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Estrutura e Significado da Bíblia

O documento discute a Bíblia como a Palavra de Deus revelada e a aliança entre Deus e o povo de Israel. A Bíblia é composta pelo Antigo e Novo Testamentos e contém a história desta aliança. O documento também aborda como ler e interpretar corretamente a Bíblia.

Enviado por

Vanessa Cezario
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Estrutura e Significado da Bíblia

O documento discute a Bíblia como a Palavra de Deus revelada e a aliança entre Deus e o povo de Israel. A Bíblia é composta pelo Antigo e Novo Testamentos e contém a história desta aliança. O documento também aborda como ler e interpretar corretamente a Bíblia.

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BÍBLIA - PALAVRA DE VIDA E SALVAÇÃO, QUE BROTA DA REVELAÇÃO

E EXPERIÊNCIA COM DEUS

“TUA PALAVRA É LAMPADA PARA OS MEUS PASSOS, LUZ EM MEU


CAMINHO” (Sl 119, 105).

O termo bíblia vem do grego; é um substantivo plural, tà bíblia, que significa “os
livros”; passando para o latim, ele se tornou substantivo feminino singular: bíblia, em
português, bíblia.
Mais que um livro a bíblia é uma biblioteca, isto é, um certo número de obras
diferentes reunidas, formando dois grandes conjuntos: o Antigo Testamento (46 livros) e o
Novo Testamento (27 livros). O termo testamento vem do latim: testamentum, e que por
sua vez, é tradução da palavra hebraica (Berit) que significa aliança. A bíblia é, pois, o
conjunto dos livros que transmitem a ALIANÇA que Deus fez com o Povo de Israel – ao
longo de sua História e que foi levada a plenitude em Jesus Cristo – a Nova e Eterna aliança
– selada com toda a Humanidade.
A bíblia é também, conhecida como a Escritura, as Escrituras, as Sagradas
Escrituras. Isto é importante e significa pelo menos duas coisas; trata-se em primeiro lugar
da Palavra de Deus escrita; podendo haver uma Palavra de Deus não escrita, ou seja, Jesus
Cristo. Ele é a Palavra de Deus Encarnada. E uma outra coisa é que, o seu autor principal é
Deus e não os homens. Deus quis utilizar-se dos homens para escrever o seu Livro Sagrado.
Sendo Deus, pela ação do Espírito Santo, criatura alguma pode alterar os textos sagrados.
Não pode nem acrescentar ou tirar. Cf. Dt 4,1-2; Ap 22,18-19.

 A Bíblia é pão, rosto, casa e missão.


Pão – Pois, é alimento para a nossa vida.
Rosto – Revela-nos o Rosto amoroso e Justo de Cristo Jesus, sempre pronto a nos
acolher, servir e exigir de nós, uma conversão radical – pois, somos chamados a
SANTIDADE. Ele mostra-nos o Pai, sendo o único que o contemplou na intimidade e no
amor desde toda a Eternidade. É gerado como Filho participando da comunhão com o Pai.
Casa – A Palavra de Deus deve ser interpretada na e com a Igreja, tendo-se em vista,
a Tradição e o Magistério.
Missão – Prepara-nos para a consciência de que somos missionários, no anúncio de
Jesus Cristo e da sua Igreja. Com a Palavra e através Dela, afinamos os ouvidos do coração
e da mente – num discipulado permanente. E aí sim, iluminar os desafios de nossa vida
pessoal, comunitária e social.

