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Tipos de Gramática: Definições e Conceitos

O documento apresenta três tipos de gramática: normativa, descritiva e gerativa. A normativa define regras corretas de uso da língua, a descritiva descreve como a língua é realmente usada, reconhecendo variações, e a gerativa se refere ao conhecimento mental interiorizado que permite aos falantes produzir frases.

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Tipos de Gramática: Definições e Conceitos

O documento apresenta três tipos de gramática: normativa, descritiva e gerativa. A normativa define regras corretas de uso da língua, a descritiva descreve como a língua é realmente usada, reconhecendo variações, e a gerativa se refere ao conhecimento mental interiorizado que permite aos falantes produzir frases.

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CAPITULO 1

O QUE É GRAMÁTICA?

1.1. Introdução

De acordo com Possenti (2004, p.63), “a noção de gramática é controvertida:


nem todos os que se dedicam ao estudo desse aspecto das línguas a definem da
mesma maneira.”. Isso significa que nem todos os estudiosos da “norma”
conseguem definir o conceito de gramática, porém para Possenti (idem)
“gramática é o conjunto de regras”.

A gramática, quando considerada um conjunto de regras, é a determinação do uso


de normas as quais são essenciais para o perfeito uso da língua materna.

Parafraseando Houaiss (2004), gramática é o conjunto de prescrições e regras que


determinam o uso considerado correto da língua escrita e falada.

Todavia, esses conceitos são direcionados a um tipo de gramática: a normativa.


Essa é a que apresenta as normas sintáticas e morfológicas para o bom uso da
língua, é a ensinada nas escolas.

Vieira e Brandão (2007, p.15) apresentam, além da gramática normativa, outros


três tipos de gramática: descritiva, gerativa e funcional.

O objetivo deste capítulo é apresentar os conceitos dos tipos de gramática, acima


apresentado, conhecimento necessário para o entendimento do que será
apresentado no decorrer desta pesquisa.

1.2. Tipos de Gramática

1.2.1. Gramática Normativa

Essa é a mais conhecida pela população. Conforme dito anteriormente, a


gramática normativa é a que impõe as regras para o bom funcionamento da
língua falada e escrita, além de ser a ensinada nas escolas.

Entende-se, neste tipo de gramática, que a língua deve ser utilizada de forma
correta, em qualquer situação de fala e escrita, ignorando as variações que,
inevitavelmente, existem no português.

Endeusada por seus falantes, essa gramática é o que se pode chamar de


“preconceituosa”, por não aceitar as variações, além de ser o “terror” de muitos
estudantes, tendo em vista a dificuldade de entendimento de suas regras
complexas.
O domínio da língua culta é o objetivo dos professores de português que utilizam
essa linha de ensino, pois essa é a prestigiada pela sociedade. Segundo Antunes
(2007, p.30), as regras de concordância e da regência verbal são as modalidades
da sintaxe que mais se encaixam nesse perfil social, já que aí se encontram as
normas para um falar “sem erros”.

Em suma, a norma culta não deve ser desmerecida. Ela se encaixa em


determinados níveis sociais e em situações específicas, assim como todas as
outras. Em momentos formais, ela é estritamente necessária, como por exemplo,
numa entrevista de emprego. Em contramão, quando o falante estiver
conversando com os amigos ele não deverá usar uma língua formal, pois o
ambiente não é propício para essa linguagem. A gramática normativa é
importante, mas não essencial.

Por ser a mais comum, não cabe aqui detalhar a fundo suas características.

1.2.2. Gramática Descritiva

A definição de gramática descritiva é muito parecida com a da gramática


normativa, podendo ser confundidas.

De acordo com Possenti (2004, p.65), gramática normativa é conjunto de regras


que devem ser seguidas. Já a gramática descritiva é o conjunto de regras que são
seguidas.

A visão da gramática descritiva é a de explicar como a língua é falada, o ponto


chave da diferenciação entre a gramática normativa.

