BLOCO 9
ASSUNTOS: Análise de Investimentos
Valor Actual Líquido (VAL)
Taxa Interna de Rentabilidade (TIR)
Rácio Benefício - Custo (RBC)
Tempo de Recuperação (TR)
PROBLEMAS:
PROBLEMA 1
Perante a previsão de prejuízos no longo prazo, o empresário do
Monte da Ribeira pretende substituir a produção de caprinos pela
produção extensiva de bovinos de carne. Para tomar essa decisão deverá
adoptar o plano de investimento que consta do quadro seguinte e
proceder a ajustamentos no plano de produção.
Plano de Investimento
Ano 0 Ano 1 Ano 10
Investimento inicial: 54750,00 41750,00 0,00
Animais reprodutores 49250,00 41750,00 -
Máquinas e equipamentos 5500,00 - -
Desinvestimento: 17276,67 0,00 68224,16
Animais reprodutores 16100,00 - 45500,00
Máquinas e equipamentos 1176,67 - 19454,16
Benfeitorias - - 3270,00
O plano de investimento prevê despesas de investimento inicial
em máquinas e equipamentos (mangas e comedouros) e em animais
reprodutores (vacas gestantes, vacas não gestantes e touros) e receitas
119
iniciais provenientes do desinvestimento no capital fixo de exploração
específico da produção de caprinos (animais, equipamento de sala de
ordenha e comedouros).
O restante capital do aparelho de produção da exploração agrícola
Monte da Ribeira permanece na empresa e transita para a situação de
projecto com o valor actual de €107344,79.
Dado o bom estado geral das máquinas e equipamentos, que
entretanto vão terminando a sua vida útil no decorrer do prazo de
investimento, prevê-se o seu prolongamento até ao final do horizonte de
planificação, sendo para estas situações considerado um valor residual ou
de desinvestimento nulo, como acontece com os tractores e com a
ceifeira debulhadora.
Tendo em conta esses dois pressupostos, a utilização do capital do
aparelho de produção que transitou da situação anterior, origina na
situação com projecto, para além das despesas do investimento inicial,
um custo de amortização anual de €19199,14.
Os ajustamentos no plano de produção incluem a substituição dos
47,37 ha de cereais de sequeiro por prados anuais de gramíneas e
leguminosas, mantendo-se os cereais de regadio e a pastagem natural
sob-coberto de montado.
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A actividade da empresa, nos quatro primeiros anos da situação
com projecto, é traduzida em termos económicos pelos orçamentos
FORMATO GERAL
INFORMAÇÕES GERAIS
Exploração: Monte da Ribeira
Localização: Évora
Regime de Exploração: Arrendamento
Área: 298 ha
Ano: n+1 Unidade monetária: Euros
PROVEITOS (RENDIMENTO TOTAL) Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 -10
Vendas das actividades: 29749,01 34211,41 45294,01 56499,41
Prémios e subsídios das actividades: 19536,10 34536,10 34536,10 34536,10
Auto-consumo, ofertas, variações de stocks 0,00 0,00 0 0,00
TOTAL 49285,11 68747,51 79830,11 91035,51
CUSTOS VARIÁVEIS
Sementes 3049,23 3049,23 3049,23 3049,23
Fertilizantes 3746,84 3746,84 3746,84 3746,84
Fitofármacos 0,00 0,00 0,00 0,00
Combustíveis e lubrificantes: 2043,69 2043,69 2043,69 2043,69
Reparações 0,00 0,00 0,00 0,00
Mão-de-obra eventual: 0,00 0,00 0,00 0,00
Aluguer de tracção: 64,13 64,13 64,13 64,13
Água 0,00 0,00 0,00 0,00
Energia (rega) 746,13 746,13 746,13 746,13
Assistência veterinária 690,00 860,00 1548,00 1548,00
Alimentos comprados 2155,00 2155,00 2155,00 2155,00
Outros encargos variáveis: Polvilhal 3145,60 3145,60 3145,60 3145,60
Gastos gerais 469,22 474,32 494,96 494,96
Juros do capital circulante 644,39 651,40 679,74 679,74
TOTAL 16754,22 16936,33 17673,31 17673,31
MARGEM BRUTA 32530,88 51811,18 62156,79 73362,19