ATITUDES DIANTE LEITURA DA PALAVRA DE DEUS

1 – Conhecimento da realidade: Para ler bem a Bíblia é preciso ler bem a vida.
Conhecer a realidade pessoal, familiar e comunitária do país e do mundo. É aí, conhecer a
realidade, na qual, viveu o Povo de Israel. A bíblia, não CAIU pronta do Céu. Antes do
texto, existe – a Vida do Povo – que se relaciona com “O Senhor” (Javé). Portanto, Ela trata
e se interessa por todos os assuntos de nossa vida humana. Nela estão as lutas, as alegrias,
esperanças e infidelidades, bem como a fé e o desejo de adorarem a Deus e o servirem (cf
Ex 3,7-10).
2 – Ter os olhos, os ouvidos e o coração, atentos para ouvir e dialogar com Deus
através do texto.
3 – Usar a boca para proclamar e partilhar aquilo que Deus nos disse, na experiência
com o texto.
4 – Usar a inteligência para meditar, estudar e buscar respostas. Desenvolver o amor
e o interesse pela Palavra de Deus – buscando ler e outros livros que ajudem a compreendê-
la.
5 – Pedir as luzes e a ação do Espírito Santo, para entender e iluminar a Vida com a
força das Escrituras. Evitar sempre uma leitura fundamentalista, isto é, ao “pé da letra” do
texto bíblico (Cf. 2Cor 3,6).
6 – Ter uma busca pessoal e comunitária, da Palavra de Deus. Sempre destacando a
força do ressuscitado, que se manifesta comunitariamente (cf. Jo 20, 19-30).

O POVO DE ISRAEL E O SEU DEUS

 A Bíblia surgiu do meio de um povo do Oriente Médio que morava perto do mar
Mediterâneo. No tempo de Abraão chamava-se Terra de Canaã, por causa dos cananeus –
que já moravam ali. No tempo da formação do povo – ou seja, da unificação das tribos de
Israel. Bem mais tarde – Palestina.
Israel era um famoso corredor de passagem tanto do oriente quanto para o ocidente,
e ligava a Ásia com a África e a Europa. Foi ali que Deus guiou o seu povo. Um povo
influenciado pelos seus vizinhos. Do lado do oriente: Assíria, Babilônia e Pérsia e do lado
do Ocidente: Egito, Grécia e Roma. Por isto, Israel sempre foi uma região de conflitos e
guerras. Todos disputavam esta região estratégica, inclusive para o comércio.
 Deus realiza com Israel sucessivas alianças. Na verdade, toda a Bíblia gira em
torno da Aliança de Deus com os Homens, através de intermediários como Noé, Abraão,
Moises etc. Mas, o que significa a ALIANÇA?

ALIANÇA = Contrato (Gn 31, 44ss), que é possível entre diversas relações. É um
pacto entre o soberano (O SENHOR) e o SERVO, entre desiguais. Por um lado, temos a
Iniciativa livre e generosa do Senhor e o livre compromisso do ser humano.
Aceitar a ALIANÇA – significa aceitar a promessa de Deus como um ato de fé e
confiança  Confiar em Deus, de modo que tal atitude oriente a VIDA.
Exemplos de Alianças: Noé (Gn 9,1-17), Abraão (Gn 17) e Moisés (Ex 19 e 24),
sendo renovada em Moab (Dt 29-30) e em Siquém (Js 24). Cf. Jr 2,11-13.
A Aliança selada no sangue de Jesus é eterna e supera a antiga (Cf. Hb 7,22). E
ainda, Hb 9,16.
 Na forma de pensar de Israel, é Deus que interpela o homem e este lhe responde.
Eles tinham consciência de que o “Senhor” é único, universal e criador de tudo o que existe
do nada (Ver as narrativas da criação em Gn). A fé de Israel está expressa em Dt 6,4. No
pensamento dos povos vizinhos o HOMEM projeta no além uma divindade; em seguida,
pelo rito, se esforça para ter poder sobre ela, para colocá-la sobre o seu serviço. Na bíblia,
tudo parte de Deus, passa pelo homem e pelo rito se responde concretamente a Deus.

QUESTÕES PRÁTICAS
Qual diferença entre as Bíblias Católicas e as protestantes?

