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Volume I

Apostila practa cfp volume 1.

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Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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MATERIAL

OFICIAL DE
ESTUDO PARA
O EXAME CFP®
NO BRASIL

Planejamento
Financeiro

Volume I

Capa_Volume_I.indd 1 12/12/2018 17:27:09


PLANEJAMENTO FINANCEIRO 1

Material oficial de
estudo para o exame
CFP® no Brasil:
planejamento financeiro

Volume I

Abertura_Volume_I.indd 1 12/12/2018 17:14:19


2 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Abertura_Volume_I.indd 2 12/12/2018 17:14:19


PLANEJAMENTO FINANCEIRO 3

Material oficial de estudo para o exame CFP® no Brasil:


planejamento financeiro

Volume I

Os componentes do volume sobre planejamento financeiro proporcionam ao


aluno uma introdução às informações e princípios básicos de planejamento
financeiro incluindo: o processo do planejamento financeiro, interações e
comportamento com o cliente, aplicação do conceito do valor do dinheiro
no tempo, referências práticas e éticas aplicáveis ao planejamento financeiro,
questões relativas a compliance, economia e ambiente regulatório.

Autores
PLANEJAR - Associação Brasileira de Planejadores Financeiros
PRACTA - Treinamento e Educação Financeira

Sirius - Comunicação

Abertura_Volume_I.indd 3 12/12/2018 17:14:19


4 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Planejamento financeiro é o
Volume I da coleção Material oficial de estudo
para o exame CFP® no Brasil, composta por
um total de seis volumes,
de autoria da PLANEJAR - Associação
Brasileira de Planejadores Financeiros e da
PRACTA - Treinamento e Educação Financeira.

Todos os direitos reservados.


A reprodução não autorizada desta obra,
no todo ou em parte, constitui violação de
direitos autorais (Lei 9.610/98)

Material oficial de estudo para


o exame CFP® no Brasil:
planejamento financeiro
possui o nº de registro
ISBN 336281
1ª edição: 2019

Projeto gráfico e capa: Sirius Comunicação


Imagem da capa: Istockphotos
Tipologia: Garamond e Frutiger
Papel miolo: Couche fosco 115gr
Papel capa: Triplex 250gr
Impressão: Vox Gráfica

Sirius Comunicação
Rua Bela Cintra, 200, cj 42
CEP 01415-000
São Paulo - SP
Brasil
Tel 011-3217.2727

Abertura_Volume_I.indd 4 12/12/2018 17:14:19


PLANEJAMENTO FINANCEIRO 5

Introdução
A CERTIFICAÇÃO CFP®
A Certificação CFP® (Certified Financial Planner) é uma certificação internacional de distinção
que qualifica o profissional para o exercício da atividade de planejador financeiro pessoal. No
Brasil, a entidade certificadora é a Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros,
afiliada ao FPSB Financial Planning Standards Board, entidade responsável pelo gerenciamento,
desenvolvimento e promoção da marca CFP® no mundo.
A Certificação CFP® no Brasil segue os padrões mundiais definidos pelo FPSB que visam
garantir ao público, acesso aos serviços de um profissional competente, ético e que possui
comprovada experiência prática na prestação de serviços de planejamento financeiro pessoal.

O PLANEJADOR FINANCEIRO CFP®


O planejamento financeiro pessoal completo abrange objetivos em diversas áreas, tendo
início em uma avaliação da situação atual do cliente e dos desafios para alcançar os objetivos
traçados. A orientação passa pela avaliação das despesas e receitas, do patrimônio (ativos e
passivos), do planejamento para a longevidade e aposentadoria, dos riscos pessoais e seguros,
pela melhoria na gestão tributária e de um plano para sucessão patrimonial, caso desejável.
O Planejador Financeiro avalia os objetivos, expectativas e necessidades de cada cliente
visando desenvolver, apresentar e executar estratégias de planejamento financeiro adequadas
ao perfil e necessidades do cliente.
O Planejador Financeiro deverá tratar das alternativas mais adequadas de investimentos
para alcançar os objetivos traçados, respeitando a legislação vigente para o exercício de
atividade regulada.
Para se tornar um planejador financeiro certificado, além de ser aprovado em exame
que testa seu conhecimento, o candidato deve comprovar experiência mínima de 1 ano, se
supervisionada, ou de 3 anos, se não supervisionada, no relacionamento direto com clientes
pessoas físicas. Deverá comprovar, também, formação acadêmica, e compromisso com a ética,
aderindo ao Código de Conduta Ética e Responsabilidade Profissional da PLANEJAR, adesão
que sujeita o profissional certificado aos princípios e regras ali previstos, o que dá proteção
adicional aos clientes, fortalecendo o valor da certificação para os profissionais certificados e o
reconhecimento da mesma junto aos principais reguladores brasileiros.

O MATERIAL DE ESTUDO
O Material de Estudos para o exame da Certificação CFP® é uma coleção de seis volumes
estruturado de acordo com o Programa Detalhado e desenvolvido conforme as Orientações de
Estudo, em parceria celebrada entre a Planejar e a Practa Treinamento e Educação Financeira.
• Volume I - Planejamento Financeiro
• Volume II - Gestão de Ativos e Investimentos
• Volume III - Planejamento da Aposentadoria
• Volume IV - Gestão de Riscos e Seguros

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6 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

• Volume V - Planejamento Fiscal


• Volume VI - Planejamento Sucessório

Nosso objetivo, com essa iniciativa, é permitir, a todos os candidatos, acesso a um conteúdo
padronizado e qualificado, além de economicamente viável. A PLANEJAR espera que os
profissionais se beneficiem desse recurso didático, colaborando para a conquista da aspirada
Certificação CFP®.
Estamos certos de que os profissionais que já atuam ou pretendem atuar como planejadores
financeiros encontrarão nesta obra conteúdo para apoiá-los na profissão.

AGRADECIMENTO AOS CONTEUDISTAS E REVISORES


O desenvolvimento dos seis volumes desta coleção contou com a colaboração de diversos
profissionais.

PLANEJAR PRACTA
Bruno Rodrigues Correa, CFP® Eliane Habib Tiburski, CFP®
Bruno Ferreira Souza, CFP® Evely Borges da Silveira
Eliane Tanabe, CFP® Gabriel Hernan Facal Villarreal
Fabiano Calil, CFP® Rosario G. V. Pujado, CFP®
Luciana Pantaroto, CFP®
Martin Casals Iglesias, CFP®
Marcia Belluzo Dessen, CFP®
Renato Roizenblit, CFP®
Ricardo Aguida Geraldes, CFP®
Sinara Polycarpo, CFP®

INFORMAMOS QUE AS QUESTÕES APRESENTADAS NESSE MATERIAL NÃO FAZEM PARTE DO EXAME DE CERTIFICAÇÃO
APLICADO PELA PLANEJAR, DEVENDO SERVIR APENAS COMO ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DOS CANDIDATOS.
EM HIPÓTESE ALGUMA A SUA UTILIZAÇÃO É GARANTIA DE APROVAÇÃO NO EXAME, UMA VEZ QUE APENAS SERVE
COMO COMPLEMENTO AO ESTUDO, SENDO FACULTADO AO CANDIDATO ANALISAR A VIABILIDADE DE SEU USO,
COMO TAL INFORMADO. AS QUESTÕES APRESENTADAS NESTE MATERIAL FORAM DESENVOLVIDAS PELOS AUTORES
(PRACTA) ESPECIFICAMENTE PARA FINALIDADE DE APOIO. PORTANTO, NÃO É GARANTIDA A APROVAÇÃO OU QUE
AS QUESTÕES SERÃO APRESENTADAS DA MESMA FORMA NO EXAME. A PLANEJAR RESERVA-SE O DIREITO DE
APRESENTAR QUESTÕES NO EXAME DE CERTIFICAÇÃO CFP® DE FORMA DISTINTA

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 7

Prefácio
Alfredo Setúbal
No ano de 2003 a ANBID – Associação Nacional dos Bancos de Investimento (atual
ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) estava
muito engajada nos processos de Auto-Regulação das atividades do mercado de capitais e
na certificação dos profissionais que atendiam clientes das agências (CPA10), Private Banks e
institucionais (CPA20).

Na época, como Presidente da ANBID, fui procurado por Louis Frankenberg e Ulf Mannhardt,
à época responsáveis pelo IBCPF – Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros,
que, ao me apresentarem a certificação CFP® sensibilizaram-me sobre o potencial que referida
certificação tinha para a qualificação de profissionais que atendiam pessoas e famílias no Brasil.
Naquela momento o IBCPF passava por muitas dificuldades para manter seu projeto e, portanto,
o crescimento da certificação.

Após algumas discussões na Diretoria da ANBID, entendemos que fazia todo o sentido
assumirmos o IBCPF, já que a ANBID tinha o reconhecimento do mercado de capitais e
autoridades regulatórias (CVM e Bacen) como referência em certificações e Auto-Regulação,
e o CFP® fortaleceria e daria nova dinâmica para o nosso programa de certificações,
ratificando a condição da ANBID de agente de transformação e desenvolvimento do Mercado
de Capitais no Brasil.
Assim, sob a liderança do vice-presidente da ANBID à época, Luis Maia, estruturamos um
plano e passamos a executá-lo, visando promover o crescimento desta certificação de padrão
internacional. Naquele momento o IBCPF tinha apenas 33 profissionais certificados.
Entendemos como natural que o crescimento da certificação se desse através das
estruturas dos Private Banks, na época conduzidas no Brasil sobretudo pelos bancos
brasileiros e estrangeiros.
Foi neste contexto que nascia o embrião do que seria mais tarde a PLANEJAR - Associação
Brasileira de Planejadores Financeiros.
Estávamos cientes da grande responsabilidade que tínhamos de assumir a certificação CFP®.
Revimos a proposta, à época, do exame e tomamos a primeira decisão: ampliar os temas
abordados e a quantidade de questões do exame da certificação e definir um cronograma de
médio e longo prazo para que boa parte dos Gerentes de Relacionamento dos Private Banks
fossem certificados, com o objetivo de qualificar ainda mais esses profissionais para atender essa
exigente clientela dos Bancos.
Foi mais uma experiência gratificante, dentre tantos outros desafios profissionais
enfrentados em minha carreira, o que explica a grande alegria que senti ao ser convidado
para escrever este Prefácio. Para mim, mais um reconhecimento por todo o trabalho realizado
junto a ANBID naqueles anos.
É com enorme satisfação que acompanho hoje o crescimento da Associação, por verificar que
estávamos certos e que o caminho traçado a época continua sendo trilhado pelos profissionais,
executivos e voluntários que hoje estão à frente daquele desafio.
A Certificação se ampliou!!
No momento em que escrevo (novembro de 2018) são mais de 4.000 profissionais que

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8 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

conquistaram a distinção de se qualificar como CFP®!!! Confesso que não era um número que
imaginávamos quando de no nosso planejamento inicial. Tal número apenas confirma o quanto
nosso mercado evoluiu em termos de exigência e sofisticação, assim como indica um importante
fortalecimento da consciência dos profissionais certificados quanto à grande responsabilidade
que têm em orientar seus clientes e famílias no Brasil, com a mesma qualidade exigida pelos
mercados financeiros e de capitais globais.
Impressionante também notar a importância Institucional que a PLANEJAR conquistou.
Peço desculpas pelas qualificações eventualmente “superlativas” que faço a Associação e
seus números. São apenas reflexo da alegria e satisfação que me trazem ver projeto tão
desafiador superando os obstáculos e mares mais revoltos, e aportando seus resultados no
porto inicialmente imaginado.
Dentre tantas outras, neste instante já somos referência, para imprensa, público em geral e
consumidores financeiros, nas áreas de “Advocacy” e Conscientização Financeira, consolidando
nossa condição de principais parceiros da CVM na semana ENEF (Estratégia Nacional de Educação
Financeira). Em 2018 foram 295 eventos. Mais de 10.000 cidadãos brasileiros impactados. Já na
área de educação superamos nova barreira e lançamos em setembro de 2017 nosso curso de
Planejamento Financeiro on-line, tendo superado até aqui o número de 1.500 participantes, nas
quatro turmas finalizadas.
A exigência de qualificação cada vez maior para os profissionais do mercado financeiro
responsáveis pelo atendimento de pessoas e famílias nos lança agora o desafio de democratizar
e facilitar o acesso à nossa certificação, através da publicação de material de estudo impresso e
E-books, com 6 módulos do “Material Oficial de Estudo para o Exame CFP® no Brasil”.
Esta iniciativa ajudará de maneira relevante aqueles profissionais que queiram se diferenciar e
certamente colocará o Brasil, atualmente em 10º lugar entre os 27 países que oferecem o CFP®,
entre os cinco principais certificadores do mundo.
Como disse, fico muito feliz e realizado de ter iniciado esta jornada há 15 anos atrás e ver os
expressivos resultados atingidos, com a qualidade necessária para enfrentar os desafios cada vez
maiores da globalização.
Quero por fim, desejar a todos vocês, que neste instante começam esta jornada técnica de
certificação, boa sorte e um futuro ainda mais promissor para suas carreiras.
Estou certo de que encontrarão neste material uma base importante de conhecimento, que
fará de Você um profissional ainda mais preparado e bem qualificado para enfrentar os desafios
de sua vida profissional.

Um grande abraço a todos


Alfredo Setubal

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 9

ÍNDICE

1. O PROCESSO DE PLANEJAMENTO FINANCEIRO DO PROFISSIONAL CFP®....... 12

1.1 Propósito, benefícios e componentes do processo de planejamento financeiro......... 12


1.2 Etapas do processo de planejamento financeiro.................................................................................... 13
1.2.1 Definição do relacionamento com o cliente............................................................................................ 13
1.2.2 Coleta das informações necessárias para elaboração de um plano financeiro
(gestão financeira, gestão de investimentos, gestão de risco e seguros,
planejamento da aposentadoria, planejamento fiscal e sucessório)....................................... 14
1.2.3 Análise dos objetivos, necessidades, valores e informações do cliente.................................. 15
1.2.4 Desenvolvimento de recomendações e apresentação ao cliente............................................... 17
1.2.5 Implementação das recomendações de planejamento financeiro............................................ 18
1.2.6 Monitoramento da situação do cliente...................................................................................................... 19

2. RESPONSABILIDADE FIDUCIÁRIA E CONDUTA PROFISSIONAL................................. 21

2.1 Código de conduta ética e responsabilidade profissional da Planejar................................. 21


2.1.1 Aplicabilidade e cumprimento.........................................................................................................................21
2.1.2 Termos e expressões (Seção I)...........................................................................................................................21
2.1.3 Princípios (Seção II).................................................................................................................................................. 22
[Link] Princípio 1: Cliente em Primeiro Lugar..................................................................................... 22
[Link] Princípio 2: Integridade......................................................................................................................22
[Link] Princípio 3: Objetividade....................................................................................................................22
[Link] Princípio 4: Imparcialidade............................................................................................................... 23
[Link] Princípio 5: Profissionalismo............................................................................................................ 23
[Link] Princípio 6: Competência..................................................................................................................23
[Link] Princípio 7: Confidencialidade....................................................................................................... 23
[Link] Princípio 8: Diligência..........................................................................................................................23
2.1.4 Regras (Seção III).......................................................................................................................................................23
2.1.5 Procedimentos disciplinares (Seção IV)....................................................................................................... 25

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10 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

2.1.6 Melhores práticas (Seção V)...............................................................................................................................26


2.1.7 Normas disciplinares e procedimentos para apuração de descumprimento às regras
do Código de Conduta Ética e Responsabilidade Profissional (Anexo)................................. 26

3. PERFIL DE COMPETÊNCIA DO PLANEJADOR FINANCEIRO.............................................. 29

3.1 Matriz de capacidades do planejador financeiro.................................................................................... 29


3.1.1 Coleta..............................................................................................................................................................................30
3.1.2 Análise............................................................................................................................................................................. 30
3.1.3 Síntese.............................................................................................................................................................................30
3.1.4 Componentes do planejamento financeiro: gestão financeira, gestão de ativos
e investimentos, planejamento de aposentadoria, gestão de riscos e seguros,
planejamento fiscal e planejamento sucessório................................................................................... 30
3.2 Habilidades profissionais do planejador financeiro............................................................................. 30
3.2.1 Responsabilidade profissional...........................................................................................................................31
3.2.2 Prática..............................................................................................................................................................................31
3.2.3 Comunicação.............................................................................................................................................................. 31
3.2.4 Cognição.......................................................................................................................................................................31

4. AMBIENTE MACROECONÔMICO, REGULATÓRIO E FUNDAMENTOS DE


ECONOMIA E FINANÇAS........................................................................................................................................ 33

4.1 Fundamentos de economia....................................................................................................................................... 33


4.1.1 Políticas macroeconômicas: monetária, fiscal e cambial................................................................. 33
4.1.2 Principais indicadores econômicos: PIB; índices de inflação; IGPM; IPCA............................ 38
4.1.3 Principais indicadores financeiros: taxa de juros (Selic, DI, TLP, TR); taxa de
câmbio (comercial, turismo, spot e ptax)................................................................................................. 41
4.1.4 Análise de ciclos econômicos............................................................................................................................43
4.2 Sistema Financeiro Nacional.....................................................................................................................................45
4.2.1 Órgãos de regulação, fiscalização, autorregulação e participantes do mercado............. 45
4.3 Normas e Regulação........................................................................................................................................................ 54
4.3.1 Prevenção e combate à lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos
e valores. Legislação e regulamentação correlata (Lei 9.613/98 e Lei 12.683/12
e suas alterações).................................................................................................................................................... 54
4.3.2 Utilização indevida de informações privilegiadas: inside information, inside
trading, front running..........................................................................................................................................60
4.4 Fundamentos de finanças e análise de investimento......................................................................... 62
4.4.1 Valor presente, valor futuro, taxa de desconto e fluxo de caixa................................................ 62

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 11

4.4.2 Regime de capitalização simples e composto........................................................................................ 64


4.4.3 Proporcionalidade e equivalência de taxas.............................................................................................. 64
4.4.4 Taxa de juros nominal x juro real....................................................................................................................65
4.4.5 Estrutura a termo da taxa de juros em moeda local e moeda estrangeira.......................... 66
4.4.6 Desconto bancário e desconto comercial................................................................................................. 68
4.4.7 Perpetuidade...............................................................................................................................................................70
4.4.8 Séries de pagamento: SAC, Price e SAA................................................................................................... 70
4.4.9 Taxa mínima de atratividade e custo de oportunidade.................................................................... 74
4.4.10 Taxa de desconto em ativos financeiros................................................................................................. 74
4.4.11 Taxa interna de retorno (TIR); TIR Modificada..................................................................................... 75
4.4.12 Valor presente líquido (VPL)...........................................................................................................................77
4.4.13 Payback e Payback Modificado (descontado)..................................................................................... 78
4.4.14 Custo médio ponderado de capital (CMPC)........................................................................................ 79
4.4.15 Medida de fluxo de caixa incluindo lucro antes de juros, impostos,
depreciação e amortização (LAJIDA ou EBITDA)................................................................................ 80

5. GESTÃO FINANCEIRA................................................................................................................................................83

5.1 Orçamento e fluxo de caixa...................................................................................................................................... 83


5.1.1 Capacidade de Poupança....................................................................................................................................85
5.1.2 Fundo de emergência............................................................................................................................................ 85
5.2 As Contas do balanço patrimonial pessoal.................................................................................................. 85
5.2.1 Ativos de uso e não uso.......................................................................................................................................86
5.2.2 Principais indicadores: índices de liquidez, cobertura de despesas mensais,
endividamento e poupança..............................................................................................................................86
5.3 Crédito e gestão de dívidas......................................................................................................................................89
5.3.1 Modalidades de créditos...................................................................................................................................... 89
[Link] Rotativo, consignado, pessoal, CDC.......................................................................................... 89
[Link] Financiamento Imobiliário................................................................................................................91
[Link] Outras modalidades de crédito: leasing, consórcio, penhor, crédito rural,
BNDES, crédito educacional............................................................................................................ 91

RESUMO..........................................................................................................................................................................................98

GLOSSÁRIO................................................................................................................................................................................113

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12 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

1. O PROCESSO DE PLANEJAMENTO
FINANCEIRO DO PROFISSIONAL CFP®

O objetivo deste módulo é verificar se o profissional tem domínio do conteúdo do código de


ética da Planejar, e também dos principais conceitos relacionados ao processo de planeja-
mento financeiro do profissional CFP®, incluindo conhecer as responsabilidades fiduciárias e de
conduta profissional do planejador financeiro, conhecer e utilizar as seis etapas do processo de
planejamento financeiro, conhecer as funções do planejamento financeiro (coleta, análise e sínte-
se), demonstrando as competências essenciais para a realização de suas atividades.

1.1 Propósito, benefícios e componentes do processo de


planejamento financeiro
Por que planejar?
Qualquer pessoa que enfrente desafios financeiros ou pretenda alcançar metas financeiras a
curto, médio e longo prazos, precisa fazer um planejamento financeiro. Engana-se quem acha que
o planejamento financeiro é simplesmente economizar dinheiro para a aposentadoria.
O planejamento financeiro é o processo de análise completo e integrado da situação financeira
do indivíduo, visando criar estratégias para atingir seus objetivos financeiros e pessoais.

Um bom planejamento financeiro deve incluir:


• Administração do fluxo de caixa;
• Análise do perfil tributário;
• Análise e administração de riscos;
• Planejamento e administração de investimentos;
• Planejamento da aposentadoria;
• Planejamento e administração de bens imóveis;
• Planejamento da sucessão.

Planejar é preciso! Entretanto, às vezes fica difícil saber por onde começar. Veja algumas dicas
do planejador financeiro para seus clientes:
• Identifique metas e objetivos de curto, médio e longo prazos;
• Pesquise e reúna as informações necessárias (quais são as suas receitas, quais as despesas neces-
sárias, quais as supérfluas etc.);
• Analise sua situação atual e quais são as alternativas;
• Desenvolva estratégias para atingir as metas;

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 13

• Implemente as estratégias;
• Revise seu plano periodicamente e veja se suas expectativas financeiras estão sendo atingidas,
caso contrário será preciso corrigir o rumo.

10 razões para ter um orçamento


• Você saberá qual o real alcance de sua renda;
• Evitará assumir dívidas que não poderá pagar;
• Você conseguirá identificar e cortar desperdícios;
• É o primeiro passo para construir um patrimônio;
• Você não ficará contando os dias para chegar ao fim do mês;
• Sua família enxergará para onde vai o seu salário;
• Sua família saberá quais demandas cabem no orçamento;
• Seu filho aprenderá com seu exemplo a ser um adulto financeiramente responsável.
• Sua produtividade no trabalho tende a aumentar sem aflições financeiras;
• Você conseguirá criar um plano de investimento para manter seu padrão de vida durante
sua aposentadoria.

Fonte: [Link]

1.2 Etapas do processo de planejamento financeiro


A PLANEJAR - Associação Brasileira de Planejadores Financeiros, descreve o planejamento
financeiro como um processo envolvendo seis passos:
1. Definição da forma de relacionamento entre planejador financeiro e cliente;
2. Obtenção de informações, dados e objetivos do cliente;
3. Análise e avaliação das condições financeiras do cliente;
4. Desenvolvimento e sugestão de alternativas de planejamento financeiro para o cliente;
5. Execução das recomendações do planejamento financeiro;
6. Monitoramento das recomendações do planejamento financeiro.

1.2.1 Definir e estabelecer o relacionamento com o cliente


A atividade de um planejador financeiro é ainda pouco conhecida no Brasil, muito diferente,
por exemplo, da atividade de um médico. É sabido que para se obter um serviço de um médico
deve-se agendar uma consulta e que, concluída a consulta, o paciente deverá pagar os honorá-
rios profissionais. A forma de relacionamento entre médico e paciente é, portanto, amplamente
conhecida. O mesmo não ocorre com planejadores financeiros. Não é à toa que uma pergunta
bastante comum quando um planejador financeiro se apresenta é: “Como você trabalha?”. A per-
gunta é muito pertinente: Além de ser uma profissão ainda pouco conhecida, muitas podem ser as
formas de relacionamento entre um planejador financeiro e seu futuro cliente.

Por exemplo, pode-se pensar em um relacionamento:


– pontual, quando o cliente tem uma dúvida específica: “é melhor investir em um PGBL ou
VGBL?”; ou;

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14 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

– com prazo determinado, como um projeto: “quero criar o meu planejamento financeiro para a
aposentadoria”; ou, ainda;
– permanente: “busco um profissional que possa me orientar nas decisões de investimento e de
planejamento sucessório”.
Parece evidente, então, que a forma de relacionamento varia em função da necessidade
do cliente. Não se pode esquecer, entretanto, de outra variável: a forma como o profissional
CFP® conduz sua prática. Por exemplo, alguns profissionais podem optar apenas por elaborar
planejamentos financeiros, outros, por sua vez, apenas trabalham com clientes que tenham
carteiras de investimentos acima de determinado montante e exigem que o relacionamento
seja no mínimo por um determinado prazo. Se você deseja se aprofundar no assunto, há um
livro sobre o tema: In Search of the Perfect Model: The Distinctive Business Strategies of Leading Fi-
nancial Planners de Mary Rowland.

O planejador finaneiro deve:


• Explicar claramente e documentar os serviços que irá fornecer ao cliente;
• Definir a responsabilidade de ambos (planejador e cliente) durante o trabalho;
• Explicar como ele será remunerado e por quem, deixando claro eventuais acordos de com-
pensação com terceiros. O planejador financeiro poderá ser remunerado exclusivamente pelo
cliente ou receber remuneração híbrida, advinda parte do cliente e parte do comissionamento
dos produtos, por exemplo:
o Ganhos baseados em comissionamento na organização onde trabalha;
o Rebates na comercialização de produtos.

Cliente e planejador devem concordar em quanto tempo o relacionamento profissional deve


durar e sobre a forma como as decisões serão tomadas.
[Link]

Definição do escopo planejador/cliente


O escopo do relacionamento entre o planejador financeiro e o cliente deve ser definido antes
do início do desenvolvimento de qualquer serviço de planejamento financeiro.
planejador e cliente participarão desta definição que deve conter detalhamento sobre:
• Responsabilidades do cliente e do planejador;
• Prazo estimado de duração da prestação de serviço pelo planejador;
• Documentação de eventuais conflitos de interesses.
O documento deve ser assinado por ambas as partes. Este documento será a base do contrato
a ser elaborado.

1.2.2 Coleta das informações


Definida a forma de relacionamento entre cliente e planejador financeiro, o trabalho deve ser
iniciado. A etapa que marca este início é a chamada “Coleta de informações”.
De alguma maneira, o planejador já conhece superficialmente o cliente, então, nesta fase, é o
momento de aprofundar a troca de informações entre planejador e cliente. Estas informações são

Miolo-Volume_I.indd 14 12/12/2018 17:09:25


PLANEJAMENTO FINANCEIRO 15

a base da elaboração do plano financeiro que abordaremos no ítem Componentes do Planejamen-


to Financeiro, à página 30.

Como se dá a coleta de informações na prática?


A coleta de informações pode se dar por meio de uma entrevista pessoal com o cliente e pes-
soas importantes para o planejamento (ex. componentes do núcleo familiar); ou então, por meio
de questionários com perguntas abertas que permitem respostas mais amplas (ex. qual seria sua
reação em caso de perdas relevantes nos seus investimentos de renda variável?), ou perguntas
fechadas que geram respostas mais pontuais (ex. quais produtos de seguros o cliente já possui?).
Embora uma entrevista pessoal permita maior interação entre o planejador e seu cliente, muitas
vezes restrições de tempo e dinheiro tornam o uso de questionários uma alternativa viável.

Na primeira entrevista com o cliente, o profissional financeiro deve ser capaz de obter infor-
mações que lhe permitam:
• Identificar a situação patrimonial do cliente e seu fluxo de caixa;
• Conhecer e entender os objetivos e metas do cliente a curto, médio e longo prazo;
• Avaliar os valores, atitudes e expectativas dos clientes;
• Determinar o perfil de risco do cliente.

É recomendada a preparação, pelo planejador financeiro, de relatório detalhado após cada


entrevista.

1.2.3 Análise dos objetivos, necessidades, valores e informações do


cliente
A atividade de um planejador financeiro é muito abrangente. Profissionais da área de finanças
tendem a resumir o planejamento financeiro a uma orientação sobre investimentos. Entretanto,
é fundamental compreender que o trabalho é mais amplo incluindo, além de orientação sobre
investimentos, a compreensão do orçamento doméstico familiar, avaliação dos objetivos de curto,
médio e longo prazos, gestão financeira, avaliação de riscos e orientação sobre seguros, planeja-
mento da aposentadoria, planejamento tributário e sucessório.
Para que a orientação multidisciplinar tenha sucesso é fundamental ouvir o cliente e entender
seu contexto. Baseado nas informações coletadas o planejador deve ser capaz de identificar:
• Os objetivos financeiros do cliente, por exemplo: aquisição de imóvel, troca de carro, previsão
para aposentadoria, etc.
• Os objetivos pessoais (realização de viagens, fazer um MBA no exterior, etc.).
• Situações específicas, tais como: divórcio, invalidez, doença terminal, filhos com necessidades
especiais, etc.

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16 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Para refletir:
OBJETIVOS, NECESSIDADES, DESEJOS E PRIORIDADES
O grande desafio do planejador e seu cliente não é apenas identificar os objetivos. Considerando
que nem sempre (ou quase nunca) é viável atingir todos os objetivos desejados, é importante,
neste momento, que o planejador possa diferenciar entre as necessidades e os desejos do
cliente.
- Necessidades estão relacionadas aos principais objetivos financeiros do cliente, como por
exemplo, gastos com faculdade dos filhos, pagamento de financiamentos de longo prazo,
cobertura de despesas durante a aposentadoria, etc. As necessidades deverão obrigatoriamente
ser contempladas no plano financeiro, considerando curto, médio e longo prazos.
- Por outro lado, os desejos estão relacionados com objetivos considerados não obrigatórios
(secundários), como viagens, aquisição de imóvel para veraneio, etc. As necessidades terão
prioridade sobre os desejos, que poderão ou não estar previstos no plano financeiro, a
depender da capacidade financeira do cliente.

Informações quantitativas
A partir da identificação dos objetivos pessoais e financeiros, das necessidades e prioridades do
cliente, o planejador financeiro deverá coletar informações quantitativas relacionadas a fontes de
renda do cliente, despesas, obrigações financeiras, obrigações fiscais etc.

