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Diagnóstico de IVAS em Pediatria

O documento discute as principais infecções virais e bacterianas das vias aéreas superiores em crianças, incluindo o resfriado comum, gripe, amigdalite, herpangina e febre faringocunjuntival. É destacado que a infecção viral do trato respiratório superior é a principal causa de sibilância em lactentes.

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Marcel Marllony
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Diagnóstico de IVAS em Pediatria

O documento discute as principais infecções virais e bacterianas das vias aéreas superiores em crianças, incluindo o resfriado comum, gripe, amigdalite, herpangina e febre faringocunjuntival. É destacado que a infecção viral do trato respiratório superior é a principal causa de sibilância em lactentes.

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 É a principal causa de sibilância nos lactentes;

 Uma criança saudável tem de 6 a 8 episódios de IVAS nos 2 primeiros anos de vida;
o Se ela tiver fatores de risco (atopia, frequentar creche, hipertrofia de
adenoide, hipertrofia tonsilar, rinite, pais tabagistas e não for
amamentada) pode ter de 10 a 11 episódios.
 Anatomia das vias aéreas:
o Via aérea superior: nariz, orofaringe e seus anexos
(seios paranasais, ouvido, tonsilas palatinas e
tonsilas nasais). – Acima da laringe é infecção de
VAS.

 Infecção mais comum de VAS: Resfriado comum (que é o mesmo que


faringoamigdalite/rinofaringite viral).
o Pode ter comprometimento de tonsila ou não.

RESFRIADO X GRIPE:

RESFRIADO = rinofaringite viral:

 Agentes etiológicos: rinovírus, coronavírus, adenovírus, parainfluenza e vírus sincicial


respiratório;
 Dura cerca de 2-4 dias no máximo;
 Não compromete o estado geral do paciente;
 Paciente permanece BEG;
 Não há prostração, astenia, mialgia e artralgia.
 Cefaleia é rara;
 Há um comprometimento localizado de via aérea superior: coriza hialina e obstrução nasal.
 Apresenta tosse;
 Odinofagia (quando há comprometimento de faringe e tonsilas);
 Pode apresentar febre baixa (<38,5º).
 Rinoscopia: Hiperemia e edema de coanos e rinorreia mucoide
 Oroscopia: hiperemia da mucosa, principalmente da parede faríngea

GRIPE:

 Agentes etiológicos: Influenza A e Influenza B (há também H1N1, H1N3  são mais virulentos e
podem evoluir com complicações – síndrome respiratória aguda grave – podendo levar a síndrome de
angustia respiratória e insuficiência respiratória);
 Também pode ser considerado uma rinofaringite viral + manifestação sistêmica;
 Dura cerca de 1 semana (duração maior do que um resfriado comum);
 Apresenta tosse e coriza;
 Pode apresentar odinofagia;
 Manifestação sistêmica (sempre na gripe, diferente do resfriado):
 Prostração, indisposição;
G13, G16 e G18
 Febre alta (>39º);
 Artralgia, mialgia, astenia;
 Cefaleia;
 Rinoscopia: hiperemia de coanos;
 Oroscopia: hiperemia de orofaringe;

AMIGDALITE:

o Comprometimento das tonsilas palatinas (hiperemia e edema);


o Pode apresentar febre alta, sialorreia (não consegue engolir a própria saliva devido a odinofagia).
o <2 anos de idade: etiologia viral
 A bacteriana não acontece, pois ela precisa se apresentar ao linfócito que está na tonsila
(existência do epítopo e apresentação à face antigênica). Esse processo não acontece em
crianças menores de 2 anos por imaturidade do sistema imunológico. Logo, não há adesão e
proliferação bacteriana.
 Uma exceção são crianças institucionalizadas (que frequentam creches ou com muitos irmãos
pequenos em casa na idade <5 anos) que eventualmente, após os 18 meses, podem até
evoluir com uma amigdalite bacteriana.

