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Fenomenologia da Combustão Explicada

O documento descreve a fenomenologia da combustão, incluindo a constituição da matéria, estados físicos, triângulo e tetraedro do fogo, fatores que influenciam a combustão, temperaturas características de combustíveis, limites de inflamabilidade, classes de fogo, velocidade e propagação da combustão e produtos da combustão.

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Fenomenologia da Combustão Explicada

O documento descreve a fenomenologia da combustão, incluindo a constituição da matéria, estados físicos, triângulo e tetraedro do fogo, fatores que influenciam a combustão, temperaturas características de combustíveis, limites de inflamabilidade, classes de fogo, velocidade e propagação da combustão e produtos da combustão.

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Fenomenologia da Combustão

• Constituição da matéria
o Átomos: partículas muito pequenas que constituem a matéria.
o Protões: constituinte do átomo; tem cargas positivas; encontram-se no
núcleo.
o Neutrões: constituinte do átomo; tem cargas neutras; encontram-se no
núcleo; impedem que que os protões se repilam mutuamente.
o Eletrões: constituinte do átomo; tem cargas negativas; encontram-se fora do
núcleo.
o Moléculas: conjunto de átomos.
• Estados físicos da matéria
o Sólido: tem forma fixa; em geral não são compressíveis.
o Líquido: não tem forma fixa; muito pouco compressível.
o Gasoso: não tem forma fixa; facilmente compressível.
• Combustão
o Reação de oxidação, exotérmica, ou seja, liberta calor.
• Ar: 78% azoto + 21% oxigénio + 1% outros gases
• Triângulo do fogo
o Comburente: Atmosfera ou corpo gasoso em suja presença o combustível
pode arder. Por exemplo, o oxigénio presente no ar.
o Combustível: Substância na forma gasosa, líquida ou sólida capaz de arder
quando submetida a aquecimento.
o Energia de ativação: Energia na forma de calor, necessária para iniciar o
processo de combustão.
• Tetraedro do fogo
o No decurso da reação química formam-se «radicais livres», resultantes da
decomposição das moléculas nos átomos que lhes deram origem.
o Estes radicais livres contêm elevada energia e reagem rapidamente com
outras moléculas, formando mais radicais livres (existem ao nível das zonas
intermediárias das chamas) expandindo, deste modo, a combustão no tempo
e no espaço.
o Comburente + Combustível + Energia de Ativação + Reação em Cadeia.
• Fatores que influenciam o processo de combustão
o Fatores relacionados com a energia de ativação
Térmica: fósforos, cigarros, placas do fogão, exposição prolongada ao
sol, etc.
Elétrica: aquecedor elétrico, eletricidade estática, arco voltaico, etc.
Mecânica: chispas, atrito, compressão de um gás num cilindro, etc.
Química: limalha de ferro + óleo, algodão + óleo, etc.
o Fatores relacionados com o comburente
Percentagem de ar.
Os combustíveis diferem na percentagem de ar que precisam para
entrar em combustão.
o Fatores relacionados com o combustível
Condutividade térmica
• Substâncias combustíveis pouco condutoras de calor (madeira,
cortiça, lã, plásticos, etc) ardem mais facilmente que as boas
condutoras (metais, mármore, granito, etc).
Estado de divisão
• Um combustível mais “dividido” é mais fácil de arder (maior
contacto com a atmosfera).
• Por exemplo: a serradura arde mais facilmente do que o pedaço
de madeira que lhe deu origem.
Densidade
• Quociente entre a massa de uma dada substância e o volume
que ela ocupa.
• A densidade dos vapores combustíveis em relação ao ar pode
ser diferente entre combustíveis:
o Os vapores da gasolina são mais densos que o ar, por isso
propagam-se mais facilmente junto ao solo.
o No caso da gasolina, esta não é miscível com a água e
sendo menos densa, flutua à superfície da água. Isto
significa que em caso de incêndio, o uso da água pode
levar à propagação do mesmo.
o O gás natural é menos denso do que o ar, por isso em
ambiente aberto dissipa-se facilmente para a atmosfera.
Miscibilidade
• Uma mistura de dois combustíveis, sendo um muito inflamável
(gasolina) e outro menos inflamável (petróleo), resulta um líquido
que pode passar a libertar grandes quantidades de vapor a baixas
temperaturas.
• Temperaturas características dos combustíveis
o Temperatura de inflamação
Temperatura mínima que permite a uma substância emitir vapores
combustíveis em quantidades suficientes para, em conjunto com um
comburente e energia de ativação, se inflamar, extinguindo-se a
combustão após a retirada dessa fonte.
o Temperatura de combustão
Temperatura mínima que permite a uma substância emitir vapores
combustíveis em quantidades suficientes para, em conjunto com um
comburente e energia de ativação, se inflamar e arder continuamente,
mesmo que a fonte de ignição seja retirada.
o Temperatura de ignição
Temperatura mínima à qual os vapores libertados por uma substância
combustível entram espontaneamente em combustão (autoinflamam-
se), mesmo sem a presença de uma fonte de calor externa.
• Quanto ao ponto de inflamação, os combustíveis líquidos classificam-se em:
o Líquidos de 1ª categoria (< 21ºC, libertam vapores à temperatura ambiente)
Exemplo: gasolina, acetona, álcool a 80º, etc.
o Líquidos de 2ª categoria (21ºC > ºC líquido > 55ºC, libertam gases e vapores
em locais não protegidos)
Exemplo: aguardente, petróleo.
o Líquidos de 3ª categoria (> 55ºC, libertam vapores quando sujeitos à ação de
uma fonte de calor)
Exemplo: gasóleo, óleos de travões e lubrificantes, etc.
• Limites de inflamabilidade
o A mistura de combustível com o comburente não pode conter demasiado
combustível (mistura rica) nem uma quantidade insuficiente (mistura pobre).
o Limite inferir: abaixo deste valor é mistura pobre.
o Limite superior: acima deste valor é mistura rica.
• Classes dos fogos
o Classe A
Materiais sólidos orgânicos: madeira, carvão, papel, matéria têxtil,
palha, plásticos comuns, etc.
o Classe B
Líquidos e sólidos liquidificáveis: éteres, álcoois, cetonas, vernizes,
gasolinas, gasóleos, ceras, pomadas, parafina, etc.
o Classe C
Gases: metano, propano, etano, butano, acetileno, etc.
o Classe D
Metais: sódio, potássio, magnésio, urânio, zircónio, alumínio, lítio,
alguns plásticos, etc.
o Classe F
Produtos de cozinha: óleos e gorduras vegetais ou animais.
• Velocidade da combustão depende (será tanto mais rápido quanto maior):
o Grau de divisão do combustível (serradura/tábua);
o Inflamabilidade do combustível (gasolina/gasóleo);
o Superfície exposta (bidão de gasolina ou a mesma quantidade derramada);
o Grau de renovação ou alimentação (combustível em recinto fechado ou em
espaço aberto).
• Velocidade da combustão classifica-se em:
o Lenta
Temperatura suficientemente baixa não provocando emissão de luz
(inferior a 500ºC)
Por exemplo: a oxidação do ferro
o Viva
Existe emissão de luz (fogo)
A mistura dos gases inflamados com o ar forma a chama
No caso dos sólidos pode formar brasas
o Deflagração
Combustão muito rápida cuja propagação se dá a uma velocidade
inferior à velocidade do som no ar (340m/s)
Por exemplo: um tiro de pólvora
o Explosão
Combustão muito rápida cuja propagação se dá a uma velocidade
superior à velocidade do som no ar (340m/s).
Provoca destruição e grande ruído.
Para haver explosão é necessário que a mistura ocupe todo o espaço
onde está contido.
Provoca uma elevação de temperatura e/ou de pressão,
simultaneamente sobre todos os objetos confinantes.
• Propagação da energia da combustão:
o Radiação
Emissão contínua de calor (energia) sob a forma de radiação
infravermelha, provocada pela chama da combustão viva, que se
propaga em todas as direções através do espaço.
Semelhante à radiação produzida pelo Sol.
A energia radiada, ao encontrar um corpo opaco, transforma-se em
calor, aquecendo-o.
Especialmente perigosa para os edifícios próximos.
o Condução
O calor transmite-se diretamente no interior de um corpo ou através de
corpos em contacto, sem deslocação de matéria, através de alterações
de estado da agitação molecular.
Esta transferência de energia efetua-se dos pontos em que a
temperatura é mais elevada para aqueles em que a temperatura é
menor.
A propagação é tanto mais rápida quanto melhor forem os condutores.
Num edifício, a condução pode verificar-se através de paredes e
estruturas metálicas (pilares e vigas).
o Convecção
Processo de transmissão de calor através do ar em movimento.
Nos edifícios, a propagação faz-se através de todas as comunicações
interiores e pela fachada.
A menor densidade dos gases aquecidos provoca correntes
ascendestes dos gases quentes e correntes descendentes do ar
circundante, mais frio, deslocando-se assim a matéria aquecida apara
outros pontos.
o Projeção e deslocamento da matéria inflamada
Em consequência de dilatações bruscas dos materiais inflamados e/ou
da existência de fortes correntes de ar, é frequente dar-se a projeção de
partículas aquecidas ou mesmo incandescentes, tais como pinhas,
caruma, folhas, pequenos ramos, etc.
Este tipo de propagação é também possível pelo movimento de animais
em chamas, faúlhas de locomotivas, artifício pirotécnicos.
• Produtos da combustão
o Fumo
Partículas sólidas em suspensão, devido à combustão incompleta dos
materiais.
Branco ou cinzento pálido: combustão completa com bastante consumo
de combustível, dispondo de comburente em quantidade adequada.
Preto ou cinzento escuro: combustão que desenvolve grande
temperatura e tem falta de comburente; exemplo: combustão de
plásticos, borrachas ou em espaços fechados.
Amarelo, roxo ou violeta: combustão geralmente de gases fortemente
tóxicos.
o Gases
Os gases são o resultado da modificação da composição do
combustível.
Monóxido de carbono: decomposição da matéria orgânica.
Dióxido de carbono: decomposição da matéria orgânica.
Ácido cianídrico: proveniente de fibras acrílicas como as carpetes,
poliuretanos ou nylon, que também libertam amoníaco.
Ácido clorídrico e fosgénio: resultantes da queima de materiais que
possam conter cloreto de polivinilo (PVC), como certo tipo de pavimento,
papel de parede em vinilo e tubagens para instalação de cabos.
o Chama
Manifestação dos gases incandescentes visíveis, em redor da superfície
do material em combustão.
o Calor
Energia libertada pela combustão, sendo o principal responsável pela
sua propagação, dado que aquece todo o ambiente e os produtos
combustíveis.
• Fases de desenvolvimento de um incêndio
o Inicial (ou eclosão)
A quantidade de oxigénio no ar é suficiente para um aumento gradual
da temperatura da chama, libertando-se gases como o vapor de água,
dióxido de carbono, monóxido de carbono, entre outros.
o Combustão livre (ou de propagação)
Existe uma elevada produção de chamas, atingindo-se a temperatura
máxima devido à quantidade de oxigénio existente no ar e à elevação
dos vapores quentes que se libertam.
Em espaço fechado pode acontecer uma combustão generalizada
(flashover).
• Quando o calor não se liberta para o exterior e existe renovação
do ar no local do incêndio.
• A dissipação da energia é mais lenta do que a sua produção,
provocando o aumento contínuo da temperatura.
• Acontece a 500/600ºC se existir comburente suficiente.
• Os gases podem autoinflamar-se, iniciando-se a combustão da
totalidade dos combustíveis sólidos. A partir desse momento a
temperatura no local é uniforme e a radiação sobre as paredes
atinge o seu valor máximo.
o Declínio das chamas
Num incêndio ao ar livre, a fase de declínio das chamas ocorre até se
verificar a extinção por ausência de combustível.
Num incêndio em espaço fechado, pode evoluir para:
• Declínio das chamas, quando o espaço for ventilado e o calor se
puder libertar para o exterior.
• Asfixia, se não existir renovação de ar no local, o decaimento das
chamas acontece, apesar das temperaturas se manterem
elevadas, podendo criar condições para que tenha lugar uma
explosão de fumo (dackdraft).
o Liberta-se monóxido de carbono, que é menos denso que
o ar, acumulando-se na parte superior do compartimento.
o Se acontecer um fornecimento brusco de comburente, o
monóxido de carbono reage repentinamente dando origem
ao backdraft.
o Esta situação evita-se através de uma ventilação correta
do local do incêndio.
• Combustão oculta
o Não produz chama visível, pois o comburente difunde-se lentamente e há
focos de combustão latentes muitas vezes invisíveis a partir do exterior.
o Este tipo de combustão ocorre geralmente em materiais porosos e que
formam uma massa com compostos de carbono quando aquecidos.
o Dada a baixa condutividade térmica dos materiais envolvidos, o calor fica
retido no seu seio.
o Exemplo: forros de mobília contendo algodão ou espuma de poliuretano; pilha
de aparas de madeira, serradura ou carvão que podem arder durante muito
tempo sem libertação de chama.