Possenti (2004, p.66) apresenta alguns exemplos de diferenças entre o que se


espera da gramática normativa e o que revela uma gramática descritiva:

a) as segundas pessoas do plural que são encontradas nas gramáticas


desapareceram. Na verdade, desapareceu tanto o pronome quanto a forma verbal.
O vós passou a ser vocês e o fostes, no caso da forma verbal, passou a ser foram
– ficando: vós fostes e vocês foram.

b) os futuros sintéticos praticamente não são mais ouvidos, apesar de serem


utilizados na escrita. Na oralidade, o futuro é expresso por uma locução verbal:
vou sair, vou cantar... e não mais pela forma sintética: sairei, cantarei. O mesmo
pode ser dito do pretérito mais-que-perfeito, que, apesar de ainda ser ensinado
nas escolas, não é mais usado na oralidade. O fora, cantara são expressos por
tinha ido, tinha cantado.

c) o infinitivo perdeu a sua marca. As pessoas, na oralidade (é sempre bom


ressaltar), não usam mais o “r”; dormir passou a ser dormi, com um “i” mais
prolongado, como se estivesse acentuado.
d) as formas de terceira pessoa em posição de objeto direto “o/a/os/as” também
não se ouvem mais; ocorrem eventualmente na escrita. Foram substituídas por
ele/ela/eles/elas, apesar de parecer um escândalo a certos ouvidos. O mesmo
ocorre com a forma “lhe(s)” a qual agora funciona como objeto direto, alternando
com a sua função de objeto indireto, sendo substituídas, na maioria das vezes, por
“a/para ele ou a/para ela”.

e) o pronome “nós” foi substituído por “a gente”, tanto na fala, o que é mais
comum, quanto na escrita.

Com esses exemplos ficou mais nítido o conceito de gramática descritiva, quando
se fala em gramática do uso da língua. Percebe-se que as regras impostas pela
gramática normativa não podem ser direcionada à fala da mesma maneira que à
escrita. A fala aceita variações e a escrita não.

A gramática descritiva, de acordo com Antunes (2004, p.33), não foca elementos
estruturais da língua e sim hipóteses do uso considerado padrão, ou ainda uma
língua, que ao invés de ser usada em situações soltas e descontextualizadas,
segue uma linha contextualizada e de uso real.

Vieira e Brandão (2007, p.15) classificam a gramática descritiva como sendo


aquela que “pretende depreender o sistema de uma língua, através do
estabelecimento de unidades no interior de cada sistema e de suas relações
opositivas”, ou seja, a língua deve ser estudada como ela é e não somente através
de sua estrutura, deve ser vista de forma heterogênea tanto na fala quanto na
escrita, sem descartar, mas adaptando, as regras de uso.

Houaiss (2004), em seu dicionário, segue a mesma linha de Vieira e Brandão,


quando da rubrica – lingüística estrutural: Descrição sincrônica de uma língua
fundamentada nos postulados do estruturalismo, e que adota a concepção de
língua como um sistema em que todos os elementos são interligados e
interdependentes e a noção de oposição.

Quando da rubrica – lingüística, Houaiss segue a mesma concepção de Possenti:


descrição sincrônica, rigorosa, objetiva e completa (abarcando a fonologia, a
morfologia, a sintaxe e a semântica) de qualquer das variantes de uma língua,
sem pré-julgamentos quanto à correção gramatical, a partir de um corpus de
enunciados produzidos espontaneamente por falantes nativos.

1.2.3. Gramática Gerativa

Também conhecida como gramática gerativista, é aquela em que se constitui um


sistema de regras direcionadas para a competência lingüística.

Idealizada por Noam Chomsky, essa gramática retrata o conhecimento


mentalizado que os falantes possuem da língua, uma competência lingüística.
Para entender melhor o que é a gramática gerativa é interessante saber o que é
competência lingüística :

Na ótica de Chomsky, competência lingüística é a capacidade


que o falante tem de a partir de um número finito de regras,
produzir um número infinito de frases.[...] Passou-se, então, a
pesquisar o que faz com que o texto seja um texto, isto é, quais
os elementos responsáveis pela textualidade. [...] para os
gerativistas todos os povos humanos, desenvolvem a
linguagem, portanto, deve haver algo que na mente humana que
torna possível tal capacidade ou faculdade. [...] segundo os
gerativistas a língua é um sistema de conhecimentos mentais, a
competência é o conhecimento que o falante possui e a
gramática consiste em um dicionário mental. Chomsky apud
Raposo (1992) afirma que “um falante-ouvinte-ideal”, situado
numa comunidade lingüística completamente homogênea, que
conhece a sua língua perfeitamente. E que aplicar seu
conhecimento da língua numa performance afetiva, não é
afetado por condições gramaticalmente irrelevantes, tais como:
limitações da memória, distorções, desvios de atenção e
interesses e erros. (adaptado)

Tal concepção seria perfeita se aplicável. Não existe um falante tão ideal, assim
como não existe uma comunidade homogênea.
Diante do conceito de competência lingüística, pode-se afirmar que de todas as
concepções gramaticais apresentadas até agora, essa é a mais próxima da
oralidade, pois valoriza a gramática internalizada, aquela que parte do principio
de que o falante nasce com conhecimentos gramaticais mínimos.

