13/05/2012
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
ENGENHARIA CIVIL E DE MINAS
CAPÍTULO 3 – DINÂMICA DOS
FLUIDOS ELEMENTAR – EQUAÇÃO
DE BERNOULLI – 2ª PARTE
Prof. Eliane Justino
3.6 – EXEMPLOS DA APLICAÇÃO DA EQUAÇÃO
DE BERNOULLI
Se o escoamento puder ser modelado como invíscido, incompressível e
se o regime for permanente, tem-se para a Equação de Bernoulli entre
dois pontos que pertencem a mesma linha de corrente, (1) e (2):
3.6.1 – JATO LIVRE
Descreve a descarga de líquidos para a atmosfera de um grande
reservatório.
Como mostrado na Figura a seguir.
1
13/05/2012
3.6.1– JATO LIVRE
Escoamento Vertical no Bocal de um Tanque
3.6.1– JATO LIVRE
Aplicando a Equação de Bernoulli entre (1) e (2):
Considerando que a referência está na saída do jato
O reservatório é de grande porte – V1 ≈ 0 – Conservação da Massa.
p1 = p2 = 0 – estão expostos à pressão atmosférica e consideraremos a
pressão relativa, sendo assim os valores de p1 e p2 são nulos.
Portanto:
2
13/05/2012
3.6.1– JATO LIVRE
Para se provar que p2 = 0, ou seja esta submetido a pressão atmosférica,
pode-se aplicar F = m.a na direção normal a linha de corrente entre os
pontos (2) e (4).
Se as linhas de correntes na seção de descarga do bocal são retilíneas (R
= ∞) segue que p2 = p4, analise a Equação abaixo.
Como (2) é um ponto arbitrário no plano de descarga do bocal, segue que a
pressão neste plano é igual a atmosférica.
3.6.1 – JATO LIVRE
Note que a pressão precisa ser constante na direção normal às linha de
corrente porque não existe componente da força peso ou uma
aceleração na direção horizontal.
O escoamento se comporta como um jato livre, com a pressão uniforme
e igual a atmosférica (p5 =0 ), a jusante do plano de descarga do bocal.
Aplicando a Equação de Bernoulli entre os pontos (1) e (5),
considerando a referência no ponto (5), tem-se:
3
13/05/2012
3.6.1 – JATO LIVRE
H é a distância entre a seção de
descarga do bocal e ponto (5)
3.6.1 – JATO LIVRE
Considerando agora um jato horizontal
Escoamento Horizontal no
Bocal de um Tanque
4
13/05/2012
3.6.1 – JATO LIVRE
A velocidade na linha de centro do escoamento V2, será um pouco
maior que V1, e um pouco menor do que a do fundo, V3, devido a
diferença de elevação.
V1 < V2 < V3
A velocidade na linha de centro do escoamento representa bem a
velocidade média do escoamento se d << h.
Se o contorno do bocal não é suave, veja figura a seguir, o diâmetro do
jato, dj, será menor que o diâmetro do orifício, dh.
Este efeito, conhecido como vena contracta, é o resultado da
inabilidade do fluido de fazer uma curva de 90º.
3.6.1 – JATO LIVRE
Efeito da Vena Contracta num
Orifício com Borda pontuda
Como as linhas de corrente no plano de saída são curvas ( R < ∞), a
pressão não é constante entre as linhas de corrente. Note que é
necessário um gradiente infinito de pressão para que seja possível fazer
uma curva com raio nulo (R = 0).
5
13/05/2012
3.6.1 – JATO LIVRE
A pressão mais alta ocorre ao longo da linha de centro em (2) e a mais
baixa, p1 = p3 = 0, ocorre na periferia do jato.
Assim, as hipóteses de que a velocidade é uniforme, que as linhas de
correntes são retilíneas e que a pressão é constante na seção de descarga
não são válidas.
Entretanto, elas são no plano da vena contracta (seção a – a).
A hipótese de velocidade uniforme é válida nesta seção desde que dj << h.
O formato da vena contracta é função do tipo de geometria da seção de
descarga.
3.6.1 – JATO LIVRE
Algumas configurações
típicas estão
mostradas na Figura
ao lado juntamente
com os valores típicos
experimentais do
coeficiente de
contração, Cc.
Este coeficiente é
definido pela relação
Aj/Ah onde Aj é a área
da seção transversal
do jato na vena
contracta e Ah é a área
da seção de descarga
do tanque.