Extintores

• Métodos de extinção
o Limitação do combustível ou carência
Separar o combustível e a fonte de energia.
Para combustíveis sólidos é possível tentar diminuir a sua quantidade,
reduzindo as dimensões do incêndio, como por exemplo num
amontoado de aparas de madeira, papel ou plásticos.
Numa conduta de líquidos ou gases, pode-se cortar o acesso do
combustível ao local, através da manobra de válvulas colocadas em
locais estratégicos.
o Limitação do comburente (abafamento ou asfixia)
Impede o acesso do comburente à superfície do combustível.
Asfixia: consumo do comburente na combustão, não garantindo
renovação de ar, sem qualquer ação exterior. Por exemplo: fechar a
porta do quarto a arder.
Abafamento: limitação do comburente por ação exterior, impedindo a
renovação do ar. Por exemplo: fechar a tampa de uma panela.
o Limitação da temperatura ou arrefecimento
Eliminar a energia de ativação, provocando a diminuição da temperatura
abaixo da sua temperatura de inflamação.
Método mais empregue, utilizando frequentemente a água como agente
extintor.
o Inibição ou rutura da reação em cadeia
Impedir ou limitar a formação de radicais livres ou eliminá-los à medida
que se formam.
No caso da rutura da reação em cadeia, é fundamental complementar
esta ação com a eliminação de um dos lados do triângulo do fogo.
• Agentes extintores
o Água
Arrefecimento (absorvem o calor) e abafamento (impedem a entrada de
oxigénio entre o líquido e o fogo).
Jato: maior alcance ou penetração da água, usado quando o calor
impede a aproximação do pessoal de intervenção.
Pulverizada (chuveiro ou nevoeiro): menor alcance; maior poder de
arrefecimento, pois absorve maior quantidade de calor.
Uso de aditivos:
• Molhantes: aumentam a capacidade de penetração nos
materiais. Permitem um contacto mais eficaz e durável com o
combustível ao aumentar a tensão superficial da água. Por
consequência, as moléculas da água penetram melhor nos
materiais, resultando uma melhor absorção calorífica e maior
arrefecimento. Importantes em fogos resultantes de
hidrocarbonetos pesados;
• Emulsores: atuam sobre a tensão superficial da água, criando
bolhas estáveis (produção de espuma). AFFF – Agente Formador
de Filme Flutuante;
• Viscosificantes: aumentam a viscosidade e melhoram a
aderência a superfícies verticais. Inconvenientes relacionados
com uma menor capacidade de penetração, maiores perdas por
fricção nas mangueiras, problemas de limpeza do local após
extinção, etc. Empregues em incêndios florestais;
• Opacificantes: tornam a água opaca limitando a propagação do
calor radiado. Aumentam o poder refrigerante da água porque
diminuem a passagem do calor aos materiais vizinhos por
radiação através da água. Empregues em incêndios florestais.
Vantagens: abundante; de baixo custo; pode ser utilizada de diversas
formas; não é tóxica.
Desvantagens: boa condutora de eletricidade; não pode ser utilizada em
equipamentos elétricos sob tensão; provoca estragos; o vapor de água
produzido pode provocar queimaduras.
Fogos Classe A: a água pode ser utilizada em jato, com capacidade de
extinção melhorada se usada pulverizada.
Fogos Classe B: só pode ser usada na forma de chuveiro ou nevoeiro,
desde que o combustível tenha uma densidade superior à água.
Fogos Classe C: não se usa no combate direto, mas sim no
arrefecimento dos depósitos e outros materiais a ele expostos,
prevenindo a sua rutura e explosão.
Fogos Classe D: nunca se deve usar a água, dada a sua reação violenta
com os combustíveis envolvidos.
o Espumas
Arrefecimento (absorvem o calor) e abafamento (impedem a entrada de
oxigénio entre o líquido e o fogo).
A espuma, sendo menos densa que a maioria dos líquidos
combustíveis, fica à sua superfície.
Utilizados também para inundar espaços confinados cujas combustões
envolvem líquidos e/ou sólidos, e em revestimentos de superfícies
verticais.
Conhecidos como emulsores.
Classificação de acordo com o coeficiente de expansão da espuma
• Coeficiente de expansão é definido como a relação entre o
volume de espuma produzido o volume de solução emulsora
inicial. Por exemplo, se 1 L de solução emulsora (água +
espumífero) originar 8 L de espuma, o coeficiente de expansão
será de 8.
• Espuma de alta expansão (coeficiente maior que 200)
o Densidade muito baixa, são facilmente destruídas pelo
calor, podem ser arrastadas pelo vento.
o Devem ser utilizadas em espaços perfeitamente
confinados e fechados.
• Espuma de média expansão (coeficiente entre 20 e 200)
o Muito utilizada para proteger o líquido combustível, ficando
a espuma por cima do mesmo.
• Espuma de baixa expansão (coeficiente inferior ou igual a 20)
o Espuma mais densa, tem grande aderência, condutividade
elétrica semelhante à da água, é estável e resiste bem ao
arrastamento pelo vento.
o Destina-se a intervenções no exterior, quando a
aproximação ao incêndio é difícil, sendo usado em longas
distâncias.
Agentes: proteicos, fluorproteicos, sintéticos ordinários, sintéticos AFFF,
polivalentes.
Vantagens: boas propriedades adesivas; baixa viscosidade (fluem
rapidamente sobre as superfícies); resistem ao ataque químico do
combustível e ao calor libertado; possuem boa estabilidade/coesão.
Desvantagens: boas condutoras de eletricidade; não podem ser
utilizadas em equipamentos elétricos sob tensão.
o Pós químicos secos
Substâncias sólidas de cristais secos e finos.
Inibição da reação em cadeia.
São projetados com auxílio de um gás propulsor inerte não tóxico (azoto
ou CO2).
Classificam-se de acordo com o fogo-tipo (ABCD):
• ABC: compostos à base de fosfato de amónio;
• BC: compostos à base de bicarbonato de sódio ou potássio;
• D: compostos à base de grafite misturada com cloretos e
carbonetos.
Quando as chamas são eliminadas e permanecem as brasas que
poderão ativar novo incêndio, o pó químico seco atua por asfixia e
carência, fundindo-se e formando uma substância vítrea que envolve o
combustível e o isola do ar como se fosse um verniz.
Podem-se utilizar combinados com outros agentes extintores como as
espumas AFFF.
Vantagens: em certas circunstâncias são uma boa eficácia e alternativa
ao uso da água.
Desvantagens: diminuem a visibilidade; são eficazes em equipamentos
elétricos com tensões até 1000V, no entanto a sua recuperação é difícil
(produzem muitos resíduos corrosivos); não devem ser projetados sobre
explosivos, nitratos ácidos e ácidos concentrados.
o Gases sintéticos e inertes
Inertes: não são nem combustíveis nem comburentes.
• Azoto (N2)
o Abafamento;
o Pode ser usado em fogos da classe B (líquidos solúveis e
insolúveis) e em equipamento elétrico em carga;
o Desvantagens: algumas incompatibilidades com alguns
metais que ardem em atmosfera de azoto;
o Não é muito utilizado diretamente, mas sim como gás
propulsor nos extintores.
• Dióxido de carbono (CO2)
o Arrefecimento e abafamento;
o É o mais utilizado;
o Encontra-se parcialmente liquefeito à temperatura
ambiente, estando em dois estados físicos (líquido e
gasoso);
o Vantagens: não é condutor de eletricidade; possui elevado
poder de difusão; não deixa resíduos (pode ser usado em
equipamentos caros e sensíveis como documentos,
computadores, quadros elétricos, etc); não necessita de
propulsão auxiliar; atua de forma rápida e, devido à baixa
temperatura durante a expulsão, pode ser usado em
combustíveis líquidos com baixa temperatura de
combustão; pode ser usado em fogos classes BC e alguns
A;
o Desvantagens: diminuição da eficácia da aplicação
quando utilizado em temperaturas baixas; não pode ser
utilizado em fogos de classe D nem em incêndios que
envolvam materiais instáveis e oxigenados; aquando da
sua descarga as partículas de CO2 podem originar cargas
eletroestáticas suficientes para produzir faíscas capazes
de inflamar atmosferas.
o Terra
Utilizada em pequenos focos de incêndio, especialmente em áreas
rurais ou florestais.
o Areia
Aplicação genérica, condicionada pela sua disponibilidade no local.
• Classificação dos extintores
o Agente extintor
Água
• 6-9L;
• Jato/pulverizada;
• Pressão permanente ou não permanente.
Espuma
• Mistura espumosa à base de água;
• Pressão permanente ou não permanente.
Dióxido de carbono
• CO2 em estado liquefeito, armazenado sob pressão;
• Ao vaporizar atinge temperaturas de -78ºC;
• Pressão permanente (não utiliza o N2 como gás propulsor);
• Não possui manómetro (motivos económicos).
Pó químico seco
• ABC, BC ou D;
• Pressão permanente ou não permanente.
Hidrofluorocarbonetos
• Gás hidrofluorocarboneto liquefeito (HFC): hidrogénio, fluor,
carbono;
• Pressão permanente;
• Utilização em equipamentos de grande valor (computadores ou
telecomunicações);
• Inibição e abafamento.
o Mobilidade
Portáveis
• Manuais: até 20 kg
• Dorsais: até 30 kg
Transportáveis
• Puxados manualmente
o 20 a 100kg
o Pressão permanente ou não permanente (gás propulsor
em garrafa exterior)
• Rebocáveis
o De grande porte, atrelados a veículos
o Pressão não permanente (gás propulsor em garrafa
exterior)
o Modo de funcionamento
Pressão permanente
• Constante pressão;
• O agente extintor e o gás propulsor estão misturados no
recipiente;
• Geralmente N2 como gás propulsor;
• Possui manómetro (exceto no de CO2).
Pressão não permanente
• Pressurizado no momento de utilização;
• Gás propulsor em garrafa no interior ou exterior, geralmente CO2.
o Eficácia de extinção
Depende do fogo-tipo
o Identificação
Cor
Marcações (rótulo)