CUSTOS FIXOS
Amortizações (benfeitorias e máquinas e equipamentos) 19565,81 19565,81 19565,81 19565,81
Conservações (benfeitorias e máquinas e equipamentos) 8926,11 8926,11 8926,11 8926,11
Mão-de-obra permanente 13593,34 13593,34 13593,34 13593,34
Seguros, contribuições e impostos de bens fundiários e de capital fixo 0,00 0,00 0,00 0,00
Compra de animais de substituição 583,33 583,33 583,33 583,33
Renda 3000,00 3000,00 3000,00 3000,00
Juros:
Capital fundiário (benfeitorias) 276,30 276,30 276,30 276,30
Capital de exploração fixo 5130,28 5813,62 5244,47 4675,31
Remuneração do trabalho directivo 10000,00 10000,00 10000,00 10000,00
Reserva para riscos 1435,57 1439,07 1453,24 1453,24
TOTAL 62510,74 63197,59 62642,61 62073,45
MARGEM LÍQUIDA -29979,86 -11386,41 -485,81 11288,74
globais que se apresentam a seguir. A partir do quarto ano, os proveitos e
os custos reais mantêm-se ao mesmo nível até ao final do horizonte de
planificação.
a) Admitindo uma taxa subjectiva de decisão ou de actualização
de 6%, calcule os seguintes indicadores de viabilidade financeira antes de
financiamento:
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a.1) O Valor Actual Líquido (VAL);
a.2) A Taxa Interna de Rentabilidade (TIR);
a.3) O Rácio Benefício – Custo (RBC);
a.4) O Tempo de Recuperação (TR).
b) Com base nos resultados dos indicadores que calculou,
justifique se o empresário deverá executar o projecto.
RESOLUÇÃO
a.1) O Valor Actual Líquido (VAL) de um Investimento é o
somatório dos cash-flow (CFt) ocorridos em cada ano (t), que
caracterizam esse investimento, depois de actualizados a uma taxa de
actualização (i) convenientemente escolhida.
VAL = ∑ CFt (1 + i ) -t
n
t =0
Um investimento é um conjunto de quantias financeiras datadas,
de acordo com o modo como se distribuem no tempo, correspondentes
aos custos inerentes à criação dos bens de produção duradouros nele
envolvidos, e aos custos e benefícios anuais relativos ao processo
produtivo resultantes da sua realização. O conceito de investimento
também pode ser definido como a substituição de capitais presentes por
capitais futuros, que do ponto de vista do investidor, deverá conduzir a
um aumento do valor dos capitais substituídos.
122
A avaliação do seu interesse efectivo ou da sua rentabilidade, isto
é, da rentabilidade dos capitais envolvidos, assenta na comparação dos
benefícios e dos custos previstos num mesmo momento no tempo. O
balanço entre os benefícios e os custos constitui a renda financeira
previsional do investidor, que é usualmente designada por cash-flow (CF)
ou benefício anual líquido. O CF é encarado na perspectiva das entradas
que constituem o fluxo de receitas, rendimentos e benefícios que afluem
à empresa e das saídas, que correspondem às despesas e encargos. O
cálculo do seu valor obtém-se retirando às entradas (Rt) as despesas e os
encargos correntes anuais (Dt) e do investimento inicial (It).
Dos benefícios, receitas e rendimentos devem constar o valor da
produção (VP), outros recebimentos da empresa (OR) e o valor residual
do investimento (VR). O valor da produção inclui as vendas do produto,
o auto-consumo, os pagamentos em géneros, as ofertas e a variação da
produção. Os outros recebimentos devem incluir os subsídios correntes
que não estão incluídos na formação dos preços dos produtos e, no caso
das empresas agrícolas familiares, também os rendimentos obtidos fora
da exploração. O valor residual do investimento constitui uma receita no
final do horizonte de planificação, correspondente ao valor dos bens de
capital nesse momento temporal.
