Manual do Curso de Licenciatura em Educação Física e Desporto
Andebol
Universidade Católica de Moçambique
Centro de Ensino à Distância
Andebol i
Direitos de autor
Este manual é propriedade da Universidade Católica de Moçambique, Centro de Ensino à Distância
(CED) e contêm reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste manual, no
seu todo ou em partes, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico,
gravação, fotocópia ou outros) sem permissão expressa da entidade editora (Universidade Católica de
Moçambique-Centro de Ensino à Distância). O não cumprimento desta advertência é passível a
processos judiciais.
Docente: Prof. Doutor. Alberto Graziano
Docente da Univesidade Católica de Moçambique – Centro de Ensino à Distância
Universidade Católica de Moçambique
Centro de Ensino à Distância
82-5018440
23-311718
82-4382930
Moçambique
Fax:
E-mail: eddistsofala@[Link]
Website: www. [Link]
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Agradecimentos
Agradeço a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual:
Universidade Católica de Moçambique Pelo meu envolvimento nas equipas do CED
Centro de Ensino à Distância.. como Colaborador, na área de Desenho.
À Coordenação do Curso de Educacao Fisica Pela contribuição e enriquecimentos ao
e Desporto. conteúdo
À coordenadora: Mestre Bridgette Simone Pela facilitação e prontidão durante a
Nhantumbo concepção do presente manual.
Andebol iii
Visão geral 5
Bem vindo ao Ensino dda Disciplina de Andebol 2º Ano ................................................ 5
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................... 5
Como está estruturado este módulo .................................................................................. 6
Ícones de actividade .......................................................................................................... 6
Habilidades de estudo ....................................................................................................... 7
Precisa de apoio? .............................................................................................................. 7
Tarefas (avaliação e auto-avaliação)................................................................................. 7
Avaliação .......................................................................................................................... 8
Unidade nº 1 9
Introdução ao andebol ....................................................................................................... 9
Sumário ........................................................................................................................... 15
Exercícios 1..................................................................................................................... 15
Unidade nº 2 16
Caracterização geral do andebol ..................................................................................... 16
Sumário ........................................................................................................................... 20
Exercício 2 ...................................................................................................................... 20
Unidade nº 3 20
Técnica ............................................................................................................................ 20
Sumário ........................................................................................................................... 29
Exercício 3 ...................................................................................................................... 29
Unidade nº 4 30
Táctica ............................................................................................................................. 30
Sumário ........................................................................................................................... 50
Exercício 4 ...................................................................................................................... 50
Unidade nº 5 50
Guarda-redes ................................................................................................................... 50
Sumário ........................................................................................................................... 55
Exercício 5 ...................................................................................................................... 55
Unidade nº 6 55
Regras de jogo ................................................................. Erro! Marcador não definido.
Sumário ........................................................................................................................... 61
Exercício 6 ...................................................................................................................... 61
Unidade nº 7 61
Referencias bibliográficas…………………………………………………………………………..........61
Andebol 5
Visão geral
A Cadeira de Andebol foi introduzida para os Formandos, que, na sua maioria,
são já Professores do EP e/ou do ESG. Começa nestas Presenciais, para, segundo
o seu propósito, desenvolver uma forma inovadora de estar e ser, conhecer e
aplicar a mesma. Nesta cadeira vamos falar de uma forma geral sobre os aspectos
relacionados com as caracteristicas gerais, tecnica ofensiva e defensiva, tactica
ofensiva e defensiva, a historia do andebol, principais regras de jogo, tecnica,
tactica de guarda-redes.
Bem vindo ao Ensino de
Andebol 2º Ano
Pretendemos que este módulo seja um contributo para que os alunos
adquiram um conhecimento aprofundado da disciplina de andebol.
Quando terminar o estudo da disciplina de andebol – 2º Ano, o
formando será capaz de:
Conhecer os aspectos históricos importantes da disciplina de andebol;
Conhecer os elementos técnicos e tácticos fundamentais;
Compreender e dominar a regulamentação e terminologia específica;
Conhecer os conhecimentos teóricos básicos imprescindíveis à
Objectivos realização dos objectivos anteriores;
Conhecer as regras básicas de andebol.
Quem deveria estudar este
módulo
Este Módulo foi concebido para os estudantes do 2º ano do curso de
Licenciatura em Educação Física e Desporto.
Andebol 6
Como está estruturado este
módulo
Todos os módulos dos cursos produzidos por CED - UCM encontram-
se estruturados da seguinte maneira:
Páginas introdutórias
Um índice completo.
Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os
aspectos-chave que você precisa conhecer para completar o estudo.
Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de
começar o seu estudo.
Conteúdo do curso / módulo
O curso está estruturado em unidades. Cada unidade incluirá uma
introdução, objectivos da unidade, conteúdo da unidade incluindo
actividades de aprendizagem, e uma ou mais actividades para auto-
avaliação.
Outros recursos
Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos uma
lista de recursos adicionais para você explorar. Estes recursos podem
incluir livros, artigos ou sites na internet.
Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação
Tarefas de avaliação para este módulo encontram-se no final de cada
unidade. Sempre que necessário, dão-se folhas individuais para
desenvolver as tarefas, assim como instruções para as completar. Estes
elementos encontram-se no final do modulo.
Comentários e sugestões
Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer comentários
sobre a estrutura e o conteúdo do curso / módulo. Os seus comentários
serão úteis para nos ajudar a avaliar e melhorar este curso / módulo.
Ícones de actividade
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens
das folhas. Estes icones servem para identificar diferentes partes do
processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de
texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.
Andebol 7
Habilidades de estudo
Caro Estudante, antes de mais o ensino à distância requer
de ti uma grande responsabilidade, ou seja, é necessário que
tenhas interesse em estudar, porque o teu estudo é „auto-
didáctico‟. Entretanto, vezes há em que te acharás possuidor de
muito tempo, enquanto, na verdade, é preciso saber gerí-lo para
que tenhas em tempo útil as fichas informativas lidas e os
exercícios do módulo resolvidos, evitando que os entregues fora
de tempo exigido.
Precisa de apoio?
Há exercícios que o caro estudante não poderá resolver sozinho, neste
caso contacte o tutor, via telefone, escreva uma carta participando a
situação e se estiver próximo do tutor, contacte-o pessoalmente.
Os tutores têm por obrigação, monitorar a sua aprendizagem, dai o
estudante ter a oportunidade de interagir objectivamente com o tutor,
usando para o efeito os mecanismos apresentados acima.
Todos os tutores têm por obrigação facilitar a interacção, em caso de
problemas específicos ele deve ser o primeiro a ser contactado, numa
fase posterior contacte o coordenador do curso e se o problema for de
natureza geral, contacte a direcção do CED, pelo número 825018440.
As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante,
tem a oportunidade de interagir com todo o staff do CED, neste
período pode apresentar dúvidas, tratar questões administrativas, entre
outras.
O estudo em grupo, com os colegas é uma forma a ter em conta,
busque apoio com os colegas, discutam juntos, apoiem-se
mutuamente, reflictam sobre estratégias de superação, mas produza de
forma independente o seu próprio saber e desenvolva suas
competências
Tarefas (avaliação e auto-
avaliação)
O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e
auto-avaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues antes
do período presencial.
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não
cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do
estudante.
Andebol 8
Os trabalhos devem ser entregues ao CED e os mesmos devem ser
dirigidos aos tutores/docentes da cadeira em questão.
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo
os mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os
direitos do autor.
O plágio deve ser evitado. A avaliação da cadeira será controlada da
seguinte maneira:
Avaliação
Os exames são realizados no final da cadeira e os trabalhos marcados
em cada sessão têm peso de uma avaliação, o que adicionado os dois
pode-se determinar a nota final com a qual o estudante conclui a
cadeira.
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.
Nesta cadeira o estudante deverá realizar: 3 (três) trabalhos; 2 (dois)
testes e 1 (exame).
Andebol 9
Unidade nº 1
Introdução ao andebol
O andebol constitui-se actualmente num desporto inserido no
quadro das mais importantes modalidades desportivas. É uma
modalidade cuja prática envolve um conjunto altamente
complexo de movimentos, quer na sua utilização segmentar,
quer na realização global dos procedimentos técnicos utilizados.
O andebol é um jogo desportivo colectivo jogado sobre um
espaço considerável de 800 m quadrados de área. Esta área
torna-se menor para os jogadores de campo pois existem duas
zonas onde não podem penetrar, chamadas áreas de baliza.
O andebol é um jogo de equipa. Duas equipas jogam uma contra
a outra. Cada uma das equipas tenta meter (introduzir) a bola na
baliza adversária e defender a sua própria baliza dos ataques do
adversário.
Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:
Conhecer as características gerais de andebol;
Conhecer os aspectos importantes da história do andebol a nível
internacional e nacional.
Objectivos
A terminologia que vai usar nesta unidade é a seguinte:
Meter - Introduzir.
Jogador – Aluno, atleta.
Terminologia
EUA – Estados Unidos da América.
I.A.H.F. – Federação Internacional de Andebol Amadora
COI – Comité Olímpico Internacional
FIA – Federação Internacional de Andebol
Andebol 10
O andebol é um jogo de equipa. Duas equipas jogam uma contra
a outra. Cada uma das equipas tenta meter (introduzir) a bola na
baliza adversária e defender a sua própria baliza dos ataques do
adversário.
Na actualidade, esta modalidade apresenta um conjunto de
características específicas. Entre elas salientamos as seguintes:
Durante o jogo, existem 3 (três) períodos de paragem, para cada
equipa. O jogo de andebol tem a duração ao de 60 minutos
dividido em duas partes de 30 cada. Não existe qualquer
restrição ao número de possíveis substituições a fazer por uma
equipa; sendo o andebol um jogo de equipa. O confronto entre
ambas, faz-se de forma directa; cada jogador só pode manter a
bola na mão durante três segundos ou três passos.
Os movimentos no andebol tais como a corrida, drible, e outros
meios técnicos, são considerados como cíclicos e surgem no
jogo sem qualquer espaço ou tempo pré-determinado para o seu
aparecimento.
Andebol 11
O andebol parece ser um jogo muito antigo, segundo afirmam os
estudiosos desses assuntos. Por exemplo: Humero cantou na
Odissea, os jogadores de andebol. Encontrou-se em Diplyon,
perto de Atenas uma representação gráfica, num baixo-relevo de
um túmulo. No Nilo, antes do início da era Cristã «Jogava-se à
bola exclusivamente com a mão ».
Outros, admitem a invenção dos jogos com a bola aos Lidios e
Sardos, antigos povos da Ásia Menor, ou ainda aos habitantes de
Licion, povo que se situava junto aqueles, como ainda aos
Lacedemónios ou Espartanos, ao sul da Grécia, tendo-se até
conhecimento dum tratado de jogo de bola, da autoria do
Lacedemónio Timocrates.
Os Gregos chamavam “ esferística “, ao jogo de bola e “ esferia
“ à bola que em Roma tinha o nome de “ Pila “.
Tudo isso é verdade; em todas as épocas históricas se jogou com
a mão, mas esses jogos pouco ou nada tinham a ver com o
andebol moderno, que é um desporto muito recente, isto porque,
em 1882, aparece na Checoslováquia um jogo de bola com
muitas analogias com o andebol de sete. Este jogo, criado e
divulgado por Joseph Klemer e posteriormente codificado por
Karas. Este jogo baptizado de Hazena é ainda designado
naqueles países (República Checa e Eslovaca), pelo mesmo
nome.
Por outro lado, consta também que, em 1890, o Professor de
Ginástica Konrad Koch, criou o “ Raffballspiel” com
características muito semelhantes às do andebol.
Por volta do ano 1900, na Dinamarca, o Professor de Educação
do Colégio de Ordrup, Holger Nielsen, cria e divulga um jogo de
bola a que deu o nome de Hand - bold, jogado por questões do
clima rigoroso durante o inverno e também pelo decrescer de
interesse em sala. Este jogo foi criado pela necessidade de
corresponder às necessidades lúdicas das raparigas, que durante
as aulas de Educação Física se aborreciam vendo os seus colegas
jogarem o futebol, jogo que não as atraia.
Na Bélgica, em 1913, aparece no curso normal Provincial de
Educação Física de Liége, pelas mãos do Professor Lucien
Dehoux, o “ Andebol das três casas”, que depressa se expandiu,
chegando entre 1915 e 1918 a organizarem-se campeonatos.
Em 1915 na Alemanha, Max Heiser inventou e fixou as regras
de um jogo de campo ao que chamou “ Torbal “, certamente
inspirado pela literatura da época clássica (vide Odissea), pois o
jogo era praticado só por raparigas. Heiser entendia que as
raparigas, tantas vezes injustamente desprezadas, tinham
também direito ao seu jogo.
Andebol 12
Entre 1917 e 1919, Carl Schelenz e depois Carl Diem,
interessavam-se por este jogo “ Torbal “ e adaptaram-no para os
rapazes.
Em 1920, Schellenz, professor da Escola Normal Superior de
Educação Física de Berlim, lançou as bases do andebol de 11,
praticado num campo de futebol e inspirado nas suas regras, mas
jogado com as mãos. Nos países escandinavos e por razões
climáticas, este desporto era praticado em recinto coberto e com
7 jogadores.
No entanto, da América do Sul vem outra versão sobre a origem
de andebol. É o Uruguai a reivindicar para si a paternidade do
jogo através do Professor de Educação Física António Valeta,
criador aliás de muitos outros jogos nacionais uruguaios, que no
final de 1916 idealiza um jogo como réplica do futebol, mas
onde são apenas utilizadas as mãos. Deu-lhe o nome de “ Balon
“. O jogo popularizou-se de tal maneira que, em 1918, se
disputou o primeiro jogo oficial no Estádio Higiene e Saludade
Montivideu.
Embora subsistam muitas dúvidas sobre as suas origens, o seu
grande desenvolvimento e expansão deu-se nos países do Leste,
Centro e Norte da Europa.
Em 1928, por altura da realização dos jogos Olímpicos de
Amsterdão, foi fundada a Federação Internacional de Andebol
Amadora (I:A:H:F.) por onze países (EUA, Canadá, Dinamarca,
França, Bélgica, Austrália, Irlanda, Checoslováquia, Suécia,
Grécia e Finlândia) e integrada na Federação Internacional de
Atletismo.
No entanto, a 11 de julho de 1946 foi criada a Federação
Internacional de Andebol (I: H: F:) com o propósito de dissolver
a então existente I.A.H.F. e garantindo não só a efectivação
regular das competições internacionais como também a
universalização da modalidade e o seu desenvolvimento
equilibrado, acompanhando a evolução e o sentir da sociedade
de modo a promover as transformações adequadas.
Foram membros fundadores, a Áustria, Bélgica, Dinamarca,
Finlândia, França, Holanda, Luxemburgo, Noruega, Polónia,
Portugal, Suécia e Suíça, ascendendo actualmente, a 1320 o total
de países filiados.
