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Planificar é prever e
Prever o quê? Prever o modo como vai decorrer a acção que vamos implementar para atingir
uma ideia ou propósito que temos e achamos importante conseguir que seja realizado. Neste
sentido, a planificação orienta a acção futura e, por isso, é um instru-mento imprescindível
para a gestão: "prever significa simultaneamente imaginar o futuro e prepará-lo: prever é já
agir" (Fayol, 1916). Mas a planificação é também um instru-mento político que incide sobre a
realidade: significa optar, escolher entre diversas possi-bilidades, estabelecer prioridades.
Nenhuma planificação é, por conseguinte, neutra do ponto de vista dos valores.
Rivilla & Mata (2002: 107) referem-se a sete características que uma planificação deve possuir:
• Utilidade: a planificação didáctica deve ser um guia para a acção na aula e não apenas o
cumprimento de uma exigência burocrática.
• Realismo: a planificação didáctica deve ser exequível, realizável nas condições concretas da
sala de aula.
• Flexibilidade: a planificação didáctica deve ser suficientemente flexível para que possa
ajustar-se às circunstâncias e acontecimentos da aula.
Zabalza (1992: 48) ensina-nos que os elementos do processo de planificação são os seguintes:
— um propósito, fim ou meta a alcançar que nos indica o caminho a seguir. Trata-se, neste
ponto, de responder às questões: para onde vou? Onde quero chegar?;
Nas operações de planificação, o professor apoia-se num conjunto de materiais que funcionam
como mediadores deste processo: livros de texto ou manuais; guias curricula-res ou "livro do
professor"; revistas. São materiais que têm em comum o facto de apre-sentarem a sua
interpretação do programa e proporem um modo de o desenvolver.
Ainda que se trate sempre de um acto da mesma natureza, podemos falar de vários tipos de
planificação, distinguindo-as segundo critérios vários. Na tabela seguinte apre-sentamos os
vários tipos de planificação existentes:
Como já estudámos, aquando da elaboração do currículo e dos Programas nacionais, foi levado
a cabo um diagnóstico que inventariou as necessidades de formação. O facto de esse
diagnóstico se basear, necessariamente, em indicadores de natureza estatística conduz à
necessidade de contextualização do currículo e dos Programas nacionais, ade-quando-os às
características do meio e das crianças. Esta reelaboração curricular e dos Programas só pode
ser realizada com base num novo diagnóstico, feita ao nível da escola e da turma.
"uma necessidade é constituída por essa diferença ou discrepância que se produz entre a
forma como as coisas deveriam ser (exigências do currículo pres-crito e dos programas),
poderiam ser (necessidades de desenvolvimento) ou gos-taríamos que fossem (necessidades
individualizadas) e a forma como essas coi-sas são de facto — a diferença entre o estado actual
e esse marco de referência tridimensional a que já aludimos" (Zabalza, 1992: 62).
• inquirir os alunos acerca do que gostavam de aprender, dos seus interesses, aspirações e
projectos.
— a sua atitude face à escola, aos professores e às aprendizagens escolares: se vêem na escola
um meio de realização de um projecto de vida melhor para os seus filhos ou se, pelo contrário,
a percepcionam negativamente; se respeitam e valorizam os professores e as aprendizagens
escolares ou não;
— o modelo educativo que seguem: que valores transmitem aos filhos e que códi-gos de
conduta lhes impõem; se são permissivas ou autoritárias, etc.
Na primeira fase, procede-se, como vimos, ao inventário das necessidades derivadas das
exigências do currículo e Programas nacionais, da comunidade local e das aspirações e
interesses dos alunos. Ficamos, pois, com o que poderíamos chamar uma listagem de
objectivos (ainda que bastante gerais) para o desenvolvimento do currículo. Vas tais objectivos
não podem ser o ponto de partida único das nossas planificações. Interessa-nos saber até que
ponto eles são exequíveis, face à situação de partida dos alunos. Foi essa análise da situação a
que procedemos no momento anterior: como se caracterizam a comunidade, a escola, as
famílias e os alunos? Que possibilidades mas também que obs-táculos e dificuldades nos
colocam?
3. Objectivos
• Ausubel (1976): objectivo é o que o estudante deve poder fazer ou dizer quando termina a
lição ou, a longo prazo, quando termina a sua educação;
• Ashton (1980): um objectivo define o que se pretende que um aluno consiga com a sua
aprendizagem.
i) os objectivos referem-se a comportamentos dos alunos; ii) são enunciados como hipóteses
futuras, isto é, tais comportamentos são alcan-çáveis após o processo de ensino-
aprendizagem; iii) estes comportamentos são observáveis e avaliáveis.
• Chadwich (1977) afirma que os objectivos são: i) a base da programação e que é a partir
deles que as actividades e os materiais utilizados nas aulas ganham coe-rência; ii) a base da
comunicação entre professores (suporte do seu trabalho de equipa) bem como da
comunicação aos alunos, à família e a outros elementos da comunidade; iii) a base para a
avaliação dos estudantes bem como para a selecção dos recursos, estratégias e metodologias
empregues; iv) a base para informar os alunos acerca daquilo que se espera que fiquem a
saber e a saber fazer no final de uma unidade de ensino ou de uma aula.
• D'Hainaut (1983) diz que os objectivos: i) servem de referência para valorar as metas para
que nos orientamos; ii) servem de direcção à acção pedagógica, aju-dando a situar o professor
e o aluno em relação ao que se pretende alcançar; iii) servem de critério na escolha dos meios,
métodos e estratégias de acção; iv) ser-vem de meio para avaliar a acção pedagógica realizada.
• Benedicto (1987) afirma que os objectivos servem para demonstrar que sabe-mos o que
pretendemos e que temos um guia para a acção.
"Essa é a questão fundamental a que a ideia dos objectivos responde: clarifi-car um processo,
«iluminá-lo», explicitando o que se deseja fazer, o tipo de situa-ções formativas a criar, o tipo
de resultados a que se pretende chegar. (...) Que contributo podem dar os objectivos?
Não obstante o que fica dito, a natureza e o papel dos objectivos numa planificação didáctica
variam conforme nos situamos numa perspectiva mais tecnicista, com origem na psicologia
behaviorista ou condutista, ou, pelo contrário, seguimos os postulados da psico-logia
cognitivista e nos situamos numa perspectiva processual. Rivilla & Mata (2002: 110)
distinguem deste modo as duas perspectivas:
• Objectivos gerais: derivados das grandes finalidades e metas educativas, os objectivos gerais,
apresentam uma definição abstracta e geral do tipo de opera-ção mental exigida ao aluno em
relação a uma data temática.
Esta perspectiva foi, sobretudo a partir de 1980, submetida a fortes críticas que a acusam de
partir de um esquema demasiado estruturado e muito simplista do processo educativo.
Relativamente aos objectivos operativos ou comportamentais, são aduzidas, entre outras, as
críticas seguintes:
— ao potenciar uma acção mais técnica do que pedagógica, limitam uma acção educativa
coerente, em vez de a facilitarem.
3.3. Os objectivos segundo a perspectiva processual
Neste modelo, os objectivos apresentam as seguintes características, segundo Rivilla & Mata
(2002: 115):
Relativamente aos objectivos, o professor tem de levar a cabo duas tarefas: i) selec-cioná-los e
adequá-los ao contexto; ii) organizá-los e sequenciá-los.
A selecção dos objectivos faz-se a partir dos Programas oficiais e deve ter em conta alguns
critérios. Segundo Ribeiro (1990), os requisitos que os objectivos de um currículo devem
satisfazer são:
— Compatibilidade dos objectivos curriculares entre si, nomeadamente os que se situam num
mesmo nível de generalidade ou especificidade.
Para além desses critérios, parece pacífico que os objectivos a inserir numa planifica-ção
devem:
— corresponder ao contributo que a disciplina pode dar para a consecução dos objectivos
gerais do respectivo ciclo de estudos;
"uma adequada sequenciação dos objectivos contribui para evitar repetições desnecessárias
ou certas lacunas, tendo em conta que cada objectivo de etapa (leia-se, nível) recolhe as
capacidades que se vão alcançando progressivamente".
No interior de cada nível, a sequenciação dos objectivos deverá encadeá-los segundo gradação
progressiva que facilite a aprendizagem dos alunos.
Quando falamos em conteúdos, estamos a referir-nos a "o que ensinar". Temas, conteúdos,
tópicos, assuntos são expressões que usamos para exprimir esta realidade. De um modo gèral,
associamos o conteúdo curricular à matéria de ensino que deriva dos domínios da cultura
humana, estruturados em disciplinas. Mais especificamente, os con-teúdos curriculares
definem-se como o conjunto de conhecimentos presentes num plano ou programa de ensino
e, em regra, organizados em torno de áreas ou matérias discipli-nares. Pode-se dizer que os
conteúdos curriculares se identificam com o conjunto de conhecimentos, informações ou
assuntos provenientes da cultura disponível, susceptí-veis de serem objecto de ensino e que,
na linguagem corrente, se traduzem pela expres-são "conteúdos programáticos". No entanto,
este modo de ver esquece que há outros conteúdos da educação para além dos
conhecimentos. A este respeito, Rivilla & Mata (2002: 133-134) escrevem:
"Tradicionalmente, o termo conteúdos era utilizado para designar um tipo de conteúdo muito
concreto (factos, conceitos e princípios) que socialmente se con-siderava como um objecto de
aprendizagem privilegiado para o desenvolvimento integral dos alunos. A sociedade actual, no
entanto, entende por conteúdos não só a aprendizagem de factos, conceitos, dados, princípios
e informações mas
De facto, uma vez que assumimos a educação como um processo complexo que integra a
socialização, a instrução e a estimulação do desenvolvimento individual, somos forçados a
incluir na noção de conteúdos não só um conjunto de conhecimentos (de factos, conceitos e
princípios) mas também um conjunto de procedimentos (todo o domínio do saber-fazer:
competências, capacidades, habilidades e destrezas) e um conjunto de valo-res, normas e
atitudes (o domínio do saber-ser e do saber-estar). É em relação a todos estes tipos de
conteúdo que os professores devem realizar a sua selecção, efectuar a sua organização,
planificar o seu ensino e proceder à sua avaliação. E, como dizem Rivilla & Mata (2002: 134),
"o objectivo não é, pois, que os professores abordem em separado os diver-sos tipos de
conteúdo, mas sim que estejam conscientes da diversidade e poten-cialidades das
aprendizagens escolares. Mas os diferentes tipos de conteúdo (conceptuais, procedimentais e
atitudinais), como já assinalámos, não se traba-lham de forma. independente em actividades
de ensino e aprendizagem, por-quanto a distinção entre os três tipos de conteúdo é de
natureza pedagógica. Os conteúdos, portanto, devem ser abordados de forma convergente
nas actividades escolares".
