SEBENTA DE TÉCNICAS DE
COMUNICAÇÃO E
ATENDIMENTO TURÍSTICO
MÓDULO 1
A COMUNICAÇÃO NAS
RELAÇÕES INTERPESSOAIS
Edição n.º 1 de Setembro 2010
Elaborado por: Departamento Pedagógico - IEDP (ENSINO PROFISSIONAL)
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LISTAGEM DAS REVISÕES
CAPÍTULO FOLHA DESIGNAÇÃO DATA OBS.
Edição n.º 1 de Setembro 2006
Elaborado por: Departamento Pedagógico - IEDP (ENSINO PROFISSIONAL)
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Definição de comunicação
A palavra “comunicar” provém do latim Comunicare e significa “pôr em comum”.
Comunicar é um acto fundamental da vida humana, não podemos não comunicar, estamos sempre em
interacção com alguma coisa ou com alguém.
Significa, assim, transmitir uma mensagem (ideias, sentimentos e experiências) entre pessoas que
conhecem o significado daquilo que se diz e faz.
Por outro lado, a comunicação é o mecanismo através do qual as relações humanas existem e se
desenvolvem.
Quando penso em silêncio... posso não estar a comunicar mas... se
Eu estarei a comunicar?
Para que possa existir comunicação, têm que existir alguns elementos:
Componentes do acto comunicativo
Receptor
Emissor Mensagem Receptor
Código
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Os sons, os gestos, os sinais e as imagens podem transmitir uma informação, um sentimento ou uma
intenção que, numa comunidade, deverão ser entendidos de forma clara e simples. É através dos
nossos sentidos (visão, audição, olfacto, gestos e tacto).
Problemas que podem ocorrer durante a comunicação:
-supressão total ou parcial da mensagem;
-deformação da mensagem;
-perda de produtividade (velocidade menor, esforço maior)
O que são os ruídos na comunicação
São todas as perturbações, distorções de significado que ocorrem no processo de comunicação e que
não são pretendidas pela fonte, mas que afecta a recepção da mensagem no seu destino e, deste
modo, a quantidade de qualidade de informação desejada que pode ser enviada numa dada situação,
num determinado tempo.
Os ruídos podem interferir em diversos pontos do processo de comunicação:
Emissor – Palavras mal pronunciadas ou prenunciadas num tom de voz demasiado baixo, perturbações
de fala, etc.
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Receptor – distracção, deficiência ou incapacidade visual ou auditiva.
Código – gralhas, utilização de códigos diferentes.
Canal – interferência radiofónica, papel sujo, barulho no meio envolvente.
Tipos de ruídos
Ruídos Sonoros: o gaguejar do emissor, o ruído produzido por um avião, burburinhos, conversa
paralelas à mensagem...
Ruídos Visuais – cores e contrastes agressivos, tudo aquilo que choque o nosso sistema visual, …
Ruídos Olfactivos – perfumes intensos, maus cheiros, tudo aquilo que interfere no nosso sistema
olfactivo….
Ruídos Gustativos – pastilhas elásticas, chocolates, …
Modos de comunicação interpessoal
A comunicação efectua-se através de:
Comunicação Verbal
Oral – rádio, telefone, palestras, …
Escrita – jornais, revistas, circulares, cartas, sms…
Audiovisual – televisão, cinema, publicidade, …
Comunicação Não-Verbal
Gestual – Linguagem gestual, gestos dos sinaleiros,..