Os fluxos de despesas e encargos dizem respeito ao investimento
inicial, aos encargos de exploração e à Remuneração do Trabalho
Directivo (RTD). As despesas de investimento incluem o investimento
inicial e as despesas com investimentos de substituição ao longo da vida
útil do projecto. Os encargos de exploração correspondem aos custos
123
anuais de funcionamento, onde, normalmente, estão incluídos todos
custos de exploração reais, com excepção das amortizações se o seu valor
já estiver contabilizado nas despesas do investimento inicial. A RTD
também poderá ser considerada um custo do projecto.
As entradas retiram-se directamente das rubricas de proveitos dos
orçamentos globais da empresa apresentados para a situação de projecto,
sendo necessário adicionar o VR do investimento no último ano do
horizonte de planificação.
R t = VPt + OR t + VR t e
VPt = vendas + auto - consumo + paga. em géneros + ofertas + ∆ produção
Por exemplo, para os Anos 1 e 10 do horizonte de planificação as
receitas são:
VP1 = 29749,01 €; OR1 = €19536,10
R1 = VP1 + OR1 = 29749,01 + 19536,10 = €49285,11
VP10 = €56499,41 ; OR10 = €34536,10 ; VR10 = €68224,16
R 10 = VP10 + OR 10 + VR 10 = 56499,41 + 34536,10 + 68224,16
R10 = €159259,66
As saídas anuais também se podem obter a partir dos orçamentos
globais da empresa para a situação de projecto.
124
D t = Custos variáveis - juros do capital circulante
+ Conservações
+ Mão - de - obra permanente
+ Seguros, contrib. e impostos de bens fund.e de capital fixo
+ Compra de animais de subst.
+ Renda
+ Amortiz. de bens que transitam da situação anterior
+ RTD
Por exemplo, para o Ano 1 a Dt é:
D1 = 16754,22 - 644,39 + 8926,11 + 13593,34 + 0,00
+ 583,33 + 3000,00 + 19199,14 + 10000,00
D t = €71411,76
As despesas de investimento ocorrem no Ano 0 (€54750,00) e no
Ano 1 (€41750,00).
Para o Ano 0 e para o Ano 1 o total de saídas é:
I 0 + D 0 = €54750,00
I1 + D1 = 41750 + 71411,76 = €113161,76
Conhecendo os fluxos de entradas e de saídas de capitais, está-se
em condições de determinar o CF em cada período t do horizonte de
planificação.
CF t = R t - D t - I t
Uma vez calculado o CF, para se obter o VAL tem de se somar os
seus valores actualizados à taxa de actualização i=6%. Esta taxa, também
designada por taxa subjectiva de decisão, é a taxa de rendimento
125
esperada pelo investidor e deverá reflectir os custos dos capitais
envolvidos no investimento, incluindo o risco.
Trata-se portanto, da taxa mínima de rendimento que o
empresário está disposto a aceitar para decidir realizar o investimento. Na
página seguinte apresenta-se o orçamento plurianual ou cash-flow, antes
do financiamento.
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Orçamento plurianual ou cash-flow antes de financiamento
Ano 0 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano 6 Ano 7 Ano 8 Ano 9 Ano 10
Entradas:
Valor da produção - 29749,01 34211,41 45294,01 56499,41 56499,41 56499,41 56499,41 56499,41 56499,41 56499,41
Outros recebimentos - 19536,10 34536,10 34536,10 34536,10 34536,10 34536,10 34536,10 34536,10 34536,10 34536,10
Valor residual - - - - - - - - - - 68224,16
Total de entradas 0,00 49285,11 68747,51 79830,11 91035,51 91035,51 91035,51 91035,51 91035,51 91035,51 159259,66
Saídas:
Investimentos 54750,00 41750,00 - - - - - - - - -
Encargos correntes - 71411,76 71586,86 72295,50 72295,50 72295,50 72295,50 72295,50 72295,50 72295,50 72295,50
Total de saídas 54750,00 113161,76 71586,86 72295,50 72295,50 72295,50 72295,50 72295,50 72295,50 72295,50 72295,50
Cash-flow -54750,00 -63876,65 -2839,35 7534,61 18740,01 18740,01 18740,01 18740,01 18740,01 18740,01 86964,16
Factor de actualização 1,00 0,94 0,89 0,84 0,79 0,75 0,70 0,67 0,63 0,59 0,56
Cash-flow actualizado -54750,00 -60260,99 -2527,01 6326,20 14843,84 14003,62 13210,97 12463,18 11757,71 11092,18 48560,34
127
Para proceder à actualização dos fluxos financeiros basta
multiplicar o CF pelo factor de actualização (1 + i ) -t .
