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Guia Prático sobre Divórcio Amigável

O divórcio legal rompe o vínculo do casamento civil. O processo pode envolver questões como pensão alimentícia, guarda dos filhos e divisão de bens. Em alguns países, o divórcio amigável pode ser realizado em cartório de forma simplificada, sem necessidade de ir à justiça. A anulação reconhece que o casamento foi inválido desde o início.

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Teo Silva
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Guia Prático sobre Divórcio Amigável

O divórcio legal rompe o vínculo do casamento civil. O processo pode envolver questões como pensão alimentícia, guarda dos filhos e divisão de bens. Em alguns países, o divórcio amigável pode ser realizado em cartório de forma simplificada, sem necessidade de ir à justiça. A anulação reconhece que o casamento foi inválido desde o início.

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O divórcio (do termo latino divortium, derivado de divertĕre, "separar-se") é o rompimento

legal e definitivo do vínculo de casamento civil.[1] O processo legal de divórcio pode


envolver questões como atribuição de pensão de alimentos, regulação de poder paternal,
relação ou partilha de bens, regulação de casa de morada de família, embora estes acordos
sejam complementares ao processo principal.

Em algumas jurisdições, não é exigida a invocação da culpa do outro cônjuge. Ainda assim,
mesmo nos ordenamentos jurídicos que adaptaram o sistema do divórcio "sem culpa", é
tido em conta o comportamento das partes na partilha dos bens, regulação do poder
paternal, e atribuição de alimentos.

Na maioria das jurisdições, o divórcio carece de ser emitido ou certificado por um tribunal
para surtir efeito, onde pode ser bastante estressante e caro a litigância. Outras abordagens
alternativas, como a mediação e divórcio colaborativo podem ser um caminho mais
assertivo. Em alguns países, como Portugal e Brasil, o divórcio amigável pode até ser
realizado numa conservatória de registo civil (Portugal) ou tabelionato de notas (Brasil),
simplificando bastante o processo.

A anulação não é uma forma de divórcio, mas apenas o reconhecimento, seja a nível
religioso, seja civil da falha das disposições no momento do consentimento, o que tornou o
casamento inválido; reconhecer o casamento nulo é a mesma coisa que reconhecer que
nunca tenha existido.

Num divórcio, o destino dos bens do casal fica sujeito ao regime de bens adotado na altura
do casamento, e que geralmente em todos os países são: separação de bens, bens
adquiridos, ou comunhão de adquiridos.

Os países onde mais ocorrem pedidos de rompimento do matrimônio são: Estados Unidos,
Dinamarca e Bélgica, com índices entre 55% e 65%. Em contraponto, os países com menos
incidência de separação são países extremamente católicos como República da Irlanda e
Itália, com números abaixo de 10%. Atualmente, apenas as Filipinas e o Vaticano não
permitem o divórcio em seu sistema legal. Por outro lado, em maio de 2011, Malta votou a
favor da inclusão do divórcio em sua legislação por meio de um referendo não vinculante,
aprovando posteriormente sua legalização no Parlamento durante o mês de julho, sendo o
último país do mundo em legalizá-lo depois do Chile (que o aprovou em 2004).[2][3] No
Parlamento das Filipinas, entretanto, um debate sobre uma lei potencial que incorpora em
seu sistema legal começou no final do primeiro semestre de 2011.[4]
Há uma forma de prevenir o desgaste no final do casamento?
Quando você decide se casar, tem de escolher qual é o regime de bens que vai adotar.
Converse com o parceiro para evitar estresse caso seu relacionamento chegue ao fim.

Veja as opções:

Comunhão parcial de bens: dividirão de forma equivalente apenas o que tiverem comprado
durante os anos de casados.
Comunhão total de bens: todo o patrimônio dos dois será dividido no final do casamento.
Separação total de bens: os bens pertencem a quem os comprou.
Existe diferença entre separação e divórcio?
Só o divórcio acaba com o casamento, liberando os envolvidos para novo matrimônio. Não é
mais necessário passar pelo período de separação antes de pedir o divórcio. Se um casal se
separar e decidir retomar o relacionamento, o casamento pode ser mantido. Quem se
divorcia e se arrepende tem de se casar outra vez!

Quais os direitos de quem apenas mora junto?


De acordo com a legislação brasileira, esta relação é chamada de “união estável”. Os
direitos são quase os mesmos de quem é casado. Mas é preciso provar a união mostrando
que havia: 1) coabitação – que é a relação sexual, 2) fidelidade, 3) lar conjugal – devem
morar juntos, mostrar à sociedade que são casados (dividir as despesas, apresentar-se como
esposa e esposo). Nesses casos, há partilha de bens adquiridos durante a união, pensão por
morte e pensão alimentícia.

Custa muito caro se divorciar?


O valor pago para o advogado depende do patrimônio do casal. Dependendo da renda
familiar, há a possibilidade de solicitar o trabalho da defensoria pública dos Estados, que é
uma instituição que presta assistência jurídica gratuita para pessoas que não podem pagar.
Em São Paulo, por exemplo, é preciso comprovar que a renda familiar é inferior a cinco
salários mínimos.

O que preciso fazer e quais documentos são necessários para iniciar o divórcio?
Primeiro de tudo, conversar com seu parceiro. Se vocês decidirem que realmente é
impossível continuarem juntos, é importante que tentem fazer isso de maneira tranquila.
Procure um advogado especializado em direito civil, que encaminhará o pedido de divórcio
ao cartório. São necessários os seguintes documentos:

Certidão de casamento.
RG e CPF dos cônjuges.
Comprovante de residência.
Certidão de nascimento dos filhos.
Se houver bens a serem divididos, todas as certidões de propriedade dos imóveis e outros
documentos que comprovem os bens, como documentos de carros.
Não é necessário reunir notas fiscais dos móveis da casa.
O processo de divórcio é demorado?
Os divórcios chamados de consensuais ou amigáveis, em que não há disputa de bens,
podem ser feitos em cartório e normalmente acontecem no mesmo dia, mas desde que
não existam filhos menores de 18 anos ou incapazes. Se houver disputa de guarda dos
filhos, o processo dura de três a cinco anos.

