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Devas na Astrologia Védica
por Pt. Sanjay Rath tradução Flávia Venturoli Miranda
13/10/2010
Introdução
A maioria dos estudantes interpreta mal a palavra deva como
significando deus. Na realidade, há 33 devas com aproximadamente
330 milhões de formas . A palavra é derivada da raiz div que tem dez
significados [1] (para uma compreensão melhor, vamos ao glossário):
1. krda - diversão
2. vijigisha - conquista
3. vyavahar - ocupação/atividade
4. dyuti - inspiração intelectual ou esplendor
5. stuti - elogio
6. moda - prazer
7. mada - alegria, intoxicação
8. svapna - sonho
9. kanti - esplendor
10. gati - direção, movimento
Estas palavras definem o propósito de um deva . Jaimini
define deva ou devata como indicado por devata karaka de um
planeta. Este é a terça parte na hierarquia (de necessidades
espirituais) depois do atma karaka (ajudas na determinação
do Ishta/Isha que dirige a emancipação do ciclo de renascimento)
e amatya karaka (deidade que simboliza o alimento deste mundo).
Assim deva ou devata é o Guru que guia ou ilumina certas
habilidades inerentes que se desenvolverão nesta vida ou no caminho
espiritual ou que conduzem ao cumprimento dos desejos etc.
Nirukta [2] define deva como aquilo que:
confere benefícios ( danada )
ilumina ( dipanad ) ou
é a fonte do conhecimento ou iluminação ( dyutanad ).
Assim, traduzir deva como deus está conceitualmente incorreto. Esta
visão é mais adiante confirmada sem um tico de dúvida no Aitereya
Brahmana [3] como também o Sathapatha Brahmana [4] . A pergunta
natural é: “se deva não são deuses, então quem ou o que é o deva e
de que maneira eles estão associados ao jyotish , a astrologia védica”?
katame te trayastrimshat iti ashtou vasavah
ekadasha rudra, dvadasha adityah ta ekatrimshat
indraschaiva prajapatischa trayatrimshaviti
Sathapatha Brahmana 14.16:
“Falamos dos trinta três ( devas ) de qual oito vasus ,
onze rudras e doze adityas somam trinta um.
Indra e Prajapati incluídos, traz seu número a trinta três.”
1. Ashta Vasava (Oito Vasus)
katame vasava iti.
agnischa prithivi cha vayusch antarikshamchadityascha
dyauscha chandramascha nakshatrani chaite vasava aeteshu
hidam sarve vasu hitam aete hidam sarve vasayante
taddyudidam sarve vasayante tasmad vasava iti.
Sathapatha Brahmana 14.16:
surya & chandra
O Sathapatha Brahmana dá a lista que os “ Vasus são:
1. Agni
2. Prthvi
3. Vayu
4. Antariksha
5. Aditya
6. Dyau
7. Chandrama e
8. Nakshatra.”
À primeira vista, isto pode parecer um pouco contraditório já
que aditya também foi mencionada separadamente, mas aqui se
refere ao sol, chandra refere-se à lua, nakshetras são as mansões
lunares ou as constelações e os cinco restantes representam os
estados da existência material. Estes oito formam a fonte primária de
iluminação do eu. Eles representam as variáveis básicas que definem
toda criação e sua fonte original de iluminação nos dez métodos
definidos anteriormente como o propósito do deva . O Vishnu Purana
torna isto mais lúcido na definição do vasu como:
Água, fogo, ar, terra
1. apa - jala tattva ou líquido
2. dhara - prithvi tattva ou sólido
3. anila - vayu tattva ou gás
4. anala - agni tattva ou energia
5. dhruva - a estrela polar representando
akasha tattva - o céu ou vazio e
estabilidade do zodíaco i.e. a relevância de ayanamsa
dhruva - estrela polar
6. soma – a lua
7. pratyusha - a representação da Aurora recorrente
sol - como causador da noite e do dia, isto é, a fonte de luz por
detrás do amanhecer,
lagna - o ascendente ou o ponto no horizonte oriental como
representação do eu e é comparado ao amanhecer.
lagna
8. prabhasa – a luz esplendorosa das estrelas que se agrupam em
27/28 nakshatras (constelações).
constelação de escorpião
Esta lista é o primeiro princípio do jyotish , cujos corpos criam todos
os seres como também os guiam por diversas atividades definidas.
