Teoria dos Actos Processuais
INTRODUÇÃO
Neste magnífico e minucioso trabalho de Direito Processual Penal, falar-se-á de
forma sintética sobre A Teoria dos Actos Processuais. Durante o desenrolar do
trabalho ver-se-ão aspectos relacionados ao conceito da figura dos actos processuais
como elemento medular para efectivação do processo penal.
Ainda no desenrolar do pequeno labor realçar-se-ão aspectos relacionados a
classificação da figura em apreço e respectivos intervalos temporais expressos por
diplomas legais ou por estipulação de juízes responsáveis para dirimir conflitos entre os
interessados na salvaguarda dos seus direitos.
Igualmente, debruçar-se-á sobre a susceptibilidade de sobre os actos processuais
pesarem situações que poderão originar a sua ineficácia e invalidade ou ainda
resultarem na sua inexistência.
Para que o trabalho fosse realizado com bastante dedicação e responsabilidade,
foram utilizadas as seguintes fontes metodológicas:
Investigação pelos Dicionários;
Investigação pelos Livros;
Investigação pela Internet.
5
Teoria dos Actos Processuais
1. ACTOS PROCESSUAIS
O Direito Processual Penal é “o sistema de normas ou regras jurídicas que
disciplinam e regulam a aplicação do Direito Penal aos comportamentos delituosos
submetidos à apreciação dos tribunais”1. Correntemente todo o processo é uma
sucessão de actos destinados a concretização de determinado resultado.
Neste diapasão o Processo Penal consiste numa “sucessão de actividades, actos e
formalidades que têm em vista a realização do direito penal e, através dela, o
restabelecimento da ordem jurídica ofendida por comportamentos humanos,
legalmente definidos como crimes”2, mais simplesmente poderemos dizer que “é no
processo penal que se procede à investigação necessária para verificar se existe ou não
existe crime, se certos factos apurados constituem ou não crime, quem os praticou, em
que circunstâncias, porquê e qual grau de responsabilidade dos seus agentes”3.
A relação jurídica processual desenvolve-se através da prática de fatos e actos
processuais, assim faz-se necessário proceder a distinção atinente aos actos e factos
processuais.
Os actos processuais são actos jurídicos (enquanto acção humana), jurídicos por serem
tutelados pelo direito e produtores de efeitos jurídicos; processuais por se produzirem e
manifestarem num processo. Podem ser considerados, como “toda conduta dos sujeitos do
processo que tenha por efeito a criação, modificação ou extinção de situações jurídicas
processuais”4, de forma mais elaborada, reflectem os “os actos jurídicos praticados
pelos participantes e sujeitos processuais, em ordem à instauração, prossecução e
definição do processo penal e à realização jurídico-processual” 5. Destarte, para
consistirem em actos jurídicos processuais é incontornável a necessidade de ligação directa com
a relação jurídico-processual e o processo, deste modo, a sua realização é regulada pelas normas
de direito processual.
1
Cf. RAMOS, V. Grandão. Direito Processual Penal 2ª Edição. Lobito: Escolar Editora- Angola, 2015. Pág.
10
2
Cf. RAMOS, V. Grandão. Ibidem
3
Cf. RAMOS, V Grandão. Ibidem
4
Vide. MEDEIROS, Laís França in ACTOS PROCESSUAIS. Disponível em:
[Link] Acesso: 28. Dez. 2020 às
20h:06m
5
Cf. RAMOS, V. Grandão. Ibidem
6
Teoria dos Actos Processuais
De forma clarividente, o núcleo dos actos jurídicos processuais é a
voluntariedade humana, ou seja, para se efectivarem é indispensável o impulso dos
sujeitos da relação jurídica. Contrariamente, o fato processual é vinculado a passagem
de situações com o decorrer do processo penal, considerando-se o evento por meio do
qual se passa de uma situação jurídica a outra, não sendo efeito da vontade humana, ou
seja, “não dependem nem têm origem na vontade das partes ou sujeitos envolvidos no
processo.”6
O Direito por ser um sistema harmonizado de normas e princípios torna susceptível
o mútuo auxílio, entre os seus diversos ramos, destinados a regulação de questões que
carecem de normas específicas em determinadas matérias, assim, o Código de Processo
Penal por não fixar de forma autónoma regulamentação destinada aos actos processuais
sustentar-se-á, subsidiariamente, aos pressupostos e requisitos comuns à validade de
todos e quaisquer actos jurídicos assenhorados pela teoria geral do direito (legitimidade,
capacidade, etc.)
