OXOSSI: Òsóòsi Ode, òkè àró
Oriki
Ode, onija.
Sese lehin aso.
Ee kò po de.
Oju l(i) o ri egbin kò fo.
Ojo po iya má bi.
A kere togbonsinon.
Ode, kò to ku agbanli.
O si(i) di bata leri ebe.
Ode nwo mi eru nba mi.
Caçador que combate.
Osossi corre atrás do malfeitor.
Aquele a quem se prende com a corda não morre de sujeira.
Olhar uma infelicidade não estraga o olho.
Não se vomita o sofrimento.
Ele não é vigoroso, mas é inteligente.
O caçador não atira na corça morta.
Ele se senta no campo do outro.
O caçador olha-me e sinto medo.
É chamado de Olúaiyé ou Oni Aráaiyé, senhor da humanidade,
que garante a fartura para os seus descendentes.
É o orixá que está associado à abundância, à fartura e ao alimento. Mas também está
associado à cura, pois conviveu por muito tempo na floresta com Ossain (orixá das folhas)
e com ele aprendeu seus segredos para a cura de várias doenças. É irmão de Ogum e
com ele aprendeu a caçar. Também este orixá tem seu valor social, pois cada roça, cada
terreiro de candomblé que é aberto é com a licença dele, que aponta o lugar perfeito para
isso. É extremamente genioso, firme, de personalidade forte. E astucioso e capaz de
esperar uma presa por meses e atira só quando tem certeza de que vai acertar. Possui
uma grande beleza física, e veloz e usa trajes finos.
Provérbios
1. Aquele a quem se prende com a corda não morre de sujeira.
2. Olhar uma infelicidade não estraga o olho.
3. Não se vomita o sofrimento.
4. Quando ele dá as costas assemelha-se ainda mais ao nevoeiro.
5. Pequeno ou não, um caçador e mais forte do que um simples individuo.
Deus dos caçadores, irmão de Ogun, representando a fartura. Tornou-se um Orixá
popular, por aventurar-se pelas matas para descobrir novos caminhos para
acampamentos, o que deu origem a várias cidades. Apresenta esse Orixá também um
lado alquímico, pois conta a lenda que Oxossi por viver grande parte do tempo na
mata, aprendeu com Ossanhe, divindade das folhas, a utilidade e a aplicação de cada
essaba.
Oxossi, rei de Ketu, meu pai e pai de mestre Caribé, de Genaro de Carvalho e de
Camafeu de Oxossi, é São Jorge matando o dragão. Deus da caça, das úmidas
florestas, com o ofá (arco e flecha), abate os javalis, as feras, é o invencível caçador.
Rei Oxossi, senhor do Ketu, rodeado de animais, usa capanga e chapéu de couro.
Carne de porco, eis a sua comida preferida. Gosta também de bode e galo mas não
tolera feijão branco. Come ainda ojojó, milho cozido com pedaços de coco. Dança
com ofá e erukerê feito com rabo de boi. Sua palavra de saudação é Okê. Existem
várias qualidades de Oxossi: Otin, Inlé e Ibualama. Orixá poderoso, encantado do
maior respeito, suas festas são de grande beleza e opulência. Uma delas, a das
Quartinhas de Oxossi, no candomblé do Gantois, onde reina a veneranda Mãe
Menininha, é inesquecível espetáculo.
Ibualama ou Inlé é uma qualidade de Oxossi, marido de Oxum. Como os demais
Oxossis é caçador, rei de Ketu, usa ofá (arco e flexa) e chapéu de couro. Come tudo
que é caça e seu dia é [Link] Oxossi azul, Otin! Usa capanga e lança. Vive
no mato a caçar. Come toda espécie de caça mas gosta muito de búfalo.
PERSONALIDADE: Audacioso, exibicionista, cheios de iniciativa, espertos,
rápidos, estão sempre alertas, hospitaleiros, generosos, temperamentais, orgulhosos,
irrequietos, possuem senso coletivo, senso de responsabilidade e mudam de opinião
facilmente.
ARQUÉTIPO Seus filhos são lutadores, obstinados e não desistem de seus objetivos
por nada. De fortes ligações místicas são capazes até de adquirir poderes
sobrenaturais. Acima de tudo, possuem uma alegria contagiante e uma agitação
inevitável.O arquétipo de Oxóssi é o das pessoas espertas, rápidas, sempre alerta e
em movimento. São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas
descobertas ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados
para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam
muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento,
algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.
Cabe acrescentar ainda, que Oxossi está associado ao frio, à noite e a Lua.
Relaciona-se com os animais cujo grito imita a perfeição. Assim é Oxossi, valente e
ágil.
SÍMBOLOS: Ofá, Ode Mata, Irukèrè, Oge (2), Apo (capanga).
PAÓ: 3 batidas de palmas, bem espaçadas e levantando-se a cada vez, as mãos
fechadas adiante e para cima, lentamente. Em seguida, 7 lentas na frente e as três de
reverência, ainda mais lentas, em seguida do adobale.
COR: azul e verde (azul pela relação com o ar - no lançamento das flechas - e verde
pelas matas), branco (às vezes).
ELEMENTO: ar e terra
NÚMERO: 3
COMIDA: ewa (feijão fradinho torrado) dentro de um oberó (panela de barro –
alguidá), axoxó (milho vermelho com fatias de coco) e frutas variadas.
SAUDAÇÂO: “Okê Oxossi! Okê aro ode! Ode kokê maior!”.
FILIAÇÂO: Aparáoká
DIA: Quinta-feira
METAL: bronze, metal amarelo, estanho (às vezes).
OXÓSSI (oxo: "caçador; ossi: "noturno")Oxóssi, deus dos caçadores teria sido o
irmão caçula ou o filho de Ogun , é o orixá da caça, chamado muitas vezes de Odé
Wawá, ou seja, "Caçador dos Céus". É a divindade da fartura, da abundância, da
prosperidade, Em seu lado negativo, porém, pode ser também o pai da míngua, da
falta de provisão.
Oxóssi, é filho de Iemanjá com Orunmilá. É divinização da floresta, reinando sobre
o verde, sobre os animais selvagens, dos quais é considerado o dono e dos quais tem
todas as virtudes. Oxossi é sagaz como o leopardo, forte como o leão, leve como um
pássaro, silencioso como um tigre, observador como a coruja, sabe se esconder
como um tatu, é vaidoso como o pavão, corre como os coelhos, sobe em árvores
como macaco, conhece os animais profundamente e com eles partilha o
conhecimento da [Link] os mitos que aprendeu a caçar com seu irmão
Ogun, quando este lhe deu as pontas de flechas e, mais tarde, a espingarda. A
essência de Oxossi é "atingir um objetivo". Fixar um alvo e atingi-lo. Alimentar a
família. Oxossi sempre foi o responsável por alimentar a família. É considerado o
orixá que dá de comer às pessoas, pois sob seus domínios estão os animais e os
vegetais. Assim, invoca-se a energia de Oxóssi quando se quer encontrar algo ou
atingir algum objetivo e para prover sustento (moral ou físico) durante as jornadas.
No limite, é Oxossi o patrono da natureza, enquanto Ogun é a cultura. Como sempre
foi muito observador aprendeu também os mistérios e poderes das plantas com
Ossain, orixá dono dos poderes de cura das folhas, que certa vez o enfeitiçou,
levando-o para o fundo da floresta a fim de ter companhia. Iemanjá, sua ciumenta
mãe, enfurecendo-se, mandou que Ogun fosse buscar seu irmão na floresta e o
arrancasse dos feitiços de [Link]-se Oxossi, portanto, quando se quer
encontrar remédios para certos males, embora seja necessário pedir a Ossain que o
remédio faça efeito. Ogun assim o fez, mas como Oxóssi relutasse em voltar ao lar,
e ao voltar desfeiteasse sua mãe, esta o proibiu de viver dentro da casa, deixando-o
ao relento. Como havia prometido ao irmão ser sempre seu companheiro, Ogun foi
viver também do lado de fora de [Link]óssi tornou-se o melhor dos caçadores e diz
o mito que foi ele quem livrou Araketu, sua cidade, de um grande feitiço das
perigosíssimas ajés (feiticeiras africanas) Iyami Oshorongá, que se transformam em
pássaros e atacam as pessoas e cidades com doenças e misé[Link] uma destas
feiticeiras pousado sobre o palácio do rei de Ketu, e os demais caçadores do reino
perdido todas as suas flechas tentando matá-la, Oxóssi, com apenas uma, deu cabo
do perigoso pássaro, tendo sido conclamado o rei de Ketu. Pede-se a Oxóssi,
portanto, que destrua feitiços ou energias malé[Link] dia, enquanto caçava
elefantes para retirar-lhes as presas, Oxóssi encontrou e apaixonou-se por Oxum, a
deusa das águas doces e do ouro que repousa em seus leitos e com ela teve um filho,
Logun- Edé. Filho da floresta com as águas dos rios, Logun-Edé é considerado o
orixá da fartura e da riqueza que ambos os domínios apresentam e dos quais
compartilha. Mais adiante eu falo sobre Logun-Edé.