6
13/05/2012
3.6.1 – ESCOAMENTOS CONFINADOS
São caso de escoamentos em que a pressão não pode ser determinada
a priori, como acontece no caso de jato livre, visto que, a pressão em
que estes escoamentos estão submetidas é diferente da pressão
atmosférica.
EXEMPLO: Escoamento em bocais e nas tubulações que apresentam
diâmetro variáveis.
Onde a velocidade média do escoamento varia, porque a área de
escoamento não é constante.
Para solucionar este tipo de problema é utilizado o conceito de
Conservação da Massa (ou Equação da Continuidade) juntamente
com a equação de Bernoulli.
3.6.1 – ESCOAMENTOS CONFINADOS
Será utilizado uma Derivação a partir de argumento intuitivos para
obtenção da Equação da Conservação da Massa Simplificada:
Considere um escoamento de um fluido num volume fixo, tal como um
tanque, que apresenta apenas uma seção de alimentação e uma seção
de descarga, como mostrado na Figura abaixo:
7
13/05/2012
3.6.1 – ESCOAMENTOS CONFINADOS
Se o escoamento ocorre em regime permanente, de modo que não
existe acumulo de fluido no volume, a taxa com que o fluido escoa para
o volume precisa ser igual a taxa com que o fluido escoa do volume (de
outro modo a massa não seria conservada).
A vazão em massa na seção de descarga:
Onde Q é a vazão em volume (m3/s).
Se a área da seção de descarga é A e o fluido escoar na direção
normal ao plano da seção com velocidade média V, a quantidade de
fluido em volume que passa pela seção no intervalo de tempo δt é
expressa por:
3.6.1 – ESCOAMENTOS CONFINADOS
Ou seja, igual a área da seção de descarga multiplicada pela distância
percorrida pelo escoamento (Vδt).
Assim, sendo a vazão em volume dada por Q = A.V, tem se para vazão
em massa:
Para que a massa no volume considerado permaneça constante, a
vazão em massa na seção de alimentação deve ser igual àquela na
seção de descarga.
8
13/05/2012
3.6.1 – ESCOAMENTOS CONFINADOS
Se a seção de Alimentação for (1) e a de descarga (20, tem-se:
Assim, a conservação da massa exige que:
Se a massa específica do fluido permanecer constante, ρ1 = ρ2, a
Equação se torna;
3.6.1 – ESCOAMENTOS CONFINADOS
Por exemplo, se a área da seção de descarga é igual a metade da área
da seção de alimentação, segue que a velocidade media na seção de
descarga é igual ao dobro daquela na seção de alimentação.
EXEMPLO 3.7 – pág. 109
A Figura a seguir mostra um tanque (diâmetro D = 1,0 m) que é
alimentado com um escoamento de água proveniente de um tubo que
apresenta d, igual a 0,1m. Determine a vazão em volume Q, necessário
para que o nível da água (h) permaneça constante e igual a 2 m.
9
13/05/2012
EXEMPLO 3.7 – pág. 109
EXEMPLO 3.7 – pág. 109
SOLUÇÃO
Se modelarmos o escoamento como invíscido, incompressível e em
regime permanente, a aplicação da Equação de Bernoulli entre os
pontos (1) e (2) resulta em:
(1)
Admitindo que p1 = p2 = 0, z1 = h e z2 = 0, tem-se
10
13/05/2012
EXEMPLO 3.7 – pág. 109
Note que o nível d’água pode permanecer constante (h = constante)
porque existe uma alimentação de água no tanque. Da Equação da
Conservação da massa, que é adequada para escoamento
incompressível, requer que Q1 = Q2, onde Q = A.V. Assim, A1.V1 = A2.V2,
ou:
(2)
Assim:
(3)
EXEMPLO 3.7 – pág. 109
Combinando as Equações (1) e (3), obtém-se
e:
Neste exemplo nós não desprezamos a energia cinética da água no
tanque (V1 ≠ 0). Se o diâmetro do tanque é grande em relação ao
diâmetro do jato (D >> d), A Eq. (3) indica que V1 << V2 e a hipótese de
V1 = 0 será adequado
11
13/05/2012
EXEMPLO 3.7 – pág. 109
O erro associado com esta hipótese pode ser visto a partir da relação
entre a vazão calculada admitindo que V1 ≠ 0, indicada por Q, e aquela
obtida admitindo que V1 = 0, denotada por Q0. Essa relação é dada por:
A Figura a seguir mostra o gráfico dessa relação funcional. Note que 1 <
Q / Q0 ≤ 1,01 se 0 < d / D < 0,4.