1.1 Actos processuais quanto ao modo, lugar e tempo
Não obstante ao apresentado anteriormente, o Código Processual Penal regula
explicitamente determinados aspectos adstritos tanto aos requisitos comuns, como a
capacidade para testemunhar atribuída às pessoas que geralmente não têm capacidade
para praticar actos jurídicos (ex.: menores e interditos— art.º216.º do C.P. Penal), bem
como ao modo (forma), lugar e tempo.
No que concerne a forma dos actos:
“A sentença é, em princípio, escrita e lida publicamente em audiência
(art.º449.º do C.P. Penal);
O juramento tem uma forma solene estabelecida na lei (art.º96.º do C.P.
Penal);
A língua utilizada nos actos é a oficial, nomeando-se intérprete no caso
de o declarante ou a testemunha, se for esse o caso, não a falarem ou
quiserem ser ouvidos utilizando a sua língua nacional (art.º 235º e 260º
do C.P. Penal e art.º 14º nº2 da Lei n.º 2/15, de 2 de Fevereiro.)
6
Cf. RAMOS, V. Grandão. Direito Processual Penal 2ª Edição. Lobito: Escolar Editora- Angola, 2015. Pág.
163
7
Teoria dos Actos Processuais
O interrogatório obedece à forma dos art.º 254º e 425º do C.P. Penal,
não devendo as perguntas ser sugestivas, capciosas, impertinentes ou
vexatórias.”7
Quanto ao lugar, devem produzir-se no tribunal respeitando assim o princípio da
concentração8 sem prejuízo ao estabelecido no art.º14.º da Lei n.º 2/15, de 2 de
Fevereiro.
Ao tempo aplicam-se regras precisas, determinando o horário de realização (art.º75.º
a 77.º) e fixação de prazos para prática dos mesmos.
2. CLASSIFICAÇÃO DOS ACTOS PROCESSUAIS
A classificação dos actos processuais obedece a critérios em razão dos sujeitos, em
razão do fim podendo, também, concretizarem-se em actos materiais e declarações.
Os actos processuais em razão dos sujeitos distinguem-se nos seguintes:
Actos processuais do Juiz, ex.: mandados de captura, despachos,
sentenças, etc.;
Actos processuais das Partes, apresentando categoricamente os actos
praticados pelo Ministério Público (ex.: requerimentos, acusação, etc.) e
os actos praticados pelo arguido (ex.: contestação, apresentação de provas,
etc.);
Actos processuais de Terceiros, ex.: declarações, avaliações, peritagens,
etc.
Neste critério avulta-se os actos processuais do juiz, pelo facto de o uso de tal
expressão ser alvo de críticas por duas razões. A primeira argumenta ser inconcebível a
sua aplicação por existirem actos praticados pelo Ministério Público como sujeito
processual e não nas vestes de parte do processo.
7
Cf. RAMOS, V. Grandão. Ibidem
8
Principio segundo o qual os actos devem decorrer sem grandes intervalos ou soluções de continuidade,
quer no que se refere ao local quer ao tempo. Vide RAMOS, V. Grandão. Direito Processual Penal 2ª
Edição. Lobito: Escolar Editora- Angola, 2015. Pág. 75
8
Teoria dos Actos Processuais
A segunda tem como motivação a indispensabilidade de serem trazidos à baila
os actos processuais da secretária. No entanto, tal argumento perde força devido a
execução de actos por parte da secretária por intermédio de ordens expressas pelo juiz.
Todavia, não existe rigorosidade neste facto visto que, há actos praticados de forma
autónoma pela secretaria por razão das suas atribuições ou disposições legais9.
Destarte, exibe-se a adopção da designação “actos processuais do tribunal”10
resultante da importância dos actos processuais levados a cabo pela secretaria.
