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Desafios do Desenvolvimento na Adolescência

Este documento discute o desenvolvimento humano da adolescência até a velhice. Ele descreve as transformações físicas e cognitivas da adolescência, incluindo a distinção entre puberdade e adolescência. Também discute o desenvolvimento do pensamento formal na adolescência, permitindo raciocínio abstrato.

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Desafios do Desenvolvimento na Adolescência

Este documento discute o desenvolvimento humano da adolescência até a velhice. Ele descreve as transformações físicas e cognitivas da adolescência, incluindo a distinção entre puberdade e adolescência. Também discute o desenvolvimento do pensamento formal na adolescência, permitindo raciocínio abstrato.

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Unidade II

Unidade II
Nessa segunda Unidade, vamos estudar a passagem da primeira etapa para a segunda etapa da
vida, desde a adolescência até o período adulto do desenvolvimento humano, finalizando com o
envelhecimento e a morte.

5 O DESENVOLVIMENTO NA ADOLESCÊNCIA

5.1 Desenvolvimento físico do adolescente de 12 a 18 anos

“(... O espelho...) Aquele era seu pior inimigo. O mais cruel, o mais cínico, o mais sem piedade. Um
inimigo que falava a verdade”.

A adolescência tem sido um tema de grande interesse na sociedade contemporânea. As


características dessa fase, tanto biológicas quanto psicológicas, têm sido descritas em inúmeras
obras e por diversos autores. Nesse sentido, é preciso fazer uma distinção entre a puberdade e a
adolescência, como ponto de partida para o início dessa discussão, pois tais processos, embora
intimamente ligados, não devem ser confundidos, porque não são exatamente simultâneos e em
alguns aspectos chegam a ser completamente independentes.

Assim, primeiramente, é importante que se faça distinção entre puberdade e adolescência.

Puberdade está ligada às modificações biológicas que se passam nessa fase, assinaladas por
dois tipos gerais de mudanças físicas: o primeiro é relativo ao aumento no peso, na altura, na
gordura e nos músculos corporais e o segundo está ligado à maturação sexual e ao desenvolvimento
das características sexuais secundárias (como pelos faciais e corporais e o crescimento dos seios
nas meninas, entre outros). Um indício de amadurecimento sexual na puberdade para os meninos
é a produção de espermatozoides vivos e para as meninas é a menarca, isso ocorre em termos
médios por volta dos 12 aos 15 anos.

Nessa fase há o estirão do crescimento, os púberes podem crescer de 7 a 15 centímetros por ano
e também ganhar muito peso rapidamente. Alguns indivíduos, inclusive, sentem muitas dores devido ao
crescimento acelerado, a chamada dor do crescimento.

O corpo do púbere e do adolescente não cresce de forma homogênea: as mãos e os pés


crescem antes, até atingir o tamanho final, a seguir vêm os braços e as pernas. Portanto, o corpo
do indivíduo passará por várias transformações até o final da adolescência (GERRIG; ZIMBARDO,
2005).

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Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

Figura 24 – Signo do espelho

Lembrete

Para Wallon (apud ALMEIDA; MAHONEY, 2000), o adolescente se sente


desorientado com essa mudança, por isso examina-se constantemente no
espelho; a isso ele chamou de signo do espelho.

A adolescência diz respeito às transformações psicossociais que acompanham o processo biológico.


No entanto, o início da adolescência pode coincidir ou não com a puberdade. Há casos em que a
puberdade antecede a adolescência, quando, por exemplo, um indivíduo tem o corpo completamente
desenvolvido, mas ainda pensa e age como criança; ou o contrário, há casos em que a adolescência
antecede a puberdade, quando, por exemplo, uma garota sofre intensamente porque já pensa como
uma adolescente e age como adolescente, mas seu corpo é de menina, muitas vezes, acha que os seus
seios nunca se desenvolverão ou nunca menstruará etc. (OSÓRIO, 1992).

As alterações físicas da puberdade são inter-relacionadas com os outros aspectos psicossociais


do desenvolvimento e tendem a fazer com que os adolescentes destinem uma grande atenção à sua
aparência física. As transformações físicas e a importância da aceitação por parte dos outros fazem com
que o adolescente se preocupe demasiadamente com a sua imagem corporal.

Observação

As mudanças fisiológicas femininas na adolescência são: crescimento


dos seios, crescimento dos pelos pubianos, crescimento corporal, menarca,

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Unidade II

pelos axilares, aumento na produção das glândulas sebáceas e sudoríparas


(o que pode causar acne).

O final da puberdade se caracteriza pelo amadurecimento gonodal e o fim do crescimento esquelético,


o que ocorre em torno dos 18 anos.

Já o final da adolescência não é tão claramente demarcado, porque está inter-relacionado com
fatores socioculturais. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), adolescente é o
indivíduo que tem idade entre 12 e 18 anos.

Segundo Osório (1992), para o indivíduo finalizar a adolescência, deve preencher as seguintes
condições: estabelecimento de uma identidade sexual e possibilidade de estabelecer relações afetivas
estáveis; capacidade de assumir compromissos profissionais e manter-se (independência econômica);
aquisição de um sistema de valores pessoais; relação de reciprocidade com a geração precedente
(sobretudo com os pais). Em termos etários, isso ocorreria por volta dos 25 anos na classe média dos
grandes centros brasileiros, com variações para mais ou para menos de acordo com as condições
socioeconômicas da família do adolescente.

Exemplo de aplicação

Levante informações por meios tradicionais ou eletrônicos sobre a universalização do início da


puberdade para todos os povos. Cabe destacar que, segundo Osório (1992), em condições de normalidade
física, a puberdade tem seu início cronológico coincidente em todos os povos e latitudes, com raríssimas
exceções, como, por exemplo, os pigmeus, que são púberes aos 8 anos de idade e cuja expectativa de
vida também é bem menor do que no restante da espécie humana.

Analise a seguinte situação: Maria completou 11 anos de idade há três meses e acaba de menstruar
pela primeira vez. Sua mãe está preocupada, visto que além do início da menstruação Maria vem
apresentando outras mudanças corporais: aumento dos seios e aparecimento de pelos pubianos. A mãe
acredita que a menina está atravessando a puberdade precocemente, pois em si mesma só observou
mudanças corporais semelhantes às da filha no final de seus 13 anos de idade.

Como você explicaria para a mãe de Maria o que está acontecendo com sua filha?

Maria e sua mãe desenvolveram-se de modo saudável, pois a puberdade, de maneira geral, pode
ocorrer entre os 6 e 16 anos (ou 16,5) de idade. E a menarca, em média, aparece entre os 10 e 16
(ou 16,5) anos de idade. É importante destacar que a puberdade se trata de um fenômeno universal,
portanto é possível delimitar com exatidão o seu início, como nos casos de Maria e sua mãe. No entanto,
não seria possível fazer o mesmo no que diz respeito ao fenômeno da adolescência, uma vez que este
depende do contexto sociocultural no qual o sujeito está inserido.

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Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

5.2 Desenvolvimento cognitivo do adolescente de 12 a 18 anos

O desenvolvimento cognitivo do final da infância à fase adolescente se caracteriza pelas seguintes


mudanças: de esquemas conceituais e operações mentais referentes a objetos e situações concretas
para a formação de esquemas conceituais abstratos (amor, fantasia, justiça etc.), realizando com eles
operações mentais formais (o abstrato sem a necessidade do concreto).

Segundo Jean Piaget (1967), o indivíduo a partir dos 12 anos desenvolve as operações formais.
Para Piaget, o adolescente é um indivíduo que constrói sistemas e teorias, liga soluções de problemas
por meio de teorias gerais, das quais se destaca o princípio. Tem facilidade de elaborar teorias abstratas
que transformam o mundo, em um ponto ou em outro.