Estas incluem:
o sol,
a lua,
as constelações chamadas de nakshatras e
os pancha tattvas ou (orientação/direção), os cinco estados da
existência de toda a matéria e energia.
sistema solar
Assim, os luminares (sol & lua), os cinco planetas o Marte, Mercúrio,
Júpiter, Vênus e Saturno [regendo os cinco estados de energia ( agni ),
sólido ( prthvi ), espaço ( akasha ), líquido ( jala ) e ar ( vayu )
respectivamente] e os 27 (ou 28) mansões lunares chamadas
de nakshatras , formam o primeiro princípio. O nascimento insinua a
criação e este é o princípio de sattva do suporte do ser nascido ou
criado.
27 nakshatras - constelações
2. Ekadasha Rudra
katame rudra iti.
dasheme purushe prana atmaikadashah te yadasmat
martyacchriradtkramanti
atha rodanti tad yad rodayanti tasmad rudra iti
Sathapatha Brahmana 14.16:
11 rudras
Os onze rudras [5] são definidos como devas . Dez destes
são rudras responsáveis por sustentar o prana (força da vida, vital, ou
ar) dentro do corpo que sustenta a respiração e a vida. Assim, a
natureza deles é semelhante à de Marut, o deus da tempestade, e, de
certo modo, com vayu (o elemento ar). O décimo primeiro rudra é
Maheshvara e é o responsável pelo atma (alma). Estes são chamados
de rudras , da raiz rud que significa chorar, já que a partida deles
resulta a morte da pessoa, e os parentes e amigos choram.
5 pranas mais importantes
Estes onze rudras (inclusive Maheshvara) são responsáveis pela
destruição de tudo o que foi criado e formam o segundo princípio
do jyotish . Na primeira fase, há a destruição do corpo físico pela
partida de quaisquer dos dez rudras . Depois disso, o atma (alma) é
separado de manas (mente) por Maheshvara (Shiva), o décimo
primeiro rudra .
Maheshvara
Os dois nodos lunares chamados rahu e; ketu são os
destruidores. Rahu tem a responsabilidade de destruir os luminares e
os signos ( dvadasha aditya ). Ketu destrói a criação material
representada pelo pancha tattva (no jyotish , os cinco planetas o
Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno) e os nakshatras .
rahu ketu yantra
Os rudras podem ser vistos como as forças que se unem em qualquer
ser criado, tanto viventes como não viventes. Eles simbolizam a força
de Deus e são também a força do ser criado já que a partida deles
resulta na fraqueza do corpo que é destruído.
3. Dvadasha Aditya
katame aditya iti.
dvadashamasah samvatsarasya aita adityah aite hidam
sarvamadadanayanti
taddvididam sarvamadadana yanti tasmaditya iti.
Sathapatha Brahmana 14.16:
12 rashis - signos
Dvadasha significa doze e masa significa mês - assim
os dvadasha (doze) adityas são os doze meses representados pelos
doze signos no zodíaco. O mês é variavelmente definido no jyotish e
esta referência específica indica o movimento durante o período
entre duas conjunções sucessivas da lua. Este é o mês sinódico que é
aproximadamente 29 dias e meio que para conveniência são
considerados como 30 dias. Já que a média do movimento
geocêntrico do Sol durante 30 dias é 30 graus, isto define o saura
masa (mês solar) que é o terceiro princípio de jyotish . Doze destes
“30 graus de movimento”, faz com que o Sol volte a sua posição
original e isto define o samvatsara ou ano solar. Assim, o terceiro
princípio de jyotish é este do tempo & espaço que é definido
pelos dvadasha adityas (doze signos do zodíaco tendo o Sol como
seu chefe supremo). O mês solar e ano solar são a base da astrologia
védica e aquelas sub-divisões adicionais de tempo serão
determinadas baseadas nos movimentos solares. A
palavra samvatsara significa ano, mais especificamente ano solar, já
que está baseado nos dvadasha adityas . Este conhecimento é de
importância vital na determinação do período de influência dos
planetas chamados dashas . Frequentemente, os astrólogos se
atrapalham em concepções errôneas sobre usar o ano solar ou lunar
ou até mesmo outras variedades definição dos períodos de tempo.
