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Ba 2 [pao
O BAMBU ie
Entre as plantas rasteiras ocorreu o
rumor de que seria escolhido o rei das
gramineas, Entretanto, alguns capins, de
| nada queriam saber, eram,os Ccamponeses
e os soldados- entre essas plantinhas,
| pareciam ser rudes-e-atarracados: e,: ds
=
vezes, portavam até uma haste em forma
de [Link] muitas pontas - seus chi-
cotes. Sem muita ceriménia, ja foram gri-
tando: "= Somos
No entanto, Outros, como os capins~
de-pluma, pensavam diferente: a eles o I
vento havia presenteado com sonhos
quando no verdo 0§ balancava branda~
mente, enquanto osrefrescava. Os ca~
pins-de-pluma ‘imaginavam que 0. rei de~
veria serum modeld. Giser imitado, e que
bastaria dirigir-ihe. o olhar para dele ob-
ter: todas as gracas* Por isso, decidiram
apolar o: movimento, apesar de uma
grande preocupa¢ao Como vamos. en~
contrary: 0. rei?". Os préprios capinsede-
pluma ndo pensavam: ein se eleger, pols
nado queriam“abdicar dé» seus sonhos. Para
eles os sonhos valiam mais do que qual-quer honraria. Sera que vocés, sonha-
dores, podem se imaginar no lugar do rei?
De repente, surgiu uma questdo e,
antes que alguém-se pronunciasse contra,
Jd havia-corrido 0 mundo como verdadeiro
rastilho de fogo: a cana-de-acdear seria
o rei!
“Entao, oO junco escureceu, imitando a ~
cor; vdo" bronze a tim de emprest a seu
vizinho um cetro, As folhas de junco pas-
saram a’assobiar vigorosamente @. foi
como se'uma multiddo jd estivesse reuni-
da d espera das ordens do novo rei. No en-
tanto, logo na primeira convencto, as
gramas secas que tiveram seus pés mo,
thados se irritaram tanto com aquela
umidade que recusaram: dar seu voto a
favor do candidato e assim, a eleicdo
acabou nao acontecendo.
0 paingo, porém, que era uma ecriatura ~
gentil, delicada, perspicaz, incapaz de
adular alguém, sabia’ quem deveria ser o
rei por direito. Quando revelou seu nome,
todos, até mesmo os capins, concordéaram
que esse seria o melhor candidato e 36 se
admiraram de néo ter pensado nisso
antes: 0 bambu deveria ser o rei. Onde en-contrar alguém com uma postura tdo no-
bre quanto a dele, que resiste até mesmo
ds tempestades? Onde encontrar seme-
thante calma com a qual se veste de fo--
thas como se fosse uma tunica? Pois nado
era ele quase uma drvore, crescendo alti-
vo e forte, gomo apés gomo para se
aproximar do Sol?
Todas as gramineas apoiaram a su-
gestado do paingo. Os capins-de-pluma
haviam sonhado a verdade! Sonharam que
a rei seria um modelo a ser imitado, e que
todas as gramIineas recordariam seu
amor pelo sol, pois sempre busca-o esti-
cando-se em sua direcGo. Foi assim que
cada graminea se tornou um pequeno rei,
assim como 0 bambu € o rei de todas as
gramineas
€. fucke (Trad. M. do Carmo Laurefti)IPE-AMARELO E A QUARESMEIRA
ld na mata, duas drvores moravam
bem proximas: a quaresmeira e o ipé~
amarelo. Elas mal se viam porque eram
pequenas e havia muito mato. ao redor.
Mas, com o passar dos anos, foram cres~
cendo até que puderam se avistar.
Num dia de inverno, as duas drvores
puseram~se.a@ conversar, e a quaresmei-
ra iniciou o didlogo:
- Sabe, ipé-amarelo, quando olho
para vocé e o vejo sem nenhuma fotha,
parecendo uma Grvore seca, fico com *
muita pena. Vocé é t&o alta e esbelta,
maso que me admira é€ a sua preguica.
Por que n&aq se cobre de folhas como eu?