Codificada ou Simbólica – código morse, código de sinais de trânsito, …
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Táctil – linguagem táctil dos cegos, leitura ou exame com a ponta do dedos, …
Os nossos comportamentos e a nossa postura também comunicam
Comportamento Interpretação
Jovial, alegre, postura vertical Confiança
Sentado de pernas cruzadas, dando pequenos pontapés Aborrecimento
Sentado com as pernas afastadas Abertura, descontracção
NÃO PODEMOS NÃO COMUNICAR
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COMUNICAÇÃO ANIMAL
Chomsky, 1973, deixa claro que o que diferencia o ser humano de outros seres
vivos (e também o que nos diferencia dos “autômatos”) é a capacidade da linguagem. A
linguagem é inerente e exclusiva à espécie humana, o que prova que nós somos dotados
de uma inteligência “superior”, de uma alma ou mente. Assim como Descartes e
Wittgenstein, Chomsky também crê que a capacidade da linguagem é exclusiva aos
homens, ainda que animais e máquinas possam ter (ou desenvolver) várias habilidades e
outros tipos de inteligência:
Entre os argumentos contrários a essa comparação envolvendo os sistemas de
linguagem animal e humano, Chomsky ressalta que o principal deles é o simples fato de
que o homem é o único ser vivo capaz de manifestar o aspecto criador do uso da
linguagem. Ou seja, ao utilizarmos a linguagem, criamos com ela, podemos
compreender sentenças jamais ouvidas antes, podemos construir combinações diferentes
de palavras para formar sentenças inéditas, etc. Chomsky acredita que, ao contrário do
homem, os animais sejam incapazes de usar a linguagem dessa maneira rica e criativa.
Por isso, seria até mesmo um equívoco chamar seus sistemas de comunicação de
linguagem – e nesse ponto, nós concordamos com ele.
Em Hauser, Chomsky & Fitch, 2002, os autores são ainda mais específicos e
defendem a idéia de que a capacidade gerativa – mais especificamente a recursividade –
é o traço principal que diferencia a linguagem humana de outras capacidades
comunicativas encontradas no reino animal.
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Relacionamento Interpessoal
O segredo da Comunicação Eficaz
Para maior objetividade e clareza nas comunicações é necessário saber:
Por que?
O que?
A quem?
Como? Falar / Ouvir ?
Quando?
Quanto?
Onde?
Empatia - capacidade de se colocar no lugar do outro.
Assertividade – capacidade de colocar os interesses do outro em primeiro lugar.
A assertividade passa por desenvolver uma Escuta activa, no relacionamento, que envolve:
Disponibilidade
Interesse pela pessoa
Compreensão da Mensagem
Espírito Crítico
Prudência nos Conselhos
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Motivações Humanas
Afecto
Necessidade
de Estima
Necessidade de
Afecto
Necessidade de
Segurança
Necessidades Biológicas
Pirâmide das necessidades Humanas segundo Maslow, esquema adaptado
Efeito Camaleão
Os seres humanos são um pouco como os camaleões que mudam de cor consoante o ambiente ao qual
são expostos. Por outras palavras os seres humanos tomam a cor emocional do meio.
Por exemplo, quando falamos com uma pessoa tímida sentimo-nos mais tímidos e quando falamos com
uma pessoa alegre sentimo-nos mais alegres e confiantes.
É o chamado - Efeito Camaleão -. Este fenómeno faz com que ajustemos automaticamente as nossas
emoções às dos outros.
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Um por todos e todos por um...
A IMPORTÂNCIA DAS ATITUDES...
COMPORTAMENTO GERA COMPORTAMENTO
Agressividade gera agressividade
Simpatia gera simpatia
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O Efeito da Personalidade no Relacionamento Interpessoal
Já reparou que certas pessoas têm conflitos quase todos os dias, enquanto outras são conciliadoras,
diplomatas e amadas pela maioria? Já reparou que algumas pessoas são acessíveis, enquanto que
outras são frias e distantes?
Isto acontece porque somos todos diferentes, ou seja, temos traços de personalidade diferentes.
Poder-se-á definir personalidade como “conjunto de padrões comportamentais (incluindo pensamentos
e emoções) que caracterizam a maneira de cada indivíduo se adaptar às situações da sua vida”. Por
sua vez, chama-se traço de personalidade a todo o aspecto particular de um indivíduo que o distingue
dos outros.
Tipos de personalidade
Personalidade Passiva
Caracteriza-se pela incapacidade de exprimir os seus pensamentos e emoções. Estas pessoas têm
tendência a não manifestar claramente os seus desejos nem comunicar as suas necessidades, optando
por ficar à espera que os outros façam as coisas por eles. Por exemplo, um funcionário em vez de
pedir um aumento ao patrão fica à espera que o patrão lhe ofereça um aumento. Quando ocorre um
conflito, tendem a ignorar ou a fingir que nada aconteceu.