• Coletar informações relativas aos ativos e passivos do cliente;


• Coletar informações relativas ao fluxo de caixa, renda e/ou obrigações do cliente;
• Coletar informações necessárias para preparar um orçamento;
• Preparar demonstrativos de patrimônio, fluxo de caixa e orçamento do cliente;
• Coletar informações necessárias para preparar um demonstrativo detalhado de investimentos
atuais;
• Determinar a atual alocação de ativos do cliente;
• Identificar os fluxos de caixa disponíveis para investimento;
• Coletar dados sobre a atual cobertura de seguros do cliente;
• Identificar possíveis obrigações financeiras;
• Coletar dados sobre possíveis fontes de renda na aposentadoria;
• Coletar dados sobre despesas estimadas na aposentadoria;
• Coletar contratos legais e instrumentos que afetem as estratégias de planejamento sucessório.
Fonte: Perfil de Competências do Planejador Financeiro - PLANEJAR

O cliente deverá entregar ao planejador documentos que comprovem os dados informados


relativos a receitas e despesas (cópia de extratos de conta-corrente, posição consolidada de inves-
timentos, cópia de escrituras, extratos de planos de previdência etc.).
O planejador deverá tratar as informações do cliente como confidenciais. Deverá agir com
prudência para proteger a segurança das informações e a propriedade do cliente (conforme
código de ética e responsabilidade profissional da Planejar, que será abordado no item 2.1
deste módulo).

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 17

Informações qualitativas
Visando à análise adequada do perfil do investidor (suitability) é preciso ir além das informa-
ções quantitativas, coletando informações qualitativas que serão muito valiosas na elaboração
do plano financeiro.
Analisar os fatores comportamentais e culturais do cliente, seu ambiente socioeconômico, bem
como seus desejos e necessidades, é fundamental para que as futuras recomendações do planeja-
dor financeiro sejam efetivas.

Exemplos
- O cliente não acredita no investimento em bolsa de valores e só investe em imóveis porque
seus familiares sempre assim o fizeram. Trata-se de um aspecto cultural que deve ser levado
em consideração, quando da formulação de uma recomendação de investimentos.
- Advogado sócio de um escritório de renome não aceitará a recomendação de vender seu
carro de luxo para quitar dívidas, em função do status que tal veículo lhe proporciona. Trata-se
de compreender o ambiente socioeconômico em que o cliente está inserido.

1.2.4 Desenvolvimento de recomendações e apresentação ao cliente


Ao apresentar as recomendações, o planejador deve assegurar-se que o cliente tem um adequa-
do entendimento:
• dos fatores e premissas atuais que foram fundamentais para as recomendações;
• dos riscos da estratégia;
• do provável impacto das recomendações sobre a capacidade do cliente atingir seus objetivos,
devendo evitar apresentar sua opinião como um fato.
Neste momento, é importante informar que as recomendações de planejamento financeiro
provavelmente precisarão ser modificadas na medida em que mudem as condições pessoais, eco-
nômicas e outras variáveis do cliente.
O profissional revela qualquer conflito de interesse não divulgado anteriormente e explica
como tais conflitos afetam as recomendações de planejamento financeiro. Nesta etapa, o profis-
sional pode também avaliar se as recomendações de planejamento financeiro atendem às expec-
tativas do cliente, se o cliente está disposto a agir segundo as recomendações e se modificações
serão necessárias.
Fonte: Melhores Práticas de Planejamento Financeiro - PLANEJAR

Política de investimentos (Investment Policy Statement - IPS)


A partir da análise da situação financeira do cliente, estágio de vida, perfil psicológico, objeti-
vos/restrições do cliente e identificação do perfil de risco, o planejador financeiro deverá preen-
cher o IPS (Investment Policy Statement).
Trata-se de documento elaborado pelo planejador financeiro e pelo cliente, que define regras
gerais para a alocação dos ativos. O documento fornece as metas de investimento geral e os ob-
jetivos do cliente, além de descrever as estratégias que o planejador financeiro deverá empregar
para atingir estes objetivos. Informações específicas sobre questões como a alocação de ativos,
tolerância ao risco, e as exigências de liquidez também devem ser incluídas em um IPS.

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18 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

O IPS ajuda a comunicar de forma clara os procedimentos, filosofia de investimento, diretrizes


e restrições a serem respeitadas tanto pelo planejador financeiro quanto pelo cliente. A assinatura
do documento por ambas as partes serve para proteger tanto o planejador quanto o cliente no
caso de uma discordância no futuro.

Exemplo simplificado de IPS


Objetivo 1: Aposentar-se aos 65 anos;
Objetivo 2: Ter uma renda mensal de investimentos equivalente a pelo
Objetivos de
menos R$ 10.000 após os impostos (assumido juros reais de 3% ao
Investimento
ano);
Objetivo 3: Deixar uma herança significativa para os filhos.
Tolerância a Risco Perfil de risco identificado como moderado.
Não investir em moeda estrangeira ou ouro;
Limites/Restrições Máximo de 15% em renda variável;
de investimento Alocação em risco de crédito privado limitado a 10% da carteira;
Manter liquidez de 15% para emergências.
15% em CDB com liquidez
30% em LCI
Sugestão inicial 20% em fundos de renda fixa
de Alocação 10% em fundos multimercado
15% em ações (fundos de índices)
10% em fundos imobiliários
Critérios de Seleção A relação de despesa e custo total de fundos é um ponto importante
dos ativos nos critérios de seleção. Fundos de índice são os preferidos.
Processo de Revisão A meta de alocação será revista, no mínimo, anualmente,
e rebalanceamento procedendo‑se ao rebalanceamento, se necessário.
Fonte: Criado a partir de exemplo do site [Link]

1.2.5 Implementação das recomendações de planejamento financeiro


Responsabilidade pela implementação
A implementação do plano financeiro poderá ou não estar a cargo do planejador, conforme
acordado na etapa 1 – Definição do relacionamento com o cliente.
Se estiver a cargo do planejador, um cronograma deverá ser definido e os passos da execução
detalhados e apresentados ao cliente para conhecimento e aprovação.
O envolvimento do cliente também será imprescindível nesta fase, uma vez que quaisquer mo-
vimentações financeiras dependerão de autorização do titular.

Implementação das recomendações


Lembre-se que o planejador deve deixar previamente acertado – desde a etapa 1 – sua
participação ou não na implementação do plano.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 19

Com base no escopo da contratação, o profissional de planejamento financeiro identifica e


apresenta produtos e serviços apropriados que sejam consistentes com as recomendações de
planejamento financeiro aceitas pelo cliente e que atendam aos seus objetivos, necessidades e
prioridades.
Caso haja previsão de alocação de parcela do patrimônio em Fundos de Investimento, di-
ferentes gestores poderão ser avaliados. A expertise na gestão, idoneidade do administrador
e gestor, a consistência na entrega dos resultados e histórico de volatilidade são aspectos a
serem considerados.
Alocação em títulos de crédito privado deve ser feita considerando o risco de crédito do
emissor.
Se necessário, o planejador deverá auxiliar o cliente na abertura de cadastro junto a instituições
fornecedoras de produtos selecionados, bem como junto a corretoras.

1.2.6 Monitoramento da situação do cliente


O planejamento financeiro é um processo dinâmico que exige atualizações devido a mudanças
nas condições pessoais, familiares, econômicas, etc.
A periodicidade de revisão do plano financeiro foi oportunamente acordada no IPS – Investment
Policy Statement. Cabe ao profissional monitorar a evolução do planejamento e compará-la com os
resultados previstos, eventualmente tomando medidas corretivas em caso de não conformidade.
É importante reservar datas e agenda para as reuniões periódicas de monitoramento. Nessas
reuniões será identificado se:
• As condições do cliente estabelecidas originalmente permanecem ou se houve alterações im-
portantes de patrimônio, geração de renda, sucessão, saúde, metas, desafios, necessidades e
objetivos;
• O resultado obtido pela carteira de investimentos é condizente com o esperado;
• As condições atuais de mercado para os diversos segmentos (renda fixa, ações, câmbio, etc.)
mudaram desde a última revisão. Caso positivo, será necessário ajustar o portfólio em função
das novas expectativas de mercado e do cliente.

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20 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
O processo de planejamento
financeiro do profissional CFP@

1. Em relação ao processo de planejamento A. Fase 1 – Definição das alternativas de


financeiro, indique a fase na qual o pla- relacionamento.
nejador deverá identificar os objetivos B. Fase 2 – Coleta de informações.
pessoais e financeiros do cliente, suas
C. Fase 3 – Análise e Avaliação.
necessidades e prioridades.
D. Fase 4 – Desenvolvimento e sugestão
de alternativas.

2. Fase em que o planejador deve “Deter- A. Fase 1 – Definição das alternativas de


minar o perfil de risco do cliente e suas relacionamento.
expectativas de retorno, horizonte de in- B. Fase 2 – Coleta de informações.
vestimento e objetivos, para adequação
C. Fase 3 – Análise e Avaliação.
da carteira de investimentos”.
D. Fase 4 – Desenvolvimento e sugestão
de alternativas.

3. Osvaldo, 60 anos, há 3 anos vem aplican- A. reavaliar se o investimento em fundo


do em um fundo cambial em Euros, pois cambial deve ser mantido, diante da
pretendia fazer uma longa viagem pela nova situação do cliente.
Europa. Hoje, com um sério problema de B. manter a aplicação em fundo cambial,
saúde, seu projeto de viagem foi cance- pois ele já está na faixa de 15% do Im-
lado. O planejador financeiro, ao moni- posto de Renda.
torar a carteira do cliente diante da nova
C. realocar os recursos para um plano de
situação, recomenda:
previdência com regime de tributação
definitiva (tabela regressiva).
D. Comprar ações, aproveitando que no
momento estão “baratas”.

4. Fase na qual o planejador verifica a evo- A. Definição da forma de relacionamento


lução do planejamento financeiro versus entre planejador financeiro e cliente.
os resultados previstos. B. Obtenção de informações, dados e ob-
jetivos do cliente.
C. Análise e avaliação das condições fi-
nanceiras do cliente.
D. Monitoramento da situação do cliente.

Exercício de fixação - respostas cometadas

QUESTÃO 01 - Alternativa correta: B. Fase 2 - Coleta de informações


QUESTÃO 02 - Alternativa correta: C. Fase 3 - Análise e avaliação
QUESTÃO 03 - Alternativa correta: A. Reavaliar se o investimento em fundo cambial é ainda
válido, diante da nova situação do cliente. O consultor deve monitorar a carteira do cliente e
recomendar os ajustes necessários diante de mudança de objetivos, de perfil tributário ou alte-
rações no cenário macroeconômico.
QUESTÃO 04 - Alternativa correta: D. Monitoramento da situação do cliente.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 21

2. RESPONSABILIDADE FIDUCIÁRIA
E CONDUTA PROFISSIONAL

Introdução
O candidato a certificação CFP® deverá entender os princípios e padrões de conduta profis-
sional que norteiam a atuação do planejador financeiro e sua responsabilidade legal e fiduciária
no desempenho de suas atividades. É imprescindível a leitura cuidadosa do texto integral
do Código de Conduta Ética e Responsabilidade Profissional da Planejar antes do es-
tudo deste item. O Código está disponível em [Link]
ads/2018/06/planejar_codigo_etica_ed001.pdf

2.1 Código de conduta ética e responsabilidade profissional da


planejar
Os Princípios e Regras do Código expressam o reconhecimento pelo Planejador CFP® e Asso-
ciado de suas responsabilidades profissionais para com o público, clientes e colegas.

O Código consiste em cinco seções e um anexo:


Seção I – Termos e Expressões;
Seção II – Princípios;
Seção III – Regras;
Seção IV – Procedimentos Disciplinares;
Seção V – Melhores Práticas; e
Anexo I – Normas Disciplinares e Procedimentos para Apuração de Descumprimentos às
Regras do Código de Conduta Ética e Responsabilidade Profissional da Planejar.

2.1.1 Aplicabilidade e cumprimento


O Código estabelece Princípios e Regras, de observância obrigatória, aplicáveis a
• Profissionais certificados CFP®
• Pessoas jurídicas e físicas não certificadas para o uso das marcas que sejam associadas à Planejar
(Associados).
O descumprimento de quaisquer destas normas pelos Planejadores CFP® e associados acarreta
a instauração de procedimentos disciplinares para sua apuração.

2.1.2 Termos e expressões (seção I)


O Código define alguns conceitos logo na primeira seção. Veja resumo a seguir, lembrando que
é obrigatória a leitura do Código na íntegra.

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22 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Resumo dos conceitos usados

Qualquer pessoa física ou jurídica associada à Planejar, ainda que não


Associado
seja certificada como Planejador CFP®.
Qualquer profissional atualmente certificado pela Planejar, sendo-lhe
Planejador
autorizado o uso das marcas CFP®.
Qualquer pessoa, física ou jurídica, que contrate um Planejador CFP®
Cliente e Associado para lhe prestar serviços profissionais de planejamento
financeiro.
Situação ou circunstância em que o Planejador CFP® e Associado
obtenham ou possam obter, para si ou para terceiros, vantagem
Conflito
indevida e de que resulte, ou possa resultar, prejuízo para seus clientes,
de interesses
ou que impeça ou restrinja sua capacidade de prestar aconselhamento,
recomendações ou serviços de forma isenta.
Compreende a análise de dados dos clientes, tais como objetivos,
Processo de
perfil de tolerância ao risco e avaliação da situação financeira para
planejamento
o correto desenvolvimento e monitoramento de recomendações e/ou
financeiro pessoal
alternativas de planejamento financeiro.
Todo e qualquer ganho do Planejador CFP® ou Associado no
desenvolvimento de suas atividades junto aos clientes, contemplando
todas as fontes e formas, pecuniárias ou não, diretas e indiretas,
Remuneração
de remuneração, independentemente da denominação utilizada,
que configurem benefício econômico, tais como taxas, comissões,
honorários, “rebates”, entre outras.
Análise cuidadosa da situação financeira, experiência em investimentos,
Suitability horizonte de tempo, objetivos e tolerância ao risco do cliente, para fins
de apresentação de aconselhamento financeiro.

2.1.3 Princípios

[Link] Cliente em primeiro lugar


Colocar os interesses do cliente em primeiro lugar e não considerar ganhos ou vantagens pes-
soais acima dos interesses do cliente.

[Link] Integridade
Agir com integridade, observando não apenas o conteúdo, mas também o espírito do Código.
A confiança depositada pelos clientes pressupõe atuação honesta, íntegra e transparente.

[Link] Objetividade
A objetividade requer honestidade intelectual e imparcialidade na atuação dentro do escopo de
serviços acordados. As recomendações devem ser feitas de forma pragmática, isenta, transparente
e respaldada em princípios técnicos.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 23

[Link] Imparcialidade
A imparcialidade traduz-se na identificação, informação e administração de possíveis conflitos
de interesses envolvidos no processo de planejamento financeiro.

[Link] Profissionalismo
O profissionalismo exige comportamento digno e respeitoso com clientes, colegas, instituições
vinculadas ou concorrentes e órgãos reguladores, sempre em conformidade com a legislação
vigente e o Código. O profissionalismo pressupõe o espírito de cooperação e requer que posicio-
namentos públicos sejam feitos com moderação.

[Link] Competência
A competência exige atingir e manter um nível adequado de habilidades, capacidades e conheci-
mentos para o fornecimento de serviços profissionais de planejamento financeiro pessoal. Inclui,
também, a sabedoria e maturidade para conhecer suas limitações e situações em que a consulta ou
o encaminhamento para outro(s) profissional(is) seja apropriado. A competência requer compro-
misso constante com a educação continuada.

[Link] Confidencialidade
Proteger a confidencialidade de todas as informações dos clientes, de forma a permitir acesso
apenas às pessoas autorizadas. Um relacionamento de confiança com o cliente só pode ser cons-
truído sob o entendimento de que as informações serão tratadas de forma discreta e segura e não
serão reveladas inadequadamente.

[Link] Diligência
Fornecer serviços profissionais de forma diligente. A diligência exige que o Planejador CFP®
e Associado atendam aos compromissos profissionais com zelo, dedicação e rigor, cuidando e
supervisionando adequadamente a execução dos serviços profissionais de acordo com o escopo,
condições e prazos acordados com o cliente

2.1.4 Regras
Regra 1 - O Planejador CFP® e Associado deverão assegurar que suas preferências ou interes-
ses pessoais não afetem de forma adversa os serviços prestados ao cliente.

Regra 2 - O Planejador CFP® e Associado não deverão omitir a clientes ou terceiros os poten-
ciais benefícios gerados em proveito próprio pelos serviços prestados.

Regra 3 - O Planejador CFP® e Associado não deverão fornecer, direta ou indiretamente, in-
formações falsas ou enganosas relacionadas às suas qualificações ou serviços.
Regra 4 - O Planejador CFP® e Associado não deverão incorrer em conduta desonesta, frau-
dulenta, enganosa ou falsa.

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24 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Regra 5 - O Planejador CFP® e Associado deverão exercer julgamento prudente ao oferecer


e prestar serviços.
Regra 6 - O Planejador CFP® e Associado não deverão adotar conduta que possa impactar
negativamente a imagem das Marcas CFP® e da profissão de planejador financeiro.
Regra 7 - O Planejador CFP® e Associado deverão comunicar todos os fatos relevantes para
evitar que clientes ou partes relacionadas sejam induzidos a erros ou enganos.
Regra 8 - O Planejador CFP® e Associado deverão fazer e/ou implementar recomendações
adequadas (suitability) a seu cliente.
Regra 9 - O Planejador CFP® e Associado deverão acordar com seus clientes os serviços e
remuneração a serem fornecidos, necessariamente, antes de implementá-los.
Regra 10 - O Planejador CFP® e Associado deverão comunicar-se de forma a garantir que o
cliente compreenda as recomendações de seu planejamento financeiro e possa tomar decisões
conscientes.
Regra 11 - O Planejador CFP® e Associado deverão segregar o patrimônio do cliente do seu
patrimônio individual, de seu empregador ou de quaisquer outros, a menos que tal procedimento
seja legalmente previsto e/ou expressamente autorizado por escrito entre as partes.
Regra 12 - O Planejador CFP® e Associado não deverão tomar dinheiro emprestado do cliente
ou emprestar dinheiro ao cliente, exceto se:
a) o cliente tiver relação de parentesco até o segundo grau com o Planejador CFP® e Associado,
ou, ainda, quando for seu cônjuge ou companheiro; ou
b) o cliente for uma instituição pertencente ao Sistema Financeiro Nacional e o empréstimo não
estiver relacionado com os serviços prestados.
Regra 13 - O Planejador CFP® e Associado deverão respeitar as diretrizes e regras do Guia de
Uso das Marcas CFP®.
Regra 14 - O Planejador CFP® e Associado deverão cumprir e respeitar os procedimentos da
Planejar, incluindo as obrigações de educação continuada, para manter o direito de uso das Marcas.
Regra 15 - O Planejador CFP® e Associado que receberem notificação de instauração de pro-
cesso judicial ou administrativo relacionado a sua atividade profissional deverão notificar a Pla-
nejar por carta ou e-mail com AR (Aviso de Recebimento) ou protocolo em até 30 (trinta) dias
corridos do recebimento da notificação. Após a conclusão do processo, a Planejar deverá ser
informada sobre o resultado.
Regra 16 - O Planejador CFP® e Associado deverão manter atualizados seus dados cadastrais
no sistema da Planejar, em até 30 (trinta) dias corridos da alteração.
Regra 17 - O Planejador CFP® e Associado deverão assessorar seus clientes apenas naquelas
áreas de sua competência. Nas áreas em que não forem competentes, o Planejador CFP® e As-
sociado deverão buscar consultoria e/ou encaminhar os clientes para profissionais qualificados.
Regra 18 - O Planejador CFP® e Associado deverão realizar análise técnica e imparcial dos
produtos e serviços a serem recomendados aos clientes, podendo valer-se da análise de terceiros
de reputação comprovada.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 25

Regra 19 - Planejador CFP® e Associado deverão manter seus conhecimentos atualizados em


todas as áreas do conhecimento que envolvam o processo de planejamento financeiro e cumprir
todas as exigências de educação continuada da Planejar.
Regra 20 - O Planejador CFP® e Associado deverão conhecer e observar os seguintes docu-
mentos da Planejar, disponíveis no site:
a) Perfil de Competência do planejador financeiro; e
b) Melhores Práticas de Planejamento Financeiro.
Regra 21 - O Planejador CFP® e Associado deverão tratar as informações do cliente como
confidenciais, exceto se tiverem que:
a) Responder a processos legais;
b) Satisfazer a legislação e regulamentação oficiais vigentes;
c) Atender a obrigações para com empregadores ou sócios;
d) Defender-se contra acusações de conduta irregular em disputa civil ou criminal; ou
e) Prestar serviços profissionais em nome do cliente com autorização por escrito do mesmo.
Regra 22 - O Planejador CFP® e Associado deverão agir com prudência para proteger as in-
formações e a propriedade do cliente, incluindo segurança de informações armazenadas, seja de
forma física ou eletrônica.
Regra 23 - O Planejador CFP® e Associado deverão devolver documentos ou qualquer outro
bem do cliente mediante solicitação do mesmo, assim que possível, ou em conformidade com os
prazos estabelecidos com o cliente.
Regra 24 - O Planejador CFP® e Associado deverão, sempre que aplicável, documentar, iden-
tificar e manter atualizadas as informações do cliente sobre as quais exerça qualquer tipo de su-
pervisão.
Regra 25 - O Planejador CFP® e Associado deverão supervisionar ou direcionar, de forma
prudente e responsável, quaisquer subordinados ou terceiros a quem deleguem responsabilidades
por quaisquer serviços para o cliente.

Para refletir:
Todas as regras acima visam garantir ao cliente final que o associado ou profissional CFP® terá
uma postura íntegra e honesta na sua atividade, colocando o cliente sempre em primeiro lugar.

2.1.5 Procedimentos disciplinares


Estabelece que o procedimento disciplinar em caso de descumprimento das normas do Có-
digo deve ser conduzido de acordo com o estabelecido no documento “Normas Disciplinares e
Procedimentos Para Apuração de Descumprimentos às Regras do Código de Conduta Ética e
Responsabilidade Profissional da Planejar”.
Serão assegurados, na condução do procedimento disciplinar, a ampla defesa e o contra-
ditório, sendo observadas também a celeridade, a razoabilidade e a simplificação dos atos
(informalidade).

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26 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

2.1.6 Melhores práticas de relacionamento entre o planejador e


clientes
Recomenda-se que o Planejador CFP® e Associado:
a) desenvolvam mecanismos para formalizar com seu cliente o escopo do trabalho, custos en-
volvidos, remuneração pelos serviços, prazos acordados e outros itens que as partes julguem
necessários;
b) comuniquem ao cliente qualquer informação que possa afetar sua decisão de contratá-lo; e
c) informem ao cliente que a Planejar é o canal oficial para reclamações.

As Melhores Práticas de Relacionamento entre Planejador CFP® e Associado e clientes consti-


tuem recomendações, ou seja, não são de observância obrigatória.

2.1.7 Normas disciplinares e procedimentos para apuração


de descumprimento às regras do Código de Conduta Ética e
Responsabilidade Profissional
Constam de normas disciplinares e procedimentos para apuração de descumprimento do Có-
digo. Segue um resumo comentado, que não substitui a leitura obrigatória da íntegra do Código.

Procedimentos:
• A Equipe Planejar analisará eventuais descumprimentos ao Código, inclusive aqueles de que
tiver ciência por meio de denúncia ou de condenações definitivas em processos administrativos
instaurados por autoridades regulatórias.
• Caso encontre, em sua análise técnica ou por meio de denúncia, efetivos indícios de descum-
primento, a Equipe Planejar encaminhará o caso, apresentando todas as informações até então
disponíveis para o Conselho de Normas Éticas, para análise.
• Caso o Conselho de Normas Éticas identifique que há indícios de potencial violação, deverá, na
mesma reunião, indicar os membros do respectivo Grupo de Trabalho, e determinar a instaura-
ção do procedimento disciplinar.
• Na instauração do procedimento disciplinar, deverá haver clara indicação do fato considerado
irregular, da regra do Código infringida e do suposto autor da infração.
• A Equipe Planejar deverá, no prazo de 5 dias úteis de tal decisão, notificar, por escrito, o Plane-
jador CFP® ou Associado denunciado, indicando o teor da denúncia recebida e informando-lhe
o prazo para apresentação de defesa.

Importante: Quem pode apresentar denúncia


A denúncia pode ser efetuada por qualquer pessoa física ou jurídica, mas somente será
apreciada e considerada eficaz se feita por instrumento escrito e encaminhada pelos canais
eletrônicos oficiais da Planejar, com a identificação inequívoca do denunciante, contendo a
descrição da prática objeto da denúncia e, sempre que possível, acompanhada dos documentos
que a fundamentem.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 27

Direitos do denunciado
O denunciado deverá apresentar sua defesa e eventuais alegações, por escrito, em até 10 dias
úteis, contados do recebimento da notificação. Ele poderá apresentar até 3 testemunhas. Serão
assegurados, na condução do procedimento disciplinar, a ampla defesa e o contraditório, sendo
observadas também a celeridade, a razoabilidade e a simplificação dos atos (informalidade).
São direitos do denunciado:
I. ser comunicado acerca do início da apuração de eventual infração, podendo ter vista e obter
cópias dos autos;
II. formular alegações, apresentar defesa escrita e documentos, assim como comparecer pessoal-
mente perante o Grupo de Trabalho para prestar esclarecimentos e, ainda, na sessão de julga-
mento, apresentar sustentação oral;
III. fazer-se representar, facultativamente, por advogado; e
IV. manter-se silente.

Penalidades por descumprimento das normas


A decisão do Conselho de Normas Éticas será soberana e definitiva, não havendo possibi-
lidade de recurso de tal decisão. O Planejador CFP® e Associado que descumprirem qualquer
um dos Princípios e Regras estabelecidos no Código estarão sujeitos à imposição das seguintes
penalidades:
I. advertência privada do Conselho de Normas Éticas, através de reprimenda por escrito, não
publicada, mas apontada nos registros da Planejar e enviada diretamente ao denunciado;
II. multa, que não poderá exceder a 50 (cinquenta) vezes o valor da respectiva anuidade vigente,
por ocasião da infração;
III. advertência pública do Conselho de Normas Éticas, a ser divulgada nos meios de comunica-
ção da Planejar;
IV. suspensão temporária do denunciado do quadro de associados e proibição temporária,
divulgada nos meios de comunicação da Planejar, do uso das Marcas CFP® pelos Planeja-
dores CFP®;
V. revogação do direito de uso das Marcas CFP® e exclusão do quadro de Planejadores CFP® ou
Associados, divulgada nos meios de comunicação da Planejar.

Na aplicação das penalidades serão considerados o grau e a potencialidade do dano causado


pela infração, constatação de eventual reincidência, bem como eventuais atitudes concretas do
denunciado visando a reparar, minorar ou compensar o dano.

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28 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Código de conduta ética
e responsabilidade profissional

Assinale FALSO (F) ou VERDADEIRO (V)

1. A denúncia sobre práticas inadequadas do planejador financeiro pode ser


efetuada de forma anônima, pelos canais eletrônicos oficiais da Planejar.

2. São duas as penalidades por descumprimento do Código de Conduta Ética:


multa e revogação imediata do direto de uso das marcas CFP®

3. As Melhores Práticas de Relacionamento entre Planejador CFP® e Associa-


do e clientes constituem recomendações, ou seja, não são de observância
obrigatória.

Gabarito: 1-F; 2-F; 3-V

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 29

3. PERFIL DE COMPETÊNCIAS DO
PLANEJADOR FINANCEIRO

Introdução
A PLANEJAR traduziu e publicou uma brochura denominada “Perfil de Competências do
planejador financeiro”, elaborada pelo Financial Planning Standards Board – FPSB, entidade que
gerencia, divulga e controla a Certificação CFP® nos países onde ela está presente ao redor do
mundo. O material visa informar ao público e a todos os interessados na atividade de planejamen-
to financeiro pessoal quais são as habilidades, atributos, competências e atitudes esperadas de um
planejador financeiro certificado pela Planejar.
A figura ao lado mostra o Perfil de
e m pen h o com p eten Competências do planejador financeiro,
Des te composto por capacidades, habilidades
profissionais e conjunto de conhecimen-
HABILIDADES
tos.
CAPACIDADES PROFISSIONAIS Recomenda-se a leitura cuidadosa da
íntegra deste material, disponível em
[Link]
CONHECIMENTO tent/uploads/2016/11/perfil-de-com-
[Link]
A seguir, comentários resumidos das
capacidades e habilidades.

3.1 Matriz de Capacidades do planejador financeiro


ANÁ L I S E
As Capacidades do planejador finan-
a i s de p l ane j
ceiro descrevem as diversas tarefas que
nt ame
da
me n to os profissionais de planejamento finan-
n
f u Considerar
oportunidades Avaliar
informações
f
i ceiro devem ser capazes de realizar no
decorrer de trabalhos de planejamento
e restrições
n
s

an
ca

financeiro para clientes, qualquer que


ce

IMPOSTOS RISCO
Prát i

seja o tipo, o contexto ou sua localiza-


i ro

GESTÃO GESTÃO
DE ATIVOS FINANCEIRA
Coletar
informações
SUCESSÃO APOSENTADORIA
ção. O profissional de planejamento fi-
quantitativas
Coletar
Formular/avaliar
estratégias para elaborar
nanceiro utiliza uma ou mais capacida-
informações
des, além de habilidades, atitudes, juízos
CO

um plano financeiro
E

qualitativas
E
S

E
e conhecimento relacionados ao traba-
L

TA T
N

lho, para fornecer com competência um
planejamento financeiro aos clientes.

Miolo-Volume_I.indd 29 12/12/2018 17:09:29


30 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Cada capacidade descreve uma tarefa que o profissional de planejamento financeiro certificado
executa ao fornecer planejamento financeiro a um cliente.
O FPSB classificou as capacidades do planejador financeiro em três funções, descritas a seguir.

3.1.1 Coleta
Durante a coleta, o profissional de planejamento financeiro coleta as informações necessárias
para preparar um plano financeiro. A coleta vai além da simples reunião de informações, incluindo
também a identificação de fatos relacionados, por meio de cálculos requeridos e a ordenação das
informações do cliente para análise.

3.1.2 Análise
Durante a análise, o profissional de planejamento financeiro identifica e considera problemas, faz
análise financeira e avalia as informações resultantes para poder formular estratégias para o cliente.

3.1.3 Síntese
Durante a síntese, o profissional de planejamento financeiro sintetiza as informações para for-
mular e avaliar estratégias para criar um plano financeiro.

3.1.4 Componentes do planejamento financeiro: gestão financeira,


gestão de ativos e investimentos, planejamento da aposentadoria, gestão
de riscos e seguros, planejamento fiscal e planejamento sucessório
Apesar de reconhecer a natureza integrada das capacidades do planejador financeiro e que
cada capacidade pode aparecer sob diversas categorias, para fins de apresentação, o FPSB alo-
cou cada capacidade verticalmente a uma das três funções de planejamento financeiro (Coleta,
Análise e Síntese) e horizontalmente a um dos seis componentes de planejamento financeiro,
elencados a seguir
• Gestão Financeira
• Gestão de Ativos e Investimentos
• Planejamento da Aposentadoria
• Gestão de Riscos e Seguros
• Planejamento Fiscal
• Planejamento Sucessório
Verifique a matriz de capacidades no documento acima citado (“Perfil de Competências”),
páginas 9, 10 e 11.

