PLANDO DE RECUPERAÇÃO DE
ÁREAS DEGRADAS – PRAD
EBRAE EMPRESA DE ENGENHARIA
LTDA
ATIVIDADE
Extração de Cascalho
LOCAL
Fazenda Roça de Cima
MUNICÍPIO
Euclides da Cunha
Responsável Técnico
Jorge Luis Nunes - Geólogo
CREABA 28032-D
PLANDO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS
DEGRADAS – PRAD
EBRAE EMPRESA DE ENGENHARIA LTDA
ATIVIDADE
Extração de Cascalho
LOCAL
Fazenda Roça de Cima
MUNICÍPIO
Euclides da Cunha
Responsável Técnico
Jorge Luis Nunes - Geólogo
CREABA 28032-D
Julho de 2021
1
SUMÁRIO
1. RECUPERAÇÃO AMBIENTAL DAS ÁREAS DEGRADADAS ................................ 3
2. MÉTODOS EDÁFICOS ....................................................................................................... 4
2.1. Após o encerramento da lavra ...................................................................................................................... 4
3. MÉTODOS VEGETATIVOS ............................................................................................... 4
3.1. Seleção de Espécies ........................................................................................................................................... 6
3.2. Coleta e Seleção de Sementes ..................................................................................................................... 7
3.3. Preparação de Espécies ................................................................................................................................... 7
3.4. Preparação do Local e Época Para o Plantio ........................................................................................ 8
3.5. Plantio nas Áreas Degradadas ...................................................................................................................... 9
3.5.1. Aspectos a serem observados no plantio da muda: ................................................................... 11
4. MANEJO DA ÁREA APÓS O PLANTIO .......................................................................11
5. CRONOGRAMA FÍSICO E FINANCEIRO ..................................................................13
6.0 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL ............................................................16
6.2 – Sensibilização e Mobilização .................................................................................................................... 19
6.3 – Comunicação .................................................................................................................................................... 20
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ...............................................................................................22
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................24
2
PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS
DEGRADAS (PRAD)
1. RECUPERAÇÃO AMBIENTAL DAS ÁREAS DEGRADADAS
A atividade mineral requer, para seu êxito, cuidadoso planejamento a
partir do conhecimento efetivo da situação, a adoção de tecnologia evoluída
e aplicável ao caso específico, por uma equipe qualificada e o
restabelecimento das condições anteriores encontradas ou recomendadas.
Assim, a partir do diagnóstico das modificações ambientais, causadas pela
atividade de extração, serão executadas atividades preventivas e de
recuperação, compreendendo as áreas atingidas pela lavra.
O empreendedor se compromete a recuperar a área degradada,
incluindo-a no plano de recuperação da área efetivamente impactada pelas
atividades a serem desenvolvidas pela requerente. A ação de recuperação,
cuja intensidade depende do grau de interferência criada na área
pesquisada, determina seu nível de recuperação, que pode ser realizado
através de métodos edáficos (medidas de sistematização do terreno) e
vegetativo (restabelecimento da cobertura vegetal), devendo ser realizada à
proporção em que a lavra avançar. As áreas já conturbadas devem ser
recuperadas progressivamente, visando a sua exposição ao mínimo de
tempo possível.
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2. MÉTODOS EDÁFICOS
Do ponto de vista ecológico, o controle de taludes e de água parece
ser um fator importante para alcançar a estabilidade de áreas mineradas,
buscando-se conter as ocorrências de enxurradas e consequente processo
de erosão e assoreamento dos cursos d'água. A possibilidade de
deslizamentos de superfícies e transporte de partículas ou movimentos de
massa, exigem o uso de técnicas específicas ao seu controle, sendo
necessária á adoção dos seguintes procedimentos:
• Construção de canaletas de desvio das águas pluviais, visando à
redução da lixiviação da fração fina do colúvio existente no local de
operação.
• Recuperação do sistema de drenagem afetado.
2.1. Após o encerramento da lavra
• Reposição do solo superficial (orgânico).
• Descompactação das vias de acesso e do solo orgânico,
visando à recuperação de suas condições físicas.
• Recuperação do sistema de drenagem afetado.