Construção Civil

• Tipos de edifícios:
o Habitacionais
o Estabelecimentos públicos
o Instalações industriais
o Mistos
• Materiais de construção
o Principais
Naturais: granito, basalto, calcário
Compostos: produtos cerâmicos (telhas e tijolos), ladrilhos, azulejos,
betão
Metais: ferro, aço, alumínio, latão
Madeira
o De ligação
Aéreos: endurecem por ação do ar (barro, cal aérea e gesso não
resistem à ação da água).
Hidráulicos: endurecem na presença de água (cal hidráulica, cimentos).
Hidrocarbonetos: endurecem por arrefecimento (asfaltos, alcatrões,
espumas).
o Auxiliares (desempenham funções de revestimento, decoração e outras)
Madeira
Metais
Vidros
Tinta
Vernizes
Cortiças
Polímeros plásticos (PVC ou PEAD)
• Organização dos edifícios
o Elementos estruturais
Mantêm o edifício de pé e suportam o esforço a que está sujeito.
As ações de forças a que os edifícios estão sujeitos designam-se por
cargas e podem ser de diversos tipos:
• Carga permanente: carga específica de qualquer construção,
onde se incluem os pesos de todos os elementos constituintes do
edifício (elementos estruturais, paredes, escadas, caixas de
elevadores, cobertura).
• Carga não permanente: outras cargas como pessoas, móveis,
veículos, equipamentos, que se designam por sobrecargas.
• Estáticas: as que se mantêm ao longo do tempo, como o peso
dos móveis.
• Dinâmicas: as que são aplicadas num curto espaço de tempo,
como as ações provocadas por sismos e vento.
• O efeito das alterações das cargas é mais notório em estruturas
metálicas.
Elementos:
• Lajes: elementos horizontais que recebem as várias cargas dos
pisos/pavimentos.
• Vigas: elementos horizontais que sustentam as lajes.
• Pilares: elementos verticais onde se apoiam as vidas e por vezes
as lajes.
• Paredes resistentes: elementos verticais onde por vezes se
apoiam as vigas e as lajes.
• Fundações/Sapatas: elementos inseridos no solo nos quais
descarregam e se apoiam os pilares e as paredes resistentes.
• Varandas: prolongamento da laje.
• Escadas: mais recentes em betão armado, são estruturais, pois
interligam-se com os elementos resistentes em redor (lajes,
vigas, pilares).
o Elementos não estruturais
Paredes exteriores ou fachadas: de maior espessura que as interiores,
designadas por paredes mestras.
Paredes interiores: de menor espessura, que servem para
compartimentar divisões interiores.
o Coberturas
Consiste em proteger a parte superior das construções.
Podem ser:
• Planas: tipo terraço com inclinações mínimas.
• Inclinadas: com pendentes mais pronunciados.
Elementos:
• Telhas
• Ripas
• Varas
• Cimalha de alvenaria
• Platibanda (função de impedir que pessoas ou objetos
escorreguem pelos telhados)
o Escadas interiores e exteriores
Inserem-se num espaço vertical que as envolve designado por caixa de
escada.
A caixa de escada funciona como uma câmara estanque a fumo, fogo e
gases.
Tipos:
• Principais
• De serviço
• De salvação
• De emergência
• De acesso à cobertura
• De acesso à chaminé
Elementos
• Corrimão
• Patim
• Espelho
• Degrau
• Patamar
• Caixa de escada
• Bomba de escada: facilita a propagação vertical do fumo e gases;
pode ser também utilizada pelos bombeiros para movimentar
mangueiras ou outros equipamentos.
Escadas protegidas: destinam-se à evacuação dos ocupantes do
edifício, podendo ser igualmente servidas pelos bombeiros.
o Elevadores
Utilizados em prédios com quatro ou mais andares.
Localizam-se em caixas próprias independentes das caixas de escada.
Transporte de pessoas.
Transporte de mercadorias.
• Estável ao fogo (EF)
o Aplica-se a elementos estruturais com função de suporte (pilares e vigas).
o Devem suportar as cargas para que foram dimensionadas e o aquecimento
excessivo a que estão sujeitos durante um certo tempo.
• Pára-chamas (PC)
o Evita a passagem de chamas, fumo e gases durante um certo tempo.
• Corta-fogo (CF)
o Evita o mesmo que o anterior e ainda mantém o isolamento térmico durante
um certo tempo.
• Tipos de construção
o Grupo A (edifício em pedra):
Anterior a 1755;
Paredes exteriores em pedra;
Piso e interiores em madeira;
Muito fraca resistência ao fogo e sismos.
o Grupo B (edifício em pedra com reforços):
Entre 1755 e 1880;
Paredes exteriores em pedra;
Interiores em madeira cobertos com argamassa;
Muito fraca resistência ao fogo e sismos.
o Grupo C (edifício em alvenaria de pedra e tijolo):
Entre 1880 e 1940;
Paredes exteriores em pedra e tijolo;
Pavimento em madeira e paredes em tabique (madeira no interior);
Escadas de serviço nas traseiras;
Fraca resistência aos sismos (pior que B).
o Grupo D (edifício com pavimento em betão armado):
Entre 1940 e 1960;
Edifício com maior número de pisos;
Pilares em ferro;
Exteriores e interiores em alvenaria (tijolo e pedra);
Maior resistência ao fogo e sismos.
o Grupo E (edifício em betão armado):
Posterior a 1960;
Estruturas em pórtico (betão armado);
Interiores em alvenaria (tijolo);
Grande resistência ao fogo;
Maior resistência aos sismos.
• Procedimentos de segurança
o Anomalias nas construções
Estruturais
• Deficiências no esqueleto
Não estruturais
• Deficiências em portas, janelas, divisórias de madeira e paredes
o Aspetos a ter em conta antes de entrar na estrutura:
Deformações excessivas nas fundações;
Deslocamento de pilares ou vigas;
Fendas, abaulamentos ou deformações excessivas em lajes e vigas;
Abaulamentos da cobertura;
Tetos e pavimentos quebradiços e moles;
Fendas abertas nas paredes;
Vidros ou janelas quebradiços;
Perda de cor das paredes e tetos;
Fumo a sair das paredes.
o Na deslocação no interior de edifícios:
Atenção à cobertura;
Estruturas metálicas são instáveis perante o fogo;
Pavimento deformado;
Apodrecimento da madeira.
o Deslocação em coberturas:
Atenção à inclinação, deterioração, acumulação de musgo;
Procurar telhas passadeiras;
Deslocar-se junto à platibanda se existir;
Colocar tábuas ou escada.
o Escoramentos:
Em caso de deformação ou sobrecarga sobre as estruturas do edifício;
Materiais (escoras, cunhas, jazentes, dormentes);
Cabos, macacos guinchos, escoras metálicas.
o Em desabamentos ou desmoronamentos:
Utilizar EPI e meios de comunicação rádio;
Escorar para evitar repetições;
Suspeitar de atmosferas não respiráveis;
Atenção a redes de água, gás e eletricidade.
Eletricidade

• Constituição da matéria (átomos, protões, neutrões, eletrões)


• Condutividade
o Bons condutores: deixam atravessar facilmente pelas cargas elétricas.
Exemplo: cobre, alumínio, ferro, água, prata, latão, mercúrio, etc.
o Maus condutores: quando as cargas elétricas se movimentam com
dificuldade ou não se movimentam. Exemplo: plásticos, madeira, borracha,
etc.
• Efeitos da passagem de corrente elétrica
o Calorífico (mais abordado): aquecimento do filamento de uma lâmpada
incandescente.
o Luminoso: emissão de luz proveniente da colocação ao rubro do filamento.
o Magnético: desvio da agulha magnética.
o Químico: decomposição da água em oxigénio e hidrogénio.
• Grandezas elétricas
o Intensidade
Corrente elétrica (movimento de eletrões do potencial positivo para o
negativo).
Intensidade nominal: cada recetor trabalha convenientemente com uma
determina intensidade.
Mede-se com amperímetro.
Representa-se por A (ampere).
Exprime-se por I.
Corrente contínua (corrente sempre no mesmo sentido) vs Corrente
alternada (corrente varia de sentido).
o Diferença de potencial ou tensão
Diferença entre dois pontos de um condutor, provocando o
aparecimento da corrente elétrica nesse condutor.
Todas as instalações e equipamentos são classificados em função da
mais elevada das tensões nominais existentes:
• Entre quaisquer dois dos seus condutores;
• Entre condutor e a terra.
Mede-se com voltímetro.
Representa-se por V (volt).
Exprime-se por U.
Lei de Ohm: U=RI.
o Resistência elétrica
Relação constante entre tensão e intensidade.
Depende:
• Da natureza do material;
• Do comprimento do condutor: quanto maior o comprimento, maior
a resistência;
• Da secção do condutor: quando maior a secção (largura), menor
a resistência.
Mede-se com ohmímetro ou voltímetro e amperímetro.
Representa-se por  (ohm).
Exprime-se por R.
o Potência
Gerador fornece energia às cargas elétricas.
Energia é a capacidade de produzir trabalho.
Potência é o trabalho realizado em cada unidade de tempo.
Mede-se com wattímetro ou amperímetro e voltímetro.
Representa-se por W (watt).
Exprime-se por P.
• Produção energia elétrica
o Centrais hidroelétricas
o Centrais termoelétricas
o Centrais eólicas
• Transporte de energia entre centro produtores e centro de consumo:
o Alta tensão
o Média tensão
o Baixa tensão
• Sistema de distribuição
o Redes primárias de distribuição (60 kV)
o Subestações de distribuição (SE)
Alta (U > 60 kV) ou média tensão (10kV < U < 45kV);
Transformadores com função de elevar ou diminuir a tensão;
Possuem órgãos de proteção, corte e comando;
Transformam a tensão da rede primária em tensões gerais (10-15-30
kV).
o Redes secundárias de distribuição (10-15-30 kV)
o Postos de transformação (PT)
Transforma média para baixa tensão (400/230V);
Tipo rural (PT aéreo), alvenaria, cabine baixa, prédio (restantes por
cabos enterrados);
Equipados com aparelhagem de corte e proteção (exceto os rurais);
Alimentam o quadro geral de baixa tensão;
Dois níveis de tensão (média e baixa tensão).
o Redes de distribuição de baixa tensão (BT; 400/230V)
Subterrâneas
• Valas ao longo dos passeios, assinaladas com fitas plásticas e
lajetas de betão;
• Condutores saem do quadro geral de baixa tensão do PT para
caixas de distribuição. Outros condutores protegidos por fusíveis
saem e alimentam instalações de utilização (prédios, lojas, etc).
Aéreas
• Condutores em feixe tipo torçada (alumínio) e suportados por
postes de alvenaria.
• Condutores
o Distribuição em média e baixa tensão.
o Condutor nu: não possui isolamento elétrico contínuo; normalmente cobre ou
alumínio.
o Condutor isolado: alma (cobre ou alumínio) condutora revestida por material
que assegura o isolamento elétrico.
o Cabo isolado: condutor isolado dotado de bainha ou conjunto de condutores
isolados devidamente agrupados.
o Condutores de fase (castanho/preto/cinzento; ainda existem
preto/preto/castanho e preto/castanho/castanho).
Transmissão de energia elétrica
o Condutor neutro (azul).
Ligado ao ponto neutro da rede, permite que a corrente elétrica circule.
o Condutor de proteção/terra (verde/amarelo).
Ligado à “terra”.
• Aparelhos de proteção contra sobreintensidades
o Fusíveis
Processo mais simples, colocado no início do circuito.
Características importantes:
• Calibre ou intensidade nominal;
• Tensão nominal;
• Poder de corte.
o Disjuntores
Aparelho de corte, comando e proteção, com atuação automática.
Características importantes:
• Calibre ou intensidade nominal: valor para que foi dimensionado,
suportando-o sem que haja disparo.
• Intensidade de funcionamento: valor limite da intensidade que faz
disparar o disjuntor.
• Poder de corte: valor máximo da intensidade que o disjuntor pode
interromper sem alterar as suas características físicas. Em geral,
é menor que os fusíveis.
• Tempo de resposta: intervalo compreendido entre o instante em
que é solicitado para atuar e o instante em que interrompe o
circuito.
• Instalações de utilização
o De baixa tensão (BT) podem ser:
Instalações de utilização de energia elétrica
• Origem da instalação de utilização
• Quadro de distribuição
o Possui um interruptor de corte geral
• Circuitos de utilização
• Aparelhos de utilização
Instalações coletivas de edifícios e entradas
• Serve diversas instalações de distribuição.
• Começa na portinhola ou no quadro de colunas e termina na
última caixa de coluna.
• Quadro de colunas
o Local onde se encontram os aparelhos de proteção contra
as sobreintensidades das colunas, sendo alimentado por
um ramal.
• Coluna principal
o Canalização elétrica coletiva com início no quadro de
colunas até à última caixa de coluna.
• Coluna derivada
o Canalização elétrica coletiva com início numa caixa de
coluna da coluna principal.
• Caixa de coluna
o Quadro existente numa coluna principal ou derivada para
ligação de entradas ou de colunas derivadas, contendo ou
não os respetivos aparelhos de proteção contra
sobreintensidades.
• Entrada
o Canalização elétrica de baixa tensão, monofásica,
compreendida entre uma caixa de coluna ou quadro de
colunas e a origem de uma instalação de utilização
(inquilino).
o Disposições regulamentares
Facilitam a intervenção em incêndios.
Cada edifício é dotado de um único quadro de colunas, trifásico, onde
se pode cortar a corrente elétrica, instalada no interior junto à entrada e
de fácil acesso:
• Caixa de corte geral;
• Caixa de barramentos;
• Caixa de proteção de saídas;
• Colunas estabelecidas nas zonas dos edifícios pata utilização
coletiva (escadas, patamares, corredores, etc);
• Trifásicas dotadas de condutor de proteção;
• Nas canalizações os tubos devem ser rígidos;
• Poderá haver uma ou mais colunas para alimentar as diversas
instalações de utilização;
• Caixas de coluna instaladas nos andares correspondentes às
instalações de utilização;
• Caixa de coluna instaladas entre 2 m e 2,8 m acima do pavimento;
• No interior das caixas de coluna, o ligador destinado ao neutro
deve ser identificado pelo símbolo N e o ligador de massa (terra)
por símbolo próprio.
• Eletricidade estática
o Contacto de duas substâncias más condutoras diferentes, seguido da sua
separação e isolamento elétrico por meio de uma substância não condutora
(ar).
• Efeitos fisiológicos da corrente elétrica
o O perigo resulta da intensidade da corrente, não da tensão.
o O resultado da passagem da corrente elétrica depende:
Intensidade da corrente;
Duração do efeito;
Percurso e variação brusca da corrente.
o Formas de sentir a corrente elétrica
Perceção (formigueiro);
Limite de largar (máximo que se aguenta até largar ~ 10 mA);
Com o aumento da intensidade da corrente elétrica começam a
processar-se contrações musculares.
• Contactos diretos
o Quando os condutores nus a tensões diferentes são tocados diretamente ou
quando uma aparelhagem elétrica que se encontra em tensão é tocada.
• Contactos indiretos
o Quando se toca na massa ou numa parte de uma estrutura dos equipamentos
elétricos que possam ficar sob tensão em caso de se verificar um defeito de
isolamento nos condutores.
• A proteção contra estes contactos é feita na ligação à terra
• Acidentes de origem elétrica
o Cegueira temporária ou definitiva (provocada pela formação do arco elétrico).
o A corrente elétrica pode causar ferimentos e/ou morte.
o Acidentes de alta tensão pode provocar:
Queimaduras por contacto (tocar num condutor em tensão);
Queimaduras por arco (resultam da faísca provocada, podendo atingir a
vítima, causando ferimentos graves).
o A passagem da corrente elétrica através de um músculo leva a que este fique
sujeito a uma série de sucessivos choques.
o Contração muscular provocada pela passagem de corrente elétrica pode
afetar músculos respiratórios, levando a asfixia e perda de consciência.
o Quando a corrente elétrica passa pelo músculo cardíaco pode acontecer a
fibrilhação ventricular, dando origem à paragem da circulação sanguínea e
consequentes lesões cerebrais.
o Sobreintensidades (energia libertada nos condutores sob a forma de calor)
são devidas a:
Sobrecarga
• Aumento, para além do admissível, da corrente que percorre o
condutor.
Curto-circuito
• Ligação acidental entre pontos do mesmo circuito que se
encontravam a tensões diferentes.
Defeito de isolamento
• Ligação acidental, por falha de isolamento, entre dois pontos que
podem não pertencer ao mesmo circuito.
Resistência elétrica
• Resultante de uma ligação elétrica através de um contacto
defeituoso.
• Procedimentos de segurança
o Proceder à sinalização do local da intervenção.
o Observar as recomendações emanadas pelo distribuidor.
o Utilizar o extintor adequado para cada caso, em função da tensão de serviço.
o Ter muita atenção aos fios condutores e a toda a instalação elétrica.
o Para afastar a vítima do contacto com o condutor em tensão.
Cortar imediatamente a corrente se existir um aparelho de corte no local;
Se não houver aparelho de corte, provocar um curto circuito para obter
o mesmo efeito;
Se não for possível cortar a corrente, proteger-se utilizando materiais
isolantes adequados ao nível da tensão (luvas, varas, tapetes, etc);
Presença de humidade tornar os materiais condutores;
Não se colocar em contacto direto ou por intermédio de outros
condutores com a peça em tensão.
o Subestações
Por razões de segurança, está interdita a entrada aos bombeiros até
indicação em contrário do responsável pela rede de distribuição.
o Queda de uma linha de alta ou média tensão
Não tocar nem avançar com qualquer solução sem primeiro ter
conhecimento do “isolamento” da referida linha, feito por pessoal
especializado do distribuidor.
Para tensões superiores a 30 kV ou quando os condutores estiverem
em contacto direto com o solo ou através do apoio, os bombeiros não
se devem aproximar a menos de 12 m dos pontos de contacto, até que
seja desligada a corrente.
• Isolar a zona onde a linha se encontra caída e chamar o piquete
do distribuidor.
o Incêndio no interior de um posto de transformação
A entrada é sempre condicionada às orientações técnicas do
distribuidor.
Os incêndios ocorrem geralmente no quadro geral de baixa tensão ou
no transformador.
Não usar água, utilizar pó químico quando a tensão máxima é de 1000
V.
o Incêndio em instalação de baixa tensão a montante da alimentação do edifício
Não efetuar corte na rede sem a presença do piquete do distribuidor.
Não sendo possível a presença do piquete, atuar no ramal que alimenta
a instalação cortando-o no ponto mais baixo, enrolando o condutor ao
poste.
Utilizar equipamento de proteção adequado.
o Queda de um condutor de torçada
Movimentar o condutor com relativa facilidade, deixando-o devidamente
assinalado.
o Incêndios em edifícios
Retirar os fusíveis dos quadros de colunas ou da portinhola, sempre
munido do saca fusível.
Retirando os fusíveis da portinhola, corta-se a corrente a todo o edifício.
• Uso e conservação do equipamento de segurança
o Equipamentos utilizados nas intervenções onde exista a presença de corrente
elétrica:
Croque e vara isolantes;
Luvas isolantes;
Tapete isolante;
Verificador de tensão;
Escadas portáteis.