3.2 Habilidades profissionais do planejador financeiro


O FPSB classificou as habilidades profissionais requeridas de um profissional de planejamento
financeiro em quatro áreas, a saber:

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 31

3.2.1 Responsabilidade profissional


• Demonstrar discernimento ético, honestidade intelectual e imparcialidade;
• Reconhecer os limites da sua competência;
• Reconhecer o papel de interesse público da profissão.

3.2.2 Prática
• Cumprir com as leis e regulamentos do mercado financeiro e cumprir com o Código de Condu-
ta Ética na prática da profissão;
• Fazer julgamentos adequados em campos não abordados pela legislação de regulação da prática
profissional;
• Manter-se atualizado com as mudanças nos ambientes econômicos, políticos e regulatórios;
• Aprender continuamente para assegurar a atualização dos seus conhecimentos e habilidades;
• Realizar pesquisas adequadas durante a realização e desenvolvimento de estratégias;
• Exercer autonomia e iniciativa no desempenho das atividades profissionais.

3.2.3 Comunicação
• Ouvir o cliente;
• Estabelecer um bom relacionamento com o cliente e outras pessoas;
• Comunicar verbalmente informações e ideias de forma compreensível;
• Construir boa comunicação escrita;
• Apresentar raciocínios lógicos e persuasivos;
• Lidar eficazmente com objeções e reclamações;

3.2.4 Cognição
• Aplicar métodos ou fórmulas matemáticas, conforme a necessidade;
• Analisar e integrar informações de várias fontes para chegar a soluções;
• Usar raciocínio lógico para avaliar pontos fortes e fracos de eventuais linhas de ação;
• Tomar decisões fundamentadas, quando conta com informações incompletas ou inconsistentes.
• Demonstrar capacidade de adaptação de seus pensamentos e comportamentos.

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32 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Perfil de competências
do planejador financeiro

1. Aprender continuamente para assegurar A. Prática


a atualização dos seus conhecimentos e B. Comunicação
habilidades diz respeito à
C. Cognição
D. Responsabilidade profissional

2. Reconhecer o papel de interesse público A. Prática


da profissão diz respeito à B. Comunicação
C. Cognição
D. Responsabilidade profissional

3. Aplicar métodos ou fórmulas matemá- A. Prática


ticas, conforme a necessidade, diz res- B. Comunicação
peito à
C. Cognição
D. Responsabilidade profissional

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO - GABARITO

QUESTÃO 01 – Alternativa correta: A – Prática


QUESTÃO 02 – Alternativa correta: D – Responsabilidade Profissional
QUESTÃO 03 – Alternativa correta C - Cognição

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 33

4. AMBIENTE MACROECONÔMICO,
REGULATÓRIO E FUNDAMENTOS
DE ECONOMIA E FINANÇAS

4.1 Fundamentos de economia

4.1.1 Políticas macroeconômicas: monetária, fiscal e cambial


Política monetária
Política monetária é o controle da oferta de moeda na economia visando estabilizar os níveis de
preços para garantir a liquidez ideal (equilíbrio) do sistema econômico do país.
Uma política monetária é expansionista quando eleva a liquidez da economia, injetando recur-
sos no mercado. Por outro lado, uma política monetária restritiva reduz a liquidez da economia,
visando o controle da inflação.
Para controlar a moeda e a taxa de juros, as autoridades monetárias utilizam-se, basicamen-
te, dos seguintes instrumentos: Operações com títulos públicos, Redesconto e Recolhimento
Compulsório.

Compra e Venda de Títulos Públicos


São operações de compra e venda de títulos públicos, efetuadas pelo Banco Central atuan-
do como agente monetário do governo. O mercado aberto possibilita que o Banco Central
controle diariamente a oferta de moeda e regule as taxas de juros de curto prazo. Vejamos
como isso acontece:
- Quando há excesso de liquidez na economia, o Banco Central VENDE títulos no mercado,
retirando reais. Com menor oferta de reais no mercado, a taxa de juros SOBE.
- Se houver falta de liquidez, o Banco Central COMPRA títulos no mercado, injetando reais.
Com maior oferta de reais, a taxa de juros CAI.

Redesconto
É um empréstimo de assistência à liquidez concedido pelo Banco Central a instituições fi-
nanceiras, visando equilibrar suas necessidades de caixa diante de um aumento imprevisto de
demanda por recursos de seus depositantes. A taxa de juros cobrada pelo Banco Central nessas
operações é chamada de taxa de redesconto.
O instrumento de redesconto tem sido bastante utilizado como forma de incentivar a atividade
econômica. A título de exemplo, no começo da crise do mercado de hipotecas nos Estados Uni-
dos, a primeira medida do presidente do Banco Central americano (Federal Reserve) foi reduzir a
taxa de redesconto, para que os bancos não sofressem uma crise de liquidez.

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34 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Depósito Compulsório
Trata-se de um recolhimento feito pela rede bancária de determinado percentual sobre seus
depósitos à vista e/ou a prazo, de acordo com a política estabelecida pelo Banco Central do Brasil.
O recolhimento é feito em moeda ou em títulos federais da dívida pública.
Quando a autoridade monetária eleva a taxa de recolhimento compulsório provoca diminui-
ção da quantidade de Reais no mercado. Com menor oferta de crédito, a taxa de juros sobe.
Por outro lado, quando o Banco Central reduz o recolhimento compulsório, a oferta de crédito
aumenta e os juros caem.

Política monetária
POLÍTICA MONETÁRIA RESTRITIVA

Operações com BACEN vende títulos públicos, retira dinheiro do


títulos públicos mercado, reduzindo a liquidez.

Empréstimo com prazo reduzido e taxa de juros


Redesconto TAXA DE JUROS SOBE
elevada: redução da liquidez.

BACEN eleva a alíquota do compulsório, retira


Compulsório
reais do mercado e reduz a liquidez.

POLÍTICA MONETÁRIA EXPANSIONISTA

Operações com BACEN compra títulos públicos, injeta dinheiro no


títulos públicos mercado, aumentando a liquidez.

Empréstimo com prazo ampliado e taxa de juros


Redesconto TAXA DE JUROS CAI
reduzida: aumento da liquidez.

BACEN reduz a alíquota do compulsório,


Compulsório
aumentando a liquidez do mercado.

Sistema de metas de inflação


O Decreto 3.088, de 21/06/1999 estabelece a sistemática de metas para a inflação como
diretriz para fixação do regime de política monetária. Neste regime, adotado por diversos pa-
íses no mundo, o Banco Central se compromete a atuar de forma a garantir que a inflação se
mantenha dentro de uma meta preestabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, divulgada
publicamente. O indicador considerado para mensuração da inflação é o Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA).

As principais características deste regime são:


• Divulgação pública das metas, por parte do Conselho Monetário Nacional.
• Comprometimento institucional com a estabilidade de preços.
• Transparência na tomada de decisões de política monetária.
• Mecanismos que tornam as autoridades monetárias responsáveis pelo cumprimento das metas
para a inflação.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 35

Meta da inflação
A meta de inflação de cada ano e os respectivos intervalos de tolerância são estabelecidos
pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) com 2 anos de antecedência, sempre em junho.
O indicador considerado para mensuração da inflação é o Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA).
A avaliação do Banco Central é feita ao final de cada ano. Considera-se que a meta foi
atingida caso a inflação observada ao final do ano se situe dentro do intervalo de tolerância
previamente estabelecido. Se a meta não for cumprida, o Presidente do Banco Central deve
escrever uma carta aberta justificando os motivos, e quais providências serão tomadas para
que a inflação volte à meta estabelecida.

COPOM - Comitê de Política Monetária


O Comitê de Política Monetária (Copom) é o órgão decisório da política monetária do Banco
Central do Brasil (BC) e o responsável por estabelecer a meta para a Taxa SELIC. Foi constituído
em 20 de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer um ritual adequado ao processo decisório
de política monetária e aprimorar sua transparência.

Os objetivos do COPOM são:


• Definir a meta da Taxa SELIC. A taxa de juros fixada na reunião do COPOM é a meta para a
Taxa SELIC, a qual vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do Comitê.
• Divulgar o Relatório de Inflação. Ao final de cada trimestre (março, junho, setembro e
dezembro), o Copom publica o Relatório de Inflação, que analisa detalhadamente a con-
juntura econômica e financeira no Brasil bem como apresenta suas projeções para a taxa de
inflação.
As reuniões ordinárias do COPOM dividem-se em dois dias: a primeira sessão às terças-
-feiras e a segunda às quartas-feiras. O número de reuniões ordinárias foi reduzido para oito
ao ano a partir de 2006, sendo o calendário anual divulgado até o fim de outubro do ano
anterior.
Fonte: Banco Central do Brasil ([Link])

Impacto nos investimentos e nas linhas de crédito


As taxas de juros são um componente essencial na tomada de decisão dos agentes econômicos.
Taxas de juros mais baixas representam:
• Para os agentes econômicos, incentivo para realizar novos investimentos, de prazo mais longo.
• Para a população, maior facilidade para compras a prazo (bens duráveis e imóveis) e aumento
das linhas de crédito.
• Aumento da confiança do consumidor em relação ao futuro.

Já as taxas de juros altas implicam em:


• Redução do investimento em capital produtivo por parte dos agentes econômicos.
• Redução do consumo das famílias, devido ao encarecimento do crédito.
• Redução da confiança do consumidor em relação ao futuro.

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36 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Política fiscal
A política fiscal reflete o conjunto de medidas pelas quais o Governo arrecada receitas e realiza
despesas de modo a cumprir três funções: a estabilização macroeconômica, a redistribuição da
renda e a alocação de recursos.
A política fiscal procura, por meio de maior eficácia na administração das receitas (tributos) e
dos gastos do governo, atingir determinados objetivos macroeconômicos e sociais. A carga tri-
butária tem impacto direto sobre a renda disponível das famílias e, consequentemente, sobre o
consumo agregado.
Da mesma forma que a política monetária, a política fiscal pode ser restritiva ou expansionista.

Uma política fiscal restritiva implica em:


• Menores gastos do governo (por exemplo, cortes na concessão de benefícios). A consequência
será a diminuição da renda disponível.
• Maiores impostos (por exemplo, elevação da alíquota de IR para a pessoa física). Tendo que
pagar mais impostos, o contribuinte deverá reduzir seu nível de poupança ou diminuir a quanti-
dade de bens e serviços que consome. A consequência será uma redução da demanda agregada.

Já uma política fiscal expansionista envolve:


• Aumento de gastos do Governo (por exemplo, aumento de salário dos servidores públicos).
• Redução de impostos (por exemplo, redução da alíquota do IR ou criação de novas isenções).
• As medidas acima se traduzem em maior renda disponível para a população e aumento da de-
manda agregada.

Necessidade de financiamento do setor público. Implicações sobre a Dívida Pública.


Qualquer alteração na política fiscal, aumentando ou diminuindo impostos e gastos, se reflete
no orçamento do Governo. Medidas visando incentivar o crescimento como, por exemplo, o au-
mento do gasto público e o corte nos impostos, impacta o orçamento da União provocando um
déficit. Este déficit é normalmente coberto mediante a emissão de títulos públicos, aumentando
a dívida pública.

Para refletir
O aumento da dívida pública para financiamento do déficit pode comprometer o caixa do
Governo e acarretar o aumento da taxa de juros, prejudicando o crescimento econômico.
Por sua vez, a emissão de títulos públicos, um dos instrumentos da política monetária, altera o
volume dos meios de pagamento e da taxa de juros. Portanto, é imprescindível que as medidas
de política fiscal sejam tomadas em consonância com as medidas de política monetária,
minimizando os desequilíbrios.

Política cambial
Os negócios de comércio internacional são realizados em moedas diferentes, representativas
das economias dos diferentes países (Dólar, Euro, Libra, Iene etc.). A taxa de câmbio reflete o
valor com que a autoridade monetária de um país aceita negociar sua moeda.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 37

A política cambial é a atuação da autoridade monetária visando a administração das taxas de


câmbio, promovendo alterações das cotações e, em última instância, controlando as transações
internacionais efetuadas por um país, como veremos a seguir.

Regimes mais usuais de taxa de câmbio


Câmbio fixo
A taxa de câmbio é atrelada a um referencial fixo, como ouro ou dólar. A autoridade monetária
fixa a taxa de câmbio e se compromete a comprar e/ou vender a moeda estrangeira pela taxa es-
tipulada. Os movimentos de mercado não alteram a cotação da moeda.
Embora este regime permita maior certeza nas transações do comércio internacional (o expor-
tador já sabe de antemão quantos reais irá receber por cada dólar exportado), a manutenção deste
regime representa maior risco para o Governo, que utiliza as reservas para manter a cotação da
moeda nacional em caso de ataques especulativos.
Este regime já foi usado no passado e provou ser insustentável no longo prazo.

Câmbio flutuante
As taxas acompanham livremente as oscilações da economia, sem intervenção da autoridade
monetária. Este regime permite maior liberdade aos Governos na condução da política monetária,
já que não existe o compromisso em manter a taxa de câmbio em um determinado patamar.
• Uma maior oferta de moeda estrangeira implica em valorização do real (dólar cai).
• Maior procura de moeda estrangeira implica em desvalorização do real (dólar sobe).

Flutuação suja (Dirty float)


É o atual regime de câmbio no Brasil e na maioria dos países. Neste regime, o Banco Central se
reserva o direito de intervir no câmbio em determinadas circunstâncias. Não existe uma meta para
a taxa do dólar, porém a autoridade monetária poderá intervir comprando ou vendendo moeda
para corrigir desequilíbrios.

Bandas cambiais
Regime utilizado pelo Banco Central no início da implementação do Plano Real, onde o Banco
Central estabelecia uma “banda” dentro da qual o câmbio poderia flutuar livremente. O Banco
Central só intervia se o valor do Dólar ultrapassasse o limite superior da banda (“teto”) ou ficasse
abaixo do limite inferior da banda (“piso”).

Relações entre taxa de câmbio, regime de câmbio e reservas internacionais


• Quando ingressam divisas no Brasil (por exemplo, com estrangeiros entrando para investir no
Brasil), o Banco Central compra os dólares, aumentando as suas reservas.
• Em épocas de turbulência (por exemplo, fuga de capitais por causa da crise americana), o Banco
Central vende dólares das suas reservas para suprir o mercado.

Cupom cambial
É a diferença entre o custo de oportunidade de recursos em Reais (Taxa SELIC) e a variação cambial
esperada do Real frente às diversas moedas estrangeiras, sendo o Dólar norte-americano a referência.

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38 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Em outras palavras, cupom cambial é a remuneração efetiva dos dólares convertidos em reais
e aplicados no mercado financeiro brasileiro.
A curva de cupom cambial, por definição, é a estrutura de juros brasileira expressa em taxa
equivalente de outra moeda (USD, EUR, JPY, etc). Desse modo, é obtida por meio da dife-
rença entre a curva de juros prefixada e a variação cambial projetada pelos Forwards (valor
no futuro) da moeda

Veja a fórmula do cupom cambial:


 
 Du t 
Cupom Cambialt =  (1 + taxa Pre t +1 ) 252 
−1 *
360
  Forward   dias corridos
  spot   
  
Onde:
t: prazo de vencimento do título ou fluxo de caixa analisado
Taxa Pré: taxa de juros em reais, conforme mercado futuro da B3
du: número de dias úteis
dc: número de dias corridos
Forward: preço futuro da moeda
Spot: preço à vista da moeda

O cupom cambial tende a se elevar quanto há pressão vendedora de papéis atrelados ao dólar.
A taxa mais alta atrairá compradores. De forma inversa, o cupom cambial tende a cair quando há
pressão compradora de papéis atrelados ao dólar (a maior demanda compradora faz com que os
compradores aceitem taxas menores).

4.1.2 Principais indicadores econômicos: PIB e Índices de inflação


(IGP-M, IPCA)
PIB – Produto Interno Bruto
Representa o valor a preço de mercado dos bens e serviços finais realizados em um país em
determinado período de tempo, independentemente da nacionalidade dos agentes econômicos.
Quando dizemos “O Brasil cresceu 3%” estamos falando da evolução do PIB.
É calculado pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A metodologia aplica
o conceito de valor agregado, ou seja, o valor adicionado por cada empresa nas diferentes etapas
da produção, expresso assim:

VENDAS – INSUMOS = VALOR ADICIONADO


SOMATÓRIA DOS VALORES ADICIONADOS = PIB

Veja a fórmula do PIB:


PIB = C + I + G + X - M

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 39

Onde:
C = CONSUMO
Bens e serviços comprados pelas famílias (bens não-duráveis, bens duráveis e serviços).
I = INVESTIMENTO
Bens adquiridos para uso futuro. É o investimento das empresas em ativo fixo (formação bruta
de capital fixo) e em estoques.
G = DESPESAS DO GOVERNO
Bens ou serviços adquiridos pelo governo federal, estadual ou municipal.
X = EXPORTAÇÕES
Bens e serviços vendidos ao exterior.
M = IMPORTAÇÕES
Bens e serviços comprados do exterior.

PIB nominal e real


• PIB nominal = medido a preços correntes do ano.
• PIB real ou deflacionado = medido a preços constantes de determinado ano (ano-base). Des-
conta-se o efeito da inflação dos preços correntes.

Inflação
Inflação pode ser conceituada como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de
preços. As causas podem ser variadas; vamos citar aqui as principais:
• Inflação de demanda: considerada o tipo mais “clássico” de inflação, ocorre devido ao exces-
so de demanda agregada em relação à produção disponível de bens e serviços. A probabilidade
de ocorrência de inflação de demanda aumenta quanto mais próximo do pleno emprego de
recursos a economia estiver.
O governo pode controlar este tipo de inflação por meio de políticas econômicas, visto que a
demanda é mais sensível a essas políticas no curto prazo. Por exemplo, elevação da taxa de juros,
restrições de crédito, aumentos de impostos, redução de gastos públicos, etc.

• Inflação de custos: pode ser associada a uma inflação de oferta, pois o nível de demanda
permanece o mesmo, mas os custos de insumos importantes aumentam e são repassados aos
preços dos produtos. Por exemplo, aumentos salariais podem aumentar os custos de produção,
se não forem seguidos de aumento de produtividade dos trabalhadores; choques de oferta de
produtos também são exemplos de inflação de custos, pois quando há redução de oferta de
bens essenciais como petróleo ou produtos agrícolas, os preços sobem devido ao aumento dos
custos.
No caso da inflação de custos é importante distinguir a inflação de custos induzida da inflação
de custos autônoma.
• Inflação de custos induzida: a inflação de demanda leva ao aumento dos lucros das empresas,
que passam a produzir mais e empregar mais pessoas. Se a demanda de profissionais estiver aci-
ma da oferta existente, ou próximo do pleno emprego, a tendência será de aumento dos salários,
que provocará aumento nos custos.

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40 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

• Inflação de custos autônoma: é o tipo mais comum de inflação de custos. O aumento de


preços devido a pressões autônomas, causadas por grupos econômicos como firmas oligopo-
listas, com poder suficiente para aumentar seus preços e, consequentemente, sua participação
na renda nacional, ou então, por choques de oferta associados a aumentos dos preços de
matérias-primas.

Deflação
É o oposto de inflação. É uma queda generalizada no nível de preços, geralmente associada a
recessões econômicas, com queda de produção e aumento no nível de desemprego. Podemos dizer
que a deflação é uma “inflação negativa”. Os preços dos bens caem, e mesmo assim as pessoas não
consomem, ou porque esperam maior redução nos preços ou porque não têm condições de con-
sumo. A longo prazo, essa situação pode provocar consequências graves na economia de um país.

Índices de inflação
IGP-M – Índice Geral de Preços de Mercado
Calculado mensalmente pela FGV - Fundação Getúlio Vargas, é o índice mais utilizado para a
correção de contratos de aluguel e como indexador de alguns títulos, como a antiga NTN-C, e de
algumas tarifas.

Composição IGP-M O índice é composto pela média ponderada do IPA


(60%), IPC (30%) e INCC (10%).
INCC Periodicidade: de 21 do mês anterior ao dia 20 do
mês de referência.
10%

IPA - Índice de Preços ao Produtor Amplo


IPC
30% IPA Mede o movimento médio de preços no atacado
60% em todas as capitais brasileiras.

IPC – Índice de Preços ao Consumidor


Mede o movimento médio de preços, mensal, de determinado conjunto de bens e serviços no
mercado varejista, de abrangência nacional. Os dados coletados correspondem a famílias com
renda de 1 a 33 salários residentes nos principais centros consumidores do país.

INCC – Índice Nacional de Custo da Construção


Mede a evolução dos preços dos materiais de construção, serviços e mão-de-obra, relativos a
construção civil. Sua abrangência é nacional, com pesquisa de preços realizada em doze capitais.

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo


Calculado mensalmente pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IPCA é
o índice utilizado pelo Banco Central do Brasil para o acompanhamento dos objetivos estabeleci-
dos no sistema de metas de inflação. É o indexador que corrige a NTN-B.
A metodologia do cálculo abrange as famílias com rendimentos mensais compreendidos entre
1 e 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte de rendimentos, e residentes nas áreas urbanas

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 41

das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo,
Brasília, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba e Goiânia.
Periodicidade: mensal, o período de coleta do IPCA estende-se, em geral, do dia 01 a 30 do
mês de referência.
Fonte: IBGE ([Link])

4.1.3 Principais indicadores financeiros: taxas de juros (SELIC, DI, TLP,


TR) e taxas de câmbio (comercial, turismo, spot e ptax)
Taxa de juros - SELIC Meta
Taxa definida nas reuniões do COPOM – Comité de Política Monetária, que ocorrem 8 vezes
ao ano.
A SELIC Meta é a taxa considerada adequada para manter a inflação dentro dos parâmetros
estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional.

Taxa de juros - SELIC Over


Divulgada pelo SELIC (Serviço Especial de Liquidação e Custódia), é a taxa média ponderada e
ajustada das operações de financiamento por um dia, realizadas entre instituições financeiras, las-
treadas em títulos públicos federais. É expressa na forma anual, base 252 dias úteis. É conhecida
como a taxa overnight do mercado brasileiro.

Taxa DI - Depósito Interfinanceiro


Divulgada pela B3, é a taxa média ponderada das operações realizadas entre instituições finan-
ceiras pelo prazo de um dia, com lastro em emissão do CDI – Certificado de Depósito Interfinan-
ceiro, que é um título privado. É expressa na forma anual, base 252 dias úteis. É o indicador mais
utilizado pelo mercado como parâmetro de comparação nas aplicações de Renda Fixa. Quando
não há operações suficientes para cálculo do DI (pelo menos 10 operações), ela será calculada
como um percentual da taxa SELIC. Mais informações em:
[Link]

TLP - Taxa de Longo Prazo


A TLP, instituída por meio da Lei nº 13.483, de 21 de setembro de 2017, é apurada men-
salmente e composta pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) e por uma taxa de juros prefixada, definida na data de contratação da operação
de financiamento e válida por todo o prazo em que os recursos permanecerem aplicados
nessas operações. O Banco Central estima diariamente a estrutura a termo da taxa de juros
das Notas do Tesouro Nacional, Série B (NTN-B), com base nas negociações de mercado
desses títulos. Dessa estrutura, o Banco Central retira a informação diária sobre a taxa da
NTN-B com vencimento cinco anos à frente, o que será a taxa pré que compõe o cálculo.
Então:
TLP = Variação do IPCA (inflação) + taxa de juros real*
*calculada pela média dos últimos três meses da curva de juros das NTN-B de cinco anos.
Fonte: [Link]

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42 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Taxa de longo prazo


A TLP é usada para remunerar algumas das principais fontes de financiamento de longo prazo
no país, com efeitos principalmente sobre os financiamentos diretos e indiretos do Banco
Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

TR - Taxa Referencial
A Resolução CMN nº 4.624 de 18 de janeiro de 2018 alterou a metodologia de cálculo da Taxa
Básica Financeira (TBF) e da Taxa Referencial (TR). A nova metodologia passa a incorporar o
mercado de títulos do Tesouro.
A base de dados para a formação da TBF será composta das taxas de juros das Letras do Te-
souro Nacional (LTN) praticadas nas operações definitivas no mercado secundário e registradas no
SELIC. A TBF de um mês será uma média ponderada entre as taxas médias das LTNs de prazo
de vencimento imediatamente anterior e imediatamente posterior ao prazo de um mês, seguida da
aplicação, ao valor resultante, de um fator multiplicativo fixado em 0,93 (noventa e três centésimos).
• Para cada TBF obtida, aplica-se um redutor “R” para calcular a correspondente TR.
• Os valores do redutor “R” devem ser divulgados pelo Banco Central do Brasil quando da divul-
gação da TR.
• A TR será expressa sob a forma mensal, com quatro casas decimais.
Fonte: [Link]

Taxa de câmbio
Taxa de câmbio é o preço de uma moeda estrangeira medido em unidades ou frações (centa-
vos) da moeda nacional. No Brasil, a moeda estrangeira mais negociada é o dólar dos Estados
Unidos, fazendo com que a cotação comumente utilizada seja a dessa moeda. As cotações apre-
sentam taxas para a compra e para a venda da moeda, as quais são referenciadas do ponto de vista
do agente autorizado a operar no mercado de câmbio pelo Banco Central.

Exemplo
Taxa de compra USD: R$ 3,50, significa que a instituição financeira compra dólares (o cliente
vende) à cotação de 3,50 reais por dólar.
Taxa de venda USD: R$ 3,55 significa que a instituição financeira vende dólares (o cliente
compra) à cotação de 3,55 reais por dólar.

Câmbio comercial e câmbio turismo


As terminologias “câmbio comercial”, ou “dólar comercial”, e “câmbio turismo”, ou “dólar
turismo”, são utilizadas pelo mercado para indicar as diferentes taxas praticadas de acordo com a
natureza da operação.
• As expressões “câmbio turismo” ou “dólar turismo” são utilizadas comumente para classificar
as operações relativas a compra e venda de moeda para viagens internacionais, geralmente em
espécie.
• As expressões “câmbio comercial” ou “dólar comercial” são usadas para as demais opera-
ções realizadas no mercado de câmbio, tais como: exportação, importação, transferências
financeiras, etc.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 43

Essas expressões são utilizadas mesmo quando as operações são realizadas em outras moedas
estrangeiras, como o euro, iene, etc.
As operações de câmbio têm diferentes características, de acordo com a natureza de cada uma,
com custos administrativos e financeiros também diversos. Assim, a taxa de câmbio pode variar
de acordo com a natureza da operação, da forma de entrega da moeda estrangeira e de outros
componentes, tais como: valor da operação, cliente, prazo de liquidação, etc.
Fonte: [Link]

Spot
Também denominadas operações de “câmbio pronto”, são as operações cujo prazo de liquida-
ção é de até dois dias úteis (D+2).

Ptax
Regulamentada pela circular Bacen 3.506/2010 a taxa de câmbio de compra e de venda de
dólares dos Estados Unidos divulgada pelo Banco Central do Brasil, denominada taxa PTAX, é
calculada com base em dados obtidos mediante consultas às instituições credenciadas para realizar
operações de compra e venda de moeda estrangeira com o Banco Central do Brasil (os chamados
dealers de câmbio).
O fornecimento é obrigatório, por parte de cada dealer, de uma cotação de compra e uma
cotação de venda para a taxa de câmbio no mercado interbancário à vista, com liquidação em
D+2, que melhor representem as condições de mercado no preciso instante do início da con-
sulta. A PTAX será a média dessas cotações fornecidas pelos dealers, excluídas as duas maiores
e as duas menores. A partir da PTAX do dólar, o Bacen divulga a PTAX em outras moedas
estrangeiras, através do sistema de cotações cruzadas. Por exemplo, tendo a cotação real/dólar
e dólar/euro, calcula-se a PTAX do euro.

4.1.4 Análise de ciclos econômicos e seus impactos no emprego,


renda, preços dos ativos, oferta de crédito e taxas de juros
O conceito do ciclo econômico refere-se às flutuações da atividade econômica a longo prazo.
O ciclo envolve uma alternância de períodos de crescimento relativamente rápido do produto
(recuperação e prosperidade), com períodos de relativa estagnação ou declínio (contração ou
recessão). Há muitas variáveis que caracterizam os ciclos econômicos, no entanto as flutuações
costumam ser medidas em termos da variação do PIB.
Joseph Alois Schumpeter, no livro Business Cycles, definiu quatro fases para um ciclo econômico:
a) Boom. A economia está no seu auge; as empresas estão com níveis altos de utilização da capa-
cidade instalada; situação é de pleno emprego.
b) Recessão. Caracterizada por um declínio relevante do nível de atividade econômica; a recessão
é considerada uma fase normal dos ciclos econômicos, menos severa que a depressão. Tecnica-
mente falamos em recessão quando o país tem queda do PIB por dois trimestres consecutivos.
Para as empresas, recessão implica em restringir as importações, produzir menos e aumentar a
capacidade ociosa. Para a população, se traduz em queda no nível de emprego, baixos salários
e restrições ao crédito.
c) Depressão. Uma queda acentuada do PIB (cerca de 10%), por um período relativamente lon-

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44 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

go (três ou quatro anos), já caracteriza uma depressão. Muitas empresas solicitam recuperação
judicial, a taxa de desemprego sobe dramaticamente e os níveis de produção e investimento
são baixos.
d) Recuperação. A economia começa a sair da depressão e caminhada novamente para o cresci-
mento.

Para refletir: ciclos econômicos


Nos períodos de recessão e depressão, nível de emprego, renda e preços dos ativos são afetados
negativamente. A retomada do crescimento envolve redução das taxas de juros e aumento
da oferta de crédito. Os ciclos diferem em duração e em amplitude: algumas depressões são
moderadas, outras severas, algumas fases de expansão são intensas, outras mais suaves.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Fundamentos da economia

1. Caracterizam ações de uma política mo- A. Apenas I e III.


netária expansionista: B. Apenas II e IV.
I. Compra de títulos públicos pelo Ban- C. Apenas I e II.
co Central
D. I, II, III e IV.
II. Redução da taxa de redesconto
III. Aumento da alíquota de compulsório
IV. Aumento dos salários dos servidores
Está correto o que se afirma em

2. Comparando o IPCA ao IGP-M podemos A. Ambos os índices medem a inflação na


afirmar que ponta do consumidor.
B. Devido à sua composição, o IGP-M é
fortemente influenciado pela evolução
dos preços no atacado.
C. O IGP-M é utilizado pelo COPOM para
acompanhamento da meta de inflação.
D. Devido à sua composição, ambos os
índices são fortemente influenciados
pela evolução dos preços no varejo.

