Fdocumentos - Tips Rosa Aerodesign
Fdocumentos - Tips Rosa Aerodesign
0213230 R$60,00
Edison da Rosa
PROJETO
AERONAUTICO
UMA CONTRIBUICAO A COMPETICAO SAE AERODESIGN®
EDISON DA ROSA
JULIANO TOPOROSKI
2006
Todos os direitos reservados a: INTRODUCAO
Edison da Rosa
Proibida a reproduCA 0 em parte ou no todo
Lei: 9.610/98
Centro TecnolOgico — Universidade Federal de Santa Catarina Este trabalho se mostrou necessario quando o autor passou a orientar
Campus Universitario — Trindade equipes do Departamento de Engenharia Mecanica da Universidade Federal
de Santa Catarina, participantes da competigao AeroDesign, promovida pela t
88040-901 — FlorianOpolis / SC — Brasil SAE Brasil. Alern da dificuldade inicial, do curso de graduagao em Engenharia
darosa@[Link] Mecanica da UFSC nao possuir especializagao em Engenharia Aeronautica, a
falta de material bibliografico disponivel para os alunos consultarem mostrou-
se urn ponto critico. Assim, este texto busca apresentar de uma forma
abrangente, porem sem urn grande aprofundamento teOrico, os principais
aspectos relacionados corn o projeto aeronautico, dedicando algum espago
ainda para as pecuiiaridades que sao especificas da competigao, tendo em
vista as caracteristicas e limitagOes impostas pelo regulamento.
0 texto esta dividido em cinco partes, abrangendo os principais pontos:
MODULO 1
Aspectos organizacionais e definigao do projeto, piano de trabalho,
cronograma.
MODULO 2
Conceitos de aerodinamica, escoamento bidimensional, caracteristicas
de urn perfil, camada limite, resistancia aerodinamica.
[Link] MODULO 3
Analise de propulsào, performance e estabilidade em vOo do aviao.
MODULO 4
Apresenta os conceitos de regulamentagao aeronautica e os criterios
Catalogaccio na publicacâo por: On6lia Silva Guimariies CRB-14/071 de projeto estrutural e ensaios.
011
MODULO 5
Apresenta o desenvolvimento de dais projetos piloto e exercicios
R788i Rosa, Edison da propostos, visando a aplicagao pratica imediata dos tOpicos abordados.
Introduce- 0 ao Projeto Aeronautico : uma contribuicao a Apresentando urn roteiro, passo a passo, para a elaboragao do projeto do
Competigäo SAE AeroDesign / Edison da Rosa ; colaboragào
Juliano Toporoski. — FlorianOpolis: UFSC/GRANTE, 2006. modelo para a competigao.
288 p. Edison da Rosa
Este livro destina-se aqueles que, por razbes profissionais ou por pura
paixao, interessam-se por avides, seu projeto e sua construcao. Foi idealizado
como urn texto inicial em projeto de aeronaves, para alunos de graduagao em
engenharia mecanica e engenharia aeronautica, mas podera ser utilizado por
todos que possuam algum conhecimento basic° de fisica e curiosidade pela
mecanica do v6o.
PAA-LOAD
EVENTS ;Z17
In 1961. Pan American wilt sponsor. PAA-Loac
Jet. PAA-Load Mini-Jet. PAA-Load Gas and
SAE
Clipper Cargo.
PAA-Loao Contests are sold at "Tile Nation-
als.' and at many regional and local contests.
AEA DESIGN
in the U. S. and overseas.
For 1961 rules and regulations. write: Edu-
cational Director. Pan Am Airways, 28-19 Bridge
Plaza North. Long island City 1. New York.
MODULO 2
ESCOAMENTO SOBRE UM PERFIL 77
CAMADA LIMITE E SEPARACAO 99
ESCOAMENTO SOBRE UMA ASA 117
RESISTENCIA AERODINAMICA 130
MODULO 3
PROPULSAO 143
ANALISE DE DESEMPENHO 159
EQUILIBRIO E ESTABILIDADE 179
MODULO 4
REGULAMENTACAO AERONAUTICA 201
PROJETO ESTRUTURAL 217
MODULO 5
EXEMPLO DE PROJETO — AeroDesign 249
EXEMPLO DE PROJETO — UAV 259
15. PROJETO PILOTO 267
REFERENCIAS
EQUIPES UFSC DESDE 1999 273
BIBLIOGRAFIA 277
REFERENCIAS FOTOGRAFICAS 281
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I ntroducao ao Projeto Aerona utico 17
1. INTRODUCAO AO PROJETO
AERONAUTICO
Este primeiro capitulo tern por objetivo apresentar de forma sucinta e
objetiva os conceitos relacionados ao processo de desenvolvimento do projeto
e fabricagao de urn produto, bem como conceitos relativos a organizacao e
gerenciamento deste projeto e construcao. Desta forma, o capitulo esta dividido
em duas partes, uma dedicada a metodologia de projeto e desenvolvimento de
produtos e uma segunda parte de tecnicas e formas de organizacao e
administragao de todas as atividades envolvidas, ou seja, como que este
desenvolvimento do produto é gerenciado.
0 termo projeto é urn termo amplo, que pode ter diferentes definicbes e
abrang6ncias, conforme a literatura apresenta. Dentro do escopo deste texto,
vamos definir projeto como sendo urn conjunto de atividades inter-relacionadas
que tern por objetivo conceber e definir completamente um produto, de forma
que possa ser produzido. 0 projeto de urn produto inicia quando e estabelecida
a necessidade deste produto. 0 conceito de produto aqui discutido pode ser
pensado como o mais amplo possivel, como por exemplo, urn novo automOvel,
urn equipamento industrial, urn software, urn processo de fabricagao, etc.
Pesquisar informagOes;
Projetar;
Construir:
Testar;
Avaliar.
uma visa() global, macroscopica do produto, na qual este este muito pouco Para o concurso SAE AeroDesign um banco de dados de modelos de anos
definido, para uma fase que tern uma visao focada em cada urn dos diferentes anteriores e muito dtil para balizar em um novo projeto as
caracteristicas aerodinEmicas, dados de desempenho e soluOes
detalhes do produto, que, ao final do projeto, definem complete e estruturais.
inequivocamente o que é o produto.
0 principal requisito de urn produto é o seu requisito funcional, ou seja,
As etapas "construe e "testar", podem atuar sobre modelos fisicos, o requisito que define a fungao a que o produto deve atender, ou seja, a razao de
como protOtipos ou maquetes, ou sobre modelos virtuais, como modelos ser do produto. Outros requisitos em geral estao presentes. As restricoes impOem
computacionais. No primeiro caso os testes sera) efetuados sobre o protOtipo limitagOes (valores maximos e minimos) ao projeto, como de dimensbes, de
e algumas grandezas sera° medidas. No caso do modelo virtual os testes volume, peso, desempenho, custo, prazos, etc. 0 objetivo do projeto informacional
sera° simulagOes a que os modelos sera° submetidos. é gerar as especificagbes de projeto do produto, que é uma quantificagao dos
requisitos e restricoes, que em geral sao colocadas de uma forma qualitative. Os
1.1 0 PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE requisitos e restricoes podem tambern estar relacionados corn outros aspectos
do produto, como manufatura, montagem, manutengao, etc, como restricoes de
PRODUTOS tempo de fabricagao, disponibilidades de maquinas e ferramentas, etc. Uma
0 desenvolvimento de produtos, seja uma maquina, urn equipamento, ferramenta muito Crtil nesta etapa é o QFD.
urn eletrodomestico, urn software, e no caso de interesse, uma aeronave nao
tripulada, radio-controlada, segue tipicamente uma segOencia de etapas que Atender a todos os requisitos, respeitando ao mesmo tempo
pode ser descrita como: as restrigbes é fazer uma boa engenharia de projeto.
DESCRICAO: ETAPA DE PROJETO, A etapa de concepgao gera o chamado projeto conceitual, no qual se
Definicao de necessidades e busca de informagbes; Projeto Informacional
Busca da concepcao do produto; Projeto Conceitual
tern uma ideia de como sera o produto, urn esbogo do mesmo, corn os principios
Desenvolvimento do "layout" e parâmetros basicos; Projeto Preliminar de solugäo de cada sistema indicados. 0 projeto conceitual gera assim uma
Complementacao do projeto e detalhamento; Projeto Detalhado solugao para o produto, corn uma configuragao que deve ser refinada e
Construcao;
Teste; detalhada nas pr6ximas etapas do processo de projeto.
Avaliacao.
Esta seq0encia deve ser efetuada a diferentes n l ye's de detalhamento, DESENVOLVIMENTO DO F-22
ou seja, ao nivel do produto como urn todo (nivel macro), ao nivel de sistemas Urn exemplo interessante de evolugao de urn projeto diz respeito ao
e montagens e ao nivel de pegas e seus detalhes (nivel micro). E o que pode- desenvolvimento do F-22, caca de quinta geragao. 0 desenvolvimento do projeto
se chamar de projeto corn foco ciclico, macro* micro* macro. iniciou corn o conceito do que seria urn caga ATF, caca tatico avangado, que
iniciou a ser discutido em 1971. Este conceito foi evoluindo internamente na
0 projeto sempre inicia como uma acao de resposta a uma necessidade forga aerea americana, USAF. A seguir segue urn breve resumo da evolugâo do
detectada e que deve ser atendida. As etapas de definigao de necessidades e projeto ate os dias de hoje.
busca de informagOes é o que mais recentemente se este denominando de
projeto informacional. No projeto informacional devemos ter muito bem definido Em 1981 a USAF langou urn convite (RFI) a nove empresas da indOstria
todos os requisitos (o que o produto DEVE ser) e todas as restricoes (o que o aeroespacial (sete empresas responderam) para o desenvolvimento de conceitos
produto NAO DEVE ser). De uma forma geral podemos definir entao atributos do que seria urn caca ATF. Este novo caca deveria substituir os F-15, entao
do produto, divididos entre os desejaveis (requisitos) e os indesejaveis (limitados recêm introduzidos em operagao, a partir do final da decade de 90.
por restricoes).
1982: Sao apresentados os estudos do desenvolvimento de conceitos.
A busca de informagOes deve contemplar tambern aspectos legais 0 projeto da Northrop focou na simplicidade, corn urn aviao pequeno e agil, corn
relativos ao tipo de produto, bem como dados para comparagao corn produtos 8 toneladas de peso total estimado. Ja a Lockheed desenvolveu urn projeto
similares, corn o use de parametros adimensionais para comparagao, quanto bastante sofisticado, corn alta tecnologia embutida, como empuxo vetorado,
a caracteristicas de desempenho e outros requisitos e restricoes. canards retrateis, etc, resultando em urn projeto corn 53 toneladas de peso.
20 Edison da Rosa
I ntroducao ao Projeto Aeronautico 21
Referancias, ver:
[Link] [Link]
[Link] arc1/[Link]
[Link] 98/apra [Link]
Figura 1.1 — Protetipo de demonstracào de conceito YF-22.
ANTENA VHF
1985: Apresentado o "Request for Proposal", RFP, para a fase de
demonstragao de conceitos e validagäo dos mesmos. Nä° se exige ainda a SIMULATOR —
AVIONICS REERIGECUOOS
ANTENAS DE
SISI EMAS DE
GUERRA ElETRCIN/CA CANNX0
aI POR LIQUID°
RADAR
PYLON PARA ARMAMENT° 20 mat M61A2
ENTRADA
MISS/1 AR-AR DE AR
AIM-9 SIDEWINDER
SISTEMA DE
PNEUS RADIAIS OFTECCAO DE MISSEIS
MICHELIN AIR-X
1
Fungäo Global Funcao Global Conceitual
da Pega da Poo
Preliminar
Estrutura Detalhado
Grupo Funcional Grupo Funcional Grupo Funcional
da Pega da Pega da Pega Funcional Construgäo
da Pega Testes
Fungao Local Fungao Local
da Peca da Pega LL__> Avaliag5o
Figura 1.4 — Estrutural funcional do produto, suportada pela estrutura funcional das pecas. Figura 1.6 - SeqUência de etapas em urn processo tradicional de projeto.
bUyUlf dCllarlie, Corn CS lclUll IUdUC c uvi
investimentos cada vez mais elevados. Pela superposigeo das etapas existe Simulageo de vOo;
a possibilidade de corregOes durante o desenvolvimento, sem grande prejuizo Estimativas de performance;
de tempo e recursos investidos. "Layout" geral da aeronave;
Conceitual Anelise de cargas e projeto estrutural;
Preliminar
PROJETO DETALHADO
Detalhado <'-) 1 Projeto de sistemas;
Construgäo Dimensionamento e projeto de pegas;
"Layout" detalhado da aeronave;
Testes
Desenho de pegas;
Avaliagao Desenho de montagem;
Figura 1.7 - SeqUéncia de etapas em urn processo de projeto usando Engenharia Simultânea. Desenho de manutengeo;
Planejamento de processos de fabricageo.
TIPOS DE PROJETO:
Projeto inovativo: Quando urn produto novo é desenvolvido, sem que 1.2 CONSTRUCAO
a empresa tenha experiencia anterior corn este tipo de produto.
A construgeo de urn modelo ou prot6tipo, relacionado ao
Projeto evolutivo: Quando a empresa ja possui urn produto similar que desenvolvimento de um produto, sempre envolve uma boa dose de trabalho
atende a necessidade, mas devere ser melhorado, reprojetado. artesanal, meticuloso, demorado que exige tecnica, treinamento e paciéncia.
Projeto de ponta: Quando as solugOes adotadas seo novas, corn A construgeo de urn prot6tipo pode ser feita de diferentes formas,
concepgOes e principios inovadores. usando diferentes materiais, dependendo do tipo e finalidade do prot6tipo. No
caso da indOstria automobilistica é comum o use de uma centena de prot6tipos,
Projeto tradicional: Ocorre na condigeo na qual o projeto adota solugOes antes do langamento de urn novo veiculo.
je usadas, testadas e avaliadas em produtos similares.
O primeiro prot6tipo a ser construido e o "prot6tipo funcional", que
No caso especifico de uma aeronave, as diferentes etapas do processo procura demonstrar a viabilidade da concepgeo. E o prot6tipo de demostrageo
de projeto contem, de forma tipica, as seguintes atividades: e validageo de conceito. Normalmente este pode ser feito corn materials mais
simples, diferentes dos que sera° usados na construgeo final. Estes prot6tipos
PROJETO CONCEITUAL
funcionais sao em geral muito trabalhados, alterados, para testar diferentes
EspecificagOes;
configuragOes ou dimensOes geornêtricas, etc.
Estudo parametrico (banco de dados de aeronaves similares);
"Layout" da fuselagem;
Os prot6tipos de desempenho tern por objetivo testar as capacidades
"Layout" da asa (projeto aerodinämico);
"Layout" do aviao completo; funcionais do projeto, sendo importante a configurageo adotada e os equipamentos,
nao tanto os materials e processos de fabricageo. Estes prot6tipos seo posteriores
PROJETO PRELIMINAR aos funcionais, pois permitem verificar a capacidade do projeto desempenhar a
Estimativa de massa; fungeo pretendida. Os prot6tipos funcionais verificam a funcionalidade do projeto
Avaliageo aerodinemica (curve polar, performance); de urn modo qualitativo. Os prot6tipos de desempenho o fazem de forma quantitative.
•
•
40
26 Edison da Rosa Introduc5o ao Projeto Aeronautic° 27
Corn o projeto bem definido os prot6tipos de durabilidade devem ser pode mudar muito o projeto neste ponto, sob pena de inviabilizar a
construidos e ensaiados. Estes protOtipos visam caracterizar, por exemplo, a participagao. 0 protdtipo P3 deve ser usado para os testes finals,
verificagao de estabilidade, etc. Deve-se prever um born conjunto de
capacidade de carga de sistemas estruturais, a resisténcia ao desgaste de pegas de reserva para a competigao!!
uma superficie, etc. Estes protOtipos normalmente sofrem ensaios destrutivos,
pois se deseja em geral verificar a maxima capacidade do projeto. Os A fabricagao de pegas aeronauticas tern algumas caracteristicas
prot6tipos de durabilidade nao necessitam ser do produto completo, mas do especificas, relatives ao tipo de produto. Estas pegas se caracterizam por serem
sistema ou pega que deve ser testado, desde que as solicitagbes atuantes fabricadas em pequenas quantidades, usam em geral materials nobres, corn
possam ser corretamente aplicadas durante o teste. Em projetos aeronauticos altas caracteristicas de desempenho e devem apresentar altos indices de
os testes de capacidade de carga sao efetuados normalmente sobre ao menos confiabilidade em servigo. 1st° leva que a fabricagao destas pegas exige muito
dois prot6tipos, urn para cargas estaticas e outro para cargas de fadiga.
ern termos de equipamentos, toleräncias apertadas, extensivo use de gabaritos
e dispositivos de posicionamento, fabricagao, montagem, verificagao, etc.
Outro tipo de protdtipo e o de processo, no qual as tecnicas de fabricagao
sao testadas. Estes protOtipos em geral sao similares as pegas reais, para verificar
Os testes de vOo a serem efetuados devem procurar eliminar todas as
a viabilidade do processo de fabricagao. Assim, para testar a fabricagao de uma
asa em material composto, moldada a vacuo, corn nOcleo de espuma, uma incertezas sobre o desempenho, estabilidade, seguranga ern operagao, etc. A
pequena segao ja é suficiente. Varios prot6tipos de processo podem ser capacidade do projeto, definida pela envoltOria de vOo, deve ser testada de forma
necessarios. progressive, expandindo pouco a pouco, teste a teste, os limites de vOo seguro.
Para a aeronave completa, os testes devem iniciar corn o teste de
Adicionaimente ao tipo de protdtipo, podemos classifica-los quanto pista, corn a aeronave taxiando e verificando todos os controles e
abrangéncia, ou seja, quanto ao nivel da estrutura do produto onde o protdtipo respostas. A resposta a aceleragao do motor e a distancia de decolagem
sao parametros essenciais no caso da competigao SAE AeroDesign. Os
se encontra. Desta forma, podemos ter urn protdtipo de durabilidade ao nivel
testes de desempenho corn a aeronave, efetuados corn diferentes niveis
de pega, ou ao nivel de todo urn sistema. Urn protdtipo de desempenho pode de carga, podem ser resumidos como:
ser urn protdtipo do produto completo. A abrang6ncia do protdtipo pode ser em
nivel de pega, em nivel de sistemas ou montagens e em nivel de produto. Testes de pista;
Testes de aceleragao e decolagem;
No caso do concurso SAE AeroDesign recomenda-se, em especial para Testes de capacidade de carga na decolagem;
equipes iniciantes, a construgao de tres prot6tipos do modelo, P1, Testes de estabilidade em veo, manobrabilidade;
P2 e P3, ao longo do desenvolvimento do projeto, normalmente durante Testes de aterrissagem e arremetida;
oito meses, de margo a outubro. As equipes ja experientes podem Testes de recuperacao de picada;
prescindir do protdtipo P1. Estes protetipos sao definidos a seguir. Testes de recuperagao de estol;
Outros testes.
P1 - t um protdtipo que tem por objetivo familiarizar a equipe corn
a construcao de aviSes em escala, corn as dificuldades iniciais. Os testes estruturais, para verificar a carga de colapso, sao
Deve ser urn projeto simples, tradicional, respeitando as regras do essenciais para a asa e o trem de pouso, itens criticos no projeto
concurso SAE AeroDesign. E uma plataforma para testar tecnicas de AeroDesign.
fabricagao, treinar o veo, testar conceitos e desempenho. Em resumo,
P1 serve para a equipe ganhar experiencia em construgao e veo. Os testes de fabricagao buscam verificar a viabilidade dos processos
Devem-se user as tecnicas de construgao as mais simples e tradicionais e tecnicas, a compatibilidade dos diferentes materials, a montagem
possiveis. das pegas, etc..
