Mutações nos comportamentos e na cultura
As transformações da vida urbana
No século XX, a vida urbana sofreu grandes transformações. Verificou-se um grande
crescimento das cidades, principalmente devido à concentração de indústrias, comércio e
serviços que atraiam a população do campo. Neste contexto, as cidades são centros de
atividade poderosas, relacionadas com a política, com o comércio, com a administração, com a
indústria e com os serviços públicos essenciais. Com o crescimento populacional a estrutura
urbana teve necessariamente de mudar, ou seja, surgiram novos centros urbanos,
construíram-se bairros elegantes, bairros operários e bairros degradados.
A nova sociabilidade urbana
A mudança vivida nas cidades levou inevitavelmente a uma mudança nos padrões de vida
tradicionais. Verifica-se o desenraizamento das pessoas, uma vez que as grandes cidades estão
cheias de pessoas que vieram de outras localidades e que assim não conhecem ninguém,
dominando o anonimato e o individualismo. Desta forma, verifica-se igualmente a
desagregação das solidariedades tradicionais, pois o individualismo vivido nas cidades leva à
falta de solidariedade nas pessoas. Depois constata-se a desumanização do trabalho, em que o
trabalho operário passou a ser dominado pela utilização da máquina de montagem, ou seja,
pelo trabalho em série que explorava fortemente o trabalhador. Para além disso, surge nas
cidades novos comportamentos, como o consumismo, as maneiras semelhantes de vestir, as
atitudes semelhantes e as novas maneiras de passar os tempos livres, havendo a cultura do
lazer. Por fim, a estrutura familiar também sofre mudanças, pois legaliza-se o divórcio, o
casamento passa a ser algo pouco estável e com o desenvolvimento de métodos contracetivos
verificou-se uma redução da natalidade.
A crise dos valores tradicionais
A Europa proporcionava prosperidade económica e social que trouxe ao povo europeu um
sentimento de confiança e otimismo. Porém, quando se iniciou a primeira guerra mundial,
esses mesmo sentimento deixou se existir. A guerra resultou em inúmeras mortes, em
desequilíbrios sociais e na perda de poder da Europa, o que provocou nos europeus um
sentimento de pessimismo e medo em relação ao futuro da Europa. O pessimismo vivido
mudou a forma de pensar das pessoas e a ciência foi posta em causa, tal como o casamento, o
papel da mulher, a arte, a política democrática, o cristianismo e a lei. Desta maneira, construiu-
se um clima de anomia social, em que não havia regras ou normas morais.
Os movimentos feministas
Durante a primeira guerra mundial, as mulheres ganharam mais poder, pois tinham de
substituir os homens enquanto estes estavam na guerra, passando a mulher a ser utilizada na
indústria, que apesar de proporcionar salários muito baixos, permitiu à mulher ganhar a
independência financeira que até ai não possuía. Apesar de a mulher ter conseguido poder
financeiro, anda não possuía poder social ou político e, com o fim de lutar pela liberdade e
pela igualdade de direitos, surgiram movimentos feministas. Assim, as mulheres conseguiram
ter acesso a uma maneira de vestir mais ousada, a liberdade de movimentação, frequentar
locais de divertimento, o direito de voto, o acesso a profissões melhores e uma vida social mais
intensa.
As vanguardas: ruturas com os cânones das artes e da literatura
Por influência das novas conceções científicas, dão-se também transformações na arte e na
literatura, época do modernismo caracterizada pelo rompimento com a arte tradicional e por
levar a arte a todos os domínios da atividade humana. Já não se copia a realidade tal e qual
como é, recusa-se os modelos clássicos com o ideal da Natureza e do Homem, abandonam-se
os temas religiosos e históricos, dá-se mais importância à cor e a arte insere-se nas habitações,
nos espaços urbanos, nos objetos normais do dia a dia, criando assim, o design, uma estética
nova. Surge então o movimento das vanguardas.
As inovações na pintura
Fauvismo: Surge em França, dá grande importância às cores intensas e brilhantes, às
tonalidades contrastantes e à aplicação das cores de forma livre. Como pintores temos Matisse
e Vlaminck e a cor no fauvismo servem para os artistas se exprimirem.
Expressionismo: Surge na Alemanha com o grupo Die Brücke, que era contra o
conservadorismo, sendo símbolo de revolta individual. As obras eram carregadas de
simplicidade e, por influência africana, de primitivismo. Para além disso, eram obras que
transmitiam emoção em temas que demonstravam os dramas da sociedade, como a solidão, a
morte e a miséria, denunciando assim o ambiente vivido no mundo real e os dramas que
marcavam a população. De forma a transmitir a angústia vivida, muitas vezes as imagens eram
deformadas, havendo uma mistura de cores intensa que contrastavam umas com as outras.
Cubismo: Surge em França com Picasso e Braque. O Cubismo utiliza a geometria, como cones,
esferas e cilindros, destrói as leis da perspetiva e da representação, dando várias perspetivas
do objeto que proporcionam diferentes realidades, tendo também influências da arte africana.
O cubismo poder ser analítico ou sintético. O cubismo analítico dá mais ênfase aos objetos
criados a partir de formas geométricas, ignora as cores e não tem ligação com a natureza. Por
sua vez, o cubismo sintético evolui para uma realidade mais lógica, em que já se utilizam cores
e materiais essenciais para acentuar a realidade.
Abstracionismo: Surge em Munique com Kandinsky e Mondrian. Nesta arte, os objetos
desaparecem, caracterizando-se a obra de arte por linhas e cores que representam a emoção
do pintor, mostrando assim o seu mundo. O abstracionismo pode ser lírico ou geométrico. O
sensível consiste na obra de arte que expressa o que o pintor sente, tornando-se a obra
original e com misturas de cores fortes. Por sua vez, o geométrico procura expressar uma
verdade universal com a utilização de linhas retas e de cores primárias, que formam um certo
equilíbrio e harmonia capazes de originar reações diferentes nas pessoas.
Futurismo: Surge em França com Marinetti, desenvolvendo depois em Itália com Balla, e
caracteriza-se por não recorrer à imitação, abandonando os temas do passado e
representando apenas a vida atual transformada pelas novas tecnologias. Neste contexto,
dominavam temas associados à velocidade e à mudança, como cidades, luzes, máquinas e
multidões que glorificavam o futuro. De forma a criar a sensação de movimento recorre à
sobreposição de vário planos com a repetição de formas e de cores.
Surrealismo: Surge em França com Salvador Dalí e caracteriza-se pela expressão do
inconsciente, que é considerado verdadeiramente real, opondo-se à logica e ao raciocínio.
Assim, reivindica a autonomia da imaginação, do sonho e do desejo, representando universos
estranhos, objetos enigmáticos e alucinações.
Dadaísmo: Surge na Suíça com diversos intelectuais e caracteriza-se pela negação da verdade
e das normas, ou seja, na negação dos conceitos de técnica artística, de forma a chocar o
público. Assim, era utilizada a troça, o insulto, o sarcasmo e a ironia, como modo de destruir a
ordem e estabelecer o caos.