3. MÉTODOS VEGETATIVOS
Não obstante, a área utilizada para extração se caracterize como
fundo de pasto, ainda assim, serão escolhidos alguns alvos para serem
revestidos com vegetação para corrigir ou diminuir, substancialmente, os
impactos provocados pela extração. Para o alcance de tal objetivo, será
realizada uma avaliação da área a ser recuperada, através da observância
dos seguintes aspectos:
4
- Se existem áreas com mata nativa nos arredores, para servirem de
fonte direta de sementes e plântulas;
- Identificação das espécies que existem nas matas que ainda
ocorrem nas proximidades do empreendimento;
- Acompanhar o período de produção de flores, frutos e sementes
das árvores de interesse;
- Se será necessário fazer um enriquecimento, aumentando o
número de árvores em áreas onde existam poucas ou recompor
totalmente a área;
- Os animais que porventura estiverem sendo criados nas
proximidades da área do empreendimento, deverão ser impedidos de ter
acesso à mesma.
- Utilização de espécies florestais herbáceas, arbustivas, arbóreas
nativas e espécies exóticas (pioneiras utilizadas para o sombreamento),
para aplicação no modelo de sucessão secundária.
Outro aspecto importante, diz respeito ao estudo da composição
florística da vegetação remanescente da área de influência do
empreendimento. As espécies pioneiras deverão ter prioridade na primeira
fase da seleção. Essas árvores crescem rápido, sombreando o solo e suas
folhas ao caírem, vão adubando e melhorando o solo que estava sem
5
cobertura vegetal, priorizando as frutíferas por atraírem espécies da fauna
responsáveis pela disseminação de sementes, contribuindo ao
desenvolvimento de outras espécies, constando das seguintes etapas:
- Seleção das espécies a serem utilizadas, dando-se preferência às
árvores mais sadias para servirem de fonte de coleta de sementes;
- Coleta e seleção de sementes;
- Propagação de espécies (produção e/ou aquisição de mudas);
- Preparação do local e época para o plantio;
- Distribuição das mudas no local de plantio;
- Plantio nas áreas degradadas;
- Manejo da área após o plantio.
3.1. Seleção de Espécies
Na escolha de espécies, deve-se considerar os seguintes aspectos:
o valor econômico potencial da espécie, a influência da planta sobre a
fertilidade do solo, utilidade da planta como abrigo e alimento para a
fauna e o efeito estético. Algumas espécies de gramíneas introduzidas são
bem adaptadas para produzir uma rápida cobertura protetora para o solo.
A fauna deve ser considerada quando se selecionam espécies de plantas
para recuperação, não se devendo somente empenhar-se em estabelecer
o habitat faunístico, mas atrair a fauna para os locais recuperados, com o
propósito de incrementar a diversidade de espécies de plantas. Como a
avifauna desempenha um importante papel na polinização e
disseminação de sementes, auxiliando na regeneração natural de áreas
desmaiadas por possibilitar a disseminação de sementes muito além da
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área minerada, as espécies que servem de alimentos para os pássaros
serão utilizadas, inicialmente, em maior número e com maior frequência.
Tal seleção deverá considerar a recomposição vegetal de caráter
definitivo, envolvendo espécies com diferentes características para se
obter uma formação heterogênea capaz de maximizar as condições de
autogestão do conjunto.
3.2. Coleta e Seleção de Sementes
Na área de entorno do empreendimento existem pequenos núcleos
de espécies remanescentes da vegetação nativa que podem servir ao
fornecimento de sementes para a seleção e obtenção de um banco de
sementes. Aquelas espécies que dificultem este tipo de aquisição direta
poderão ser adquiridas através de viveiristas na região de influência do
empreendimento. Quanto às sementes de gramíneas, estas deverão ser
obtidas junto a casas de produtos agropecuários existentes na região.
3.3. Preparação de Espécies
As mudas podem ser produzidas por sementes ou através da coleta
de plântulas que geralmente podem ser encontradas debaixo das árvores.
Daí a necessidade do conhecimento de como a espécie que se deseja
multiplicar, se reproduz. As sementes adquiridas poderão ser colocadas
em canteiro e posteriormente transplantadas em sacos de polietileno,
com substratos constituídos por uma mistura de solo vegetal enriquecido
com material, como esterco de gado, húmus de minhoca, serragem, ele.
