as mais recomendadas para o cultivo
em vasos.
Tratos culturais
Dependendo do porte da cultivar e do
tamanho dos frutos, a berinjela pode precisar
de tutoramento para que a planta ou seus
ramos não tombem. As plantas podem ser
amarradas com cuidado a estacas verticais ou
podem ser usados outros suportes, como por
exemplo, suportes circulares de arame
apropriados para este fim.
Retire as ervas invasoras que estiverem
concorrendo por recursos e nutrientes.
Colheita
A colheita das berinjelas inicia-se de três a seis
meses após o plantio, dependendo da cultivar
e das condições de cultivo. Os frutos são
colhidos quando estão bem desenvolvidos,
lustrosos, lisos e com cor brilhante, antes de se
tornarem opacos e começarem a enrugar,
ocasião em que suas sementes começam a
endurecer e a escurecer. Os frutos devem ser
manuseados com cuidado para não sofrerem
ferimentos que podem apressar muito sua
deterioração.
A berinjela é uma planta cultivada geralmente
como anual, no entanto é uma perene de vida
curta em regiões de clima quente e pode
produzir por alguns anos, embora a produção
seja maior no primeiro ano.
27. Como Plantar Manjericão
O manjericão ou basílico é uma planta anual
que atinge de 30 cm a mais de 1,5 m de altura.
Cultivado desde a remota antiguidade, o
manjericão apresenta atualmente mais de uma
centena de cultivares, e suas folhas são
utilizadas como erva culinária, especialmente
na cozinha italiana e na de vários países do sul
da Ásia.
Clima
O manjericão é uma planta que cresce melhor
em temperaturas acima de 18°C. A planta não
suporta baixas temperaturas, devendo ser
cultivada dentro de estufas em regiões de
clima frio, ou apenas durante os meses do ano
em que as temperaturas não descem abaixo de
15°C. Em regiões de clima quente o manjericão
pode ser cultivado durante todo o ano.
Luminosidade
O manjericão necessita de alta luminosidade e
deve receber luz solar direta ao menos por
algumas horas diariamente.
Solo
O solo deve ser bem drenado, leve, fértil, rico
em matéria orgânica. A planta é bastante
tolerante quanto ao pH do solo, e apenas solos
muito ácidos são inadequados.
Irrigação
Irrigue com frequência para que o solo seja
mantido levemente úmido. Tanto a falta
quanto o excesso de água prejudicam o
manjericão.
Plantio
As sementes podem ser semeadas diretamente
no local definitivo da horta, especialmente em
regiões de clima quente. Também pode ser
semeadas em sementeiras, pequenos vasos ou
copinhos feitos de papel jornal com
aproximadamente 10 cm de altura por 5 cm de
diâmetro. Neste caso, as mudas de manjericão
são transplantadas quando têm 6 folhas
definitivas e cerca de 10 a 15 cm de altura.
O manjericão pode ser cultivado facilmente em
jardineiras e vasos de tamanho médio ou
grande, embora geralmente cresça menos. No
solo e em boas condições de cultivo, algumas
cultivares de manjericão podem ultrapassar a 1
metro de altura. Assim, para plantio em vasos
e jardineiras, dê preferência a cultivares de
menor porte, ainda que seja possível plantar
qualquer uma das cultivares disponíveis.
Tratos culturais
Retire plantas invasoras que estejam
concorrendo por nutrientes e recursos.
Eliminar as flores pode favorecer o crescimento
de mais folhas.
Colheita
A colheita das folhas pode começar quando a
planta estiver bem desenvolvida, o que
geralmente ocorre de 60 a 90 dias após a
semeadura. As flores também são comestíveis.
28. Como Plantar Pimenta
Há mais de vinte espécies de pimentas no
gênero Capsicum, mas apenas cinco espécies
são normalmente cultivadas. Seus frutos de
sabor picante são muito apreciados na
culinária de várias regiões do mundo, mas nem
todas as cultivares produzem as substâncias
que geram a sensação de ardência ou as
produzem em quantidade suficiente para
deixar o fruto picante. Os cultivares destas
espécies cujos frutos não são picantes, são
conhecidos como pimentas doces, que apesar
do nome, não têm necessariamente um sabor
adocicado, apenas não têm um sabor picante.
Os pimentões ou pimentos são pimentas doces
de um grupo de cultivares de uma destas
espécies de pimenta. A pimenta também é
muito usada para fins medicinais e há muitas
cultivares de pimenta que são cultivadas como
plantas ornamentais.
A capsaicina e algumas outras substâncias
relacionadas denominadas capsaicinoides são
as responsáveis pela ardência destas pimentas.