HERPANGINA:

 Agente etiológico: Coxsackie do grupo A (enterovírus) – agente que também pode se


apresentar com a síndrome exantemática mão-pé-boca;
 Geralmente acomete crianças < 4 anos e principalmente < 2 anos;
 É um tipo comum de amigdalite na infância;
 Quadro clínico:
 Febre alta;
 Odinofagia (dor de gargante);
 Na oroscopia pode ter edema e ulcerações (<0,5cm) que acompanham o pilar e as
tonsilas (não há comprometimento do palato e nem de língua).
 Tratamento: sintomático (analgésico ou antitérmico – ibuprofeno, dipirona e paracetamol) +
dieta pastosa (pois deglutir pode ser difícil devido às ulcerações) + hidratação.

OBS.: O Coxsackie do grupo B pode dar infecção de vias aéreas e desenvolver quadros respiratórios. Apresenta sintomas
de resfriado comum (obstrução nasal, coriza e odinofagia) e ulcerações. Ele pode levar a uma complicação (cerca de
5% dos casos) que é a miocardite viral (tropismo pela célula muscular) e o seu quadro pode se apresentar com
claudicação com dor na panturrilha (miosite viral).

Quando suspeitar dessa complicação? Criança com quadro de resfriado comum (febre, obstrução
nasal, coriza e odinofagia) + sopro sistólico suave na ausculta + taquicardia sinusal. Conduta: administrar
antitérmico e avaliar a criança sem febre (já que essa pode ser uma causa de taquicardia). Caso a taquicardia

persista, podemos estar em frente a um quadro que esteja evoluindo para miocardite viral.

G13, G16 e G18


GENGIVOESTOMATITE HERPÉTICA:

 Agente etiológico: herpes vírus 6;


 Comprometimento obrigatório de: gengiva, língua, tonsilas e palato;
 Grande diagnóstico diferencial de Herpangina e outras IVAS;
 Quadro clínico:
 Lesões maiores do que no quadro de herpangina e geralmente são
friáveis;
 Muita dor;
 Febre muito alta.

Em crianças que possuem predisposição à convulsão febril, o herpes vírus 6B é mais perigoso, pois eleva a muito a
temperatura, muito rápido, e sustenta-a ainda que seja administrado antitérmico. Logo, esse vírus pode se relacionar
à convulsão febril em crianças predispostas, principalmente em sua forma exantemática;

Quando não há acometimento da orofaringe pode apresentar uma febre que dura cerca de 48 horas ininterrupta (em
crise) e muito alta. Quando passa esse período ela cessa de forma brusca e aparece um exantema maculopapular –
conhecido como exantema súbito ou roséola.

FEBRE FARINGOCONJUNTIVAL

 Agente etiológico: adenovírus sorotipo 3;

Quadro clínico clássico:

 Febre moderada-alta;
 Odinofagia intensa;
 Hiperemia e congestão conjuntival
intensa;
 Hiperemia de orofaringe;
 Edema de tonsila;
 Exsudato esbranquiçado.

Tratamento: sintomático (analgésico ou antitérmico – ibuprofeno, dipirona e paracetamol) + dieta pastosa (pois
deglutir pode ser difícil devido às ulcerações) + lavagem do olho com soro fisiológico.

AMIGDALITE BACTERIANA

 Agente etiológico mais comum: estreptococo betahemolítico do


grupo A;
 Faixa etária: 3-15 anos de idade;
Quadro clinico:
 Exsudato;
 Sinal de Forchheimer: Petéquias na transição entre o palato duro e
mole;
o Esse sinal também pode aparecer em amigdalites virais (herpangina,
rubéola);
 Febre alta ou não;
 Odinofagia;
 Sinais de toxemia: prostração, artralgia, mialgia;
 Adenomegalia;
 Doença exantemática associada: escarlatina
 Rash micropapular
 Sinal de pastia: exacerbação do exantema em dobras (axila, prega cubital);
 Sinal de Filatov: palidez peri-oral.
G13, G16 e G18
 Conduta: manter o ATB e explicar ao responsável que essa é apenas uma complicação
da doença de base e o quadro será resolvido com o antibiótico.
 Strep. Betaemolítico do grupo A também pode evoluir com glomerulonefrite difusa aguda
(geralmente 3 semanas após) e febre reumática.
Tratamento:
 Penicilina benzatina (DU, 50.000U/kg ou <10 kg – 300.000 U ou de 10-25kg – 600.000
U ou >25kg – 1.200.000 U);
 Amoxicilina 50mg/kg/dia por 7 dias.