Isto indica a falta de avaliação deste princípio de tempo & relação
espacial como definida pelo dvadasha adityas .
São chamados de adityas por serem os distribuidores do alimento e
de todos os materiais necessários para criação e alimento ( dana )
como também inspiração, alegria, intoxicação, vitalidade sexual e
vigor ( mada ). Os adityas são os doadores e tudo vem deles. Assim, os
doze signos representam todas as formas materiais de criação.
4. Indra e Prajapati
katama indrah katamah prjapatiriti.
stanayitnurevendro yajyah prajapatiriti.
katama eko deva iti sa brahma tyadityachakshate.
Sathapatha Brahmana 14.16:
Indra, o rei do Céu
Stanayitnu significa trovão ou raio e refere-se aos impulsos elétricos
que são usados pelo cérebro para controlar os sentidos. Assim, Indra
é o semideus que controla os sentidos e o funcionamento do cérebro
como também a inteligência de toda a criação. Yajna é o culto ou a
louvação a Prajapati, o progenitor. Este é o quarto princípio
do jyotish e é chamado de lagna , ascendente, representando o
assento de Prajapati, o progenitor, e o “louvor ao Valioso”. Indra está
sentado no trono do zodíaco indicado pelo ponto no meio do céu.
Esta é a área da décima casa contada do lagna , signo ascendente.
Prajapati - Senhor das Criaturas
O zodíaco, a qualquer ponto do tempo, é dividido em duas metades
pela linha do horizonte. Considerando que a Terra gira do oeste para
o leste, os planetas e outras estrelas parecem se mudar para a
direção oposta de qualquer ponto estacionário de observação na
Terra. O Sol sobe no leste pela manhã, ascende ao meio-céu (meio
do céu) antes do meio-dia e então começa a descer até se por no
horizonte ocidental. Lagna é o ponto no horizonte oriental que está
quase para ascender ou subir nos céus representado pela metade
visível do zodíaco e é semelhante a hora do sol nascer. Isto é
chamado de ascendente. Da mesma maneira, o ponto no horizonte
ocidental que quase está para descer ou ir para abaixo do horizonte
é chamado de descendente. O zodíaco é dividido em duas metades
chamadas de drusyaadrusya (invisível) pela linha do horizonte com o
céu na metade visível e a porção inferior do horizonte na metade
invisível. Os drusya rashis , signos do zodíaco (completos ou partes)
na metade visível, estão nos céus chamados de lokas , enquanto que
os adrusya rashis, signos do zodíaco (completos ou partes) na
metade invisível ou abaixo do horizonte são chamados de
infernos, talas . Há dois postulados baseados na (visível) e:
1. existência material ou física e
2. existência espiritual para descrever estes céus e infernos.
4.1. Os Três Mundos Materiais
O universo físico pode ser classificado em três partes chamadas
de bhu loka (Terra), bhuva lokanava graha [6] ) e svarga loka (céu que
contém as estrelas fixas que são a residência dos semideuses). O
zodíaco geocêntrico ( bhu loka como seu centro) limitado ao bhuva
loka é chamado de o chakra de Vishnu (zodíaco tropical onde os
tempos e outros fenômenos da atmosfera e além são vivenciados). O
zodíaco geocêntrico baseado nas estrelas fixas no céu é chamado de
o chakra de Narayana (zodíaco sideral). Estas condições são
mencionadas especificamente no Vishnu Purana. O hindu piedoso
recita a oração Om bhur bhuva svah , todas as manhãs para as
bênçãos desta criação material, como um prefixo para o mantra de
Gayatri. (firmamento) ou o sistema solar que contêm os:
4.2. Os Quatorze Mundos Espirituais
Assim, há sete céus e sete infernos. Os céus chamados lokas [7] são em
sete partes:
lokas e narakas no corpo
A porção visível do lagna (signo/casa ascendente) que
ascendeu, ou seja, desde o começo do signo à longitude do
ascendente chamado satya loka simbolizados pelas mil pétalas de
lótus na qual descansa Prajapati (na forma de Brahma), o
progenitor. Este é o assento do criador e Ele é louvado por toda
Sua criação. Mostra a fama como consequência do louvor, saúde
e vigor.
