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História e Teoria da Didática

1) João Amós Comênio escreveu a primeira obra clássica sobre Didática, A Didática Magna, no século XVII, defendendo um ensino ativo e instrutivo centrado no aluno. 2) Jean Jacques Rousseau propôs uma nova concepção de ensino fundamentada nos interesses e necessidades da criança no século XVIII. 3) João Henrique Pestalozzi elaborou uma teoria de ensino baseada nos princípios intuitivos de Rousseau, defendendo a educação como instrumento de reforma social.
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História e Teoria da Didática

1) João Amós Comênio escreveu a primeira obra clássica sobre Didática, A Didática Magna, no século XVII, defendendo um ensino ativo e instrutivo centrado no aluno. 2) Jean Jacques Rousseau propôs uma nova concepção de ensino fundamentada nos interesses e necessidades da criança no século XVIII. 3) João Henrique Pestalozzi elaborou uma teoria de ensino baseada nos princípios intuitivos de Rousseau, defendendo a educação como instrumento de reforma social.
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Desenvolvimento histórico da Didática: principais teóricos e evolução das ideias pedagógicas

Na chamada Antiguidade Clássica (gregos e romanos) e no período medieval, também se


desenvolveram formas de ação pedagógica em escolas, mosteiros, igrejas, universidades.
Entretanto, até meados do século XVII, não podemos falar de Didática como teoria do ensino que
sistematiza o pensamento didático e o estudo científico das formas de ensinar.
O termo “Didática” teve origem quando os adultos começaram a intervir, de forma organizada e
planejada, na atividade de aprendizagem de crianças e jovens, por meio do agrupamento dos
conhecimentos pedagógicos e da atribui ção da atividade de ensinar com intenção pedagógica.
Foi no século XVII que a Didática emergiu formalmente como uma área de conhecimento que
visa à investigação da ligação entre ensino e aprendizagem. Nesse século, João Amós Comênio
(1592-1670) escreveu a primeira obra clássica sobre Didática, A Didática Magna, a qual é uma de
suas obras mais expressivas , nela propõe a reforma da escola na busca pelo ensino, pela
aprendizagem e por um método para preparar o indivíduo para a cidadania, partindo da vida
religiosa-comunitária, fundamentado nas leis e estruturas da natureza. Assim, na abertura desta
obra revela como propósito que: a proa e a popa da nossa Didática sejam: buscar e encontrar um
método para que os docentes ensinem menos e os discentes aprendam mais; que nas escolas,
haja menos conversa, menos enfado e trabalhos inúteis, mais tempo livre, mais alegria e mais
proveito; na república cristã, haja menos trevas, menos confusão, menos dissídios e mais luz,
mais ordem, mais paz e mais tranquilidade (COMENIUS, 1997, p.13).
É possível observar que, nesse trecho, o autor, ao expor uma proposta para a Didática,
registra, ao mesmo tempo, uma crítica em relação aos métodos de ensinar, denunciando uma
escola pouco ativa, pouco instrutiva e cansativa, já que o professor estava no centro e os alunos
eram meros espectadores. Comênio (apud LIBÂNEO, 1994) foi o primeiro educador a formular a
ideia de que os conhecimentos deveriam ser difundidos a todos, a criar princípios e regras do
ensino. Ao lutar para que a educação fosse direito de todos, revelou sua indignação em relação
ao sistema educacional de sua época, no qual a educação era discriminatória e privilégio de
poucos. Outro aspecto que merece destaque na Didática defendida por Comênio é a proposta de
uma educação de uso prático e contextualizada, na qual o homem deixa de ser mero espectador.
A Didática se fundamentou nos seguintes princípios:
A finalidade da educação é conduzir o ser humano à felicidade eterna com Deus, pois é uma
força poderosa de regeneração da vida humana. Todos os homens merecem a sabedoria, a
moralidade e a religião. Objetivando a aproximação do homem a Deus, seu objetivo central é
tornar os homens bons cristãos – sábios no pensamento, dotados de fé, capazes de praticar
ações virtuosas. Assim, a educação é direito de todos. O homem deve ser educado de acordo
com seu desenvolvimento natural, isto é, de acordo com as características de idade e de
capacidade para o conhecimento. Conseqüentemente, a principal tarefa da Didática é estudar
essas características e os métodos de ensino correspondentes, de acordo com a ordem natural
das coisas. Salientava a importância da educação formal nas crianças pequenas e preconizou a
criação de escolas maternais, pois essas teriam, desde cedo, a oportunidade de adquirir as
noções elementares do que deveria ser aprofundado mais tarde.
Os conhecimentos devem ser adquiridos e assimilados pelos alunos a partir da observação
das coisas e dos fenômenos, utilizando e desenvolvendo sistematicamente os órgãos dos
sentidos. A educação deveria começar pelos sentidos, pois as experiências sensoriais obtidas por
meio dos objetos seriam internalizadas e, mais tarde, interpretadas pela razão. Comênio defende
também, na sua obra, A Didática Magna, que o professor, ao ensinar sobre um assunto, deveria
preencher as seguintes etapas:
1. Apresentar o objeto ou ideia diretamente, fazendo demonstração, pois o aluno aprende
através dos sentidos, principalmente vendo e tocando.
2. Mostrar a utilidade específica do conhecimento transmitido e a sua aplicação na vida diária.
3. Fazer referência à natureza e [à] origem dos fenômenos estudados, isto é, às suas causas.