P2 - E o modelo corn a configuragao do projeto para a competigao. t Antes de iniciar qualquer projeto, dois testes sao essenciais, os
usado para testar as solug6es de concepgao e de fabricagao do testes de motor e de hence. Os testes de motor tem por objetivo obter
protdtipo final. Deve ser usado exaustivamente para testar as solug6es a curva de potencies do mesmo, para que a analise de desempenho seja o
adotadas, medir o desempenho em pista, capacidade de decolagem e mais realista possivel. 0 mesmo pode ser dito dos ensaios de hence,
treinar o piloto. E comum o P2 sofrer varios acidentes e ser e em particular para orientar a escolha da melhor opgao de hence.
reconstruido varias vezes!! Este protdtipo deve ser o mais fiel
possivel ao projeto final. Por Ultimo, sempre ter pegas sobressalentes em quantidade suficiente
e, se uma pega for modificada, nunca testar esta mudanga na competigao,
P3 - t o modelo construido para a competigao. 0 projeto e as pois as modificag6es nunca funcionam na primeira vez! Assim, sempre
tecnicas de fabricagao sao praticamente identicas as do P2. Nao se user pegas e solug6es ja testadas.
Introducao ao Projeto Aeronáutico 29
28 Edison da Rosa
ATIVIDADE S1 S2 S3 S4 S5 S6
A
Al
1.3 ORGANIZACAO E GERENCIAMENTO A2
A3
A organizacao e o gerenciamento de todo o processo de projeto é A3.1
essencial para garantir seu sucesso, pois apenas o conhecimento e a boa vontade A3.2
das pessoas n a- o säo suficientes. 0 gerenciamento busca a definigäo e o A4
encadeamento das diferentes tarefas, de modo que as metas sejam atingidas B 111=11111n111.111111MINIII
nos prazos adequados, usando os recursos humanos e materials disponiveis.
Para as equipes do projeto AeroDesign e importante a definicao do ATIVIDADE Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 TOTAL
objeto do projeto. Conforme ja comentado, o produto a ser projetado, DATA 10-03-2003 17-03-2003 24-03-2003 31-03-2003 (horas)
construido e testado, nao 6, como poderiamos pensar, o modelo da A 26 h
competicao, mas simobterumapontuacaoexpressiva e vencer a competicao. Al 5h 5h
Desta forma o projeto daparticipacaona competicao inclui o projeto do A2 8h 8h
modelo, mos tambem a construcao, testes, relatOrio, apresentacao, etc. A3 9h
Todos estes aspectos deverao ester presentes no planejamento e A3.1 2h 1h 1h 4h
acompanhamento do projeto': • A3.2 5h 5h
A4 4h 4h
B
As atividades devem ser inicialmente pensadas em urn nivel macro,
algumas poucas grandes atividades, que deverão ser progressivamente
detalhadas, ate urn nivel adequado ao completo entendimento das tarefas Figura 1.10 - Cronograma na forma de uma matriz atividade - tempo.
e a previsão de recursos que deveräo ser consumidos. Assim temos uma
Este tipo de cronograma é essencial para acompanhar o
progressiva fragmentagbo das atividades, niveis Macro / Medio / Micro, ate o
ponto onde cada tarefa é auto-explicativa e executavel. desenvolvimento do trabalho e definir aches corretivas quando detectados
desvios do previsto.
Em primeiro nivel, deve-se pensar em atividades macro, comestimativas
de prazos para a execucao, compativeis com os dados criticos. Estas Uma forma mais refinada de estabelecer o cronograma é analisar,
atividades se enquadram em: para cada atividade, suas duraches minimas, mèclias e maximas, em horas,
Atividades tecnicas (Projeto, construcao, testes,...); dias ou semanas, dependendo da escala de tempo adequada.
Atividades administrativas / Burocraticas (Documentos para inscricao,
pagamentos de taxes,...); CRONOGRAMA DO CONCURSO / CRONOGRAMA DA EQUIPE
Atividades de logistica (Transporte, hospedagem,...).
Dentro do cronograma do concurso cada equipe deve se adequar,
considerando suas caracteristicas prOprias, como habilidades, nirmero de
Urn ponto importante é verificar a interdependência e prioridades entre
as diferentes atividades. Sempre que possivel, desenvolver varias atividades participantes, experibncia anterior, etc. As atividades tecnicas s a- o as que mais
em paralelo. E necessario identificar quais atividades podem ser realizadas utilizam tempo, podendo ser divididas em:
em paralelo, de forma simultânea, e quais atividades que devem ser
secitienciais. Uma forma muito usada em visualizacäo é o chamado grafico de Projeto: projeto, desenhos, relathrio, apresentac5o;
GANTT, onde temos tempo no eixo X, em dias, sernanas ou meses, e atividades Construgäo: ProtOtipo funcional, pecas;
em Y, conforme Figura 1.9. Testes de pecas e sistemas; testes do prothtipo em pista, testes em vho;
Correches no projeto, na fabricacbo, etc.
30 Edison da Rosa In troduoao ao Projeto Aeronautic° 31
ARQUIVOS FiSICOS Usar inicialmente sempre o processo mais simples de cälculo. Sofisticar
ap6s,emiteragOessubseqUentes,se necessârk) for.
Desenhos em geral; Pastas; Ao calcular e especificar uma dimens5o, buscar valores padronizados
Desenhos tëcnicos; IndOstria / produtos; (diãmetm, espessura, largura, etc.).
Arte final, fotolitos; EscritOrios / projetos; Avaliar o resultado quanto a outras formas de solugão possiveis para
Slides, negativos; Equipe; o projeto.
PortfOlios; Empresa ou instituig5o; Analisar os resultados obtidos e avaliar no contexto do conjunto de
PublicagOes importantes: HistOrico; pegas e do equipamento como um todo. Escrever as conclusOes.
Arquivos em disquetes, CD; Prämios; Identificar claramente o inicio e o fim de urn cãlculo, pelo titulo inicial e
Mapotecas; ExposigOes. pelas conclusOes.
Manter uma disposigäo do texto, nas folhas, clara e agradavel, corn os
ALGUMAS INDICAOES PARA 0 AERODESIGN:
värios itens facilmente identificäveis.
Projeto Piloto; Encarregado da documentacao.
Minuta relaterio; Pesquisar; LIVRO DE PROJETO
Desenhos projeto; Selecionar;
Slides apresentacao. Divulger;
Livro de projeto; objetivo do livro de projeto, que deve ser um caderno de ao menos
Armazenar;
Livro de gerOncia; 200 folhas, é de documentar todos os dados e informacties pertinentes
"Back Up" ao desenvolvimento. Assim, tem-se em um Unico documento todas as
Manual da equipe.
informagOes evitando que estas fiquem extraviadas.
Check List: RelatOrio:
Regulamento; o Estrutura do relatOrio; livro do projeto deve ter um responsävel, na pessoa do projetista da
Logistica; o-Minuta do relatOrio. equipe. Este fica encarregado de desenvolver todos os pontos do projeto,
Equipamentos/ Ferramentas; sempre mantendo o livro atualizado. Os esbocos iniciais para a busca de
VOo. solucOes, os primeiros calculos de aerodinamica, etc, tudo deve ser
feito no livro de projeto. As decisOes de cunho tecnico tornado em
MEMORIAL DE CALCULO reuniOes da equipe tambem devem ser registradas.
0 desenvolvimento de calculos para o dimensionamento (seja
livro de projeto deverd ter entao, ao final do desenvolvimento,
aerodinämico, cinemätico, estrutural, etc.) deve ter os mais completos e claros toda a histOria do mesmo, as varies alternatives buscadas, os calculos
registros, escritos de forma agradâvel e compreensivel por qualquer pessoa que efetuados, as referencias consultadas, etc. Toda anotacao no livro
vä revise-lo (voce mesmo depois de dois anos, ou seu chefe apOs duas horas). de projeto deve sempre ser assinada e datada. Ver as indicaOes de
como escrever um memorial de calculo.
Em qualquer dos casos todas as informagOes necess6rias para a perfeita
compreensäo devem estar presentes, ou citadas as fontes de onde podem ser LIVRO DE GERENCIA
obtidas. De qualquer modo o tempo gasto para escrever urn born relatOrio /
memorial de câlculo, sera muito menor do que o tempo exigido para decifrar urn De forma similar ao livro de projeto, o livro de gerencia tem por
objetivo documentar o gerenciamento da equipe e do projeto. Deve
relatOrio incompleto, mal escrito, sem referencias, etc. Algumas indicagOes de ser tambem um caderno, corn 100 folhas. Neste livro o gerente
como fazer um memorial de càlculo säo discutidas a seguir. (capitao da equipe) deve anotar todas as decisOes e acOes tomadas,
como as atas de reuniao, assinadas sempre por todos os participantes,
a lista de membros da equipe corn seus telefones residenciais e
Identificar (dar urn titulo) o que está sendo feito, sistema ou pega em celulares, a lista de e-mails, etc.
estudo, criterio de cälculo.
Listar as hip6teses para o cälculo. Definir o modelo. Escrever as livro de geréncia deve contar:
eq uagOes pertinentes. Definir todas as variáveis do problema. Citar as
Lista da equipe e meios de contato;
referéncias usadas de forma completa. Atas de reuniOes;
Substituir nas equagOes as variáveis pelos seus valores numbricos, Organograma;
exatamente na mesma ordem em que aparecem na expressào analitica. Cronograma / GANTT;
Matriz de responsabilidades;
Resolver as equagOes indicando claramente todas as transformagOes Matriz de recursos;
e substituigOes que foram efetuadas. Justificar! Matriz de orcamento;
Anotar todos os resultados intermediânos. Acompanhamento e controle financeiro.
Ressaltar os resultados finais obtidos.
Edison da Rosa I ntrodugão ao Projeto Aeronautico
36 37
A estrutura da equipe (organograma) deve ser definida desde o Atitudes desejadas: Atitudes a serem evitadas:
inicio, sendo formada por:
2. CONCEITOS DE ENGENHARIA
AERONAUTICA
2.1 SISTEMA DE COORDENADAS
Y FY My Vy o Oy Ty
Z Fz MZ Vz
wZ 9z Iz
Os movimentos de rotagao em relagao a cada urn dos tras eixos Tabela 2.3 — Partes da aeronave:
recebem denominacties especificas, como indicado na tabela a seguir:
GRUPO ITEM DESCRICAO
1 Fuselagem
Tabela 2.2 — DenominagOes dos eixos:
2 Boom
3 Asa
EIXO TERMO EM INGLES TERMO EM PORTUGUES 3.1 Bordo de ataque
X Roll Rolagem 3.2 Bordo de fuga
Y Pitch Arfagem 3.3 Aileron
Z Yaw Guinada
3.4 Flap
3.5 Linha media aerodinamica, a 25 `)/0 da Gorda local
3.6 Corda, perfil, de ponta de asa
3.7 Corda, perfil da raiz da asa
2.2 NOMENCLATURA AERONAUTICA 4 Estabilizador horizontal
4.1 Estabilizador
4.2 Profundor
5 Estabilizador vertical
5.1 Estabilizador
5.2 Leme
2.3 SIMBOLOGIA
Tabela 2.4 - Indices subscritos:
Simbolo Descrigdo
1; W Asa
2 Estabilizador Horizontal
3 Estabilizador Vertical
Area de secao
pr Area projetada
TE Parasita; referente a fuselagem
Figura 2.2 — Partes de uma aeronave.
COMPARTIMENTO DE CARGA
12
b,
Figura 2.4 — Simbologia aerodinâmica.
Unidade
Simbolo Descricäo FargillerarnOicas:
M NUmero de Mach; Momento Sustentagao -L
Momento de yaw Arraste -D
q Pressào dinamica ForpaitDA0 ierodinamipas•
Resistencia de rolamento Peso -G
Re NOrnero de Reynolds Empuxo -E
Atrito -Q
Tempo
Velocidade m/s Reagao -R
Em condigOes de equilibria:
Volume de cauda
L + R = G, E = D + Q e tambem quanta aos momentos, em relagào ao CG.
y Altitude geogrefica
a Angulo de ataque Figura 2.8 — Forgas em decolagem / aterrisagem.
Angulo de ataque para sustentacao nula
Angulo de incidéncia
Angulo de ataque induzido Forcas aerosa—"'
inamiCas:
Densidade do ar
Sustentagao -L
p
Arraste -D
Coeficiente de atrito do asfalto
ForoolilkolefOciin icas:
ni Rendimento de cauda. Peso -G
13 Angulo de Yaw Empuxo -E
Centrifuga -F
Em condigOes de equilibria:
2.4 FORCAS ATUANTES L cos Ox = G, L sen Ox = F e tambern quanta aos momentos.
As Figuras 2.5 a 2.9 ilustram as diferentes forgas que atuam sobre urn
Figura 2.9 — Forges em curva.
aviao, ern diferentes condigOes de vOo.
ForcIs aerodifigrifEas:
Sustentacao - L (lift) No caso do aviao estar acelerando em qualquer uma das diregOes,
Arraste - D (drag) devem-se considerar as condigOes de equilibrio dinthnico, segunda lei de
Forges nao aerodinamicas: Newton, seja para forgas como para momentos.
Peso -G
Empuxo -E
Em condicOes de equilibria: E, Fx; = m a, E, M x; = l x ax
L = G, E = D; e tambern quanta aos momentos, em relagäo ao CG.
E, F„ = m ay Ei M, = 1,, ay
Figura 2.5 — Forgas em vOo horizontal.
E, F, = m a, Ei M L = az
Fotias aerodinaiiiicas:
Sustentagão -L a - Angulo de ataque.
Arraste -D
Forges não aerodinamicas: a; - Angulo de incid ëncia da asa.
Peso -G eY - Angulo de pitch.
Empuxo -E
Em condicoes de equilibria:
L cos Oy + E sen Oy D sen Oy = G. E cos tl y - L sen Oy D cos O y ; e tambern quanta aos momentos. a = a, + ey + arctg Vz / Vx , ou
a + Oy + Vz Vx
Figura 2.6 — Forgas em subida.
Figura 2.10 — Orientacâo do vento relativo.
Forgas aerodinamicas:
Sustentacao -L
Arraste -D
Foras não aerodinamicas: As forgas aerodinämicas estão orientadas segundo o vento relativo e a
Peso -G intensidade destas depende do 5ngulo de ataque, formado pela corda, linha de
Empuxo -E referência da asa, e a diregäo do vento relativo, de componentes Vx e Vz.
Em condipties de equilibria:
L cos 0, + E sen Oy D sen Oy = G, E cos e y - L sen ey = D cos Oy; e tambern quanta aos momentos.
Figura 2.7 — Forgas em descida.
Edison da Rosa Introduc'ao ao Projeto Aeronautic°
46 47
CONTROLE DE PITCH
E urn controle que exerce forgas aerodinemicas atuando em pontos
relativamente distantes do centro de gravidade, no sentido longitudinal. Figura 2.14 —Controle de guinada, ou yaw.
Tradicionalmente é feito pelo profundor, no estabilizador horizontal, ou em
avities corn configurageo canard, Figura 2.12, pelo acionamento do canard. CONTROLE DE ROLL
Surge uma nova forga aerodinemica, a forge de sustentageo no estabilizador A rolagem do aviâo é empregada principalmente em curvas, para
horizontal, L,,. No caso de aviOes com uma Unica superficie aerodinemica, asas equilibrar a forga centrifuga pela componente horizontal da sustentageo,
voadoras, o controle é feito diretamente sobre superficies auxiliares junto ao Figura 2.9. A rolagem é desenvolvida por forgas aerodinâmicas que geram
bordo de fuga. momentos em relageo ao eixo X. Estas forgas podem ser geradas na asa,
usando ailerons, que é a forma mais usual. Porem, varias outras formas
podem ser, e foram, adotadas, como o use de lemes rebaixados, profundores
corn controle diferenciado, dentre outros.
Figura 2.17 — Resposta de um sistema estavel e urn instavel, a uma excitacão degrau unitario.
E M x = 0;
E My = 0; E Mz = O.
ESTABILIDADE ESTATICA A Figura 2.18 mostra as regities nas quais o ser humano consegue
Embora o corpo possa estar em equilibria, podem surgir pequenas responder adequadamente para manter o controle, dependendo do grau de
perturbagOes que o tirem deste equilibria, e assim a questao da estabilidade do amortecimento e da freqiiancia natural da resposta do sistema. Sistemas cam
equilibria passa a ser relevante. Dependendo da resposta a pequenas pouco amortecimento tendem a ter uma resposta que oscila em tomo da posicao
perturbacOes o sistema pode ser considerado coma estavel, instavel, ou ainda, desejada, enquanto que urn amortecimento muito alto faz corn que o sistema
indiferente. A classics figura de uma esfera sabre uma superficie ilustra responds lentamente, tendendo para a posicao especificada.
adequadamente o conceito de equilibria e de estabilidade deste equilibria. Este
e o caso da chamada estabilidade estatica. [[Link]/s] PREVISAO DO COMPORTAMENTO DINAMICO 0
(Sistemas sob controle humano)
7,00 —
Resposta finical radicle,
sensibedade excessive.
5,0 — POBRE
Resposta lenta.
Drlicil de controlar, grande
Equilibrio indiferente Equilibria estavel Equilibrio instavel Estdvel sob restricaes curso e forces elevadas.
EFEITO DO ENFLECHAMENTO.
Urn vento relativo lateral apresenta urn outro efeito, caso a asa
3. AERODINAMICA DE CONFIGURACAO
apresente urn angulo de enflechamento. Este efeito ocorre porque para
uma asa o que é importante é a velocidade do ar perpendicular ao seu 0
bordo de ataque, nao a velocidade que e paralela. Assim, decompondo o 3.1 MISSAO
vento relativo ern uma componente normal ao bordo de ataque e outra
paralela a este, a parte da asa em que incide o vento lateral, tera major A missao do protOtipo a ser projetado, construido e ensaiado, é a de
sustentacao que a outra. Isto leva a urn movimento de roll, similarmente ao transportar o maximo de carga util, dentro das condigOes do regulamento. Quanto
caso do diedro. Por outro lado, como a resistência tambarn aumenta, urn a definicao da missao, esta pode ser colocada como mostra a figura a seguir,
momento de yaw aparece, fazendo o aviao apontar para o vento relativo. apresentando tambem uma previsao do tempo de viio consumido em cada etapa
da missao. A estimativa de tempo de vOo é da ordem de 2 minutos. Assim
considerando por seguranga que o aviao tenha que fazer uma segunda volta para
aterrissar, urn tempo de ve5o de 5 minutos é suficiente. Esta e uma informacao
para dimensionar o tanque de combustivel. A velocidade de vOo é da ordem de 15
a 20 m/s. A velocidade na decolagem fica em aproximadamente 14 m/s.
Figura 2.22 — Efeito de yaw e roll devido ao enflechamento. Atraves das edigOes da Competicao AeroDesign, algumas condigOes
basicas do projeto das aeronaves sao alteradas pelas diferentes versdes do
regulamento. Tais mudancas visam aumentar a competitividade entre as equipes
e o desenvolvimento de novas idaias.
ANALISE DA MISS-AO
Corn a definicao da missao, é necessario analisar como que esta vai
direcionar o projeto do aviao. No caso da competicao AeroDesign, tal é feito
pelo requisito de maxima carga transportada, corn urn comprimento de pista
limitado. Uma analise da decolagem, considerando certas hipoteses
simplificadoras, Capitulo 9, leva a uma expressao do tipo:
m 2 = 7,6198 CLAE
TORCAO GEOMETRICA
0 projeto da superficie de sustentacao inicia corn a selecäo do perfil
da asa, cujas caracteristicas dependem do layout proposto, ern especial
quanta ao coeficiente de momento do perfil e suas caracteristicas de estol. Figura 3.3 — Diferentes efeitos na geometria da asa.