Estas substâncias, que estão presentes apenas
nos frutos e não estão presentes dentro das
sementes, ativam sensores nervosos sensíveis
ao calor e a abrasão, daí surgindo a sensação
de ardência, sem provocar qualquer real
queimadura no corpo. Em quantidades
moderadas, sua ingestão pode levar a uma
sensação de bem-estar, graças às endorfinas
produzidas pelo sistema nervoso central como
resposta ao estímulo gerado pela presença
destas substâncias. Mas a pimenta também
pode facilmente produzir sensações muito
desagradáveis, tanto quando ingeridas quanto
quando manuseadas. Beber leite ou lavar o
local com leite é uma maneira efetiva de aliviar
a ardência exagerada. Ingeridas em
quantidade, as pimentas podem provocar
problemas de saúde, como náuseas, dor
abdominal e diarreia.
A concentração de capsaicina e outros
capsaicinoides no fruto é um dos fatores que
determina sua ardência. Outro fator é quais
destas substâncias estão presentes no fruto.
Cada uma destas substâncias provoca um
efeito e uma sensação de ardência
ligeiramente diferentes (há 14 alcaloides
capsaicinoides conhecidos, incluindo a
capsaicina, que é a mais comum). Assim as
cultivares de pimenta podem ser mais ou
menos picantes, e mesmo pimentas diferentes
que estão na mesma escala de ardência podem
produzir sensações diferentes, dependendo de
quais destes alcaloides estão presentes e quais
suas respectivas concentrações.
Uma graduação de ardência das pimentas é
dada pela escala de Scoville. Primeiramente
era uma escala subjetiva, onde determinada
quantidade de extrato de alguma pimenta era
diluída em quantidades cada vez maiores de
água e açúcar até que algumas pessoas não
pudessem mais detectar a ardência da solução.
A quantidade de água necessária até que a
solução não fosse mais descrita como picante
pelos provadores dava a quantidade de
unidades de scoville da cultivar de pimenta
testada. Por exemplo, se o extrato precisasse
ser diluído em 10.000 partes de água, a
pimenta em questão era dita ter um “grau de
calor” ou uma ardência de 10.000 unidades de
calor de scoville. Atualmente é utilizada a
cromatografia líquida de alta eficiência para a
determinação das concentrações de
capsaicinoides presentes nos extratos das
pimentas e a graduação é dada pelas unidades
de pungência da American Spice Trade
Association (ASTA), embora estas possam ser
convertidas para as unidades de calor de
scoville (1 unidade de pungência da ASTA
multiplicada por 15 é uma unidade de calor de
scoville).
Uma importante observação a ser feita sobre
qualquer escala de ardência de pimentas é que
os valores apresentados para cada cultivar são
valores médios obtidos a partir de algumas
amostras. Fatores ambientais e de cultivo
influenciam a quantidade de capsaicinoides
presentes nos frutos, de forma que o real grau
de ardência de uma nova amostra de pimenta
pode ser tanto maior quanto menor que o
valor encontrado nas tabelas para aquela
determinada cultivar.
Espécies mais cultivadas de pimenta
Capsicum annuum - Esta é a espécie de
pimenta mais cultivada no mundo. Suas flores
são brancas (algumas poucas cultivares têm
flores roxas) e há apenas uma flor por nó. Os
pimentões ou pimentos são um grupo de
cultivares desta espécie que não produzem
capsaicinoides nos frutos. Há um grande
número de cultivares desta espécie, e alguns
dos grupos mais famosos são, além dos
pimentões ou pimentos, a pimenta-de-caiena,
a jalapenho ou jalapeño, a pimenta-banana, a
pimenta-thai, a ancho, a chiltepin, a guajillo, a
cascabel, a shishito ou pimenta-japonesa, a
peperoncino ou peperoncini, a Peter pepper, a
serrano e a mulato.
Capsicum baccatum - Uma característica que
distingui esta espécie facilmente das outras é
que suas flores são brancas, mas as pétalas
têm manchas amareladas ou esverdeadas.
Inclui entre outras, a pimenta-dedo-de-moça, a
pimenta-cumari, a pimenta-cambuci ou
pimenta-chapéu-de-bispo, a pimenta-pitanga e
a Lemon drop.
Capsicum chinense - apesar do nome científico,
também é nativa do continente americano
(originária da Bacia Amazônica). Os frutos
normalmente têm um aroma característico, há
duas ou mais flores brancas por nó, sendo que
as anteras das flores são roxas. São desta
espécie as pimentas mais picantes conhecidas.