4. Explicar primeiramente os princípios gerais e só depois os detalhes.
5. Passar para o assunto ou tópico seguinte do conteúdo apenas quando o aluno tiver
compreendido o anterior (COMÊNIO apud HAYDT, 2006, p.17).
As ideias apresentadas e defendidas por Comênio impulsionaram o surgimento de uma teoria
do ensino, influenciando diretamente o trabalho docente, mas, mesmo assim, Comênio não
conseguiu retirar algumas crenças usuais da época, sobre o ensino, pois, mesmo partilhando um
ensino a partir da observação e da experiência sensorial, manteve seu caráter transmissor; e,
apesar de defender a adaptação do ensino às fases do desenvolvimento infantil, conservou, ao
mesmo tempo, um método único e o ensino simultâneo a todos. Verificamos que são inegáveis as
contribuições e influências de Comênio no processo de ensino, já que formulou ideias e propostas
inovadoras para a sua época. Entretanto, sabemos que, na história, as ideias, principalmente
quando são muito inovadoras para a época, geralmente demoram a ter efeito prático. Por isso, as
ideias de Comênio só começa ram a vigorar depois do século XVII, após modificações no modelo
da sociedade. Assim, tanto no século XVII como nos séculos seguintes, ainda predominavam
práticas escolares da Idade Média, tais como: “ensino intelectualista, verbalista e dogmático,
memorização e repetição mecânica dos ensinamentos dos professores” (LIBÂNEO, 1994, p. 59).
Enquanto isso, mudanças intensas nas formas de produção da sociedade foram ocorrendo,
resultando em grande desenvolvimento da ciência e da cultura. Foi diminuindo o poder do clero e
da nobreza, aumentando o da burguesia, que se fortaleceu como classe social. Logo, foi
crescendo também a necessidade de um ensino ligado às exigências do mundo da produção e
dos negócios e, ao mesmo tempo, um ensino que contemplasse o livre desenvolvimento das
capacidades e interesses individuais. Jean Jacques Rousseau (1712- 1778), filósofo iluminista,
considerado um dos principais pensadores franceses do século XVIII, que, procurando atender
aos anseios da época, propôs uma nova concepção de ensino, a qual se fundamentava
diretamente nas necessidades e nos interesses da criança. Suas ideias mais importantes eviden-
ciam justamente que o processo de ensino, sendo determinado pelos interesses e pelas
necessidades imediatas do aluno, deve ser organizado e desenvolvido a partir de tais
determinações.
Vejamos, então, as principais ideias de Rousseau (apud LIBÂNEO, 1994, p. 60):
A preparação da criança para a vida adulta deve basear-se no estudo das coisas que
correspondem às suas necessidades e interesses atuais. Antes de ensinar as ciências, elas
precisam ser levadas a despertar o gosto pelo estudo. Os verdadeiros professores são a
natureza, a experiência e o sentimento. O contato da criança com o mundo que a rodeia é que
desperta o interesse e suas potencialidades naturais.A Educação é um processo natural, ela se
fundamenta no desenvolvimento interno do aluno. As crianças são boas por natureza; elas têm
uma tendência natural para se desenvolver. Estudos revelam que Rousseau não colocou suas
ideias em prática e nem elaborou uma teoria de ensino. Essa tarefa foi realizada por outro grande
nome da Didática, o pedagogo João Henrique Pestalozzi , que trabalhou na educação de crianças
pobres, em instituições que ele próprio dirigiu. Atribuía grande importância ao ensino como meio
de educação e desenvolvimento das capacidades humanas, cultivando o sentimento, a mente e o
caráter.
Para Pestalozzi (apud LIBÂNEO, 1994, p. 60), a educação escolar, sendo desenvolvida a partir
do método intuitivo, poderia conduzir os alunos a desenvolver “o senso de observação, análise
dos objetos e fenômenos da natureza e a capacidade de linguagem, através da qual se expressa
em palavras o resultado das observações”. A educação era entendida por Pestalozzi como um
instrumento de reforma social, ou seja, uma possibilidade que poderia mudar as condições
precárias de vida do povo. Defendeu a democratização da educação e o acesso à educação
escolar para todas as crianças, independentemente de sua condição social (HAYDT, 2006). O
método de ensino elaborado por Pestalozzi apud HAYDT, 2006, p. 19) trouxe à educação
intelectual vários aspectos inovadores: “o emprego do cálculo mental, o uso de técnicas e
fonéticas na linguagem e o estudo da Geografia e das ciências feito em contato direto com o
ambiente natural”.
Os princípios educacionais formulados por Pestalozzi (apud HAYDT, 2006) podem ser
resumidos nos seguintes tópicos:
O estabelecimento de uma relação de amor e respeito mútuos entre professor e aluno.
O professor deve respeitar a individualidade do aluno.
A finalidade da educação é favorecer o desenvolvimento físico, intelectual e moral. O objetivo do
ensino não é a exposição dogmática e a memorização, mas sim o desenvolvimento das
capacidades intelectuais do aluno. A instrução escolar deve favorecer tanto o desenvolvimento
físico como o intelectual.
A aprendizagem escolar não deve corresponder apenas à aquisição de conhecimentos,
mas principalmente ao desenvolvimento de habilidades e ao domínio de técnicas.
O método de instrução deve ter por base a observação ou percepção sensorial e começar
pelos elementos mais simples.
O ensino deve seguir a ordem psicológica e respeitar o desenvolvimento infantil.
O professor deve desenvolver cada tópico do conteúdo de tal forma gradual, considerando
que a aquisição dos conhecimentos se dá forma gradativa.

