Movimento Relativo em Sistemas Rotacionais
Movimento Relativo em Sistemas Rotacionais
fixo, já que conforme o princípio da relatividade de Newton: “é impossível dizer, mediante
experiências mecânicas realizadas num sistema, se o mesmo encontra-se em repouso ou
animado de translação retilínea uniforme”. Este princípio foi complementado por Einstein
que afirma a impossibilidade de se discernir, através de experiências físicas, o estado de
repouso do estado de movimento retilíneo uniforme. Logo, o movimento é completamente
relativo, somente em relação a outro corpo, que é tomado como referência, pode-se afirmar
que um sólido se movimenta.
Para analisar o movimento relativo vamos considerar dois sistemas de referência. O
sistema UXY, que é considerado fixo, e o sistema Oxy, que é móvel em relação ao sistema
UXY. Em relação a estes sistemas de referência considera-se um corpo rígido móvel. A Fig.
(23.1) ilustra esta situação.
Y
P(x, y)
y
x
j
i
O
U
X
situação.
Fig. (23.2) – Exemplo de movimento de condução e movimento relativo.
! !
dP dO di dj dx ! dx !
= +x +y + i + j (23.1)
dt dt dt dt dt dt
" " ! ! ! ! dx ! dy !
Vp = VO + xω × i + yω × j + i + j (23.2)
dt dt
" " ! ! ! ! dx ! dy !
VP = VO + ω × x i + ω × y j + i +
j (23.3)
dt dt
" " !
( !
)
! dx ! dy !
VP = VO + ω × x i + y j + i +
dt dt
j (23.4)
(! !
)
Nesta expressão x i + y j = (P − O ) , logo pode-se rescrever a (23.4) como
" dx ! dy !
VrP = i+ j (23.7)
dt dt
! ! "
2 2
! ! dω dO dP ! dx di dy dj d x ! d y !
a P = aO + (O − P )× + − × ω + + + i + j (23.8)
dt dt dt dt dt dt dt dt 2 dt
2
!
" dO " dP " dω
Considerando-se que VO = ; VP = ;α= e aplicando as expressões (21.7) tem-se
dt dt dt
2 2
" " " ! dx ! ! dy ! ! d x ! d y !
a P = aO + (O − P )× α + (VO − VP )× ω + ω × i + ω × j + 2 i + 2 j
! !
(23.9)
dt dt dt dt
que pode ser rescrita como
2 2
" ! " " ! dx ! ! dy ! d x ! d y !
a P = aO + (O − P )× α + ω × (VP − VO )+ ω × i + ω ×
! !
j+ 2 i + 2 j (23.10)
dt dt dt dt
dt dt
(23.11)
! d 2x ! d 2 y !
! dx ! dy
+ω × i + j+ 2 i + 2 j
dt dt dt dt
2 2
d x! d y !
a P = aO + (O − P )× α + ω × [(O − P )× ω + VrP ]+ ω × VrP + 2 i + 2 j
! ! " ! " " ! "
(23.12)
dt dt
2 2
! ! " ! " ! " d x! d y !
a P = aO + (O − P )× α + ω × [(O − P )× ω ]+ 2 ω × VrP + 2 i + 2 j (23.13)
dt dt
2 2
! d x! d y !
arP = 2 i + 2 j (23.15)
dt dt
! "
O termo restante da expressão (23.13), 2 ω × VrP , é denominado de aceleração de Coriolis
também chamada de aceleração complementar ou aceleração centrífuga composta. O nome
desta aceleração foi dado em homenagem ao matemático francês De Coriolis (1792-1843).
Definindo-se a aceleração de Coriolis como
! ! "
aτP = 2 ω × VrP (23.16)
Portanto, a aceleração de um ponto P pode ser escrita como
! ! ! !
a P = acP + arP + aτP (23.17)
A respeito da aceleração de Coriolis nota-se que
! O módulo da aceleração de Coriolis é dado por aτP = 2 ω ⋅VrP ⋅ sen 90° = 2 ω VrP
! "
! A sua direção é ortogonal ao vetor ω e ao vetor VrP ;
! O sentido desta aceleração é dado pela regra da mão direita;
! Para que exista aceleração de Coriolis o movimento de condução deve ser de rotação.
Deve também existir um movimento relativo que pode ser uma translação ou uma
rotação.
i j k
"
aτP = aτPx i + aτPy j = 2 ⋅ 0 0 ω = −2ω VPy i + 2ω VPx j (23.18)
V 0
Px VPy
relativa constante ao longo da barra OB, que por sua vez gira com velocidade angular
constante em torno de O.
