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Sociedade de Música de Câmara em Lisboa

Este projeto de tese analisa a Sociedade de Música de Câmara de Lisboa fundada em 1899 e seu impacto no desenvolvimento da música de câmara portuguesa. Analisa o periódico fundado por Michelangelo Lambertini e os concertos organizados pela Sociedade. Compara sonatas portuguesas para violino e piano com obras canônicas, como as de Brahms e Franck, para entender influências estilísticas. Busca contextualizar o surgimento da Sociedade e mudanças no gosto musical português no século XIX.
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Sociedade de Música de Câmara em Lisboa

Este projeto de tese analisa a Sociedade de Música de Câmara de Lisboa fundada em 1899 e seu impacto no desenvolvimento da música de câmara portuguesa. Analisa o periódico fundado por Michelangelo Lambertini e os concertos organizados pela Sociedade. Compara sonatas portuguesas para violino e piano com obras canônicas, como as de Brahms e Franck, para entender influências estilísticas. Busca contextualizar o surgimento da Sociedade e mudanças no gosto musical português no século XIX.
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A Sociedade de Música de Câmara de Lisboa de

Michel’angelo Lambertini (1899-1915)

Influências na consolidação do género Sonata para Violino


e Piano no repertório português

Gonçalo Anselmo Santana Simões

Orientadora: Prof. Doutora Ana Telles Béreau

Projecto de Tese

Especialidade: Doutoramento em Música e Musicologia, ramo de In-


terpretação
Évora, 2021
Este trabalho não inclui as críticas e as sugestões feitas pelo júri

INSTITUTO DE INVESTIGAÇÃO E FORMAÇÃO AVANÇADA


Resumo

O presente projecto de investigação centra-se na análise da actividade da Socie-


dade de Música de Câmara de Lisboa, fundada em 1899, e no seu contributo para uma
transformação do gosto musical do público lisboeta na transição do século XIX para o
XX. Nesse sentido, a investigação partirá de uma análise da actividade do músico, mu-
sicólogo, produtor de eventos e comerciante de instrumentos Michel’angelo Lambertini,
cuja importante acção se dividiu em duas vertentes: a ideológica, que neste período se
materializou na criação e publicação do periódico especializado A Arte Musical (1899-
1915), em parceria com Ernesto Vieira; e a organização de concertos, concretizada pela
criação da referida Sociedade de Música de Câmara (1899-1908). Será dado enfoque a
ambas, por serem complementares no objectivo definido por Lambertini de reeducação
do público musical português, e de contribuição na operação de uma mudança de para-
digma de consumo da música operática de “entretenimento” para a música instrumental
sinfónica e de câmara, reconhecida, na época, como tendo carácter mais “sério”.

A pesquisa foi centrada na análise do referido periódico, ao longo da totalidade


dos seus anos de publicação (1899 – 1915), com o intuito de, primeiramente, indagar o
repertório que foi abordado nos concertos organizados pela Sociedade, e em segundo
lugar expor as ideologias sociais e artísticas manifestas nesta publicação. É também
apresentada uma análise comparativa das Sonatas para Violino e Piano escritas por
compositores portugueses que surgiram neste mesmo período com outras consideradas
canónicas no repertório camerístico escrito para esta formação, tendo em vista uma con-
textualização estética objectiva e sua integração no repertório standard da formação
instrumental em questão.

Palavras-chave:
Sociedade de Música de Câmara de Lisboa; Piano; Violino; Sonatas; Lambertini

INSTITUTO DE INVESTIGAÇÃO E FORMAÇÃO AVANÇADA


Índice

1. Introdução 1

2. Estado da Arte 3

3. Objectivos 11

4. Plano de Trabalhos 12

5. Cronograma 15

6. Bibliografia 17

ANEXOS 24

INSTITUTO DE INVESTIGAÇÃO E FORMAÇÃO AVANÇADA


1. Introdução

O presente estudo pretende analisar a actividade desenvolvida pela Sociedade de


Música de Câmara de Lisboa, fundada em 1899 por Michel’angelo Lambertini, bem
como o impacto que esta teve no desenvolvimento da escrita camerística por parte dos
compositores portugueses no período no qual a Sociedade esteve em funcionamento,
sendo a acção desta directa ou indirectamente responsável pelo surgimento de repertório
português de música de câmara para a formação de duo de violino e piano, nomeada-
mente a Sonata “Saudade” de Óscar da Silva, a Sonata para violino e piano nº 1 de
Luís de Freitas Branco e a Sonata nº 1 de Ruy Coelho.