Se o cônjuge carregar o sobrenome do parceiro, ele mudará automaticamente após o


divórcio?
Essa mudança precisa ser solicitada na entrada do pedido de divórcio. Há casos em que,
mesmo após o divórcio, uma parte pode continuar a usar o sobrenome da outra. Isso só
acontece se o juiz entender, por exemplo, que a perda do sobrenome trará prejuízos para a
vida profissional da pessoa.

Como decidir com quem ficam as crianças?


A guarda fica com quem tiver melhores condições de cuidar da criança. E isso não envolve
somente dinheiro. Contam para a decisão do juiz: estrutura psicológica, emocional, familiar,
disponibilidade de tempo para a criança. A opinião dos filhos só conta a partir dos 12 anos
de idade. Mesmo assim, o juiz vai avaliar todos os outros itens mencionados antes de tomar
a decisão. Veja aqui quais são os diferentes tipos de guarda.

O que fazer com dívidas adquiridas no casamento?


As dívidas contraídas durante o casamento deverão ser pagas pelos dois. Mas, dependendo
da situação, podem ser compensadas. Por exemplo: um cônjuge fica com o imóvel, mas
deve entregar ao outro o valor da parte já paga e assumir o resto da dívida sozinho.

Como agir quando uma das partes não aceita assinar os papéis de divórcio de forma
amigável?
Ninguém pode segurar alguém dizendo que não concorda com o divórcio. Para estes casos
existem as ações litigiosas, em que o juiz concederá o divórcio por sentença. Só que é
demorado.

Como decidir com quem ficam os animais de estimação?


Não há lei específica para isso. Legalmente, o animal é um bem móvel, assim como a
geladeira e o sofá. Para decidir com quem o bichinho irá ficar, ou se fica um período com a
mulher e outro com o homem, o casal deverá conversar e chegar a um acordo. Saiba mais
aqui!

Como é feito o cálculo da pensão alimentícia? Só vale para casais que têm filhos?
O valor da pensão é estabelecido pelo juiz observando a necessidade daquele que receberá
a pensão e a possibilidade daquele que pagará. Por exemplo, existem casais em que um dos
cônjuges sustenta o lar e o outro cuida dos afazeres domésticos. Essa pessoa que cuida do
lar também tem despesas, e o sustento é assegurado por quem trabalha fora. Com o
divórcio, o que tem a fonte de renda deve garantir o mínimo de sustento até que o outro
cônjuge comece a trabalhar ou se case novamente. O juiz dará um prazo de alguns anos
para o outro receber a pensão analisando cada caso.
TIPOS DE DIVIRCIO
Há uma forma de prevenir o desgaste no final do casamento?
Quando você decide se casar, tem de escolher qual é o regime de bens que vai adotar.
Converse com o parceiro para evitar estresse caso seu relacionamento chegue ao fim.

Veja as opções:

Comunhão parcial de bens: dividirão de forma equivalente apenas o que tiverem comprado
durante os anos de casados.
Comunhão total de bens: todo o patrimônio dos dois será dividido no final do casamento.
Separação total de bens: os bens pertencem a quem os comprou.
Existe diferença entre separação e divórcio?
Só o divórcio acaba com o casamento, liberando os envolvidos para novo matrimônio. Não é
mais necessário passar pelo período de separação antes de pedir o divórcio. Se um casal se
separar e decidir retomar o relacionamento, o casamento pode ser mantido. Quem se
divorcia e se arrepende tem de se casar outra vez!

Quais os direitos de quem apenas mora junto?


De acordo com a legislação brasileira, esta relação é chamada de “união estável”. Os
direitos são quase os mesmos de quem é casado. Mas é preciso provar a união mostrando
que havia: 1) coabitação – que é a relação sexual, 2) fidelidade, 3) lar conjugal – devem
morar juntos, mostrar à sociedade que são casados (dividir as despesas, apresentar-se como
esposa e esposo). Nesses casos, há partilha de bens adquiridos durante a união, pensão por
morte e pensão alimentícia.

Custa muito caro se divorciar?


O valor pago para o advogado depende do patrimônio do casal. Dependendo da renda
familiar, há a possibilidade de solicitar o trabalho da defensoria pública dos Estados, que é
uma instituição que presta assistência jurídica gratuita para pessoas que não podem pagar.
Em São Paulo, por exemplo, é preciso comprovar que a renda familiar é inferior a cinco
salários mínimos.

O que preciso fazer e quais documentos são necessários para iniciar o divórcio?
Primeiro de tudo, conversar com seu parceiro. Se vocês decidirem que realmente é
impossível continuarem juntos, é importante que tentem fazer isso de maneira tranquila.
Procure um advogado especializado em direito civil, que encaminhará o pedido de divórcio
ao cartório. São necessários os seguintes documentos:

Certidão de casamento.
RG e CPF dos cônjuges.
Comprovante de residência.
Certidão de nascimento dos filhos.
Se houver bens a serem divididos, todas as certidões de propriedade dos imóveis e outros
documentos que comprovem os bens, como documentos de carros.
Não é necessário reunir notas fiscais dos móveis da casa.
O processo de divórcio é demorado?
Os divórcios chamados de consensuais ou amigáveis, em que não há disputa de bens,
podem ser feitos em cartório e normalmente acontecem no mesmo dia, mas desde que
não existam filhos menores de 18 anos ou incapazes. Se houver disputa de guarda dos
filhos, o processo dura de três a cinco anos.

Se o cônjuge carregar o sobrenome do parceiro, ele mudará automaticamente após o


divórcio?
Essa mudança precisa ser solicitada na entrada do pedido de divórcio. Há casos em que,
mesmo após o divórcio, uma parte pode continuar a usar o sobrenome da outra. Isso só
acontece se o juiz entender, por exemplo, que a perda do sobrenome trará prejuízos para a
vida profissional da pessoa.

Como decidir com quem ficam as crianças?


A guarda fica com quem tiver melhores condições de cuidar da criança. E isso não envolve
somente dinheiro. Contam para a decisão do juiz: estrutura psicológica, emocional, familiar,
disponibilidade de tempo para a criança. A opinião dos filhos só conta a partir dos 12 anos
de idade. Mesmo assim, o juiz vai avaliar todos os outros itens mencionados antes de tomar
a decisão. Veja aqui quais são os diferentes tipos de guarda.

O que fazer com dívidas adquiridas no casamento?