Hidráulica

• Estados físicos da água


o Sólido (< 0ºC)
o Líquido (0ºC < ºC água < 100 ºC)
o Gasoso (> 100 ºC)
• Pressão
o Quociente entre uma força e a secção (superfície) sobre a qual está aplicada
(P=FxS).
o Quanto maior a secção (superfície), menor a pressão exercida.
o Pressão hidrostática (pressão de um líquido em repouso sobre a superfície
do recipiente que o contém).
o A pressão de um líquido exerce-se sempre perpendicularmente à superfície
do recipiente que o contém.
o A pressão num ponto no seio de um líquido exerce-se igualmente em todas
as direções.
o A pressão de um líquido num recipiente aberto é proporcional à altura de
líquido e à sua densidade.
o A pressão que um líquido exerce sobre o fundo do recipiente que o contém é
independente da forma desse recipiente.
• Caudal (ou débito)
o Volume de líquido que se escoa num tubo ou conduto em cada unidade
tempo.
o Mede-se, normalmente, em litro por minuto (L/min).
o Q=SxV.
o Na mesma secção, quanto maior for a velocidade de escoamento, maior será
o caudal.
o Numa conduta ou mangueira sem derivações, o caudal é sempre o mesmo
em qualquer ponto independentemente da sua secção nesse ponto.
Se a secção diminuir de um ponto para o outro, o caudal será o mesmo,
a velocidade aumentará.
o Quando há derivações numa conduta ou mangueira, o caudal na conduta ou
mangueira original é igual à soma dos caudais nas derivações.
O caudal em cada derivação vai ser menor, a secção vai ser menor e a
velocidade vai ser maior.
Q0=Q1+Q2.
• Sistema público de abastecimento de água
o Composto por:
Captação de água
• Origem natural: rios, lagos, ribeiros, nascentes
• Origem artificial: barragens, furos
Sistemas de bombagem
Instalações de tratamento (ETAs), localizadas perto dos depósitos de
água.
Condutoras adutoras (de diâmetro maior) que transportam a água até
às estações.
Meios de armazenamento (reservatórios), os quais devem dispor de
uma reserva para serviço de incêndio (RGSPPDADAR).
Condutas de distribuição (de diâmetro menor).
• Rede de distribuição de água
o Composta por:
Canalizações gerais
• Dispostas em troços, com válvulas de seccionamento.
Torneiras de zona
• Válvulas de seccionamento destinadas a cortar o abastecimento
a cada troço.
• Existem ainda torneiras de ligação destinadas a controlar o
abastecimento entre troços distintos das canalizações gerais,
nomeadamente quando se pretende um reforço de
abastecimento a um deles.
Ramais de ligação
• Edifícios e diversos equipamentos isolados (chafarizes, tomadas
de água para serviço de incêndio, etc) servidos pela rede de
distribuição estão ligados ao respetivo troço das canalizações
gerais através de uma canalização dedicada (privativa)
designada por ramal de ligação.
• No início desse ramal está normalmente montada uma válvula de
seccionamento.
o Componentes da distribuição de água a um edifício:
Torneira de suspensão (ou torneira de curva)
• Válvula para corte de abastecimento ligado ao ramal de ligação,
localizada na via pública o mais próximo possível do ponto de
ligação entre o ramal e a canalização geral.
Torneira de passagem (boca de incêndio)
• Destinada a cortar o abastecimento a todo o edifício, situada na
fachada ou num dos muros que o delimitam.
• Normalmente está inserida numa boca de incêndio de fachada.
Tronco principal
• Canalização comum dentro do edifício.
Ramificação domiciliária
• Canalizações dedicadas a cada um dos diferentes consumidores,
que derivam do tronco principal.
Torneira domiciliária
• Válvula de corte de abastecimento ao respetivo consumidor, que
está ligada à ramificação domiciliária.
Torneira de segurança e contador
• Ligados ao fim da respetiva ramificação domiciliária.
• Rede pública para serviço de incêndio
o Equipamentos da rede pública (equipamentos ligados a tubagens (ramais de
ligação) que derivam das canalizações gerais da rede pública):
Hidrantes
• Bocas-de-incêndio
o Situam-se geralmente nas paredes dos edifícios ou nos
muros que os delimitam.
o São protegidos por portas fechadas (portinholas) das quais
os bombeiros possuem as respetivas chaves.
o Possuem diâmetros de 45mm ou de 38mm.
o Devem estar ligadas à canalização geral por tubagem de
diâmetro nunca inferior a 40mm.
o Possuem uma torneira de passagem, encontrando-se
permanentemente em carga.
• Marcos de incêndio ou marcos de água
o Disponibilizam maior caudal de água.
o Devem estar ligados à canalização geral por tubagem
nunca inferir a 90mm.
o 3 tipos:
Alba – 1970: mais antigo, duas saídas laterais de
45mm e uma saída frontal de 90mm.
Pont-a-Mousson: duas saídas laterais (uma de 45mm
e outras de 70mm) e uma saída frontal de 90mm.
Fresaco – duas saídas laterais (uma de 60/50mm e
outra de 65/70mm) e uma saída frontal de 90mm.
Bocas-de-rega
• Equipamentos não dedicados ao serviço de incêndio, mas podem
ser utilizadas.
• Disponibilizam um caudal inferior.
• Possuem uma saída que poderá ser adaptada às mangueiras de
45mm.
• Estão inseridas em caixas nos passeios e dispõem de uma
válvula de corte normalmente fechada.
• Devem estar ligadas à canalização geral por tubagem de
diâmetro nunca inferior a 20mm.
• Água para extinção de incêndios
o Reabastecimento e bombagem
Fontes de reabastecimento:
• Mananciais
o Necessitam de operação de bombagem.
o Exemplos: pontos de água naturais ou artificiais.
• Tomadas de água
o Não necessitam de operação de bombagem.
o Exemplos: hidrantes e bocas-de-rega.
Reabastecimento direto dos hidrantes
• Quando a fonte de reabastecimento está a menos de 50m dos
veículos de combate.
Reabastecimento por manobra de trasfega entre bombas
• Quando a fonte de reabastecimento está entre 50 e 200m dos
veículos de combate.
• Transporte de água através de linhas de mangueira
(normalmente duas ou mais linhas de 70mm), recorrendo à
associação entre bombas em cadeia.
Reabastecimento por manobra de vaivém de veículos tanque
• Quando a fonte de reabastecimento está a mais de 200m dos
veículos de combate.
• Requer coordenação e disponibilidade de veículos tanque em
número suficiente.
o Transporte e aplicação
O transporte de água, quer da fonte de abastecimento quer para
aplicação, efetua-se através de linhas de mangueira de baixa pressão
(lanços flexíveis com 20 m de comprimento) e diâmetros nominais de
DN25, DN38/45, DN70.
O transporte de água para aplicação efetua-se também através de
lanços de mangueira de alta pressão (semirrígida DN25) montada em
carretel.
• Ligadas permanentemente à instalação hidráulica do veículo,
prontas a ser utilizadas.
• Têm um alcance de 60m.
• Utilizadas preferencialmente em focos de incêndio nascentes de
pouca intensidade, nomeadamente ao ar livre.
O recurso a mangueiras flexíveis apresenta a vantagem de se efetuar:
• Desdobramentos (disjuntores).
• Associações de linhas de mangueiras (conjuntores).
o Utilizam-se principalmente nas linhas de mangueira para
abastecimento.
• Redução de diâmetro (redutores).
o Permitem a passagem de uma mangueira de calibre maior
para uma de calibre menor.
A aplicação de água na extinção de incêndios faz-se através de
agulhetas, sob a forma de jato ou pulverizada.
• Golpe de aríete (ou choque hidráulico)
o Fenómeno que ocorre quando o caudal de água é bruscamente interrompido
através de alterações (elevações alternadas com diminuições) bruscas de
pressão. Por exemplo, quando se fecha bruscamente uma válvula ou
agulheta.
• Perdas de carga
o Contínuas: Podem ocorrer uma vez que as faces interiores das paredes de
uma mangueira (ou conduta) não são perfeitamente lisas, apresentando
rugosidades que vão provocar atrito na passagem de água. Verificam-se ao
longo dos troços contínuos das mangueiras (ou condutas).
o Localizadas: Verificam-se em todos os acessórios que existam no troço a
percorrer pela água (curvas, válvulas, disjuntores, etc).
o Também podem ocorrer por perdas de pressão derivado a desníveis. Por
exemplo quando o incêndio se localiza num prédio muito alto.
• Instalações hidráulicas privativas do serviço de incêndio
o Sistema de extinção automática por água (sprinklers)
Destinam-se à primeira intervenção, com objetivo de dominar ou
extinguir incêndios nascentes.
Funcionam automaticamente quando a temperatura atinge um
determinado valor, dispersando água sob a forma pulverizada.
• A saída encontra-se obturada por uma ampola contendo gás ou
líquido altamente expansível sob a ação do calor, destruindo-se
quando a temperatura ultrapassa um determinado valor.
• O obturador também pode ser constituído por um elemento
fusível.
É também acionado um alarme, podendo ter também função de deteção
de incêndios.
Devem cobrir toda a área a proteger e normalmente só atuam na área
do foco de incêndio.
o Rede de incêndio armada (RIA)
Destina-se à primeira intervenção, estando o sistema sempre em carga.
Funciona manualmente e possui bocas-de-incêndio armadas prontas a
utilizar, normalizadas com DN25, DN45, DN70.
Dispõe de um lanço de mangueira com junções com agulheta
permanentemente ligada, enrolado num carretel ou suporte.
Possui chave de manobra
As mais utilizadas são:
• Tipo carretel (DN25) com mangueira semirrígida;
• Tipo teatro (DN45/50) com mangueira flexível.
o Caso particular dos sprinklers e RIA:
Devem ser alimentadas a partir de um reservatório de água próprio
dotado de bombas para elevação da pressão. Porém, em certos casos,
são alimentados da rede pública de abastecimento, o que não oferece
garantias de bom funcionamento, devido à eventual insuficiência de
pressão ou mesmo falha de água.
Poderão existir entradas de água situadas na fachada do edifício ao
nível de acesso dos veículos dos bombeiros destinadas a funcionar
como meio suplementar de abastecimento (entrada de coluna húmida).
o Rede húmida
Destina-se a facilitar a intervenção dos bombeiros.
Está permanentemente em carga e é alimentada pela rede pública ou
por depósito e grupo supressor de serviço de incêndio.
Possui uma entrada no exterior de edifício para alimentação a partir das
linhas de mangueira dos bombeiros.
Possui bocas-de-incêndio (saídas) com válvula, distribuídas pelos pisos
do edifício.
Pode estar ligada à RIA.
o Rede seca (coluna seca)
Destina-se a facilitar a intervenção dos bombeiros.
• Dispensa a manobra morosa de montagem de mangueiras pela
caixa de escada.
Não está em carga (seca).
Possui uma entrada no exterior do edifício, para alimentação a partir das
linhas de mangueira.
• Possui uma tomada de abastecimento (DN70) situada na
fachada, ao nível do acesso dos veículos, que permite o
acoplamento de mangueiras para a sua alimentação a partir
desses veículos.
Possui bocas-de-incêndio (saídas) de 45 mm não armadas, com válvula
de manobra, distribuídas pelos pisos do edifício.
É instalada em edifício com altura entre 9 e 29m, ou com dois ou três
pisos abaixo do solo.
• Bombas centrífugas
o Funcionam impulsionando a água que se encontra no seu interior, conferindo-
lhe pressão suficiente para a movimentar, através de mangueiras (ou
condutas) até aos pontos de utilização.
o O funcionamento de uma bomba centrífuga em aspiração implica a existência
de um processo que provoque a elevação da água até atingir o corpo da
bomba, que se designa por ferrar a bomba.
Este processo consiste em retirar o ar que se encontra no seu corpo e
nos chupadores.
Quando a água atinge o corpo da bomba, completa-se o processo de
ferra.
o Têm de ser instalados chupadores (ou absorvos) para se aspirar a água de
um manancial.
• Redes de águas residuais
o Redes de águas residuais interiores
Domésticas: sanitas, chuveiros, bidés, cozinha, máquinas de lavar, etc
(encaminhadas para o esgoto e conduzidas deste para a rede geral
exterior).
Pluviais: água da chuva recolhida em caleiras e algerozes (colhida por
tubos de queda e conduzida para a rede geral exterior).
Em certas zonas, o esgoto doméstico é lançado em fossas sépticas.
o Redes de águas residuais exteriores
Podem funcionar de três modos:
• Constituindo sistemas separados: um para as redes de esgotos
domésticos e outro para os pluviais.
• De forma unitária em que a rede geral recolhe os esgotos
domésticos e os pluviais.
• Em sistema misto, onde há a conjugação dos sois sistemas.
O destino destas águas é a ETAR – Estação de Tratamento de Águas
Residuais.
Inundações
• As redes pluviais compreendem equipamentos com sarjetas e
sumidouros ligados às caixas de visita que recolhem as águas da
chuva.
• Se forem obstruídos por qualquer motivo, deixam de poder
escoar as águas, situação que provoca o alagamento das áreas
circundantes.
• As inundações surgem depois de grandes chuvadas e
caracterizam-se por propiciarem o aparecimento de grandes
concentrações de água num curto espaço de tempo, entupindo
os sistemas de recolha da água das chuvas.
Segurança
• Nas redes de esgoto existem atmosferas tóxicas, sendo
frequente gases como o monóxido de carbono, o metano e o
ácido sulfídrico, resultantes da decomposição de produtos
orgânicos. Além de tóxicos, alguns são altamente explosivos.
• Procedimentos de segurança
o Utilizar vestuário e equipamento de proteção individual
adequado, incluindo o ARICA.
o Só aceder a esses locais em equipas com o mínimo de
dois bombeiros.
o Utilizar aparelhos de deteção e medida.
o Ter o cuidado de só utilizar equipamentos elétricos
(lanternas) anti-deflagrantes.
o Não transportar rádios portáteis nem telemóveis para
esses locais.
Matérias Perigosas

