Placenta
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A placenta (em grego, plakuos = bolo liso) é um órgão materno-fetal que
começa a se desenvolver a partir da nidação, ou seja, implantação do
blastocisto e é expulsa com o feto no momento do nascimento. É durante
esse período de nove meses que este órgão proporciona nutrição, a troca
gasosa, remoção de resíduos, uma fonte de células-tronco hematopoiéticas,
endócrino e imunológico suporte para o feto em desenvolvimento.
A comunicação com a mãe ocorre a partir de cerca de 100-150 artérias
uterinas maternas espiraladas localizados na placa basal. Existem
essencialmente 3 sistemas separados da aorta / venosas circulatórios:
umbilical, sistêmicas e vitelínicas. O sistema umbilical é perdido no
momento do nascimento, o vitelina contribui para o sistema portal e
sistêmica (embrionárias) é remodelado extensivamente para formar o
sistema cardiovascular madura. A placenta humana tem cerca de 9 cm de Representação do feto no útero
diâmetro. entre os quinto e sexto meses;
placenta.
As placentas são uma característica essencial dos mamíferos placentários,
mas também são encontrados em alguns não-mamíferos com níveis
variáveis de desenvolvimento. Mamíferos prototéricos ou metatericos
(marsupiais) produzem uma placenta coriovitelinica que, enquanto está
ligado à parede do útero, fornece nutrientes derivados principalmente a
partir do saco amniótico.
Os tipos de células mais importantes da placenta são os trofoblastos, que
fornecem os principais componentes estruturais e funcionais necessários
para trazer os sistemas de sangue fetais e maternos em contato próximo um
do outro.
Face fetal de placenta humana.
Esta placenta apresenta uma
Índice alteração morfológica e se
Desenvolvimento da placenta humana denomina "placenta marginada".
Hormônios placentários
Patologias placentárias
Acretismo placentário
Placenta prévia
Referências
Desenvolvimento da placenta humana
Logo após a formação da cavidade blastocística o volume
do fluido aumenta na cavidade e ele separa os blastômeros
em duas partes: o trofoblasto e o embrioblasto que dará
origem ao embrião.
O embrioblasto agora se projeta para a cavidade
blastocistica e o trofoblasto forma a parede do blastocisto.
Após o blastocisto permanecer livre e suspenso nas
secreções uterinas por cerca de 2 dias, a zona pelucida Implantação do blastocisto - Modificado de: MOORE,
gradualmente se degenera e desaparece. A degeneração da K. Embriologia Básica. 8ª Edição. Elsevier, 2013.
zona pelúcida permite ao blastocisto incubado aumentar 376p.
rapidamente seu tamanho. Cerca de 6 dias após a
fecundação o blastocisto adere ao epitélio endometrial,
normalmente adjacente ao polo embrionário.
Logo após aderir ao endométrio o trofoblasto começa a proliferar rapidamente, e gradualmente se diferencia em
duas camadas uma interna de citotrofoblasto, uma camada de células mononucleadas mitoticamente ativa e que
forma novas células que migram para a massa crescente de sinciciotrofoblasto onde se fundem e perdem suas
membranas celulares; e uma externa de sinciciotrofoblasto formada por uma massa protoplasmática multinucleada,
na qual nenhum limite celular pode ser observado.
O sinciciotrofoblasto, erosivo, invade o tecido conjuntivo endometrial e o blastocisto vagarosamente se aprofunda
no endométrio. As células sinciciotrofoblásticas deslocam as células endometriais na parte central do sítio de
implantação. As células endometriais sofrem morte celular programada, o que facilita a invasão. O mecanismo
molecular da implantação envolve a sincronização entre o blastocisto invasor e um endométrio receptor.