0 ipé-amarelo entGo observou:
~ €u n&o preciso me cobrir de folhas
por que o calor da terra me aquece muito
@ posso senti-lo até na ponta dos galhos
mais finos. a
Mas a quaresmeira, nGo se contentan-
do com a resposta, continuou:
- Todas as plantas a nossa volta
esido cheias de folhas. € uma pena que36 fique vocé parecendo velha e sem vidas
O ipé-amarelo, n&o querendo prolon
gar a conversa, calou-se e paciente-
mente aguardou todo o periodo de inver-
no. Na verdade, éle se preparava para
um momento muito importante, O inverna
foi rigoroso e quando ja estava chegando
ao fim aconteceu algo diferente na mata
Certa manh&, quandd os primeiros raios
de sol iluminaram a-mata, a quaresmeira
viu, deslumbrada, que a drvore do ipé-
amarelo ganhara, do dia para a noite,
uma linda vestimenta. Todos os seus ga-
Ihos estavam cobertos de belas flores
amarelas. Pareciam pequenas a
campanulas anunciando a grandiosidade
do nosso astro-rei, 0 sol aqui na terra
Toda a mata curvou-se perante a sua
beleza e luminosidade.
A quaresmeira, envergonhada, enru-
gou seu tronco ao lembrar-se da conver~
sa que tiveram no inicio do inverno.
As flores do ipé-amarelo duraram
pouco tempo. Logo forraram o chéo da
mGe-terra com um lindo tapete dourado.
Ao cair a altima flor, nasceu a primeira
folhas, discreta, guardando em si a se~gredo daquela drvore.
O tempo passou, a primavera com sua
alegria, as cores e os pdssaros como que
adormeceram o episédio das drvores.
Chegou o verdo com seu calor, e a bri-
sda quente e suave comecou a embalar as
belas tardes da vistosa mata. Antes de
chegar o outono, a quaresmeira foi
transformando as pontas dos galhos e,
em pouco tempo, estava coberta de
flores cor de violeta. Na época da
Pdscoa, ela estava deslumbrante e, ao
ver o ipé-amarelo pelado, lembrou-se da
€poca em que ele também havia florido. *
Neste instante, o ipé-amareto disse a
quaresmeira: “ - Cada uma de nds flo-
resce a seu tempo com muita grandiosi-~
dade. Todos os seres, a seu modo e a seu
tempo, desenvolvem a sua tarefa.”
: foi assim que as duas drvores torna-
ram-se amigas, e grande foi a admiragdo
da quaresmeira por encontrar-se ao dado
| de uma drvore tao sdbiaO MORANGO SILVESTRE
O mais delicioso frutinho que existe na
floresta €@ a morango silvestre.
| Todos que provaram sabem que se tra-
,ta de um fruto especial, e por isto, ele
‘tem uma estoria especial
O Pai Celeste criou a floresta com toda
a sua madeira e deu-lhe forcas e rique-
2as.
Também a mde terra. muito fez pela
floresta e por tudo o que nela cresce. Mas
o morango deve a sua existéncia ao Meni-
no Jesus. Pois 0 Menino Jesus pode ver e
ouvir mais na floresta do que nés, homens,
somos capazes
Certo dia, Go passar por uma vereda
de arbustos, ouviu a voz do ché&o da flo-
resta que dizia:
~ “Serd que posso ter um desejo? Pois
:nGo me sinto feliz.”
~ “Diga-me teu desejo", retrucou o
Menino Jesus.
| “€u, 0 chGo da floresta, tenho 0 @
‘musgo verde e€ as samambaias, mas falta-
me algo colorido que vem do Sol. Vejo
como as drvores tém permissdo para
|crescer em direcdo ao Sol, [Link] brotos
da amora, que também se elevam em
direcdo @ luz do Sol. Vejo seus belos fru-
tos vermelhos entretanto, no meu chao
tudo € verde e mondtono e-o maior dese jo
do meu coragto & que cres¢a aqui algo
ralorido, vindo da luz.”
— "Com todo o prazer gostaria de rea~
lizar teu desejo”, respondeu o- Menino Je-
sus €, com sua mio pequenina acariciou 0
solo
“Como poderia ser formada esta
planta, tal como o solo da floresta dese~
' ja?”