Ao atingir o tamanho mínimo para serem plantadas (30-40cm), as mudas
devem ser aclimatadas em viveiro. Para o bom desenvolvimento das
7
espécies no viveiro, os tratos culturais são indispensáveis, devendo
obedecer a um cronograma previamente estabelecido, dentre os quais se
destacam as seguintes atividades:
- Diagnosticar e realizar o controle de doenças e pragas;
- Realizar o plantio um pouco antes do período de chuvas;
- Refazer a semeadura ou o plantio em caso de má germinação das
sementes ou mortandade das plântulas;
- Manejar adequadamente a predominância das espécies.
Ao alcançarem 50 cm de altura, poderá ser realizado o plantio em
local definitivo.
3.4. Preparação do Local e Época Para o Plantio
É essencial que se conheçam as características físicas e químicas
do material que será o meio de crescimento e como isso afeta o
crescimento das plantas. Observando às exigências das espécies quanto:
a) espaçamento; b) dimensão das covas; c) declividade do terreno; d)
fertilidade e profundidade do solo, e e) arranjo espacial (quincunce), que
neste caso deverá obedecer ao espaçamento de 2m x 2m. No primeiro
ano, após o manejo do solo, será realizado o plantio das espécies
arbóreas e forrageiras. Deve-se dar maior ênfase ao uso de corretivos e
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adubos orgânicos, especialmente ao uso de produtos residuais orgânicos
de atividades da vizinhança.
3.5. Plantio nas Áreas Degradadas
Será realizado o plantio definitivo das espécies arbóreo-arbustivas
nativas, enriquecida com espécies exóticas frutíferas, indicadas para a
alimentação da avifauna, além da produção de frutos para alimentação
humana, favorecimento à ventilação e sombreamento da área. Para o
plantio das essências nativas, deverão ser utilizadas sementes ou
plântulas coletadas de áreas remanescentes, com maior probabilidade de
se adaptar às condições locais. Usa-se em recuperação, duas técnicas
básicas: semeadura ou plantio de mudas. A escolha do método depende
de fatores tais como, espécie, a natureza da área a ser semeada, o
tamanho e a capacidade germinativa das sementes, além das
características de propagação individuais de cada espécie.
Para o sucesso do plantio, o ideal é que o mesmo seja feito
preferencialmente, um pouco antes do período chuvoso, possibilitando
uma melhor adaptação das mudas no campo e seguirá etapas
correspondentes da cadeia de sucessão, atendendo o tamanho e
características peculiares a cada espécie. O plantio de mudas envolve:
- Isolamento da área - se existem animais de criação no local, para
o sucesso do plantio é preciso que se isole a área para evitar invasão
pelos animais e pisoteio das mudas;
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- Combate às formigas - deve-se fazer o combate às formigas em
três períodos: antes do preparo do solo (controle inicial) em toda área do
plantio e numa faixa de 200 metros ao redor, antes do plantio (repasse) e
após o plantio (ronda) que deverá ser efetuada durante o crescimento da
planta e continuando durante todo o tempo até as mudas atingirem 1
metro de altura;
- Marcação da cova/espaçamento entre as mudas - marcar as
covas de acordo com o espaçamento de 2 X 2 metros, totalizando 2.000
mudas por hectares (1.087 mudas por tarefa);
- Limpeza do solo - antes de plantar é preciso preparar a terra para
receber as mudas. O ideal é que o solo não fique completamente
desprotegido, ou seja, não é preciso tirar todo o mato e sim, fazer uma
limpeza do local (coroamento) onde será feita a cova, num círculo com
mais ou menos 1 metro de largura;
- Abertura de covas - as covas deverão ter de 60 a 40 cm de largura
por 60 cm de profundidade.
- Preparo do solo - deve-se fazer isso pelo menos dois meses antes
do plantio. A partir da análise de solo da área a ser recuperada, haverá
possibilidade de se definir as práticas necessárias à disponibilidade de
nutrientes às mudas a serem plantadas. Fazer a calagem, adubação
química com uso de fertilizantes à base de NPK e orgânica através da
aplicação de húmus ou esterco curtido na cova para melhorar as
condições de germinação e desenvolvimento da muda. A prática do
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plantio de árvores juntamente com gramíneas é recomendada, uma vez
que as gramíneas asseguram uma boa proteção do solo, enquanto as
árvores estão crescendo.