Microvilosidades das células endometriais, moléculas celulares de adesão, citocinas, prostaglandinas, genes
homeobox, fatores de crescimento e metaloproteinases de matriz representam seu papel para que o endométrio se
torne receptivo. As células do tecido conjuntivo em torno do sítio de implantação acumulam glicogênio e lipídios,
assumindo um aspecto poliédrico. Algumas dessas células - as deciduais - degeneram na região de penetração do
sinciciotrofoblasto. O sinciciotrofoblasto engloba essas células em degeneração que fornecem uma rica fonte para a
nutrição embrionária. O sinciciotrofoblasto produz um hormônio, a gonadotrofina coriônica humana (hCG) que
entra no sangue materno presente nas lacunas do sinciciotrofoblasto. Radioimunensaios, altamente sensíveis, são
usados para detectar hCG e gravidez, formando a base dos testes de gravidez.
Conforme o blastocisto vai se implantando aparece um pequeno espaço no
embrioblasto que é o primórdio da cavidade amniótica. Logo após as
células formadoras de âmnio – amnioblastos - se separam do epiblasto e
revestem o âmnio, que envolve a cavidade amniótica. Ao mesmo tempo,
ocorrem mudanças morfológicas no embrioblasto que resultam na
formação de uma placa bilaminar quase circular de células achatadas, o
disco embrionário, formado por duas camadas: o epiblasto, mais espesso,
constituído por células colunares altas, relacionadas com a cavidade
amniótica; e o hipoblasto, composto de pequenas células cuboides
adjacentes a cavidade exocelômica. O epiblasto forma o assoalho da
cavidade amniótica e esta perifericamente em continuidade com o âmnio. O
Final da implantação do blastocisto
hipoblasto forma o teto da cavidade exocelômica e esta em continuidade
- Modificado de: MOORE, K.
com a delgada membrana exocelômica. Essa membrana, junto com o Embriologia Básica. 8ª Edição.
hipoblasto forma o saco vitelino primitivo. O disco embrionário situa-se Elsevier, 2013. 376p.
agora entre a cavidade amniótica e o saco vitelino primitivo. As células do
endoderma do saco vitelino formam uma camada de tecido conjuntivo, o
mesoderma extra-embrionário que circunda o âmnio e o saco vitelino. Mais
tarde, esse mesoderma é formado por células que surgem da linha
primitiva.
O saco vitelino e a cavidade amniótica tornam passiveis os movimentos
morfogenéticos das células do disco embrionário. Assim que se formam o
âmnio, o disco embrionário e o saco vitelino primitivo, surgem cavidades Desenvolvimento da placenta e
outros anexos embrionários -
isoladas - as lacunas - no sinciciotrofoblasto. Essas lacunas logo se tornam
Modificado de Hill, M.A.
preenchidas por uma mistura de sangue materno, proveniente dos capilares
(2016) Embryology [Link]
endometriais rompidos e restos células das glândulas uterinas erodidas. O
fluido nos espaços lacunares - o embriótrofo - passa por difusão ao disco
embrionário e fornece material nutritivo ao embrião.
A comunicação dos capilares endometriais rompidos com as lacunas estabelece a circulação uteroplacentária
primitiva. Quando o sangue materno flui para as lacunas, o oxigênio e as substâncias nutritivas tornam-se
disponíveis para o embrião. O sangue oxigenado das artérias endometriais espiraladas passa para as lacunas e o
sangue pobremente oxigenado é removido delas pelas veias endometriais. No 10º dia o embrião com suas
membranas extraembrionárias está implantado no endométrio.
Com a implantação as células do tecido conjuntivo endometrial sofrem
uma transformação - a reação decidual. Com a acumulação de glicogênio e
lipídios em seu citoplasma, as células ficam intumescidas e são conhecidas
como células deciduais. A principal função delas é fornecer ao ‘concepto
humano’ um sítio imunologicamente privilegiado. No embrião de 12 dias,
as lacunas sinciciotrofoblásticas adjacentes fundem-se para formar as redes Semana 2 e 3 do desenvolvimento
lacunares que dão ao sinciciotrofoblasto um aspecto esponjoso. As redes das vilosidades coriônicas -
lacunares, particularmente as situadas em torno do polo embrionário, são os Modificado de Gray H. Anatomy of
primórdios dos espaços intervilosos da placenta. Os capilares endometriais the human body. (1918)
em torno do embrião implantado tornam-se congestos e dilatados, forrando Philadelphia: Lea & Febiger.