 A questão é a seguinte: na Bíblia protestante faltam alguns livros na parte do Antigo


Testamento, livros que existem na edição católica: Baruc, Tobias, Judite, Sabedoria,
Eclesiástico, os dois livros dos Macabeus, pequenos trechos do livro de Ester (10,4-16,24) e
alguns trechos do livro de Daniel. São chamados de livros deuterocanônicos (segunda lista).
A Igreja católica os aceitou como sendo inspirados, como sendo Palavra de Deus, enquanto
para os protestantes são chamados apócrifos.
Para entender essa diferença, é preciso conhecer um pouco a história do texto do
Antigo Testamento. A Bíblia, inicialmente, só existia em hebraico. Quando os Judeus se
espalharam pelo mundo, sentiram necessidade de traduzi-la para uma língua mais universal
naquela época: o grego. Acontece que no Antigo Testamento traduzido foram colocados
alguns livros que não estavam na Bíblia hebraica e que eram mais recentes. São aqueles que
citamos acima. Os protestantes consideram como Palavra de Deus só os livros do Antigo
Testamento que fazem parte da Bíblia hebraica, enquanto que a Igreja católica considera
também alguns que foram acrescentados na tradução grega feita pelos Judeus (chamada
tradução dos LXX).
Para organizar a lista dos livros da Bíblia os Fariseus antigos, julgaram que, para
serem inspirados por Deus, os livros deveriam ser:
- Antigo, isto é, não escritos depois de Esdras e Neemias.
- Fossem de acordo com a lei de Moisés.
- Escritos em língua “sagrada” isto é, hebraico e aramaico.
- Tivessem origem na Palestina e não em terra estrangeira. Os livros acima mencionados
não satisfazem todos esses requisitos e não foram aceitos pelos fariseus na organização e
fixação do Cânon, isto é, a lista de livros. Os protestantes adotaram o cânon hebraico, por
isso na bíblia deles faltam os 7 livros mencionados acima. Essa é a diferença entre a Bíblia
católica e protestante. O Novo Testamento é igualzinho.

Como manusear a Bíblia?

Primeiramente, é preciso estar de coração aberto para ler a palavra de Deus e


acolhê-la no seu interior. Reserve um momento do seu dia para isso. Não misture atividades
- seu tempo de estar com Deus, em oração, é um tempo precioso; assim como existe um
tempo para você estar no trabalho, na universidade, com sua família e seus amigos. Leia,
medite, reflita... toda palavra traz uma verdade de vida e um rico ensinamento para quem a
ouve com coração reto e bom, retendo-a e dando fruto pela perseverança.
Localize seu livro: geralmente as Bíblias têm um índice informando a localização de
cada livro (antigo ou novo testamentos), juntamente com as abreviaturas usuais (Ecl, Sb, Is,
Hb...).
Crie o hábito de procurar a passagem. Se você sempre procura saber em qual página
se encontra o texto, você sempre terá dificuldade em encontrá-lo quando não tiver alguém
para dizer em qual página ele está.

Aprenda alguns sinais usados para facilitar nossa leitura:

-ponto: indica um salto entre os versículos.


-vírgula: separa capítulo de versículo.
-hífen: inclui desde um versículo até o outro. Exemplo: Lc 8,4-15 (Lucas capítulo 8,do
versículo 4 ao versículo 15)
-ponto e vírgula: separa citações dentro de um mesmo livro ou de um livro para o outro.
(Quando a leitura traz passagens não seqüenciadas).
-parênteses : cercam textos praticamente iguais de citações anteriores.
-s : um versículo imediatamente seguinte ao número do versículo que precede. Portanto, no
total serão dois versículos. Exemplo: Lc 8,11s (Lucas capítulo 8, versículos 11 e 12)
-ss : designam os dois versículos imediatamente seguintes. Exemplo:Lc 8, 11ss (Lucas
capítulo 8, versículos 11,12 e seguintes)
-versículo a. : leitura de um versículo até o primeiro ponto.
-versículo b (e as vezes até c): leitura de um versículo até o segundo ponto. Exemplo: Lc 8,
8.
´´ 8 Outra, porém, caiu em terra boa;tendo crescido, produziu fruto cem por um. (primeiro
ponto,versículo 8a) Dito isto, Jesus acrescentou alterando a voz:quem tem ouvidos para
ouvir,ouça! (versículo 8b).´´

