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O Valor do Silêncio na Reflexão

Um artigo que leva o seu leitor a uma breve, porém, profunda reflexão sobre como o silêncio é valioso em alguns momentos da vida. Nem tudo precisa ser dito antes do tempo.
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O poder do silêncio

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Gabriel Granjeiro <[Link]@[Link]> Mon, May 18, 2020 at 8:05 PM
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O poder do silêncio
Por Gabriel Granjeiro

“Como a abelha trabalha na escuridão, o pensamento trabalha no silêncio e a


virtude no segredo.” – Mark Twain (1835-1910), escritor norte-americano

Notou como as cidades estão mais silenciosas? Há menos barulho de


carros trafegando, de máquinas funcionando e de pessoas conversando,
falando, gritando. Percebeu também como os pássaros, por sua vez, estão
mais cantores e tagarelas do que nunca? Os dias têm sido difíceis, muito
difíceis, e todos nós estamos – a duras penas – aprendendo a reconhecer
o poder do silêncio. Estamos entendendo que sempre há algo de positivo
para ouvir. Guardando silêncio, somos capazes – finalmente – de ouvir até
nossos próprios pensamentos, que, antes, praticamente não tinham vez.
Dá pra ouvir o som da vida!

Silêncio absoluto não existe. Há sons acidentais, como os produzidos pelo


vento, por aparelhos domésticos e os dos alertas das mensagens de
notificação no celular e no computador. Há sons quase inaudíveis, como o
do coração que pulsa e o do sangue que corre nas veias. É, silêncio
absoluto não existe, mas hoje quero conversar com você sobre o poder da
quietude, ainda que relativa, para aprendermos a escutar. O que (não)
ouvimos pode fazer toda a diferença, e é por isso que talvez seja uma boa
ideia afastar distrações e estímulos barulhentos demais para começamos
a escutar o que tem, de fato, valor.

Os estímulos sonoros vindos do mundo são, é claro, relevantes. Não


podemos fugir deles, assim como precisamos ver pessoas e ter
experiências concretas se nossa intenção é desenvolver visão mais ampla
do universo. Contudo, também é preciso cultivar o silêncio e ficar sozinho
de vez em quando, se a ideia é entender tudo que se vê e se sente.
Ausentar-se temporariamente do mundo e de todo burburinho nele
presente ajuda a entrar em contato consigo mesmo e com o que se passa
na própria mente. O pensamento, segundo o professor escocês Thomas
Carlyle, não funciona exceto na quietude.

John Cage (1912-1992), compositor, escritor e artista norte-americano,


visitou, em 1951, a até então mais avançada sala à prova de som do
mundo. Mesmo ali, o músico, dono de ouvidos extremamente sensíveis,
relatou ter escutado ruídos. Dois, para ser mais preciso: um agudo, que era
seu sistema nervoso em operação; outro grave, decorrente do
bombeamento do sangue pelo coração. Pode parecer um feito e tanto,
mas a verdade é que, quando guardamos silêncio, todos nós somos
capazes de ouvir o som da própria vida. Dá pra imaginar tudo que pode ser
feito com tamanho... silêncio?!

Uma curiosidade sobre a experiência de Cage: veio dessa visita à câmara


anecoica a inspiração para criar a canção 4’33”, orginalmente concebida
com o título “Prece Silenciosa”. Era uma peça idêntica à música popular da
época – tocada ao vivo e no rádio, como qualquer canção –, com esta
única diferença: seria uma “peça de ininterrupto silêncio”. Foi divertido. Foi
ousado. Foi esquisito. Serviu para mostrar que o silêncio absoluto, de fato,
não existe.

O fato de o silêncio ser tão raro só confirma o quão valioso ele é. O ex-
presidente dos Estados Unidos Barack Obama é conhecido como um dos
melhores oradores de nosso tempo. Sabia que o maior diferencial na
oratória dele, segundo os principais palestrantes do mundo, são as pausas
que ele faz enquanto discorre sobre assuntos de altíssima relevância? São
momentos de silêncio escolhidos cuidadosamente, por meio dos quais ele
habilmente consegue falar até mais do que usando palavras.
Analogamente, os bons atores sabem que não precisam falar nada para
mostrar presença no palco. Eles também dominam como poucos a arte do
silêncio. Minha professora de teatro, uma atriz experiente, confirma a
eficiência da técnica.