Nesse período, o pensamento é formal/hipotético-dedutivo, isto é, o indivíduo é capaz de deduzir as


conclusões de puras hipóteses e não somente por meio de uma observação real. Envolve uma dificuldade
e um trabalho mental muito maiores que o pensamento operacional-concreto.

Exemplo de aplicação

O adolescente é capaz de levantar hipóteses e deduções em nível puramente abstrato; isso se inicia
nessa fase e vai acompanhá-lo na vida adulta. Lançamos um desafio a você: tente resolver o enigma a
seguir.

Em uma de suas provas, para verificar em que período do desenvolvimento cognitivo se encontra
uma criança, Piaget propôs a seguinte questão: há três meninas: Edith, Suzana e Lili. Elas diferem pela
cor de seus cabelos; os de Edith são mais claros que os de Suzana e ao mesmo tempo mais escuros que
os de Lili. Qual das três tem os cabelos mais escuros? É necessário um pequeno raciocínio, que não é
imediato, mesmo para o adulto, para achar a resposta. A fim de se chegar à solução dessa questão é
preciso, entre outros, que o adolescente possa fazer uma discussão interiorizada, e ela marca o início de
outro tipo de reflexão, que até então não era possível.

Após os 11-12 anos, as operações lógicas começam a ser transpostas do plano da manipulação
concreta para o das ideias, sem o apoio da percepção, da experiência, nem mesmo da crença. Assim, o
adolescente é capaz de lidar com conceitos como liberdade, justiça etc.

Logo, o marco das operações formais é a libertação do pensamento.

As operações formais fornecem ao pensamento um novo poder, que é o de construir a seu modo as
reflexões e teorias, ou seja, há a libertação do pensamento. Daí pode se entender porque os adolescentes
gostam tanto de elucubrar, devanear, são capazes de passar horas pensando.

O egocentrismo intelectual do adolescente manifesta-se pela crença na onipotência da reflexão,


como se o mundo devesse submeter-se aos sistemas e não estes à realidade. O equilíbrio é atingido

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Unidade II

quando a reflexão compreende que sua função não é contradizer, mas se adiantar e interpretar a
experiência.

Essa nova capacidade de pensamento traz implicações para o desenvolvimento da personalidade e


as suas relações sociais.

De acordo com Piaget (1967), a personalidade começa a se formar no fim da infância (8-12 anos) com
a organização autônoma das regras, dos valores e a afirmação da vontade. Esses aspectos subordinam-
se em um sistema único e pessoal e vai exteriorizar-se na construção de um programa/projeto de vida.

Lembrete

Para Griffa e Moreno (2001), há três fases na adolescência: adolescência


inicial (11 a 13 anos); a adolescência propriamente dita ou média (12-13 a
16 anos); e a adolescência final ou alta adolescência (16 a 18 anos).

Os sistemas ou planos de vida dos adolescentes são cheios de sentimentos generosos, de projetos
altruístas ou de fervor místico e de inquietante megalomania e egocentrismo. Lembre-se dos grandes
movimentos sociais, todos têm os adolescentes como atores, como o Movimento Estudantil, as Diretas
Já, os Caras Pintadas, entre outros.

Muitas vezes, o adolescente pretende inserir-se na sociedade dos adultos por meio de projetos, de
programas de vida, de sistemas frequentemente teóricos. A verdadeira adaptação à “sociedade vai se
fazer automaticamente, quando o adolescente, de reformador, transformar-se em realizador” (PIAGET,
1967, p. 69).

Analisemos, então, o seguinte argumento de Guilherme (14 anos) à luz da teoria piagetiana:

Tenho certeza de que com minhas ideias serei eleito. Devo ser o mais votado
para presidente de meu país. E acredito que com o passar do tempo, após
executar todos os meus planos, com certeza, haverá no futuro, uma estátua
minha, numa das principais praças da capital de meu país.

Guilherme pensa dessa forma porque nessa fase, como muitos outros adolescentes, ele apresenta
a capacidade para criticar o sistema social, propor novos códigos de conduta, discutir valores morais e
construir os seus próprios, em função da autonomia no pensamento, recentemente conquistada.

Nesse sentido, o estágio operatório formal se caracteriza, entre outros, pela consecução de um
sistema “pessoal”, um programa de vida. Nele, está presente também a construção de hipóteses, gosto
pela discussão, apresentação de conceitos espaciais além do tangível finito. O adolescente, consciente
de seu próprio pensar (reflete sobre ele), oferece justificações lógicas; busca identidade e autonomia.
Além disso, atinge sua forma final de equilíbrio, podendo compreender doutrinas filosóficas ou teorias
científicas.
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Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

5.3 Desenvolvimento psicossocial do adolescente de 12 a 18 anos

A adolescência e os adolescentes sempre foram malditos e sempre


significaram inquietação. O próprio sentido do devir, da novidade, sempre
se fez acompanhar de medo e de alguma resistência a esses movimentos de
mudança. O mudar exige a capacidade de reelaborar sentimentos internos
e reorganizar uma nova relação com os outros. É o desafio que a aventura
da adolescência impõe ao adolescente e também às famílias! (GAMEIRO;
SAMPAIO, 2002).

A grande questão que se apresenta na adolescência é: Quem sou eu? É uma fase na qual se enfrenta
a crise de identidade. Por crise, entende-se um ponto conjuntural necessário ao desenvolvimento, é o
momento no qual o repertório que o indivíduo possuía entra em colapso, não é suficiente frente a novas
demandas e, então, é necessária uma mudança desenvolvimental qualitativa.

Identidade é a consciência que o indivíduo tem de si mesmo como “um ser no mundo”. Traz o
sentimento de pertinência (o indivíduo pertence à família x, que tem determinadas características;
é brasileiro, o que lhe confere outras tantas características; torce pelo time Z etc.) e de diferenciação
(apesar de ter características específicas por pertencer a vários grupos, tem características que o tornam
único).

Construir a identidade implica formar uma autoimagem e integrar as ideias que se têm sobre si
mesmo e os feedbacks que os outros emitem a seu respeito.

Na busca da construção de sua identidade, o adolescente faz uma série de experimentações tentando
identificar quem ele é.

Quando não se tem a definição de algo, parte-se do contraste definindo-se primeiramente


o que não é. Pense, por exemplo, em uma fruta que você não conheça, suponha que você não
conheça um kiwi, você poderia dizer: parece um tomate verde, mas é um pouco diferente; o
gosto lembra morango, porém é mais doce; e assim sucessivamente. O mesmo faz o adolescente
para definir sua identidade, por isso é muito frequente o adolescente querer experimentar uma
série de esportes ou cursos para depois conseguir definir os mais compatíveis com ele. A escolha
profissional é um dos grandes dilemas do adolescente, pois implica analisar e inter-relacionar
uma série de fatores e, entre inúmeras opções, escolher apenas uma. Evidentemente, esse não é
um processo fácil e gera muita ansiedade.

Erikson (1974) definiu a adolescência como um período de moratória no qual a pessoa necessita de
tempo e energia para representar papéis diferentes e viver com autoimagens também diferentes. Assim,
para o autor, o dilema dessa fase é identidade versus confusão de papéis. A resolução dessa crise
contribui para que o indivíduo desenvolva um senso de autoidentidade, de coerência interna. Por outro
lado, aqueles que não conseguem atingir uma identidade coesa apresentarão uma confusão de papéis.
São pessoas que no geral não sabem quem são ou o que querem para a própria vida, não sabem que
trajetória seguir em termos de escolha profissional, vida afetiva etc.
85
Unidade II

Segundo Erikson (1974), a força básica que deveria se desenvolver durante a adolescência é a
fidelidade, que surge de uma identidade de ego coesa e engloba sinceridade, genuinidade e um senso
de dever nos relacionamentos com as outras pessoas.

