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Contabilidade Rural: Curso a Distância

Este documento apresenta um curso de graduação em contabilidade rural a distância. O curso é dividido em cinco unidades que abordam conceitos sobre empresas rurais, atividades agrícolas e pecuárias, sistemas de custos e cooperativas agropecuárias. O curso é oferecido pela Universidade Federal de Santa Catarina para estudantes do sistema UAB.

Enviado por

Bruno Soares
Direitos autorais
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Contabilidade Rural: Curso a Distância

Este documento apresenta um curso de graduação em contabilidade rural a distância. O curso é dividido em cinco unidades que abordam conceitos sobre empresas rurais, atividades agrícolas e pecuárias, sistemas de custos e cooperativas agropecuárias. O curso é oferecido pela Universidade Federal de Santa Catarina para estudantes do sistema UAB.

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Curso de Graduação em

Ciências Contábeis
a distância

Erves Ducati

Universidade Federal de Santa Catarina


Centro Sócio-Econômico
Departamento de Ciências Contábeis

D632c Ducati, Erves

Contabilidade Rural / Erves Ducati. - Florianópolis : Departamento de Ciências


Contábeis /UFSC, 2012.

88p. : il
Curso de Graduação em Ciências Contábeis
Inclui bibliografia
ISBN: 978-85-62894-56-5

1. Contabilidade. 2. Atividade agrícola. 3. Atividade pecuária. 4. Educação a Distância.


I. Universidade Federal de Santa Catarina/Departamento de Ciências Contábeis. II. Título.

CDU: 657

Universidade Federal de Santa Catarina, Sistema UAB. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida,
transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito,
dos autores.
GOVERNO FEDERAL
Presidente da República – Dilma Vana Rousseff
Ministro da Educação – Fernando Haddad
Secretário de Educação a Distância – Carlos Eduardo Bielschowsky
Diretor Nacional da Universidade Aberta do Brasil – João Carlos Teatini de Souza Clímaco

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA


Reitor – Álvaro Toubes Prata
Vice–Reitor – Carlos Alberto Justo da Silva
Pró-Reitor de Desenvolvimento Humano e Social – Luiz Henrique Vieira Silva
Pró-Reitor de Assuntos Estudantis – Cláudio José Amante
Pró-Reitora de Pesquisa e Extensão – Débora Peres Menezes
Pró-Reitora de Pós-Graduação – Maria Lucia de Barros Camargo
Pró-Reitora de Ensino de Graduação – Yara Maria Rauh Muller
Secretário de Planejamento e Finanças – Luiz Alberton
Secretária de Cultura e Arte – Maria de Lourdes Alves Borges
Coordenador UAB - UFSC – Eleonora Milano Falcão Vieira
Coordenadora Adjunta UAB - UFSC – Dulce Márcia Cruz

CENTRO SÓCIO-ECONÔMICO
Diretor – Ricardo José Araújo Oliveira
Vice-Diretor – Alexandre Marino Costa

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS


Chefe do Departamento – Maria Denize Henrique Casagrande
Subchefe do Departamento – Flávio da Cruz
Coorda. Geral do Curso de Graduação na modalidade a distância – Maria Denize Henrique Casagrande
Coordenadora de Educação a Distância – Eleonora Milano Falcão Vieira
Coordenador de Tutoria e de Pesquisa e TCC – Altair Borgert
Coordenador de Ambiente Virtual de Ensino e Aprendizagem – Irineu Afonso Frey
Coordenador Financeiro – Erves Ducati
Coordenadora Pedagógica – Elisete Dahmer Pfitscher

EQUIPE DE PRODUÇÃO DE MATERIAL


Coordenação de Design Instrucional – Andreia Mara Fiala
Design Instrucional – Márcia Melo Bortolato
Revisão Textual – Maria Geralda Soprana Dias
Coordenação de Design Gráfico – Giovana Schuelter
Design Gráfico – Patrícia Cella Azzolini
Ilustrações – Fabrício Sawczen
Design de Capa – Guilherme Dias Simões
Felipe Augusto Franke
Steven Nicolás Franz Peña
Projeto Editorial – André Rodrigues da Silva
Felipe Augusto Franke
Guilherme Dias Simões
Steven Nicolás Franz Peña
Sumário

UNIDADE 1 – A empresa rural................................................................10

1.1 Conceitos.............................................................................................11
1.2 Classificação da empresa rural.............................................................11
1.3 Campo de atividade da empresa rural................................................ 13
1.4 Fatores de produção............................................................................ 15
1.5 Formas de exploração......................................................................... 16
1.6 Funções das empresas rurais............................................................... 18
1.7 Forma jurídica das empresas rurais..................................................... 18

UNIDADE 2 – A atividade agrícola e o registro das


operações...............................................................................22

2.1 O exercício social...............................................................................23


2.2 O plano de contas da atividade agropecuária.....................................23
2.3 A atividade agrícola............................................................................23
Culturas temporárias................................................................................................. 26
Culturas permanentes................................................................................................ 28
2.4 Depreciação, exaustão e amortização................................................ 31

UNIDADE 3 – A atividade de pecuária e o registro das


operações...............................................................................34

3.1 Classificação contábil.........................................................................36


3.2 Avaliação do rebanho no balanço patrimonial...................................36
Método de custo......................................................................................................... 37
Método a valor de mercado....................................................................................... 38

UNIDADE 4 – Sistemas de custos na atividade rural.............42

4.1 Métodos de custeamento.....................................................................43


Custeio por absorção................................................................................................. 43
Custeio variável.......................................................................................................... 43
4.2 Sistemas de acumulação de custos......................................................44
Sistema de custo por ordem de produção.................................................................. 44
Custeamento por processo........................................................................................ 45
UNIDADE 5 – A empresa cooperativa agropecuária................50

5.1 Cooperativismo.................................................................................. 51
Simbologia..................................................................................................................51
Origens....................................................................................................................... 52
Precursores................................................................................................................. 53
Princípios cooperativistas........................................................................................... 55
Movimento cooperativista no Brasil.......................................................................... 56
Movimento cooperativista em Santa Catarina.......................................................... 56
5.2 Sociedades cooperativas.....................................................................57
Objetivos sociais (Art. 5º Lei n. 5.764)....................................................................... 57
Características............................................................................................................ 58
Classificação e tipos.................................................................................................... 58
Sociedades comerciais x sociedades cooperativas...................................................... 60
5.3 Organização e constituição de cooperativas...................................... 61
Requisitos do empreendimento..................................................................................61
Assembleia de constituição........................................................................................ 63
Estatutos sociais (Art. 21, da Lei n. 5.764).................................................................. 64
Registros para regularização da cooperativa (Art. 17,18,19, da Lei n. 5.764).............. 65
Capital social.............................................................................................................. 66
Livros obrigatórios (Art. 22, Lei n. 5.764).................................................................. 66
5.4 Associados ou cooperados (Art. 29 a 37, Lei n. 5.764).......................67
Direitos e deveres dos associados............................................................................... 67
Responsabilidades dos associados.............................................................................. 68
Demissão, exclusão e eliminação de associados (Art. 32 a 35)................................... 68
5.5 Administração das sociedades cooperativas.......................................69
Assembleia geral (Art. 38 a 43, Lei n. 5.764).............................................................. 69
Conselho de administração (Art. 47 a 55, Lei n. 5.764)............................................. 70
Conselho fiscal........................................................................................................... 70
5.6 Fusão, incorporação, desmembramento e dissolução....................... 71
Fusão...........................................................................................................................71
Incorporação...............................................................................................................71
Desmembramento......................................................................................................71
Dissolução e liquidação...............................................................................................71
5.7 Do ato cooperativo e da legislação específica....................................75

Anexos.....................................................................................................................80

Referências...........................................................................................................88
Caro(a) aluno(a),
Seja bem-vindo(a)!
Como você sabe, a economia brasileira tem como uma de suas bases mais
importantes as atividades agrícola e pecuária. Por isso, é essencial que nos
preocupemos com o gerenciamento de custo envolvido nessas atividades e,
consequentemente, com a Contabilidade Fiscal e Gerencial.
Este livro está composto por cinco unidades e por um anexo.
Na primeira unidade, trataremos de aspectos básicos, como o conceito, a
classificação, o campo de atividade, os fatores de produção, as formas de explo-
ração, as funções e a forma jurídica das empresas rurais, que são a base de seu
conhecimento a respeito dessa configuração específica de empresa.
Na Unidade 2, por sua vez, trataremos da atividade agrícola e de seu re-
gistro contábil. Discutiremos as diferenças entre o exercício social para efeito
contábil e para efeito de produção da safra. Além disso, trataremos dos tipos
de culturas praticadas na atividade agrícola e listaremos alguns fatores impor-
tantes capazes de influenciar essa atividade.
A Unidade 3 é dedicada à atividade pecuária. Você verá que esta atividade
envolve animais para abate, para reprodução e para trabalho, o que implica,
necessariamente, uma classificação contábil para cada tipo de animal e, tam-
bém, uma forma de contabilização. Você também conhecerá as formas de ava-
liação para efeito de Balanço Patrimonial e para apuração de resultados.
A quarta unidade deste livro está voltada para a aplicação dos conceitos
de custos industriais para custear as atividades agrícola, pecuária e agroindus-
triais. Por isso, faremos uma breve revisão dos principais conceitos referentes
aos métodos de custeamento e aos sistemas de acumulação de custos, que
você já estudou em outras disciplinas.
Na quinta, e última, unidade, você aprenderá sobre a sociedade cooperativa
agropecuária. Para ambientá-lo com o assunto, apresentaremos o conceito de
cooperativismo e trataremos de suas origens e princípios. Além disso, discu-
tiremos a situação do cooperativismo no Brasil e no estado de Santa Catarina
e, por fim, falaremos da Sociedade cooperativa nos reportando à Lei n. 5.764
que rege a constituição, o funcionamento, a administração e a fiscalização das
sociedades cooperativas em nosso país.
Para finalizar, nos anexos, você encontrará um plano de contas dedicado à
atividade agropecuária.
Ao longo das unidades, nos quadros de Saiba mais, foram indicadas diversas
sugestões de leituras. Não deixe de consultá-las! Lembre-se de que este livro
é um guia e seria impossível abordar todos os assuntos com profundidade.
Nosso conhecimento se constrói com leituras e você é o principal ator desse
processo. Esperamos que você faça um bom trajeto ao longo desta disciplina.
Bons estudos!
Erves Ducati
Unidade 1

Unidade 1

A empresa rural
Nesta unidade, serão abordados o conceito, a classificação, campo de ati-
vidade, fatores de produção, formas de exploração, funções e forma jurídica
das empresas rurais, que são a base de seu conhecimento a respeito dessa
configuração específica de empresa. É uma unidade básica para sua aprendi-
zagem da disciplina.

1
Unidade 1 - A empresa rural

1.1 CONCEITOS

Segundo Marion (1992, p. 22), empresas rurais “são aquelas que exploram a
capacidade produtiva do solo através do cultivo da terra, da criação de animais
e da transformação de determinados produtos agrícolas”.
Para Crepaldi (1998, p. 23), “empresa rural é a unidade de produção em que
são exercidas atividades que dizem respeito a culturas agrícolas, criação de
gado ou culturas florestais, com a finalidade de obtenção de renda”.
Souza et al. (1988, p. 23) conceitua empresa rural como sendo, “a unidade
de produção que possui elevado nível de capital de exploração e alto grau de
comercialização, tendo como objetivos técnicos a sobrevivência, o crescimen-
to e a busca do lucro”.
A unidade de produção rural, segundo Souza et al. (1988, p. 19), “é a área
de terra onde se realiza a produção agropecuária. Desde que haja a produção
de um bem, o local onde ele é produzido, composto de terra, máquinas, equi-
pamentos, mão de obra, insumos, etc., é considerado uma unidade de produ-
ção”. Comumente, são chamadas de fazenda, sítio, propriedade rural, etc.

O conceito adotado por esta disciplina é o entendimento de empresa rural


como a unidade de produção que realiza a exploração das atividades de agro-
pecuária e da transformação de produtos agropecuários, visando à obtenção
de renda e lucro.

1.2 CLASSIFICAÇÃO DA EMPRESA RURAL

Muito se tem discutido sobre a maneira de classificar as empresas rurais no


Brasil, mas a opinião dos autores a respeito do assunto não é unânime. Em ou-
tras palavras, em algumas regiões do Brasil, determinadas classificações podem
ser questionadas. No entanto, todas são aceitas e passíveis de serem adotadas.
Assim, apresenta-se a seguir uma visão geral dessas classificações.

11
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Latifúndio
Unidade de produção que apresenta baixo nível de capital de exploração,
sendo este entendido como o valor do capital permanente, ou seja, o valor
da terra, das culturas permanentes, das benfeitorias e melhoramentos, das
máquinas, veículos, equipamentos e utensílios, dos animais de trabalho e de
produção, mais o valor do capital circulante (dinheiro, valores a receber e es-
toques). De uma maneira geral, é uma unidade de produção especializada ou
com poucas linhas de exploração, composta de grande quantidade terra, com
força de trabalho mista: empregados assalariados e parceiros/arrendatários.

Empresa capitalista
Unidade de produção com elevado nível de capital de exploração, daí a na-
tureza intensiva de sua produção. Sua força de trabalho é formada por trabalha-
dores assalariados, permanentes e temporários. É uma empresa com alto grau
de comercialização, uma vez que sua produção destina-se, principalmente, ao
mercado consumidor. Normalmente, apresenta produção especializada ou com
poucas linhas de produção, muitas vezes complementares ou suplementares.

Empresa familiar
Unidade de produção com elevado nível de capital de exploração. Nas re-
lações sociais de produção, predomina o trabalho não remunerado, realizado
pelos membros da família. Este tipo de empresa quase sempre possui um alto
grau de comercialização, com uma produção especializada, com poucas li-
nhas de exploração. As áreas de terra disponíveis são pequenas.