De referir que durante o Congresso do COI (Comité Olímpico
Internacional), realizado em Madrid o andebol foi adoptado
como Desporto Olímpico e integrado em 1972 no programa dos
jogos da XX olimpíada, determinando assim que o andebol de
sete fosse englobado nos quinze desportos obrigatórios da mais
alta competição desportiva mundial. Era o triunfo final, pelo
qual se bateram os pioneiros da modalidade.
O andebol integrado em competições internacionais
O primeiro grande evento da modalidade foram os jogos
olímpicos de 1936, em Berlim, sendo que o jogo final
Andebol 13
(Alemanha 10-6 Áustria) no Estádio Olímpico de Berlim foi o
que atraiu o maior público na história do andebol com mais de
100.000 espectadores, e também foi a única participação da
modalidade nas olimpíadas.
O primeiro Campeonato do Mundo de Andebol teve lugar em
1938, na Alemanha, conjuntamente em onze e sete.
Na sua versão de sete, o primeiro campeonato internacional de
andebol organizado pela FIA, foi disputado apenas por 4
selecções (Alemanha, Áustria, Suécia e Dinamarca), o qual foi
ganho pela Alemanha.
Após este Mundial registou-se um interregno de dez anos, por
força da segunda Guerra Mundial.
Assim, na versão de onze, realizaram-se sete campeonatos
mundiais em masculinos sendo o último, em 1966, já numa fase
de decadência, somente com a participação de seis equipas
nacionais.
No sector feminino o onze teve ainda menor expressão, tendo-se
realizado apenas três campeonatos Mundiais o primeiro em 1949
(na Hungria), o segundo em 1965 (República Federal da
Alemanha) e, o terceiro, em 1960 (Áustria) cujos vencedores
foram a Checoslováquia, Hungria e República Federal da
Alemanha respectivamente.
Na variante de sete o primeiro campeonato Mundial de
femininos teve lugar em 1957, na Jugoslávia, cuja equipa
vencedora foi a Checoslováquia.
As competições Europeias de Clubes, deram o seu início em
1957, começando pela taça dos clubes campeões, cujo primeiro
vencedor foi o Dukla de Praga (Checoslováquia).
O reconhecimento internacional, enquadrando o Programa
Olímpico, dá-se a partir dos jogos de Munique em 1972,
unicamente no sector masculino, pois o feminino teve de esperar
mais um ciclo Olímpico, iniciando no ano de 1976, em
Montreal, a sua participação na maior competição desportiva
mundial.
O primeiro Torneio Olímpico em masculinos teve lugar em 1936
em Berlim, onde a Alemanha se sagrou vencedora.
Em femininos, realizou-se em 1976, em Montreal, onde a União
Soviética se sagrou Campeã.
Em relação aos Juniores tanto em masculinos como em
femininos, os primeiros campeonatos mundiais tiveram lugar em
1977, na Suécia e França respectivamente. Em masculinos foi
ganho pela União Soviética e em femininos a equipa vencedora
foi a equipa da Jugoslávia.
O andebol foi introduzido, em Moçambique, pela Armada
Portuguesa em 1950. Os seus grandes percursores foram os
Andebol 14
irmãos Ribeiro e o Rui Carlão. A modalidade não possuía uma
estrutura adequada. E, devido a essa questão por um lado, e por
também se jogar em campos de futebol por outro, não teve muita
aceitação (GRAZIANO et al., 2009),.
O jogo assemelhava-se ao actual Râguebi. Por isso, com o andar
dos tempos, foi enfraquecendo e desaparecendo pelo nível de
violência e pelos poucos e demorados golos. Começou-se a
reduzir o número de atletas por equipa e jogava-se em campos
de menor dimensão, e até por vezes cobertos. É então que por
volta de 1960, é introduzido o andebol de sete ou de salão, nas
escolas preparatórias, colégios e liceus, sob controlo de
professores de Educação Física enquadrados nas actividades
desportivas da Mocidade Portuguesa.
Antes da Independência do país, eram realizados torneios
amigáveis, movidos por portugueses, alusivos às datas
comemorativas tais como: dia de Camões, ou dia da raça e o dia
da República.
Após a independência assiste-se a um abandono, pois os
percursores desta e de outras modalidades e também os
professores de educação física abandonaram, por várias razões, o
país. Comenta-se também que com a reintrodução da
modalidade de basquetebol e a falta de material propício para a
sua prática, fez com que a modalidade entrasse em desuso.
Em 1978, um conjunto de alunos da Escola Industrial 1o de Maio
formou um grupo denominado de “Grua” (Grupo Unido de
Moçambique) que tinha como tarefa principal reactivar e
reanimar o movimento andebolístico.
Em Moçambique, também por esta altura, o andebol teve um
grande impacto a nível dos jogos escolares. Recorde-se que os
Jogos Desportivos Escolares contribuíram sobremaneira, para o
reforço da unidade nacional, descoberta e encaminhamento de
talentos para o desporto de alta competição que viria a
protagonizar a conquista de lugares de destaque na arena
desportiva continental e mundial. A grande movimentação e
impacto do andebol escolar, originou um alargamento do
andebol federado. Muitos destes atletas passaram a área
federada, e assim foi-se implantando o andebol, com as suas
respectivas estruturas.
Por outro lado, com o início das relações de cooperação entre
Moçambique e os países do leste, o andebol ganhou outro
ímpeto.
Em 1981, foi criada a comissão nacional de andebol federado na
já existente Federação Moçambicana dos Desportos. Esta
estrutura ora criada, serviu para o enquadramento competitivo
das primeiras equipas após a Independência no contexto de alta
competição, embora, com um reduzido número de equipas a
saber: Académica, Ferroviário, Benfica de Maputo e a Aviação.
Mais tarde, nos anos 1982-1983, surgiram novas equipas como
são os casos do Estrela Vermelha, Maxaquene, Costa do Sol e
Matchedje, Clube Desportivo da Matola, Desportivo de Maputo,
Andebol 15
Entreposto de Maputo, da Beira, Emplama, Chingale de Tete,
Ferroviário de Nampula e de Gaza.
A 3 de Novembro de 1983, foi criada a Federação Moçambicana
de Andebol e, a 31 de Maio de 1985, foi criada a Associação de
Andebol da cidade de Maputo. Depois, seguiu-se a criação de
outras associações provinciais de andebol.
Moçambique é membro da Confederação Africana de Andebol a
partir de 1983, e admitido em 1988 como membro da Federação
Internacional de Andebol.
Pela primeira vez, teve lugar em Maputo entre os dias 25 e 31 de
Julho de 1993, a terceira edição do Torneio da Esasife (Africa
Austral e Oriental) onde fomos honrados com a participação
duma equipa Sul-Africana no escalão de seniores masculinos.
Este torneio foi ganho pelo Clube dos Desportos da Maxaquene.
Nos últimos anos, a Federação Internacional de Andebol tem
tratado de promover a modalidade em Moçambique a partir de
determinadas acções levadas a cabo pela solidariedade Olímpica
desenvolvendo cursos de treinadores e árbitros.
Embora, dentro dos desportos prioritários tenha pouca
expressão, o andebol em Moçambique conhece uma ascensão
nacional fulgurante, sendo praticado em quase todas as
províncias do país.
Sumário
O andebol é um jogo de equipa. Duas equipas jogam uma contra
a outra. Cada uma das equipas tenta meter (introduzir) a bola na
baliza adversária e defender a sua própria baliza dos ataques do
adversário.
Embora subsistam muitas dúvidas sobre as suas origens, o seu
grande desenvolvimento e expansão deu-se nos países do Leste,
Centro e Norte da Europa.
O andebol foi introduzido, em Moçambique, pela Armada
Portuguesa em 1950. Os seus grandes percursores foram os
irmãos Ribeiro e o Rui Carlão.
Exercícios 1
1. Diga quais são as características actuais de andebol;
2. Fale-me da história de andebol a nível internacional;
3. Fale-me a história de andebol a nível nacional.
Andebol 16
Unidade nº 2
Caracterização geral do
andebol
Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:
Conhecer as dimensões do campo de andebol;
Conhecer a duração do jogo de andebol;
Conhecer as medidas e pesos da bola de andebol.
Objectivos
A terminologia que vai usar nesta unidade é a seguinte:
Tempo - Duração.
Jogador – Aluno, atleta, companheiro.
Terminologia
O terreno de jogo (figura 1) é de forma rectangular: compreende
uma área de jogo e duas áreas de baliza, medindo 40 metros de
comprimento e 20 de largura.
Andebol 17
Figura 1: Campo de andebol
A baliza fica situada a meio da linha de saída de baliza, devendo
estar fixa solidamente. Mede no seu interior 2 metros de altura e
3 metros de largura. Os postes devem estar ligados à trave,
estando a sua aresta superior, alinhada com o lado posterior da
linha de baliza. Os postes e a trave devem ser construídos do
mesmo material, tendo uma secção quadrada de 8cm. Nos dois
ângulos, as bandas medem 28cm e são da mesma cor, as
restantes bandas medem 20 cm. A baliza deve estar munida de
uma rede suspensa de modo a que quando a bola entre, não
possa sair imediatamente.
A área de baliza está delimitada por uma linha de 3 metros
traçada 6 metros à frente da baliza, paralelamente à linha de
baliza e continuada em cada extremidade por um quarto de
círculo de 6 metros de raio, tendo como centro a aresta interna
posterior de cada poste da baliza. A linha que delimita a área é
chamada linha de área de baliza.
A linha de lançamento é marcada por uma linha descontínua de
3 metros, traçada a 9 metros de distância da baliza,
paralelamente à linha de área de baliza. É continuada em cada
extremidade, por um quarto de círculo com 9 metros de raio que
tem como centro a aresta interna posterior de cada poste da
baliza.
A linha de 7 metros é constituída por um segmento de recta com
1 metro de comprimento, traçado em frente do centro da baliza,
paralelamente à linha de baliza, a uma distância de 7 metros
contados a partir do lado exterior da linha de baliza.
A linha de limitação para o guarda-redes mede 15 cm de
comprimento e deverá ser traçada em frente ao meio de cada
baliza e paralelamente a esta, a uma distância de 4 metros, a
contar do lado exterior da linha de baliza.
A linha de meio campo liga os meios das linhas laterais e as
linhas de substituição são delimitadas numa das linhas laterais
Andebol 18
por um traço de 15cm, traçado perpendicularmente sobre a
mesma, a uma distância de 4,5 metros da linha de meio campo.
Todas as linhas fazem parte da superfície que delimitam,
medindo 5cm de largura e devem ser traçadas de maneira muito
visível. Entre os postes, a linha de saída de baliza, tem a mesma
largura que estes: 8cm.
A Federação Moçambicana de Andebol, determinou os tempos de jogo
(tabela 1) para os vários escalões, que se indicam:
Tabela 1:
Tempo de jogo para diferentes escalões
Escalão Tempo de jogo Tempo de intervalo
Seniores masculinos
Seniores femeninos 2 * 30 minutos 10 minutos
Juniores masculinos
Juniores femeninos
Juvenis masculinos 2 * 25 minutos 10 minutos
Juvenis femeninos
Iniciados masculinos
Iniciados femeninos 2 * 20 minutos 10 minutos
Infantis masculinos
Infantis femeninos
O tempo de jogo começa pelo apito do árbitro central e termina
pelo sinal de fim (acústico) do cronometrista.
As irregularidades e atitudes anti-desportivas cometidas antes do
sinal do cronometrista deverão ser penalizadas pelos árbitros,
mesmo após o soar deste sinal, após a execução do lançamento
livre ou do lançamento de 7 metros, do qual se aguarda o
resultado, o árbitro de campo apita o final do tempo de jogo.
Após o intervalo as equipas mudam de campo.
Os árbitros decidem quando o tempo de jogo deve ser
interrompido e quando deve ser retomado.
Eles assinalam ao cronometrista o momento de paragem dos
cronómetros e o momento de arranque dos mesmos.
A bola deverá ser revestida de couro ou matéria sintética. Deverá
ser redonda. A matéria exterior não deverá ser brilhante ou
escorregadia
Na tabela baixo, são apresentados diferentes medidas e pesos da
bola de andebol.
Andebol 19
Tabela 2: Diferentes medidas e pesos da bola
Escalão Circuferência Peso/Gramas
Seniores, Juniores e Juvenis masculinos. 58 a 60 425 a 475
Femeninos e Iniciados masculinos 54 a 56 325 a 400
Conforme referido, uma equipa é composta por 14 jogadores (12
jogadores de campo e 2 guarda-redes) que deverão ser inscritos
no boletim de jogo. No entanto, para jogos internacionais, é
permitido um número de 16 jogadores (sendo 13 jogadores de
campo e 3 guarda-redes).
As equipas devem obrigatoriamente jogar com um guarda-redes.
Sobre o terreno de jogo não se devem encontrar mais que 7
jogadores ao mesmo tempo (6 jogadores de campo e 1 guarda-
redes). Os outros jogadores são suplentes.
Na zona de substituição só se devem encontrar os jogadores
suplentes, os jogadores excluídos e 4 oficiais.
Os oficiais devem ser inscritos no boletim de jogo e 1 (um) deles
deverá ser designado como o responsável da equipa.
Só ele está autorizado a dirigir-se ao secretário/cronometrista e
eventualmente, aos árbitros.
Para um jogo, têm que se apresentar em campo pelo menos 5
jogadores de cada equipa, dos quais um terá de estar inscrito no
boletim de jogo, como guarda-redes.
As equipas poder-se-ão completar até 14 jogadores, até ao fim
do jogo e dos tempos de prolongamento.
Não é obrigatório parar o jogo se o número de jogadores de uma
equipa se reduzir a menos de 5.
Se um jogador entrar sem que saia outro, a equipa fica com 8
jogadores em campo, nesta situação, além do jogador que entrou
ser punido com dois minutos, a equipa também é punida e como
tal, é necessário sair outro jogador, a equipa joga só com 6
elementos durante o tempo de punição, depois pode completar-
se, após dois minutos.
Um golo é válido quando a bola ultrapassa completamente a
linha de baliza para dentro da baliza e se nenhuma falta for
cometida pelo lançador ou pelos seus companheiros.
Quando o jogador da equipa que está à defesa, comete uma
irregularidade que não impeça a bola de entrar na baliza, o golo
é considerado válido.
Um golo não é considerado se os árbitros ou o cronometrista
tiverem assinalado interrupção de jogo antes de a bola ter
Andebol 20
ultrapassado a linha de baliza para o interior da baliza.
A bola que entra na própria baliza concede um golo à equipa
adversária, na condição de que esta bola tenha ultrapassado a
linha de saída de baliza previamente.
Sumário
O terreno de jogo (figura 1) é de forma rectangular: compreende
uma área de jogo e duas áreas de baliza, medindo 40 metros de
comprimento e 20 de largura.