Relativamente ao critério fim, a classificação enraíza-se no seguinte:
Actos de procedimento processual: reflectem aqueles que dão início ao
processo e dirigem-se à dinâmica do respectivo ordenamento;
Actos de promoção processual: consistem nos actos que cada uma das
partes executa no sentido da realização dos objectivos de seu interesse;
Actos de elaboração do fim do processo: representam os destinados a
aplicação do direito substantivo ao caso concreto definido no processo,
por intermédio de uma decisão judicial final.
Neste diapasão, o magnânimo processualista italiano Carnellutti divide os actos
processuais em instrumentais e finais.
Actos finais seriam aqueles por meio dos quais a punição é resolvida, ao passo
que os actos instrumentais consistem naqueles que permitem atingir os actos finais,
fornecendo meios ou instrumentos indispensáveis a sua realização. Estes últimos
incorporam ainda os actos de governo— destinados a regulação do processo; actos de
aquisição— por intermédio dos quais se adquirem os elementos necessários à realização
do seu fim; actos de elaboração — dirigidos ao uso por parte do juiz dos elementos
materiais adquiridos e por último os actos de verificação— orbitam em torno da
9
Entre os actos de secretaria prestigiam-se os autos e os termos. Os primeiros são aqueles em que se
torna notório determinado acontecimento ou obedece-se certa formalidade, enquanto, os termos
traduzem-se por um lado, naqueles destinados a constatar determinadas diligências ou titular certos
factos, por outro lado na materialização de declarações de vontade e compromissos assumidos pelas
partes, ganhando a designação de termos formulários. Vide.,. RAMOS, V. Grandão. Direito Processual
Penal 2ª Edição. Lobito: Escolar Editora- Angola, 2015. Pág. 176
10
Cf.,. RAMOS, V. Grandão. Ibidem
9
Teoria dos Actos Processuais
expressão do resultado de uma actividade de permanente apreciação traduzida na
susceptibilidade de esgotamento ou continuação do processo.11
No que concerne a concretização em actos materiais e declarações, gravita-se
em torno de os actos materiais consistirem, a título de exemplo, na realização de buscas
ou a apreensão do instrumento do crime, à medida que, as declarações
consubstanciarem-se em manifestações de vontade.
Cumpre fazer-se referência à subdivisão das declarações nos seguintes modelos:
Declarações de vontade: dirigidas a produção de um efeito jurídico;
Simples declarações voluntárias: aquelas que são alheias ao propósito de
produção de efeitos jurídicos;
Declarações de ciência: capaz de expressar o modo em que se
efectivaram as declarações voluntárias, ou seja, a conduta ou
procedimento adoptado para se conhecer determinado facto.
Outrossim, as declarações de vontade estão intrinsecamente adstritas a figura de
sujeito processual, visto que, somente estes e não os simples participantes as podem
fazer.
3. PRAZOS
De modo a regular ou solucionar situações capazes de turvar o quotidiano dos
diversos indivíduos adstritos a determinado núcleo societário, isto pelo facto de o
homem ser naturalmente social, e no entanto, conflituoso “homo homini lupus”, de
forma célere e eficaz, garantindo uma boa administração da justiça, os sistemas judiciais
estabelecem intervalos de tempo (prazos) para que sejam praticados determinados actos
destinados a extinção dos conflitos entre os integrantes da comunidade.
Dessarte, prazo judicial é o período de tempo durante o qual ou partir do qual pode
praticar-se um acto processual. Os prazos judiciais podem ser estatuídos pela lei 12 ou
por decisão judicial e têm como modalidades o prazo dilatório e o prazo peremptório—
art.º. 144º e 145º do Código de Processo Civil.
11
Vide., Carnellutti in LECCIONES SOBRE EL PROCESO PENAL, Ed. Jur. Europa., América, B. Aires 1950, III,
14 e segs.
12
Os prazos legais são, geralmente, improrrogáveis respeitando excepção estatuída nos art.º 144.º e
147.º do Código Civil.
10
Teoria dos Actos Processuais
3.1 Prazos dilatórios e Prazos peremptórios
Recorrendo aos dizeres do ilustre professor Vasco António Grandão Ramos “o
prazo é dilatório quando só depois do seu termo o acto pode ser praticado. Ou quando
só depois do seu decurso começa a contar-se outro prazo. O prazo é peremptório
quando o acto deve ser praticado enquanto decorre o prazo, isto é, entre o primeiro dia
do prazo e o último.”13
A defluência do prazo peremptório tem como consequência a extinção do direito
de praticar determinado acto, ou seja, faz caducar o direito— art.º 145.º n.º3 do C.P.