Unidade camponesa (minifúndios)


Apresentam baixo nível de capital de exploração. As relações sociais de tra-
balho têm a predominância do trabalho não remunerado ou mão de obra fa-
miliar. O grau de comercialização é baixo, pois ela produz para a subsistência
da família, sendo que o excesso de produção é comercializado. Muitas vezes,
a subsistência é complementada pelo trabalho fora da unidade de produção,
geralmente nas empresas capitalistas.

12
Unidade 1 - A empresa rural

1.3 CAMPO DE ATIVIDADE DA EMPRESA RURAL

De acordo com Marion (1992), as empresas rurais são definidas como aque-
las que exploram a capacidade produtiva do solo através do cultivo da terra,
da criação de animais e da transformação de determinados produtos agrícolas.
Essas empresas podem explorar três categorias diferentes de atividades, que
são: atividades agrícolas, zootécnicas e agroindustriais. Vejamos detalhes de
cada categoria.

Atividade agrícola
Abrange o cultivo do solo, chamada também de atividade cultivadora. Ela
se divide, segundo Aloe e Valle (1967, p. 15) em:
Cultura hortícola e forrageira:
• Cereais (feijão, arroz, trigo, aveia, etc.).
• Hortaliças (verduras, tomate, pimentão, etc.).
• Tubérculos (batata, mandioca, nabo, cenoura, beterraba, rabanete, etc.).
• Bulbos (cebola, alho).
• Sementes e plantas oleaginosas (mamona, amendoim, menta, giras-
sol, etc.).
• Fibras (algodão, linho, sisal, etc.).
• Especiarias (cravo, canela, pimenta, etc.).
• Floricultura (plantas ornamentais e flores).
• Forragens (alfafa, trevo, gramíneas, etc.).
• Plantas industriais (cana-de-açúcar, fumo, cacau, etc.).

Arboricultura
• Matas ou florestamento (para a produção de madeira, lenha, carvão).
• Pomares (árvores frutíferas).
• Olivais, vinhedos, seringais, etc.

13
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Atividade de pecuária (zootécnica)


Atividade pecuária refere-se à criação de animais, ou gado, e basicamente
ocorre em três fases: cria, recria e engorda. Ela se divide, segundo Aloe e Valle
(1967, p. 15) em:
• Apicultura (criação de abelhas).
• Avicultura (criação de aves).
• Sericicultura (criação do bicho-da-seda).
• Cunicultura (criação de coelhos).
• Ranicultura (criação de rãs).
• Piscicultura (criação de peixes).
• Bovinocultura (criação de gado bovino).
• Suinocultura (criação de suínos).
• outras culturas de animais.

Atividade agroindustrial
É a atividade que transforma o produto agropecuário natural ou manufatu-
rado para sua utilização intermediária ou final (MARION et al., 1996, p. 136).
Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, agroindús-
tria “é todo o segmento industrial de produtos alimentícios, as indústrias que
transformam matéria-prima agropecuária em produtos intermediários para
fins não alimentares e, como casos especiais, as indústrias de óleos vegetais
não comestíveis, de farinha de peixe e de rações, desde que utilizem insumos
agropecuários”. (MARION et al., 1996, p. 136):
• Beneficiamento de produtos agrícolas (arroz, café, milho, conservas).
• Transformação de produtos zootécnicos (mel, laticínios, casulos de seda).
• Transformação de produtos agrícolas (moagem do milho, trigo, cana-
de-açúcar, fabricação de aguardente, vinicultura, oleicultura).
• Transformação de produtos florestais.
• Produção de embriões de rebanhos em geral.

14
Unidade 1 - A empresa rural

1.4 FATORES DE PRODUÇÃO

A empresa rural, seja ela familiar ou patronal, é uma unidade de produ-


ção integrada por um conjunto de recursos denominados fatores de produção,
que se compõe de:
• terra;
• capital; e
• trabalho.

Vamos apresentar de forma sucinta as características de cada um desses


fatores:

A terra
É o mais importante dos fatores de produção, pois é na terra que se aplicam
os capitais e onde se trabalha para se obter a produção. Se a terra não oferecer
boas condições de produtividade, por mais capital e trabalho que se disponha,
dificilmente se produzirão colheitas ou produções abundantes e lucrativas.

O capital
É representado pelo conjunto de bens aplicados na propriedade com o ob-
jetivo de aumentar a sua produtividade e facilitar e melhorar a qualidade do
trabalho humano. Constitui-se de:
• Benfeitorias (galpões, aramados, aviários, pocilgas, silos, etc.).
• Animais de produção (animais matrizes, bovinos de leite, animais de
recria e engorda, etc.).
• Animais de trabalho (bois para serviços, cavalos, etc.).
• Máquinas e implementos agrícolas (tratores, arados, colheitadeiras, etc.).
• Insumos (adubos, sementes, fungicidas, vacinas etc.).

Os capitais de longa duração, que permanecem vários anos na empresa,


são os capitais fixos, e aqueles que são consumidos dentro do ciclo operacio-
nal são denominados capitais circulantes.

15
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

O trabalho
É o conjunto de atividades desempenhadas pelo homem, compreendendo
a execução de práticas agropecuárias, tais como lavrar a terra, cuidar de ani-
mais, etc. e a tarefa de administrar que inclui a coordenação das atividades dos
demais trabalhadores e a combinação de todos os fatores de produção, com a
finalidade de obter resultados econômicos satisfatórios.

Muito bem, com relação à empresa rural, já vimos o conceito, a classificação,


o campo de atividade, os fatores de produção. Agora, veremos as formas de
exploração.

1.5 FORMAS DE EXPLORAÇÃO

Nas empresas rurais, geralmente, encontram-se dois tipos de investimentos:


a. Capital fundiário: é aquele composto de terra, edifícios rurais, benfei-
torias e melhoramentos na terra, culturas permanentes, pastos, etc.; ou
seja, recursos fixos vinculados à terra, e dela não retiráveis;

b. Capital operacional ou de trabalho: composto de animais para reprodução,


recria, engorda, animais de trabalho, equipamentos e máquinas, veículos,
etc.; ou seja, o instrumental necessário para o funcionamento do negócio.

Diante disso, no exercício da atividade rural, depara-se com duas persona-


lidades econômicas distintas:
a. o proprietário da terra, que participa do negócio com o capital fundiário; e

b. o empresário, que participa com o capital operacional ou de trabalho,


podendo ser ou não o proprietário da terra.

A partir dessas combinações, pode-se obter associações quanto à forma de


exploração da atividade rural:

16
Unidade 1 - A empresa rural

Empresário com a propriedade da terra – a terra é explorada pelo pró-


prio dono, que assume todos os riscos, nela aplicando o capital e o trabalho,
beneficiando-se de todos os lucros obtidos.
Arrendamento – Ocorre quando o proprietário da terra aluga seu capital
fundiário – dificilmente aluga o capital operacional – por determinado período.
O arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual o proprietário (arren-
dador) aluga a terceiros (arrendatário) a propriedade rural ou parte dela, in-
cluindo ou não as benfeitorias e outros bens, com o objetivo de nela ser exerci-
da a atividade de exploração agrícola, zootécnica e agroindustrial, mediante a
retribuição certa (aluguel), observados os seguintes limites legais:
• 15% do valor cadastral do imóvel, incluídas as benfeitorias que en-
tram na composição do contrato.
• 30% quando se tratar de arrendamento parcial de apenas glebas se-
lecionadas para fins de exploração intensiva de alta rentabilidade.

Parceria – ocorre quando o proprietário da terra contribui no negócio com


o capital fundiário e o capital operacional, associando-se a terceiros em forma
de parceria. A parceria pode ser a meias (o lucro da produção é dividido pela
metade: uma parte para o proprietário e uma parte para o parceiro) à terça par-
te (1/3 para cada um), ou por outra forma de distribuição ajustada pelas partes.
A parceria rural é um contrato agrário pelo qual uma pessoa, proprietária
ou não (parceiro-outorgante) obriga-se a ceder a outra (parceiro-outorgado) o
uso específico do imóvel rural com o objetivo de nele ser explorada atividade
agrícola, zootécnica ou agroindustrial.
Comodato – é o empréstimo gratuito em virtude do qual uma das partes
cede por empréstimo, para que se use pelo tempo e nas condições preesta-
belecidas. Nesse caso, o proprietário cede seu capital sem nada receber do
comodatário.
Condomínio – são as propriedades em comum, ou a copropriedade, em que
os condôminos proprietários compartilham dos riscos e dos resultados, da mes-
ma forma que a parceria, na proporção da parte que lhes cabe no condomínio.

17
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

1.6 FUNÇÕES DAS EMPRESAS RURAIS

Vejamos as possibilidades de classificação das empresas rurais quanto à fun-


ção que desempenham:
• Função técnica de produção agrícola, zootécnica, e agroindustrial
– compreende o conhecimento especializado, a facilidade no uso de
tecnologia e de instrumentos que permitem alcançar bons resultados.

• Função comercial – compreende a compra de adubos, sementes, in-


seticidas, reprodutores, etc., e a venda dos produtos agrícolas, animais
e agroindustriais.

• Função financeira – compreende recebimentos e pagamentos, obten-


ção de financiamentos, depósitos bancários, aplicações financeiras, etc.

• Função econômica – compreende apuração de lucros e aumento do


patrimônio da empresa.

• Função social – objetiva criar bens econômicos para satisfazer as ne-


cessidades sociais da comunidade.

1.7 FORMA JURÍDICA DAS EMPRESAS RURAIS

Agora apresentamos a classificação das empresas rurais com base na orga-


nização jurídica possível:
• Pessoa física – é a pessoal natural, é todo ser humano. A existência da
pessoa física termina com a morte.

• Pessoa jurídica – é a união de indivíduos, os quais, através de um


contrato, formam uma nova pessoa, distinta de seus membros.

• Sociedades civis – As atividades agropecuárias são de natureza civil,


mesmo tendo fins lucrativos, podendo ser registradas sob a forma de:

18
Unidade 1 - A empresa rural

»» firma individual – cujo proprietário opera em seu próprio benefício;

»» sociedade de pessoas – união de dois ou mais empresários que le-


vam adiante o mesmo negócio. Ex.: cooperativas, associações, con-
domínios;

»» sociedade de capital, ou sociedade por ações – formada por pes-


soas físicas, podendo ou não haver a identificação das mesmas. Ex.:
sociedades por responsabilidade limitada, sociedades anônimas.

Saiba mais
Para saber mais sobre a questão jurídica que envolve as empresas rurais, reco-
mendamos a leitura dos artigos relacionados a seguir:

Empresa rural e o novo código civil:

[Link]

A empresa rural no código civil de 2002:

[Link]

RESUMO DA UNIDADE

Nesta unidade, buscamos contextualizar o tema para dar ao aluno uma


visão geral sobre os conceitos de empresa rural, classificação, campo de
atividade, fatores de produção, formas de exploração, funções da empresa
rural e a forma jurídica de sua constituição. Vimos que a empresa rural é
aquela unidade de produção que gera produtos agrícolas e pecuários, ou
que industrializa esses produtos. Além disso, de acordo com suas caracte-
rísticas, elas podem ser classificadas como latifúndio, empresa capitalista,
empresa familiar ou minifúndio. Vimos, também, que a forma de explora-
ção da empresa rural ocorre através de dois tipos de investimentos: capi-
tal fundiário e capital operacional ou de trabalho. A combinação ou não
destes tipos de investimentos proporciona diversas formas de exploração,
sendo as principais: empresário com a propriedade da terra; arrendamen-
to; parceria; comodato; e condomínio. A forma jurídica de constituição das
empresas rurais segue as normas do Código Civil Brasileiro, sendo peculiar,
no entanto, a manutenção da atividade rural como sendo da pessoa física.

19
Anotações d m a
Unidade 2

Unidade 2

A atividade agrícola e o
registro das operações
Nesta unidade, trataremos da atividade agrícola e do registro contábil desta
atividade. Discutiremos as diferenças entre o exercício social para efeito con-
tábil e para efeito de produção da safra. Além disso, listaremos alguns fatores
capazes de influenciar a atividade agrícola, como a qualidade da terra, o clima,
o ciclo de maturação dos produtos cultivados, os riscos envolvidos na atividade
em função de fatores climáticos, pragas, preços de mercado, não uniformidade
do produto resultante, dentre outros. Por fim, trataremos dos tipos de culturas

2
praticadas na atividade agrícola: as permanentes e as temporárias.
Unidade 2 - A atividade agrícola e o registro das operações

2.1 O EXERCÍCIO SOCIAL

A partir de 1985, o regulamento do Imposto de Renda tornou obrigatório que


todas as empresas tenham o exercício social coincidente com o ano civil. Nas
empresas rurais, esta imposição traz sérios prejuízos à contabilidade rural, visto
que, nessa atividade, o exercício social deveria ser coincidente com o período
agrícola, obtendo-se, então, uma melhor avaliação do desempenho da empresa.

2.2 O PLANO DE CONTAS DA ATIVIDADE


AGROPECUÁRIA

O plano de contas é a estrutura básica da escrituração contábil, pois é com


sua utilização que se estabelece o banco de dados com informações para a
geração de todos os relatórios e livros contábeis. Com as empresas rurais não
é diferente; elas também devem ter um plano de contas para suas atividades.

Nos tópicos seguintes, você verá como se organiza o plano de contas nas cul-
turas temporárias e permanentes.

