FACULDADE DE DIREITO DE SANTA MARIA – FADISMA Peso: 6 pontos
HERMENÊUTICA PROVA BIMESTRAL
Orientações:
Tempo para a realização da prova: das 10h20 às 12h20.
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1. Considerando as espécies e métodos clássicos de interpretação adotados pela hermenêutica
jurídica, assinale a opção correta. (0,5)
(A) A interpretação autêntica pressupõe que o sentido da norma é o fixado pelos operadores do direito, por
meio da doutrina e jurisprudência.
(B) A interpretação lógica se caracteriza por pressupor que a ordem das palavras e o modo como elas estão
conectadas são essenciais para se alcançar a significação da norma.
(C) A interpretação histórica se caracteriza pelo fato de que o significado da norma deve atender às
características sociais do período histórico em que é aplicada.
(D) A interpretação axiológica pressupõe uma unidade objetiva de fins determinados por valores que
coordenam o ordenamento, assim legitimando a aplicação da norma.
(E) A interpretação sistemática se caracteriza por pressupor que qualquer preceito normativo deverá ser
interpretado em harmonia com as diretrizes gerais do sistema, preservando-se a coerência do ordenamento.
2. A hermenêutica aplicada ao direito formula diversos modos de interpretação das leis. A
interpretação que leva em consideração principalmente os objetivos para os quais um diploma legal
foi criado é chamada de: (0,5)
(A) interpretação teleológica, pois o sentido da lei deve ser considerado à luz de seus objetivos.
(B) interpretação restritiva, por levar em conta apenas os objetivos da lei, ignorando sua estrutura gramatical.
(C) interpretação extensiva, por aumentar o conteúdo de significado das sentenças com seus objetivos
historicamente determinados.
(D) interpretação autêntica, pois apenas as finalidades da lei podem dar autenticidade à interpretação.
3. Considerando a previsão da distinção e da superação presente no Código de Processo Civil: (1,0)
I. Paralelamente à proteção da segurança jurídica, a necessidade de evolução da hermenêutica exige que
apenas súmulas, vinculantes ou não, sejam consideradas parâmetros para aplicação do sistema de
precedentes, sob pena de se imobilizar a exegese das normas.
II. O Código é marcado pelos princípios do contraditório permanente e obrigatório, da cooperação, do
máximo aproveitamento dos atos processuais, da primazia do julgamento de mérito e da excepcionalidade
dos recursos intermediários, entre outros.
III. O Código busca a segurança jurídica e a isonomia, reforçando o sistema de precedentes (stare decisis) e
estabelecendo como regra, no plano vertical, a observância dos precedentes e da jurisprudência e, no plano
horizontal, a estabilidade, a integridade e a coerência da jurisprudência.
IV. A distinção (distinguishing), a superação (overruling) e a superação para a frente, mediante modulação
dos efeitos (prospective overruling), são técnicas de adequação do sistema de precedentes às alterações
interpretativas da norma e às circunstâncias factuais postas sob exame dos juízes e dos tribunais.
IV.
(A) Estão corretas apenas as assertivas I e II.
(B) Estão corretas apenas as assertivas I, II e III.
(C) Estão corretas apenas as assertivas II, III e IV.
(D) Estão corretas todas as assertivas.
(E) Nenhuma assertiva está correta.
4. O raciocínio analógico é típico do pensamento jurídico. Esse é um tema debatido por vários
teóricos e filósofos do Direito. Para Norberto Bobbio, na obra Teoria do Ordenamento Jurídico,
trata-se de um método de autointegração do Direito. Assinale a opção que, segundo esse autor,
apresenta o conceito de analogia. (0,5)
(A) Subsunção de um caso (premissa menor) a uma norma jurídica (premissa maior) de forma a permitir
uma conclusão lógica e necessária.
(B) Raciocínio em que se produz, como efeito, a extensão de uma norma jurídica para casos não previstos
por esta.
(C) Existindo relevante semelhança entre dois casos, as consequências jurídicas atribuídas a um caso já
regulamentado deverão ser atribuídas também a um caso não-regulamentado.
(D) Decisão, por meio de recurso, às práticas sociais que sejam uniformes e continuadas e que possuam
previsão de necessidade jurídica.
5. A alegação de que a causa difere da anteriormente julgada em precedente vinculante, e a alegação
de que o referido precedente se encontra superado são denominadas, respectivamente, de: (0,5)
(A) Distinguishing e Agreement.