3. A expansão do crédito, com base na fór- A. Encolhimento do PIB, pois aumentam


mula do PIB (PIB = C+I+G+X-M) provoca o os gastos do Governo.
B. Aumento do PIB, pois aumenta o con-
sumo das famílias.
C. Aumento do PIB, pois aumenta o volu-
me de importações.
D. Encolhimento do PIB, pois reduz o in-
vestimento das empresas.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 45

4. O Governo anunciou a redução do IPI so- A. I e II.


bre os carros zero e redução no Imposto B. II e III.
de Renda da Pessoa Física, medidas que
C. I e III.
vão beneficiar milhares de contribuintes.
Estas medidas D. II e IV.
I. Caracterizam uma política fiscal res-
tritiva, cujo objetivo é diminuir os
gastos do Governo.
II. Promovem o crescimento econômico,
na medida em que a população tem
mais renda disponível para consumo.
III. Podem levar a uma recessão no curto
prazo.
IV. Provocam diminuição das receitas do
Governo, aumentando o déficit.
É correto o que se afirma apenas em

RESPOSTAS COMENTADAS – FUNDAMENTOS DE ECONOMIA

QUESTÃO 01 – Alternativa correta: C. I e II. Ao comprar títulos, o BC coloca dinheiro na eco-


nomia, assim como quando reduz taxa de compulsório. O aumento da alíquota de compulsório
retira dinheiro da economia, é, portanto, uma política monetária restritiva. O aumento dos
salários dos servidores envolve política fiscal (gestão dos gastos do governo) e não monetária.
QUESTÃO 02 – Alternativa correta: B. Devido à sua composição, o IGP-M é fortemente influen-
ciado pela evolução dos preços no atacado, pois o IPA tem peso de 60% na sua composição.
QUESTÃO 03 – Alternativa correta: B. Uma das maneiras mais eficientes de aumentar o consu-
mo é facilitando o crédito. Aumentando o consumo, aumenta o PIB.
QUESTÃO 04 – Alternativa correta: D. O Governo implementou estas medidas de política fiscal
expansionista, abrindo mão de receitas (= diminuindo impostos) em prol do crescimento eco-
nômico (maior renda disponível para consumo, carros mais baratos). A diminuição das receitas
amplia o déficit público.

4.2 Sistema Financeiro Nacional

4.2.1 Órgãos de regulação, fiscalização, autorregulação e


participantes do mercado
Conselho Monetário Nacional – CMN
É o órgão superior do Sistema Financeiro Nacional e tem a responsabilidade de formular a po-
lítica da moeda e do crédito, objetivando a estabilidade da moeda e o desenvolvimento econômico
e social do país. Integram o CMN o Ministro da Fazenda (Presidente), o Ministro do Planejamen-
to, Orçamento e Gestão e o Presidente do Banco Central do Brasil.
Dentre suas funções estão:
• Adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da economia;
• Regular o valor interno e externo da moeda e o equilíbrio do balanço de pagamentos;
• Orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras;

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46 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

• Propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros;


• Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras;
• Coordenar as políticas monetária, creditícia, orçamentária e da dívida pública interna e externa.
Fonte: Banco Central ([Link]).

Conselho Monetário Nacional – CMN


O Conselho Monetário Nacional é um órgão NORMATIVO. Além de fixar as diretrizes e normas
da Política Cambial, Monetária e de Crédito, o CMN define a META DE INFLAÇÃO.

Banco Central do Brasil – BACEN


É o principal executor das orientações do Conselho Monetário Nacional e responsável por
garantir o poder de compra da moeda nacional.
Principais atribuições:
• Emitir papel-moeda e moeda metálica;
• Receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições financeiras e bancárias;
• Realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições financeiras;
• Efetuar operações de compra e venda de títulos públicos federais;
• Exercer o controle de crédito;
• Autorizar o funcionamento e fiscalizar as instituições financeiras;
• Controlar o fluxo de capitais estrangeiros no país.

Banco Central do Brasil


O Banco Central executa as normas do CMN. É o executor das políticas monetária e cambial e
supervisor das instituições financeiras.

Comissão de Valores Mobiliários - CVM


É responsável por regulamentar, desenvolver, controlar e fiscalizar o mercado de valores mobi-
liários do país. A atuação da CVM visa promover a expansão do mercado de capitais, protegendo
os investidores.
Principais funções:
• Assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão, fiscalizando
as companhias abertas, a Bolsa de Valores, os agentes do mercado de capitais e os Fundos de
Investimento;
• Proteger os titulares de valores mobiliários;
• Evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação no mercado, assegurando a lisura nas
operações de compra e venda de valores mobiliários;
• Promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e
• Estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias abertas.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 47

Comissão de Valores Mobiliários - CVM


A atuação da CVM visa promover a expansão do mercado de capitais, protegendo os
investidores.

São valores mobiliários:


I - Ações, debêntures e bônus de subscrição;
II - Cupons, direitos, recibos de subscrição e certificados de desdobramento relativos aos
valores mobiliários referidos no inciso II;
III - Certificados de depósito de valores mobiliários;
IV - Cédulas de debêntures;
V - Cotas de fundos de investimento em valores mobiliários ou de clubes de investimento em
quaisquer ativos;
VI - Notas comerciais;
VII - Contratos futuros, de opções e outros derivativos, cujos ativos subjacentes sejam valores
mobiliários;
VIII - Outros contratos derivativos, independentemente dos ativos subjacentes; e
IX - Quando ofertados publicamente, quaisquer outros títulos ou contratos de investimento
coletivo.

E, NÃO são valores mobiliários:


I - Os títulos da dívida pública federal, estadual ou municipal;
II - Os títulos cambiais de responsabilidade de instituição financeira, exceto as debêntures.

Superintendência de Seguros Privados - SUSEP


A SUSEP é o órgão responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro, pre-
vidência privada aberta, capitalização e resseguro. Autarquia vinculada ao Ministério da Fa-
zenda, foi criada pelo Decreto-lei nº 73, de 21 de novembro de 1966, que também instituiu o
Sistema Nacional de Seguros Privados, do qual fazem parte o Conselho Nacional de Seguros
Privados - CNSP, o IRB Brasil Resseguros S.A. - IRB Brasil Re, as sociedades autorizadas a
operar em seguros privados e capitalização, as entidades de previdência privada aberta e os
corretores habilitados.
Cabe à SUSEP:
• Autorizar e fiscalizar a constituição, funcionamento e operação das Sociedades Seguradoras, de
Previdência complementar aberta e de Capitalização.
• Proteger a captação de poupança popular realizada através das operações de seguros, previdên-
cia aberta e capitalização.
• Zelar pela defesa dos interesses dos consumidores destes mercados.

Superintendência Nacional de Previdência Complementar - PREVIC


A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) é uma autarquia
vinculada ao Ministério da Fazenda, responsável por fiscalizar as atividades das entida-
des fechadas de previdência complementar (fundos de pensão), observando, inclusive, as
diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Conselho Nacional de
Previdência Complementar.

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48 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Susep x Previc
A SUSEP fiscaliza as Sociedades Seguradoras, de Previdência Complementar Aberta e de
Capitalização.
A PREVIC fiscaliza as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Fundos de Pensão).

Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS


A ANS é a agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde responsável pelo setor de pla-
nos de saúde no Brasil. Tem a missão de promover a defesa do interesse público na assistência
suplementar à saúde, regular as operadoras setoriais - inclusive quanto às suas relações com pres-
tadores e consumidores - e contribuir para o desenvolvimento das ações de saúde no país.

Participantes do mercado
Os operadores são as instituições que lidam diretamente com o público, no papel de interme-
diário financeiro. Veremos, a seguir, os principais operadores de mercado.

Bancos Múltiplos
O banco múltiplo é uma instituição financeira que deve ser constituída por, no mínimo, duas
carteiras, sendo uma delas, obrigatoriamente, comercial ou de investimento. O banco múltiplo
com carteira comercial pode captar depósitos à vista.
Além das carteiras comercial e/ou de investimento, os bancos múltiplos também poderão ter
carteiras de:
• Desenvolvimento (exclusiva para bancos públicos);
• Crédito imobiliário;
• Crédito, financiamento e investimento (financeiras);
• Arrendamento mercantil (companhias de leasing).
Além de realizar operações ativas (empréstimos) e passivas (captação) existe uma grande varie-
dade de funções desempenhadas pelos bancos múltiplos, por exemplo:

Bancos comerciais
Instituição financeira privada ou pública, cujo objetivo principal é proporcionar o forneci-
mento oportuno e adequado dos recursos necessários para financiar, a curto e médio prazos,
o Comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e terceiros
em geral. A captação de depósitos à vista, livremente movimentáveis, é atividade típica do
banco comercial.

Banco Comercial x Banco Múltiplo


Banco Comercial: Pode captar recursos à vista e fornece financiamentos de curto e médio
prazos.
Banco Múltiplo: Tem, no mínimo, duas carteiras, sendo uma delas obrigatoriamente comercial
ou de investimento.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 49

Banco de Investimento
Instituição financeira privada especializada em operações de participação societária de caráter
temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de giro e
de administração de recursos de terceiros.
Não oferecem contas-correntes e captam recursos via depósitos a prazo, repasses de recursos
externos, internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles administrados.
As principais operações ativas são financiamento de capital de giro e capital fixo, a médio e
longo prazos, subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários, depósitos interfinanceiros
e repasses de empréstimos externos.

Bancos de investimento
• Captam somente depósitos a prazo;
• NÃO podem captar depósitos à vista em conta-corrente;
• São instituições financeiras especializadas em:
Financiamento de capital fixo e capital de giro, a médio e longo prazos;
Administração de recursos de terceiros (fundos de investimento);
Intermediação de títulos e valores mobiliários.

Sociedades Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM)


São instituições financeiras supervisionadas pelo Banco Central do Brasil.
Principais atribuições:
• Operar em bolsas de valores e de mercadorias e futuros, por conta própria e de terceiros;
• Subscrever emissões de títulos e valores mobiliários no mercado;
• Comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros;
• Encarregar-se da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários;
• Exercer funções de agente fiduciário;
• Instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento;
• Intermediar operações de câmbio;
• Realizar operações compromissadas;
• Praticar operações de compra e venda de metais preciosos, por conta própria e de terceiros.

Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM)


São Instituições financeiras supervisionadas pelo Banco Central do Brasil cujas atribuições são
muito semelhantes às das Sociedades Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários.
Principais atribuições:
• Intermediar a oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado;
• Administrar e custodiar as carteiras de títulos e valores mobiliários;
• Instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento;
• Operar no mercado acionário, comprando, vendendo e distribuindo títulos e valores mobiliá-
rios, inclusive ouro financeiro, por conta de terceiros;

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50 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

• Fazer a intermediação com as bolsas de valores e de mercadorias;


• Efetuar lançamentos públicos de ações;
• Operar no mercado aberto;
• Intermediar operações de câmbio.

Corretoras de câmbio
As sociedades corretoras de câmbio são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou
por quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social a expressão
“Corretora de Câmbio”.
Têm por objeto social exclusivo a intermediação em operações de câmbio e a prática de opera-
ções no mercado de câmbio de taxas flutuantes.
São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 1.770, de 1990).

Corretora de Câmbio - CTVM – DTVM


CTVM e DTVM atuam na intermediação de valores mobiliários, sendo fiscalizadas pelo Banco
Central do Brasil, por serem instituições financeiras, e pela CVM, nas operações com valores
mobiliários.
Corretoras de câmbio: Atuam na intermediação de operações de câmbio e são fiscalizadas
pelo Banco Central do Brasil

B3 – Brasil, Bolsa, Balcão


A B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) foi criada em março de 2017 a partir da combinação de atividades
da BM&FBOVESPA, bolsa de valores, mercadorias e futuros, com a CETIP, empresa prestadora
de serviços financeiros no mercado de balcão organizado.
A B3 tem como principais objetivos administrar mercados organizados de títulos, valores mo-
biliários e contratos derivativos, além de prestar o serviço de registro, depositária central, com-
pensação e liquidação, atuando como contraparte central garantidora da liquidação financeira de
operações realizadas em seus ambientes de negociação.
Alguns serviços oferecidos pela B3 (dentre outros):
• Registro, negociação e pós-negociação de ações, títulos de renda fixa, câmbio pronto e contra-
tos derivativos referenciados em ações, ativos financeiros, índices, taxas, mercadorias, moedas,
entre outros;
• Listagem de empresas e outros emissores de valores mobiliários;
• Atuação como depositária de ativos;
• Empréstimo de títulos.

Além disso, a Companhia é associada mantenedora da BSM Supervisão de Mercados, associa-


ção que fiscaliza a atuação da B3 e dos participantes do mercado, assim como as operações por
eles realizadas, nos termos da Instrução CVM nº 461/07.
Fonte: Por dentro da B3 – Cartilha publicada pela B3

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 51

SELIC - Sistema Especial de Liquidação e Custódia


O Selic é o depositário central dos títulos que compõem a dívida pública federal interna (DPM-
Fi) de emissão do Tesouro Nacional e, nessa condição, processa a emissão, o resgate, o pagamento
dos juros e a custódia desses títulos. É também um sistema eletrônico que processa o registro e a
liquidação financeira das operações realizadas com esses títulos pelo seu valor bruto e em tempo
real, garantindo segurança, agilidade e transparência aos negócios.
Por seu intermédio, é efetuada a liquidação das operações de mercado aberto e de redesconto
com títulos públicos, decorrentes da condução da política monetária. Todos os títulos são escritu-
rais, isto é, emitidos exclusivamente na forma eletrônica. A liquidação da ponta financeira de cada
operação é realizada por intermédio do STR – Sistema de Transferência de Reservas, ao qual o
SELIC é interligado.
Fonte: [Link]

Investidores qualificados
São considerados investidores qualificados:
I. Investidores profissionais;
II. Pessoas naturais ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a
R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condição
de investidor qualificado mediante termo próprio;
III. As pessoas naturais que tenham sido aprovadas em exames de qualificação técnica ou possu-
am certificações aprovadas pela CVM como requisitos para o registro de agentes autônomos
de investimento, administradores de carteira, analistas e consultores de valores mobiliários, em
relação a seus recursos próprios; e
IV. Clubes de investimento, desde que tenham a carteira gerida por um ou mais cotistas, que sejam
investidores qualificados.

Declaração da condição de Investidor Qualificado


Ao assinar este termo, afirmo minha condição de investidor qualificado e declaro possuir
conhecimento sobre o mercado financeiro suficiente para que não me sejam aplicáveis um
conjunto de proteções legais e regulamentares conferidas aos investidores que não sejam
qualificados.

Como investidor qualificado, atesto ser capaz de entender e ponderar os riscos financeiros
relacionados à aplicação de meus recursos em valores mobiliários que só podem ser adquiridos
por investidores qualificados.

Declaro, sob as penas da lei, que possuo investimentos financeiros em valor superior a
R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).

Data e local,

_____________________
[Inserir nome]

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52 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Investidores profissionais
I. Instituições financeiras
II. Companhias seguradoras e sociedades de capitalização;
III. Entidades abertas e fechadas de previdência complementar;
IV. Pessoas naturais ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a
R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condi-
ção de investidor profissional mediante termo próprio
V. Fundos de investimento;
VI. Clubes de investimento, cuja carteira seja gerida por administrador de carteira autorizado pela
CVM;
VII. Agentes autônomos de investimento, administradores de carteira, analistas e consultores de
valores mobiliários autorizados pela CVM, em relação a seus recursos próprios; e Investidores
não residentes.

Declaração da condição de Investidor Profissional


Ao assinar este termo, afirmo minha condição de investidor profissional e declaro possuir
conhecimento sobre o mercado financeiro suficiente para que não me sejam aplicáveis um
conjunto de proteções legais e regulamentares conferidas aos demais investidores.

Como investidor profissional, atesto ser capaz de entender e ponderar os riscos financeiros
relacionados à aplicação de meus recursos em valores mobiliários que só podem ser adquiridos
por investidores profissionais

Declaro, sob as penas da lei, que possuo investimentos financeiros em valor superior a
R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais).

Data e local,

_____________________
[Inserir nome]

Investidores não residentes - INRs


Considera-se investidor não residente, individual ou coletivo, as pessoas físicas ou jurídi-
cas, os fundos ou outras entidades de investimento coletivo com residência, sede ou domicí-
lio no exterior.
A Resolução CMN nº 4.373/14 disciplina sobre as aplicações dos INRs no Brasil, nos mer-
cados financeiro e de capitais do país. Ainda, de acordo com o art. 4º do mesmo normativo, tais
investidores estão sujeitos a registro prévio na CVM.
Nesse sentido, a Instrução CVM 560 é a norma que atualmente trata sobre o registro destes
investidores na Autarquia.
Recomenda-se que os representantes dos INRs tenham pleno conhecimento dessas duas
normas.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 53

No Brasil, o acesso de investidores não residentes ao mercado financeiro e de capitais é regula-


mentado pela Resolução nº 4.373 do Conselho Monetário Nacional. Em linhas gerais, a Resolução
nº 4.373 dá acesso ao investidor não residente aos mesmos mercados disponíveis ao investidor
residente. Assim, os “investidores 4373” podem, por exemplo, investir em bolsas de mercadorias
e futuros, bolsas de valores e fundos de investimento regulamentados pela CVM.
Previamente ao início de suas operações, o investidor não residente deve:
• Constituir um ou mais representantes no País;
• Preencher formulário de identificação exigido pela legislação; e
• Obter registro junto à CVM.

Obrigações do representante do não residente


As principais obrigações do representante do investidor não residente são:
• Guardar e apresentar para os órgãos reguladores o formulário de identificação assinado e o
contrato de representação.
• Efetuar e manter os registros atualizados.
• Prestar informações aos órgãos reguladores.
• Informar, imediatamente, a existência de irregularidades.
Quando o representante for pessoa física ou jurídica não financeira, o investidor deve nomear
instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil, que será corresponsável pelo
cumprimento das obrigações acima.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Sistema Financeiro Nacional

1. São considerados valores mobiliários A. Opções e cotas de Fundos de Investimento.


conforme a Lei: B. CDB de banco de primeira linha e ações
listadas em Bolsa.
C. Debêntures e Títulos Públicos Federais.
D. Cédula de produto rural e CDB.

2. Indique a sequência correta dos órgãos A. SUSEP, PREVIC, ANS.


de regulação e fiscalização conforme de- B. PREVIC, SUSEP, INSS.
finições abaixo.
C. SUSEP, PREVIC, INSS.
I. Responsável por fiscalizar as atividades
D. PREVIC, SUSEP, ANS.
das entidades fechadas de previdência
complementar (fundos de pensão).
II. Órgão responsável pelo controle e fis-
calização dos mercados de seguro, pre-
vidência privada aberta, capitalização e
resseguro.
III. Responsável pelo setor de planos de
saúde no Brasil.

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54 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

3. A meta de inflação para 2019 foi definida A. Banco Central e Conselho Monetário
em 4,25%. Os órgãos responsáveis pela Nacional.
definição desta meta e por atingir a meta B. Conselho Monetário Nacional e Banco
definida são, respectivamente, Central.
C. Ministério da Fazenda e Conselho Mo-
netário Nacional.
D. Banco Central e Ministério da Fazenda.

RESPOSTAS COMENTADAS – SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

QUESTÃO 01 – Alternativa correta: A. Opções e cotas de Fundos de Investimento. Lembre-se:


Títulos Públicos e CDB não são considerados valores mobiliários.
QUESTÃO 02 – Alternativa correta: D. PREVIC, SUSEP, ANS.
QUESTÃO 03 – Alternativa correta: B. Conselho Monetário Nacional e Banco Central. O Conse-
lho Monetário Nacional define a meta de inflação, é NORMATIVO (expede diretrizes) enquanto
que o Banco Central é EXECUTOR (cumpre as diretrizes).

4.3 Normas e regulação

4.3.1 Prevenção e controle a lavagem de dinheiro ou ocultação de


bens, direitos e valores. Legislação e regulamentação correlata (Lei
9.613/98 e Lei 12.683/12 e suas alterações).
Lei 9.613/98 e 12.683/12
Dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da
utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle
de Atividades Financeiras - COAF, e dá outras providências.

COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras


O Coaf será composto por servidores públicos de reputação ilibada e reconhecida
competência, designados em ato do Ministro de Estado da Fazenda, dentre os integrantes
do quadro de pessoal efetivo do Banco Central do Brasil, da Comissão de Valores Mobiliários,
da Superintendência de Seguros Privados, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, da
Secretaria da Receita Federal do Brasil, da Agência Brasileira de Inteligência, do Ministério
das Relações Exteriores, do Ministério da Justiça, do Departamento de Polícia Federal, do
Ministério da Previdência Social e da Controladoria-Geral da União, atendendo à indicação dos
respectivos Ministros de Estado.
Fonte: Lei 12.683/12

Circular Bacen 3461/09


Consolida as regras sobre os procedimentos a serem adotados na prevenção e combate às
atividades relacionadas com os crimes previstos na Lei nº 9.613. Introduz, dentre outros itens,
conceitos de cliente permanente e cliente eventual, observando regras diferentes para obtenção
de dados cadastrais.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 55

Considera-se cliente eventual ou permanente qualquer pessoa natural ou jurídica com a qual
seja mantido, respectivamente em caráter eventual ou permanente, relacionamento destinado à
prestação de serviço financeiro ou à realização de operação financeira.

Crime de lavagem de dinheiro: conceito e tipificação


O crime de lavagem de dinheiro é aquele em que se oculta ou dissimula a natureza, origem,
localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos e valores provenientes,
direta ou indiretamente de infração penal.
Em outras palavras, é o processo mediante o qual o criminoso transforma recursos obtidos
ilegalmente em ativos com uma origem aparentemente legal.

Penas aplicáveis:
Reclusão, de 3 a 10 anos, e multa
• A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes forem cometidos de forma reiterada
ou por intermédio de organização criminosa.
• A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou semiaberto,
se o autor, ou partícipe, colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando esclareci-
mentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos autores, coautores e
partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime.

Multa
Multa pecuniária variável não superior
a) ao dobro do valor da operação;
b) ao dobro do lucro real obtido ou que presumivelmente seria obtido pela realização da ope-
ração; ou
c) ao valor de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais).

Sanções não pecuniárias


• Inabilitação temporária, pelo prazo de até dez anos, para o exercício do cargo de administrador
das respectivas pessoas jurídicas;
• Cassação ou suspensão da autorização para o exercício de atividade, operação ou funcionamento.

Incorrem na mesma pena aqueles que, de uma maneira ou outra, “facilitam” a ação do crimi-
noso, por exemplo:
• Quem ajuda a movimentar os recursos ilícitos para convertê-los em ativos legais (por exemplo,
gerente de banco);
• Quem importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros (Por exem-
plo, importações subfaturadas);
• Quem utiliza na sua atividade econômica ativos provenientes do crime (por exemplo, recep-
tadores);
• Quem adquire bens provenientes de infração penal, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em
garantia, guarda, tem em depósito, movimenta ou transfere.

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56 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Fases do crime
A lavagem de dinheiro não é um ato simples, mas um processo que se compõe basicamente de
três etapas:
1. Colocação: é a etapa em que o criminoso introduz o dinheiro “sujo” no sistema econômico
mediante depósitos, compra de instrumentos negociáveis ou compra de bens. O fracionamento
dos valores que transitam pelo sistema financeiro e a utilização de estabelecimentos comerciais
que, normalmente, trabalham com dinheiro em espécie são alguns dos artifícios dos quais os
criminosos se valem para dificultar a identificação da procedência do dinheiro.
2. Ocultação (Estratificação ou Dissimulação): compreende a realização de uma série de transações
financeiras que, em sua variedade, complexidade e volume, procuram esconder o dinheiro ilícito.
O objetivo é quebrar a cadeia de evidências ante a possibilidade da realização de investigações so-
bre a origem do dinheiro. Os criminosos buscam movimentá-lo de forma eletrônica, transferindo
os ativos ou efetuando depósitos em contas “fantasmas”. O objetivo aqui é voltado para dificultar
o rastreamento das operações pelas autoridades.
3. Integração é o passo final no ciclo da lavagem. O dinheiro ilícito, que agora está ”limpo”, é
incorporado formalmente ao sistema econômico. As organizações criminosas buscam investir
em empreendimentos que facilitem suas atividades, podendo tais sociedades prestarem servi-
ços entre si, por meio de empréstimos ou geração de lucros falsos. Uma vez formada a cadeia,
torna-se cada vez mais fácil legitimar o dinheiro ilegal.

Quem está sujeito à lei e à regulamentação


A lei atribuiu às pessoas físicas e jurídicas de diversos setores econômico-financeiros maior
responsabilidade na identificação de clientes e manutenção de registros de todas as operações e
na comunicação de operações suspeitas, sujeitando-as ainda às penalidades administrativas pelo
descumprimento das obrigações.
De um modo geral, todo o setor financeiro, de seguros e de capitais (bancos, seguradoras,
corretoras, bolsas, administradoras de cartão, administradores de fundos, empresas de leasing
etc.) está sujeito às disposições da lei. Entretanto, a lei vai além do setor financeiro e de capitais,
abrangendo agentes diversos, dentre outros:
• Imobiliárias e corretores de imóveis;
• Pessoas físicas e jurídicas que comercializem bens de luxo ou exerçam atividades que envolvam
grande volume de recursos em espécie;
• Transportadoras de valores;
• Agentes ou intermediários de contratos relacionados a atividades desportivas ou artísticas pro-
fissionais;
• Agentes ou intermediários que comercializam bens de alto valor de origem rural ou animal;
• As juntas comerciais e os registros públicos.

Identificação dos clientes e manutenção de registros


As obrigações da lei são:
• Identificar seus clientes e manter cadastro atualizado;
• Manter registro de toda transação que ultrapassar limite fixado pela autoridade competente;
• Adotar políticas, procedimentos e controles internos que lhes permitam identificar, registrar e se for

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 57

o caso, comunicar ao COAF as operações exigidas pela legislação e as operações suspeitas;


• Cadastrar-se e manter seu cadastro atualizado no órgão regulador ou fiscalizador e, na falta des-
te, no COAF;
• Atender às requisições formuladas pelo COAF, mantendo o sigilo das informações prestadas.

Clientes permanentes
As seguintes informações cadastrais devem ser coletadas e atualizadas:
• Clientes Pessoa Física: Documento de identidade, CPF, telefone e comprovante de endereço,
renda e patrimônio.
• Clientes Pessoa Jurídica: a identificação deverá abranger as pessoas físicas autorizadas a representá-la,
bem como seus proprietários e faturamento médio mensal referente aos doze meses anteriores.
Deverá ser feita verificação, com periodicidade máxima de um ano, que assegure a adequação
dos dados cadastrais de seus clientes.

Clientes eventuais
Em se tratando de clientes eventuais, do proprietário e do destinatário dos recursos envolvidos
na operação ou serviço financeiro, deve constar no cadastro:
Quando pessoa física, o nome completo, documento de identidade e CPF.
Quando pessoa jurídica, a razão social e número de CNPJ.

Exemplos de clientes permanentes x clientes eventuais


Clientes Permanentes (exemplos) Clientes Eventuais (exemplos)
Operações de Saque ou Depósito em Conta de
Correntistas
Terceiros.
Tomadores de Crédito Cotitulares de cartões de crédito.
Pagamentos de boletos de cobrança e títulos
Titulares de Cotas de Consórcio
semelhantes.
Titulares de Operações de Leasing
Titulares de Contas não movimentáveis por cheques
Titulares de Cartões de Crédito
(Salários, Pensões, Aposentadorias, etc.)
Locadores de cofres

Pessoas politicamente expostas


Consideram-se pessoas politicamente expostas os agentes públicos que desempenham ou te-
nham desempenhado, nos últimos 5 (cinco) anos, no Brasil ou em países, territórios e dependên-
cias estrangeiros, cargos, empregos ou funções públicas relevantes, assim como seus representan-
tes, familiares e outras pessoas de seu relacionamento próximo. São considerados familiares: os
parentes até o primeiro grau, o cônjuge, o companheiro (a) e enteado (a).
As instituições financeiras devem coletar de seus clientes permanentes informações que permi-
tam caracterizá-los ou não como pessoas politicamente expostas e identificar a origem dos fundos
envolvidos nas transações dos clientes assim caracterizados.

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58 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Pessoas altamente expostas


CLIENTES BRASILEIROS CLIENTES ESTRANGEIROS
As instituições financeiras devem adotar pelo
Ministros, Deputados e Senadores
menos uma das seguintes providências:
Presidente, Vice-presidente e Diretor de Autarquias
(ex. CVM), Fundações Públicas (ex. Fundo de Solicitar declaração expressa do cliente a
Pensão da CEF), empresas públicas (ex. CEF) ou de respeito da sua classificação;
economia mista (ex. Banco do Brasil);
Procurador Geral da República e membros do Recorrer a informações publicamente
Poder Judiciário (Tribunais Superiores); disponíveis;
Consultar bases de dados comerciais sobre
Membros do Conselho do Ministério Público;
pessoas politicamente expostas;
Considerar pessoa politicamente exposta
Governadores, Prefeitos e Presidentes de aquela que exerce ou exerceu importantes
Câmara Municipal das Capitais de Estados. funções públicas em um país estrangeiro
(definição do GAFI).

Registros de movimentação superior a R$50.000,00 em espécie


O sistema de registro deve permitir a identificação de:
• Depósito ou saque em espécie, saque em espécie por meio de cartão pré-pago ou pedido
de provisionamento para saque, de valor igual ou superior a R$50.000,00 (cinquenta mil
reais);
• Depósito ou saque em espécie, saque em espécie por meio de cartão pré-pago ou pedido de
provisionamento para saque, que apresente indícios do crime;
• Emissão de cheque administrativo, TED ou de qualquer outro instrumento de transfe-
rência de fundos contra pagamento em espécie, de valor igual ou superior a R$50.000,00
(cinquenta mil reais).
As informações e registros devem ser mantidos e conservados durante os seguintes períodos
mínimos, contados a partir do primeiro dia do ano seguinte ao do término do relacionamento
com o cliente permanente ou da conclusão das operações:
I - 10 (dez) anos, para qualquer transferência de recursos, quando de valor superior a
R$1.000,00 (mil reais);
II - 5 (cinco) anos, para as seguintes informações e registros:
• Compatibilidade financeira dos clientes;
• As operações que realizadas com uma mesma pessoa, conglomerado financeiro ou grupo,
em um mesmo mês calendário, superem, por instituição ou entidade o valor de R$10.000,00
(dez mil reais);
• As operações que, por sua habitualidade, valor ou forma, configurem artifício que objetive bur-
lar os mecanismos de identificação, controle e registro;
• Operações com cartões pré-pagos;
• Movimentações de valor igual ou superior a R$50.000,00 em espécie.
III - 5 (cinco) anos para as informações cadastrais de clientes permanentes e eventuais.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 59

As instituições e pessoas sujeitas à Lei:


I - Dispensarão especial atenção às operações que possam constituir-se em sérios indícios
do crime;
II - Deverão comunicar ao COAF, abstendo-se de dar ciência de tal ato ao cliente, a proposta
ou realização:
• De todas as transações que ultrapassarem o limite fixado pela autoridade competente e;
• Das operações que possam constituir-se em sérios indícios do crime.
III - deverão comunicar ao órgão regulador ou fiscalizador da sua atividade ou, na sua falta, ao
COAF, na periodicidade, forma e condições por eles estabelecidas, a não ocorrência de propos-
tas, transações ou operações suspeitas.
As comunicações de boa-fé, não acarretarão responsabilidade civil ou administrativa.