A seguir citaremos outras importâncias, isto é, atribuições de Oxóssi:suas principais
características são a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para faturar sua
caça. É um orixá de contemplação, amante das artes e das coisas [Link] todos
os orixás, Oxóssi também está no dia-a-dia dos seres vivos, convivendo intimamente
com todos nós. Dentro do Culto, ele é o caçador do Axé, aquele que busca as coisas
boas para uma Casa de Santo, aquele que caça as boas influências e as energias
[Link] dia-a-dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim em
todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura,
permitindo bom plantio e boa colheita para todos.O culto a esse orixá é bastante
difundido no Brasil, mas pouco lembrado na Nigéria, o que se deve ao fato de
Oxóssi ter sido cultuado basicamente em Keto (terra dos panos vermelhos), onde foi
consagrado como rei. No século XIX, devido ao tráfico negreiro, a cidade foi
praticamente destruída pelos ataques das tropas do rei Daomé. Os filhos consagrados
a Oxóssi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba. É o orixá que
cultua o próprio individualismo, tendo determinação para qualquer combate. Outros
deuses da caça: Oriluerê, Erinlé, Ibualama, Logun Edé.
Oxóssi – Odé, está ligado à terra virgem. Possui muita importância em Kétu, torna-
se Alákétu (rei do Kétu). É àxèxè (princípio dos princípios) dos descendentes de
Ké[Link] Oge (chifres de touro) fazem a comunicação entre o Aiyé e Orún,
chamados de: Olugboohun – o senhor escuta a minha voz.
Oxóssi é um caçador nato, irmão mais novo de Ogun e protetor dos caçadores e
policiais de toda ordem. Empunha um arco e flecha de ferro e sua cor é o azul
celeste claro.
Mitologicamente Oxossi é filho de Oxalá e Yemanjá , embora esta versão coexista
com outra menos conhecida, que diz que o Deus da Caça é filho de Apáokà
(Jaqueira).Oxossi, caçador de elefantes, animal associado à realeza e aos
antepassados, vive na floresta, onde moram os espíritos e está relacionado com
árvores também.
Oxossi usa Irukèrè, uma espécie de chicote, feito com pelos do rabo do touro, cujo
objetivo maior é dominar os espíritos da floresta, pois o rabo do animal fica voltado
para traz, ou seja, para o passado e para os espíritos dos mortos. O Irukèrè também
serve para espantar os mosquitos e sobretudo as abelhas — mensageiras de Oxossi,
que deixam o seu mel aos pés de Iroko ou de Apáoká — a verdadeira mãe de
Oxossi, a que lhe deu o tesouro, que nada mais é do que o mel alimento real e o Àsé
principal das divindades femininas. As abelhas representam os espíritos de
antepassados femininos que povoavam a floresta.
Uma das qualidades de Oxossi se identifica com a pantera – é o terrível Ode.
Oxossi conhece a natureza, as plantas, as quais estão associadas à qualidade de Ode
Ose Ewe e está ligado ao frio, à noite e a lua. Inclusive vários oriki de Oxossi
confirmam esta associação.
Oxossi é o único Orixá que entra na mata da morte, joga sobre si um pó sagrado,
avermelhado, chamado AROLÉ, que passou a ser um de seus dotes. Este pó o torna
imune à morte e aos EGUNS.
ORÔ DE OXOSSI
Omo – Ode – Lailai
Omo – Ode – Kosajô
Abaderoco Koisô
Omo – Ode – Kosajô
QUALIDADES
1. AKUERAN: Velho, come carne crua, culto realizado na madrugada. Tem
fundamento com Oxumarè e Osónyín. Muitas de suas comidas são oferecidas
cruas. Ele é o dono da fartura, ele mora nas profundezas das matas. Veste-se
de azul claro e tiras vermelhas, suas contas são azul claro. Seus bichos são:
papagaio e arara, tira-se as penas e solta-se o bicho.
2. DANA DANA: Velho, irmão de Ògún, tem fundamento com Exu, Osónyín,
Oxumarè, Oya e Obaluaê/Omulú. É ele o orixá que entra na mata da morte e
sai sem temer EGUN e a própria morte. Veste azul claro.
3. OTIN: Conhecido como Babá Otin – Oxossi menino, capanga de coelho,
veste azul claro e o vermelho, contas azuis, leva capangas, roupas de couro de
leopardo e bode, e chapéu de plumas brancas. Usa uma lança. Guerreiro e
muito parecido com o irmão Ògún, vive na companhia dele, caçando e
lutando, é muito manhoso e não tem caráter fácil, muito valente, estando
sempre pronto a sacar sua arma quando provocado. Não leva desaforo e
castiga seus filhos quando desobedecido. Tem que se dar comida a Ògún.
4. ODEMIRA: Acompanha Yemanjá, cultuado apenas no Axé Opo Afonjá.
5. OKOLO: Velho, é Ossaiyn que traz esta qualidade no barracão.
6. ORIEJE: Veste verde, é assentado na floresta.
7. OSONGBO: Vem ao barracão com uma flauta de osso, cultua egungun.
8. ORUMINA: É do mato, aprecia animais selvagens.
9. GENDEPE: É do mato, violento.
10. ONIPABO: Violento, acompanha Ògún, veste-se de azul, verde e vermelho.
11. ODOOKE: Vive nos montes, Oxum do lado, come bode castrado.
12. ÀROLÉ: Deus da caça, veste-se de peles de animais, usa polvari, come carne
crua, usa duas capangas, debaixo do assentamento tem uma estrela. É
invocado no padê de Exu. É o verdadeiro rei de Ketu, as pessoas dele são
muito antipáticas, jovem e romântico, gosta de namorar; vive mirando-se nas
águas, apreciandosua beleza. Come com Ògún e Oxum, aprecia carne de
veado e é ágil na arte de caçar. Veste azul claro.
13. ODE OSE EWE OU YBO: É o senhor da floresta, ligado as folhas e a
Osonyín, com quem vive nas matas. Veste azul claro e usa capacete quase
tampando o seu rosto.
14. I GBO: Velho, Cultuado em Lobu. Mania de perfeição.
15. YBUALAMO: É velho e caçador. Come nas águas mais profundas. Conta
um mito que Ybualamo é o verdadeiro pai de Logunedé. Apaixonado por
Oxum e vendo-a no fundo do rio, ele atirou-se nas águas mais profunda em
busca de seu amor. Sua vestimenta é azul celeste, como suas contas. Come
com Omolú Azoani, usa um capacete feito de palha da costa e um saiote de
palha.
16. INLÉ OU ERINLÈ ou ainda AGE: É o filho querido de Oxaguian e Yemanjá.
Veste-se de branco em homenagem a seu pai. Usa chapéu com palmas
brancas e azuis claro. É tão amado que Oxaguian usa em suas contas uma
azul claro de seu filho. Come com seu pai e sua mãe (todos os bichos) e tem
fundamento com Ogún Já.
17. KOIFÉ: Não se faz no Brasil e na África, pois, muitos de seus fundamentos
estão extintos. Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o
banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança.
Come com Osónyín e vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Suas
contas são azuis clara, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe
cobre todo o rosto. Assenta-se Koifé e faz-se Ybo, Ynlé ou Oxum Karé; trinta
dias após, faz-se toda a matança.
18. ODÉ KARE: É ligado as águas e a Oxum, porém os dois não se dão bem,
pois, exercem as mesmas forças e funções. Come com Oxum e Oxalá. Usa
azul e um Banté dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom
caçador, mora sempre perto das fontes.
19. ODÉ WAWA: Vem da origem dos Orixás caçadores. Veste-se de azul e
branco, usa arco e flecha e os chifres do touro selvagem. Come com Oxalá e
Sangó, pois, dizem que ele fez sua morada debaixo da gameleira. Está
extinto, assenta-se ele e faz-se Ayrá ou Oxum Karé.
20. ODÉ WALÈ: É velho e usa contas azuis escuro. É considerado como rei na
África, pois, seu culto é ligado diretamente à pantera, é muito severo, austero,
solteirão e não gosta das mulheres, pois, as acha chatas, falam demais, são
vaidosas e fracas. Come com Exu e Ogún.
21. ORÈ OU ORÈLÚÉRÉ
22. FAYEMI
23. APALA
24. ONDUN
25. ASUNARA
26. AGBANDADA
27. OWALA
28. KUSI
29. IBUANUN
30. OLUMEYE
31. AKANBI
32. ALAPADE
33. MUTALAMBO - Tem fundamento com Exu.
34. GONGOBILA - É um Oxóssi jovem. Tem fundamento com Oxalá e Oxum
35.