Urn layout corn superficie de controle auxiliar, seja tradicional ou canard,
nao apresenta restricao quanta ao coeficiente de momenta do perfil de asa, EFE1TOS DA GEOMETRIA DA ASA
pois estas superficies podem gerar urn momento suficiente para estabelecer 0 projeto da asa, em especial seu formato na projecao horizontal,
o equilibrio. Numa configuracao tradicional o equilibria de momento é feito exerce uma grande influancia sabre seu desempenho, afetando a distribuicao
par uma cauda. No caso de urn canard, em geral, este contribui para a do coeficiente de sustentacao local, C r , gerando assim urn C L da asa maior ou
sustentacao. menor. Isto afeta tanto o local de inicio de estol da asa, essencial para a
estabilidade em vOo, bem como os valores do arraste induzido e da inclinagao
da curva de sustentacao da asa. Afeta tambêm a maxima sustentacao que
59
58 Edison da Rosa Introducäo ao Projeto Aeronautic°
pode ser obtida corn o perfil, em outras palavras, o rendimento da asa em EFEITO DA RELACAO DE ASPECTO
gerar sustentagào. Urn resumo destas influAncias é apresentado a seguir: A relagOo de aspecto de uma asa é a razOo entre a envergadura da
asa e a sua corda media. E urn dos mais importantes parOmetros a ser definido
ASA DE FORMA ELIPTICA no projeto aerodinArnico da asa. Afeta de forma significativa todas as
A geometria eliptica é considerada ideal, por ter uma distribuigäo de Cr caracteristicas da asa, ver Capitulo 6.
uniforme em toda a asa, caso nä° tenha torgOo. Neste caso o arraste induzido
e o minimo possivel. 0 estol ocorre sobre toda a envergadura, pois o coeficiente INCLINACAO DA CURVA C L -a
de sustentagOo é o mesmo ao longo da asa. Por ter corda variável ao longo de A relagOo de aspecto altera a inclinagOo da curva C L x a da asa (Figura
toda a asa, a asa eliptica é a de construgäo mais dificil. 3.5) ern relagäo a curva do perfil, onde observa-se que quanto maior a relagOo
de aspecto, maior a sustentagOo alcangada para urn mesmo angulo de ataque
ASA RETANGULAR e menor o angulo de estol da asa, diminuindo o angulo de ataque necessOrio
E a geometria de asa mais fAcil de ser construida, corn corda constante para alcangar o C L mAximo. Isto tern como conseqUAncia tambem uma major
em toda a extensOo da asa. A separagão do escoamento tende a ocorrer primeiro sensibilidade da asa para variagOes no angulo de ataque, provocadas por
na raiz da asa e se distribui subseqUentemente para outras [Link] rajadas verticais por exemplo.
urn esforgo de flexâo na raiz maior do que uma asa eliptica ou trapezoidal.
SUSTENTACAO DA ASA
ASA TRAPEZOIDAL Conforme aumenta a relag6o de aspecto o C L da asa aumenta, tornando
Em uma asa trapezoidal a separagOo do escoamento tende a ocorrer assim a asa mais eficiente para gerar a sustentag5o. Desta forma uma asa
primeiro na extremidade da asa, onde a redugOo de sustentagOo é sentida corn pequena relacão de aspecto nä° e tao eficiente quanto uma corn major
primeiro e onde ela tende a estolar. Estruturalménte a asa trapezoidal sofre relacäo. Acima de uma relacäo de aspecto de 12 em geral as diferencas
menores solicitagOes na raiz do que uma retangular, entretanto, sua construgäo säo muito significativas.
é urn pouco mais dificil.
ARRASTE INDUZIDO
ASA ENFLECHADA Uma diferenca marcante que a relagão de aspecto provoca diz respeito
Asas corn enflechamento para trAs tern efeito de diedro, sendo muito ao arraste induzido, que cresce muito para pequenas [Link], uma major
usadas por avides acrobAticos. Esse tipo de asa é usado para se obter maior relacäo de aspecto é a maneira mais eficiente de se reduzir o arrasto induzido.
estabilidade, por exemplo, em aviOes corn pouca cauda porque puxam o centro
aerodinâmico para trOs. Grandes enflechamentos aumentam a sustentagão
A
maxima da asa e o arraste induzido, aumentando tambern a possibilidade de CL
estol de ponta de asa. Asas corn enflechamento para frente ajudam no controle Curva do perfil
do aviäo em pequenas velocidades atrasando o estol de ponta de asa, tendendo A R= 10 A R= 5
A R = 00
a estolar primeiro na raiz, porem desestabilizam lateralmente o avião.
cc
•
Figura 3.4 — Efeito da geometria na regiao de inicio do estol da asa. Figura 3.5 — Efeito da relagao de aspecto sobre a curva de sustentacao.
Edison da Rosa
60 Introduoäo ao Projeto Aeronautico 61
2.00 2.00 -
EN FLECHAMENTO
0 sentido positivo do enflechamento é na diregao de vac), isto é, para CL CL
CON IC IDADE
A conicidade é definida como a relagäo da corda na ponta da asa e da Efeito do enflechamento
0.40 -
corda na raiz ("taper ratio" X). O C L de uma asa corn X = 0,6 cal cerca de 10% C Di
ern relagao a asa retangular, ern compensagao o coeficiente de arrasto induzido -zoo 0.00
tambern é menor. -30.00 .2o °a -1000 aoa
10.00 20.00
30.00 600 .4 CO OC 0 00 2.00 4.00 6.00
Figura 3.7 - Efeitos sobre a sustentacâo da asa e sua resistOncia induzida. Angulos medidos
TORCAO em graus.
A torgao na asa é usada comumente para evitar o estol de ponta de asa,
principalmente em aviaes corn asa trapezoidal. E o Ultimo recurso do projetista A Figura 3.8 mostra como que os diferentes tipos de geometrias de urn
para modificar as caracteristicas aerodinamicas da asa. E urn recurso sofisticado, asa afetam a distribuigão do coeficiente de sustentagao ao longo da
exigindo urn grande controle geom6trico quando da fabricagao. Sendo o sentido envergadura. Foi considerado urn valor maxima de 2,00 para C,. 0 coeficiente
positivo da torcao o de redugao do angulo de ataque na ponta da asa, os dados de sustentagao da asa, C L , depende dos valores locals de C,e da corda da asa.
mostram que uma asa corn torgao de 6°, a perda de sustentagao e cerca de 8%
2.00
em relagão a uma asa retangular e existe urn ganho de cerca de 3% para uma asa
corn torgao de -6° (Figura 3.7). Entretanto, o arrasto induzido da asa corn torgao 0
'4111411111111111
-.."1111111111111
1111111.11.11...- .41111111111111
.11411101111.111°.- 1
11
negativa aumenta, pelo aumento da sustentagao.
1.00 - 0 0 Asa co
m platatorma ellphca
As Figuras 3.6 e 3.7 ilustram como que os diferentes parametros afetam Asa corn plataforrna retangular, A 8
geometria da asa de referencia é A R = 10; X = 1,0 (conicidade), A = 0°, €1, Asa corn torcio positive
0.00 0.20 0.40 060 0.80 1.00
Meia envergadura
0 40 0.40 -
c,,
3.3 SUPERFICIES DE CONTROLE
000 1 (ri 000 0 objetivo de uma superficie de controle é de gerar forgas de natureza
1 0 DO 10000 0.00 0,20 0 40 0.60 0.80 1 00
aerodinamica, que altere o equilibria de vac) e assim estabelecer uma alteragäo
==.3
de trajetaria do aviao. Como uma superficie aerodinamica gera forgas tanto na
Figura 3.6 - Efeitos sobre a sustentagao da asa e sua resisténcia induzida. diregao do fluxo (arraste), como na diregao normal a este (sustentagao), tanto
Edison da Rosa Introducäo ao Projeto Aeronautico 63
62
uma forge como outra pode ser usada como forge de controle. A posigao relative
ao aviao da superficie de controle deve ser adequada ao tipo de controle desejado, Slot-lip
se controle de yaw, roll ou pitch, gerando momentos adequados. aileron
Pitcheron
Stabilators
0 desempenho de uma superficie de sustentagao deve ser efetivo Figura 3.11 — Controle de roll.
tanto para garantir o equilibrio do aviao em toda e qualquer condigao de vi5o,
bem como garantir ainda a estabilidade deste. Estes conceitos devem ser
usados para qualquer urn dos tr6 s principais controles necessarios.
Tradicional
Leme de
arraste
Canard
Spoilers
Na asa
Efeito diedro
Leme
"11117111=
Aileron
tradicional
Flaperon
Spoiler
Edison da Rosa I ntroducao ao Projeto Aeronautic° 65
64
Figura 3.14 — Ex6tica configuracão de asa do Russo: Sukhoi Su-37 "Berkut" e NASA Ames AD-1.
Tabela 3.2— OrientagOes para posigao de propulsao. OTIMIZACAO POR CONTROLE DE FLUXO
No que diz respeito ao controle do fluxo do ar que passa pela helice,
Para aeronaves corn motores esta pode ser de fluxo livre, que é o usual, ou pode ser de fluxo controlado, em
localizados na asa, deve-se que urn anel envolve a helice (ducted fan). Este anel tern como fungäo
respeitar urn angulo de seguranga direcionar o ar, tanto na entrada da helice quanta na sa Ida da mesma.
minima de 5 graus em relagäo a 1 Adicionalmente o anel reduz o turbilhonamento que ocorre nas pontas das pas,
panto de cantata do trem de melhorando desta forma o rendimento da helice.
aterrissagem principal e o solo. Esta O to •. . 1 6 6
medida é valida para qualquer outro
componente que se localize nesta
regiao.
1•
Em aeronaves corn configuragao
pusher, é recomendavel localizar a
helice a major distancia possivel do (00.64,11,1, igier so*,
bordo de fuga da asa.
.., Figura 3.18 — Helice corn anel de controle de fluxo. Equipe Aerotau 2005 - Universidade de
Taubate.
Figura 3.17 — Flagrante de "Engine Strike" durante urn pouso de urn 747-200 Cargo.
Figura 3.19 — Pa de helice gerada por computador a partir de dados de urn software de
otimizacao de desempenho de helices.
Figura 3.21 - Piaggio P-180 Avanti - Urn magnifico tri-piano "pusher". Figura 3.22a -Aeronave Ceu Azul UFSC 2004.
0 desenho de layout é o ponto de partida para toda a definigao do
projeto detalhado. Este desenho deve ser usado para o calculo da posigao do
centro de gravidade, em especial a sua posigao longitudinal, que deve estar
recuado aproximadamente de 25 % a 30% da corda media aerodinamica da
asa, em relagäo ao seu bordo de ataque. A posigao correta do centro de
gravidade em relagäo a corda media aerodinamica sera verificada quando do
calculo de estabilidade do projeto. Deve ser montada uma tabela corn todos os
componentes que estao sendo considerados no projeto, corn o seu peso e a
sua posigäo em relagäo ao sistema de coordenadas XYZ do aviao.
7 - Douglas XB-42 8 - P-180 Piaggio
Mixmaster Avanti
Jato executivo 10 30 40 60
Monomotor 30 10 40 60
Hang glider 70 70 30
AeroDesign 70 2 72 28
Figura 3.25 —Airbus Beluga sendo carregado corn parte de urn satelite. Airbus A300B4-
608ST Super Transporter (Beluga).
37900
B-747 B-777 B-767
35400'
Homogéneo;
Continuo;
Incompressivel;
Nao viscoso.
dV,=A1 v, dt
C = P—P°
p
dV 2 = A2 v 2 dt q0
dm, = dt i31 onde p é a pressao em urn ponto de uma superficie e p, é a pressao em urn
ponto afastado, assim como q 0 , pressao dinamica neste ponto. Usando a
dm 2 = A2 v 2 d t P2
equagao de Bernoulli, o coeficiente de pressão pode ser escrito como:
Figura 4.1 — Continuidade do fluxo de massa.
V
2
Como dm, = dm 2 , resulta Cp = 2
Vo
A l v 1 p 1 = A2 v 2 p2
1 2 1 2 p, + r v o 2 / 2 = p, + r v, 2 / 2
Integrando dp, p = -- p- v + C , ou p+ — p. v = C = H , p, - p a = r ( v o 2 - v 1 2 ) / 2 ,
2 2
2
e usando a expressao de v,
sendo H a pressao total. Definindo: p - pressao estatica, e q = 2 p . v
10 1 - Po r- q . ( 1 - 4 sen 20 ) ,
a pressao dinamica, logo
sendo q, a pressao dinâmica do fluxo afastado do cilindro. Neste caso a
p+q=H coeficiente de pressao, C p , passa a ser :
80 Edison da Rosa Introducao ao Projeto Aeronautic° 81
EXEMPLO 1
No caso particular da linha media ser urn arco de circunferancia, corn
corda unitaria, como na Figura 4.6, a altura maxima do perfil, Ymax, sera :
v3= v, +v2
Ymax = R ( 1 - cos 43,
v,-=v sene v2=F/27cp
Figura 4.4 — Superposicâo de urn fluxo sem circulacao corn uma circulaoâo pura. sendo a corda unitaria,
R sen(1) = 0,5
82 Edison da Rosa Introducao ao Projeto Aeronautico 83
ATabela 4.1 fornece a 0 e C mac , calculados para uma ordenada maxima Como t varia entre - 0,5 e + 0,5, os termos em t e t 3 sao extremamente pequenos,
unitaria, Y ,,,ax = 1. Para urn valor diferente de Y m6x , basta multiplicar pelo se comparados corn os outros termos, alern de se anularem em t = 0,5, t = 0 e
correspondente Y max , pois k é proporcional ao seu valor e assim tambarn o sao t = - 0,5, podemos escrever como uma boa aproximagao,
a o e C max quanto a k. A tabela detalha a faixa para o parametro 2 desde 0 ate 2,
que é em geral a faixa mais y = 0,1 (1 - 4 t2 ) ,
que e a equagao de uma parabola que passa pelos dois extremos do arco de
Tabela 4.1 - Valores de ao e Cmac circunferancia em anblise e pelo seu ponto central, em t = 0.
xo ym.,„/k kp/y=1 C,„ Por outro lado, da expressao do coeficiente de momento, verifica-se
to ao
que o mesmo e igual a zero quando 1, = 0,375. 0 perfil da linha media para este
0.00000 0.28868 0.21132 0.19245 5.19615 2.59808 6.12157 valor esta na figura abaixo, adequada para asas voadores, dado seu coeficiente
0.10000 0.25726 0.24274 0.26268 3.80688 1.14206 3.28891 de momento ser nulo.
0.20000 0.22961 0.27039 0.33901 2.94974 0.29497 1.62171
0.30000 0.20551 0.29450 0.42011 2.38033 -0.23803 0.56085
0.40000 0.18465 0.31535 0.50491 1.98054 -0.59416 -0.15555
0.50000 0.16667 0.33333 0.59259 1.68750 -0.84375 -0.66268
0.60000 0.15119 0.34881 0.68251 1.46519 -1.02563 -1.03568
0.70000 0.13785 0.36215 0.77416 1.29172 -1.16254 -1.31886
0.80000 0.12633 0.37367 0.86720 1.15314 -1.26846 -1.53965 Figura 4.8 - Linha media para C o, ec = 0, corn Al = 0,375 e k = 0,20.
0.90000 0.11633 0.38367 0.96132 1.04024 -1.35231 -1.71571
1.00000 0.10763 0.39237 1.05631 0.94670 -1.42004 -1.85883
0.40000 1.15200 6.86806 -1.47569 -1.97713 EXEMPLO 4
1.10000 0.10000
1.20000 0.09329 0.40671 1.24827 0.80111 -1.52211 -2.07633 Para o caso de urns linha media na forma de uma parabola, simatrica
1.30000 0.08735 0.41265 1.34501 0.74349 -1.56133 -2.16056
em relacao ao ponto de 50% da corda, corn altura maxima h, sua equagäo é:
1.40000 0.08207 0.41793 1.44214 0.69341 -1.59485 -2.23288
0.07735 0.42265 1.53960 0.64952 -1.62380 -2.29559 y=4 hx( 1 -x)
1.50000
1.60000 0.07311 0.42689 1.63734 0.61075 -1.64902 -2,35043
1.70000 0.06929 0.43071 1.73531 0.57627 -1.67117 -239877 Para esta linha media a teoria de perfis finos leva aos resultados:
1.80000 0.06583 0.43417 1.83349 0,54541 -1.69077 -2.44167
1.90000 0.06269 0.43731 1.93184 0.51764 -1.70822 -2,47999
2.00000 0,05982 0.44018 2.03034 0.49253 -1.72385 -2.51440 C = 2Th a + 4Th h
ao = - 2 h
a = 0
EXEMPLO 3
Comparando as duas solugOes vistas nos exemplos acima, podemos Cmac = - Th h
EXEMPLO 5
obter alguns resultados adicionais. A linha media do exemplo 2, no limite para
A teoria dos perfis finos pode tambern fornecer urns indicacao do efeito
urn arco de circunferancia, fornece uma solucao para flecha maxima unitaria
relativo da atuacao de urn flap no bordo de fuga, conforme ilustra a figura
que tende para: abaixo. A solugao para este problema fornece:
, a() = - 2,00 e Cmac=- 1t,
AC, = 5 [ 2(Th - 0) + 2 sen 0]
ACmac = 8 [ sen 0 cos ( 0 - 1 )] , sendo, cos 0 = 1 - 2 xf
coincidindo portanto corn a solugao do exemplo 1 anterior. Da equagao de y,
para o caso particular de Y max = 0,10, coal X = 1000 e k =0,0001, tern-se,
4.3 GEOMETRIA DE UM PERFIL 0 1/8 1/4 3/8 1/2 5/8 3/4 7/8
Corda.
Linha media, posicao do ponto de maxim°.
Espessura, posicao do maxima, distribuicao ao longo da corda. Corda definida pela linha media
Raio do bordo de ataque.
Angulo do bordo de fuga. Figura 4.13 — Definica"o da corda pela construcäo, a partir da linha media.
Linha de referencia - LR
A definigao da corda pode ser de diferentes formas, Figuras 4.11 a 4.13. 0.00
x/c
-0.02
LR
0.00 0.04 0.08
Gorda medida pela face inferior
Figura 4.14 — Detalhe do perfil FX 74-CL5-140, indicando o raio do bordo de ataque.
Figura 4.11 — Definicao da corda pela face inferior.
XXXXX
NACA
5 Digitos Espessura do perfil, % da corda
Posieäo do camber maxim°, % da corda
GOttingen 398
Espessura 0.1385, Raio do bordo de ataque 0.0425, Camber 0.0485
CI de projeto, ( 2(10)/3 do valor )
1X-XXX
NACA NACA 0009
Espessura 0.0902, Raio do bordo de ataque 0.0046, Camber 0.0000
Serie 1 Espessura do perfil, % da corda
Cl de projeto (10 vezes o valor)
Posicdo da pressäo minima
NACA 6409
6X,y-XXX Espessura 0.0903, Raio do bordo de ataque 0.0096, Camber 0.0586
NACA
Serie 6 Espessura do perfil, % da corda
Cl de projeto (10 vezes o valor)
Faixa de Cl para minimo Cd
NACA 0012
Posicao da pressdo minima Espessura 0.1200, Raio do bordo de ataque 0.0172, Camber 0.0000
Exemplo, NACA 653-215
Este tipo de perfil e essencial em asas voadoras para que estas PERFIS DEALTASUSTENTACAO
consigam manter uma condigâo de equilibria, corn superficies de controle Os perfis de grande sustentagáo se caracterizam par uma linha media
muito pr6ximo do centro aerodinemico do perfil. corn grande curvatura e o panto de maxima deslocado para frente, para gerar
urn pequeno momenta. Os principais perfis seo:
Liebeck LA 203 A
Hepperle MH-18
Espessura 0.1573, Raio do bordo de ataque 0.0333, Camber 0.0548
Espessura 0.1113, Raio do bordo de ataque 0.0047, Camber 0.0280
Selig S 1223
Espessura 0.1214, Raio do bordo de ataque 0.0316, Camber 0.0869
Hepperle MH-61
Espessura 0.1026, Raio do bordo de ataque 0.0071, Camber 0.0144
Wortmann FX 72 MS 150A
Espessura 0.1501, Raio do bordo de ataque 0.0159, Camber 0.0834
NACA/ Munk M18.