As dívidas contraídas durante o casamento deverão ser pagas pelos dois. Mas, dependendo
da situação, podem ser compensadas. Por exemplo: um cônjuge fica com o imóvel, mas
deve entregar ao outro o valor da parte já paga e assumir o resto da dívida sozinho.

Como agir quando uma das partes não aceita assinar os papéis de divórcio de forma
amigável?
Ninguém pode segurar alguém dizendo que não concorda com o divórcio. Para estes casos
existem as ações litigiosas, em que o juiz concederá o divórcio por sentença. Só que é
demorado.

Como decidir com quem ficam os animais de estimação?


Não há lei específica para isso. Legalmente, o animal é um bem móvel, assim como a
geladeira e o sofá. Para decidir com quem o bichinho irá ficar, ou se fica um período com a
mulher e outro com o homem, o casal deverá conversar e chegar a um acordo. Saiba mais
aqui!

Como é feito o cálculo da pensão alimentícia? Só vale para casais que têm filhos?
O valor da pensão é estabelecido pelo juiz observando a necessidade daquele que receberá
a pensão e a possibilidade daquele que pagará. Por exemplo, existem casais em que um dos
cônjuges sustenta o lar e o outro cuida dos afazeres domésticos. Essa pessoa que cuida do
lar também tem despesas, e o sustento é assegurado por quem trabalha fora. Com o
divórcio, o que tem a fonte de renda deve garantir o mínimo de sustento até que o outro
cônjuge comece a trabalhar ou se case novamente. O juiz dará um prazo de alguns anos
para o outro receber a pensão analisando cada caso.
As consequências

As consequências de uma vida conjugal arruinada vão desde o nível físico até o setor
emocional, não somente do casal, mas também dos que o cercam.[14] O casamento está
estatisticamente relacionado a um ganho de peso, mas estudos dizem que o divórcio
também pode aumentar significativamente o peso corporal. Um estudo realizado em
Chicago e contando com a participação de 8 652 pessoas com idades entre 51 e 61 anos
também detectou que os divorciados têm 20% a mais de chances de desenvolver doenças
crônicas, como o câncer, do que aqueles que nunca se casaram.[15]

Se o casal sofre psicologicamente e fisicamente, os filhos também não ficam ilesos.


Portanto, consequência para as crianças existem, mais ou menos, de acordo com vários
fatores, incluindo a própria resolução favorável da separação para os pais, a idade das
crianças e o seu grau de desenvolvimento. Poucas crianças demonstram sentirem-se
aliviadas com a decisão do divórcio. Na idade de 8 a 12 anos, em geral, a criança reage com
raiva franca de um ou de ambos os pais, por terem causado a separação. Por vezes,
demonstram ansiedade, solidão e sentimentos de humilhação por sua própria impotência
diante do ocorrido. O desempenho escolar e o relacionamento com colegas podem ter
prejuízo nesta fase. Já os adolescentes sofrem com o divórcio muitas vezes com depressão,
raiva intensa ou com comportamentos rebeldes e desorganizados
1 Quais são as condições para obter o divórcio?
Em Portugal, o divórcio pode ser obtido por mútuo consentimento ou sem consentimento
de um dos cônjuges.

A primeira modalidade pressupõe o acordo de ambos os membros do casal relativamente à


dissolução do vínculo matrimonial e, em princípio, sobre a prestação de alimentos ao
cônjuge que deles careça, o exercício das responsabilidades parentais, relativamente aos
filhos menores e o destino da casa de morada da família.

O divórcio sem consentimento de um dos cônjuges é requerido no tribunal por um dos


cônjuges contra o outro, fundamentado em factos legalmente previstos ou outros que,
independentemente da culpa dos cônjuges, mostrem a ruptura definitiva do casamento.

2 Quais são os motivos para requerer o divórcio?


Na acção de divórcio por mútuo consentimento, os cônjuges não têm de revelar a causa da
pretensão que formulam.

São fundamento do divórcio sem consentimento de um dos cônjuges:

a) A separação de facto por um ano consecutivo, entendendo-se que há separação de facto


quando não existe comunhão de vida entre os cônjuges e há da parte de ambos, ou de um
deles, o propósito de não a restabelecer;

b) A alteração das faculdades mentais do outro cônjuge, quando dure há mais de um ano e,
pela sua gravidade, comprometa a possibilidade de vida em comum;

c) A ausência, sem que do ausente haja notícias, por tempo não inferior a um ano;

d) Quaisquer outros factos que, independentemente da culpa dos cônjuges, mostrem a


ruptura definitiva do casamento.

3 Quais são os efeitos jurídicos do divórcio no que se refere a:


3.1 relações pessoais entre os cônjuges (por exemplo, apelidos)
O divórcio dissolve o casamento e tem juridicamente os mesmos efeitos da dissolução por
morte, salvas as excepções consagradas na lei.

Os efeitos do divórcio produzem-se a partir do trânsito em julgado da respectiva sentença,


mas retrotraem-se à data da proposição da acção quanto às relações patrimoniais entre os
cônjuges.

Se a separação de facto entre os cônjuges estiver provada no processo, qualquer deles pode
requerer que os efeitos do divórcio retroajam à data, que a sentença fixará, em que a
separação tenha começado.

Apesar do divórcio, um dos elementos do casal pode conservar os apelidos do outro, que
tenha adoptado, desde que este dê o seu consentimento ou o tribunal o autorize, tendo em
atenção os motivos invocados. O consentimento do ex-cônjuge pode ser prestado através
de documento notarial, termo lavrado em juízo (registo escrito, no processo, da
manifestação de vontade da parte) ou declaração perante o funcionário do registo civil. O
pedido de autorização judicial do uso dos apelidos do ex-cônjuge pode ser deduzido no
processo de divórcio ou em processo próprio, mesmo depois de o divórcio ter sido
decretado.

3.2 partilha dos bens do casal


Em caso de divórcio, nenhum dos cônjuges pode na partilha receber mais do que receberia
se o casamento tivesse sido celebrado segundo o regime da comunhão de adquiridos.

Cada cônjuge perde todos os benefícios recebidos ou que haja de receber do outro cônjuge
ou de terceiro, em vista do casamento ou em consideração do estado de casado, quer a
estipulação seja anterior quer posterior à celebração do casamento. O autor da liberalidade
pode determinar que o benefício reverta para os filhos do casamento.