Táfà-Táfà – O caçador arqueiro, aquele que exímio atirador de flechas, é predicado que se diz de
Òsóòsì.
Tokuerán - O caçador é quem mata a caça, diz-se da atuação do caçador.
Otokán Sósó – Embora muitas vezes seja citado como uma qualidade, não é qualidade, é um
oríkì que significa o caçador que só tem uma flecha. Ele não precisa de mais nenhuma flecha
porque jamais erra o alvo.
Título que Oxóssi recebeu ao matar o pássaro de Ìyámi Eléye. Não fazendo parte do rol dos
caçadores que possuíam várias flechas, Oxóssi era aquele que só tinha uma flecha. Os demais
erraram o alvo tantas vezes quantas flechas possuíam, mas, Oxóssi com apenas uma flecha foi o
único que acertou o pássaro de Ìyámi, ferindo-o com um tiro certeiro no peito.
Por essa razão é que ele não recebe mel, pois o mel é um dos elementos fabricado pelas abelhas,
que são tidas como animais pertencentes a Oxum, mas, também às Ìyámi Eléye.
Então, é èèwò (proibição) para Oxóssi. Por essa razão também, é que se dá para Oxóssi o peito
inteiro das aves, como reminiscência desse ìtàn.
DATA: Corpus Christi (BA), 23 de abril (SP), 20 de janeiro (RJ).
FRUTAS: coco, goiaba, manga rosa, pitanga, jabuticaba, espiga de milho, graviola,
mamão e limão.
FOLHAS:
JaborandiSão Gonçalinho Espinho cheiroso Alecrim do campo Maminha de vaca
Abre caminho Alfavaca
Bredo de santo Antonio Erva curraleira Groselha (folhas) Pitanga
Rabo de tatu Patchulim (folhas) Língua de vaca
Capim cabeludo Lágrimas de N. Sra. Dandá da Costa Arueira
Carrapicho Caiçara Nenúfar/Golfo
SaiãoIngáAcácia jurema
Folha do fogo Capeba Jarrinha
Oripepe Peregun Alecrim caboclo
BEBIDAS: água de coco, aluá, água de coco com açúcar mascavo, água com açúcar
mascavo e melaço.
ILEKÉ: nas mesmas cores.
PARTE DO CORPO: antebraço, braço, cabelo do corpo e pulmão.
SACERDOTE: Odesi
CARGOS: qualquer, inclusive Ojé.
ESSABAS DE OXOSSI:
Folha de IrôkoCanela de macacoTaiobaRama-de-leiteErva-tostãoCipó-chumbo
Aroeira brancaPeregunErva pombinho (quebra-pedra) Pega-pintoAlecrim do campo
Bredo sem espinho – Teté
Alfavaquinha – Orim-rim Folha da costa – Odún-dun Jarrinha – JacomijéDandá do
brejo – Irekê-omin Espada de Ogun – Junçá Folha de loko – Iróko
Folha de dendezeiro – Mariwô Capim cabeludo – Irum-perlêmin AkokoCana-fita –
Fitiba
Parietária – Monan
QUALIDADES DE ODÉ:
ODE
ALFAVACA; ABRE CAMINHO; ACÁCIA; FUREMA; ALFAVAQUINHA; AL
CAMPO; ALECRIM; ARASSA DE COROA; ARASSA DO CAMPO; BREDO S
CAIÇARA; CABELO DE MILHO; CAPEBA; CIPÓ CABOCLO; CAPIM LIMÃ
CURRALEIRA; COQUEIRO DE IRI; ERVA DE PASSARINHO; GOIABEIRA;
GUINÉ; HISSOPO; INGAZEIRO; MALVA DO CAMPO; JACATIRÃO; LÍNGU
PITANGATUBA; PARIPAROBA; NICURIZEIRO; PEREGUN; PITANGUEIRA
JURUBEBA; MILHO; SAIÃO; SÃO GONÇALINHO; MURICI; FOLHA DE BI
ALECRIM DO CAMPO; ARAÇA.
Locais de maior vibração - mata fechada
As cores e flores que são regidas: Vermelha ( Palmas)
As bebidas que são regidas: Vinho Moscatel
Frutos e Frutas - Todas as frutas e frutos.
Algumas das comidas mais comuns oferecidas: Canjiquinha de milho vermelho,
com pedaços pequenos de coco regado com mel.
Mencionaremos aqui as ervas mais conhecidas no Rio de Janeiro: Jurema, Alfavaca,
Jureminha, Peregum verde, Cana de Brejo, Caiçara, Eucalipto
Os Orixás normalmente trazem em seus filhos suas características físicas e de
caráter. Assim podemos dizer que os filhos são pessoas leves, inquietas, interessam-
se por tudo, pouco perseverantes, instáveis em suas afeições, facilmente
sugestionados.
Os Orixás têm suas preferências também quanto aos metais. - O ferro
Calendário Festivo da Umbanda - 20 de janeiro.
LENDA 1:
Oxossi é irmão de Ogun. Ogun resolveu ensinar a arte de caçar à Ibô, Como era
conhecido Oxossi.
Oxalá precisou da pena de uma determinada ave e recomendou os serviços de Ogun.
Ogun não conseguiu e indicou o nome de Ibô para assumir o serviço, dizendo à
Oxalá que ele era o melhor caçador do mundo. Assim Ibô seguiu viagem, foi para a
floresta e com apenas uma flecha conseguiu matar a ave e retirar a pena que Oxalá
precisava. Só que na saída da floresta foi atacado por vários animais ferozes,
conseguindo escapar com vida, carregando a pena.
Andou vários dias se arrastando pelo chão. Conseguindo chegar ao reino de Oxalá
não atravessou os portões por estar quase morto. Ogun o encontrou e o levou até
Oxalá.
Desconsertado Ibô desculpou-se com Oxalá pelo atraso porém, Oxalá o saudou
dando à ele um novo nome: OXOSSI – Senhor da Caça.
LENDA 2
Na cidade de Ifé, realizavam-se festividades e rituais por ocasião das colheitas. Os
sacerdotes da aldeia, fugindo aos seus costumes, não realizavam as oferendas
obrigatórias para três das maiores bruxas conhecidas: as Iyami Oxorongás. Esse ato
imperdoável precisava de uma boa punição. Foi assim que elas enviaram um enorme
pássaro para assombrar aquela aldeia.
A ave ficou pousada no telhado do palácio, de onde podia avistar toda a cidade.
Um clima de medo e mau agouro espalhou-se entre os moradores, que não sabiam o
que fazer para acabar com aquele terrível monstro.
Oferendas foram realizadas para as Oxorongás, mas sem resultado. Era tarde demais
para isso.
Foi então que alguns caçadores se apresentaram para matar o pássaro das bruxas,
mas foram todos derrotados. O último caçador possuía apenas uma flecha, e era a
última esperança de livrar a aldeia da morte. Esse caçador era Odé.
Sua mãe, que estava longe daquele lugar, teve um mau presságio com relação a ele.
Consultando um babalawô, teve a confirmação do que já sabia: seu filho corria
grande perigo.
Foram necessárias muitas oferendas para que a missão de Odé fosse executada com
perfeição e, graças a isso, Odé pode matar o pássaro com sua única flecha, livrando
sua aldeia da aniquilação. Desde então, vem sendo venerado por esse povo.
Variante
Uma lenda explica com surgiu o nome Æ«ææsì, derivado de Æ«æwusì (“ o guarda
noturno é popular”):
“ Ælæfin Odùduà, rei de Ifé, celebrava a festa dos novos inhames, um ritual indispensável
no inicio da colheita, antes do quê, ninguém podia comer desses inhames. Chegado o dia,
uma grande multidão reuniu-se no pátio do palácio real. Ælæfin estava sentado em
grande estilo, magnificamente vestido, cercado de suas mulheres e de seus ministros,
enquanto os escravos o abanavam e espantavam as moscas, os tambores batiam e
louvores eram entoados para saudá-lo. As pessoas reunidas conversavam e festejavam
alegremente, comendo dos novos inhames e bebendo vinho de palma.
Subitamente um pássaro gigantesco voou sobre a festa, vindo pousar sobre o teto do
prédio central do palácio. Esse pássaro malvado fora enviado pelas feiticeiras, as Ìyámi
Ò«òròngà, chamadas também as ¿l÷y÷, isto é, as proprietárias dos pássaros, pois elas
utilizam-nos para realizar seus nefastos trabalhos. A confusão e o desespero tomam
conta da multidão. Decidiram, então, trazer sucessivamente Oxotogun, o caçador das
vinte flechas, de Ido; Oxotogí, o caçador das quarenta flechas, de Moré; Oxotadotá, o
caçador das cinquenta flechas, de Ilarê, e finalmente Oxotokanxoxô, o caçador de uma só
flecha, de Iremã. Os três primeiros muitos seguro de si e uns tanto fanfarrões,
fracassaram em suas tentativas de atingir o pássaro, apesar do tamanho deste e da
habilidade dos atiradores. Chegada a vez de Oxotokanxoxô, filho único, sua mãe foi
rapidamente consultar um babalaô que lhe declarou: “ Seu filho está a um passo da morte
ou da riqueza. Faça uma oferenda e a morte tornar-se-á riqueza”. Ela foi colocar na
estrada uma galinha, que havia sacrificado, abrindo-lhe o peito, como deveriam ser feitas
as oferendas às feiticeiras, e dizendo três vezes: “ Quero o peito do pássaro receba esta
oferenda”. Foi no momento preciso que seu filho lançava sua única flecha. O pássaro
relaxou o encanto que o protegia, para que a oferenda chegasse ao seu peito, mas foi a
flecha de Oxotokanxoxô que o atingiu profundamente. O pássaro caiu pesadamente, se
debateu e morreu.