(B) Distinguishing e Overruling
(C) Distinguishing e Controlling Authority
(D) Leading Case e Overruling.
(E) Reversed by Statute e Controlling Authority
6. Sobre a interpretação das normas constitucionais, um dos temas que há vários anos permanece em
discussão é o da diferença entre regras e princípios, indo desde a proposta de Ronald Dworkin em
1967, passando pela ponderação de valores proposta por Robert Alexy na década de 1980, e
alcançando as práticas judiciais atuais no Brasil. Consoante aos autores Nery Jr. e Abboud (2017),
[...] de forma concomitante com o crescimento da importância da Constituição, a consolidação de sua
força normativa e a criação da jurisdição constitucional especializada (após a 2- Guerra Mundial),
consagrou-se, principalmente, pela revalorização dos princípios constitucionais [...]. Nery Jr, Nelson;
Abboud, Georges. Direito Constitucional Brasileiro: Curso Completo. São Paulo: RT, 2017, p. 124.
Diante disso, afirma-se que (1,0)
(A) a ponderação de valores não tem sido adotada pelo Poder Judiciário brasileiro.
(B) não há diferença entre regras e princípios.
(C) princípios são aplicáveis à maneira do "ou-tudo-ou-nada"
(D) o positivismo jurídico aceita a distinção entre regras e princípios.
(E) o Supremo Tribunal Federal tem adotado a máxima da proporcionalidade, ainda que não rigorosamente,
para a solução de colisão de princípios (por exemplo, voto do Ministro Luís Roberto Barroso no Habeas
Corpus 126.292 de 17/02/2016).
7. As constituições contemporâneas apresentam uma multifuncionalidade de normas. Com base nesta
afirmação é correto afirmar: (0,5)
I. Regras e princípios permitem compreender a constituição como um sistema aberto;
II. Regras e princípios são tipos de normas constitucionais e se aplicam a maneira do tudo ou nada;
III. Alexy justifica a racionalidade da ponderação de valores através do uso do princípio da
proporcionalidade, o qual envolve três outros subprincípios: princípio da adequação, princípio da
necessidade e princípio da proporcionalidade em sentido estrito.
IV. Em caso de conflito de regras, estas admitem a ponderação segundo o método proposto por Robert
Alexy;
(A) Todas as alternativas são corretas;
(B) As alternativas I e II são corretas;
(C) As alternativas II e IV são corretas;
(D) As alternativas I e III são corretas;
(E) As alternativas II, III e IV corretas.
8. Apenas há que se falar em fundamentação deficiente da decisão que houver deixado de realizar
distinção (distinguishing) em relação a precedente ou à sua superação (overruling) se houver
manifestação das partes nesse sentido. (0,5)
Certo ( ) Errado ( x )
9. Considere a seguinte assertiva. O constitucionalismo do segundo pós-guerra (após 1945) inaugura e
institucionaliza aquilo que vem sendo denominado de “a era dos princípios”, circunstância que é
amplamente reconhecida pela doutrina e jurisprudência constitucional. Nesse contexto, a interpretação
constitucional passou a assumir um papel de especial destaque no plano da jurisdição constitucional,
especialmente a partir da preocupação da teoria do direito e da Constituição em estabelecer
racionalidades interpretativas/argumentativas. Uma das correntes que tratam da interpretação
constitucional é, indubitavelmente, a Teoria da Argumentação Jurídica, do autor Robert Alexy e que, em
terras brasileiras, pode ser facilmente reconhecido pelas abundantes citações doutrinárias, tanto na
dogmática tradicional quanto na mais heterodoxa, assim como nas práticas de juízes e tribunais.
Efetivamente, os termos e os mecanismos, foram incorporados à linguagem dos juristas. Pode-se dizer,
assim, que, com sustento na teoria da argumentação delineada, a ponderação tem sido o mecanismo
utilizado cotidianamente para solucionar aquilo que, Robert Alexy, denomina de “colisão de princípios”.
Qual é a relação entre a proporcionalidade e a ponderação? (1,0)
O princípio da proporcionalidade atua, dentre as suas múltiplas funções, como pauta procedimental de
ponderação de interesses, e, como principal campo de atuação, nos direitos fundamentais.
O princípio da proporcionalidade é um instrumento de interpretação a ser utilizado na ponderação de
direitos em colisão.
Luiza Londero