Civil aplicado de forma suplementar ao processo penal. A caducidade aqui patente tem
razão de ser no facto de os prazos em causa concederem direitos ou faculdades, de
prática de actos processuais, ao seu titular no período firmado legalmente. A prática de
tais actos além do intervalo temporal fixado resultará na sua invalidade jurídica.
Malgrado ao apresentado, o processo penal apresenta como consequência ao
incumprimento dos prazos peremptórios a figura dos prazos cominatórios. Neste
diapasão, não se afasta a obrigação de execução do acto dentro dos limites temporais, no
entanto, se forem realizados actos fora do prazo não recairão sobre a invalidade ou
ineficácia, terão assim como resultado o surgimento de prazos cominatórios.
Como linhas orientadoras para prática de actos no período estabelecido pela
ordem jurídica sobre prazos judiciais deve ser feita a contagem a partir do seu início
“dies a quo” ou do seu termo “dies ad quem”. Do mesmo jeito, à matéria de prazos em
processo penal aplicam-se de forma os preceitos cíveis estatuídos nos artigos 144.º a
149.º do Código de Processo Civil. Cumpre-se ainda destacar regra patente no n.º 3 do
art.º 144.º, onde dever-se-á transferir o termo do prazo que termine num Sábado para o
primeiro dia útil seguinte.
Como excepção dos prazos peremptórios, considera-se executável o acto
praticado fora do prazo quando tenha como alicerce justo impedimento devidamente
provado, situação imprevisível e alheia a vontade da parte que, impõe barreira para
prática do acto necessário por si ou por mandatário— art.º 145.º do C.P. Civil.
13
Cf.,. RAMOS, V. Grandão. Direito Processual Penal 2ª Edição. Lobito: Escolar Editora- Angola, 2015.
Pág. 164
11
Teoria dos Actos Processuais
4. INEFICÁCIA, INVALIDADE E INEXISTÊNCIA
A prática de actos destinados a produção de determinados efeitos jurídicos acarreta a
indispensável necessidade de assenhoreamento de pressupostos, assim sendo, a
inobservância de requisitos necessários é susceptível de despontar a ineficácia,
invalidade e inexistência dos actos praticados.
Como demonstrado anteriormente, os actos processuais devem revestir certa forma,
executarem-se em certo lugar e respeitar determinado limite temporal. Estes requisitos
gravitam em torno da constituição do próprio do acto. A existência a nível jurídico do
acto exige o cumprimento desses elementos, equitativamente, com intuito de afastar a
temida inexistência jurídica do acto é incontornável a conformidade com a lei e a
ausência de qualquer defeito ou vicio, ou seja, os actos não podem ser irregulares ou
mal conformados e imperfeitos, consequentemente os actos que acarretem estas ultimas
características serão considerados inválido.
Ocasionalmente os requisitos não são essenciais á constituição do acto, reflectem
simples circunstâncias exteriores capazes de o condicionar ou determinar. Assim, o
acto sem a sua presença permanece válido visto que, não reveste algum vício ou defeito.
No entanto, os efeitos pretendidos com a prática do mesmo não serão alcançados
tornando o acto em causa ineficaz. “Na ineficácia, por conseguinte, a produção de
efeitos jurídicos fica na dependência da realização de uma condição ou requisito
exterior ao acto praticado”14.
A invalidade e a ineficácia apresentam leve semelhante visto que, ambas apresentam
como consequência a não produção dos resultados jurídicos almejados. No entanto, no
que concerne a invalidade existe segmentação relativamente as suas consequências
jurídicas fruto das formas que ela pode acolher.
Deste modo, a invalidade poderá dirigir-se à inexistência jurídica ou à nulidade. A
primeira figura reflecte aqueles actos em que faltem um ou mais elementos constitutivos
essenciais, ao passo que, sobre a segunda figura orbita o acto juridicamente existente
(observância de todos os elementos constitutivos essenciais) que abarque anomalia,
vício ou defeito por não ter sido praticado em perfeita conformidade legal.
