IRT - Imposto sobre rendimento de trabalho na prática
Atualizado: 25 de Nov de 2020
Em que devemos prestar mais atenção no nosso dia-a-dia para evitar atropelar a Lei do
imposto sobre rendimento do trabalho? Como calcular?
Primeiro precisamos saber que existem vários grupos a considerar e para cada grupo
existem procedimentos específicos. Por outro lado, considerando a entrada em vigor
para setembro de 2020 da nova Lei (28/20 de 22 de Julho), vamos aqui fazer uma
análise comparativa entre o antes e depois dessa lei.
Grupo A
Abrangência
Antes: funcionários públicos e privados efectivos
Depois: funcionários públicos, privados efectivos
Valor base para cálculo
Antes: salários e subsídios (ver isenções na postagem anterior aqui )
Depois: salário e subsídios (ver isenções na postagem anterior aqui )
Antes e depois: salário bruto - descontos - segurança social - isenções = valor de
incidência
Valor de incidência x taxa de IRT = IRT
Valor de incidência + isenções - IRT = líquido a receber
Onde:
salário bruto = salário base + subsídios diários + extras + subsídios fixos
salário variável diário = (salário base + subsídios diários + extras) / 22
descontos = salário variável diário x nº de faltas
segurança social = (salário bruto) x 3%
isenções (ver portagem anterior ou fale connosco)
Taxas de IRT: ver tabelas anexas aos diplomas referenciados abaixo
Nota 1 : o empregador deve portanto, reter o IRT dos funcionários e entregar no mês
seguinte a repartição fiscal. Igualmente deve reter a segurança social dos funcionários e
adicionar a sua parte social (8% do salário bruto) e entregar ao Instituto Nacional de
Segurança Social. Assim, apenas 8% são considerados custos para empresa, enquanto
que os 3% e o IRT já foram considerados nos salários brutos.
Nota 2 : temos disponíveis na Zona VIP folhas de salário em excel, totalmente
automatizadas, compatíveis com à legislação anterior e posterior a setembro de 2020.
Caso não queira perder tempo com cálculos, poderá cadastrar-se no nosso site e baixar a
folha desejada gratuitamente.
Limite mínimo
Correspondem a valores isentos de IRT nas folhas de salário.
Antes: salário base até AOA 35.000,00 (trinta e cinco mil kwanzas)
Depois: salário base até AOA 70.000 (setenta mil kwanzas)
Nota 3 : as gratificações de natal e férias, também estão sujeitas ao IRT. Contudo
apenas férias está isenta de segurança social.
Grupo B
Abrangência
Antes: profissionais liberais constantes na lista anexa ao diploma 18/14 de 22 de
Outubro (encontre na nossa Zona VIP), administradores e das empresas, e lucros de
sócios e acionistas de sociedades puramente civis.
Depois: profissionais liberais (conta própria) constantes na lista anexa ao diploma 28/20
de 22 de Julho (encontre na nossa Zona VIP).
Valor base para cálculo
Antes: quando o profissional presta serviços a empresas com contabilidade organizada,
só recebia uma parte do valor. Ficava retido 10.5% ( ou taxa de 15% sobre 70% do
valor a receber), e aquela empresa tinha a responsabilidade de entregar à repartição
fiscal no mês seguinte. (combinando a alínea a) do ponto 1 do artigo 8º, do diploma
18/14 de 22 de Outubro, com artigos 10º e 16º da mesma lei). Caso o prestador de
serviço tivesse contabilidade organizada, o imposto era determinado pela contabilidade,
aplicando a taxa de 30% ao lucro, conforme as empresas do grupo A do imposto
industrial (ponto 4 do artigo 8º da Lei 9/19 de 24 de Abril).
Depois: quando prestar serviços à empresas com contabilidade organizada, só receberá
uma parte do valor. Ficará retido 6.5% ( sobre 100% do valor a receber), e aquela
empresa terá a responsabilidade de entregar à repartição fiscal no mês seguinte.