Comunicação de operações suspeitas


As comunicações de operações suspeitas acabam centralizadas, direta ou indiretamente, no
COAF. No caso das instituições financeiras e demais entidades autorizadas a operar pelo Banco
Central do Brasil, e onde não existir órgão próprio fiscalizador (caso de imóveis, joias e pedras
preciosas, entre outros), as comunicações são feitas diretamente ao COAF, através do SISCOAF.
No caso de operações com entidades ligadas à CVM, PREVIC e SUSEP, as comunicações são
feitas indiretamente ao COAF, através dos respectivos órgãos reguladores.
As comunicações devem ser efetuadas sem que seja dada ciência aos envolvidos e deverão
informar ao COAF se o cliente é pessoa politicamente exposta.

Prazos para envio das comunicações:


• As emissões ou recargas de valores em um ou mais cartões pré-pagos, em montante acumulado
igual ou superior a R$50.000,00 (cinquenta mil reais), no mês calendário, até o dia útil seguinte
àquele em que verificadas.
• Qualquer operação paga em espécie de valor igual ou superior a R$50.000,00 (cinquenta mil
Reais), até o dia útil seguinte àquele em que verificadas.
• As operações cujo valor seja igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) que possam confi-
gurar indícios dos crimes de lavagem de dinheiro, em até 24 horas úteis.
• As operações que configurem artifício que objetive burlar os mecanismos de identificação, con-
trole e registro, em até 24 horas úteis.
• As operações de qualquer valor de pessoas que reconhecidamente tenham perpetrado ou tenta-
do perpetrar atos terroristas, até o dia útil seguinte.
• Os atos suspeitos de financiamento do terrorismo, até o dia útil seguinte.

Políticas e procedimentos de prevenção/combate ao crime de lavagem de dinheiro - Or-


ganismos nacionais e de cooperação internacional.
• A Convenção Contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas foi
concluída em Viena, em 20 de dezembro de 1988, entrando em vigor internacional em 11
de novembro de 1990. O Decreto 154/91 formaliza a adesão do Brasil à Convenção de
Viena.

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60 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

• A Lei 9.613, no Capítulo IX cria o COAF, com a finalidade de disciplinar, aplicar penas admi-
nistrativas, receber, examinar e identificar as ocorrências suspeitas de atividades ilícitas previstas
na Lei, sem prejuízo da competência de outros órgãos e entidades.

Importante
O COAF também coordena e propõe mecanismos de cooperação e de troca de informações
que viabilizem ações rápidas e eficientes no combate ao crime de lavagem de dinheiro,
podendo requerer aos órgãos da Administração Pública as informações cadastrais bancárias e
financeiras de pessoas envolvidas em atividades suspeitas.

Função do cadastro e implicações de um cadastro desatualizado. Análise da capacidade


financeira do cliente
O cadastro de clientes é a atividade que responde pela análise e registro das informações e
documentos de identificação de clientes com os quais a instituição mantém relacionamento atra-
vés dos serviços e produtos financeiros, vinculados ou não a conta-corrente ou de investimento
dentro da instituição.
É um elemento chave para fins de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro.
O procedimento de “Conheça seu cliente” (Know your Customer) fundamenta-se no cadastramen-
to, manutenção e acompanhamento das informações referentes aos clientes. As instituições finan-
ceiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central devem utilizar formulário
de identificação (cadastro), cujo modelo pode ser elaborado pelas próprias instituições, de acordo
com suas necessidades.

4.3.2 Utilização indevida de informações privilegiadas


“Insider”, em relação a determinada companhia, é toda a pessoa que, em virtude de fatos
circunstanciais e ou de sua atividade, tem acesso a “informações relevantes” relativas aos
negócios e situação da companhia. Conforme a Lei das S/A, “Informações relevantes são
aqueles referentes aos fatos, ocorridos nos negócios da companhia, que possam influir, na
decisão dos investidores do mercado, de vender ou comprar valores mobiliários de sua emis-
são”. Em outras palavras, é a informação sobre uma companhia aberta, que ainda não foi
divulgada publicamente.

Informações relevantes
Conforme a Lei das S/A, o administrador de companhia aberta deve guardar sigilo sobre
qualquer informação que ainda não tenha sido divulgada para conhecimento do mercado,
obtida em razão do cargo e capaz de influir de modo ponderável na cotação de valores
mobiliários, sendo-lhe vedado valer-se da informação para obter, para si ou para outrem,
vantagem mediante compra ou venda de valores mobiliários.
É vedada a utilização de informação relevante ainda não divulgada, por qualquer pessoa que
a ela tenha tido acesso, com a finalidade de auferir vantagem, para si ou para outrem, no
mercado de valores mobiliários.
Fonte: Lei 6.404/76.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 61

O “insider trader”
Pessoa que, pela natureza do cargo que ocupa ou de atividade que exerce, tem acesso a dados
sigilosos antes de divulgados ao mercado, capazes de afetar a cotação dos papéis de emissão desta
companhia. O insider trader utiliza indevidamente essas informações relevantes (insider information)
em benefício próprio ou de outrem.

Exemplos
Exemplo 1: analistas de um banco de investimento negocia “dicas” sobre fusões de empresas
para obter lucros no mercado.
Exemplo 2: diretor de uma companhia aberta sabe que a empresa irá apresentar grande
prejuízo no mercado e comenta com o cunhado, insinuando que ele deve vender as ações
antes que a notícia faça o preço cair na Bolsa.

O “front runner”
Está associado a informações sobre movimentações de lotes de um determinado ativo no mer-
cado secundário e que devido à sua expressão impactam drasticamente os preços.

Exemplo
Um grande cliente da corretora decide comprar uma posição de ações que é muito expressiva em
relação ao volume movimentado pelo mercado. O operador da mesa compra uma posição para
o banco, antes de executar a ordem do cliente e a vende imediatamente depois, com ganho.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Normas e Regulação

[Link] relação às regras e controles de la- A. O cadastro deve abranger também os


vagem de dinheiro, em se tratando de dados das pessoas físicas que represen-
cadastro de clientes pessoas jurídicas, é tam a empresa.
correto afirmar que B. A atualização do cadastro deverá ser,
no máximo, semestral.
C. O cadastro deve abranger apenas os
dados das pessoas físicas que represen-
tam a empresa.
D. A pessoa jurídica deve informar fatura-
mento dos últimos 3 meses, além de
declaração firmada sobre os propósitos
de negócio com a Instituição.

2. Periodicidade máxima dos testes de veri- A. Mensal.


ficação do cadastro de clientes: B. Trimestral.
C. Anual.
D. A cada cinco anos.

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62 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

3. O funcionário de um banco, responsável A. Refere-se a uma transação ilícita deno-


pela mesa de câmbio, recebe uma ordem minada front running.
de compra de moeda estrangeira de um B. Refere-se a uma operação ilícita deno-
grande investidor estrangeiro. Perceben- minada insider trading.
do que a cotação da moeda terá tendên-
C. Feriu o princípio de Know your Custo-
cia de alta, solicita à sua esposa comprar
mer.
imediatamente os dólares para a viagem
de férias que farão. Podemos afirmar D. Constitui uma operação suspeita de la-
que este procedimento vagem de dinheiro.

4. Grupo de funcionários da Cia Ouro Firme A. Front Runner.


está sob investigação da CVM, pois teria B. Insider Trading.
negociado grande volume de compra
C. Know your customer.
de ações da companhia um dia antes do
anúncio da descoberta de novas minas D. Money Laundry.
de ouro. Esta irregularidade é conhecida
no mercado como:

5. As penalidades previstas na Lei 9.613 A. Multa pecuniária, apenas.


para o crime de lavagem de dinheiro são: B. Reclusão, apenas.
C. Multa pecuniária e reclusão.
D. Pagamento de fiança, apenas.

RESPOSTAS COMENTADAS – NORMAS E REGULAÇÃO

QUESTÃO 01 – Alternativa correta: A. O cadastro deve abranger, além dos dados da empresa,
os dados dos representantes legais.
QUESTÃO 02 – Alternativa correta C. Anual. Os bancos devem providenciar testes de verifica-
ção do cadastro de clientes com periodicidade máxima de um ano.
QUESTÃO 03 – Alternativa correta: A. Refere-se a uma transação ilícita denominada front
running.
QUESTÃO 04 – Alternativa correta: B. Insider Trading. É um caso típico de utilização de infor-
mações privilegiadas.
QUESTÃO 05 – Alternativa correta: C. A Lei prevê multa pecuniária de até R$ 20 milhões e
reclusão, de 3 a 10 anos.

4.4 Fundamentos de finanças e análise de investimentos


Introdução
Neste item abordaremos análise e interpretação do diagrama de fluxo de caixa e cálculo do Va-
lor Presente, Valor Futuro e Taxa de Desconto. O domínio destes assuntos é indispensável para
a elaboração do plano financeiro.

4.4.1 Valor presente, valor futuro, taxa de desconto e fluxo de caixa


Quando fazemos uma aplicação financeira, partimos do valor presente (os recursos que temos
para investir) e, aplicando a taxa de juros pactuada pelo prazo combinado, chegamos ao valor
futuro (os recursos que teremos no vencimento).

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 63

Exemplo:
Uma aplicação de R$ 100,00 a 6,17% a.a. durante um ano produz um montante (valor futuro)
de R$ 106,17: FV = 100 x 1.0617 = R$ 106,17
Ou na HP:
100 [PV]
1n
6,17 i
FV? → 106,17

Poderíamos, entretanto, fazer uma outra abordagem: Quanto precisamos aplicar hoje, a uma
taxa de 6,17% a.a. para ter R$ 100 em um ano? O que estamos querendo saber aqui é o valor pre-
sente da operação, e para conhecê-lo precisamos trazer o valor futuro a valor presente por uma
taxa, denominada taxa de desconto.

No exemplo citado:
PV = 100 / 1,0617 = R$ 94,19
Ou na HP:
100 [FV] [CHS] [ENTER]
1n
6,17 i
PV? → 94,19

Diagrama de fluxo de Caixa


Um título pode pagar principal e juros só no vencimento, juros periódicos e principal no venci-
mento, amortizações do principal mais juros periódicos, etc. Vejamos alguns exemplos:

Título I - Valor de face: R$ 1000 60 60 60 1060

Cupom anual de juros: 6%


Prazo: 4 anos
1000
Título II - Valor de face: R$ 1000
Diagrama de fluxo

310 310 310 310


Amortização anual de 25%
de caixa

Cupom anual de juros: 6%


Prazo: 4 anos 1000
1000
Título III - Valor de face: R$ 1000
Taxa de juros: 6%
Zero cupom 792,09

Prazo: 4 anos

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64 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Considerações importantes:
Quando desenhamos o diagrama de fluxo de caixa, as setas para baixo indicam saídas de caixa
e as setas para cima entradas.
O título III é denominado zero cupom. Seu valor de face e o valor no vencimento são iguais, e
seu valor presente é calculado descontando o valor de face pela taxa de juros de mercado. Não
tem pagamento intermediário de juros. O prazo médio e o vencimento (maturity) são iguais.
Embora os três títulos tenham o mesmo vencimento (maturity), os seus fluxos de caixa são
diferentes, consequentemente o prazo médio dos recebimentos é diferente.

4.4.2 Regime de capitalização simples. Proporcionalidade de taxas


No regime de capitalização simples a taxa de juros incide sempre sobre o mesmo capital inicial.
Exemplo: Considere uma aplicação de R$1.000 feita por 3 meses a uma taxa de 1% ao mês. Qual
será o montante no vencimento?

M = C (1 + i * n)
Onde
M= Montante Juro = 10 Juro = 10 Juro = 10
Capital = 1000 Capital = 1000 Capital = 1000
C= Capital
Montante = 1010 Montante = 1020 Montante = 1030
i = taxa de juros
n = prazo

Proporcionalidade de taxas
Duas taxas de juros, expressas em unidades de tempo diferentes, são proporcionais quando,
incidindo sobre o mesmo principal, durante um mesmo prazo, produzem um mesmo montante,
no regime de capitalização simples.

Exemplos
Exemplo I:
6% ao ano e 0,50% ao mês são taxas proporcionais:
R$ 100 aplicados durante um ano a 6% a.a. = R$ 106,00
R$ 100 aplicados durante 12 meses a 0,50% a.m. = R$ 106,00

Exemplo II:
Calcule a taxa proporcional ao bimestre de uma taxa de juros de 9% ao ano.
Taxa proporcional para dois meses será = (9/12) x 2 = 1,5%

4.4.3 Regime de capitalização composto. Equivalência de taxas


No regime de capitalização composto a taxa incide sobre o capital inicial acrescido dos juros
do período anterior. Utilizando o mesmo exemplo anterior, qual será o montante no vencimento?

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 65

M = C (1 + i) n
Onde
Juro = 10,00 Juro = 10,10 Juro = 10,20
M= Montante
Capital = 1000,00 Capital = 1010,00 Capital = 1020,10
C= Capital
Montante = 1010,00 Montante = 1020,10 Montante = 1030,30
i = taxa de juros
n = prazo

Equivalência de Taxas
Duas taxas de juros, expressas em unidades de tempo diferentes, são equivalentes quando, in-
cidindo sobre o mesmo principal, durante um mesmo prazo, produzem um mesmo montante, no
regime de capitalização composta.

Exemplo
6,17% ao ano e 0,50% ao mês são taxas equivalentes:
R$ 100 aplicados durante um ano a 6,17% a.a. = R$ 106,17
R$ 100 aplicados durante 12 meses a 0,50% a.m. = R$ 106,17

4.4.4 Taxa de juros nominal x juro real


Taxa de juros pode ser definida como a remuneração pelo uso do capital.

Taxa nominal
É a taxa contratada na aquisição de um título de renda fixa ou em um financiamento. Não
considera a inflação do período.
Exemplo: Apliquei recursos em um CDB a 12% a.a. pelo prazo de 1 ano. 12% a.a. é uma taxa
nominal. Para saber se obtivemos um ganho real, ou seja, um ganho acima da inflação, precisamos
conhecer a inflação do período.

Taxa real
É o ganho acima da inflação. No exemplo acima, se a inflação do período for de 5%, teremos
obtido um ganho real. Para calcular esse ganho, precisamos lembrar que praticamente 100% das
operações financeiras no Brasil utilizam juros compostos. Veja como fazer o cálculo:

Fórmula de Fisher: iR = {[(iN / 100) + 1] ÷ [(iINF / 100) + 1] - 1} * 100

Onde
iR é a taxa de juros real
iN é a taxa de juros nominal
iINFL é a inflação do período

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66 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Exemplo
Taxa nominal 12% a.a.
12/100 + 1 = 1,12 (indexador taxa nominal)
Inflação: 5% a.a.
5/100 + 1 = 1,05 (indexador inflação)
1,12 / 1,05 = 1.0667 (indexador taxa real)
(1.0667-1)*100= 6,67% a.a. é a taxa de juros real, ou seja, o ganho acima da inflação.

4.4.5 Estrutura a termo da taxa de juros em moeda local e moeda


estrangeira
Também chamada de curva de juros (Yield curve, em inglês) a estrutura a termo representa
a expectativa do comportamento futuro de uma determinada taxa, ou seja, é a relação entre
o tempo e a taxa.
Estrutura a termo
Dizemos que a curva ao lado apresenta
inclinação positiva, pois há expectativa de
alta de juros no tempo, causada por uma Taxa

expectativa de altas de inflação. Esta curva


geralmente é construída a partir dos retor-
nos dos títulos públicos.

Tempo

Cálculo da taxa de juros a termo


Vamos supor que o mercado esteja negociando Prazo (anos) Taxa de juros
hoje títulos conforme a tabela ao lado (supondo tí- 1 2,00%
tulo zero cupom, ou seja, pagamento somente no 2 2,50%
vencimento). 3 3,00%
Vamos descobrir qual é a taxa de juros a termo 4 3,50%
para o segundo ano de aplicação.
5 4,00%

• A taxa de juros de 1 ano será de 2,00% a.a. (fixada pelo mercado);


• Para o 2º ano, devemos considerar que, se um título de 2 anos for negociado por 1 ano, com
recompra ao final deste prazo, então o aplicador deverá receber apenas a remuneração de 1 ano,
ou seja, 2%, para que não ocorra arbitragem;
• Se a taxa de um título de 2 anos é 2,50% a.a. e o primeiro ano é de 2% a.a., então podemos
determinar a taxa para o segundo ano, como segue.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 67

105,6 Suponha uma aplicação de $100,00 por 2


anos. Taxa de 2,50% a.a., teríamos, no final,
um resgate de $105,06.

Uma aplicação de 1 ano de 100,00 pagaria no resgate $102,00


102

1a

. 100

A taxa do segundo ano será aquela que igualar o fluxo da data 1 ano ao da data 2 anos:
105,6

2a
102

Taxa juros (a termo) do 2º ano = $105,06 - 1 = 0,3 = 3,00%


$102

Então: (1+S2)2 = (1+S1) (1+t2) → 1,0506 = 1.02 * 1.03

Onde:
S1 = taxa spot para 1 ano
S2 = taxa spot para 2 anos
t2 = taxa a termo ou futura (taxa forward) entre os anos 1 e 2

Da mesma forma, pode-se calcular a taxa de juros (a termo) para os demais vencimentos:
Ano Taxa pré (spot) taxa a termo Valor de resgate
1 2,00% 2,00% R$ 102,00
2 2,50% 3,00% R$ 105,06
3 3,00% 4,00% R$ 109,27
4 3,50% 5,00% R$ 114,75
5 4,00% 6,04% R$ 121,66

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68 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

• A partir da construção desta curva, podemos obter as taxas de juros para qualquer prazo, dentro
do período de 5 anos, e até extrapolarmos para prazos maiores que 5 anos;
• Naturalmente, a curva de estrutura das taxas de juros não é fixa. Cada vez que variam as taxas
de curto prazo (por exemplo 1 ano), toda a curva se modifica;
• Quanto maior a amplitude de negociações de títulos em termos de prazo, (vencimentos), maior
a facilidade de construção da curva e o estabelecimento da taxa de juros.

Estrutura a termo da taxa de juros


A estrutura a termo da taxa de juros em reais, utilizada no apreçamento dos ativos,
é obtida a partir dos preços de ajuste dos contratos futuros de DI da B3. É o que
chamamos no mercado de curva de juros prefixada e estas taxas serão o parâmetro
para precificação de todos os demais ativos financeiros negociados no mercado direta
ou indiretamente.
Para vencimentos de fluxos entre os prazos diferentes daqueles previstos nos contratos
futuros de DI, realiza-se a interpolação exponencial das taxas, com base no número de
dias úteis.

4.4.6 Desconto bancário e desconto comercial


O desconto bancário consiste no adiantamento de recursos aos clientes, sobre duplicatas, notas
promissórias, cheques ou recebíveis de cartão de crédito.
As operações de desconto podem realizar-se tanto sob o regime de juros simples quanto no
de juros compostos. Os bancos utilizam largamente o regime de juros simples para operações de
curto prazo, ficando o desconto composto restrito a operações de longo prazo.
Tanto no regime de juros simples quando no de juros compostos, existem duas modalidades
de desconto:
a) Desconto racional (ou por dentro)
b) Desconto bancário, ou comercial (ou por fora). Para o cálculo do valor líquido a ser credi-
tado na conta do cliente, os Bancos utilizam o critério do desconto simples “por fora” também
conhecido como desconto bancário ou comercial.

Desconto racional (ou por dentro) – Juros simples


O desconto racional representa o conceito básico de juros simples. Veja a fórmula:

Desconto Racional = Valor Nominal Título x Taxa de Juros x Prazo


1 + Taxa de Juros x Prazo

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 69

Exemplo
Seu amigo tem um cheque predatado, disponível para saque em 3 meses, no valor de
R$ 20.000,00 e pede para você adiantar os recursos. Ambos concordam com a cobrança de
taxa de 24% ao ano, no regime de juros simples, calculado “por dentro”. Quanto dinheiro
você entrega para ele?

24% ao ano = 2% ao mês

20.000,00 x 0,02 x 3
Desconto Racional = = 1.132,07
1 + 0,02 x 3

R$ 20.000,00 – R$ 1.132,07 = R$ 18.867,93


Observe que 24% ao ano é o custo efetivo da operação para 3 meses
R$ 18.867,93 x 2% x 3 = R$ 1.132,07

Desconto racional
O desconto racional (ou “por dentro”) não é usual nas operações de desconto de duplicatas
ou cheques nas instituições financeiras

Desconto bancário ou comercial (ou “por fora”)


É a modalidade mais utilizada pelas instituições financeiras. A taxa de juros incide sobre o valor
nominal (valor de resgate) do título, representando maior ônus financeiro para o cliente. Veja a
fórmula:

Desconto por fora=Valor Nominal x Taxa de juros x prazo

Exemplo
Suponha que o amigo do caso anterior solicitou a mesma operação no banco onde ele
mantém conta-corrente. O Banco concorda com a taxa de 24% ao ano para 3 meses. O
banco cobra TAC (taxa de abertura de crédito) de 1% sobre o montante e IOF de 0,0041%
ao dia durante 90 dias, mais adicional de 0,38%. Quanto dinheiro seu amigo recebe?

Desconto por fora = 20.000,00 × 0,02 x 3 = 1.200,00

R$ 20.000,00 - R$ 1.200,00 = R$ 18.800,00 (valor bruto)


R$18.800,00 - R$200,00 (TAC) - R$73,80 (IOF) – R$76,00 (IOF adic.) = R$ 18.450,20

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70 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Custo efetivo total no desconto bancário


• A taxa bancária e o IOF são cobrados uma única vez no momento do desconto (“na cabeça”).
• Observe que o custo efetivo da operação é maior do que a taxa de juros de 24% ao ano:

Custo Efetivo =

( 18.450,20
20.000,00 )
- 1 × 100 = 7,749% ao período × 4 = 31% ao ano

4.4.7 Perpetuidade
Sequência perpétua de pagamentos periódicos, feitos em intervalos fixos de tempo e
montante constante. Para melhor compreensão do conceito de perpetuidade, vamos a um
caso prático.

Exemplo de perpetuidade

Marcos, proprietário de um imóvel comercial, recebeu de seu inquilino uma proposta de


compra da sala comercial que ocupa. Se o valor do aluguel recebido é de R$600,00 por mês,
e taxa de oportunidade de 1% ao mês, qual deverá ser o preço mínimo que o locador deve
aceitar pelo imóvel? (Lembre-se que taxa de oportunidade é o rendimento mínimo que um
investidor exige para aplicar suas economias).
Na essência da operação o proprietário está trocando rendimentos futuros, em forma de
aluguel, por um único valor recebido no ato da venda do imóvel. Sendo assim, a situação
não apresenta um número conhecido de aluguéis a receber, ou seja, dos PMTs que devem
ser descapitalizados, mas por princípio, acredita-se que o número de aluguéis a receber é
indeterminado, perpétuo. Vejamos a fórmula:

PMT
PV =
i

Aplicando a fórmula acima no nosso exemplo, o preço mínimo que o proprietário deve
aceitar é:
60.000,00
PV= 600 =
0,01

4.4.8 Séries de pagamento: SAC, Price e SAA


Entende-se sequência uniforme de capitais como sendo o conjunto de pagamentos (ou
recebimentos) de valor nominal igual, que se encontram dispostos em períodos constantes,
ao longo de um fluxo de caixa. Se a série tiver como objetivo a constituição do capital, este
será o montante da série; se o objetivo for a amortização de um capital, este será o valor atual
da série. (TEIXEIRA, 1998).

Série uniforme postecipada (END)


Na série uniforme de pagamento postecipado o primeiro pagamento ocorre no momento 1;
este sistema é também chamado de sistema de pagamento ou recebimento sem entrada.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 71

Exemplo
O preço à vista de um carro é de R$ 60.000,00. Entretanto, pode ser adquirido em
12 pagamentos iguais, sendo o primeiro pagamento efetuado 30 dias após a compra.
Considerando que a loja cobra taxa efetiva de juros de 5% ao mês, determinar o pagamento
mensal a ser efetuado.
60.000,00 [PV]
12 [ n ]
5[i]
PMT? → 6.769,52

Série uniforme antecipada (BEGIN)


Na série uniforme de pagamentos antecipados o primeiro pagamento ocorre na data focal
0 (zero). Este tipo de sistema de pagamento é também chamado de sistema de pagamento
com entrada.

Exemplo
Aplicando-se R$200,00 por mês em um título de renda fixa a uma taxa de 0,5 % a.m., pede-se
calcular o montante ao final de 10 anos, sabendo-se que as aplicações são feitas sempre no
início de cada mês.
Observe que 120 = 10 anos x 12 meses.
[g] [BEG]
200 [CHS] [PMT]
0,5 [ i ]
120 [ n ]
[FV] ? → R$ 32.939,75

Séries antecipadas e postecipadas na HP


Na calculadora HP12C, o modo normal de operação é na posição g END, ou seja, fluxo
postecipado.
Para as sequências antecipadas, deve-se teclar g BEG
(BEG de begin = início).
Caso não seja feita nenhuma referência, devemos considerar sempre que o fluxo é
postecipado.

Série de pagamentos com carência


Uma Série Uniforme de Pagamentos Diferidos (ou com carência) caracteriza-se pelo fato de
o primeiro pagamento ser efetuado após um período de carência. Esse tipo de série uniforme de
pagamentos é utilizado apenas em amortização.

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72 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Exemplo
Suponha um empréstimo de R$ 30.000,00 que deverá ser liquidado em 12 pagamentos
mensais iguais, à taxa efetiva de juros de 3% a.m. Considerando-se carência de 5 meses,
calcular o pagamento mensal a ser efetuado.
Este problema exige que a solução seja realizada em 2 partes:
• Passo 1: calcular o valor da dívida corrigida até o final da Carência, neste caso o Valor Futuro
no 5º mês.
• Passo 2: Calcular o PMT correspondente a esta dívida corrigida até o 5º mês.

Passo 1
30.000 [CHS] [PV]
3[i]
5[n]
[FV]? → 34.778,22

Passo 2
34.778,22 [CHS] [PV]
3[i]
12 [ n ]
[PMT]? → 3.493,89

Sistemas de amortização: SAC, Price e SAA


Quem faz um financiamento recebe um capital sobre o qual incidirá juros. As prestações (ou
parcelas) serão pagas até que todo o saldo da dívida seja quitado. Cada prestação tem duas partes:
amortização e juros.

PRESTAÇÃO = AMORTIZAÇÃO + JUROS

Amortização é a parte do capital que está sendo devolvida à instituição financeira.


Juros representa o custo do “aluguel” do dinheiro e incide sobre todo o saldo da dívida, o saldo
devedor.
Nos contratos de financiamento, são duas as formas de amortização mais comuns: O SAC –
Sistema de Amortização Constante e a Tabela Price.

SAC- Sistema de Amortização Constante


Neste sistema, as prestações são decrescentes. A parte que se destina a amortizar o capital é
constante; a parte dos juros é decrescente já que o saldo devedor diminui ao longo do tempo.

Sistema Price (Sistema Francês)


Nesse sistema as prestações são fixas, os juros decrescentes e a amortização, crescente.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 73

Comparativo Tabela Price x SAC

Valor do financiamento R$ 50.000


Taxa efetiva de juros ao mês 1%
Prazo (em meses) 12

Tabela Price SAC


Mês Amort. Juros Prestação Saldo Amort Juros Prestação Saldo
1 3.942 500 4.442 46.058 4.167 500 4.667 45.833
2 3.982 461 4.442 42.076 4.167 458 4.625 41.667
3 4.022 421 4.442 38.054 4.167 417 4.583 37.500
4 4.062 381 4.442 33.992 4.167 375 4.542 33.333
5 4.103 340 4.442 29.890 4.167 333 4.500 29.167
6 4.144 299 4.442 25.746 4.167 292 4.458 25.000
7 4.185 257 4.442 21.561 4.167 250 4.417 20.833
8 4.227 216 4.442 17.334 4.167 208 4.375 16.667
9 4.269 173 4.442 13.065 4.167 167 4.333 12.500
10 4.312 131 4.442 8.753 4.167 125 4.292 8.333
11 4.355 88 4.442 4.398 4.167 83 4.250 4.167
12 4.398 44 4.442 0 4.167 42 4.208 0

Como regra geral, as parcelas iniciais no SAC são maiores que no Price, mas vão decres-
cendo até atingirem valores bem inferiores ao do Price. O gráfico abaixo compara as duas
modalidades:
O valor da parcela se
Valor da prestação no tempo
equipara nas duas tabelas
4.800
próximo à metade do pra-
4.700
zo de financiamento (nes-
4.600
4.500
te exemplo, 06 meses).
4.400
SAC -
4.300
Price -
4.200
4.100
4.000
3.900
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

SAA – Sistema e Amortização Americano


No SAA o tomador do financiamento paga periodicamente apenas os juros e, no final do prazo
contratado, paga o capital em parcela única. O SAA também pode ser contratado sem o pagamen-
to periódico de juros, que são capitalizados e acrescidos ao saldo devedor.

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74 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Exemplo

Um cliente contratou um financiamento de R$ 50.000,00 através do sistema americano no


prazo de 12 meses, a juros mensais de 3% ao mês. Veja o fluxo da operação:

Mês Amort. Juros Saldo devedor Observe que, no vencimento


capital da operação, o tomador
paga o valor da dívida mais
0 0 0 50.000 a última parcela dos juros.
1 0 1500 50.000 Este sistema é mais utilizado
para pagamento de dívidas
2 0 1500 50.000 no exterior.
3 0 1500 50.000
4 0 1500 50.000
5 0 1500 50.000
6 0 1500 50.000
7 0 1500 50.000
8 0 1500 50.000
9 0 1500 50.000
10 0 1500 50.000
11 0 1500 50.000
12 50.000 1500 51.500

4.4.9 Taxa mínima de atratividade e custo de oportunidade


A taxa mínima de atratividade (TMA) é a taxa mínima que um investidor exige para aceitar um
novo investimento. Normalmente o ativo livre de risco de uma economia pode ser utilizado para
este fim, como é o caso da taxa SELIC para o contexto brasileiro.
No ambiente empresarial, a taxa mínima de atratividade é a taxa que será utilizada nos
métodos de análise de viabilidade econômica para que um investimento seja (ou não) consi-
derado viável. Nesse contexto a TMA normalmente utilizada é igual ao custo de capital da
empresa ou novo negócio.
O custo de oportunidade é a opção de investimento que foi deixada de lado. Sempre que há
uma escolha, há também uma renúncia. O custo de oportunidade representa a opção que foi re-
nunciada e não implica necessariamente em uma taxa. É um contexto econômico de ampla inter-
pretação. Porém, quando trazido ao contexto financeiro, pode ser representado pela rentabilidade
que o investidor obteria na aplicação que não fez.