Esses princípios foram formulados no final do século XVIII e tiveram início no século XIX,
influenciando o pensamento educacional.
Na sequência, encontramos Johann Friedrich Herbart, pedagogo alemão que também exerceu
grande influência na didática e na prática docente. Hebart (apud HAYDT, 2006) atribuía grande
importância à educação, considerando-a como fator determinante no desenvolvimento do
intelecto e do caráter. Destacou a educação como responsável pela formação das representa-
ções e pela forma como essas representações são combinadas nos mais elaborados processos
mentais.
Para Hebart (apud LIBÂNEO, 1994), a atividade educativa deve orientar o homem para querer
bem, possibilitando que aprenda a comandar a si próprio. O método de ensino do professor tem a
função de introduzir ideias corretas na mente dos alunos e de provocar-lhes a acumulação de
ideias. Tentou formular um método único de ensino, com base nos parâmetros das leis
psicológicas do conhecimento. Assim, determinou quatro passos didáticos que deveriam ser
rigorosamente seguidos pelo professor:
 A preparação e a apresentação da matéria de forma clara e completa, às quais denominou
clareza.
 A associação entre as ideias antigas e as novas.
 A sistematização dos conhecimentos, tendo em vista a generalização.

 A aplicação do uso dos conhecimentos adquiridos por meio de exercícios, denominado de