 Nenhum livro da Bíblia foi escrito com divisões de capítulos e versículos. A


divisão em capítulos se deve ao inglês, Estevão Langton, arcebispo da Cantuária e
professor na universidade de Paris, em 1214 d.C. A divisão em versículos tem dois
responsáveis: a do AT é o dominicano italiano, Santes Paganini. Isto, em 1527. Paganini
elaborou também uma divisão para o NT, mas os versículos ficaram muito longos. Então
Roberto Etienne, redator e editor francês, em 1551 – apresentou outra divisão que temos até
hoje.
 A Bíblia foi escrita à mão, por diversos autores ao longo de aproximadamente,
1.100 anos (obviamente sobre o impulso do E. Santo – Inspiração Divina). Ao que tudo
indica, a Palavra de Deus começou a ser escrita no tempo dos reis de Israel (sobretudo,
Salomão – por volta de 950 a.C) e terminou de ser escrita com o Apocalipse por volta do
ano, 98-100 d.C. Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico ou aramaico, menos os
livros considerados deutercanônicos.
Além, do hebraico havia uma outra língua semita, o aramaico. A língua hebraica era
uma língua essencialmente religiosa, enquanto o aramaico era mais usado no meio
diplomático. No tempo de Cristo, já não se usava mais o hebraico e sim, o aramaico.
Entretanto, liam-se as Escrituras em hebraico.
 A bíblia foi escrita em cerâmicas de barro cozido (tabuinhas), papiros e
pergaminhos. A cerâmica é uma das artes mais antigas da humanidade. Assim, aquelas
chapas de argilas faziam às vezes de nossa folha de papel. Portanto, muitos textos foram
escritos em tijolos (Cf. Gn 2,7; Jr 18,1-6).
O papiro é uma planta que surgiu no Egito e crescia de forma abundante as margens
do Nilo. E depois, espalhou-se para outras regiões até chegar na Palestina. Dele se fazia
uma espécie de papel para se escrever, barcos e cestos (Cf. Is 18,1-2; Ex 2,3).
Do caule do papiro se tirava uma película ou “folha”, que se chamava ‘biblos” – que
deu origem ao nome Bíblia = livros.
O pergaminho possui este nome pois, começou a ser usado como papel na cidade de
Pérgamo – Ásia Menor, pelo Rei Éumenes II, em 200 a.C. Os pergaminhos, são couro
costurado e entrelaçado de forma a serem dispostos em rolos. São materiais mais resistentes
- que as tabuinhas e os papiros - e ganham popularidade. Sendo que para os documentos
mais importantes, este é o material mais usado (Cf. 2Tm 4,13).

Referências bibliográficas:
Bíblia do peregrino – Ed Paulus.

CHARPENTIER, Etienne. Para ler o Antigo Testamento. Orientação inicial para


entender o Antigo Testamanto. São Paulo: Paulinas. 1986, 174 p.

BORTOLINI. José. Tire suas dúvidas sobre a Bíblia. 159 respostas esclarecedoras.
São Paulo: Paulus. 7 ed. 2005, 269 p.

CECHINATO, Luiz. Conheça melhor a Bíblia. Noções gerais da Bíblia em


linguagem popular. Petrópolis: Vozes. 18 ed. 1997, 146 p.

VV. AA. ABC da Bíblia. São Paulo: Paulus. 41 ed. 2008, 38 p.

PULGA, Rosana, Beabá da Bíblia. São Paulo: Paulinas, 16 ed. 43 p.

Sem. FRANCIELO JOSÉ GASPARONI


TRABALHO EM GRUPO:

1 – O que significa o termo: Bíblia? Quais são as suas partes principais? E qual, o
significado da Palavra de Deus em sua vida pessoal, familiar e comunitária? Comente sobre
sua vida, partilhando experiências.

2 – Qual a diferença entre a bíblia Católica e a bíblia Protestante?

3 – A Bíblia é a única fonte de Fé, através da qual, o Católico deve orientar a sua
vida? Explique.

4 – Segundo o que apresentamos: Quanto tempo, como e em que línguas foram


escritas a Bíblia?

5 – O que mais chamou a atenção? Quais são os passos que você precisa dar para
amar e rezar (meditar) melhor a Palavra de Deus. Justifique.

 Exercite, procurando na sua Bíblia e leia:


Gn 2,4.

Gn 2,4-8.

Gn 2; 5

Gn 2,4.8.11

Gn 2,4s; 2,4ss

Gn 2,4a

Gn 2,4-6; 3,5s; 4,1-6,8.

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