Os efeitos do divórcio produzem-se a partir do trânsito em julgado da respectiva sentença,


mas retrotraem-se à data da proposição da acção quanto às relações patrimoniais entre os
cônjuges.

Se a separação de facto entre os cônjuges estiver provada no processo, qualquer deles pode
requerer que os efeitos do divórcio retroajam à data, que a sentença fixará, em que a
separação tenha começado.

O tribunal pode dar de arrendamento a qualquer dos cônjuges, a seu pedido, a casa de
morada da família, quer essa seja comum quer própria de outro, considerando,
nomeadamente, as necessidades de cada um dos cônjuges e o interesse dos filhos do casal.
O referido arrendamento fica sujeito às regras do arrendamento para habitação, mas o
tribunal pode definir as condições do contrato, ouvidos os cônjuges, e fazer caducar o
arrendamento, a requerimento do senhorio, quando circunstâncias supervenientes o
justifiquem. O regime fixado, quer por homologação do acordo dos cônjuges, quer por
decisão do tribunal, pode ser alterado nos termos gerais da jurisdição voluntária

3.3 filhos menores do casal


Nos casos de divórcio, separação judicial de pessoas e bens, declaração de nulidade ou
anulação do casamento, o destino do filho, os alimentos a este devidos e a forma de os
prestar, serão regulados por acordo dos pais, sujeito a homologação do tribunal (ou do
Conservador do Registo Civil, no âmbito dos processos de separação e divórcio por mútuo
consentimento).

Na falta de acordo, o tribunal decidirá sempre de harmonia com o interesse do menor,


incluindo o de manter uma relação de grande proximidade com os dois progenitores,
promovendo e aceitando acordos ou tomando decisões que favoreçam amplas
oportunidades de contacto com ambos e de partilha de responsabilidades entre eles,
podendo a sua guarda caber a qualquer dos pais, a terceira pessoa, ou a estabelecimento de
reeducação ou assistência.
Para obter esclarecimentos mais detalhados sobre esta matéria, consulte, por favor, a ficha
relativa ao tema «Responsabilidades Parentais»

3.4 obrigação de pagar alimentos ao outro cônjuge


Cada cônjuge deve prover à sua subsistência, depois do divórcio. Qualquer dos cônjuges
tem direito a alimentos, independentemente do tipo de divórcio. Por razões manifestas de
equidade, o direito a alimentos pode ser negado.

Na fixação do montante dos alimentos deve o tribunal tomar em conta a duração do


casamento, a colaboração prestada à economia do casal, a idade e estado de saúde dos
cônjuges, as suas qualificações profissionais e possibilidades de emprego, o tempo que
terão de dedicar, eventualmente, à criação de filhos comuns, os seus rendimentos e
proventos, um novo casamento ou união de facto e, de modo geral, todas as circunstâncias
que influam sobre as necessidades do cônjuge que recebe os alimentos e as possibilidades
do que os presta.

O tribunal deve dar prevalência a qualquer obrigação de alimentos relativamente a um filho


do cônjuge devedor sobre a obrigação emergente do divórcio em favor do ex-cônjuge.

O cônjuge credor não tem o direito de exigir a manutenção do padrão de vida de que
beneficiou na constância do matrimónio.

Para esclarecimentos mais detalhados sobre esta matéria, consulte, por favor, a ficha
relativa ao tema “Prestação Alimentar”.

4 O que significa, na prática, o conceito de «separação judicial»?


A separação judicial de pessoas e bens não dissolve o vínculo conjugal, mas extingue os
deveres de coabitação e assistência, sem prejuízo do direito a alimentos.

Relativamente aos bens, a separação produz os efeitos que produziria a dissolução do


casamento.

A separação judicial de pessoas e bens termina pela reconciliação dos cônjuges ou pela
dissolução do casamento.

5 Quais são os motivos para a separação judicial?


Os motivos para a separação judicial de pessoas e bens sem consentimento do outro
cônjuge ou por mútuo consentimento baseiam-se nas mesmas disposições aplicáveis, com
as necessárias adaptações, ao divórcio.

6 Quais são os efeitos jurídicos da separação judicial?


Conforme se disse na resposta à questão n.º 4, a separação judicial de pessoas e bens
extingue os deveres de coabitação e assistência, sem prejuízo do direito a alimentos,
produzindo, relativamente aos bens, os efeitos que produziria a dissolução do casamento.

É aplicável à separação judicial de pessoas e bens, com as necessárias adaptações, o


disposto quanto ao divórcio.
A separação judicial de pessoas e bens poderá ser convertida em divórcio, embora não seja
uma condição ou fase num processo de divórcio.

Com efeito, decorrido um ano sobre o trânsito em julgado da sentença que tiver decretado
a separação judicial de pessoas e bens sem consentimento do outro cônjuge ou por mútuo
consentimento, sem que os cônjuges se tenham reconciliado, qualquer deles pode requerer
que a separação seja convertida em divórcio. Se a conversão for requerida por ambos os
cônjuges, não é necessário o decurso do prazo referido, sendo logo proferida sentença.

Requerida a conversão por um dos cônjuges, será o outro notificado pessoalmente ou na


pessoa do seu mandatário, quando o houver, para no prazo de 15 dias deduzir oposição, só
podendo esta fundamentar-se na reconciliação dos cônjuges. Havendo oposição, finda a
produção de prova, o juiz profere a sentença no prazo de 15 dias.

A conversão de separação judicial de pessoas e bens em divórcio poderá, também, ser


requerida em qualquer conservatória do registo civil, sendo o pedido apresentado mediante
requerimento entregue na conservatória, fundamentando de facto e de direito, sendo
indicadas as provas e junta a prova documental.

O requerido é citado para, no prazo de 15 dias, apresentar oposição, indicar as provas e


juntar a prova documental.

Não sendo apresentada oposição e devendo considerar-se confessados os factos indicados


pelo requerente, o conservador, depois de verificado o preenchimento dos pressupostos
legais, declara a procedência do pedido.

Tendo sido apresentada oposição, o conservador marca tentativa de conciliação, a realizar


no prazo de 15 dias, podendo determinar a prática de actos e a produção da prova
necessárias à verificação dos pressupostos legais.