Y
x
Figura (23.3) y
r
VrP
P
j ω
i
U=O
X
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A solução deste problema passa pela particularização das expressões (23.5) e (23.13).
" " "
Pela Fig.(23.3) nota-se que O = U , logo VO = 0 e VcP = (O − P )× ω . Analisando-se a
dy !
velocidade relativa de P tem-se j = 0 já que o movimento do cursor é guiado pela haste.
dt
" dx ! ! "
Logo, VrP = i . Quanto à aceleração verifica-se que aO = 0 e α = 0 já que ω é constante.
dt
! ! "
Logo, acP = ω × [(O − P )× ω ] = ω (O − P ) . Analisando-se a aceleração relativa tem-se
2
2 2
d y! d x!
2
j = 0 , já que o movimento do cursor é guiado pela haste, e 2
i = 0 , já que a
dt dt
velocidade relativa é constante. Portanto,. Analisando-se a aceleração de Coriolis tem-se
"
aτP = 2ω VPx j . A Fig.(23.4) ilustra a orientação da velocidade e aceleração do ponto P.
Y
VP
x
VcP
y
P
VrP
j ω
i
U=O
Y
aτP x
y aP
P
acP
j ω
i
U=O
X
Y tempo= t
VcP
y y
r
VrP
P
j ω
i
θ
U=O
X
VcP1 x
tempo= t 1
Y VrP1
P1
r1
y
ω
j i
θ+∆θ
U=O
X
Figura (23.5)
C
E
VcP
B
D VrP1
VcP1 A
VrP
Figura (23.6) – Variação no vetor velocidade entre os dois instantes de tempo. Os vetores em
azul correspondem ao tempo t e os vetores em vermelho ao tempo t1.
qual ocorre o movimento relativo.
23.1 EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1) Vamos considerar o mesmo mecanismo apresentado nas figuras (23.3) a (23.5) com os
"
seguintes dados. O braço ranhurado gira com velocidade angular constante ω = −2 k rad / s .
Simultaneamente o bloco se move no sentido indicado com V = 2 m / s (constante).
Determinar a velocidade e a aceleração do ponto P quando θ = 60° e O P = 2,5m
Solução: O processo de solução já foi comentado anteriormente, de modo que o procedimento a seguir está
resumido.
! ! !
i j k
" " ! " dx ! !
VcP = (O − P ) × ω = − 2.5 0 0 = −5 j m / s VrP = i = 2i m/s
dt
0 0 −2
! ! !
i j k
! ! ! ! ! ! " "
acP = ω (O − P ) = (− 2 )2 (− 2.5)i = −10 i m / s
2 2 2
a rP = 0 aτP = 2ω × Vrp = 2 0 0 − 2 = −8 j m / s
2 0 0
! ! ! ! " "
Y Y
x x
y 2 m/s y P
P
10 m/s2
2 rad/s 5,39 m/s 2 rad/s
5 m/s 8 m/s2
j j
i i
12,81 m/s2
U=O U=O
X X
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J
! ! !
VB = VC + (C − B ) × ω BC
C I 0,15 m/s X
I J K
!
VB = 0 + 0 − 0,33 0
y 0 ω BC
1
0
x !
VB = −0,330ω BC I (1)
j
i
A velocidade do ponto B em relação ao
A sistema de referência móvel pode ser
escrita como
1 (m) ! ! !
VB = VBcond + VBrelat
!
VBrelat = 0,15j m/s
2 2
A − B = 1 + 1,33 = 1,66 m
i j k
! ! !
( )
VBcond = A − B × ω BA = 0 − 1,66 0 = −1,66ω BAi → VB = −1,66ω BAi + 0,15j (2)
0 ω BA
0
! !
Para relacionarmos VB escrito em relação ao referencial fixo com VB escrita em relação ao referencial móvel,
i cosθ sen θ I
devemos aplicar uma rotação no eixos (I, J) ou seja = ⋅ . A matriz
j − sen θ cosθ J
cosθ sen θ
R = é chamada matriz de rotação. No caso deste problema, θ é o ângulo entre o eixo x e a
− sen θ cosθ
,
1
cos 36,94 = 0,8 e sen 36,94 = 0,6
y
A figura ao lado ilustra o funcionamento deste
formulário. x
Aplicando-se a matriz de rotação obtém-se
" 0,8 0,6 − 0,33ω BC
VB = ⋅ J
− 0,6 0,8 0 j 36,94 o
i
"
VB = −0,264ω BC i + 0,198ω BC j (3)
I X
Agora relacionando os resultados obtidos em (2) e (3) obtém-se
!