Assim sendo manter-se na expectativa e a falta de iniciativa são características da personalidade
passiva.
Em suma,
Comunica uma mensagem de inferioridade: ao sermos passivos permitimos que os desejos,
necessidades e direitos dos outros sejam mais importantes que os nossos.
Alguém que se comporte de forma passiva perde, ao mesmo tempo que permite aos outros ganhar.
Seguir este caminho leva a ser-se uma vítima e não um vencedor.
Personalidade Agressiva
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É oposta à personalidade passiva. As suas reacções são extremas e a sua maneira de chegar aos seus
fins é o afrontamento, a agressão directa, a cólera e a humilhação.
São pessoas de uma intransigência excessiva e de uma rigidez desarmante.
Em suma,
Comunica sempre uma impressão de superioridade e de falta de respeito.
Ao sermos agressivos colocámos sempre os nossos desejos e direito acima dos outros, violando os
direitos dos outros.
As pessoas agressivas podem ganhar, ao assegurar-se que os outros perdem.
Personalidade Manipulativa
Este tipo de personalidade organiza-se para satisfazer as suas necessidades de forma muito
indirecta e mal dirigida. Utilizam uma comunicação pouco clara e com segundas intenções. A arte de
manipular o outro pode ser exercida de múltiplas maneiras. Assim sendo descreverei as principais
formas de comportamento manipulativo:
O desertor; Culpabilizador; Pseudo-psicanalista; O caçador; Acumulador; Traiçoeiro; Pequeno
comediante; Punidor; Actor; Emotivo.
Personalidade Afirmativa ou de Assertividade
Exprime claramente e sem equívocos as suas necessidades, os seus pensamentos e as suas emoções.
Sem fazer um juízo de valor e sem atentar contra a integridade do outro, ela exprime aquilo que se
pretende e a sua visão das coisas.
Como diz o que pensa e não faz jogos onde muitos se divertem a enganar os outros, têm geralmente
muito boa auto-estima. Dizer o que pensa sem que o outro reaja mal à sua atitude,
Trata-se de um tipo de personalidade que permite um desenvolvimento sócio-grupal eficaz, que se irá
repercutir em grande escala ao nível das aquisições individuais.
Em suma,
Comunica uma impressão de respeito próprio e respeito pelos outros
Ao sermos assertivos encaramos os nossos desejos, necessidades e direitos como iguais aos dos
outros
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Uma pessoa assertiva ganha influenciando, ouvindo e negociando de tal forma que os outros
escolhem cooperar de livre vontade
Este comportamento leva ao sucesso e encoraja relacionamentos honestos e abertos
O importante é que seja assertivo o maior número de vezes.
Contacto Corporal
Espaço pessoal é, segundo Goldstein (1983), uma "área em torno de uma pessoa, cuja violação por
outra pessoa produz desconforto ou mal-estar".
Esse espaço pode variar com a situação e com a cultura. Hall (1966) dá exemplos evidentes de
diferenças na significação do espaço em diferentes culturas:
"Para os árabes não existe isso que denominamos intrusão em público. Público significa público.
Compreendendo-se esse facto, grande parte do comportamento dos árabes, que chega a causar uma
sensação de estranheza, desagrado e, por vezes, até mesmo de medo, passa a ser entendida. Por
exemplo, verifiquei que, se A está na esquina de uma rua e B quer o lugar de A, B está no seu direito
se faz o que pode para molestar A de tal maneira que este saia do local. Em Beirute, só os mais
arrojados se sentam na última fila de um cinema, porque geralmente há pessoas de pé que se querem
sentar, que empurram, que dão cotoveladas e causam tal perturbação que a maioria das pessoas
sentadas na última fila desiste e sai..."