2.3 A ATIVIDADE AGRÍCOLA

Algumas características próprias do setor rural, universais, afetam o seu


desempenho. O conhecimento dessas características é importante, pois elas
condicionam e exigem uma adequação na administração da empresa rural.
Vejam algumas, relacionadas a seguir:

Terra como fator de produção


Ela não é apenas um componente do processo de produção, mas, sim, é
participante desse processo, sendo imprescindível conhecer e analisar suas
particularidades físicas, biológicas, químicas e topográficas.

23
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Tempo de produção maior que tempo de trabalho


Em razão das características biológicas da exploração agropecuária, o pro-
cesso produtivo se desenvolve, em algumas fases, independentemente da exis-
tência ou não do trabalho. Na indústria, o trabalho modifica a produção; na
produção agropecuária, isso não acontece.

Irreversibilidade do ciclo de produção


A produção agropecuária é irreversível em função das características bio-
lógicas dos produtos. Assim, não se pode interromper a produção de uma
lavoura de milho para obter soja, feijão ou arroz. Por isso, o empresário rural
deve tomar as decisões, levando em consideração as condições do ambiente
(mercado, transportes, preços mínimos, políticas governamentais, etc.), assim
como as condições internas da empresa (disponibilidade de capital, mão de
obra, armazenamento, etc.).

Ciclo de produção dependente de condições biológicas


O período de produção e a qualidade produzida dependem basicamente
das condições biológicas. Consequentemente, nada adiantará a implantação
de um terceiro turno de trabalho ou pagamento de horas extras.

Dependência do clima
O clima condiciona a maioria das explorações agropecuárias. Determina,
por exemplo, as épocas de plantio, tratos culturais, colheitas, capacidade de
suporte de pastagens, escolha de variedades e espécies vegetais e animais.

Perecibilidade dos produtos


A maioria dos produtos agropecuários é perecível, alguns mais, outros
menos. Os mais perecíveis exigem um planejamento rigoroso de produção e
comercialização, principalmente bom sistema de transposte, armazenagem e
conservação.

Riscos
A seca, a falta de chuva ou o excesso de granizo, geada, ataques de praga e
moléstias, flutuações nos preços de mercado são riscos que afetam o dia a dia
do empresário rural.
24
Unidade 2 - A atividade agrícola e o registro das operações

Estacionalidade da produção
A dependência do clima e as condições biológicas determinam a estaciona-
lidade da oferta, ou seja, há épocas em que há excesso ou falta de produtos. A
grande maioria dos produtos agrícolas apresenta uma demanda constante ao
longo do ano, enquanto a oferta se distribui de forma irregular.

Trabalho disperso
Não existe um fluxo contínuo de produção como na indústria, e as ativi-
dades desempenhadas, na maioria das vezes, não dependem umas das outras.
Exemplo: uma turma de trabalhadores efetua a limpeza de pastagens, enquan-
to outra efetua a adubação para plantio de milho, além de o trabalho ser exe-
cutado em diversos lugares. Essa característica exige planejamento e controle
rigoroso da utilização de mão de obra.

Trabalho ao ar livre
No setor rural, o trabalho, normalmente, é realizado ao ar livre, havendo
a sujeição às condições climáticas. Essa característica, aliada à anterior, condi-
ciona uma menor produtividade do trabalhador rural.

Não uniformidade da produção


No setor rural, há dificuldades de se obter produtos uniformes quanto ao
tamanho, forma e qualidade. Quando há exigências de uniformidades, isso
acarreta custos adicionais de classificação, elevando-se os custos da produção.

Altos custos de entrada e saída da atividade agrícola


Algumas explorações apresentam altos custos de entrada/saída da ativida-
de, condicionados, normalmente, pela necessidade de altos investimentos em
benfeitorias e maquinários específicos (ex. pecuária leiteira). Condições adver-
sas de preço e mercado devem ser suportadas a curto prazo, pois o prejuízo do
abandono poderá ser maior, do que o de se manter na atividade.

Na atividade agrícola, existem dois tipos de cultura: temporária e perma-


nente. Vamos estudar cada uma delas a seguir.

25
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

2.3.1 Culturas temporárias


São aquelas que oferecem apenas uma colheita, pois o período de vida des-
sas culturas normalmente é curto, sendo necessário o replantio após cada co-
lheita. Ex.: soja, milho, feijão, batata, etc. Seus custos são identificáveis com o
tipo de cultura, tal como ocorre em uma indústria, são registrados no Ativo
circulante, como “estoques em andamento”, ou “cultura temporária em an-
damento” ou conta similares.
Seus principais custos estão relacionados com: sementes, fertilizantes, mudas,
demarcações, mão de obra com encargos sociais, energia elétrica, combustíveis,
seguros, inseticidas, depreciações, preparo da terra, etc. Os gastos com bens e
serviços não utilizados nas atividades produtivas e consumidos com a finalidade
de obter receitas são chamados de “despesas”. Assim, na empresa rural, como
muitas vezes esta classificação é difícil, a regra básica é: os gastos realizados com
a produção agrícola até que se obtenha o produto pronto são considerados “cus-
tos”; a partir daí, todos os demais gastos, são considerados “despesas”.
Colheita da cultura temporária – é a etapa final da cultura temporária.
Após a colheita, iniciam-se os preparativos de replantio da cultura. Desta for-
ma, é o ponto final da cultura temporária. Assim, os custos registrados até
o final da colheita contabilizados em “estoques em andamento”, “cultura
temporária em andamento” serão considerados como custos finais da cultura
temporária em formação. O custo total apurado deverá ser transferido para
uma conta de estoques, no ativo circulante, “Produtos agrícolas prontos” ou
conta semelhante.

Lançamentos contábeis utilizados


Pela formação até a colheita da cultura:
D – Custos da cultura temporária em andamento ou Estoques em andamento.
Especificar em uma subconta qual é a cultura.
C – Caixa/Bancos/Fornecedores.

26
Unidade 2 - A atividade agrícola e o registro das operações

Opcionalmente, pode-se ter:


Custos da cultura temporária (grupo de conta de resultado):
D – Sementes
D – Inseticidas
D – Mão de obra e encargos sociais
D – Custos indiretos da cultura
D – Outros custos da cultura temporária
C – Caixa/Bancos/Fornecedores/Contas a pagar.
Lançamento pela apropriação dos custos na época da sua realização:
D – Estoques em andamento ou Custos da cultura temporária em an-
damento (Ativo Circulante).
Custos da cultura temporária (grupo de conta de resultado).
C – Sementes
C – Inseticidas
C – Mão de obra e encargos sociais
C – Custos indiretos da cultura
C – Outros custos da cultura temporária.
Lançamento pela transferência dos custos para estoque por ocasião do
final do período contábil, mesmo que a colheita não se realize.
Por ocasião da colheita da cultura temporária:
D – Produtos agrícolas prontos (identificar a cultura numa subconta).
C – Estoques em andamento ou Custos da cultura temporária em an-
damento.

27
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Pela venda dos produtos agrícolas:


D – Caixa/Bancos/Duplicatas a receber.
C – Receita de venda de produtos agrícolas (especificar a qual cultura
se refere).
D – Custos dos produtos agrícolas vendidos (especificar a qual cultura
se refere).
C – Produtos agrícolas prontos (identificar a cultura numa subconta).

Quando houver custos adicionais referentes a beneficiamento/acondi-


cionamento dos produtos, sugere-se que os produtos agrícolas provenientes da
colheita sejam registrados contabilmente a débito da conta Produtos agrícolas
em beneficiamento no Ativo circulante, onde receberão os custos adicionais re-
ferentes ao beneficiamento. Quando encerrar esta etapa de beneficiamento, en-
tão, transferem-se para a conta Produtos agrícolas prontos do Ativo circulante.

Atividades de Aprendizagem – 1
Para fixação deste conhecimento sobre culturas temporárias, estude o exer-
cício 1, já resolvido, e busque resolver o exercício 2 – Culturas Temporárias,
disponíveis no AVEA.

2.3.2 Culturas permanentes


São aquelas não sujeitas a replantio após cada colheita. Ex.: cana-de-açúcar,
café, laranja, maçã, uva, etc. Alguns estudiosos atribuem às culturas perma-
nentes uma duração mínima de quatro anos. No entanto, para efeito contábil,
a cultura que tenha duração de mais de um ano e que propicie mais de uma
colheita ou produção já é considerada permanente.
As características das culturas classificadas como permanentes indicam que
sua formação pode demorar vários anos até que comecem a produzir. Assim,
os custos envolvidos nesse período de formação contabilmente devem ser re-

28
Unidade 2 - A atividade agrícola e o registro das operações

gistrados no Ativo Imobilizado, em conta denominada “Culturas permanen-


tes em formação”. Para cada tipo de cultura permanente, deverá haver uma
conta correspondente, objetivando o melhor controle. Os principais custos da
formação da cultura permanente são: sementes, fertilizantes, mudas, mão de
obra, energia elétrica, irrigação, depreciações, etc.
Quando a cultura atinge sua maturidade, e antes da primeira floração ou da
primeira produção, seu custo é transferido de “Culturas permanentes em for-
mação” para “Culturas permanentes formadas”, também no Ativo Imobilizado.
A partir do início da primeira floração/produção, os gastos referentes à
cultura deverão ser considerados como custos de formação e maturação de
produtos, devendo ser registrados em conta do Ativo Circulante – Estoques,
como “Colheita em andamento”.
Com relação às contas de “Culturas permanentes em formação” para “Cul-
turas permanentes formadas”, também no Ativo Imobilizado, ressalte-se que
a primeira não deverá sofrer depreciação ou exaustão, ao passo que a segunda
será depreciada ou exaurida a partir da data da primeira colheita, levando-se
em consideração, então, a vida útil da referida cultura. Portanto, os custos re-
ferentes à depreciação/exaustão/amortização também deverão ser acrescidos
aos custos de formação e maturação do produto.
A conta “Culturas permanentes formadas” poderá sofrer acréscimo de va-
lor quando recursos forem aplicados objetivando aumentar sua vida útil e me-
lhorar sua produtividade.
Perdas extraordinárias decorrentes de intempéries do tempo, ou incêndios,
que provoquem perda parcial ou total da capacidade da cultura, deverão ser
considerados perdas do período, sendo baixadas do Ativo Imobilizado e trans-
feridas para o Resultado do Exercício.

Lançamentos contábeis utilizados


Pela formação da cultura até a colheita:
D – Cultura permanente em formação (especificar a cultura) (Ativo
imobilizado).
C – Caixa/ Bancos/ Duplicatas a pagar/ Fornecedores.

29
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

No término da formação da cultura:


D – Cultura permanente formada (especificar a cultura) (Ativo Imo-
bilizado).
C – Cultura permanente em formação (especificar a cultura).
No período de formação e maturação do produto até a colheita:
D – Colheita em andamento (especificar o produto).
C – Caixa/ Bancos/ Duplicatas a pagar/ Fornecedores.
Pelo término da colheita:
D – Produtos agrícolas (especificar o produto) – Estoques/Ativo cir-
culante.
C – Colheita em andamento (especificar o produto).
Pela venda dos produtos agrícolas:
D – Caixa/Bancos/Duplicatas a receber.
C – Receita de venda de produtos agrícolas (especificar o produto).
D – Custos dos produtos agrícolas vendidos (especificar o produto).
C – Produtos agrícolas (especificar o produto).
Pelas perdas extraordinárias:
D – Perdas extraordinárias – Despesas.
C – Culturas permanentes formadas (especificar a cultura).
No próximo tópico, veremos como acontecem depreciação, exaustão e
amortização em empresas rurais.

30
Unidade 2 - A atividade agrícola e o registro das operações

2.4 DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO

Depreciação – A taxa anual de depreciação é determinada em função da


vida útil econômica ou da capacidade de produção de bens. E, nesse processo,
é imprescindível a participação de agrônomos, de técnicos em agronomia ou
dos próprios agricultores, pois eles detêm os conhecimentos necessários a sua
determinação. Ocorrerá a depreciação somente em casos de empreendimen-
tos próprios da empresa e dos quais serão extraídos apenas os frutos.
Métodos de depreciação: Linear ou linha reta, soma dos dígitos dos anos
crescente ou decrescente, taxas variáveis ou das unidades de produção.
Amortização – Refere-se às aquisições de direitos sobre empreendimen-
tos de propriedade de terceiros, por prazo determinado, como, por exemplo,
aquisição de direito de colheita de um pomar durante quatro anos. Apro-
priam-se os valores de custo deste empreendimento pelo período contrato,
neste caso, quatro anos.
Exaustão – relaciona-se com a perda de valor da cultura, ao longo do tempo,
decorrente da sua exploração. Desta forma, quando o produto final é a própria
árvore que é extraída do solo, deve-se contabilizar a exaustão na proporção exis-
tente entre a quantidade de árvores extraídas em cada exercício e o total de árvo-
res existentes no início desse mesmo exercício, ou seja, pela possança existente.
Nos casos em que, após o corte, ocorra uma nova produção sem um respectivo
replantio, o cálculo da exaustão deve levar em consideração a quantidade de
cortes esperados/sua produção durante a vida útil do empreendimento.

Atividades de Aprendizagem – 2
Para fixação deste conteúdo, estude o Exercício 3 e, posteriormente, resolva
os seguintes exercícios disponíveis no AVEA da disciplina:

• Exercício 4 – Culturas permanentes


• Exercício 5 – Culturas temporárias e permanentes
• Exercício 6 – Culturas temporárias e permanentes

31
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Saiba mais
Para saber mais a respeito dos assuntos tratados nesta unidade, recomenda-
mos as seguintes leituras:

ALOE, Armando; VALLE, Francisco. Contabilidade agrícola. São Paulo: Atlas, 1967.

CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade rural: uma abordagem decisória.


São Paulo: Atlas, 1988.

MARION, José Carlos. Contabilidade rural. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1992.