Espessura 0.1202, Raio do bordo de ataque 0.0435, Camber 0.0411
lido media
+2
(v /
+1
Centro de pressao
Angulo de ataque
Coeficientes do perfil.
L =C I •q•S
D =C d q S Distribuicao de espessura mais linha media
M = C m •q•S•c
0 momento do perfil depende do ponto considerado, se diferente do
centro de pressao. 0 conceito do centro de pressao nao possui utilidade no
estudo de perfis, pois sua posigeo é muito varievel corn mudangas no angulo
de ataque. Urn conceito muito mais Otil é o do centro aerodinernico. Distil:mica° de espessura =tin linha media e Angulo de ataque
DISTRIBUICAO DE PRESSOES
A teoria de aerofOlios, para pequenos engulos de ataque, ou seja, sem
separagao da camada limite, preve que a distribuigao de pressao sobre a
superficie do perfil é formada por ties parcelas, praticamente independentes
entre si, sendo a pressao final em urn dado ponto a soma dos efeitos das
diferentes parcelas. Estas parcelas correspondem a:
Distribuigao de espessura, ou seja, perfil simetrico, corn angulo de
ataque zero. Figura 4.20 — Distribuicäo de velocidades e de pressOes ao longo de urn perfil.
Forma da linha media, ou seja, perfil delgado, corn angulo de ataque
zero. CENTRO AERODINAMICO
Efeito do angulo de ataque sobre urn perfil sem cambagem e sem Para normalizar o càlculo do momento, é definido o centro aerodinâmico,
espessura. que, segundo a teoria de perfis finos é o ponto em tomb do qual o coeficiente de
momento nao muda corn vanacties do angulo de ataque. Para perfis idealmente
A figura que segue ilustra os efeitos na distribuigao de velocidades finos, està situado exatamente a 25% da corda, a partir do bordo de ataque. Nos
sobre o perfil, partindo de uma segao simetrica. perfis reais a posicào e prOxima do ponto de 25% da corda.
Introdueäo ao ProjetoAeronautico
Edison da Rosa 97
96 __
100 —
docresconte
100—
Centro aerodinämico
000 —
[Link]/1100 • VW 20,
1 00
Figura 4.21 - Forgas atuantes sobre o centro aerodinämico do perfil. 00 00
000 1000 p.00 30 00 000
1
0 00
1
10 00
Alle
Ails
S1223 Clean S1223 VG
As caracteristicas aerodinãmicas de urn perfil säo dadas pelos fit's
de momento. Este Ultimo e
coeficientes, C I de sustentacao, C d de arrasto e C m Figuras 4.23 - Curvas indicando o efeito do nOmero de Reynolds e da variacao do ängulo de
sempre em relacâo ao centro aerodinämico e aparece tambern como C c, ou ataque, para o perfil S 1223 limpo e corn geradores de vortices, VG.
m
Cm ou ainda, C m , 25d, indicando que é em relagâo o ponto a 25% do bordo de
ataque.
4.8 CRITERIOS DE SELECAO DE UM PERFIL
Curva polar do perfil A escolha de urn determinado tipo de perfil passa por uma
1,5
1,5
de consideragOes, todas elas de uma ou de outra forma relacionadas corn
C Cm as curvas caracteristicas do mesmo. Assim, de uma forma geral podemos
C
dizer que as curvas de C I e C d de urn perfil podem se enquadrar num dos
10
1,0 tipos ilustrados na Figura 4.24. Os critarios de selegao buscam adequar o
perfil a aplicagao pretendida para a aeronave em projeto. Assim, os
requisitos especificados para o projeto, como velocidade minima de vOo,
0,5 capacidade de carga desejada, etc., direcionam a escolha do perfil, ou
0,5
mesmo o desenvolvimento de um novo perfil, especifico para a aplicagao.
0,0
Alguns criterios para a escolha de urn perfil estao exemplificados abaixo:
0,0
r
Camada limite turbulenta —
v0
Introducao ao Projeto Aeronautic°
Edison da Rosa 101
100
0.0
Camada limite turbulenta
Vebcidade relativa v /
Tipo da camada limite Espessura Como as moleculas do fluido dentro da camada limite estao a diferentes
velocidades, ocorre urn atrito entre estas e isto leva a urn atrito do fluxo sobre
Camada limite laminar 4,96 . x (Re)-y
=
o corpo. Considerando uma placa plana submetida a urn fluxo paralelo, a forga
Camada limite turbulenta = 0,376 . x • (Re)_y de atrito devida a viscosidade depende do tipo de fluxo na camada limite. Assim,
no caso de uma camada limite turbulenta, como o gradiente de velocidades na
diregao normal a superficie da placa é muito maior do que no caso laminar, a
0 nOmero de Reynolds usado no calculo e o chamado nOmero de
forga de atrito desenvolvida é tambern major. Uma medida adimensional da
Reynolds local, ou seja, na posigao x em que se deseja a espessura da
forga de atrito viscoso e feita pela definigao do coeficiente de atrito, Cf, como
camada limite. sendo:
v
Re = °°
•
ou Re = 68 458 v. ° • x (no ar ao nivel do mar) F
Cr
X,
q•SW
0 nOmero de Reynolds e essencial em qualquer estudo da camada
limite, pois ele e diretamente uma indicagao do efeito da viscosidade no fluxo, sendo SW a area total da placa banhada pelo fluido. A camada limite se mantêm
comparativamente ao efeito da inercia do fluido, sendo definido justamente laminar para valores de Re ate a faixa de 300 000 a 500 000. A partir deste
como a relagao entre as forgas de inercia e de viscosidade. Em alguns casos ponto inicia a transigao para uma camada limite turbulenta, aumentando muito
as expressbes para o calculo da espessura da camada limite podem ser mais o valor de Cf . 0 valor de Re para a transigão varia caso a caso, conforme
Uteis na forma abaixo, sendo v a viscosidade cinernatica do fluido e v 0, a detalhado a seguir.
vp loririariP dP referencia. nominal do fluxo. medida afastada do corpo.
introducao ao Projeto Aeronâubco
Edison da Rosa 103
102
5.2 TRANSICAO DA CAMADA LIMITE Figura 5.6 — Transigäo da camada limite em urn perfil aerodinâmico.
pode ocorrer tanto corn uma camada limite laminar como corn uma turbulenta. A Figura 5.10 mostra o comportamento da sustentagào corn o
0 efeito de separagao da CL ocorre em mu itos casos dentro da CL, formando aumento ou reducao da velocidade, corn marcante efeito de histerese.
a chamada bolha de separagao, Figura 5.8. Isto é usual corn baixos nOmeros
de Reynolds. Esta bolha de separagao encerra no seu interior urn vOrtice, que
altera a forma da camada limite, aumentando sua espessura e assim muda C,
2.00
C, ° R •ro.c. [Link]
ow.
tanto o arraste do perfil como sua sustentagao. 1.80
1.60
1.20
1.00
B "1:****•:•.10+44•4441.44.144:1:::1.1,
x Ponto de separacao Ci 0.60
060
D
Ponto de estagnaclo Velocidades em B Velocidades em C e_ 000 1000 x0.00 30.00
040
0.20
40 60 BO 100 120 140 160 180 200 220
Re. 10'
Figura 5.7 — Separagao da camada limite. Figura 5.9 — Efeito do nOrnero de Reynolds Figura 5.10 — Efeito do nOmero de Reynolds
sobre a sustentacao. Perfil Selig Sobre a sustentacao. Perfil
1223. [19] Selig 1223. [19]
0 GV faz corn que o ponto de transigeo se move para frente do Tabeia 5.5 — Valores de Reynolds critico, [36]
perfil, em diregeo ao GV. Aumentando o tamanho do GV o ponto de transiceo
se move mais para frente, ate que coincide corn a posigeo do GV. 0 GV Tipo de GV Rk para place plane Rk para urn perfil IZ
corn tamanho suficiente para causar a transigeo imediatamente ap6s sua
Linha de esferas 570 1140
posigeo é dito ter uma "rugosidade" critica. 0 tamanho desta "rugosidade"
é normalmente definida por urn Re critico, chamado Rk, sendo k a altura do Rugosidades (lixa) 320 640
GV. Vareta redonda ou
220 440
arame
GRUPO 1: Elementos que se projetam da superficie superior do perfil. Vareta quadrada 180 360
Elementos triangulares 50 100
V
Linha de trifingulos Linha de aletas verticais Linha de retingulos Aspiracdo da camada limite
CONTROLE PNEUMATICO
E usado o pr6prio ar para evitar a [Link] pode ser feito aspirando
• Tela na frente do perfil
para dentro da asa a camada limite de baixa energia, propensa a se separar.
Pode ser feito tambern urn insuflamento de ar corn elevada velocidade, no sentido
Fio ou arame, na frente do perfil
do fluxo, acelerando a camada limite e impedindo que as molecules venham a
perder velocidade e o fluxo separar. Sao tecnicas em que o correto posicionamento
GRUPO 4: ModificagOes na geometria do perfil. dos orificios e as vazbes e velocidades devem ser muito estudadas e os resultados
seo dependentes do engulo de ataque e do Re.
--(00aP! Tabulated file Tabulated file Tabulated file Tabulated file Tabulated file
-0A0 [Link] & [Link] & [Link] & [Link] & [Link] &
.1000 0.00 10.00 20.00 a 30.00
Figura 5.13 - Desempenho do perfil Davis 3R para Re de 39 800 a 299 200, [19].
Edison da Rosa introducào ao Projeto Aeronautico
110 111
"Split" flap.
GURNEY FLAP
Urn conceito pouco difundido é o do chamado Gurney flap, GF, muito
utilizado na aerodinamica de autornOveis de competicào. Este tipo de flap é
uma pequena superficie montada junto ao bordo de fuga, na superficie inferior
do perfil, perpendicularmente a esta. A altura do GF esta situada em geral entre
1% e 5% da corda. A aplicagao do GF leva a urn aumento relevante de C, e
tambern de C m . Desde que o GF esteja dentro da CL, nao ocorre acrescimo
"Plain" flap. substancial do C d . 0 funcionamento do GF esta baseado no desenvolvimento
de urn sistema de dois vortices estacionarios que se formam, urn logo antes do
GF, na superficie inferior, e outro apOs o GE Este sistema de vortices tern como
efeito liquido defletir o fluxo de ar para baixo, agindo da mesma forma que urn
flap mecanico. A Figura 5.15 ilustra esta situacao. A Figura 5.16 compara os
resultados de sustentacao para Re 200 000 do perfil S 1223, na condicao
limpo, corn GF de 1% e corn GV. Pode-se ver que o GV nao e uma boa
alternative, diminuindo o C, e introduzindo uma histerese que nao existia. No
caso do GF1, ocorre urn aumento constante do C, para todos os valores de a,
Fowler flap. desde - 2°, corn urn comportamento de estol igual ao perfil limpo.
Gurney flap de 3 %
"Sloted" flap.
Figura 5.15 — Gurney flap aplicado no perfil Wortmann FX 72 MS 150A.
Edison da Rosa
112 Introducäo ao Projeto Aeronautic° 113
20.00 a 30.00
I _ L _ _ .1._ _
-10.00 10.00
I I I I I
1.50
3,5
2,5
Perth corn slat e flap
1,5
CL
Perfil corn slat e flap
3,5 e--
ci1/4
—
VOo em cruzeiro
Co
c ( y ) = cr = 1 C = Cma = Cr AR = b/c
118 Edison da Rosa Introducão ao Projeto Aeronautico 119
ii 2w
C
Figura 6.5 - Efeito da circulag5o. Angulos de upwash e downwash.
Centro Acrodmamico
- --
25% c
- Figura 6.6 - Desenvolvimento da [Link].
b2
m=(pAvco)— p
4
Quanto ao arrasto, se a analise for de urn fluido ideal, tera zero como
combinando as equagOes acima, vem resultado.
2 CL
E= 6.3 EFEITOS DO DOWNWASH
TC
=—
2
Edison da Rosa Introduc5o ao Projeto Aeronautic°
122 123
Assim a sustentacao em urn trecho da asa passa a ser dada por : Urn efeito importante do downwash é o angulo de ataque induzido,
que define o fluxo sobre o perfil. Desta forma as forgas geradas pelo perfil e
dL =qa(a-ai- ao) cdb caracterizadas pelos seus coeficientes C I e C d , estao orientadas segundo este
fluxo local. Ocorre que para a asa e para o aviao como urn todo, a referencia é
o fluxo afastado, nao o local. Assim, é necessario corrigir os valores de
0 angulo de ataque induzido depende como que a circulagao atua
sustentagao e de arrasto para esta referencia. Sendo L 1 e D 1 os valores segundo
sobre a asa e isto e fortemente influenciado peia geometria da asa. No caso
o fluxo local e L e D os valores segundo o fluxo afastado, considerando pequenos
particular de uma asa eliptica o angulo de downwash e constante ao longo de angulos:
toda a envergadura, corn a l portanto constante. Podemos dizer de uma forma
geral que todo o efeito da geometria de uma asa sobre suas caracteristicas
L = L 1 cos a; - D i sen (xi; ou L Li;
aerodinamicas esta relacionado como que o downwash se distribui ao longo
D= D i cos + L 1 sen ai; ou D +
da envergadura e portanto o angulo de ataque induzido. ai;
C Di = L a1 e como a, = / 2, CC. =
CL
0 Asa can geometria eliptica
q• S 7C - A,
O Asa mm goommna trqoecoicial
0.00
0.00 0.20 0.40 0.60 0 80 1.00
C. 2
C Di =
Meia envergadura 7C •AR
. .-
Figura 6.8 - Efeito da geometria sobre a distribuigao de sustentagao.
Edison da Rosa
124 Introdugáo ao Projeto Aeronautic°
125
- ASA DE REFERENCIA
AR Sweep Taper Twist Alfa CL CM CDi
10 0 1 0 21 1,77287 0,00000 0,10407 0,96133
Edison da Rosa Introducäo ao ProjetoAeronOufico
126 127
0 fator de eficiencia da asa caracteriza o aumento do arrasto induzido A declividade da curva da asa, a, fica menor do que a declividade da
pelo desvio da geometria eliptica ideal, sendo tambern conhecido como fator curva do perfil, a0:
de eficiencia de Oswald. 0 coeficiente de arraste induzido é entao calculado a,
como: a=
a
= CL2
1+ °
C Di
-A, •e
Quanto ao coeficiente de momento, o efeito da geometria é de
reposicionar o centro aerodinamico, no caso de urn enflechamento da asa.
0 fator de eficiencia e assim analog() ao fator 6 de Glauert, calculados
Este efeito e muito usado para ajustar a posicao relativa entre o centro
corn base em consideragees diferentes. 0 fator de eficiencia de Oswald como
aerodinamico e o centro de gravidade.
colocado diz respeito apenas a asa, caracterizando a major ou menor perda de
rendimento em comparagao corn uma asa eliptica de igual area e relagao de
aspecto. Neste caso pode ser conveniente usar a notagao e w , para evitar
confusao quando se estuda tambern a eficiencia do aviao completo, conforme 6.6 TEORIA DE SUSTENTACAO DA LINHA DE
detalhado no Capitulo 7.
VORTICES
0 desenvolvimento da sustentagao da asa ocorre pela circulacao ao
6.5 CARACTERISTICAS AERODINAMICAS DA ASA longo desta, porem esta circulagao nao pode parar bruscamente nos extremos
da asa. Uma das primeiras teorias usada no estudo de urns asa corn
0 fato de a asa ter uma relagao de aspecto finita faz corn que as
envergadura finita foj a chamada teoria da linha de vortices. Nesta teoria a
caracteristicas do perfil nao se apliquem diretamente para a asa, conforme
asa é representada apenas pela sua linha do centro aerodinamico. Sobre
ja visto no caso da resistancia induzida. No caso da sustentacao, o angulo
esta linha é estabelecida uma distribuicao de vortices que geram a circulacao,
de ataque induzido, variando ponto a ponto, faz corn que o C, local vane
proporcionalmente ao valor existente na secao. Nos extremos da asa, esta
de saga() para secao da asa, levando a uma distribuicao de sustentacao
linha de vortices dobra subitamente para traz, fazendo corn que os vortices
que nao necessariamente acompanha a forma da asa. Urn efeito adicional
gerados produzam uma velocidade para baixo no interior da asa. Os vortices
é corn relagao a curva de sustentacao da asa, C L x a. A relagao de aspecto laterais (trailing vortex) pode ser explicados tam/barn pela diferenca de pressao
finita provoca uma reducao na inclinagao da curva. entre as du g s superficies, corn o ar da superficie inferior, major pressao,
passando para a superficie superior pelas pontas da asa. Isto provoca tambem
3.00 urn fluxo transversal nas pontas de asa.
C,
C,
2.00
1.00
0.00
-1000 0.00 10.00 20.00
Figura 6.11 - Efeito combinado da circulagào na linha c14 e nas pontas de asa.
Figura 6.10 - Efeito da relacäo de aspecto sobre a curva do coeficiente de sustentac5o.
Introducão ao Projeto Aeronautico
128 Edison da Rosa
129
Voo
CA
qt
lit =-
q.
0.60
0.40
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80
121
indicada na Tabela 7.1. Para o aviao em contato corn o solo, surge o atrito de
7. RESISTENCIA AERODINAMICA rolamento, que atua durante a decolagem ou aterrissagem, decorrente das
deformacOes que o pneu e o solo sofrem.
Dp = CDp q S, ou, Urn aviao corn muitos elementos expostos ao ar, como antenas,
tomadas ou saidas de ar, superficies corn folgas, e outras semelhantes, pode
f
C,„ = ter urn acrescimo na resistencia aerodinemica de mais de 50%. Assim, muitas
q • S S vezes apenas uma limpeza no aspecto externo, uma atengeo nos detalhes,
pode levar a urn arrasto aerodinemico bastante menor. A Tabela 7.5 indica
Tabela 7.3 - Coeficiente de resistencia e area de calculo, [27] valores percentuais do aumento do arrasto para alguns itens mais comuns.
Parte Descricao Sempre que possivel usar amplos raios de concordencia entre as superficies,
Asa Espessura de 10% a 20% 0,004 a 0,010 S, ern especial entre a asa e a fuselagem, o que reduz a parcela de interferencia.
Em penagem Espessura de 8% a 12% 0,006 a 0,008 S2
Fuselagem Forma aerodin5mica, sem saliências 0,03 a 0,08 Sc A Figura 7.1 a seguir mostra o efeito do alongamento da fuselagem,
Fuselagem Pequeno modelo corn motor no nariz 0,09 a 0,20 S, definido como a relageo comprimento / diametro, sobre seu coeficiente de
Fuselagem Aviâo de transporte 0,07 a 0,10 Sc resistencia aerodinamica. Neste caso a area de referencia considerada é a
Fuselagem Born bardeiro 0,08 a 0,12 So area da segeo transversal da fuselagem.
Nacele Acima da asa em aviao pequeno 0,07 a 0,12 So
No bordo de ataque em aviao de grande 0,05 a 0,09
0 efeito da interferancia entre a fuselagem e a asa, quanto as
Nacele Sc
porte caracteristicas aerodinernicas do conjunto, tern urn texto de referencia, [13].