OBS.: Exsudato não é patognomônico de amigdalite bacteriana.

MONONUCLEOSE:

 Diagnóstico diferencial de amigdalite bacteriana;


 Quadro clínico:
 Exsudato
 Sinal de Forchheimer
 Adenomegalia
 Esplenomegalia (mais comum) ou hepatoesplenomegalia;
 Sinal de Roland (?): edema periorbitário bilateral (30% dos
pacientes evoluem assim);
 Exantema – 6º dia de infecção geralmente.
 Solicitar sorologia (em torno de 48 a 72 horas para ter o resultado) – não dá para esperar o
exame para dar diagnóstico.
 Não deve ser administrada penicilina, pois precipita o exantema
 O tratamento é sintomático.

Na dúvida...

Não consegue diferenciar na orofaringe se é amigdalite bacteriana ou mononucleose? Realizar exame físico
detalhado para identificar se há esplenomegalia (acontece em 50% dos casos de mononucleose) e edema
periorbitário.

HEMOGRAMA:

- Amigdalite bacteriana: leucocitose com neutrofilia – desvio a esquerda (aumento de seguimentados


e pode surgir bastonetes).

- Mononucleose: linfocitose com atipia linfocitária.

TRANSAMINASES (ALT, AST, gama GT): alterados discretamente na mononucleose

Há a possibilidade de realizar um Strepto Enzyme Test que consiste em um swab que é passado na orofaringe e o
resultado sai em cerca de 30 minutos. Mas não é a realidade de muito locais.

OBS.: Tratamento da amigdalite bacteriana: penicilina (benzatina ou amoxicilina). Não deve ser feito na
mononucleose pois precipita o exantema que deveria aparecer apenas no sexto dia de infecção (IATROGENIA). Nesse
caso, o exantema da mononucleose pode fazer diagnóstico diferencial com escarlatina.

LEMBRAR: Escarlatina pode aparecer como uma manifestação exantemática com rash micropapular na amigdalite
bacteriana. Sinais de diferenciação clínica: Sinal de Pastia e Filatov.

G13, G16 e G18


OTITE:

o Externa: conduto auditivo externo;


 Otite do nadador
 Agente etiológico:
 Fúngico
o Aspecto bolhoso e unilateral.
 Bacteriano
o Edema mais acentuado, comprometimento geralmente
unilateral e exsudato purulento.
 Viral
o Hiperemia e edema do conduto com preservação do
tímpano e é bilateral.
 Não há comprometimento timpânico:
 Reflexo luminoso preservado
 Não há opacificação e abaulamento
 Quadro clínico autolimitado e restrito.
 Não há comprometimento do estado geral.
 Cursa com muita dor (otalgia) e desconforto.
 Tratamento:
 Analgesia oral ou gota otológica de lidocaína (tópica).
 Fator de risco (imunossupressão) ou manutenção do quadro por 72 horas:
o Solução otológica com antifúngico (polimixina B) ou antibiótico (cipro ou
neomicina – gram + e -) ou corticoide (hidrocortisona) ou lidocaína que
analgesia o conduto
o Média: acomete ouvido médio.
 Fisiopatologia:
 Infecção por pneumococo (1º), H. influenza (2º) e moraxella catarrhalis (3º)
 H. influenza e Moraxella: Gram –
 Pneumococo: Gram +
 Alguns haemofilus encapsulados e moraxella são produtores de betalactamase.
 Na OMA há acúmulo de secreção levando a abaulamento e opacificação do tímpano
(ausência do reflexo luminoso) – imagem típica.
 A vascularização no ouvido médio é pouca, dificultando o tratamento. Para que um
antibiótico faça efeito ele precisa atingir uma concentração inibitória mínima
(concentração capaz de debelar 50% a população bacteriana) e no ouvido isso é
dificultado.
 Tratamento
 Amoxicilina – dose dobrada (80-90mg/kg/dia) por 10 dias;
o Pode ser associado a Clavulanato e ai a dosagem é de 50mg/kg/dia, mas
preferencialmente é melhor usar dose dobrada.
 Ampicilina 200mg/kg/dia por 10 dias;
o Pode ser associado ao Sulbactam.
 Em casos de quadro associado a muitos vômitos e episódios recorrentes de OMA:
 Cefalosporina de 2ª geração: acetilcefuroxima
 Cefalosporina de 3ª geração, IM, DU por 3 dias seguidos: Ceftriaxone (em casos de
prostração acentuada)

OBS.: Fatores de risco para OMA recorrente: anatomia da tuba auditiva (menor tamanho e mais
horizontalizada – tomar mamadeira deitada é fator de risco), anel de waldeyer hipertrofiado, criança
institucionalizada e irmão de <5 anos.
G13, G16 e G18
Nesses casos o dreno Shepard pode ser utilizado para drenar o acumulo de secreção.