: Avistou as folhas da framboesa: belas
F folhas, nas quails sempre algumas folhas
f. menores em conjunto, formavam uma fo-
e Ilha: maior.
i “Assim & que deveriam ser as folhas
ua planta”, pensou o-menino “Mas seria
muito dificil fazer crescer um fruto co~
lorido no chao da floresta. Justamente
_ neste dia, o Menino Jesus havia se machu-
cado um pouco no ramo e ficaram algumas
goticulas de sangue em sua mao
_ "Se crescesse um frutinho sobre 0
solo da floresta, este deveria ter uma corcomo esta, vermelha como sangue”, pen-
sou ele. NGo percebeu que, ao acariciar a
terra algumas -goticulas de sangue cafram
» ao chao,
O Pai Celeste como sempre, observava
o seu filho Id do céu, e percebeu que ele
desejava como enfeite para o chao do.
mato uma planta com frutinhos vermelhos.
Mais tarde quando a Santa Virgem e o
Menino Jesus voltaram a floresta encon-
traram o ch&o semeado de indmeras fru-
tinhas de um vermetho muito luminoso
cercadas por lindas folhas verdes: tripar-
tidas.
— “Muito obrigado, Menino desus!",
disse o ch@o da fioresta.
Mas o Menino Jesus agradeceu. seu Pai
Celeste.
Assim surgiram os moarangos silves-
tres. SGo deliciosos e pertencem princi-
palmente as criangas. Nelas se une o aro-
ma do chdo da floresta e a docura que
provém do Sol. € mais, tem a forma de um
coracdo, pois o Menino Jesus Ihesadedica
todo o seu amor
Extraido de “A FLORESTA™ de Elizabeth Klein. Traducdo
livre de Barbara TrommerO PERFUME DO AMOR PERFEITO
Vocé conhece o amor~perfeito? Ele
também se chama flor-da-Santissima~
Trindade. Certamente vocé jd viu na igre
, ja 0 simbolo da Santissima Trindade, n&o
é? € um triGingulo, rodeado de muitos
sraios de luz, tendo no centro um atho.
Se vocé olhar com atencGo para todas
as flores do campo, achard uma que fem
o simbolo da Santissima Trindade; e
quando a tiver achado, entdo a reconhe-
cerd de imediato e dird:
- €ssa flor sim, € 0 amor perfeito!
Antigamente, o amor-perfeito, ou
flor-da-Santissima-Trindade, n@o éstava
sé marcada com o simbolo mais elevado,
como também tinha um maravilhoso per-
fume
Nenhuma outra flor, nem mesmo a
irmdzinha violeta, possuia perfume mais
delicado. Por essa razéo, tornara-se a
flor predileta de muitas pessoas, princi-
palmente das criancas, que nG@oasabiam
fazer coisa methor do que passear pelos
campos e colher um ramalhete de florzi-~
nhas-da-Trindade. Quando procuramosvioletas, sempre as encontramos @ beira
de estradas ou sebes, e assim ndo faze-
mos muito estrago; mas como as
‘ criancgas entravam pelos campos de trigo
para colher amores-perfeitos, as marcas
de cada um de seus passos podia ser vis-
ta. 0 trigo ficava todo pisoteado, e nin-
guém sofria mais com essa situacdo do «
que as préprias florzinhas. Elas viviam
se culpando pelos estragos causados, e
iam ficando cada vez mais tristes.
Certo dia, quando Cristo Nosso Senhor
estava passando par um campo, elevou-
se uma vozinha, pedindo
- Mestre amado, faze com que eu pere
ca meu perfume, causa de tanto pesar
pard Oo campo de trigo! De outra maneira,
nao sentirei mais alegria de viver.
Cristo, entdo, realizou o pedido feito
com tanta humildade e desde entGo, o
amor-perfeito ndo tem mais perfume,
;, pois 0 doou a outras flores e tornou sua
existéncia muito mais alegre.
Michael Bauer0. JOVEM ABACATEIRO
Esta é a historia de um jovem abaca-~
teiro, que desde até onde [Link] meméria
“0 podia tevar, lembrava-se de ter um
tronco, mesmo que um tanto fino, bem
firme, redondo e reto
Na verdade, esse abacateiro era bas~
tante orgulhoso por ser tdo ereto, com
tantos belos galhos igualmente fortes,
cheios de lindas folhas de um verde escu-
ro bem intensa. A cada semana que pas~
sava, ele se sentia mais forte e robusto
e, como eu ja disse, um tanto orguihoso t2
da condic¢do de quase jd poder ser cha~
mado de “drvore”. .
