É a principal causa de sibilância nos lactentes;
Uma criança saudável tem de 6 a 8 episódios de IVAS nos 2 primeiros anos de vida;
o Se ela tiver fatores de risco (atopia, frequentar creche, hipertrofia de
adenoide, hipertrofia tonsilar, rinite, pais tabagistas e não for
amamentada) pode ter de 10 a 11 episódios.
Anatomia das vias aéreas:
o Via aérea superior: nariz, orofaringe e seus anexos
(seios paranasais, ouvido, tonsilas palatinas e
tonsilas nasais). – Acima da laringe é infecção de
VAS.
Infecção mais comum de VAS: Resfriado comum (que é o mesmo que
faringoamigdalite/rinofaringite viral).
o Pode ter comprometimento de tonsila ou não.
RESFRIADO X GRIPE:
RESFRIADO = rinofaringite viral:
Agentes etiológicos: rinovírus, coronavírus, adenovírus, parainfluenza e vírus sincicial
respiratório;
Dura cerca de 2-4 dias no máximo;
Não compromete o estado geral do paciente;
Paciente permanece BEG;
Não há prostração, astenia, mialgia e artralgia.
Cefaleia é rara;
Há um comprometimento localizado de via aérea superior: coriza hialina e obstrução nasal.
Apresenta tosse;
Odinofagia (quando há comprometimento de faringe e tonsilas);
Pode apresentar febre baixa (<38,5º).
Rinoscopia: Hiperemia e edema de coanos e rinorreia mucoide
Oroscopia: hiperemia da mucosa, principalmente da parede faríngea
GRIPE:
Agentes etiológicos: Influenza A e Influenza B (há também H1N1, H1N3 são mais virulentos e
podem evoluir com complicações – síndrome respiratória aguda grave – podendo levar a síndrome de
angustia respiratória e insuficiência respiratória);
Também pode ser considerado uma rinofaringite viral + manifestação sistêmica;
Dura cerca de 1 semana (duração maior do que um resfriado comum);
Apresenta tosse e coriza;
Pode apresentar odinofagia;
Manifestação sistêmica (sempre na gripe, diferente do resfriado):
Prostração, indisposição;
G13, G16 e G18
Febre alta (>39º);
Artralgia, mialgia, astenia;
Cefaleia;
Rinoscopia: hiperemia de coanos;
Oroscopia: hiperemia de orofaringe;
AMIGDALITE:
o Comprometimento das tonsilas palatinas (hiperemia e edema);
o Pode apresentar febre alta, sialorreia (não consegue engolir a própria saliva devido a odinofagia).
o <2 anos de idade: etiologia viral
A bacteriana não acontece, pois ela precisa se apresentar ao linfócito que está na tonsila
(existência do epítopo e apresentação à face antigênica). Esse processo não acontece em
crianças menores de 2 anos por imaturidade do sistema imunológico. Logo, não há adesão e
proliferação bacteriana.
Uma exceção são crianças institucionalizadas (que frequentam creches ou com muitos irmãos
pequenos em casa na idade <5 anos) que eventualmente, após os 18 meses, podem até
evoluir com uma amigdalite bacteriana.
HERPANGINA:
Agente etiológico: Coxsackie do grupo A (enterovírus) – agente que também pode se
apresentar com a síndrome exantemática mão-pé-boca;
Geralmente acomete crianças < 4 anos e principalmente < 2 anos;
É um tipo comum de amigdalite na infância;
Quadro clínico:
Febre alta;
Odinofagia (dor de gargante);
Na oroscopia pode ter edema e ulcerações (<0,5cm) que acompanham o pilar e as
tonsilas (não há comprometimento do palato e nem de língua).
Tratamento: sintomático (analgésico ou antitérmico – ibuprofeno, dipirona e paracetamol) +
dieta pastosa (pois deglutir pode ser difícil devido às ulcerações) + hidratação.
OBS.: O Coxsackie do grupo B pode dar infecção de vias aéreas e desenvolver quadros respiratórios. Apresenta sintomas
de resfriado comum (obstrução nasal, coriza e odinofagia) e ulcerações. Ele pode levar a uma complicação (cerca de
5% dos casos) que é a miocardite viral (tropismo pela célula muscular) e o seu quadro pode se apresentar com
claudicação com dor na panturrilha (miosite viral).
Quando suspeitar dessa complicação? Criança com quadro de resfriado comum (febre, obstrução
nasal, coriza e odinofagia) + sopro sistólico suave na ausculta + taquicardia sinusal. Conduta: administrar
antitérmico e avaliar a criança sem febre (já que essa pode ser uma causa de taquicardia). Caso a taquicardia
persista, podemos estar em frente a um quadro que esteja evoluindo para miocardite viral.
G13, G16 e G18
GENGIVOESTOMATITE HERPÉTICA:
Agente etiológico: herpes vírus 6;
Comprometimento obrigatório de: gengiva, língua, tonsilas e palato;
Grande diagnóstico diferencial de Herpangina e outras IVAS;
Quadro clínico:
Lesões maiores do que no quadro de herpangina e geralmente são
friáveis;
Muita dor;
Febre muito alta.