Ao longo do século XIX, em Portugal, tal como na quase totalidade do contexto eu-
ropeu, a Ópera e outras vertentes do teatro musical detinham um papel hegemónico so-
bre as restantes formas musicais. Contudo, no decorrer do século, observou-se um gra-
dual desvio do consumo musical do género operático para o sinfónico e de câmara, de-
vido ao aparecimento de diversas Sociedades de Concertos exclusivamente direcciona-
das para a prática de música instrumental. Neste sentido, torna-se imperiosa a realização
de um enquadramento dos fenómenos sociológicos que conduziram à mudança do gosto
no público europeu, de forma a melhor contextualizar o caso português e articular com
o surgimento das Sociedades de Concertos em Portugal, nomeadamente a Sociedade de
Música de Câmara lisboeta. Nesse sentido, importa analisar de forma mais detalhada a
actividade e ideologias de algumas das mais importantes Sociedades de Concertos na
época. Afigura-se como o caso mais próximo da Sociedade de Música de Câmara de
Lisboa, a Société Nationale de Musique, fundada em 1871 por Camille Saint-Saëns,
Romain Bussine e César Franck, entre outros, numa paisagem de enorme turbulência
política após a Guerra Franco-Prussiana. Se o caso francês assume uma importância
extrema neste estudo, devido à proximidade cultural entre França e o nosso país, não é
de descurar a investigação do meio musical inglês, por também apresentar semelhanças
em relação ao caso nacional, nomeadamente no florescimento da prática camerística em
contexto doméstico nas primeiras décadas do séc. XIX. Ainda focando o assunto das

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sociedades de concertos, mas passando agora para a realidade em Viena, sabe-se que o
aumento de interesse na música de câmara surgiu anteriormente aos casos supramencio-
nados, mais concretamente nas décadas de 40 e 50 novecentistas. O público vienense foi
dos primeiros na Europa a operar a mudança de gosto, sendo particularmente apreciados
os quartetos tardios de Ludwig van Beethoven e a música de câmara de Franz Schubert,
compositores cujo estilo e técnicas são reconhecidamente influenciadores da obra de
Johannes Brahms, compositor considerado como uma das principais figuras na produ-
ção camerística do Romantismo germânico.

A temática do surgimento de Sociedades de Concertos em Portugal tem sido alvo de


um crescente interesse nos últimos anos. Apesar deste facto, poucas são ainda as publi-
cações e os estudos académicos centrados neste assunto, que assume importância fun-
damental para a compreensão da mudança de paradigma estético ocorrida a nível nacio-
nal no final do século XIX. Os estudos existentes centram-se maioritariamente na acti-
vidade da Sociedade Orpheon Portuense, não sendo conhecidos documentos específicos
acerca da Sociedade de Música de Câmara que proponho abordar.

Outro aspecto importante é o levantamento e estudo objectivo do repertório camerís-


tico escrito por compositores portugueses nessa época, cujo surgimento poderá estar
relacionado com a actividade da Sociedade em questão. A bibliografia existente debru-
ça-se essencialmente sobre os dados biográficos dos compositores, e não tanto na análi-
se da estética ou craftmanship das suas obras, daí resultando por vezes uma conotação
estética próxima à do Impressionismo francês, descurando influências de outras origens
que os compositores portugueses possam ter tido, apesar de se encontrar documentado o
facto de a aprendizagem dos principais músicos portugueses na transição do séc. XIX
para o XX ter decorrido sobretudo na Alemanha (Berlim, Leipzig, Frankfurt, essencial-
mente). Desta forma, para averiguar a existência de influência do estilo e estética ger-
mânicos nas três Sonatas portuguesas em análise – Sonatas “Saudade” de Óscar da
Silva, nº 1 de Luís de Freitas Branco e nº 1 de Ruy Coelho – será feita uma análise
comparativa entre estas obras portuguesas e a Sonata em Sol maior Op. 78 de Johannes
Brahms, e a Sonata em Lá maior de César Franck (ambas para violino e piano), ambas
escritas para violino e piano e consideradas das mais importantes obras produzidas no
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Romantismo para esta formação instrumental. No que concerne à componente perfor-
mativa do programa de doutoramento, nomeadamente no segundo e terceiro recitais, é
de referir a participação em regime de colaboração da violinista Josefina Alcaide.

Importa mencionar que, ao nível do repertório que se conhece, ao longo do séc XIX
apenas está identificada uma Sonata em Si bemol maior para violino e piano escrita por
José Vianna da Motta em 1894, disponível no arquivo de Vianna da Motta depositado
na Biblioteca Nacional, nunca gravada ou editada. Existem ainda várias Sonatas com-
postas por João Domingos Bomtempo, nas quais é dada a possibilidade de execução
com violino ad libitum, tendo o violino uma função obbligato, o que desvirtua a sua
consideração enquanto repertório de música de câmara. Existe, no entanto, do mesmo
compositor, uma Sonata declaradamente camerística, a Sonata em Mi menor Op. 9 nº 3,
de 1811, na qual é dada muito maior importância à parte do violino por comparação
com as anteriores, sendo muito provavelmente esta a primeira peça deste género escrita
por compositores portugueses. Estas obras não serão alvo de análise como as posterio-
res, por serem dois casos isolados ao longo do séc. XIX e não relacionados com a Soci-
edade de Música de Câmara de Lisboa.