Exemplo de aplicação

Faça uma pesquisa através de meios tradicionais ou eletrônicos sobre alguns poemas, poesias ou
pensamentos de grandes escritores ou filósofos que discutem a adolescência. Em seguida, procure
identificar e relacionar o material pesquisado aos conceitos fundamentais que caracterizam tal fase.

Considerando a obra de Griffa e Moreno (2001) sobre a adolescência, podem-se destacar os seguintes
conceitos:

• A fragilidade e a instabilidade emocionais, que caracterizam os estados afetivos típicos da


adolescência, aparecem retratadas no texto anteriormente mencionado.
• Pode ser observada uma descrição do processo puberal, deflagrado pelas transformações biológicas
que marcam a passagem da infância para a idade adulta.
• A flutuação do humor e dos estados de ânimo faz parte do que Knobel denominou “síndrome
da adolescência normal”, uma vez que, segundo ele, os adolescentes atravessam desequilíbrios e
instabilidades extremos.

Osório (1992) contribui para a ampliação da compreensão da adolescência, evidenciando algumas


de suas características.

Características do processo psicossocial da adolescência (OSÓRIO, 1992)

• Redefinição da imagem corporal – perda do corpo infantil e da consequente aquisição do corpo


adulto.
• Culminação do processo de separação/individuação dos pais da infância.
• Elaboração de lutos referentes à perda da condição infantil.
• Estabelecimento de uma escala de valores ou código de ética próprio.
• Busca de pautas de identificação no grupo de iguais.
• Estabelecimento de um padrão de luta/fuga no relacionamento com a geração precedente.
• Aceitação dos ritos de iniciação como condição de ingresso ao status adulto.
• Assunção de funções ou papéis sexuais auto-outorgados, ou seja, consoantes a inclinações pessoais
(homossexuais) independentemente das expectativas familiares e eventualmente até mesmo das
imposições biológicas do gênero a que pertence.

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Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

Redefinição da imagem corporal – perda do corpo infantil e da consequente aquisição do


corpo adulto

Como discutido anteriormente, o corpo do adolescente é um corpo que passa por várias mudanças
sob as quais o adolescente não tem o menor controle, isso pode gerar muita ansiedade e dificuldade na
redefinição da nova imagem corporal.

Além disso, é importante lembrar que a partir desse novo corpo há uma série de mudanças nas
interações sociais do adolescente. Por exemplo, a filha que estava acostumada a se sentar no colo do pai
agora começa a perceber que seu pai a evita ou fica constrangido. O garoto que estava acostumado a
andar de cueca pela casa é orientado a não fazer mais isso, na frente de sua irmã menor, por exemplo.
Ou, ainda, a menina que podia usar saias curtas e sentar-se no chão, a partir da adolescência ouve
que “uma mocinha não se comporta assim...”. Entre outras, essas são algumas das situações cotidianas
que ilustram o quanto as alterações corporais do adolescente reverberam na sua vida como um todo e
implicam perdas e ganhos. Como explicitado aqui, ocorre a perda de um corpo infantil que podia fazer
uma série de coisas que o corpo adolescente não pode. O adolescente tem que se adaptar frente a essas
perdas e aquisições.

Observação

A preocupação excessiva com a imagem corporal pode levar o


adolescente a distúrbios alimentares, desde a obesidade pela pouca
atividade física e maus hábitos de alimentação até padrões anormais de
ingestão de alimentos para controle de peso (anorexia e bulimia).

Segundo Osório (1992), as roupas têm uma importância peculiar para o adolescente, porque
são vistas como a extensão do próprio corpo. Dessa forma, o adolescente não tem controle sobre o
desenvolvimento, funcionamento ou aparência do seu corpo, mas tem controle sobre suas roupas, que
de alguma forma o identificam.

Culminação do processo de separação/individuação dos pais da infância

De acordo com os capítulos anteriores, é possível notar que a criança parte de uma relação simbiótica/
fusionada com os pais, na qual não há distinção de onde começa um ou o outro para uma crescente
discriminação. Na adolescência, o indivíduo tenta separar-se, diferenciar-se para definir a sua própria
identidade, daí várias atitudes de oposição dos filhos contra os pais.

Elaboração de lutos referentes à perda da condição infantil

Da mesma forma que o adolescente deve adaptar-se ao seu novo corpo, também é preciso que se
adapte à condição de adolescente, ou seja, aos novos papéis, às novas expectativas, responsabilidades
etc. Na condição infantil, o indivíduo tem um número reduzido e/ou qualitativamente diferente de

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Unidade II

responsabilidades e cobranças por parte dos pais e da sociedade em geral. É preciso que aja um ajuste
frente à perda da condição infantil.

É importante salientar que todos esses ajustes implicam também transformações na própria família;
é muito comum, por exemplo, em sessões de terapia familiar aparecer frases como: “Dá para você falar
para os meus pais se decidirem se eu sou criança ou adolescente? Porque na hora de fazer alguma coisa
eu já sou adolescente e tenho que me responsabilizar pelas coisas. Na hora de ir para balada, ainda sou
criança...”. Ou seja, os pais também vivem o luto pela perda do filho criança.

Estabelecimento de uma escala de valores ou código de ética próprio

Durante os anos infantis os valores e a ética da criança são correspondentes aos dos pais. Os pais
são figuras idealizadas, “heróis”, sabem tudo, podem tudo. Na adolescência, o indivíduo se depara com
a “humanidade” dos pais, começa a reconhecer seus erros e incongruências e, por outro lado, amplia
seu universo extrafamiliar, entrando em contato com outras realidades, outros valores etc. E, assim, vai
construindo o seu próprio código de ética.

Busca de pautas de identificação no grupo de iguais

Uma vez que os pais deixaram de ser as figuras de referência, os amigos passam a ter essa função, é
comum ouvir adolescentes falando: “Só os meus amigos me entendem”. Segundo Osório (1992), o grupo
de iguais funciona como “uma caixa de ressonância ou continente para as ansiedades existenciais do
adolescente” (p. 20).

Estabelecimento de um padrão de luta/fuga no relacionamento com a geração precedente

Existe esse padrão de comportamento de luta/fuga exatamente devido à necessidade do adolescente


de se diferenciar de seus pais, construir a própria identidade, que o diferencie dos demais. Portanto, o
comportamento interpretado muitas vezes como rebeldia é na verdade esperado e faz parte da crise
normativa desse período desenvolvimental.

Aceitação dos ritos de iniciação como condição de ingresso ao status adulto

Os rituais são manifestações sociais que ajudam na elaboração de diferentes momentos de transição
do ciclo vital. Vários são os rituais que marcam a transição entre a infância e a vida adulta, em nosso
meio podem-se destacar: a viagem da oitava série e da conclusão do Ensino Médio, o baile de debutantes,
entre outros.

Assunção de funções ou papéis sexuais auto-outorgados

Isto é, consoantes a inclinações pessoais (homossexuais) independentemente das expectativas


familiares e eventualmente até mesmo das imposições biológicas do gênero a que pertence.
Na adolescência a sexualidade e a definição da orientação sexual são temas centrais no
desenvolvimento e corroboram para a definição da identidade. É fácil observar, nas situações
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Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

diárias, o quanto o comportamento do adolescente é recorrentemente voltado para questões


inerentes à sexualidade.

