LOGÍSTICA EMPRESARIAL - CEDERJ
Coordenadora da Disciplina: Profa. Rosana Frujuelle
A LOGÍSTICA DO ROCK IN RIO
1. História do Rock in Rio
O Rock in Rio é um festival musical arquitetado pelo empresário Roberto Medina
e foi realizado pela primeira vez em 1985. É original do Rio de Janeiro, de onde surgiu o
nome, e tornou-se um evento mundial, tendo, em 2004, a sua primeira edição fora do país,
em Portugal.
No início das organizações, o Rock in Rio encontrou muitas dificuldades,
principalmente a respeito de patrocínio. Como festivais eram uma coisa completamente
nova no Brasil, nenhuma empresa se propôs a apoiar, mas, logo depois da confirmação
de artistas de peso, tudo mudou e enfim o festival se encaminhou. O governador do estado
na época, Leonel Brizola, se mostrou contrário a realização do festival.
O sucesso do primeiro Rock in Rio foi creditado ao fato de o público brasileiro ter
pela primeira vez a oportunidade de assistir a espetáculos de grandes estrelas
internacionais, reunidas ainda com artistas nacionais, coisa que nunca havia ocorrido em
tamanha escala, já que artistas estrangeiros não costumavam se apresentar no país.
A primeira edição do Rock in Rio ocorreu em 1985, no bairro de Jacarepaguá, em
uma área de 250 mil metros quadrados, construída principalmente para receber o evento,
além de um palco de cinco mil metros, o maior já montado para um festival da época.
Contou com um público de 1.380.000 pessoas e 28 bandas (incluindo nacionais e
internacionais), centro médico, redes de fast food, além de dois shoppings centers,
características dos festivais internacionais que eram realizados na época. Durante o
festival foram consumidos 1,6 milhão de litros de bebidas, 900 mil sanduíches, 7.500
quilos de massa e mais de 500 mil fatias de pizza.
O festival se repetiu em 1991, porém com uma edição mais modesta, que ocorreu
no estádio do Maracanã, no qual o gramado foi adaptado para receber o palco e os
espectadores. O evento contou com um público de 700 mil pessoas entre os dias 18 e 27
de janeiro. O palco tinha 85 metros de frente por 25 metros de profundidade, e era cercado
por duas telas de 9 metros de altura por 7 metros de comprimento.
Já a terceira edição do festival ocorreu em 2001. O Rock in Rio III ocorreu
novamente em Jacarepaguá, local da primeira edição, com uma “Cidade do Rock”
reconstruída e um público de 1.235 milhão de pessoas e 160 bandas. Foram consumidos
600 mil litros de cerveja, 630 mil sanduíches e 435 mil refrigerantes. O diferencial dessa
edição foi a transmissão simultânea por meio de televisão e rádio para o mundo todo,
inclusão de novos palcos, como de música eletrônica e africana.
Nessa edição, o festival começou a apoiar projetos socioambientais, trazendo entre
suas atrações algumas personalidades envolvidas em projetos do gênero, inclusive, às 19
horas do dia 12 de janeiro de 2001, 3.232 emissoras de rádio e 425 de TV fizeram 3
minutos de silêncio, isso para promover a reflexão sobre como fazer do mundo um lugar
melhor.
Entre 2004 e 2008 ocorreram os festivais nas cidades de Lisboa – Portugal e
Madrid, na [Link] década depois da terceira edição do Rock in Rio Brasil, o
festival volta ao seu país de origem, a quarta edição do festival foi realizada nos dias 23,
24, 25 e 30 de setembro e nos dias 1 e 2 de outubro de 2011.O Rock in Rio 2011 entrou
na história dos festivais de todo o mundo por ter esgotado todos os seus ingressos em
apenas quatro dias após a abertura das vendas.
E assim novas edições vieram 2013, 2015, 2017 e 2019, fazendo com que o Rock
in Rio se transformasse na Disney da música. Estrelas mundais como Justin Timberlake,
Black Eyed Peas, Bon Jovi, Kate Perry, Fergie, Alok, Shakira, Pink, Drake, H.E.R., Pet
Shop Boys, Rihanna, Maroon 5 (dentre tantos outros) estiveram presentes encantando e
demonstrando a força de uma marca que passa de geração para geração. Como
abordagem prática do Módulo 1 de nossa disciplina serão descritos a seguir alguns dos
elementos e atividades que compõem a Logística do Rock in Rio (RIR).
2. Aspectos da Logística do Rock in Rio
Tudo que envolve o RIR é gigante, sendo que a estrutura monumental que é
montada a cada nova versão do festival, os ingressos que se esgotam em horas e os nomes
de peso mundial são algumas das coisas que caracterizam o sucesso desse espetáculo.