2. Estado da Arte

Na abordagem da temática da evolução do gosto musical ao longo do séc. XIX, bem


como para a contextualização do caso português, torna-se necessário o confronto com
outras realidades na esfera europeia, bem como uma explicação acerca da forma como é
reconhecido a algum repertório um estatuto canónico face a outro para semelhante for-
mação instrumental. Neste sentido, é de mencionar o importante contributo do musicó-
logo William Weber para a definição/teorização do conceito de cânone musical, cujos
estudos se tornaram referências incontornáveis e constituirão o ponto de partida para a
reflexão que me proponho fazer. Deste autor, destacam-se um capítulo inserido no livro
Rethinking Music (ed. Nicholas Cook e Mark Everist, 2001, p. 336-355), dois artigos e

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o livro The Great Transformation of Musical Taste: Concert Programming form Haydn
to Brahms (2008). No capítulo The History of Musical Canon, publicado no livro de
Cook e Everist, o autor define os quatro atributos essenciais à ascensão de repertório a
um estatuto de cânone. No primeiro artigo, Mass Culture and the Reshaping of Europe-
an Musical Taste, 1770-1870 (1977), Weber traça a evolução da cultura de massas no
período em análise e mostra como esta culminou na ascensão dos mestres “clássicos”
nas décadas de 50 e 60 do século XIX, como reforma do gosto musical europeu através
da polarização entre os valores de música “séria” (sinfónica e música de câmara) e mú-
sica de “entretenimento” (ópera). Esta informação é corroborada no artigo de 2006, Re-
defining the Status of Opera: London and Leipzig, 1800-1848, no qual se responsabiliza
o surgimento de concertos de música de câmara pela primeira quebra no consumo de
música operática, nas primeiras décadas do séc. XIX. O último trabalho de Weber que
tomamos em consideração é o livro The Great Transformation of Musical Taste: Con-
cert Programming form Haydn to Brahms (2008), no qual é apresentada uma história da
programação de concertos, cobrindo o período compreendido entre 1750 e 1875, através
da comparação de centenas de programas de concertos ocorridos nos principais centros
musicais europeus, acompanhada de uma análise das mudanças sociais e políticas que
explicam a atribuição de estatuto canónico a determinado repertório e o estabelecimento
da cultura musical baseada na tradição “clássica” Austro-Germânica após 1848. Por seu
turno, a obra de Marie Sumner Lott, The Social Worlds of Nineteenth-Century Chamber
Music: Composers, Consummers, Communities (2015), apresenta pontos de vista com-
plementares aos de Weber, contribuindo para a compreensão das relações dinâmicas
entre os agentes envolvidos na criação de música neste período e nas influências causa-
das pelas suas interacções.

No que se refere às principais Sociedades de Concertos europeias da época em aná-


lise, assume particular interesse o estudo da Société Nationale de Musique, sediada em
Paris. Publicações como o livro L’avant-garde musicale et ses sociétés à Paris de 1871
à 1939, de Michel Duchesneau (1997), e o artigo de Michael Strasser (2001) The So-
ciété Nationale and Its Adversaries: The Musical Politics of L’invasion germanique
constituem-se como os pilares informativos que utilizarei na pesquisa sobre a Société

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Nationale. Strasser traça as linhas do clima intelectual e político francês ao longo do
século, desmistificando a ideia generalizada de rejeição da cultura germânica atribuída
aos fundadores da Société, e referindo a admiração dos mesmos pela intelectualidade
teutónica, tal como a influência que as obras tardias de Beethoven, Schubert, Mendels-
sohn, Schumann e Liszt se reflectia nas obras camerísticas dos compositores franceses
no período inicial da Société (p. 251). Duchesneau apresenta uma pesquisa detalhada
desta época de charneira na criação musical francesa, sobretudo no primeiro capítulo,
onde refere a importância desta sociedade pelo seu papel na construção e difusão de um
vasto repertório de música de câmara em França. Existe ainda uma tese de doutoramen-
to de 2006, por David Le Guen, The Development of the French Violin Sonata (1860-
1910), que, além de apresentar uma excelente contextualização do panorama geral em
França e da referida sociedade de concertos, menciona todas as Sonatas para violino e
piano escritas propositadamente para apresentação em concertos organizados pela So-
ciété, confirmando este género como o mais frequentemente adoptado pelos composito-
res em questão.