Além de tudo, a quietude é a porta para avançarmos rumo à sabedoria. Há


momentos em que tudo parece confuso, sem sentido, sem lógica. Nessas
horas, sugiro que você pratique o saudável hábito de prestar atenção no
silêncio. Cale-se, aquiete o coração, controle a respiração e feche os olhos.
Em seguida, busque dentro de si as respostas de que precisa. Elas não
estão lá fora, mas aí dentro, em sua alma. Em períodos complicados, ouça
e enxergue com o coração. Ele quase sempre diz a coisa certa.

Há tantas lições que aprendi sobre o silêncio e que me guiam na forma


como conduzo minhas relações... Confúcio já dizia que o silêncio é um
amigo que nunca trai, e, para Martin Luther King, “no final, não
lembraremos das palavras dos inimigos, mas do silêncio dos nossos
amigos”. Há outros ditos populares na mesma linha: “A palavra é de prata e
o silêncio é de ouro”, “O silêncio vale mais do que mil palavras”. A Bíblia
defende algo parecido: “Até o insensato passará por sábio se ficar quieto e,
se contiver a língua, parecerá que tem discernimento” (Provérbios 17:28). É
por dar valor a ensinamentos como esses que respeito a máxima segundo
a qual falar demais – sem cuidado, sem medir as palavras – não é nada
bom. Uma palavra dita de forma irrefletida pode ferir mais que uma flecha,
uma bala, uma surra de chicote. Às vezes, o silêncio é a melhor resposta.
Talvez a única. Então, quando decidir falar, cuide para que as palavras
proferidas sejam mesmo melhores que a ausência delas.

Ainda não consegui implementar, em minha rotina, o dia do silêncio, mas


quero fazê-lo em breve. Vou destinar esse dia para colocar meus escritos
em dia, ouvir o meu coração, desacelerar, refletir e me livrar das
trivialidades. Certamente, isso vai me ajudar a recarregar as baterias,
colocando minhas experiências em perspectiva. Estou me esforçando para
isso e chegando lá. Felizmente, já aprendi a exercitar pelo menos esta, que
talvez seja a artimanha mais importante de todas: guardar silêncio sobre a
maioria dos meus planos. Procuro não falar nada, sobretudo para quem já
sei que não vai me oferecer apoio. É como ensina a sabedoria popular:
“Aquilo que ninguém sabe, ninguém estraga.” Isso não quer dizer esconder
tudo de todos e jamais buscar ajuda; tampouco significa deixar de se
comprometer com alguém em relação a algo. Trata-se, mais uma vez, de
apenas saber quando é melhor ficar quieto.

Dito tudo isso, meu conselho é: sobretudo neste período de


distanciamento social que nos foi imposto, reserve um tempo diário para
“ouvir” o silêncio. Na movimentada cidade de Helsinque, na Finlândia, há
uma igreja dedicada à quietude, frequentada pelos interessados em
vivenciar momentos de silenciosa espiritualidade. Não dispomos de um
lugar assim por aqui, mas... sem problema. Crie seu próprio “templo”.
Permita-se estar só, nem que por alguns minutos, na companhia exclusiva
dos próprios pensamentos, e medite. Pode ser em roupas de ginástica e
sentado na cama, no sofá, num banco da varanda ou do jardim. Tudo que
importa é tirar esses instantes para si. Faça isso sempre que puder. Volte
seus pensamentos para dentro do seu ser e reflita. Avalie o que é
desimportante e projete na mente o que você gostaria de conquistar. Em
seguida, decida se é melhor falar sobre isso ou manter suas ideias
quietinhas, onde elas estão mais seguras: consigo mesmo.

Vamos juntos, falando menos e ouvindo mais, cientes de que, assim,


poderemos finalmente escutar o que o mundo vinha tentando nos dizer.

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ajudou? Seu feedback é muito importante!
“Todas as coisas profundas, e as emoções das coisas, são precedidas e
acompanhadas pelo Silêncio [...]. O Silêncio é a consagração geral do universo.” –
Herman Melville (1819-1891), escritor

Gabriel Granjeiro, presidente do Gran Cursos Online

Gran Cursos Online -   Setor Bancário Sul, Quadra 2, Bloco J, Lote n. 10, edifício Carlton Tower  Asa Sul,  Brasília - DF   70070-120   Brasil

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