Tendo havido oposição do requerido e constatando-se a impossibilidade de acordo, são as


partes notificadas para, em oito dias, alegarem e requerem a produção de novos meios de
prova, sendo de seguida o processo, devidamente instruído, remetido ao tribunal judicial de
1ª instância competente em razão da matéria no âmbito da circunscrição a que pertence a
conservatória.

Remetido o processo ao tribunal judicial, o juiz ordena a produção de prova e marca


audiência de julgamento.

7 O que significa, na prática, o conceito de «anulação do casamento»?


“Anulação do casamento” significa destruição dos efeitos jurídicos do matrimónio mediante
arguição de vício relevante que o atinja.

8 Quais são as condições para a anulação do casamento?


É anulável o casamento contraído:
a) com algum impedimento dirimente (absoluto ou relativo);

b) celebrado, por parte de um ou de ambos os nubentes, com falta de vontade ou com a


vontade viciada por erro ou coacção;

c) celebrado sem a presença de testemunhas, quando exigida por lei.

São impedimentos dirimentes absolutos, obstando ao casamento da pessoa a quem


respeitam com qualquer outra:

a) a idade inferior a dezasseis anos;

b) a demência notória, mesmo durante os intervalos lúcidos, e a interdição ou inabilitação


por anomalia psíquica;

c) o casamento anterior não dissolvido, católico ou civil, ainda que o respectivo assento não
tenha sido lavrado no registo do estado civil.

São impedimentos dirimentes relativos, obstando ao casamento entre si das pessoas a


quem respeitam, os impedimentos seguintes:

a) o parentesco na linha recta;

b) o parentesco no segundo grau da linha colateral;

c) a afinidade na linha recta;

d) a condenação anterior de um dos nubentes, como autor ou cúmplice por homicídio


doloso, ainda que não consumado, contra o cônjuge do outro

O casamento é anulável por falta de vontade:

a) quando o nubente, no momento da celebração, não tinha a consciência do acto que


praticava, por incapacidade acidental ou outra causa;

b) quando o nubente estava em erro acerca da identidade física do outro contraente;

c) quando a declaração da vontade tenha sido extorquida por coacção física;

d) quando tenha sido simulado

O erro que vicia a vontade só é relevante para efeitos de anulação quando recaia sobre
qualidades essenciais da pessoa do outro cônjuge, seja desculpável e se mostre que sem ele,
razoavelmente, o casamento não teria sido celebrado.

É anulável o casamento celebrado sob coacção moral, contanto que seja grave o mal com
que o nubente é ilicitamente ameaçado, e justificado o receio da sua consumação.
É equiparada à ameaça ilícita o facto de alguém, consciente e ilicitamente, extorquir ao
nubente a declaração da vontade mediante a promessa de o libertar de um mal fortuito ou
causado por outrem.

A declaração da vontade, no acto da celebração, constitui presunção não só de que os


nubentes quiseram contrair matrimónio, mas de que a sua vontade não está viciada por
erro ou coação.

9 Quais são os efeitos jurídicos da anulação do casamento?


O casamento civil anulado, quando contraído de boa fé por ambos os cônjuges, produz os
seus efeitos em relação a estes e a terceiros até ao trânsito em julgado da respectiva
sentença.

Se apenas um dos cônjuges o tiver contraído de boa fé, só esse cônjuge pode arrogar-se os
benefícios do estado matrimonial e opô-los a terceiros, desde que, relativamente a estes, se
trate de mero reflexo das relações havidas entre os cônjuges.

Considera-se de boa fé o cônjuge que tiver contraído o casamento na ignorância


desculpável do vício causador da nulidade ou anulabilidade, ou cuja declaração de vontade
tenha sido extorquida por coacção física ou moral.

É da exclusiva competência dos tribunais do Estado o conhecimento judicial da boa fé. A boa
fé dos cônjuges presume-se.

Tendo sido declarado nulo ou anulado o casamento, o cônjuge de boa fé conserva o direito
a alimentos após o trânsito em julgado ou o averbamento da decisão respectiva.

10 Existem meios extrajudiciais alternativos para resolver as questões relativas ao divórcio


sem recorrer a tribunal?
Antes do início do processo de divórcio, a conservatória do registo civil ou o tribunal devem
informar os cônjuges sobre a existência e os objectivos dos serviços de mediação familiar.

A mediação familiar é uma modalidade extrajudicial de resolução de conflitos surgidos no


âmbito de relações familiares, em que as partes, com a sua participação pessoal e directa e,
auxiliadas pelo mediador de conflitos, visam alcançar um acordo.

O recurso a este meio alternativo de resolução de litígios pode resolver conflitos resultantes
da regulação, alteração e incumprimento do regime de exercício do poder paternal, divórcio
e separação de pessoas e bens, conversão da separação de pessoas e bens em divórcio,
reconciliação dos cônjuges separados, atribuição e alteração de alimentos, provisórios ou
definitivos, atribuição de casa de morada de família ou privação do direito de uso dos
apelidos do outro cônjuge e autorização do uso dos apelidos do ex-cônjuge.

O Mediador Familiar é um profissional habilitado pelo Ministério da Justiça a quem compete


conduzir as reuniões com independência e imparcialidade de modo a ajudar as partes em
conflito a chegarem por si só a um acordo
O divórcio por mútuo consentimento é requerido na Conservatória do Registo Civil, excepto
nas situações emergentes de acordo obtido no âmbito de processo de divórcio sem
consentimento de um dos cônjuges, e desde que o pedido de divórcio por mútuo
consentimento seja acompanhado da relação especificada dos bens comuns do casal, do
acordo sobre o destino da casa de morada de família, acordo sobre a prestação de
alimentos ao cônjuge que deles careça e certidão da sentença judicial que tiver regulado o
exercício das responsabilidades parentais ou acordo sobre o exercício das responsabilidades
parentais quando existam filhos menores e não tenha previamente havido regulação
judicial.