14
Cf.,. RAMOS, V. Grandão. Direito Processual Penal 2ª Edição. Lobito: Escolar Editora- Angola, 2015.
Pág. 167
12
Teoria dos Actos Processuais
Denota-se, ainda que negada por uma parte dos pensadores, categoria própria à
inexistência jurídica. Esta pode resultar em inexistência material do acto processual
bem como na nulidade absoluta. “Seja como for, em caso de inexistência jurídica, o
acto por falta, precisamente, dos elementos essenciais que o constituem não produz
nem em caso algum pode produzir efeitos jurídicos.”15
5. NULIDADE
Para análise da nulidade do acto, é indispensável considerar graus ou níveis de
efeitos ou consequências fundamentando-se no carácter instrumental dos actos
processuais, na obediência do princípio da economia processual e, por fim, na
influência, resultante do vício ou defeito, sobre os objectivos ou fins do processo. À
vista disso, a nulidade pode expor-se em duas categorias, nomeadamente: nulidade
absoluta e nulidade relativa.
A nulidade absoluta manifesta-se por intermédio daqueles actos cujos vícios
apresentam envergadura suficiente para comprometer actos posteriores e o próprio
processo, debilitando desta forma a decisão final. Por conseguinte, a nulidade absoluta
não pode ser sanada— art.º98.º do C.P. Penal.
No que concerne a corporificação da nulidade relativa, gravita-se em torno dos
actos cujos vícios ou defeitos não se consideram incorrigiveis. O acto é susceptível de
ser explorado não impedindo a concretização dos objectivos do processo. Assim sendo,
a nulidade relativa em algumas circunstâncias pode ser sanável e convalidada.
Releva-se aqui que a correcção do acto relativamente nulo pode materializar-se
por um lado, por intermédio de ratificação expressa (art.º 98.º,§ 4.º do C.P. Penal) ou
tácita, por outro lado, por meio de se considerar irrelevante, afastando assim qualquer
prejuízo ao fim do processo. A figura em apreço, de forma semelhante às nulidades
absolutas, pode ser alvo de intervenção por parte do tribunal, isto é podem ser
conhecidas por este oficiosamente.
15
Cf.,. RAMOS, V. Grandão. Direito Processual Penal 2ª Edição. Lobito: Escolar Editora- Angola, 2015.
Pág. 168
13
Teoria dos Actos Processuais
Estas figuras diferem-se simplesmente pela possibilidade de serem sanadas ou
não, desta forma, as nulidades absolutas são insanáveis e as nulidades relativas são
sanáveis.
Outrossim, situações há em que “o vício ou defeito tenha tao pouca influência
no regular andamento do processo que só determinara a anulação do acto viciado ou
defeituoso, se e quando os interessados, em determinadas e bem determinadas
circunstâncias de tempo e de lugar, arguirem a nulidade, isto é invocarem a nulidade e
requererem a anulação”, assim sendo, o acto é anulável. São dominantes nestas
situações as meras irregularidades ou nulidades secundárias cujo regime está
estabelecido no art.º 100.º do C.P. Penal.
14
Teoria dos Actos Processuais
CONCLUSÃO
De acordo com a pesquisa ora feita, chega-se a conclusão que todo o processo
tem como núcleo fundamental os actos praticados no decorrer deste, se assim não o
fosse, seria inconcebível a concepção de processo como sendo a prática sucessiva e
harmonizada de actos dirigidos a certo fim.
Neste diapasão, os actos processuais penais assenhoram classificação própria e
reflectem os passos ou acções destinadas à reintegração da esfera jurídica daqueles que
buscam protecção no largo vasto arsenal de preceitos e princípios adstritos ao direito,
não obstante, para efectiva extinção da situação onde presencia-se viabilidade de
enraizamento de conflitos no meio comunitário é imperiosa a submissão a determinadas
disposições legais, como as adstritas a sua constituição e momento de execução.
15
Teoria dos Actos Processuais
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
RAMOS, V. Grandão. Direito Processual Penal 2ª Edição. Lobito: Escolar
Editora- Angola, 2015.
MEDEIROS, Laís França in ACTOS PROCESSUAIS. Disponível em:
[Link]
16