A tinica coisa que o incomodava um
pouco era a existéncia de um muro, bem
perto de onde fora plantado e que este
muro era téo alto, que impedia de saber
o que havia por tras dele. O que o abaca~
teiro sabia, é que os pdssaros e as bor
boletas que oa visitavam também gosta~
“vam de visitar 0 mundo atras do muro,
- Mas o que ha Ia atrds? Segura-
mente nada que se assemelhe a mim,
pensava consigo mesmo oO abacateiro ~afinal eu realmente sou téo especial!
Daqui posso ver a reiva, baixinha e ras-
teird; os Cogumelos escondendo-se do
sol, debaixo do tronco cafdo, até mesmo
aquelas flores, parecidas com estrelas,
tdo preguicosas, pois apenas resolvem
abrir-se e mostrar toda a sua beleza
de cores, por adlgumas horas por dia,
quando o sol estd mais quente e mais
forte, como que pedindo para que elas
se mostrem...(Gazdnias).
- Mas como eu, alto, forte e frondoso,
nao ha nada por aqui
€ entdo o abacateiro esticou-se o
mais que pdde. Durante algumag épocas
do ano ele crescia mais do que em. ou~
tras, mas finalmente chegou o dia tio
esperado. A sua mais alta pontinha ai-
cancou 0 muro e, mesmo que com alguma
dificuldade, ele jd péde lancar o seu pri-
-meiro olhar naquele fugar tao velado
€ qual nao foi a sua surpresa! Ele
nunca havia visto algo igual em toda a
sua vidal Observando bem, hwotou que
neste lugar, la atrds do muro, a terra
parecia estar arrumada de uma maneira
bem diferente do que ele jd conhecia€ram pequenos morrotes de terra, com-
primidos, separados por caminhos, e a
terra [Link] chamados cantei-
ros, parecia ser fofa, macia e tmida.
Mas, como ao abacateiro ainda tusta-
| va muito esforgo para conseguir othar
por cima do muro, ele ainda néo distin-
guia bem o que mais havia por Id. Teve de
esperar por mais algum tempo, crescer
mais um tanto, e, depois de uma época
na qual quase nao espichou, deu uma
considerdvel esticada e, ai sim, Ja podia
olhar com mais comodidade. e ter uma
melhor visdo do que se passava naquele 14
estranho lugar 7
Agora, quase nao se via a terra dos
ecanteiros, pois cada qual estava co-
berto por plantas tao diferentes uma
das outras. Num deles, havia folhas
bem grandes, de cinco pontas e um
comprido caule, que se alastrava por
| todo 0 canteiro e, olhando bem, podia-
{se notar estranhos frutos, alongados e
“bem verdes. a
~ €sses sGo os pepinos, disse o pardal
ao abacateiro.
O pardal sabia disso porque era muitoxereta e gostava muito de ciscar a terra
dos canteiros a procura de gordas minho-
cas, que mantinham a terra fofa e macia.
a €m outro canteiro, 0 abacateiro péde
ver muitas pequenas folhas, arredonda-
das, bem rasteiras, entre as quais havia
lindas flores brancas. O pardal, tdo es-
perto, sabia que esse era um canteiro de
morangos e que logo, logo, as belas
flores dariam lugar a déliciosos e ver-
methos frutos, tenros e doces. Era sé
uma questGo de esperar esses frutos
amadurecerem e entGo o pardal poderia,
entre uma minhoca e outra, deliciar-se 1S
com um doce morango. .
[Link] {&@ do fundo, havia esta:
cas enfiadas no ch&o e, subindo apoia-
das nelas, verdes folhas de cheiro pou-
co agraddvel, entre as quais pendiam,
2 agrupados, frutos verdes; alguns Ja
estavam bem grandinhos e redondos,
outros ainda eram bem pequenos, me-
snores que a unha do nosso dedinho. No
alto da folhagem havia flores amarelas
e bem delicadas.
Eram tomateiros, jad conhecidos pelo
pardal. €m breve também, aquelas flor~zinhas dariam lugar a um fruto, que cre-
‘ceria e@ amadureceria.