Inclui a pimenta-murupi, a pimenta-de-cheiro,
a pimenta-de-bode, a pimenta-biquinho e as
pimentas Habanero, Bhut Jolokia, Carolina
Reaper, Trinidad Scorpion, Scotch bonnet e
Fatalii.
Capsicum frutescens - Os frutos desta espécie
crescem tipicamente eretos (porém há
pimenteiras de outras espécies que também
têm frutos que não são pendentes, crescendo
eretos). Há duas ou mais flores por nó e as
flores são branco-esverdeadas ou amarelo-
esverdeadas, com anteras roxas ou azuladas.
Inclui a pimenta-malagueta e a tabasco.
Capsicum pubescens – é a espécie mais
diferente, as folhas são pubescentes (têm
pelos) e suas sementes são escuras. Suas flores
são roxas. É considerada uma pimenta mais
difícil de cultivar. Inclui as pimentas Rocoto e
Manzano.
Algumas outras espécies de pimenta são por
vezes cultivadas também, mas este cultivo é
geralmente restrito a alguns poucos locais do
continente americano onde estas plantas são
nativas.
Clima
A faixa de temperaturas que vai de 16°C a 35°C
é adequada para a maioria das espécies e
cultivares. A maioria destas pimenteiras são
plantas tropicais ou subtropicais e crescem
melhor em clima quente, mas as pimenteiras
da espécie Capsicum pubescens e algumas
cultivares de outras espécies que são
adaptadas a regiões de clima mais ameno,
crescem melhor em temperaturas abaixo de
26°C. Nenhuma destas plantas pode suportar
geadas e longos períodos de baixas
temperaturas.
Luminosidade
A pimenteira cresce melhor em condições de
alta luminosidade, com sol direto. Em locais
muito quentes pode ser benéfico prover
sombra parcial nas horas mais quentes do dia.
Solo
O ideal é que o solo seja leve, bem drenado,
fértil e rico em matéria orgânica. Quanto ao pH
do solo, as pimenteiras geralmente toleram um
pH entre 4,5 e 8, mas o ideal é um pH entre 5,5
e 7.
Irrigação
A pimenteira deve ser irrigada com frequência
para manter o solo úmido, mas este nunca
deve permanecer encharcado.
Plantio
As sementes de pimenta podem ser semeadas
diretamente no local definitivo, mas o mais
comum é semear em sementeiras, copos ou
saquinhos de plástico ou papel. As sementes
devem ficar a aproximadamente 0,5 cm de
profundidade no solo. As sementes também
podem ser colocadas sobre papel mata-borrão
ou outro papel absorvente, mantido sempre
umedecido e em local aquecido, até a
germinação, quando são então transferidas
com cuidado para o solo e cobertas com uma
leve camada de terra solta. No solo as
sementes germinam geralmente em 1 ou 2
semanas com temperaturas por volta de 28°C a
30°C, mas as sementes podem apresentar
dormência e podem levar um longo tempo
para germinar, especialmente se a
temperatura estiver amena (menor que 20°C).
O transplante para o local definitivo é feito
quando as mudas atingem de 8 a 10 cm de
altura.
O espaçamento recomendado varia com o
porte da pimenteira e com as condições de
cultivo. Geralmente o espaçamento adequado
se encontra entre 20 cm e 60 cm entre as
plantas, com linhas de cultivo espaçadas de 60
cm a 120 cm.
A pimenta pode ser cultivada facilmente em
vasos, mas estes devem ter um tamanho
apropriado ao porte da pimenteira que será
cultivada.
Tratos culturais
Retire as ervas invasoras que estiverem
concorrendo por recursos e nutrientes.
Algumas cultivares precisam de tutoramento
para as plantas não tombarem. Neste caso,
amarre as plantas a estacas de madeira, mas
sem restringir o crescimento dos caules.
Quando colhendo ou manuseando os frutos
das cultivares que são picantes, é muito
importante usar luvas. Se pimentas picantes
forem manuseadas sem luvas, não toque nos
olhos, nariz, boca ou outras partes do corpo
sem antes limpar muito bem as mãos. Água
não é eficiente para retirar a capsaicina da
pele, pois esta substância não é solúvel em
água. Contudo, é solúvel em álcool e em óleo.
Colheita
A colheita das pimentas inicia-se geralmente
de 80 a 150 dias após a semeadura,
dependendo da cultivar e das condições de
cultivo. Os frutos podem ser colhidos verdes ou
maduros.
A pimenteira é uma planta cultivada
geralmente como anual, mas é uma perene de
vida curta e em condições adequadas pode
produzir bem por alguns anos.