11 Onde devo apresentar o pedido de divórcio/separação judicial/anulação do casamento?


Quais são as formalidades a respeitar e quais os documentos que devem ser juntos ao
processo?
Separação e Divórcio por mútuo consentimento

A separação e o divórcio por mútuo consentimento serão requeridos por ambos os


cônjuges, de comum acordo, na conservatória do registo civil, desde que o pedido seja
acompanhado dos seguintes documentos:

a) relação especificada dos bens comuns, com indicação dos respectivos valores, ou, caso,
os cônjuges optem por proceder à partilha daqueles bens, acordo sobre a partilha ou pedido
de elaboração do mesmo;

b) certidão da sentença judicial que tiver regulado o exercício das responsabilidades


parentais ou acordo sobre o exercício das responsabilidades parentais quando existam filhos
menores e não tenha previamente havido regulação judicial;

c) acordo sobre a prestação de alimentos ao cônjuge que deles careça;

d) acordo sobre o destino da casa de morada de família;

e) certidão da escritura da convenção antenupcial, caso tenha sido celebrada.

Caso outra coisa não resulte dos documentos apresentados, entende-se que os acordos se
destinam tanto ao período da pendência do processo como ao período posterior.

O processo de separação judicial de pessoas e bens ou de divórcio por mútuo


consentimento é instaurado, mediante requerimento assinado pelos cônjuges ou seus
procuradores, apresentado em qualquer conservatória do registo civil. O pedido é instruído
com os documentos acima referidos e certidão do assento de casamento

Recebido o requerimento, o conservador convoca os cônjuges para uma conferência, em


que verifica o preenchimento dos pressupostos legais. Na referida conferência informa os
cônjuges da existência dos serviços de mediação familiar; mantendo os cônjuges o propósito
de se divorciar aprecia os acordos entregues, convidando os cônjuges a alterá-los se esses
acordos não acautelarem os interesses de algum deles ou dos filhos, podendo determinar
para esse efeito a prática de actos e a produção da prova. Verificados os pressupostos legais
e observados os trâmites referidos, o conservador declara a procedência do pedido.

Quando for apresentado acordo sobre o exercício das responsabilidades parentais relativo a
filhos menores, o processo é enviado ao Ministério Público junto do tribunal judicial de 1.ª
instância competente em razão da matéria no âmbito da circunscrição a que pertença a
conservatória para que este se pronuncie sobre o acordo no prazo de 30 dias.

Caso o Ministério Público considere que o acordo não acautela devidamente os interesses
dos menores, podem os requerentes alterá-lo em conformidade ou apresentar novo acordo,
sendo, neste último caso, dada nova vista ao Ministério Público. Se o Ministério Público
considerar que o acordo acautela devidamente os interesses dos menores ou tendo os
cônjuges alterado o acordo nos termos indicados pelo Ministério Público, decretar-se-á o
divórcio.

Nas situações em que os requerentes não se conformem com as alterações indicadas pelo
Ministério Público e mantenham o propósito de se divorciar e/ou se os acordos
apresentados não acautelarem suficientemente os interesses de um dos cônjuges, a
homologação deve ser recusada e o processo de divórcio integralmente remetido ao
tribunal da comarca a que pertença a conservatória.

Recebido o processo, o juiz aprecia os acordos que os cônjuges tiverem apresentado,


convidando-os a alterá-los se esses acordos não acautelarem os interesses de algum deles
ou dos filhos.

O juiz fixará, então, as consequências do divórcio nas questões, relativamente às quais os


cônjuges não tenham alterado, ou no caso de algum dos acordos não acautelar
suficientemente os interesses de algum dos cônjuges, podendo, para tanto e ainda para
apreciação dos acordos apresentados, determinar a prática de actos e a produção a prova
eventualmente necessária, devendo o juiz, na determinação das consequências do divórcio
não só promover mas também tomar em conta o acordo dos cônjuges.

O divórcio por mútuo consentimento será decretado em seguida, procedendo-se ao


correspondente registo.

O requerimento de separação de pessoas e bens ou divórcio por mútuo consentimento será


apresentado no tribunal, se os cônjuges não o acompanharem de algum dos acordos atrás
referidos.

Neste caso, o requerimento de divórcio é apresentado no tribunal e, recebido o


requerimento, o juiz aprecia os acordos que os cônjuges tiverem apresentado, convidando-
os a alterá-los se esses acordos não acautelarem os interesses de algum deles ou dos filhos,
fixando o juiz s as consequências do divórcio nas questões sobre que os cônjuges não
tenham apresentado acordo, podendo, para tanto e ainda para apreciação dos acordos
apresentados, determinar a prática de actos e a produção a prova eventualmente
necessária, devendo o juiz, na determinação das consequências do divórcio não só
promover mas também tomar em conta o acordo dos cônjuges. O divórcio por mútuo
consentimento será decretado em seguida, procedendo-se ao correspondente registo.

Separação e Divórcio sem consentimento do outro cônjuge

Os pedidos de separação e de divórcio sem consentimento do outro cônjuge são


apresentadas perante o Juízo de Família e Menores ou, não existindo este, o Juízo Local
Cível ou o Juízo de Competência Genérica territorialmente competente. Tal competência
territorial é definida em função do domicílio ou residência do autor (aquele que instaura a
acção).

É aplicável à separação judicial de pessoas e bens, com as necessárias adaptações, o


disposto quanto ao divórcio.

A separação judicial de pessoas e bens termina pela reconciliação dos cônjuges ou pela
dissolução do casamento.

O divórcio sem consentimento de um dos cônjuges pode ser requerido por qualquer um
deles com o fundamento na separação de facto por um ano consecutivo, na alteração das
faculdades mentais do outro cônjuge, quando dure há mais de um ano e, pela sua
gravidade, comprometa a possibilidade de vida em comum, na ausência, sem que do
ausente haja notícias, por tempo não inferior a uma ano e noutros factos que,
independentemente da culpa dos cônjuges, demonstrem a ruptura definitiva do casamento.

O cônjuge lesado tem o direito de pedir a reparação dos danos causados pelo outro
cônjuge, nos termos gerais da responsabilidade civil e nos tribunais comuns.

O cônjuge que pediu o divórcio com o fundamento na alteração das faculdades mentais do
outro cônjuge deve reparar os danos não patrimoniais que lhe causou pela dissolução do
casamento; este pedido deve ser deduzido na própria acção de divórcio.

Fundamentando-se o pedido de divórcio na alteração das faculdades mentais do outro


cônjuge, quando dure há mais de um ano e, pela sua gravidade, comprometa a possibilidade
de vida em comum, e na ausência, sem que do ausente haja notícias, por tempo não inferior
a um ano, o divórcio só pode ser requerido pelo cônjuge que invoca a alteração das
faculdades mentais ou a ausência do outro.