"aquilo sobre que versa o ensino, o eixo à volta do qual se organizam as rela-ções interactivas
entre o docente e os discentes — e também entre discentes —para que estes se desenvolvam,
para que cresçam, através da atribuição de significados que caracterizam a aprendizagem
significativa".
"Os conceitos designam conjuntos de fenómenos, objectos, acções ou ideias que têm em
comum algumas características essenciais. Exemplos: o conceito de vida, o conceito de beleza,
o conceito de força, etc.
"saber como se faz algo, determinar qual é a forma mais idónea para traba-lhar numa situação
(...) exige ao aluno saber aplicar as técnicas ou estratégias adequadas para resolver as
situações problemáticas" (Rivilla & V ata, 2002: 135).
Os valores são princípios normativos que regulam a vida social e o comportamento individual.
Um valor é algo que consideramos valioso. Bom, justo, belo, útil são exemplos de valores.
Enquanto tal, os valores são seres ideais e não existem independentemente das pessoas,
objectos ou acções. Isto é, o bom como valor existe nas pessoas, objectos ou acções que são
boas.
Para além disso, há um conjunto de critérios que devem guiar-nos nesta operação. Rivilla &
Mata (2002: 141) fazem a distinção entre critérios gerais e critérios específicos. Os critérios
gerais são aplicáveis a todos os tipos de conteúdos. Os critérios específicos aplicam-se apenas
a um tipo particular de conteúdo.
Os critérios gerais apontados por estes autores são os seguintes: • critérios de natureza
científica — validez, coerência e significatividade; • critérios de natureza psicológica —
adequação ao estádio de desenvolvimento do aluno, potencial de motivação do aluno para a
aprendizagem; • critérios de natureza social — funcionalidade e possibilidade de os relacionar
com a experiência quotidiana dos alunos e/ou com características do contexto socioeconómico
e cultural.
Os critérios específicos para a selecção de conteúdos conceptuais são: • o seu valor para a
compreensão do tema ou assunto que queremos tratar; • o seu interesse para a construção de
outros conceitos; • a sua relação com outros conceitos e dados já aprendidos; • a possibilidade
de os abordar por processos motivadores e atractivos; • a sua necessidade para implicar
afectivamente os alunos na sua aprendizagem.
• assegurar, em primeiro lugar, o domínio dos mais básicos, isto é, aqueles que: i) respondem
a necessidades imediatas;
ii) sejam mais eficazes que outros na realização das tarefas que o aluno tem de levar a cabo;
iii) sejam um pré-requisito para a realização de outras aprendizagens; • começar pelos mais
simples e mais gerais; • ter em conta o nível do aluno, quer quanto aos esquemas de acção
quer quanto à informação prévia de tipo factual e conceptual. Os critérios específicos para a
selecção de conteúdos conceptuais são: • começar pelas atitudes que estão relacionadas com
os valores e normas da escola e da aula; • coerência das atitudes a desenvolver com a
metodologia usada. Em resumo, poderíamos dizer que os conteúdos a seleccionar serão
aqueles que: — obedecendo às exigências curriculares, se caracterizem por ser significativos
para os alunos, seja pela sua relação com o contexto sociocultural, seja pela sua relevância em
função do estádio de desenvolvimento e/ou dos interesses e moti-vações dos alunos; — se
adequem aos objectivos gerais e específicos seleccionados; — sejam representativos.
Uma vez realizada esta tarefa e seguindo aqui Ausubel, trata-se de proceder à organi-
zação/sequencialização dos conteúdos de acordo com os princípios que regem a forma-ção e
desenvolvimento da estrutura cocnoscitiva:
2. partir dos conteúdos mais gerais, passar pelos intermédios e chegar aos mais específicos,
mas fazendo ciclicamente uma apresentação do conjunto, de modo a promover a sua
integração e dar relevo às diferentes inter-relações (seme-lhança, diferença, coordenação,
subordinação, etc.).
a) todos os alunos podem aprender significativamente um conteúdo desde que a sua estrutura
cognoscitiva disponha de conceitos relevantes, amplos, gerais e estáveis (conceitos inclusores);
b) os conteúdos ordenam-se dos mais gerais para os específicos, salientando as suas inter-
relações e apresentando exemplos concretos. Estabelecem-se assim as hierarquias
conceptuais.
5. Estratégias de ensino
Método significa "caminho para..." ou, como afirma Gimeno Sacristán (1986: 226), "o caminho
que seguimos na realização de uma acção...". Por técnicas entendemos o conjunto de
procedimentos e recursos utilizados para desenvolver um método. Por sua vez, as estratégias
designam modos gerais de actuação destinados a conduzir o aluno de uma determinada
situação inicial até uma situação final o mais aproximada possível
dos objectivos definidos. Claro que há uma relação muito estreita entre estratégia, méto-dos e
técnicas, tal como entre estratégia, actividades e recursos. Vas uma acção didác-tica não seria
bem sucedida se pensássemos isolada ou separadamente em métodos, técnicas, actividades e
recursos. Todos estes elementos têm de ser conjugados, postos ao serviço uns dos outros e
organizados de modo coerente e articulado para que os objectivos pretendidos possam ser
atingidos. A estratégia consiste, exactamente, no fio condutor que nos ajuda a levar a cabo
essa articulação.
O termo estratégia tem origem na linguagem militar e é utilizado em muitos domí-nios da vida
social para exprimir o design global da via a seguir para atingir os fins que se tem em vista, ou,
dito de outro modo, as grandes linhas orientadoras da acção.
Da definição dada infere-se que a estratégia estabelece uma relação entre os fins e os meios.
Daí que sejam os objectivos, o conteúdo científico a aprender e as capacida-des a desenvolver
que condicionam mais fortemente a selecção da estratégia mais ade-quada a cada situação.
Mas a escolha da estratégia deve ter também em conta as carac-terísticas, os conhecimentos
prévios e o estádio de desenvolvimento dos alunos.
5.2. Os métodos
A palavra "método" significa caminho ou processo racional para atingir um dado fim. Utilizar
um dado método supõe uma análise prévia dos objectivos que se pretendem atin-gir, as
situações a enfrentar, assim como dos recursos e tempo disponíveis, e, por último, das várias
alternativas possíveis. Trata-se, pois, de uma acção planeada, baseada num quadro de
procedimentos sistematizados e previamente conhecidos. Em pedagogia, entende-se por
métodos os diferentes modos de proporcionar uma dada aprendizagem e que foram sendo
individualizados pelos pedacogos ou pela investigação científica.
O método não diz respeito aos vários saberes que são transmitidos, mas sim ao modo como se
realiza a sua transmissão. Podemos definir um método pedagógico como uma forma específica
de organização dos elementos curriculares, tendo em conta os objectivos do programa de
formação, as características dos formandos e os recursos dis-poníveis. O método diz, pois,
respeito às acções do professor no sentido de organizar as actividades de ensino, a fim de que
os alunos possam atingir os objectivos em relação a um conteúdo específico, tendo como
resultado a assimilação dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas e
operativas dos alunos.
\ão há uma classificação universal dos métodos pedagógicos consensualmente aceite. Roger
Mucchielli, por exemplo, propôs uma classificação dos métodos baseada num continuum
desde os completamente "passivos" aos mais "activos". Pierre Goguelin agrupou-os em três
grandes grupos: métodos afirmativos (expositivos e demonstrativos), métodos interrogativos e
métodos activos. Vamos seguir aqui uma classificação feita em função do recurso pedagógico
que é particularmente valorizado. Distinguiremos, assim, entre métodos verbais, métodos
intuitivos e métodos activos.
Trata-se de mostrar algo a alguém, de forma a que possa intuir, apreender ou perce-ber o que
se pretende transmitir. Inclui-se nesta categoria o método demonstrativo.
Um dos primeiros grandes teóricos deste tipo de métodos foi Pestalozzi (1746-1827). Mas foi
John Dewey (1859-1952) quem, de forma mais consistente, concebeu a educa-ção baseada na
acção. A sua pedagogia activa assenta nos seguintes princípios:
— o aluno só aprende bem quando o faz por observação, reflexão e experimentação; — o
ensino deve ser adaptado à natureza própria de cada aluno; — deve desenvolver não apenas a
sua formação intelectual, mas também as suas aptidões manuais, assim como a sua energia
criadora (educação integral); - a matéria de ensino deve ser organizada de uma forma que
produza um efeito global na formação do aluno;
— o ensino deve contribuir para a socialização do aluno, por meio de trabalhos em grupo,
respeitando e fortalecendo sempre a individualidade dos alunos. A educa-ção é vida e educar é
preparar para a vida.
Ao longo do século XX, a pedagogia activa foi-se impondo, devido, fundamentalmente, a duas
razões essenciais: 1) a crescente importância dada às vivências individuais; ii) o aumento da
motivação dos alunos quando são envolvidos directamente em actividades de aprendizagem.
— levar os formandos a compreender os objectivos das aprendizagens, que lhes devem ser
sempre apresentados com clareza; — iniciar a formação com situações de aprendizagem
significativas para o aluno e, gradualmente, descer às situações de aprendizagem mais
pormenorizadas.
São exemplo dos métodos activos o método de trabalho independente, o método de trabalho
em grupo, o método do ensino pela descoberta e o método da resolução de problemas.