os sinusoides – vasos terminais de paredes delgadas e maiores que os
capilares comuns. Os sinusoides são erodidos pelo
sinciciotrofoblasto, e o sangue materno flui livremente para o
interior das redes lacunares. O trofoblasto absorve o fluido
nutritivo das redes lacunares, que é, então, transferido ao
embrião. O crescimento do disco embrionário bilaminar é lento
comparado com o crescimento do trofoblasto. O embrião
implantado no 12º dia produz na superfície endometrial uma
pequena elevação que se projeta para a luz uterina. Enquanto
ocorrem mudanças no trofoblasto e no endométrio, o
mesoderma extra embrionário cresce e surgem no seu interior
espaços celômicos extra-embrionários isolados. Estes espaços
fundem-se rapidamente e formam uma grande cavidade isolada,
o celoma extra-embrionário essa cavidade preenchida por Esquema do sistema circulatório na placenta -
fluido envolve o âmnio e o saco vitelino, exceto onde eles estão Modificado de Hill, M.A.
aderidos ao córion pelo pedúnculo do embrião. Com a (2016) Embryology [Link]
formação do celoma extra-embrionário, o saco vitelino
primitivo diminui de tamanho e se forma um pequeno saco
vitelino secundário. Esse saco vitelino menor é formado por células endodérmicas extraembrionárias que migram
do hipoblasto para o interior do saco primitivo. O saco vitelino não tem vitelo, porém exerce importantes funções,
como ser a origem das células germinativas primordiais.
O fim da segunda semana é caracterizado pelo surgimento das vilosidades coriônicas primarias. A proliferação das
células citotrofoblásticas produz extensões celulares que crescem para dentro do sinciciotrofoblasto. As projeções
celulares formam as vilosidades coriônicas da placenta. A placenta cresce ao longo da gravidez. O
desenvolvimento do fornecimento de sangue materno para a placenta é completo até ao fim do primeiro trimestre
de gravidez (aproximadamente 12-13 semanas).
Hormônios placentários
Os hormônios produzidos pela placenta são: a gonadotropina coriônica, lactogênio placentário
(somatomamotropina coriônica), bem como os esteróides, estrogênios, progesterona e hormônios neuropeptídicos
semelhantes aos encontrados no hipotálamo (hormônios hipotalâmicos).
Patologias placentárias
Acretismo placentário
Placenta Prévia
Descolamento prematuro da placenta
Acretismo placentário
Acretismo placentário é a denominação que se dá à placenta que se adere anormalmente à decídua ou à parede
uterina.
Placenta acreta: Denominação da placenta que penetra mais profundamente na decídua, atingindo o miométrio
(músculo uterino) apenas superficialmente. A placenta "acreta" é aquela que atinge a camada basal da decídua.
Quando alguma área da placenta está acreta, ela não descolará naturalmente, pois estará aderida anormalmente à
decídua.
Placenta increta: Quando a placenta penetra mais profundamente no útero e atinge a camada muscular
(miométrio) mais profundamente, é chamada de "increta".
Placenta percreta: Quando a placenta ultrapassa o miométrio e atinge a serosa (peritônio visceral).
Poderá haver persistência de restos ovulares depois do parto em casos de acretismo placentário. Nestes casos,
estará indicada a curagem uterina, a curetagem ou mesmo a retirada do útero (histerectomia).
Placenta prévia
Patologia obstétrica que ocorre quando há, na segunda metade da gestação, inserção total ou parcial da placenta na
área do segmento inferior, isto é, entre o orifício interno do colo e o anel de Schröder, também chamado de Bandel,
ou zona perigosa de Banes ou não estar à frente da apresentação fetal.
Referências
Gray H. Anatomy of the human body. (1918) Philadelphia: Lea & Febiger.
Hill, M.A. (2016) Embryology [Link] ([Link]
[Link]/embryology/[Link]/File:[Link])
MOORE, K. Embriologia Básica. 8ª Edição. Elsevier, 2013. 376p.
Obtida de "[Link]
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