VB = −1,66ω BAi + 0,15j = −0,264ω BC i + 0,198ω BC j
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Para as acelerações aplica-se o mesmo processo de solução. Logo a aceleração do ponto B em relação ao
referencial fixo (ponto C) é escrita como
I J K
! !
a B = (C − B ) × α BC + ω BC (C − B ) = 0 − 0,33 0 + 0,758 (− 0,33J ) = −0,33α BC I − 0,19 J
2 2
(4)
0 α BC
0
A aceleração do ponto B em relação ao sistema de referência móvel pode ser escrita como
! ! ! !
a B = a B cond + a B relat + a B coriolis
i j k
! ! !
a Bcond = a A + (A − B ) × α BA + ω BA (A − B ) = 0 + 0 − 1,66 0 + 0,12 (− 1,66 j) = −1,66α BAi − 0,024 j
2 2
0 α BA
0
2 2 2 2
! d x! d y ! d x! d y!
a Brelat = 2 i + 2 j = 0 ; 2
i = 0 porque o cilindro avança com velocidade constante e 2
j =0
dt dt dt dt
porque, no instante de tempo considerado, o cilindro desloca-se na direção x.
i j k
! " "
!
a B = (− 1,66α BA − 0,036 )i − 0,024 j
(5)
O próximo passo é aplicar a matriz de rotação na expressão (4) de modo que seja possível comparar a
aceleração obtida em relação ao referencial fixo com a aceleração obtida em relação ao referencial móvel.
Executando-se esta operação tem-se
!
a B = (− 1,66α BA − 0,036)i − 0,024 j = (− 0,264α BC − 0,114 )i + (0,198α BC − 0,152 )j
!
a B = −0,33 ⋅ 0,646I − 0,19J = −0,21I − 0,19 J m/s = 0,283 (− 0,741; − 0,671) m/s
2 2
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3) O colar B desliza ao longo da haste OC e está articulado ao bloco deslizante que sobe pela
!
ranhura com velocidade constante v = 5 m/s. Determinar para o instante ilustrado VBrelat ,
! ! !
VBcond , ωOC e αOC .
Y
5 m/s
x
y
B
j
i
30o
U=O
3m
X
Solução: Adota-se o mancal como a origem do sistema fixo UXY e do sistema móvel Oxy, cujo eixo x é
orientado na direção da haste conforme ilustrado na figura acima. Com estes eixos o movimento relativo é uma
translação ao longo do eixo x. O primeiro passo na solução do problema é projetar a velocidade do colar nos
eixos de referência móveis.
! !
- Os ponto U e O são coincidentes, logo VO = 0 e aO = 0 ;
30o
- Os pontos B e O pertencem à haste, logo ω BO = ω haste e α BO = α haste ;
j =0 e 2 j =0.
dt dt
i j k
" " " dx !
VBcond = (O − B ) × ω haste = − 3,464 0
Comparando-se as expressões (1) e (2) com as projeções da velocidade de 5 m/s nos eixos de referência móveis,
" "
conclui-se que VBcond = V y j = 4,33 j m/s e VB relat = V x i = 2,5 i m/s . Logo, pode-se escrever
Segundo o texto do problema, a velocidade de 5 m/s é constante e, além disso, a direção desta velocidade
! ! ! !
também não varia no instante de tempo considerado, logo a B = 0 , ou seja a Bcond + a Brelat + a Bcorio = 0 .
Particularizando-se as expressões (23.14) a (23.16) tem-se
i j k
! "
a Bcond = (O − B )× α haste + (O − B )ω haste = − 3,464 0 0 + (− 3,464 i )⋅1,25 = 3,464α haste j − 5,413 i
2 2
0 0 α haste
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2 i j k
! d x! ! ! ! " 2
a Brelat = 2 i = a r i e a Bcorio = 2 ω haste × VBrelat = 2 ⋅ 0 0 1,25 = 6,25 j m/s
dt 2,5 0 0
Logo, pode-se escrever 3,464α haste j − 5,413 i + a r i + 6,25 j = 0 , que resulta em duas equações escalares
2 2
3,464α haste + 6,25 = 0 → α haste = −1,8 rad/s e − 5,413 + a r = 0 → a r = 5,413 m/s