Focando o meio musical inglês do mesmo período, dois estudos destacam-se: o livro
de Baron, Chamber Music: A Research and Information Guide (2002), e o artigo Histo-
riography and Invisible Musics: Domestic Chamber Music in Nineteenth-Century Bri-
tain (2010), da autoria de Christina Bashford. Na publicação de Baron, destaca-se o
capítulo 2, History of Chamber Music, que traz luz aos motivos e contextos que levaram
ao aumento de criação camerística em Inglaterra no período em que nos focamos, de-
monstrando a sua coincidência cronológica por comparação com o nosso caso e o fran-
cês. Quanto ao artigo de Bashford, é dado enfoque à tradição da prática de música de
câmara “séria” em ambientes familiares de classe alta, devido ao facto de este género de
música estar intimamente associado a períodos de lazer em famílias abastadas. No que
toca à sociedade vienense, o livro de Stephen Hefling (2004), Nineteenth-Century
Chamber Music, dedica o seu 6º capítulo, Discourse and Allusion: the Chamber Music
of Brahms, ao estudo da obra, estilo e influência deste compositor germânico na ascen-
são dos géneros instrumentais camerísticos e à afirmação da sua obra como canónica,

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referindo a sua importante acção, juntamente com o Quarteto Hellmesberger, na mu-
dança de paradigma de consumo musical em Viena.

Relativamente ao caso português, face à inexistência de uma História da Música


Portuguesa de carácter enciclopédico, serão utilizados como suporte à investigação os
livros História da música portuguesa, de Manuel Carlos de Brito e Luísa Cymbron
(1992), e História da Música, de Rui Vieira Nery e Paulo Ferreira de Castro (1991). Por
ambos serem sucintos, torna-se necessário o complemento da sua informação com uma
overview só possível de encontrar numa História de Portugal, tendo a minha escolha
recaído na História de Portugal dirigida por José Mattoso, uma das principais obras de
referência no estudo da história nacional, assumindo particular importância os volumes
V – O Liberalismo (1807-1890) (1993) e VI - A Segunda Fundação (1890- 1926)
(1994). Relativamente aos volumes de Brito & Cymbron e Nery & Castro, ambos são
considerados como fontes de referência na historiografia musical nacional, apresentando
duas perspectivas complementares da mesma época: ambas relevam o importante mo-
mento de reorientação artística levada a cabo a partir da década de 1870, processo que à
semelhança dos casos estrangeiros acima descritos, se prolongaria até aos primórdios do
século XX. Cymbron faz importantes apontamentos sobre a música religiosa e sobre a
laicização do ensino no Conservatório na primeira metade do século, enquanto refere de
forma expansiva as figuras de Vianna da Motta e Freitas Branco enquanto principais
agentes operadores da germanização do repertório musical português no final do século;
Castro dá maior relevância à efervescência no meio musical na década entre 1845 e 55,
enquanto que na parte referente à segunda metade do século, discorre sobre a problemá-
tica da constituição de uma música inspirada em referências e tradições nacionais, nas
vertentes ideológica, literária e musical. Outra publicação que concilia o trabalho destes
dois autores é o livro Olhares Sobre a História da Música em Portugal, sob coordena-
ção de Jorge Alexandre Costa (2015), também em formato de síntese, sendo o capítulo
referente ao século XIX da autoria de Cymbron e o do século XX de Castro. Nesta pu-
blicação, ambos acrescentam informação pertinente acerca dos períodos que focam. No
livro publicado em 2014, Música Instrumental no Antigo Regime, sob a coordenação de
Vanda de Sá e Cristina Fernandes, o capítulo 2, Sobre a Edição e Disseminação de Mú-

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sica em Portugal – 1755-1840, da autoria de Maria João Albuquerque, menciona a exis-
tência de diversas partituras de música de câmara de Wolfgang Amadeus Mozart, Jo-
seph Haydn e Muzzio Clementi em Portugal, entre 1791 e 1822, habitualmente pratica-
da por amadores e em consumo doméstico nas classes sociais altas, remetendo para o
artigo de Bashford anteriormente referido, e permitindo observar um paralelismo neste
assunto entre as sociedades portuguesa e britânica. No mesmo livro, capítulo 6, Um
“Medíocre Divertimento”: Concertos, Benefícios e Academias em Lisboa entre 1822-
1833, Francesco Esposito procura respostas para a dificuldade de instauração de uma
cultura de concerto em Lisboa neste hiato temporal, apontando a instabilidade política e
a ausência de apoio financeiro para este género de acção, tal como a inexistência à épo-
ca de um ensino laico e moderno da música, como principais responsáveis pelo decrés-
cimo das interpretações da música instrumental.