Você também pode consultar alguns links interessantes:

[Link]

[Link]

[Link]
DADE-DO-AGRONEGOCIO

RESUMO DA UNIDADE

Nesta unidade, estudamos a atividade agrícola e conhecemos algumas de


suas características. Como você deve ter percebido, trata-se de uma ativida-
de que se baseia na terra para produzir, que está sujeita a riscos climáticos
(já que depende fundamentalmente das condições do tempo) e de merca-
do. Vimos, também, que a produção é cíclica. Ou seja: se plantamos milho,
dependeremos do tempo certo para que possamos colhê-lo, e não há como
adiantar esse processo de produção. Se plantamos uma muda de laranjei-
ra, vai demandar um certo tempo para que essa muda cresça, para que se
torne uma árvore adulta e passe a produzir frutos. Aprendemos, ainda, que
a cultura temporária é aquela que tem como base produtos agrícolas que
dependem de replantio a cada ciclo de produção, como o milho, o arroz e o
feijão. A cultura permanente, por sua vez, é aquela por meio da qual obte-
mos produtos agrícolas provenientes de diversos ciclos de produção, como
a laranja, a maçã e a uva. Por fim, através dos exercícios, pode-se distinguir
as formas de contabilização das culturas temporárias e das permanentes.

32
Unidade 3

Unidade 3

A atividade de pecuária e o
registro das operações
Nesta unidade, trataremos da atividade pecuária, bem como das fases de
criação. Esta atividade envolve animais para abate, para reprodução e para
trabalho, o que implica, necessariamente, uma classificação contábil para cada
tipo de animal e, também, uma forma de contabilização. Além disso, veremos
as formas de avaliação para efeito de Balanço Patrimonial e para apuração de
resultados, quais sejam: o método de custo e o método de valor de mercado.

3
Unidade 3 - A atividade de pecuária e o registro das informações

Na pecuária, encontramos três fases distintas que caracterizam a atividade,


pelas quais passam os animais que se destinam ao abate:
CRIA – a atividade básica é a produção de animais destinados à venda após
o desmame. Na atividade avícola, esta atividade ocorre para os animais des-
tinados ao abate pelo tempo de até 15 dias. Nas aves destinadas à reprodução
(matrizes) este processo dura do primeiro dia de vida até a 4ª semana de vida.
RECRIA – esta atividade ocorre após a CRIA, e normalmente se refere ao
período no qual o animal atinge sua idade adulta. Na atividade de bovinocul-
tura, ocorre através da aquisição de bezerros para a produção e venda de no-
vilhos magros para a engorda. Na atividade avícola, isso ocorre nas aves para
abate a partir do 15° dia ao 30° dia; e nas aves para reprodução, a partir da 5ª
semana até a 24ª semana.
ENGORDA – refere-se ao período no qual o animal recebe tratamento vi-
sando ao aumento de peso, objetivando basicamente o seu abate. Na atividade
de bovinocultura, ocorre através da aquisição de novilhos para a produção
e venda de novilhos gordos para abate. Na atividade avícola, com relação às
aves para abate, essa fase ocorre a partir do 31° dia até o envio das aves para
abate, que se dará em média no 40° ao 45° dia. Com relação às aves matrizes/
reprodutoras, esta fase recebe o nome de REPRODUÇÃO e vai da 24ª semana
até a 68ª ou 72ª semana. Com o avanço tecnológico e o desenvolvimento de
novas técnicas de manejo, este prazo em algumas empresas do ramo tem au-
mentado, atingindo em torno de 80 semanas.
Algumas empresas, em função da sua atividade, ou da forma de controle
utilizado, optam pela combinação das três formas acima, resultando então em:
• cria;
• recria;
• cria–recria;
• cria–recria–engorda;
• recria–engorda;
• engorda.

35
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

3.1 CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL

Os animais destinados à reprodução (matrizes, reprodutores) são classi-


ficados no Ativo Imobilizado, sujeitando-se a depreciação – em função de sua
vida útil como reprodutores. Importante ressaltar que determinadas empre-
sas rurais adquirem as matrizes ou reprodutores com poucos dias de vida, e
eles passam pelas fases de cria, recria e reprodução. Nesses casos, tanto a aqui-
sição, como todos os custos relativos a sua criação, até o momento em que se
inicia o processo de reprodução, serão classificados no Ativo Imobilizado, em
conta que represente Animais em fase de cria (em andamento, em formação).
Neste caso, inicia-se a depreciação quando inicia a reprodução.
Se as matrizes ou reprodutores forem adquiridos já em fase de reprodução,
então, serão classificados no Ativo Imobilizado, na conta Matrizes e/ou Re-
produtores, sujeitando-se a depreciação.
Os animais que se destinam ao abate serão classificados no Ativo Circu-
lante, no subgrupo de Estoques, em contas que identifiquem o tipo de animal.
Após ter sido feito o registro no Ativo Circulante, pode ocorrer a opção por
deixar tal animal como reprodutor. Neste caso, transferem-se os valores de
custos para o Ativo Imobilizado. Isso deve ocorrer após um período de experi-
mentação, quando o animal demonstrar qualidades de reprodução, tais como:
carcaça, peso, fertilidade, ardor sexual, etc.
Os animais de trabalho serão classificados no Ativo Imobilizado, passíveis
de depreciação pelo tempo de sua vida útil – trabalho prestado. Deverão ser
identificados em conta diferente dos animais de reprodução.

3.2 AVALIAÇÃO DO REBANHO NO BALANÇO


PATRIMONIAL

Para apuração dos resultados da empresa rural, o rebanho existente na data


do balanço, registrado no Ativo Circulante, deve ser inventariado pelo custo
real, ou de produção, admitindo-se, no entanto, o inventário pelo preço cor-
rente de mercado.

36
Unidade 3 - A atividade de pecuária e o registro das informações

3.2.1 Método de custo


Os ativos são incorporados à entidade pelo valor de aquisição ou pelo cus-
to de produção (incluindo todos os gastos necessários para colocar o ativo
em condições de gerar benefícios para a empresa). Nesta forma de avaliação
prevalece o princípio contábil do Custo histórico como base de valor. O gado
em formação (classificado no Ativo Circulante) recebe os custos de produção,
que compreendem: mão de obra, exaustão de pastagens, alimentação, vacinas,
medicamentos, depreciação de matrizes/reprodutores, etc.
Pelo método de custo a empresa rural assemelha-se à empresa industrial,
onde todo o custo da formação do rebanho é acumulado ao plantel e destaca-
do no “estoque”. Por ocasião da venda do plantel, efetua-se a baixa do “esto-
que”, debitando-se o “Custo do gado vendido”. Portanto, a apuração do lucro
será no momento da venda.
O quadro a seguir apresenta o funcionamento das contas contábeis no Ba-
lanço Patrimonial e na Demonstração de Resultado:

BALANÇO PATRIMONIAL DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO

Ativo Circulante Receita Bruta

ESTOQUES
Animais em formação Receita c/Venda de Gado yyyyyyyy

(-) Custo Gado Vendido xxxxxxx1


xxxxxxxx
xxxxxxxx xxxxxxx1
xxxxxxxx = custo pela venda do = Lucro Bruto zzz
de formação do rebanho
rebanho

37
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

3.2.2 Método a valor de mercado


Neste método, o plantel é avaliado periodicamente com base em seu valor
de venda. Desta forma, o crescimento natural do rebanho, cujo valor é bem
superior ao respectivo custo, é reconhecido como receita em cada exercício
social, propiciando um lucro econômico. Sua utilização em empresas rurais
encontra amparo no § 4 do art. 183 da Lei 6.404/76. (Os estoques de mercado-
rias fungíveis destinadas à venda poderão ser avaliados pelo valor de mercado,
quando este for o costume mercantil aceito pela técnica contábil.).

Para consultar o Parágrafo 4 do artigo 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro


de 1976, basta acessar o seguinte endereço eletrônico:

[Link]

Considerando que na atividade de pecuária o ciclo operacional é relativa-


mente longo (dois a três anos), se a receita fosse reconhecida somente no mo-
mento da venda (como é o caso pelo método de custo histórico), haveria uma
defasagem muito grande para a confrontação do custo formado em diversos
exercícios com a receita de venda.
Neste método, o gado fica destacado na conta de “estoque” pelo valor de
mercado e não de custo, e no resultado é reconhecido o ganho econômico do
período, que é a diferença entre o valor de mercado atual e o valor de mercado
do período anterior. Chama-se ganho econômico em virtude de não repre-
sentar uma entrada de recursos, mas apenas uma valorização do estoque. O
acréscimo ou a redução do preço de mercado de um ano para outro serão atri-
buídos aos estoques, e a contrapartida será uma variação patrimonial líquida
(superveniências ativas, ou, no caso de redução, Insubsistências ativas – grupo
de receitas operacionais).
O quadro a seguir apresenta o funcionamento das contas contábeis no Ba-
lanço Patrimonial e na Demonstração de Resultado:

38
Unidade 3 - A atividade de pecuária e o registro das informações

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO –
BALANÇO PATRIMONIAL – ANO 20X1
ANO 20X1

Ativo Circulante Receita Bruta

ESTOQUES
Animais em formação Variação Patrimonial Bruta
Superveniências ativas xxx2
Saldo inicial xxxx (-) Custo Gado Vendido

xxx2 = acréscimo do
valor do gado de um = Lucro Bruto Econômico
período para outro

No ano seguinte, o rebanho contabilizado no estoque pelo valor de mer-


cado será avaliado com um novo preço de mercado. O acréscimo no preço de
mercado de um ano para outro será adicionado no estoque e creditado como
Variação Patrimonial Líquida (superveniência ativa).
Da Variação Patrimonial Líquida será subtraído o custo do rebanho no pe-
ríodo para se apurar o novo lucro econômico.
Por ocasião da venda do rebanho, dá-se a realização financeira do lucro
econômico, onde se efetua a baixa dos estoques debitando-se em contraparti-
da a conta Receita com Vendas/Variação Patrimonial Líquida pelo valor dos
estoques a preço de mercado. O valor correspondente à venda do rebanho
será debitado na conta “caixa” ou “duplicatas a receber” e creditada na conta
de Receita com Vendas.

Saiba mais
No AVEA, disponibilizamos um exemplo de aplicação dos métodos a partir
do apresentado por Marion, J. C., no livro Contabilidade rural (1992).

39
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Atividades de Aprendizagem – 3
Após verificar o exemplo disponibilizado, faça os exercícios da unidade 3 (de
7 a 11), disponíveis no AVEA.

RESUMO DA UNIDADE

Nesta unidade, vimos que a atividade pecuária ou zootécnica compor-


ta três tipos de animais: aqueles destinados à reprodução, classificados
como ativos permanentes no imobilizado; aqueles destinados ao abate,
classificados como ativo circulante no subgrupo de estoques; e aqueles
utilizados para trabalho, também classificados como ativo permanente
no subgrupo imobilizado. Além disso, vimos que, de acordo com o des-
tino dado a cada tipo de gado, há uma correspondente forma de conta-
bilização. Assim, o gado para reprodução e para trabalho é depreciado
pelo tempo de vida útil em cada atividade correspondente; já o gado para
abate representa uma mercadoria ou um produto, que é produzido pela
empresa e que será vendido posteriormente para a clientela; daí a sua
classificação como estoque. Aprendemos, também, que existem duas
formas de avaliar o rebanho para efeito de levantamento de Balanço Pa-
trimonial e para apuração do resultado (lucro ou prejuízo) da empresa,
quais sejam: pelo valor de custo ou pelo valor de mercado.

40
Unidade 4

Unidade 4

Sistemas de custos na
atividade rural
Nesta unidade, trataremos da aplicação dos conceitos de custos industriais
para custear as atividades agrícolas, de pecuária e, também, as atividades
agroindustriais. Neste contexto, faremos uma rápida revisão dos principais
conceitos referentes aos métodos de custeamento e aos sistemas de acumu-
lação de custos, já exaustivamente estudados na disciplina de Contabilidade
de Custos deste curso.

4
Unidade 4 - Sistemas de custos na atividade rural

4.1 MÉTODOS DE CUSTEAMENTO

Nesta seção, trataremos somente dos métodos tradicionais de custeio,


quais sejam: o custeio por absorção e o custeio variável. Como se trata de
matéria já estudada na disciplina de Contabilidade de Custos, abordaremos o
assunto de maneira mais breve.

Se este assunto, no momento, não está tão presente na sua memória, não
hesite em consultar o material sobre Contabilidade de Custos!

4.1.1 Custeio por absorção


Consiste na apropriação de todos os custos de produção aos produtos ela-
borados de forma direta e indireta, obtidos através de rateios.
O método combina custos fixos e variáveis em uma mesma taxa composta;
é falho como instrumento gerencial de tomada de decisão, pois tem como
premissa básica o rateio dos custos fixos, os quais, apesar de se apresentarem
de forma lógica, poderão levar a alocações arbitrárias e até enganosas.

4.1.2 Custeio variável


Consiste na apropriação de todos os custos e despesas variáveis, diretos ou
indiretos. Os custos e despesas fixas são considerados como despesas do pe-
ríodo, indo diretamente para o resultado. Os estoques serão avaliados pelos
custos variáveis.
O Custeamento direto, com sua separação entre custos variáveis e custos
fixos, e o cálculo do valor da margem de contribuição, facilitam qualquer aná-
lise da relação custo-volume-lucro (ponto de equilíbrio, comprar x fabricar,
substituir determinado produto na linha de produção, etc.).

43
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

4.2 SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS

Os sistemas de acumulação de custos representam a maneira como os cus-


tos serão aglutinados aos produtos, e aplicam-se às empresas em função do
processo de produção de cada produto. Assim, pode-se utilizar o sistema de
custo por ordem de produção ou o sistema de custeamento por processo,
ou, ainda, pode-se utilizar ambos, desde que haja compatibilidade com o pro-
cesso de produção em questão. O primeiro é utilizado quando se produz para
atender a especificações do cliente; e o segundo é utilizado por empresas com
processo de produção contínuo e produtos padronizados.