— A propósito de uma unidade didáctica dos programas oficiais, se começa por pedir aos
alunos que escrevem sob a forma de pergunta o que gostavam de saber sobre o tema.
— Face à listagem de questões feitas pelos alunos, o professor (que se assume sempre como
membro do grupo de investigação) pode também acrescentar as suas questões.
— Em pequenos grupos, os alunos vão à procura de dados e informações que lhes permitam
responder a cada uma das questões (na biblioteca, na Internet ou através de entrevistas a
especialistas desse tema). — Com as informações recolhidas, os grupos de alunos constroem a
sua resposta às questões inicialmente formuladas. — As respostas de cada grupo são
apresentadas ao grupo-turma e comparadas com as respostas à mesma questão dos outros
grupos.
— Com base no debate das semelhanças e diferenças entre as várias respostas e com a
participação do professor, o grupo-turma elabora uma única resposta integradora do maior
número possível de elementos recolhidos.
2. ser aptas para a consecução dos objectivos definidos e para a explanação dos conteúdos
seleccionados;
3. ser factor de motivação dos alunos.
5.3. As actividades
"os elementos estruturais básicos de programação e acção na sala de aula. Quase todas as
acções e interacções da aula têm lugar no âmbito do marco ope-rativo e das limitações de uma
actividade e, além disso, o tempo que resta livre é ocupado na preparação ou transição entre
actividades".
— Estruturação: uma actividade tem que ser equilibrada — condição sincrónica — e, além
disso, tem que possuir continuidade lógica e epistemológica, científica e prática — condição
diacrónica.
— Relevância: uma actividade deve permitir a transferência útil e significativa para a vida
actual e futura.
A noção de recurso didáctico não é pacífica. Podemos ter uma definição restrita e, nesse caso,
recursos didácticos são, exclusivamente, as ferramentas (recursos materiais) utilizadas pelo
professor e pelos alunos para organização e condução metódica do pro-cesso de ensino e
aprendizagem. Como exemplo, podemos citar: quadro-negro, slides, filmes, mapas,
retroprojector, computador, vídeo, etc. Ou, no outro extremo, podemos ter uma definição
muito abrangente que inclui o próprio professor como recurso ao ser-viço da aprendizagem
dos alunos. No contexto deste subtema vamos seguir a definição restrita e referir-nos
exclusivamente aos recursos materiais, incluindo os chamados materiais curriculares ou
educativos: manuais, livros de texto, dicionários, cadernos de exercícios. No seu conjunto, os
recursos materiais e os materiais curriculares são o que designamos por meios — qualquer
recurso ou material que o professor prevê empregar no desenvolvimento do currículo.
Vamos começar por analisar as funções que os meios desempenham no processo de ensino-
aprendizagem, identificar alguns critérios que nos guiem na escolha dos meios a utili-zar e
fazer, por último, referências a algumas utilizações possíveis, bem como a precauções
a ter na utilização dos seguintes recursos: manuais, livros de texto e cadernos de exercício; as
novas tecnologias da informação e da comunicação; o vídeo educativo; a televisão e o cinema;
os recursos informáticos e a Internet.
• Função formativa global: os meios transmitem valores e atitudes educativas. Por isso se diz
que um meio assume simultaneamente os discursos técnico e didáctico.
Zabalza (1992: 183-185) elenca o conjunto de condições que os meios devem preencher para
merecerem ser seleccionados. São as seguintes, resumidas por Vilar (1999):
• Condição de adaptação: o mesmo meio ou material curricular pode não surtir os mesmos
efeitos em contextos curriculares diferentes, porque cada recurso justi-fica-se, ou não, em
função da sua qualidade técnica, do contexto em que se inte-gra e da sua justificação
curricular.
• Condição de possibilidade de utilização: cada meio ou material curricular possui a sua própria
natureza técnica e impõe exigências específicas para a sua manipulação; assim, ao contrário do
que acontece com outros, existem meios ou materiais curri-culares que exigem elevada
competência técnica para a sua utilização adequada.
• Condição de eficácia: os meios ou materiais curriculares, por si só, não fazem dos professores
melhores professores. Além disso, do mesmo modo que não existe o melhor método, também
não existe o melhor meio ou material curri-cular. Nesse sentido, o valor de um meio ou
material decorre dos modelos teóri-cos que servem de base à sua estruturação e função
intrínseca e da relação que o mesmo mantenha com os restantes elementos da estrutura
curricular.
O vídeo permite que o professor grave com antecedência programas da televisão com
conteúdo educativo e que os utilize na aula, em momento oportuno. Rivilla & Mata (2002:
194) afirmam que o vídeo pode ser usado quer como meio de comunicação quer como meio
de expressão.
Como meio de comunicação ou fonte de informação, o vídeo permite a repetição, a
rebobinagem e a retenção das imagens, possibilitando assim que o aluno trabalhe ao seu
ritmo. Tem como principal vantagem apoiar com imagens os temas que estão a ser trata-dos
na aula, "trazendo realidades dificilmente acessíveis à experiência directa do aluno".
Como meio de expressão, o vídeo permite ao aluno escrever imagens e comunicar através
delas.
"para pôr o aluno em contacto com o mundo exterior afastado da escola, para levar a
realidade da rua à sua aula, para abordar as matérias interdisciplinarmente ou para servir de
elemento dinamizador da turma" (Rivilla & Vata, 2002: 195).
O uso educativo do cinema e da televisão começa por ter a vantagem de iniciar os alunos na
linguagem própria de cada um destes meios. Como afirmam Rivilla & Vata (2002: 195), "o
processo de compreensão desta linguagem é uma forma de pensamento (visual), uma
actividade original do espírito humano, comparável à leitura".
Para além disso, contribui para que os alunos comecem a adoptar uma atitude crítica
relativamente ao cinema e à televisão,
O computador, segundo Rivilla & Mata (2002: 198) oferece possibilidades de criar situações de
aprendizagem muito variadas, das quais salientamos: i) obtenção e proces-samento de
informação; ii) desenvolvimento de actividades criativas; iii) simulações de situações a que é
difícil aceder de outro modo; iv) resolução de problemas; v) jogos edu-cativos; vi) programas
de desenho.
6.8. A Internet
Trata-se, também, de uma ferramenta com enormes potencialidades didácticas e é, por isso,
vantajoso que a coloquemos ao serviço do processo de ensino-aprendizagem. Até porque se
impõe alargar o conceito de alfabetização, já que,
"para além de saber ler, escrever, calcular e desenhar, deve-se procurar saber ler e escrever
programas, navegar pela rede, estabelecer vínculos entre imagens, sons, textos, vídeos, etc.,
tal como até aqui se exigia que os alunos falassem, escrevessem e calculassem bem" (Prats,
2002).
Devemos, para terminar, alertar que, sendo um instrumento poderoso, a Internet não só não é
a panaceia para todas as nossas dificuldades e problemas como também apre-senta perigos,
pois há na rede muitos conteúdos que não são nada educativos.
Síntese
Definindo necessidade como sendo uma discrepância entre a forma como as coisas deveriam
ser (exigências do currículo prescrito e dos programas), poderiam ser (necessi-dades de
desenvolvimento) ou gostaríamos que fossem (necessidades individualizadas) e a forma como
essas coisas são de facto, constatamos a existência de vários tipos de necessidades que
importa diagnosticar, como primeiro passo do processo de planifica-ção. Essa avaliação de
necessidades passa pela análise do programa, o inventário das necessidades sociais e a
pesquisa de quais são as necessidades sentidas pelos alunos.
Com base nas prioridades estabelecidas, passamos à fase da selecção dos objecti-vos. Um
objectivo é uma descrição de intenções relativas à aprendizagem e desenvolvi-mento dos
alunos. Trata-se então de, tendo em conta as necessidades (exigências do pro-grama,
necessidades sociais, necessidades sentidas e expressas pelos alunos) e a situação
(oportunidades, condições e recursos existentes; obstáculos, problemas e dificuldades), decidir
que saberes devem os alunos adquirir, que procedimentos devem dominar, que ati-tudes e
valores devemos estimular que adquiram. É importante que tracemos objectivos relativos aos
vários domínios do desenvolvimento humano: cognitivo, sócio-afectivo, psico-motor.
Clarificando e concretizando as nossas intenções educativas, os objectivos cum-prem um papel
decisivo nas planificações: servem para orientar o processo, informar os alunos e as famílias do
que se deseja e de referencial para a avaliação dos resultados e dos processos. O modo de
formular objectivos depende da perspectiva em que nos situarmos. Assim, numa perspectiva
tecnológica, os objectivos são expressos em termos de compor-tamentos observáveis e
mensuráveis, possuem um grau máximo de concretização, são o ponto de referência para a
avaliação da eficácia do ensino e encadeiam-se hierarquicamente (objectivo geral = objectivos
específicos = objectivos operacionais ou comportamentais).
Nesta perspectiva, faz-se a distinção entre objectivos gerais, objectivos específicos e objectivos
comportamentais. \uma perspectiva processual, os objectivos exprimem-se em termos de
capacidades (relacionadas com os diferentes aspectos do desenvolvimento humano) e não de
comportamentos observáveis. De uma forma ou de outra, a selecção dos oojectivos deve
obedecer a um conjunto de critérios, dos quais destacámos:
i) a obediência às exigências curriculares constantes dos Programas oficiais; ii) a inclusão das
várias dimensões da acção educativa; iii) o respeito pelo nível de desenvolvimento psicológico
dos alunos e as suas características; iv) a relevância social.
alunos, precisamos agora de decidir como vamos trabalhá-los. É o momento de conceber uma
estratégia. Definimos estratégia como o design global da via a seguir para atingir os fins que se
tem em vista, ou, dito de outro modo, as grandes linhas orientadoras da acção. As estratégias
concretizam-se através de uma metodologia, servida por um con-junto de actividades (do
professor e do aluno ou de ambos em simultâneo).