• Os riscos inerentes às matérias perigosas estão associados à formação de

atmosferas perigosas, as quais podem decorrer de diversas situações tais como:

o Acidentes que envolvam derrames, fugas ou emissões de substâncias

perigosas;

o Tipo de processo de fabrico em que são utilizadas;

o Incêndios que envolvam substâncias perigosas.


• Uma atmosfera explosiva consiste na presença de gases ou vapores inflamáveis

ou combustíveis misturados com o ar em proporções dentro dos respetivos limites

de inflamabilidade/explosividade.

• A toxicidade é a capacidade relativa de uma substância causar danos aos tecidos

biológicos. Uma atmosfera tóxica é caracterizada pela presença de uma substância

tóxica no ar, podendo ocasionar danos graves, agudos ou crónicos, ou mesmo a

morte, por inalação ou por via cutânea.

• Existem critérios, valores limite estabelecidos, os quais não devem ser

ultrapassados de forma a preservar a saúde das pessoas quando expostas a

substâncias tóxicas.

o O TLV (Thershold Limit Value) assume valores a longo e curto prazo:

A longo prazo, designa-se por NAC (Nível Admissível de Concentração)

– concentração média ponderada para um dia normal de trabalho de oito

horas durante cinco dias por semana, à qual as pessoas podem ser

repetidamente expostas, dia após dia, sem efeitos adversos;

A curto prazo, designando-se por:

o STEL (Short Term Exposure Level) – concentração máxima à

qual é permitida a exposição de uma pessoa de forma contínua,

durante um período de 15 minutos até quatro vezes ao dia;

o IDLH (Immediatly Dangerous for Life and Health) – concentração

imediatamente perigosa para a vida ou para a saúde da pessoa


exposta, da qual se pode sair sem ocorrência de quaisquer sinais

ou sintomas de intoxicação e sem originar efeitos irreversíveis

para a saúde.

• Legislações

o ADR: Acordo Europeu relativo ao Transporte Internacional de Mercadorias

Perigosas por Estrada;

o RID: Regulamento relativo ao Transporte Internacional Ferroviário de

Mercadorias Perigosas;

o RPE: Regulamento Nacional do Transporte de Mercadorias por Estrada;

o OMI: Organização Marítima Internacional;

o IATA: International Air Transport Association.


• Cada veículo que efetue transportes abrangidos pelo ADR/RPE deve ser portador

dos seguintes documentos:

o Documento de transporte com descrição da matéria transportada, redigido

nas línguas do país de origem e em francês, inglês ou alemão;

o Ficha de segurança correspondente a cada matéria perigosa, redigida nas

línguas dos países de origem, trânsito e destino;

o Certificado de aprovação do veículo;

o Certificado de formação do condutor.

• Uma característica das matérias perigosas é a sua elevada capacidade para


reagirem com outras substâncias. Estas reações entre matérias assumem formas
violentas (explosões) ou geram produtos tóxicos que podem agredir a vida humana
por ingestão, inalação ou via cutânea.
• Os perigos originados pelas matérias perigosas dependem também muito do
estado físico em que as mesmas se encontram. É muito importante conhecer a
densidade dos gases em relação ao ar, pois os mais densos tendem a introduzir-
se em sumidouros, aberturas no solo e caves, ocupando os espaços mais baixos
e constituindo assim perigo de contaminação e de inflamação ou, quando
confinados, de explosão.
• Classificação das matérias perigosas (de acordo com o ADR):
o Classe 1: Matérias e objetos explosivos

Substâncias que têm capacidade para, com a aproximação e contacto

com uma fonte de energia externa, provocar uma libertação rápida e

violenta de gases e calor (explosão), sendo muito sensíveis a choques,

fricções e elevações de temperatura;

Divisão de perigo 1.1 (um dos mais perigosos):

o Zona de interdição: 1000m;

o As munições e substâncias explosivas deflagram em massa;

o As áreas circundantes correm grande risco de serem atingidas

por estilhaços e fragmentos, bem como pela onda de choque;

o Deve contar-se com forte destruição nas áreas circundantes;


o Incêndio quando em desenvolvimento não pode ser combatido,

retirar para distância de segurança.

Divisão de perigo 1.2:

o Zona de interdição: 1000m;

o As munições e as substâncias explosivas deflagram;

o Embora não ocorra uma explosão massiva com o

desenvolvimento do incêndio, vão ocorrendo explosões com

intervalos de tempo cada vez mais curtos;

o As áreas circundantes estão ameaçadas de serem atingidas por

estilhaços e fragmentos, bem como pelo fogo;

o Incêndio quando em desenvolvimento não pode ser combatido,

retirar para distância de segurança.

Divisão de perigo 1.3:

o Zona de interdição: 500m;

o As munições e as substâncias explosivas deflagram ou explodem

com grande formação de chamas e grande desenvolvimento de

calor;

o Perigo de incêndio intenso;


o As áreas vizinhas próximas estão em perigo de serem atingidas

pelo calor, chamas e fragmentos incandescentes das munições e

das respetivas embalagens;

o Incêndio quando em desenvolvimento pode ser combatido com

equipamento de proteção.

Divisão de perigo 1.4:

o Zona de interdição: 500m;

o As munições representam um razoável risco de incêndio;

o Os riscos limitam-se às embalagens e respetivos conteúdos;

o As áreas vizinhas próximas estão em risco de serem atingidas

pelo calor radiado pelo fogo;


o Geram-se fragmentos e estilhaços isolados com pouco alcance;

o Incêndio quando em desenvolvimento pode ser combatido com

equipamento de proteção.

Divisão de perigo 1.5 (um dos mais perigosos):

o Zona de interdição: 1000m;

o Muito pouco sensível, mas uma vez iniciado o processo passa a

existir risco de explosão;

o Incêndio quando em desenvolvimento não pode ser combatido,

retirar para distância de segurança.

Divisão de perigo 1.6:

o Zona de interdição: 500m;

o Substâncias muito pouco sensíveis, que não representam perigo

de explosão;

o As explosões estão limitadas a cada um dos artigos ou objetos;

o Incêndio quando em desenvolvimento pode ser combatido com

equipamento de proteção.

o Classe 2: Gases
Os gases destinados à utilização doméstica, industrial, medicinal, etc.,

são liquefeitos, uma vez que neste estado ocupam muito menos espaço,

com vantagens para o seu transporte e armazenamento. A compressão

dos gases concentra muita energia, o que aumenta o perigo e exige

recipientes com maior resistência. São exemplos o butano, o propano,

o cloreto de vinilo, o cloro e o óxido de etileno.

Classificados de acordo com:

o Propriedades químicas

o Gases inflamáveis (propano, butano, gás natural);

o Gases não inflamáveis (dióxido de enxofre);

o Gases oxidantes (oxigénio);


o Gases inertes (azoto, dióxido de carbono; podem ser

asfixiantes);

o Gases reativos (flúor; reagem com outras substâncias ou

entre eles próprios);

o Gases tóxicos (cloro, amoníaco, monóxido de carbono);

o Gases corrosivos (ácido clorídrico).

o Propriedades físicas

o Gases comprimidos, no estado gasoso, sob pressão e à

temperatura ambiente dentro do contentor (oxigénio e

acetileno);

o Gases liquefeitos, sob o efeito de aumento de pressão ou

de abaixamento de temperatura. São muito mais

concentrados do que os gases comprimidos (oxigénio

líquido refrigerado);

o Gases criogénicos são liquefeitos dentro de um contentor,

a uma temperatura muito abaixo da temperatura ambiente

(oxigénio, azoto, árgon, dióxido de carbono).

o Utilização
o Gases inflamáveis para o uso doméstico e industrial (gás

natural, GPL);

GPL: gases de petróleo liquefeito, por exemplo

propano e butano;

O gás natural é menos denso que o ar, por isso

dissipa-se facilmente;

Os GPL são mais densos que o ar, por isso

acumulam-se junto ao solo;

Podem ser agrupados em três famílias:

• Gás de cidade, menos denso;

• Gás natural, mais denso que o gás de cidade;


• Propano comercial, mais denso que o gás

natural; e butano comercial, mais denso que o

propano.

o Gases industriais, utilizados em soldadura, cortes,

processos químicos, refrigeração, tratamento de águas

(árgon, acetileno, cloro);

o Gases medicinais, utilizados em anestesia e terapia

respiratória (ciclopropano, oxigénio, protóxido de azoto).