EXEMPLO 3.7 – pág. 109
Assim, o erro provocado pela hipótese de V1 = 0 é menor do que 1%
nesta faixa de relação de diâmetros.
12
13/05/2012
EXEMPLO 3.8 – pág. 110
A Figura abaixo mostra o esquema de uma mangueira de diâmetro D = 0,03 m
que é alimentada, em regime permanente, com ar proveniente de um tanque. O
fluido é descarregado no ambiente através de um bocal que apresenta seção de
descarga, d, igual a 0,01 m. Sabendo que a pressão no tanque é constante e
igual a 3,0 kPa (relativa) e que a atmosfera apresenta pressão e temperatura,
padrões, determine a vazão em massa e a pressão na mangueira.
EXEMPLO 3.8 – pág. 110
SOLUÇÃO:
Se nós admitirmos que o escoamento ocorre em regime permanente é
invíscido e incompressível, nós podemos aplicar a equação de Bernoulli
ao Longo da Linha de Corrente que passa por (1), (2) e (3). Assim:
(1)
Se nós admitirmos que z1 = z2 = z3 (a mangueira está na horizontal),
que V1 = 0 (o tanque é grande) e que p3 = 0 (jato livre), tem-se que:
13
13/05/2012
EXEMPLO 3.8 – pág. 110
A massa específica do ar no tanque pode ser obtida com a Lei do
Gases Perfeito (utilizando temperatura e pressão absolutas). Assim:
Assim, nós encontramos que:
EXEMPLO 3.8 – pág. 110
Note que o valor de V3 independe do formato do bocal e foi
determinado utilizando apenas o valor de p1 e as hipóteses envolvidas
na Equação de Bernoulli. A carga de pressão no tanque, p1/γ = (3000
Pa)/(9,8 m/s2) (1,26 kg/m3) = 243 m, é convertida em carga de
velocidade V32/2g = (69,0 m/s2)/ (2 x 9,8 m/s2) = 243 m.
Observe que, apesar de termos utilizado pressões relativas na
Equação de Bernoulli (p3 = 0), nós utilizamos a pressão absoluta
para calcular a massa específica do ar com a Lei dos Gases
Perfeitos.
A pressão na mangueira pode ser calculada utilizando a Eq. (1) e a
Equação da conservação de massa.
14
13/05/2012
EXEMPLO 3.8 – pág. 110
Assim:
E da Eq. (1):
A pressão na mangueira é constante e igual a p2 se os efeitos viscosos
não forem significativos. O decréscimo na pressão de p1 a p2 acelera o
ar e aumenta sua energia cinética de zero no tanque até um valor
intermediário na mangueira e finalmente até um valor máximo na seção
de descarga.
EXEMPLO 3.8 – pág. 110
Como a velocidade do ar na seção de descarga do bocal é nove vezes
maior que na mangueira, a maior queda de pressão ocorre do bocal (p1
= 3 kPa, p2 = 2,96 kPa e p3 = 0).
Como a variação de pressão de (1) para (3) não é muito grande em
termos absoluto, (p1 – p3)/ p1 = 3,0/101 = 0,03, temos que a variação na
massa específica do ar não é significativa. (veja equação dos gases
perfeito).
Assim, a hipótese de escoamento incompressível é razoável para este
problema.
Se a pressão no tanque fosse consideravelmente maior ou se os efeitos
viscosos forem importantes, os resultados obtidos neste exercícios não
são adequados.
15
13/05/2012
EXEMPLO 3.9 – pág. 112
Em muitos casos a combinação dos efeitos de energia cinética, pressão
e gravidade são importantes no escoamento. O Exemplo 3.9 ilustra uma
destas situações.
A Figura a seguir mostra o escoamento de água numa redução. A
pressão estática em (1) em (2) são medidas com um manômetro em U
invertido que utiliza óleo, densidade igual a SG, como fluido
manométrico. Nestas condições, determine a leitura no manômetro (h).