4.4.10 Taxa de desconto em ativos financeiros


A taxa de desconto se refere ao valor de antecipação de um capital investido. Permite avaliar se
o valor projetado, como o fluxo de caixa ou o faturamento de uma empresa, é viável se comparado
com o cenário atual.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 75

4.4.11 Taxa Interna de Retorno (TIR). TIR Modificada


Taxa Interna de Retorno (TIR)
De acordo com Ross, Westerfield e Jaffe (2002), a TIR – Taxa Interna de Retorno é a taxa de
desconto que iguala os fluxos de entradas com os fluxos de saídas de um investimento. Com ela
procura-se determinar uma única taxa de retorno, dependente exclusivamente dos fluxos de caixa
do investimento, que sintetize os méritos de um projeto.
Para calcular a TIR é necessário ter o fluxo de entradas e saídas no tempo, unificar a unidade de
tempo e calcular qual a taxa de juros que iguala o valor dos fluxos futuros ao valor do momento zero.

Suponha o seguinte fluxo de caixa:

R$ 1000
  R$ 1000
  R$ 1200
  R$ 1200 R$ 11200
   
Tempo Valores Fluxo
0 -10000
1 1000
2 1000
3 1200
R$ (10.000) 4 1200
5 11200
TIR 11,07%

Só existe uma taxa de juros que iguala os fluxos futuros acima ao valor de 10.000,00. Veja o
cálculo na HP.

Calculando na HP
Tempo Fluxo original Digitar na HP12C
0 -10000 10000 [CHS] [g] CFo teclas azuis
1 1000 1000 [g] CFj teclas azuis
2 1000 1000 [g] CFj teclas azuis
3 1200 1200 [g] CFj teclas azuis
4 1200 1200 [g] CFj teclas azuis
5 11200 11200 [g] CFj teclas azuis
[f] IRR teclas amarelas
11,07% a.a.

Como verificar se a TIR é 11,07% a.a.?


Trazendo a valor presente cada fluxo de caixa considerando o tempo e a TIR calculada acima,
verificamos que a somatória do Valor Presente dos fluxos de caixa futuros é igual ao desembolso
inicial do fluxo. Lembrando a fórmula do Valor Presente:

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76 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Valor Presente = Valor das parcelas

(
1 + i n
100 )
Calculando na HP
Tempo Fluxo original Cálculo dos fluxos individuais a Valor
presente a TIR = 11,07%
0 -10000
1 1000 900
2 1000 810
3 1200 876
4 1200 788
5 11200 6626
10000

Ficou demonstrado que a TIR de 11,07% é a taxa que iguala os fluxos futuros descontados ao
desembolso inicial de R$ 10.000,00.
A TIR tem duas limitações importantes, quais sejam:
• Os fluxos de caixa positivos são reinvestidos com a mesma taxa do custo do capital
• Em determinados projetos são obtidos múltiplos resultados.
• Visando reparar as limitações da TIR, surge a Taxa Interna de Retorno Modificada.
TIR Modificada (TIRM)
A taxa interna de retorno modificada (TIRM) consegue eliminar estas limitações, além de servir
para o julgamento de alternativas de investimentos, a exemplo da TIR.
A TIRM considera em um investimento as possibilidades: lucrativo, indiferente ou insatisfató-
rio, conforme os respectivos resultados, maior, igual ou menor que a taxa de atratividade ou do
custo de oportunidade de um investimento alternativo.
Com a TIRM, poderemos inferir qual a taxa de reinvestimento dos fluxos futuros que poderão
ser diferentes da TIR.
Exemplo da TIRM com fluxos anuais
Tempo Valores Fluxo
R$ 1000
  R$ 1000
  R$ 1200
  R$ 1200 R$ 11200
   
0 -10000
1 1000
2 1000
3 1200
4 1200
R$ (10.000) 5 11200
TIR 11,07%

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 77

1º passo: calcular o Valor Presente de todos os fluxos negativos obtendo um PV (somente dos
fluxos de saídas de caixa). Neste caso somente um PV: R$ 10.000,00
2º passo: calcular o Valor Futuro dos fluxos de caixa positivos- escolhendo a taxa de juros esti-
mada dos reinvestimentos. Calcule o FV do fluxo considerando a taxa de reinvestimento de apenas
6% a.a.
FV= 1000x(1,06)4 + 1000x(1,06)3 + 1200x(1,06)2 + 1200x (1,06)1 + 11200 = -R$ 16.273,81
3º passo: agora temos um fluxo de caixa bem simples com um PV e um FV e um valor de n.
A TIR deste fluxo será denominada TIRM.
10000 [CHS] [PV]
16.273,81 [PV]
5[n]
i? → 10,23% a.a. (esta é a TIRM)

TIR X TIRM
TIR TIRM
11,07 10,23
Supõe que o fluxo de caixa serão Podemos interferir no cálculo estimando a taxa de juros
reinvestidos a taxa de TIR dos reinvestimentos dos fluxos recebidos no futuro
(neste caso escolhemos 6% a.a.)

4.4.12 Valor Presente Líquido (VPL)


O Valor Presente Líquido (VPL ou NPV-Net Present Value, em inglês) é calculado pela diferen-
ça entre o valor presente das entradas de caixa previstas no futuro e o valor do desembolso de
caixa no momento zero.

NPV=Valor presente dos fluxos futuros-valor investido em D0

Como podemos deduzir da fórmula acima, o cálculo do VPL exige que se determine uma taxa
de retorno mínima requerida para o investimento.

Exemplo do Valor Presente Líquido.


Suponha um investimento com as
2500 2500 2700 3000 3000
características ao lado e o custo de
oportunidade (atratividade) do in-
vestidor é de 10% a.a.:
Se calcularmos a TIR (IRR) será
de 11,05% a.a.
10000 Se calcularmos o VPL (NPV)
considerando a taxa de atratividade
de 10% a.a., acharemos um valor
presente líquido de R$ 279,20:

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78 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Exemplo
Calculando VPL (NPV) na HP 12 C
Limpar registros financeiros anteriores [f] [clear fin]
Trocando o sinal e inserindo no
Saída de caixa (d0) 10000 [CHS] [g] [Cfo]
fluxo de caixa zero
Resgate 1 2500 [g] [CFj] Fluxo de caixa 1
Resgate 2 2500 [g] [CFj] Fluxo de caixa 2
Resgate 3 2700 [g] [CFj] Fluxo de caixa 3
Resgate 4 3000 [g] [CFj] Fluxo de caixa 4
Resgate 5 3000 [g] [CFj] Fluxo de caixa 5
Taxa Atratividade 10 [i] Inserir taxa de juros
Resultado do NPV [f][NPV] Resposta = 279,2

Conclusão: O investimento é atraente porque o VPL é positivo

BOX: NPV – NET Present Value


O NPV indica a atratividade econômica do projeto.
NPV > Zero: O projeto cria valor econômico, agregando riqueza aos acionistas.
NPV < Zero: O projeto destrói valor econômico, reduzindo a riqueza dos acionistas
NPV = Zero: O projeto remunera apenas o custo de oportunidade, não agregando riqueza aos acionistas.
Fonte: Curso de Administração Financeira. Alexandre Assaf Neto/Fabiano Guasti Lima

4.4.13 Payback e Payback Modificado (descontado)


Payback Nominal
É o método mais popular na avaliação de investimentos em que consiste em calcular o período
necessário para que o valor investido seja recuperado.
Exemplo
Payback nominal (sem considerar o dinheiro no tempo) 
Ano Evento Saída inicial Recebimentos
0 Aplicação -10000
1 Resgate 2500
2 Resgate 2500
3 Resgate 2700
4 Resgate 3000
5 Resgate 3000
Somatório dos recebimentos 13700
Recebimento médio (total/n) 2740
Payback nominal em anos = 10000 / 2740 -3,65 anos

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 79

Cálculo do Payback Modificado (descontado)

Exemplo
Payback Descontado. Agora usando o fluxo de caixa descontado a uma taxa de juros de 10% a.a.
Ano Evento Valores do Fluxo de Valor Presente de Memória de
caixa cada fluxo futuro cálculo
0 Aplicação -10000
1 Resgate 2500 - R$2.272,73  2500/1,10
2 Resgate 2500 - R$2.066,12  2500/1,10²
3 Resgate 2700 - R$2.028,55  2700/1,10³
4 Resgate 3000 R$2.049,04  3000/1,104
5 Resgate 3000 R$1.862,76  3000/1,105
Tx Atratividade 10%
Somatório dos recebimentos - R$10.279,20
Recebimento médio (total /n) - R$2.055,84 10279,20/5
Payback nominal em anos - 4,86 10000/2055,84

4.4.14 Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC)


O custo médio ponderado de capital, denominado na terminologia original por Weighted Ave-
rage Cost of Capital ou apenas pela sigla WACC, é usado para duas importantes funções na gestão
financeira:

• Para calcular o valor da empresa, quando usado como taxa de desconto de fluxos de caixa futuros e
• Para avaliar a viabilidade de novos projetos, funcionando como “taxa mínima” a ser ultrapassa-
da para justificar o seu investimento.

Como a designação indica, o CMPC é a média ponderada do custo de capitais próprios e de


terceiros. Veja a fórmula:

Onde:
E = valor do capital próprio
D = valor do capital de terceiros
rE = taxa de custo do capital próprio
rD = taxa de custo do capital de terceiros
T = alíquota de imposto

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80 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Exemplo
Uma empresa possui um capital de 1,4 milhão de ações, cotadas a R$ 20,00. O custo do capital
próprio é de 12% ao ano. As dívidas somam R$ 5 milhões a um custo de 15% ao ano. A alíquota
de impostos é de 34%. Qual é o CMPC dessa empresa?

CMPC=
28.000.000 5.000.000
0,12+ 0,15 (1 - 0,34) = 0,1168 OU 11,68%
(28.000.000+5.000.000) 28.000.000+5.000.000

Exemplo adaptado de Ross, Westerfield, Jordan: “Princípios de Administração Financeira”

4.4.15 Medida de fluxo de caixa incluindo lucro antes de juros,


impostos, depreciação e amortização (LAJIDA ou EBITDA)
EBITDA em inglês é a abreviatura de Earnings Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization.
Portanto, significa lucro antes de juros, imposto de renda, amortização e depreciação, o que em
português abrevia-se como LAJIDA - Lucro antes dos Juros, Imposto de Renda, Depreciação e
Amortização.
O EBITDA representa a geração operacional de caixa da companhia, ou seja, o quanto a em-
presa gera de recursos apenas em sua atividade, sem levar em consideração os efeitos financeiros
de juros, pagamento de impostos e desconsiderando a despesa de amortização que está no resulta-
do, mas não representou desembolso de caixa. É um importante indicador para avaliar a qualidade
operacional da empresa.

Exemplo cálculo do EBITDA:


Demonstração do Resultado do Exercício findo em 31/12/20XX ($000)
□ Receita Líquida de Vendas 10.000
□ (-) Custo dos Produtos Vendidos 4.800
□ Lucro Bruto 5.200
□ (-) Despesas Operacionais
Vendas 1.500
Administrativas e Gerais 550
Financeiras (Juros pagos) 250
□ Lucro Operacional 2.900
DETERMINAÇÃO DO E B I T D A
□ Lucro Operacional 2.900
□ (+) Depreciação / Amortização 180
(+) Juros 250
EBITDA 3.330

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 81

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Fundamentos de finanças

1. Uma empresa fez uma captação no A. 12,46% a.a.


valor de R$ 50.000,00 via debêntures B. 10,32% a.a.
de infraestrutura e se comprometeu
C. 9,45% a.a.
em fazer o pagamento em 3 anos,
com pagamentos anuais e sequen- D. 8,00% a.a.
ciais de R$ 25.000,00, R$ 20.000,00 e
R$ 17.000,00. Qual foi a taxa de retor-
no obtida pelo investidor?

2. Patrícia deseja acumular um saldo de A. R$ 625,78.


R$ 300.000,00 em seus investimentos B. R$ 691,25.
em 15 anos. Considerando taxa de ju-
C. R$ 711,49.
ros real de 6% ao ano e saldo inicial
de R$ 40.000,00, qual o valor do apor- D. R$ 731,52.
te que deverá ser feito por Patrícia, ao
final de cada mês, para atingir seu ob-
jetivo?

3. Fernando está comprando seu primei- A. PRICE: 2.017,40 e SAC: 2.416,66.


ro imóvel e deverá financiar parte do B. PRICE: 2.416,66 e SAC: 2.017,40.
valor. Ele pode optar entre Tabela Price
C. PRICE: 2.025,00 e SAC: 2.349,00.
ou SAC. Considerando os dados abai-
xo, indique qual seria o valor da pri- D, PRICE: 2.349,00 e SAC: 2.025,00.
meira parcela em cada um dos casos.
Valor do financiamento: R$ 100.000,00
Taxa efetiva de juros: 2% ao mês
Prazo: 20 anos (ou 240 meses)

4. O Sr. Pedro é comerciante e trabalha A. Descontar os cheques e pagar à vis-


com cheques pré-datados. Ele tem ta, pois o desconto do fornecedor é
cheques no valor de R$ 15.000,00 ven- maior que o custo efetivo do descon-
cendo em 60 dias e precisa comprar to.
mercadoria para reposição de esto- B. Não descontar os cheques e pagar
que. O Banco cobra 18% ao ano “por em 60 dias.
fora”, mais TAC de 0,50%, mais IOF de
0,0041% ao dia, mais IOF adicional de C. Do ponto de vista econômico, tan-
0,38%. Comprando à vista, Sr. Pedro to faz; o custo efetivo da operação
obtém do fornecedor um desconto de é praticamente igual ao desconto de
20% sobre o valor da mercadoria. 25%.
Considerando apenas os dados acima, D. Descontar os cheques a 18% ao ano,
indique qual seria a melhor opção. investir em um título com remune-
ração de 20% ao ano por 60 dias e
comprar a prazo do fornecedor.

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82 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

RESPOSTAS COMENTADAS – Fundamentos de finanças

QUESTÃO 01 – Alternativa correta: A. Veja o cálculo na HP:


Teclas da HP12C Objetivo Visor
[f] [clear fin Limpar os registros anteriores 0,00
50000 [CHS] [g][CFo] CHS troca o sinal para negativo, 50000
informando saída de caixa
25000 [g][CFj] Inserir 1º fluxo 25000
20000 [g][CFj] Inserir 2º fluxo 20000
17000 [g][CFj] Inserir 3º fluxo 17000
[f] [IRR] Solicitar taxa interna de retorno
Resposta: 12,46% a.a.

QUESTÃO 02 – Alternativa correta: C R$ 711,49


PV = (40.000,00)
i = 0.48676 = ((1.06)^(1/12)-1) x 100
N = 180 ( 15 x 12 )
FV = R$ 300.000,00
PMT = ? → 711,49
QUESTÃO 03 - Alternativa correta: A. PRICE: 2.017,40 e SAC: 2.416,66
Price (parcela constante)
100.000 [PV]
240 [ n ]
2 [i]
PMT=? → 2.017,40
SAC (amortização constante)
Amortização = 100.000/240 = 416,66 + Juros = 100.000 * 2% = 2.000
Valor da parcela = 2.000 + 416,66 = 2.416,66
QUESTÃO 04 - Alternativa correta: A. Desconta os cheques e paga à vista, pois o desconto do
fornecedor é maior que o custo efetivo do desconto.
Vejamos o custo efetivo da operação de desconto:
15.000 x 3% = R$ 450,00
15.000 – 450,00 = R$ 14.550,00 (valor bruto)
14.550 – 36,90 (IOF) – 57,00 (IOF adicional) – 75,00 (TAC) = 14.381,10
(14.381,10 /15.000,00 – 1 ) x 100 = 4,126% ao bimestre = 24,75% ao ano
Como o desconto do fornecedor é 20% sobre o valor total, vale a pena descontar os cheques a
um custo de 4,126% pelo período e comprar à vista, com desconto de 20%

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 83

5. GESTÃO FINANCEIRA

Introdução
Assim como acontece com a pessoa jurídica, que requer a elaboração de alguns relatórios finan-
ceiros (como o Balanço Patrimonial e as Demonstrações de Resultados do Exercício), as pessoas
físicas deveriam conhecer a situação financeira pessoal e do grupo familiar ao qual pertencem, de
modo a tomar decisões mais adequadas sobre gastos e investimentos. No entanto, é pequeno o
número de pessoas que sabem exatamente o valor das suas receitas, e menor ainda, o número de
pessoas que sabem quanto gastam.
Se uma empresa desconhecer quanto fatura e quanto gasta, provavelmente irá à falência, certo?
Pois bem, o mesmo acontece com as pessoas físicas. O desconhecimento da própria situação
financeira leva o indivíduo a tomar decisões inadequadas de gastos, investimentos e crédito, com-
prometendo sua saúde financeira. O desafio do planejador financeiro é mostrar ao cliente que o
primeiro passo é, necessariamente, a elaboração do orçamento, já que sem ele o planejamento não
existe. Um orçamento bem planejado viabiliza uma vida financeira saudável.

5.1 Orçamento e fluxo de caixa


Continuando com a analogia da pessoa jurídica, o orçamento pessoal equivale ao fluxo de caixa
da empresa, e permite identificar se há sobra (superávit) de recursos para direcionar a investimen-
tos, ou falta de recursos (déficit), em cujo caso a pessoa deverá tomar crédito.

Cada pessoa lida de maneira diferente com o orçamento:


• Alguns ignoram completamente sua existência;
• Outros fazem, mas nunca conseguem cumprir as metas que propõem;
• Poucos fazem e são disciplinados, fazendo as correções de rota, quando necessário.

Como elaborar um orçamento


Considere os passos abaixo como orientações apenas. Verifique junto ao seu cliente qual é o
método que faz sentido para ele.

1. Analise as receitas
Salário (se assalariado), pró-labore e distribuição de lucros (se empresário), alugueis, rendi-
mentos de aplicações financeiras e outras receitas regulares. Para efeitos de orçamento, é preciso
calcular os valores líquidos, após incidência de IR e outros encargos ou tributos.

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84 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

2. Analise os gastos
As pessoas tendem a conhecer o valor das grandes despesas (aluguel, plano de saúde, escola
das crianças), mas desconhecem o montante dos pequenos gastos do dia-a-dia, esses são os que
fogem mais facilmente do controle.

Azul ou vermelho?
Se estiver com o orçamento equilibrado, mas ainda não começou a poupar, procure cortar gas-
tos, para começar a montar sua reserva de emergência. Comece tentando poupar 5% do que você
ganha e, uma vez atingido este objetivo, tente elevar seu nível de poupança a 10% das suas receitas.

Ficou no vermelho? Verifique quais são os itens de maior peso no seu orçamento e analise a
viabilidade de reduzir os valores despendidos, envolvendo todo seu grupo familiar neste objetivo.

Orçamento pessoal - Exemplo


ORÇAMENTO PESSOAL
RECEITAS DESPESAS
Salários Fixas
Bônus/gratificações/comissões Aluguel/condomínio
Trabalho autônomo Prestações/parcelas de financiamentos
Honorários (ex. serviços de assessoria Prêmios de seguro
tributária)
Rendimentos dos investimentos Pensão alimentícia
(ex. dividendos, juros, alugueis)
Benefícios sociais do governo Variáveis
(ex. aposentadoria)
Transporte
Despesas pessoais (alimentação, roupas, acessórios)
Despesas com educação
Comunicação (telefone, celular, internet)
Contas de luz/água/gás
Saúde
Entretenimento/lazer
Manutenção (casa e automóvel)
Férias
Como podemos verificar, a coluna das receitas é bem mais restrita do que a das despesas. De um
modo geral, as pessoas têm ganhos limitados e necessidades infinitas.
Se receitas MAIOR QUE despesas → Capacidade de poupar
Se receitas MENOR QUE despesas → Necessidade de correção de rota

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 85

5.1.1 Capacidade de poupança


Uma vez elaborado o orçamento e identificadas todas as fontes de receitas e despesas, é o
momento de analisar a capacidade de poupança do cliente. Se receitas MAIOR QUE despesas →
capacidade de poupar
O primeiro e principal propósito de um plano financeiro é criar ou ampliar a capacidade de
poupar, o que viabilizará a conquista dos objetivos definidos para curto, médio e longo prazos.
Veja o cálculo do índice de poupança:

Índice de poupança = Resultado disponível para investir


Receitas

Exemplo
Cícero tem renda líquida de R$ 4.500,00 e consegue investir R$ 150,00 todos os meses em
títulos públicos. Seu índice de poupança é:
150
Índice de poupança = = 3,33%
4500

Resposta: O índice de poupança é de 3,33%

5.1.2 Fundo de emergência


Imprevistos acontecem. E precisamos estar preparados para encará-los. Problema de saúde na
família, falha mecânica do carro, cano que estoura, são alguns exemplos de situações que deman-
dam solução imediata. Entrar no cheque especial ou no crédito rotativo do cartão não são alterna-
tivas viáveis, já sabemos disso. Portanto, só existe uma saída: planejar-se para o que os americanos
conhecem como “rainy days” (dias chuvosos), criando hoje um fundo destinado a emergências.

Para refletir:
O dimensionamento do fundo de emergência é desafiador. Entendemos que o valor deve
variar entre 3 e 6 meses das suas despesas correntes. Por exemplo, se suas despesas mensais
somam R$ 10.000,00, você deverá ter entre R$ 30.000,00 e R$ 60.000,00 poupados em um
produto com liquidez e de baixo risco. Construir esta poupança exige tempo e perseverança,
mas é o primeiro passo para garantir o sucesso nas suas finanças pessoais.

5.2 Balanço patrimonial pessoal


O balanço patrimonial pessoal pode ser considerado uma fotografia da situação patrimonial
da pessoa em determinado momento. Considerando que essa situação sofre alterações ao longo
do tempo, é preciso refazer esse balanço periodicamente (pelo menos uma vez por ano). A época
de entrega da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física é ideal para analisar a evolução
patrimonial do ano de referência, já que no formulário são reportados ao ativos (bens e direitos)
e os passivos (dívidas e obrigações).

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86 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

5.2.1 Ativos de uso e não uso


Para elaborar o balanço é importante separar os ativos em ativos de uso e ativos de não uso
(também chamados ativos de investimento), além de relacionar eventuais dívidas contraídas pela
aquisição (ex.: parcelas do financiamento imobiliário).
A soma de todos os ativos (uso + não uso), descontadas as dívidas (saldo devedor), resultará
no Patrimônio Líquido do cliente.

Exemplos de ativos de uso


• Imóvel para moradia;
• Casa de campo;
• Veículos da família.

Exemplos de ativos de não uso


• Participação Societária;
• Aplicações Financeiras;
• Imóvel (casa, terreno, etc.) comprado para locação ou venda futura;
• Veículo usado para gerar renda (ex. frota de taxis).

Balanço ptrimonial pessoal - Exemplo


BALANÇO PATRIMONIAL
ATIVO PASSIVO
Bens de uso: Dívidas:
residência da família cartão de crédito
veículos da família saldo do financiamento do carro
chácara de fim de semana saldo do financiamento imobiliário
Bens de não uso:
participações societárias
investimentos PATRIMÔNIO LÍQUIDO
frota de taxis
PL = ATIVO - PASSIVO
terra produtiva arrendada
Importante salientar que o Patrimônio Líquido (Ativos – Passivos) é um dos mais importantes
indicadores em finanças pessoais e o monitoramento de sua evolução evidenciam como as finanças
do cliente tem se comportado no período analisado.

5.2.2 Principais indicadores: índices de liquidez, cobertura de


despesas mensais, endividamento e poupança.
Índice de liquidez
Um dos principais objetivos desse índice é medir a capacidade de pagamento a curto e a longo
prazo das obrigações do indivíduo ou família.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 87

A liquidez é um fator muito importante na avaliação de um plano financeiro. Uma família po-
derá ter um patrimônio enorme, e não conseguir pagar as contas do dia-a-dia por falta de liquidez.
Veja como calcular este índice.

Índice de liquidez = Ativo de Curto Prazo


Passivo de Curto Prazo

O valor dos ativos líquidos de curto prazo deve ser igual ou maior do que o valor dos passivos
de curto prazo, ou seja, é aconselhável que o índice de liquidez seja acima de 1.

Exemplo
Miriam tomou crédito pessoal por R$ 30.000,00 vencendo hoje. Seus ativos são: R$ 2.000,00
em conta-corrente; R$ 20.000,00 em CDB com vencimento de 2 anos sem liquidez e a
casa onde mora, no valor de R$ 500.000,00. Qual conclusão podemos tirar em relação ao
pagamento da dívida?
2000
Índice de liquidez = = 0,0667
30000
Resposta: Miriam não tem liquidez para pagar a dívida que vence hoje.

Índice de cobertura das despesas mensais


Este índice responde à seguinte pergunta: Por quantos meses a pessoa mantém o padrão de
vida se ficar sem renda, apenas contando com ativos líquidos de curto prazo? Veja o cálculo:

Índice de cobertura = Ativo de Curto Prazo


Despesas mensais

Exemplo
Jorge acabou de ser demitido, recebendo na rescisão R$ 22.000,00. Ele tem despesas mensais
de R$ 7.500,00 e recursos na poupança no valor de R$ 10.000,00. Quantos meses ele
consegue sobreviver, mantendo o padrão de vida atual?

22.000 + 10.000
Índice de cobertura = = 4,27 meses
7.500
Resposta: Jorge consegue manter o padrão de vida por 4 meses.

Índice de endividamento
Indica quanto do patrimônio líquido de uma pessoa ou família foi constituído com recursos de
terceiros (dívidas).

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88 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Índice de endividamento = passivo total (dívidas)


ativo total

Exemplo
Bernardo tem ativos no valor de R$ 1 milhão. Suas dívidas, incluindo parcelas a
pagar do financiamento imobiliário e do carro, somam R$ 450.000,00. O índice de
endividamento é:

450000
Índice de endividamento = = 0,45 ou 45%
1000000

Significa que 45% dos ativos de Bernardo são financiados por dívidas.

Índice de poupança
É o índice que indica, em percentual, que montante da receita mensal foi destinada a investi-
mentos. Manter um índice de poupança elevado é um fator crítico de sucesso para que o objetivo
do plano financeiro seja atingido.

Índice de poupança = resultado disponível para investir


Receitas

Exemplo
Sérgio, 36 anos, é solteiro e sem filhos. Sua receita líquida mensal é R$ 15.000,00,
entretanto, ele consegue poupar apenas R$ 500,00/mês. Qual o índice de poupança do
Sérgio?

500
Índice de poupança = = 3,33%
15.000

O índice de 3,33% é considerado baixo para uma pessoa solteira e sem filhos. Ele precisa
melhorar sua capacidade de poupar (gastar menos ou aumentar suas receitas).

Índice de endividamento x Índice de liquidez x Índice de cobertura


Endividamento: Indica quanto do patrimônio líquido de uma pessoa ou família foi constituído
com recursos de terceiros (dívidas).
Liquidez: mede a capacidade de pagamento das obrigações do indivíduo ou família com
os recursos líquidos disponíveis. Índice abaixo de 1, indica que as dívidas de curto prazo não
conseguem ser pagas com os ativos de curto prazo. Perigo à vista!
Cobertura: Indica quantos meses uma pessoa ou família consegue manter o padrão de vida,
contando apenas com os ativos de curto prazo.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 89

5.3 Crédito e gestão de dívidas

5.3.1 Modalidades de crédito

[Link] Rotativo, pessoal, consignado, CDC


Crédito rotativo
O crédito rotativo é uma linha de crédito concedida a uma pessoa física ou jurídica com limite
preestabelecido e que pode ser utilizado de forma automática pelo tomador, de acordo com suas
necessidades. Não tem vencimento e o pagamento não determina quantidade e valor das parcelas.
• No cheque especial, o tomador simplesmente emite cheques ou efetua saques e/ou transferên-
cias de sua conta-corrente, utilizando os recursos desse limite preestabelecido.
• No cartão de crédito, paga suas despesas com o cartão e, no vencimento da fatura, pode quitar o
saldo devedor ou pagar apenas o valor mínimo – estipulado pelo banco – da fatura, contraindo
dívida do saldo remanescente.
O risco do crédito rotativo é elevado para a instituição financeira considerando-se ser um
empréstimo sem garantia, sem vencimento, sem condições de pagamento preestabelecido. Con-
sequentemente, as taxas de juros praticadas no mercado são muito elevadas.

Custo Efetivo Total (CET)


É a taxa que considera todos os encargos e despesas incidentes nas operações de crédito e de arrenda-
mento mercantil financeiro, contratadas ou ofertadas a pessoas físicas.
O principal custo da operação de crédito é a taxa de juros cobrada pela instituição financeira.
No entanto, quando são acrescidos os tributos, tarifas, seguros, custos relacionados a registro de
contrato e outras despesas cobradas na operação, a taxa real da operação aumenta. A essa taxa –
calculada levando-se em consideração todos os custos incluídos na operação de crédito – damos
o nome de Custo Efetivo Total (CET).
Em outras palavras, ao compararmos operações de crédito ofertadas por duas instituições fi-
nanceiras, aquela que apresenta uma taxa de juros mais baixa pode não ser a mais vantajosa para
a consumidor, quando considerados todos os outros custos envolvidos.
O CET deve ser obrigatoriamente informado ao tomador do crédito, expresso na forma de
taxa percentual anual, incluindo todos os encargos e despesas das operações.

Crédito consignado
É uma modalidade de empréstimo em que o desconto da prestação é feito diretamente na
folha de pagamento ou de benefício previdenciário do tomador de recursos, regulamentada pela
Lei 10.820/2003 e alterações posteriores. A consignação em folha de pagamento ou de benefício
depende de autorização prévia e expressa do cliente à instituição financeira concedente do em-
préstimo e da existência de convênio entre a fonte pagadora e a instituição financeira que oferece
a operação. O desconto também poderá incidir sobre verbas rescisórias devidas pelo empregador,
se assim previsto no respectivo contrato.

Existem duas modalidades de consignação:


• O crédito consignado tradicional, onde o cliente recebe o crédito em conta e efetua o repaga-
mento em parcelas, descontadas do salário ou da aposentadoria, e

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90 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

• O cartão consignado, onde o valor mínimo da fatura é descontado automaticamente do salário


ou benefício INSS. Por ter o pagamento mínimo já descontado ele prática taxas até 5 vezes mais
baixas que os cartões de crédito tradicionais. Pouco utilizado até o momento.

Margem consignável
Valor máximo da remuneração recebida que pode ser comprometida com o empréstimo consignado.
A Lei 13.172, de 2015, estabeleceu que o limite máximo de amortização de operações de crédi-
to nos proventos e/ou benefícios dos servidores públicos federal, dos trabalhadores regidos pela
CLT e dos aposentados do INSS, é de 35%, dos quais 5% exclusivamente para despesas e saques
com cartão de crédito.