Nacele Turbo jato, montada na asa 0,04 a 0,07 Sc
Tanque de asa Na ponta de asa, para baixo 0,07 a 0,10 So Tabela 7.5 -Acrescimo na resister-Ida aerodinemica devido a detalhes, [27]
Tanque de asa Centralizado na ponta de asa 0,05 a 0,07 Sc
Tanque de asa Suspenso abaixo da'asa, para dentro 0,15 a 0,30 Sc DETALHE ACRESCIMO
Bombs Suspensa abaixo da asa 0,20 a 0,30 Sc
Aberturas da carenagem do motor, para refrigeragäo 18,6 %
Flaps 60% da envergadura, defletido 30° 0,02 a 0,03 Si Tomada do carburador näo carenada 3,6 %
Bequilha Roda da bequilha e sua estrutura 0,50 a 0,80 Spr
Fluxo de refrigeragào de acessOnos 3,0 %
Trem de pouso Rodas bem carenadas 0,15 a 0,30 s,
0,30 a 0,50 Sc, Tubulacao e orificios de saida da descarga 3,6 %
Trem de pouso Rodas e estrutura expostas
Tomada de intercooler 6,6 %
Si : Area projetada da asa; S2: Area da empenagem; S0 : Area da secgeo Radiador de Oleo 10,2 %
transversal; Spr: Area projetada do pneu. Flaps de refrigeragão do motor sem selos 5,4 %
Portas näo seladas do trem de pouso 1,2 %
Para urn projeto aerodinamicamente eficiente, este valor é da ordem de Piso antiderrapante na asa 4,2 %
0,005, enquanto que para urn projeto corn todos os elementos expostos (modelos Antenas 4,8%
dos anos 1900 / 1910, ou aviOes de Gaga corn muitos misseis / bombas acoplados Tubos de armamentos 1,8 %
externamente) vale algo como 0,02. Deve ser observado que estes valores esteo TOTAL 63,0 %
incluindo o coeficiente de arrasto do perfil da asa. A Tabela 7.3 indica valores
1.00
orientativos de C D, e ATabela 7.4 mostra o efeito que se pode esperar sobre Cd
o desempenho na decolagem de urn modelo AeroDesign CLASSE 36, quando 0 0.80
coeficiente de arrasto do aviao é alterado, de 0,00 ate 0,05.
OMO
•Fz•d/2 C D0
M = t Fz d/ 2, e a forga resistente, Q=
R
Desta forma o coeficiente de atrito de rolamento equivalente sera :
70.00
d
e
ieg R +2.R
60.00
50.00
0.00 0.02 0.04 0.06
1 1
e— —=(1+8)+7-c•AR•K" ,
71- . 71,•K" +0+8) , ou' e
Figura 7.4 - Thrust SSC.
e generalizando:
7.4 POLAR DE DESEMPENHO
1 1
0 coeficiente de arrasto total da asa depende do angulo de ataque da — = — + A
ey, I Ve
mesma, ou o que é equivalente, •depende do coeficiente de sustentagao, e
devido a resistancia induzida. A resistëncia da asa é dada por:
Para uma correcao quanto a presenga de outros corpos alern da asa,
CD = c do + CD,
como a fuselagem, naceles, etc, tern-se a parcela A ve , que pode ser obtida da
sendo, para asas el Ipticas: Figura 7.6, sendo S a area da asa e S r a area de referencia do corpo.
C2L
rc • AR
Figura 7.5 - Curva polar do aviao. Figura 7.6 - Correcâo no fator de Oswald
sendo "e: o fator de eficiancia de Oswald da asa, que considers o rendimento devido a outros corpos.
aerodinamico da geometria da asa quanto ao arrasto induzido. Fuselagem, nacele, etc.
maxima do perfil como a resist6ncia aerodinâmica, diminuindo a primeira e aumenta o coeficiente de sustentagao e altera ainda o ângulo de ataque efetivo
aumentando esta. da asa. Todos estes efeitos sao decorrentes de uma significative mudanga do
downwash da asa, parcialmente bloqueado pela presenga do solo. Estes
Quanto a sustentagao, a geometria do perfil e critica no bordo de efeitos sao mais significativos quando a asa esta a uma pequena altura do solo,
ataque e nos 50% iniciais da superficie superior. Nesta regiao o cuidado corn a da ordem de 50% da envergadura ou menos. Sao definidos os fatores de
forma e acabamento da superficie é essencial. Por outro lado, uma superficie corregao do arrasto, K0 , e da sustentagao, KL , como a relagao entre os
corn urn erro aproximadamente constante (offset) nao e too prejudicial do que coeficientes em efeito solo (IGE) e fora do efeito solo (OGE).
uma superficie ondulada, como erro variavel. A Figura 7.7 e a Tabela 7.7
indicam alguns resultados experimentais da curva polar testando cinco
modelos de urn mesmo perfil. KD— CD I• -IGE K =
L
CL-IGE
C D; -OGE e CL-OGE
Aifoils at reduced Reynolds number 98 863
Tabela 7.8 — Fatores de corregao do arraste induzido e sustentagao pelo
efeito solo
h/b Ko KL
0,05 0,35 1,215
0,075 0,43 1,170
0,8
0,10 0,51 1,140
0,15 0,63 1,110
0,6
0,20 0,71 1,087
0,25 0,77 1,070
0,4
0,30 0,81 1,052
0,2 0,40 0,87 1,038
0,50 0,92 1,030
0,0 0,60 0,96 1,025
001 0,02 0,03 Cd 0,04
Figura 7.7 - Efeito de erros na construgäo sobre a curva polar do perfil, [19].
Obs. Reynolds reduzido = Re C-.
8. PROPULSAO
8.1 MOTORES
Os motores aeronauticos de combustäo interna para aplicagdes em
avides pequenos e mádios sào usualmente motores de quatro tempos,
refrigerados a ar e corn turbo alimentacao para compensar, em parte, a
diminuicao da densidade do ar corn a altitude. Ja no caso de motores para
aeromodelos os motores podem ser de dois ou de quatro tempos.
Adicionalmente existem ainda motores a 00 2 , comprimido em urn reservatOrio,
e motores elètricos.
1000
P[ N] Motor OS 0.61 SF
11X7
800 . o
3X6
11 X 6
o 11 X8
12 X6
600
14X6
400
8000 10000 12000 14000 16000
Diametro da helice;
Passo nominal;
Corda da secao da pa;
Forma da secao transversal da pa;
NOrnero de pas.
p=2trtgJ3, ou 13 = arc tg
2TE • r A selegao do passo esta ligada a velocidade do aviao, sendo tanto
major quanto maior a velocidade deste. As helices podem ser classificadas
Deve ser observado que a aproximagao para pequenos angulos nao é quanto ao passo, Figura 8.5, como:
adequada, pois pode assumir valores elevados, em especial pr6ximo do
eixo, e tambern em helices para grandes velocidades. Helice de passo constante, 0 passo nao varia ao longo da pa;
Helice de passo variavel. 0 passo varia ao longo da pa;
Helice de passo fixo. 0 passo de uma dada secao e fixo. Em geral é
de passo variavel;
Helice de passo ajustavel, ou de velocidade constante. 0 passo
ajustado pela rotagao da pa ao longo de seu eixo, em relacao ao cubo.
10.0—
2rcr
p Passo ajustavel
•
Passo variavel
5.0 —
Passo constante
0.0
0.75
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00
r/R
Figura 8.5 - Distribuicão do passo ao longo da pa.
Figura 8.6 - Geometria de definigão do angulo de ataque de uma secâo da pa. disco de helice
A definicâo geomètrica completa de uma pa deve incluir entao, para
cada secao, o angulo de hence, ou o passo, a corda da secâo e a prOpria forma
v p v, p, V3 p3 V4 P4
geometrica do perfil da secao, Figura 8.7. Outro conceito ligado a geometria da
hence e o de fator de atividade, que da uma ideia da area do disco da hence P
Va v + vi
ocupada e da eficiencia desta ocupacao. Seu valor fica geralmente entre 0,01
e 0,02. E definido como:
1(
c 3 r
AF = —• X dx, sendo x = — Figura 8.8 - Variacão da velocidade axial e da pressäo estâtica ao longo do tubo de fluxo.
Jx. R
Das condicties de contorno e de continuidade temos as igualdades:
v 1 = v;
1.0
V2 = V + Va;
p, c
13;
P4 P Pl•
Passo
0.5
Aplicando Bernoulli entre 1 e 2,
Gorda p+ p v2 / 2 p2 + p V 2 2 / 2
e entre 3 e 4,
0.0
0.75 13 4 + p ( V + ) 2 / 2 = p 3 + p V 32 / 2
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00
r/R Subtraindo uma equacbo da outra, resulta:
Figura 8.7 - Geometria da pa de uma helice.
p 3 -13 2 = p ( V + v, /2 )
Esta diferenca de pressào agindo na area "A" do disco produz o ainda a Figura 8.8, o empuxo gerado este impulsionando o avieo na velocidade
empuxo "T". "v". Esta é a potencia Otil. No entanto, a potencia que a hêlice entrega é o
produto do empuxo pela velocidade do ar ao passar pelo disco, v + V a . 0
T = pA(v+v , /2 )v,
rendimento neste caso, chamado de rendimento induzido, passa a ser portanto:
80.00 —
T [N] Tv 1
h, - sendo b = —
T (v + I + b/2 v,
F = m a, logo, 1/3
Av m
2•P
V=
Tm. — = — • IT- , ou, rc . p- D2(1-ri,)_
At At
T=pA(v+va)vi
1.00 Disc loading 1000 Disc loading 10000
Igualando as duas expressoes para o empuxo, 4111111111111111 111 Disc loading 100000
ou seja,
T=pA(v+v , /2 )v,=pA(v+va)v, ,
( v + v , /2 ) v , = ( v + v a ) v , e portanto
0.50 /1/1/111
1AiI Disc loading = P / D2
v a = v , /2
0.00
. .
0.00 20 00 40 00 60 00 80 00 100.00
Este resultado implica que a acelerageo da massa de ar que passa
pela helice é feita metade ate o disco e metade apOs o disco. Figura 8.10 - Efeito da velocidade e da carga do disco sobre o rendimento induzido.
1 / / ( (
X2 1+ sett arctg Adz
xo \,1 i i 17:r
( (
J \ 2\ / \\
I3 X 3 1+ cos arctg dx
J
Figura 8.11 - Forgas aerodinernicas atuantes na pa da asa.
( j)2\ / \
dF x = dL cos y - dD sen y 1 x3 1+ sen arctg dx
DF, = dL sen y + dD cos y `•71-x
dL = C L q c db, e dD = C D q c db
q = p v r2 / 2, sendo v r2 = + 0.) 2 r2 e a constante J, chamada de razao de avango, é fungao da velocidade do
aviao, v [m/s], a rotagéo da helice, n [rps], e o diametro do hêlice, D [m]. E
Para obtermos as forgas resultantes de resistência e de empuxo, T, é definida por:
necessario integrar as express'Oes de dF, e dF y . No caso desta tiltima e melhor V
trabalhar corn o momento gerado por esta, que representa o torque, M, J=
absorvido pela [Link],
nD
Substituindo as express6es, As forgas desenvolvidas na pa, em especial o empuxo, tern uma forte
tendencia de flexionar a pa, podendo alterar sua geometria e assim mudar o
R ängulo de ataque da segao, comprometendo o rendimento. Desta forma a pa
T= 1. CL•P-•(2+(o'• r)c • cos arctg cD P (2 +(02.r2) c •sent arclg V dr
V
co • r 2 W •r deve ser bastante rigida para suportar estas forgas. Outra forga importante no
ro calculo de resisténcia de uma helice é a forga centrifuga, que pode desenvolver
tensOes elevadas no material.
M= f[C, • (2 -1-t.o 2 • r 2 )csen(arctg—lt-)+C„
• • CI -(2 +0) 2• r 2 )c • cos(arctg )1•r•dr
0) • r 2 co •r
0.01
Tabela 8.1 - Integrals para o celculo de helices. A pa é considerada corn I I I
T
CT = D4 C 3 5
P- n2 P n -D
1.6E+5 —
=
CORRECAO DE TEMPERATURA
A influencia da temperatura é similar a da pressao e resulta no fator de
corregao:
12E+5 —
r \k
C7, = — , k = 1.4 e o coeficiente isotrepico.
0
8.0E+4 —
CORRECAO DA UMIDADE
Para a corregOo da umidade é necessario considerar a quantidade de
agua na massa de ar que e usada na combustao, usualmente medida pela
4.0E+4
umidade relativa do ar. A umidade relativa é a razão da massa atual de agua no
o.00 aim 0.80 1.20 1.60 ar pelo maxima valor possivel, na temperatura. Usando a pressào parcial de
-1 vapor d'agua, resulta a expressao:
Figura 8.14 - Curva para estimar o empuxo estatico.
CH— , onde:
P •RH — PH 0 ' RH 0 )
8.8 EFEITO DAS CONDICOES ATMOSFERICAS
P H e a pressào parcial para a temperatura ambiente corrente T,
A performance de urn motor de combust 6 - o interna depende da RH e a umidade relativa,
quantidade de ar ou, mais precisamente, da quantidade de oxigenio, que P„ é a pressào parcial para as condigOes padrOes.
pode ser queimado em urn ciclo do motor. Esta quantidade pode ser
expressa em fungOo da densidade do ar, que depende das condigees
atmosfericas. A pressäo e a temperatura locals tem uma grande influencia na CORRECAO DA DENSIDADE
densidade. Adicionalmente, a quantidade de oxigénio é reduzida quando a o ar Ao acoplar uma helice ao motor, é necessario compatibiiizar a potencia
produzida pelo motor corn a potencia consumida pela helice, nas condigOes
contem vapor d'agua, ou seja, contem umidade. Para uma comparageo de
atmosfericas. Da definig5o do coeficiente de potencia da helice:
resultados de teste de motor, é usual referenciar a condigees padre -5es. Essas
condigees padrbes sac) as da atmosfera padrao, ao nivel do mar.
C—
DETERMINACAO DOS FATORES DE CORRECOES P p.n3.D5
A corregOo é necessaria em trés aspectos:
Assumindo que o nOmero de Reynolds e constante, o coeficiente de
corregao de pressOo; potencia para uma hake dada sera sempre o mesmo. Rearranjando a
o equagOo e inserindo uma relagào entre duas diferentes condigees
o corregao de temperatura;
atmosfericas, a velocidade de rotagao depende da densidade e da potencia
o corregao de umidade.
dada. Assim terminamos em urn fator C,, que descreve a influencia da
densidade do ar na velocidade do motor.
Os fatores de corregao sao aplicados atualmente nos dados medidos,
I 1
para procurar urna potencia e rotagao equivalentes nas condigbes padr5es. / \ i / r vr \
Por outro lado, usando os fatores de corregao, e possivel passar das condigbes CR = P
_ = r -, 0
padrao para condigees reais. \ Po / \ Po •T /
Edison da Rosa introducao ao Projeto Aeronautic°
156 157
1000
CORRIGINDO OS DADOS DE PERFORMANCE 1
11 X 7
Depois dos três fatores de correcäo terem sido calculados, a potancia P[ W] Motor OS .61 FX 11 X 6
12 X 6 X8
para cada ponto medido, tern que ser multiplicada por esses fatores: 12 X 7
800
11X 10 11 x 1 • Curva linearizada
Proi
corrigida = Pmedido •C P * C T H
13 X 7
•12 X 8
12.5 X 9
Porem, a velocidade de rotacâo tern que ser corrigida. Corn as
caracteristicas aerodinamicas da helice, teremos uma velocidade corrigida: 600
p . T .0 .0 R)-3-
CC
n corngida -= n medida •
400
8.9 DADOS DO MOTOR OS.61FX MEDIDO EM n rpm
8000 10000 12000
14000
BANCADA Figura 8.15 - Curva de poténcia medida do motor OS .61 FX.
16000
9. ANALISE DE DESEMPENHO
Este capitulo tern a preocupagao de unir as informagees ate o
momento apresentadas, porem ainda fragmentadas, de modo a obter uma
visao complete do que se pode esperar do desempenho do projeto. As
informagees que serao consideradas dizem respeito a curva de ootencia
do motor, as curvas de desempenho da helice e a curva polar do aviao.
Estas tres informacees sintetizam todo o potencial de desempenho do aviao,
quanto a sua capacidade em veo, ou mesmo em decolagem.
CURVA DO MOTOR
A Figura 9.1 mostra as curvas de urn motor de medio porte, de 180 HP
e, para o caso do motor OS.61 FX, urns estimative da curva de potencia. No
caso de dados obtidos em bancada de testes, usar diretamente estes dados.
Muitas vezes a curva de potencia experimental é transformada em urns
Figura 8.17 - Bancada UFSC AeroDesign de testes e sensores corn extensOmetros para expressao analitica, ajustada, que para certas analises de desempenho é mais
medir o empuxo e torque.
adequado. Urn cuidado é separar os dados de potencia de marketing dos
dados de potência de engenharia.
Edison da Rosa
160 Introducao ao Projeto Aeronautico
161
200
Motor Lycoming 0360
2 700 00
Tabela 9.1 - Dados de projeto
n effindm.391$ 02 aiMoos
P Perth Vd 0 E Passo
100 750 W Clark Y 10 m/s 350 mm 31,5 N 9,4° 137 mm
000 mm
CPi = 3 5
J
p • 1.1; D
Figura 9.2 - Curvas caracteristicas de desempenho de uma hêlice 350x137.
162 Edison da Rosa I ntroducao so Projeto Aeronautic° 163
Do valor de J, é obtido tambêm o rendimento /I. Corn este valor é 9.2 ENVOLTORIA DE VOO
calculada a potencia disponivel na helice. Desta forma temos os pontos corn
valores de velocidade e potencia disponivel. A Figura 9.3 ilustra a forma geral que as curvas de potencia apresentam,
estando estas curvas esquematizadas para urn caso genêrico na Figura 9.4.
= P i rli Nesta figura temos alguns pontos que sec) caracteristicos do problema de
desempenho do aviao. A velocidade v, corresponde a minima velocidade a
Tabela 9.3 - Dados do aviao para construcao da curva de potência consumida que o aviao pode voar, limitada pelo maximo coeficiente de sustentacao, ou
em vOo seja, é a velocidade de estol, v s . A velocidade v2 por sua vez é a maxima
velocidade que o aviao pode atingir em vtio horizontal, sendo tambêm chamada
Perfil Peso S[m2] Cop AR.e de vH . Outro ponto de interesse é a velocidade v m , ponto de maximo afastamento
S1223 160,37 0.65 0.0050 8.817 1,225 entre as duas curvas, ou seja, de maxima potência liquida. Pontos a direita de
vm permitem que o aviao ganhe altura corn o aumento do angulo de ataque
pela acao do profundor. Tal faz corn que aumente a sustentagao, aumente o
Tabela 9.4- Construgäo da curva de potência consumida a partir da curva polar arrasto e logo a velocidade diminui. Mas corn a reducao da velocidade a poténcia
liquida cresce, viabilizando o ganho de altitude do aviao. Se agora o aviao esta
a CL Cd C00 CEO co v[m/s] P[kW] voando abaixo de vm , a manobra tambern reduz a velocidade, mas agora a
-3.5 0.39 0.045 0.0500 0.0055 0.0555 32.127 0.7327 potencia liquida e menor, nä° permitindo que se tenha ganho de altura, mas
-2.5 0.78 0.04 0.0450 0.0220 0.0620 22.717 0.2894
0.1948
pelo contrario, perda de altura. E a chamada regiao de reversao de comando.
0.0 1.08 0.017 0.0220 0.0421 0.0680 19.306
2.5 1.33 0.019 0.0240 0.0639 0.0879 17.397 0.1842
5.0 1.54 0.021 0.0260 0.0856 0.1116 16.167 0.1878
7.5 1.74 0.025 0.0300 0.1093 0.1393 15.210 0.1951
10.0 1.92 0.028 0.0330 0.1331 0.1661 14.479 0.2007 . Potencia disponivel
12.5 2.08 0.031 0.0360 0.1562 0.1922 13.911 0.2060 P [kW] o Potencia consumida
15.0 2.19 0.038 0.0430 0.1731 0.2161 13.557 0.2144
17.5 2.11 0.056 0.0610 0.1607 0.2217 13.812 0.2326
20.0 1.96 0.075 0.0800 0.1387 0.2187 14.331 0.2562
z50 -
P [kW)
c, Polknaa 444,1.1
Potence consurn[de
080 -
/00 -
040-
V
rn V [M/S]
0 50 -
Figura 9.4 - Curva de potência corn as velocidades caracteristicas do aviao.
0.00 000
' 1 1 ' 1 ' 1
0.00 aos alo 0.15 020 025 10 00 20.00 30.00 i i 40 DO
A Figura 9.5 mostra o comportamento da velocidade corn a altura.