EXEMPLO 3.9 – pág. 112
16
13/05/2012
EXEMPLO 3.9 – pág. 112
SOLUÇÃO:
Se admitirmos que o regime de operação é o permanente e que o
escoamento é incompressível e invíscido, nós podemos escrever a
Equação de Bernoulli do seguinte modo:
A Equação da conservação da massa pode fornecer uma segunda
relação entre V1 e V2 se admitirmos que os perfis de velocidade são
uniformes nestas duas seções. Deste modo:
EXEMPLO 3.9 – pág. 112
Combinando as duas últimas Equações:
(1)
Esta diferença de pressão é medida pelo manômetro e pode ser
determinada com os conceitos desenvolvidos no Cap. 2. Assim:
Ou
(2)
17
13/05/2012
EXEMPLO 3.9 – pág. 112
As Equações (1) e (2) podem ser combinadas para fornecer:
Mas como V2 = Q/A2.
A diferença de elevação z1 – z2 não aparece na equação porque o
termo de variação de elevação na Equação de Bernoulli é cancelado
pelo termo referente a variação de elevação na equação de manômetro.
EXEMPLO 3.9 – pág. 112
Entretanto, a diferença de pressão p1 – p2 é função do ângulo θ por
causa do termo z1 – z2 da Eq. (1).
Assim, para uma dada vazão em volume, a diferença de pressão p1 – p2
medida no manômetro variará com o θ mas a leitura do manômetro, h, é
independente deste ângulo.
Geralmente, um aumento de velocidade é acompanhado por uma
diminuição na pressão.
Por exemplo, a velocidade média do escoamento de ar na região
superior de uma asa de avião é maior do que a velocidade média do
escoamento na região inferior da asa. Assim, a força liquida a pressão
na região inferior da asa é maior do que aquela na região superior da
asa e isto gera a força de sustentação na asa.
18
13/05/2012
CAVITAÇÃO
Se a diferença entre estas velocidades é alta, a diferença entre as
pressões também pode ser considerável, isto pode introduzir efeitos
compressíveis nos escoamentos de gases, e a cavitação nos
escoamento de líquidos.
A Cavitação ocorre quando a pressão no fluido é reduzida a pressão de
vapor e o líquido evapora.
Pressão de Vapor, pv, é a pressão em que as bolhas de vapor se
formam num líquido, ou seja, é a pressão em que o líquido muda de
fase.
Esta pressão depende do tipo de líquido e da temperatura.
CAVITAÇÃO
EXEMPLO: A água evapora a 100º C na atmosfera padrão, 1,013 bar, e
a 30º C quando a pressão no líquido é igual a 4,24 kPa (abs), ou seja:
pv = 4,24 kPa (abs) - a 30º C
pv = 101,3 kPa (abs) - a 100º C
É possível identificar a produção de Cavitação num escoamento de
líquido utilizando a Equação de Bernoulli.
EXEMPLO: Se a velocidade do fluido aumenta, por uma redução da
área disponível para o escoamento, a pressão diminuirá.
19
13/05/2012
CAVITAÇÃO
Distribuição de Pressão e Cavitação Numa Tubulação com Diâmetro
Variável;
CAVITAÇÃO
Esta diminuição de pressão, necessária para acelerar o fluido na
restrição, pode ser grande o suficiente para que a pressão no líquido
atinja o valor da sua pressão de vapor.
EXEMPLO: Cavitação pode ser demonstrada numa mangueira de
jardim.
Se o bocal de borrifamento for estrangulado obtém-se uma restrição da
área de escoamento, de modo que a velocidade da água nesta restrição
poderá ser relativamente grande, se formos diminuindo a área de
escoamento, o som produzido pelo escoamento de água mudará, um
ruído bem definido é produzido a partir de um certo estrangulamento,
este som é provocado pela Cavitação.
20
13/05/2012
CAVITAÇÃO
A Ebulição ocorre na Cavitação (apesar da temperatura ser baixa) e,
assim, temos a formação de bolhas de vapor nas zonas de baixa
pressão.
Quando o fluido escoa para uma região que apresenta pressão mais
alta (baixa velocidade), as bolhas colapsam.
Este processo pode produzir efeitos dinâmicos (implosões) que causam
transientes de pressão na vizinhança das bolhas. Acredita-se que
pressões tão altas quanto 690 MPa ocorrem neste processo.
Se as bolhas colapsam próximas de uma fronteira física elas podem,
depois de um certo tempo, danificar a superfície na área de cavitação.