Todo mundo começou a dançar e cantar: “ Oxó () é popular! Oxó é popular! Oxowussi
(wusì)! Oxowussi!! Oxowussi!!”
Com o tempo Æ«æwusì transformou-se em Æ«æsì.
Lenda 3
Oxossi era irmão de Ògún e de Exu, todos três filhos de Iemanjá. Exu era indisciplinado e insolente
com sua mãe, por isso ela o mandou embora. Os outros dois filhos que possuíam uma condutaa
disciplinada, continuavam ao lado de sua mãe, Ògún trabalhava no campo; enquanto Oxossi,
ensinado, ensinado por Ògún, tornara-se um grande caçador, abastecendo sua casa, de forma farta,
não apenas de caça, mas também de produtos agrícolas.
Sua mãe andava inquieta e resolveu consultar um babalaô. Este lhe disse que deveria proibeir
Oxossi de ir caçar, pois arriscava-se a encontrar Ossain aquele que detém o poder das plantas, e que
vivia nas profundezas da floresta. Oxossi ficaria exposto a um feitiço de Ossain para obrigea-lo a
permanecer em sua companhia. Iemanjá exigiu então que seu filho Oxossi renunciasse a suas
atividades de caça, o que não aconteceu; e como sempre faziam Oxossi e seus amigos, dirigiram-se
para a floresta e, lá chegando diante de uma árvore (iroko), separam-se e prosseguiram
isoladamente, devendo encontrarem-se ali no final da caçada.
Final da tarde, todos se reuniram no ponto marcado, mas Oxossi, dele nem sinal. Chamaram,
gritaram exaustivamente e Oxossi não respondia. Ele havia encontrado Ossain e este dera-lhe para
beber uma porção onde foram maceradas folhas, como amúnimúyè, cujo nome significa “apossa-se
da pessoa e de sua inteligência”. Oxossi sem memória passou a morar com Ossain, concretizando
assim a previsão do babalaô.
Ògún, inconformado com a ausência do irmão, partiu a sua procura, encontrando-o nas profundezas
da floresta, ele o trouxe de volta, mas Iemanjá não mais quis saber do filho e Ògún, revoltando-se
desta vez com a atitude da mãe, ganhou o mundo, não mais querendo compartilhar da casa com sua
mãe, enquanto Oxossi retornou para a companhia de Ossain. Iemanjá, desesperada por ter perdido
todos os seus filhos, chorou tanto que de suas lágrimas nasceu o rio Ògún.
LENDA 4
Conta-se que um grande caçador entrou na mata com seu filho Logunedé,
ensinando- lhe a arte de caçar e manejar o arco e a flecha, após inúmeras caçadas,
Logun sentou-se embaixo de uma árvore para descansar. Nessa árvore pousou um
pássaro e Oxóssi preparou sua arma e atirou. Acertou em cheio o pássaro e, também,
uma colmeia de abelhas. Elas foram cair justamente sobre a cabeça de Logunedé,
que sem ter como se defender foi picado. Oxossi vendo o desespero do filho, correu
a acudi-lo, sendo mordido várias vezes. Conseguindo fugir, deitou seu filho em
folhas frescas e, sem saber o que fazer, pôs-se a chorar. Eis que o Orixá Omolú
vendo aquilo, parou e apiedou-se do estado de Logunedé, pois, a criança estava
morrendo. Omulú tirou de sua capanga água de cana e gengibre, pilou e aplicou
sobre os ferimentos, aliviando as dores. Após isto, fez o mesmo com Oxossi,
curando-o completamente.
Oxossi então disse-lhe: Senhor dos aflitos, ponho o meu reino a seus pés e toda a
minha caça que daqui por diante eu consegui, comeremos juntos. Omulú agradeceu
e seguiu seu caminho. Então Oxossi jurou que nunca mais comeria o mel, pois, o
mel o faria lembrar todo o sofrimento seu e de seu filho. Por isso Oxossi não leva
mel e Logunedé é levado com açúcar mascavo e gengibre. Toda pessoa de Logun
tem que assentar Azoani. Tem que ter um pedaço de colméia para quando Logun
chegar, depois enrola-se num murim e joga-se no rio. Também é proibido aos filhos
de Logun comerem palmito, fígado de boi e caças.
Lenda 5
Oxóssi era irmão de Ogum. E Ogum tinha pelo irmão um afeto especial. Num certo dia em
que voltava da batalha, Ogum encontrou o irmão temeroso e sem reação, cercado de
inimigos que já tinham destruído quase toda a aldeia e que estavam prestes a atingir sua
família e tomar suas terras. Ogum vinha cansado de outra guerra, mas ficou irado e
sedento de vingança. Procurou dentro de si mais forças para continuar lutando e partiu
na direção dos inimigos. Com sua espada de ferro pelejou até o amanhecer.
Quando por fim venceu os invasores, sentou-se com o irmão e o tranquilizou com sua
proteção. Sempre que houvesse necessidade ele iria até seu encontro para auxiliá-lo.
Ogum então ensinou Oxóssi a caçar, a abrir caminhos pela floresta e matas cerradas.
Oxóssi aprendeu com o irmão a nobre arte da caça, sem a qual a vida é muito mais difícil.
Ogum ensinou Oxóssi a se defender por si próprio e também ensinou Oxóssi a cuidar da
sua gente.
Agora, Ogum podia voltar tranquilo para a guerra. Ogum fez de Oxóssi o provedor. Ogum
segue sendo o grande guerreiro dentre os Orixás e Oxóssi tornou-se o mais exímio
caçador do panteão dos Orixás
Lenda 6
Oxóssi estava indo para uma caçada buscar comida para sua gente quando avistou Oxum
nas águas doces. Ele encantou-se imediatamente com sua beleza, com seu
deslumbramento nas águas cintilantes. Oxóssi entrou no rio para alcançar a Orixá e lá
ficou de amores com Oxum, esquecendo-se da fome de sua tribo.
Seus companheiros sentiram-se traídos e começaram a atirar flechas em Oxóssi.
Oxum, que já estava enamorada de Oxóssi, começou a entoar uma cantiga de
encantamento para defendê-lo das mortíferas flechadas:
“A ti re Okê. Ate re nu balé ba re iô”.
Dos perseguidores tiveram que fugir e Oxum guiou Oxóssi na fuga.
Encontraram refúgio na cidade de Keto, onde Oxum deu a Oxóssi o posto de Rei, o
Alaketo. Assim, Oxóssi, o caçador, tornou-se, também, rei de Keto.
Fonte: Mitologia dos Orixás, Reginaldo Prandi, Companhia das Letras
Lenda 7
Diz um mito que Oxossi encontrou Iansã na floresta, sob a forma de um grande elefante,
que se transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos filhos que são abandonados e
criados por Oxum.
ODÉ, O DONO DA CARNE.
Por Vilson Caetano
Jr. | Antropólogo
Conta-se que as primeiras civilizações foram lideradas por caçadores e caçadoras. Em busca
de comida este homens e mulheres saíram do Continente Africano e seguiram em direção à
Ásia, ao Oriente Médio e a Austrália. Depois foram a Europa e finalmente chegaram à América
do Sul. Estas comunidades desde cedo aprenderam a observar a natureza, a marcar as
estações, acompanhar as fases da lua e de outros astros. Havia caçadores de todos os tipos.
Uns conheciam bem o caminho por terra e outros conheciam pelo mar, sobre as placas de
gelo.
Se diz nos terreiros de candomblé de tradição jeje-nagô que Oxossi é Odé, literalmente
caçador. Na verdade, Odé a exemplo de outros conceitos que remetem aos primórdios da
humanidade, diz respeito a um conjunto de famílias agrupadas em torno dessa figura que
reunia em si, múltiplas funções. O caçador cumpria dentro do seu grupo funções políticas,
econômicas, sociais, culturais e religiosas. Politicamente, o caçador era o chefe, ou a chefe.