O tempo de jogo começa pelo apito do árbitro central e termina
pelo sinal de fim (acústico) do cronometrista.
Conforme referido, uma equipa é composta por 14 jogadores (12
jogadores de campo e 2 guarda-redes) que deverão ser inscritos
no boletim de jogo. No entanto, para jogos internacionais, é
permitido um número de 16 jogadores (sendo 13 jogadores de
campo e 3 guarda-redes).
As equipas devem obrigatoriamente jogar com um guarda-redes.
Sobre o terreno de jogo não se devem encontrar mais que 7
jogadores ao mesmo tempo (6 jogadores de campo e 1 guarda-
redes). Os outros jogadores são suplentes.
Exercício 2
4. De que forma é o campo de jogo de andebol?
5. Por quantos jogadores é composta uma equipa de andebol?
Unidade nº 3
Técnica
Nesta unidade, vamos abordar sobre o conceito de tecnica e sobre
os elementos técnicos ofensivos e defensivos.
Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:
Andebol 21
Saber definir o conceito de técnica;
Conhecer os elementos técnicos defensivos;
Conhecer os elementos técnicos ofensivos.
Objectivos
A terminologia que vai usar nesta unidade é a seguinte:
Jogador -.Aluno, atleta
Passo preparatório – Na passada
Terminologia
CM – Centro de massa
Finta - Simulação
Quando nos referimos à técnica estamos a falar da motricidade
especializada, específica de uma modalidade desportiva, que
permite ao jogador resolver eficientemente as tarefas do jogo. A
técnica procura a optimização racional da capacidade do jogador
às condições de realização de modo a conseguir o máximo
rendimento desportivo.
Neste contexto, define-se técnica como todas as evoluções de
movimentos, adequados e económicos, que possibilitam o
prosseguimento correcto do jogo em qualquer situação que se
apresente.
Posição base ofensiva
A posição base serve de partida para todos os movimentos e
acções ofensivas de um jogador, facilitando os processos
técnicos e movimentos. A posição base ofensiva é adoptada
assim que o jogador ganha a posse de bola e inicia o processo
ofensivo.
A posição base facilita e ajuda os movimentos e processos
técnicos. A posição base ofensiva permite entrar em acção com a
rapidez que as circunstâncias o exijam.
As suas determinantes técnicas são as seguintes: Pernas
afastadas à largura dos ombros, abaixamento do centro de
gravidade através da ligeira flexão das articulações do tornozelo,
Andebol 22
joelhos e coxo-femoral, ombros avançados de modo a que as
costas sejam levemente dobradas, braços com as palmas das
mãos prontas para apanhar a bola, estendidos com articulação do
cotovelo relaxada e levemente flectida.
Recepção
A recepção é um gesto técnico ofensivo que para se poder
movimentar rapidamente uma bola, esta deve ser, em primeiro
lugar, recebida com segurança. A posição do jogador que recebe
a bola não deve dar ao adversário qualquer possibilidade de
estorvar a recepção. A bola deve ser imediatamente protegida.
Quando o jogador recebe a bola, os braços vão ao seu encontro,
descontraídos na articulação dos cotovelos. Os dedos estão
levemente estendidos e separados e os polegares apontam um
para outro. Com esta posição das mãos e dos dedos evita-se que
a bola «fure por entre as mãos», particularmente quando é
passada com força. As mãos formam um funil e oferecem à bola
uma grande superfície de encaixe.
Figura 2: Visão frontal da recepção. Figura extraida do blogspot.
Passe
O passe é o gesto técnico mais utilizado para terminar uma acção de
posse de bola. É a “forma mais efectiva de progredir no campo de jogo
e obter uma posição de remate favorável.
O “passe constituiu o elemento técnico básico na construção das
jogadas e, portanto, deve ser seguro, preciso, rápido, oportuno,
inteligente, de modo a assegurar o máximo a posse da bola por sua
equipa e evitar que esta vá pertencer ao adversário, a não ser depois do
remate com possibilidade de golo”.
O nível de desenvolvimento de uma equipa conhece-se pelo
modo inteligente como passa a bola. Quando o passe é oportuno
e preciso, a bola converte-se num oitavo jogador, já que a
deslocação daquela é sempre mais rápida do que a de um
andebolista em corrida, por mais veloz que este seja.
O passe pode, segundo a trajectória da bola, ser classificado em
directo, parabólico e picado. O primeiro, é o mais utilizado nas
diversas situações de jogo. O passe com trajectória parabólica é
utilizado preferencialmente na realização de passes longos, como em
um contra-ataque. O passe picado é utilizado quando da condução do
jogo da defesa para o ataque, também em espaços reduzidos entre os
atletas de primeira linha e o pivô ou entre outros atletas que se
Andebol 23
apresentem na segunda linha na tentativa de surpreender a defesa
adversária quando está em profundidade.
O passe pode também, com relação à distância percorrida pela bola,
ser classificado em curto, médio e longo.
O passe de curta distancia é muito utilizado entre o ponta e o lateral,
entre os laterais e o central em situações normais, como também
quando da utilização de cruzamento.
O passe de média distância pode ser considerado o realizado entre os
dois laterais, quando acontece a passagem de um dos atletas de
primeira para a segunda linha. Este tipo de passe é o mais frequente
em áreas centrais, entre o próprio meio campo e à zona dos 9 metros
do meio campo adversário sobretudo, quando se efectua um ataque
rápido (contra-ataque). O passe de média distância pode ser
considerado e realizado entre os dois laterais, quando acontece a
passagem de um dos atletas de primeira para a segunda linha.
O passe de longa distância ocorre quando é realizado um contra-ataque
directo. Na maioria dos casos, os passes longos são efectuados pelos
guarda-redes e cuja trajectória da bola assume uma trajectória
parabólica. E quando efectuados por outros jogadores, são em vários
casos entre a primeira e a segunda linha. Como foi referido
anteriormente, a opção por este tipo de passe, apresenta uma lógica e
coerência com um dos objectivos do jogo: criar superioridade
numérica e utilização dos contra-ataques.
Também existem os chamados passes especiais, que devem ser usados
de acordo com as exigências de cada situação. Como exemplo: o passe
por entre as pernas, o passe por trás à altura da cintura e o passe por
trás à altura da nuca
Por outro lado, existe outro tipo de passe, o passe por trás das costas
considerado uma categoria independente em relação a outros tipos de
passe apresentados anteriormente, dado que as suas características de
execução técnica diferem de modo evidente de outros passes. A sua
frequência não apresenta nenhuma consistência dado que a sua
execução é por mero acaso. Neste caso, pode ser também considerado
como sendo um passe especial.
Serão descritos e analisados aqui, os mais simples estilos de passes, os
passes de base, o que facilitará a compreensão e análise de passes que
serão observados durante os jogos.
- O passe de ombro
- O passe em suspensão
- O passe picado
- O passe de pulso
O passe de ombro
O passe de ombro é o mais importante e seguro do andebol. Este
pode ser executado com (com progressão) ou sem passo
preparatório. O passe de ombro com progressão, utiliza-se
predominantemente, em lançamentos para distâncias maiores ou
então no remate à baliza. A importância da sua aplicação neste
último caso está na sua grande potência.
Conduz-se a bola com ambas as mãos aproximadamente até à
altura dos ombros. A bola fica, por pouco tempo, apenas numa
só mão. Os dedos não devem segurá-la com força. Flecte-se o
Andebol 24
braço e a «concha» da mão, que envolve a bola, aponta
obliquamente para cima.
Simultaneamente com este movimento de armar o braço coloca-
se o pé direito à frente, quando se tratar de um jogador destro –
com um canhoto é ao contrário -, seguindo-se imediatamente o
avanço do pé esquerdo. Este ao apoiar no solo, roda um pouco
para dentro. O tronco efectua uma forte torção de modo a que o
eixo do ombro fique transversal em relação à anca.
A rápida e enérgica rotação do corpo para a frente (desfazer da
rotação) e o movimento de impulsão da perna esquerda, coincidindo
com o súbito movimento do braço, estão na origem da potência do
passe na fase seguinte da evolução do movimento.
O passe de ombro sem passo preparatório (também chamado passe de
ombro em corrida) utiliza-se no passe em todas as situações de jogo (e
também no remate à baliza), em plena corrida. Trata-se de um
movimento mais rápido do que o passe de ombro com passo
preparatório mas não tem, contudo, a potência deste. A sua vantagem
está na circunstância de se poder conservar a velocidade de corrida
durante e depois da execução do passe.
Este tipo de passe, é o mais utilizado, sendo com ele que se deve
iniciar o ensino do passe. O jogador que executa o passe é responsável
pela chegada da bola ao seu destinatário, o que implica que haja um
bom domínio desta técnica e uma boa leitura de jogo com vista a uma
rápida escolha do tipo de passe e do momento adequado para o
realizar. Deve existir também uma boa sincronização com o
companheiro de equipa para uma eficaz transmissão de bola.
No passe de ombro, a bola deve ser enviada na direcção do peito do
colega que a vai receber.
O jogador utilizando a sua mão direita como mão hábil, executará da
seguinte forma o passe:
- O olhar orientado para o colega ao qual vai passar a bola;
- A perna esquerda à frente e orientada, tanto como o seu ombro
esquerdo, na direcção do passe;
- Após a recepção, o braço direito ligeiramente flectido, executa uma
rotação a frente, até formar com o antebraço um ângulo de 900, ou
mesmo mais, mas nunca menos (o cateto horizontal à altura do
ombro);
- A bola será lançada com um movimento do braço. Os dedos da mão
imprimem a direcção à bola, na direcção do colega que deve
recepcionar.
- No final do passe, o peso do corpo está sobre a perna avançada
(esquerda), pelo impulso dado pela ponta do pé que está atrás (direito).
Os jogadores esquerdinos fazem o mesmo movimento do lado
contrário.
O passe em suspensão
O passe em suspensão é também um passe específico. Após ter
tomado o balanço necessário, o jogador exerce força sobre o pé de
apoio e suspende.
O peso do corpo é atirado para a frente. O passe é executado por um
movimento de braço, dependendo do ângulo entre o braço e o
antebraço da posição do adversário que se vai interpor. A recepção no
solo faz-se sobre o mesmo pé de apoio.
Andebol 25
O passe picado
Este passe é executado quando ao lado do passador ou entre ele e o
receptor existe um adversário que tenta interceptar a bola.
É indicado que a bola toque o solo próximo do pé do adversário, o que
reduz ao máximo as possibilidades de intercepção por parte do
adversário. O ângulo formado entre o passador, o lugar onde a bola
toca, o solo e o receptor e a bola é de extrema importância.
Quanto mais próximo estiver o receptor, mais este ângulo deve ser
reduzido e, inversamente, quanto mais longe estiver o receptor, mais
este ângulo de lançamento deve aumentar. Hoje em dia, este passe é
sobretudo utilizado para colocar a bola no pivô, face às defesas
agressivas e abertas.
No passe picado a bola deve tocar o solo a cerca de dois terços da
distância entre o passador e o receptor (mais próximo deste).
O passe de pulso
Durante a execução do passe de pulso, a mão roda desde o peito para a
direcção desejada com o auxílio de todo o braço de lançamento. A
palma da mão é voltada para trás e para fora, de modo que fique
completamente por detrás da bola e lhe facilite a aceleração e altura
necessárias.
O passe de pulso é precisamente um exemplo em que já não existe
relação entre o olhar do detentor da bola e o momento do passe. O
passe de pulso utiliza-se em distâncias curtas (STEIN &
FEDERHOFF, 1981).
O remate
O remate é considerado por ALCALDE (1991) como um gesto
técnico de grande complexididade motora que necessita de estar
bem ajustado às variáveis do jogo, devendo realizar-se no local e
momentos adequados, além de exigir um nível elevado de força
explosiva.
Diríamos que, para além da complexidade maior ou menor
imposta pelo próprio jogo, o remate é um gesto compósito de
mais que um segmento, com vários movimentos que têm como
origem as articulações do ombro, cotovelo e pulso, mobilizando
o braço, antebraço e mão.
O remate à baliza culmina as combinações de ataque. A vitória
ou a derrota dependem da sua qualidade. Por isso, deve ser
executado sempre com a maior concentração e o máximo
empenho.
O remate à baliza pode ser efectuado em contacto com o solo
(remate parado em apoio e remate em apoio na passada) ou em
salto – remate em suspensão). O remate com passo preparatório
é o mais conveniente. Pela sua potência e exactidão.
O remate em apoio pode ser descrito em duas fases: i) desde o
apoio contralateral com a bola agarrada com as duas mãos, até o
braço rematador ficar atrás do plano frontal por hiperextensão e
adução, com a mão atrás do ombro (braço direito, se for dextro,
flexão, abdução e antepulsão superior a 90 graus) e ii) desde o
instante em que o braço rematador se coloca no plano de remate,
Andebol 26
até à largada da bola (movimento do tronco, braço direito e mão
direita).
O remate com passo preparatório (na passada) é o mais
conveniente. Pela sua potência, exactidão e numerosas variantes
promete uma elevada porcentagem de êxito.
Utiliza-se este remate quando o caminho para a baliza está livre.
Com ele se atinge a maior potência de remate. A evolução do
movimento deste tipo de remate assim como o de remate em
apoio é a mesma que a do passe de ombro.
Relativamente ao remate em salto (suspensão) distinguem-se
duas formas: No primeiro procura-se uma maior altura, ou seja
vantagem de remate por cima da barreira e, no segundo, tenta-se
para além da hipótese apresentada de vencer a oposição da
barreira defensiva, uma aproximação da baliza através do voo.
De facto as diferentes formas de remate em suspensão
caracterizam-se pela distinta altura em que se leva a bola, pela
diferente direcção e ângulo do impulso e, também, pela
possibilidade de se poder inclinar o tronco durante o voo.
O remate em suspensão (figura 3) é representativo de uma acção
eminentemente explosiva afim de os atletas saltarem mais alto e
imprimirem à bola a máxima velocidade na direcção da baliza
contrária. Para este fim o remate é composto por três fases
distintas: (i) fase do impulso inicial (corrida preparatória e
chamada); (ii) fase principal (impulsão, suspensão e remate);
(iii) e fase final (queda).
Figura 3: Visão frontal do remate em suspensão. Figura extraída de
GRAZIANO (2002).
A acção de remate desenvolve-se da seguinte forma: A recepção
da bola faz-se normalmente, com as 2 mãos e através de 3 passos
(em termos de modelo) – esquerdo, direito e esquerdo
(características de atletas que efectuam o remate com a mão
direita). O último passo é ligeiramente alargado, sendo o ataque
ao solo feito pelo calcanhar através de um “desenrolamento”
completo do pé e da extensão total da perna de impulsão,
tentando-se conseguir uma impulsão vigorosa. O centro de
massa (CM). O tronco faz uma ligeira torção para o lado do
braço de remate, formando este, um ângulo de +90ºgraus com o
antebraço. Por uma torção rápida do tronco para a frente e por
Andebol 27
extensão do braço, antebraço, pulso e dedos imprime-se ao
remate (ou à bola) a maior potência e precisão possíveis.