 Se paciente com alergia a amoxicilina e cefalosporina: pode ser utilizado macrolídeo


(azitromicina, eritromicina e claritromicina)
 Complicação:
 Otite média secretora
 Mastoidite
o Abaulamento na região retroauricular na localização do osso mastoide
o É necessário realizar TC
o Tratamento:
 Internação + ATB EV (Cefalosporina de terceira geração)
 Meningite bacteriana
o Quadro: irritabilidade, febre não cessa, vômitos e cefaleia
 Colesteatoma (raro)
o Tratamento cirúrgico

RINOSSINUSITES:

o Diagnóstico CLÍNICO.
o Principal sintoma: tosse (pelo gotejamento nasal para a rinofaringe estimula os receptores
tussígenos);
o Rx de seios da face não é indicado pois abaixo dos 7 anos os seios nasais não são aerados, logo não
tem serventia, pois não tem como diferenciar o branco do osso com o branco da secreção.
o 75% dos casos são virais
 Quadro clínico:
 Inicia com um quadro de resfriado comum
o Autolimitado e melhora em cerca de 2-4 ou 5 dias
o Tosse, rinorreia
o Oroscopia: visualização de gotejamento nasal posterior
o Na primeira semana não é possível fazer diagnostico diferencial entre resfriado e
rinosinusite.
o Conduta: lavagem nasal, hidratação e se febre administrar antitérmico.
 Criança entra na segunda semana de evolução  pensar em rinosinusite bacteriana
RINOSINUSITE BACTERIANA: quadro clinico
 Iniciou com quadro de resfriado comum com febre cessando no final da primeira semana de
evolução do quadro, mas continua com tosse. Lá para o 8º dia de evolução volta a ter febre
 pensar em causa bacteriana. Geralmente há mais secreção retrofaríngea e prostração.
 Agentes etiológicos mais comuns: Infecção por pneumococo (1º), H. influenza (2º) e
moraxella catarrhalis (3º).
o Tratamento:
 Amoxicilina – dose dobrada (80-90mg/kg/dia) por 10 dias
o Pode ser associado a Clavulanato e ai a dosagem é de 50mg/kg/dia
 Ampicilina 200mg/kg/dia por 10 dias
o Pode ser associado ao Sulbactam
o COMPLICAÇÕES (por tratamento falho):
 Meningite (bacteriana);
 Trombose do seio sagital/cavernoso (raro);
 Contato do seio etimoidal e esfenoidal com o seio sagital;
 Essa trombose pode evoluir com celulite periorbitária.

RESUMO POR LARISSA NE GRÃO (EDIÇÃO: VALENTE)

G13, G16 e G18

G13, G16 e G18 
 
 PediatriaINFECÇÕES DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES
 
É a principal causa de sibilância nos lactentes; 
 
Uma
G13, G16 e G18 
 
 
Febre alta (>39º);  
 
Artralgia, mialgia, astenia; 
 
Cefaleia; 
 
Rinoscopia: hiperemia de coanos;
G13, G16 e G18 
 
GENGIVOESTOMATITE HERPÉTICA: 
 Agente etiológico: herpes vírus 6; 
 Comprometimento obrigatório de: gengi
G13, G16 e G18 
 
 
Conduta: manter o ATB e explicar ao responsável que essa é apenas uma complicação 
da doença de base e o
G13, G16 e G18 
 
OTITE: 
o Externa: conduto auditivo externo; 
 
Otite do nadador 
 
Agente etiológico:  
 
Fúngico 
o As
G13, G16 e G18 
 
Nesses casos o dreno Shepard pode ser utilizado para drenar o acumulo de secreção. 
 
Se paciente com aler

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