Existem ainda quatro estudos cujas temáticas se cruzam e servem para finalizar o
patamar de contextualização nacional. Dois destes, da autoria de Luís Miguel Santos,
introduzem a problemática da ideologia nacionalista. Na sua Tese de Mestrado defendi-
da em 2010, A Ideologia do Progresso no discurso de Ernesto Vieira e Júlio Neuparth
(1880-1919), Santos elabora sobre o discurso de carácter progressista de Ernesto Vieira
(1848-1915) e Júlio Neuparth (1863-1919), contribuindo para um maior conhecimento
da história ideológica que motivou o surgimento das Sociedades de Música de Câmara
autóctones, abrangendo temas como o discurso da importância da música sinfónica, a
procura de uma identidade nacional para a música portuguesa por intermédio do recurso
à tradição, passando ainda pela atribuição de um papel indispensável à educação musi-
cal na construção da sociedade como via para uma consciencialização cívica e elevação
moral dos cidadãos. Num outro artigo, Música e Civilização: a ideia de progresso no
discurso do periódico musical Amphion (1884-1887) (2012), o mesmo autor centraliza
o periódico Amphion como o veículo preferencial de Vieira e Neuparth de divulgação
das ideias de “Regeneração” e crítica à sociedade musical e seu público. Os restantes
estudos são da autoria de Teresa Cascudo: A música em Portugal entre 1870 e 1918,
inserido no catálogo da exposição Michel’angelo Lambertini (1862-1920), organizada
pelo Museu Nacional da Música em 2002; A década da invenção de Portugal na música

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erudita (1890-1899), publicado em 2000 pela Revista Portuguesa de Musicologia. No
primeiro artigo, Cascudo faz uma resenha do contexto musical no período em destaque,
iniciando pelo tópico do nacionalismo, mencionando depois o aparecimento de organi-
zações como o Orpheon Portuense e a Academia dos Amadores de Música, bem como
dos periódicos especializados Amphion (1884-1893) e A Arte Musical (1899-1915).
Cascudo enumera também proeminentes músicos portugueses que, fruto da opção pelas
cidades germânicas de Berlim e Leipzig como destinos preferenciais para formação no
estrangeiro, se constituíram como os principais operadores da mudança ideológica na
música portuguesa, culminando no reconhecimento de Luís de Freitas Branco como
principal agente na modernização da linguagem musical portuguesa. Quanto ao artigo
de 2000, a mesma autora relata um panorama da relação entre nacionalismo e criação
musical em Portugal na última década do século XIX.

No que concerne ao tópico das Sociedades de Concertos em Portugal na época oito-


centista, não são conhecidos estudos específicos sobre a Sociedade de Música de Câma-
ra de Lisboa. Sobre outras Sociedades de Concertos a nível nacional, existem duas Te-
ses de Mestrado. A primeira, da autoria do violinista Ricardo Vilares, “Um Sagrado
Enlevo”: Moreira de Sá e o culto de Música de Câmara no Porto (2015), centraliza a
figura de Bernardo Moreira de Sá e a sua acção no âmbito da música de câmara enquan-
to intérprete, promotor e agente cultural. A segunda, de Elsa Paiva Tavares, do mesmo
ano, A Sociedade de Concertos de Lisboa durante e depois da presidência de José Via-
na da Mota: continuidade ou ruptura?, contém algumas informações preciosas, embora
sintéticas, no Capítulo 3, acerca de diversas Sociedades de Concertos nacionais no sécu-
lo XIX (As Sociedades de Concerto a partir do século XIX até ao início do século XX).
Existe, ainda o livro A Sociedade Orpheon Portuense (1881-2008) – Tradição e Inova-
ção (2014), coordenado por Henrique Gomes Araújo, que se constitui como a única
obra conhecida exclusivamente dedicada a uma sociedade de concertos portuguesa.
Nesta, realça-se o capítulo redigido por Jorge Castro Ribeiro, A arte de saber ouvir: a
música de câmara na história do Orpheon Portuense (p. 129-146), no qual o autor defi-
ne o campo da música de câmara como eixo de programação mais intensa do Orpheon,

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simultaneamente elucidando a ideologia que esteve por detrás da actividade desta Soci-
edade.

Para encerrar esta parte da revisão bibliográfica, falta apenas explanar o exíguo nú-
mero de publicações existentes dedicadas à Sociedade de Música de Câmara de Lisboa,
fundada por Michel’angelo Lambertini em 1899. Existe o catálogo Michel’angelo Lam-
bertini 1862-1920, já mencionado anteriormente, que se encontra dividido em duas par-
tes: a secção inicial compõe-se de um conjunto de capítulos, redigidos por vários auto-
res, não havendo nenhum especificamente dedicado à Sociedade de Música de Câmara;
a secção final consiste num catálogo fotográfico com curtas legendas explicativas. Em
2019, surge, pela mão de Cristina Fernandes, o único estudo verdadeiramente centrado
na actividade da Sociedade de Música de Câmara de Lisboa, nomeadamente na inova-
ção da organização de concertos históricos no país dedicados à música dos períodos
Barroco e Clássico com instrumentos de época, em 1906. Face ao reduzido número de
publicações existentes acerca deste assunto, a principal fonte de informação consiste no
periódico A Arte Musical (1899-1915). A análise deste periódico, é de suma importân-
cia na observação da actividade concertística em Lisboa na época em questão, particu-
larmente da referida Sociedade, uma vez que todos os seus concertos foram lá divulga-
dos, sendo neste periódico que se expressam os manifestos ideológicos que sustentam a
fundação do periódico, assim como da Sociedade de Música de Câmara.