€ assim, 0 abacateiro ficou conhecen-
ido, gracas ao tao esperto pardal, que
| adorava provar—com delicadas bicadas de
j tudo um pouco, aigumnas das tantas plan-
[tas que ha espalhadas pelo mundo.
é
f
: Soube também que, naquele lugar, es-
sas plantas estavam sendo cuidadas pelo
. homem, mas que elas nasciam também
em muitos outros lugares, mesmo sem
esses cuidados e que, de toda forma, en-
fregam ao sol toda a sua vida, quando a
ierra thes serve de morada, os ventos e 16
as chuvas de caricias
Foi entGo que o abacateiro se deu
conta'de que que estava muito perfuma-
, do e cheio de visitas: as vespas, as abe-
thas... - ele estava em flor
~ Pois €, disse 0 pardal, - vocé agora
também dard frutos, assim como o mo-
rango rasteiro e o tomateiro que precisa
Ede ajuda para ficar de pé!
Desde esse dia, nunca mais o abacd-a
teiro teve orgulho de seu tamanho, do seu
porte.
Oihava todos os dias por cima do muropara os tomateiros, os morangos, olhava
" para a grama, para os cogumelos, para
as florzinhas parecidas com estrelas e a
todos cumprimentava com respeitosa
atencao.COMO NASCEM OS VAGALUMES
O deménio n&o se sente bem no verdo
A floresta e a campina evidenciam demais
a maravilha da criacGo e a sua beleza
toca até a mais simples das criaturas.
Isso, porém, contraria o deménio e ele i
espera, inquieto 0 outono, quando caem as
folhas das drvorés e os ramos ficam™
“despidos. EntGo ele se regozija, pois pode i
_ mostrar a todos que deseja seduzir, que ;
a obra de Deus é perecivel ~ e!2 anda
furtivamente e sopra duvidas a respeito
da continuidade da criagdo divina no 18 |
coracGo dos homens
O que mais o incomoda sao as tirvores
Elas possuem nos galhos, onde assentam
os botédes, uma pequena centelha, Cada
galho esta repleto dessas faiscas silen~
-1osas. Elas sGo particularmente bri-
Ibantes no crepisculo e a noite, anuncian-
‘do que o crescimento se aproxima. Assim é
ue no inverno todas as matas estado sal-
picadas pelo brilho dessas fafscas. *
Mas para vé-las @ preciso, mesmo em
idade avancada, ter um coragdo puro
icomo o das criancas. Sempre hd pessoasque conseguem vislumbrar esse faiscar
Eno interior da floresta durante o inverno,
Se quando isso acontece, 0 deménio sente
BE como se suds patas estivessem amarra-
das. Ele sabe que se existissem pessoas '
idosas com 0 coracfio ainda puro sua
opra nado serd bem sucedida.
dJustamente por que quer evitar essa
descoberta é que ele anda sempre ocupd-
do. € 0 que faz ele? -
éle corre pelas matas como fouco,
pate contra as adrvores, arranca botoes
dos galhos e os joga no chdo. Se pudesse,
tiraria os botées de todas as arvores, mf
‘mas ele ndo tem forga para isso *
<> peus, entretanto, quando vé os botdes 4
caidos, recolhe-os todos, mesmo 0S que * :
ficaram enterrados, sem esquecer ne~
nhum e os coloca nas dobras de suds
vestes. Quando chega 0 verdo, coloca-os ;
ina palma de sua méo e os vai soprando
em todas as direcdes.
Entdio eles se transformam em vaga~
lumes e voam por todos os campos, flo-
estas e jardins; agora podem levar &
ua luz, a centelha que ficou adormecida,A ESTRELA DA MANHA
€ra uma vez um anjinho que gostava
de inclinar-se sobre a balaustrada do
céu e olhar para a Terra Id embaixo. €s-
. tava tdo longe que o anjinho nto podia
er nela grande colsa; todavia ali ficava,
pensdtivo, esquecendo-se de tudo. Os
outros. anjos, intrigados, contaram o
caso a Nossa Senhora, *
Um dia, Nossa Senhora veio por
aquele lado e indagouw com dogura:
"- Que fazes ai, meu anjinho?”