Armazenamento dos gases combustíveis

o Difere consoante o tipo de gás:

o Gás natural (menos denso que o ar): é armazenado

refrigerado em reservatórios aéreos ou enterrados;

o Gás de petróleo liquefeito (mais denso que o ar) é

armazenado em reservatórios fixos ou amovíveis,

podendo os fixos ser aéreos ou enterrados.

o De modo a permitir adequado funcionamento, os reservatórios

aéreos são equipados com um conjunto de acessórios de

regulação, controlo e segurança:


o Válvulas de segurança;

o Manómetro;

o Indicador de nível variável e de nível máximo;

o Válvula de enchimento;

o Válvula de saída de fase líquida;

o Válvula de saída de fase gasosa;

o Válvula de purga.

o Os reservatórios aéreos ou superficiais são equipados com um

sistema de rega de controlo automático e manual, que tem por

finalidade a refrigeração dos mesmos, evitando a subida de

pressão no seu interior e o consequente disparo das válvulas de


segurança em períodos de temperatura elevada. Asseguram

ainda uma proteção em caso de acidente;

o Garrafas de GPL: Devido às suas características físicas, o butano

é fundamentalmente utilizado nas instalações para usos

domésticos. A aplicação mais corrente das garrafas G26,

contendo 13 Kg de butano, é no interior do local habitado,

alimentando fogão e esquentador domésticos;

o Cabinas para garrafas: as garrafas de propano não podem ser


utilizadas no interior de habitações estando particularmente
indicado para instalações industriais e semi-industriais. Devem
ainda ser construídas acima do nível do solo em materiais
incombustíveis com portas a abrir para fora e persianas de
ventilação. A sua implementação não deve permitir, em caso de
fuga de gás, a acumulação deste, através de portas, janelas,
esgotos, poços ou outros, em dependências adjacentes que se
encontrem situadas ao mesmo nível ou abaixo do pavimento.
Redes de distribuição de gás
o Constituídas pelos seguintes elementos:
o Fonte de abastecimento – tanto pode ser um ramal de uma
rede pública de distribuição como de um posto direto
constituído por um reservatório fixo ou uma cabina de
garrafas;
o Tubagem – em diversos materiais, com diâmetros
normalizados, condicionados ao tipo de gás usado e ao
local de aplicação;
o Dispositivos de corte e regulação – destinam-se a regular
a pressão de distribuição do gás e a abrir ou cortar a
passagem do combustível para qualquer ramal;
o Contadores – destinam-se a medir o consumo de gás em
redes.
o As redes de distribuição externas são quase sempre enterradas,
devendo ser montadas em lugares facilmente acessíveis,
evitando-se a sua colocação sob lajedos, plantações, etc. No
estabelecimento do traçado de uma instalação enterrada, as
tubagens devem ser colocadas de preferência sob passeios,
áreas de jardim e passagens entre edifícios;
o Na rede de distribuição interna, as instalações de gás em edifícios
têm início no dispositivo de corte geral ao edifício, e prolongam-
se pela coluna montante, pelos dispositivos de seccionamento,
derivações e contadores, até às válvulas de comando dos
aparelhos de queima. O dispositivo de corte geral deve ser do tipo
de corte rápido e, uma vez acionado, só deve poder ser rearmado
pela empresa distribuidora. Este dispositivo deve ficar instalado
numa caixa de visita fechada, permanentemente acessível e
assinalada com a palavra «GÁS»;
o As colunas montantes podem ser instaladas nos espaços
interiores de uso comum dos imóveis de habitação coletiva, mas
nunca pelo interior das habitações. Se forem exteriores devem
ser protegidas mecanicamente e contra a corrosão;
o Deve existir um dispositivo de corte imediatamente antes do
ponto de entrada da tubagem no interior de cada habitação. Além
do dispositivo de corte geral, as instalações devem dispor de
outros dispositivos de corte nos seguintes pontos típicos:
o No início de cada derivação de piso;
o A montante de cada contador de gás e de cada aparelho
de queima;
o Na entrada da tubagem em cada habitação ou fogo, se o
contador estiver instalado a mais de 20 m desse local.
o Classe 3: Líquidos inflamáveis

Abrange os combustíveis líquidos nos quais o que arde são os vapores

resultantes da sua evaporação em contacto com o ar.

Para além do ponto de inflamação, é importante considerar igualmente

a temperatura de ignição ou auto-inflamação, o campo de


inflamabilidade, a taxa de evaporação, a reatividade quando sujeito a

aquecimento, a densidade e a taxa de difusão do vapor.

Engloba as seguintes matérias líquidas:

o Inflamáveis;

o Inflamáveis tóxicas;

o Inflamáveis corrosivas;

o Inflamáveis tóxicas, corrosivas;

o Explosivas dessensibilizadas.

o Classe 4.1: Matérias sólidas inflamáveis, matérias auto reativas e matérias

explosivas dessensibilizadas sólidas

Abrange as matérias sólidas não explosivas, mas que se inflamam com


facilidade ou poderão provocar ou ativar incêndios por fricção.

Para que a generalidade dos combustíveis sólidos entre em combustão,

estes têm que passar pela decomposição química (pirólise), durante a

qual libertam gases e vapores que formam com o ar misturas

inflamáveis, dentro dos limites de inflamabilidade.

A velocidade de propagação da chama é cerca de dez vezes superior à


da madeira e a sua combustão é, em muitos casos, caracterizada pela
rápida formação de grandes quantidades de fumo muito denso, negro e

com grande quantidade de fuligem.

Qualquer incêndio que envolva plásticos liberta como produtos de

combustão substâncias letais, desenvolve temperaturas muito elevadas

e podem ser libertados gases de elevada toxicidade, tais como

monóxido de carbono, ácido cianídrico, ácido clorídrico, fosgénio, etc.

Os termoplásticos, quando aquecidos, tendem a fundir-se tornando-se

numa pasta que se desloca em incandescência ao longo do solo.

Os gases corrosivos libertados na combustão do PVC (cloreto de

polivinilo) atacam a superfície dos metais, enfraquecendo a sua

resistência mecânica.
Engloba as seguintes matérias:

o Sólidas inflamáveis;

o Sólidas inflamáveis tóxicas;

o Sólidas inflamáveis corrosivas;

o Auto reativas;

o Explosivas dessensibilizadas sólidas.

o Classe 4.2: Matérias sujeitas a inflamação espontânea

Podem inflamar-se espontaneamente em condições normais de

transporte.

Engloba as seguintes matérias:

o Pirofóricas;

o Suscetíveis de auto aquecimento;

o Sujeitas a inflamação espontânea;

o Sujeitas a inflamação espontânea hidro reativas;

o Sujeitas a inflamação espontânea tóxicas;

o Sujeitas a inflamação espontânea corrosivas;

o Classe 4.3: Matérias que, em contacto com a água, libertam gases

inflamáveis
São matérias que, por ação da água, libertam gases inflamáveis

suscetíveis de formar misturas explosivas com o ar, bem como os

objetos que contêm tais matérias:

o Que em contacto com a água libertam gases inflamáveis;

o Sólidas suscetíveis de auto aquecimento que em contacto com a

água libertam gases inflamáveis;

o Tóxicas que em contacto com a água libertam gases inflamáveis;

o Corrosivas que em contacto com a água libertam gases

inflamáveis;

o Inflamáveis corrosivas que em contacto com a água libertam

gases inflamáveis.
o Classe 5.1: Matérias comburentes

São as matérias que, não sendo elas necessariamente combustíveis,

em geral, ao libertar oxigénio, podem provocar ou favorecer a

combustão de outras matérias e de objetos contendo essas matérias

(nitrato de amónio).

As matérias comburentes, também designadas por substâncias

oxidantes, têm como elemento constituinte das suas moléculas o

oxigénio, facilitando assim a ignição dos combustíveis e a intensificação

da reação de combustão.

São exemplos compostos utilizados em fertilizantes na agricultura. Os

nitratos decompõem-se facilmente quando sujeitos apenas a um

pequeno aumento da temperatura. Nessas condições libertam energia

e átomos de oxigénio, criando a possibilidade de ocorrer a inflamação

de matérias combustíveis.

Os produtos da combustão de nitratos são essencialmente constituídos

por dióxido de carbono (CO2), vapor de água (H2O), monóxido de

carbono (CO) e óxidos de azoto (NOX). Estes dois últimos são muito

tóxicos.
Engloba as seguintes matérias:

o Comburentes;

o Comburentes tóxicas;

o Comburentes corrosivas;

o Comburentes tóxicas, corrosivas.

o Classe 5.2: Peróxidos orgânicos

São substâncias termicamente instáveis que podem sofrer uma

decomposição exotérmica instável ou auto-acelerada.

Também utilizados em fertilizantes na agricultura.

Além disso, poderão ter uma ou várias das seguintes propriedades:

o Serem suscetíveis de uma decomposição explosiva;


o Arderem rapidamente;

o Serem sensíveis aos choques ou fricções;

o Reagirem perigosamente ao entrar em contacto com outras

substâncias;

o Causarem danos aos órgãos da visão.

Engloba as seguintes matérias:

o Peróxidos orgânicos;

o Preparações de peróxidos orgânicos.

o Classe 6.1: Matérias tóxicas

São as matérias que podem, em quantidade relativamente fraca, numa

ação única ou de curta duração, prejudicar a saúde ou causar a morte

por inalação, absorção cutânea ou ingestão (pesticidas). São mais

facilmente absorvidos através da pele, olhos e vias respiratórias.

Estas substâncias podem aparecer em suspensão na atmosfera, no

estado sólido (poeiras, fibras, fumo), no estado líquido (aerossóis e

neblinas) e no estado gasoso (gases e vapores, devido à ocorrência de

um derrame, ou até como produtos de combustão provenientes de um

incêndio).
Os pesticidas, além de envolverem riscos graves de intoxicação durante

o manuseamento ou em situação de incêndio, podem simultaneamente

ser quimicamente instáveis, inflamáveis ou combustíveis, oxidantes e

corrosivos. No estado sólido, em pó, podem formar uma mistura

explosiva com o ar.

As águas provenientes da extinção podem conter uma concentração

elevada de substâncias tóxicas, tornando-se um risco grave para a vida

e saúde das pessoas e para o ambiente.

Engloba as seguintes matérias:

o Tóxicas;

o Tóxicas inflamáveis;
o Tóxicas suscetíveis de auto aquecimento sólidas;

o Tóxicas que, em contacto com a água libertam gases inflamáveis;

o Tóxicas comburentes;

o Tóxicas corrosivas.

o Classe 6.2: Matérias infeciosas

São as matérias de possam conter agentes patogénicos (bactérias,

vírus, rickettsias, parasitas, fungos) que podem provocar doenças aos

humanos e animais.

Engloba as seguintes matérias:

o Infeciosas para o Homem;

o Infeciosas apenas para os animais;

o Resíduos hospitalares;

o Amostras de diagnóstico.

o Classe 7: Matérias radioativas

A radioatividade tem a característica de não ser detetada pelos sentidos

humanos.

As normas de segurança de transporte de matérias radioativas baseiam-

se mais em prevenir do que em socorrer vítimas.


As matérias radioativas, que incluem os combustíveis nucleares e os

isótopos radioativos, emitem partículas e radiações capazes de produzir

danos nas células (urânio, plutónio).

Estão agrupadas em três categorias:

o Categoria I (branca);

o Categoria II (amarela);

o Categoria III (amarela, segundo as intensidades da radiação).

o Classe 8: Matérias corrosivas

Têm a capacidade de causar destruição de tecidos vivos,

nomeadamente olhos, pele e vias respiratórias, podendo também

causar danos ou destruir materiais e equipamentos.


Esta classe abrange as matérias com propriedades corrosivas, matérias

que apenas formam uma matéria corrosiva líquida em presença da

água, ou que, em presença da humidade natural do ar, produzem

vapores ou neblinas corrosivas.

Conforme o seu pH (1-14), poderão adotar a designação de ácida,

neutra, base/alcalina (por exemplo soda cáustica, lixívia, ácido

sulfúrico).

De um modo geral, as matérias corrosivas não são combustíveis, pelo

que, se estiverem envolvidas num incêndio ou se surgirem como

produtos da combustão, não interferem nas características da mesma.

A importância destas substâncias presentes num incêndio centra-se no

facto de terem características corrosivas para os metais, potencialmente

agravadas pelas condições de temperatura elevada, humidade e outras

existentes no local. Este facto pode estar na origem da ocorrência,

durante um incêndio, de danos graves em depósitos, tubagens, bidões,

etc., podendo a situação ser agravada pela eventual libertação de

substâncias tóxicas.

Engloba as seguintes matérias:


o Corrosivas;

o Corrosivas inflamáveis;

o Corrosivas suscetíveis de auto aquecimento;

o Corrosivas que, em contacto com água, libertam gases

inflamáveis;

o Corrosivas tóxicas;

o Corrosivas comburentes.

o Classe 9: Matérias e objetos perigosos diversos

São as matérias e objetos que, no decurso do transporte, apresentam

um perigo distinto dos que são abrangidos pelas outras classes.

Engloba as seguintes matérias:


o Matérias inaladas sob a forma de poeira fina, podem pôr em risco

a saúde (amianto azul);

o Matérias e aparelhos que, em caso de incêndio, podem causar

dioxinas (difenilpoliclorados);

o Matérias que libertam vapores inflamáveis (plásticos de

moldagem);

o Pilhas de lítio;

o Dispositivos de salvamento (jangadas salva-vidas);

o Perigosas para o ambiente (poluentes para o ambiente aquático);

o Transportadas a quente (líquido transportado a quente, n.s.a);

o Outras matérias que apresentem um risco durante o transporte,

mas que não correspondem à definição de qualquer outra classe

(ex: alcatrão, baterias, airbags, etc).