Definimos método como sendo o caminho ou processo racional seguido para atingir os
objectivos educativos e alertámos para a interdependência destes três elementos cur-
riculares: objectivos-conteúdos-métodos. Apresentámos alguns métodos de ensino, agrupados
em torno de três categorias: métodos verbais, métodos intuitivos e méto-dos activos. Porque a
selecção dos métodos também tem de ser objecto dcYs mesmos cuidados que a selecção dos
objectivos e dos conteúdos, referimos alguns critérios a considerar no momento dessa
escolha. Salientámos, a propósito, que as estratégias e as metodologias previstas numa
planificação devem: i) adequar-se às características da turma e dos alunos; ii) ser aptas para a
consecução dos objectivos definidos e para a explanação dos conteúdos seleccionados;
i) validez; ii) compreensividade; iii) variedade; iv) conveniência; v) estruturação; vi) relevância;
vii) empatia.
Questões para verificação das aprendizagens 1. Diga em que consiste "planificar". 2. Explique o
sentido da frase: "a planificação é também um instrumento político". 3. Aponte as principais
características de uma planificação. 4. Explique os vários elementos que compõem uma
planificação.
11. Diga em que consiste um objectivo. 12. Demonstre a importância dos objectivos numa
planificação. 13. Refira-se ao modo de formular objectivos coerente com a perspectiva
tecnológica.
15. Resuma o essencial das críticas que são feitas à perspectiva tecnológica.
AVALIAÇÃO
A avaliação é, hoje, objecto de grande atenção por todos quantos se preocupam com a
melhoria da qualidade do serviço educativo que a escola presta. É natural que, num momento
de crise da escola, professores, investigadores e administradores da educação se debrucem
acerca do papel da avaliação no interior dos processos de ensino-aprendiza-gem e da sua
relevância como instrumento ao serviço da melhoria dos mesmos.
De facto, várias são as razões que fazem do debate sobre a avaliação um debate cen-tral: em
primeiro lugar, a avaliação interfere em todas as dimensões do acto educativo; depois, a
avaliação ocupa uma posição única como processo de regulação do sistema educativo.
Assim, tem-se insistido na necessidade de situar a avaliação no seu devido lugar, isto é, como
um processo dentro de outro processo, como componente dinâmica do pro-cesso de ensino-
aprendizagem e instrumento fundamental do seu desenvolvimento e da sua regulação e
ajustamento continuados. Deste modo, a avaliação assume um carácter eminentemente
pedagócico que só pode adquirir, na prática, se for abandonada a perver-são que consiste em
valorizar, acima de tudo, a dimensão sumativa e sua função de clas-sificação/certificação, em
detrimento da dimensão formativa e de regulação que a avalia-ção deve, em primeiro lugar,
assumir.
Conclui-se, pois, que a avaliação só pode desempenhar o seu verdadeiro papel se todos os
actores educativos puderem olhá-la à luz de um novo paradigma que faça sobressair o seu
papel formativo, a sua capacidade de fornecer, ao aluno e ao professor, as informações
necessárias para que possam reformular a sua acção.
Entre outras condições, torna-se necessário ter uma visão alargada do objecto da avaliação
educativa. O que deve ser avaliado em educação? Vallejo (1979: 8) responde que a avaliação
"não é simplesmente do aluno, mas sim dos objectivos propostos e dos métodos empregados
para os atingir. A sua função não é apenas julgar o aluno, mas sim avaliar todo o processo de
aprendizagem, incluindo a actividade do pro-fessor. Avalia-se fundamentalmente para
averiguar os resultados obtidos; não é um fim, mas sim um meio para aperfeiçoar todo o
processo, controlando-o por meio dos resultados que se vão obtendo e comprovando. É muito
vulgar associar a palavra «avaliação» a exames, notas finais, etc., como se o sujeito da
avaliação fosse somente o aluno. A avaliação não é o final de um processo, não é o assi-nalar
simplesmente uma conclusão. A avaliação está no centro de todo o pro-cesso docente e deve
ser contínua adaptação e aperfeiçoamento, tanto nos objectivos como nos métodos
empregados, sendo sempre necessário ir compro-vando quem é que, e até que ponto, vai
alcançando os objectivos. Não se pode esperar «pelo fim» para comprovar que nos
equivocámos desde o princípio ou que um grupo de alunos estagnou há meses e não se
remediou tal situação a tempo".
1. Conceito(s) de avaliação
Nas primeiras três décadas do século XX (período designado por Idade da Eficiência e dos
Testes), avaliar significou medir. Tudo era considerado susceptível de ser medido: o
rendimento dos alunos, as capacidades humanas, a qualidade dos programas, a eficiên-cia dos
professores. Este conceito de avaliação como medida supõe uma separação entre dois
momentos: o de ensinar/aprender (antes); o de avaliar (depois), concretizado na
administração aos alunos de provas ou testes destinados a apurar que parte do que foi
ensinado terá sido aprendido., Criticando esta perspectiva, Vallejo (1979: 12) afirma:
"Medir não é avaliar. A mera obtenção de dados mediante uma prova objec-tiva ou qualquer
outro método não é avaliação. A avaliação é um juízo de valor sobre dados previamente
obtidos (medição). Cem quilos pode ser muito peso ou pode ser pouco; depende do que
estamos pesando e para quê. Mas não podere-mos saber se é pouco ou muito sem saber
antes: 1) o que estamos pesando (objectivos), e 2) que o peso é exactamente de cem quilos
(medição). Por isso é necessário preparar bem as provas de rendimento escolar para que se
ajustem aos objectivos propostos, contenham uma amostragem razoavelmente ampla da
matéria e possam corrigir-se com objectividade. Os dados obtidos permitirão fazer então uma
avaliação correcta".
"é uma avaliação que se transforma em avaliação formativa, na medida em que reinveste
positivamente os dados obtidos através da avaliação contínua" (Leite, 1993: 14).
No âmbito desta perspectiva: • Cronbach (1963) define a avaliação como "o processo de
recolha e utilização da informação para tomar decisões" acerca do modo mais adequado de
prosseguir o processo de ensino-aprendizagem. • Scriven (1967) define-a como "o processo
através do qual se determina o mérito ou valor de alguma coisa", reitera o seu valor para a
tomada de decisões de aper-feiçoamento do processo educativo e distingue entre avaliação
sumativa e avalia-ção formativa. ® Vager (1962) diz que a avaliação é "o acto de comparar uma
medida com um padrão e emitir um juízo baseado nessa comparação".
Stufflebeam & Shinkfield (1987) apresentam-nos urna definição de avaliação bastante mais
próxima do conceito de avaliação actualmente mais aceite:
"o processo de identificar, obter e proporcionar informação útil e descritiva acerca do valor e
do mérito das metas, da planificação e da realização de um objecto deter-minado, com o fim
de servir de guia para a tomada de decisões, solucionar os proble-mas de responsabilidade e
promover a compreensão dos fenómenos implicados".
a mesma linha, Tenbrick (1984) afirma que a avaliação é o "processo de obter informa-
ção e usá-la para formular juízos que, por sua vez, serão utilizados na tomada de decisões".
De facto, toda a avaliação integra: • um propósito ou intenção: "quero avaliar o quê e para
quê?"; • uma técnica, cuja selecção varia com o propósito que tenho em vista; • um conjunto
de questões: as perguntas ou problemas que vou colocar na prova;
De uma forma mais resumida, Ferreira (2007: 16) diz-nos que, de facto e
— objectivos claros: saber exactamente o que se vai avaliar; quanto maior for a cla-reza dos
objectivos, mais fácil é a avaliação;
— métodos eficientes para obter dados sobre os quais se possa levar a efeito a avaliação.
Daí a importância que todos os autores que tratam de avaliação dão aos diversos tipos de
provas escolares, suas vantagens e inconvenientes, métodos de correcção, tipos de perguntas
e análises estatística dos resultados, ainda que seja a um nível muito elementar. Sem dados
claros e representativos não pode haver avaliação correcta.
Já vimos que avaliar implica as seguintes operações básicas: medição ou recolha de dados
segundo um propósito; análise desses dados (correcção das respostas dadas pelos alunos nas
provas); emissão de um juízo de valor (valoração) acerca dos dados analisados; tomada de
decisões orientadas para a melhoria ou aperfeiçoamento do pro-cesso de ensino-
aprendizagem. Isso mesmo nos diz Zabalza (1992: 220) quando afirma que quando avaliamos
"fazemos quer uma medição (entendida, em sentido amplo, como recolha de informação)
quer uma valoração. Uma e outra dimensões cumprem funções dife-rentes no processo total
de avaliação. Através da medição, podemos constatar o estado actual do objecto ou situação
que queremos avaliar. Através da valoração, realizamos uma comparação entre os dados
obtidos na medição que reflectem o «como é» do aspecto a avaliar e uns determinados
parâmetros de referência que reflectem o «como era» ou o «como deveria ser» desse
aspecto".
É neste sentido, da relação que se estabelece entre o referido e um referente que lhe confere
significado, que Zabalza afirma que avaliar é comparar. Entenda-se, comparar o referente com
o referido. Mas se por referente entendemos a "norma" com a qual com-paramos os dados
recolhidos acerca do desempenho dos alunos nas tarefas que uma prova lhes exigia, coloca-se
a questão de saber que tipo de "normas" podem ser conside-radas na avaliação educativa. É
ainda Zabalza (1992: 221) quem refere três tipos de norma:
nesse grupo). Quando se procede deste modo, dizemos que estamos a fazer uma avaliação de
referência normativa (comparação com a "norma" estatística);
Segundo Vallejo (1979: 16-17), para se poder avaliar até que ponto os alunos conse-guiram
aquilo que pretendíamos, é conveniente formular objectivos que tenham as características
seguintes:
• Devem centrar-se na actividade dos alunos, isto é, devem estar formulados por verbos
activos que indiquem a modificação, a capacidade concreta que se pretende que o aluno
manifeste. Que saiba, por exemplo, distinguir, aplicar, enumerar, calcular, etc. Não devem
estar centrados na actividade do professor (por exemplo: explicar a conquistada América)
porque a acção do professor é só um meio; a tónica deve colocar-se no aluno. O fim não é que
o professor expli-que, mas que o aluno aprenda. Também não devem estar centrados no con-
teúdo (por exemplo: a Espanha no século XVI) porque formulados assim não aju-dam a
planificar a aprendizagem nem a avaliação.