4.2.1 Sistema de custo por ordem de produção


É o sistema de custeamento no qual cada elemento do custo é acumulado
separadamente, segundo ordens específicas de produção/serviços, emitidas
pela seção de fabricação.

Tipos de atividades que utilizam o sistema:


• O sistema de custo por ordem de produção é utilizado em empresas
onde a produção se realiza por lotes ou encomendas em conformida-
de com especificações do cliente. Por exemplo: indústria de móveis,
empresas construtoras de casas, etc.

• O sistema pode também ser utilizado por empresas que primeiro reú-
nam as partes de um produto que, posteriormente, passa por um ou
mais processos ou departamentos de acabamento.

Características das ordens de produção (OPs):


1. Identificam a produção de lotes ou produtos diferentes durante o pro-
cesso de fabricação.

2. Somente quando do término das OPs ou através de levantamento de


um inventário físico, pode-se saber o custo real de fabricação do produto.

3. O custeamento por OP é usado normalmente por empresas com produ-


ção intermitente e cujos lotes ou produtos são perfeitamente identifica-

44
Unidade 4 - Sistemas de custos na atividade rural

dos no processo de produção. Normalmente, produção não padroniza-


da ou não repetitiva.

4. A conta de Produtos em Elaboração é usada para registrar os custos, os


produtos manufaturados e o inventário de produtos em elaboração. Os
custos incluídos nas OPs, enquanto estas não forem completadas, com-
põem o estoque de produtos em elaboração.

4.2.2 Custeamento por processo


É um sistema de acumulação de custos de produção por departamento ou
centro de custos. Destina-se a acumular os custos numa empresa em que a
fabricação se caracteriza por produtos padronizados, produção contínua e de-
manda constante. Objetiva determinar os custos incorridos em determinado
período, assim como o custo unitário total.
Empresas que utilizam o sistema: alimentícias, de produção de lâmpadas,
tintas, farmacêutica, química, cimento, têxtil, etc.

Características gerais:
• Os produtos são padronizados.

• A produção é contínua, isto é, existe um fluxo lógico das operações.

• Os custos são atribuídos às contas departamentais da produção em


processo.

• A produção é acumulada e relatada por departamentos, ou por fase de


fabricação.

• A produção em processo, no final de um período, é demonstrada em


termos de unidades concluídas.

• Calcula-se o custo das unidades perdidas ou danificadas para adicioná-


lo ao custo das unidades perfeitamente acabadas.

• Os produtos são mantidos em estoque.

• Os clientes se sujeitam aos produtos que existem no mercado.

45
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Registros para o funcionamento do sistema


Fluxo físico – Traçar o fluxo físico da produção; ou seja, de onde vieram
as unidades produzidas? Para onde foram? Fazer um fluxograma do processo
de produção.
Unidades equivalentes – Se houver estoques inicial e final de produtos em
elaboração, verificar em que estágios de fabricação se encontram; e juntamen-
te com as unidades acabadas, determinar a produção equivalente do período,
ou seja, a quantidade produzida no período.
Custos aplicados na produção – Agrupar em custos de materiais diretos,
mão de obra direta e custos indiretos de fabricação, considerando que os cus-
tos aplicados referem-se a determinado período.
Estoques existentes – É importante ter devidamente avaliada a posição do
estoque de produtos acabados e em elaboração existentes no início e no final
período.
Perdas na produção – É necessário saber o volume das perdas na produção,
em cada processo, pois só assim pode-se calcular o seu custo.

46
Unidade 4 - Sistemas de custos na atividade rural

Saiba mais
Para saber mais sobre este assunto, você pode consultar qualquer uma das
referências abaixo recomendadas:

BACKER, M.; JACOBSEN, L. E. Contabilidade de custos: um enfoque de admi-


nistração de empresas. São Paulo: McGraw-Hill, 1979, v. 1 e 2.
BORNIA, Antonio Cezar. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas
modernas. Porto Alegre: Bookman, 2002.
HANSEN, Don. R.; MOWEN, Maryanne M. Gestão de custos: contabilidade e
controle. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001.
HORNGREN, Charles T. et al. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Pren-
tice Hall, 2004, v. 1 e 2.
LEONE, George S. G. Custos: planejamento, implantação e controle. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 1989.
LEONE, George S. G. Custos: um enfoque administrativo. 3. ed. Rio de Janeiro:
FGV, 1980.
MAHER, Michael. Contabilidade de custos: criando valor para a administração.
São Paulo: Atlas, 2001.
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1996.
MATZ, Adolph et al. Contabilidade de custos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1980, v. 1, 2, 3.
PEREZ Jr. José Hernandez et al. Gestão estratégica de custos. São Paulo: Atlas, 1999.
STARK, José Antônio Ferreira. Contabilidade de custos. São Paulo: Prentice
Hall, 2007.

WERNKE, Rodney. Análise de custos e preço de venda. São Paulo: Saraiva, 2005.

47
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Atividades de Aprendizagem – 4
Para encerrar esta unidade, você deve fazer os exercícios 12 e 13, disponibiliza-
dos no AVEA da disciplina.

Além disso, você deve fazer também o exercício referente à ROTINA CONTÁ-
BIL DA EMPRESA AGROINDUSTRIAL, sobre “Demonstração de resultado do
exercício e Balanço patrimonial”, mais especificamente o EXERCÍCIO Nº 14,
disponível no AVEA da disciplina.

RESUMO DA UNIDADE

Nesta unidade, revisitamos os conceitos estudados anteriormente na dis-


ciplina de Contabilidade de Custos, agora aplicados a empresas rurais nas
atividades de pecuária e de agroindústria. Pode-se dizer que a dinâmica
do funcionamento dos custos é a mesma, e que sofre pequenas adap-
tações em função da peculiaridade da atividade em que são aplicados.
Além disso, vimos o método de custeio por absorção e do sistema de
acumulação de custos por processo aplicado a uma criação de gado para
abate e para reprodutores, e, também, a aplicação desses métodos em
uma agroindústria do ramo de beneficiamento de soja.

48
Unidade 5

Unidade 5

A empresa cooperativa
agropecuária
Nesta unidade, trataremos da sociedade cooperativa agropecuária. Para
embasar o assunto, apresentaremos os conceitos de cooperativismo, simbo-
logia, origens do cooperativismo, precursores, princípios cooperativistas e
situação do cooperativismo no Brasil e no estado de Santa Catarina. Por fim,
falaremos da Sociedade cooperativa nos reportando à Lei n. 5.764 que rege a
constituição, o funcionamento, a administração e a fiscalização das socieda-
des cooperativas no Brasil.

5
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

5.1 COOPERATIVISMO

É a doutrina que visa à renovação social através da cooperação. É a doutri-


na econômica que, consagrando os princípios fundamentais da liberdade hu-
mana, intervém na ordem econômica, em defesa do interesse de agrupamen-
tos organizados, para proporcionar a cada um de seus participantes o melhor
resultado de sua atividade econômica pessoal.
Cooperação – do latim – cooperari = operar juntamente com alguém.
Do ponto de vista sociológico, COOPERAÇÃO, é a forma de integração
social e pode ser entendida como a ação conjugada em que pessoas se unem,
de modo formal ou informal, para alcançar o mesmo objetivo.

5.1.1 Simbologia
O cooperativismo é representado por um desenho formado por dois pi-
nheiros verdes, dentro de um círculo verde, tendo um fundo amarelo dentro
do círculo.
O que este símbolo representa:
A árvore do pinho é o antigo símbolo da imortalidade, da perseverança e
da fecundidade. Fecundidade, perseverança e imortalidade são os três pilares
sobre os quais se sustenta o cooperativismo. O pinheiro na sua constante faina
de subir ao céu é idêntico ao ideal cooperativo, que se mantém perseverante
em escalar as alturas das ideias. A cor dos pinheiros é o verde escuro, cor das
plantas e das folhas, onde está o princípio vital da natureza.
O círculo representa a eternidade da vida, que não tem horizonte final.
Representa ainda o mundo, que tudo contém e tudo abrange. Do mundo e da
vida, a cooperação é parte essencial. Não é possível conceber o mundo sem
a existência da cooperação. O fundo do círculo tem a cor do ouro (amarelo),
simbolizando o Sol, fonte de luz e vida.

51
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

5.1.2 Origens
Remonta à época dos faraós, do império babilônico, e da Grécia antiga.
Na América, entre os Astecas e os Incas, encontraram-se algumas formas de
cooperativas:
Astecas – O rei era o soberano da terra, mas repartia-na entre seus súditos
para uso e desfrute. Havia a transmissão da posse de pai para filho, ao rei era
dada uma parte do produto cultivado, e o restante era da família.
Essa característica de cooperativa baseia-se nos seguintes fatos:
• Não eram assalariados do rei, mas homens livres que desfrutavam do
produto do seu esforço.
• Construíam coletivamente seus sistemas de irrigação.
• Combatiam as pragas coletivamente.
• Construíam obras de defesa e embelezamento no lugar que lhes cor-
respondia.
• Perdida a colheita de alguém, colaboravam entre si com empréstimo
de sementes, e a operação era realizada pelo Senhor local.
• Celebravam coletivamente suas festas religiosas.

A essência da constituição gentílica era, inegavelmente, a cooperação de


seus membros para a produção.
Incas – O império Inca era assentado sobre a base econômica do labor
coletivo de todos os homens e mulheres capazes de trabalhar, atendia às ne-
cessidades da população de forma tal que não se conhecia a miséria, não havia
desocupados nem velhos desempregados.
Nos Ayllus (unidade social da tribo), o trabalho era em comum, uma espé-
cie de cooperativa integral moderna. Eram sociedades agrícolas nas quais se
dividiam os produtos segundo o trabalho prestado e as necessidades de cada
um. Expandindo-se pelo continente, os Incas levavam e estimulavam essa for-
ma de trabalho cooperativo, dividindo o trabalho e fazendo a exploração de
numerosas indústrias sobre um plano cooperativo.

52
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

5.1.3 Precursores
Antes do surgimento dos pioneiros de Rochdale (1844), surgiram os precur-
sores do cooperativismo atual:
Plockoy – Preconizou em 1659, a formação de famílias ou de pequenos
grupos econômicos, constituídos de quatro categorias de indivíduos (agricul-
tores, artesãos, marinheiros e professores), cada um creditado pelo que levasse
à associação: terra, dinheiro, meios de transportes, etc. Era a cooperação inte-
gral. Estabeleceu os seguintes princípios nessa sociedade:
• eleição anual de dirigentes;
• redução da jornada de trabalho;
• prestação de contas semestrais com distribuição das sobras;
• seção de consumo e cooperação integral.

John Bellers – Inglês, em 1659, imaginou uma colônia cooperativa em que


todos trabalhariam em conjunto. Teriam casas e indústrias associadas. Nessa
sociedade, o padrão de avaliação dos bens de consumo seria pelo trabalho e
não pelo dinheiro. Três características do cooperativismo moderno estavam
contidas nessas associações:
• ajuda mútua;
• estrutura democrática;
• suspensão do intermediário.

Robert Owen – Foi o criador do termo “cooperação” no seu sentido eco-


nômico. Tinha a ideia da reorganização da sociedade sob os princípios da justi-
ça e da fraternidade, considerando a educação como instrumento da elevação
social do homem. Foi dirigente de uma fábrica na Inglaterra, preocupou-se
com a condição dos operários e empenhou-se em transformar a situação exis-
tente. Reduziu as horas de trabalho. Organizou armazéns onde eram vendi-
dos produtos a preços módicos. Caracterizou o lucro como tudo aquilo que
excedia o preço de custo constituindo uma percepção injusta e absorvente. Os
instrumentos dessa percepção injusta, a seu ver, eram o lucro e o intermediá-
rio. Foi o grande semeador de ideias de conteúdo social.

53
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Willian King – Inglês, em 1827, fundou uma cooperativa em Brighton, que


funcionava da seguinte maneira: cada associado levava uma pequena quanti-
dade semanal e com o arrecadado, abria-se uma tenda. Os lucros obtidos da
reunião constituíam um fundo comum, destinado a comprar casas ou terras,
que todos os associados possuiriam, logo, em comum. A ideia era que o ope-
rário deveria melhorar sua situação por si mesmo, sem recorrer ao auxílio dos
capitalistas generosos.
L’Ange – Francês, em 1792, preconizou a formação de cooperativas entre
agricultores, com a participação do Estado, que fornecia o capital. A adminis-
tração ficava a cargo dos agricultores de trigo e os consumidores. Foram ergui-
dos trinta mil armazéns em toda a França. Essa cooperativa também trataria
do seguro agrícola contra granizo, incêndios, etc.
Charles Gidé – Era francês. Suas ideias principais:
• condenação do regime do assalariado;
• emancipação do trabalhador;
• supressão do intermediário e do lucro, por meio das cooperativas.

Rochdale, Inglaterra, 1843 – Nasce o cooperativismo puro.


O cooperativismo puro nasceu em 1843, em Rochdale, Inglaterra, quando
28 rudes tecelões, que sofreram aviltamento dos salários diante da mão de obra
excedente, ou que sofreram com o desemprego, reuniram-se para debater as
suas dificuldades (nov./1843). Sob a inspiração de um deles, Howarth, discípulo
de Robert Owen, organizaram um novo sistema de vida, a primeira associação
baseada no cooperativismo puro. Depois de um certo período de privações e
economias, em 21 de dezembro de 1844, formalizaram uma sociedade, com
capital inicial de 28 libras esterlinas, e inauguraram o seu famoso armazém de
Toad Lane, O Beco do Sapo, tornando-se os PIONEIROS DE ROCHDALE. O
sucesso da iniciativa, de unirem-se para em conjunto comprar bens para seu
sustento, derivou de princípios, os quais, de um modo geral, fundamentam ain-
da hoje o movimento cooperativista do mundo. Eram estes os seus princípios:
• Adesão livre e espontânea.
• Absoluta neutralidade política e religiosa.
• Prática da democracia pura: uma pessoa, qualquer que fosse a sua po-
sição social e econômica, não representava mais que um voto.