A gramática gerativa, ainda na visão de Chomsky, é dividida em dois grupos : A


Gramática Universal, aquela que está presente em todas as línguas e remete-se ao
estado zero da mente e é comum a qualquer pessoa. Englobam-se nesse conceito
as propriedades da semântica, sintaxe e morfologia. A Gramática Particular, a
qual se utiliza da gramática universal e também das características próprias de
cada língua. Os elementos da língua fazem parte da gramática universal, já a
forma e ordem de como esses elementos são organizados na linguagem fazem
parte da gramática particular.

Para ficar mais claro, entende-se que a gramática universal é aquela comum a
todos os falantes da língua materna, por exemplo, no Brasil toda a população fala
a Língua Portuguesa. A gramática particular é o uso da língua.

Exemplificando gramática gerativa, Antunes (2007 p.26), apresenta o seguinte


exemplo:

Uma criança de dois anos e quatro meses, ao ser interrogada se queria falar
pelo telefone com a avó, respondeu prontamente:
– Quero

Observa-se que essa criança não disse “queremos”, “quis”, “querem”, nem outra
coisa qualquer que não fizesse sentido nessa situação específica. Pelo contrário,
usou o verbo no tempo, pessoa, número e modo adequados.

Diante disso, fica nítida a afirmação de que o falante, mesmo não tendo
freqüentado a escola e tido noções de gramática, que certamente seriam passadas
na terceira ou quarta série do ensino fundamental, ou seja, muito tarde, possui
uma base da língua suficiente para a comunicação.

Houaiss define a gramática gerativa da seguinte maneira, quando da rubrica –


lingüística: descrição de uma língua que usa regras formalizadas, constituindo
um conjunto de instruções inteiramente explícitas e de aplicação mecânica, e que
são capazes de gerar todas as frases gramaticais de um língua e nenhuma
agramatical.

1.2.4 – Gramática Internalizada

No item anterior, em diversos momentos foi mencionada a existência de outra


gramática, a internalizada.

Possenti (2004 p.69) define gramática internalizada como o conjunto de regras


que o falante domina. Isso significa que o falante, mesmo sem ter freqüentado a
escola, possuiu conhecimento gramatical suficiente para se comunicar.

Um exemplo de gramática internalizada, comum, é o fato de que as crianças com


pouco tempo de vida conseguem se comunicar sem problema, apesar das frases
não serem coesas.

Antunes (2007, p. 27), apresenta o seguinte diálogo:

– Quem quer falar com a vovó? Pergunta a mãe de um garoto e ele responde:

– Eu quero! – ou, simplesmente:

– Eu.

Ambas as respostas estão corretas. Na primeira a criança utilizou uma estrutura


mais complexa, colocando tanto o sujeito quanto o verbo devidamente
conjugado; na segunda, ela omite o verbo e mantém somente o sujeito.
Dependendo da idade, a criança utiliza uma estrutura mais secundária, como “eu
qué”, ou “qué”.

Antunes (2007,) coloca ainda que:


“Se uma criança diz ‘minhas colegas e meus colegos’, ‘um
algodão’ e ‘um algodinho’, é porque já domina as regras
morfossintáticas de indicação do masculino e do feminino, bem
como as regras de indicação do aumentativo e do diminutivo em
português. Ou seja, já sabe esses pontos da gramática”. (p.27)

Scherre (apud Antunes, 2007 p.27) afirma ainda que “com 3 anos de idade,
qualquer criança de qualquer parte do mundo se comunica com estruturas
lingüísticas complexas”.

1.2.4. Gramática Funcional

O papel da gramática funcional é o de verificar o modo como a língua está sendo


usada em seu dia-a-dia. Ou seja, se aceita aqui o fato de que a língua é dinâmica
e está sujeita a variações.