Quando o cônjuge que pode pedir o divórcio estiver interdito, a acção pode ser intentada
pelo seu representante legal, com autorização do conselho de família; quando o
representante legal seja o outro cônjuge, a acção pode ser intentada, em nome do titular do
direito de agir, por qualquer parente deste na linha recta ou até ao 3º grau da linha
colateral, se for igualmente autorizado pelo conselho de família.

O direito ao divórcio não se transmite por morte, mas a acção pode ser continuada pelos
herdeiros do autor para efeitos patrimoniais, se o autor falecer na pendência da causa; para
os mesmos efeitos, pode a acção prosseguir contra os herdeiros do réu.
Apresentada a petição, se a acção estiver em condições de prosseguir, o juiz designará dia
para uma tentativa de conciliação, sendo o autor notificado e o réu citado para
comparecerem pessoalmente.

Se a tentativa de conciliação não resultar, o juiz procurará obter o acordo dos cônjuges para
o divórcio por mútuo consentimento; obtido o acordo ou tendo os cônjuges, em qualquer
altura do processo, optado por essa modalidade do divórcio, seguir-se-ão os termos do
processo de divórcio por mútuo consentimento, com as necessárias adaptações.

Não tendo resultado a tentativa do juiz no sentido de obter o acordo dos cônjuges para o
divórcio ou a separação por mútuo consentimento, procurará o juiz obter o acordo dos
cônjuges quanto aos alimentos e quanto à regulação do exercício das responsabilidades
parentais dos filhos. Procurará ainda obter o acordo dos cônjuges quanto à utilização da
casa de morada de família durante o período de pendência do processo, se for caso disso.

Na tentativa de conciliação ou em qualquer outra altura do processo, as partes poderão


acordar no divórcio ou separação de pessoas e bens por mútuo consentimento, quando se
verifiquem os necessários pressupostos.

Faltando alguma ou ambas as partes, ou não sendo possível a sua conciliação, o juiz
ordenará a notificação do réu para contestar no prazo de 30 dias; no acto de notificação, a
fazer imediatamente, entregar-se-á ao réu o duplicado da petição inicial.

No caso de o réu se encontrar ausente em parte incerta, uma vez feitas todas as diligências
previstas na lei processual para localização do réu e tendo as mesmas resultado infrutíferas,
a designação de dia para a tentativa de conciliação ficará sem efeito, sendo ordenada a
citação edital daquele para contestar.

Decorrido o prazo para a apresentação da contestação, seguem-se os termos do processo


comum. No decurso deste processo procede-se à identificação do objecto do litígio e à
enunciação dos temas da prova. Em sede de tal processo realiza-se a audiência final, com
produção de prova. Encerrada a audiência final, o processo é concluso ao juiz para ser
proferida sentença no prazo de 30 dias.
A separação judicial de pessoas e bens pode ser pedida em reconvenção, mesmo que o
autor tenha pedido o divórcio; tendo o autor pedido a separação de pessoas e bens, pode
igualmente o réu pedir o divórcio em reconvenção. Nestes casos, a sentença deve decretar
o divórcio se o pedido da acção e o da reconvenção procederem.

Anulação do casamento

A anulabilidade do casamento não é invocável para nenhum efeito, judicial ou extrajudicial,


enquanto não for reconhecida por sentença em acção especialmente intentada para esse
fim.

Tal acção é proposta no Juízo de Família e Menores apresentando-se uma petição inicial, no
âmbito da qual, sob a forma de artigos, se identificam as partes, se descrevem os factos
relevantes e se conclui por um pedido.
A legitimidade para instaurar tal acção varia em função do fundamento da pretensão (veja,
por favor, a resposta à questão nº 8).

Têm legitimidade para intentar a acção de anulação fundada em impedimento dirimente, ou


para prosseguir nela, os cônjuges ou qualquer parente deles na linha recta ou até ao quarto
grau da linha colateral, bem como os herdeiros e adoptantes dos cônjuges, e o Ministério
Público. Além destas pessoas, podem ainda intentar a acção, ou prosseguir nela, o tutor ou
curador, no caso de menoridade, interdição ou inabilitação por anomalia psíquica, e o
primeiro cônjuge do infractor, no caso de bigamia.

A anulação por simulação pode ser requerida pelos próprios cônjuges ou por quaisquer
pessoas prejudicadas com o casamento. Nos restantes casos de falta de vontade, a acção de
anulação só pode ser proposta pelo cônjuge cuja vontade faltou; mas podem prosseguir
nela os seus parentes, afins na linha recta, herdeiros ou adoptantes, se o autor falecer na
pendência da causa.

A acção de anulação fundada em vícios da vontade só pode ser intentada pelo cônjuge que
foi vítima do erro ou da coacção, mas podem prosseguir na acção os seus parentes, afins na
linha recta, herdeiros ou adoptantes, se o autor falecer na pendência da causa.

A acção de anulação por falta de testemunhas só pode ser proposta pelo Ministério Público.

A acção de anulação fundada em impedimento dirimente deve ser instaurada:

a) Nos casos de menoridade, interdição ou inabilitação por anomalia psíquica ou demência


notória, quando proposta pelo próprio incapaz, até seis meses depois de ter atingido a
maioridade, de lhe ter sido levantada a interdição ou inabilitação ou de a demência ter
cessado; quando proposta por outra pessoa, dentro dos três anos seguintes à celebração do
casamento, mas nunca depois da maioridade, do levantamento da incapacidade ou da
cessação da demência;

b) No caso de condenação por homicídio contra o cônjuge de um dos nubentes, no prazo de


três anos a contar da celebração do casamento;

c) Nos outros casos, até seis meses depois da dissolução do casamento.

O Ministério Público só pode propor a acção até à dissolução do casamento.

A acção de anulação fundada na existência de casamento anterior não dissolvido não pode
ser instaurada, nem prosseguir, enquanto estiver pendente acção de declaração de nulidade
ou anulação do primeiro casamento do bígamo.

A acção de anulação por falta de vontade de um ou ambos os nubentes só pode ser


instaurada dentro dos três anos subsequentes à celebração do casamento ou, se este era
ignorado pelo requerente, nos seis meses seguintes ao momento em que dele teve
conhecimento.
A acção de anulação fundada em vícios da vontade caduca se não for instaurada dentro dos
seis meses subsequentes à cessação do vício.