• Devem ser observáveis, porque é a única maneira de se poder avaliá-los efi-cazmente. Não
se deve tomar como objectivo, por exemplo, que o aluno per-ceba, porque o perceber não se
pode observar, mas sim que o aluno classifi-que, distinga, enumere, resolva, etc. Como vemos,
são verbos que indicam o que o aluno tem que fazer para demonstrar que conseguiu os
objectivos pro-postos.
• não devem ser muito vagos e gerais, pois formulados assim dificultam a ava-liação. Quando
for conveniente, devem-se incluir nos objectivos as condições importantes da actividade que
se pretende observar e avaliar. Por exemplo: identificar num mapa mudo (ou numa série de
diapositivos). Deve-se indicar também o grau de precisão mínima e de precisão desejada (tal
como seria iden-tificar pelo menos seis correntes marítimas, etc.).
• Os objectivos devem ser unitários: devem-se formular tantos quantos seja preciso, sem os
confundir, visto que cada um requer uma metodologia diferente, tanto no que respeita ao acto
de ensinar como à avaliação. Por exemplo, o objectivo
"enumerar os factores mais importantes que afectam a conservação do meio ambiente e
interessar-se pelos seus problemas" contém na realidade dois objec-tivos, um de ordem
cognitiva ("enumerar"), outro de ordem afectiva ("interessar--se"). Um outro objectivo como
"distinguir as características do romântico e classifi-car adequadamente uma série de 20
diapositivos desconhecidos da turma", contém outros dois objectivos, ambos de ordem
cognitiva; um, porém, é de mero conhe-cimento (memória, "distinguir") enquanto o outro é de
aplicação ("classificar").
2.1. As funções
Quando falamos em funções da avaliação, podemos estar a falar das tradicionais fun-ções
pedagógicas que lhe são assinaladas (função informativa, função motivadora, fun-ção
diagnóstica, função formativa e função sumativa) ou de outras funções que, segundo Sacristán
(1993: 69) "são a razão mais determinante da sua existência". São elas a fun-ção de
certificação, a função de controlo e a função de orientação do aluno.
Uma vez que dedicaremos uma atenção maior às funções pedagógicas, vamos começar por
definir cada uma das outras funções, com o único intuito de as conhecer-mos e considerarmos.
Por função de certificação designamos o papel que a avaliação cumpre na prestação de contas
pela escola à sociedade. Com base nas classificações resultantes da avaliação sumativa e
através de certidões e diplomas, a escola dá à sociedade garantias válidas acerca do domínio
(pelo diplomado) das aprendizagens que estão previstas para dado nível de ensino.
Por função de controlo designamos o uso que pode ser feito da avaliação no sentido de
manter a ordem e a disciplina na turma. De facto, através da avaliação e das notas, os
professores procuram, também, controlar o trabalho e o comportamento dos alunos.
Por função de orientação do aluno designamos a influência que a avaliação tem nas escolhas
que o aluno vai fazendo ao longo do seu percurso escolar.
E, seguidamente, denuncia o que lhe parece ser uma prática avaliativa que empobrece a
função da avaliação no ensino:
"a avaliação pode estar incluída dinâmica e efectivamente no dito processo ou, pelo contrário,
estar nele como um elemento marginal ou enquistado, mas não vinculado à dinâmica do
processo" (Zabalza, 1992: 241).
"a avaliação está comprometida com o facto de fornecer informação sobre a marcha do
ensino. Mas sobre esta função-base há que juntar o compromisso qualitativo de oferecer a
informação mais rica possível. Rica em profundidade, em extensão e quanto à diversidade
metodológica e técnica pela qual tal informação é obtida" (Zabalza, 1992: 241).
Acerca do grau de acerto das suas planificações. Acerca dos seus resultados e aquisições.
Acerca dos seus progressos ou retrocessos. Acerca da adequação das suas posturas e compor-
tamentos na aula. Acerca das suas dificuldades (onde se situam, como poderá vencê-las).
Acerca do esforço e empenhamento necessários para ter êxito. Acerca da adequação dos seus
métodos de traba-lho e de estudo. Acerca da distância a que se encontra em relação às
aprendizagens previstas.
Vallejo (1979: 9-10) afirma mesmo que "a avaliação é também um eficaz método de ensino",
na medida em que provas frequentes, cujos resultados se comunicam rapida-mente aos
alunos, facilitam enormemente a aprendizagem.
Naturalmente, a função motivadora da avaliação depende do uso que se faça dela. No quadro
apresentado a seguir aparecem os resultados de uma série de estudos feitos sobre a relação
entre a avaliação, o progresso e a motivação dos alunos.
Efeitos dos exames e provas frequentes nos: ALUNOS MAIS CAPAZES ALUNOS MENOS
CAPAZES Provas semanais com os resultados discutidos, assinalando os erros individuais.
Facilmente o processo normal de aprendizagem sofre atrasos, a não ser que, em cada prova,
haja perguntas de acordo com o seu nível. Melhoram notavelmente. Conhecimento do próprio
êxito em exames e composições. Notável aumento da motivação e progresso na
aprendizagem. É menor o aumento da motivação e do progresso na aprendizagem Louvor
depois de um exame. Aumenta a motivação. Aumento ainda maior da motivação. Repreensão
depois de um exame. Mais eficaz do que nos menos capazes. Menos eficaz.
Em geral, é o êxito que é motivador e não o fracasso; daí a conveniência de incluir nas provas
de avaliação objectivos que, pelo menos em parte, todos possam alcançar. Convém notar que,
em geral, o louvor ajuda os menos capazes mais do que a repreen-são, ainda que na prática se
proceda normalmente de modo inverso. Devem-se sublinhar sempre os progressos e êxitos,
ainda que sejam parciais.
• Motiva e estimula alunos e professores — da avaliação depende: o que o aluno estuda, como
o estuda, quando o estuda; o que o professor ensina, como o ensina.
• Sugere novos métodos — que tipo de exercícios são necessários, que material didáctico se
deve utilizar. Todo o método é uma hipótese de trabalho cuja vali-dade aparece na avaliação,
ao comparar objectivos e resultados.
Para terminar esta reflexão sobre as funções da avaliação, diremos que uma avalia-ção
correctamente entendida como instrumento ao serviço do progresso do aluno e da qualidade
dos processos de ensino deveria permitir:
Desta forma, a avaliação pode e deve ser o verdadeiro pivot do desenvolvimento curricular.
Em função das finalidades que temos ao avaliar, podemos distinguir entre três moda-lidades
de avaliação: a avaliação diagnóstica, a avaliação formativa e a avaliação sumativa. Vamos
passar a uma análise breve de cada uma destas modalidades.
o aluno possui as aprendizagens anteriores necessárias para que novas aprendizagens tenham
lugar (avaliação dos pré-requisitos) e também se os alunos já têm conhecimen-tos da matéria
que o professor vai ensinar, isto é, que parte das aprendizagens que se pretendem iniciar são
já dominadas pelos alunos (avaliação dos níveis de entrada). A ava-liação diagnóstica não
ocorre em momentos temporais determinados, podendo realizar-se no início do ano, no início
de uma unidade de ensino e sempre que se pretende introduzir uma nova aprendizagem.
A avaliação diagnóstica pode ser orientada, como já vimos, para verificar se o aluno domina ou
não os pré-requisitos indispensáveis às novas aprendizagens ou apenas para sabermos quais
são os conhecimentos prévios dos alunos a respeito do novo assunto que vamos iniciar.
Importa distinguir o conceito de pré-requisito do conceito de aprendi-zagem anterior. Uma
aprendizagem anterior é tudo aquilo que o aluno sabe acerca do novo tema que vamos iniciar
(ideias do senso comum recolhidas na sua experiência quotidiana ou aprendizagens que fez
em leituras de jornais ou revistas ou na televisão ou no cinema, etc.). Um pré-requisito é uma
aprendizagem anterior requerida e impres-cindível para a nova aprendizagem, isto é,
necessária para que novas aprendizagens tenham lugar.
"tem como função principal a localização do aluno; isto é, tenta focalizar a ins-trução, através
da localização do ponto de partida mais adequado",
isto é, procuramos assegurar-nos de que o aluno esteja numa situação inicial propiciadora de
sucesso na aprendizagem. Para isso, precisamos de conhecer os seus interesses, aptidões,
background, personalidade e o seu percurso de aprendizagem em relação a uma determinada
estratégia de ensino. Trata-se de, no dizer de Ferreira (2007: 24),
"determinar o grau de preparação do aluno antes de iniciar uma unidade de aprendizagem, já
que determina o seu nível prévio e possibilita averiguar possíveis dificuldades que possa ter no
decorrer do processo de ensino-aprendizagem".
O conceito de avaliação formativa foi proposto por Scriven, que insistia no facto de a finalidade
da avaliação ser sempre a mesma: julgar o valor de algo. No entender deste autor, a avaliação
formativa é parte integrante do processo de desenvolvimento do currí-culo, acerca do qual
proporciona informação para ajudar a aperfeiçoar esse mesmo pro-cesso. Rivilla & Mata
(2002: 309) afirmam que a avaliação formativa
que se não ajuste ao plano estabelecido ou se afaste das metas fixadas. Na sua
/1
Conceito de regulação
Uma vez que a avaliação formativa está ligada à preocupação com a regulação do processo de
ensino-aprendizagem, faz sentido debruçarmo-nos um pouco sobre esse conceito. Com origem
na cibernética, o termo regulação foi utilizado, pela primeira vez, por Cronbach, em 1963, para
designar as operações de correcção durante o processo de desenvolvimento de um programa.
A regulação é definida por Santos (2002: 77) como
"todo o acto intencional que, agindo sobre os mecanismos de aprendizagem, contribui para a
progressão e/ou redireccionamento dessa aprendizagem".