Quando se pensa nas interações sociais que ocorrem nessa fase, é preciso salientar que na maioria
dos casos há uma tendência para a dissolução dos grupos de meninas (Turma da Luluzinha) e meninos
(Turma do Bolinha). Portanto, formam-se os grupos mistos e, posteriormente, no decorrer dessa fase,
há a formação de casais. Como já mencionado, os grupos de amigos são muito importantes e exercem
uma forte influência recíproca, podendo ser traduzida muitas vezes como uma “grande pressão sobre
os companheiros”.

Figura 25 – Grupo de amigos na adolescência

O adolescente é impulsivo e tende a se perceber com indestrutível e ilimitado, por isso os grupos de
adolescentes se envolvem em atividades que checam todos os limites de resistência, coragem, capacidade
etc., como os esportes radicais, as disputas de “rachas”, entre outros.

Assim sendo, frequentemente o adolescente transfere a relação fusionada que mantinha com os
pais para os amigos ou namorado(a). Quer dizer, os adolescentes vivem as relações como se fossem uma
só: um só desejo, uma só necessidade. Por isso, parecem ser comuns as explosões do adolescente por se
sentir traído em suas relações afetivas ou com os amigos, como, por exemplo, quando um elemento de
um grupo conversa com alguém que não faz parte desse grupo, isso pode ser interpretado como traição,
provocando discussões ou brigas entre os membros do grupo.

Portanto, como já haviam identificado Aberastury e Knobel (1981), na adolescência o indivíduo tem
que elaborar três lutos, a saber, luto pelo corpo infantil; luto pela identidade e papel infantil; luto pelos
pais da infância. Ou seja, o adolescente terá que se reorganizar frente às perdas integrando as aquisições
próprias dessa fase.

Entretanto, embora o período da adolescência seja frequentemente descrito como uma fase de
“tempestade e tormenta”, cheia de revoluções, a maioria dos adolescentes não tem essa vivência,

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Unidade II

além disso, admiram os pais, confiam neles e lidam de uma forma positiva com os desafios dessa fase
(STEINBERG, 1990 apud KAIL, 2004).

Renato Russo e Fê Lemos, por meio de uma música colocam a geração Coca-Cola em uma posição
de rebeldia, segundo Griffa e Moreno (2001), do tipo rebeldia transgressiva, indo contra as normas
sociais, questionando-as mediante um disfarce crítico.

Geração Coca-Cola
Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de nove às seis.
Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês.
Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola. (...)

Trata-se de uma rebeldia extrafamiliar, criticamente disfarçada porque acaba por levar o adolescente
à prepotência de elaborar, inventar e impor uma ordem à sua própria imagem e conveniência. A
consequência é uma atitude de negação e destruição de tudo que já existe.

Portanto, consiste em ignorar as próprias raízes, a memória da sociedade, suas tradições e crenças.
Assim, pela produção do vazio, sem passado e raízes, o adolescente fica à mercê da moda imposta pela
mídia, que, como também não apresenta “o novo”, transforma o adolescente em conformista social, que
é facilmente manipulável. Segundo Griffa e Moreno (2001), “a pretensa rebeldia, então, transforma-se
no pior tipo de submissão, em uma verdadeira escravidão”.

Os autores Bock, Furtado e Teixeira (2001) fazem uma análise da adolescência à luz da perspectiva
sócio-histórica em psicologia. Afirmam que, tanto no campo da psicologia do desenvolvimento quanto
nas áreas de psicologia da educação e psicologia social, a adolescência tem sido apresentada dentro
de uma concepção liberal, uma visão naturalizante. Nessa, o sujeito é tomado como independente,
livre, racional e natural. Assim, o adolescente estaria sujeito às leis naturais, sendo ao mesmo tempo
autônomo, capaz de usar a razão soberana.

Tal posicionamento que grassa na maioria das obras da psicologia contemporânea postula
características da adolescência como expressões da natureza humana, independentes da realidade
material. Portanto, as práticas decorrentes dessa visão são curativas e paliativas e se propõem apenas
a observar o trajeto do adolescente, cuidando para que ele siga o que está previsto pela natureza. Caso
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Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

haja alguma alteração nessa caminhada, é preciso que o profissional de psicologia ou educação ajude
o adolescente a se adaptar e voltar ao caminho. Portanto, as práticas são intervenções que contribuem
para a adaptação do que está de antemão estabelecido pela sociedade vigente.

Esse posicionamento de adaptação aponta para políticas públicas voltadas à juventude que não
contribuem para desvelar as relações sociais e as formas de vida relacionadas à gênese das características
da adolescência e se voltam exclusivamente à tolerância.

A referida autora alerta para a necessidade de compreensão da adolescência como uma fase de
desenvolvimento constituída nas relações sociais e nas formas de produção da sobrevivência, o que
leva necessariamente a uma ressignificação e à busca de novas maneiras de relacionamento que
tenham no adolescente um parceiro social. Portanto, as ações, os comportamentos e os pensamentos
dos adolescentes são fruto das relações sociais, das condições de existência e dos valores sociais que
permeiam a cultura em que eles estão inseridos, e isso é responsabilidade de todos os que fazem parte
de um conjunto social.

Saiba mais

Conheça o caso de Sander Mecca e outros adolescentes lendo o texto


Ecstasy conquista uma nova classe de usuários adolescentes no Brasil,
disponível em <[Link]
[Link]>,
que segue refletindo sobre os assuntos tratados. A partir dos referenciais
teóricos propostos, compreenda por que adolescentes têm sido atraídos
para o uso e a venda de drogas.

6 O DESENVOLVIMENTO DO ADULTO JOVEM (de 20 a 40 anos)

Nesse tópico vamos estudar o adulto jovem, considerado o indivíduo que tem aproximadamente entre
20 e 40 anos. É importante salientar que as idades sempre são parâmetros aproximados e condizentes
com o momento sócio-histórico de determinada sociedade. Por exemplo, em nossa sociedade o período
da adolescência está cada vez mais ampliado.

Pode-se afirmar que os temas centrais da vida de um indivíduo dessa fase são: o amor, o trabalho e
a ética. O adulto jovem não é mais onipotente como o adolescente, mas mantém muita energia em suas
realizações, é uma idade de muitas produções. Ele adota uma ideologia e uma filosofia de vida; assume
e responde pelas próprias escolhas e pelos seus compromissos.

6.1 Desenvolvimento físico do adulto jovem

A vida adulta compreende o período em torno dos 20 aos 65 anos. Dessa forma, pode-se observar nele
que os aspectos físicos contemplam um continuum, que vai da plenitude física ao começo do declínio.
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Unidade II

Exemplo de aplicação

Faça uma busca nos meios eletrônicos para levantar informações sobre o auge da carreira do jogador
de futebol “Ronaldo Fenômeno”. Observe se o período é convergente com o auge do desenvolvimento
físico, conforme os referenciais teóricos apresentados nesse tópico.

Na fase adulta jovem ou juventude, com relação aos aspectos físicos, a pessoa se encontra no
auge das estruturas intelectuais e morais. Por volta dos 25 anos, há uma diminuição das mudanças
fisiológicas, pois as funções do corpo já estão todas desenvolvidas. Na realidade, pode-se afirmar que
as funções corporais se encontram plenas, a força muscular está no seu ponto máximo, bem como a
agudeza sensorial. Quanto à estatura, os homens costumam atingir sua estatura máxima por volta dos
21 anos e as mulheres, em torno dos 18 anos.

O adulto jovem faz parte do grupo mais saudável da população. Por outro lado, as maiores
causas de morte nesse período são principalmente acidentes e atos de violência, como homicídios
ou suicídios.

Observação

As causas de infertilidade são proporcionais entre homens e mulheres,


boa parte desses casos poderia ser evitada se alguns cuidados fossem
tomados durante o desenvolvimento até a idade adulta (CLÍNICA FERTILIS,
2011).

