DOENÇAS LINFÁTICAS
- Edema: acúmulo anormal de líquido no espaço intersticial; tem como
principais mecanismos causadores: o aumento da pressão dentro dos
vasos (pressão hidrostática) e redução da pressão oncótica
- Situações que podem evoluir com o edema: insuficiência cardíaca,
venosa, erisipela, doenças renais, cirrose hepática, trombose venosa
profunda aguda, linfedema, medicamentos, alergia
TIPOS DE EDEMA:
- Anasarca: edema generalizado – síndrome nefrótica (perda de proteínas nos rins), insuficiência
cardíaca severa, cirrose hepática
- Ascite: edema hepático – acúmulo na cavidade abdominal. Precede o edema de MMII, pode
alterar a mecânica respiratória
- Edema renal: pode acometer face, ao redor dos olhos, acompanhar de disfunções
renais, além dos sintomas de uremia (fraqueza, náusea, emagrecimento e anemia)
- Edema cardíaco: início nos tornozelos, final da tarde (edema maleolar vespertino).
Ascendentes em direção as pernas, coxa e genital, podendo atingir abdome. Em
acamados pode pronunciar na região sacral. Simétrico e bilateral. Presença de
dispneia geralmente precede o edema e ascite, faz parte do quadro
- Edema por insuficiência venosa: Unilateral, melhora com elevação. Comum a
presença de varizes visíveis...
- Edema por trombose venosa profunda: Unilateral, endurecimento e
empastamento
- Edema da erisipela: infecção do tecido subcutâneo. Unilateral, dores no corpo,
vermelhidão, calor
- Linfedema: Uni ou bilateral. Pouca ou nenhuma melhora na elevação dos MMII
LINFEDEMA: uni ou bilateral, sem cacifo
- Epidemiologia: ocorrência subestimada
(diagnóstico incorreto); pós mastecto –
20,8%
- Definição: “Doença crônica que se
caracteriza por acúmulo de líquido
intersticial e alterações teciduais
decorrentes da insuficiência da drenagem
linfática”
Quando há o acúmulo de líquido e proteínas,
ocorre fibrose e não há sinal de cacifo
- Sinal patognomônico: espessamento da
face dorsal do 2º artelho
- Não melhora com a elevação, sem cacifo, insuficiência linfática mecânica ( de origem linfática, a
filtragem está normal mas a absorção é insuficiente; na dinâmica ocorre o aumento do líquido infiltrado sem o
aumento da reabsorção, de origem vascular)
- Classificação:
• Linfedema primário: congênito, mal formação ou displasia do sistema linfático (vasos e
linfonodos); Doença de Milroy (antes dos 2 anos, hereditário); na maioria dos afetados ocorre
antes dos 35 anos.
Linfedema primário é aquele decorrente de alterações congênitas dos vasos linfáticos e, de
acordo com a idade de manifestação dos sintomas, é subdividido em: congênito (desde o
nascimento até um ano de idade), precoce (até 35 anos) ou tardio (acima de 35 anos).
• Linfedema secundário: adquirido durante a vida. Tecido linfático previamente normal,
interrupção ou obstrução dos vasos linfáticos. Aparecimento centrífugo. Causas: fungos, filariose,
radioterapia, trauma, pós cirúrgico
O linfedema secundário representa cerca de 66% de todos os
linfedemas, são muito mais freqüentes que os primários e são
adquiridos ao longo da vida através de lesões no sistema linfático,
sendo elas causadas por cirurgias, irradiação, traumas, infecções,
inflamações, parasitas, tumores malignos ou metástases e lesões
auto realizados. (HERPERTZ, 2006). Podem ser causados também
por lesões teciduais, filariose, insuficiência venosa crônica, recidivas
de erisipela, linfangite ou celulite, linfadenectomia ou ressecção de
vaso linfático por metástases de tumores malignos, por fibrose pós-
radioterapia e radiodermite.
Bouchet (2001) os linfedemas são graduados através de sua
evolução em quatro graus:
Grau I: estágio subclínico, não há presença de edema;
Grau II: há presença de edema que aos poucos desaparece completamente;
Grau III: há presença de um edema clínico, que se apresenta em declive e é pouco importante;
Grau IV: caracteriza-se pela deformação da morfologia do membro ou pela presença de uma
reação esclerosante no nível da pele (paquidermia) ou pela presença de papilas cutâneas
(papilomatose).
Classificação Michelini – de acordo com a articulação...
- Sinais e sintomas: dor, edema, temperatura normal, alterações tróficas, redução da amplitude
articular, FM, tônus, trofismo, na marcha
- Tratamento clínico: antibiótico, diuréticos, linfocinéticos, compressão pneumática, terapia física
complexa (drenagem linfática manual, cuidado da pele, compressão e exercícios miolinfocinéticos
– fase descongestiva: compressão com enfaixamento inelástico; Fase de manutenção: drenagem
ocasional, com compressão)
- Tratamento cirúrgico: ressecção, dermolipectomia, lipoaspiração, plástica, amputação
FILARIOSE / ELEFANTÍASE
- Ocorre principalmente em países tropicais e subtropicais, influência socioeconômica
- Doença crônica causada por helmintos – hospedeiro definitivo: homem
LINFANGITES
- Agressão dos vasos linfáticos e linfonodos (inflamação) por agente físico, químico ou biológico
- Caracterizada pelo surgimento de
estrias vermelhas ao longo dos
linfáticos superficiais que se
direcionam para a região linfonoidal
reponsavel pela drenagem do
segmento comprometido
- Sintomas: estrias vermelhas e
quentes na pele, dor local,
sensibilidade ao toque, adenomegalia
(aumento dos linfonodos)
ERISIPELA
- Infecção bacteriana aguda da pele, que se traduz por intensa capilarite linfática da derme,
podendo ou não envolver o sistema de drenagem dos linfáticos superficiais
- Não contagiosa; acomete adultos 60-80 anos
- Quadro clínico: inicia-se com febre alta, vômito, náusea, mialgia e astenia (fraqueza); evolui para
lesões na pele, eritema, queimação local, edema não depressível e dolorosa palpação, estrias
ou faixas eritematosas
- Tratamento: antibiótico, analgésico, anti-inflamatório, anticoagulante, elevação do membro,
compressas com soro 0,9%