CAVITAÇÃO
A Figura abaixo mostra a cavitação nas pontas de uma hélice. Neste
caso, a alta rotação da hélice produz uma zona de baixa pressão na
periferia da hélice. Obviamente, é necessário projetar e utilizar
adequadamente os equipamentos para eliminar os danos que podem
ser produzidos pela cavitação.
21
13/05/2012
EXEMPLO 3.10 – pag. 114
A Figura a seguir mostra um modo de retirar água a 20º C de um grande
tanque. Sabendo que o diâmetro da mangueira é constante, determine
a máxima elevação da mangueira, H, para que não ocorra Cavitação
no escoamento de água na mangueira. Admita que a seção de
descarga da mangueira está localizada a 1,5 m abaixo da superfície
inferior do tanque e que a pressão atmosférica é igual a 1,13 bar.
EXEMPLO 3.10 – pag. 114
SOLUÇÃO:
Nós podemos aplicar a Equação de Bernoulli ao longo da linha de
Corrente que passa por (1), (2) e (3) se o escoamento ocorre em regime
permanente, é incompressível e invíscido. Nestas condições:
(1)
Nós vamos utilizar o fundo do tanque como referência. Assim, z1 = 4,5
m, z2 = H e z3 = -1,5 m. Nós também vamos admitir que V1 = 0 (tanque
grande), p1 = 0 (tanque aberto), p3 = 0 (jato livre).
A Equação da continuidade estabelece que A2V2 = A3V3. Como o
diâmetro da mangueira é constante, temos que V2 = V3. Assim a
velocidade do fluido na mangueira pode ser determinada com a Eq. (1),
ou seja;
22
13/05/2012
EXEMPLO 3.10 – pag. 114
(2)
A utilização da Eq (1) entre os pontos (1) e (2) fornece a pressão na
elevação máxima da mangueira, p2.
A Tab. B.1 do Apêndice mostra que a pressão de vapor da água a 20º C
é igual a 2,338 kPa (abs). Assim, a pressão mínima na deve ser igual a
2,338 kPa (abs) para que ocorra cavitação incipiente no escoamento.
A análise da Figura deste Exercício e da Eq. (2) mostra que a pressão
mínima do escoamento na mangueira ocorre no ponto de elevação
máxima.
EXEMPLO 3.10 – pag. 114
Como nós utilizamos pressões relativas na Eq. 1 nós precisamos
converter a pressão no ponto (2) em pressão relativa, ou seja, p2 =
2,338 – 101,3 = - 99 kPa. Aplicando este valor na Eq. (2), temos:
Note que ocorrerá a formação de bolhas em (2) se o valor de H for
maior do que o calculado e, nesta condição, o escoamento no sifão
cessará.
23
13/05/2012
EXEMPLO 3.10 – pag. 114
Poderíamos ter trabalhado com pressões absolutas (p2 = 2,338 kPa e p1
= 101,3 kPa) em todo o problema e é claro que obteríamos o mesmo
resultado. Quando mais baixa a seção de descarga da mangueira maior
a vazão e menor o valor permissível de H.
Nós também poderíamos ter utilizado a Equação de Bernoulli entre os
pontos (2) e (3) com V2 = V3 e obteríamos o mesmo valor de H. Neste
caso não seria necessário determinar V2 como a aplicação da equação
de Bernoulli entre os pontos (1) e (3)..
Os resultados obtidos neste Exemplo são independentes do diâmetro e
do comprimento da mangueira (desde que os efeitos viscosos não
sejam importantes). Observe que ainda é necessário realizar um projeto
mecânico da mangueira (ou tubulação) para assegurar que ela não
colapse devido a diferença entre pressão atmosférica e a pressão no
escoamento.
3.6.3 – MEDIÇÃO DE VAZÃO
Muitos dispositivos foram desenvolvidos a partir da Equação de
Bernoulli, para medir velocidade de escoamento e vazões em massa,
um exemplo disto é o Tubo de Pitot.
Há também os dispositivos utilizados, na medição de vazões em
volume em tubos, condutos e canais abertos.
Considerando medidores de vazão “ideais”, ou seja, aqueles onde os
efeitos viscosos e de compressibilidade não são levados em
consideração. O objetivo disto é entender o princípio básico de
operação destes medidores de vazão.
Um modo eficiente de medir a vazão em volume em tubos é instalar
algum tipo de restrição no tubo e medir a diferença entre as pressões
na região de baixa velocidade e alta pressão (1) e a de alta velocidade
e baixa pressão (2).