Se nessa fase ocorre o auge da vitalidade física, por que há tantos casos de infertilidade? Os estudos e
as pesquisas sobre a vida adulta ainda são muito recentes, e, nesse sentido, já é notória a necessidade de
uma ampliação dos mesmos. No entanto, pode-se afirmar que o estilo de vida (exercícios, alimentação,
sono etc.), o avanço da medicina, a ausência de guerras, melhores condições sanitárias e políticas de
natalidade são fatores que ao longo do desenvolvimento humano interferiram positiva e negativamente
nos diferentes eixos do ciclo vital. Assim, parece-nos que a ampliação dos estudos e das pesquisas na
fase adulta passa a ser cada vez mais importantes para a compreensão sobre os fenômenos que nela
ocorrem, a fim de que se saiba a melhor maneira de intervir.

Lembrete

O fumo é a principal causa evitável de morte em adultos, tanto para


os fumantes como para as vítimas do fumo passivo – inalar a fumaça de
outras pessoas.

92
Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

6.2 Desenvolvimento cognitivo do adulto jovem

O raciocínio sobre questões religiosas é um aspecto do desenvolvimento cognitivo adulto,


que tem despertado interesse em alguns pesquisadores. Tal como a moralidade, a fé é mais do
que um processo cognitivo: ela envolve a pregação e provém da experiência e da educação
religiosa. E como todas as formas de raciocínio e análise, a fé não é estática, mas se modifica
com a vida e com os valores, sofrendo transformações à medida que a experiência se acumula
(BERGER, 2001, p. 321).

Como já foi afirmado anteriormente, esse período se caracteriza pelo auge das estruturas
intelectuais. Além disso, geralmente se dá o início do trabalho e dos estudos superiores. Nesse
momento, muitas pessoas começam a modelar seu projeto de vida, sua vocação, colocando suas
decisões à prova ou alterando seu plano de vida.

Griffa e Moreno (2001) apresentaram um estudo longitudinal, em que acompanharam 300


estudantes com idades entre 25 e 35 anos. Os resultados apontaram para “uma tendência a se
adaptar ao meio social, dedicar-se ao trabalho e à família”. Outro aspecto importante observado é
que essas pessoas apresentaram “pouca autorreflexão” e dedicação às atividades individuais; por
outro lado, tiveram “maior autoexigência e menor autossatisfação”.

Percebe-se que a maioria dos adultos jovens tem a necessidade de impor-se, expandir-se, com vistas
ao êxito, à ascensão social. Portanto, essa fase se caracteriza por um pensamento de natureza mais
complexa, em que são feitas as escolhas profissionais e vocacionais.

Apesar de Piaget (1967) apresentar o estádio operatório formal como o ápice da realização
cognitiva, há outros estudiosos que afirmam que a cognição se estende para além dessa etapa.
Sinnott (1984 apud PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006) propõe que nessa fase o indivíduo desenvolve
o pensamento pós-formal, apresenta-o como mais complexo que o pensamento formal descrito
por Piaget. Argumenta, ainda, que as principais características desse pensamento são: a capacidade
de lidar com incertezas, inconsistências, contradição, imperfeição e o compromisso. Trata-se de
um pensamento mais flexível e adaptativo.

Lembrete

O pensamento pós-formal, estágio superior de cognição adulta, pode


ser compreendido como muito mais rico e complexo do que as manipulações
intelectuais abstratas descritas por Piaget.

Nesse caso, a capacidade do adulto de lidar com incerteza, inconsistência, contradição, imperfeição
e tolerância se dá por meio de um pensamento maduro que se baseia na experiência subjetiva, na
intuição e na lógica.

93
Unidade II

Exemplo de aplicação

Busque informações nos meios tradicionais ou eletrônicos sobre a Inteligência Emocional, descubra
quais são seus cinco domínios e procure saber a razão de ela ser tão importante para o êxito ao longo da
vida. Em seguida, faça um levantamento das questões controversas e entenda por que ela é tão difícil
de ser medida.

Como os dilemas sociais são mais desestruturados e carregados de emoção, os adultos maduros
tendem a recorrer ao pensamento pós-formal. É preciso destacar que essas características se assentam
em um desenvolvimento neurológico marcado pela formação de novos neurônios, sinapses e conexões
dendríticas. Há também uma expansão das habilidades linguísticas, e os julgamentos morais podem se
tornar muito mais complexos.

6.3 Desenvolvimento psicossocial do adulto jovem

Como mencionado na introdução desse tópico, o adulto jovem tem como eixo central de sua vida o
amor, o trabalho e a ética.

De acordo com Erikson (1974), no sexto estágio psicossocial, as pessoas vivem o dilema intimidade
versus isolamento. O autor sinaliza que durante esse período o indivíduo estabelece a sua independência
e começa a atuar como adulto, assumindo um trabalho produtivo e estabelecendo relacionamentos
íntimos – amizades íntimas e uniões sexuais. Na opinião de Erikson (1974), a intimidade não se limita a
relacionamentos sexuais, mas engloba também carinho e compromisso.

Figura 26 – Relacionamento de intimidade

A intimidade pressupõe que o indivíduo possa expressar suas emoções abertamente, sem medo
de “se perder no outro”, isto é, sem medo de perder o senso de autoidentidade. Lembre-se de que a
árdua tarefa da adolescência foi definir a identidade, ou seja, o adulto jovem teme perder esse bem
94
Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

precioso. Um exemplo de frase típica da vivência desse dilema é: “... Eu amo meu namorado, quero ficar
com ele, mas casar agora?! Não sei. Temo perder minha liberdade, ter que abrir mão de coisas que são
importantes para mim...”. Essa frase ilustra que o indivíduo teme fundir a sua identidade com a de outra
pessoa e, assim, ter que abrir mão da sua própria. Na intimidade supõe-se uma troca interpessoal sem
que haja a dissolução das respectivas identidades.

Nas relações de intimidade, as pessoas desenvolvem a capacidade de estabelecer de forma integral


compromissos emocionais, morais e sexuais com outras pessoas. Esse tipo de compromisso exige que
o indivíduo renuncie a algumas preferências pessoais, aceite algumas responsabilidades e abra mão de
algum grau de privacidade e independência.

Figura 27 – Intimidade

Os indivíduos que não conseguem estabelecer relações de intimidade desenvolvem uma sensação
de isolamento, isto é, a incapacidade de se vincular a outros de forma psicologicamente significativa.
São pessoas que mantêm relações superficiais, evitam contatos sociais, rejeitam as outras pessoas e
podem até se tornar agressivos em relação a elas; preferem ficar sós porque temem a intimidade, que
veem como uma ameaça à identidade do seu ego. Mas isolamento não é sinônimo de estar só ou ser
solteiro, diz respeito à capacidade de entrega em uma relação. Há pessoas que estão solteiras ou sós e
têm relações de intimidade, ao passo que há uniões conjugais em que existe isolamento.

Portanto, como foi exposto anteriormente, a capacidade de amar é um tema central na vida do
adulto jovem e é corroborada por uma expectativa social, no sentido de ele assumir alguns papéis
sociais, como escolher um parceiro e casar-se.

95
Unidade II

Observação

O relógio social é o conjunto de normas ou expectativas culturais para


os momentos da vida em que certos eventos importantes, como casar, ter
filhos, começar a trabalhar e aposentar-se, devem ocorrer.

O outro eixo central na vida do adulto jovem é o trabalho. Uma preocupação típica daqueles que
estão nessa fase é estabelecer-se profissionalmente, buscar por uma estabilidade profissional, o que
também é reforçado pela expectativa social. O indivíduo nessa fase tende a trabalhar muito, muitas
vezes renuncia ao lazer e aos relacionamentos sociais a fim de se dedicar ao trabalho e/ou à carreira.