Para os que seguem essa linha o importante é a interação verbal, tendo em vista
que é através dela que se conhece a relação interacional entre os indivíduos,
fazendo com que fica estabelecida a comunicação entre eles.

Fragoso  (2003) propõe algumas características do funcionalismo, observe:

1. A língua é um instrumento de interação social;

2. A principal função da linguagem é mediar a comunicação;

3. A capacidade linguística do falante compreende não só a


habilidade de construir e interpretar, mas também de usar tais
expressões de maneira apropriada e efetiva;

4. As expressões linguísticas são compreendidas quando


consideradas dentro do contexto;

5. Os universais linguísticos são explicados através dos fins de


comunicação.

As teorias que norteiam a gramática funcional referem-se, em grande parte, à


competência comunicativa, ou seja, a capacidade que o ser tem de se interpretar a
situação discursiva de maneira apropriada. “Os universais linguísticos, sob a luz
dessa abordagem, se constituem de uma derivação da universalidade dos usos da
linguagem nas sociedades humanas.” (Fragoso, 2003).

A funcional diferencia-se em vários aspectos da norma, observe algum deles


propostos por Fragoso:
Tabela 1 – Norma X Função

Fonte: UNIGRANRIO

Em resumo, a gramática funcional trabalha com a perspectiva da


emissão/recepção, isto é, o usuário tem a intenção de emitir a mensagem de tal
maneira que o ouvinte consiga entendê-la, decodificá-la e interpretá-la de acordo
com a situação discursiva.
No próximo capítulo serão discutidas questões relativas ao texto, como
elementos de coesão e coerência, tipos e gêneros textuais.

CAPÍTULO 2

O QUE É TEXTO?

2.1. Introdução

Segundo Silveira (1986, p.65) o texto é uma unidade significativa, cuja análise
requer critérios de coerência, coesão e situcionalidade. Este é apenas um dos
vários conceitos de texto existentes nos estudos da Língua Portuguesa.

Houiass , em seu dicionário eletrônico, define texto como sendo: (1) conjunto das
palavras de um autor, em livro, folheto, documento, etc., redação original de
qualquer obra escrita; (2) conjunto de palavras citadas para provar alguma idéia
ou doutrina; e (3) trecho ou fragmento de obra de um autor.

Neste capítulo serão apresentados além dos conceitos de texto, os elementos de


coesão e coerência, os tipos e gêneros textuais.

2.2. Conceito de Texto

De maneira geral, texto é a construção de enunciados verbais e não-verbais,


ligadas por elementos coesivos, os quais o tornam coerente de acordo com o
contexto.

Não há como definir texto sem falar de contexto. Contexto é o universo do


discurso, é o onde ocorre o fato definido no texto. Para Houiass, é o conjunto de
palavras, frases, ou o texto que precede ou se segue a determinada palavra, frase
ou texto, e que contribuem para o seu significado; o encadeamento do discurso.
Isso quer dizer que é necessário ter um contexto para que o discurso seja passado
de forma coerente e clara para o leitor.

Os PCNs consideram o texto como o ponto-chave para o ensino de língua


portuguesa. Segundo eles, o discurso quando realizado pelo falante, seja de forma
oral ou escrita, produz um resultado significativo e este resultado é um texto.
Todavia, esta sequência verbal deve ser constituída de relações entre si, causando
uma relação de coesão e coerência, as quais serão explicadas posteriormente.

Em resumo, isso quer dizer que para um texto ser um texto, ele deve estar
inserido num contexto e ter uma significação global, deverá ser compreendido
por seu leitor, caso contrário será apenas um amontoado de palavras sem sentido.

Os textos, ainda, poderão estar em constante ou contínua relação com outros


textos, isto é, desde que se relacionam significativamente. Ou seja, um texto
completa ou complementa a idéia de outro texto, de forma implícita ou explicita.
Isso é chamado de intertextualidade.

Uma das características do leitor/escritor que possui competência discursiva é o


sujeito que é capaz de utilizar a língua de modo variado, produzindo diversas
maneiras de adequação dos textos em diferentes situações de interlocução oral e
escrita. É o que os PCNs chamam de competência lingüística (refere-se aos
saberes que o falante/intérprete possui sobre a língua da sua comunidade e utiliza
para a construção das expressões que compõem os seus textos, orais e escritos,
formais e informais, independentemente da norma padrão, escolar ou culta) e
competência estilística (refere-se à capacidade de o sujeito escolher, dentre os
recursos expressivos da língua, os que mais convêm às condições de produção, à
destinação, finalidades e objetivos do texto e ao gênero e suporte).