24
13/05/2012
3.6.3 – MEDIÇÃO DE VAZÃO
A Figura abaixo mostra três tipos de comuns de medidores de vazão:
3.6.3 – MEDIÇÃO DE VAZÃO
A operação de cada um é baseada no mesmo princípio – um aumento
de velocidade provoca uma diminuição na pressão.
A diferença entre eles é uma questão de custo, precisão e como sua
condição ideal de funcionamento se aproxima da operação ideal.
Admitindo que o escoamento entre os pontos (1) e (2) é incompressível,
invíscido e horizontal (z1 = z2). Se o regime de escoamento é
permanente, a Equação de Bernoulli fica restrita a:
(1)
25
13/05/2012
3.6.3 – MEDIÇÃO DE VAZÃO
Note que o efeito da inclinação do escoamento pode ser
incorporado na Equação incluindo a mudança de elevação z1 – z2
na Equação de Bernoulli.
Admitindo que os perfis de velocidade são uniforme em (1) e (2), a
Equação de Conservação da massa, pode ser rescrita como:
(2)
Combinando as Equações (1) e (2), tem-se a seguinte expressão para a
vazão em volume teórica:
3.6.3 – MEDIÇÃO DE VAZÃO
Assim para uma dada geometria do escoamento (A1 e A2) a vazão em
volume pode ser determinada se a diferença de pressão p1 – p2 for
medida.
A vazão real, Qreal, será menor que o resultado teórico porque
existe várias diferenças entre o mundo real e aquele modificado
pelas hipóteses utilizadas na obtenção da Equação para a vazão
em volume real, estas diferenças dependem da geometria dos
medidores e podem ser menor do que 1% ou tão grande quanto
40%.
26
13/05/2012
EXEMPLO 3.11 – pág. 116
Querosene (densidade = SG = 0,85) escoa no medidor Venturi
mostrado na Figura abaixo e a vazão em volume varia de 0,005 a 0,050
m3/s. Determine a faixa de variação da diferença de pressão medida
nestes escoamento (p1 – p2).
EXEMPLO 3.11 – pág. 116
SOLUÇÃO:
Admitindo que o escoamento é invíscido, incompressível e que o regime
é permanente, a relação entre a variação de pressão e a vazão pode
ser calculada com a Equação:
Tem-se:
27
13/05/2012
EXEMPLO 3.11 – pág. 116
A massa específica do querosene é igual a:
A diferença de pressão correspondente a vazão mínima é:
Já a diferença de pressão correspondente a vazão máxima é:
EXEMPLO 3.11 – pág. 116
Assim:
Estes valores representam as diferenças de pressão que seriam
encontradas em escoamentos incompressíveis, invíscidos e em regime
permanente.
Os resultados ideais apresentados são independentes da geometria do
medidor de vazão – um orifício, bocal ou medidor Venturi.
A Equação:
28
13/05/2012
EXEMPLO 3.11 – pág. 116
Mostra que a vazão em volume varia com a raiz quadrada da diferença
de pressão.
Assim, como indicam os resultados do Exemplo 3.11, um aumento de
10 vezes na vazão em volume provoca um aumento de 100 vezes na
diferença de pressão
Esta relação não linear pode causar dificuldade nas medição de vazão
se a faixa de variação for muito larga.
Tais medições podem requere transdutores de pressão com uma faixa
muito ampla de operação.
Um modo alternativo para escapar deste problema é a utilização de dois
manômetros em paralelo – um dedicado a medir as baixas vazões e
outro dedicado a faixa com vazões mais altas.
MEDIDORES DE VAZÕES EM VOLUME EM CANAIS
ABERTOS
Outros medidores de vazão, baseados na Equação de Bernoulli, são
utilizados para medir vazão em canais abertos tais como as calhas e
canais de irrigação.
Dois destes dispositivos de medida, a comporta deslizantes e o
vertedouro de soleira delgada, serão analisados sob a hipótese de que
o escoamento é invíscido, incompressível e que o regime é o
permanente.
29
13/05/2012
MEDIDORES DE VAZÕES EM VOLUME EM CANAIS
ABERTOS - COMPORTAS
A comporta mostrada na Figura abaixo é muito utilizada para controlar
e medir vazão em canais abertos.