É ainda Ferreira (2007: 99) que nos ensina que, no contexto da avaliação formativa,
"a regulação da aprendizagem traduz-se na tomada de decisões, com o aluno, sobre acção
pedagógica, visando a construção de uma trajectória óptima de aprendizagem, de maneira a
criarem-se as condições para a consecução de um objectivo definido. No entanto, é preciso
salientar a necessidade de uma ava-liação contínua do percurso de aprendizagem do aluno,
para se verificar a neces-sidade, ou não, de reajustamentos em função das diferentes
circunstâncias com que o sujeito se vai deparando na aprendizagem. Daí a averiguação
constante das estratégias, das actividades e dos objectivos intermédios que melhor possam
conduzir o aluno ao cumprimento dos objectivos terminais".
A avaliação sumativa tem por objectivo principal o controlo dos resultados, preten-dendo
determinar se os objectivos previstos foram conseguidos ou não e até que ponto o foram.
Chama-se de avaliação final exactamente porque pretende controlar somente a qualidade do
produto final. É neste sentido que Sacristán (1993: 372) diz que a avaliação sumativa "faz
referência ao juízo final global de um processo que terminou e sobre o qual se emite uma
valoração final". Segundo Ferreira (2007: 31), dela "resultam medidas de
A avaliação sumativa pode desempenhar um importante papel formativo, não devendo ser
entendida, exclusivamente, como uma avaliação final. Na realidade, pode ser uma avaliação
intercalar, parcial, incluindo-se nos mecanismos de regulação forma-tiva. Ela não tem,
também, de ser uma avaliação quantitativa, podendo assumir uma forma qualitativa. Opor
avaliação formativa e sumativa, valorizando a primeira e censu-rando a segunda, não tem
sentido pedagógico, ambas podendo, e devendo, ser formado-ras. A verdade é que, apesar de
não ter qualquer possibilidade de intervir ao longo do processo de ensino-aprendizagem para
o melhorar, a avaliação sumativa permite informa-ções e juízos acerca desse processo. Ou
seja, estas diversas modalidades não se excluem mutuamente. A avaliação formativa não é
alternativa à avaliação sumativa. A sua complementaridade resulta não só do facto de permitir
uma visão de síntese, mas, também, de acrescentar dados à avaliação, pois esta é mais global
e está mais distante no tempo relativamente ao momento em que as aprendizagens
ocorreram, o que per-mite avaliar a retenção dos objectivos mais importantes e verificar a
capacidade de trans-ferência de conhecimentos para situações novas.
3. Modelos de avaliação
Um modelo de avaliação tem por base um conjunto de pressupostos teóricos que definem de
um dado modo a sua concepção de educação e de ensino e propõem um con-junto de
procedimentos avaliativos. Vamos fazer a análise dos principais modelos avaliati-vos,
organizando-os em torno dos dois grandes paradigmas que dominam o pensamento e as
práticas educacionais: o paradigma tecnológico e o paradigma alternativo.
Afirmando que
"O conceito de avaliação é um dos conceitos didácticos que mais tem sofrido no nosso
contexto cultural e académico os rigores da estreiteza positivista. Desde Bobit, Thorndike até
Mager, Popham, Landsheere, Adams, Groundlund... o conceito de ava-liação restringiu-se de
tal modo que, para a maioria dos educadores e investigadores,
Também Rivilla & Mata (2002: 313) são de opinião que os modelos quantitativos
"se centram, basicamente, na avaliação do êxito dos objectivos, com base numa concepção um
pouco empobrecida da avaliação, que apenas está interes-sada no rendimento académico,
tendo em muito pouca conta os processos".
O modelo de avaliação por objectivos comportamentais foi o mais utilizado mas também o
mais criticado. Consiste em comprovar até que ponto os comportamentos actuais do aluno
correspondem aos objectivos comportamentais previamente estabeleci-dos na planificação.
• a avaliação deve não só referir o grau em que o aluno aprende um conjunto de habilidades
ou um tipo de conhecimentos mas também responder a questões de justificação, assim como
efeitos de aprendizagem não intencionados;
• a avaliação é um processo mediante o qual os que participam aprendem sobre eles próprios
e sobre a racionalidade do seu comportamento.
Ou seja, no contexto deste paradicma, pratica-se uma avaliação centrada nos proces-sos de
ensino-aprendizagem que
Este paradigma alternativo ou qualitativo pode ter diferentes designações, conforme o aspecto
que queiramos acentuar. Ao designá-lo como interpretativo, estamos a salientar que se
interessa pelos significados que os sujeitos atribuem às situações, acontecimentos e aos seus
próprios actos. Designando-o como naturalista, destacamos o facto de tentar captar as
realidades e acções na forma exacta como se apresentam ou acontecem. Já ao chamar-lhe
fenomenollégico colocamos a ênfase na valorização da experiência humana como meio
através do qual se tenta conhecer os factos tal como foram vivenciados. Cha-mando-lhe
descritivo, estamos a destacar a importância dada por este paradigma à necessidade de se
obter uma apresentação detalhada e completa dos factos.
ii) se preocupar com o compreender as acções humanas, os valores, crenças e significados das
pessoas que estão imersas na situação avaliada;
iii) valorizar o progresso dos alunos e não tanto o cumprimento dos objectivos pre-
determinados de antemão.
Tentando uma atitude neutral e sem impor o seu pensamento, o avaliador tem por função
orientar e promover que, através do diálogo, se faça a investigação e a análise das situações a
avaliar. Como afirmam Sáenz & Carretero (1995),
" este novo conceito de avaliação estabelece modelos mais participativos, baseados na
compreensão das situações e da responsabilidade própria, promo-vendo com isso sistemas
que consigam ensinar mediante formas organizativas colaborativas e canais de comunicação
fluidos e não hierarquizados."
poderemos avaliá-la correctamente. Para isso é necessário ampliar quer as fontes de dados
quer os participantes no processo avaliativo. Têm de ser sempre considerados os diversos
interesses, pontos de vista e interpretações dos actores educativos, incluindo os alunos. Só
isso permitirá um melhor conhecimento "do comportamento escolar normalmente igno-rado
e oculto pela avaliação condicional" (Rivilla & Mata, 2002: 316). O proponente deste modelo,
McDonald, entende qualquer avaliação como um acto político que serve interes-ses e valores
de pessoas ou de grupos. Os avaliadores, bem como as suas conclusões, influenciam as
relações de poder. A avaliação democrática é um serviço de informações da comunidade sobre
o projecto em execução. O avaliador reconhece o pluralismo dos valores e favorece a
expressão de diferentes opiniões sobre os temas. As técnicas de recolha e análise de dados
devem ser acessíveis, mesmo a pessoas não especialistas. Os conceitos--chave desta avaliação
são a confidencialidade, a negociação e a acessibilidade.
O modelo da avaliação iluminativa não consiste num método de avaliação no sen-tido clássico,
mas numa "uma estratégia geral de investigação" que "combina distintas técnicas para lançar
um pouco de luz sobre o problema" (Stufflebeam- & Shinkfield, 1995: 323). Ainda segundo os
mesmos autores, a avaliação iluminativa
"tem em conta o contexto amplo em que funcionam os programas educati-vos; assim, a sua
principal preocupação é a descrição e interpretação mais do que a valoração e a previsão"
(Stufflebeam & Shinkfield, 1995: 320).
Nesta perspectiva, o avaliador deve aceitar como potencialmente relevantes todos os dados
relativos ao programa e aos seus contextos. As metas da avaliação iluminativa são as
seguintes: • estudar o programa (como opera, como influencia, vantagens e desvantagens); •
descobrir e documentar o significado da participação dos intervenientes; • discernir e
comentar as características mais significativas de inovação.
E tudo isto tendo em vista "identificar aqueles processos e aspectos do programa que podem
conseguir os resultados desejados" (Stufflebeam & Shinkfield, 1995: 320). A avaliação
iluminativa encara o programa "como parte integrante do contexto de aprendi-zagem" e por
isso utiliza com frequência a observação de aulas e as entrevistas aos pro-fessores e alunos
participantes no programa. Mas também os questionários, os testes, a análise documental, o
estudo dos antecedentes.
Baseando-se numa concepção do ensino como arte e do professor como artista, Eisner vai
afirmar que a avaliação curricular consiste sobretudo no exercício da crítica, "a partir da
Dizer que a avaliação deve ser contínua significa dizer que a avaliação deve estar presente ao
longo de todo o processo de ensino-aprendizagem, como seu elemento natural. A avaliação
contínua permite valorizar constantemente as competências e os conhecimentos
demonstrados pelo aluno ao longo do período lectivo nas mais diversas circunstâncias.
Entende-se por avaliação contínua a avaliação cumulativa, constante, e que reflecte a
permanente interacção entre docentes e alunos. Funciona prioritariamente durante o período
de aulas e incide sobre diferentes tipos de trabalhos, escritos e orais, e sobre a participação
dos alunos nas actividades lectivas. A avaliação contínua requer uma partici-pação contínua do
aluno, pelo que uma assiduidade regular é determinante para o seu aproveitamento.
Dizer que a avaliação deve ser global significa dizer que a avaliação não deve limitar-se às
aquisições específicas dos alunos (os vulgarmente chamados "conteúdos": factos, ideias,
conceitos e princípios aprendidos), mas deve ter em conta igualmente todos os outros
aspectos ou dimensões do desenvolvimento humano. Ou seja, a avaliação deve visar todos os
domínios de desenvolvimento dos alunos:
"julgar um trabalho em função das instruções dadas; julgar o nível de um aluno em relação ao
resto da turma; julgar segundo normas preestabelecidas. Estimar o nível de competência de
um aluno. Situar o aluno em relação às suas possibilida-des, em relação aos outros; situar a
produção do aluno em relação ao nível geral. Representar, por um número, o grau de sucesso
de uma produção escolar em função de critérios que variam segundo os exercícios e o nível da
turma. Determi-nar o nível de uma produção. Dar uma opinião sobre os saberes ou o saber-
fazer que um indivíduo domina; dar uma opinião respeitante ao valor de um trabalho".