Exemplo
Renda líquida disponível (após deduções legais): R$ 5.000,00
Margem consignável: R$ 1.750,00, sendo R$ 250,00 para pagamento de despesas ou saques
no cartão de crédito e R$ 1.500,00 sem finalidade específica.

Considerações importantes
• Por ser uma modalidade de crédito que oferece menos risco à instituição financeira, as taxas
de juros do consignado são as mais baixas do mercado, e os prazos são maiores. O Governo
fixa periodicamente as taxas de juros máximas que podem ser cobradas, assim como o
número máximo de parcelas.
• É vedada a cobrança de tarifas ou qualquer taxa administrativa.
• Incide IOF na operação, que está incluído no CET – Custo Efetivo Total a ser informado pela
instituição financeira.
• Com o desconto direto das parcelas em folha ou da aposentadoria, uma parte da renda já
fica comprometida antes dos recursos serem creditados na conta do cliente. Se não for bem
planejado, o crédito consignado pode comprometer o orçamento, aumentando despesas
com juros e levando ao superendividamento.

Crédito pessoal
Contrato entre o cliente e a instituição financeira, pelo qual ele recebe uma quantia que deverá
ser devolvida ao banco em prazo determinado, acrescida dos juros acertados. Os recursos obtidos
no empréstimo não têm destinação específica. Existem várias modalidades de crédito pessoal.
Pode ser parcelado, em parcela única, prefixado ou pós-fixado.
Considerando as características dessa operação de crédito, quantidade e valor de parcelas pre-
determinado, permite melhor planejamento do pagamento da dívida que será inserida no orça-
mento pessoal ou familiar.

Crédito Direto ao Consumidor – CDC


Linha de crédito adequada para financiamento de bens (ex. veículos). No caso de CDC – Veículos, o
carro financiado é a garantia do financiamento (alienação fiduciária do bem). Como se trata de um crédito
com garantia real, as taxas de juros são inferiores às praticadas em outras modalidades de crédito. No caso
de pagamento antecipado haverá redução proporcional de juros. Há incidência de IOF na operação.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 91

[Link] Financiamento imobiliário


Para começar a entender o crédito imobiliário temos que falar sobre o SFH – Sistema Financei-
ro de Habitação e o SFI – Sistema de Financiamento Imobiliário. Esses dois sistemas são os mais
utilizados nas atuais concessões de financiamento imobiliário no País.
O SFH foi criado pela Lei 4.380/64 e tem como característica a regulamentação das condições
de financiamento imobiliário, por exemplo, taxa de juros, quota, prazos. O Governo Federal pode
intervir em qualquer um dos aspectos do financiamento. Nesse sistema estão incluídas as opera-
ções contratadas com recursos do SBPE e do FGTS, inclusive o PMCMV (Programa Minha Casa,
Minha Vida). As operações com recursos do FGTS observam, ainda, regulamentação própria.
O SFI, por sua vez, não possui regulamentação das condições de financiamento, sendo estas
definidas pelo Agentes Financeiros. Vale destacar que é também regulado pelo Banco Central do
Brasil – BACEN, o direcionamento básico da poupança, aplicado às operações do SFH e SFI.
A maior parte dos recursos captados em depósitos de poupança pelas entidades integrantes do
Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo deve ser aplicada em operações de financiamento
imobiliário em operações de financiamento habitacional no âmbito do Sistema Financeiro da Ha-
bitação (SFH) e o restante (menor parte) em operações de financiamento imobiliário contratadas
a taxas de mercado. Os percentuais são definidos pelo Banco Central.

Seguro habitacional
O seguro habitacional é uma garantia fundamental e obrigatória para o crédito imobiliário,
com benefícios para todas as partes envolvidas. Garante, por exemplo, que a família permaneça
com o imóvel se houver morte ou invalidez total e permanente da(s) pessoa(s) que compôs (com-
puseram) renda para o financiamento, por meio da quitação total ou parcial da dívida junto ao
agente financeiro, a depender do percentual de participação de cada um na composição da renda.
Também garante a indenização ou a reconstrução do imóvel, caso ocorra dano físico causado por
riscos cobertos pela seguradora, de acordo com a apólice contratada.

Seguros habitacionais obrigatórios no SFH


Danos físicos ao imóvel – DFI
Garante a indenização ou reconstrução do imóvel, caso ocorram danos físicos causados por
riscos cobertos.
Morte e invalidez permanente – MIP
Garante a quitação do saldo devedor para a instituição financeira no caso de falecimento ou
invalidez permanente do mutuário.

[Link] Outras modalidades de crédito: leasing, consórcio, penhor,


crédito rural, BNDES, crédito educacional
Leasing
O leasing ou arrendamento mercantil é um contrato através do qual a arrendadora (a empresa que
se dedica à exploração de leasing) adquire um bem escolhido por seu cliente (o arrendatário) para,
em seguida, alugá-lo a este último, por um prazo determinado. O arrendador é, portanto, o proprie-
tário do bem, sendo que a posse e o usufruto, durante a vigência do contrato, são do arrendatário.

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92 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Ao término do contrato o arrendatário pode optar por renová-lo por mais um período, por
devolver o bem arrendado à arrendadora (que pode exigir do arrendatário, no contrato, a garantia
de um valor residual) ou dela adquirir o bem, pelo valor de mercado ou por um valor residual
previamente definido no contrato.
O leasing é uma operação com características legais próprias, não se constituindo operação de
financiamento. Sendo assim, não há incidência de IOF na operação.

Consórcio
Conforme a Lei 11.795, o consórcio é “a reunião de pessoas naturais e jurídicas em grupo, com
prazo de duração e número de cotas previamente determinados, promovida por administradora
de consórcio, com a finalidade de propiciar a seus integrantes, de forma isonômica, a aquisição de
bens ou serviços, por meio de autofinanciamento”.
A administradora de consórcio cobra taxa de administração que remunera as atividades de forma-
ção, organização e administração do grupo de consórcio até o encerramento. O Banco Central do
Brasil normatiza, coordena, supervisiona, fiscaliza e controla as atividades do sistema de consórcios.
Não se trata de um financiamento, embora seja uma alternativa a ele, quando o comprador não
tem necessidade imediata do bem e pode aguardar o sorteio ou dispor de capital para oferecer um
lance e tentar antecipar o acesso à carta de crédito.

Penhor
Linha de crédito onde o tomador entrega um bem como garantia (joias, metais nobres, prata-
rias, diamantes lapidados, canetas de valor, etc.) e recebe o dinheiro na hora, sem análise cadastral
ou avalista. A operação pode ser renovada quantas vezes o tomador precisar. Quando quitar o
empréstimo o tomador recebe de volta o objeto penhorado.

Crédito rural
Regulamentado pela Lei 4.829 de 1965, o empréstimo rural pode ser feito por produtores e/
ou cooperativas para custear despesas do ciclo produtivo, assim como investimentos em bens e
serviços do setor. O governo autoriza o crédito após a apresentação de um projeto de plantio
ou pecuária, por exemplo, com orçamento de gastos e algum tipo de garantia (penhor agrícola,
alienação fiduciária, hipoteca, fiança, entre outras).
Os objetivos específicos do crédito rural são:
• Estimular os investimentos rurais, inclusive para armazenamento, beneficiamento e industriali-
zação dos produtos agropecuários;
• Favorecer o custeio da produção e a comercialização de produtos agropecuários;
• Possibilitar o fortalecimento econômico dos produtores rurais, principalmente pequenos e mé-
dios;
• Incentivar a introdução de métodos racionais de produção.

BNDES
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é hoje o principal
instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os
segmentos da economia.

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 93

As modalidades de financiamento do BNDES se dividem em produtos, de acordo com a fina-


lidade do empreendimento, conforme tabela abaixo:

Modalidades de financiamento do BNDES


Nome Produto Finalidade dos recursos
BNDES Finame: Produção e aquisição de máquinas e equipamentos novos.
BNDES Automático Projeto de investimento de até R$ 20 milhões.
BNDES Finem Projeto de investimento de valor superior a R$ 20 milhões.
BNDES Microcrédito Ampliar o acesso ao crédito entre os microempreendedores formais
e informais.
BNDES Finame Agrícola Produção e aquisição de máquinas e equipamentos novos, destinados
ao setor agropecuário. 
BNDES Finame Leasing Aquisição isolada de máquinas e equipamentos novos, de fabricação
nacional, destinados a operações de arrendamento mercantil.
BNDES Exim Produção e exportação de bens e serviços e comercialização destes
no exterior.
BNDES Limite de Crédito Crédito rotativo para o apoio a empresas ou grupos econômicos já
clientes do BNDES e com baixo risco de crédito.
BNDES Empréstimo-Ponte Concedido em casos específicos, para agilizar a realização de
investimentos por meio da concessão de recursos no período de
estruturação da operação de longo prazo.
BNDES Project finance Engenharia financeira suportada contratualmente pelo fluxo de caixa
de um projeto, servindo como garantia os ativos e recebíveis desse
mesmo empreendimento.
Cartão BNDES crédito rotativo pré-aprovado, destinado a micro, pequenas e médias
empresas e usado para a aquisição de bens e insumos.  

Podem solicitar o financiamento empresas, pessoas físicas residentes no país, entes da Admi-
nistração Pública e Associações e Fundações. As solicitações podem ser feitas de forma direta,
indireta ou mista, dependendo da modalidade de apoio utilizada:
Operação direta - realizada diretamente com o BNDES ou através de mandatário.
Operação indireta - realizada por meio de instituição financeira credenciada, ou através do
uso do Cartão BNDES.
Operação mista - combina a forma direta com a forma indireta não automática.

Custo dos financiamentos do BNDES


O custo dos financiamentos é composto por:
Para operações diretas = Custo Financeiro + Remuneração do BNDES + Taxa de Risco de Crédito
Para operações indiretas = Custo Financeiro + Remuneração do BNDES + Taxa de
Intermediação Financeira + Remuneração da Instituição Financeira Credenciada
Para compor o Custo Financeiro da operação o BNDES utiliza diversos índices, sendo o mais
frequente a TLP – Taxa de Longo Prazo.
Fonte: BNDES. Para saber mais sobre as características de cada produto, acesse [Link]

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94 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Crédito educacional
Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) – Modalidade I
Criado pela Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001, é uma ação do Ministério da Educação que
financia cursos superiores não gratuitos com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação
da Educação Superior (Sinaes).
O FIES oferta vagas com juro real zero para os estudantes que tiverem uma renda per capita
mensal familiar de até três salários mínimos.

Programa de Financiamento Estudantil (P-FIES) – Modalidades II e III


Financiamento a estudantes com renda per capita mensal familiar de até cinco salários míni-
mos, em cursos superiores não gratuitos com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo
Ministério da Educação.
É ofertado pelas instituições financeiras, que por sua vez contam com recursos públicos e ainda,
com recursos próprios. As condições de concessão do financiamento ao estudante são definidas
entre o agente financeiro operador do crédito (banco), a instituição de ensino superior e o estudante.
Há duas modalidades no P-FIES:

Modalidade II: voltada para os estudantes com uma renda per capita mensal familiar de até
cinco salários mínimos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os recursos utilizados são
dos Fundos Constitucionais e de Desenvolvimento.

Modalidade III: engloba estudantes de todas as regiões do Brasil com uma renda per capita
mensal familiar de até cinco salários mínimos. Os recursos são do BNDES.

Comparativo FIES e P-FIES


FIES P-FIES
Categoria Financiamento Financiamento
Taxa de juros  Juros zero Varia de acordo com o banco
Renda familiar Até 3 salários Até 5 salários
Pagamento Depois do curso Depois do curso
Categoria Modalidade I Modalidades II e III
Fonte: [Link]

PROUNI
Programa do Ministério da Educação que oferece bolsas de estudo, integrais e parciais (50%),
em instituições particulares de educação superior, em cursos de graduação e sequenciais de for-
mação específica.
Para concorrer a bolsa integral, o candidato deve comprovar renda familiar bruta mensal de até
um salário mínimo e meio por pessoa. Para a bolsa parcial (50%), a renda familiar bruta mensal
deve ser de até três salários mínimos por pessoa.
Fonte: [Link]

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 95

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Gestão Financeira

Leia o caso a seguir e responda as questões propostas. Para facilitar os cálculos,


estamos considerando que todas as rendas do casal são líquidas de impostos.

Rafael e Luciana são um casal de meia idade, com dois filhos de 16 e 14 anos. Na
fase de coleta de informações, o planejador financeiro obteve os seguintes dados:
Rafael é diretor de marketing de uma empresa do ramo de vestuário. Seu salário
é de R$ 25.000,00 mensais líquidos + 13º. Não recebe 14º salário nem comissões.
Recebe vale refeição no valor de R$ 800,00/mês.
Luciana é gerente de RH de uma rede de supermercados. Não é contratada CLT, é
prestadora de serviços PJ. Sua receita é de R$ 18.000,00 mensais líquidos.
Residência da família: Um apartamento no valor de R$ 1 milhão, com saldo a pa-
gar de R$ 550.000,00 em 72 parcelas, financiado pela tabela Price. Valor da parcela
mensal: R$ 10.500,00.
Residência de veraneio: Um apartamento no Litoral Norte, no valor de
R$ 300.000,00 quitado.
Há 5 anos Rafael comprou um imóvel comercial, com valor de mercado de
R$ 500.000,00, atualmente alugado por R$ 20.000,00/mês.
Veículos da família: Uma SUV no valor de R$ 70.000,00, quitada, e um sedan
no valor de R$ 100.000,00 com saldo a pagar de R$ 25.000,00 em 10 parcelas de
R$ 2.500,00. O prêmio dos seguros dos dois veículos é de R$ 6.000,00/ano, pagos em
parcelas mensais sem juros.
Despesas com educação dos filhos: R$ 80.000,00 ao ano.
Despesas com moradia, incluindo condomínio e IPTU dos imóveis: R$ 4.000,00/
mês.
Despesas com alimentação, transporte e cuidados pessoais: R$ 20.000,00/mês.
Despesas com lazer e férias: R$ 60.000,00/ano.
As despesas com plano de saúde são cobertas pela empresa onde Rafael trabalha.
Luciana tomou um empréstimo pessoal para fazer uma cirurgia plástica. O saldo
devedor é de 6 parcelas de R$ 5.000,00/mês.
Rafael tem um saldo de R$ 30.000,00 em PGBL. Luciana não tem plano de pre-
vidência, mas compra periodicamente títulos (Tesouro Selic) no Tesouro Direto. O
saldo acumulado é de R$ 80.000,00.

1. O valor dos bens de uso do casal é: A. R$ 1.170.000,00


B. R$ 1.470.000,00
C. R$ 1.970.000,00
D. R$ 1.595.000,00

2. O valor dos ativos do casal é: A. R$ 1.705,000,00


B. R$ 2.320.000,00
C. R$ 2.080.000,00
D. R$ 2.050.000,00

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96 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

3. O valor dos bens de não uso do casal é: A. R$ 500.000,00


B. R$ 800.000,00
C. R$ 910.000,00
D. R$ 610.000,00

4. A família tem uma receita anual líquida A. R$ 790.600,00


de: B. R$ 756.000,00
C. R$ 765.600,00
D. R$ 310.600,00

5. O índice de endividamento da família é: A. 0,29


B. 0,39
C. 0,71
D. 0,41

RESPOSTAS COMENTADAS – GESTÃO FINANCEIRA

QUESTÃO 01 - Alternativa correta: B. Verifique planilha no fim dos exercícios.


QUESTÃO 02 - Alternativa correta: C. Verifique planilha no fim dos exercícios.
QUESTÃO 03 - Alternativa correta: D. Verifique planilha no fim dos exercícios.
QUESTÃO 04 - Alternativa correta: A. Verifique planilha no fim dos exercícios.
QUESTÃO 05 - Alternativa correta: A. IE = Total do passivo / Total de ativos = 605.000,00
2.080.000,00 = 0,29

Ativos x Passivo
ATIVO VALOR R$ PASSIVO VALOR R$
bens de uso
residência R$ 1.000.000,00 Financ. imobiliário R$ 550.000,00
casa veraneio R$ 300.000,00 Financ. carro R$ 25.000,00
carros R$ 170.000,00 Crédito pessoal R$ 30.000,00
subtotal R$ 1.470.000,00 Total passivo R$ 605.000,00
bens de não uso
imóvel comercial R$ 500.000,00 Patrimônio líquido R$ 1.475.000,00
PGBL R$ 30.000,00
Tesouro Selic R$ 80.000,00
Total ativos R$ 2.080.000,00

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 97

Receitas x Despesas
RECEITAS/MÊS VALOR R$ DESPESAS/MÊS VALOR R$
Rafael R$ 27.883,33 Moradia R$ 4.000,00
Luciana R$ 18.000,00 Alimentação R$ 20.000,00
Alugueis R$ 20.000,00 Educação R$ 6.666,67
Seguros R$ 500,00
Lazer e férias R$ 5.000,00
parcela fin. Imob. R$ 10.500,00
parcela fin. Carro R$ 2.500,00
parcela crédito pessoal R$ 5.000,00
total receitas/mês R$ 65.883,33 total despesas/mês R$ 54.166,67
total receitas/ano R$ 790.600,00

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98 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

MÓDULO I – PLANEJAMENTO
FINANCEIRO - RESUMO

1. O processo de planejamento financeiro do profissional CFP®


O planejamento financeiro é o processo de análise completo e integrado da situação financeira
do indivíduo, visando criar estratégias para atingir seus objetivos financeiros e pessoais.
Um bom planejamento financeiro deve incluir:
• Administração do fluxo de caixa.
• Análise do perfil tributário.
• Análise e administração de riscos.
• Planejamento e administração de investimentos.
• Planejamento da aposentadoria.
• Planejamento e administração de bens imóveis.
• Planejamento da sucessão.

A PLANEJAR - Associação Brasileira de Planejadores Financeiros, descreve o planejamento


financeiro como um processo envolvendo seis passos:

1. Definição da forma de relacionamento entre planejador financeiro e cliente. Nesta fase o


planejador financeiro deve:
• Explicar claramente e documentar os serviços que irá fornecer ao cliente;
• Definir a responsabilidade de ambos (planejador e cliente) durante o trabalho;
• Explicar como ele será remunerado e por quem, deixando claro eventuais acordos de compen-
sação com terceiros.

2. Obtenção de informações, dados e objetivos do cliente. Nesta fase coletam-se informações


qualitativas e quantitativas que permitam:
• Identificar a situação patrimonial do cliente e seu fluxo de caixa.
• Conhecer e entender os objetivos e metas do cliente a curto, médio e longo prazo.
• Avaliar os valores, atitudes e expectativas dos clientes.
• Determinar o perfil de risco do cliente.

3. Análise e avaliação das condições financeiras do cliente. Baseado nas informações coletadas,
o planejador deve ser capaz de identificar:

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 99

• Os objetivos financeiros do cliente, por exemplo: aquisição de imóvel, troca de carro, previsão
para aposentadoria, etc.
• Os objetivos pessoais (realização de viagens, fazer um MBA no exterior, etc.).
• Situações específicas, tais como: divórcio, invalidez, doença terminal, filhos com necessidades
especiais, etc.

4. Desenvolvimento e sugestão de alternativas de planejamento financeiro para o cliente. Ao


apresentar as recomendações, o planejador deve assegurar-se que o cliente tem um adequado
entendimento:
• Dos fatores e premissas atuais que foram fundamentais para as recomendações;
• Dos riscos da estratégia;
• Do provável impacto das recomendações sobre a capacidade do cliente atingir seus objetivos,
devendo evitar apresentar sua opinião como um fato.

5. Execução das recomendações do planejamento financeiro. A implementação do plano finan-


ceiro poderá ou não estar a cargo do planejador, conforme acordado na etapa 1 – Definição do
relacionamento com o cliente. Se estiver a cargo do planejador, um cronograma deverá ser defini-
do e os passos da execução detalhados e apresentados ao cliente para conhecimento e aprovação.

6. Monitoramento das recomendações do planejamento financeiro. O planejamento financeiro


é um processo dinâmico que exige atualizações devido a mudanças nas condições pessoais, fami-
liares, econômicas, etc. Cabe ao profissional monitorar a evolução do planejamento e compará-la
com os resultados previstos, eventualmente tomando medidas corretivas em caso de não confor-
midade.

2. Responsabilidade fiduciária e conduta profissional


O Código de Conduta Ética e Responsabilidade Profissional da Planejar estabelece Princípios
e Regras, de observância obrigatória, aplicáveis a
• Profissionais certificados CFP®
• Pessoas jurídicas e físicas não certificadas para o uso das marcas que sejam associadas à Planejar
(Associados).
O descumprimento de quaisquer destas normas pelos Planejadores CFP® e Associados acarre-
ta a instauração de procedimentos disciplinares para sua apuração.

Os princípios estabelecidos no Código são:


Cliente em Primeiro Lugar - Colocar os interesses do cliente em primeiro lugar e não conside-
rar ganhos ou vantagens
Integridade - Agir com integridade, observando, não apenas o conteúdo, mas também o espírito
do Código.
Objetividade - As recomendações devem ser feitas de forma pragmática, isenta, transparente e
respaldada em princípios técnicos.

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100 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Imparcialidade - A imparcialidade traduz-se na identificação, informação e administração de


possíveis conflitos de interesses envolvidos no processo de planejamento financeiro.
Profissionalismo - O profissionalismo exige comportamento digno e respeitoso com clientes,
colegas, instituições vinculadas ou concorrentes e órgãos reguladores.
Competência - A competência exige atingir e manter um nível adequado de habilidades, ca-
pacidades e conhecimentos para o fornecimento de serviços profissionais de planejamento finan-
ceiro pessoal.
Confidencialidade - Um relacionamento de confiança com o cliente só pode ser construído
sob o entendimento de que as informações serão tratadas de forma discreta e segura e não serão
reveladas inadequadamente.
Diligência - A diligência exige que o Planejador CFP® e Associado atendam aos compromissos
profissionais com zelo, dedicação e rigor, de acordo com o escopo, condições e prazos acordados
com o cliente
O Código também determina um conjunto de 25 regras, que visam garantir para o cliente final
que o associado ou profissional CFP® terão uma postura íntegra e honesta na sua atividade, colo-
cando o cliente sempre em primeiro lugar.
As melhores práticas de relacionamento entre Planejador CFP® e associado e clientes consti-
tuem recomendações, ou seja, não são de observância obrigatória. A Planejar recomenda que os
profissionais:
a) desenvolvam mecanismos para formalizar com seu cliente o escopo do trabalho, custos
envolvidos, remuneração pelos serviços, prazos acordados e outros itens que as partes julguem
necessários;
b) comuniquem ao cliente qualquer informação que possa afetar sua decisão de contratá-lo; e
c) informem ao cliente que a Planejar é o canal oficial para reclamações.
No Anexo do Código constam as normas disciplinares e as penalidades pelo descumpri-
mento das regras, que poderão ser:
I. advertência privada do Conselho de Normas Éticas;
II. multa, que não poderá exceder a 50 (cinquenta) vezes o valor da respectiva anuidade vigente,
por ocasião da infração;
III. advertência pública do Conselho de Normas Éticas;
IV. suspensão temporária do denunciado e proibição temporária do uso das Marcas CFP® pelos
Planejadores CFP®;
V. revogação do direito de uso das Marcas CFP® e exclusão do quadro de Planejadores CFP®
ou Associados.

3. Perfil de competências do planejador financeiro


Capacidades do planejador financeiro
O FPSB – Financial Planning Standards Board, classificou as capacidades do planejador financeiro
em três funções:
Coleta - Durante a coleta, o profissional de planejamento financeiro coleta as informações ne-
cessárias para preparar um plano financeiro. A coleta vai além da simples reunião de informações,

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 101

incluindo também a identificação de fatos relacionados, por meio de cálculos requeridos e a orde-
nação das informações do cliente para análise.
Análise - Durante a análise, o profissional de planejamento financeiro identifica e considera
problemas, faz análise financeira e avalia as informações resultantes para poder formular estraté-
gias para o cliente.
Síntese - Durante a síntese, o profissional de planejamento financeiro sintetiza as informações
para formular e avaliar estratégias para criar um plano financeiro.

4. Ambiente macroeconômico, regulatório e fundamentos de


economia e finanças

4.1 Fundamentos de economia


Política monetária
Política monetária é o controle da oferta de moeda na economia visando estabilizar os níveis de
preços para garantir a liquidez ideal (equilíbrio) do sistema econômico do país.
Para controlar a moeda e a taxa de juros, as autoridades monetárias utilizam-se, basicamente,
dos seguintes instrumentos: Operações com títulos públicos, Redesconto e Recolhimento Com-
pulsório

Política fiscal
Política fiscal reflete o conjunto de medidas pelas quais o Governo arrecada receitas e realiza
despesas de modo a cumprir três funções: a estabilização macroeconômica, a redistribuição da
renda e a alocação de recursos.

Política cambial
A política cambial é a atuação da autoridade monetária visando a administração das taxas de
câmbio, promovendo alterações das cotações e, em última instância, controlando as transações
internacionais efetuadas por um país. Os regimes cambiais mais comuns são:
Cambio fixo: A autoridade monetária fixa a taxa de câmbio e se compromete a comprar e/ou
vender moeda à taxa estipulada.
Câmbio flutuante: As taxas acompanham livremente as oscilações da economia, sem interven-
ção da autoridade monetária.
Flutuação suja (dirty float): O Banco Central se reserva o direito de intervir no câmbio em de-
terminadas circunstâncias.
Bandas cambiais: Regime utilizado pelo Banco Central no início da implementação do Plano
Real, onde o Banco Central estabelecia uma “banda” dentro da qual o câmbio poderia flutuar
livremente.

Principais indicadores econômicos


PIB - Produto Interno Bruto
Conjunto da produção final de bens e serviços realizada em território nacional, independente-
mente da nacionalidade dos agentes econômicos, em determinado período de tempo.

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102 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Pela ótica da produção o PIB corresponde à soma dos valores agregados dos setores primá-
rio, secundário e terciário da economia.
Componentes:
PIB = C + I + G + NX
Consumo (C)
Investimento (I)
Despesa do Governo (G)
Exportações Líquidas (NX)

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo


O IPCA é um índice utilizado pelo Banco Central do Brasil para o acompanhamento dos
objetivos estabelecidos no sistema de meta de inflação, calculado pelo Instituto Brasileiro de Ge-
ografia e Estatística (IBGE).

IGP-M – Índice Geral de Preços de Mercado


Indicador com ampla cobertura que, além de refletir a evolução de preços de atividades produ-
tivas, também representam o movimento das operações de comercialização no atacado (variações
de preços de produtos agrícolas e industriais), no varejo e na construção civil.
Composição: IPA (60%), IPC (30%) e INCC (10%).
Calculado pelo Ibre - Instituto Brasileiro de Economia da FGV - Fundação Getúlio Vargas

Taxa SELIC Over


Taxa média das operações realizadas entre duas instituições financeiras, prazo de 1 dia, lastro
em títulos públicos federais. É expressa na forma anual, base 252 dias úteis.

Taxa SELIC Meta


Definida pelo COPOM em reuniões periódicas, é a taxa considerada adequada para manter a
inflação dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional.

Taxa DI - Depósito Interfinanceiro


Divulgada pela B3, é a taxa média ponderada das operações realizadas entre instituições finan-
ceiras pelo prazo de um dia, com lastro em emissão do CDI – Certificado de Depósito Interfinan-
ceiro, que é um título privado. É expressa na forma anual, base 252 dias úteis.

Taxa de Longo Prazo – TLP


Seu cálculo é composto pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) e por uma taxa de juros prefixada, definida na data de contratação da operação de
financiamento e válida por todo o prazo em que os recursos permanecerem aplicados nessas
operações.

Taxa Referencial - TR
A sua base de cálculo é a TBF, que sofreu recentemente alteração da sua metodologia. A nova
metodologia passa a incorporar o mercado de títulos do Tesouro. A TBF de um mês será uma

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PLANEJAMENTO FINANCEIRO 103

média ponderada entre as taxas médias das LTNs com vencimentos imediatamente anterior e
imediatamente posterior ao prazo de um mês, seguida da aplicação, ao valor resultante, de um
fator multiplicativo fixado em 0,93 (noventa e três centésimos).
• Para cada TBF obtida, aplica-se um redutor “R” para calcular a correspondente TR.
• Os valores do redutor “R” devem ser divulgados pelo Banco Central do Brasil quando da divul-
gação da TR.
• A TR será expressa sob a forma mensal, com quatro casas decimais.

Taxa de Câmbio
Taxa de câmbio é o preço de uma moeda estrangeira medido em unidades ou frações (centa-
vos) da moeda nacional.

Taxa PTAX
Calculada pelo Banco Central, é a média aritmética das taxas praticadas pelo mercado no mo-
mento e informadas diariamente pelos dealers (bancos autorizados a operar com câmbio) ao
Banco Central em quatro consultas diárias.

Câmbio comercial e câmbio turismo


• As expressões “câmbio turismo” ou “dólar turismo” são utilizadas comumente para classificar
as operações relativas a compra e venda de moeda para viagens internacionais, geralmente em
espécie.
• As expressões “câmbio comercial” ou “dólar comercial” são usadas para as demais operações realizadas
no mercado de câmbio, tais como: exportação, importação, transferências financeiras, etc.

Taxa spot
Também denominado “câmbio pronto”, abrange as operações cujo prazo de liquidação é de
até dois dias úteis (D+2).

Ciclos econômicos
a) Boom. A economia está no seu auge; as empresas com níveis altos de utilização da capacidade
instalada; situação de pleno emprego.
b) Recessão. Caracterizada por um declínio relevante do nível de atividade econômica, a recessão
é considerada uma fase normal dos ciclos econômicos, menos severa que a depressão. Tecnica-
mente falamos em recessão quando o país tem queda do PIB por dois trimestres consecutivos.
Para as empresas, recessão implica em restringir as importações, produzir menos e aumentar a
capacidade ociosa. Para a população, se traduz em queda no nível de emprego, baixos salários
e restrições ao crédito.
c) Depressão. Uma queda acentuada do PIB (cerca de 10%), por um período relativamente longo
(três ou quatro anos) já caracteriza uma depressão. Muitas empresas solicitam recuperação ju-
dicial, a taxa de desemprego sobe dramaticamente e os níveis de produção e investimento são
baixos.
d) Recuperação. A economia saindo da depressão e caminhando novamente para o crescimento.

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104 PLANEJAMENTO FINANCEIRO

4.2 Sistema Financeiro Nacional


Conselho Monetário Nacional – CMN
É o órgão superior do Sistema Financeiro Nacional e tem a responsabilidade de formular a
política da moeda e do crédito, objetivando a estabilidade da moeda e o desenvolvimento econô-
mico e social do País.

Banco Central do Brasil – BACEN


É o principal executor das orientações do Conselho Monetário Nacional e responsável por
garantir o poder de compra da moeda nacional.
O BACEN fiscaliza todas as instituições financeiras (bancos, corretoras, distribuidoras etc.) e
implementa a política monetária visando o cumprimento da meta de inflação definida pelo Con-
selho Monetário Nacional.