Portanto, a eficácia do remate depende de uma série de
condições, a mais importante é a escolha do momento e direcção
do remate, precisos e inesperados para o adversário. É muito
importante a rapidez com que se envia a bola à baliza, que se
determina pela força que é impelida e a sua massa.
A técnica do remate é feita tendo em conta a necessidade de
utilizar a inércia e a massa do corpo do atleta, criar as condições
óptimas para uma grande amplitude de movimento do braço que
executa o remate, de contracções dos músculos e de todos os
grupos musculares importantes do corpo.
Condução da bola (drible)
O drible (figura 4) é feito através de movimentos bruscos,
dobrando e endireitando a mão nas articulações do cotovelo e do
pulso e direccionando a bola através da actuação e disposição
dos dedos sobre a bola.
O drible é um elemento técnico que se utiliza em combinação
com outros elementos técnicos por exemplo: o passe, o remate,
as fintas, a recepção, os deslocamentos e quando se foge do
adversário.
Diferenciam-se três tipos de drible: alto, médio e baixo. Alto –
quando a bola bate no solo e atinge o nível da cintura e mais
alto. Médio – quando atinge ao nível coxo-femoral e baixo –
quando a bola atinge o nível do joelho sendo necessário flecti-
los.
Usa-se o drible alto quando se efectuam movimentos rápidos –
como o contra-ataque.
Usa-se o drible médio e baixo quando se tem que contornar ou
fintar o adversário.
Figura 4. Visão frontal do drible. Figura extraída do blogspot.
Deve ter-se em atenção que só se conduz a bola quando não há
um companheiro livre em condições de a receber. A velocidade
da bola é superior à de um jogador em corrida. Por isso, a
condução da bola apenas retarda o jogo de ataque.
Todavia, no caso de o caminho para a baliza estar livre, dribla-se
o mais rapidamente possível nessa direcção e remata-se quando
se atingir a posição favorável. A condução em drible termina
logo que o jogador agarre a bola. Por esta razão, o jogador deve
passar a bola ou rematar à baliza, o mais tardar após três passos
Andebol 28
ou três segundos. No entanto, pode prolongar o drible antes de
agarrar a bola, batendo-a continuamente com uma só mão.
Detém-se a bola, quando esta salta, acomodando os dedos à sua
superfície esférica e lançando-a de novo para o solo (não se deve
bater a bola). Deste modo o antebraço e a mão executam o
trabalho mais importante. O jogador desmarcado pode conduzir
a bola batendo-a a qualquer altura; nas proximidades de um
defesa deve faze-lo à altura da anca e ainda mais baixo. Em
disputa pessoal directa, coloca-se o corpo entre a bola e o
adversário. Observa-se com mais frequência a condução da bola
na situação de contra-ataque individual.
Fintas ou simulações
As fintas são o processo comum de conduzir os movimentos do
adversário numa direcção errada, desviando-o da verdadeira acção de
jogo prevista. No andebol, utilizam-se frequentemente fintas com o
objectivo de ganhar espaço de acção para o passe, para o remate à
baliza e para contornar o adversário.
Se um jogador domina vários tipos de fintas e, além disso, os utiliza de
forma variada, surpreende sempre o adversário. Quando uma mesma
evolução de movimento, isto é, uma mesma acção, surge várias vezes
seguidas, o defesa adapta-se-lhe rapidamente.
A manobra de simulação compõe-se de duas acções. A primeira
compreende o movimento de simulação. Este deverá ser bem marcado
e não dar a perceber que será interrompido na altura em que o defesa
reagir. Deve, por conseguinte, ser executado com rapidez. Por outro
lado, o movimento de simulação deve executar-se relativamente
devagar para que o adversário tenha tempo de ir na finta e para que o
próprio jogador possa transitar melhor para a fase seguinte.
A segunda acção pode designar-se por acção consequente. Deve
realizar-se a grande velocidade para se poder tirar partido da reacção
errada do defesa.
Posição base
A posição base tem como objectivo dar possibilidades sem
restringir a liberdade do movimento dos braços. As pernas
devem estar levemente flectidas com os pés em posição normal,
um adiantado em relação a outro cerca de 20 cm. O tronco deve
estar ligeiramente inclinado para a frente, com o peso do corpo a
distribuir-se uniformemente nas duas pernas. As mãos mais ou
menos na altura do peito, abertas descontraidamente de modo a
que os dedos apontem obliquamente para dentro e para frente.
Esta posição permite ao jogador efectuar movimentos bruscos,
com braços a estenderem-se na trajectória mais curta para cima,
para baixo, para a frente e para os lados.
Andebol 29
Deslocamento defensivo
É a acção de mudar de um lugar para o outro, na zona de defesa,
buscando um melhor posicionamento defensivo. É utilizado na
zona de defesa, quando o adversário prepara a finalização com
os seguintes objectivos: acompanhar a trajectória da bola;
posicionar-se em frente ao adversário com bola; dar cobertura ao
companheiro; fazer a marcação e fechar o bloqueio.
Desvio e intercepção da bola
Trata-se de uma medida que tem como finalidade evitar o passe
por parte do adversário. O defesa espera até ao momento do
passe e corre então na trajectória da bola podendo muitas das
vezes apanha-la, outras vezes, para-la e conduzi-la para o ataque
e muitas outras vezes desvia-la da sua trajectória inicial.
Bloco ao remate
Nenhum defesa conhece antecipadamente a intenção real do
avançado que se prepara para rematar à baliza. Ou pode efectuar
um passe, ou simular ou mesmo rematar. Por isso, o bloco deve-
se efectuar apenas no momento em que o remate de facto se
realiza. Isto requer por parte do defensor um olhar perspicaz,
coragem e uma boa reacção.
Bloco ao remate é uma acção de defesa de bolas que são
rematadas por cima, pelo lado e por baixo do defesa.
O bloco ao remate tem como objectivo a intercepção do remate e
defesa da baliza e a recuperação da posse da bola.
O bloco ao remate é feito com os braços em elevação superior
(para bolas rematadas por cima), ligeiramente flectidos à altura
da cabeça.
Os dedos devem encontrar-se bem abertos de modo a
aumentarem a superfície do bloco, e em tensão, para evitar
lesões provocadas pelo impacto da bola. O defesa deve
“controlar” ao mesmo tempo o adversário directo e a bola.
O defesa deve orientar o bloco de acordo com as intenções do
rematador.
Sumário
Define-se técnica como sendo todas as evoluções de movimento,
adequados e económicos, que possibilitam o prosseguimento correcto
do jogo em qualquer situação que se apresente.
É referida a técnica defensiva e ofensiva. Estes elementos permitem ao
jogador de andebol resolver eficientemente as tarefas do jogo.
Exercício 3
6. Defina o conceito de técnica.
Andebol 30
7. Diga quais são os elementos que compõem a técnica ofensiva?
8. Descreva, à sua escolha, alguns elementos técnicos ofensivos.
9. Quais são os elementos que compõem a técnica defensiva?
10. Descreva, à sua escolha, alguns elementos técnicos defensivos
Unidade nº 4
Táctica
Esta unidade aborda, em especial, o conceito de táctica, os meios
tácticos individuais, de grupo e de equipa tanto da defesa como no
ataque.
Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:
Saber definir o conceito de táctica;
Saber diferenciar a táctica ofensiva da defensiva;
Conhecer e saber descrever os meios tácticos individuais, de grupo e
Objectivos de equipa da defesa e do ataque.
A terminologia que vai usar nesta unidade é a seguinte:
Treinador - Professor.
Esquema - Sistema.
Terminologia
Jogador – Atleta, aluno, adversário.
Ataque – Acção ofensiva.
Defesa – Acção defensiva
Andebol 31
Entende-se táctica como sendo o complexo de acções
individuais, ou colectivas, com o objectivo de criar uma situação
favorável para finalizar ou para dar continuidade a acção
ofensiva, assim como para a recuperação da posse da bola. Neste
trabalho, é referida (i) a táctica ofensiva: táctica ofensiva
individual (meios tácticos individuais), de grupo (meios tácticos
de grupo) e colectiva (meios tácticos de equipa) e (ii) a táctica
defensiva: táctica defensiva individual (meios tácticos
defensivos individuais), de grupo (meios tácticos defensivos de
grupo) e colectiva (meios tácticos defensivos de equipa).
Ao conseguir a posse da bola, a equipa deve passar
imediatamente à acção ofensiva, tentando em primeira instância
o contra-ataque. Este se concluirá mediante remates individuais
e acção coletiva, organizada em esquemas prévios para o melhor
aproveitamento das qualidades individuais. Por isso, se diz que o
contra-ataque é a passagem rápida de defesa para o ataque
geralmente com um jogador, causado pela perda de bola pelo
adversário.
O contra-ataque pode ser realizado por um jogador que rouba a
bola e sai sozinho ou através de um passe a longa distância
executado pelo guarda-redes ou por um companheiro seu.
A esquematização dependerá da acção individual dos jogadores
e da perfeita execução dos movimentos necessários para se
vencer o bloqueio adversário.
Na formação dos sistemas, os jogadores receberão funções
conforme suas características naturais: os rematadores são
jogadores com visão global do jogo, liderança natural na equipa
e na distribuição das jogadas, grande habilidade com a bola,
tenham bom índice de aproveitamento nos remates à distância
boa recuperação no corte do contra-ataque adversário e
organização do sistema defensivo; os infiltradores, também
chamados pivôs, serão jogadores ágeis, fortes e habilidosos nos
dribles e na execução dos remates especiais, e os pontas também
chamados extremos, serão jogadores velozes, com habilidade
nos remates com salto e queda, rápidos nos dribles e na troca de
passes nos contra-ataques.
Em um primeiro momento, nossos alunos/atletas aprendem que
para atacar é necessário estar em posse da bola, porém é preciso
especificar que não somente o possuidor da bola é o atacante,
mas todos aqueles que fazem parte do grupo que estão em acção
ofensiva. Neste momento, os alunos precisam entender que
Andebol 32
grande parte das acções ofensivas dos jogadores no ataque
ocorre sem a bola. Mas como fazer nossos alunos e atletas
entenderem isso?
Quando não for possível ultrapassar o adversário, ou este
regressou mais rapidamente à defesa, ou a bola foi rematada ao
lado da baliza ou saiu do campo de outra maneira, Segue-se um
ataque posicional, que se utiliza quando:
a) A defesa está formada e já não é possível ultrapassá-la no
meio campo
b) Deve-se retardar o jogo
c) Deve-se poupar energias
Na primeira fase das acções ofensivas, os jogadores correm para
determinadas posições e começam, a partir daí, o jogo de ataque.
A primeira fase do ataque posicional, ataque contra uma defesa
já formada, conclui-se quando os jogadores ocuparem, em frente
da baliza adversária, as suas posições específicas determinadas a
partir do sistema. Começa então a segunda fase, o
desenvolvimento do jogo de ataque perigosos para a baliza.
Distinguem-se, nesta fase, a parte dos sistemas que se abordarão
mais tarde, vários tipos de comportamento táctico de cada
jogador e de grupos de jogadores, os quais se resumem no
conceito de táctica de uma equipe no ataque.
Táctica ofensiva individual
Considera-se como táctica ofensiva individual (meios tácticos
individuais), a forma de superar a resistência do adversário ou
dos adversários sem ajuda do companheiro utilizando
conscientemente um conjunto de acções, em uma situação de
jogo ofensivo.
Os jogadores devem possuir um equilíbrio dinâmico ou seja,
dominarem os seus deslocamentos, as suas mudanças de
direcção e de velocidade, as suas travagens etc., quer seja em
corrida ou em suspensão, e a capacidade de reencontrar o seu
equilíbrio estando desequilibrado. Devem possuir uma
mobilidade do membro em acção que lhe permite a manipulação
da bola sem problemas, a par de uma coordenação dinâmica
geral. Devem ter uma noção extremamente apurada
relativamente ao conhecimento do seu próprio corpo que lhes
facilita sobremaneira a estruturação correcta do espaço ofensivo.
Por fim, os jogadores devem ser capazes de recolher informação
para de seguida decidirem como actuar possuindo a capacidade
de perceber o jogo, os espaços livres, situarem-se em relação aos
deslocamentos dos colegas, dos adversários e da bola como de
fintar com e sem bola.
Por exemplo, a potência do remate aliada à sua precisão (figura
5) é cada vez mais um factor decisivo do jogo. Se analisarmos os
jogos de andebol verificaremos actualmente que os jogadores
são “empurrados” para zonas mais afastadas da baliza e os
guarda-redes são cada vez mais eficazes. Estas afirmações feitas
por MARQUES, em 1987, vieram a confirmar-se como uma
Andebol 33
“verdade actual” e pensamos que continuarão a ser uma verdade
no futuro. Assim, a necessidade de executar, rápido e bem, fintas
e deslocamentos para ganhar espaço/vantagem ou impedir essa
vantagem, para rematar “forte e rápido” longe da baliza ou em
situações de choque com o adversário, conduzem a que a
capacidade física dos jogadores, assim como a táctica individual,
seja elevada, de forma a resolverem com eficácia os problemas
do jogo (SOARES, 1995).
Assim, a todos os elementos que compõem a sistemática técnica,
correspondem os mesmos elementos em termos tácticos.
Figura 5: Visão frontal do remate em andebol.
Táctica ofensiva de grupo
Por táctica de grupo (meios tácticos de grupo) (progressão
sucessiva, ecrã, bloqueios, cruzamentos e cortinas) entende-se
ser a interacção entre dois ou 3 jogadores através das suas acções
individuais tendo como um dos principais objectivos a criação
da superioridade numérica para uma melhor situação de
finalização. Por isso, requerem um grande espírito de entreajuda
e colaboração. São dominantes no jogo, determinando em larga
escala o sucesso da equipa.
Estas acções devem ser a base do trabalho táctico de qualquer
equipa. Salienta-se aqui que as acções a serem efectuadas pelo
pivô, bem como, a preponderância das suas acções devem
contribuir para o êxito nas finalizações da equipa. Como refere
RIVIERE (1980) “as relações a dois são as sílabas, as relações a
três as palavras que formam a frase, ou seja, o jogo a seis”.
Das acções tácticas de grupo, a progressão sucessiva é a acção
dinâmica de passagem, sem bola, pelo espaço de acção de um
defensor suscitando nele a dúvida sobre a responsabilidade de
marcação num dado momento. É levada à prática, pode dizer-se,
de forma inconsciente, mais frequentemente do que por vezes se
imagina.