Apesar da solidez, erguer um festival com essas proporções é um desafio para a sua
organização.
Considerando as duas últimas edições, alguns números médios da Logística do
RIR em cada edição são:
- 700.000 pessoas como telespectadores considerando os 7 dias do festival;
- 300.000 metros quadrados de área da Cidade do Rock;
- 80.000 metros de grama sintética;
- 20.000 pessoas credenciadas para trabalhar no complexo;
- 10.000 toneladas de equipamentos usados;
- 2.000 latas de lixo distribuídos no espaço;
- 1.500 artistas na programação oficial;
- 700 produtos licenciados com a marca Rock in Rio;
- 500 atrações programadas por dia;
- 85 lojas fazendo parte da estrutura;
- 11 milhões de fãs que a marca tem online; e
- Consumo em cada uma das últimas edições em média 120 mil hambúrgueres,
75 mil paletas mexicanas e 20 mil milk-shakes.
Neste contexto, a seguir é descrito elementos que envolvem as seguintes
atividades da Logística: Programação de Produtos, Aquisição, Transporte, Armazenagem
e Processamento de Pedidos.
2.1. Programação de Produtos e Aquisição
Para a abordagem deste tópico cabe destacar outro número importante nas últimas
edições do festival que se refere à quantidade de produtos licenciados. No total, foram
em média 700 itens de 35 marcas com o nome do festival estampado, divididos em 9
categorias que variam de higiene pessoal a decoração. Contudo, apesar de positiva para
ambas as marcas por conta dos efeitos de divulgação, algumas complicações logísticas
surgiram pela variedade de itens.
Na visão dos managers do Rock in Rio, a seleção e manutenção dos produtos
licenciados deve contar com uma rigorosa avaliação que garanta um planejamento
estratégico da demanda, já que o público alvo deve ser minimamente interessado nas duas
marcas. Já para a marca licenciada, a gestão operacional da demanda deve ser planejada
com cuidado, tendo em vista que o evento possui um efeito finito de euforia do público,
de modo que qualquer estoque em excesso pode significar esforço em vão, contabilizado
como custos que não serão revertidos pelo efeito do marketing do festival.
Haja cerveja, refrigerante, sanduíche e biscoito. Para abastecer a Cidade do
Rock, os principais fabricantes do país, restaurantes e supermercados têm encarado uma
maratona de logística e planejamento.
Só a Heineken produziu nas duas últimas edições 650 mil litros em média de
chope para os sete dias de evento — volume que representa 5% de toda a produção
nacional da companhia holandesa para o mês. Da fábrica em Araraquara, em São Paulo,
vieram 16 caminhões para abastecer o festival, que consumiu 25% do investimento anual
da companhia, sendo que cada chope saiu por R$ 12 em 2017.
Cabe ressaltar, que o Rock in Rio é o evento que mais movimenta a marca
HeineKen no ano. Entre os mais de cem festivais de todo o mundo de que a marca
participa, este é o maior, estando com 200 chopeiras na Cidade do Rock na edição de
2019. O evento é tão grande que suas operações na Argentina e no Chile usam o Rock in
Rio como uma plataforma de conteúdo para esses países.
Quem também separou algumas dezenas de toneladas para o evento foi a marca
de salgadinho Doritos, da Pepsico, que estreiou em 2017 como patrocinador neste
festival. A venda dos salgadinhos — cada pacote saiu a R$ 6 — foi o dobro do previsto
e como resultado: a companhia vendeu, nos primeiros dias de festival, tudo que projetou
para os sete [Link] 80 vendedores contratados, a marca criou ainda três sabores
específicos para os dias de música. Como as embalagens são especiais, a fábrica fez uma
linha de produção específica e contou com um centro de distribuição exclusivo para o
evento no Rio. De forma a atrair o público, a empresa “bancou” uma torre de queda livre,
com 40 metros.
2.2. Transporte e Armazenagem de Equipamentos
Quanto ao transporte e armazenagem de materiais dos shows, desde a edição de
1991 a Waiver Logistics, especialista em logística de eventos, é a parceira logística dos
equipamentos de som e imagem do Rock in Rio, realizando o transporte da maioria dos
equipamentos de artistas e participantes, além de acompanhar por toda a América Latina
os que estão em turnê. Assim como a maior parte do equipamento necessário para os
cenários do festival, todo o equipamento de som e imagem, inclusive os instrumentos de
cada músico, deve ser transportado através de um modal marítimo ou aéreo, finalizando
a viagem através do modal rodoviário até o local do evento.