Em crianças que possuem predisposição à convulsão febril, o herpes vírus 6B é mais perigoso, pois eleva a muito a
temperatura, muito rápido, e sustenta-a ainda que seja administrado antitérmico. Logo, esse vírus pode se relacionar
à convulsão febril em crianças predispostas, principalmente em sua forma exantemática;
Quando não há acometimento da orofaringe pode apresentar uma febre que dura cerca de 48 horas ininterrupta (em
crise) e muito alta. Quando passa esse período ela cessa de forma brusca e aparece um exantema maculopapular –
conhecido como exantema súbito ou roséola.
FEBRE FARINGOCONJUNTIVAL
Agente etiológico: adenovírus sorotipo 3;
Quadro clínico clássico:
Febre moderada-alta;
Odinofagia intensa;
Hiperemia e congestão conjuntival
intensa;
Hiperemia de orofaringe;
Edema de tonsila;
Exsudato esbranquiçado.
Tratamento: sintomático (analgésico ou antitérmico – ibuprofeno, dipirona e paracetamol) + dieta pastosa (pois
deglutir pode ser difícil devido às ulcerações) + lavagem do olho com soro fisiológico.
AMIGDALITE BACTERIANA
Agente etiológico mais comum: estreptococo betahemolítico do
grupo A;
Faixa etária: 3-15 anos de idade;
Quadro clinico:
Exsudato;
Sinal de Forchheimer: Petéquias na transição entre o palato duro e
mole;
o Esse sinal também pode aparecer em amigdalites virais (herpangina,
rubéola);
Febre alta ou não;
Odinofagia;
Sinais de toxemia: prostração, artralgia, mialgia;
Adenomegalia;
Doença exantemática associada: escarlatina
Rash micropapular
Sinal de pastia: exacerbação do exantema em dobras (axila, prega cubital);
Sinal de Filatov: palidez peri-oral.
G13, G16 e G18
Conduta: manter o ATB e explicar ao responsável que essa é apenas uma complicação
da doença de base e o quadro será resolvido com o antibiótico.
Strep. Betaemolítico do grupo A também pode evoluir com glomerulonefrite difusa aguda
(geralmente 3 semanas após) e febre reumática.
Tratamento:
Penicilina benzatina (DU, 50.000U/kg ou <10 kg – 300.000 U ou de 10-25kg – 600.000
U ou >25kg – 1.200.000 U);
Amoxicilina 50mg/kg/dia por 7 dias.
OBS.: Exsudato não é patognomônico de amigdalite bacteriana.
MONONUCLEOSE:
Diagnóstico diferencial de amigdalite bacteriana;
Quadro clínico:
Exsudato
Sinal de Forchheimer
Adenomegalia
Esplenomegalia (mais comum) ou hepatoesplenomegalia;
Sinal de Roland (?): edema periorbitário bilateral (30% dos
pacientes evoluem assim);
Exantema – 6º dia de infecção geralmente.
Solicitar sorologia (em torno de 48 a 72 horas para ter o resultado) – não dá para esperar o
exame para dar diagnóstico.
Não deve ser administrada penicilina, pois precipita o exantema
O tratamento é sintomático.
Na dúvida...
Não consegue diferenciar na orofaringe se é amigdalite bacteriana ou mononucleose? Realizar exame físico
detalhado para identificar se há esplenomegalia (acontece em 50% dos casos de mononucleose) e edema
periorbitário.
HEMOGRAMA:
- Amigdalite bacteriana: leucocitose com neutrofilia – desvio a esquerda (aumento de seguimentados
e pode surgir bastonetes).
- Mononucleose: linfocitose com atipia linfocitária.
TRANSAMINASES (ALT, AST, gama GT): alterados discretamente na mononucleose
Há a possibilidade de realizar um Strepto Enzyme Test que consiste em um swab que é passado na orofaringe e o
resultado sai em cerca de 30 minutos. Mas não é a realidade de muito locais.
OBS.: Tratamento da amigdalite bacteriana: penicilina (benzatina ou amoxicilina). Não deve ser feito na
mononucleose pois precipita o exantema que deveria aparecer apenas no sexto dia de infecção (IATROGENIA). Nesse
caso, o exantema da mononucleose pode fazer diagnóstico diferencial com escarlatina.
LEMBRAR: Escarlatina pode aparecer como uma manifestação exantemática com rash micropapular na amigdalite
bacteriana. Sinais de diferenciação clínica: Sinal de Pastia e Filatov.
G13, G16 e G18
OTITE:
o Externa: conduto auditivo externo;
Otite do nadador
Agente etiológico:
Fúngico
o Aspecto bolhoso e unilateral.
Bacteriano
o Edema mais acentuado, comprometimento geralmente
unilateral e exsudato purulento.