29. Como Plantar Milho
O milho é uma planta cultivada bastante
diferente das plantas selvagens das quais se
originou, chamadas de teosintos. Com muitas
cultivares e híbridos, a planta pode atingir de
70 cm a 2,5 m de altura, ter um ciclo de vida de
3 meses a 10 meses, e ter grãos apropriados
para fins bastantes específicos, como por
exemplo farinha ou pipoca, ou para ser
utilizado como milho verde, isto é, com seus
grãos ainda bem hidratados.
Clima
O milho pode ser cultivado em diversas regiões
climáticas, existindo cultivares adaptadas a
diferentes condições de temperatura e
umidade. No entanto, o milho não suporta
baixas temperaturas. A temperatura mínima
durante seu ciclo de vida deve ser de 13°C,
sendo o ideal pelo menos 16°C. Por outro lado,
em clima muito quente e seco a polinização
pode ser prejudicada.
Luminosidade
O milho necessita de alta luminosidade e deve
receber luz solar direta ao menos por algumas
horas diariamente.
Solo
O solo deve ser bem drenado, fértil, rico em
matéria orgânica e com boa disponibilidade de
nitrogênio. O pH ideal do solo é de 5,5 a 6,8.
Irrigação
Irrigue com a frequência necessária para que o
solo seja mantido úmido, mas sem que
permaneça encharcado. O milho tem raízes
relativamente superficiais e pode ser muito
sensível à falta de água durante seu
crescimento. Quando as espigas estão bem
desenvolvidas, a irrigação não é mais
necessária.
Plantio
As sementes geralmente são semeadas
diretamente no local definitivo da horta ou
plantação, mas também podem ser semeadas
em sementeiras e transplantadas quando
preenchem os módulos com suas raízes, ou em
copinhos feitos de papel jornal, fazendo então
o transplante quando as mudas têm de 8 a 10
cm de altura.
O espaçamento entre as plantas varia
conforme a cultivar e as condições locais de
cultivo, mas geralmente pode ser usado um
espaçamento de 1 metro entre as linhas de
plantio e 20 cm entre as plantas. Para
cultivares de menor porte, o espaçamento
pode ser de 80 cm entre as linhas e 20 cm
entre as plantas. Para cultivo em pequena
escala, é possível usar um espaçamento
simples entre as plantas, podendo ser de 30 cm
entre as plantas de cultivares de maior porte e
20 cm entre plantas de cultivares de menor
porte.
O milho também pode ser cultivado em vasos
grandes. Em um vaso com 50 cm de diâmetro é
possível plantar três sementes, formando um
triângulo. Em vasos um pouco menores plante
apenas uma ou duas sementes. É importante
ter um total de pelo menos quatro plantas para
promover uma boa polinização, sendo que o
ideal é ter pelo menos 9 plantas. E manter as
plantas formando um quadrado é melhor do
que manter as plantas formando uma linha.
Tudo isto porque o milho é polinizado pelo
vento e não por insetos, assim uma plantação
compacta tem uma probabilidade maior de
conseguir uma boa polinização que uma
plantação linear ou uma plantação com plantas
mais dispersas.
Outro fator importante é não plantar duas
cultivares de milho que florescerão na mesma
época no mesmo local. Cultivares diferentes
devem permanecer a pelo menos 400 metros
de distância umas das outras. Ao contrário de
um fruto, como por exemplo o tomate, que
sempre tem as características fenotípicas da
cultivar de sua planta, o grão de milho tem as
características fenotípicas determinadas pela
fecundação que o gera, podendo ser muito
diferente das características fenotípicas da
cultivar de sua planta mãe. Por este motivo, é
possível encontrar espigas de milho que
possuem grãos de várias cores diferentes na
mesma espiga.
Tratos culturais
O controle de plantas invasoras deve ser
realizado com algum cuidado, uma vez que as
raízes do milho são superficiais e podem ser
facilmente danificadas.
O milho é exigente em nutrientes. Em geral são
necessárias adubações durante seu ciclo de
cultivo. Se as plantas apresentam folhas ainda
jovens que estão perdendo o vigor de sua cor,
é sinal de que é necessária uma nova
adubação.
Colheita
A época da colheita varia amplamente, e
depende da cultivar ou do híbrido de milho
que é plantado. Algumas cultivares são
precoces e outras tardias. Assim a colheita
pode acontecer em cerca de três meses ou
levar até dez meses.
Para uso como milho verde, as espigas são
colhidas quando bem desenvolvidas, mas antes
de começarem a desidratar. A espiga
geralmente estará no ponto de colheita
quando os estigmas (o cabelo da espiga de
milho) estiverem com uma cor marrom. A
colheita do milho para outros fins é realizada
somente quando as espigas estão bem secas.