Ecrã - Acção de interposição do tronco, com ou sem bola,
normalmente de costas para o defensor, para impedir que este
inicie o seu movimento de saída a um atacante, normalmente em
Andebol 34
benefício deste para impedir a continuação da movimentação do
defensor para acompanhar o atacante que esteja a marcar.
Bloqueio - Acção de interposição do tronco, com ou sem bola,
para impedir a continuação da movimentação do defensor para
acompanhar o atacante que esteja a marcar. O bloqueio deve ser
utilizado com a intenção de aproveitar as regras da defesa
(estandardizadas) para proveito das acções de ataque. A par
desta situação, o bloqueio também é utilizado para aproveitar a
agressividade defensiva através da exploração de zonas óptimas
para finalizar. Também surge a simulação de bloqueio, para
afastar a atenção da acção táctica a realizar.
Cruzamento - Acção de tentativa de entrada com bola, após
simulação, no espaço entre dois defensores, atacando o impar.
Produz-se uma troca de posto específico.
Cortina - Acção dinâmica de passagem, sem bola, pelo espaço
de acção de um defensor suscitando nele dúvidas sobre a
responsabilidade de marcação num dado momento. É levada à
prática, pode dizer-se, de forma inconsciente, mais
frequentemente do que por vezes se imagina.
Nas figuras abaixo são apresentados alguns exemplos de
esquemas de acções a dois elementos.
Figura 6: Esquema representando o pivô bloqueia o defesa central, quando a
bola está no central. O central passa a bola para o lateral esquerdo que ataca o
seu opositor directo e efectua de seguida o passe para o pivô que, entretanto,
se desloca para receber nas costas do segundo defesa.
Figura 7: Quando a bola se encontra na posse do lateral direito, o pivô faz
finta sem bola na zona central para receber nas costas do segundo defensor.
Nas figuras que se seguem são apresentados alguns exemplos de
esquemas de acções ofensivas a três elementos
Andebol 35
Figura 8: Representa um cruzamento simples do central com o lateral
esquerdo. Passe do lateral esquerdo para o lateral direito que entra entre o
primeiro e o segundo defensor.
Figura 9: Esquematiza o momento em que o central está em posse da bola e
o pivô bloqueia o defesa avançado. Seguidamente, o passe sai para o lado
contrário do bloqueio. O lateral esquerdo, aproveita o movimento do pivô
para finalizar.
As relações a dois ou a três elementos são estabelecidas: i)
sempre com intenção de obter uma vantagem momentânea para
permitir a finalização; em função do adversário; em função do
portador da bola que tem sempre a preocupação de aproveitar
uma ocasião favorável; tendo sempre em conta uma preparação
de uma combinação para obter uma solução eficaz. Tudo isto
implica que os jogadores devem estar identificados com estas
acções; que a sua utilização é integra e que a observação de
todos os colegas de equipa deve ser respeitada havendo uma
atenção permanente ao comportamento dos outros.
Táctica ofensiva de equipa (colectiva)
A táctica colectiva (sistemas de jogos de ataque) representa a
soma das acções individuais, devidamente coordenadas, que se
desenvolvem através de procedimentos específicos para obter
situações vantajosas.
Um sistema de jogo, representa a forma geral de uma equipa, a
estrutura das acções dos jogadores no ataque e na defesa, e de
onde se estabelecem missões precisas e principais de circulação
e de colaboração no sentido de um dispositivo previamente
estabelecido.
Qualquer sistema de jogo deve basear-se na eficácia individual;
deve funcionar como uma unidade; deve desenvolver-se numa
frente ampla e profunda o que implicará uma distribuição
espacial equilibrada constante; deve dificultar a actividade
defensiva; deve estabelecer um sistema de apoios à frente - atrás,
Andebol 36
e de trás - à frente nas trajectórias; deve ajudar ao portador da
bola, e por último deve dispor de variantes em cada momento, o
que sem dúvida redundará uma maior riqueza das possibilidades
do sistema, e por fim da actuação do jogador.
Quando se fala em sistemas atacantes, não se quer significar a
organização da equipa a partir do momento em que se recupera a
bola, ou seja, o início do ataque, mas sim a sua organização
durante o ataque posicional.
A escolha dos sistemas tem a ver com as características dos
jogadores, das acções entre os jogadores da primeira e segunda
linha e com as condições no que respeita a este último ponto, a
estratégia defensiva do adversário.
Da revisão bibliográfica, praticamente a maior parte dos autores
destacam que, no ataque contra defesas organizadas, são
utilizados os seguintes sistemas de ataque: 3:3 e 4:2.
Sistema ofensivo 3:3
O sistema ofensivo 3:3, é considerado um sistema tradicional de
andebol. Têm-no sido ao longo dos tempos e, apesar da evolução
do jogo, tem mantido essa estrutura de base. É ponto de partida
que responde em termos equilibrados às necessidades do jogo no
ataque, ocupando todo espaço.
Este sistema atacante compõe-se de três primeiras linhas - um
central e dois laterais e três segundas linhas - dois pontas e um
pivô.
Figura 10: Representação esquemática do sistema ofensivo 3:3
O sistema ofensivo 3:3, é utilizado como um sistema alternativo
ao 4:2, pela passagem de um elemento da primeira linha para
seis metros de forma sistemática, com a utilização de um
especialista.
No sistema ofensivo 3:3 o melhor posicionamento para o ataque
é o representado na figura 10, onde 5 jogadores formam uma
linha de passe em frente a linha de defesa. Os jogadores laterais
(dois) e o central ficam a passar a bola de um lado para o outro
enquanto o pivô tenta abrir um espaço (com muito cuidado para
não cometer falta de ataque) para que os rematadores ou o
central penetre na defesa e remate cara-a-cara com o guarda-
redes. O pivô deve manter também um posicionamento de modo
que possa receber a bola, girar e rematar. Neste sistema deve
também haver um grande entrosamento entre o ponta e o
Andebol 37
rematador (central ou lateral), pois as melhores oportunidades de
golos podem surgir de jogadas realizadas pelos dois atletas,
tendo que se preocupar com os dois pois a defesa fica mais
vulnerável no meio
Sistema ofensivo 4:2
O sistema atacante 4:2 compõe-se de quatro primeiras linhas -
dois pontas e dois laterais e dois segundas linhas (dois pivôs),
conforme a figura abaixo.
É utilizado geralmente quando o objectivo no ataque consiste em
fazer libertar um jogador para um remate de longa distância ou
nos seis metros, normalmente na zona central, através de uma
grande circulação e de jogadores, aproveitando-se da deficiente
qualidade táctica defensiva dos oponentes.
Figura 11: Representação esquemática do sistema ofensivo 4:2
No entanto, atacar com dois pivôs é arriscado, por isso
recomendamos a utilização deste sistema de ataque apenas para
equipas com um bom nível de conhecimento no andebol e esses
esquemas devem ser utilizados apenas em ocasiões especiais,
geralmente contra equipas inexperientes. Considera-se, por isso,
como especialmente adequada a sua utilização contra sistemas
defensivos como por exemplo, o 6:0 e 5:1.
Segundo TEODORESCU (1984), “o processo defensivo
representa a fase fundamental do jogo de andebol na qual uma
equipa luta para entrar na posse da bola com vista à realização
de acções ofensivas, sem cometer infracções e sem permitir que
a equipa adversária obtenha golo”. A fase defensiva
consubstancia-se, em última análise, nas acções de marcação que
exprimem a oposição do conjunto dos defesas através da
anulação e cobertura dos adversários e espaços livres,
concretizando o cumprimento dos objectivos fundamentais da
defesa, nomeadamente, a defesa da baliza (impedir a
Andebol 38
finalização), e a recuperação da posse da bola (retirar a iniciativa
ao adversário.
O objectivo básico da defesa é de restringir o tempo e o espaço
disponível dos atacantes, mantendo-os sob pressão e negando-
lhes a possibilidade de poder progredir no terreno de jogo. Os
defesas estabelecem assim, o primeiro passo para a recuperação
da posse da bola.
No entanto, o objectivo principal do processo defensivo é a
defesa da baliza. Isto acontece logo após a perca da posse da
bola. O deserespeito por este objectivo, poderá comprometer o
resultado do jogo, ou seja, a vitória. Por outras palavras, os erros
cometidos no processo defensivo saldam-se habitualmente pelo
sofrer de golos, não consolidando assim os sucessos do seu
próprio ataque.
No andebol distinguimos combinações de defesa tais como a de
proteger a saída do companheiro do lado em direcção ao
detentor da bola, a de marcar o adversário pessoal (defesa
homem a homem), assim como a troca de adversário e o assumir
e entregar a marcação dos adversários (defesa à zona).
Os jogadores na defesa precisam trabalhar em equipa.
Comunicação é absolutamente vital. Onde está o pivô? Quem
está marcando quem? Onde está o foco do ataque? No nível de
elite do andebol, existem equipas que possuem jogadores
especializados na defesa, que são altos, muito fortes, rápidos e
com muita concentração. Esses jogadores ainda possuem a
habilidade de detectar o foco do ataque e se adaptarem as
mudanças nas jogadas. Defensores situados no meio precisam
ser muito fortes e altos para impedir os ataques dos meias
distâncias e conter os pivôs. O guarda-redes é vital na defesa.
Um bom guarda-redes pode representar mais de 50% da
performance de uma equipa. Quando a defesa é penetrada, o
guarda-redes é a última barreira ao atacante. Ele precisa ter um
reflexo rápido, boa antecipação de onde o atacante pretende
rematar e habilidade de ajustar força, reflexos e total
concentração forçando seu objectivo final, a defesa. O guarda-
redes também deve se comunicar com sua equipa, (pois possui
maior visão de jogo por estar fora dos lances de ataque)
incentivando e alertando a defesa; e auxiliando e orientando seus
companheiros no ataque.
No quadro abaixo são apresentadas diferentes fases da defesa,
propostas por CASTELO (1994).
Quadro 1: Fases do processo Defensivo propostas por CASTELO (1994).
Retorno Defesa Organização da Defesa em
temporária defesa sistema
Após perder a É o Após a defesa É a aplicação do
posse da bola prolongamento da temporária, os sistema defensivo
no ataque, os situação anterior. defesas devem estabelecido no
jogadores O defensor voltar à posição momento, de
deverão deverá, as vezes da origem. Isso acordo com o
retornar o mais actuar fora da sua ocorrerá: com ataque
Andebol 39
rápido possível posição. uma paralisação adversário. Isso
e pelo caminho do jogo por falta, dependerá das
mais curto. quando a bola características do
estiver no lado ataque
oposto ao do adversário:
jogador. equipa que só
infiltra; equipa
que tem jogadas
com um
lançamento de
longe; com
jogadores que
fintam bem.
Tal como na táctica ofensiva, é referida na táctica defensiva: a
táctica individual (meios tácticos individuais defensivos), de
grupo (meios tácticos defensivos de grupo) e colectiva (meios
tácticos defensivos de equipa) (ZERHOUNI, 1980; LAROSE,
1992; MORENO, 1993; MERCIER & CROSS, s.d.).
Táctica defensiva individual
O andebol nos dias de hoje, exige uma participação activa dos
defensores, na procura de um perfil de actuação não dependente
dos movimentos ofensivos, mas autónomo no seu
funcionamento e sempre integrado em modelos que busquem
condicionar o ataque de forma sistemática. Para tal, o treinador
deve identificar comportamentos defensivos determinantes para
o efeito, no sentido de que os seus atletas possam atingir altos
níveis de competência desportiva.
Identificados esses comportamentos, será necessário adequar as
técnicas defensivas de base ao posto específico (posição base,
desarme, intercepção, bloco ao remate e deslocamentos), tendo
em conta o modelo defensivo a desenvolver.
Um defensor para produzir altos níveis de rendimento defensivo
individual, ainda que na maioria dos casos seja difícil separar
acções individuais das acções de grupo, deve ser capaz de
marcar em proximidade e à distância com uma posição de base
que lhe permita trabalhar em equilíbrio dinâmico, com os apoios
sensivelmente à largura dos ombros e na maior parte do tempo
assimétricos, com uma orientação adequada do tronco, para
evitar o desequilíbrio e conduzir o atacante para zonas menos
eficazes de finalização ou continuidade.
O peso do corpo deve estar apoiado sobretudo na parte anterior
dos apoios e o tronco ligeiramente flectido (permite maior
velocidade de reacção). Os braços devem estar abertos a uma
altura intermédia, de forma a facilitar condições de intercepção e
o controlo do oponente (jogador no ataque-atacante) em caso de
contacto. O contacto com o oponente, deve ser efectuado
sobretudo com o tronco, salvaguardando sempre as
características individuais, dado que jogadores com menor
envergadura, deverão fazer uso de maior mobilidade no sentido
de dificultar trajectórias favoráveis, em detrimento da busca de
Andebol 40
contacto. O objectivo de ter no campo visual o atacante e o
portador da bola, deve ser uma constante no desempenho
defensivo, ainda que por vezes seja também necessário recorrer
a referências tácteis (posição do pivô). A busca sistemática de
informação relevante é uma tarefa que permite tomar decisões de
forma mais acertada, favorecendo níveis de concentração mais
elevados. O defensor não pode excluir possibilidades de recorrer
ao desarme, sobretudo quando o atacante entra em drible, não
devendo no entanto entrar em desequilíbrio no momento da sua
utilização. É necessário tentar o desarme garantindo sempre
condições de equilíbrio (capacidade individual para controlar a
estabilidade) que permitam continuar o jogo (obstrução de
trajectórias favoráveis) na procura de conquistar ou oferecer
espaços.
O trabalho defensivo individual deve possuir intenções tácticas
que provoquem erros ofensivos como a dissuasão, importante
para limitar a acção de jogadores com bola (impares.) ou para
combinar com acções de intercepção (pares ou impares) (impar -
conceito de ação ofensiva executada pelo atleta tendo como
referencial o oponente direto do seu companheiro. Par - conceito
de acção ofensiva executada pelo atleta, tendo como referencial
o seu oponente directo). Como já foi referido anteriormente, este
meio táctico, como outros (intercepção ou bloco), é um dos mais
difíceis de dissociar dos meios tácticos de grupo, já que, ainda
que possa ser uma iniciativa individual, só tem sentido quando
entra em relação com diferentes intervenientes (companheiros e
opositores).
Para que a intercepção possa ter êxito, por exemplo, o defensor
deve oferecer linha de passe, mantendo-se a uma distância eficaz
relativamente ao portador da bola e ao possível receptor. Neste
caso é necessário saber que é mais fácil interceptar um passe
efectuado a maior distância, o que obriga o defensor a tomar
decisões no sentido de avaliar o risco inerente à utilização deste
meio táctico. Por sua vez, o bloco deve limitar ângulos de
remate eficazes, bem como ser efectuado em colaboração com o
guarda-redes, se existirem condições para tal. O jogador que
utiliza o bloco deve procurar a trajectória de remate próxima do
braço executor, por sua vez, o guarda-redes adapta-se à situação
correspondendo-lhe zonas da baliza onde teoricamente o
defensor possa ter menos interferência (LATYSHKEVISH,
1991).