Nesta figura fica definida a envoltbria de vOo do aviao, minima e maxima
Figura 9.3 - Curva polar do aviao e curvas de potencia consumida e disponivel. velocidade possivel, para aquela altura. Adicionalmente a figura apresenta outros
dois pontos caracteristicos, o de maxima velocidade em veio horizontal, e o de
altitude maxima que pode ser atingida.
Introducao ao Projeto Aeronautic°
164 Edison da Rosa 165
v [m/s]
Figura 9.5 - Curva dos limites de velocidade funceo da altitude de vOo.
Os resultados apresentados nos graficos e tabelas a seguir foram Tabela 9.8 - Dados na fase de decolagem, alturas de 0,000 ate 0,100 m
obtidos para urn aviao corn as caracteristicas dadas pela Tabela 9.5. Os dados
sao tipicos de urn modelo da competigao AeroDesign, tendo sido ajustado a Time X X velocity L-G Z Thrust Net thrust Lift Z velocity
valor da massa do modelo de forma que corn os dados da Tabela 9.5 o criteria distance distance
de decolagem seja atendido na distancia de 61 m, ou exatamente 60,87 m. As 7.2296 56.9883 14.5724 0.0491 0.00000 29.1015 19.4637 160.6340 2.1E-6
7.2996 58.0112 14.6551 1.8763 0.00010 28.9400 19.1925 162.4610 0.0041
tabelas 9.6 a 9.9 apresentam urn resumo dos dados de simulagao obtidos. As 7.3836 59.2464 14.7527 4.0487 0.00100 28.7491 18.8713 164.6340 0.0193
unidades das diferentesvariaveis estäo no SI, ou seja, m; m/s; N. 7.4236 59.8374 14.7987 5.0753 0.00200 28.6594 18.7200 165.6600 0.0305
7.4526 60.2671 14.8317 5.8165 0.00300 28.5948 18.6109 166.4020 0.0401
7.4746 60.5936 14.8567 6.3769 0.00400 28.5460 18.5285 166.9620 0.0483
Tabela 9.5 - Dados do modelo analisado 7.4936 60.8761 14.8782 6.8597 0.00500 28.5041 18.4576 167.4450 0.0560
7.5636 61.9203 14.9565 8.6284 0.01000 28.3509 18.1983 169.2130 0.0891
II
S f CL AR.e 7.6126 62.6545 15.0107 9.8571 0.01500 28.2450 18.0187 170.4420 0.1168
Massa Peso CDO 7.6516 63.2408 15.0535 10.829 0.02000 28.1614 17.8768 171.4150 0.1414
16,37 160,37 0,65 0,020 1,900 0,023 8,817 1,225 7.8036 65.5414 15.2169 14.572 0.05000 27.8420 17.3328 175.1570 0.2594
7.9536 67.8357 15.3734 18.192 0.10000 27.5363 16.8099 178.7770 0.4096
Tabela 9.7 - Dados na fase de decolagem, de 50 ate 61 m de pista 0 criterio de decolagem adotado foi o do aviao ter atingido uma altura
de 5 mm, tendo em vista que a definigao, se a decolagem e valida ou nao, ser
Time X X velocity L-G Z Thrust Net thrust Lift Z velocity
distance
meramente visual. Da Tabela 9.8 pode-se ver que o aviao atinge v, na distância
distance
6.7396 50.0000 13.9093 0.0000 0.0000 30.3975 25.4035 61.6484 0.0000 de 56,9883 m, mas a distancia do solo cresce, de inicio, muito lentamente,
6.8106 51.0000 14.0180 0.0000 0.0000 30.1850 24.7218 79.6804 0.0000 Tabela 9.7, atingindo 0,005 m na distancia de 60,876 m, ou seja, praticamente
6.8826 52.0000 14.1249 0.0000 0.0000 29.9762 23.6241 98.6043 0.0000 4 m depois de atingir v s . Alguns procedimentos para definir a distancia de
6.9526 53.0000 14.2245 0.0000 0.0000 29.7814 22.7422 117.585 0.0000
7.0226 54.0000 14.3191 0.0000 0.0000 29.5967 21.4455 137.095 0.0000 decolagem em avibes comerciais consideram uma velocidade 20% superior a
7.0926 55.0000 14.4076 0.0000 0.0000 29.4236 19.9313 157.020 0.0000 vsde forma a deixar uma margem de seguranga. Como no caso do AeroDesign
7.1616 56.0000 14.4911 0.0000 0.0000 29.2604 19.6951 158.846 0.0000 temos uma competigao, este criteria nä° se aplica, pois a margem de
7.2306 57.0000 14.5736 0.0753 3.1E-9 29.0992 19.4598 160 660 5.9E-6
7.2986 58.0000 14.6539 1.8503 9.5E-5 28.9423 19.1964 162.435 0.0040 seguranga deve ser praticamente zero, de modo a extrair o maxima que o
7.3666 59.0000 14.7331 3.6108 0.0007 28.7875 18.9360 164.196 0.0154 aviao pode entregar em desempenho. Assim, o criteria para atingir v s e uma
7.4346 60.0000 14.8112 5.3568 0.0023 28.6348 18.6785 165.942 0.0339
7.0627 0.0054 28.4864 18.4278 167.648 0.0594 distancia menor que os 61 m, no caso adotada de 57 m, levando entao a
7.5016 61.0000 14.8872
equagao de previsào da massa como:
m2 = 7,[Link]
ataque e o C L . A figura mostra ainda a curva de empuxo usada nos calculos. 30 —
I ' I
As curvas mostradas na Figura 9.10 ilustram como que a altura do 2 4 6 8 [s] 10
aviao varia apôs este ter atingido vs , o que ocorre no instante de 7,2296 s, ou
distancia percorrida de 56,9883 m.
Variacao de CL.
10 — lieereteede weal Re... a
1,9
lieLmencie de et.
I ' I ' I I • I
20 40 60 80 x Irn! 100
50 m 55 m 1.0E-3
50
1.0E-4
7 8 9
40
1.0E+1
30
1.0E+0
20 1.0E-1
1.0E-2
10
1.0E-3
1.0E-4
0 4 8 12 16 20 50 60 70 80 90
x[m]
100
Figura 9.8 - Comportamento simulado do coeficiente de sustentacao. Curva de empuxo. Figura 9.10 - Altura Z versus tempo e altura Z versus distancia X.
Edison da Rosa
172 Introducao ao Projeto Aeronautic° 173
70.00 -
9.5 ANALISE DE SENSIBILIDADE X [m] DIstAncta para decolagem, Z 5 mm
T [5]
60.00
50.00
50.00
CD,
0.00 0.02 0.04 0.06 0.00
X [m]
200.00 -
70.00 -
X [m]
100.00 -
60.00
; [NJ
0.00 1
50.00
25 00 30.00 35.00 40.00 45.00 50.00
0.00 0.02 0.04 f (1 0.06
Figura 9.13 - Variageo do empuxo da helice. Efeito de curvas de empuxo sobre a distáncia
Figura 9.11 - Coeficiente de arrasto parasita do aviäo e atrito de rolamento. de decolagem. Todas as curvas de empuxo geram o mesmo empuxo medio ate
15m/s. it
Edison da Rosa Introducâo ao Projeto Aeronautic° 175
174
100.00
o T • 250,10) 50(10,15)
T[N] T •13,13(0,15)
T• 50(0.)25(5:15)
v • 15 mi•
50.00
v inns]
0.00 I I
0.00 4.00 8.00 12.00 16.00 20.00
80.00
X [MI
70.00
60.00 -
60.00
TC • A R •e
+ f -[0-q-S•KL]= 0
32,45 N, valor medio ate a distancia de 61 m. Para o modelo linear, foi ajustada
uma reta a curva de empuxo liquido, fornecendo 8QT c •K 2
q . S •2 . K D • L L f q S KL = 0
ac L TE • A,-e
T 1 = 38 N e T2 = 24 N.
9.7 COEFICIENTE DE SUSTENTACAO OTIMO No caso do modelo numeric°, com os dados da Tabela 5 e para h/b =
0,20, K, = 0,71 e K, = 1,087, resultam
Durante a fase de aceleragao é interessante que a resistencia ao
movimento do aviao seja a menor possivel, ou seja, a soma da resistencia 27,7.0,02
aerodinamica e da resistencia de rolamento. Se a sustentagao for pequena, C LO 0,3589
2.0,71.1,087
gera pouco arrasto induzido, mas é grande a forca de resistencia devida ao
atrito de rolamento. Se a sustentagao e alta, e menor o efeito do atrito de Pela curva da Figura 9.16 verifica-se que a minima distancia para
rolamento, mas em compensagao aumenta a resistencia induzida. Para tal decolagem ocorre para urn C, da ordem de 0,36, perfeitamente de acordo corn
existe urn valor Otimo para o coeficiente de sustentacao, C u) , na fase de o calculado acima.
aceleragao. 2
C
C D -= C DO + L
Para obter este C, os angulos de incidencia da asa e geometria do trem
rc • A R• e de pouso devem ser estudados, bem como a mudanga do angulo de ataque
pelo efeito solo.
D = CD q S
Q=f(G-L)
9.8 ANALISE DE DADOS EXPERIMENTAIS
QT = D
Dados disponiveis fornecem informacties sobre a massa do aviào,
c2 area de asa e velocidade, tanto na decolagem como em vOo. Estes dados
Q, = q - s • C DO + 7z_ • A R e +f•[G-q•S•CL]
permitem uma avaliagâo sobre o comportamento destes modelos. A Tabela
9.11 apresenta urn resumo destes dados, bem como uma estimativa de C„.
e considerando o efeito solo,
Edison da Rosa
Introduc'ao ao Projeto Aeronautic° 179
178
Tabela 9.11 - Dados de vtios experimentais corn medidas de velocidade 10. EQUILIBRIO E ESTABILIDADE
Modelo S [m 2] G [N] Motor Helice Fase v [m/s] q [N/m2] CL
0,6447 89 OS 61 Apc14/5 TO 13,86 117,7 1,17 Embora este capitulo trate apenas dos conceitos mais basicos de
III 0,6447 106,8 KB 61 Apc14/5 TO 13,41 110,1 1,50 equilibrio e estabilidade, é conveniente apresentar uma visao de conjunto do
Apc14/5 FLY 25,0 382,8 0,36
problema de equilibria estabilidade e controle, de urn aviao em vac). Os estudos
III 0,6447 89 OS 61
29,5 533,0 0,31
de equilibrio e estabilidade aqui tratados consideram que as superficies de
III 0,6447 106,8 KB 61 Apc14/5 FLY
controle estejam fixas (stick fixed). Numa analise mais sofisticada de
V 0,6447 103,7 OS 61 Apc14/5 TO 14,3 125,2 1,28
estabilidade as superficies sao consideradas livres (stick free). Ja no caso da
V 0,6447 103,7 OS 61 Apc14/5 FLY 24,6 370,7 0,434
analise de controle as superficies sao tratadas como ativas.
V 0,6447 116,1 OS 61 Zng14/4 TO 12,5 81,25 2,22
LK 0,6447 98,34 KB 61 Apc13/6 FLY 33,52 688,4 0,194 0 estudo no movimento longitudinal, ou seja, movimento da aeronave no
piano XZ, °soilage° de pitch, é em geral o mais importante, pois caracteriza a
capacidade do aviao voar corn controle de altitude. Por ser urn piano de simetria,
este movimento é desacoplado dos outros movimentos do aviao. Ja no caso dos
movimentos no piano XY, yaw, e no piano YZ, roll, existe urn acoplamento entre
ambos, fazendo corn que o estudo de controle deva ser efetuado em conjunto.
EFx = 0 L, + L„ — G = 0, ou L — G = 0, sendo L = L, + L„
CG S„
Considerando agora o equilibrio de momentos em relagbo ao centro ,
de gravidade,
G
= 0 m 1 +1\4„ L 1 .• 1, + D, • Z, + D„ • z„ — L„•1„ — T Z p = 0 Figura 10.2 — Forcas verticais atuantes corn o aviao em vOo.
1 00 41111111."3...— 50
Stqterficie I
aso — 111.1111111C11 0
Superficie II
- 100
Angulo de ataque [ °I
0 2 4 6 8
150
COMBINA CA O DOS DOIS CASOS
Momenta em tomo de Y
M [ N 1] .
Condicbes de estabilidade e instabilidade
100
ih.._Mais estavel
50
Milli,
0 . 111111111011111 Panto de estol-
£
dc
- CC cc
0 valor de o, pode ser estimado, conforme visto no Capitulo 6, por :
da
=dE - d 2 C L 2 1 dCL
da da , n A RJ
7t A R da
C M =C m +a.(a+a0).(h-ho)-a c[4-E„,)-ailVH•rit
ou,
A relagao ada pode ser estimada na faixa de 0,8 a 0,9. Quanto a s,,, ja
vimos uma forma de calcular seu valor. Este em geral se situa entre 0,3 e 0,5.
Quanto ao volume de cauda, em geral esta situado entre 0,4 e 0,7. Para
planadores ate 0,3 e usado. A Tabela 10.1 mostra alguns valores para V H . Por
Ultimo, o rendimento de cauda pode ser estimado pela Tabela 10.2, ou pela
Figura 10.7. Nesta figura z é a relagao, entre a altura do ponto media da esteira
e a c„,a do estabilizador, e a c r„a da asa. Vero Capitulo 6, secao 6.8.
Tabela 10.1 -Valores do volume de cauda de algumas aeronaves
1.00
OC
" = K "
2
W • L
as f S•cnia
t sendo:
0.80 Kf - coeficiente de momento, figura 10.8, fungao da posigao do (AC) centro
aerodinAmico na fuselagem;
wt - maxima largura da fuselagem;
Lt - maxima comprimento da fuselagem.
0.60 0.05
Kr
0.04
0.40 0.03
CG em relagAo a c ma , baseadas nesta teoria apresentada e em alguns "ajustes" 0.00 0.20 0.40 0.60
Posicao do AC da corda da raiz como fracao do comprimento da fuselagem
empiricos.
Figura 10.8 - Coeficiente do efeito da fuselagem na estabilidade longitudinal.
Frank Zaic, 1959, [36 ]
h = 0,26+0,43• VH;
Bumpy Green
0 empuxo gerado pela unidade de propulsäo tern efeito tanto sobre a
h = 0,14 +0,375-NTH; estabilidade como sobre a condigAo de equilibrio. No caso do ponto de
3. h = 0,10+ 0,25-NTH • VA, . Bumpy Green equilibria, como o empuxo é variAvel, se o momento gerado em relagäo ao CG
for muito grande, correcOr es freq0entes no equilibria podem ser necessArias.
Assim, nä° é conveniente ter a linha de agao do empuxo passando muito
afastada do CG, em especial em aeronaves corn potäncia especifica elevada.
Adicionalmente, quando uma helice é usada para a propuls5o, ela apresenta
urn efeito importante quando o vento relativo incidente forma urn Angulo em
190
Edison da Rosa Introducao ao Projeto Aeronautic°
191
•
relacäo ao seu eixo. Neste caso a hence desenvolve, alem do empuxo, uma •
forga, N p , perpendicular ao eixo, no piano deste e a diregao do vento relativo,
aC Mp
act
D2 Z
P n
= a • —• • —
s
+ uL a
Cma
r •
figura 10.9. Esta forga normal ao eixo e gerada pela diferenga de Angulo de
ataque entre as pas da hence, uma que esta subindo e a outra pa que esta
Cma
•
descendo. Referencias neste aspecto sac): [6], [16], [30] e [31]. Esta expressao representa os dois efeitos da posigao da hence sobre
a estabilidade. Se Z ID e I P forem positivos, conforme Figura 10.9, a hence tern •
O momento gerado pela hêlice em relagao ao CG, Figura 10.9, urn efeito desestabilizante, ou seja, derivada positiva. Assim, corn uma hence
•
M 00 = T • Zp Np•lp
abaixo do CG e a frente deste, as duas parcelas de aC mp /aa sao positivas. Por
outro lado, corn a hence acima do CG e atras deste, as duas parcelas sao •
Na seqUencia é necessario definir o coeficiente de empuxo T1 e o
negativas e logo aumenta a estabilidade.
•
coeficiente de forga normal, C Np , sendo D o diametro da hence e S a area do
disco, como:
Np
T— C,
p • v- q Sp
H6lice abaixo do CG
aC m a 2.D 2 Z p a s,
" = T• •— ou
aa act cnia + NP S C
192 Edison da Rosa IntroducOo ao Projeto Aeronautico 193
3,00 —
10.7 ESTABILIDADE DIRECIONAL geradas e urn efeito de diedro surge, corrigindo a trajetbria, tanto em yaw como
em roll. Em aeronaves de alto desempenho é urn elemento aerodinamico
0 estudo do controle direcional, assim como do controle em rolagem, importante.
envolve movimentos nao simêtricos e isto leva a urn acoplamento dos
movimentos de yaw e roll. Os dois modos de instabilidade resultantes sao a
chamado "dutch roll" (folha seca) e a instabilidade espiral, ilustradas na Figura
10.14.
como contribuig5o:
Figura 10.17 - D edro geometric° e vento lateral incidente.
Asa alta: C nri3 = 0 '0002
Asa media: C 0,0001 Os principals fatores aerodinämicos que atuam sobre o efeito diedro sac):
Asa baixa: C np = 0 , 0000
EFEITO DA CONICIDADE DA ASA
EFEITO DA HELICE No caso de uma asa trapezoidal, urn efeito diedro se manifesta, desde
De modo similar ao caso da estabilidade longitudinal, a hence gera que exista urn pequeno diedro geometrico. Sua contribuig5o 6:
uma forga normal, agora no sentido lateral. Seu efeito e instabilizante para
uma hence a frente do CG. Uma hence pusher passa a ter uma contribuigào a 1+2X
estabilizante, o chamado efeito leme. Neste caso a contribuicao da hence é C10 ' 6 1+k
positiva. Para uma hence de duas pas, tratora, apenas girando, sem gerar
EFEITO DO ENFLECHAMENTO DA ASA
empuxo (windmilling), na media,
No caso de uma asa enflechada, o efeito diedro é dado por:
C np4 = — 0, 00165
1 1+2X
No caso de plena poténcia, 50% a mais, C 113 , — 3 1+ C, •tgAn,2
C 0{34 = 0,00248
EFEITO DA POSICAO DA ASA
A posigeo da asa em relagão a fuselagem, no sentido vertical, tern coma
contribuicào: MODULO 4
Asa alta: C,„3= —0 0006 a-0,00168
Asa media: C,„= 0,000
Asa baixa: C,„3 = + 0,0006 a + 0,00168
2..../111111".—
3101=MIMIIIn_
EFEITO DO USO DE WINGLETS
0 use de winglets do tipo Whitcomb gera urn significativo efeito diedro,
estimado par:
C lp 5 - 0 , 0084 • h b
Introdugao ao Projeto Aeronautic° 201
11.1 INTRODUCAO
Os regulamentos aeronauticos, RA, sao documentos oficiais que
operam como normas no setor da aeronautica civil. Sao desenvolvidos por
Orgáos governamentais em conjunto corn associacães, comissbes, etc. Os
regulamentos disciplinam todos os aspectos relativos a aeronautica, sendo
divididos em %/arias "partes". Internacionalmente existe uma padronizacao na
designagao das "partes", relativas a urn mesmo assunto, Tabela 11.2, bem
como nos paragrafos do texto de cada "parte" ou "subparte". Assim, por
exemplo, aviCies comerciais de grande porte säo tratados nas seguintes partes:
Nos EUA, FAR PART 25; Uniäo Europeia, JAR 25; Australia, CASA PART 25;
Brasil, RBHA 25 e Canada - CAR 525. As Tabelas 11.1 a 11.3 mostram os
principals &Or os de homologagao aeronautica e as principals partes de urn
Regulamento Aeronautic°, RA.