Comissão de Valores Mobiliários – CVM


É uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, responsável por regulamentar, desen-
volver, controlar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários do país. A atuação da CVM visa
promover a expansão do mercado de capitais, protegendo os investidores.

Superintendência de Seguros Privados - SUSEP


Órgão fiscalizador dos mercados de seguro, previdência privada aberta, capitalização e resseguro.

Superintendência Nacional de Previdência Complementar - PREVIC


Órgão fiscalizador das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) e responsá-
vel por executar políticas para o regime de previdência complementar;

Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS


Agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde responsável pelo setor de planos de saúde
no Brasil.

Banco Múltiplo
Instituição financeira que deve ser constituída por, no mínimo, duas carteiras, sendo uma delas,
obrigatoriamente, comercial ou de investimento. O banco múltiplo com carteira comercial pode
captar depósitos à vista.

Banco Comercial
Instituição financeira privada ou pública, cujo objetivo principal é proporcionar o forneci-
mento oportuno e adequado dos recursos necessários para financiar, a curto e médio prazos, o
comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e terceiros em geral.
Capta depósitos à vista.

Banco de Investimento
Instituição financeira privada especializada em operações de participação societária de caráter

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temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de giro e


de administração de recursos de terceiros.
Não oferecem contas-correntes e captam recursos via depósitos a prazo, repasses de recursos
externos, internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles administrados.

Sociedades Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM) e Sociedades Distribui-


doras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM)
São instituições financeiras supervisionadas pelo Banco Central do Brasil. Dentre outras atri-
buições, podem operar em bolsa e balcão, por conta própria e de terceiros, administrar fundos de
investimento, comprar e vender metais preciosos, subscrever emissões de valores mobiliários e
exercer funções de agente fiduciário.

Sociedades Corretoras de Câmbio


Têm por objeto social exclusivo a intermediação em operações de câmbio e a prática de opera-
ções no mercado de câmbio de taxas flutuantes.

B3 – Brasil, Bolsa, Balcão


A B3 tem como principais objetivos administrar mercados organizados de títulos, valores mo-
biliários e contratos derivativos, além de prestar o serviço de registro, depositária central, com-
pensação e liquidação, atuando como contraparte central garantidora da liquidação financeira de
operações realizadas em seus ambientes de negociação.

SELIC - Sistema Especial de Liquidação e Custódia


Processa a emissão, o resgate, o pagamento dos juros e a custódia dos títulos públicos. É
também um sistema eletrônico que processa o registro e a liquidação financeira das operações
realizadas com esses títulos pelo seu valor bruto e em tempo real, garantindo segurança, agilidade
e transparência aos negócios.
Por seu intermédio, é efetuada a liquidação das operações de mercado aberto e de redesconto
com títulos públicos, decorrentes da condução da política monetária.

Investidores qualificados
São considerados investidores qualificados:
I. Investidores profissionais;
II. Pessoas naturais ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a
R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condição
de investidor qualificado mediante termo próprio;
III. As pessoas naturais que tenham sido aprovadas em exames de qualificação técnica ou possu-
am certificações aprovadas pela CVM como requisitos para o registro de agentes autônomos
de investimento, administradores de carteira, analistas e consultores de valores mobiliários, em
relação a seus recursos próprios; e
IV. Clubes de investimento, desde que tenham a carteira gerida por um ou mais cotistas, que sejam
investidores qualificados.

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Investidores profissionais
I. Instituições financeiras;
II. Companhias seguradoras e sociedades de capitalização;
III. Entidades abertas e fechadas de previdência complementar;
IV. Pessoas naturais ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a
R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condi-
ção de investidor profissional mediante termo próprio;
V. Fundos de investimento;
VI. Clubes de investimento, cuja carteira seja gerida por administrador de carteira autorizado pela
CVM;
VII. Agentes autônomos de investimento, administradores de carteira, analistas e consultores de
valores mobiliários autorizados pela CVM, em relação a seus recursos próprios; e
VIII. Investidores não residentes.

Investidores não residentes


Considera-se investidor não residente, individual ou coletivo, as pessoas físicas ou jurídicas, os
fundos ou outras entidades de investimento coletivo com residência, sede ou domicílio no exterior.
Previamente ao início de suas operações, o investidor não residente deve:
• Constituir um ou mais representantes no País;
• Preencher formulário de identificação exigido pela legislação; e
• Obter registro junto à CVM.

4.3 Normas e regulação


Crime de lavagem de dinheiro
É aquele em que se oculta ou dissimula a natureza, origem, localização, disposição, movimen-
tação ou propriedade de bens, direitos e valores provenientes, direta ou indiretamente de infração
penal. Em outras palavras, é o processo mediante o qual o criminoso transforma recursos obtidos
ilegalmente em ativos com uma origem aparentemente legal.

4.3.2 Utilização indevida de informações privilegiadas


Inside trading, inside information
“Insider”, em relação a determinada companhia, é toda a pessoa que, em virtude de fatos cir-
cunstanciais e ou de sua atividade, tem acesso a “informações relevantes” relativas aos negócios
e situação da companhia.
O insider trader utiliza indevidamente essas informações relevantes (insider information) em bene-
fício próprio ou de outrem.

Front runner
O conceito está associado a informações privilegiadas sobre movimentações de lotes de um
determinado ativo no mercado secundário e que, devido à sua expressão impactam drasticamente
os preços. O front runner utiliza indevidamente essas informações, normalmente operando na
frente do seu cliente (“front running”), em benefício próprio ou de outrem.

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4.4 Fundamentos de finanças e análise de investimentos


Regimes de capitalização, proporcionalidade e equivalência de taxas.
Juro nominal X juro real
No regime de capitalização simples a taxa de juros incide sempre sobre o mesmo capital inicial.
No regime de capitalização composto a taxa incide sobre o capital inicial acrescido dos juros
do período anterior.
Duas taxas de juros, expressas em unidades de tempo diferentes, são proporcionais quando,
incidindo sobre o mesmo principal, durante um mesmo prazo, produzem um mesmo montante,
no regime de capitalização simples.
Duas taxas de juros, expressas em unidades de tempo diferentes, são equivalentes quando, in-
cidindo sobre o mesmo principal, durante um mesmo prazo, produzem um mesmo montante, no
regime de capitalização composta.
Taxa nominal é a taxa contratada na aquisição de um título de renda fixa ou em um financia-
mento. Não considera a inflação do período.
Taxa real é o ganho acima da inflação.

Estrutura a termo da taxa de juros


Também chamada de curva de juros, a estrutura a termo representa a expectativa do compor-
tamento futuro de uma determinada taxa, ou seja, é a relação entre o tempo e a taxa. Esta curva
geralmente é construída a partir dos retornos dos títulos públicos.

Desconto bancário
O desconto bancário ou comercial (“por fora”) consiste no adiantamento de recursos aos clien-
tes, sobre duplicatas, notas promissórias, cheques ou recebíveis de cartão de crédito. Os bancos
utilizam largamente o regime de juros simples para estas operações de curto prazo.

Perpetuidade
Sequência perpétua de pagamentos periódicos, feitos em intervalos fixos de tempo e montante
constante. A fórmula da perpetuidade é PV = PMT / i

Series de pagamentos: SAC, Price, SAA


SAC Sistema de Amortização Constante
Nesse sistema as amortizações são constantes e as prestações decrescentes.

Tabela Price (Sistema Francês): Prestações constantes


Prestações fixas, juros decrescentes e amortizações crescentes.

SAA – Sistema de Amortização Americano


O tomador do financiamento paga periodicamente apenas os juros e, no final do prazo contra-
tado, paga o capital em parcela única.

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Taxa mínima de atratividade


Taxa mínima que um investidor exige para aceitar um novo investimento. Normalmente o ativo
livre de risco de uma economia pode ser utilizado para este fim, como é o caso da taxa SELIC
para o contexto brasileiro.

Custo de oportunidade
O custo de oportunidade é a opção de investimento que foi deixada de lado. Sempre que há
uma escolha, há também uma renúncia. O custo de oportunidade representa a opção que foi
renunciada.

Taxa de desconto em ativos financeiros


A taxa de desconto se refere ao valor de antecipação de um capital investido. Permite avaliar se
o valor projetado, como o fluxo de caixa ou o faturamento de uma empresa, é viável se comparado
com o cenário atual.

TIR e TIR Modificada (TIRM)


A TIR – Taxa Interna de Retorno é aquela taxa de desconto que iguala os fluxos de entradas
como os fluxos de saídas de um investimento. A TIR tem como principal limitação o fato de as-
sumir que todos os fluxos serão reinvestidos à taxa original da operação.
A TIRM - Taxa Interna de Retorno Modificada consegue eliminar esta limitação, considerando
uma taxa de reinvestimento dos fluxos futuros diferente da TIR. (normalmente

Valor Presente Líquido – VPL


Permite analisar a viabilidade financeira de projetos ou novos negócios e investimentos, a partir
das estimativas dos desembolsos iniciais e retornos futuros (fluxos de caixa). Em outras palavras,
a diferença entre o valor de mercado e o custo do investimento.
NPV > Zero: O projeto cria valor econômico, agregando riqueza aos acionistas.
NPV < Zero: O projeto destrói valor econômico, reduzindo a riqueza dos acionistas
NPV = Zero: O projeto remunera apenas o custo de oportunidade, não agregando riqueza aos
acionistas.

Payback e payback modificado (descontado)


Payback é o método mais popular na avaliação de investimentos; consiste em calcular o período
necessário para que o valor investido seja recuperado.
Payback modificado é o fluxo de caixa descontado à taxa mínima de atratividade.

Custo Médio Ponderado de Captal (CMPC)


O custo médio ponderado de capital (CMPC), (Weighted Average Cost of Capital – WAAC, em
inglês) é usado para duas importantes funções na gestão financeira:
Para calcular o valor da empresa, quando usado como taxa de desconto de fluxos de caixa futuros e
Para avaliar a viabilidade de novos projetos, funcionando como “taxa mínima” a ser ultrapassa-
da para justificar o seu investimento.

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A fórmula do WAAC é:

Onde:
E = valor do capital próprio
D = valor do capital de terceiros
rE = taxa de custo do capital próprio
rD = taxa de custo do capital de terceiros
T = alíquota de imposto

Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (LAJIDA ou EBITDA)


Representa a geração operacional de caixa da companhia, ou seja, o quanto a empresa gera de
recursos apenas em sua atividade, sem levar em consideração os efeitos financeiros de juros, pa-
gamento de impostos e desconsiderando a despesa de amortização que está no resultado, mas não
representou desembolso de caixa. É um importante indicador para avaliar a qualidade operacional
da empresa.

5. Gestão financeira

5.1 Orçamento e fluxo de caixa


Para elaborar um orçamento é preciso elencar e quantificar as receitas e as despesas.
Se o valor das receitas for superior ao valor das despesas → Capacidade de poupar
Se o valor das receitas for inferior ao valor das despesas → Necessidade de correção de rota
O primeiro e principal propósito de um plano financeiro é criar ou ampliar a capacidade de
poupar, o que viabilizará a conquista dos objetivos definidos para curto, médio e longo prazos.
Construir um fundo de emergência é o primeiro passo para garantir o sucesso nas suas finanças
pessoais. O fundo é destinado à cobertura de imprevistos, e deverá ser investido em um produto
líquido e de baixo risco (por exemplo, fundo DI).

5.2 As contas do balanço patrimonial pessoal


O balanço patrimonial pessoal é uma fotografia da situação patrimonial da pessoa em deter-
minado momento. Para elaborar o balanço é importante separar os ativos do cliente em ativos
de uso (ex. residência, carro) e ativos de não uso (também chamados ativos de investimento, ex.
participação societária), além de relacionar eventuais dívidas contraídas pela aquisição (ex. parce-
las do financiamento imobiliário).
A soma de todos os ativos (uso + não uso), descontadas as dívidas (saldo devedor), resultará
no Patrimônio Líquido do cliente.

Índice de liquidez
A liquidez é um fator muito importante na avaliação de um plano financeiro. Uma família po-
derá ter um patrimônio enorme e não conseguir pagar as contas do dia a dia por falta de liquidez.

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Ativo de Curto Prazo


índice de liquidez =
Passivo de Curto Prazo

Índice de cobertura das despesas mensais


Este índice responde à seguinte pergunta: Por quantos meses a pessoa sobrevive se ficar sem
renda, apenas contando com seu ativo de curto prazo? Veja o cálculo:

Ativo de Curto Prazo


índice de obertura =
Despesas mensais

Índice de endividamento
O Índice de endividamento pessoal total indica que porcentagem do ativo total foi financiado
pelas dívidas descritas no passivo total. A fórmula do ID é:

índice de endividamento passivo total (dívidas)


= ativo total

Índice de poupança
É o percentual de receita que sobra para investir. Manter um índice de poupança elevado é um
fator crítico de sucesso para que o objetivo do plano financeiro seja atingido.

resultado disponível para investior


índice de poupança =
Receitas

5.3 Crédito e gestão de dívidas


Crédito rotativo
Linha de crédito concedida a uma pessoa física ou jurídica com limite pré-estabelecido e que
pode ser utilizado de forma automática pelo tomador, de acordo com suas necessidades. No che-
que especial, o tomador simplesmente emite cheques ou efetua saques e/ou transferências, contra
esse limite pré-estabelecido.
No cartão de crédito, o cliente pode optar por pagar apenas um mínimo – estipulado pelo ban-
co – da fatura do cartão de crédito, adiando o pagamento do saldo.

Custo Efetivo Total (CET)


Representa o custo total de uma operação de empréstimo ou de financiamento e deve ser infor-
mado ao cliente pela instituição financeira. O CET deve ser expresso na forma de taxa percentual
anual, incluindo todos os encargos e despesas das operações.

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Crédito consignado
Existem duas modalidades de consignação:
• O crédito consignado tradicional, onde o cliente recebe o crédito em conta e efetua o repaga-
mento em parcelas, descontadas do salário ou da aposentadoria, e
• O cartão consignado, onde o valor mínimo da fatura é descontado automaticamente do salário
ou benefício INSS. Por ter o pagamento mínimo já descontado ele prática taxas até 5 vezes mais
baixas que os cartões de crédito tradicionais

Crédito pessoal
Contrato entre o cliente a instituição financeira, pelo qual ele recebe uma quantia que deverá ser
devolvida ao banco em prazo determinado, acrescida dos juros acertados. Os recursos obtidos no
empréstimo não têm destinação específica. Existem várias modalidades de crédito pessoal. Pode
ser parcelado, em parcela única, prefixado ou pós- fixado.

Crédito Direto ao Consumidor – CDC


Linha de crédito adequada para financiamento de bens (ex. carro). Como se trata de um crédito
com garantia real (o próprio bem financiado), as taxas de juros são menores. Existe também no CDC
a possibilidade de pagamento antecipado com redução de juros. Há incidência de IOF na operação.

Financiamento imobiliário
O SFH foi criado pela Lei 4.380/64 e tem como característica a regulamentação das condi-
ções de financiamento imobiliário, por exemplo, taxa de juros, quota, prazos. Nesse sistema
estão incluídas as operações contratadas com recursos do SBPE e do FGTS, inclusive o PM-
CMV (Programa Minha Casa, Minha Vida). As operações com recursos do FGTS observam,
ainda, regulamentação própria.
O SFI, por sua vez, não possui regulamentação das condições de financiamento, sendo estas
definidas pelo Agentes Financeiros. Vale destacar que é também regulado pelo Banco Central do
Brasil – BACEN, o direcionamento básico da poupança, aplicado às operações do SFH e SFI.

Leasing
O leasing ou arrendamento mercantil é um contrato através do qual a arrendadora (companhia
de leasing) adquire um bem escolhido por seu cliente (o arrendatário) para, em seguida, alugá-
-lo a este último, por um prazo determinado. O arrendador é, portanto, o proprietário do bem,
sendo que a posse e o usufruto, durante a vigência do contrato, são do arrendatário. Ao término
do contrato o arrendatário pode optar por renová-lo por mais um período, por devolver o bem
arrendado à arrendadora ou dela adquirir o bem. Não há incidência de IOF na operação.

Consórcio
Reunião de pessoas naturais e jurídicas em grupo, com prazo de duração e número de cotas
previamente determinados, promovida por administradora de consórcio, com a finalidade de pro-
piciar a seus integrantes a aquisição de bens ou serviços, por meio de autofinanciamento”.
A administradora de consórcio cobra taxa de administração que remunera as atividades de for-
mação, organização e administração do grupo de consórcio até o encerramento.

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Penhor
Nesta modalidade de crédito o tomador entrega um bem como garantia (joias, metais nobres,
pratarias, diamantes lapidados, canetas de valor, etc.) e recebe o dinheiro na hora, sem análise ca-
dastral ou avalista. Quando quitar o empréstimo o tomador recebe de volta o objeto penhorado.
Crédito rural
O empréstimo rural pode ser feito por produtores e/ou cooperativas para custear despesas do
ciclo produtivo, assim como investimentos em bens e serviços do setor. Os objetivos específicos
do crédito rural são:
• Estimular os investimentos rurais, inclusive para armazenamento, beneficiamento e industriali-
zação dos produtos agropecuários;
• Favorecer o custeio da produção e a comercialização de produtos agropecuários;
• Possibilitar o fortalecimento econômico dos produtores rurais, principalmente pequenos e mé-
dios;
• Incentivar a introdução de métodos racionais de produção.

BNDES
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é hoje o principal
instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os
segmentos da economia.
As modalidades de financiamento do BNDES se dividem em produtos, de acordo com a fina-
lidade do empreendimento.

Crédito educacional
Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) – Modalidade I
Ação do Ministério da Educação que financia cursos superiores não gratuitos com avaliação
positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).
O FIES oferta vagas com juro real zero para os estudantes que tiverem uma renda per capita
mensal familiar de até três salários mínimos.

Programa de Financiamento Estudantil (P-FIES) – Modalidades II e III


Financiamento a estudantes com renda per capita mensal familiar de até cinco salários míni-
mos, em cursos superiores não gratuitos com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo
Ministério da Educação.
É ofertado pelas instituições financeiras, que por sua vez contam com recursos públicos e
ainda, com recursos próprios. As condições de concessão do financiamento ao estudante são
definidas entre o agente financeiro operador do crédito (banco), a instituição de ensino superior
e o estudante.

PROUNI
Programa do Ministério da Educação que oferece bolsas de estudo, integrais e parciais (50%),
em instituições particulares de educação superior, em cursos de graduação e sequenciais de for-
mação específica.

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MÓDULO I – GLOSSÁRIO

ANS: Agência Nacional de Saúde Suplementar, responsável pelo setor de planos de saúde
no Brasil.
BACEN: Banco Central do Brasil, executor das normas do CMN e fiscalizador das instituições
financeiras.
BNDES: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, instituição pública que
fornece financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos
da economia.
Câmbio comercial ou dólar comercial: Denominação dada às operações relativas a exporta-
ção, importação, transferências financeiras, etc.
Câmbio fixo: A taxa de câmbio é atrelada a um referencial fixo, como ouro ou Dólar.
Câmbio flutuante: As taxas acompanham livremente as oscilações da economia, sem inter-
venção da autoridade monetária.
Câmbio turismo ou dólar turismo: Denominação das operações relativas a compra e venda
de moeda para viagens internacionais, geralmente em espécie.
CDC: Linha de crédito adequada para financiamento de bens (ex. carro).
CET: Custo Efetivo Total, representa o custo total de uma operação de crédito, incluindo taxas
e impostos.
CMN: Conselho Monetário Nacional. Órgão normativo que define as diretrizes das políticas
monetária cambial e de crédito, e estabelece a meta da inflação anual.
CMPC ou WAAC: Custo médio ponderado de capital, denominado na terminologia original
por Weighted Average Cost of Capital, é a média ponderada do custo de capitais próprios e de ter-
ceiros.
COAF: Conselho de Controle de Atividades Financeiras, tem por missão prevenir o uso dos
setores econômicos por quem deseja lavar ativos.
Compulsório: Instrumento de política monetária que consiste em recolhimento feito pela rede
bancária de determinado percentual sobre seus depósitos à vista e/ou a prazo, de acordo com a
política estabelecida pelo Banco Central do Brasil.
Consórcio: Grupo de pessoas físicas e/ou jurídicas promovida por administradora de consór-
cio, com a finalidade de propiciar a aquisição de bens ou serviços, por meio de autofinanciamento.

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COPOM - Comitê de Política Monetária: Órgão do Banco Central que tem como objetivo
implementar a política monetária e definir a taxa de juros.
Crédito consignado: Modalidade de empréstimo em que o desconto da prestação é feito dire-
tamente na folha de pagamento ou de benefício previdenciário do tomador de recursos.
Crédito pessoal: Contrato entre o cliente e a instituição financeira, pelo qual ele recebe uma
quantia que deverá ser devolvida ao banco em prazo determinado, acrescida dos juros acertados.
Crédito rotativo: Linha de crédito concedida à pessoa física ou jurídica com limite pré-estabe-
lecido e que pode ser utilizada de forma automática pelo tomador.
Crédito rural: Linha de crédito direcionada a produtores e/ou cooperativas para custear des-
pesas do ciclo produtivo, assim como investimentos em bens e serviços do setor.
Cupom cambial: É a diferença entre o custo de oportunidade de fundos em Reais (Taxa SE-
LIC) e a variação cambial esperada do Real frente às diversas moedas estrangeiras, sendo o Dólar
Americano a referência.
Custo de oportunidade: É o sacrifício econômico feito ao escolher uma alternativa de inves-
timento em detrimento de outra.
CVM: Comissão de Valores Mobiliários. Órgão que visa promover a expansão do mercado de
capitais, protegendo os investidores.
Desconto bancário: Adiantamento de recursos aos clientes, sobre duplicatas, notas promissó-
rias, cheques ou recebíveis de cartão de crédito.
DFI: Danos físicos ao imóvel. No SFH, seguro obrigatório que garante a indenização ou re-
construção do imóvel, caso ocorram danos físicos causados por riscos cobertos.
DI - Depósito Interfinanceiro: Taxa média ponderada das operações realizadas entre institui-
ções financeiras pelo prazo de um dia, com lastro em emissão do CDI.
EAPC: Entidades Abertas de Previdência Complementar.
EBITDA: Earnings Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization. É o lucro antes de ju-
ros, imposto de renda, amortização e depreciação e representa a geração operacional de caixa da
companhia.
EFPC: Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão).
FIES: Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior, programa que financia a
graduação na educação superior de estudantes matriculados em instituições não gratuitas.
Financial Planning Standards Board – FPSB: Entidade que gerencia, divulga e controla a
Certificação CFP® nos países onde ela está presente ao redor do mundo.
Flutuação Suja (Dirty Float): Neste regime, o Banco Central se reserva o direito de intervir
no câmbio em determinadas circunstâncias.
Front runner: Pessoa que, de pose de informações sobre movimentações de lotes expressivos
de um determinado ativo no mercado secundário, tira proveito dessas informações, operando
antes em benefício próprio ou de outrem.

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IGP-M – Índice Geral de Preços de Mercado: Índice de inflação composto de IPA (60%),
IPC (30%) e INCC (10%).
INCC: Índice Nacional de custo da construção.
Inside information: informação privilegiada
Insider: Pessoa que, pela natureza do cargo que ocupa ou de atividade que exerce, tem acesso
a dados sigilosos (insider information) antes de divulgados ao mercado.
Insider trader: Pessoa que utiliza indevidamente insider information em benefício próprio ou
de outrem.
Investment Policy Statement-IPS): Documento elaborado entre o planejador financeiro e o
cliente, que define regras gerais para a alocação dos ativos.
IPA: Índice de preços ao produtor – Amplo.
IPC: Índice de preços ao consumidor.
IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo: Índice utilizado pelo Banco
Central para o acompanhamento dos objetivos estabelecidos no sistema de metas de inflação.
Leasing: O leasing ou arrendamento mercantil é um contrato através do qual a arrendadora
(a empresa que se dedica à exploração de leasing) adquire um bem escolhido por seu cliente (o
arrendatário) para, em seguida, alugá-lo a este último, por um prazo determinado.
MIP: Morte e invalidez permanente no SFH, seguro obrigatório que garante a quitação do saldo
devedor para a instituição financeira no caso de falecimento ou invalidez permanente do mutuário.
Operações com títulos públicos: Instrumento de política monetária que consiste em opera-
ções de compra e venda de títulos públicos, efetuadas pelo Banco Central atuando como agente
monetário do governo.
Payback Nominal: Período necessário para que o valor investido seja recuperado.
Penhor: Linha de crédito onde o tomador entrega um bem como garantia (ex. joias) e recebe
o dinheiro na hora, sem análise cadastral ou avalista.
Perpetuidade: Valor que se repete indefinidamente em intervalos regulares.
PIB – Produto Interno Bruto: Representa o valor, a preços de mercado, dos bens e serviços
finais realizados em um país em um determinado período de tempo, independentemente da na-
cionalidade dos agentes econômicos.
Política cambial: Atuação da autoridade monetária visando a administração das taxas de câmbio.
Política fiscal: Administração das receitas (tributos) e dos gastos do governo, objetivando
atingir determinados objetivos macroeconômicos e sociais.
PREVIC: Superintendência Nacional de Previdência Complementar. Órgão responsável por
fiscalizar as atividades das entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão).
PROUNI: Programa do Ministério da Educação que oferece bolsas de estudo, integrais e
parciais (50%), em instituições particulares de educação superior, em cursos de graduação e se-
quenciais de formação específica.

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Redesconto: Instrumento de política monetária que consiste em empréstimo de assistência a


liquidez concedido pelo Banco Central a instituições financeiras, diante de um aumento imprevis-
to de demanda por recursos de seus depositantes.
SAA – Sistema de Amortização Americano: Financiamento no qual o tomador paga perio-
dicamente apenas os juros e, no final do prazo contratado, paga o capital em parcela única.
SAC: Sistema de Amortização Constante. No financiamento imobiliário, sistema que calcula
amortização constante ao longo do prazo, com redução do principal e parcelas decrescentes.
SELIC: Serviço Especial de Liquidação e Custódia.
SELIC Meta: Taxa de juros definida nas reuniões do COPOM.
SELIC Over: Taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia,
realizadas entre instituições financeiras, lastreadas em títulos públicos federais.
SFH: Sistema Financeiro da Habitação.
SFI: Sistema de Financiamento Imobiliário.
Suitability: Análise cuidadosa da situação financeira, experiência em investimentos, horizonte
de tempo, objetivos e tolerância ao risco do cliente, para fins de apresentação de aconselhamento
financeiro.
SUSEP: Superintendência de Seguros Privados. Órgão responsável pelo controle e fiscalização
dos mercados de seguro, previdência privada aberta, capitalização e resseguro.
Tabela Price (Sistema Francês): No financiamento imobiliário, sistema onde as prestações
são fixas, os juros decrescentes e a amortização, crescente.
Taxa de Câmbio: Preço de uma moeda estrangeira medido em unidades da moeda nacional.
TBF: Taxa Básica Financeira, calculada a partir das taxas de juros das Letras do Tesouro Na-
cional (LTN).
TIR: Taxa Interna de Retorno. É a taxa de desconto que iguala os fluxos de entradas como os
fluxos de saídas de um investimento.
TIRM: Taxa Interna de Retorno Modificada. Considera as taxas de reinvestimento de todos os
fluxos. A Taxa interna de retorno modificada.
TLP: Taxa de Longo Prazo, composta pela variação do IPCA + taxa pré.
TMA: Taxa mínima de atratividade. É a taxa de retorno esperada pelo investidor ao fazer um
investimento.
TR: Taxa Referencial, baseada na TBF.
VPL ou NPV: Valor Presente Líquido (Net Present Value). É a diferença entre o valor presente
das entradas de caixa previstas no futuro e o valor do desembolso de caixa no momento zero.
Yield curve (curva de juros): Representa a expectativa do comportamento futuro da taxa de juros.

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ANOTAÇÕES

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Planejadores Financeiros is the marks licensing authority
for the CFP® marks in Brasil, through agreement with FPSB.

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Common questions

Com tecnologia de IA

Different exchange rate regimes, such as fixed, floating, dirty float, and currency bands, have varied implications on international transactions. A fixed regime offers stability by pegging the currency to a reference like gold or another currency, but it limits flexibility. A floating regime allows for automatic adjustments based on economic conditions but can lead to volatility. A dirty float combines elements of both, providing some stability while allowing for government intervention. Currency bands offer limited fluctuation, balancing between stability and flexibility .

Financial planners must adhere to several principles, including putting the client first by ensuring their interests are prioritized over personal gains. They must act with integrity and objectivity, ensuring recommendations are pragmatic, honest, and based on technical principles. Maintaining confidentiality, impartiality, and professionalism are also crucial, as is a commitment to continuous education to maintain competence .

A financial planner addresses conflicts of interest by identifying, disclosing, and managing such issues to ensure they do not impede the planner's ability to provide impartial and unbiased advice. This involves transparent communication with the client about any potential gains the planner might obtain and ensuring that client interests remain the priority throughout the planning process .

The Payback period is calculated by dividing the initial investment by the annual cash inflows. While it gives a quick estimate of how long it will take for an investment to 'payback' its original costs, it has limitations like ignoring the time value of money, subsequent cash flows beyond the payback period, and overall profitability .

Determining the suitability of financial advice involves a deep analysis of the client's financial situation, investment experience, time horizon, objectives, and risk tolerance. The financial planner must ensure that the advice provided aligns with these factors, offering the most appropriate strategies and recommendations tailored to the client's unique needs .

Monetary policy involves controlling the money supply and interest rates to achieve economic stability and growth. Key components include open market operations, reserve requirements, and discount rates. The objectives typically cover price stability, maximizing employment, and moderate long-term interest rates, facilitating economic liquidity and stability .

The personal financial planning process involves several stages: client data analysis, development of financial planning alternatives, presentation, execution of recommendations, and ongoing monitoring. It starts with understanding the client's financial status and goals, followed by formulating advice while considering factors like market conditions and potential risks, and culminates in implementing and updating plans as needed .

The WACC is calculated using the formula: \( WACC = \frac{E}{E + D} \times rE + \frac{D}{E + D} \times rD \times (1-T) \), where \( E \) is the equity value, \( D \) is the debt value, \( rE \) is the cost of equity, \( rD \) is the cost of debt, and \( T \) is the tax rate. WACC represents the average rate of return a company is expected to pay its security holders to finance its assets and is crucial for evaluating investment opportunities, as it serves as a hurdle rate for investment decisions .

Confidentiality is critical in building trust between a client and a financial planner. It ensures that all client information is protected and only accessible to authorized personnel. This trust allows clients to share personal and financial information openly, ensuring that the planner can provide optimal advice and solutions .

Financial planners are expected to adhere to ethical responsibilities such as putting clients first, maintaining integrity and objectivity, and managing any conflicts of interest. They should exhibit professionalism, competence, confidentiality, and diligence in their conduct. These ethical codes ensure that the planners provide unbiased and qualified advice, fostering client trust and protecting public interest .

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