método.
O objetivo do ensino não é a exposição dogmática e a memorização, mas sim o desenvolvimento
das capacidades intelectuais do aluno. A instrução escolar deve favorecer tanto o
desenvolvimento físico como o intelectual. A aprendizagem escolar não deve corresponder
apenas à aquisição de conhecimentos, mas principalmente ao desenvolvimento de habilidades e
ao domínio de técnicas. O método de instrução deve ter por base a observação ou percepção
sensorial e começar pelos elementos mais simples. O ensino deve seguir a ordem psicológica e
respeitar o desenvolvimento infantil. O professor deve desenvolver cada tópico do conteúdo de tal
forma gradual, considerando que a aquisição dos conhecimentos se dá forma [Link]
princípios foram formulados no final do século XVIII e tiveram início no século XIX, influenciando o
pensamento [Link] sequência, encontramos Johann Friedrich Herbart, pedagogo
alemão que também exerceu grande influência na didática e na prática docente. Hebart (apud
HAYDT, 2006) atribuía grande importância à educação, considerando-a como fator determinante
no desenvolvimento do intelecto e do caráter. Destacou a educação como responsável pela
formação das representações e pela forma como essas representações são combinadas nos
mais elaborados processos [Link] dizer que o sistema pedagógico de Hebart auxiliou
na organização da prática docente, trazendo alguns esclarecimentos importantes, tais como: a
necessidade de estruturação e ordenação do processo de ensino, a exigência de entendimento
dos assuntos estudados e não apenas a memorização. Mesmo assim, o ensino não deixava de
ser entendido como repasse de ideias do professor para a cabeça do aluno, que deveria entender
o que o professor transmitia, mas apenas com a finalidade de reproduzir a matéria transmitida.
Com isso, a aprendizagem torna-se mecânica, automática, desprovida de mobilização da
atividade mental, ou seja, da reflexão e do pensamento independente e criativo dos alunos
(LIBÂNEO, 1994).
As ideias pedagógicas dos pensadores Comênio, Rousseau, Pestalozzi e Herbart, bem como de
outros pensadores que não mencionamos, formam as bases do pensamento pedagógico
europeu, disseminando-se posteriormente por todo o mundo e definindo as concepções
pedagógicas, que na atualidade são conhecidas como Pedagogia Tradicional e Pedagogia
Renovada .Após Hebart, entre o século XIX e a primeira metade do século XX, trazemos John
Dewey (1859-1952), que se opôs à concepção defendida por Hebart – a educação para a
instrução –, defendendo a educação pela ação. Para ele, “o homem é um ser eminentemente
social. Assim sendo, são as necessidades sociais que norteiam sua concepção de vida e
educação” (HAYDT, 2006, p. 21-22).
O conceito central de seus pressupostos é a experiência, a qual, para ele, é o que impulsiona
e dirige o conhecimento. Então, a escola não é a preparação para a vida, é a própria vida. Por
isso, deve direcionar o ensino para o crescimento da criança, possibilitando o significado do que é
aprendido, bem como o desenvolvimento de habilidades para suprir as necessidades atuais da
vida individual e social do aluno.
O professor deverá criar situações estimuladoras para instigar, nos alunos, reações e respostas
que garantam a formação de atitudes intelectuais e sentimentais adequadas. Para isso, o ensino
deve ser desenvolvido pelo professor, a partir de centros de interesses diretos e práticas com
significação para a vida do aluno (DEWEY apud DAMIS, 2007). Nessa perspectiva, é um grande
defensor dos métodos de ensino ativos. A pedagogia de Dewey trouxe aspectos inovadores,
diferenciando-se especialmente pela oposição à escola tradicional. Difundiu, em sua proposta, a
necessidade de a escola criar condições e meios para estimular o pensamento e a reflexão dos
alunos, suscitando críticas sobre a função específica da escola na educação formal do aluno para
a vida social, mas não questiona a sociedade e seus valores como estão propostos no seu
tempo; sua teoria representa plenamente os ideais liberais, sem se contrapor aos valores
burgueses, acabando por reforçar a adaptação do aluno à sociedade.
É possível observar que a evolução dos pensamentos sobre a Didática se fundamenta em
pressupostos teóricos, bem como em ideias pedagógicas que caminharam em direção à
necessidade de se reverem os processos de ensino e de aprendizagem. Tais pressupostos
teóricos muito contribuíram para a organização do espaço escolar, bem como para a reforma dos
métodos de ensino e de sua aplicação, ao longo do desenvolvimento do ensino formal. Também
merece destaque o fato de que as ideias pedagógicas expostas pelos teóricos aqui citados são
fundamentadas por concepções diferentes, porém é possível visualizar um aspecto comum
mencionado por todos esses teóricos: a tentativa de ampliar o ensino a uma parcela significativa
da população, pois acreditavam na educação popular.
Verificamos, ainda, que os estudos sobre Didática foram se fundamentando em novos
pressupostos, os quais deixaram de considerar apenas aspectos filosóficos, passando a
incorporar fundamentos da Psicologia, ciência que começou a vigorar no final do século XIX,
contribuindo, assim, com novos pensamentos pedagógicos, os quais influenciaram o surgimento
de tendências pedagógicas sobre o processo de ensino e aprendizagem.

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