No próximo item, trabalhar-se-á com os elementos primordiais para a construção


de um texto.

2.3. Elementos Textuais: Coesão e Coerência

O texto é uma unidade significativa composta por duas estruturas fundamentais


para a o seu entendimento: microestrutura e macroestrutura.

Os elementos microestruturais são elementos gramaticais responsáveis pelo


ligamento do texto, conhecidos como conectivos. Os conectivos são
microestruturas textuais conhecidas como coesão. Elas são fundamentais para a
estrutura do texto, pois são através delas que as frases são ligadas permitindo ao
texto a inserção no contexto em que está sendo produzido. Elas são consideradas
uma microestrutura porque estão diretamente ligadas ao texto.

Segundo Silveira (2004):

Um texto responde às exigências de coesão se todas as frases


que o compõem aí são aceitáveis como sequências possíveis do
contexto anterior. Assim, parece-nos improvável que um texto
seja simplesmente uma sequência de frases ou mesmo que uma
frase se reduza se reduza a uma sequência simplesmente linear
de palavras; neste sentido, para nós, toda descrição, seja de
frases ou de sequência de frases, deve estar integrada à
coerência macroestrutural. (p. 68)

Isso significa que a coesão é diretamente proporcional à coerência. Para que um


texto seja coerente de acordo com o contexto apresentado, ele deve estar
corretamente ligado.

A coesão pode ser vista tanto em enunciados mais simples, como “Mulheres de
três gerações enfrentam o preconceito e revelam suas experiências”, quanto em
mais complexos, como “Os amigos que me restam são da data mais recente;
todos os amigos foram estudar a geologia dos campos-santos. Quanto às amigas,
algumas datam de quinze anos, outras de menos, e quase todas crêem na
mocidade. Duas ou três fariam crer nela aos outros, mas a língua que falam
obriga muita vez a consultar os dicionários e tal frequência é cansativa.
(Machado de Assis)” 

No enunciado mais simples tem-se como modelo de coesão o


substantivo mulheres e o pronome a que se refere, sua, enquanto que no mais
complexo tem-se o pronome que remetendo a amigos, o qual é sujeito dos
verbos restam e são.

É importante ressaltar que o texto não deixa de ser coerente simplesmente por
não possuir elementos de coesão, bem como os elementos coesivos não são
suficientes para dar coerência ao texto. Observe:

“Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxugou-se.


Perfumou-se. Lanchou. Escovou. Abraçou. Beijou. Saiu. Entrou. Cumprimentou.
[...]”.

Este é um fragmento do texto “Como se conjuga um empresário”  e nele verifica-


se que não possui nenhum elemento coesivo, todavia é possível compreender o
sentido do texto, sendo assim ele é coerente.

Agora observe, novamente:

“As janelas casa foram pintadas de azul, mas os pedreiros estão almoçando. A
água da piscina parece limpa, entretanto foi tratada com cloro. A vista que tenho
da casa é muito agradável”.

Esta passagem possui elementos coesivos, contudo não tem sentido, o que
significa dizer que este texto é incoerente.

É importante frisar que, embora a coesão não seja condição suficiente para que
enunciados se constituam em texto, são eles que dão maior legitimidade, fazendo
com que as relações entre os elementos fiquem evidentes.

Quanto à classificação, coesão pode ser gramatical e lexical.


A gramatical é aquela feita por elementos da gramática, como concordâncias
nominais e verbais, vocábulos, conectores, pronomes pessoais de terceira pessoa,
possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos, além de
advérbios, numerais, artigos definidos, de expressões de valor temporal.

A coesão gramatical é dividida em 04 grupos:

Tabela 2 – Coesão Gramatical

Fonte: UFRJ

A lexical é aquela em que termos relacionados entre si são retomados, até mesmo
por possuírem traços semânticos semelhantes ou opostos. Esta pode ser
classificada em: reiteração ou substituição. Veja o quadro:

Tabela 3 – Coesão Lexical

Fonte: UFRJ

Ao citar coesão, surgiu um termo bastante comum a esse assunto: coerência.