Por fim, focar-me-ei na literatura que considero pertinente acerca das cinco
obras musicais em apreço. Sobre as Sonatas de Brahms e Franck, existem várias publi-
cações de carácter generalista, que não considerarei por não acrescentarem nada de re-
levante para este trabalho. Há, no entanto, alguns trabalhos académicos recentes que
importa explorar pela inovação da sua abordagem. Sobre Franck, Nicholas Hester es-
creve uma Tese de Mestrado em 2015 (César Franck – A New French Unity), na qual
analisa a obra do compositor belga recorrendo às teorias de grundgestalt e developing
variations desenvolvidas por Arnold Schoenberg. Rachel Swindells, na sua Tese de
Doutoramento intitulada Beethovenian Forms in the Late Instrumental Works of César
Franck (2011), estabelece o conceito de “proto-tonalidade” na música de Franck, rela-
cionando-a com a de Brahms e de Beethoven, rectificando a ideia generalizada de afas-
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tamento estético e ideológico entre Franck e Brahms. Relativamente à Sonata em Sol
maior Op. 48 de Brahms, a Tese de Doutoramento de Susan Paik (2016), explica a ori-
gem esta obra como consequência de três lieder escritos pelo compositor alemão; simul-
taneamente, esta é a única publicação que define em detalhe a construção Brahmsiana
sob a perspectiva do conceito Schenkeriano de linkage.

Quanto à literatura sobre as Sonatas portuguesas, o reduzido número de publicações


e teses existentes foca sobretudo o percurso biográfico dos seus compositores, o que
valida a importância da realização de um trabalho analítico detalhado a respeito destas
obras, com vista a possibilitar um melhor enquadramento estético e interpretativo. Rela-
tivamente a Óscar da Silva, Filipe Pires esboçou em 1995 um estudo dividido em duas
partes, uma biográfica e outra como catalogação da sua obra, de forma bastante sucinta.
O pianista Miguel Campinho apresentou uma Tese de Doutoramento em 2015, centrada
na vida e visão estética da obra para piano deste compositor (Óscar da Silva (1870-
1958): Life and Solo Piano Works), que dedica algumas páginas à história da criação da
sua Sonata “Saudade”. Destaca-se também a Tese de Mestrado de Ana Cristina Ber-
nardo (2008), Influências do romantismo germânico em Portugal: a Sonata “Saudade”
de Óscar da Silva. Sobre a Sonata para Violino e Piano nº 1 de Luís de Freitas Branco,
apenas existem breves menções de carácter historiográfico, ambas associadas a publica-
ções que envolveram o trabalho da pianista Ana Telles: o livro Luís de Freitas Branco,
de 2007, escrito em parceria com Alexandre Delgado e Nuno Bettencourt Mendes; e a
sua Tese de Doutoramento, de 2008, Luís de Freitas Branco (1890-1955): Parcours
biographique et esthétique à travers l’oeuvre pour piano. O mesmo sucede relativamen-
te à obra de Ruy Coelho, à qual é dedicada a Tese de Mestrado de Edward Ayres de
Abreu (2014); nela se inclui um sub-capítulo de quatro páginas que lança dúvidas acer-
ca da datação da Sonata nº 1, e que pouco acrescenta ao enquadramento estilístico desta
obra.

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3. Objectivos

Este trabalho de investigação visa atingir dois objectivos gerais, sendo o primeiro de
ordem historiográfica/sociológica, e o segundo de ordem estética, declinando-se ambos
em vários objectivos específicos.

O objectivo de natureza historiográfica/sociológica, consistirá em indagar a activi-


dade da Sociedade de Música de Câmara de Lisboa, no período entre 1899 e 1915. Nu-
ma altura em que se multiplicam os estudos historiográficos sobre a música em Portugal
na transição do século XIX para o XX, e se redefinem perspectivas, considero que uma
reflexão teórica sobre a prática musical nesta Sociedade de Concertos pode contribuir
para uma melhor compreensão da mudança de paradigma no consumo artístico na soci-
edade lisboeta. Para tal, foram definidos dois objectivos específicos, de forma a melhor
relacionar a acção da referida Sociedade:

1. Documentar o contributo dado por Michel’Angelo Lambertini e pela sua Socie-


dade de Música de Câmara no aumento de consumo de música instrumental pelo
público lisboeta no início do séc. XX, por via do estudo sistemático da activida-
de de concertos desta Sociedade;

2. Demonstrar a influência directa ou indirecta que a Sociedade de Música de Câ-


mara de Lisboa teve na consolidação de repertório português instrumental de
música de câmara, nomeadamente no género Sonata para Violino e Piano.