VAL 6% = -54750,00 × 1,06 0 - 63876,65 × 1,06 -1 - 2839,35 × 1,06 -2
+ 7534,61× 1,06 -3 + 18740,01× 1,06 -4 + 18740,01× 1,06 -5
+ 18740,01× 1,06 -6 + 18740,01× 1,06 -7 + 18740,01× 1,06 -8
+ 18740,01× 1,06 -9 + 86964,16 × 1,06 -10
VAL 6% = €14720,04
O VAL obtido indica que os benefícios gerados durante o
horizonte de planificação, são, não só, suficientes para recuperar os
capitais aplicados na sua realização, como permitem ainda obter um
benefício líquido de €14720,04.
a.2) A Taxa Interna de Rentabilidade (TIR) é a taxa de
actualização para a qual o VAL do investimento é nulo. A esta taxa são
iguais os valores actualizados dos custos (de investimento e de
exploração) e dos benefícios. A TIR mede a taxa de juro anual
efectivamente proporcionada, pelo conjunto de capitais aplicados num
investimento durante o seu período de vida útil. Também se pode definir,
como o rendimento anual produzido por unidade de capital aplicado
durante o período de vida útil do investimento, depois de recuperados os
respectivos custos (de investimento e de exploração).
O cálculo da TIR é efectuado por aproximações sucessivas,
ensaiando diversas taxas de actualização até se obter a que anula o VAL.
O processo consiste em calcular o VAL para taxas de actualização
sucessivamente superiores até se obter um VAL nulo, o que raramente
acontece, ou um VAL negativo. Neste caso, por interpolação linear entre
128
o valor negativo do VAL e o último dos seus valores positivos, tendo em
conta as respectivas taxas de actualização para que são obtidos, é possível
determinar o valor aproximado da TIR.
Quando a taxa de actualização i é 6%, o VAL é €14720,04. Se
aumentarmos o valor de i, o VAL irá diminuir progressivamente até se
anular ou se tornar negativo.
Para i = 7,5%:
VAL7 ,5% = -54750,00 × 1,0750 - 63876,65 × 1,075-1 - 2839,35 × 1,075-2
+ 7534,61×1,075-3 + 18740,01× 1,075-4 + 18740,01× 1,075-5
+ 18740,01× 1,075-6 + 18740,01× 1,075-7 + 18740,01× 1,075-8
+ 18740,01× 1,075-9 + 86964,16 × 1,075-10
VAL7,5% = €2438,95
Para i = 8% vem:
VAL8% = -54750,00 × 1,080 - 63876,65 × 1,08 -1 - 2839,35 × 1,08 -2
+ 7534,61× 1,08-3 + 18740,01× 1,08 -4 + 18740,01× 1,08-5
+ 18740,01× 1,08-6 + 18740,01× 1,08-7 + 18740,01× 1,08-8
+ 18740,01× 1,08-9 + 86964,16 × 1,08-10
VAL8% = - €1294,97 €
Para se proceder à interpolação linear pode-se formular e resolver
a seguinte equação em ordem a TIR:
i1-TIR TIR-i2
=
VAL1-0 0-VAL2
Substituindo pelas taxas i1 = 7,5% e i 2 = 8% e pelos respectivos
valores do VAL:
129
0,075 - TIR TIR - 0,08
= ⇒ TIR = 7,83%
2438,95 - 0 0 - (-1294,97)
O facto da TIR (7,83%) ser superior à taxa de actualização,
significa que o investimento no projecto consegue uma remuneração dos
capitais superior ao custo médio desses capitais (6%).
a.3) O Rácio Benefício - Custo (RBC), como a própria
designação indica, é a relação entre os benefícios e os custos do
investimento e é dado pelo quociente entre as entradas e as saídas do
cash-flow. O mais correcto é considerar os valores actualizados das
entradas e das saídas.