Enchendo-se de coragem, o anjinho 20
respondeu .
"- €u queria descer @ Terra!”
Descer @ Terra? EntGo nao te
-'sentes bem. aqui?”
“— Oh! Sim, MGe Rainha, mas eu queria
descer a Terra com o Menino Jesus quan-
‘do ele for Id no Natal. Um anjo grande
disse-me que hd na Terra criancinhas
Pique se parecem conosco e eu gostaria de
é-las e levar-Ihes um presente.” 0 %n-
}Jinho ealou~se, sem ousar levantar os
ppolhos. Se os tivesse levantado, teria vis~
sifO que Nossa Senhora sorria. Mesmo as-_sim, quando ela se afastou, 0 anjinho
tinha no coragGo grande esperanca. € na
véspera do Natal, ele foi o primeiro an-
jinho chamado para acompanhar o Menino
Jesus.
foi a prépria Nossa Senhora quem
guarneceu o cesto do anjinho, com as
coisas mais bonitas que se pode imagi-
nar, agraddveis a vista e excelentes ao
paladar. Logo que a faite caiu, 0 Menino
Jesus disse adeus a@ MGe Divina e, toman-
do o anjinho pela mGo, desceu em direcao
a@ Terra
O Menino Jesus voava sem asas e 0 Zz
seu vdo era ainda mais rdpido do que @
dos anjos. Atrds d'Ele, carregados de
presentes, vinham os anjos escolhidos
para o acompanhar. Deslizavam na noite
a2ul, deixando um rastro de ouro em pd
A Terra tornava-se cada vez maior, e o
anjinho comecou a distinguir 0 mar, agi-
‘tando as ondas com grande rufdo, em se-
Iguida, grandes araucarias, trepadeiras
enroscadas e cipds pendendo sobre"o
cambard no mato baixo, finalmente uma
montanha onde havia rocas de milho e
uma pequena igreja branca de portaazul. O Menino desus disse:
“- Desce a essa aldeia, onde hd mui-
tas criancas bous. Abraca-as da minha
‘parte, suavemente, sem as—acordar, e
deixa-lhes um lindo presente. Mas quando
a primeira estrela principiar a perder o
orilho, voa muito depressa de volta para
o Céu.” -
O anjinho prometeu obedecer o Menino
Jesus e afastou-se.
€ 0 anjinho entrou nas casas e viu as
criang¢as dormindo. Pelo rosto delas re-
conhecia logo se eram boas ou néo. Na
fronte das que eram boas dava um beijo
por parte do Menino Jesus; na das outras
deixava cair uma ldgrima. Felizmente ndo
encontrou nenhuma muito ma, pois, se
isso acontecesse, 0 anjinho teria chorado
nuito. Quando a primeira. estrela
comecou a empalidecer, o cesto estava
vazio e ele levantou véo em direcdo ao
|Céu. |
| Quando subia, avistou uma casa pes
‘quenina, tao sombria-e escondida, que
nem a havia percebido. Contanto que ng&o
haja criancas nesta casa, pensou ele an-
Slosamente. Desceu e foi espreitar pela
en
S
iJanela de madeira. Viu um menino dor-
~ mindo sobre um montdo de folhas secas,
coberto apenas com um pedaco de manta
iesfarrapada. Era tao lindo que o anjinho
entrou para vé-lo mais de perto. Af, des-
ieobriu que ele era um menino muito, mui~
‘to bom; fazia bem as suas oracdes e
ajudava sua mae, que também era muito
pobre. Enquanta dormia tiritava de frio,
porque n@o timha tenha para acender o
fogao e nem mesmo para esquentar dguq
para fazer um pouco de sopd. Sua m&e
tinha ido a Missa do Galo pedir que o Me-
nino Jesus a ajudasse.
0 anjinho via tudo isso e as, ldgrimas
corriam dos seus olhos, enquanto remexia
0 fundo do cesto, se ao menos encon-
trasse uma laranja ou um chocolate -
mas nto havia absolutamente nada. ta
ser obrigado a partir sem deixar aquela
crianca coisa algumad, além do beijo do
iMenino Jesus. Os anjos tém o poder de
\dar sonhos, mas ndo seria cruel fazer
\@quele menino sonhar com tada a especie
ple coisas boas, para de manha se levan-
ftar de ma@os vazias € naquele frio inten-
$0. 0 anjinho pensava em tudo isso, e no- Seu coracto pedia a Nosso Senhora que o
ajudasse.