Quando o espaço pessoal é invadido por estranhos, ocorre um esforço para afastar o intruso. "Fisher
e Byrne (1975) verificaram que os indivíduos do sexo masculino respondem de modo mais negativo do
que as mulheres à invasão do espaço pessoal a partir da frente, ao passo que as mulheres respondem
mais negativamente às invasões do espaço pessoal que venham dos lados" (Goldstein, 1983).
Naturalmente, "a maneira como respondemos emocionalmente a essas invasões depende de outras
informações que possamos ter a respeito do invasor. Se temos razões para acreditar que o invasor é
amistoso, é menor a probabilidade de levantarmos barreiras defensivas e interpretarmos as acções
dele como hostis". Os indivíduos sentem desconforto também "quando as circunstâncias os obrigam a
invadir o espaço pessoal de outros" (Goldstein, 1983).
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Acreditando que há um grau óptimo de distância (física) entre as pessoas, foram, entretanto,
surgindo algumas teorias. É o caso da teoria do equilíbrio que, proposta pela primeira vez por Argyle e
Dean, diz que o espaço pessoal varia com a intimidade entre os indivíduos e que quanto mais íntimos,
mais os indivíduos tendem a aproximar-se. Uma outra teoria é a que se designa de estimulação.
Proposta por Desor, entre outros, defende que "a variação da distância pessoal é um meio de se
reduzir ou aumentar a estimulação social e sensorial" (Goldstein, 1883).
Considerando esta variação "territorial", de distância pessoal, podemos falar, grosso modo, em quatro
tipos de distâncias, a saber:
-- Distância íntima – diz respeito a uma relação de compromisso com outra pessoa. A presença do
outro impõe-se através do impacto sobre o sistema perceptivo. Estende-se até cerca dos cinquenta
centímetros para lá do corpo físico e "é uma verdadeira zona interdita, onde o nosso odor e a nossa
temperatura estabelecem os limites: nessa zona "perigosa" deixamos entrar os seres dos nossos
afectos e defendemo-nos das ofensivas por uma rigidez muscular e um olhar vago e longínquo"
(Marques, 1995);
-- Distância pessoal – varia até aos cento e cinquenta centímetros. É uma distância não esférica, que
exige maior comprimento para a frente do que para os lados ou para trás. Talvez porque,
inconscientemente, a distância "cara a cara" seja mais inibidora e potencialmente mais perigosa que a
"lado a lado". "A forma como as pessoas se repartem num ascensor ou numa sala vazia contém uma
ordem implícita e revela a existência do que se chama a escolha dos "lugares de poder": algo como o
"ninho", onde nos sentimos mais protegidos e de onde melhor nos expressarmos" (Marques, 1995);
-- Distância social – é a fronteira entre o modo longínquo da distância pessoal e o modo próximo da
distância social. Rege sobretudo o nosso comportamento profissional e varia entre os cento e vinte e
os trezentos e sessenta centímetros. Pode situar-se na distância das negociações impessoais e no
carácter formal das relações sociais. "Inconscientemente, gerimos esta distância segundo a cultura
do local de trabalho, segundo o estatuto social dos interlocutores. (...) Essa distância social pode
variar. (...) Todos somos sociais, mas não com as mesmas distâncias" (Marques, 1995);
-- Distância pública – situa-se fora do circuito imediato de referência do indivíduo e implica diversas
transformações sociais. Para além dos três metros e meio. Usa-se um estilo formal no vocabulário.
Muito frequente nas personalidades oficiais importantes, tom de voz elevado e muitos gestos. Revela
igualmente o nosso medo das multidões.
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Evidentemente que a distância pessoal vai também ser variável no ambiente de trabalho – da relação
amigável, à relação de cooperação e à competição pessoal. O mais importante, para o êxito das
relações interpessoais e para o genuíno desenvolvimento pessoal, será ultrapassar a perspectiva da
luta pela sobrevivência e se estabeleça um mundo de convivência sã, cooperante e responsável. Só
assim, em comunhão com a visão de Rogers, pode emergir o sentido profundo da relação de ajuda e,
consequentemente, as pessoas se poderão desenvolver em todas as suas possibilidades, tornando-se
efectivamente em "a medida de todas as coisas".
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