Tabela 11.1 - Principals entidades de regulamentacäo aeronautica
Pats Orgao regulador Sigla Regulamento Sigla
CANADA Canadian Aviation Regulation Canadian Aviation
Advisory Council CARAC Regulation CAR
Civil Aviation Safety Civil Aviation Safety
AUSTRALIA CASA CASR
Authority Australia Regulations
Departamento de Regulamento Brasileiro de
BRASIL Aviacao Civil DAC Homologagao Aeronautica RBHA
Federal Aviation Federal Aviation
ESTADOS UNIDOS Administration FAA Regulation FAR
Joint Aviation Joint Aviation
UNIAO EUROPEIA Authorities JAA Requirements JAR
Velocidade de cruzeiro, V D: Os fatores de carga de manobra consideramo efeito das forgas inerciais
que surgem com a aeronave em manobra, como curvas, subidas, etc. Por
VD 3,96 [n 1 m / S] 1/2 esta razao no caso dos aviOes acrobaticos estes valores sao maiores.
No entanto nao necessita ser major do que 0,9 V H , sendo V H calculada No caso do projeto AeroDesign, as condigOes de veio na competicao, em
corn a potencia maxima, minimo peso e ao nivel do mar. especial com carga maxima, fazemcomque as monobras efetuadas durante
a missao sejam bastante suaves. Desta forma, os fatores de carga
especificados em A26.337 sao excessivos. Assim, pode-se pensar em uma
c) Velocidade de mergulho, V D , nao pode ser menor que a menor de 1; 2 e 3: reducao nos valores para n 1 = 2,0 e n2 -1,0.
1 - V 0 = 5,59 [n 1 m / S ] 1/2 , ou;
A26.341 GUST LOAD FACTORS
2 - Vo = 1,40 V D [n 1 / 3,8 ] 1/2 , se VD foi determinada corn base em V H ou; Os fatores de carga de rajada devem ser considerados na condicao
3 - VD =1,11 V H. de flaps levantados, na velocidade V D , ao nivel do mar. Os fatores de carga
sao:
Velocidade minima de flap, V F:
n3 = 1 + q S SC L / G
VF 2,56 [n, m / S ] 1/2 n 4 = 1 — q S SC L / G
No calculo do lado esquerdo da envolteria de veo, velocidades abaixo de VA Sendo:
, na condica'o de flaps levantados, urn C N = 1,35 pode ser usado e no caso q - pressao dinamica na velocidade V D ; [Pa]
de flaps baixados, C N = 2,00. S - Area de referencia da asa; [m2]
G - peso total da aeronave; [N]
SOL -Acrescimo no coeficiente de sustentaceo. Pode ser calculado como:
SC E = a arctg ( FU / VD ), sendo:
Edison da Rosa introducao ao Projeto Aeronautic°
208 209
a - Inclinagao da curva de sustentagao. Pode ser usado o valor 0,08 / °. Adicionalmente a esta carga normal, uma carga horizontal deve ser
considerada, corn a mesma forma de distribuigao da caraa normal, corn
U - Velocidade do rajada, que deve ser de 15,24 m/s.
intensidade:
F - Fator de redugao da rajada:
Pontos A e G na envolteria de vOo: H = 0,25 N;
F = 0,2 ( m / S ) 0,25. Todos os outros pontos: H = 0,20 N.
Outras distribuigbes aceitaveis de N sao a de Schrenk e a da teoria da linha
OBSERVACAO: de sustentagao, que usa a expansao em sane de Fourier no calculo do distribuigao
Os fatores de carga de rajada consideram um vento vertical de 50 ft/ do circulagao. Para estas distribuig,Oes a carga horizontal deve ser obtida pelo calculo
s. 0 fator de redugao leva em conta que existe um gradiente nesta local de C c , angulo induzido e resistência aerodinamica na segao.
velocidade, ou seja, o aviao nao e subitamente submetido a esta
rajada, mas sim progressivamente. No caso especifico do projeto 0 posicionamento da carga ao longo do corda e feito considerando o
AeroDesign, estes fatores de rajada podem ser tambem reduzidos, pois momento aerodinamico gerado pelo perfil.
o v8o nao e efetuado a grandes alturas, logo a velocidade padronizada
de 50 ft/s dificilmente ire se manifestar, pela proximidade da aeronave
com o solo. Neste sentido, o relat8rio NACA NR-692 indica que, para
Nos casos de flaps defletidos, a distribuigao de sustentagao pode ser
v8os abaixo de 3500 ft, a velocidade de rajada nao excede 25 ft/s, com obtida corn os acrescimos de sustentagao e arrasto causados pelos
mais de 95% dos pontos abaixo de 20 ft/s. Assim, recomenda-se trabalhar flaps, considerando uma distribuigao retangular para estes acrescimos,
para o projeto AeroDesign com uma velocidade de rajada U, de 25 ft/s, no comprimento dos flaps.
ou 7,62 m/s. 0 fator de redugao F deve ser usado.
OBSERVACAO:
A26.343 WING AERODYNAMIC LOAD DISTRIBUTION
Para os casos positivos de carga de manobra e de rajada, as forgas No projeto aerodinamico da asa nao e considerada a fuselagem, ou
seja, a area de referencia é a area geometrica bruta da asa. Jd o
aerodinâmicas horizontal e vertical sobre a asa devem ser aumentadas
calculo estrutural considera, por seguranga, apenas a area liquida da
pelo fator 1,05. asa, externa a fuselagem, como a area que ester gerando sustentacao e
As cargas aerodinamicas na asa devem ser consideradas atuantes na equilibrando as forges de peso e de manobra.
area liquida, a menos que a parcela de carga aerodinamica que atua
na fuselagem possa ser realisticamente determinada. A26.347 UNSYMMETRICAL FLIGHT CONDITIONS
c) A seguinte distribuigão de cargas normais pode ser usada, para o caso Aeronaves nao acrobaticas. Considerar 100 % da carga aerodinamica do
de flaps para cima. caso A em urn lado do aviao e 70 % carga aerodinamica do caso A no outro
lado.
Aeronaves acrobaticas. Considerar 100 % do carga do caso A
/2 em urn lado do aviao e 60 % caraa aerodinämica do caso A no outro lado.
Esta carga nao simetrica é reagida pela inercia da aeronave. Este caso
a de carga geralmente afeta apenas a estrutura de fixagao asa-fuselagem. Foram
se houver massas significativas na asa, como motores ou tanques de combustive'
em ponta de asa, entao uma analise completa do asa é necessaria.
c/4 Cs h CE
C ws
w6 /2
Figura 11.3 - Carga sobre o estabilizador horizontal e profundor.
verticalmente nos dois sentidos. Figura 11.5 - Carga aerodinâmica sobre os flaps.
K=0,25; PF = (n — n,) G b
a
PR = (n—n L ) •G b a + b
•
a+b'
4 P
0,67 G
0,54 G
0,54 G
0,67 G
A26.481 TAIL DOWN LANDING Figura 11.8 - Cargas longitudinais nas rodas.
a) As condicifies de aterrissagem corn a cauda baixada sao: A26.499 SUPPLEMENTARY CONDITIONS FOR NOSE
1 - Para aeronaves corn bequilha traseira, considerar todas as rodas
em contato corn o solo simultaneamente; ou WHEELS
2 - Para aeronaves corn bequilha dianteira, considerar na posicâo de Corn a aeronave no solo, na sua condicao normal, as cargas na
estol, ou corn a cauda imediatamente fora de contato corn o solo, o que bequilha dianteira e sua estrutura, incluindo as articulaceies de acionamento,
for manor. sao:
b) Em ambos os casos acima, as cargas de aceleragao do movimento da
Carga horizontal dirigida para tras:
roda sac) consideradas zero.
Fv = 2,25 R,
F H = 0,8 • Fv
A26.483 ONE WHEELLANDING Carga horizontal dirigida para frente:
Em ve) nivelado a aeronave toca o solo corn apenas uma roda do trem
principal. As cargas sao as mesmas que para uma roda, determinadas em Fv = 2,25 R,
A26.479. F H = 0,4 • Fv
c) Carga horizontal dirigida para o lado:
Fv = 2,25 • R,
F L = 0,7 • Fv
216 Edison da Rosa
Introduc5o ao Projeto Aeronautic°
217
sendo:
R - Reagao estatica no eixo da bequilha; 12. PROJETO ESTRUTURAL
F v - Forga vertical no eixo;
F H - Forga horizontal no eixo;
12.1 INTRODUCA0A0 PROJETO DE ESTRUTURAS
F L - Forga horizontal, agindo no solo.
0 processo de calculo estrutural tern como ponto de partida as
seguintes informagOes, que devem estar disponiveis:
Geometria da estrutura a ser projetada, seja asa, empenagem, trem
de pouso, etc;
Propriedades mecanicas do material proposto para a estrutura;
EnvoltOria de cargas previstas para a estrutura;
Fatores de carga para a estrutura;
Coeficiente de seguranga recomendado.
\[Link]..[Link]
7:,1/4 ,\ \
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..
\.,,s\ \\\\,skit, utuliwimur,.
\\%
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. ,:."--- ' :-,-'ssss‘.—\
\\ \,: I'l ' --_. ' - - :—.....„.w".
i
't1
L L
Figura 12.2 - Estrutura trelicada da fuselagem de uma aeronave de pequeno porte. N
ESTRUTURAS MONOCOQUE
As estruturas deste tipo tern como caracteristica que o revestimento 12.3 SOLICITACOES PREDOMINANTES
alern de ter fungeo aerodinemica é tambern estrutural. Assim, a estrutura
fabricada a partir de superficies, normalmente duas ou mais chapas de aluminio, Os elementos estruturais mais importantes de uma aeronave sao:
Asa;
conformadas corn a geometria e unidas por rebites ou cola. Urn material tipico
Fuselagem;
é a lige de aluminio 2024 T3. Mais recentemente tern sido usadas tambern
Empenagem;
chapas sandwich de material composto. Esta construgeo é eficiente para
Trem de pouso;
estruturas relativamente pequenas, pois a chapa deve transmitir todo o esforgo
Suportes e fixagOes diversas.
e com grandes dimensbes ela fica instavel, a menos que tenha uma espessura
relativamente grande.
Edison da Rosa introduc5o ao Projeto Aeronâutico
220 221
Os tipos, origens e intensidades das solicitagOes sac) bastante Em estruturas corn paredes tao finas urn aspecto essencial é prover
diferentes em cada caso, mas de uma forma geral sao sempre do tipo: o reforgo necessario para distribuir cargas que atuam concentradamente,
Flexao; como fixag g es de trem de pouso, motores, asas, etc. Nestes casos
Cisalhamento; colocado urn reforgo, corn o suporte incorporado, que recebe a carga
To rga o. concentrada e distribui de forma mais uniforme para a chapa da estrutura.
O perfil de reforgo e calculado com base na formulagao de vigas sob apoio
Como as estruturas aeronauticas sao usualmente construidas corn elastic°, apoio este formado pela chapa. 0 critario de calculo pode ser em
espessuras de parede muito pequena, o tipo de configuragao / solugâo
termos de urn deslocamento maxim° (rigidez), ou de tensäo maxima na
estrutural é em muitos aspectos diferente do habitual na engenharia de projeto
chapa, ou mesmo no perfil.
de pegas e equipamentos.
J
Figura 12.5 - SegOes tipicas de uma viga, para suportar apenas flexa"o e cisalhamento.
I
Figura 12.6 - SolugOes de vigas em estrutura monocoque.
Edison da Rosa
222 Introducao ao Projeto Aeronautic°
223
materiais leves, como ligas de alumlnio, de media e alta resistência, corn uma
espessura de material bastante pequena. A Tabela 12.1 mostra as espessuras
e o tipo de material de uma fuselagem de urn pequeno avieo comercial.
A Figura 12.9 faz uma comparacao entre duas secOes tubulares de Uma dificuldade na analise estrutural para este tipo de estrutura,
secao circular, uma fechada e outra aberta, por urn corte longitudinal. E muitas vezes de forma geometrica pouco regular, como no caso do perfil usado
evidente a superioridade da secao fechada, corn uma tensäo 60 vezes menor na segào de uma asa, e o calculo das propriedades geomètricas da seg5o,
e uma rigidez 1200 vezes maior. Os valores numericos foram calculados como area, perimetro, momento de inêrcia, momenta polar de inercia, posicao
para R/t = 20. do CG da seg5o, etc. Uma tecnica que facilita estes calculos em muitos casos
inicialmente considerar uma secao cheia, calcular as propriedades desejadas
e dar urn acrescimo infinitesimal nas dimens6es, igual a duas vezes a
espessura. 0 acrescimo na propriedade é o resultado desejado.
Exemplificando para o caso da area de urn tubo de segäo circular, temos, para
a area da secäo cheia, Ao,
7r.D2
Ao = 4
To = 1 To = 60 Calculando a diferencial dA, e como dD = 2 t,
(1) 0 = 1
1200
dA = 2 7 4D dD = 7 2D 2 t
Figura 12.9 - Comparag5o entre [Link] fechada e aberta.
12.4 PROJETO DE ESTRUTURAS DE PAREDE FINA e como dA6 a area A para o tubo,
2 R 2 1– x 4
D muln p – — ; sendo x =
4 1– x-
0.75
p/R
0.70
Figura 12.10 - Calculo das propriedades secionais de perfis de parede fina. 0.65
SE CA ° A REA J 0.55
ir•R2 n•1:2 4 / 4 Tc•R° / 2
0.50
• r/R
0.00 0.50 1.00
b•h
a•b
b•h 3 / 12
tr. a-b3 / 4
ID•h•(b2 + h 2) / 12
Th.a.b.(a2+ b2) / 4
0
Figura 12.11 - Relacão p / R para tubos circulares de parede espessa.
•
IT (R 2 - r2) r4) / 4 tt.(R4 - r4 ) / 2 Uma forma de estrutura muito utilizada é a de uma viga caixao, Figura
12.12, pois resiste simultaneamente a flexao, cisalhamento e torcao, podendo
ser ainda reforgada por perfis rebitados ou nab. A parede superior e inferior
rr•D•t tr•ra •t 27c•r'•t podem ainda ser conformadas de modo a fazerem parte da prOpria superficie
externa da asa ou da empenagem, por exemplo. Na analise de flexao,
podemcs considerar apenas as duas abas como efetivas, desconsiderando a
2•(b+h)•1 h2 •t•(b+h / 3) / 2 t-(3h2.b+3h•b2+r0+0) / 6 pequena contribuigào das duas almas, que sac) importantes para o
cisalhamento. Como as abas tam espessura pequena, é passive! tratar como
area concentrada, desconsiderando o momenta de inercia em relagao ao seu
Uma propriedade muito util no caso de cargas compressivas e o raio pr6prio baricentro.
de giragao da saga), p, definido coma:
ou, I = p2 • A
ri
226 Edison da Rosa
Introducäo ao ProjetoAerontutico
227
b J
Figura 12.12 - Conceito de viga caix5o.
MO.S+1,8-t)
T =
U2.t,2
228 Edison da Rosa IntroducAo ao Projeto Aeronautico 229
3•M
0= •; [rad / m]
GS•
500.00
rc•
' E •TC 2.E
F„ = k • ; ou a„ = k x2
• X, Cun a de Euler
400.00
1k
Figura 12.16 - Flambagem lateral de vigas esbeltas.
P=
Cr
0,669 • t 3 • bV (1-0,63 • t I b) •E •G
1
a E
1
12 2.1 G• (1-0,63 • t I b)
Figura 12.18 - Flambagem da alma da viga sob compressào diagonal.
232 Edison da Rosa Introducao ao Proje to Aeronautic° 233
A tensão critica de flambagem para uma placa simplesmente Caso 1 - Arestas simplesmente apoiadas.
apoiada de largura b e comprimento a, de espessura t pode ser obtida pela Caso 2 - Uma aresta simplesmente apoiada, uma livre.
expressao a seguir, sendo que a constante k depende da relagao b/a, Figura Caso 3 - Uma aresta engastada, uma livre.
12.19. Caso 4 - Placa sob flexao no piano, arestas simplesmente apoiadas.
.1„ 7C2 E t2
10.00 m
12 (1 - v 2 b2 1 2 3 4 5
k
10 8.00
k
9
8 600
7
4.00
6
b/a
5
2.00
0,1 0,2 0,3 0,4 ' 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0
Tabela 12.4 - Tensdes criticas para colapso de urn cilindro por instabilidade da
CASCAS CILINDRICAS SOB COMPRESSAO parede.
COMPRESSAO
E t
vcr 3.(1— v 2 ) r
FLEXAO Mcr = 1,14• r t2
1— v2
( t \ 2—
TORCAO 7-„=E — 1,8+ V1,2 + 0,201U-sit r
L - compri ento da casca
_
Figura 12.22 - Geometria de uma casca cilindrica sem reforcos e corn reforgos. 12.6 CALCULO ESTRUTURAL DA ASA
Cascas nal ° reforgadas. Para o calculo estrutural da asa du g s informagOes basicas sao
necessarias. 0 carregamento e a geometria das segOes, bem como suas
t propriedades. No calculo das propriedades secionais, pela forma tipica dos perfis
Cr =0,3-E•—
cs
aerodinamicos, e necessario o use de urn processo numeric°, seja para calcular
a area, o perimetro, os momentos de inercia, etc. Neste sentido, foram preparadas
Cascas corn reforgos axiais. as Tabelas 12.5 a 12.7 corn as principals propriedades, adimensionalizadas para
urn perfil de corda unitaria. Os resultados foram obtidos pelo software X-Foil,
r -\ 2 -\ 1,6
pelo engenheiro Mauricio Lobao, para os principais perils usados na construgao
„= 3,62•E• —t +E• +0,16• de superficies aerodinamicas dos projetos AeroDesign.
\b)
x
xc
S dS; 1,, =I y 2 -tdS; lyy = f x 2 -tdS; J= f r2 tdS
s Js Js
Figura 12.25 - Calculo de propriedades do perimetro da segâo (skin).
Figura 12.23 - Deformada tipica de flambagem de urn cilindro sob compressäo.
236 Edison da Rosa
Introducao ao Projeto Aeronautic°
237
a cr = 03-E- t
Para uma construgäo integral em resina plastica reforgada corn fibra
de vidro, corn densidade 1,9, E = 72 400 MPa e para uma corda de 250 mm, R =
0.00
900 mm. Usando urn coeficiente de [Link] 2,25, A26.303,
0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 Y (1'12) 1.00
Figura 12.27 - Coeficiente de momento fletor e coeficiente de esforgo cortante. a a„, = 2acr
, 2 5 = 10,726•t
—n
240 Edison da Rosa Introdu0o ao Projeto Aeroneutico
241
As espessuras calculadas se aplicam para a superficie superior (que Aar-ea necessaria para suportar este esforgo sera :
esta sob compressao), e podem ser urn pouco menores, pelo apoio que a
espuma do nUcleo fornece, aumentando a rigidez da parede. No calculo da
flexao deve ser considerado ainda o carregamento horizontal segundo V 16
8
A26.343, de 25% da carga vertical, nos pontos A e G, e de 20% nos outros A= = =1512 mm2
pontos. Neste exemplo, para ser mais breve, este calculo nao sera feito. Na T ad 0,11 1
pratica o dimensionamento e feito corn aqui indicado e a carga horizontal e
considerada na etapa de verificagao das tensOes e da estabilidade.
ou seja, 0,223 da area total da segao transversal do perfil, calculada como
6 780 mm 2 . A largura do nOcleo de espuma e calculada considerando uma
Tabela 12.10 -Celculo da espessura do revestimento da asa
altura estruturalmente efetiva de 30 mm.