(combinando a alínea a) do ponto 1 do artigo 8º, do diploma 28/20 de 22 de Julho, com
artigo 10º e 16º da mesma lei). Nos casos de actividades não sujeitas a retenção na fonte
(ver artigos anteriores), a taxa será de 25%. Existe casos em que a empresa pagadora
com contabilidade organizada, poderá emitir factura em nome do prestador de serviço, a
chamada Autofacturação (tratamos com mais pormenores no artigo seguinte ). No grupo
B, para esses casos o valor a reter será de 2% do valor a pagar, devendo entregar ao
estado em 5 dias.
Grupo C
Abrangência
Antes: actividades comerciais e industriais constantes na tabela de lucros mínimos.
Depois: actividades comerciais e industriais constantes na tabela de lucros mínimos.
Valor base para cálculo
Antes: em geral o valor tributável era o que constava na tabela de lucros mínimos. Em
casos que o volume de vendas fosse 4 vezes superior ao lucro tabelado, existiam duas
situações:
1. no caso de actividades não sujeitas a retenção na fonte, ao volume de
negócio aplicava-se 30%;
2. nos casos de actividades sujeitas a retenção na fonte, ao volume de
negócio aplicava-se 6.5%, ou seja, caso tivesse cumprido rigorosamente
as retenções, no final do exercício já não pagaria nada adicional.
Para todas as situações, o contribuinte poderia optar por contabilidade organizada.
Nesse caso, teria maior controlo sobre o imposto a pagar, já que a contabilidade
determinaria o imposto a pagar, conforme acontece com as grandes empresas.
Depois: a única alteração no novo diploma, foi a taxa a aplicar à actividades não sujeitas
a retenção na fonte, que reduziu de 30% para 25%. Caso o contribuinte enquadrado
nesse regime tiver apenas contabilidade simplificada, poderá deduzir 30% dos custos
antes de aplicar a taxa (para actividades não sujeitas a retenção na fonte). Portanto, para
valores 4 vezes superiores ao da tabela de lucros mínimos, aplica-se 6.5% do volume de
negócio, ou aplica-se 25% caso seja uma actividade não sujeita a retenção na fonte. Para
valores valores inferiores à 4 vezes o lucro mínimo, usa-se o lucro mínimo como valor a
tributar. Então aplica-se 6.5% sobre o lucro mínimo equivalente na tabela, para serviços
sujeitos a retenção e aplica-se 25% sobre o lucro mínimo equivalente para actividades
não sujeitas a retenção na fonte.
Em resumo, a partir de Setembro de 2020, para o IRT:
Grupo A:
1. Para funcionários efectivos da empresa;
2. Sugerimos a utilização de uma folha automática de salário actualizada à
legislação;
3. Entregar o IRT e as contribuições sociais (retidas e comparticipação) no
mês seguinte;
Grupo B:
1. Fazem parte profissionais por conta própria (liberais), constantes na lista
de profissões dos diplomas 18/14 e 28/20 referidos acima. Ex:
advogados, músicos, etc.;
2. Se a entidade pagadora tiver contabilidade organizada, deverá reter 6.5%
do valor a pagar, e entregar à repartição fiscal no mês seguinte. A
entidade tem a responsabilidade de entregar ao profissional uma cópia do
comprovativo de pagamento do imposto. Nesse caso o profissional já não
paga nada adicional ao estado. Contudo deve prestar contas (fale
connosco para mais detalhes);
3. Os profissionais desse grupo, podem optar por contabilidade organizada,
e ter um acompanhamento profissional para ter um maior controlo sobre
o lucro e tributo;
Grupo C:
1. Constam nesse grupo, actividades comerciais e industriais de pequeno
porte, que constam na tabela de lucros mínimos, anexa ao diploma 28/20
acima referenciado;
2. Para actividades sujeitas a retenção na fonte, entidade pagadora deve
reter 6.5%;
3. Caso a actividade não esteja sujeita a retenção na fonte, usa-se a tabela
de lucros mínimos. O contribuinte paga em Março de cada ano 25%
sobre o lucro mínimo da tabela ou 25% sobre o volume de negócio,
dependendo do volume facturado;
4. Caso tenha contabilidade organizada, o imposto é determinado pela
contabilidade.