3.5.1. Aspectos a serem observados no plantio da muda:
- Deve-se proceder ao corte das raízes que estão fora do saquinho
da muda, usando somente tesoura ou faca, evitando assim a entrada e
desenvolvimento de doenças e pragas;
- Retirar os saquinhos e jogá-los no lixo;
- Colocar as mudas no centro da cova, e bem reta, tendo cuidado
para que ela não fique funda, vindo a ficar enterrada;
- Deixar a muda em nível mais baixo que o terreno (entre 10 e 20
cm).
4. MANEJO DA ÁREA APÓS O PLANTIO
Após plantio no campo, as seguintes medidas deverão ser adotadas
para assegurar a sobrevivência e o crescimento da vegetação e melhorar
a estética do local recuperado:
- Plantar para enriquecer a diversidade de espécies;
- Realizar quando necessário, o replantio de mudas;
- Realizar os tratos culturais (desbaste, controle de ervas daninhas,
correção da acidez, suplementação nutricional, etc.,);
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- Repelir roedores ou outros consumidores de sementes e plantas
na fase de implantação das áreas de recuperação;
- Inspecionar as plantações para evitar o ataque de pragas e tomar
medidas necessárias a cada caso;
- Proteger a área contra fogo;
- Combate às formigas e realização de coroamento.
Após a recomposição vegetal com gramíneas e/ou árvores, um
segundo plantio será planejado, em que a mistura e a diversidade de
espécies deverão ser aumentadas, criando-se uma comunidade
vegetativa mais permanente. As técnicas de controle de incêndios
incluem aceiros, remoção de vegetação de alto risco e educação
ambiental para os efeitos danosos do fogo. As formigas cortadeiras são
controladas com uso de formicida. O controle de ervas daninhas deve ser
feito enquanto as mudas das árvores são pequenas, não necessitando
mais fazê-lo após o seu crescimento. Valetas e canais deverão ser
construídos para desviar a água das chuvas das áreas em recuperação e
escoar até o sistema de drenagem mais próximo, reduzindo
significativamente o efeito do processo de erosão nas áreas em
recuperação.
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5. CRONOGRAMA FÍSICO E FINANCEIRO
O cronograma proposto refere-se à recuperação da área que foi
objeto de extração de cascalho.
Custo inicial 1° ano Pré-plantio
Discriminação Quantidade unidade V. Valor Total (R$)
Unit.
(R$)
Levantamento 1 - - 1.000,00
florístico
Obtenção de 10 saco 60,00 600,00
sementes / mudas de
gramíneas
Propagação
das espécies
Construção de 1 UN 500,0 500,00
viveiro 100m2 0
Construção de 1 UN 200,0 200,00
canteiros 0
Semeadura 2 H/D 15,00 30,00
Ferramentas - - - 100,00
Transplante 2 UN 15,00 30,00
Tratos culturais 2 H/D 15,00 30,00
Mão-de-obra
Tec. Agrícola 1 sal+13°+encarg 1.000 1.000,00
o ,00
13
Auxiliar de 1 sal+ 13º + 4 450,00
Campo encargo 50,00
Reserva - - 2.000,00
técnica
Total R$
5.940,00
Custo 2° ano de recuperação - 01° ano Plantio
Discriminação Quant. Unidade V. Unitário Valor Total
Preparo do
solo
Abertura de 5 H/D 15,00 75,00
covas
Correção/Adub 5 H/D 15,00 75,00
ação
Plantio
Transporte das 3 H/D 15,00 45,00
mudas
Plantio das 5 H/D 15,00 75,00
mudas
Manutenção
Tratos culturais 5 H/D 15,00 75,00
Replantio 5 H/D 15,00 75,00
Mão-de-obra
Tec. Agrícola 2 sal+ 1.000,00 2.000,00
13°+encargo
Auxiliar de 3 sal+ 450,00 1.350,00
Campo + 1/3 férias 13º
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+encargo
10% - Reserva - - - 2.000,00
técnica
Total R$ 5.770,00
Custo 3° ano de recuperação
Manutenção
Adubação 5 D/H 15,00 75,00
Poda de 5 D/H 15,00 75,00
formação
Mão-de-obra
Tec. Agrícola 2 sal+ 1.200,00 2.400,00
13°+encargo
Reserva - - - 1.000,00
técnica
Total R$
3.550,00
Custo Total - PRAD
Discriminação Custo
1 ° ano de recuperação R$ 5.940,00
2° ano de recuperação R$ 5.770,00
3° ano de recuperação R$ 3.550,00
Manutenção nos 04 anos seguintes: R$ 4.000,00
Total (para 07 anos de recuperação) R$ 19.260,00
15
6.0 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
A educação ambiental e a capacitação são fundamentais para um
trabalho com resultado qualificado. A participação social é um processo
de aprendizagem, assim, para efetivar a participação e o controle social
há necessidade de uma educação ambiental que oriente esse processo,
desenvolvendo as capacidades e competências necessárias para uma
atuação qualificada dos cidadãos nos espaços coletivos. A educação
começa na mobilização para a identificação de líderes (caso não exista) e
continua depois na sua implantação, ampliando e aprofundando os temas
tratados. Esse é o foco da educação ambiental em um Empreendimento
utilizador de recursos naturais, neste caso o minério de cascalho.