A coerência é um termo macroestrutural em relação ao texto. É considerada


assim porque ela, ao contrário da coesão, refere-se ao texto como um todo, pois
está ligada à compreensão e à possibilidade de interpretação.
Ela se manifesta nas diversas camadas da organização do texto, já que se
caracteriza por uma interdependência semântica entre os elementos constitutivos
dele, além disso, tem uma dimensão pragmática, pois nosso conhecimento de
mundo é fundamental para o entendimento ou confecção de um texto.

Quando um texto é chamado de incoerente, significa dizer que ele não está
organizado da maneira correta, talvez por que os parágrafos não estão
corretamente distribuídos ou as informações contidas no texto não sejam
pertinentes com a intenção do autor.

A coerência pode ser classificada em: semântica, sintática, estilística ou


pragmática.

A semântica refere-se à relação entre os significados dos elementos das frases do


texto, a incoerência aparece quando esses elementos não possuem significado
entre si.

A sintática refere-se aos meios sintáticos usados para expressar a coerência


semântica.

A estilística refere-se ao estilo utilizado pelo autor. Para que o texto mantenha


sua coerência é importante que o autor mantenha um único estilo, a alternância
excessiva pode causar problemas no momento de interpretação do texto.

A pragmática refere-se ao texto quando visto como uma sequência de atos de


fala e para que isso aconteça é necessário que os eventos de fala sejam realizados
de forma apropriada. Para que seja coerente, os interlocutores devem conversar
entre si, ou seja, deve haver pelo menos dois turnos – Pergunta e Resposta. Caso
não haja, o texto é incoerente.

2.4. Gêneros e Tipos Textuais

Gêneros Textuais são textos produzidos no nosso cotidiano com características


comuns. São facilmente identificados e relacionados às práticas sociais. Os
gêneros são incontáveis e estáveis, tanto quanto as práticas da sociedade, por
exemplo: não é necessário ver uma pessoa falando ao telefone, bem como saber o
assunto, para afirmar que seja uma conversa telefônica, pois a estrutura textual é
inconfundível.

O mesmo acontece com as outras estruturas de gênero, como: carta, recibo, bula,
receita, sermão, manual de instruções, matéria jornalística, etc.

Os gêneros estão ligados a outra estrutura, as quais se organizam e apresentam


determinadas composições linguísticas chamadas tipos textuais.

Essas composições têm como característica predominante, certas estruturas


morfossintáticas, que variam de acordo com sua função e situcionalidade. Ao
contrário dos gêneros textuais, os tipos possuem uma quantidade limitada de
aspectos e os mais comuns são narrativo, descritivo, argumentativo, expositivo e
injuntivo.

2.4.1. Texto Narrativo

O texto que apresenta a predominância de narrativa é aquele centrado em um fato


ou acontecimento entre um narrador e um personagem. Devido a sua estrutura,
ela está presente na maioria dos gêneros textuais, sejam eles reais ou imaginários.

De acordo com D’Onofrio apud Nicola (2008):

“(...) todo discurso que nos apresenta uma história imaginária


como se fosse real, constituída por uma pluralidade de
personagens cujos episódios de vida se entrelaçam num tempo e
num espaço determinados.” (p.228)

A narrativa pode ser classificada em não-ficcional ou ficcional, ou seja, aquela


que narra fatos reais, como as matérias jornalísticas, e aquelas que narram fatos
irreais, como os contos de fada.

Há nas narrativas uma predominância de frases verbais, pois essas indicam um


processo, uma ação. Dessa forma, elas possuem uma sequência de fatos, que vai
da situação inicial, passa pelo desenvolvimento e termina na situação final,
normalmente diferente da inicial.

Nicola (2008) define esses passos como: a) situação inicial – o(s)


personagem(ns) é(são) apresentado(s) numa determinada situação temporal e
espacial; b) desenvolvimento – apresenta-se um conflito, e a ação se desenvolve
até chegar ao clímax (ponto culminante da narrativa), e em seguida a um
desfecho; e c) situação final – passado o conflito, o(s) personagem(ns) é(são)
apresentado(s) em uma nova situação – há claros indícios de transformação, de
mudança em relação ao início da narrativa. (p.228 – com adaptações)

2.4.2. Texto descritivo

Ao contrário do que se imagina o texto descritivo não é uma tipologia


encontrada, quase que exclusivamente, em gêneros literários. Assim como pode
ser vista em obras românticas, clássicas, neoclássicas, etc., pode ser encontrada
em textos técnicos, tais como trabalhos científicos, enciclopédias, manuais, etc.