Eles lideravam o grupo, orientando-o por ocasião das decisões e o representava. Eles
percorriam todas as partes da terra e conduziam com segurança as famílias que lhes
acompanhavam. Cabia também ao caçador estabelecer relações de troca, fortalecendo cada
vez mais o grupo. Além disso, o caçador mantinha a coesão do mesmo e fazia as mediações
entre a comunidade que liderava e outras encontradas ao longo das caminhadas.
Por fim, os caçadores eram verdadeiros médicos. Eles se situavam entre a fronteira da vida e
da morte, assim eles tinham o poder de transitar entre estes dois mundos. É pois esta
memória que as comunidades terreiros guardam em torno da figura de Odé que não
necessariamente diz respeito ao orixá Oxossi. Fato é que tal ancestral ganhou popularidade
no Brasil graças a presença significativa de africanos provenientes do reino de Ketu a partir do
final do século XVIII, ocasião em que estes povos foram devastados por seus vizinhos
daomeanos e enviados como escravos para o Brasil. Na cidade de Salvador, a história do
Terreiro Ile Mariolage da saudosa Olga do Alaketu, confunde-se com a história da vinda
forçada desses grupos. Sua mãe seria descendente da princesa africana Otampé Ojarô
chegada escrava para o Brasil e aqui libertada.
Oxossi é a origem do povo de ketu. Ele é o verdadeiro Araketu. Ara significa corpo, mas pode
também significar sombra. A palavra ainda pode ser utilizada para evocar uma longa
descendência, o povo. O povo de ketu. Assim se afirma que todos somos de Oxossi.
Oxossi é a terra virgem e não o mundo vegetal como se tem afirmado nos últimos anos. Na
verdade, Oxossi é todas as terras. As que foram pisadas, as que estão ainda cobertas e
também daquelas que nunca pisaremos. Por isso esse ancestral foi associado desde cedo ao
corpo. Odé é o dono do corpo. É o dono da carne. Ele é a carne que reveste os nossos ossos.
Assim esta explicada a expressão: todos somos de Odé. Ele é o principio, se não de todas as
comunidades, ao menos daquelas saídas da cidade de Ketu ou do buraco de dentro do fundo
de um rio chamado Ibualama.
Há um mito que diz que os primeiros povos saíram desse buraco e ganharam todas as
direções do mundo. Num dois rituais mais complexos reelaborados no Brasil pelas religiões de
matriz africana, o axexê, festa organizada na ocasião em que uma pessoa iniciada parte para
o mundo dos antepassados, se rememora algumas dessas histórias e canta-se: “ ode arole lo
bi ewa” "nascemos e voltamos para o caçador."
Desta maneira, Ode acompanha todas as etapas da vida, pois ele significa o eterno
nascimento e renascimento.
Talvez por este motivo, desde cedo se associou esse principio ancestral a natureza, local do
qual os primeiros grupos humanos tiraram a ideia de que tudo é cíclico e por isso retorna.
Assim nos terreiros, Oxossi aparece liderando outros caçadores, ao lado do Orixá Ogun, o
caçador que manipulou o fogo, trazendo-o para casa e fundindo o ferro, Exu, o caçador que
organizou a linguagem, tornando-se principio de comunicação e Ossain, também outro
andarilho que elaborou o complexo sistema de classificação dos vegetais, atribuindo-lhes
funções.
Na mitologia afro-brasileira, Oxossi aparece como filho de Yemanjá. Ele teria abandonado sua
mãe e partido pelo mundo. Mas ele também aparece como filho de uma grande feiticeira-
representação das grandes mães ancestrais que teria lhe ajudado a matar um grande pássaro
enviado para destruir a cidade de Ketu. Há quem afirme que Oxossi confunde-se com a sua
própria mãe e quando isso acontece o seu altar é consagrado embaixo de uma jaqueira
( Artocarpus heterophyllus) chamada Opa oká.
Oxossi liga-se á fartura, à riqueza, à descendência, daí lhe ser associado os frutos e grãos. É
o dono da comida, da carne, de todas as carnes. Talvez tenha sido por isso que alguns
terreiros da cidade de Salvador o celebre no dia de Corpus Christi, criado no século XIII pelo
Papa Urbano IV com o objetivo de realçar a presença de Cristo no pão eucarístico, na comida.
A festa tinha como objetivo celebrar o corpo de Cristo em forma de carne viva. Não
precisamos buscar explicações mais longe para entender a releitura que alguns africanos
fizeram dessa celebração. Isso fez com que o próprio Cristo fosse reverenciado dentro do
corpo místico dos caçadores representados por Oxossi.
Oxossi que em algumas comunidades terreiros aparece vestido a semelhança de um índio,
fazendo também referência às inúmeras relações que povos indígenas e africanos
estabeleceram desde cedo para garantir a sua sobrevivência.
Oxossi que é reverenciado como começo.
Oxossi também lembrado como orixá da alegria.
Oxossi representado como caçador e caçadora, mesmo quando estas imagens caíram em
desuso em algumas cidades do continente africano, pois se acreditava não ter mais sentido
falar num rei-caçador.
Oxossi dono do corpo, verdadeiramente negro e indígena, sempre a caminho de desvendar
novos mundos, renovar as relações a fim de nos manter como os tecidos que agrupam as
células que juntamente com os corpos celestes formam o entrelaçado que sustenta o
Universo e explica a dinâmica da vida
Contam os antigos que, Odé Igbò se apaixonou por uma moça
de grande beleza, esta jovem moça nascida gemeas com um
menino que não vingara, era filha de Ypondá com Erinlé, e
chamava-se Otin a Iyágbá que habitava o ‘ôco’ das árvores...
Melhor dizendo: apaixonaram-se. Odé Igbò, o Caçador que
habita o Ilè Igbò Akú, o aprendiz de magias de Obaluwaiyè,
resolveu pedir em casamento a bela caçadora, o pai dela
então perguntou:- Que provas podes dar da tua força para
pretenderes a mão da Caçadora mais hábil e bela?- As provas
do meu amor! - respondeu Igbò.Erinlé gostou da resposta,
mas achou o jovem muito afôito. Então disse:- O último
pretendente de minha filha falou que ficaria cinco dias em
jejum e morreu no quarto dia.- Eu digo que ficarei nove dias
em jejum e não morrerei. Toda a tribo se espantou com a
coragem do jovem apaixonado. Erinlé ordenou que se desse
início à prova. Enrolaram o rapaz num pesado couro de anta e
ficaram, dia e noite, vigiando para que ele não saísse nem
fosse alimentado. Porém o mestre de Igbò (Obaluwaiye)
orientou que o mesmo tomasse um banho com o ‘Amó tité’
(barro sagrado encontrado nas profundezas do rio Ilobú).Otín
apaixonada chorou e implorou à deusa ‘Oxupá’ que o
mantivesse vivo, para ser o seu amor. O tempo foi passando,
passando ... e certa manhã, a filha pediu ao pai:- Já se
passaram cinco dias. Não o deixe morrer! Erinlé respondeu:-
Ele é arrogante. Falou nas forças do amor. Vamos ver o que
acontece. E esperou até a última hora do nono dia e então
ordenou: - Vamos ver o que resta do arrogante Igbò. Quando
abriram o couro da anta, Igbò saltou ligeiro. E de seu corpo
caíam placas de barro secas, seus olhos brilhavam e seu
sorriso tinha uma luz mágica. Sua pele estava limpa e
cheirava a perfume de amêndoa. Na aldeia todos se
espantaram, e ficaram mais estupefatos ainda quando o
Caçador, ao ver a sua amada, pôs-se a trinar com os lábios
feito um pássaro, enquanto o seu corpo, aos poucos, ia se
transformando em um corpo de pássaro. E exatamente
naquele momento os raios do luar tocaram a jovem
apaixonada, que também se viu transformada em pássaro.
Então, ela saiu voando atrás de Igbò, que a chamava para a
floresta, onde desapareceram para sempre. Contam os
antigos que foi assim que nasceu o pássaro joão-de-barro. A
prova do grande amor que uniu esses dois jovens está no
cuidado com que constroem a sua casa e protegem os seus
filhotes. E nós cultuadores de Orisá e Omó Ketus
habitualmente e tradicionalmente colocamos a casa de joão
de barro proximo ao Ojubó de Odé Igbo e dentro do
assentamento de Iyágbá Otin onde o okutá dela é escondido.
E pelo mesmo motivo quando sofremos por coisas do coração
são a estes orixas que recorremos para o aceite e união!
Babalorisá Mauro T'osun - Rio de Janeiro
10
Erinlé é acusado de roubar cabras e ovelhas
Em Ijebu viveu um caçador chamado Erinlé, ele era generoso e imbatível na caça, por isso
era admirado pela maioria da população, mas havia alguns moradores que invejavam Erinlé
e que conspiravam para arruinar o caçador, famoso pela caça de elefantes e de outros
animais.
Decidiram roubar cabras e ovelhas do rei e culpar Erinlé, o rei intimou quem soubesse algo
sobre o roubo a dizê-lo, os conspiradores foram até o rei fazer a acusação, disseram que
Erinlé roubava cabras e ovelhas, escondia as peles em casa e dizia que as carnes eram de
animais selvagens.