De repente, enquanto seus olhos fixa-
"vam a nesga de céu que 0 postigo deixava
entrever, ele teve uma idéia maravilhosa.
Rapidamente levantou véo em direg¢do a
primeira estreia que cintilava no firma
mento. Um instante depois estava de vol-
ta, trazendo a estrela delicadamente en-
tre seus dedinhos, colocou-a com grande
Cuidado. na lareira, @ a estrelinha ilumi-
nou a pobre choupana com uma luz ale-
gre. Esquentou a agua da panela, que
Principiou @ exalar um cheiro delicioso, 24
. Pols quando as estrelinhas se encarre-
gam de fazer ferver q agua pura, camu-
nicam-the um excelente gosto de leite
com mel e outras coisas deliciosas. 0 an-
Jinho abracou o menino e desapareceu
pela frestinha da Janela, porque Deus
‘n@o permite aos anjos que aparecam so-
jbre a Terra
‘Quanda o menino acordou, vi a estre-
!a brilhando e sua mGe, muito surpreen-
dida, junto a porta da choupana. Ele
apontou para a janela e disse:
“~ Ati que um anjo fugiu por ali- Quase podia afirmar que vi a pontinha da
asa dele A mae compreendeu tudo,
porque era dia de Natal
Enquanto isso, o anjinho estava su-
bindo para o céu com toda a forca das :
Suds asas. Comecavam a desaparecer as
‘trevas da noite. Quando chegou ao pata-
mar da entrada, Ja todos o8 anjos
grandes se encontravam reunidos em vol-
ta de Nossa Senhora, que tinha vindo es-
perar Seu filho, .
“- Por pouco chegavas tarde, meu an-
Jinho", disse 0 Menino Jesus. Sorria, po-
rem, @ 0 anjinho, aliviado, viu que §le nGo 2
estava zangado.
No momento em que passava pela
grande porta dourada, o anjinho olhou
para tras ~ e parou sobressaltado. lq
,embaixo, entre todas as estrelas que
faziam um bordado no azul do Céu, esta-
va um lugar vazio. Q Menino Jesus nao
jreparara nisso ao subir, mas Deus Pai
sim, certamente, e com sud voz grave
Perguntaria:
“- Quem fez aquilo?”
€ nunca mais deixaria o pequeno anjo
cer a Terra para ver as criangas
oOPrimeiro, n@o percebera a casinha e nao
“ deixara o presente: depois, para reparar
seu esquecimento, 1inha ousado desfazer
o trabalho de Deus!
0 pobre anjinho solugava no primeiro
degrau da escada, e seu choro convulso
chamou a aten¢gdo de Nossa Senhora. 0
anjinho n&o conseguia explicar a causa
de suas ldgrimas, mus com 0 dedo apon-
tava 0 buraco que tinha feito’ no bordado
estrelado de Deus, Nossa Senhora com-
preendeu; Ela sabe ludo o que se passa
com as criangas e vic 0 menino pobre
com sua m&e, comendo @ sopa que tinha 26
gosto de sobremesa. (la tomou uma gas
brilhantes estrelas que guarneciam o seu
j Manto e entregou-a uo anjinho.
"- Vai ~ disse [Link] - Vai de-
pressa pd-la Id embaixo. Eu espero por
bie
€ ela abencgoou suas asas para que
jyvoassem mais rapidimente.
Passado um breve momento, o an ji-
inho, rapidamente regressava ao paraiso
Ld embaixo, perto da Terra, brilhava a
restrela de Nossa Senhora. Era mais bela
'ue as outras, tdo brilhante e cintitante
|
gque Deus deve té-Ia reconhecido, mas ndo
disse ‘nada...
Na Terra, os homens também a reco-
nheceram e puseram-Ihe o nome de Estre-
Via da Manha, STELLA MATUTINA. & @ pri-
meira a acender-se e q altima a apagar—
“se. € maior € mais bela que qualquer out~
rd, porque € @ estrela de Nossa Senhora.