É necessário entender a Educação para além da escolarização, e o
Ambiental no seu aspecto pleno, não limitado à biologia. Na educação
ambiental devemos refletir sobre como as ações coletivas e individuais do
empreendimento sobre o meio físico e o meio natural afetam as
condições de qualidade de vida de uns, muitas vezes em detrimento de
outros. A participação social só se efetiva na medida em que cada
indivíduo se sente comprometido com o coletivo. Neste cenário, a
educação ambiental constitui um elo de aproximação e integração até
mesmo entre as escolas e Unidades de Conservação (DICK et al., 2012).
Para promover este componente serão realizados cursos de educação
ambiental, assim como palestras e dinâmicas em grupo.
Um dos focos do trabalho consiste em delimitar áreas dentro do
empreendimento as quais irão desenvolver ações voltadas para este
tema, assim como para a criação de trilhas ecológicas com avistamento
16
da avifauna; pesquisa científica e processos educativos. O curso de
educação ambiental pode também ser aplicado para as escolas
envolvidas na área de influência direta e indireta do empreendimento. Os
objetivos pretendem ser alcançados através de rodas de conversas,
trabalhos em grupos teóricos e práticos, dinâmicas e palestras e a
construção de um plano de ação.
Para estabelecer um Programa de Educação ambiental eficiente,
faz-se necessário executar planos estratégicos incluindo não apenas os
funcionários do empreendimento, assim como alguns atores sociais
influentes na comunidade. Para tal abordaremos a seguir a importância
de ações que envolvam: Mobilização, comunicação, sensibilização e
valorização.
6.1 – Ações de Mobilização X Comunicação
As ações de comunicação são imprescindíveis para fomentar os
processos de mobilização. O objetivo dessas ações é a adesão das
pessoas e da sociedade organizada, de maneira consciente e voluntária,
para o enfrentamento de determinada situação. Tais ações podem tanto
estimular a mobilização a partir de organizações sociais já existentes
quanto fomentar a criação de grupos ou associações que trabalhem em
ações de prevenção e controle.
Essas áreas (comunicação e mobilização) devem manter ações e
atividades estratégicas e de rotina no âmbito as quais estão inseridas, de
forma articulada e complementar, de modo a potencializar a divulgação,
17
discussão e compreensão de temas eleitos como prioritários e de
relevância. Dentre estas iniciativas, destacam-se ações de sensibilização e
capacitação dos diversos atores relacionados à preservação ambiental e
atividades que promovam a troca de experiências em relação ao uso da
terra e a reflexão de “novos olhares” sobre o meio o qual estão inseridos.
Uma das etapas propõe ouvir representantes dos grupos sociais
envolvidos direta ou indiretamente na área de influência da atividade.
Oficinas serão realizadas com intuito de colher, junto aos diversos
participantes, subsídios para o manejo e o zoneamento da área de forma
que viabilize a atividade. Os funcionários da SOS Mineração serão os
principais envolvidos no processo, estando presentes em todas as etapas
do Programa, recebendo frequentemente cursos de capacitação e
palestras educativas.