O rei quis ouvir a defesa de Erinlé, houve testemunhos a favor dele, diante do impasse, o rei
ponderou que Erinlé parecia ser de fato um grande caçador, mas teria que provar sua
inocência. Erinlé disse: Minha caça falará por mim. Minha caça será minha testemunha”.
Erinlé foi até sua casa e trouxe coisas para o rei, Erinlé trouxe as peles dos animais
selvagens que havia caçado, presas de elefantes e de javalis, peles de gamos, veados e
antílopes.
Então o rei reconheceu a inocência de Erinlé e ordenou que ninguém mais tocasse no
assunto, Erinlé foi para casa, inocentado porém triste. Erinlé nunca se conformou com a
acusação que sofrera; Erinlé pensava e não entendia a razão de tentarem desgraçá-lo, não
quis mais caçar nem comer com os seus.
Em momentos de desespero fustigava o próprio corpo com a sua chibata de cavaleiro, seu
bilala. Imaginava que seria acusado novamente caso acontecesse outro roubo de animais.
Erinlé perdera completamente a vontade de caçar, então entrou na água de um rio próximo
e partiu de Ijebu, onde nunca mais foi visto, E se tornou o orixá do rio.
Erinlé agora é o rio, o rio Erinlé é Erinlé, o orixá caçador que já não caça.
Seus animais sagrados incluem o porco e todos os animais ligados á caça e pesca.
Prata é o seu metal preferido.
Esta Ìyá-Agbà (Mãe Anciã ou Mãe Idosa e Respeitável), de relação estreita com as Iyami,é
a orixá da caça, arte na qual, juntamente com Oxossi, é discípula de Ogum. Associada à
caça e à capacidade estratégica, Erinlé possui intuição e percepção aguçadas: por isso é
cultuada para atrair agilidade e, de fato, traz sorte nos negócios e em assuntos relativos a
dinheiro. Zeladora de assuntos familiares, é também a protetora dos humilhados e dos
injustiçados. Ama a mata e a floresta, de cujos seres conhece as propriedades, e aprecia a
vida ao ar livre. Orixá da fertilidade, é cultuada juntamente com Ossaim. É chamada de
Ibualamo, que significa o poder de Erinle é retirado das profundezas da terra. Seus
símbolos são óta (pedra de assentamento); ìrùkèrè (cauda de animal que, após preparo
artesanal e mágico, é carregada por sacerdotes e reis como sinal de realeza e poder);
èjùwèrè (instrumento ritual semelhante ao ìrùkèrè, feito de couro e, por vezes, enfeitado
com búzios ou miçangas); búzios; òpa (bastão com dezesseis pássaros, forjado em metal); o
sèkèrè (maracá); e o àdó (pequena cabaça utilizada para a conservação de pós de uso
mágico e medicinal). Seu metal é o ferro e sua preferência são as roupas multicoloridas, as
pulseiras de prata ou as confeccionadas com búzios e couro e os colares, também
confeccionados com búzios e couro.
Odè Erínlè
Erinlé o Ibualamo
O culto de Erínlè está centrado ao redor do rio Erínlè. Tido como filho de
Ainá. Erínlè é considerado por muitos como filho mítico de Iemanjá
e Oxaguiã. É um Orixá caçador, pescador e um médico, por conta de seu
conhecimento das folhas e flora em geral. Ele adquiriu o conhecimento das
folhas junto a Ossain.
Não é incomum para os sacerdotes de Erínlè carregarem um cajado
semelhante ao que carregam os sacerdotes de Ossain e de Ifá devido a
importância deles como curandeiros medicinais.
Há muitas variações no nome pelo qual Erínlè é conhecido. Assim, ele é
comumente conhecido como Erínlè dentro de Egbado, Erínlè em Ílobùú,
Erínlè em Okuku. Em Cuba e Trinidad ele é conhecido como Erínlè Ajàjà.
Ajàjà é um título honorífico que significa " Ele que come cachorro ".
No Brasil, no Candomblé de Ketu, ele é conhecido como Inlè e Oxóssi
Ibualama.
Erínlè é considerado por alguns como uma divindade hermafrodita, mas ele é
no geral adorado como uma deidade masculina, o pai de Logun Edé. Erínlè é
um Orixá das águas e das matas, mora nas matas com Ossain, Ogum e Oxóssi
e nas águas com Iemanjá, Otin e Osun. Mas a residência correta deste Orixá é
no encontro das águas do rios com as do mar.
Na tradição Lukumi, Erínlè é acompanhado por Ibojuto e Abátàn( pântano) é a
divindade da baixada. Abátàn normalmente é considerada como a
companheira de Erínlè. Quando Erínlè é assentado ela também é assentada.
Come com Erínlè e participa de todos as suas oferendas. Ela é sua contraparte
feminina, duas divindades que se unem como um, embora sejam distintos eles
funcionam juntos como um. Há um equilíbrio, dando uma visão instantânea
do caráter de Erínlè, uma mistura perfeita das energias masculinas e
femininas.
Além disso, considera-se que a familia de Erínlè se compõe de: Abátàn( sua
esposa), Boyuto (guardião de Erínlè e Abátàn ), Otin (filha de Erínlè com
Abátàn), Asipelu( ajudante de Erínlè ), Logun Edé( filho de Erínlè com Osùn)
e Asao( duplo Erínlè).
O awo-ota-Erínlè, é o nome dos recipientes usados dentro do culto de Erínlè.
Sopeiras ou potes fechados que guardam pedras e água são
predominantemente associados com divindades femininas.
Quando a possessão acontece, Erínlè dança com o Ópà Óréré (cajado com o
pássaro de ferro, semelhante ao de Osányìn) representando sua importância
como curandeiro e conhecedor do poder das folhas.
11
Diz um mito que Oxossi encontrou Iansã na floresta, sob a forma
de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casa
com ela, tem muitos filhos que são abandonados e criados por
Oxum.
Cantigas
OSÓÒSI
Oke, Odè ko ké ma wo! (Salve o Rei que é aquele que
fala mais alto!)
Farahàn rere Fibó (Osóòsi Fibó venha nos cobrir com
sua bondade)
Ode Fibó farahàn lewa kosè (Oxossi, encubra-nos com
sua bondade e beleza, amém)
Omo ode (Filho do caçador)
Olu wó kí rí bodè (Cumprimentamos o Senhor
Caçador)
Olu wó kí rí bodè (Cumprimentamos o Senhor
Caçador)
Àwa ní sa Omo odé (Venha até nós Filho do Caçador)
Ode onise wá (Venha Grande Caçador)
E aráiye (Nós, filhos de santo)
Ode aréré òkè (O saudamos)
E Òrisà elo (Ele vem com o vento)
E oun Ofà Akueran (Akueran é um caçador)
Omo ode Ode Ìroko (Filho do caçador, Oxossi Iroko)
E oun Ofà Akueran (Akueran é um caçador)
E o sí bodè. E o sí bodè (Nós o saudamos)
Arolè o sí bodè e o sí bodè (Nós o saudamos. Nós o
saudamos)
E o sí bodè (Nós o saudamos)
Olu o kí rí kí rí bodè (Queremos encontrar e
cumprimentar o Sr. Caçador)
Kí rí kí rí bodè (Encontrar e cumprimentar o Sr.
Caçador)
Kí já kí já wá rà dé ode yò màa (Queremos
cumprimentar quem sempre nos ajuda. Ficamos
felizes sempre com sua presença)
Sálo kí ri (Queremos encontra-lo para cumprimenta-
lo)
Wá si lò ko (Venha para esta terra que é sua)
Elo ké re odè àárò lè ló ké re (Pela manhã clamamos
pelo caçador para que nos proteja com o seu poder)
Ode àárò lè ló gbèjà lè ló gbèjà (Pela manhã clamamos
para que o caçador use seu poder para nos defender)
Olu o kí rí kí rí bodè (Queremos encontrar e
cumprimentar o Sr. Caçador)
Kí rí kí rí bodè (Encontrar e cumprimentar o Sr.