A acção de anulação por falta de testemunhas só pode ser intentada dentro do ano
posterior à celebração do casamento.

Deverá acompanhar a petição inicial a certidão do assento de registo de casamento e,


eventualmente (se a idade for fundamento do pedido) certidão do assento de registo de
nascimento do nubente em causa.

Decorrido o prazo para a apresentação da contestação, seguem-se os termos do processo


comum, supra referido.

Considera-se sanada a anulabilidade e válido o casamento desde o momento da celebração,


se antes de transitar em julgado a sentença de anulação ocorrer algum dos seguintes factos:

a) ser o casamento de menor não núbil confirmado por este, perante o funcionário do
registo civil e de duas testemunhas, depois de atingir a maioridade;

b) ser o o casamento do interdito ou inabilitado por anomalia psíquica confirmado por ele,
nos termos da alínea precedente, depois de lhe ser levantada a interdição ou inabilitação
ou, tratando-se de demência notória, depois de o demente fazer e verificar judicialmente o
seu estado de sanidade mental;

c) ser declarado nulo ou anulado o primeiro casamento do bígamo;

d) ser a falta de testemunhas devida a circunstâncias atendíveis, como tais reconhecidas


pelo conservador, desde que não haja dúvidas sobre a celebração do acto

12 É possível obter apoio judiciário para cobrir as custas do processo?


Sim, o regime de apoio judiciário aplica-se em todos os tribunais, qualquer que seja a forma
do processo.

Para mais detalhados esclarecimentos veja, por favor, a ficha «Apoio judiciário»

13 É possível recorrer da decisão de divórcio/separação judicial/anulação do casamento?


Sim. Nestas acções é sempre admissível recurso.

14 Como se pode reconhecer neste Estado Membro uma decisão judicial de


divórcio/separação judicial/anulação do casamento proferida por um tribunal de outro
Estado-Membro da União Europeia?
Se a decisão em apreço tiver sido proferida num Estado da União Europeia, com excepção
da Dinamarca, a mesma é reconhecida nos outros Estados-Membros nos termos do
Regulamento 2201/2003, do Conselho, de 27 de Novembro de 2003.
Se a decisão tiver sido proferida na Dinamarca, aplica-se o processo especial de revisão de
sentença estrangeira.

Em sede deste processo, apresentado com a petição o documento de que conste a decisão a
rever, é a parte contrária citada para, dentro de 15 dias, deduzir a sua oposição. O
requerente pode responder nos 10 dias seguintes à notificação da apresentação da
oposição. Findos os articulados e realizadas as diligências tidas por indispensáveis, é o
exame do processo facultado, para alegações, às partes e ao Ministério Público, por 15 dias
a cada um.

Para que a sentença seja confirmada é necessário:

a) Que não haja dúvidas sobre a autenticidade do documento de que conste a sentença nem
sobre a inteligência da decisão;

b) Que tenha transitado em julgado segundo a lei do país em que foi proferida;

c) Que provenha de tribunal estrangeiro cuja competência não tenha sido provocada em
fraude à lei e não verse sobre matéria da exclusiva competência dos tribunais portugueses;

d) Que não possa invocar-se a excepção de litispendência ou de caso julgado com


fundamento em causa afecta a tribunal português, excepto se foi o tribunal estrangeiro que
preveniu a jurisdição;

e) Que o réu tenha sido regularmente citado para a acção, nos termos da lei do país do
tribunal de origem, e que no processo hajam sido observados os princípios do contraditório
e da igualdade das partes;

f) Que não contenha decisão cujo reconhecimento conduza a um resultado manifestamente


incompatível com os princípios da ordem pública internacional do Estado Português.

15 A que tribunal me devo dirigir para contestar o reconhecimento de uma decisão de


divórcio/separação judicial/anulação do casamento proferida por um tribunal noutro
Estado-Membro da União Europeia? Qual é o procedimento aplicável nestes casos?
Se a parte interessada optar por solicitar o reconhecimento de decisão sobre divórcio,
separação judicial de pessoas e bens ou anulação do casamento proferida num dos Estados
integrantes da União Europeia, com excepção da Dinamarca, o pedido é apresentado no
Tribunal de Família e Menores. O tribunal territorialmente competente determina-se pela
lei interna do Estado-Membro em que o processo de reconhecimento seja instaurado.

16 Qual é a lei aplicável numa ação de divórcio em que o casal não resida neste Estado
Membro ou cujos membros tenham nacionalidades diferentes?
De acordo com as normas nacionais de conflitos, no divórcio e na separação judicial de
pessoas e bens aplica-se a lei nacional comum dos cônjuges. Não tendo estes a mesma
nacionalidade, é aplicável a lei da sua residência habitual comum e, na falta desta, a lei do
país com o qual a vida familiar se ache mais estreitamente conexa.
Se, porém, na constância do matrimónio houver mudança da lei competente, só pode
fundamentar a separação ou o divórcio algum facto relevante ao tempo da sua verificação.

O divórcio (do termo latino divortium, derivado de divertĕre, "separar-se") é o rompimento
legal e definitivo do vínculo de c
Há uma forma de prevenir o desgaste no final do casamento?
Quando você decide se casar, tem de escolher qual é o regime de be
não existam filhos menores de 18 anos ou incapazes. Se houver disputa de guarda dos
filhos, o processo dura de três a cinco a
TIPOS DE DIVIRCIO
Há uma forma de prevenir o desgaste no final do casamento?
Quando você decide se casar, tem de escolher qua
Os divórcios chamados de consensuais ou amigáveis, em que não há disputa de bens,
podem ser feitos em cartório e normalmente
As consequências
As consequências de uma vida conjugal arruinada vão desde o nível físico até o setor
emocional, não somente
1 Quais são as condições para obter o divórcio?
Em Portugal, o divórcio pode ser obtido por mútuo consentimento ou sem consen
de  documento  notarial,  termo  lavrado  em  juízo  (registo  escrito,  no  processo,  da
manifestação de vontade da parte)
Para obter esclarecimentos mais detalhados sobre esta matéria, consulte, por favor, a ficha
relativa ao tema «Responsabilidad
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