54
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

• Eliminação do lucro mercantil, com a devolução das sobras proporcio-


nalmente às operações de cada um.
• Retribuição ao capital com juros limitados.
• Vendas à vista dos bens de consumo.
• Fomento à educação, para preparar as gerações futuras e garantir a
continuidade do sistema.

Atravessando todas as crises da economia mundial, sobrevivendo às mais


terríveis guerras, o cooperativismo, verdadeira revolução pacífica em ação,
transformou-se numa poderosa corrente universal, que se estende hoje a to-
das as latitudes e a todos os ramos da atividade humana.

5.1.4 Princípios cooperativistas


• Adesão livre: Numa sociedade cooperativa, todos têm o direito de
entrar e sair da sociedade quando quiserem.

• Gestão democrática: Cada associado tem o direito a um voto, inde-


pendentemente do capital que possui na sociedade cooperativa.

• Neutralidade política, social, racial e religiosa: Numa sociedade co-


operativa, as ideias políticas e religiosas dos associados não são consi-
deradas. Não importa o partido, nem a fé religiosa do associado; ele se
impõe como pessoa humana que é, sem levar em conta outros fatores
de realce e de posição.

• Estímulo à educação: A educação em todos os seus graus constitui


um dos mais importantes princípios do cooperativismo. Com a educa-
ção se dá a transformação da mentalidade no sentido real da organiza-
ção e da solidariedade, como meio de alcançar o bem comum.

• Juros limitados ao capital social: A sociedade cooperativa paga um


pequeno juro ao capital, como meio de incentivo aos associados. O
fim único do capital é dar às cooperativas condições de realizar suas
operações de prestação de serviços e não render juros.

55
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

• Retorno das sobras aos associados: As sobras pertencem aos associa-


dos e devem ser distribuídas de forma a não permitir que uns ganhem
em detrimento de outros. Essas sobras são distribuídas de acordo com
o valor das operações efetuadas por cada associado.

• Colaboração intercooperativas: Todas as cooperativas, tendo em vis-


ta melhor servir os interesses de seus associados, dos dirigentes, dos
empregados e do público em geral, de acordo com os princípios e a
técnica do cooperativismo, devem colaborar efetivamente com outras
cooperativas locais, nacionais e internacionais.

5.1.5 Movimento cooperativista no Brasil


Data de 1902, a difusão do movimento cooperativista no Brasil sistematiza-
do como tal. Quem o trouxe, e lhe deu formas reais, foi o padre suíço Théodor
Amstadt, o qual, numa reunião da Sociedade de Agricultores Rio-grandenses
da Linha Imperial, atual município de Nova Petrópolis-RS, lançou a ideia de
organização de uma Caixa de Crédito Rural.
A promulgação do Decreto-Lei n. 22.239, de 19 de dezembro de 1932, es-
tabeleceu um regime jurídico de liberdade para as cooperativas, e, ainda mais,
formulado de maneira simples e explicativo criou condições jurídicas para o
desenvolvimento das cooperativas, que se sentiram amparadas por um regi-
me jurídico seguro e flexível.
O desenvolvimento cooperativista se deu em determinadas regiões brasi-
leiras, atingindo índices maiores nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul,
Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina.
Existem no Brasil, atualmente, cerca de três mil cooperativas, atuantes nos
mais diversos campos de atividade.

5.1.6 Movimento cooperativista em Santa Catarina


Segundo a Organização das Cooperativas de Santa Catarina – OCESC, em
dados de 1991, há no estado 177 cooperativas, sendo: 3 centrais, 4 federações,
41 de agropecuária, 6 mistas (eletrificação rural/agropecuária e serviços), 20
de eletrificação rural, 22 de crédito, 19 de consumo, 23 de trabalho, 21 escolares,

56
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

18 habitacionais. A primeira cooperativa em Santa Catarina foi criada em 1907,


e foi a Sociedade Cooperativa de Rio dos Cedros, que foi liquidada anos depois.
A mais antiga cooperativa do estado em atividade é a Cooperativa de Cré-
dito Rural de Itapiranga Ltda., fundada em 1932.

5.2 SOCIEDADES COOPERATIVAS

A Lei n. 5.764 conceitua a cooperativa como: “Sociedade de pessoas, com


forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeita à falência,
constituída para prestar serviços aos associados”.
Sobre cooperativa, podemos dizer:
• Que se trata de um agrupamento de pessoas que estão unidas por um
objetivo comum.
• Que a ação do grupo realiza essas atividades econômicas relacionadas
com o progresso econômico dos sócios.
• Para realizar essas atividades econômicas com o progresso econômico
dos sócios, o grupo cria um estabelecimento ou empresa com caráter
permanente como instrumento prático, similar ao de qualquer outra
unidade econômica que oferece serviços agrícolas, bancários, de ven-
da, de fornecimento.
• Os associados do grupo estão vinculados à empresa cooperativa com
uma relação especial: a cooperativa existe para fomentar o bem-estar
dos associados.

5.2.1 Objetivos sociais (Art. 5º Lei n. 5.764)


As sociedades cooperativas poderão adotar por objeto qualquer gêne-
ro de serviço, operação ou atividade, sendo-lhes assegurado o direito exclusivo
e exigindo-lhes a obrigação do uso da expressão cooperativa em sua denomi-
nação. É vedado às cooperativas (de crédito) o uso da expressão banco.

57
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

5.2.2 Características
• Adesão voluntária, com número ilimitado de associados.
• Variabilidade do capital social, representado por cotas-partes.
• Limitação do número de cotas-partes do capital para cada associado
(máximo de 1/3), facultado, porém, o estabelecimento de créditos de
proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento
dos objetivos sociais.
• Inacessibilidade das cotas-partes a não associados.
• Singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e
confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam ativida-
des de crédito, optar pelo critério de proporcionalidade.
• Quórum para funcionamento e deliberação da Assembleia Geral, ba-
seado no número de associados e não no capital.
• Retorno das sobras líquidas distributíveis proporcionalmente às ope-
rações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da
Assembleia Geral.
• Indivisibilidade dos Fundos de Reserva e de Assistência Técnica, Edu-
cacional e Social.
• Neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social.
• Prestação de assistência aos associados e, quando previstas nos estatu-
tos, aos empregados da cooperativa.
• Área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião,
controle, operação e prestação de serviços.

5.2.3 Classificação e tipos


A partir de agora, você vai conhecer a classificação e os tipos de sociedades
cooperativas.

58
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

Classificação
Singulares: Quando constituídas por pessoas físicas (em número mínimo
de vinte), admitidas, excepcionalmente, pessoas jurídicas que tenham por ob-
jeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ain-
da, aquelas sem fins lucrativos.
Caracterizam-se pela prestação direta de serviços aos associados.
Ex.: cooperativas de consumo, de eletrificação, de serviços (Unimed), etc.
Centrais/Federações: Quando constituídas de, no mínimo, três coopera-
tivas singulares, podendo, excepcionalmente, admitir associados individuais
(pessoa física).
Os associados individuais das centrais/federações serão inscritos no Livro
de Matrícula da Sociedade e classificados em grupos visando à transformação,
no futuro, em cooperativas singulares que a elas se filiarão.
As cooperativas centrais/federações objetivam organizar, em comum e em
maior escala, os serviços econômicos e assistenciais de interesse das filiadas,
integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização
recíproca dos serviços.
Confederações: Quando constituídas de pelo menos três federações de co-
operativas ou cooperativas centrais, da mesma ou de diferentes tipos.
As confederações têm por objetivo orientar e coordenar as atividades das
filiadas, nos casos em que o vulto dos empreendimentos transcenderem o âm-
bito de capacidade ou conveniência de atuação das centrais e federações.

Tipos de cooperativas
Apresentamos alguns dos tipos de sociedades cooperativas mais usuais:
De consumo: Objetiva a compra em comum de gêneros alimentícios e
utensílios diversos, para fornecimento posterior aos associados.
De produção: Tem por objetivo, a comercialização em comum da safra dos
associados, além de instalar serviços para fomentar a produção, prestar assis-
tência técnica, beneficiamento, armazenagem e industrialização dos produtos.

59
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

De trabalho: Objetiva a prestação de serviços especializados. Ex.: médicos,


dentistas, jornalistas.
De crédito: Objetiva congregar pessoas para o fornecimento de crédito aos
seus associados.
Escolares: Tem por objetivo congregar estudantes para a aquisição em con-
junto de material escolar e outros bens de utilidades nas atividades escolares.
Mistas: São cooperativas com mais de um objeto de atividades. Ex.: eletri-
ficação e consumo.
Habitacional: Congregam pessoas que necessitam construir moradias.
Eletrificação rural: Objetivam a eletrificação rural.

5.2.4 Sociedades comerciais x sociedades cooperativas


Apresentamos as diferenças básicas entre estes dois tipos de sociedades:

COMERCIAL COOPERATIVA
É uma sociedade de pessoas,
É uma sociedade de capital
em que cada um tem os
na qual quem manda é quem
TIPOS DE SOCIEDADE mesmos deveres e direitos.
detém uma maior participa-
O associado é o dono e ao
ção no capital da sociedade.
mesmo tempo o freguês.
Cada sócio tem direito a
Cada associado tem direito
votar conforme o capital da
a um voto nas Assembleias,
NÚMERO DE VOTOS sociedade. Quem tem capital
não importando a quanti-
tem direito ao maior número
dade de capital empregado.
de votos na sociedade.
Objetiva a prestação de ser-
O único objetivo é a obten-
OBJETIVO PRINCIPAL viços e a defesa econômica
ção de lucro.
dos associados.
É ilimitado. Dentro da
área de ação, a cooperativa
O número de sócios é limi- pode ter o maior número
NÚMERO DE SÓCIOS tado, conforme o interesse possível de associados
dos donos da sociedade. desde que tenha condições
de prestar serviços para
atendimento a eles.

60
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

COMERCIAL COOPERATIVA
As ações que uma pessoa
tenha em uma dessas socie-
dades podem ser vendidas As cotas-partes que um asso-
a qualquer momento para ciado possui na cooperativa
TRANSFERÊNCIAS DE COTAS
outra pessoa, independente- não podem ser transferidas
mente da vontade da direção, para não associados.
dos interesses da empresa e
dos demais acionistas.
Para que uma Assembleia
Para que uma Assembleia Geral seja instalada e para
Geral seja instalada e para que suas deliberações
que suas deliberações tenham valor legal, o
INSTALAÇÃO DAS
tenham valor legal, o que que manda é o número
ASSEMBLEIAS GERAIS
manda é o capital, ou seja, de associados, ou seja, o
o quórum da assembleia é quórum da assembleia é
baseado no capital. baseado no número de
associados da cooperativa.
Dividendos devolvidos Retorno das sobras propor-
DIVIDENDOS E
proporcionalmente ao valor cionalmente ao valor das
RETORNO DAS SOBRAS
das ações. operações dos associados.

5.3 ORGANIZAÇÃO E CONSTITUIÇÃO DE


COOPERATIVAS

5.3.1 Requisitos do empreendimento


Para a constituição de uma cooperativa, devemos observar alguns requisi-
tos mínimos, sem os quais o empreendimento estará fatalmente destinado ao
fracasso:
Existência de uma necessidade – Não se justifica criar uma cooperativa se a
comunidade dela não tirar proveito. A cooperativa nasce da necessidade de se re-
solver um problema para o qual isoladamente não foi encontrada uma solução.
Grupos homogêneos – É importante que as pessoas tenham as mesmas
necessidades, os mesmos objetivos. O princípio cooperativista da livre adesão
tem limitações de ordem prática, que se referem não só à capacidade de atendi-
mento da sociedade, mas sobretudo a que os grupos tenham interesses comuns.

61
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Espírito de cooperação – Uma cooperativa não poderá ter êxito se não


existir espírito de cooperação entre os sócios. O dever dos que lideram a or-
ganização da cooperativa será desenvolver este espírito associativo para que a
futura sociedade possa melhorar as condições de vida da comunidade e pro-
porcionar ajuda mútua entre os associados.
Volume suficiente de negócios – Antes de a cooperativa entrar em ação
é necessário que se faça uma previsão de custos de organização, bem como
da demanda dos serviços a fim de que o grupo possa certificar-se de que o
volume de negócios seja suficiente para cobrir os custos e deixe ainda uma
margem de sobra (lucro).
Será, pois, necessário um levantamento socioeconômico entre os interes-
sados na constituição da sociedade, para determinar o volume provável de
negócios e quais os serviços que esperam da organização.
Possibilidade de subscrição do capital necessário – É importante que
os associados subscrevam uma parte significativa do capital necessário para
o funcionamento da cooperativa, a fim de que se interessem pelos destinos
dessa sociedade.
Possibilidade de contar com dirigentes capazes – Uma das maiores difi-
culdades do setor cooperativo em nosso país tem sido a falta de bons dirigen-
tes e de pessoal qualificado para administrar a sociedade. Será necessário que a
cooperativa, por ocasião de sua organização, possa contar com tais elementos.
Atividades preparatórias – Uma vez decidida a formação da sociedade, os
organizadores deverão desenvolver as seguintes atividades:
• Contatar com órgãos de assistência e fomento de cooperativismo, bus-
cando orientação sobre a doutrina, legislação e práticas cooperativas.