Figura 28 – Jovens no trabalho

É a fase em que há uma alteração nas relações de amizade, as grandes turmas da adolescência são
substituídas por grupos de casais que preferem trocar as grandes e onerosas festas por pequenas e
acessíveis reuniões na casa dos amigos. O importante não é mais “pertencer a várias tribos ou ter muitos
amigos”, e sim “ter poucos, mas bons amigos”, são relações de intimidade.

E o terceiro eixo central é a ética, que acompanha os outros dois. O adulto jovem assume um
compromisso com a própria vida e a repercussão de suas ações sobre a vida dos demais, tanto no
âmbito do trabalho quanto no afetivo. Para Erikson (1974), a intimidade é a capacidade de “[...] entregar-
se a afiliações e associações concretas e de desenvolver a força ética necessária para cumprir esses
compromissos, mesmo quando eles podem exigir sacrifícios significativos (p. 237)”.
96
Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

Os indivíduos dos 20 aos 40 anos de idade atravessam períodos difíceis e estressantes porque
precisam aprender uma série de papéis sociais e passam por muitas mudanças individuais,
como casamentos, divórcios, nascimentos, busca de emprego etc., que demandam constantes
adaptações.

E, justamente, esse é um período no qual as pessoas são definidas por critérios externos (o que faz, o
que conquistou, o que tem), além do que as pessoas se identificam a si mesmas de acordo com os papéis
que desempenham, as exigências e os limites dos mesmos e se ocorreram ou não dentro do período de
vida esperado, como, por exemplo, casar-se e ter filhos nessa fase de vida.

O percurso da vida adulta é atrelado a uma série de marcadores socioculturais e familiares que
coconstroem as expectativas em relação ao desenvolvimento. Quando a vida adulta não acompanha
essa expectativa geralmente há sofrimento por parte do indivíduo. Por exemplo, uma mulher de 30 anos
pode sofrer porque a maioria de suas amigas já se casou ou têm filhos e ela não. Sente-se à parte do
desenvolvimento normativo.

Já no final desse período (final dos 30 anos início dos 40 anos) há o fenômeno que Levinson (1996
apud PAPALIA; OLDS; FELDMAN 2006) denominou “destribalização”, o qual descreve o processo em
que os adultos, depois de terem aprendido os papéis principais, começam a se libertar dos elementos
limitadores, tem-se noção de como atender a vários compromissos e ainda manifestar a própria
individualidade.

Ao longo dos anos, o indivíduo se depara com desilusões que podem levar ao questionamento de
regras, uma vez que segui-las e fazer o que se deve não trazem necessariamente quaisquer recompensas.
Nem sempre, apesar de se ter trabalhado muito, consegue-se promoção, nem sempre se consegue um
parceiro, mesmo tendo feito corretamente todas as coisas.

Portanto, para Erikson (1987), a intimidade se dá por meio do compromisso com um relacionamento
que exige concessões e sacrifícios. Para o homem, ela é possibilitada somente após encontrar sua própria
identidade, ao passo que a mulher obtém sua identidade por meio da própria intimidade.

Além da estabilização da vida afetiva e do início da vida matrimonial, alguns outros fatos são comuns
nessa fase da vida: o ingresso na vida social plena; autossustento social, psicológico e financeiro; e o
trabalho.

Elementos básicos para o amadurecimento das pessoas, tais fatos muitos vezes acabam sendo
postergados em função das atuais exigências e normas culturais. As consequências de tais restrições
podem levar à dependência familiar, flutuações afetivas, falta de experiências vitais, tendência a
idealizar. Outros fatores que delimitam esse período dizem respeito ao encontro ou conflito de gerações,
a modelagem do projeto de vida. As escolhas são colocadas à prova ou modificadas.

Heinz Rempleim (apud GRIFFA; MORENO, 2001) afirma que na busca do êxito e da ascensão
social há um desejo de impor-se, permeado de uma atitude otimista. Isso é mais intenso no sexo
masculino.
97
Unidade II

Segundo Levinson (1996 apud GRIFFA; MORENO, 2001), por volta dos 18 aos 24 anos se dá o primeiro
estágio, a saída do lar, que permite ao jovem uma maior independência, o contato com instituições,
que lhe outorga, por exemplo, status de estagiário.

O segundo estágio é o ingresso no mundo adulto, em torno dos 24 aos 28 anos; nessa fase a pessoa
permanece mais no mundo do que no lar. Dos 28 aos 33 anos é a época de reafirmar os compromissos
e de alguma maneira se liberar dos afazeres diários para novas perspectivas de vida. Esse estágio é
denominado transição para a quarta década.

Como afirmado anteriormente, para Erik H. Erikson (1987), a questão central nessa etapa é a
conquista da intimidade versus isolamento. Para o referido autor, a intimidade diz respeito à capacidade
de se “entregar a afiliações e associações concretas e de desenvolver força ética necessária para cumprir
esses compromissos, mesmo quando eles podem exigir sacrifícios significativos”.

Tal capacidade permite ao adulto jovem enfrentar a perda do ego, atrelada às situações que exigem
autoabandono, como nos casos de solidariedade entre amigos ou a união sexual; ou, por outro lado, sua
ausência pode levar ao isolamento.

A mutualidade do orgasmo representa para Erikson saúde sexual, e nesse caso a frustração não
implicará regressão patológica. Portanto, um marco do final da adolescência é a capacidade da pessoa
de manter uma relação de intimidade.

Sendo esse aspecto o ponto central da crise nesse período, segundo Erikson, o trajeto a ser
percorrido para a intimidade passa necessariamente por alguns níveis de relações interpessoais, ou
seja, graus de comprometimentos.

De acordo com Griffa e Moreno (2001), os três níveis são:

• Nível 1  Tarefa. Por exemplo, quando dois adultos trabalham juntos na montagem de um
motor. Nesse caso, não é preciso tentar conhecer o outro ou revelar-se, porque a tarefa é o
principal ponto de contato e integração entre as pessoas.

• Nível 2  Sistema de normas explícito ou implícito. As normas regulam o comportamento,


facilitando a prevenção ou antecipação da cultura grupal. Por exemplo, nos grupos da escola, nos
jogos com regras. Em ambos os casos, são supostos um maior compromisso pessoal, pôr-se no
lugar do outro e um contato físico. Isso não ocorre no nível da tarefa.

• Nível 3  Intimidade. Nessa situação, não há o predomínio da tarefa nem das normas. Os
relacionamentos baseiam-se na criatividade de cada pessoa, para construí-lo. Portanto, há
uma abertura pessoal para o conhecimento mútuo em profundidade, o questionamento das
regras e normas e da formalidade do vínculo. Assim, ocorre uma reflexão permanente sobre
o vínculo e emergem questões como: somos amigos ou somos noivos?

98
Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

Exemplo de aplicação

Faça uma pesquisa sobre a nova lei do divórcio (Emenda Constitucional nº 66, de 13/07/10) e verifique
seus aspectos positivos e negativos; confronte com as informações contidas nesse tópico.

Vamos agora ler o texto que se segue refletindo, de acordo com o que foi estudado até aqui, sobre
esse momento do desenvolvimento do ciclo vital:

Casamento: a lógica do um e um são três

Costumo dizer que todo fascínio e toda dificuldade de ser casal residem
no fato de o casal encerrar, ao mesmo tempo, na sua dinâmica, duas
individualidades e uma conjugalidade, ou seja, de o casal conter dois sujeitos,
dois desejos, duas inserções no mundo, duas percepções do mundo, duas
histórias de vida, dois projetos de vida, duas identidades individuais, que na
relação amorosa convivem com uma conjugalidade, um desejo conjunto,
uma história de vida conjugal, um projeto de vida de casal, uma identidade
conjugal. Como ser dois sendo um? Como ser um sendo dois?