• Métodos para identificar matérias perigosas

o A identificação da matéria perigosa (MP) constitui o objetivo primário das

equipas de bombeiros.

o Existem sete métodos para identificar as matérias perigosas:

Lugar e atividade
o As matérias perigosas também podem ser encontradas em

supermercados, garagens e habitações.

o Estas potenciais localizações podem ser classificas em quatro

áreas básicas: Produção, Armazenamento, Transporte e

Utilização. A localização das MP numa destas quatro áreas pode

dar alguma referência sobre o tipo de produtos que podem estar

implicados.

o Nem sempre é fácil identificar os locais ou embalagens onde se

encontram armazenadas as MP, pois é frequente não estarem

devidamente assinaladas.

o É importante, para a inventariação desses locais potencialmente


perigosos, efetuar em cada distrito, concelho, freguesia, com

caráter preventivo, um levantamento envolvendo a análise dos

riscos existentes e da sua localização, de tal forma que os

bombeiros os conheçam antes da emergência.

Tipo e forma dos recipientes

o Consiste em observar as características do recipiente ou

embalagem. A forma de alguns recipientes é tão característica

que à partida indica logo que produto contêm.

o Contentores normalizados são um sinal indicativo das

características e das propriedades físicas e químicas dos

produtos.

o Os produtos podem-se apresentar sob o estado: sólido, líquido

ou gasoso.

o Formas das cisternas

o Semi-reboques (tipo quadrado): vários tipos de MP

devidamente embaladas e acondicionadas, a granel, no

seu interior;
o Elíticas: substâncias não pressurizadas (líquidos

inflamáveis);

o Cintas de reforço em todo o seu comprimento: substâncias

corrosivas;

o Redondas ou calotes arredondadas: substâncias

pressurizadas (gases liquefeitos).

Sinais e cores

o A cor é muito utilizada na sinalização de segurança por ser um

sistema rápido de identificação de riscos.

o Os recipientes com MP possuem marcas específicas ou cores

que dão algumas indicações do risco do seu conteúdo.


o Foi selecionado um conjunto de cores que, por si só ou

acompanhada de símbolos, fixam os riscos e os seus níveis, e

servem para orientar os bombeiros e outros intervenientes.

o Em acidentes com tubagens industriais, o primeiro procedimento

é identificar o tipo de fluído existente na tubagem.

o Utilizam-se pigmentos de várias cores, resistentes aos ácidos e a

outros fluídos, para sinalizar a matéria que a tubagem contém.

Placas e etiquetas

o Permitem identificar as matérias perigosas através da simbologia

adotada pelo ADR.

o Para facilitar a identificação de cada uma das matérias perigosas,

foi adotado um código numérico de quatro dígitos, que constitui a

identificação da matéria designado por número ONU

(Organização das Nações Unidas).

o Painel laranja

o Placa retangular cor de laranja com dimensões de 0,4m x

0,3 m aplicado num veículo para identificar a matéria

perigosa que transporta.


o O número de baixo é um número de identificação da

matéria – N.º ONU (quatro algarismos).

o O número de cima é um número de identificação do perigo

(dois ou três algarismos).

Cada dígito corresponde um significado diferente,

tendo a sua ordem uma importância distinta.

O primeiro dígito indica o risco principal da matéria.

O segundo e terceiro dígitos indicam os perigos

secundários.

Exceções: 22 -> gás refrigerado; 44 -> sólido

inflamável possivelmente fundido.


Por razões de segurança, o «1 Explosivo» nunca é

colocado no painel laranja.


o As etiquetas de perigo indicativas dos riscos estão destinadas

principalmente a ser colocadas sobre as mercadorias ou sobre as

embalagens ou recipientes que as contenham.

o Classe 1 – Matérias e objetos explosivos

** Indicação da divisão (1.1, 1.2 ou 1.3)


*** Indicação do grupo de compatibilidade

o Classe 2 – Gases

Matéria tóxica: a manter


isolada dos produtos
alimentares ou outros objetos
destinados ao consumo, nos
veículos, nos locais de
Perigo de incêndio (gases Gás não inflamável e não carregamento, de descarga
inflamáveis) tóxico ou de transbordo

o Classe 3 – Matérias líquidas inflamáveis


o Classe 4.1 – Matérias sólidas inflamáveis, matérias auto-

reativas e matérias explosivas dessensibilizadas sólidas

o Classe 4.2 – Matérias sujeitas a inflamação espontânea


o Classe 4.3 – Matérias que, em contacto com a água,

libertam gases inflamáveis

o Classe 5.1 – Matérias comburentes

o Classe 5.2 – Peróxidos orgânicos


o Classe 6.1 – Matérias tóxicas

Matéria tóxica: a manter isolada dos


produtos alimentares ou outros objetos
destinados ao consumo, nos veículos,
nos locais de carregamento, de
descarga ou de transbordo

o Classe 6.2 – Matérias infeciosas

Matéria tóxica infeciosa: a manter


isolada dos produtos alimentares,
outros objetos de consumo e
alimentos para animais, nos
veículos e nos locais de
carregamento, de descarga ou de
transbordo
o Classe 7 – Matérias radioativas

Matéria Matéria Radioativa Matéria Radioativa


Radioativa em em volumes de cat II em volumes de cat
volumes de cat I – amarelo: volumes a III – amarelo:
– branca: em manter afastados de volumes a manter
caso de avaria volumes com afastados dos
dos volumes, etiquetas com a volumes com
perigo para a inscrição «Foto». Em etiquetas com a
saúde em caso caso de avaria dos inscrição «Foto».
de ingestão, volumes, perigo para Em caso de avaria
inalação ou a saúde por dos volumes, perigo
contacto com a ingestão, inalação, para a saúde por
matéria que se contacto com a ingestão, inalação,
encontrar matéria que se contacto com a
derramada encontrar matéria que se
derramada, bem encontrar
como risco de derramada, bem
irradiação externa à como risco de
distância irradiação externa à
distância

o Classe 8 – Matérias corrosivas


o Classe 9 – Matérias e objetos perigosos diversos

o Marcas complementares aos painéis-etiquetas

Matéria perigosa para o


ambiente Matéria
transportada a
quente

Estado líquido > 100 ºC


Estado sólido > 240 ºC

Quantidades limitadas Pilhas de lítio


Setas de orientação

o Nos veículos cisternas, é comum ver painéis laranja associadas

com placas-etiquetas de perigo

o Rotulagem das embalagens


GHS – Sistema Mundial Harmonizado de Classificação e Rotulagem e Produtos Químicos

o Frases de risco e de procedimentos de segurança e intervenção:


Perante a necessidade de pormenorização de outros riscos não
especificados nos símbolos atrás indicados, são utilizadas
frases tipo indicando os riscos apresentados e também
procedimentos de segurança para o manuseamento e
intervenção em caso de incêndio, a saber:
Frases R – natureza dos riscos específicos atribuídos

às substâncias e preparações perigosas. Exemplos:

R 1 – explosivo no estado seco; R 5 – perigo de

explosão sob a ação do calor; R 8 – favorece a

inflamação de matérias combustíveis; R 14 – reage

violentamente com água; R 23 – tóxico por inalação.

Frases S – conselhos de prudência relativos a

substâncias e preparações perigosas. Exemplos: S 1

– guardar fechado à chave; S 15 – manter afastado

do calor; S 24 – evitar o contacto com a pele; S 43 –

em caso de incêndio utilizar... (meios de extinção a


especificar pelo fabricante). Se a água aumentar os

riscos, acrescenta-se «nunca utilizar água».

• Fichas e documentos

o A legislação estabelece que toda a operação de transporte de matérias

perigosas exige ao expedidor uma guia de transporte que inclua:

Nome do produto transportado;

Número de identificação;

Classe de perigo;

Quantidade.

o Pode obter-se mais informação através de manuais ou ficheiros técnicos

como por exemplo:


Fichas de dados de segurança

o Todos os veículos que efetuem transporte de MP e na previsão

de qualquer acidente, devem dispor destas fichas;

Fichas de intervenção

o Contém informação adequada à intervenção dos bombeiros e

informações complementares como:

o Densidade dos gases e dos líquidos em relação ao ar e

água;

o Estado físico das matérias (sólido, líquido, gasoso);

o Natureza dos perigos;

o Distâncias de evacuação em situação de emergência;

o Medidas em caso de fuga/derrame ou incêndio;

o Primeiros socorros;

o Na legislação referente aos transportes rodoviário (RPE) e ferroviário (RID)

não há qualquer referência a procedimentos em situação de emergência.

o Relativamente ao transporte aéreo, apenas está estabelecido a

obrigatoriedade de informar o piloto, no manifesto de carga, sobre as

mercadorias perigosas carregadas, assim como as instruções para a


tripulação de voo acerca das medidas que deverão adotar no caso de se

verificar uma eventual situação de emergência.

o O transporte marítimo é a única exceção ao possuir um código internacional

de procedimentos (IMDG) com instruções de atuação em caso de derrame,

incêndio e outras situações de emergência, assim como procedimentos no

tratamento de acidentados como consequência de acidentes com

mercadorias perigosas.

• Aparelhos de deteção e medida

o Dão informação acerca da natureza dos riscos e auxiliam a reconhecer

situações como:

Atmosferas inflamáveis/explosivas;
Atmosferas tóxicas;

Carência de oxigénio;

Certos gases e vapores.

• Órgãos dos sentidos

o Podem oferecer pistas imediatas face à presença de matérias perigosas,

através de:
Ruídos não usuais;

Vegetação destruída;

Cheiros.

o Utilizado apenas para indicar se se está perante uma zona insegura.

• Regras de ouro:

o Não se converta numa vítima;

o Não se precipite;

o Não prove, toque, respire, nem coma nada;

o Não suponha nada.

• Procedimentos gerais de segurança

o A intervenção dos bombeiros em situação de acidente envolvendo matérias


perigosas é essencialmente um problema de decisão que compete a quem

comanda as operações.

o A decisão deve ter por base o equipamento de intervenção disponível e a

formação e treino do pessoal para atuar neste tipo de ocorrência. Caso não

se verifique, dever-se-á limitar à evacuação e isolamento da área sinistrada.

o A atitude ofensiva, ou seja, a intervenção direta até à supressão do acidente,

só deve ser levada a efeito se se dispuser dos meios humanos, formados e

treinados devidamente, e do equipamento especializado adequado. Caso

contrário, é obrigatório tomar a atitude defensiva, ou seja, evacuação e

isolamento da área.

o Os principais procedimentos a tomar nestes acidentes são:

Identificar a matéria ou matérias envolvidas;

Suprimir e cortar fontes de ignição (atenção aos veículos motorizados);

Não fumar nem deixar fumar ou foguear;

Manter as pessoas afastadas;

Avisar as autoridades competentes;

Conter o derrame, evitando o contacto com a matérias, utilizando o

material adequado, se disponível no veículo,


Impedir o derrame de produtos para linhas de água, esgotos ou local

que possa contaminar ou provocar explosão;

Estar sempre do lado de onde sopra o vento (vento pelas costas);

Evitar zonas baixas;

Não entrar em contacto com a matéria derramada.

o Classe 1

Na atuação com explosivos existe sempre perigo mortal para o pessoal

empenhado no combate.

Nas divisões 1.1, 1.2 e 1.5, se o incêndio estiver em desenvolvimento

deve-se retirar para distância segura; nas restantes pode-se intervir

protegido.
Em caso de dúvida permanecer sempre sob proteção.

Medidas a tomar em acidentes com munições:

o Socorrer de imediato todos os feridos;

o Desimpedir a zona de intervenção e respetiva interdição;

o Retirar pessoas e animais da área de risco;

o Avisar a população e planear evacuações;

o Em caso de incêndio verificar se:

o Está na sua fase inicial?

o Está em desenvolvimento?

o A carga explosiva já foi atingida?

o Determinar com exatidão possível todos os perigos e riscos com

base nas indicações das fichas técnicas;

o Consultar os técnicos eventualmente presentes;

o Tomar as medidas necessárias de acordo com as indicações das

fichas técnicas;

o Requisitar a presença de pessoal perito em munições;

o Delimitar a zona de perigo e, em caso de necessidade, corrigi-la

e tomar as medidas de evacuação apropriadas.


ATENÇÃO!

o A intervenção em incêndios na presença de explosivos é muito

perigosa;

o Não combater incêndios em desenvolvimento em munições

quando a zona de interdição é de 1000 metros;

o Respeitar as distâncias mínimas de segurança estabelecidas;

o O trabalho deve limitar-se ao combate a focos de incêndio

secundários nas áreas vizinhas.

o Classe 2

O BLEVE (Boiling Liquid Expanding Vapour Explosion ) significa

explosão de gás ou vapor em expansão proveniente de líquido em


ebulição.

O BLEVE resulta de um sobreaquecimento da cisterna ou do contentor

que, por sua vez, dá origem ao enfraquecimento do aço desse

contentor, provocando a sua rotura e libertação quase instantânea do

líquido que entra em ebulição e em combustão em poucos segundos,

assumindo a forma de uma explosão.

O BLEVE pode ocorrer por:

o Sobreaquecimento do líquido devido à exposição do depósito às

chamas;

o Rápida baixa de pressão do depósito (rotura).