• Elaborar um estudo socioeconômico que demonstre cabalmente a


viabilidade da implantação da cooperativa. Faz-se necessário frisar que
sem este projeto a cooperativa não poderá lograr seu registro no ór-
gão competente.

• Difundir os princípios, doutrina e legislação cooperativista, assim


como os benefícios da futura sociedade, através de reuniões em cuja
pauta conste os seguintes assuntos:

62
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

1. História do cooperativismo;
2. Princípios e métodos do cooperativismo;
3. Necessidades e propósitos da sociedade;
4. Direitos, deveres e obrigações dos associados;
5. Necessidades e a relevância do capital;
6. Legislação cooperativista;
7. Natureza, propósito e objetivos da sociedade.

• Elaborar fichas de inscrição que serão preenchidas por aqueles que


pretendem ingressar na sociedade.

• Elaborar o projeto do estatuto social.

• Fixar a data de realização da Assembleia de Constituição, local e hora.

5.3.2 Assembleia de constituição


Os interessados em fundar uma sociedade cooperativa, após os entendi-
mentos necessários e a promoção do empreendimento pelas vias publicitárias
disponíveis e aconselháveis, e tendo reunido todos os que desejam dela parti-
cipar, prepararão uma lista nominativa, que os identificará e qualificará, e que
por eles será subscrita, na qual se indicarão as quotas-partes de capital de cada
um. Após a convocação dos subscritores, realizar-se-á uma Assembleia Geral
de Constituição, com a finalidade de efetivar a sociedade.
O Ato Constitutivo, assim denominado o conjunto de providências de cons-
tituição, em que se inclui a ata da assembleia, como seu registro, deverá conter,
sob pena de nulidade, as seguintes declarações (Art. 14, 15, 16 Lei n. 5.764):
1. a denominação da entidade, sede, e objeto de funcionamento;
2. o nome, nacionalidade, idade, estado civil, profissão e residência dos as-
sociados fundadores, bem como o valor e o número de cotas de cada um;
3. aprovação dos estatutos da sociedade;
4. nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos associados
eleitos para os órgãos de administração, fiscalização e outros.

63
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

O conjunto de providências, bem como o estatuto social, quando não


transcrito na ata de constituição, deverão ser assinados por todos os associa-
dos fundadores.
Após realizada a Assembleia de Constituição, deverá haver a autorização de
funcionamento, obtida no prazo máximo de sessenta dias, através do órgão
executivo federal (Denacoop/Banco Central/CEF).
A cooperativa só adquire efetivamente a personalidade jurídica após o ar-
quivamento do seu ato constitutivo na Junta Comercial e a publicação no Di-
ário Oficial.

5.3.3 Estatutos sociais (Art. 21, da Lei n. 5.764)


Os estatutos sociais, que deverão ser cuidadosamente redigidos para conte-
rem realmente a expressão da vontade dos associados quanto às suas normas
de vida dentro da sociedade, precisam atender a determinados requisitos legais:
• Denominação, sede, prazo de duração, área de ação, objeto da socie-
dade, exercício social e data do balanço.
• Os direitos e deveres dos associados e normas para a representação
desses nas assembleias.
• O capital mínimo e posição dos associados em relação a ele.
• As condições de representação jurídica, de administração e de fiscali-
zação da sociedade.
• As formalidades de convocação, instalação e validade das deliberações
das assembleias.
• Os casos de dissolução voluntária da sociedade.
• As condições para alienação dos bens imóveis da sociedade.
• O modo de reformar os estatutos.
• O número mínimo de associados.

Os estatutos devem visar fundamentalmente a dar à sociedade constituída


perspectiva de êxito econômico e social, e propiciar a cada associado partici-

64
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

pação direta nas operações sociais, para integrá-lo completamente dentro da


organização. Tanto quanto possível, devem regular os fundamentos de toda a
atividade econômico-social e deles deverão desdobrar-se, como complemen-
tação administrativa indispensável, os regimentos internos que irão dar nomes
particulares de ação aos atos mais importantes da vida cooperativista.

5.3.4 Registros para regularização da cooperativa


(Art. 17,18,19, da Lei n. 5.764)
Até trinta dias após a data de realização da Assembleia de Constituição, o
presidente da cooperativa deverá encaminhar ofício ao DENACOOP, solici-
tando autorização para funcionamento, com a seguinte documentação:
1. Requerimento, em duas vias.
2. Ata da Assembleia de Constituição, datilografada em quatro vias, sendo
que duas vias deverão ser assinadas pelos associados que subscreveram
a ata original. O presidente rubricará todas as folhas.
3. Lista nominativa dos associados fundadores, em quatro vias, sendo duas
vias assinadas pelos mesmos associados que subscreveram a ata. Os da-
dos constantes da lista deverão conferir com os lançados na ata. O presi-
dente rubricará todas as folhas.
4. Estatuto social, em quatro vias, sendo assinado em pelo menos duas
vias por todos os associados que subscreveram a ata original, e rubrica
do presidente em todas as folhas.
5. Projeto de viabilidade econômica, em três vias.
6. Curriculum vitae, assinado de próprio punho, em três vias, de cada um
dos membros eleitos que comporem o Conselho de Administração e o
Conselho Fiscal.
7. Declaração de bens, nos moldes do Imposto de Renda, em três vias, de
cada um dos componentes do Conselho de Administração e do Conse-
lho Fiscal.
8. Declaração de elegibilidade, assinada de próprio punho, em três vias, de
cada um dos membros componentes do Conselho de Administração e
do Conselho Fiscal, (Art. 51, parágrafo único e Art. 56, § 1º, Lei n. 5.764).

65
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

5.3.5 Capital social


Constituído de quotas-partes unitárias de valor não superior ao maior sa-
lário do país, é variável, seja em função do número de associados, seja em
decorrência de capitalizações devidamente autorizadas nos estatutos ou pela
Assembleia Geral.
Nenhum associado poderá deter mais de 1/3 do capital social, salvo exce-
ção para as pessoas jurídicas de direito público, nas cooperativas de eletrifica-
ção, irrigação e telecomunicações.
A única retribuição admitida para o capital social é constituída pelo paga-
mento de juros até o máximo de 12% ao ano, incidentes sobre a parte do
capital integralizado.
A lei prevê a constituição obrigatória de dois fundos: o de Reserva Legal,
destinado a cobrir perdas ou estimular o desenvolvimento das atividades so-
ciais, que deve ser formado com no mínimo 10% das sobras líquidas do exercí-
cio, e o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES) destinado
à prestação de assistência aos associados, seus familiares e empregados da coo-
perativa, a ser constituído com pelo menos 5% das sobras líquidas.

5.3.6 Livros obrigatórios (Art. 22, Lei n. 5.764)


A sociedade cooperativa deverá possuir os seguintes livros:
• Livro de matrícula – Serve para registrar a admissão de associados à
cooperativa, em ordem cronológica, devendo constar:

1. Nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão e endereço do


associado.
2. A data de admissão na sociedade e, quando for o caso, de sua demis-
são a pedido, eliminação ou exclusão.
3. A conta-corrente das respectivas cotas-partes do capital social.

• Livro de atas das assembleias gerais.


• Livro de atas dos órgãos de administração.

66
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

• Livro de atas do conselho fiscal.


• Livro de presença de associados nas assembleias gerais.
• Livros fiscais e contábeis obrigatórios.

Faculta-se a adoção de livros de folhas soltas, fichas, ou relatórios extraídos


através de sistemas computadorizados.

5.4 ASSOCIADOS OU COOPERADOS (ART. 29 A 37,


LEI N. 5.764)

5.4.1 Direitos e deveres dos associados


Direitos
• Votar e ser votado.
• Participar das operações da cooperativa.
• Receber retorno proporcional no final do exercício.
• Examinar livros e documentos da sociedade.
• Convocar assembleias, caso seja necessário.
• Pedir esclarecimentos ao conselho de administração.
• Opinar e defender suas ideias.
• Propor medidas de interesse da cooperativa ao conselho de adminis-
tração ou à Assembleia Geral.
• Julgar e ser julgado.
• Demitir-se da sociedade e receber de volta seu capital.

Deveres
• Operar com a cooperativa.
• Participar das assembleias.
• Entregar toda a sua produção à cooperativa.

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Curso de Graduação em Ciências Contábeis

• Pagar suas cotas-partes em dia.


• Aumentar seu capital na cooperativa.
• Acatar as decisões da maioria.
• Votar nas eleições da cooperativa.
• Cumprir seus compromissos com a cooperativa.
• Denunciar falhas.

5.4.2 Responsabilidades dos associados


Além das responsabilidades individuais, os associados de uma cooperativa
têm uma responsabilidade coletiva. São as decisões que os administradores
não podem tomar se não contarem com a aprovação nas assembleias gerais
dos associados, tais como:
• Aprovação dos planos de trabalhos da cooperativa.
• Aprovação da prestação de contas do Conselho de Administração e
parecer do Conselho Fiscal.
• Aprovação da distribuição das sobras (lucros).
• Aumento de capital da sociedade.
• Reforma dos estatutos.
• Dissolução voluntária da cooperativa e nomeação dos liquidantes.
• Aprovação das contas dos liquidantes.
• Aquisição e venda de bens móveis e imóveis.
• Fusão, incorporação ou desmembramento da cooperativa.

5.4.3 Demissão, exclusão e eliminação de associados


(Art. 32 a 35)
Demissão – Dar-se-á unicamente a pedido do associado.
Eliminação – É prevista e aplicada em virtude de infração legal ou estatu-
tária, ou por fato especial previsto em estatuto. A diretoria da cooperativa terá
68
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

trinta dias para comunicar o interessado sobre sua eliminação. Caberá recurso,
com efeito suspensivo, à primeira Assembleia Geral subsequente, por parte
do associado.
Exclusão – Será feita por:
• Dissolução da pessoa jurídica (cooperativa).
• Morte da pessoa física (associado).
• Incapacidade civil não suprida.
• Deixar de atender aos requisitos estatutários de ingresso ou perma-
nência na sociedade.

As obrigações de associados falecidos diante de terceiros, passam aos herdei-


ros, prescrevendo após um ano, contado do dia da abertura da sucessão, ressal-
vando-se os aspectos peculiares das cooperativas de eletrificação e habitacional.
A responsabilidade do associado perante terceiros, por compromissos da
sociedade, perdura para os demitidos, eliminados ou excluídos, até quando
aprovadas as contas do exercício em que se deu o desligamento.

5.5 ADMINISTRAÇÃO DAS SOCIEDADES


COOPERATIVAS

5.5.1 Assembleia geral (Art. 38 a 43, Lei n. 5.764)


É a reunião de todos os associados. É o órgão supremo da cooperativa e
com maiores poderes dentro dela. A cooperativa funciona através da Assem-
bleia Geral, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal.

Assembleia geral ordinária (Art. 44, Lei n. 5.764)


A Assembleia Geral Ordinária (AGO) é realizada, obrigatoriamente, uma
vez por ano, dentro dos três primeiros meses após o término do exercício so-
cial. Caso não possa ser realizada dentro do prazo previsto, por motivo justifi-
cado, automaticamente, toma o caráter de extraordinária, e como tal deve ser
convocada. Nessa assembleia, é feita a prestação de contas da Diretoria, a des-
69
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

tinação das sobras (lucros) líquidas, a eleição dos órgãos de Administração e


do Conselho Fiscal, e, quando prevista no estatuto, a fixação do valor das gra-
tificações dos membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal.
As deliberações da AGO são aprovadas pela maioria simples de votos.

5.5.2 Conselho de administração (Art. 47 a 55, Lei n.


5.764)
A sociedade cooperativa é administrada por uma diretoria ou conselho de
administração, composto por associados eleitos pela AGO, com mandato de,
no máximo, quatro anos, sendo obrigatória a renovação de, no mínimo, 1/3
(um terço) dos seus membros.

5.5.3 Conselho fiscal


É uma comissão permanente, selecionada pela Assembleia de sócios, de
caráter independente. Sua missão é cuidar para que os interesses dos sócios
estejam seguros através da inspeção e supervisão periódica dos funcionários
da cooperativa.
É composto de no mínimo três sócios. Devem ser pessoas que disponham
de tempo para realizar suas tarefas no Conselho, e um deles, pelo menos, deve
conhecer algo sobre contabilidade.
Seleção:
1. A Assembleia Geral elege os membros do conselho fiscal em seu ato
constitutivo.
2. Anualmente, a Assembleia renova o conselho fiscal em 2/3 dos membros.
3. No caso de vagas súbitas no conselho fiscal e desde que não haja suplen-
tes para supri-las, o conselho de administração convocará Assembleia
Geral para preenchê-las.

70
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

5.6 FUSÃO, INCORPORAÇÃO, DESMEMBRAMENTO


E DISSOLUÇÃO

5.6.1 Fusão
O Art. 57, da Lei n. 5.765/71, define fusão como a constituição de uma
nova sociedade, decorrente de duas ou mais existentes. A fusão compreende
a constituição de uma nova sociedade, e não a continuidade de uma das que
a constituíram.

5.6.2 Incorporação
O Art. 59, § Único, define incorporação como a absorção do patrimônio.
Recebe os associados, assume as obrigações e se investe nos direitos da outra
ou de outras cooperativas. Isto significa que, quando ocorrer incorporação, as
cooperativas incorporadas deixarão de existir, continuando a incorporadora
como era até então.

5.6.3 Desmembramento
O Art. 60, da Lei n. 5.764/71, define desmembramento como: A consti-
tuição de novas cooperativas, oriundas de uma pré-existente. Consequente-
mente, em função dos interesses de seus associados, uma cooperativa pode
constituir tantas quantas forem julgadas necessárias.