O segundo objectivo geral, será o de elaborar uma caracterização estilística e uma


contextualização estética das Sonatas para violino e piano escritas na primeira década
do séc. XX, por confrontação com obras de estilos análogos. Também este objectivo
ramifica em dois objectivos específicos:

1. Delimitar o enquadramento estético da obra camerística existente para a forma-


ção duo de violino e piano desta época, no que concerne às influências e estilo observa-
dos, fazendo uma análise de acordo com os parâmetros estabelecidos (ver próximo Ca-
pítulo – Plano de Trabalhos, página 14);
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2. Valorização do repertório português de música de câmara, atribuindo-lhe valida-
ção internacional, estabelecendo comparações com obras consideradas canónicas no
género.

4. Plano de Trabalhos

Para a realização desta investigação, várias são as etapas constantes neste plano de
trabalho. A óbvia primeira etapa é a definição do objecto de estudo. Sendo pianista pro-
fissional, dando particular enfoque à prática de música de câmara na minha carreira ar-
tística, procurei escolher um assunto que não só fortalecesse o meu conhecimento na
área, mas também que resultasse num estudo passível de contribuir para a abertura de
horizontes ainda pouco ou nada explorados. Sendo verdade que este repertório é am-
plamente conhecido da sociedade nacional, e já existindo gravações de todas as obras
que me proponho abordar, nota-se, contudo, uma quase total ausência de publicações ou
estudos académicos especificamente focados nestas obras. Este trabalho propõe-se pre-
encher essa lacuna, utilizando instrumentos teóricos nas áreas da historiografia, da mu-
sicologia histórica, da sociologia da música, da análise e interpretação musicais, recor-
rendo a várias tipologias de fontes e de bibliografia produzida nas áreas anteriormente
referidas, com o propósito de produzir um estudo inovador e de carácter interdisciplinar.

A segunda fase, realizada entre Novembro de 2019 e Janeiro de 2020, consistiu na


obtenção das partituras das obras que me proponho estudar: primeiramente na aquisição
das partituras impressas (Sonata para violino e piano nº 1, de Luís de Freitas Branco),
seguida da recolha de manuscritos das partituras nunca antes editadas (Sonata “Sauda-
de” de Óscar da Silva, e Sonata para violino e piano nº 1 de Ruy Coelho), conseguidas
após consulta no espólio do Centro de Estudos Musicológicos / Biblioteca Nacional de
Lisboa. Em simultâneo, foi efectuada uma primeira fase de recolha bibliográfica e leitu-
ra de obras da historiografia internacional que incidem sobre outros contextos europeus,
de forma a possibilitar a dimensão fundamental da comparabilidade e uma avaliação

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viável das especificidades do caso português, entre Novembro de 2019 e Junho de 2020,
coincidindo temporalmente com a preparação do primeiro Recital de Doutoramento
(realizado no dia 3 de Setembro de 2020, no Auditório do Colégio Mateus de Aranda;
programa – ANEXO 1). Entre Fevereiro e Junho de 2020, foi levada a cabo uma primei-
ra fase de análise do periódico A Arte Musical, abarcando todos os números publicados
entre 1899 e 1904; está prevista a realização da fase final de análise deste periódico en-
tre Fevereiro e Junho do presente ano. No mesmo período de 2020, foi realizada tam-
bém uma primeira fase de análise formal e comparativa de duas das Sonatas, após apro-
priação das técnicas de análise musical fundamentais à realização deste trabalho (con-
forme descrito na página seguinte); a segunda fase da análise da totalidade das obras em
questão está estimada para o período entre Maio e Novembro de 2021.

A elaboração deste projecto de Tese ocupou os meses entre Novembro de 2020 e


Janeiro deste ano, e decorreu de forma prévia à preparação para o segundo Recital, com
data marcada para 22 de Maio (programa – ANEXO 2), a realizar no Mosteiro de Jesus
(Setúbal), e inserido no ciclo “Música de Câmara no Convento”, que decorrerá ao longo
do referido mês1. A transcrição das partituras manuscritas para formato digital, no intui-
to de as preservar e facilitar o seu estudo instrumental, está prevista em duas fases: a
primeira, entre Janeiro e Fevereiro de 2021, dedicada à transcrição da Sonata “Sauda-
de”, de Óscar da Silva; na segunda, entre Outubro e Novembro do mesmo ano, será
transcrita a Sonata nº 1, de Ruy Coelho. Entre os meses de Abril e Junho do presente
ano, estão previstas várias sessões de análise do espólio do Museu da Música Portugue-
sa, com particular incidência na observação do livro de Actas da Sociedade de Música
de Câmara de Lisboa e recolha da totalidade dos programas dos seus concertos.