A porção visível da sétima casa/signo que está a ponto de
descer ou entrar na metade invisível, ou seja, da longitude do
descendente para o fim do signo chamado de bhu loka (plano
terrestre). Mostra a morte e renascimento já que este é também
o mrtyu loka , onde a morte ocorre.
A décima casa/signo (o meio do céu é o trono de Indra)
chamado de svah ou svarga loka .
Os signos/casas restantes na porção visível (8º, 9º, 11º & 12º)
são o bhuva, maha, janah e tapah loka .
Assim, os sete céus são: bhu, bhuva, svah, maha, janah, tapah &
satya loka e as deidades dos planetas o Marte, Sol, Vênus, Mercúrio,
Lua, Saturno e Júpiter respectivamente, regem cada um destes lokas .
Os sete infernos são os sete signos na porção invisível do zodíaco
chamados de: atala, bitala, sutala, talatala, rasatala,
mahatala e patala respectivamente. Há sete narakas (os mais
inferiores infernos para castigo), abaixo destas sete talas e são todos
situados no nadir , ou seja, no ponto do meio do céu precisamente
oposto a quarta casa. O hindu espiritual recita o mantra " Om bhur,
Om bhuva, Om svah, Om maha, Om janah, Om tapah, Om satyam "
todos os dias como um prefixo para o mantra de Gayatri aspirando
pelos céus mais elevados.
Assim, em qualquer mapa, a sétima casa é examinada para morte e
renascimento. Se a morte acontecer durante o período do planeta na
sétima casa ou seu regente, então o renascimento seguramente
acontecerá. O lugar de renascimento pode ser adivinhado pelo
planeta/signo na sétima casa. Por exemplo, se Marte estiver na
sétima casa, o renascimento será em uma ilha como o Sri Lanka.
Outras indicações podem ser lidas em textos padrões. Também é por
esta mesma razão que Parasara recomenda o Mrtunjaya
Mantramoksha (emancipação do ciclo de renascimento) durante tais
períodos de planetas conectados com a sétima casa. A 12ª casa ou a
porção um pouco antes do lagna é o satya loka , o ponto espiritual
mais elevado e além desta é a região espiritual onde não há retorno.
Através da constante repetição do Om tat sat e vivendo uma vida
honesta, o adorador atinge satya loka e os céus mais elevados além
de onde não há retorno a este mrtyu loka com sua oração para:
Assim, concluímos que os 33 devas são um paradigma básico
do jyotish e que também podem se agrupar baseados na mobilidade.
Estes grupos incluem:
as estrelas fixas ou estacionárias formam o grupo de 27 (ou
28) nakshetras ,
as divisões de espaço e tempo formam o grupo
de rashis ou dvadasha adityas e
os luminares
1. Sol
2. Lua, os controladores dos pancha tattvas
3. Marte,
4. Mercúrio,
5. Júpiter,
6. Vênus
7. Saturno e os representantes de Rudra
8. Rahu
9. Ketu que formam o terceiro grupo de corpos móveis
chamados de graha .
Navagraha - 9 Planetas
Considerando que estes são nove em número, são chamados nava
graha . Usaremos a definição forçada de “planetas” para indicar estes
nove corpos móveis. O Sol não é móvel dentro do sistema solar, mas
é de um ponto de vista geocêntrico, isto é, assumindo que a Terra é
estacionária, seu movimento é traduzido como sendo o movimento
do Sol.
Geocêntrico
Leia o original: [Link]
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