Esta multidimensionalidade da avaliação não obsta a que o foco de atenção seja sem-pre o
aluno. Como nos diz Ferreira (2007: 16):
Este carácter global da avaliação educativa está de acordo com a filosofia educativa que nos
diz que a finalidade da educação é favorecer o desenvolvimento integral dos nossos alunos. Só
poderemos saber se vamos nessa direcção caso avaliemos todas as dimensões do
desenvolvimento humano e não apenas uma delas.
"a incidência que tem a avaliação e seus resultados sobre as pessoas;eas e as próprias
comunidades educativas obriga a que tenha de ser um processceso que preste especial
atenção aos seus controles internos e que responda o maisrraais ade-quadamente possível às
exigências de racionalidade, sistematicidade, contcontrole das variáveis e contraste de
resultados, etc. Em definitivo, trata-se de respoponder, também na avaliação, à expectativa de
fazer uma didáctica cada vez mais cis cientí-fica. Mas isso não é uma tarefa simples nem
tecnicamente inócua. As máxinnáximas cotas de controle científico implicam, com frequência,
altas cotas de rigidez dez e arti-ficialidade. (...) Dito em palavras muito simples: como
professores, que nos nos inte-ressa mais? Que a avaliação seja exacta ou que seja rica? A isso
se refere .ire a dia-léctica entre o rigor (exactidão) e o vigor (riqueza, penetração
informativa)" . )" .
• Lançar mão de todas as técnicas de avaliação: exames orais e escritosritos; provas objectivas
e testes; observação; entrevistas; sociogramas. Uma vez que que cada tipo de técnica se
especializa num tipo de informação e que desejamos obtenbter informa-ção acerca de
variadas dimensões, não podemos excluir nenhuma.
Só esta perspectiva integradora da avaliação pode evitar o que Zabalza (199(1992: 243)
denuncia na frase seguinte:
"Reduzir a avaliação à consideração de uma só área (o rendimento), a urras uma só técnica (os
exames), a uma só situação (a controlada), e a uma só modalidadlidade (a sumativa) não é
senão um empobrecimento da avaliação e uma perda dda, do seu sentido dentro do discurso
didáctico."
Dizer que a avaliação deve ser individualizada significa que deve basear-se use no conhe-
cimento e na análise do processo de maturação do aluno e que deve permitir adir adaptar as
estratégias pedagógicas às características de cada aluno.
Sabemos já que o que define uma boa avaliação não são apenas nem fundameatnentalmente
o método ou as técnicas e instrumentos utilizados, mas antes os pressupostos tás teóricos, o
processo de construção de conhecimentos que permite e os fins da avaliação noocno contexto
educativo. Não obstante, as técnicas são importantes e, por isso, interessa conhecdnecer as
suas características e potencialidades, de modo a poder dar-lhes um bom uso para fins edis
educativos.
Qualquer tipo de instrumento de recolha de dados para efeitos avaliativos deve ter duas
características fundamentais: a validade e a fiabilidade.
A validade diz respeito à relação entre a natureza das provas e das questões que as integram
com os objectivos traçados na planificação inicial. Uma prova é válida quando "mede o que se
pretende e não outra coisa" (Vallejo, 1979: 91). Há vários processos que podemos usar para
garantir a validade de uma prova:
— analisar se o número e qualidade das perguntas estão de acordo com a importância que,
nas aulas, o professor conferiu a cada objectivo e a cada elemento de conteúdo; — pedir
opinião a colegas; — registar as opiniões dos alunos e os comentários que fazem; — após a
correcção, fazer a análise das questões no sentido de averiguar, tendo em conta as respostas
dadas pelos alunos, até que ponto elas são válidas para medir os objectivos que se pretendia
medir.
A fiabilidade diz respeito à precisão com que uma prova mede o que pretendemos medir.
Assim, quanto maior for a sua precisão, mais fiável uma prova se torna. Há facto-res que
afectam a fiabilidade de uma prova:
i) a sua extensão — se todas as questões são de qualidade equivalente, quanto mais extensa
for uma prova, mais fiável tende a ser; ii) a subjectividade na correcção diminui a fiabilidade de
uma prova; iii) a instabilidade dos indivíduos também prejudica a fiabilidade; iv) as condições
externas no momento de realização da prova (pouca luz, cansaço do fim do dia, ruído
ambiente, etc.) contribuem igualmente para baixar o grau de fiabilidade de um teste.
Basear as provas na mais ampla amostragem possível dos objectivos e conteúdos tratados,
melhorar a qualidade das questões e proceder à correcção das provas com a maior
objectividade possível são modos de aumentar a fidelidade de uma prova ou teste.
— Escritas: provas amplas ou de ensaio; questões breves; comentários (de textos, figuras,
etc.); trabalhos ou informações sobre determinados temas.
— Orais: exames orais convencionais; debates; exposição autónoma do aluno; comentários (de
textos, figuras, etc.).
O mesmo autor salienta que, na modalidade escrita, estas provas são particularmente aptas
para avaliar aspectos como posse de vocabulário adequado, capacidade para orga-nizar a
informação, originalidade, criatividade, etc. Do mesmo modo, os exames ou pro-vas orais são
particularmente aptos para avaliar a fluidez verbal, a improvisação oral, a organização do
discurso verbal, etc. A modalidade "exercícios práticos" revela-se espe-cializada para avaliar o
manuseamento dos instrumentos, a organização do processo de elaboração, o estilo pessoal,
etc.
Na redacção das perguntas para estas provas, devem ser tidos em conta: — Os objectivos e o
tipo de processo mental que se pretende que o aluno realize: comparar, relacionar, definir,
etc. A redacção da pergunta deve ajudar o aluno na sua tarefa de seleccionar e organizar os
seus conhecimentos. — Os conteúdos. Nestas provas apenas se pode incluir um número
limitado de questões, correndo-se sempre o risco de o conjunto de questões não constituírem
uma amostra representativa dos conteúdos leccionados. Claro que estas provas são tanto mais
fiéis e válidas quanto maior for o número de perguntas e mais represen-tativas forem da
matéria leccionada. Mas como o número de perguntas não pode ser excessivo, "a exigência de
significação, relevância e adequação-subordinação dos objectivos é mais peremptória"
(Zabalza, 1992: 247). — O tempo de que o aluno dispõe para realizar a prova. Devemos ter
atenção que a pressa impede que o aluno reflicta sobre os conteúdos a seleccionar e o modo
mais lógico de organizá-los.
Para obviar aos inconvenientes e desvantagens referidos, importa ter em conta o que afirma
Fermin (citado por Zabalza), para quem um bom exame deve ter as seguintes características:
Frequentemente mal aceites, as provas objectivas são também muito utilizadas em todos os
níveis, como uma técnica adicional a outras, com as suas vantagens e inconve-nientes.
Rodríguez Diéguez (1980: 305) atribui-lhes as seguintes características: • Predeterminação de
resposta, isto é, o aluno "não elabora a resposta, mas identifica a resposta correcta de entre
uma série de respostas já elaboradas. O exercício fundamental é o de discriminação: distinguir
as proposições correctas das que o não são".
Modalidades Descrição Provas de resposta limitada Quando a questão exige do aluno apenas
uma resposta breve (podendo ser uma só palavra, número ou indicação). Provas de
completamento Quando a questão exige do aluno que preencha as lacunas ou espaços em
branco num texto. Provas de resposta em alternativa (binárias) A resposta pedida é bipolar
(verdadeiro-falso; sim-não; sempre-nunca) e excluente; Provas de escolha múltipla Cada
questão apresenta várias alternativas. O aluno tem que escolher aquela ou aquelas que
respondam ao sentido da questão, ao que se pergunta. São as mais comuns. Provas de
associação ou por pares (emparelhamento) São listas de elementos entre os quais o aluno
deve estabelecer uma determinada relação lógica por pares. A relação entre os elementos há-
de ser homogénea e constante: nomes-datas; causas-efeitos; autores-obras; processos-
produtos; etc. Provas de ordenamento Requerem que o aluno coloque em alguma ordem
específica séries de elementos que lhe são apresentados sem ordem. O critério de ordenação
indicado tem que ser objectivo (cronológico, quantitativo, etc.), não de opinião ou estimativo
(valor, importância, etc.).
Nas provas objectivas, cada item, ou questão, é composto por um enunciado-base, uma
resposta correcta e um conjunto de distractores (respostas incorrectas). Os itens ou questões
são construídos a partir de uma tabela de especificações donde constam os conteúdos
tratados e as dimensões cognitivas visadas. O uso da tabela de especifica-ções permite uma
maior validez da prova, isto é, que as questões nela incluídas sejam representativas dos
objectivos e conteúdos de aprendizagem tratados.
no que respeita à fiabilidade das provas objectivas, ela depende do número de per-guntas (um
número excessivo exige uma concentração durante um tempo exagerado) e do número de
alternativas de resposta (um número muito baixo de alternativas aumenta o risco de que o
aluno acerte por acaso).
\a correcção destas provas são tidas em conta tanto as respostas certas como as erradas.
//
se muitos alunos seleccionaram como resposta correcta um distractor, então há que repensar
na aula o conceito que esse distractor subentendia, na medida em que os alunos não terão
captado as diferenças ou matizes que o tor-nam incorrecto relativamente à base de partida".
5.3. A observação
Para avaliação das aprendizagens e pilotagem dos seus processos, é tão importante conhecer
os resultados como conhecer a forma como os alunos aprendem. Para este último objectivo, a
observação, usada diariamente, é uma estratégia fundamental, exacta-mente por se tratar de
"um processo de percepção, interpretação e registo sistemático da conduta que implica uma
tomada de decisões continuada, útil em todas as situações em que interagem alunos,
professores ou ambos entre si" (Anguera, 1991: 47).
Enquanto técnica de recolha de dados para a avaliação, a observação pode ser espon-tânea
(também designada por casual) ou sistemática. A observação espontânea ou casual consiste no
registo de factos soltos que se consideram significativos. Os relatos de ocorrências (narrações
do sucedido) e os anedotários (registo dos factos mais salien-tes surgidos na aula) são os
instrumentos desta modalidade de observação.