Alguns pressupostos dos componentes desta etapa podem ser
citados, como por exemplo:
• Incentivo à adoção de práticas conservacionistas de água e
solo;
• Manejo adequado da fauna e da flora na área de influência
do empreendimento;
• Oportunizar a socialização das experiências e conhecimentos
entre os envolvidos;
• Fortalecimento da Cidadania pela prática do exercício da co-
responsabilidade;
18
• Promoção da educação ambiental e do turismo ecológico;
• Garantir o envolvimento das famílias na execução e
manutenção das ações do programa, envolvendo-as nas atividades
operacionais, contratação de mão de obra local, quando possível.
O Programa de estratégia de educação ambiental será composto
de quatro componentes, descritos a seguir:
1. Sensibilização e mobilização;
2. Comunicação;
3. Valorização dos saberes tradicional;
4. Gestão participativa.
6.2 – Sensibilização e Mobilização
A sensibilização e mobilização são fundamentais para obter
sucesso no Programa de Educação ambiental. Nesta etapa serão
identificadas pessoas que tenham maior aptidão em liderar e sensibilizar
os demais em relação às boas práticas de manejo ambiental dentro e fora
da área do empreendimento. Serão realizadas reuniões com atores
sociais das comunidades localizadas na área de influência direta. Esta
etapa terá como objetivo identificar os principais pontos a serem
discutidos e posteriormente apresentar o planejamento estratégico. Vale
ressaltar a importância de sensibilizar e esclarecer as dúvidas por parte
dos envolvidos, assim como levantar as percepções positivas e negativas
relacionadas ao empreendimento.
19
6.3 – Comunicação
Propiciar o reconhecimento e a reflexão sobre a necessidade de
qualificar a comunicação e integração entre os envolvidos com o
empreendimento é um fator preponderante para o bom funcionamento do
fluxo de informações. Nesta perspectiva, promove-se além da
capacitação, o intercâmbio de experiências em educação ambiental. É
importante o exercício deste componente para que todos os envolvidos
tenham conhecimento a respeito do que a mesma representa, assim
como o papel desempenhado e a importância de cada um dentro do
contexto. A comunicação irá esclarecer o papel das Entidades
Representativas, Instituições e demais grupos envolvidos. Para tal faz-se
necessário à participação e apresentação de cada um nas Oficinas cuja
finalidade será exercer esta comunicação. Vale ressaltar que o
empreendimento deverá se comprometer a atender positivamente este
aspecto trabalhando com transparência e comprometimento.
6.4 – Valorização dos Saberes Tradicionais
O estudo dos saberes tradicionais é foco da Antropologia desde sua
concepção como ciência, entretanto, ainda hoje, não há algo como uma
Teoria Geral sobre esses saberes, mas sim um debate em torno das suas
características, modos de produção e reprodução. O debate ganhou
importância a partir da segunda metade do século XX, quando
antropólogos como Claude Lévi-Strauss passaram a focar os aspectos
cognitivos das populações tradicionais, trazendo à tona algumas
especificidades de seus saberes empíricos sobre a natureza.
20
As características mais marcantes desse modo de se conhecer das
populações tradicionais seriam: é mantido e produzido coletivamente; é
transmitido oralmente de geração para geração; é dinâmico, evolui com o
tempo; o acesso e uso do saber tradicional dessas populações
geralmente são governados por uma ampla variedade de leis usuais não
escritas e comumente aceitas.
Em 2012 o tema do 4º Seminário de Agroecologia de Mato Grosso
do Sul e do 3º Encontro de Produtores Agroecológicos de MS foi à
integração entre o saber tradicional e o saber científico, tendo como o
título: “O saber tradicional e o saber científico: a interação encurtando
caminhos para o desenvolvimento sustentável”. Percebe-se com isso a
importância que se têm depositado sobre o saber das comunidades
tradicionais e como o resultado da junção entre estes saberes reflete
positivamente no fomento do desenvolvimento sustentável.