5.6.4 Dissolução e liquidação


Basicamente, as cooperativas se dissolvem, por manifestação dos associa-
dos ou por iniciativa do Órgão Executor Federal (OEF). A liquidação ocorre
de duas formas: extrajudicial, quando os associados ou o OEF nomeiam um
Liquidante; ou judicial, quando requerida em juízo, por iniciativa dos associa-
dos ou do OEF.

71
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Dissolução voluntária
• A dissolução voluntária pode ser promovida mediante deliberação que
reúna os votos de 2/3 dos associados em Assembleia Geral Extraordi-
nária (AGE).
• Deverá ser convocada uma AGE, observando-se os prazos legais, cuja
ordem do dia deverá ser a deliberação sobre a dissolução da sociedade.
• Deliberada a dissolução, a Assembleia nomeará Liquidantes (um ou
mais), e um Conselho Fiscal para proceder à liquidação.
• Nos casos em que, apesar de regularmente convocada, a AGE não se reu-
nir, qualquer associado, com fundamento no art. 64 da Lei n. 5.764/71,
poderá solicitar em juízo, a decretação da dissolução da sociedade.

Dissolução por iniciativa do Órgão Executor Federal (OEF)


• Se numa assembleia geral, um associado quiser tomar a iniciativa de
promover a dissolução da cooperativa, deve o OEF, em cuja área de
jurisdição o fato ocorrer, propor e providenciar o cancelamento da
autorização de funcionamento ou registro da cooperativa.
• Quando não for possível coletar dados diretamente na sede da cooperati-
va, por ausência de administradores, de responsáveis e pela não manifes-
tação junto ao OEF, devem ser observados os seguintes procedimentos:

»» Publicação, no Diário Oficial e jornais de grande circulação, da con-


vocação da cooperativa a ser dissolvida.
»» Quando da publicação do edital, deverá ser explicitado que a não
manifestação, dentro do prazo fixado, implicará a baixa do registro
ou autorização de funcionamento.
»» A convocação da cooperativa a ter situação regularizada deverá ser
publicada, no mínimo, três vezes consecutivas.
»» Fixação do prazo de sessenta dias, a partir da 3ª publicação, para que
a entidade procure o OEF e preste os esclarecimentos necessários.

72
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

»» Quando a cooperativa desejar regularizar sua situação, deverá for-


necer assessoria e as medidas necessárias, dentro do menor espaço
de tempo.
»» A não manifestação da cooperativa promove o cancelamento da au-
torização de funcionamento.

• O OEF poderá solicitar a liquidação judicial ou extrajudicial da socie-


dade, caso em que designará o liquidante, através de portaria.

Intervenção
O Poder Público, por intermédio da Administração Central dos OEFs com-
petentes, por iniciativa própria ou por solicitação da AGE ou do Conselho
Fiscal, intervirá nas cooperativas quando ocorrer um dos seguintes casos:
• Violação contumaz das disposições legais.
• Ameaça de insolvência em virtude de má administração da sociedade.
• Paralização das atividades sociais por mais de 120 dias consecutivos.
• Inobservância do art. 56, § 2º, da Lei n. 5.764/71.

Como podemos verificar, é de competência do OEF, a instauração do regi-


me de intervenção nas cooperativas que lhe são subordinadas. Recomenda-se
observar a real significação econômico-social da cooperativa na área de atua-
ção, procurando, no caso, evitar que o Órgão venha a intervir em entidades
efetivamente irrecuperáveis ou sem expressão nas áreas onde estão sediadas.

Liquidantes
São as pessoas responsáveis pela administração da cooperativa na fase de
sua liquidação.
Obrigações dos liquidantes:
• Comunicar ao OEF a sua nomeação, encaminhando-lhes cópias da
ata da AGE que deliberou pela dissolução da sociedade e nomeou os
liquidantes.
• Consultar o OEF antes de iniciar os trabalhos de execução da liquidação.

73
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

• Providenciar, na Junta Comercial do estado sede da cooperativa, o


arquivamento da ata da AGE que deliberou a liquidação.
• Convocar, mediante publicação de edital, todos os credores e deve-
dores da cooperativa e proceder ao levantamento de todos os seus
débitos e créditos.
• Proceder à arrecadação de todos os bens, livros e quaisquer outros
documentos ou pertences da cooperativa, onde quer que os mesmos
se encontrem.
• Levantar, dentro dos 15 primeiros dias da data da investidura, o inven-
tário e o balanço patrimonial da sociedade.
• Receber todos os créditos da sociedade, saldar todos os seus débitos e,
se houver sobra, reembolsar os associados do capital que integraliza-
ram; em seguida, encaminhar ao Banco Central todo o remanescente,
inclusive o dos fundos indivisíveis.
• Reunir, pelo menos uma vez a cada seis meses, os associados em
Assembleia Geral e apresentar-lhes, acompanhado de um criterioso
Balanço Patrimonial, um relatório da sua gestão.
• Concluída a liquidação, reunir toda a documentação, compreendendo
o Balanço Patrimonial final e o correspondente relatório de gestão, e,
em Assembleia Geral, realizar a prestação de contas final.

Importante:
• Se o ativo da sociedade não for bastante para saldar o passivo, exigirá
o liquidante, dos associados, ainda que em juízo se for necessário, a
realização das cotas-partes do capital subscrito e não integralizado; se
a sociedade for de responsabilidade ilimitada e o montante do ativo
social não bastar para saldar o passivo, deverá o liquidante fornecer
aos credores da entidade relação de todos os seus associados.
• Respeitando os direitos dos credores preferenciais (empregados, Mi-
nistério da Fazenda, INSS, etc.) deverá o liquidante pagar as dívidas
sociais, proporcionalmente, sem nenhuma preferência entre as venci-
das ou por vencer.

74
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

Não pode o Liquidante:


• Gravar de ônus (penhorar, dar em garantia, hipotecar) sem a expressa
autorização da Assembleia Geral, os bens móveis e imóveis da sociedade.
• Contrair empréstimos, salvo se para saldar compromisso inadiável,
cujo retardamento possa prejudicar, irremediavelmente, os interesses
da entidade.
• Prosseguir nas operações ou atividades próprias do objeto da socieda-
de, ainda que para facilitar os trabalhos de liquidação.

5.7 DO ATO COOPERATIVO E DA LEGISLAÇÃO


ESPECÍFICA

Ato cooperativo
É aquele praticado entre:

COOPERATIVA x ASSOCIADOS
ASSOCIADOS x COOPERATIVA
COOPERATIVA x COOPERATIVA (quando associadas)

Não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de


produto/mercadoria.

Atos não cooperativos legalmente permitidos


1. Aquisição, por cooperativas agropecuárias e de pesca, de produtos de não
associados que sejam agricultores, pecuaristas ou pescadores, para o fim
de completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir ca-
pacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuam.

2. Fornecimento, a não associados, de bens ou serviços, assim entendidos


aqueles em que a cooperativa, em obediência ao seu objetivo social e
em conformidade com a lei, oferecer aos seus próprios associados.

75
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

3. Participação, em caráter excepcional, em sociedades não cooperativas


públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou com-
plementares, mediante prévia e expressa autorização do CNC, hipótese
em que as inversões serão contabilizadas sob títulos específicos.

Saiba mais
Para saber mais sobre o movimento cooperativista em Santa Catarina, reco-
mendamos a seguinte leitura:

OLIVEIRA, Nestor Braz de. Cooperativismo: guia prático. Porto Alegre: Funda-
ção para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, 1979.

Além disso, você pode consultar os seguintes endereços eletrônicos:

[Link]
[Link]

Atividades de Aprendizagem – 5
Para encerrar esta unidade, você deve realizar os exercícios 15 e 18, disponibi-
lizados no AVEA da disciplina.

76
Unidade 5 - A empresa cooperativa agropecuária

RESUMO DA UNIDADE

Nesta unidade, por meio da base conceitual proposta, conhecemos um


pouco sobre cooperativismo e cooperativas. Tratamos da constituição e
do funcionamento de uma cooperativa, de quais são os direitos e os de-
veres dos associados, de como se dá a administração – quem pode admi-
nistrar e como se renova o Conselho de Administração –, de como se dá
a fiscalização – quem pode fiscalizar e como se renova o Conselho Fiscal
–, de como se dá a convocação e o funcionamento das assembleias gerais,
de como ocorre o ato cooperativo e a sua importância na apuração dos
resultados, além da tributação sobre eles. Vimos, também, as diferenças
entre uma sociedade comercial e uma sociedade cooperativa, e, por meio
dos exercícios propostos, aplicamos a forma de contabilização adequada
para as operações próprias das cooperativas agropecuárias.

77
Anotações d m a
Anexo

Anexo

Plano de contas para a


atividade agropecuária

A
Anexo - Plano de contas para a atividade agropecuária

PLANO DE CONTAS PARA A ATIVIDADE


AGROPECUÁRIA

Ativo circulante
Disponibilidades
Créditos
Outros créditos
Estoques
Rebanho bovino para corte:
Gado de engorda – acima de três anos
Touros descartados
Matrizes descartadas
Outros rebanhos e animais
Rebanho Bovino em formação:
Bezerros (as) de 0 a 12 meses
Novilhos(as) de 13 a 24 meses
Novilhos(as) de 25 a 36 meses
Novilhas em experimentação
Culturas temporárias em formação
Arroz
Milho
Soja
Trigo

Culturas permanentes em formação


Café
Laranja
Maçã
Cana de açúcar

81
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Colheita em andamento
Café
Laranja
Maçã
Cana-de-açúcar

Produtos agrícolas
Arroz
Milho
Soja
Trigo
Café
Laranja
Maçã
Cana de açúcar

Insumos
Sal
Sêmen
Vacinas e medicamentos
Rações para alimentação
Sementes
Adubos e fertilizantes
Inseticidas e fungicidas
Encargos de financiamentos agrários
Despesas pagas antecipadamente

82
Anexo - Plano de contas para a atividade agropecuária

Ativo não circulante


Realizável a longo prazo
Investimentos
Imobilizado
Terras para exploração rural
Terras para reserva florestal
Obras de infraestrutura (estradas, pontes, campo de pouso)
Rede hidráulica
Instalações
Currais
Estábulos
Celeiros
Galpões
Edificações
Máquinas e implementos agrícolas (tratores, colheitadeiras, arados, etc.)
Veículos
Veículos de tração animal
Móveis e utensílios
Animais de trabalho (muares, bois, etc.)
Rebanho permanente
Reprodutores
Matrizes

Cultura permanente em produção


Café
Laranja
Maçã
Cana-de-açúcar

83
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Cultura permanente em formação


Café
Laranja
Maçã
Cana-de-açúcar

(-)Depreciação/exaustão acumulada
Diferido

Passivo circulante
exigível a longo prazo
Patrimônio líquido
Contas de resultado

Receitas brutas
Venda de gado
Gado bovino
Gado equino
Gado caprino
Gado suíno, etc.
Venda de produtos pecuários
Leite

Ovos
Venda de produtos agrícolas
Arroz
Milho
Soja
Trigo
Café
Laranja
Maçã
Cana de açúcar
84
Anexo - Plano de contas para a atividade agropecuária

Deduções com vendas


Gado
Produtos pecuários
Produtos agrícolas

Custos e despesas operacionais


Custo dos produtos vendidos
Custo do Gado
Gado Bovino
Gado eqüino
Gado caprino
Gado suíno, etc.
Custo dos produtos pecuários
Leite

Ovos
Custo dos produtos agrícolas
Arroz
Milho
Soja
Trigo
Café
Laranja
Maçã
Cana de açúcar

85
Curso de Graduação em Ciências Contábeis

Custos de produção
Custos na pecuária
Gado bovino
Gado equino
Gado caprino
Gado suíno, etc.

Sal
Sêmen
Vacinas e medicamentos
Rações para rebanhos
Salários e ordenados
Férias
13º Salário
Previdência social
FGTS
Manutenção de equipamentos
Manutenção de edificações
Manutenção de implementos agrícolas
Manutenção de veículos
Energia elétrica
Combustíveis e lubrificantes
Consumo de água
Depreciação de reprodutores e matrizes
Depreciação dos demais bens do imobilizado

Custos da Cultura temporária em formação


Idem ao Gado bovino

Custos da cultura permanente em produção


Idem ao Gado bovino

86
Anexo - Plano de contas para a atividade agropecuária

Despesas operacionais
Despesas com vendas
Despesas administrativas
Encargos financeiros líquidos
Receitas financeiras
Despesas financeiras

Outras receitas e despesas operacionais


Vendas de sucatas
Perdas extraordinárias

Receitas e despesas não operacionais


Imposto de renda pessoa jurídica
Apuração do resultado do exercício

87
REFERÊNCIAS

ALOE, Armando; VALLE, Francisco. Contabilidade agrícola. São Paulo:


Atlas, 1967.
BATALHA, Mário Otávio et al. Gestão agroindustrial. São Paulo: Atlas,
1997, v. I.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade rural: uma abordagem decisó-
ria. São Paulo: Atlas, 1988.
HOLYOAKE, Georges J. Historia de los Pioneiros de Rochdale. Buenos
Aires: Intercoop, 1989.
MARION, José Carlos. Contabilidade rural. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1992.
MARION, José Carlos. Contabilidade da pecuária. 8. ed. São Paulo: Atlas,
2007.
MARION, José Carlos et al. Contabilidade e controladoria em agribusiness.
São Paulo: Atlas. 1996.
OLIVEIRA, Nestor Braz de. Cooperativismo: guia prático. Porto Alegre:
Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, 1979.
OLIVEIRA, Neuza Corte de. Contabilidade do agronegócio: teoria e práti-
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SANTOS, Gilberto J. dos; MARION, José Carlos. Administração de custos
na agropecuária. São Paulo: Atlas, 1996.
SOUZA, Ricardo et. al. A administração da fazenda. Rio de Janeiro: Globo,
1988.

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