Na lógica do casamento contemporâneo, um e um são três, na expressão de


Philippe Caillé (1991). Para Caillé, cada casal cria seu modelo único de ser
casal, que ele chama de “absoluto do casal”, que define a existência conjugal
e determina seus limites. A sua definição de casal contém, portanto, os dois
parceiros e seu “modelo único”, seu absoluto.

Isso a que Caillé chama de “absoluto do casal” é o que denomino de


“identidade conjugal” e que na literatura sobre casamento e terapia de casal
é designado, de um modo geral, conjugalidade (FÉRES-CARNEIRO, 2009).

Então, o que você achou do texto?

A autora citada levanta questões relevantes na discussão que faz sobre o casamento contemporâneo.
Além do seu significado e importância social, o casamento é um espaço em que se confrontam duas
forças contraditórias, permeado por tensões individuais e conjugais.

O casamento ocupa um lugar privilegiado entre as relações significativas validadas pelos adultos em
nossa sociedade.

A autora realiza um estudo para investigação do casamento contemporâneo, com dois grupos não
clínicos de casais da classe média carioca: 10 casais de primeiro casamento e 10 casais de casamentos
subsequentes, com idades variando entre 25 e 45 anos, tempo de vida conjugal de 3 a 13 anos e número
de filhos variando de 1 a 4.

99
Unidade II

Figura 29 – Casamento

Os resultados encontrados, pela autora, indicam algumas diferenças quanto à manifestação das
dimensões de aliança e de sexualidade em casais de primeiro casamento e em casais recasados.

As conclusões foram:

• escolha conjugal – no grupo de primeiro casamento a aliança assume um papel mais significativo
do que a sexualidade, enquanto esta é mais relevante para os recasados;
• relacionamento com a família de origem – é frequente, mais forte e mais valorizado no grupo de
primeiro casamento;
• relacionamento com os diferentes grupos de amigos – o grupo de amigos comuns é mais presente
e valorizado no primeiro casamento, enquanto os recasados possuem mais amigos individuais e
valorizam que os membros do casal possam sair às vezes separadamente;
• renda familiar – as diferenças não são grandes entre os dois grupos, embora entre os recasados
haja mais mulheres participando da renda familiar, algumas das quais em proporção maior que os
homens; nesse grupo, os papéis de homem e de mulher aparecem de forma menos rígida, mesmo
assim, a mulher que trabalha fora se sente mais exigida em ambos os grupos;
• relacionamento sexual – em ambos os grupos o relacionamento sexual é considerado muito
importante para o casal, mas a sexualidade aparece de forma mais personalizada e criativa entre
os recasados, para os quais são maiores as demandas e as expectativas em relação à atividade
sexual.

100
Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

Ampliando a discussão, percebe-se que no casamento a autonomia e a satisfação de cada um


sobrepujam os laços de dependência entre o casal. Isso parece confirmar os ideais de individualismo e
hedonismo presentes no mundo contemporâneo e acaba por levar ao confronto direto com a realidade
projetos e desejos do casal.

Nesse sentido, emerge a questão da separação conjugal e suas consequências para os membros do
casal e da família. O aumento do número de separações parece estar muito mais atrelado à busca de
uma relação “perfeita”, no sentido de atender a expectativas que não podem ser cumpridas, porque as
aspirações enquanto “indivíduos” conflitam com as de “casal”.

Exemplo de aplicação

Levante informações por meios tradicionais ou eletrônicos sobre o que é intimidade e suas formas
de expressão: amizade, amor e sexualidade. Relacione os dados obtidos com a sexta crise proposta por
Erikson, intimidade x isolamento.

Aproveite também para assistir a filmes que abordem esse tema e verifique os aspectos convergentes
com os estudos realizados até aqui.

Quando observamos os dados estatísticos das separações e dos divórcios no mundo e no Brasil,
podemos constatar que os números aumentam e tendem a aumentar mais ainda. Por exemplo, em
1994 os dados são de um divórcio para cada quatro casamentos e, atualmente, os números são muito
maiores.

Para finalizar, é oportuno destacar que os filhos desses casamentos desfeitos, bem como o casal, têm
tarefas complexas para enfrentar. A família precisará encontrar novas alternativas para se recompor,
além de ter que elaborar seus lutos.

Saiba mais

O site <[Link] contém entrevistas interessantes


sobre o período da adolescência, suas características específicas e alguns
desvios que podem acarretar doenças psíquicas e sociais.

Resumo

Puberdade (12 a 18 anos) está ligada às modificações biológicas que


se passam nessa fase, assinaladas por dois tipos gerais de mudanças físicas:
ao aumento no peso, na altura, na gordura e nos músculos corporais e
101
Unidade II

à maturação sexual e ao desenvolvimento das características sexuais


secundárias. O final da puberdade se caracteriza pelo amadurecimento
gonodal e o fim do crescimento esquelético, o que ocorre em torno dos 18
anos.

Adolescência (12 a 18 anos) diz respeito às transformações psicossociais


que acompanham o processo biológico; o início da adolescência pode
coincidir ou não com a puberdade. O final da adolescência está inter-
relacionado com fatores socioculturais.

O desenvolvimento cognitivo se caracteriza por operações formais


(PIAGET, 1967); o adolescente constrói sistemas e teorias, liga soluções de
problemas por meio de teorias gerais, é capaz de deduzir as conclusões
de puras hipóteses e não somente por meio de uma observação real
(pensamento hipotético-dedutivo).

Na adolescência, há uma crise e consequente construção de identidade.


Identidade é a consciência que o indivíduo tem de si mesmo como “um ser
no mundo”, traz o sentimento de pertinência e de diferenciação. Construir
a identidade implica formar uma autoimagem e integrar as ideias que se
têm sobre si mesmo e os feedbacks que os outros emitem a seu respeito.
Para Erikson (1974), o dilema dessa fase é identidade versus confusão de
papéis.

As principais características da puberdade/adolescência são:


culminação do processo de separação/individuação dos pais da
infância; elaboração de lutos referentes à perda da condição infantil;
estabelecimento de uma escala de valores ou código de ética próprio;
busca de pautas de identificação no grupo de iguais; estabelecimento de
um padrão de luta/fuga no relacionamento com a geração precedente;
aceitação dos ritos de iniciação como condição de ingresso ao status
adulto; e assunção de funções ou papéis sexuais auto-outorgados.

A vida adulta compreende o período em torno dos 20 aos 65 anos,


pode-se observar nele que os aspectos físicos contemplam um continuum,
que vai da plenitude física ao começo do declínio. O adulto jovem (20 e 40
anos) tem como temas centrais da vida o amor, o trabalho e a ética. É uma
idade de muitas produções, assume e responde pelas próprias escolhas e
pelos seus compromissos.

Com relação aos aspectos físicos na fase adulta jovem ou juventude,


há o auge das estruturas intelectuais e morais; pode-se afirmar que as
funções corporais se encontram plenas, a força muscular está no seu ponto
máximo, bem como a agudeza sensorial. Quanto à estatura, os homens
102
Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

costumam atingir sua estatura máxima por volta dos 21 anos e as mulheres,
em torno dos 18 anos. O adulto jovem faz parte do grupo mais saudável
da população. Por outro lado, as maiores causas de morte nesse período
são principalmente acidentes e atos de violência, como homicídios ou
suicídios.