Matérias que originam um BLEVE:

o Gases liquefeitos, combustíveis, contidos em contentores à

temperatura ambiente, por exemplo gás do petróleo liquefeito

(butano, propano) e cloreto de vinilo;

o Líquidos combustíveis, quando em contacto com fonte de calor

considerável, por exemplo gasolina.

Para ocorrer um BLEVE, as substâncias têm de estar encerradas em

reservatórios.
Para prevenir a ocorrência do BLEVE é necessário:

o Arrefecer as paredes exteriores da cisterna ou contentor;

o Avaliar se a ocorrência de um BLEVE está iminente, pela:

o Deformação da cisterna ou contentor;

o Intensificação do ruído (silvo) por aumento da pressão no

interior da cisterna ou contentor.

o Dispor de grande quantidade de água;

o Posicionar as agulhetas nas laterais do depósito e não nos topos;

o Utilizar as agulhetas em jato para permitir uma maior distância.

Em caso de dúvida relativamente à ocorrência do BLEVE, EVACUAR O

LOCAL!
A intervenção em incêndios resultante de fuga de gás inflamável

consiste em:

o Controlar o calor libertado pelo incêndio, através da aplicação de

água no contentor e combustíveis expostos ao fogo e ao calor;

o Se possível, interromper o fluxo de gás ou efetuar barreira de

proteção e arrefecimento, para evitar a propagação.

A maior parte dos incêndios em gases podem ser extintos recorrendo a

agentes extintores convencionais (pó químico e CO2).

Existe a possibilidade de explosão após a extinção do incêndio, se

continuar a existir fuga de gás.

Em caso de BLEVE, um contentor ou reservatório que contenha menos

gás, tem a probabilidade de explodir mais rápido, uma vez que não há

"matéria" para absorver a energia.

Precauções com gás canalizado em caso de incêndio num edifício:

o Identificar o tipo de gás da instalação;

o Proceder ao corte de gás na entrada do edifício ou no ramal de

alimentação do piso com fogo, consoante a gravidade da

situação;
o Solicitar a presença de técnicos da empresa fornecedora do gás,

que no final se encarregarão de restabelecer o fornecimento de

gás ao edifício.

Medidas a tomar em caso de fuga de gás sem incêndio:

o Fechar a válvula de corte mais próxima da fuga;

o Evitar fontes de ignição, desligar motores e proibir o uso do fogo;

o No interior de um edifício, arejar o local abrindo portas e janelas;

o Isolar e evacuar o edifício, local ou área onde ocorre a fuga;

o Solicitar a presença de técnicos da empresa responsável pelo

fornecimento ou transporte do gás;

o No caso de fuga com GPL, impedir a acumulação de gases nas


zonas baixas;

o Aplicar água pulverizada sobre o local da fuga.

o Classe 3

O BOIL OVER («ferver para fora») é um fenómeno que pode ocorrer nos

incêndios em hidrocarbonetos brutos ou pouco refinados armazenados

em depósitos metálicos.

Se não for feito o arrefecimento das paredes do depósito, o calor

propaga-se por condução no sentido descendente, aquecendo

continuamente a água que existe no fundo. Esta pode atingir a

temperatura de ebulição, passando ao estado de vapor e,

consequentemente, haverá um aumento brusco (quase instantâneo) do

seu volume em cerca de 1700 vezes, projetando o líquido em chamas

para fora do depósito.

Prevenir o BOIL OVER consiste no arrefecimento contínuo das paredes

do depósito com jatos de água, até que o incêndio seja dado como

extinto.

No ataque ao incêndio deve ter-se em conta:

o Direção do vento;
o Quantidade de agente extintor disponível;

o Superfície a cobrir e a capacidade do reservatório;

o Aplicação de espuma diretamente no foco de incêndio;

o Possibilidade de ebulição e projeção do líquido inflamável ( BOIL

OVER);
o Efetuar vigilância após estar extinto para evitar qualquer

reacendimento.

No caso de fuga ou derrame, ter em conta o seguinte:

o Evitar fontes de ignição, desligar motores e proibir o uso de fogo;

o Cobrir o líquido com espuma;

o Conter o líquido e evitar que se introduza em esgotos, poços ou


linhas de água;

o Quando transportado em cisterna solicitar a presença de técnicos

da empresa responsável pelo transporte do líquido inflamável.

A intervenção em caso de um incêndio que envolva depósitos de


líquidos inflamáveis ou combustíveis compreende três fases:
o Arrefecimento – tem como objetivo a proteção das exposições
existentes numa vizinhança próxima ainda não envolvidas e o
abaixamento da temperatura dos produtos em combustão. A
água não deve ser aplicada diretamente sobre a fuga;
o Extinção – os métodos de extinção têm como base o fecho da
válvula de alimentação de combustível, a redução da
percentagem de oxigénio na superfície do líquido ou o
arrefecimento do líquido, de forma a reduzir significativamente a
evaporação. A extinção poderá ser também efetuada utilizando
como agente extintor espuma, pó químico ou CO2, sendo a
espuma o agente mais adequado para incêndios que envolvam
grandes quantidades de líquido. Uma grande parte dos líquidos
inflamáveis ou combustíveis existentes, nomeadamente os
hidrocarbonetos, não são miscíveis com a água, pelo que
podem manter-se à superfície em combustão e, desta forma,
escorrer e propagar o incêndio a zonas vizinhas. Assim, é
importante estabelecer barreiras que impeçam a sua passagem
ou que direcionem o deslocamento destes líquidos para zonas
seguras;
o Vigilância após extinção – no sentido de evitar a possibilidade
de reignição, a aplicação de espuma deverá manter-se durante
algum tempo após a extinção. No caso de o incêndio envolver
líquidos inflamáveis ou combustíveis armazenados em recintos
localizados no interior das instalações, torna-se imprescindível
a utilização de ventilação adequada, no sentido de se evitar a
formação de misturas explosivas.
o Classes 4.1, 4.2 e 4.3
Normalmente estes produtos são muto perigosos porque libertam gases
irritantes e tóxicos quando em combustão.
O método de extinção indicado para estes casos é o mesmo que para
os fogos da Classe A.
A água é o agente extintor mais utilizado nestes incêndios sob a forma
pulverizada (chuveiro ou nevoeiro).
O uso do ARICA é obrigatório.
o Classes 5.1 e 5.2
Os incêndios nestas matérias são extintos por arrefecimento aplicando
grandes quantidades de água ou de espumas polivalentes (a presença
de oxigénio na molécula dos nitratos torna inviável o método de
abafamento). A água, além do efeito de extinção do incêndio por
arrefecimento, tende a reagir com os óxidos de azoto, reduzindo
significativamente a sua concentração no ambiente.
Por darem origem à libertação de gases tóxicos, no ataque ao incêndio,
o pessoal deve posicionar-se a favor do vento, no exterior, e utilizar
aparelhos respiratórios quando num espaço confinado. Neste tipo de
espaço, a ventilação forçada é um imperativo durante as operações de
combate.
o Classe 6.1
Aquando da libertação de vapores, procurar conter com água
pulverizada.
Em caso de derrame, evitar a sua concentração em esgotos, poços ou
linhas de água.
Em caso de incêndio em pesticidas, utilizar água pulverizada em pouca
quantidade.
Não esquecer que as águas utilizadas na extinção de incêndios em
matérias tóxicas com níveis de concentração elevados, constituem um
risco grave para a vida e para o ambiente.
O pó químico, a espuma e o CO2 são bons agentes extintores,
excetuando-se nos produtos sólidos e líquidos corrosivos, em que não
deverá ser utilizada espuma, podendo esta ser substituída por areia
seca.
As equipas em intervenção direta deverão utilizar equipamento de
proteção individual adequado, nomeadamente fatos de proteção para
produtos químicos, botas, luvas e proteção dos olhos. O uso de ARICA
é obrigatório.
o Classe 6.2
A intervenção em matérias infeciosas é muito perigosa.
Substâncias nocivas para a saúde humana podem causar a morte ou
lesões graves quando ingeridas, inaladas ou se entrarem em contacto
com a pele.
Isolar a área e estabelecer distâncias mínimas de segurança.
Utilizar fato de proteção, botas, luvas e proteção de olhos adequados
aos produtos.
O uso de ARICA é obrigatório.
o Classe 7
Isolar a área e proceder à evacuação da população em caso de perigo
e solicitar a presença de especialistas.
o Classe 8
Quando não se conhece a substância em fuga ou derrame, não utilizar
água para evitar possível libertação de gases por reação química.
Em caso de incêndio, a escolha do agente extintor não depende das
substâncias corrosivas, mas sim dos restantes materiais envolvidos.
Evitar que as águas da extinção do incêndio se introduzam em esgotos,
poços ou linhas de água.
o Classe 9
Devido à diversidade de matérias que integram esta classe, as medidas
a adotar terão de ser analisadas caso a caso.

Common questions

Com tecnologia de IA

Class 3 flammable liquids are risky due to their vapors forming explosive mixtures with air upon evaporation, coupled with high volatility and potential toxicity. Firefighting strategies require understanding the liquid's flash point, ignition temperature, and evaporative behavior . Crucially, extinguishing these fires involves reducing oxygen availability at the liquid's surface and cooling to lower evaporation rates, often by using foam-based extinguishing agents like AFFF, which form a barrier over the liquid . Attention must also be paid to wind direction, available extinguishing resources, and environmental containment to avoid uncontrolled spreading or rekindling .

Class 4.1 materials are hazardous because they can easily ignite or cause fires by friction, and their combustion often involves the rapid formation of dense, black smoke laden with soot. In some cases, fires involving plastics release toxic combustion products, like carbon monoxide, hydrogen cyanide, hydrochloric acid, and phosgene, reaching very high temperatures . The recommended approach to extinguishing these fires includes using water as the primary agent, applied in a dispersed form like mist or shower, to maximize cooling efficiently . Additionally, ensuring the safety of personnel through devices like ARICA is crucial due to the release of irritant and toxic gases .

Corrosive materials pose additional risks during and after a fire by potentially damaging containment vessels and equipment, leading to leaks or structural failures. They can also produce toxic fumes when heated, exacerbating health hazards during firefighting . Firefighting strategies must consider using agents that won't react negatively with corrosives, like diluted water streams to prevent further chemical reactions . Post-fire, the focus should be on assessing and repairing equipment integrity to prevent any residual material from causing further damage or environmental release . Proper protective gear to prevent inhalation and contact with corrosive fumes or residues is essential throughout the process .

Infectious materials in a fire can release pathogens into the air, requiring containment and protective equipment to prevent disease spread. Radioactive materials, which emit dangerous particles invisible to human senses, necessitate preventive transport safety rather than reactive strategies. Effective management involves strict adherence to safety standards to prevent contamination and mitigate exposure risks during fire incidents .

Managing a liquid fuel tank fire involves cooling, extinguishing, and ongoing surveillance stages. Cooling aims to protect nearby exposures not yet involved by applying water sprays, making sure not to apply water directly on a fuel leak . Extinguishing involves shutting off the fuel valve to reduce oxygen at the surface and using foam to cover the liquid, preventing evaporation and re-ignition . Ongoing surveillance ensures no reignition occurs; applying foam consistently even after the fire appears out can safeguard against latent heat reigniting vapors . Proper ventilation and wind consideration help in spreading smoke and reducing the risk of explosion from trapped vapors .

Peroxides are hazardous in fires due to their thermal instability and potential for accelerating decomposition and explosivity, or self-accelerating decomposition. They can burn rapidly and may react violently when in contact with other substances . The best management approach involves cooling with large quantities of water or polyvalent foams that absorb heat and prevent further decomposition . Ensuring proper ventilation is essential as peroxides can release toxic gases during decomposition, making respiratory protection crucial for firefighting personnel . Proper distance and the use of appropriate protective equipment reduce exposure risks .

Flammable liquids present a unique challenge as they burn from the vapors evaporating in contact with air, unlike solids that require pyrolysis to produce combustible gases. Key considerations include understanding the flashpoint, self-ignition temperature, and the vapor diffusion rate. Their combustion can produce toxic and corrosive fumes, requiring specific handling and equipment for effective fire control, such as foam to smother flames, as these liquids are often non-miscible with water and can float or spread without absorption .

Flammable solids, especially plastics, can produce dense, toxic smoke and release gases like carbon monoxide, hydrogen cyanide, and phosgene that are particularly lethal. These substances often result in rapid fire spread due to their low ignition energy requirement and high heat release, posing significant risks to health and firefighting efforts .

Protective measures when handling oxidizers include ensuring they are stored separately from combustibles, as they can release oxygen that intensifies combustion. Controlling temperature within the storage area is essential to prevent the decomposition of materials like nitrates, which release energy and oxygen. Additionally, proper ventilation to prevent the accumulation of toxic gases, such as nitrogen oxides, is crucial .

Boil over occurs in hydrocarbon tank fires when heat from the fire causes water at the bottom of the tank to vaporize rapidly, increasing in volume by approximately 1700 times, and violently expelling burning hydrocarbons from the tank . This can dramatically worsen a fire, spreading flames beyond the initial containment area. Continuous cooling of the tank walls with water jets is crucial to prevent boil over by stopping heat transfer to the water layer below . It is also important to maintain vigilant surveillance post-extinguishment to guard against re-ignition .

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