Caçador)
O wá nibó oro odè (O Caçador vem com o vento)
O ké odara sálo gbé rà (O chamamos para que venha
nos ajudar para que fiquemos bem)
Omo odè se rere Ìrokò (Iroko, filho de caçador, só faz
o bem)
Se rere wá lò Ibo (Ibo, venha fazer o bem em nosso
altar)
Onise wá ra e odè Aréré Lokuere (Venha até nós
grande caçador)
Omo odè se rere Ìrokò (Iroko, filho de caçador, só faz
o bem)
Se rere wá lò Ibo (Ibo, venha fazer o bem em nosso
altar)
Ará wá won ní je kí ofà rè won (O cumprimentamos
Senhor da caça. Traga para nós o alimento)
Ofà rè ye je ní won (Sua caça nos alimenta e nos dá
vida)
Ago ofà ní won, a arò ilè ko de wa jo ní gbo o ará wá
(Os filhos de santo batem o Arò para que o caçador
venha se manifestar em nossa casa)
Won ní je kí ofà rè won (Agradecemos pela comida
que nos dá)
Wá ní je ki ofà rè won (Senhor caçador, venha receber
nossos agradecimentos pela comida que nos dá)
Oluaiyè a aréré (Rei caçador)
Oluaiyè a ago gbo (Rei caçador nós cremos em ti)
Oluaiyè aréré ago gbo (Rei caçador nós cremos em ti)
Oló dó bí ewè (Ele nasceu na mata)
Oló dó bí ewè bàbá (O pai gerou seu filho na mata)
Wá wá lè ko de Omo odè (Filho do caçador venha,
venha mostrar seu poder nesta casa)
Wá wá lè ko de Omo odè (Filho do caçador venha,
venha mostrar seu poder nesta casa)
E ati rè okè ní lè imoye (O Senhor caçador tem poder
e sabedoria)
E ati rè okè ní lè imoye (O Senhor caçador tem poder
e sabedoria)
O Dana-dana (Ele é Dana-Dana)
Ti sè eran odè O bom caçador que prepara a sua caça)
Kí rí kí rí bodè (Cumprimentamos ao encontrar o Sr.
Caçador)
Odè ni o (Ele é um grande caçador)
O ní aráiye Ibo si (Ibo atende a todos nós)
O ní aráiye Ibo si ma lè ké o àjo (Ibo atende a todos
nós. Podemos contar com seu poder por toda a nossa
jornada)
Ibo si ma wé ki o àjo (Podemos contar com Ibo por
toda a nossa jornada)
O ni aráiye odè aréré oké (Ele é, para todos, o Rei
caçador)
Àwa ní ko de lò ke (Cantamos para ele que fala mais
alto)
Odè a pà o eran (O caçador é quem mata a caça e traz
a carne)
Àwa ní ko de lò ke (Cantamos para ele que fala mais
alto)
Odè a pà o eran (O caçador é quem mata a caça e traz
a carne)
Odè bi ewè (ele nasceu na mata)
Odè lò ké o a pà o eran (O rei que fala mais alto é
quem mata a caça e traz a carne)
Odè kí a mò de odè (Nós cumprimentamos o Rei
caçador pois o conhecemos)
Odè kí a mò de odè (Nós cumprimentamos o Rei
caçador pois o conhecemos)
Odè aréré (Salve o Rei caçador)
Odè kí a mò de odè ni ma wó (Nós cumprimentamos e
reverendamos o Rei caçador)
Odè ki a mò de odè òòni e (Nós cumprimentamos o
Rei caçador. Ele é o Rei da nação Yorubá)
Ago gbo mi rò òsè mi ro (Todos cremos que o nosso
ritual é benéfico)
Orò ìmale (Nosso culto é para homenagear e cultuar
nossos ancestrais)
O si bodè (Ele é o vento)
E o si bodè (Ele é o vento)
Arolè o si bodè (Arolè é o vento)
E o si bodè (ele é o vento)
O ní dá wó (ele nasceu para caçar)
O ní dá wwó ní ma lè (Ele tem o poder de caçador)
O ní dá wó lè mimó (Ele tem o poder sagrado de
caçador)
Ofà mi lò si (Ele usa seu arco e flecha)
Abo wá (Para nos proteger)
Abo wá là abó (Para nos proteger e abrir nossos
caminhos)
Alaketu e (Venha ao Reino de Ketu)
Sa lò kun odara (Aceite o convite)
Sa lò kun odara (Aceite o convite)
Sa lò kun odara Arolè (Aceite o convite do Rei de
Ketu)
Sa lò kun odara (Aceite o convite)
Ma ba isé isé Ìrokò (Iroko sempre nos ajuda com os
trabalhos)
E abo wá e (Ele vem nos amparar)
E abo wá (Ele nos ampara)
Ofà ofà bèru já (O arco e flecha é a sua arma de luta)
Ofà ofà bèru já (O arco e flecha é a sua arma de luta)
Ofà ofà bèru já ni Ibo (Ibo tem um arco e flecha para
lutar)
Ofà ofà bèru já lò de (O arco e flecha do caçador é
usado para caçar)
Àwa ta pà ta pà rò de (Nós manuseamos a caça que
vai morrer, com respeito)
Àwa ta pà ta pà àwo (Nós manuseamos a caça que vai
morrer para o culto)
Ará ará a we (Ela tem dono, ela tem dono por isso a
tratamos com respeito)
Ajé we lè ajé we lè o dá pà lò si (Cobrimos a cabeça em
respeito às bênçãos do ajé (sangue) do animal que cai
que é para nos salvar)
Ajé we lè ajé we lè o dá pà lò si (Cobrimos a cabeça em
respeito às bênçãos do ajé (sangue) do animal que cai
que é para nos salvar)
Kí tí kí tí Ibo alé mi rù wa (cumprimentamos Ibo
quem nos salva dos perigos)
Ódá pà we si Ibo (Ibo nos protege durante à noite)
Kí tí kí tí Ibo alé mi rù wa (cumprimentamos quem
nos salva dos perigos)
Ale si ko (Ele nos protege dos perigos)
Arolè o inaio ke o ajo (Rei de Ketu, pedimos que
ilumine a nossa jornada)
Arolè o inaio ke o ajo (Rei de Ketu, pedimos que
ilumine a nossa jornada)
O ní aráiye (Ele ajuda a toda humanidade)
Ke o inaio ke o ajo (Pedimos que nos ilumine em
nossa jornada)
O ké arò o ké (Nós te chamamos Oxossi, nós te
chamamos)
O ké arò (Nós te chamamos)
Òsè ni bò kun (Ajude-nos em nosso ritual)
Odè aké lem (Caçador, traga a sua força)
Odè ilè (Caçador em nossa casa de santo)
Okè arò, okè (Nós te chamamos)
Omo odè Omo kí kí o yo-jáde (Filho do caçador,
apareça para que possamos cumprimentá-lo)
Omo odè Omo kí kí o yo-jáde (Filho do caçador,
apareça para que possamos cumprimentá-lo)
Omo odè odè yio ajadi we lè (Filho do caçador,
tocamos o adja e danamos em sua homenagem,
caçador)
Omo odè odè yio ajadi we lè (Filho do caçador,
tocamos o adja e danamos em sua homenagem,
caçador)
Siré, siré (Festa, festa)
Odè ma ta òrè òrè (O caçador sempre confraterniza
com os amigos)
Siré, siré (festa, festa)
Já bè lè okè ílò rò odè ma ta àgo lóna (Com sua
licença cantamos e pedimos que confraternize
conosco e que sua paz nos alcance)
E rere fibo odè Fibo (Odè Fibo é encantador)
Pè rere Afoxé Omo odè (Chamamos o filho do caçador
com seu encanto para o Afoxé)
E mò re lè ko lè (Nós conhecemos seu poder sobre a
terra)
Omo odè (Filho do caçador)
E odè ma ta (Ele sempre confraterniza)
E odè lè (Ele é um caçador poderoso)
O ní pepe (Ele tem um reino)
Siré, siré (festa, festa)
Odè ma ta òrè òrè (O caçador sempre confraterniza
com os amigos)
E jô jô balé (Ele é o chefe da comunidade e dança)
Iná ba ta tó ba lé (A luz do chefe da comunidade ajuda
e ilumina a todos)
Aráiye (A humanidade)
Odè aréré oke (Saúda o Rei caçador)
E Òrisà rélo (Ele é um Orixá sedutor)
E oun ofà Akueran (Ele é Oxossi Akueran)
Odè ni tà fasoké (O caçador sempre nos ajda)
Ba lè ode ní tà fasoké (Com seu poder o caçador
sempre nos ajuda)
E odè aráiye ode pà ra ká de (O caçador alimenta a
humanidade com seus frutos e sua caça)
E odè aráiye ode pà ra ká de (O caçador alimenta a
humanidade com seus frutos e sua caça)
E wá wá wá odè ní lè àwa (Caçador venha, venha
trazer suas bênçãos para nós)
Odè kí ni jó (O caçador com sua dança nos
cumprimenta)
Omo odè lóní (Todo dia é dia do Filho do caçador)
Omo odè oluayè (Filho do caçador é o Senhor do
Mundo)
Odè balè já mi rò (Caçador com seu poder de luta
acalma tudo e nos ajuda)
Odè balè já mi rò (Caçador com seu poder de luta
acalma tudo e nos ajuda)
E sìn ké lè Arolè (Arole nós pedimos a sua ajuda)
E sìn ké lè Arolè (Arole nós pedimos a sua ajuda)
E Arole e ma là ko (Rei de Ketu sempre nos ensina)
E Arole e ma là kó-lekó (Rei de Ketu sempre nos
doutrina)
1 – Olówó gìrí-gìrí lóòde, ó gìrí-gìrí lóòde
Ó wà nìgbó òrò ode Òkè ó dára sáà ló gbéeron.