Viral
o Hiperemia e edema do conduto com preservação do
tímpano e é bilateral.
Não há comprometimento timpânico:
Reflexo luminoso preservado
Não há opacificação e abaulamento
Quadro clínico autolimitado e restrito.
Não há comprometimento do estado geral.
Cursa com muita dor (otalgia) e desconforto.
Tratamento:
Analgesia oral ou gota otológica de lidocaína (tópica).
Fator de risco (imunossupressão) ou manutenção do quadro por 72 horas:
o Solução otológica com antifúngico (polimixina B) ou antibiótico (cipro ou
neomicina – gram + e -) ou corticoide (hidrocortisona) ou lidocaína que
analgesia o conduto
o Média: acomete ouvido médio.
Fisiopatologia:
Infecção por pneumococo (1º), H. influenza (2º) e moraxella catarrhalis (3º)
H. influenza e Moraxella: Gram –
Pneumococo: Gram +
Alguns haemofilus encapsulados e moraxella são produtores de betalactamase.
Na OMA há acúmulo de secreção levando a abaulamento e opacificação do tímpano
(ausência do reflexo luminoso) – imagem típica.
A vascularização no ouvido médio é pouca, dificultando o tratamento. Para que um
antibiótico faça efeito ele precisa atingir uma concentração inibitória mínima
(concentração capaz de debelar 50% a população bacteriana) e no ouvido isso é
dificultado.
Tratamento
Amoxicilina – dose dobrada (80-90mg/kg/dia) por 10 dias;
o Pode ser associado a Clavulanato e ai a dosagem é de 50mg/kg/dia, mas
preferencialmente é melhor usar dose dobrada.
Ampicilina 200mg/kg/dia por 10 dias;
o Pode ser associado ao Sulbactam.
Em casos de quadro associado a muitos vômitos e episódios recorrentes de OMA:
Cefalosporina de 2ª geração: acetilcefuroxima
Cefalosporina de 3ª geração, IM, DU por 3 dias seguidos: Ceftriaxone (em casos de
prostração acentuada)
OBS.: Fatores de risco para OMA recorrente: anatomia da tuba auditiva (menor tamanho e mais
horizontalizada – tomar mamadeira deitada é fator de risco), anel de waldeyer hipertrofiado, criança
institucionalizada e irmão de <5 anos.
G13, G16 e G18
Nesses casos o dreno Shepard pode ser utilizado para drenar o acumulo de secreção.
Se paciente com alergia a amoxicilina e cefalosporina: pode ser utilizado macrolídeo
(azitromicina, eritromicina e claritromicina)
Complicação:
Otite média secretora
Mastoidite
o Abaulamento na região retroauricular na localização do osso mastoide
o É necessário realizar TC
o Tratamento:
Internação + ATB EV (Cefalosporina de terceira geração)
Meningite bacteriana
o Quadro: irritabilidade, febre não cessa, vômitos e cefaleia
Colesteatoma (raro)
o Tratamento cirúrgico
RINOSSINUSITES:
o Diagnóstico CLÍNICO.
o Principal sintoma: tosse (pelo gotejamento nasal para a rinofaringe estimula os receptores
tussígenos);
o Rx de seios da face não é indicado pois abaixo dos 7 anos os seios nasais não são aerados, logo não
tem serventia, pois não tem como diferenciar o branco do osso com o branco da secreção.
o 75% dos casos são virais
Quadro clínico:
Inicia com um quadro de resfriado comum
o Autolimitado e melhora em cerca de 2-4 ou 5 dias
o Tosse, rinorreia
o Oroscopia: visualização de gotejamento nasal posterior
o Na primeira semana não é possível fazer diagnostico diferencial entre resfriado e
rinosinusite.
o Conduta: lavagem nasal, hidratação e se febre administrar antitérmico.
Criança entra na segunda semana de evolução pensar em rinosinusite bacteriana
RINOSINUSITE BACTERIANA: quadro clinico
Iniciou com quadro de resfriado comum com febre cessando no final da primeira semana de
evolução do quadro, mas continua com tosse. Lá para o 8º dia de evolução volta a ter febre
pensar em causa bacteriana. Geralmente há mais secreção retrofaríngea e prostração.
Agentes etiológicos mais comuns: Infecção por pneumococo (1º), H. influenza (2º) e
moraxella catarrhalis (3º).
o Tratamento:
Amoxicilina – dose dobrada (80-90mg/kg/dia) por 10 dias
o Pode ser associado a Clavulanato e ai a dosagem é de 50mg/kg/dia
Ampicilina 200mg/kg/dia por 10 dias
o Pode ser associado ao Sulbactam
o COMPLICAÇÕES (por tratamento falho):
Meningite (bacteriana);
Trombose do seio sagital/cavernoso (raro);
Contato do seio etimoidal e esfenoidal com o seio sagital;
Essa trombose pode evoluir com celulite periorbitária.
RESUMO POR LARISSA NE GRÃO (EDIÇÃO: VALENTE)
G13, G16 e G18