Andebol 41
Figura 12: Desarme
O tipo de deslocamentos defensivos, deve estar adequado ao
sistema utilizado, que de acordo com o seu funcionamento, pode
possuir características distintas. Nas fases de iniciação e
aperfeiçoamento, o trabalho deve ser generalizado,
contemplando todo o tipo de deslocamentos (frontais, laterais,
diagonais e combinados) sempre explorados com
intencionalidade táctica, tendo em conta determinadas variáveis
como são por exemplo o espaço (amplitude e localização), a
orientação do portador da bola, a velocidade a que se desenrola a
acção, etc. Por conseguinte, actuar num dispositivo mais
profundo implica maioritariamente, a utilização de
deslocamentos frontais (nomeadamente os que são efectuados
pelo defensor central do sistema), com arranques, travagens e
mudanças de direcção e sentido a diferentes ritmos, bem como,
em determinadas circunstâncias (bloco ou intercepção) dissociar
a acção dos membros superiores do resto do corpo. Os exercícios
para trabalhar estas condições devem procurar uma adaptação da
acção tecnico-táctica a um meio permanentemente em mudança.
Táctica defensiva de grupo
O essencial da táctica defensiva de grupo é o método utilizado
por um grupo de jogadores segundo normas defensivas
preparadas previamente ou resultantes da adaptação ao jogo de
ataque do adversário. Estas acções designam-se por
combinações de defesa.
As acções tácticas de grupo devem ser executadas de tal modo
que se observem, ao mesmo tempo, o adversário “directo” sem
bola, o detentor da bola e a situação de jogo que se desenvolve.
Em vários exercícios, podemos encontrar todos os meios tácticos
de grupo, enfatizados, primeiro pelo deslocamento e segundo,
pela troca de marcação. A estrutura do exercício pode ser
modificada de acordo com os objectivos a atingir. Imaginemos
um exercício em que um determinado jogador com bola não tem
um colaborador como apoio, e tem que utilizar o drible. Neste
caso, o seu defensor para poder procurar condições para utilizar
Andebol 42
o desarme, deve ao mesmo tempo deslocar sem trocar de
oponente. Tendo como ideia principal a utilização do
deslocamento como meio táctico de grupo, é possível introduzir
outros elementos a potenciar de acordo com o formato do
exercício, já que a existência de um colaborador como apoio
pode potenciar a utilização da dissuasão ou mesmo da
intercepção. Desta forma condicionamos o início do exercício
para que possamos ver reflectidos determinados conteúdos
tácticos, posteriormente, a continuidade do exercício determina a
tomada de decisão dos defensores. Dada a interactividade do
jogo, o primeiro exercício pode atingir características do
segundo e vice-versa, no entanto os dois defensores devem ter
como propósito controlar os oponentes de forma a estarem
sempre no seu campo visual (LATYSHKEVISH, 1991).
Assim potenciamos a utilização de meios tácticos associados à
marcação do oponente em proximidade e à distância, onde a
obstrução da trajectória é constante, bem como a utilização
adequada da posição do tronco. Como o espaço é amplo, é
necessário utilizar diferentes tipos de deslocamento.
Táctica defensiva de equipa
Actualmente as equipas de andebol utilizam num mesmo jogo
vários sistemas defensivos. Estas mudanças de marcação estão
fundamentadas segundo Antón (1990), na intenção de recuperar
a posse de bola através das incertezas que são submetidos os
atacantes diante da variação e alternância das acções tácticas
defensivas obrigando os mesmos a actuar de forma improvisada.
Nio entanto, a marcação individual (defesa homem a homem) é
recomendada por diversos autores em casos muito específicos,
chamados de situações especiais de jogo (Zioli, s/d). Veja o
quadro abaixo.
Quadro 2: Recomendações de quando se deve usar a defesa individual.
Adaptada de Zioli, (s/d).
AUTOR RECOMENDAÇÕES DE QUANDO USAR A
DEFESA INDIVIDUAL
Martini (1980) Contra adversários significativamente mais fracos;
Para recuperar a bola em situações de igualdade no
marcador ou a diferença é pequena, nos últimos
minutos de jogo.
Ejarque, (1980) Por uma equipa fisicamente superior ao seu
adversário;
Contra uma equiae que retém a bola (por estar em
desvantagem numérica ou ainda vencendo o jogo ao
final da partida);
Contra equipas que partem em contra-ataque
(principalmente sobre os velozes do contra-ataque
direto).
Stein e Quando o adversário retarda o jogo por estar em
Federhoff (1981) vantagem no marcador.
Como tática de surpresa em períodos de jogos mais
ou menos curtos;
Andebol 43
Em situações de superioridade numérica.
Greco e Maluf Em desvantagem por um ou dois golos e quando falta
(1984) pouco tempo para terminar a partida;
Falta pouco tempo para terminar a partida, e o
adversário está em inferioridade numérica.
Falkowski e Ela é indicada em situações de jogo, onde o resultado
Fernandez é desfavorável;
(1988) Como forma de realizar o retorno defensivo, evitando
o contra-ataque do adversário.
Czerwinski, Nos últimos minutos de jogo, e tem por objetivo
(1993) recuperar a posse da bola.
Simões (2002) A equipa adversária estive na frente do placar em
final de jogo e essa marcação é a ultima chance de
igualar o placar;
Para surpreender o adversário e fazê-lo sair da sua
táctica habitual;
Quando da exclusão temporária de um ou vários
jogadores, o que coloca a equipa adversária em
inferioridade numérica;
Quando a equipa adversária for deficiente, tanto no
plano técnico-tático quanto físico.
Ehret et al, Quando a equipa defensora está em superioridade
(2002) numérica e a utiliza para conseguir a bola
rapidamente ou ainda
Procurando surpreender o adversário que é
repentinamente marcado individualmente.
A defesa homem a homem, conforme se pode observar na tabela
acima, deve ser a mais utilizada por aqueles que estão
começando a jogar. Neste tipo de defesa, a habilidade de cada
defensor é fundamental, pois ele é directamente responsável por
um atacante, ou seja, o método da defesa homem a homem,
como referem STEIN & FEDERHOFF (1981), “consiste no
despique pessoal directo e permanente do defesa com o seu
adversário “directo”, que ele deve vigiar com base no próprio
sistema defensivo ou em virtude da atribuição de uma tarefa
individual concreta”. Caso este defensor falhe, a equipa deverá
dar cobertura necessária fazendo trocas de marcação. Esta
situação ou condição favorece a que cada defensor não fique
limitado à sua acção individual de simplesmente marcar um dos
atacantes, mas estar concentrado no jogo para desenvolver uma
visão periférica observando todo o jogo e aprendendo, assim, a
fazer trocas e coberturas quando necessárias.
Portanto, na defensa individual: i) cada defensor tem um
adversário específico definido para marcar e o acompanhar de
perto durante todo o tempo em que a equipa estiver actuando
neste tipo de defesa, procurando não dar ao atacante
oportunidade para receber a bola e ii) em situações especiais, o
adversário em inferioridade numérica; contra uma equipa mal
preparada fisicamente ou tecnicamente; final do jogo e
inferiorizado no placar; como factor surpresa.
O momento de inicio para marcar individualmente, segundo
Zioli, (s/d), pode ser imediatamente a perda da posse de bola.
Andebol 44
Entretanto, dependendo da intenção e do objetivo de sua
utilização, ela pode ser efetuada em três locais diferentes
(STEIN & FEDERHOFF, 1981) e (LATYSHKEVICH, 1991).
Defesa Individual em todo o campo: Utilizada quando a
equipa defensora necessita da bola e resta pouco tempo para
o final do jogo. Pode ser também uma forma de evitar o
contra-ataque direto do adversário (CUETO et al., 1992). É
uma defesa muito perigosa e sujeita ao insucesso, pois pode
ocorrer erro nos emparelhamentos. A possibilidade dos
defensores serem fintados aumenta em virtude do espaço.
Sua principal vantagem está na surpresa e impacto causado
pela pressão exercida pelos defensores na saída de bola junto
à área de golo. LATYSHKEVISH (1991) recomenda para a
possibilidade de colocá-la em uso diante de equipas mal
preparadas físicamante e com pouca experiência. Para
obterem os resultados esperados os defensores devem ser
rápidos, activos e contarem com boa técnica individual nas
acções defensivas.
Defesa Individual no meio campo: Inicia-se na metade do
campo. É uma defesa mais cautelosa e têm como ponto forte
um bom espaço e tempo para definição dos
emparelhamentos, mesmo assim continua como factor de
desvantagem a sua grande profundidade.
Defesa Individual próximo a área de golo: Nesta situação,
a defesa individual pode parecer uma defesa zonal 3:3, pois
ela adapta-se a distribuição ofensiva do adversário.
Caracteriza-se por ser a mais segura das marcações
individuais. Ela evita os remates de longas distâncias e
oferece poucos espaços para progressões dos adversários.
Em casos de fintas e desmarques dos atacantes, a defesa é
compacta e permite ajudas por vários defensores.
Marcar individualmente nas categorias iniciais do andebol é uma
recomendação unissonante na literatura especializada. Entre os
autores que fazem este coro, estão STEIN & FEDERHOFF
(1981), FALKOWSKI & FERNANDEZ (1988),
LATYSHKEVICH (1991), SIMÕES (2002), EHRET, et al
(2002) e SANTOS (2003).
Isto não que dizer que seja melhor utilizar uma defesa fechada
na iniciação, até porque resolveríamos algumas das nossas
inquietudes e nos defrontaríamos com tantas outras. Uma defesa
fechada na iniciação supõe quase que exclusivamente o uso de
remates de longa distância como recurso ofensivo e o de
bloqueio para os defensores, já que as crianças ainda não
dominam os elementos técnicos e tácticos individuais e meios
tácticos colectivos para superar este tipo de marcação.
Andebol 45
Para além da defesa individual, é também necessário abordar a
utilização de uma defesa zonal, na qual, no jogo formal é o mais
vulgar.
A aprendizagem da defesa zonal não deve deter-se apenas ao
ensino das defesas clássicas do andebol, mas sim à compreensão
dos conceitos defensivos zonais, cuja característica básica é o
forte apelo colectivo, de forma que “erros” individuais causam
grandes problemas coletivos ao grupo. Porém, trata-se de uma
formação defensiva com maior capacidade de protecção do alvo,
inibindo que jogadores apareçam “livres” com grande
frequência.
Alguns jogos podem trazer esses aspectos lógicos em evidência,
contribuindo para que os princípios defensivos da marcação em
zona sejam amplamente vividos, além de auxiliar na
consciencialização do grupo de alunos\atletas para a importância
coletiva defensiva.
Na marcação por zona, ao contrário, cada jogador é responsável
por uma zona em seu campo de defesa, entre as linhas da área de
guarda - redes e as de lançamentos livres, devendo marcar todos
os jogadores que passem por sua zona. Na marcação por zona,
quando um jogador sai para interceptar um remate, outro jogador
se desloca para dar-lhe a devida protecção, cobrindo sua zona, a
fim de evitar um vazio na defesa. Dependendo da necessidade,
os jogadores auxiliam-se mutuamente, fazendo coberturas de
posição. Para que a defesa da equipa funcione, é necessário que
cada jogador saiba o que fazer individualmente.
Destacaremos neste trabalho os seguintes sistemas de defesa:
6:0, 5:1, 4:2, 3:3 e 3:2:1.
Sistema defensivo 6:0
No sistema defensivo 6:0, temos uma óptima defesa, pois não
permite uma movimentação livre do pivô contrário, tendo como
ponto forte defensivo o centro da área, porém deve ser utilizado
quando o adversário não possui bons jogadores que rematam
forte da área de lançamento livre.
TENROLLER (2004), considera a defesa 6:0 a mais indicada
para colocarmos em prática a nível escolar, por ser uma defesa
de fácil visualização e aprendizagem pelos alunos, além de ser
mais eficiente e não exigir um alto nível de preparação física,
sendo a mesma aplicável contra qualquer tipo de ataque.
O sistema defensivo 6:0 significa seis na linha de defesa, ou seja,
seis jogadores na segunda linha de defesa e nenhum na primeira,
é um sistema de defesa simples e por isso serve de base para os
outros sistemas, pois esses seis jogadores tomam posição na
linha junto da área da baliza ou um pouco à frente desta (linha
dos 6 metros), portanto formam apenas uma linha de defesa. Na
formação do sistema 6:0 podemos determinar certas regras para
que se tenha um bom resultado com este tipo de sistema. Neste
sistema de defesa os jogadores altos deverão se posicionar no
meio da defesa (os mais altos nas posições de central esquerdo e
Andebol 46
central direito), os de estatura média nas posições de lateral
esquerdo e lateral direito e os de estatura baixa no extremo
direito e extremo esquerdo, tendo é claro a base do time para se
determinar a estatura dos jogadores do mesmo. Os seis
defensores movem-se para o lado, como um todo, na direcção da
bola, para manterem um centro de gravidade da defesa à frente
dela, onde os defensores centrais saem à meia distância aos
adversários quando estes se encontram na posse de bola, de
modo a impedirem o remate a baliza. Porém se o atacante que
teria como objectivo rematar a baliza, não executar essa acção e
sim progredir através de passe para seu companheiro de jogo, o
defensor central que executou a saída a meia distância deverá
retornar a linha de defesa entrando em diagonal na direcção da
bola para a formação da defesa novamente. Já os defensores dos
extremos em princípio, não abandonam a linha de defesa dos
seis metros e os pivôs são cobertos pelo defensor ou defensores
que estão do lado contrário ao do braço rematador. Na execução
de um cruzamento durante um jogo que normalmente leva a
troca de posição dos atacantes a frente da defesa, faz com que o
adversário seja acompanhado até ao companheiro de defesa do
lado e aqui lhe entregar e receber o adversário que corre do
vizinho para própria zona. Se por um momento do jogo um dos
atacantes correr atrás da defesa, deve sofrer uma marcação
individual da parte do defensor em cuja zona entrou, até sair
novamente a frente da formação da defesa. Estas são acções que
ocorrem em geral em todos os sistemas de defesa à zona, tendo é
claro nos outros sistemas algumas mudanças secundárias,
dependentes da utilização de várias linhas de defesa.
O sistema 6:0 apresenta as seguintes vantagens: Ela é muito
ampla, de modo que o pivô e extremo da equipa adversária têm
muito trabalho para obterem bons resultados; as tarefas dos
defensores por si são claras, compreensíveis e modificam-se
pouco no decorrer do jogo; os defensores extremos podem partir
descansados para o contra-ataque, a área de baliza é
suficientemente coberta pelos outros; é também vantajoso
quando utilizado por um equipa de estatura alta.