De acordo com Neis (1986 p. 49 apud Adam & Petitjean 1982a, p. 79) o texto
descritivo requer um descritor e um descrito.

O descritor, como o próprio nome aponta, é aquele que descreve. Não tem de
estar, necessariamente, identificável no texto. Caso isso aconteça, será, na
maioria das vezes, interpretado pelo narrador ou por uma personagem.
O descrito, ao contrário do descritor, normalmente é identificável no texto. Pode
ser interpretado pelo próprio leitor, por uma personagem, por um objeto, etc.

Neis (1986, p. 50 apud Ricardou 1973 p.126) apresenta as três ordens básicas
constituintes de uma descrição:

- a situação do objeto-tema no espaço e/ou no tempo, pode fazer surgir novos


objetos suscetíveis de se transformarem em matéria de descrição;

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- as qualidades do objeto-tema, sejam elas físicas ou psíquicas;

- os elementos que compõem o objeto e que também podem passar a constituir a


descrição.

Em suma, descrever não é somente enumerar características do descrito, mas


também assinalar algumas singularidades que possibilitem ao leitor imaginar
com mais exatidão o que está sendo descrito. A descrição está bem próxima da
narração, mas uma das formas de se diferenciar um texto narrativo de um
descritivo está nas interrupções: uma narrativa, normalmente, faz a história
progredir, já a descrição interrompe a progressão da história para melhor
apresentar o objeto que está sendo descrito.

2.4.3. Texto Argumentativo

É aquele em que o autor defende uma idéia, inclusive para fazer o leitor aceitá-la.

De acordo com Scarton (2002), o texto argumentativo se divide em três


componentes: tese é a idéia que está sendo defendida; argumentos – responde os
“por quês”; e as estratégias argumentativas – são todos os recursos utilizados
para impressionar e envolver o leitor.

A estrutura do texto argumentativo é formada por uma: introdução – local onde o


autor irá apresentar o que será tratado em sua composição, além de sua posição
em relação ao assunto que será abordado; desenvolvimento – são os parágrafos
em que o autor organiza e fundamenta a sua tese. Usualmente, em cada parágrafo
é postado um argumento, podendo ser complementares ou comparativos entre si,
nesta segunda o autor tem de tomar todo cuidado possível para não ser
contraditório sobre suas posições; conclusão – neste momento o autor retoma a
idéia da tese propondo, na maioria das vezes, soluções para o que foi exposto.

Clareza, coerência e principalmente, uma boa escrita (seja ela formal ou


coloquial, vai depender da estratégia do autor) são princípios fundamentais para
um bom texto argumentativo.

2.4.4. Texto Expositivo


É aquele em que o leitor identifica fatos, acontecimentos, idéias, enfim, situações
que o autor apresenta em seu texto.

A estrutura do texto expositivo não é muito diferente dos outros; ele é distribuído
em três momentos: introdução – onde é colocado parte da exposição e as
intenções do autor perante o texto; exposição – local onde a exposição é feita; e
conclusão – fechamento do texto onde é mostrado o resultado da exposição ou
um breve resumo do que foi exposto.

Cuidados, para o perfeito entendimento do texto, devem ser tomados nesta


tipologia, eis alguns: a utilização de palavras ou frases-chaves; o emprego de
exemplos; o uso de tecnicismos; o uso de verbos no indicativo, especialmente no
presente; etc.

2.4.5. Texto Injuntivo

O mais simples de ser entendido, o texto injuntivo tem como finalidade instruir o
leitor a praticar ou não determinada ação.

Temos exemplos muito comuns em nosso cotidiano, como o manual de


instruções, receitas, bula de remédios, etc.

A estruturação do texto injuntivo varia de acordo com a intenção do autor,


entretanto, normalmente, utiliza-se a mesma de um texto dissertativo. Todavia,
vale ressaltar que ele possui suas particularidades, como a utilização de verbos no
imperativo, muitas vezes concordados com outros no presente ou no futuro do
presente.

No próximo capítulo serão expostas as vantagens e consequências do ensino da


gramática aliado ao texto.

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