Comporta
Deslizante
MEDIDORES DE VAZÕES EM VOLUME EM CANAIS
ABERTOS - COMPORTAS
A vazão em volume, Q, é função da profundidade de escoamento de
água a montante da comporta, z1, da largura da comporta, b e da sua
abertura, a.
Aplicando a Equação de Bernoulli e a Equação da Conservação de
Massa (Continuidade) entre os pontos (1) e (2) pode oferecer uma boa
aproximação da vazão real neste dispositivo,
Admitindo que os perfis de velocidade são suficientemente uniformes a
montante e a jusante da comporta.
Aplicando a Equações de Bernoulli e da Continuidade entre (1) e (2)
que estão localizados na superfície livre do escoamento tem-se
30
13/05/2012
MEDIDORES DE VAZÕES EM VOLUME EM CANAIS
ABERTOS - COMPORTAS
Como os dois pontos são superficiais, tem-se que p1 = p2 = 0.
Combinando as Equações, resulta:
MEDIDORES DE VAZÕES EM VOLUME EM CANAIS
ABERTOS - COMPORTAS
No caso limite onde z1 >> z2, esta Equação fica reduzida a:
Neste caso limite a energia cinética do fluido a montante da
comporta é desprezível e a velocidade do fluido a jusante da
comporta é igual a de uma queda livre com uma altura igual (z1 –
z2) ≈ z1.
O mesmo resultado pode ser obtido a partir da Equação de Bernoulli
entre os pontos (3) e (4) e utilizando p3 = γZ1 e p4 = γz2 porque as linhas
de correntes nestas sessões são retas.
Nesta formulação, em vez de temos as contribuições da energia
potencial em (1) e (2) encontra-se as contribuições da pressão em (3) e
(4).
31
13/05/2012
MEDIDORES DE VAZÕES EM VOLUME EM CANAIS
ABERTOS - COMPORTAS
Como o fluido não pode fazer uma curva de 90º e, também encontra-se
uma vena contracta que induz um coeficiente de contração, Cc = Z2/a
menor que 1.
O valor típico de Cc é aproximadamente igual a 0,61 para 0 < a/z1 <
0,20.
Mas o valor do coeficiente de contração cresce rapidamente quando a
relação a/z1 aumenta.
EXEMPLO 3.12 – pág. 118
A água escoa sob a comporta deslizante mostrada na Figura abaixo.
Estime o valor da vazão em volume de água na comporta por unidade
de comprimento de canal.
32
13/05/2012
EXEMPLO 3.12 – pág. 118
SOLUÇÃO:
Nós vamos admitir que o escoamento é incompressível, invíscido e que
o regime de escoamento é o permanente. Assim, nós podemos aplicar a
Equação:
Obtém-se, Q/b, ou seja vazão em volume por unidade de comprimento
do canal, dada por:
EXEMPLO 3.12 – pág. 118
Neste caso nós temos que z1 = 5,0 m e a = 0,8 m. Como a/z1 = 0,16 <
0,20, vamos admitir que Cc o coeficiente de contração, é igual a 0,61.
Assim, z2 = Cc .a = 0,61 x 0,8 = 0,488 m e a vazão por unidade de
comprimento do canal é:
Se nós considerarmos que z1 >> z2 e desprezarmos a energia cinética
do fluido a montante da comporta, encontramos:
33
13/05/2012
EXEMPLO 3.12 – pág. 118
Neste caso, a diferença entre as vazões calculadas dos dois modos não
é muito significativa porque a relação entre as profundidades é
razoavelmente grande (z1/z2= 5,0/0,488 = 10,2).
Este resultado mostra que muitas vezes é razoável desprezar a
energia cinética do escoamento a montante da comporta em
relação àquela a jusante da comporta.
MEDIDORES DE VAZÕES EM VOLUME EM CANAIS
ABERTOS – VERTEDOR0
Um outro dispositivo utilizado para medir a vazão em canais abertos é o
vertedoro.
A Figura abaixo mostra um vertedoro retangular de soleira delgada
típico.
34
13/05/2012
MEDIDORES DE VAZÕES EM VOLUME EM CANAIS
ABERTOS – VERTEDOR0
Neste tipo de dispositivo a vazão de líquido sobre o vertedoro é função
da altura do vertedoro, Pw, da largura do canal, b e da carga d’água
acima do topo do vertedoro, H.
A aplicação da Equação de Bernoulli pode fornecer um resultado
aproximado para a vazão nestas situações, mesmo sabendo que o
escoamento real no vertedoro é muito complexo.