Relativamente às desvantagens, podemos destacar as seguintes:
Frágil às finalizações de meia distância, pois não tem
profundidade; perturba muito pouco a liberdade de movimento
do adversário; ineficaz para recuperar a bola do adversário e
quando utilizado por uma equipa de estatura baixa.
Andebol 47
Figura 13: Representação esquemática do sistema defensivo 6:0
Sistema defensivo 5:1
O sistema defensivo 5:1 é composto por duas barreiras de
jogadores, uma delas formada por cinco jogadores próximos à
linha dos 6 metros e, a outra linha, com um jogador. A função
específica do jogador avançado é bloquear a acção do jogador
atacante (grande rematador) (deve perseguir sempre o
adversário, na zona central evitando o remate a baliza). Este
jogador avançado, além dessa atribuição, deve destruir, e evitar
que os adversários efectuem passes (interceptando os passes de
longa distância) e esquematizem ou coordenem jogadas,
tentando destruir a formação do ataque; perturbar o jogo dos
atacantes nos remates de longa distância e interceptar passes;
auxiliar especialmente os defensores lateral esquerdo e direito na
luta contra os armadores; iniciar o contra-ataque. O jogador
avançado deve ser rápido, ágil e resistente, não tendo muita
importância a sua estatura.
Em termos de vantagens, a aplicação do sistema 5:1 impede os
remates de longa distância e evita uma melhor coordenação do
ataque do adversário. E, em termos de desvantagens, a aplicação
deste tipo de defesa à zona, enfraquece a linha de defesa,
próximo à linha dos 6 metros, proporcionando penetrações dos
atacantes.
Utiliza-se este sistema contra equipas com bons jogadores de
seis metros e um bom passador e especialista em remate de meia
distância. Este sistema tem muitas facetas na sua aplicação uma
vez que pode utilizar-se tanto de maneira muito ofensiva como
muito defensiva.
Figura 14: Representação esquemática do sistema defensivo 5:1.
Andebol 48
Sistema defensivo 4:2
O sistema defensivo 4:2 é composto por duas linhas. A primeira
linha é composta por dois jogadores próximos à linha de nove
metros, para dar maior combate aos rematadores. e a segunda
linha é composta por quatro jogadores próximos a linha de seis
metros para impedir a penetração e os remates dos adversários.
Os defensores da primeira linha utilizarão movimentos laterais,
impedindo as infiltrações dos atacantes. Os defensores da
segunda linha utilizarão movimentos laterais, para frente e parta
trás e diagonais, evitando remates de longa e média distância e
ainda procurarão interceptar passes ou dificultar a execução dos
mesmos.
Geralmente é utilizado o contra ataque com dois pivôs e dois
bons rematadores.
Utiliza-se este sistema contra equipas com dois especialistas em
remates de meia distância e os jogadores de seis metros não têm
quaisquer capacidades especiais no jogo.
Este sistema tem como vantagens os seguintes: Pode ser bem
utilizado contra um ataque com dois pivôs; forte na zona central;
tem amplitude e profundidade; dificulta remates de curta e longa
distância e dificulta passes.
Relativamente às desvantagens podemos destacar as seguintes:
Fraco contra o sistema de ataque 3:3; facilita os ataques dos
pivôs e cobre bem a zona central da defesa com sua amplitude e
profundidade.
Figura 15: Representação esquemática do sistema defensivo 4:2.
Sistema defensivo 3:3
É um sistema com três jogadores atuando à frente da área do
lançamento livre, e três infiltradores (pivôs) dentro da área,
colocados equidistantes próximos à linha da área do guarda-
redes. É um dos sistemas mais ofensivos em termos de
agressividade próximos à área do guarda-redes.
É considerado o mais arriscado de todos os sistemas por zona,
formado por duas linhas de defesa. Sofre mudanças constantes
na sua estrutura, variando para 4:2, 3:2:1 e 5:1. Tem por objetivo
neutralizar as investidas das equipas que utilizem remates de
nove metros.
Tem como vantages: Oferecer boas possibilidades de contra-
ataque; dificultar remates de nove metros. No entanto, oferece
Andebol 49
desvantagens de: ser ineficiente contra equipas bem organizadas;
facilitar as infiltrações e dificultar a cobertura.
O sistema defensivo 3:3 é o sistema limitado, mas que
proporciona aos iniciantes melhores possibilidades de um
aprimoramento de suas habilidades individuais.
Figura 16: Representação esquemática do sistema defensivo3:3.
Sistema defensivo 3:2:1
Sistema no qual existe a deslocação de todos para a zona onde
está a bola, formando quase uma linha em relação ao eixo da
mesma.
É formada por três linhas de defesa, uma com três jogadores
sobre a linha de seis metros outra com dois em uma linha
intermediária entre seis e nove metros e a terceira linha sobre os
nove metros com um jogador.
Essa defesa nasceu em 1960 na Jugoslávia, mais objectivamente
em Zágreb com seu precursor Vlado Stenzel. A designação 3.2.1
é resultante da ordenação dos jogadores num momento particular
que coincide com a fase em que a bola se encontra no central
atacante.
Trata-se de uma defesa universal, isto é, uma defesa que é ao
mesmo tempo zonal, individual e combinada. De acordo com o
sistema ofensivo que se enfrenta, reage para converter-se em
outro sistema defensivo. É o sistema que melhor proporciona
contra ataques devido às posições escalonadas e mais adiantadas
dos jogadores.
O sistema defensivo 3:2:1 tem como objectivo, neutralizar
completamente à movimentação adversária antecipando-se ao
central atacante impedindo-o de executar o passe para a
infiltração no bloqueio defensivo.
Tem como vantages os seguintes: Pode adaptar-se facilmente
quando o adversário muda sua forma de ataque, em princípio
sem modificar-se; o jogador de posse de bola está
constantemente vigiado por dois defensores; tem amplitude e
profundidade, jogada ofensivamente perturba o jogo dos
atacantes na zona de remate de meia distância e oferece boas
possibilidades para o contra-ataque.
Contrariamente, o sistema defensivo 3:2:1 tem como
desvantagens de só poder ser eficiente com muito movimento
(desgaste físico) e de ser fraco contra um jogo bem organizado
com dois pivôs e bons extremos.
Andebol 50
Figura 17: Representação esquemática do sistema defensivo 3:2:1
Sumário
As tácticas defensivas e ofensivas apresentadas acima são as
mais utilizadas e comuns no andebol actual. Como existem
adversários e sistemas defensivos diferentes a figura do treinador
é importantíssima nesse momento.
Exercício 4
11. Defina o conceito de táctica.
12. Em que circunstâncias uma equipa passa a acção ofensiva?
13. Quando é que se utiliza o ataque posicional?
14. Defina táctica ofensiva individual.
15. Defina táctica defensiva de grupo.
16. Mencione e descreva os meios tácticos de equipa.
17. Defina sistema de jogo.
18. Que tipo de sistemas defensivos e ofensivos conhece?
19. Diga quais são as vantagens e as desvantagens dos sistemas
defensivos e defensivos.
Unidade nº 5
Guarda-redes
O guarda-redes de andebol é o elemento mais importante da equipa.
Esta, deve ser uma das frases mais conhecidas no mundo do andebol.
Andebol 51
Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:
Conhecer a técnica e a táctica do guarda-redes;
Saber definir a técnica de base do guarda-redes.
Objectivos
A terminologia que vai usar nesta unidade é a seguinte:
Guarda-redes – Jogador, primeiro atacante, primeiro defensor,
aluno.
Terminologia Treinador - Professor.
Treino – Aula.
O guarda-redes de andebol é o elemento mais importante da
equipa. Esta, deve ser uma das frases mais conhecidas no mundo
do andebol. Ao longo dos tempos o guarda-redes tem vindo a
ocupar um lugar de grande destaque numa equipa de andebol. É
considerado por todos como o jogador mais importante e onde,
na maior parte das vezes, se centram todas as atenções de um
jogo devido ao facto de este poder ser o elemento mais
desequilibrador e influenciador do resultado final.
Um bom guarda-redes pode influenciar decisivamente um jogo.
Em períodos críticos fortalece a retaguarda da sua equipa
defendendo com segurança, acalmando os companheiros. Com
lançamentos rápidos e bem colocados pode iniciar ataques
susceptíveis de finalizar com êxito. Por outro lado, o adversário
enerva e perde o seu ritmo de jogo quando desperdiça
continuamente oportunidades garantidas de golo, cujo fracasso
se fica a dever à capacidade do guarda-redes (STEIN &
FEDERHOFF, 1981).
Por isso, é cada vez mais importante no jogo de andebol o
guarda-redes, quer nos resultados atingidos quer nas múltiplas
tarefas que o mesmo exerce. É considerado o jogador mais
importante, sendo-lhe atribuído 50% da responsabilidade de um
jogo.
É frequente assistirmos jogos em que o guarda-redes é o
elemento desequilibrador e muitas das vezes em que o resultado
final depende do rendimento por ele atingido, principalmente
quando nos referimos a jogos de alto nível.
O seu papel é decisivo para o sucesso e prestação colectiva da
Andebol 52
sua equipa, através de prestações individuais onde, consegue
influenciar os seus colegas e toda a organização ofensiva do
adversário (quando um guarda-redes faz um bom jogo, o resto da
equipa está mais confiante, a entrega no jogo é maior
desmoralizando o adversário, ao ponto de comprometer toda a
sua organização ofensiva. Mas o contrário também pode
acontecer, ele pode ser o responsável pela desmotivação dos
seus colegas e pela crescente confiança do adversário).
Apesar do andebol ser uma modalidade colectiva, onde a
cooperação é bastante importante, o guarda-redes na maioria das
suas acções é um jogador solitário, os seus erros são punidos
com um golo, enquanto os dos colegas são possíveis de serem
corrigidos por este.
O guarda-redes de andebol é o jogador mais observado pelos
espectadores, é nele que recaem as culpas dos golos e nem
sempre lhe é dado o mérito das grandes defesas. Muitas vezes,
são as suas intervenções que contribuem para o espectáculo de
um jogo.
Figura 18: Visão frontal do guarda-redes. Figura extraida no blogspot.
Num jogo, o guarda-redes é considerado o primeiro atacante (é
ele que decide, num curto espaço de tempo se deve acelerar ou
retardar o ataque da sua equipa) e primeiro defensor, nas
situações de contra-ataque directo do adversário ou o último
defensor sempre que os seus colegas cometerem erros.
Mas, apesar do guarda-redes ser um jogador de destaque numa
equipa de andebol, não podemos diminuir o mérito dos restantes
jogadores que constituem essa mesma equipa.
Um outro papel importante que o guarda-redes tem é o de tentar
manter uma boa harmonia entre a defesa e o seu trabalho, visto
que o andebol é, essencialmente, um jogo colectivo. Nestas
situações a sua função é influenciar a defesa de forma a que esta
corresponda de acordo com as suas exigências específicas de
forma a adaptar-se às suas qualidades formando, desta forma,
um bloco defensivo com elevado grau de transposição. Pode-se
dizer que um guarda-redes é meia equipa. Verifica-se, assim que
o trabalho do guarda-redes não se limita apenas à defesa da
Andebol 53
baliza, este também toma parte do resto do jogo sendo desde o
inicio o primeiro atacante pela sua capacidade de lançar os
ataques rápidos (e contra-ataques), organiza a defesa em
conjunto com os seus colegas e pode interceptar os contra-
ataques da equipa contrária, (CZERWINSKI 1993).
Num jogo em que o guarda-redes alcance uma grande
percentagem de acções defensivas pode influenciar
decisivamente o resultado final, desta forma, conforme
referenciado anteriormente, ele influencia positivamente os seus
colegas transmitindo-lhes confiança e desmoralizando o
adversário ao ponto de comprometer o desenvolvimento das suas
acções técnico-tácticas ofensivas. Nestas situações temos que ter
em conta que o inverso também pode acontecer, o guarda-redes
pode ser o responsável pela desmotivação dos seus
companheiros e pela crescente confiança ofensiva dos
adversários.
O papel do guarda-redes é, assim, decisivo para o sucesso e para
a prestação desportiva da equipa na medida em que, através de
acções individuais pode influenciar os seus colegas e toda a
organização ofensiva adversária. As suas intervenções são,
muitas vezes, o principal contribuinte para a espectacularidade
de um jogo.
Tecnicamente o guarda-redes coloca-se no meio da baliza
(figura 16), um pouco à frente da linha de golo. As pernas estão
afastadas lateralmente, com os pés separados cerca de 20 a 30
cm, e levemente flectidas. O peso do corpo distribui-se
uniformemente pelas duas pernas. As mãos conservam-se
abertas e descontraidas. A posição deve ser descontraida e
repousada, não forçada (STEIN & FEDERHOFF, 1981).
Esta posição, permite ao guarda-redes efectuar defesas com as
mãos, com o pé, com o tronco e em salto. Por outro lado,
permite ao guarda-redes executar fintas principalmente durante
os lançamentos de sete metros e remates de seis metros a partir
da posição de pivô. Recorde-se que nem sempre o guarda-redes
deve esperar, numa posição inactiva, as acções dos avançados
que se preparam para rematar à baliza, para reagir depois
conforme a trajectória do lançamento. Por vezes, poderá até
“provocar” uma determinada trajectória da bola através da sua
posição na baliza “oferecendo”, por exemplo um determinado
canto ou uma determinada altura de remate. Se executar bem
esta finta, aumentam as perspectativas de uma defesa bem
sucedida.
STEIN & FEDERHOFF (1981) referem, por outro lado, que as
acções de ataque, no seu desenvolvimento táctico, devem estar
no campo visual do guarda-redes. Ele saberá então
aproximadamente quando e de onde deve esperar um remate e
pode, assim ocupar com maior antecedência a posição para o
remate por parte do avançado, da sua posição relativamente à
baliza e do tipo de estorvo que lhe é movido pelo defesa, pode
conhecer-se antecipadamente, com bom grau de precisão, a
Andebol 54
trajectória do remate. Por outro lado, na sua zona de ataque, o
guarda-redes pode seguir de perto o jogo de ataque, orientando-
se simultaneamente pelos postes da baliza e outras marcações do
campo. Esta movimentação, para frente, para trás e para os
lados, permite ao guarda-redes colocar-se na direcção da
abertura da defesa de modo a defender qualquer tipo de remate e
de qualquer intensidade.
Figura 19: Defesa com as mãos e os pés.
Por isso, actualmente e no alto nível, já assistimos a uma
crescente preocupação por parte dos treinadores em planear os
treinos e os jogos tendo presente a existência do guarda-redes.
Contudo, ainda existe quem queira ganhar jogos sem se
preocupar com a preparação deste jogador.
Esta realidade não é tão invulgar quanto parece, uma vez que,
são muitos os treinadores que se esquecem do guarda-redes no
seu planeamento de treinos, ignorando que este jogador tem os
mesmos direitos a um treino cuidadosamente planificado, como
os restantes colegas de equipa.