Este indicador mede no momento presente, o montante dos
benefícios líquidos obtidos durante a vida útil do investimento por
unidade de capital investido. Fornece, assim, uma medida de
rentabilidade relativa de indiscutível utilidade para comparar
investimentos não mutuamente exclusivos quanto à sua realização, sendo
de especial interesse quando os fundos disponíveis são limitados.
∑ R ( 1+i)
n
-t
t
t =0
RBC =
∑ (I
n
t + Dt )( 1+i) -t
t =0
R t (1 + i) -t = 49285,11 × 1,06 -1 + 68747,51 × 1,06 -2 + 79830,11 × 1,06 -3
+ 91035,51 × 1,06 -4 + 91035,51 × 1,06 -5 + 91035,51 × 1,06 -6
+ 91035,51 × 1,06 -7 + 91035,51 × 1,06 -8 + 91035,51 × 1,06 -9
+ 159259,66 × 1,06 -10
R t (1 + i) - t = €639493,59
130
(I t +D t )(1+i) -t = 54750,00 ×1,06 0 + 113161,76 ×1,06 -1 + 71586,86 ×1,06 -2
+ 72295,50 ×1,06 -3 + 72295,50 ×1,06 -4 + 72295,50 ×1,06 -5
+ 72295,50 ×1,06 -6 + 72295,50 ×1,06 -7 + 72295,50 ×1,06 -8
+ 72295,50 ×1,06 -9 + ×1,06 -10
(I t +D t )(1+i) -t = €624775,55
639493,59
RBC = = 1,024
624775,55
Sendo o valor unitário do RBC o limite inferior de rentabilidade,
este resultado permite concluir que aumentos nos custos de investimento
e de funcionamento do projecto, ou diminuições nos proveitos, superiores
a 2,4% colocam em causa a rentabilidade do investimento.
a.4) O Tempo de Recuperação (TR) de um investimento é o
número de anos de funcionamento do projecto necessários para que o
VAL se torne positivo. Trata-se de uma medida de rentabilidade baseada
apenas no factor tempo, à qual se apontam algumas limitações, que se
relacionam com o facto de não ter em conta os CF proporcionados depois
do TR, nem o modo como evoluem até ao fim da vida útil do
investimento.
Para encontrar o TR de um investimento, calcula-se o VAL
consecutivamente para todos os períodos, até se obter um valor positivo.
VAL1 = -54750,00 - 60260,99 = - €115010,99
VAL2 = -115010,99 - 2527,01 = - €117538,00
VAL3 = -117538,00 + 6326,20 = - €111211,80
VAL4 = -111211,80 + 14843,84 = - €96367,96
131
VAL5 = -96367,96 + 14003,62 = - €82364,33
VAL6 = -82364,33 + 13210,97 = - €69153,37
VAL7 = -69153,37 + 12463,18 = - €56690,19
VAL8 = -56690,19 + 11757,71 = - €44932,48
VAL9 = -44932,48 + 11092,18 = - €33840,29
VAL10 = -33840,29 + 48560,34 = €14720,04
O TR é de 10 anos, uma vez que é só no decorrer do Ano 10 que o
VAL se torna positivo.
b) Os benefícios líquidos gerados pelo projecto no momento
presente excedem em €14720 os custos totais do investimento, o RBC é
superior à unidade e a TIR é superior à taxa subjectiva de decisão. Com
base nesses resultados, sem considerar os custos de financiamento nem a
viabilidade financeira do investimento e tendo em conta apenas critérios
de rentabilidade empresarial, o empresário, na ausência de alternativas
mais viáveis, deverá executar o investimento apesar do TR ser
relativamente longo.
PROBLEMA 2
O empresário dispõe de €32276,67 de capital próprio, dos quais
€17276,67 são provenientes de receitas iniciais com o desinvestimento
no capital fixo de exploração específico da antiga actividade de produção
de caprinos (animais, equipamento da sala de ordenha e comedouros) e
poderá beneficiar de um subsídio ao investimento a fundo perdido de
132
€20000, pago no primeiro ano de funcionamento do projecto. Para
financiar o investimento inicial, o empresário também pode recorrer a
empréstimos bancários por um prazo de 5 anos, com amortizações
constantes de capital e com uma taxa de juro nominal de 6,5%. Para
assegurar a exequibilidade financeira, é sempre possível recorrer a
empréstimos de curto prazo reembolsáveis no ano seguinte à sua
realização, à taxa nominal de 8%.
a) Determine o cash-flow após financiamento.
b) Calcule o VAL e a TIR após financiamento e comente os
resultados obtidos.