Para os instrumentos musicais dos artistas, a armazenagem é o principal fator a ser
observado, não só ao longo do transporte, mas também no local do show e, algumas vezes,
até mesmo no próprio palco. Como praticamente todos os instrumentos são feitos de
materiais sensíveis à temperatura e umidade do ar, esses precisam passar por ajustes para
garantir sua qualidade e afinação. Para casos mais extremos, como de instrumentos
acústicos, a madeira que compõe o instrumento pode vir a rachar, sendo necessário que a
madeira se acostume lentamente com a temperatura local até o momento do show.
A Waiver cuida da Logística Internacional do Rock in Rio junto aos idealizadores do
evento desde 1991. A parceria começou há 25 anos e hoje a empresa contabiliza algumas
centenas de processos de importação e exportação realizados para edições do Rock in
Rio no Brasil, Portugal, Espanha e Estados Unidos.
A Cidade do Rock recebe centenas de toneladas de equipamentos de palco, som,
iluminação, cenários dos EUA e de vários países de Europa, conforme dito anterioemnete,
via aérea e marítima para Palco Mundo, o Sunset, o Rock Street, a Street Dance além
de equipamentos das próprias bandas e músicos. Ao final de cada show, tudo deve ser
coletado e reexportado para o próximo destino das bandas.
As bandas que estão em turnê pela América Latina, logo após o Rock in Rio, seguem
seu ´tour management´ e a Waiver cuida da logística de suas cargas por toda a América
Latina.
O Rock in Rio é sem dúvidas um grandioso evento que demanda muitos meses de
planejamento e deslocamento de equipes pelo Brasil e outros países da América do Sul
para acompanhar chegadas e saídas de cargas para garantir que tudo aconteça dentro do
planejado, com data e hora marcada.
2.3 Transporte do Público e o uso de Tecnologia de Informação
Quanto ao público, verificou-se nas duas últimas edições que 810 mil passageiros
circularam no aeroporto RIOgaleão, no período de 7 dias do festival, contemplando
chegadas e partidas e com 262 vôos extras. Para estimular o transporte público, todo o
entorno do Parque Olímpico possuiu estacionamento proibido. Metrô e BRT com
operação 24 hs de forma integrada.
Nas operações de trânsito foram 550 homens por dia, entre guardas municipais,
controladores da CET-Rio e pessoal de apoio, com 40 veículos operacionais e 44
motocicletas, para manter a fluidez, coibir o estacionamento irregular, ordenar os
cruzamentos, orientar pedestres e efetuar os bloqueios.
Por meio de 35 painéis de mensagens variáveis, o público se informava sobre os
horários dos fechamentos de vias, rotas alternativas e restrições de estacionamento. O
Centro de Operações Rio fez o monitoramento da área do evento e dos acessos com mais
100 câmeras. Waze e Google Maps em parcerias com a Prefeitura e estiveram indicando
previamente as ruas fechadas no entorno do local.
Quanto à acessibilidade a organização, se beneficiou da boa estrutura olímpica,
que configurou-se no melhor modelo do mundo. A ideia teve como objetivo central
proporcionar a todas as pessoas, sem distinção, a oportunidade de aproveitar as atrações.
Para isso, foram instaladas plataformas PNE (pessoas com necessidades especiais) em
locais próximos dos palcos, com direito a um acompanhante por pessoa.
2.4 Processamento de Pedidos
Para caracterizar esta atividade da Logística será utilizado a caracterização da
compra de ingressos, pois é o passaporte utilizado para usufruir de todas as atrações e
das opções de consumo disponíveis para aquele dia do ingresso.
Para efetuar a compra dos ingressos do evento é necessário possuir um CPF válido
na Receita Federal , além de um cadastro ativo na [Link]. A compra deve ser feita pelo
site [Link]. Os ingressos são diários, válidos para uma única entrada
no festival, no Gramado, sendo de livre circulação e acesso a todos os shows e atrações.
Após a compra o cliente deverá esperar um período (lead time) para receber a
pulseira que chegará via Correios no endereço indicado ou ser retirado em pontos físicos
divulgados pelos organizadores dos eventos. É como comprar via e-commerce um
produto qualquer e esperar a disponibilidade do mesmo.
3. Referências Bibliográficas
Bueno, Marcos J.C.; Queiroz, Maciel M.; Stettiner, Caio F.; Cisi, André L. e
Marcellos, Lincoln N. - Rock in Rio 2011, Os Desafios da Logística e Meio Ambiente
– Encontro Internacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambientes – ENGEMA –
2012.
Costa, Lucas – A Logística como fator chave para o Rock in Rio , 2019,
[Link]
Ribeiro, Luis E. – Rock in Rio 7: Megaoperação de um Rio que funciona, 2017,
[Link]
OBS: Algumas informações aqui descritas foram obtidas em lives da Curseria
do Rock in Rio e em experiências frequentando diversas edições do RIR.