O propósito deste componente no Programa de Educação
Ambiental será a troca de experiências e com isso um melhor
planejamento das atividades, podendo inclusive realizar em longo prazo
junto às comunidades acadêmicas (Universidades), estudos científicos a
partir da integração destes saberes. Além disso, este componente
possibilita a chance de valorizar o esforço laboral e conhecimento
adquirido por essas pessoas ao longo da vivência diária com o íntimo do
ecossistema em questão. Espera-se atingir este objetivo não apenas de
forma teórica a partir dos encontros pré-estabelecidos com os envolvidos,
21
como também a partir da possibilidade de contratação da mão de obra
local.
6.5 – Gestão Ambiental Participativa
Aproximar as pessoas é um dos passos da gestão participativa e
para o alcance deste objetivo faz-se necessário aplicar uma série de
componentes. Componentes estes que foram acima discutidos, como por
exemplo, participação, exercício de cidadania, reconhecimento,
comunicação, capacitação e que serão essenciais para o sucesso
participativo desta gestão. Um dos princípios da gestão participativa é o
real envolvimento de todos os atores.
Mas afinal o que é gestão participativa? Quando falamos em
gestão nos referimos de modo geral, a um conjunto de tarefas que nos
permitirão administrar os recursos que temos disponíveis, para que as
metas que traçamos possam ser alcançadas. Já a participação significa
ser parte de, compartilhar com, intervir em, se envolver, assumindo assim
responsabilidades e exercendo a cidadania. A gestão ambiental
participativa dentro do empreendimento depende do sucesso dos demais
componentes acima supracitados.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Face às informações apresentadas intrínsecas as peculiaridades
desse empreendimento, acreditamos que o licenciamento ambiental é
perfeitamente factível haja vista que a manutenção e a conservação
22
ambiental são fatores de viabilidade e perenidade do negócio.
Recomenda-se adicionalmente o constante monitoramento
ambiental que consistirá no acompanhamento e confirmação da eficácia
das medidas técnicas que serão adotadas na área, objetivando a
conservação do meio ambiente. Para isso deverão ser feitas, através de
profissionais habilitados com observações, amostragens, registros
fotográficos, etc., evidenciando o desenvolvimento ou não dos programas
ambientais projetados. Essa atividade é fundamental para a correção de
desvios, face a mudança de procedimentos operacionais e até mesmo de
alterações do projeto original, mediantes situações novas e/ou não
consideradas no projeto original. Portanto através dessa atividade, ocorre
uma relação de acompanhamento entre o empreendimento e o órgão
ambiental licenciador.
23
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABRAMOVAY, R. ; PIKETTY, M.G. Política de crédito do Programa Nacional
de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF): resultados e limites
da experiência brasileira nos anos 90. Cadernos de Ciência e Tecnologia,
Brasília, v.22, n. 1, p. 53-66, jan./abr. 2005.
ABRAMOVAY, R. ; VEIGA, J. E. Novas instituições para o desenvolvimento
rural: o caso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar (PRONAF). Brasília: IPEA, 1999.49 p.
BAHIA. Secretaria da Saúde. Regiões de assistência em saúde.
Disponívelem:<[Link]
http%3A%2F%[Link]%2Fmapa_bahia%[Link]
p%3Fcidade%3D290960&csrc=search-field>. Acesso em: 10 fev. 2015.
BARRETO, W. O.; DURIEZ, M. A. M.; JOHAS, R. A. L. Algumas modificações
em métodos de análise de solos adotados pelo SNLCS, EMBRAPA. Rio de
Janeiro: EMBRAPASNLCS, 1976.
BARROSO, G.M.; GUIMARÃES, E.F. Sistemática de Angiospermas do Brasil:
I. LCT/EDUSP, São Paulo. 1978.
BARROSO, G.M.; GUIMARÃES, E.F. Sistemática de Angiospermas do Brasil:
II. Imprensa Universitária. Viçosa. 1986.
24
BENNEMA, J. Oxissolos brasileiros. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
CIÊNCIA DO SOLO, 14., 1973, Santa Maria. Anais... Rio de Janeiro:
Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 1974. p. 7-35.
CABRERA, A. 1961. Catálogo de los mamíferos de América del Sur. II. Rev.
Mus. Cienc. Nat. "Bernardino Rivadavia", 4: 310-732.
CONCEIÇÃO H. & OTERO O.M.F. 1996. Magmatismo granítico e alcalino
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Jorge Luis Nunes
Geólogo
Crea-Ba: 28.032 - D
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