Segao Fator Kba Fator KW Fator Kb • Momento Espessura
0.000000 0.106000 0.125000 0.1155 100 900 1 30 Tabela 12.11 - Calculo do nOcleo de espuma da asa
0.100000 0.082300 0.101250 0.0918 80 178 1.16
0.200000 0.062000 0.080000 0.0710 62 025 1 02
0.300000 0.044600 0.061250 0.0529 46 235 0.88 Segão Fator Ksa Fator Ks1 Fator Ks Cortante Largura
0.400000 0.031000 0.045000 0.0380 33 196 0.75 0.000000 0.500000 0.500000 0.50000 168.000 50.450
0.500000 0.019900 0.031250 0.0256 22 342 0.61 0.100000 0.434500 0.450000 0.44225 148.596 44.623
0.600000 0.011500 0.020000 0.0157 13 760 0.48 0.200000
0,35 0.372000 0.400000 0.38600 129.696 38.948
0.700000 0.005500 0.011250 0.0838 7 316 0.300000 0.310000
0.22 0.350000 0.33000 110.880 33,297
0.800000 0.001910 0.005000 0.0034 3 018 0.400000 0.250700
674 0.11 0.300000 0.27535 92.518 27.783
0.900000 0.000294 0.001250 0.00078 0.500000 0.194000
15.8 0.02 0.250000 0.22200 74.592 22.400
0.950000 0.000054 0.000313 0.000184 0.600000 0.141000 0.200000 0.17050 57.288 17.204
0.700000 0.093000 0.150000 0.12150 40.824
0.800000 12.259
1,50 I I I 0.051000 0.100000 0.07550 25.368 7.618
o Espessura calculada 0.900000 0.017800 0.050000 0.03390 11.390 3.421
t [mm] • Espessura deconstrucao - 0.950000 0.005900 0.025000 0.01545 5.191 1.559
x Superficie infenor
1.00 60.00
I
t [mm] o Largura calculada
blialn Largura de construc5o
0.50 M11.141=
30.00
0.00
0.00
0.20
0.40
0.60
0.80 1.00 -- Ii
Y IIMMI
Figura 12.28 - Espessura do revestimento da asa. 0,00
0,00 0.20 0.40 0,60 0.80 1 00
Para calcular a asa quanto ao cisalhamento, vamos considerar que a
casca de fibra esta montada sobre urn nUcleo de espuma de poliestireno
Figura 12.29 - Largura do nticleo de espuma da asa.
extrudado (Styrofoam SP), corn densidade 0,035 e t, = 0,25 MPa. Adotando 0
coeficiente de seguranga de 2,25, a tensão admissivel sera:
Este calculo permite uma estimativa do peso da asa. Considerando
apenas o revestimento, corn uma espessura media de 0,45 mm, e o nOcleo de
espuma, corn uma largura media de 38 mm,
T ad = 0,111 MPa V fibre = 0,[Link],0814 = 608,8 cm'.
G„ r = 608,8.1,90 = 1 157 g
Na segao da raiz da asa, Ks = 0,500, logo
= 3,8.3,0.260 = 300 cm'.
V = 0,500 160 2,0 1,05 = 168 N G eSP ma = 300.0,035 = 10,5 g
Edison da Rosa
ft
242 Introduoâo ao Projeto Aeronautic° 243
Por outro lado, as tensOes atuantes, devidas ao momento fletor, Sendo m a massa do aviào e K sua energia cinetica,
a—
M 100 900 56,05(
b•h•t
6=
a = 60 30 • t K = m v , / 2.
Igualando as duas express6es, Esta energia deverb ser absorvida pelo sistema do trem de
aterrissagem. Este pode ser puramente elestico, corn urn pequeno
176 000
602
t2 56 056
= '
t 3 =1,147 t = 1,05 mm.
amortecimento estrutural, ou ser projetado corn forte amortecimento, corn
elementos especificos para tal. Neste Ultimo caso as cargas desenvolvidas,
para uma mesma energia cinetica, sâo consideravelmente menores.
•
Como o aluminio tern uma densidade de 2,75, esta espessura F MAX
A
corresponde a 2,89 kg/m 2 , enquanto que a fibre de vidro, corn 1,25 mm e
densidade de 1,9 fornece 2,38 kg/m2.
sendo d, a deflexão estatica. Como a constante de mola Na condigao de pouso nivelado, mas sem contato com a bequilha, a
carga sobre o CG atua na vertical, corn o valor acima calculado, mas
F G considerando apenas como atuante o trem de pouso principal.
k =— =— U = — . k • 62
6 6s 2
e igualando as energias, K=U, =(n—n,) G b a+ b
1 K = 0,25
K = — . m . v 2 ; U = — . k .62
2 2 a
PR = (n—n,)•G b a±b
2 2
52 = M ' V2 = M • V ,
=V
k G / 6s g 6s As cargas laterais e de frenagem sao tratadas como:
F . 6 .x
n= — MA
AM X -
Fs 6s
resulta:
1
n=
g•6s
Figura 12.32 - CondigOes de cargas laterais e de frenagem, sob acâo do peso pr6prio.
F=(n—n,)•G
Para a bequilha, A26.499, corn a aeronave no solo, na sua condigao
normal, as cargas na bequilha dianteira e sua estrutura, incluindo as articulagOes
Numa analise mais detalhada devem ser consideradas
separadamente as caracteristicas dinamicas de cada um dos elementos do de acionamento, sao:
trem de aterrissagem.
Carga horizontal dirigida para tras:
Fv = 2,25 • R,
= 0,8•Fv
Carga horizontal dirigida para frente:
Fv = 2,25 • R,
F H = 0,4 • Fv
c) Carga horizontal dirigida para o lado:
Fv = 2,25 • R,
Figura 12.31 - Condicao de carga para pouso nivelado. A26.479(b).
F L = 0,7 • Fv
246 Edison da Rosa
sendo:
R - Reageo estatica no eixo da bequilha;
F . - Forgo vertical no eixo;
MODULO 5
F. - Forgo horizontal no eixo;
F, - Forgo horizontal, agindo no solo.
Figura 12.33 — Detalhe do trem de pouso principal do Airbus A380-841 e Antonov An-225.
13. PROJETOAERODESIGNER
Neste capitulo, demonstraremos uma entre inOrneras abordagens
para o projeto de uma aeronave destinada a Competicao SAE AeroDesign.
Lembramos que este e apenas urn exemplo didatico que utiliza solucties
comuns observadas pelas equipes UFSC em competicties anteriores.
Deixaremos tambem a parte de organizacao e gerenciamento tratada no
Capitulo 1, a criterio do leitor.
RI m
Bonificacties Valor
B1 Tempo de retirada do suporte de carga Pontos = 10 — (r10/40), se positivo, ou entao zero (0).
B2 Aterrissagem dentro dos limites de pista 122 m — 2 pontos por pouso.
Relagao carga papa / carga aeronave Eficiência estrutural (EE) = carga Otil / peso vazio.
B3 Pontos = 0,15eEE
NOMENCLATURA
Semelhante ao Capitulo 2.
250 Edison da Rosa
Introdugao ao Projeto Aeronautic°
251
ATMOSFERA
Valores realistas para os calculos, observado em diversas participagOes
Tabela 13.2 - Estimativa de pesos e CG 1
das equipes UFSC em Sao Josê dos Campos sao:
X
m1 [kg] x; [m] m i .dx; yl [m] [Link]
p = 95 kPa T = 30 °C p = 1,0927 kg/m3 h (relativa) = 1178 m Componentes padrão
Motor 0,669 -0.400 -0,268 0.152 0,102
GMP Helice 0.036 -0,450 -0,016 0,142 0.005
13.2 PROJETO CONCEITUAL Spinner
Bateria
0,032
0,080
-0,460
-0,270
-0.015
-0,022
0,142
0,080
0,005
0,006
Receptor 0,045 0,166 0.007 0,060 0,003
AviOnicos Servo acelerador 0,038 -0,277 -0,011 0.140 0.005
SUPERFICIES DE SUSTENTACAO Servo bequilha 0.038 -0,277 -0,011 0,140 0,005
Para selecionar a principal superficie de sustentagao, observamos a Servo freio 0,038 -0.277 -0,011 0,140 0.005
regra R1, que limita o espago destinado a mesma e a teoria apresentada nos Componentes de construcao
Asa (mais dois servos) 0,750 0,000 0,000 0,160 0.120
Capitulos 3, 6 e 7. Assim, optamos por uma configuragao corn geometria Estabilizador Horizontal
retangular corn dispositivo em sua extremidade que garanta melhor distribuicao Leme 0,450 ., 0,900 0,405 0,310 0,140 -
Tail Boom
de sustentagào e minimizagao de vortices. 2 servos
Celula
Estrutura 0,200 -0,060 -0,012 0,060 0,012
Entelagem da fuselagem 0,070 -0,050 -0,004 0,070 0,005
Outras sugestOes: Asa corn fator de conicidade; aeronave corn Trem de pouso traseiro 0,130 0,050 0,007 -0,025 -0,003
configuragao biplano. Bequilha + freio 0,060 -0,350 -0,021 0,040 0,002
Cabos e fiacao 0,080 0.400 0.032 0.110 0,009
Combustive' 0,195 -0.180 -0,035 0,150 0.029
SISTEMA DE CONTROLE
Ailerons e estabilizadores horizontal e vertical traseiros. Total 2.911 0,028 0.450
Total sem combustive) 2.716 • 0,063 0,421
SISTEMA PROPULSOR
Motor OS.61
12,00
-en
SISTEMA DE POUSO -410-- corn [Link]
10,00
Tipo triciclo corn freio na bequilha. ro
- - -0 • • sem combusthel
8,00
CONFIGURACAO
Para garantir urn melhor entendimento deste exemplo e maior
confiabilidade, selecionamos a configuragao classica corn propulsào tratora e 6,00
estabilizadores posteriores.
4,00
ESTIMATIVA DE PESOS b.
Analisando os componentes fixos padrao (motor, servos) e 2,00
componentes de construgao ou massa variavel (aquele que depende da % cm a
experiencia construtiva da equipe e materiais empregados), temos os primeiros 0,00 ".."
dados de nossa aeronave. 24 25 26 27 28 29 30
Pela analise de dados hist6ricos, para nosso projeto configurar entre seja, quanto maior a corda major sera a CLASSE do aviao, em compensagão
os primeiros colocados, vemos que é necessario algar cerca de 10,0kg de esta ira gerar urn maior arrasto.
carga Otil totalizando nossa massa de decolagem em: 12,911kg.
EMPUXO LIQUIDO
PRIMEIRA APROXIMACAO DO PROJETO Este é o empuxo bruto gerado pela halice, menos as perdas de atrito
Considerando os diferentes aspectos discutidos ao longo deste livro, de rolamento e de arraste aerodinamico. Estes valores exigem uma halice
vamos considerar que seja possivel projetar e construir urn projeto Classe 30. muito bem escolhida e urn motor regulado.
Assim, nossos dados iniciais sac):
COEFICIENTE DE SUSTENTACAO DA ASA
Tabela 13.3 — Determinagao da Classe 0 valor de 1,50 nao e urn valor facil de ser atingido devido a baixa
relagao de aspecto da asa. Para que a asa tenha urn born rendimento, esta
Valor Fonte deve ser geometricamente muito bem feita, bem como que nao existam perdas
0,700
adicionais de sustentagao, como frestas nas superficies de controle, ondulagao
Area da asa [m2] Como (Si = x 1,52), temos Dados histOricos
que = 0,46m
ou empenamento na superficie, etc.
m 2 = 6,574-( C L - S - E L )= 6,574. CLASSE Reunindo a configuragao definida corn as pegas listadas é possivel
desenhar o primeiro esbogo em tras vistas da aeronave seguindo algumas
m = 14,39 kg dices importantes discutidas a seguir.
Considerando a massa do aviao igual a 2,911 kg, resulta para a carga VISTA LATERAL:
maxima, Aeronaves AeroDesign tern relagäo - carga Otil /carga aeronave -
prOxima de 4/1, portanto, comece o desenho tragando a vista lateral
me = 11,479 kg. do compartimento de carga, pois é nele que estara o centro de masse
da aeronave (CG).
Alinhar a asa corn o centro geornatrico do compartimento de carga
CONSIDERACOES SOBRE OS VALORES USADOS PARA DEFINIR CLAE. por urn ponto situado a 25% de sue corda media contando a partir do
bordo de ataque. Esta sera a linha de CG.
AREA DA ASA 3. Para localizar o trem de pouso principal, tragamos uma linha a 10
Como a envergadura e limitada, trabalhamos entao corn o valor da corda. graus a linha de CG, partindo do centro do compartimento. A intersegao
Urn dos pontos importantes do projeto e definir urn valor de corda ideal, ou desta linha corn o solo sera o ponto de toque das rodas.
A
I ntroduc5o ao Projeto Aeronautic° 255
254 Edison da Rosa )
)
Colocamos grandes rodas e eixos de pequeno diametro para diminuir
o atrito e aumentar a velocidade de decolagem. Ver Capitulo 7. )
Para localizar a bequilha, responsavel pelo sistema de diregao da
aeronave, a posicionaremos de maneira que suporte cerca de 20% da
massa total da aeronave. Para isto calculamos a distancia a partir do )
ponto de toque do trem principal em relagao a linha de CG por urn
j
simples brago de momento.
•
VISTA FRONTAL:
Passamos os dados ja con hecidos na vista lateral, estabelecemos a
distancia entre as rodas traseiras e atravês de uma linha de 5° a 8°
1
•
corn o solo, partindo do ponto de toque, podemos situar o limite minimo
da altura da asa (ver Capitulo 3, Tabela 3.2). If •
VISTA LATERAL Etapa 2:
Situamos o estabilizador horizontal respeitando o limite demarcado por
tre's linhas: a) linha de 18° corn o solo partindo do ponto de toque; b) linha
de 8° tangente a superficie superior da raiz da asa; c) linha vertical que,
de acordo corn dados histaricos, distante cerca de 1,20m.
Colocamos o "tail boom" de modo a suportar os estabilizadores e
fixado em dois pontos de apoio na fuselagem, distanciados no minim°
em 15 cm.
Areas de estabilizadores podem ser retiradas a partir dos dados histericos. _ __1_ H
Colocamos os servos de controle o mas proximo possivel de sua --- 1
\
superficie de atuagbo.
Posicionamos o grupo moto-propulsor a uma distancia que equilibre a -F
aeronave na linha de CG.
Como medida de seguranga, deixar no minim° 5cm de distancia da II
ti
)
area de giro da helice de qualquer parte do aviao e do solo.
Estimar uma estrutura rigida de maneira que suporte as cargas exigidas .
I/
na operagäo da aeronave.
7
. .
-Thil _
EFEITO SOLO
Corn a altura da asa em relagao ao solo definida, obtemos os fatores
de corregao K 0= 0,59; para o arrasto e K L = 1,127; para a sustentagao.
cla (Eppler 423)
RESISTENCIA DE ROLAMENTO: = C, AR/(2 + (4 + ART),
9,00
8,57
8,56
14. PROJETO UAV "OFF-SHORE"
8,45
8,50 8,33-
8,22
8,11 8,00 Na continuageo deste modulo de exemplos, demonstraremos uma
8,00 - abordagem para o projeto de uma aeronave, nao tripulada, destinada ao
—7,77
transporte de cargas entre plataformas "Off-Shore".
7,50 g, —7,33
= 40 kg,
in, = /n o + in„ + in, = MT = 175 kg
CRUZEIRO
Da condigeo de cruzeiro pode-se tirar a pressao dinemica
1 2
q — pv = 980 N/m2
2
Introduoào ao Projeto Aeronautic° 261
260 Edison da Rosa
= 4,6 m e c= 0,77 m
Do vOo em cruzeiro pode-se dimensionar os motores, visto que o empuxo
deve ser pelo menos igualaoarrasteda aeronave ( E D). Sabendo que: 20
CD = CDO + CD,
CD = 0,096
0 arrasto gerado pode ser obtido por
A velocidade minima corn que o aviäo toca a pista de pouso pode ser
1
Esse é o consumo total de urn motor operando a 25 HP durante 1,5 tirada da pressao dinámica.
hora. Como o sistema deve ser redundante, o avrao devera carregar o dobro,
ou 26,8 litros (21,4 kg). 2 .q
vntin— — 26 m/s
DECOLAGEM
0 empuxo liquido necessario para a decolagem pode ser obtido pela
equagéo abaixo: Utilizando v = 30 m/s, a potencia requerida, é:
p•x
= C • S•E Preq = 24000 kW
g
Utilizando 2/3 da pista para decolagem ( x = 80 m ) e urn coeficiente de Corn urn rendimento de helice 7 = 0, 75 , a poténcia que deve ser
sustentagào de 1,2 para os procedimentos de decolagem/pouso chega-se a entregue pelo motor, é:
Pmotor 32000 kW ou 42 HP
72 12 •S•E
777 . • •
Sabe-se que uma parte do empuxo e perdida corn o atrito de FALHA DE UM DOS MOTORES
rolamento, dado por
Caso urn dos motores venha a falhar durante a decolagem e ja nâo
seja mais possivel abortar a mesma, a aeronave ainda conseguiria decolar em
QR f• MT • g 110 metros de pista utilizando 85 % da potencia do motor restante. No entanto,
isso iria acarretar urn consumo adicional de combustivel. Esse consumo sere
onde f e o coeficiente de atrito de rolamento. Usando calculado corn base no use de 100 % da potencia do motor restante.
=157,8 kg
vmin = 23,56 mis
Corn a nova massa do aviao, obtemos o novo atrito de rolamento, para Considerando
entao conseguir o novo empuxo total:
a =— 10,4
QR = 60N S
E = 790 N
Afar-9a para pararo aviao sera enrao
Definiremos urn novo coeficiente de arrasto em cruzeiro, sendo:
F =— 1515 N
CDO 0,08
CONCLUSAO
CD, = 0,005 Corn este segundo redimensionamento podemos observar a grande
diferenca encontrada corn os valores estimados inicialmente. Observamos
CD = 0,085 que por mais equivocado que sejam, os valores convergem a urn ponto que
D = 300 N melhor atende aos requisites iniciais.
1. ORGANIZACAO DA EQUIPE
Estabelecer o conceito do projeto e seus requisitos.
Abrir os livros de projeto e de gerencia.
Definir organograma;
Chefe de equipe;
Projetista;
Grupos de trabalho (aerodinamica, estruturas, fabricagao, testes);
Piloto;
Orientador.
Montar: Cronograma, Matriz de responsabilidades (recursos humanos),
Matriz de recursos, Orgamento.
2. INTRODUCAO
Corn base no regulamento do concurso e analisando as capacitagOes e
limitagOes da equipe, estabelecer a pontuagao pretendida:
Expectativa pessimista;
Expectativa realista;
Expectativa otimista.
Considerar os diferentes tipos de penalidades que podem ocorrer.
Procurar e esquematizar algumas formas alternativas de controle do aviao:
Pitch/Yaw/Roll
3. PROJETO DA CONFIGURACAO
Buscar definir ao menos tres diferentes configuragOes aerodinamicas (layout)
para o projeto.
Considerar diferentes alternativas para:
Superficies de sustentagao;
Superficies de controle;
Sistema de propulsao;
Posigao e forma para o compartimento de carga.
c) Estabelecer criterios de comparagao, considerando:
268 Edison da Rosa
I ntroduca o ao Projeto Aeronautico 269
11. ENVELOPE
Calcule VH e demais velocidades de projeto.
Calcular os fatores de carga de manobra e de rajada.
Construir o grafico n x V.
Determinar as cargas de projeto para: asa, fixacao asa — fuselagem, empe-
nagem horizontal, empenagem, vertical, fuselagem traseira, fuselagem dian-
teira, trem de pouso principal e bequilha.
2000 -Aspirados
Orientador
Prof. Edison da Rosa Marcial Garcia Suarez - Piloto
Celso Kenzo Takemori
Claudio de Pellegrini
Luis Adolfo Hegele
Luis Bertezzini
Sergio Augusto Costa
Guilherme K. Giesbrecht
Fernando H. da Silva
Wagner Barbosa Angelo
•.•
276 Edison da Rosa Introducgo ao Rrojeto Aeronautic° 277
REFERENCIAS FOTOGRAFICAS E 1
IMAGENS
Figura Modelo Autor Fonte
Competigao
Figura 1 AeroDesign 1999 e SAE Brasil [Link]
Logo
NOTAS:
Douglas XB-42 [Link]
3.24.7 Autor desconhecido
Mixmaster
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As fotos e imagens 2.1, 3.18, 3.22, 3.24.5, 5.21, 8.17, 8.18, 12.1, bem como as ilustragOes da pedroaragao©[Link]
Capa e Abertura de Madulos são da autoria de Juliano Toporoski.
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Daniele Faccioli
Verona, Italy