A ausência de preocupação por parte dos treinadores na
preparação dos seus guarda-redes, pode ser um forte motivo para
a crescente desmotivação e consequente abandono por parte
destes jogadores. Pois é difícil para um guarda-redes
compreender a importância e a responsabilidade que lhe são
atribuídas, uma vez que a sua preparação é quase sempre
“deixada ao acaso”.
No treino de guarda-redes o treinador pode ter como referência
as diferentes escolas, mas nunca deve impedir o aparecimento e
desenvolvimento do estilo individual deste jogador, uma vez que
não existe uma técnica única para todos os guarda-redes .
O treino de guarda-redes deve ser específico e individualizado,
não quer isto dizer que não deve estar incluído o trabalho com a
restante equipa, mas sim que tem de contemplar todas as
exigências deste posto específico.
Não só o modelo padrão da técnica e táctica de baliza como o
estilo do guarda-redes, as suas qualidades somáticas, sensório-
motoras e volitivas têm de estar presentes no planeamento de um
treino de guarda-redes.
Andebol 55
Sumário
O guarda-redes é o jogador mais importante e onde, na maior parte das
vezes, se encontram todas as atenções de um jogo devido ao facto de
este poder ser o elemento mais desequilibrador e influenciador do
resultado final.
Exercício 5
20. Descreva a posição base do guarda - redes.
21. Mencione as acções mais importantes de um guarda – redes de
andebol.
22. Como deve ser o treino do guarda – redes de andebol?
Unidade nº 6
Regras do jogo
Nesta unidade, serão apresentadas ao aluno um conjunto de
regras, cingindo-se ao essencial, facilitando a sua rápida
compreensão e evitando grandes constrangimentos à sua prática.
Ao completares esta unidade / lição, serás capaz de:
Conhecer as principais regras do jogo de andebol;
Saber aplicar as regras durante o jogo.
Objectivos
A terminologia que vai usar nesta unidade é a seguinte:
Aluno – Atleta, jogador, suplente.
Terreno de jogo – Campo de jogo.
Terminologia
Jovens – Alunos, atletas, jogadores.
Andebol 56
Equipas
*Cada equipa é constituída até 14 jogadores, em que 7
jogadores são efectivos (6 de campo e um guarda-redes) e os
restantes 7 jogadores são suplentes, podendo um ou mais serem
guarda-redes.
*Não há limite para o número de substituições, os suplentes
podem entrar a qualquer momento do jogo e repetidamente,
desde que os jogadores que eles estão a substituir tenham
abandonado o terreno de jogo.
*Os jogadores envolvidos nas substituições deverão sair e
entrar no terreno de jogo pela zona de substituições da sua
equipa.
Tempo de jogo
*O tempo de jogo é de 60 minutos, divididos em duas partes de
30 minutos cada, com intervalo de 10 minutos.
*Cada equipa tem direito a pedir um tempo de paragem (time-
out) com duração de 1 minuto em cada parte do jogo.
*Caso o jogo se encontre empatado e seja necessário
determinar um vencedor, é jogado um prolongamento com 2
partes de 5 minutos cada, separadas por 1 minuto de intervalo.
Guarda-redes
*Ao Guarda-redes é permitido:
-Tocar a bola com qualquer parte do corpo para defender,
dentro da área de baliza;
-Mover-se livremente com a bola dentro da área de baliza, sem
as restrições dos jogadores de campo, desde que não demore a
executar o lançamento de baliza;
-Abandonar a área de baliza sem a bola e participar no jogo,
mas fica sujeito às regras que se aplicam aos jogadores de
campo.
*Ao Guarda-redes não é permitido:
-Demorar a execução de um lançamento de baliza;
-Pôr em perigo o adversário numa acção defensiva;
-Abandonar a área de baliza com a bola controlada;
-Tocar a bola que esta está parada ou a rolar no solo fora da
área de baliza, enquanto ele está dentro da área de baliza;
-Levar a bola para a área de baliza quando esta está parada ou a
rolar no solo fora da área de baliza;
-Entrar na área de baliza a partir da área de jogo com a bola;
-Tocar a bola com o pé ou a perna abaixo do joelho, quando
esta está parada no solo na área de baliza ou movendo-se em
direcção à área de jogo;
Andebol 57
-Atravessar a linha restritiva do guarda-redes (linha dos 4 m),
durante a execução de um lançamento de 7 metros pelo
adversário.
Área de baliza
*Só ao guarda-redes é permitido entrar na área de baliza.
*Existe violação da área de baliza quando um jogador de
campo a tocar com qualquer parte do corpo, incluindo a linha
de área de baliza (6m).
*Quando um jogador de campo viola a área de baliza, deve-se
assinalar:
-Lançamento de baliza, quando um jogador da equipa em
posse da bola, entrar na área de baliza, com ou sem a bola, e
tirar vantagem;
-Lançamento livre, quando um jogador da equipa defensora
entrar na sua área de baliza, tirando alguma vantagem, mas
sem impedir uma clara ocasião de golo;
-Lançamento de 7 metros, quando um jogador da equipa
defensora entra na área de baliza e anula uma clara ocasião de
golo.
*Quando um jogador envia a bola para a sua própria área de
baliza:
-caso a bola entre na baliza, é golo;
-caso a bola fique na área de baliza, ou se o guarda-redes tocar
a bola e esta não entrar na baliza, é lançamento livre;
-caso a bola saia pela linha de saída de baliza, é lançamento de
reposição em jogo;
-se a bola atravessar a área de baliza e voltar para a área de
jogo, sem ser tocada pelo guarda-redes, o jogo continua.
Jogar a bola
*É permitido:
-Lançar, agarrar, parar, empurrar ou bater na bola, usando as
mãos (abertas ou fechadas), braços, cabeça, tronco, coxas e
joelhos: o guarda-redes pode também defender a bola com os
pés;
-Segurar a bola nas mãos por um tempo máximo de 3
segundos, com uma ou ambas as mãos;
-Dar um máximo de 3 passos com a bola;
-lançar a bola ao solo uma vez e a apanhá-la novamente;
-bater a bola no solo repetidamente com uma mão (drible) e
agarrá-la novamente;
-fazer rolar a bola no solo de forma continuada com uma mão e
depois agarrá-la novamente;
-Jogar a bola enquanto de joelhos, sentado ou deitado no solo;
-Passar a bola de uma mão para a outra.
*Não é permitido:
-Tocar a bola mais de uma vez, após ter sido controlada, sem
ter tocado no solo ou na baliza;
-Tocar a bola com o pé ou perna abaixo do joelho;
Andebol 58
-Um jogador com a bola apoiar um ou ambos os pés fora do
terreno de jogo (mesmo que a bola esteja dentro do terreno de
jogo).
Faltas e conduta antidesportiva
*É permitido a cada jogador:
-Utilizar braços e mãos para bloquear ou ganhar posse da bola;
-Utilizar o corpo para obstruir um adversário, mesmo quando
este não tem posse da bola;
-Estabelecer contacto corporal com um adversário, frente a
frente e de braços dobrados, e manter este contacto para
controlar e acompanhar o adversário.
*Não é permitido ao jogador:
-Arrancar ou bater na bola que se encontra nas mãos do
adversário;
-Bloquear ou empurrar um adversário com os braços, mãos ou
pernas;
-Prender, segurar, empurrar, ou lançar-se contra o adversário
em corrida ou em salto.
*As manifestações físicas e verbais que sejam incompatíveis
com o espírito do desportivismo são consideradas como
conduta antidesportiva.
O Golo
*Um golo é válido quando a bola ultrapassa completamente a
linha de baliza, desde que nenhuma violação às regras tenha
sido cometida pelo rematador ou um companheiro de equipa
antes ou durante o remate.
*O jogo é ganho pela equipa que marcar maior número de
golos no tempo regulamentar.
Lançamento de saída
*O jogo começa com lançamento de baliza executado por uma
das equipas.
*Na segunda metade do jogo, as equipas mudam de campo, e o
lançamento de saída efectuado pela equipa que não o tenha
executado no começo do jogo.
*Após marcação de golo, o jogo é retomado com um
lançamento de saída executado pela equipa que sofreu o golo.
*Execução do lançamento de saída:
-É executado em qualquer direcção a partir do centro do
terreno de jogo;
-Após o apito do árbitro, deve ser executado dentro de 3
segundos;
-O jogador que executa deve estar com pelo menos um pé em
contacto com a linha central e o outro pé sobre ou atrás da
linha, até que a bola saia da sua mão;
-Os outros jogadores da equipa do executante não podem
atravessar a linha central antes do sinal de apito;
Andebol 59
-Para o lançamento de saída no começo de cada parte todos os
jogadores devem estar dentro do seu próprio meio campo.
-Para o lançamento de saída depois de um golo ser marcado, é
permitido aos adversários do lançador estarem em ambas as
partes do campo.
-Os adversários devem estar a pelo menos 3 metros do jogador
que executa o lançamento de saída.
Lançamento de reposição em jogo
*É lançamento de reposição em jogo quando a bola cruzou
completamente a linha lateral, ou quando um jogador de campo
da equipa que defende foi a último a tocar a bola antes de esta
cruzar a linha de saída de baliza da sua equipa.
*É lançamento de reposição em jogo quando a bola toca no
tecto ou num objecto fixo sobre o terreno de jogo.
*O lançamento de reposição em jogo é executado:
-sem sinal de apito dos árbitros pelos adversários da equipa que
tocaram a bola por último antes de esta cruzar a linha ou tocar
no tecto ou num objecto fixo;
-no local onde a bola atravessou a linha lateral,
-no canto, caso a bola tenha atravessado a linha de saída de
baliza, tocada por um jogador de campo defensor;
*O lançador tem que estar de pé com um pé sobre a linha
lateral até que a bola saia da sua mão.
*Os adversários deverão estar a um mínimo de 3 metros do
lançador, sendo permitido estar junto à sua linha de área de
baliza, mesmo se a distância entre eles e o lançador for inferior
a 3 metros.
Lançamento de baliza
*É assinalado lançamento de baliza quando:
-Um jogador da equipa atacante viola a área de baliza;
-Um guarda-redes controla a bola na área de baliza;
-Um jogador da equipa atacante tenha tocado a bola que estava
parada ou a rolar no solo dentro da área de baliza;
-quando a bola atravessa a linha saída de baliza, depois de ter
sido tocada em último lugar pelo guarda-redes ou um jogador
da equipa atacante.
*O lançamento de baliza é executado pelo guarda-redes, sem
sinal de apito do árbitro, a partir da área de baliza por cima da
linha de área de baliza.
Lançamento livre
*É marcado quando existe uma infracção às regras por parte de
um jogador/equipa, implicando a perda de posse de bola.
*O lançamento livre é executado no local onde a infracção
ocorreu.
*Os adversários têm que permanecer a uma distância mínima
de 3 metros do executante.
Andebol 60
Lançamento de 7 metros
*É marcado quando uma clara oportunidade de marcação de
golo é impedida, em qualquer parte do terreno de jogo.
*A execução do lançamento de 7 metros:
-é um remate directo à baliza, dentro dos 3 segundos que se
seguem ao sinal de apito do árbitro;
-o executante deve posicionar-se atrás da linha de 7 metros, e
não deve tocar ou atravessar essa linha antes de a bola deixar a
sua mão;
-o executante ou um companheiro de equipa não podem jogar
de novo a bola após a execução de um lançamento de 7 metros,
até que a mesma toque um adversário ou a baliza;
-os colegas de equipa do executante têm que se posicionar fora
da linha de lançamento livre até que a bola tenha deixado a
mão do executante;
-os jogadores da equipa adversária têm que estar fora da linha
de lançamento livre no mínimo a 3 metros de distância da linha
dos 7 metros, até que a bola deixe a mão do executante;
-o lançamento de 7 metros deverá ser repetido, a menos que
um golo seja marcado, se o guarda-redes atravessa a linha dos
4 metros antes de a bola deixar a mão do executante.
*Não é permitida a substituição do guarda-redes quando o
executante está pronto para executar o lançamento de 7 metros.
Sanções disciplinares
*As sanções podem ser atribuídas a jogadores e a oficiais das
equipas (treinadores, dirigentes, etc.).
*Uma advertência (cartão amarelo) é atribuída sempre que:
-existir uma conduta antidesportiva;
-a acção é dirigida principalmente ou exclusivamente ao
adversário e não à bola.
-a um jogador não deve ser dado mais de uma advertência, e a
uma equipa não devem ser dadas mais de 3 advertências.
*Uma exclusão de 2 minutos aplica-se quando:
-um jogador faz uma substituição irregular;
-um jogador comete faltas repetidas (2ª advertência ao mesmo
jogador, 4ª advertência à equipa);
-um jogador tiver conduta antidesportiva repetida dentro ou
fora do terreno de jogo;
-existe conduta antidesportiva de qualquer um dos oficiais de
uma equipa, a equipa será reduzida no terreno de jogo de um
jogador;
-existe uma desqualificação de um jogador ou oficial de
equipa.
*Uma desqualificação (cartão vermelho) aplica-se:
-quando há conduta antidesportiva de um dos oficiais de
equipa, depois de um deles ter sido previamente sancionado
com uma advertência e uma exclusão de 2 minutos;
-quando há infracções que colocam em perigo a integridade
física do adversário;
Andebol 61
-em caso de conduta antidesportiva grave de um jogador ou um
oficial de equipa, dentro ou fora do terreno de jogo;
-em caso de uma agressão por parte de um jogador antes do
encontro ou durante um procedimento de desempate;
-em caso de agressão por parte de um oficial de equipa;
-devido a uma terceira exclusão de 2 minutos para o mesmo
jogador.
-o jogador ou oficial da equipa tem que abandonar o jogo e o
campo, e a sua equipa fica durante 2 minutos sem um jogador
em campo.
*Uma expulsão aplica-se:
-quando um jogador é culpado de uma agressão durante o
tempo de jogo, dentro ou fora do terreno de jogo;
-o jogador expulso tem que abandonar o terreno de jogo e não
pode ser substituído.
Sumário
As regras de jogo de andebol são um elemento importante para
os jogadores de andebol
Assim sendo, a apresentação das regras deve ocorrer, de uma
forma simplificada, em dois momentos distintos: (1) no decorrer
da explicação teorica do jogo (em que se apresentam as regras
minimas, imprenscindiveis à prática do jogo) e (ii) no decorrer
do jogo (fazendo com que os joven aprendam as restantes regras,
de uma forma progressiva e interactiva, sem grandes exigencias
cognitivas.
Exercício 6
23. Por quantos jogadores é constituída uma equipa de andebol?
24. Quando é que se aplica uma desqualificação?
25. Quando é que se aplica a expulsão?
Referências bibliográficas
Bibliográfia
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