RESOLUÇÃO
a) Quando é necessário recorrer a capitais alheios para financiar o
investimento, o CF deve reflectir os fluxos financeiros daí decorrentes,
passando a designar-se cash-flow após financiamento (CFAF). A sua
grande utilidade reside em aferir a viabilidade financeira do investimento.
Para calcular o CFAF adiciona-se ao CF o valor anual do
financiamento líquido (FL), que resulta da diferença anual entre o
financiamento (F) e o serviço de dívida (SD).
CFAFt = CFt + FL t e FL t = Ft - SD t
O financiamento constitui uma entrada de capital na empresa e o
serviço de dívida representa uma saída correspondente ao reembolso dos
capitais emprestados e ao pagamento dos respectivos juros.
133
O financiamento do investimento pode ser proveniente dos
capitais próprios do empresário agrícola, dos subsídios ao capital, que em
geral não têm de ser reembolsados, e dos capitais alheios, nomeadamente
os empréstimos bancários. Os empréstimos de médio e longo prazo
destinam-se a financiar bens de capital e os empréstimos de curto prazo a
evitar roturas de financiamento. Um valor negativo do CFAF significaria
que o empresário não estaria a honrar os seus compromissos. Por isso,
quando se faz o planeamento financeiro, tem de se ter conta que o CFAF
nunca pode ser negativo.
No Ano 0 o empresário dispõe de €32276,67 de capital próprio.
Os custos de investimento relativos à aquisição de capital de exploração
fixo ascendem a €54750. Portanto, o empresário terá de financiar o
restante investimento com um empréstimo de médio e longo prazo de
€22473,33 (54750-32276,67), para que o CFAF não seja negativo.
Esse empréstimo dá origem, nos próximos 5 anos, ao seguinte
serviço de dívida composto por 5 reembolsos anuais constantes de capital
(mk) e pelos respectivos juros (jk):
C0 22473,33
m1 = ... = m k = ... = m 5 = = = €4494,67
n 5
j1 = C 0i = 22473,33 × 0,065 = €1460,77
j2 = (C 0 - m k )i = (22473,33 - 4494,67) × 0,065 = €1168,61
j3 = (C 0 - 2m k )i = (22473,33 - 2 × 4494,67) × 0,065 = €876,46
j4 = (C 0 - 3m k )i = (22473,33 - 3 × 4494,67) × 0,065 = €584,31
j5 = (C 0 - 4m k )i = (22473,33 - 4 × 4494,67) × 0,065 = €292,15
134
No Ano 1, realiza-se um novo investimento em capital de
exploração fixo de €41750. Uma parte desta despesa é financiada por um
subsídio ao investimento concedido a fundo perdido, no valor de €20000.
O restante tem de ser financiado por novo um empréstimo de médio e
longo prazo (€21750), cujo serviço de dívida, tal como no empréstimo do
ano anterior, é dado por:
C0
m1 = ... = m k = ... = m 5 = e jk = C k -1 .i = (C 0 - m k (k - 1)).i
n
No Ano 1 o CF antes de financiamento é - €63876,65. Para além
deste valor, é necessário financiar o serviço de dívida desse ano
(€5955,43), o que totaliza €69832,08. Deste montante, já está assegurado
o financiamento do investimento inicial (€41750). O restante
(€28082,08), relativo a despesas correntes e às obrigações do serviço de
dívida, terá de ser financiado por um empréstimo de curto prazo.