A juventude se caracteriza pelo auge das estruturas intelectuais, é o


início do trabalho e dos estudos superiores, muitas pessoas começam a
modelar seu projeto de vida, colocando suas decisões à prova ou alterando
seu plano de vida.

De acordo com Erikson (1974), a juventude se caracteriza pelo


sexto estágio psicossocial: as pessoas vivem o dilema intimidade
versus isolamento. A intimidade se caracteriza pela capacidade de
estabelecer de forma integral compromissos emocionais, morais e
sexuais com outras pessoas, sendo necessário renunciar preferências
pessoais, aceitar responsabilidades e abrir mão da privacidade e da
independência. Os indivíduos que não conseguem estabelecer relações
de intimidade desenvolvem uma sensação de isolamento, incapacidade
de se vincular a outros de forma psicologicamente significativa, são
pessoas que mantêm relações superficiais, evitam contatos sociais,
rejeitam as outras pessoas e podem até se tornar agressivos em relação
a elas; preferem ficar sós porque temem a intimidade, que veem como
uma ameaça à identidade do seu ego.

O segundo eixo central na vida do adulto jovem é o trabalho, há


uma preocupação em se estabelecer profissionalmente, buscar por uma
estabilidade profissional, o que é reforçado socialmente; tende a trabalhar
muito, renunciar ao lazer e aos relacionamentos sociais a fim de se dedicar
ao trabalho e/ou à carreira. O terceiro eixo central é a ética, que acompanha
o amor e o trabalho.

Além da estabilização da vida afetiva e do início da vida matrimonial,


alguns outros fatos são comuns nessa fase da vida: o ingresso na vida
social plena; autossustento social, psicológico e financeiro; e o trabalho.
Elementos básicos para o amadurecimento das pessoas, tais fatos muitas
vezes acabam sendo postergados em função das atuais exigências e normas
culturais. As consequências de tais restrições podem levar à dependência
familiar; flutuações afetivas; falta de experiências vitais; tendência a
idealizar. Outros fatores que delimitam esse período dizem respeito ao
encontro ou conflito de gerações, a modelagem do projeto de vida. As
escolhas são colocadas à prova ou modificadas.

103
Unidade II

Exercícios

Questão 1. Leia o fragmento a seguir e responda a questão:

“No aniversário de 13 anos de Anne Frank, em 12 de junho de 1942, seus pais lhe presentearam
com um diário. Esse pequeno volume encadernado com tecido foi o primeiro dos diversos cadernos nos
quais Anne registrou suas experiências e suas reflexões durante os dois anos seguintes. Mal ela sonhava
que seus apontamentos tornar-se-iam um dos mais célebres relatos publicados sobre as vítimas do
Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial. (...) O diário revela pensamentos, sentimentos, devaneios
e alterações de humor de uma adolescente introspectiva e bem-humorada amadurecendo sob condições
traumáticas” (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006, p. 437).

Em relação às características típicas da adolescência, podemos afirmar:

I. Transformações físicas marcantes, e a sua ocorrência interfere diretamente na estrutura


emocional.

II. Capacidade de levantar hipóteses e deduções em nível puramente abstrato, isso se inicia nessa fase
e vai acompanhá-lo na vida adulta, permitindo alta capacidade de questionamento e crítica.

III. Enfrentamento da crise de identidade, que implica formar uma autoimagem e integrar as ideias
que se têm sobre si mesmo e os feedbacks que os outros emitem a seu respeito.

É verdadeiro o que se afirma em:

A) I, apenas.

B) I e II, apenas.

C) III, apenas.

D) II, apenas.

E) I, II e III.

Resposta correta: alternativa E.

Análise das afirmativas

I. Afirmativa correta. Na adolescência, as transformações físicas são marcantes, e a sua ocorrência


interfere diretamente na estrutura emocional. Ocorre a redefinição da imagem corporal, consubstanciada
na perda do corpo infantil e da consequente aquisição do corpo adulto. Por isso, as alterações físicas da

104
Psicologia do Desenvolvimento: Ciclo Vital

puberdade estão inter-relacionadas com os outros aspectos psicossociais do desenvolvimento e tendem


a fazer com que os adolescentes destinem uma grande atenção à sua aparência física. As transformações
físicas e a importância da aceitação por parte dos outros fazem com que o adolescente se preocupe
demasiadamente com a sua imagem corporal.

II. Afirmativa correta. O desenvolvimento cognitivo do final da infância à fase adolescente se


caracteriza pelas seguintes mudanças: de esquemas conceituais e operações mentais referentes a objetos
e situações concretas para a formação de esquemas conceituais abstratos (amor, fantasia, justiça etc.),
realizando com eles operações mentais formais (o abstrato sem a necessidade do concreto). Segundo
Jean Piaget (1967), o indivíduo a partir dos 12 anos desenvolve as operações formais, é um indivíduo
que constrói sistemas e teorias, liga soluções de problemas por meio de teorias gerais, das quais se
destaca o princípio. Tem facilidade de elaborar teorias abstratas que transformam o mundo, em um
ponto ou em outro, o pensamento é formal/hipotético-dedutivo, isto é, o indivíduo é capaz de deduzir
as conclusões de puras hipóteses e não somente por meio de uma observação real.

III. Afirmativa correta. A grande questão que se apresenta na adolescência é a resposta à seguinte
pergunta: Quem sou eu? É uma fase na qual se enfrenta a crise de identidade. Por crise, entende-
se um ponto conjuntural necessário ao desenvolvimento, é o momento no qual o repertório que o
indivíduo possuía entra em colapso, não é suficiente frente a novas demandas e, então, é necessária
uma mudança desenvolvimental qualitativa. Identidade é a consciência que o indivíduo tem de si
mesmo como “um ser no mundo”. Traz o sentimento de pertinência (o indivíduo pertence à família
x, que tem determinadas características; é brasileiro, o que lhe confere outras tantas características;
torce pelo time Z etc.) e de diferenciação (apesar de ter características específicas por pertencer a
vários grupos, tem características que o tornam único). Construir a identidade implica formar uma
autoimagem e integrar as ideias que se têm sobre si mesmo e os feedbacks que os outros emitem a seu
respeito. Na busca da construção de sua identidade, o adolescente faz uma série de experimentações
tentando identificar quem ele é.

Questão 2. Leia o excerto a seguir e responda a questão:

A revista Veja, de 27/04/2005, publicou uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas que mostrou o
seguinte: Na idade adulta, quatro de cada 10 mulheres brasileiras estão sozinhas. A partir dos 35 anos,
quanto mais velha a mulher, mais probabilidade ela tem de ficar sozinha. E as mulheres sozinhas são
justamente aquelas que têm melhor situação financeira. Grande parte das entrevistadas declarou estar
em busca de um companheiro, mas apenas 20% admitiram a ideia de se casar com um homem que não
julgassem plenamente satisfatório.

Relacionando esses dados com o que você estudou sobre o desenvolvimento da idade adulta
jovem, é correto dizer que:

I. O caminho da vida adulta é influenciado por um conjunto de escolhas pessoais, o que inclui opções
acerca do momento certo para a adoção de vários papéis importantes.

II. Durante esse período, o indivíduo estabelece a sua independência e começa a atuar como adulto,
105
Unidade II

assumindo um trabalho produtivo e estabelecendo relacionamentos íntimos.

III. O adulto jovem atravessa períodos difíceis e estressantes porque precisa aprender uma série de
papéis sociais e passa por muitas mudanças individuais, como casamentos, divórcios, nascimentos,
busca de emprego etc., que demandam constantes adaptações.

É verdadeiro o que se afirma em:

A) I, apenas.

B) I e II, apenas.

C) II, apenas.

D) III, apenas.

E) I, II e III.

Resolução desta questão na Plataforma.

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