Na fase final deste plano de estudos, procederei à análise de toda a informação reco-
lhida e às reflexões finais que se materializarão no texto final da Tese. A redacção da
mesma está prevista para o período compreendido entre Julho de 2021 e Fevereiro de

1
Devido aos constrangimentos provocados pela situação pandémica relacionada com o COVID-19, a data
deste recital poderá ser alvo de alteração.

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2022, correspondendo a fase seguinte (Fevereiro a Junho de 2022) à preparação e reali-
zação do terceiro e último Recital de Doutoramento (programa – ANEXO 3).

Do ponto de vista metodológico, para traçar historicamente a actividade da Socieda-


de de Música de Câmara de Lisboa, foram estabelecidas as seguintes etapas:

1. Revisão bibliográfica: definição do conceito de cânone musical, contextualiza-


ção da esfera europeia, contextualização da esfera nacional;

2. Análise documental de fontes primárias (espólio do Museu Nacional da Música)


e do periódico A Arte Musical (1899-1915);

3. Realização de catálogo com listagem dos concertos, identificando as obras para


violino e piano executadas.

No que se refere às metodologias adoptadas para o enquadramento estilístico e aná-


lise interpretativa das obras, serão aplicados os seguintes princípios:

1. Análise e recolha de fontes primárias (partituras não impressas);

2. Aplicação do método de análise formal de Forma-Sonata precognizado por Ja-


mes Hepokoski e Warren Darcy (2006, Elements of Sonata Theory: Norms,
Types and Deformations in the Late-Eighteenth-Century Sonata);

3. Aplicação analítica dos conceitos de grundgestalt e developing variations, de-


senvolvidos por Schoenberg (1967, Fundamentals of Musical Composition) e
Walter Frisch (1984, Brahms and the Principle of Developing Variation);

4. Aplicação do conceito analítico de linkage, criado por Henirich Schenker (Fraga,


O. (2009) Progressão Linear: Uma Breve Introdução à Teoria de Schenker);

5. Identificação das estruturas cíclicas nas Sonatas em análise, de acordo com as


concepções de Naomi Perley (2019, Chamber Music, Cyclic Form and the Ideal
of Absolute in French Chamber Music and Literature, 1890-1918), e Benedict
Taylor (2011, Mendelssohn, Time and Memory – The Romantic Conception of
Cyclic Form);

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6. Análise comparativa da totalidade das Sonatas, de acordo com os parâmetros es-
tabelecidos anteriormente.

5. Cronograma

Apenas uma breve nota referente à estrutura do(s) Cronograma(s) apresentado(s). A


opção recaiu da apresentação de três Cronogramas, cada um referente ao período tem-
poral compreendido entre Outubro de cada um dos anos e Setembro do ano seguinte,
aproximadamente em conformidade com o início e término de cada ano lectivo. Da
mesma forma, optei por criar uma lista de tarefas, de acordo com o plano de trabalho
descrito no capítulo precedente, para facilitar a leitura e compreensão global de cada
Cronograma. Assim, a lista será constituída pelas seguintes tarefas:

1. Definição do objecto de estudo e da problemática;

2. Aquisição e recolha de partituras;

3. Preparação e realização do 1º Recital de Doutoramento;

4. Recolha bibliográfica em arquivos físicos e repositórios online;

5. Análise da bibliografia recolhida – realização de fichas de leitura;

6. Análise do periódico A Arte Musical;

7. Análise das obras musicais em estudo;

8. Elaboração do Projecto de Tese;

9. Preparação e realização do 2º Recital de Doutoramento;

10. Digitalização de partituras não editadas;

11. Análise do espólio do Museu Nacional da Música;

12. Análise dos dados e redacção da Tese;

13. Preparação e realização do 3º Recital de Doutoramento e defesa da Tese.


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Cronograma

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6. Bibliografia

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ANEXOS

ANEXO 1 – Programa do primeiro Recital de Doutoramento

La Cathédrale engloutie, Claude Debussy

10 Prelúdios dedicados a Vianna da Motta, Luís de Freitas Branco

Prélude, Chorale et Fugue, César Franck

Gonçalo Santana Simões, piano

Auditório do Colégio Mateus de Aranda – 03/09/2020

ANEXO 2 – Programa do segundo Recital de Doutoramento (inserido no Ciclo


“Música de Câmara no Convento”, Maio de 2021)

Sonata “Saudade”, Óscar da Silva

Sonata em Sol maior Op. 78, Johannes Brahms

Josefina Alcaide, violino | Gonçalo Santana Simões, piano

Mosteiro de Jesus, Setúbal – 22/05/2021

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ANEXO 3 – Programa do terceiro Recital de Doutoramento

Sonata para violino e piano nº 1, Luís de Freitas Branco

Sonata para piano e violino em Lá maior, César Franck

Josefina Alcaide, violino | Gonçalo Santana Simões, piano

Auditório do Colégio Mateus de Aranda – data a definir

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