Os campos de pressão e gravitacional provocam a aceleração do fluido
entre os pontos (1) e (2) do escoamento, ou seja, a velocidade varia de
V1 para V2.
No ponto (1) a pressão é p1 = γ h, enquanto que no ponto (2) a pressão
é praticamente igual a atmosférica p2 = 0.
MEDIDORES DE VAZÕES EM VOLUME EM CANAIS
ABERTOS – VERTEDOR0
Na região localizada acima do topo do vertedoro (seção a – a) a
pressão varia do valor atmosférico na superfície superior até o valor
máximo na seção e de novo para o valor atmosférico na superfície
inferior.
Tal distribuição de pressão combinada com as linhas de corrente curvas
produz um perfil de velocidade não uniforme na seção a – a.
A distribuição de velocidade nesta seção só pode ser determinada
experimentalmente ou utilizando recursos teóricos avançados..
Analisando o problema de um modo mais simples, admitindo que o
escoamento no vertedoro é similar ao escoamento num orifício com
linhas de correntes livres.
35
13/05/2012
MEDIDORES DE VAZÕES EM VOLUME EM CANAIS
ABERTOS – VERTEDOR0
Se a hipótese for válida, pode-se esperar que a velocidade média sobre
o vertedoro é proporcional a (2.g.H)1/2 e que a área de escoamento para
o vertedoro é proporcional a H. b. Assim:
Onde C1 é uma constante que precisa ser determinada.
C1 – geralmente é determinada por via experimental.
EXEMPLO 3.13 – pag. 120
Água escoa sobre um vertedor triangular como mostrado na Figura
abaixo. Determine a dependência funcional entre a vazão em volume,
Q, e a profundidade H utilizando um procedimento baseado na Equação
de Bernoulli. Se a vazão em volume é Q0, quando H = H0, estime qual é
a vazão quando a profundidade aumenta para H = 3 H0.
36
13/05/2012
EXEMPLO 3.13 – pag. 120
SOLUÇÃO:
Se admitirmos que o escoamento é invíscido, incompressível e que
ocorre em regime permanente nós podemos utilizar a equação:
Com esta, estima-se a velocidade média do escoamento sobre a
comporta triangular.
Deste modo nós obtemos que a velocidade média é proporcional a
(2gH)1/2.
Também vamos admitir que a área de escoamento, para uma
profundidade H, é H([Link](θ/2).
EXEMPLO 3.13 – pag. 120
A combinação destas hipótese resulta em:
Onde C2 é uma constante que precisa ser determinada
experimentalmente.
Se triplicarmos a profundidade (de H0 para 3H0), a relação entre as
vazões é dada por:
Note que a vazão em volume é proporcional a H5/2 no vertedoro
triangular enquanto que no retangular é proporcional a H3/2.
37
13/05/2012
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Exercício 3.2 – pág 130 – Modificado.
A água escoa em regime permanente no
bocal mostrado na Figura abaixo. O eixo de
simetria do bocal está na vertical e a
distribuição de velocidade neste eixo é
dada por V = 10 (1+ z) k m/s. Admitindo que
os efeitos viscosos são desprezíveis.
Determine (a) o gradiente de pressão
necessário para produzir este escoamento
(em função de z). (b) se a pressão na seção
(1) é de 340 kPa, determine a pressão na
seção (2) (I) integrando o gradiente de
pressão obtido na parte (a) e (II) aplicando
a Equação de Bernoulli, ρH20 = 998 kg/m3.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
EXERCÍCIO 02 - A água escoa sobre um vertedoro triangular como mostrado
na figura abaixo. Determine qual é a vazão que passa neste vertedoro,
sabendo que a altura de lâmina d’água acima deste é de 2,0 m e que o
ângulo de abertura, θ = 30º. Considere o coeficiente de contração do
vertedoro igual a 0,50.
38
13/05/2012
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
EXERCÍCIO 03 - E se o vertedoro fosse trapezoidal, como mostrado na
Figura abaixo, com l = 1,5 m e fosse mantido mesmo valor de lâmina
d’água do exercício anterior, H = 2,0 m. Considere o coeficiente de
contração do vertedoro igual a 0,72.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
EXERCÍCIO 04 - A água escoa sobre uma comporta deslizante como
mostrada na Figura abaixo. Estime o valor de vazão em volume de água na
comporta.
39