As sementes de cultivares puras para um
futuro plantio devem ser escolhidas de espigas
de plantas que cresceram e produziram bem.
Separar sementes para o plantio depois que
todo o milho foi colhido é um procedimento
que deve ser evitado. A aparência do grão é
apenas um fator entre muitos para a escolha
de sementes. Fatores como vigor da planta,
resistência a doenças e produtividade são
igualmente importantes e não devem ser
negligenciados na escolha de grãos de milho
para uso como sementes. Já as sementes de
milho híbrido devem ser adquiridas de um
produtor qualificado a cada plantio, pois o
milho híbrido normalmente não mantém suas
qualidades a cada nova geração.
30. Como Plantar Pimentão
Os pimentões ou pimentos são um grupo de
cultivares de pimenta da espécie Capsicum
annuum, e são um tipo de pimenta doce, ou
seja, são pimentas que não têm capsaicina e
outros capsaicinoides nos frutos, que são as
substâncias que produzem a sensação de
ardência, e assim não são picantes (há pelo
menos uma exceção, a cultivar híbrida
‘Mexibelle’, cujos frutos contém capsaicina e
portanto são picantes).
Os frutos do pimentão ou pimento podem ser
colhidos ainda verdes ou podem ser colhidos
quando estão maduros. Na maioria das
cultivares, os pimentões são verdes quando
imaturos e quando maduros são vermelhos,
mas há cultivares com frutos maduros ou
imaturos de várias outras cores, incluindo
laranja, amarelo, marrom-chocolate, roxo e
branco. Por exemplo, na cultivar “Purple
Beauty”, o fruto começa verde, passa a ser
roxo e então quando amadurece se torna
vermelho. Um exemplo de cultivar cujos frutos
permanecem verdes mesmo quando maduros
é a cultivar ‘Permagreen’.
Os frutos também variam no formato e no
tamanho, havendo cultivares com frutos
menores ou maiores, e frutos mais quadrados,
mais retangulares ou mais cônicos.
Clima
O ideal é um clima quente e úmido, com
temperaturas entre 18°C e 30°C durante o dia e
uma temperatura alguns graus mais baixa
durante a noite. Apesar do pimentão crescer
melhor em clima quente, temperaturas acima
de 30°C podem reduzir o número e o tamanho
dos frutos. Em climas mais frios, o pimentão
pode ser cultivado nos meses mais quentes do
ano e também é muito comum seu cultivo em
estufas agrícolas.
Luminosidade
Cresce melhor em condições de alta
luminosidade, com sol direto. Em clima muito
quente, sombra parcial pode ser benéfica nas
horas mais quentes do dia.
Solo
O ideal é que o solo seja leve, profundo, bem
drenado, fértil e rico em matéria orgânica.
Quanto ao pH do solo, o ideal é um pH entre
5,5 e 7,5.
Irrigação
Irrigue quando necessário para manter o solo
sempre úmido, porém o solo não deve
permanecer encharcado.
Plantio
As sementes de pimentão podem ser
semeadas diretamente no local definitivo, mas
como as mudas são relativamente frágeis, é
recomendado o plantio em sementeiras, copos
ou saquinhos de plástico ou papel. As
sementes devem ficar a aproximadamente 0,5
cm de profundidade no solo e a germinação
geralmente ocorre em 1 a 3 semanas. O
transplante para o local definitivo é feito
quando as mudas de pimentão atingem
aproximadamente 10 cm de altura.
O espaçamento recomendado é de 60 a 120
cm entre as linhas de plantio e 40 a 60 cm
entre as plantas, variando com a cultivar e as
condições de cultivo.
O pimentão pode ser cultivado em vasos, mas
estes devem ter uma profundidade e um
diâmetro de pelo menos 35 cm para que as
plantas se desenvolvam bem.
Tratos culturais
Retire plantas invasoras que estiverem
concorrendo por recursos e nutrientes.
É recomendado fazer o tutoramento das
plantas para evitar que os frutos acabem
tocando o solo se as plantas ou seus ramos
tombarem. Uma opção é usar estacas com pelo
menos 1 m de altura e amarrar
cuidadosamente a planta à estaca, conforme a
planta for crescendo. Outra opção é o uso de
cercas de arame (espaldeiras).
Colheita
Geralmente a colheita dos pimentões inicia-se
em 12 a 16 semanas após o plantio, e pode se
prolongar por alguns meses. Os pimentões
podem ser colhidos quando estão bem
desenvolvidos, mas ainda verdes, ou quando
estão maduros.
Esta planta geralmente é cultivada como anual,
mas é uma perene de vida curta e em
condições adequadas pode produzir frutos por
alguns anos.