OLowo Guiri Guiri Lodê
Guiri Guiri Lodê (2x)
Owà nibô Oro Odé
Okê Odará Xaloberam (2x)
Tradução:
Abastado Senhor que faz barulho com os pés, como se fosse,
Muitas pessoas ao redor (tática de caça africana), ele faz
Barulho com os pés como se fosse muitas pessoas ao redor,
Ele está no bosque (na floresta), a fala (voz) do caçador é
Alta e ele é bom na rapidez (tempo) em ferir a caça.
2 – Oní aráayé ode a rere òké àwa ní kó dé lókè
Dódé a pa eran, áwa ní kó dé lókè dode a pa eron
Ode bí ewé ode lóòde kó àwa pa eron.
Tradução:
Senhor da humanidade, nosso bom caçador, nós o
Chamamos para aprendermos a caçar e acima de tudo,
Ir caças e encontrar a caça.
3 – omorode sè rè ewé irokò, sè rè ewà ló igbó
omorode sè rè ewé irokò, sè rè ewà ló igbó
oní aráayé ode a rere ó pè omorode sè rè ewé
lokò sè rè ewà ló igbó.
Tradução:
O filho do caçador origina-se das folhas de Iroko,
Origina-se da beleza e poder das florestas, o filho
O filho do caçador origina-se das folhas de Iroko, origina-se
Da beleza e poder das florestas. Senhor da humanidade,
Nosso bom caçador, nós o chamamos. O filho do caçador
Origina-se das folhas de Iroko, origina-se da beleza
E poder das florestas.
4 – oló tóbi ewé, oló tóbi ewé bàbá
Oló tóbi ewé tobí ewé oló tóbi ewé bàbá.
Tradução:
Grande Senhor proprietário das folhas (folhagens e florestas)
Grande Senhor das folhas e pai.
5 – Ode ki a mò dódé, ode ki a mò dódé, ode a rere
Ode ki a mò dódé ní mawo, ode ki a mò dódé oníye.
Tradução:
Caçador que nos faz saber como ir à caça, caçador que nos faz
Saber como ir à caça nosso bom caçador, caçador que nos faz
Saber como ir a caça, Ní Mawo (cumprimento para importante Governante)
Caçador que nos faz saber como ir à caça e Senhor que nos favorece.
6 – Ofà rè ye ye fígbó dódé fígbó
Ofà rè ye ye ko sè omorode.
Tradução:
Seu arco e flecha são adequados e convenientes para a
Floresta, para caçar na floresta, seu arco e flecha
São adequados e apropriados para (originarem-se) formar
Novos caçadores.
7 – Ewà tirè òkè, ewà tirè ní lé igbó rè ó
Tradução:
Sua beleza é elevada (está acima de tudo)
Sua beleza em nossa casa e em vossas matas.
Preces
Preces
♐ Orìn ti Ódè Érìnlè Kéèré - Kéèré Ódè ó ♐
- Kéèré Ódè ó
Olóórìsà Kè mi má sà,
Kè mi mà awò
Órìsà Ódè igbó ótókònsósó,
Áwà ómódè tí Èrìnlè,
Áwà ómódè tí ó kú eròn,
Ódè igbó tí kó lá,
Bábà Ódè igbó ofà isè lè sóró.
Tradução:
Silêncio! Permaneçam em silêncio, ele é o caçador.
Senhor Orixá afague-me, não me fira, afague-me com entendimento do culto, Orixá caçador
das florestas, aquele que só usa uma flecha e que jamais erra o alvo, somos filhos de Èrìnlè,
somos filhos daquele que mata a caça, caçador das florestas que foi o primeiro a obter
riquezas, o primeiro a tornar-se rico, pai
caçador das florestas, seu arco e sua flecha originam-se da mais alta tradição .
Odé minha vida.
2.
Ìbà rẹ, Ìbà mi, Ìbà Èṣù ojíṣẹ ọdẹ̀, Ìbà Ògún ọlọ́dẹ̀, Ìbà ọ̀ṣọọsì ọdẹ̀ má ta, Ìbà Ológún-ẹ̀dẹ̀
Oporolika,
Ìbà ọ̀rẹlúéré, Ìbà Olúwéré Irókò, Ìbà Otìn, Ibà Erinlẹ̀, Ìbà Òrìṣà Oko, ọdẹ̀ gbogbo Ìbà yin
o!
Suas saudações, minhas saudações, saúdo Exu mensageiro dos caçadores, saúdo
Ogum o líder dos caçadores, saúdo Oxóssi caçador não atire, saúdo o guerreiro da
cidade de Edé, saúdo o primeiro caçador a pisar na terra, saúdo Olúwéré da sagrada
árvore de Irocô, saúdo Otim, saúdo a caçadora de elefantes, saúdo o deus das
fazendas, todos os caçadores eu os saúdo!
Òsoosì.
Awo Òde Ìjà Pìtìpà.
Omo Ìyá Ògún Oníré.
Òsoosì Gbà Mí O.
Òrìsà A Dínà Má Yà.
Ode Tí Nje Orí Eran.
Eléwà Òsòòsò.
Òrìsà Tí Ngbélé Imò,
Gbe Ilé Ewé.
A Bi Àwò Lóló.
Òsoosì Kì Nwo Igbó,
Kí Igbo Má Aì Tìtì.
Ofà Ni Mógàfí Ìbon,
O Ta Ofà Sí Iná,
Iná Kú Pirá.
O Tá Ofà Sí Oòrùn,
Oòrùn Rè Wèsè.
Ogbàgbà Tí Ngba Omo Rè.
Oní Màríwò Pákó.
Ode Bàbá Ò.
O Dé Ojú Ogun,
O Fi Ofà Kan Soso Pa Igba Ènìyàn.
O Dé Nú Igbó,
O Fi Ofà Kan Soso Pa Igba Eranko.
A Wo Eran Pa Sí Ojúbo Ògún Lákayé,
Má Wo Mí Pa O.
Má Sì Fi Ofà Owo Re Dá Mi Lóró.
Odè Ò, Odè Ò, Odè Ò,
Òsoosì Ni Nbá Odè Inú Igbo Jà,
Wípé Kí Ó De Igbó Re.
Òsoosì Oloró Tí Nbá Oba Ségun,
O Bá Ajé Jà,
O Ségun.
Òsoosì O !
Má Bà Mi Jà O.
Ogùn Ni O Bá Mi Se O.
Bí O Bá Nbò Láti Oko.
Kí O Ká Ilá Fún Mi Wá.
Kí O Re Ìréré Ìdí Rè.
Má Gbàgbé Mi O,
Ode Ò, Bàbá Omo Kí Ngbàgbé Omo.
Oxosse !
Ó orixá da luta,
irmão de Ògún Onírè.
Oxosse, me proteja !
Orixá que tendo bloqueado o caminho,
não o desimpede.
Caçador que come a cabeça dos animais.
Orixá que come ewa osooso.
Orixá que vive tanto em casa de barro
como em casa de folhas.
Que possui a pele fresca.
Oxosse não entra na mata
sem que ela se agite.
Ofà é a arma poderosa que o pai usa em
lugar de espingarda.
Ele atirou a sua flecha contra o fogo,
o fogo se apagou de imediato.
Atirou sua flecha contra o sol,,
O sol se pos.
Ó salvador, que salva seus filhos !
Ó senhor do màrìwó pákó !
Meu pai caçador,
chegou na guerra,
matou duzentas pessoas com uma única flecha.
Chegou dentro da mata,
usou uma única flecha para matar duzentos animais selvagens.
Arrasta um animal vivo até que ele morra e o entrega
no ojubo de Ogum.
Não me arraste até a morte.
Não atire sofrimentos em minha vida,
com seu Ofà.
Ó Odè! Ó Odè! Ó Odè!
Dentro da mata, é Oxosse que luta ao lado do caçador
para que ele possa caçar direito.
Oxosse, o poderoso, que vence a guerra para o rei.
Lutou com a feiticeira e venceu.
Ó Oxosse, não brigue comigo.
Vence as guerras para mim
Quando voltar da mata, Colhe quiabos para mim.
Ao colhê-los, tire seus talos.
Não se esqueça de mim.
Ó Odè, um pai não se esquece do filho.
Lóòtun I´ ààbò, igbó Òrisà a kofà awo.
Lóòtun I´ ààbò, igbó ÒrisÀ a kofà awo.
Lóotum labô ibô orixá a cófa auô
Lóotum labô ibô orixá a cófa auô
Renove-nos e nos dê proteção, Orixá das matas e nós vamos pegar o arco e a flecha
para cultuá-lo.
Renove-nos e nos dê proteção, Orixá das matas e nós vamos pegar o arco e a flecha
para cultuá-lo.