A observação sistemática, pelo contrário, é uma observação que obedece a um plano prévio
em que definimos com rigor o que queremos observar e é realizada através de instrumentos
criados intencionalmente para a análise e valoração dos vários aspectos do desempenho ou do
comportamento do aluno. Esta observação pode ser levada a cabo recorrendo aos seguintes
instrumentos:
uma descrição da característica possuída ou selecciona-se aquela descrição que melhor reflicta
a situação)".
• Escalas de atitudes: são questionários dirigidos à exploração das atitudes dos sujeitos. As
escalas são uma espécie de questionários mais estruturados que os habituais, para facilitarem
a análise e a interpretação das respostas. Nas escalas de atitudes, pressupõe-se que as
atitudes podem ser inferidas das opiniões expressas pelos respondentes. Podem ser tipo
Thurstone (quantificam-se as opções de respostas) ou do tipo Likert (as respostas são
estimativas ou de dife-rencial semântico: o sujeito situa-se em relação a dois pólos
contrapostos).
• Escalas de produção: são escalas utilizadas para a valoração dos produtos dos alunos por
comparação com os modelos oferecidos pela escala.
A observação como técnica ao serviço da avalaiação deve, segundo Zabalza (1992: 251),
respeitar as seguintes condições:
— Ser sistemática, isto é, ser previamente planeada nas suas linhas-mestras, de modo a evitar
a improvisação. — Ser objectiva, no sentido de fazer observações que sejam
fundamentalmente descritivas (registar o facto). Caso se torne necessário e útil fazer
interpretações, valorações ou generalizações, estas devem ser registadas separadamente. —
Ser contextuai, isto é, a observação deve incluir os elementos da situação-contexto em que os
dados observados se produzem, pois esse contexto influencia tais dados. — Ser
complementada por outras fontes: é necessário contrastar os dados obti-dos através de outros
instrumentos alternativos de recolha de dados, outros momentos observados ou outro tipo de
fontes de informação (os pais, outros professores, o próprio aluno, etc.).
Como já se afirmou em relação aos outros tipos de prova, a observação também apresenta
vantagens e inconvenientes que, a partir de Zabalza (1992: 252), se sintetizam na tabela
abaixo:
5.4. A entrevista
Ainda que seja pouco utilizada, a entrevista é uma técnica muito rica em informa-ções. De
facto, sendo o modo mais directo de obter informação, num contexto de rela-ção directa entre
avaliador e avaliado, a entrevista permite obter informação personali-zada. Morales (1981: 83)
definiu-a como um
"a entrevista adquiriu uma nova relevância e sentido como negociação de sig-nificados e
valorações nos sistemas de triangulação nos quais a avaliação deixa de ser uma prorrogativa
exclusiva do professor ou avaliador externo para nela par-ticiparem o professor, os alunos e,
sendo caso disso, o observador ou o grupo como tal, no caso de não existir observador. É,
sobretudo, relevante para avaliar questões difusas como atitudes, percepções, valorações, que
impliquem um certo nível de inferência" (Zabalza, 1992: 253).
A entrevista pode assumir várias modalidades, conforme o seu nível de estruturação e o seu
propósito ou objectivo principal. As tabelas seguintes, construídas a partir de Zabalza (1992:
252-3), dão-nos conta dessas diferentes modalidades da entrevista.
A validez da entrevista pode ser afectada por factores diversos tais, como o "desvio de
expectativa", que ocorre quando o entrevistado tende a responder de acordo com o que
supõe ser o que dele espera o entrevistador, e o "efeito de halo", que ocorre quando a
impressão geral produzida pelo entrevistado no entrevistador tende a afectar a análise que o
entrevistador faz das respostas do entrevistado.
Para terminar, e tal como fizemos em relação às restantes técnicas de avaliação, resumem-se
na tabela abaixo, construída a partir de Zabalza (1992: 254), as principais vantagens e
inconvenientes da entrevista:
os alunos isolados, qual é a coesão da turma, etc.), possibilitando-lhe que adopte as deci-sões
que lhe permitam reorganizar o grupo, favorecendo as relações sociais e reorien-tando o
processo de ensino-aprendizagem.
• Sociogramas: análise das relações intergrupais que se exprimem numa série de índices e
esquemas gráficos. Os sociogramas podem ser simples (incluem apenas escolhas e rejeições
objectivas) ou mistos (incluem escolhas e rejeições objectivas e escolhas e rejeições
percebidas). Os sociogramas são particularmente aptos para fornecer dados acerca do índice
de integração e popularidade de um aluno numa turma, do perfil de liderança e marginalidade
ou isolamento dos sujeitos e da coesão interna do grupo e relações interpessoais dos sujeitos:
subgrupos, distri-buição de papéis, etc..
• Escalas de distância social: redigem-se proposições de cinco ou seis níveis de distância social,
que vão desde a maior intimidade ("tê-lo como amigo íntimo") ao máximo afastamento ("era
bom que não estivesse nesta turma"), nos quais cada aluno situa os seus companheiros de
acordo com os seus sentimentos relativos a cada um deles.
Vantagens
Desvantagens ou inconvenientes
Ao questionar o aluno acerca de "com quem não gostarias de trabalhar?", contradiz uma
filosofia cooperativa da educação.
Ao limitar o número de escolhas e rejeições, o sociograma força uma escolha que pode ser
artificial.
As respostas não incluem outras variáveis da relação para além das de aceitação ou recusa.
Apesar da sua importância, convém não esquecermos que a escolha das técnicas e
instrumentos de avaliação deve subordinar-se a uma concepção da educação como pro-cesso
de desenvolvimento dos indivíduos. Sem dúvida que há diferentes propósitos para avaliar.
Podemos querer avaliar para:
Estes distintos propósitos do acto avaliativo mostram-nos que, tal como a educação, a
avaliação não é um processo neutro, desligado do modo como concebemos a função social da
escolaridade. E cada um dos propósitos referidos conduz a formas distintas de avaliar, bem
como determina as técnicas e instrumentos a que preferencialmente recor-remos e a
utilização que deles fazemos. E, por isso, faz sentido concluir esta explanação sobre a avaliação
educativa com a frase seguinte, de Méndez (2001: 91):
"O valor da avaliação não está no instrumento em si mas no uso que dele se faça. Mais do que
o instrumento, importa o tipo de conhecimento que se põe à prova, o tipo de perguntas que se
formulam, o tipo de qualidades (mentais ou práticas) que se exigem e as respostas que se
espera obter em função do con-teúdo das perguntas ou problemas que se formulam."
Síntese
"não é simplesmente do aluno, mas também dos objectivos propostos e dos métodos
empregados para os atingir" (Vallejo, '1979: 8).
• uma definição da avaliação como simples medida, centrada nos produtos ou resultados dos
alunos, que compara os resultados finais com as intenções ou objectivos iniciais, para
averiguar até que ponto os objectivos de um programa formativo foram atingidos;
• uma definição da avaliação que considera não apenas os produtos mas também os
processos, procurando determinar até que ponto os objectivos foram atingi-dos mas também
avaliar os processos seguidos para atingi-los, tendo em vista a sua melhoria;
• uma definição da avaliação que coloca a ênfase na interpretação dos contextos em que os
fenómenos educativos ocorrem, valorizando a auto-avaliação do aluno e os pontos de vista de
todos os protagonistas.
Reunindo os elementos válidos de todas estas definições, chegámos à conclusão de que o acto
de avaliar consiste numa sequência de operações:
(i) definir o propósito da avaliação (o quê e para quê avaliar?); (ii) recolher informações (ou
medir) através de uma técnica seleccionada; (iH) analisar as informações recolhidas
(correcção); (iv) valorar as informações recolhidas, comparando-as com um determinado refe-
rente (que pode ser normativo, criterial ou individual); (v) tomar decisões relativas ao
aperfeiçoamento do processo de ensino-aprendizagem.
Constatámos, ainda, que a avaliação tanto pode cumprir uma função muito restrita
(comprovar o que o aluno sabe) como pode desempenhar um conjunto importante de
funções. Tudo depende do modo como a avaliação se articula com o processo de ensino--
aprendizagem. Correctamente inserida nesse processo, a avaliação transforma-se num
poderoso instrumento ao serviço do progresso do aluno e da qualidade dos processos de
ensino e no verdadeiro pivot do desenvolvimento curricular.
Passámos para o estudo das mocalidades da avaliação: avaliação diagnóstica (antes do início
de uma unidade didáctica ou período escolar), avaliação formativa (durante o processo de
ensino-aprendizagem) e avaliação sumativa (no final de uma etapa formativa ou de uma
unidade didáctica).
Quanto à avaliação formativa, salientámos dever ser a modalidade de avaliação por excelência,
uma vez que, integrando-se de modo contínuo no dia-a-dia das aulas, é a única que permite
uma regulação eficaz do processo de ensino-aprendizagem. Definimos o con-ceito de
regulação como sendo "todo o acto intencional que, agindo sobre os mecanismos de
aprendizagem, contribui para a progressão e/ou redireccionamento dessa aprendiza-gem"e
salientámos que a regulação comporta dois aspectos complementares: o feedback e a
(consequente) reorientação das acções e dos processos de acção. Chamámos a aten-ção para
o facto de, para além de uma avaliação com um carácter informal (não planificada, sem
propósitos nem critérios explícitos) se poder levar a cabo nas aulas todas, ser impor-tante a
existência, com alguma regularidade, de momentos de uma avaliação formativa de natureza
sistemática e organizada, com propósitos e critérios bem claros.
Exprimindo-se de forma quantitativa (numa nota) e tendo como principal objectivo averiguar
se os resultados escolares correspondem aos objectivos iniciais, a avaliação sumativa é uma
avaliação final: trata-se de fazer o balanço dos ganhos e perdas da acção educativa.
Por último, passámos ao estudo das técnicas e instrumentos de avaliação. Alertando para o
facto de as técnicas serem meios ao serviço de uma dada concepção educativa que sobre elas
prevalece, apresentámos as duas qualidades que todas as técnicas preci-sam de ter: validade e
fiabilidade. Dizemos que uma técnica é válida quando mede o que se pretende medir e que é
fiável quando o mede com o maior grau de rigor possível.