No Ano 2, o CF é - €2839,35 e o serviço de dívida ascende a
€41755,68, dos quais €4494,67 e €4350 são os reembolsos dos
empréstimos de médio e longo prazo, €1168,61 e €1413,75 são os juros
pagos desses empréstimos, €28082,08 é o reembolso do empréstimo de
curto prazo contraído no ano anterior e €2246,57 é o pagamento dos
respectivos juros ( 28082 ,08 × 0,08 ). Portanto, é necessário financiar a
empresa novamente com um empréstimo de curto prazo no valor de
€44595,03 (2839,35 + 41755,68).
135
Orçamento plurianual ou cash-flow após financiamento
Ano 0 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano 6 Ano 7 Ano 8 Ano 9 Ano 10
Cash-flow antes de financiamento -54750,00 -63876,65 -2839,35 7534,61 18740,01 18740,01 18740,01 18740,01 18740,01 18740,01 86964,16
Financiamento:
Capital próprio 32276,67 - - - - - - - - - -
Subsídios - 20000,00 - - - - - - - - -
Empréstimos de L.P. (Ano 0) 22473,33 - - - - - - - - - -
Empréstimos de L.P. (Ano 1) - 21750,00 - - - - - - - - -
Empréstimos de C.P. - 28082,08 44595,03 51480,15 47135,78 41868,95 31111,20 14860,09 - - -
Sub-total 54750,00 69832,08 44595,03 51480,15 47135,78 41868,95 31111,20 14860,09 0,00 0,00 0,00
Serviço de dívida:
Reemb. de empréstimos L.P.(Ano 0) - 4494,67 4494,67 4494,67 4494,67 4494,67 - - - - -
Juros de empréstimos L.P. (Ano 0) - 1460,77 1168,61 876,46 584,31 292,15 - - - - -
Reembolso de empréstimos L.P.(Ano 1) - - 4350,00 4350,00 4350,00 4350,00 4350,00 - - - -
Juros de empréstimos L.P. (Ano 1) - - 1413,75 1131,00 848,25 565,50 282,75 - - - -
Reembolso de empréstimos C.P. - - 28082,08 44595,03 51480,15 47135,78 41868,95 31111,20 14860,09 - -
Juros de empréstimos C.P. - - 2246,57 3567,60 4118,41 3770,86 3349,52 2488,90 1188,81 - -
Sub-total 0,00 5955,43 41755,68 59014,76 65875,78 60608,96 49851,21 33600,10 16048,90 0,00 0,00
Financiamento Líquido 54750,00 63876,65 2839,35 -7534,61 -18740,01 -18740,01 -18740,01 -18740,01 -16048,90 0,00 0,00
Cash-flow após financiamento 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 2691,11 18740,01 86964,16
136
Os problemas de tesouraria subsistem até ao Ano 7 e, por
conseguinte, a necessidade de utilizar empréstimos de curto prazo.
A partir do Ano 8 está assegurada a viabilidade financeira do
investimento, uma vez que os CFAF são positivos até ao final do
horizonte de planificação.
b) O VAL após financiamento reflecte os custos de financiamento
na viabilidade do investimento, obtendo-se por essa via a remuneração
dos capitais próprios investidos. Antes de se proceder ao seu cálculo, é
necessário corrigir o CF após financiamento, retirando-lhe o
financiamento com os capitais próprios.
VAL 6% = -32276,67 + 2691,11×1,06 -8 + 18740,01× 1,06 -9 + 86964,16 × 1,06 -10
VAL 6% = €29064,28
O VAL de €29064,28 indica-nos a rentabilidade dos capitais
próprios investidos para uma taxa de actualização de 6%. O valor superior
que se obtém relativamente aos €14720,04 antes de financiamento,
permite concluir, antecipadamente, que a TIR dos capitais próprios situar-
se-á acima dos 7,83% da TIR dos capitais totais investidos. Por exemplo,
se considerarmos as taxas de actualização i = 13% e i = 13,5% obtêm-se,
respectivamente, os seguintes VAL:
VAL13% = €592,51 e VAL13,5% = - €792,10
Sendo a TIR:
0,13 - TIR TIR - 0,135
= ⇒ TIR = 13,21%
592,51 - 0 0 - (-792,1)
137
Tendo em conta apenas os critérios de rentabilidade empresarial
do VAL e da TIR, pode concluir-se que o investimento continua a ser
rentável após o financiamento.
138